terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Pacote da Dilma é conto do vigário contra o trabalhador


Jorge Oliveira



Maceió - Certa vez, o então ministro das Minas e Energia, Cesar Cals, me confidenciou que o governo brasileiro vive de improviso. Ao anunciar o recolhimento dos carros com mais de dez anos de uso como uma das medidas para racionar energia na crise entre as décadas de 1970/80, ele foi chamado pelo presidente João Batista Figueiredo para ser repreendido. A medida, segundo o general, era impopular e, portanto,  negativa ao governo. A decisão de Cals não prosperou e os carros velhos continuaram a rodar por esse país afora consumindo mais combustíveis pela desregulagem do motor.

O ministro me confessou que a medida surgiu depois de uma conversa com amigos e alguns goles de uísque na Península dos Ministros, onde residia em Brasília. Não foi gerada por nenhum estudo técnico nem baseada em dados que comprovassem a eficácia da economia de combustível. Além disso, lembraria ele, não existiria espaço para estocar tantos carros e logística para mantê-los guardados. Na época, publiquei a matéria no Jornal do Brasil resguardando a fonte.

Nada mudou de lá pra cá. Nessa coisa de improviso não existe diferença entre governo ditador e democrático. Em Brasília, tudo é feito ainda na base do improviso. Não há, por exemplo, quem me convença de que essa liberação de 83 bilhões de reais  para incentivar o consumo não trilhou o mesmo caminho de uma reuniãozinha movida a uísque. Se a decisão tivesse sido amadurecida por economistas sérios, discutida a sua eficácia e a importância dos seus benefícios, evidentemente que o ex-ministro Joaquim Levy a teria usado para sair do sufoco.

Não precisa ser nenhum gênio em economia para constatar que, mais uma vez, o governo da Dilma trabalha atabalhoadamente. E o seu atual ministro da Fazenda, forjado dentro do Instituto Lula, pensa como o Cesar Cals. Sacou da cartola a solução mágica para tirar a economia do limbo usando o FGTS do trabalhador para estimular o consumo.

É mais uma maldade contra os trabalhadores.

Em vez de reduzir os gastos e procurar outras alternativas para desenvolver o país gerando renda e emprego, a Dilma incentiva o trabalhador a entregar o FGTS aos bancos como garantia de empréstimos . Ora, depois da elasticidade dos créditos para compra de carros e a autorização dos empréstimos também consignados aos aposentados, levando-os a falência, o governo quer agora entregar o cofrinho do trabalhador aos bancos. Quem não lembra, por exemplo, do desastre que foi a compra das ações da Petrobrás com o dinheiro do FGTS?

O trabalhador, que vem sofrendo com a recessão econômica, não vai pensar duas vezes para penhorar seu fundo de garantia nos bancos. E, com essa medida, como sempre acontece, os banqueiros vão reforçar o caixa sem o medo de perder o dinheiro emprestado a juros de mercado, um dos mais altos do mundo.

Na verdade, essas coisas só acontecem em um governo biruta como o da Dilma que não planeja o país para tirá-lo do buraco. Continua gastando desenfreadamente como se tivesse nadando em dinheiro. Mantém ministros incompetentes nos cargos, como o da Saúde,  para agradar aos partidos e evitar o impeachment. E vive gastando milhões de reais em roupas, viagens e boas comidas para se manter elegante e bem alimentada com o dinheiro do trabalhador, o mesmo dinheiro que ela agora – em nome do crescimento – vai meter a mão.

E como alegria de pobre dura pouco, mais cedo ou mais tarde, o trabalhador, endividado, vai perceber que entrou, mais uma vez, no conto do vigário para melhorar o ranking dos bancos brasileiros, os mais lucrativos do mundo.

A teoria de Cals de que tudo em Brasília se faz no improviso continua valendo. Infelizmente, para desespero dos brasileiros. 


 Comentarios

Joilson Gouveia ·
Há mais de quatro lustros que o Brasil vive um entropia escarlate senão uma anomia em que vermelhos têm solução para tudo e sobre todos os problemas que afligem aos brasileiros e brasileiras, mas nada sabem, nada ouviram ne viram nem sabiam que acontecia às suas barbas! Ou não? O que fizeram de bom, de profícuo, de útil e de produtivo para o nosso Brasil? Jorge, quanto "investiram" nas ditas nações amigas e de bandeirinhas comunasocialistas nesse últimos três lustros? Ah! E compare com os "investimentos" feitos na nossa nação tupiniquim, sim?

Jandir Rodrigues ·
Works at Retired
Se essas coisas (e tantas outras de igual importância) fossem ditas na TV, em horário nobre, dando espaço para os que pensam o contrário rebaterem criando um debate sério, da mesma forma como se debate o clássico de futebol jogado, então se poderia dizer que a televisão estaria fazendo um serviço de utilidade pública.

Edson Nogueira de Sá ·
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,Realmente Jorge,,,,seus artigos sempre 0bjetivos,,,,,,,,,,,esta poupança,,,,,forçada q os trabalhadores dispunham, vai para o espaço,,,,,,,,,,,Mais uma enganação da Madame Min,,,,,,,,,

Wagner Mendes Encarnacao ·
O Brasileiro é idiota mesmo. Gosta de uma mentirinha no ouvidinho ...

Elliam Monteiro FrançaÓtimo artigo.

Dilma é vaiada no Congresso durante discurso pedindo a volta da CPMF

 
 
Diario do Poder
 
Início do ano legislativo
Presidente foi vaiada toda vez que falou da recriação da CPMF
Publicado: 02 de fevereiro de 2016 às 16:49 - Atualizado às 17:08


“Mobilizar Congresso em prol do Marco Legal das RPPNs é o desafio do ano”, afirma Laércio M. de Sousa

Por Daniele Bragança
Representantes da CNRPPNs, Flávio Ojidos e Laércio Machado de Souza participam do VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, evento realizado em setembro do ano passado. Foto: Arquivo Pessoal/Ojidos.
Representantes da CNRPPNs, Flávio Ojidos e Laércio Machado de Souza participam do VIII 
Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, evento realizado em setembro do ano passado.

Foto: Arquivo Pessoal/Ojidos.


Neste domingo, 31 de janeiro, os proprietários de reservas particulares comemoram 26 anos desde que foi publicado o decreto federal, nos idos de 1990, que instituiu as Reservas Particulares de Patrimônio Privado (RPPNs). Esse tipo de unidade de conservação é criado por ato voluntário do proprietário de terra e no Brasil é perpétuo: uma vez criado, não se pode voltar atrás. 



De 1990, quando foi criada a pequeníssima RPPN “Vegafogo”, a primeira reserva privada do país, pra cá, o Brasil ganhou mais de 1300 reservas, que abrangem, juntas, 750 mil hectares de áreas protegidas. 


Para o presidente da Confederação Nacional de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (CNRPPN), Laércio Machado de Souza, o principal desafio deste ano será mobilizar os parlamentares para a votação do Projeto de Lei 1548/2015, do deputado Sarney Filho (PV-MA), que reconhece as reservas privadas como de proteção integral e cria mecanismos específicos para incentivar a criação de RPPNs, como a isenção total do Imposto Territorial Rural (ITR) para RPPNs que tomarem mais de 30% de uma propriedade rural. Isso porque grande parte das RPPNs são criadas dentro de fazendas, mas a isenção só vale para a área preservada, o resto paga o imposto.


A CNRPPN é formada por 17 associações estaduais ou regionais de proprietários de RPPN e representa todos os biomas brasileiros. Internamente, a Confederação discute mudanças no seu formato de gestão e trabalha na meta de alcançar a marca de 1 milhão de hectares de reservas privadas até 2020. 


“A meta é ambiciosa. Demoramos 25 anos para termos 750 mil hectares protegidos. Vamos trabalhar duro para cumprir 250 mil hectares em 4 anos”, afirma Sousa. 


Na avaliação do vice-presidente da CNRPPN, o advogado Flávio Ojidos, embora os números mostrem que as reservas particulares são um sucesso, as dificuldades ainda residem na falta de incentivos governamentais para gerir essas áreas.


“Quando a gente fala de apoio e incentivo, este incentivo não é só financeiro. Ele pode ser um recurso humano, um recurso técnico, um recurso material. Um incentivo muito importante que tivemos no Estado de São Paulo foi a parceria com a polícia ambiental, que é um apoio a proteção e fiscalização da área. [...] Mas não é só isso, tem uma série de outras possibilidades, como o repasse do ICMS ecológico para RPPN [...]. Uma outra possibilidade de incentivo é uma parceria com o poder público quando tem uma unidade de conservação pública próxima de uma RPPN”, explica.


Os dois representantes da CNRPPN estão convencidos de que os proprietários de RPPN alocam mais recursos para gerir as suas unidades do que o governo investe na manutenção de unidades de conservação públicas. A percepção é empírica, mas um relatório está sendo produzido para comparar o investimento por hectare feito em áreas protegidas públicas e privadas.


“A gente acredita que as RPPNs estão tendo maior investimento por parte dos proprietários do que se fossem unidades de conservação pública. O que justifica, no nosso modo de ver, a formulação de políticas públicas por parte do governo para apoiar e incentivar a criação de RPPNs no país”, afirma Ojidos.


Para Laércio M. de Sousa, a sociedade brasileira necessita apoiar a criação de novas RPPNs e o governo precisa criar políticas públicas para fomentar a criação dessas áreas. 


“RPPN é uma iniciativa privada onde o ônus da conservação e da criação é todo do particular. E o bônus dos serviços ecossistêmicos que estão sendo gerados nestas reservas estão sendo usufruídos pela coletividade.


 A gente tem discutindo muito a questão de tratar as RPPNs como unidades prestadoras de serviços ecossistêmicos e, com base nisso, difundir a categoria de RPPN para a sociedade em geral, para que a sociedade entenda os benefícios que ela tem advindo da conservação voluntária de terras privadas”, conclui.

E atenção! STJ decide: policiais aposentados não têm direito a portar armas de fogo!

Matéria encaminhado pelo escritor Ítalo Pasini.

STJ: o porte de arma de foto a que têm direito os policiais da ativa não se estende aos policiais aposentados.

Publicado por Marcos Fonseca -

O Informativo de Jurisprudência é uma publicação periódica que divulga notas sobre teses de especial relevância firmadas nos julgamentos do STJ, selecionadas pela repercussão no meio jurídico e pela novidade no âmbito do tribunal.
Nesta nova edição, dentre os temas relevantes, destaca-se ‘a vedação da manutenção do porte funcional de arma de fogo para o policial aposentado’.
"DIREITO PENAL. PORTE DE ARMA DE FOGO POR POLICIAL APOSENTADO. O porte de arma de fogo a que têm direito os policiais (arts.  da Lei nº10.826/2003 e 33 do Decreto nº 5.123/2014) não se estende aos policiais aposentados. Isso porque, de acordo com o art. 33 do Decreto nº 5.123/2014, que regulamentou o art.  da Lei nº 10.826/2003, o porte de arma de fogo está condicionado ao efetivo exercício das funções institucionais por parte dos policiais, motivo pelo qual não se estende aos aposentados. Precedente citado: RMS 23.971 - MT, Primeira Turma, DJe 16/04/2008. HC 267.058 - SP, Relator Min. Jorge Mussi, julgado em 04/12/2014, DJe 15/12/2014."

A decisão final sobre a demanda foi tomada pela Primeira turma do STJ ao julgar um Habeas Corpus oriundo de São Paulo. Julgada em 04/12/2014, publicada em 15/12/2014, tendo recentemente seu trânsito em julgado.
Pela decisão, "o porte de arma de fogo está condicionado ao efetivo exercício das funções institucionais por parte dos policiais, motivo pelo qual não se estende aos aposentados". Os Ministros baseiam essa decisão no art. 33 do Decreto nº 5.123/2014, que regulamentou o art.  da Lei nº 10.826/2003 (a chamada lei do desarmamento).


Analisemos então o fundamento jurídico utilizado pelo julgadores para negar a continuidade do porte de arma aos policiais aposentados.
Depreende-se do parágrafo 2º do artigo  da Lei nº 10.826/2003, com redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008, que os policiais terão direito de portar arma de fogo de propriedade particular ou fornecida pela respectiva corporação ou instituição, mesmo fora de serviço com validade em âmbito nacional. É o porte funcional de arma de fogo. O dispositivo informa ainda que esse porte funcional de arma de fogo deverá se dar “nos termos do regulamento desta Lei”. Este regulamento é o Decreto (presidencial) nº 5.123, de 1º de julho de 2004.

Portanto, o porte funcional de arma de fogo para o policial deve obedecer aos termos desse decreto presidencial.
Ocorre que, no artigo 33 desse regulamento, estabelece que o porte de arma de fogo é funcional, somente devendo ser deferido aos policiais em razão do desempenho de suas funções institucionais. Ou seja, aos Policiais da ativa, excetuando os já aposentados.
Isso é uma vergonha... Você passa a vida se dedicando a combater o crime e quando se aposenta te tiram o direito ao porte de arma, como se sua história de combater bandidos fosse apagada, bem como a memória dos marginais!
Vamos reunir as associações e sindicatos de policiais para denunciar e buscar mudar a Lei.
Comentário:


"Álvaro aposentou-se da polícia militar do Rio de Janeiro, depois de 30 anos de serviços prestados. Nesse ínterim, participou de dezenas de confrontos com bandidos, em meio a fuzilarias; efetuou centenas de prisões, nas quais era comum deter um bandido com 30 entradas em delegacias, até com suspeita de homicídio, como sói acontecer.


Quer queira, quer não, tornou-se conhecido na área de sua atuação, por seu empenho no cumprimento do dever.

Devido a sua competência e também um pouco de sorte, escapou ileso e obteve uma aposentadoria.


No dia da despedida, em sua unidade militar, entregou a arma, em cumprimento à lei vigente.
Um mês depois, no estacionamento de um “shopping”, é abordado por um elemento que lhe diz: “Lembra-se que um dia você prendeu-me e jogou-me no camburão com toda estupidez? 


Agora, chegou sua vez, mas vou dar-lhe uma chance... 


Saque sua arma... E deu-lhe dois tiros à queima roupa.”

Ítalo Pasini


 

Macri retirou retrato de Lula da Casa Rosada


Mauricio Macri mandou retirar o retrato de Lula da Casa Rosada.

Diz O Globo:

"Por decisão da Secretaria-Geral da Presidência, foram retirados da Casa Rosada os retratos dos ex-presidentes argentino Néstor Kirchner (2003-2007) e venezuelano Hugo Chávez, ambos já falecidos.

Segundo informou o jornalista Santiago Fioritti, do Clarín, o governo Macri também mandou retirar uma caricatura de Kirchner sozinho e outra do ex-presidente abraçado a seu colega e amigo Luiz Inácio Lula da Silva".


Adeus, meninos

Golfinho achado morto em Santos: mais uma vítima da pesca e poluição

((eco))

Por Fabio Pellegrini
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Este foi o sétimo golfinho encontrado morto nas praias da região pelo Instituto Gremar em 2016. Foto: Fabio Pellegrini
Este foi o sétimo golfinho encontrado morto nas praias da região pelo Instituto Gremar em 2016. 

Foto: Fabio Pellegrini

Um golfinho da espécie Sotalia guianensis foi encontrado morto no sábado (30) na faixa de areia próxima ao Emissário Marinho de Santos (SP). O Instituto Gremar,  que trabalha com resgate de aves, tartarugas e mamíferos marinhos na região da Baixada Santista, foi contatado para dispor do animal.

Rosane Farah, bióloga responsável do Instituto Gremar, explica que ao longo dos anos são encontrados animais mortos ou feridos nas praias da região. “As principais ameaças aos animais marinhos são as capturas acidentais em redes de pesca e a poluição. Há muito lixo nas praias. Falta conscientização. Se cada um recolher seu lixo e fizer a destinação adequada, com certeza nossos oceanos estarão mais protegidos e consequentemente os animais marinhos também, além de podermos usufruir de praias mais limpas e agradáveis”.
Lixo encontrado nos estômagos de tartarugas surpreende. Foto: Fabio Pellegrini
Lixo encontrado nos estômagos de tartarugas surpreende. Foto: Fabio Pellegrini

Apesar da pesca de golfinhos e suas variedades ser proibida no Brasil desde 1963, muitos animais se enroscam e se ferem nas redes armadas para captura de peixes. Também é comum animais marinhos ingerirem plásticos duros e moles que flutuam nas águas e morrerem por isso.

Segundo a bióloga, o Instituto recolheu das praias, somente este ano, 24 animais vivos (22 aves e duas tartarugas) e 78 animais mortos (19 aves, 52 tartarugas e 7 golfinhos).

Para Oslo, não há inocentes



 

Noruega responsabiliza Petrobras por corrupção, ameaça retirar capital e vê chance de ‘sinal claro para o Brasil e o resto do mundo’ na punição de executivos, políticos e funcionários

 
Há um ano no comando da Petrobras, o administrador Aldemir Bendine ainda não conseguiu reverter o ceticismo de investidores sobre os rumos da “nova companhia”, como costuma qualificar. Na quinta-feira passada, viu-se confrontado pela desconfiança.
 
Enquanto Bendine divulgava no Rio o seu “abrangente, estruturante, complexo e revolucionário” projeto de mudanças administrativas na Petrobras, a 10,4 mil quilômetros de distância, em Oslo, o Banco Central da Noruega anunciava a revisão dos investimentos do país em ações da empresa brasileira “por causa do risco de corrupção grave”.
 
O governo da Noruega é dono de uma fatia de 0,61% do capital da Petrobras. Comprou ações da estatal , no governo Lula, com o dinheiro de um fundo formado com royalties do petróleo.  O aviso sobre a possível retirada de capital ainda neste ano é importante porque esse fundo norueguês é o maior investidor global. Seus ativos superam US$ 750 bilhões, soma do PIB da Argentina e do Chile, e incluem 1,3% das ações de nove mil empresas relevantes em 75 países.
 
 
A reclassificação da Petrobras foi recomendada pelo Conselho de Ética do fundo, depois de seis meses de análises e consultas à administração Bendine. O órgão concluiu que “a Petrobras tem responsabilidade pela corrupção grave”. Alertou sobre “o risco inaceitável” de a empresa ter cometido crimes puníveis na Noruega. Também advertiu sobre o perigo de “atos semelhantes no futuro”, por duvidar que o controle anticorrupção da estatal seja “suficientemente eficaz”.
 
Cinco conselheiros examinaram provas judiciais sobre subornos pagos a diretores e gerentes: “O alcance da corrupção indica que o resto da direção da empresa deve ter tido conhecimento do que acontecia”, escreveram. [até na Noruega Dilma seria considerada culpada pela corrupção na Petrobras, especialmente pela compra da enferrujada e obsoleta Refinaria de Pasadena, Texas.]
 
 
 
A estatal argumentou ser vítima de crimes cometidos por ex-empregados. Eles refutaram: “À luz dos fatos, isso dá a impressão de que a empresa nega qualquer responsabilidade.”  A Petrobras vai enfrentar problemas similares nos Estados Unidos, prevê Isabel Franco, especialista na legislação americana anticorrupção. “A diplomacia pode até conseguir que a promotoria peça uma punição mais leve. Mas na SEC (Comissão de Valores Mobiliários), a Petrobras e seus diretores não têm como escapar. Não haveria como explicar aos que já foram punidos.” Na lista de sanções da SEC por corrupção destacam-se Siemens, Alstom, Halliburton, BAE, Total e Alcoa, entre outras.
 
 
Em Oslo, quatro grupos (Sevan, Akastor, Uglands e Acergy) começaram 2016 sob investigação por suspeita de pagamento de US$ 43 milhões em propinas ao ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada e o gerente Eduardo Musa, condenados ontem em Curitiba.

 
 
A procuradora norueguesa Marianne Djupesland rastreia pagamentos a Zelada e Musa feitos pelos brasileiros, Raul Schmidt Felippe Jr. e João Henriques, e pelo francês Miloud Alain Hassene Daouadji. 
 
 
A dimensão extraterritorial da corrupção na Petrobras fez o Conselho de Ética do fundo sugerir às autoridades da Noruega que considerem o caso como paradigma, um “sinal claro para o Brasil e o resto do mundo” de que “ninguém vai ficar sozinho — nem os executivos seniores, nem os melhores políticos, nem os funcionários públicos.”
 
  Bendine precisa ser mais eficaz para erguer a “nova companhia”, como imagina.
 
 
Fonte: O Globo -  José Casado 

As acusações que pesam sobre Luiz Inácio Lula da Silva não encontram paralelo na nossa tradição

A crise e seu espetáculo


Como é possível um governo lambuzado em dezenas de casos de corrupção, e tendo o seu principal líder acusado de graves crimes, continuar agindo e dirigindo os negócios públicos como se o país vivesse em plena bonança econômica e respeito aos valores republicanos? Vivemos uma situação anômala. O mais estranho é que os dias vão passando, as crisespois são várias vão se sucedendo e se aprofundando, mas nada muda. Nada no sentido da interrupção deste perverso processo. É como se estivéssemos condenados ao fogo eterno, cada vez mais quente e mais devastador.
 


A sucessão das denúncias e as condenações na operação Lava-Jato quase uma centena, até agora são recebidas como algo natural, parte intrínseca da política. Diversamente dos Estados Unidos, o nosso destino manifesto seria conviver com a corrupção. Sempre teria sido assim — e sempre será assim. O que em outros países encerraria a carreira de um político aqui passou a ser entendido como um ato falho, de falta de esperteza.


 

Não é preciso ir muito longe na nossa história ou buscar formas metafóricas para tratar da conjuntura brasileira e de seus personagens. As acusações que pesam sobre Luiz Inácio Lula da Silva não encontram paralelo na nossa tradição e nem na contemporaneidade ocidental. Isto porque, além dos indícios de ocultação de patrimônio denunciados pelo Ministério Público, são estabelecidas relações com o maior desvio de recursos de uma empresa pública da história, o petrolão. E que levaram a Petrobras a uma situação pré-falimentar.
 


Lula continua agindo como se vivesse em um país imaginário e que sobre ele não pesasse nenhuma acusação ou o que é pior — fosse inimputável. Quando disse que era a alma mais honesta do Brasil, a afirmação foi recebida como chacota. Mas não: ele acredita que é intocável, como os nossos imperadores de acordo com a Constituição de 1824 — ressaltando, claro, que nenhum deles, Pedro I ou Pedro II, cometeram ilícitos da magnitude do petrolão. Evidentemente que não imagino que Lula leu a Constituição Imperial. Qual o quê. Não leu nem a de 1988 — penso até em sugerir uma edição exclusiva para ele e, para deixar a árdua tarefa mais palatável, poderia colorir artigo por artigo.
 


Dilma considera que tudo vai bem. Ficou — ou fingiu? — indignada com a avaliação do FMI sobre a economia brasileira. Fala de um Brasil que não existe. As entrevistas com os jornalistas, às sextas-feiras, foram patéticas patéticos também foram os jornalistas: alguns tiram selfies com a presidente. Estamos na maior depressão econômica da nossa história, e Dilma age como se tivéssemos crescendo a ritmo chinês



A reunião do tal Conselhãoque não tem legalidade constitucional; o que há na Constituição é o Conselho da República, que nunca foi convocado por ela foi mais um exemplo de dissociação entre o mundo imaginado pela presidente e o cenário de caos econômico que vivemos. O mais patético foram os representantes empresariais que compareceram e legitimaram a farsa.


 

Teremos um 2016 onde as crises ética e econômica vão se agravar. A Lava-Jato — e outras eventuais operações da Polícia Federal deverão devassar ainda mais os crimes deste triste método de governança adotado desde 1º de janeiro de 2003. Tudo indica que a economia deve ter um desempenho igual ou pior que 2015, ou seja, a recessão deve chegar a um resultado negativo do PIB próximo de 4%. É como se assistíssemos a um naufrágio de dentro do navio, com acesso aos botes salva-vidas, mas sem que façamos qualquer movimento, inertes, passivos, quase que um suicídio histórico.
 

O projeto criminoso de poder ainda tem muita lenha para queimar. E estão queimando. Destruíram a maior empresa brasileira. Atacaram com voracidade os fundos de pensão dos bancos e empresas estatais. Agora, estão solapando as bases do FGTS com a complacência das centrais sindicais pelegas. Possuem uma ampla base de apoio que é sustentada pelo saque do Estado.  



A burguesia petista ainda tem os bancos e benesses oficiais como suas propriedades. Os sindicatos nunca tiveram tanto dinheiro, produto do famigerado imposto sindical. Os tais movimentos sociais sobrevivem com generosas dotações governamentais sem que haja qualquer controle da utilização destes recursos.


 
E são milhares de sindicatos e associações. Isto sem falar em outros setores, como os blogueiros e jornalistas amestrados, os artistas em tempo: o que Chico Buarque acha do triplex e do sítio do Lula? São tenebrosas transações? Pseudo intelectuais et caterva.

Estamos em meio a uma selva escura. E, pior, sem que um Virgílio nos conduza. Fazer o quê? Este é o paradoxo que vivemos. O projeto criminoso de poder nunca esteve tão debilitado, desmoralizado. Sobrevive porque não encontra obstáculos na estrutura legal do Estado as instituições, diferentemente do que dizem as Polianas, não funcionam —, e inexiste uma oposição política digna deste nome. Há esforços isolados, quando muito. 



 
Os líderes oposicionistas não estão à altura do momento histórico. São fracos, dispersivos. Não gostam de serem obrigados a ter de enfrentar o governo e seus asseclas. Preferem o ócio, a conciliação parlamentar. Acreditam que a Lava-Jato e a gravidade da crise econômica vão, por si só, derrotar a quadrilha que tomou conta do aparelho de Estado. 


Não entenderam que, assim como o hábito não faz o monge, a crise pode não conduzir mecanicamente a uma queda imediata do petismo. Pode sim empurrar o Brasil para uma depressão econômico-social nunca vista na nossa história. E quando forem assumir o governo, só haverá ruínas.



Por: Marco Antonio Villa, historiador - O Globo


"É os animais!".Vídeo emocionante que demonstra o surgimento de uma nova consciência ambiental.


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https://www.youtube.com/watch?v=ckGYuDfUqw0



PT vai à televisão para tentar conter corrosão política e eleitoral de Lula

Graves problemas

Líderes do partido avaliaram que estrago político está se tornando praticamente irreversível
Publicado: 02 de fevereiro de 2016 às 09:53

A farsa desmontada - EDITORIAL O ESTADÃO

ESTADÃO - 02/02

Se em relação a Luiz Inácio Lula da Silva a Operação Lava Jato e afins não conseguirem revelar nada mais do que até agora veio a público, já estará mais do que demonstrado um traço importante do comportamento do ex-presidente que o desqualifica como homem público incorruptível ou, como ele próprio se definiu, a “alma mais honesta” do País: a promiscuidade com empresários corruptos como o ex-presidente da construtora OAS, condenado a 16 anos de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da Petrobrás.

 
Pressionado, Lula confessou, em nota divulgada por seu instituto, o que já se tornara indesmentível: fez uma visita, em 2014, a “uma unidade disponível para venda no condomínio”, o famoso tríplex do Edifício Solaris, no Guarujá, acompanhado de Marisa Letícia e de Léo Pinheiro, então firme no comando de sua empreiteira, que havia assumido a construção do prédio. 
Após a visita – segundo a nota, sob o título Os documentos do Guarujá: desmontando a farsa –, o casal concluiu que o apartamento “não se adequava às necessidades e características da família, nas condições em que se encontrava”. Aparentemente, para satisfazer o casal, Léo Pinheiro mandou fazer novas reformas, que foram fiscalizadas, ainda segundo a nota, em outra visita de Marisa Letícia, desta vez acompanhada do filho Fábio Luís.

 
Não é necessário especular sobre os motivos que teriam levado a OAS a assumir a construção do Solaris após a quebra da Bancoop nem as razões que teriam convencido a família Lula da Silva a desistir da ideia de ter um luxuoso apartamento naquele prédio. 
A pergunta para a qual Lula não tem resposta é a seguinte: por que, afinal, Léo Pinheiro se dispôs a apresentar pessoalmente ao ilustre casal a reforma que sua construtora havia realizado no tríplex e, quando foi informado de que o imóvel “não se adequava às necessidades” de uma família exigente, ordenou nova reforma, que a própria ex-primeira-dama viria a conferir pessoalmente pelo menos uma vez?

 
As razões de Léo Pinheiro são fáceis de imaginar. Lula, na condição de ex-presidente da República e maior líder do partido que continuava no poder, já havia desembolsado boa soma para a aquisição do imóvel e, mais que isso, merecia a deferência especial da presença do dono da construtora na singela apresentação da unidade reformada. 
E Pinheiro acertou, pois os Lula da Silva efetivamente se interessaram pelo negócio, já que o generoso anfitrião do encontro garantiu que o deixaria nos trinques. Só desistiram dele, meses mais tarde, no segundo semestre do ano passado, depois que a imprensa passou a publicar, segundo a nota, “notícias infundadas, boatos e ilações que romperam a privacidade necessária ao uso familiar do apartamento”, seja lá o que isso queira dizer.

 
As razões de Lula, homem público com ambições que não esconde, é que interessam aos brasileiros. Não se trata de questionar a lisura do negócio em que a família se envolveu. Trata-se de constatar que Lula, que sempre demonstrou desprezo pelos rigores éticos da “moral burguesa”, se permitiu expor publicamente uma relação promíscua com um empresário desonesto – relação que, a bem da verdade, precede de muito o caso do tal tríplex – interessado em transformar “laços de amizade” em ativos financeiros.

A relação espúria Lula-Léo Pinheiro se reproduz em muitas outras do gênero que povoam o ambiente de promiscuidade entre política e negócios, com uma infinidade de “amigos do peito do presidente”. 
Ela é a própria essência do secular e corrupto sistema patrimonialista que trava o desenvolvimento do País. Um sistema que, pelas injustiças que tende a provocar – o caso Bancoop é um magnífico exemplo –, sempre esteve na mira do PT enquanto era oposição. Um sistema ao qual Lula e seus seguidores se renderam sem o menor constrangimento há 13 anos, sob o argumento falacioso de que, para fazer bem ao povo, é preciso garantir a “governabilidade” a qualquer custo. Essa é a verdadeira farsa que a Lava Jato está desmontando. 
Lula e seus fiéis escudeiros, tendo à frente o notório José Dirceu, sempre se apresentaram como heróis ao povo brasileiro. Nunca passaram de homens comuns, daqueles que se deixam corromper pelas circunstâncias. Ao contrário deles, heróis mudam as circunstâncias e conservam suas virtudes. Lula e a tigrada nunca foram nem serão heróis – não passam de homens ordinários. Ordinaríssimos.

O inimigo do Brasil - RODRIGO CONSTANTINO

O GLOBO - 02/02

São cerca de 30 anos em que Lula age contra os interesses nacionais, prejudicando o país, perpetuando nossas misérias e corroendo nossas instituições republicanas



“Quem espera que o diabo ande pelo mundo com chifres será sempre sua presa.” (Schopenhauer)

Menino de família pobre chega do Nordeste e acaba se tornando operário no ABC paulista, até virar líder de um partido de esquerda temido pelas “elites”. Insiste em virar presidente e, após três tentativas fracassadas, consegue, para finalmente realizar o sonho da “justiça social”. É uma narrativa sedutora demais, não só para “intelectuais” inspirados em Rousseau que precisam de mascotes para aplacar suas angústias existenciais; mas para muita gente.

Agora a máscara de Lula caiu para a maioria. Mas muitos repetem que ele foi corrompido pelo poder, que sua “pureza” se perdeu. Novamente, trata-se de uma narrativa sedutora, para que os românticos possam preservar as ilusões. Lula não mudou tanto no poder; este apenas revelou sua essência. A própria sede insaciável pelo poder demonstrava o que estava por trás, e não era o desejo de ajudar os pobres.

Alguns podem achar que isso é chutar cachorro morto, mas discordo. Primeiro, pois já faço tais críticas há mais de década; segundo porque Lula ainda não está morto politicamente. Continua vivo, ameaçando voltar em 2018, causando estragos ao país, o que parece ser sua grande vocação.

Senão, vejamos: já no começo da vida de metalúrgico, Lula percebeu que trabalhar dava... trabalho. Preferiu o caminho das bravatas, incitando greves, tentando paralisar o país como se a pressão sindical fosse mesmo benéfica aos trabalhadores. Mas todas as “conquistas trabalhistas” verdadeiras são fruto do avanço capitalista, não de máfias sindicais inspiradas na luta de classes marxista. Basta comparar a qualidade de vida dos trabalhadores de países mais liberais com a dos brasileiros, que vivem numa verdadeira república sindical.

Depois, com o PT, Lula descobriu novamente o caminho do “quanto pior, melhor”. Quanto mais seu partido atrapalhava o país, melhor era para seu projeto pessoal de poder. O PT lutou contra todas as reformas importantes das últimas décadas. Plano Real, que derrotou a inflação (agora de volta); Lei de Responsabilidade Fiscal, que tentou trazer o bom senso de qualquer dona de casa para a gestão pública; privatizações, que tornaram os serviços melhores e bem mais acessíveis (linha telefônica era declarada como patrimônio no Imposto de Renda); etc.

Quando finalmente chegou ao poder, Lula teve um lapso de bom senso e preservou as conquistas que seu partido tinha dificultado ou quase impedido. Mas foi por pouco tempo. Logo seu lado populista falou mais alto, e um oportunismo pérfido fez com que todos os pilares fossem derrubados em prol de seu projeto de poder. Tivemos o mensalão, depois o petrolão, e seu governo “fez o diabo” para que sua criatura fosse eleita e reeleita. Todos sabiam quem realmente mandava.

Sim, é verdade que a economia cresceu bem por um período, mas, como os economistas sérios cansaram de avisar, isso se deu a despeito de Lula, não por causa dele. Não houve “avanços sociais” como boa parte da imprensa ainda insiste. O que aconteceu foi o fenômeno China, puxando o preço das commodities e enchendo os cofres do governo. Lula pegou esse bilhete de loteria e usou para a compra de votos, para fomentar uma bolha artificial, para endividar o Estado e as famílias brasileiras.

Em resumo, são cerca de 30 anos em que Luiz Inácio Lula da Silva age contra os interesses nacionais, prejudicando o Brasil, perpetuando nossas misérias e corroendo nossas instituições republicanas. E não pense que é exagero: o poder de um indivíduo, para o bem ou para o mal, não pode ser desprezado. Thatcher e Reagan fizeram muito para salvar seus respectivos países, enquanto Fidel Castro, camarada de Lula, destruiu e escravizou uma nação inteira por mais de meio século!

Nada disso seria possível, vale notar, sem a ajuda dos “intelectuais”, que sempre alimentaram o monstro. E isso inclui Fernando Henrique Cardoso. O sociólogo deixou seu lado marxista falar mais alto e ficou animado com a chegada do “homem do povo” ao poder. Mesmo depois de ser massacrado pela campanha de difamação petista, continuou com postura pusilânime, sem reagir à altura. A falta de uma oposição verdadeira deixou o caminho livre para as mentiras e o cinismo de Lula e seu PT.

Agora o ex-presidente pode acabar preso. Está todo enrolado com a Justiça. Seria um momento histórico para o país: do messianismo populista ao cárcere. Tenho certeza de que o Brasil iria parar, e as ruas seriam tomadas por gente esperançosa. Lula não virou; ele sempre foi o inimigo do Brasil.
 
 

Macri e o samba-da-petista-doida - KIM KATAGUIRI


FOLHA DE SP - 02/02

Parrilla

Um dia após assumir a presidência, Macri reuniu-se com candidatos que o enfrentaram nas eleições. Também fez um churrasco para 24 governadores. Excelente maneira de se fazer amigos. Ainda mais quando o corte é argentino. Isso mostra que ele sabe que, num momento de crise, é importante unir as forças políticas do país.

A culpa é deles!
Enquanto isso, o PT de Dilma, no Brasil, utiliza seu tempo de TV para atacar figuras da oposição. Seus defensores, verdadeiros buldogues do governismo, polarizam o debate político berrando insistentemente seus bordões de ódio. Ao invés do diálogo, o discurso de "nós contra eles".

Cobrar menos, arrecadar mais
Macri mostra que é possível fazer ajustes diminuindo impostos. Reduziu de 35% para 30% o imposto de exportação da soja e acabou com o mesmo imposto para carne, milho, trigo, girassol e para as chamadas "economias regionais". Em pouquíssimo tempo, o setor agrícola celebrou um aumento de 100% nas receitas.
Para compensar a diminuição de impostos, o presidente argentino corta gastos e dá exemplo. Cristina Kirchner e sua equipe sempre utilizaram carros importados de luxo. Macri os substituiu por modelos nacionais e mais modestos. Abriu mão de seu salário. O dinheiro será doado para um restaurante comunitário que serve 1.800 pessoas diariamente num bairro pobre de Buenos Aires. Sem cortar gastos, seria demagogia; cortando-os, vira um exemplo.

Menos exemplo, mais cobrança
a solução encontrada por Dilma Rousseff é aumentar os gastos e propor novos impostos. Apesar de ter se posicionado contra a CPMF antes das eleições, a presidente agora trata o imposto como uma espécie de panaceia. Felizmente ainda não tem votos para aprova-la. Em 2014, o governo Dilma bateu recorde em gastos secretos com cartões corporativos: R$ 8,7 milhões, o maior valor desde 2001. Neste ano, quase todos os Ministérios preveem aumento de custeio.

Crise para quem?
Em uma de suas idas a Nova York no ano passado, Dilma levou diversos ministros, secretários e até a filha. Todos ficaram num dos hotéis mais luxuosos da cidade. Quando a presidente foi a Paris para participar da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, torraram-se R$ 200 mil com hospedagem e R$ 90 mil com aluguel de carros.(Deve ter sido muito mais.A comitiva era de 900 pessoas!Tudo pago pela gente)

Nem a coxinha ficou de fora do aumento de gastos da presidente. Neste ano, haverá um aumento de 40% nos gastos com pães, biscoitos e salgadinhos que abastecem o Palácio do Planalto. Repito uma das perguntas preferidas dos petistas: "Crise pra quem?".

Imprensa livre
Macri derrubou um dos símbolos da política kirchnerista, a lei contra a concentração dos meios de comunicação audiovisuais, que obrigava o principal veículo da imprensa, o Clarín, a diminuir seu investimento na área. Liberdade de imprensa.

Imprensa golpista!
No Brasil, vândalos depredaram a sede do grupo Abril, que edita a revista Veja. O ataque foi uma reação a uma matéria que denunciou que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula "sabiam de tudo" em relação ao petrolão. Além disso, o governo insiste em querer regular a imprensa, ou, como líderes do PT dizem, "democratizar a mídia".

Hermanos decolando
O presidente argentino foi ao Fórum Econômico Mundial, em Davos. Viajou com sua equipe num avião comercial. Voltou de lá com a garantia do presidente da Coca-Cola de que a Argentina receberá um investimento de US$ 1 bilhão.

Discurso e cofres vazios
Dilma não foi ao encontro. No seu lugar, compareceu o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que fez alguns discursos sobre "mudanças estruturais" que "precisam ser discutidas" e defendeu a recriação da CPMF. Voltou com tapinhas nas costas.
Nova liderança
O governo de Macri ajuda até o nosso pais. Recentemente, a Argentina chegou a um acordo com seus sócios (Brasil, Uruguai, Paraguai e inclusive Venezuela) para impulsionar as negociações com União Europeia, Japão, Canadá, Rússia e Índia.

Fala que eu te escuto
Macri também erra. Nomeou por decreto dois juízes da Corte Suprema, alegando que seria importante ocupar cadeiras vagas. A lei argentina permite, mas a democracia se ofende. Duramente criticado, voltou atrás. Erra e se corrige.

Tudo invenção dos golpistas

Já a nossa presidente, cujos erros são incontáveis, nunca recua. Prefere chamar seus críticos de "golpistas" e agir como se Brasil estivesse uma maravilha.

Amigos da Rainha
"Ah, mas esse mauricinho neoliberal com certeza tirou a comida da mesa dos pobres!". Será? Macri não mexeu em programas sociais e até aumentou valores repassados por alguns deles. No Brasil, também é possível fazer cortes substanciais sem cortar um centavo do Bolsa Família, que, apesar de toda a propaganda oficial, recebe muito menos recursos do que o Bolsa Empreiteira, o Bolsa Juros, o Bolsa BNDES e o Bolsa Amigos da Rainha.

Eficiente, não exótico
O presidente argentino defende a austeridade no discurso e, tudo indica, a pratica como política de governo. À diferença do uruguaio José Mujica, parece querer convencer pela eficiência, não pelo exotismo.

Meta aberta
Dilma, em seus discursos, defende um tal ajuste fiscal. Saúda a mandioca, lamenta não poder estocar vento e promete dobrar a meta indefinida. Na prática, vive uma vida de luxo e aprova a gastança generalizada de seus ministérios. A hipocrisia não a preocupa. É só passar a conta para o pagador de impostos.

Bolso esquerdo só tem peixe
Macri fez sua campanha dançando –e bem, diga-se. Dilma fez sua campanha mentindo. O que mais se aproxima da presidente no mundo da música é o funk ostentação. Sem a parte do "funk". E com o detalhe do uso de dinheiro público.

Dança
A Argentina é a terra do tango. Dramático. Trágico até. Macri parece preferir a alegria da cúmbia. No Brasil de Dilma, é carnaval o ano todo. O governo toca o samba-da-petista-doida. Nós dançamos.
 

O laranjal do Guarujá - GUILHERME FIUZA

REVISTA ÉPOCA

A mais honesta de todas as vivas almas anda penando um bocado. O famoso tríplex de Lula que não é de Lula, no Guarujá, entrou na mira da Lava Jato. Sérgio Moro e sua turma são mesmo uns golpistas: por que suspeitar de um entroncamento entre Bancoop, OAS, Vaccari, offshores de operadores do petrolão e Lula? Ou melhor, corrigindo: Lula não tem nada com isso. E as outras almas cheiram a talco. A Operação Triplo X da Polícia Federal só pode ser uma conspiração da direita contra o governo popular — para citar a frase imortal do companheiro Delúbio no mensalão.

As coincidências é que atrapalham a revolução progressista. O tríplex vizinho ao de Lula que não é de Lula pertence a Nelci Warken, acusada de estelionato no escândalo da Bancoop junto com o companheiro João Vaccari. Nelci já está presa pela Operação Triplo X, apontada como laranja do esquema. Ela tem offshores criadas pelo mesmo escritório que constituiu as offshores de operadores do petrolão, como Pedro Barusco, E os investigadores descobriram que outros apartamentos do mesmo conjunto Solaris, no Guarujá, pertencem igualmente a laranjas. O tríplex de Lula que não é de Lula está plantado, desgraçadamente, no meio desse laranjal. E muito azar.

A Lava Jato descobriu que um diretor da OAS foi mobilizado exclusivamente para comprar os armários de R$ 300 mil do tríplex de Lula que não é de Lula. Para uma das maiores empreiteiras do país mobilizar um diretor na missão grandiosa de comprar armários, o cliente deve ser mesmo muito importante. Talvez um xeique árabe ou um desses ditadores bilionários de países miseráveis. Lula é apenas um humilde filho do Brasil, não pode ter sido para ele.

Foi no meio dessa confusão que o ex-presidente e tutor de Dilma Rousseff declarou, para desfazer qualquer dúvida, que não existe uma viva alma mais honesta” que ele. Estão vendo, seus golpistas? Vocês acham que a mais elevada entre as almas honestas aceitaria morar no laranjal do Guarujá? Como essa alma se sentiria em meio àquele entra e sai de picaretas de aluguel? No mínimo, nem se atreveria a descer para um banho de mar com as sandálias da humildade. Vai que você abre a porta do elevador e dá de cara com uma das cunhadas do Vaccari? Ou com a companheira Nelci offshore? As almas puras são vulneráveis às emoções radicais. Para viver enclausurado, melhor ficar em São Bernardo mesmo.

E aí lá vêm as coincidências mórbidas: qual era um dos focos centrais dos mandados de prisão da Operação Triplo X? Justamente São Bernardo. Só pode ser perseguição. Se a polícia está investigando apartamentos no Guarujá, o que foi fazer no ABC, que nem praia tem? Essa elite branca não deixa a classe operária em paz. De tanto procurar, a PF encontrou não só a companheira Nelci Warken, como um rabo do propinoduto ligando a OAS ao doleiro Alberto Youssef, operador do petrolão. Esse dinheiro viajava pela mesma rede de offshores criada para atender prepostos do PT como Renato Duque.

Essa turma boa que a Lava Jato já mostrou estar no guarda-chuva de João Vaccari e José Dirceu (as vivas almas que já foram presas) compõe o presépio do assalto companheiro ao Estado brasileiro — com o qual a mais honesta das almas não tem nada a ver. Lula nem sabe direito quem são esses aloprados. O lobista Milton Pascowitch, por exemplo, que levou Dirceu à prisão com sua delação sobre as propinas da Engevix, acaba de revelar que entregou R$ 10 milhões em espécie ao Diretório Nacional do PT, numa maleta de rodinhas. E R$ 4 milhões em propina na veia da campanha que elegeu Dilma Rousseff em 2010. Se alguém contar ao guardião da suprema honestidade quem é essa tal de Dilma, ele prende e arrebenta.

O Brasil caiu sete posições no ranking da corrupção (infelizmente o 1° colocado é o menos corrupto, senão teria sido uma incrível ascensão). Tudo isso graças a um governo podre que ninguém sabe de quem é, graças a um partido picareta que ninguém sabe a quem obedece, graças a um sistema de pilhagem que brotou do nada numa floresta de almas luminosas como as estrelinhas que carregam no peito.

Não dá para entender por que a elite cultural brasileira não manifesta seu apoio também ao companheiro Zika. Só porque ele não tem um tríplex?