O
pó originado em usinas de energia movidas a carvão na União Europeia
penetra nos pulmões, provocando cerca de 23.000 mortes por ano, e
consumindo dezenas de bilhões de euros em gastos de saúde, segundo um
relatório de uma ONG divulgado na terça-feira.
Embora a UE avance
em direção às energias renováveis, como a eólica e a solar, o carvão
foi responsável por 18% das emissões de gases do efeito estufa do bloco
em 2014, e correspondeu a um quarto da eletricidade gerada no bloco em
2015, de acordo com o documento.
As emissões de 257 usinas, sobre
as quais havia dados disponíveis, "estiveram associadas com 22.900
mortes prematuras em 2013", disse o relatório, intitulado "Nuvem escura
da Europa: como países que queimam carvão deixam seus vizinhos doentes".
Há um total de 280 usinas movidas a carvão no bloco.
O
estudo foi realizado por pesquisadores de quatro grupos de lobby de
energias verdes: Health and Environment Alliance, WWF, Climate Action
Network Europe e Sandbag.
Além das mortes, o relatório culpou a
poluição das usinas de carvão por cerca de 12.000 novos casos de
bronquite crônica e mais de meio milhão de ataques de asma em crianças
na UE em 2013.
Os "gastos substanciais" com tratamentos médicos e
com a redução da produtividade causada pela ausência do trabalho foram
de entre 32,4 e 62,3 bilhões de euros, segundo o relatório.
Cerca
de 83% das mortes (aproximadamente 19.000) foram atribuídas à inalação
de partículas tão pequenas - menos de 2,5 micrômetros de diâmetro - que
podem entrar profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea.
Doenças cardíacas e câncer
"As
causas de morte mais comuns ligadas à exposição de partículas são
acidentes vasculares cerebrais, doenças cardíacas, doença pulmonar
crônica e câncer de pulmão", afirma o relatório.
O texto alerta
que as partículas viajam "por centenas de quilômetros e cruzam as
fronteiras nacionais, afetando a saúde das pessoas dentro e fora do país
de produção".
O relatório lista os piores infratores da UE,
atribuindo 4.690 mortes prematuras a usinas elétricas a carvão da
Polônia, 2.490 à Alemanha, 1.660 à Romênia, 1.390 à Bulgária e 1.350 à
Grã-Bretanha.
Os cinco países mais afetados pela poluição foram a
Alemanha, com 3.630 mortes, Itália, com 1.610, França, com 1.380,
Grécia, com 1.050, e Hungria, com 700.
"A poluição do ar é
responsável por milhões de mortes em todo o mundo", disse Roberto
Bertollini, o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a
UE, em um comunicado.
"O aumento das temperaturas, devido às mudanças climáticas, vai agravar o problema", completou.
Um
estudo similar feito nos Estados Unidos atribuiu mais de 13.000 mortes
prematuras à poluição do carvão, enquanto uma pesquisa da Índia
responsabilizou o carvão por 115.000 mortes prematuras e 20 milhões de
casos de asma por ano.
Em Paris, em dezembro passado, 195 nações
concordaram em reduzir as emissões de gases do efeito estufa
provenientes de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás, em uma
tentativa de limitar o aquecimento global "bem abaixo" de 2º Celsius em
relação aos níveis pré-industriais.
A
anta (Tapirus terrestres) é o maior mamífero terrestre brasileiro.
Apresenta ciclo reprodutivo longo, com 13 a 14 meses de gestação e
apenas um filhote, o que torna a espécie muito vulnerável a pressões.
Foi considerada extinta na Caatinga e está Em perigo (EN) de extinção
no Cerrado, já que, a partir da década de 70, uma enorme expansão
agropecuária levou 67% das áreas de Cerrado a serem hoje consideradas
alteradas. A anta brasileira é encontrada apenas em áreas preservadas.
Categoria EM PERIGO (EN):
Uma espécie é considerada Em Perigo (EN) quando as melhores evidências
disponíveis indicam que se cumpre qualquer um dos critérios, como
redução da população de uma espécie e por isso considera-se que está
enfrentando um risco muito alto de extinção na natureza.
Principais ameaças:
Desmatamento e/ou alteração do habitat, monoculturas, fragmentação do
habitat, isolamento, pequenas populações, baixa conectividade, pecuária
extensiva, caça, fogo, atropelamento em estradas, doenças infecciosas
provindas de animais domésticos, densidade humana, número e tamanho de
áreas protegidas, mineração, extração de recursos, empreendimentos.
Pista foi construída sobre adutoras da Caesb. Há risco de acidentes e desabastecimento
A Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem
Urbanística (Prourb) ajuizou, em 21 de junho, ação civil pública para a
anulação do termo de compromisso firmado entre o Instituto Brasília
Ambiental (Ibram) e a Associação dos Pilotos de Ultraleve de Brasília
(Apub). O documento, assinado em 13 de maio de 2016, autoriza a
permanência da pista de pouso construída no interior do Parque Ecológico
Burle Marx. Na ação, a Prourb pede que o termo seja suspenso
liminarmente até o julgamento definitivo da ação.
A área é ocupada ilegalmente pela Apub há mais de dez
anos. Decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios
(TJDFT) proferida em julho de 2015 determina a desativação da pista e a
demolição das construções irregulares, mas nenhuma providência foi
tomada até o momento.
Em 9 de maio de 2016, auditores do Ibram visitaram o
local e multaram a Apub em R$ 72 mil, além de determinar a interdição
imediata da pista. Apenas quatro dias mais tarde, o Ibram e a Apub, de
forma inesperada, firmaram termo de compromisso que desinterdita a pista
de pouso, autoriza a ocupação da área pela Apub e concede desconto de
90% nas multas aplicadas.
Situação de risco
A Prourb também requisitou ao Ibram e à Agência de
Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) esclarecimentos sobre os
motivos da permanência de pista de pouso no Parque Ecológico Burle Marx.
O questionamento foi motivado por informação recebida da Companhia de
Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) sobre irregularidades
na construção da pista.
Segundo a empresa, a obra teria sido feita sobre
trechos de quatro adutoras, que operam sob elevada pressão. A Associação
dos Pilotos de Ultraleve de Brasília (Apub), responsável pela pista,
não consultou ou solicitou autorização da Caesb para a construção. O
rompimento dessas instalações pode causar, além de vítimas fatais e
danos a equipamentos, o desabastecimento de água em parte do Plano
Piloto e do Lago Norte.
A Caesb também informou que, desde 2011, a pista de
pouso impede o livre acesso de equipes para operação e manutenção dos
trechos das adutoras. A colocação de tapumes de chapas metálicas com
postes de sustentação no local dificultaram a execução de serviços e
inspeções técnicas. A empresa requereu ao Ibram e à Terracap a remoção
imediata da pista de pouso, mas, até o momento, nenhuma providência foi
tomada.
Os
mapas produzidos por Larissa Mies Bombardi são chocantes. Quando você
acha que já chegou ao fundo do poço, a professora de Geografia Agrária
da USP passa para o mapa seguinte. E, acredite, o que era ruim fica
pior. Mortes por intoxicação, mortes por suicídio, outras intoxicações
causadas pelos agrotóxicos no Brasil. A pesquisadora reuniu os dados
sobre os venenos agrícolas em uma sequência cartográfica que dá dimensão
complexa a um problema pouco debatido no país.
Ver os mapas, porém, não é enxergar o todo: o Brasil tem um antigo
problema de subnotificação de intoxicação por agrotóxicos. Muitas
pessoas não chegam a procurar o Sistema Único de Saúde (SUS); muitos
profissionais ignoram os sintomas provocados pelos venenos, que muitas
vezes se confundem com doenças corriqueiras. Nos cálculos de quem atua
na área, se tivemos 25 mil pessoas atingidas entre 2007 e 2014,
multiplica-se o número por 50 e chega-se mais próximo da realidade: 1,25
milhão de casos em sete anos.
Além disso, Larissa leva em conta os registros do Ministério da Saúde
para enfermidades agudas, ou seja, aquelas direta e imediatamente
conectadas aos agrotóxicos. As doenças crônicas, aquelas provocadas por
anos e anos de exposição aos venenos, entre as quais o câncer, ficam de
fora dos cálculos. “Esses dados mostram apenas a ponta do iceberg”, diz
ela.
Ainda assim, são chocantes. O Brasil é campeão mundial no uso de
agrotóxicos, posto roubado dos Estados Unidos na década passada e ao
qual seguimos aferrados com unhas e dentes. A cada brasileiro cabe uma
média de 5,2 litros de venenos por ano, o equivalente a duas garrafas e
meia de refrigerante, ou a 14 latas de cerveja.
Em breve, todo o material reunido por Larissa será público. O livro
Geografia sobre o uso de agrotóxicos no Brasil é uma espécie de atlas
sobre o tema, com previsão de lançamento para o segundo semestre. Será
um desenvolvimento do Pequeno Ensaio Cartográfico Sobre o Uso de
Agrotóxicos no Brasil, já lançado este ano, com dados atualizados e mais
detalhados. No período abrangido pela pesquisa, 2007-2014, foram 1.186
mortes diretamente relacionadas aos venenos. Ou uma a cada dois dias e
meio:
“Isso é inaceitável. Num pacto de civilidade, que já era hora de termos,
como a gente fala com tanta tranquilidade em avanço de agronegócio, de
permitir pulverização aérea, se é diante desse quadro que a gente está
vivendo?”, indaga a professora ao programa De Olho nos Ruralistas.
O papel do agronegócio
Larissa fala de agronegócio porque é exatamente esse modelo o principal
responsável pelas pulverizações. Os mapas mostram que a concentração dos
casos de intoxicação coincide com as regiões onde estão as principais
culturas do agronegócio no Brasil, como a soja, o milho e a cana de
açúcar no Centro-Oeste, Sul e Sudeste. No Nordeste, por exemplo, a
fruticultura. A divisão por Unidades da Federação e até por municípios
comprovam com exatidão essa conexão.
A pesquisadora compara a relação dos brasileiros com agrotóxicos à
maneira como os moradores dos Estados Unidos lidam com as armas:
aceitamos correr um risco enorme. Quando se olha para um dos mapas,
salta à vista a proporção entre suicídio e agrotóxicos. Em parte,
explica Larissa, isso se deve ao fato de que estes casos são
inescapavelmente registrados pelos órgãos públicos, ao passo que outros
tipos de ocorrências escapam com mais facilidade.
Mas, ainda assim, não é
possível desconsiderar a maneira como distúrbios neurológicos são
criados pelo uso intensivo dos chamados “defensivos agrícolas”, termo
que a indústria utiliza para tentar atenuar os efeitos negativos das
substâncias.
Soja, milho e cana, nesta ordem, comandam as aplicações.
Uma relação exposta no mapa, que mostra um grande cinturão de
intoxicações no centro-sul do país. São Paulo e Paraná aparecem em
destaque em qualquer dos mapas, mas a professora adverte que não se pode
desconsiderar a subnotificação no Mato Grosso, celeiro do agronegócio
no século 21.
O veneno está na cidade
A conversa com o De Olho nos Ruralistas – durante gravação do piloto de
um programa de TV pela internet – se deu em meio a algumas
circunstâncias pouco alvissareiras para quem atua na área. Há alguns
dias, a Rede Globo tem veiculado em um de seus espaços mais nobres, o
intervalo do Jornal Nacional, uma campanha em favor do “agro”. Os vídeos
institucionais têm um tom raríssimo na emissora da família Marinho, com
defesa rasgada dos produtores rurais de grande porte.
“Querem substituir a ideia do latifúndio como atraso”, resume Larissa.
Ela recorda que, além do tema dos agrotóxicos, o agronegócio é o
responsável por trabalho escravo e desmatamento. E questiona a
transformação do setor agroexportador em modelo de nação. “A alternativa
que almejaríamos seria a construção de uma outra sociedade em que esse
tipo de insumo não fosse utilizado. Almejamos uma agricultura
agroecológica com base em uma ampla reforma agrária que revolucione essa
forma de estar na sociedade.”
No mesmo dia da entrevista, o Diário Oficial da União trouxe a sanção,
pelo presidente provisório, Michel Temer, da Lei 13.301. Em meio a uma
série de iniciativas de combate à dengue e à zika, a legislação traz a
autorização para que se realize pulverização aérea de venenos em
cidades, sob o pretexto de combate ao mosquito Aedes aegypti. A medida
recebeu parecer contrário do Departamento de Vigilância em Saúde
Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, posição que foi
ignorada por Temer.
Larissa considera que a medida representa um grande retrocesso e
demonstra preocupação pelo fato de a realidade exposta em seus mapas ser
elevada a potências ainda desconhecidas quando se transfere um problema
rural para as cidades. “O agrotóxico se dispersa pelo ar, vai
contaminar o solo, vai contaminar a água. O agrotóxico não desaparece.
Ao contrário, ele permanece.” Em outras palavras: o veneno voa e
mergulha. Alastra-se. E tem longa duração. (Por João Peres/ Do De Olho nos Ruralistas)
Grupo conseguiu inibir vontade de '2ª dose' em ratos treinados para beber. Tipo D2 é responsável por desencorajar a ação no cérebro.
Do G1, em São Paulo
Estudo do Texas encontrou neurônio que inibe 'segundo copo'. (Foto: Aliaksei Smalenski / Shutterstock)
Pesquisadores do Texas, nos Estados Unidos,
identificaram o neurônio capaz de avisar quando é a hora de parar de
beber. O estudo foi publicado no jornal “Biological Psychiatry” e
divulgado nesta quarta-feira (6).
Neurônios específicos podem influenciar o comportamento do consumo de
álcool, de acordo com os resultados. A prévia da pesquisa mostrou que o
hábito altera a estrutura física dos neurônios espinhosos médios,
localizados na região estriado dorsomedial do cérebro.
Eles descobriram que a ativação de um tipo de neurônio, chamado D1,
conduz à segunda dose de bebida. Nesta fase da pesquisa, eles também
descobriram um segundo tipo de neurônio que determina que o indivíduo
pare de beber - o D2.
O tipo D1 é o que impulsiona o cérebro, enquanto o do tipo D2 segura as
reações. Em outras palavras, quando os neurônios D2 são ativados, eles
desencorajam a ação.
"Os neurônios D2 são bons pelo menos do ponto de vista do vício", disse
Jun Wang, um dos autores da pesquisa. "Ativá-los é importante para
prevenir problemas de comportamente com a bebida”, completou.
Segundo os pesquisadores, neurônios D2 tendem a ser desativados quando
bebemos demais. Isso significa que não há nada no cérebro nos “dizendo”
para parar de beber.
Os resultados do estudo fornecem uma visão sobre o mecanismo do
alcoolismo. "Nossa pesquisa atual e a anterior são essencialmente dois
lados da mesma moeda", disse Wang. "D1 e D2 são neurônios meio
espinhosos e têm essencialmente papéis opostos no consumo de álcool".
Ao manipular a atividade desses neurônios, os pesquisadores foram
capazes de mudar o consumo de bebidas alcoólicas nos ratos que haviam
sido "treinados" para buscar álcool. Ao ativar os neurônios D2, o
consumo de álcool foi diminuído.
Segundo Wang, ainda se está muito longe de testar o efeito em seres
humanos. Mas, em teoria, a estimulação elétrica ou algum outro método de
ativação dos neurónios D2 pode ser capaz de prevenir alcoólatras de
querer sempre ingerir outra bebida. "Esse é o objetivo final", disse.
"Espero que estes resultados sejam, eventualmente, capazes de serem
usados para o tratamento da dependência de álcool."
Bebida é o sexto produto alimentício preferido de jovens de 12 a 17 anos. Frutas não estão na lista dos 20 produtos mais consumidos nessas idades.
Gabriel LuizDo G1 DF
Refrigerante
em copo com gelo; um dos alimentos que devem ser evitados, segundo o
Ministério da Saúde (Foto: Suelen Gonçalves/G1)
Um em cada cinco brasileiros (19%) adultos que vivem nas capitais
brasileiras consomem refrigerante ou sucos artificiais todos os dias,
informou o Ministério da Saúde nesta quinta-feira (7).
Refrigerantes são
o sexto produto alimentício preferido por crianças e adolescentes entre
12 e 17 anos, atrás de arroz, feijão, pão, suco e carnes. Na lista dos
20 produtos mais consumidos por essa parcela da população, as frutas
sequer aparecem.
Segundo o ministério, somente 37,6% da população adulta das 27 capitais
relataram consumir frutas e hortaliças regularmente – um aumento de
29,9% em comparação com 2010. Carnes com excesso de gordura são
frequentemente consumidas por 31,1% da população.
Os dados apresentados pelo ministério são parte do Estudo de Riscos
Cardiovasculares em Adolescentes, que entrevistou jovens de 124
municípios, e da pesquisa Vigitel 2014 (Vigilância de Fatores de Risco e
Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), que
entrevistou 54 mil adultos por telefone nas capitais brasileiras.
O estudo aponta que o feijão é parte da rotina diária de 64,8% dos
brasileiros. Doces são consumidos quase todos os dias por 20% da
população. Segundo a pesquisa, 15,5% dos brasileiros substituem o almoço
ou jantar por lanches.
O ministério identificou que 56,6% dos jovens fazem as refeições em
frente à televisão e 73,5% desse público passam mais de duas horas por
dia em frente à tela do PC ou do videogame. Segundo a coordenadora-geral
de Alimentação e Nutrição, Michele Lessa, a situação cria impacto para a
rotina dos adolescentes, que acabam não prestando atenção ao que comem.
Outro dado que a especialista apontou é o fato de que menos da metade
(51,8%) dos jovens bebe menos de cinco copos d’água por dia – quando o
recomendado é de oito copos. “A gente observa que a água é substituída
por suco, que é tão prejudicial quanto o refrigerante”, disse.
Ela também considerou preocupante o fato de que os adolescentes estejam
se tornando cada vez mais dependentes de produtos industrializados. O
motivo é a falta de conhecimento dos jovens em preparar a própria
comida.
Entrevista coletiva no Ministério da Saúde (Foto: Gabriel Luiz/G1)
Desafio
O estudo mostrou ainda que um em cada quatro adolescentes sofre de
problemas com a balança – 17,1% têm sobrepeso e 8,4% são obesos. A maior
parte desse grupo se concentra na região Sul do país. Entre adultos,
53,9% estão acima do peso e 18,9%, obesos. A maior parte desse grupo se
concentra na região Sul do país.
A rede pública de saúde brasileira gasta mais de R$ 233 milhões com
cirurgias bariátricas por ano, segundo o ministério. O dinheiro é
equivalente ao gasto com a construção de 30 unidades de pronto
atendimento e 60 unidades básicas de saúde, segundo o ministério.
O gasto em tratamentos contra obesidade no SUS é de R$ 458 milhões. Só o
gasto por atendimento de jovens com diabetes, hipertensão, problemas
cardiovasculares e cirurgia bariátrica chega a R$ 126,4 milhões.
Decisão interna Também nesta quinta, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, assinou uma
portaria proibindo a compra de alimentos não saudáveis com recursos do
ministério. Ficam proibidos produtos como refrigerantes e salgadinhos em
“coffee breaks” da pasta ou até mesmo na lanchonete. A intenção do
ministro é estender a regra a outros órgãos do Executivo.
O ministro disse considerar que regra sobre publicidade de guloseimas
pode ser “aprimorada”. Ao lembrar que já existem definições sobre
propagandas desse tipo de produto para o público infantil, ele declarou
que há espaço para mudança na situação atual.
Produtores rurais já enfrentam dificuldades e
agência reguladora alerta que, se o quadro não se reverter, no futuro o
brasiliense poderá conviver com restrições ao consumo, incluindo o
aumento de tarifas
O
órgão fiscalizador convocou uma audiência pública nesta quarta-feira
(6/7) para esclarecer a atual situação dos mananciais do DF e anunciar
possíveis medidas caso o panorama não se altere. O quadro é preocupante,
porque a falta d’água já é realidade em algumas regiões do DF,
prejudicando, especialmente, produtores rurais.
“A quantidade de chuvas abaixo do esperado no último ano trouxe
consequências para agricultores da região leste do DF, abastecida pela
Bacia do Rio Preto, por exemplo. Lá, estão sendo implementados programas
para tentar minimizar a falta de água”, relata Salles.
A preocupação é reforçada pela promotora de Justiça do Meio Ambiente
Marta Eliana de Oliveira. “O Distrito Federal conta com muitas nascentes
e poucos rios caudalosos. Essa estrutura frágil é prejudicada pela
ocupação irregular do solo. Nossos agricultores já sofrem com a seca e
existe a possibilidade da falta de água para o restante da população”,
afirma a jurista.
Rafaela Felicciano/Metrópoles
Medidas de contenção Para contornar a situação e evitar que os brasilienses vivam situação semelhante à de São Paulo – que, nos últimos anos, decretou o racionamento do consumo – medidas preventivas devem ser tomadas,
como a intensificação das fiscalizações nos órgãos de abastecimento, a
fim de evitar desperdícios, e a implementação de campanhas de
conscientização voltadas para a população, a exemplo do site Naodesperdiceagua.com, da própria Adasa. A página conta com dados sobre o consumo de água no DF e dicas de como economizar os recursos hídricos.
População
A promotora Marta Eliana de Oliveira faz uma ressalva: as medidas por
parte das instâncias governamentais são pequenas diante da importância
da participação popular.
“Dois pontos são fundamentais. Um é a economia de água em si. O nível
de consumo, especialmente em áreas nobres, é absurdo. É preciso
abandonar hábitos de desperdício e até de ostentação.”
Segundo Marta Eliana, a grilagem também é um problema. “A outra
questão, ainda mais séria, é a ocupação das terras. Não se pode admitir
as contínuas invasões em territórios de nascentes. A área de proteção do
São Bartolomeu, por exemplo, deveria abrigar um reservatório, mas o
projeto não foi concluído devido à ocupação irregular no local”.
Contas mais altas Não se sabe se o racionamento chegará a se tornar realidade no
DF. Antes de adotar a iniciativa, a população poderá sofrer no bolso.
Caso o consumo não seja controlado e o clima continue desfavorável,
podem-se adotar medidas para desestimular o consumo, como aumentar os
valores da conta de água e aplicar a bandeira vermelha na tarifa de luz,
usada em períodos de baixa produção energética por hidrelétricas, e que
acrescenta R$ 5,50 por cada 100 kWh consumidos.
Até o momento, o clima não está ajudando. Já são 46 dias sem chuvas
no DF, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). E, do
início do ano até agora, foram registrados 648mm de chuva — quantidade
21% menor do que no mesmo período do ano passado.
Trabalho publicado na Nature tem como um dos autores o professor Silvio Ferraz, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq
Esforços internacionais visando à conservação de espécies das
florestas tropicais irão falhar se não levarem em consideração o
controle da exploração madeireira ilegal, de incêndios florestais e da
fragmentação de áreas remanescentes. Esta é a conclusão de um estudo
inovador, que acaba de ser publicado na Nature, a principal revista científica internacional.
O estudo Anthropogenic disturbance can be as important as deforestation in driving tropical biodiversity loss (Perturbação
antropogênica pode ser tão importante quanto o desmatamento na condução
de perda de biodiversidade tropical) mediu o impacto geral das
perturbações florestais mais comuns – o que inclui exploração
madeireira, incêndios e fragmentação de florestas remanescentes – em
1.538 espécies de árvores, 460 de aves e 156 de besouros encontradas na
Amazônia paraense.
Pela primeira vez, pesquisadores de 18 instituições internacionais,
dentre as quais 11 brasileiras, foram capazes de comparar a perda de
espécies causada por perturbações humanas com aquelas resultantes da
perda de hábitat pelo desmatamento.
Amazônia – Foto: Wikimedia Commons
E o resultado desafia a atual concepção das estratégias de
conservação, na qual prevalece o foco no combate ao desflorestamento: os
cientistas demonstraram que, para a floresta tropical, os efeitos das
perturbações causadas por atividades humanas resultam em perda de
biodiversidade tão ostensiva quanto a causada pelo desmatamento.
Uma das principais pesquisadoras do projeto, Joice Ferreira, da
Embrapa Amazônia Oriental, diz: “Conseguimos oferecer evidências
convincentes de que as iniciativas de conservação amazônica precisam
considerar as perturbações florestais e o desmatamento. Sem ações
urgentes, a expansão da exploração ilegal de madeira e a ocorrência cada
vez maior de incêndios causados pelo homem irão resultar em áreas de
florestas tropicais cada vez mais degradadas, conservando apenas uma
pequena fração da exuberante diversidade que já abrigaram.”
Quando analisado em conjunto, o efeito das atividades humanas
resultantes em perturbações florestais no Pará é equivalente a uma perda
adicional de mais de 139.000 quilômetros quadrados (km2) de floresta
pristina (sem intervenção humana) e correspondente a todo o desmatamento
no Estado desde 1988, ano que inaugurou o monitoramento oficial.
O pesquisador sênior do projeto, Toby Gardner, do Instituto Ambiental
de Estocolmo (SEI), destaca: “As florestas tropicais são um dos mais
valiosos tesouros biológicos do planeta. Ao focar exclusivamente as
extensões de floresta remanescentes, sem levar em conta o estado de
saúde dessas áreas, as atuais iniciativas de conservação estão colocando
em perigo tal riqueza”.
Espécies raras são as mais ameaçadas
Os cientistas também descobriram que espécies sob o risco máximo de
extinção foram as mais atingidas pelas perturbações causadas por
atividade humana.
Ima Vieira, pesquisadora sênior do Museu Paraense Emílio Goeldi e uma
das colaboradoras do projeto, diz: “O estado do Pará abriga mais de 10%
das espécies de aves do planeta, muitas das quais endêmicas. Nossos
estudos demonstram que são justamente estas espécies as que estão
sofrendo o maior impacto da ação antrópica, pois elas não sobrevivem em
ambientes com estes níveis de perturbação”.
É preciso ir além do combate ao desmatamento
Enquanto a redução do desmatamento é acertadamente o principal foco
da maioria das estratégias de conservação em nações tropicais, a
condição das florestas remanescentes não costuma ser avaliada ou mesmo
controlada por políticas públicas.
“Ações imediatas são necessárias para combater as perturbações
florestais em nações tropicais”, explica Silvio Ferraz, professor do
Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. “No caso do Brasil, a situação é ainda
mais crítica, já que 40% dos remanescentes de florestas tropicais da
Terra se encontram aqui”, completa o pesquisador, que integrou a equipe
do estudo. Ainda que donos de terras na Amazônia brasileira sejam
obrigados por lei a manter 80% da cobertura primária em suas
propriedades, a nova pesquisa demonstra que, em paisagens nas quais a
lei é cumprida, a metade do valor potencial de conservação já pode ter
sido perdida.
“Estes resultados devem servir de alerta para a comunidade global”,
afirma Jos Barlow, o principal autor do estudo. “O Brasil demonstrou uma
liderança sem precedentes no combate ao desmatamento na última década. O
mesmo nível de liderança é necessário agora para proteger a saúde das
florestas restantes nos trópicos. Do contrário, décadas de esforço de
conservação terão sido em vão.”
Foto: Wikimedia Commons
Infelizmente, a rica biodiversidade do Brasil está mais uma vez
ameaçada por novas tentativas de mudanças no Código Florestal. Luiz
Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, também integrou a
equipe do estudo e destaca: “O Senado brasileiro está propondo uma nova
lei que vai permitir aos produtores se valerem de florestas plantadas,
como as monoculturas de eucalipto, para atingir a meta legal de
cobertura florestal. Propostas como esta, que ignoram as condições das
florestas em questão, podem acelerar a perda de biodiversidade
tropical”.
O estudo publicado é fruto da Rede Amazônia Sustentável (RAS), um
consórcio de instituições brasileiras e estrangeiras, coordenado pela
Embrapa Amazônia Oriental, Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade de
Lancaster (Reino Unido) e Instituto Ambiental de Estocolmo (Suécia). A
RAS é também parte do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia.
[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado,
reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à
Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]
[EcoDebate]
No mês passado acompanhamos trágicas e tristes notícias envolvendo o
Homem e algumas espécies de animais selvagens. O gorila morto em um
zoológico de Cincinatti, EUA; o elefante morto no Camboja; e a onça Juma
morta aqui no Brasil. Mortes naturais? Não. Mortes provocadas pela ação
(des)humana.
Pelo resto do mundo escutamos, assistimos e lemos quase toda semana
matérias sobre o impacto ambiental provocado pelo contato humano com as
mais variadas espécies de animais selagens e silvestres. Nós, seres
humanos, precisamos aprender a respeitar a importante condição natural
dos animais (selvagem, silvestre, etc), e saber que alguns podem ser
domesticados e outros não. E mais. Devem respeitar a condição de serem e
ainda estarem selvagens e silvestres, evitando qualquer forma de
aproximação e contato.
O contato dor ser humano com espécies selvagens ou silvestres é
potencialmente lesiva e danosa, tanto a eles quanto para nossa espécie.
No Brasil, diversas ONG’s e o IBAMA fiscalizam essa proteção, e são
responsáveis pela readaptação e reinserção de algumas espécies, vítimas
da ação humana, aos seus habitats naturais.
Nas palavras do sábio Gandhi, “o grau de evolução de uma sociedade
pode ser avaliado pelo modo como essa sociedade trata suas crianças,
seus idosos e seus animais. ” Quem sabe um dia as enciclopédias e a
internet possam de vez substituir a medíocre “cultura” dos zoológicos e
dos parques que escravizam orcas, leões, tigres e golfinhos.
Eles não pediram para sair na ‘selfie’. Eles não pediram, sequer, para estar em cena. João Paulo Sangion, professor de Direito Ambiental e especialista
em causa animal e criminologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie
Campinas.
[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado,
reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à
Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]
O sistema utiliza uma técnica conhecida como lógica nebulosa genética.
[Imagem: Nicholas Ernest et al. - 10.4172/2167-0374.1000144]
Briga automatizada
Um sistema de inteligência artificial para pilotagem de caças derrotou dois pilotos humanos em uma simulação de combate.
O piloto robótico, batizado de Alpha, usou quatro jatos virtuais para
defender uma área litorânea dos dois caças e não sofreu perdas.
Desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Universidade de
Cincinnati, nos Estados Unidos, o sistema também venceu um instrutor de
pilotos da Força Aérea Norte-Americana reconhecido por sua experiência.
Na simulação, os dois jatos que atacavam o litoral - chamada de
equipe azul - tinham um sistema de armas mais poderoso que os jatos
usados pelo Alpha, chamados de equipe vermelha.
Apesar da desvantagem, o sistema criado por inteligência artificial
conseguiu se livrar dos inimigos depois de realizar uma série de
manobras evasivas.
Lógica nebulosa
O sistema usa uma forma de inteligência artificial baseada no conceito de lógica nebulosa - também conhecida como difusa, ou fuzzy, com o programa analisando uma série ampla de opções antes de tomar a decisão.
Devido ao fato de um caça virtual produzir uma quantidade grande de
dados para serem interpretados, nem sempre fica óbvio quais as manobras
são mais vantajosas ou mesmo em que momento uma arma deve ser disparada.
Sistemas que usam a lógica nebulosa podem pesar a importância desses
dados individuais antes de tomar uma decisão mais ampla.
Bibliografia:
Genetic Fuzzy based Artificial Intelligence for Unmanned Combat Aerial Vehicle Control in Simulated Air Combat Missions
Nicholas Ernest, David Carroll, Corey Schumacher, Matthew Clark, Kelly Cohen, Gene Lee
Journal of Defense Management
DOI: 10.4172/2167-0374.1000144
Pet shops serão obrigados a instalar câmeras (Foto: Reprodução Internet)Foi
aprovado em segundo turno o Projeto de Lei nº 801, de 2015, de autoria
do deputado Julio César, que torna obrigatória a instalação de sistemas
de monitoramento de áudio e vídeo em estabelecimentos comerciais
destinados à exibição, tratamento, higiene e estética de animais
domésticos, como pet shops, clínicas veterinárias e similares.
As câmeras deverão ser instaladas no local específico para
tratamento, higiene e estética dos animais. Segundo a proposição, que
agora segue para a sanção do governador Rodrigo Rollemberg, o sistema de
monitoramento será acessado por meio de senha pessoal e intransferível
entregue ao responsável pelo animal e ao órgão de fiscalizador de defesa
de animais caso seja solicitada a senha.
As imagens e os áudios deverão
ficar arquivados por pelo menos 15 dias. Os estabelecimentos que não se
adaptarem a nova regra estarão sujeitos à notificação, multa entre R$ 1
mil e R$ 10 mil, interdição parcial ou total do estabelecimento,
cassação de licença e alvará de funcionamento, entre outras penalidades.
O prazo para a instalação das câmeras é de 90 dias a partir da
publicação da lei.
Na justificativa do projeto, o autor argumenta que a medida vai
ajudar as autoridades a punir casos de maus-tratos, agressões,
mutilações e outras formas de violência que ocorrem, inclusive, dentro
dos estabelecimentos. Além disso, vai permitir observar a estrutura dos
lugares que, muitas vezes, estão longe do ideal para o tratamento dos
animais, levando-os a situações de estresse.
Por Berenice Seara Zoológico do Rio (Foto: Rafael Moraes/ Extra)
A Prefeitura do Rio lançou licitação para a escolha da empresa que vai gerir o velho e bom Jardim Zoológico.
O processo foi preparado pela Cataratas do Iguaçu S.A., contratada
pela administração municipal para preparar os estudos, o projeto e o
edital.
Turismo
Segundo o edital, a empresa não precisa ter qualquer experiência em
manejo de animais — mas em “gestão de uma única operação e/ou
empreendimento de Jardim Zoológico, pontos turísticos, parques ou
assemelhados, que possuam controle de acesso e visitação igual ou
superior a 300.000 visitantes por ano”.
Basta ter administrado um parque de diversões...
Mas terá de provar, também, que irá contratar, caso vença a
licitação, um “profissional de formação superior na área de Ciências
Biológicas ou Medicina Veterinária ... que comprove a experiência de
três anos na atividade de manejo de animais selvagens em cativeiro”.
Ou seja, não precisa saber nada do assunto, desde que indique um
profissional (um só!), e garanta que vá contratá-lo no futuro, quando
ganhar a disputa.
Nota do Olhar Animal: Este é
mais um fato para expor o pouco caso com a vida dos animais explorados
em zoológicos. Não bastasse privá-los da liberdade e mantê-los em
condições degradantes, querem submetê-los aos "cuidados" de pessoas sem
experiência alguma na lida com os bichos.
Por Jessica Sarter / Tradução de Alda Lima Foto: The Last Pig
“Como um criador de porcos, vivo uma vida antiética, envolta nas
armadilhas justificatórias de aceitação social. Há mais ainda do que
simples aceitação. Há realmente a celebração da maneira com que crio os
porcos. Porque dou aos porcos vidas tão próximas do natural quanto
possível em um sistema não-natural, sou honrado, sou justo, sou humano —
enquanto o tempo todo, atrás do manto, sou um senhor de escravos e um
assassino”.
Estas palavras poderosas vêm de uma coleção de blogs que Bob Comis,
um criador de porcos em Upstate New York, que começou a escrever para
narrar sua vida como um agricultor de carne “humanitário” e sua
crescente dúvida quanto a tal coisa existir mesmo.
Suas palavras foram
destaque no The Huffington Post e atraiu o interesse de muitos leitores
por sua descrição honesta da turbulência interna com a qual ele lidou
enquanto tentava entrar em acordo com a vida que estava vivendo em meio a
um conjunto de mudança de crenças morais. Os pensamentos de Comis
quanto à criação de suínos não eram do agricultor médio, pelo menos não
aquele que cria porcos pela sua carne, seu objetivo sempre foi criar
porcos o mais humanamente possível.
Na verdade, ele começou a criação por ficar tão horrorizado depois de
descobrir mais sobre a fazenda industrial, que quis tentar ser uma
pessoa melhor, oferecendo uma solução mais amável. E, pelo que se sabe,
as vidas que seus porcos levam foram as mais ideais que você poderia
imaginar. Eles tinham muito espaço para se movimentar, tinham talos de
milho para comer, abrigos quentes onde dormir e a oportunidade de
desfrutar das relações sociais complexas que todos os suínos constroem
quando lhes é dada a oportunidade. “Vi porcos mostrarem empatia,
alegria, depressão e uma gama de emoções”, ele disse. “Eles às vezes
brincavam de dar susto um nos outros. A experiência dos porcos parecia
cada vez mais com a minha”.
Olhando os porcos de maneira diferente
Comis viu o que qualquer um que já passou algum tempo com porcos já
sabe. Ele descobriu que os porcos são animais individuais muito
inteligentes, brincalhões, e também começou a sentir que suas vidas
importavam muito, levando-o a questionar seu direito de tomar suas
vidas. Por um tempo, ele tentou continuar com a sua criação, pois seu
negócio estava indo muito bem.
Ele também continuou a comer carne
enquanto os leitores o viam perguntando a si mesmo e ao mundo se era
certo para qualquer um de nós fazê-lo. Felizmente, havia pessoas lá fora
que não apenas ofereciam suporte, como também não julgavam. Ele
explicou em uma entrevista: “Os comentários mais poderosos que recebi, e
foi o que me ajudou a parar em última análise, foram, e de várias
formas os que diziam ‘Se der um passo para trás e olhar para as coisas
que está dizendo e olhar para as coisas que está pensando, verá que já
tomou a decisão de parar, então apenas dê o próximo passo e pare’. E,
assim, a ideia ressoou em mim, e dei o passo para trás e pensei: ‘Estas
pessoas são legais’, e então decidi parar de criar porcos completamente,
me tornei vegetariano, e depois vegano”.
O último porco
A representação honesta da busca da alma de Comis chamou a atenção da
premiada cineasta Emmy Allison Argo. Depois de ler um de seus blogs
“Happy Pigs Make Happy Meat”, (ou “Porcos felizes dão carne feliz”), ela
quis contar sua história. Argo produziu muitos filmes sobre animais
como Parrot Confidential e The Urban Elephant, e tem dedicado sua vida a
ensinar as pessoas sobre os males de animais em cativeiro e em risco
nas mãos de seres humanos.
Mas esta história era diferente. Esta não era
uma outra história de abuso ou negligência, este era um lugar onde os
animais foram bem tratados até o dia final. Esta história, como o
próprio Bob Comis colocou, era uma questão de, se aquelas vidas eram
significativas o suficiente para serem cuidadas e alimentadas, por que
era aceitável acabar com elas para consumo humano? E quanto à ética
daqueles momentos finais?
O consumidor que compra o mito da humanidade
neste processo está fechando os olhos para o último dia, os momentos
finais. Como Comis disse à revista Modern Farmer a respeito de sua
experiência num matadouro, “Não é a visão do sangue que me incomoda, e
sim a violência do processo da morte. A ciência nos asseguraria de que
estas convulsões são um sinal de insensibilidade dos porcos, mas, como
testemunha, é quase impossível acreditar que os porcos não estão se
debatendo porque estão com dor.
E então aquela súbita falta de vida do
corpo enquanto ele é mecanicamente içado no ar, algemado por uma única
perna. Acho que nada poderia ser feito para tornar a morte dos porcos
menos pesada para mim”.
Esperança de mudança
Mudar nem sempre é fácil, especialmente quando não são
apenas seus hábitos alimentares, mas seu sustento financeiro também.
“The Last Pig” segue Comis em seu último ano levando porcos para o abate
(ele tinha mais de 200 que não tinha onde colocar) e dizer adeus aos
oito que conseguiu realocar em santuários. Hoje ele Comanda a In Line
Farming, uma fazenda vegana em homenagem à sua nova maneira de colocar
suas ações “em linha” com suas crenças.
E para provar ainda mais que as
ações positivas de uma pessoa podem levar a outras, Argo virou vegana
durante o processo de filmagem, depois de anos sendo vegetariana. Por
mais que Bob Comis possa ser apenas uma pessoa, sua história pode
inspirar milhares de outras. Tudo o que precisamos é apenas dar um passo
para trás, um momento para questionar a forma como as coisas são, para
fazer a diferença em nossas escolhas pessoais e impactar positivamente
tantas outras vidas.
Todos nós poderíamos aprender uma lição de
compaixão deste homem amável. “The Last Pig” está em fase final de
edição. A produção deste filme foi financiada através de doações e
continua precisando de apoio. Para doar, saber mais sobre o filme, e ver
como você pode ajudar, visite o site The Last Pig e acompanhe seu progresso no Facebook.
A Holanda se tornou o primeiro país sem
animais abandonados. Um dado considerável nesta notícia é o de que isso
aconteceu sem a necessidade de sacrificar quaisquer animais ou
colocá-los em um canil.
Resumidamente, isso ocorreu porque as leis holandesas são muito duras com as pessoas que abandonam cães.
Multas por abandono atingem a casa dos
milhares de euros. Assim, as pessoas pensam duas vezes antes de
abandonarem um cão nas ruas.
Embora houvesse campanhas de sensibilização
para a causa e multas aplicáveis, as ruas da Holanda estavam cheias de
cães. Isso se devia em grande parte ao fato de que as pessoas preferiam
comprar cães de raça pura a adotarem um animal. Portanto, era necessário
impedir que os cães que viviam nas ruas continuassem a se reproduzir.
A
Holanda se tornou o primeiro país sem animais abandonados. Isso
aconteceu sem a necessidade de sacrificar quaisquer animais ou
colocá-los em um canil.
Foto: labioguia
O governo assumiu o custo de esterilização e
organizou campanhas maciças para fazer isso aos animais de rua, e assim
os proprietários de cães de estimação poderiam esterilizá-los
gratuitamente, caso quisessem.