terça-feira, 25 de outubro de 2016

Ibama multa Santander por financiar plantio de grãos na Amazônia

Por Sabrina Rodrigues
Plantio de soja em área embargado no Mato Grosso. Foto: Ibama.
Plantio de soja em área embargado no Mato Grosso. Foto: Ibama.


Em operação conjunta com o Ministério Público Federal de Mato Grosso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou o banco Santander por financiar o plantio de grãos de milho e soja em áreas embargadas da Amazônia. A fiscalização detectou que recursos do banco custearam plantações em terras que haviam sido bloqueadas por cultivos irregulares feitos no passado.


O valor da multa aplicada ao Santander é de R$ 47,5 milhões. A investigação concluiu que o banco financiou a plantação de 95 mil sacas de milho na safra de 2015, em uma área de 572 hectares.



Fonte original: Estadão.



Comentários (2)


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paulo 
Pois é, sr. santander. 
 
 
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clovis borges · 
A notícia é relevante pelo fato de demonstrar que, com algum esforço de controle, é possível constatar irregularidades em iniciativas que envolvem supressão de áreas naturais no Brasil. Basta haver interesse para isso que podem ser encontradas milhares de irregularidades ocorrendo por todo o território. Muitas delas com licenciamento, inclusive. 
 
 
É por conta disso que no Paraná o MPE lançou uma investida contra os órgãos ambientais, denominada "Mata Atlântica em Pé", que fará uma verdadeira varredura nos licenciamentos emitidos nos últimos 10 anos, com uma expectativa nada positiva em relação a legalidade de boa parte destas. 
 
 
No caso da responsabilidade de instâncias financiadoras causarem ações de degradação ambiental, trata-se de uma situação similar. Uma análise mais aprofundada sobre financiamentos relacionados com a degradação de áreas de maneira ilegal certamente proporcionará um cenário muito pouco honroso. E que deveria ser uma iniciativa dos próprios bancos colocar a limpo. Casos isolados não fazem com que o cenário se altere.

Suécia propõe que União Europeia proíba venda de carros a gasolina em 2030


Por Sabrina Rodrigues
Carros elétricos poderão ser maioria em cidades ricas europeias. Foto: Mark Hillary/Flickr
Carros elétricos poderão ser maioria em cidades ricas europeias. Foto: Mark Hillary/Flickr


Uma notícia que acende uma esperança em termos de diminuição na emissão de gases poluentes para a atmosfera veio da ministra sueca do Meio Ambiente, Isabella Lövin. Inspirada na resolução do Senado alemão de acabar com a venda de carros movidos a combustão interna até 2030, a ministra sueca sugeriu que essa seja estendida a toda União Europeia. "Como ministra do Meio Ambiente a única solução que vejo é deixar de lado os veículos com combustíveis fósseis".


A Suécia tem como objetivo alcançar uma matriz energética 100% renovável em 2040. Com a adoção dessa medida, pretende-se que os veículos elétricos deverão ser maioria nas grandes cidades europeias. Como forma de fazer com que essa ideia pegue, os governos estão tentando encorajar o uso dos motores elétricos através de isenções fiscais, subsídios e regulamentações de emissões mais rigorosas.



Fonte original: G1.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Um ano do lançamento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável,


artigo de Norman de Paula Arruda Filho


Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Imagem: Ministério das Relações Exteriores
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Imagem: Ministério das Relações Exteriores

[EcoDebate] Em setembro de 2015, tive a honra de participar do lançamento dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Dentre representantes de diversos países com suas mais variadas línguas e culturas, durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, ouvi o então Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki Moon, discursar sobre a Agenda 2030: um chamado à sociedade para a articulação de iniciativas em prol do desenvolvimento sustentável.



Um ano se passou. Marco que nos chama a refletir sobre o quanto já caminhamos na implantação dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Durante esse período, amadurecemos do processo natural de transição dos ODM (Objetivos do Desenvolvimento do Milênio) para os ODS para enxergar as novas metas como algo verdadeiramente transformador. Para auxiliar na implantação dos ODS nas empresas, a GRI (Global Report Initiative) e a WBCSD (World Business Council for Sustainable Development) lançaram o Guia ODS, um documento munido de ferramentas que visam auxiliar empresários a colocar a sustentabilidade no centro da estratégia dos negócios, reforçando a premissa de que somente uma ação conjunta entre o setor público e o setor privado pode de fato gerar mudanças. O Pacto Global da ONU no Brasil traduziu o documento para auxiliar na sua divulgação entre empresas nacionais.



Para engajar o setor privado aqui no Brasil, outras iniciativas atuam para a disseminação dos ODS, como o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o próprio Pacto Global que articulam parcerias, desenvolvem projetos acerca da temática, entre outras atividades. Há também de se destacar o trabalho do PRME – Principles for Responsible Management Education (Princípios para Educação Executiva Responsável), plataforma também da Organização das Nações Unidas que busca estabelecer bases para o desenvolvimento de uma nova geração de líderes de negócios, capaz de gerir os desafios complexos enfrentados pelas empresas e a sociedade no século 21.



No âmbito local, o Movimento Nós Podemos Paraná – estruturado desde 2006 pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná – registra mais de cem empresas que assinaram o termo de adesão em prol dos 17 Objetivos.



O governo também se mobilizou em algumas iniciativas. Desde junho deste ano, o movimento “Nordeste 2030 – Desafios e caminhos para o desenvolvimento sustentável” traçou alguns desafios para a implantação da Agenda na região: quer discutir políticas para o fortalecimento de instituições públicas, construir uma visão de longo prazo, promover a competitividade regional e superar os principais desafios.


Sensibilizar pode parecer pouco quando falamos em 169 metas que abordam os mais diversos setores, e quando temos como alvo desafios que vão desde acabar com a fome até promover a industrialização inclusiva. Partindo desse ponto de vista, o tempo torna-se nosso inimigo e não há como ignorar o papel da educação nesse campo.




Preparar crianças, jovens e principalmente líderes comprometidos com uma visão sistêmica sobre o desenvolvimento sustentável é fundamental para a continuidade e o sucesso desse trabalho. A educação só é transformadora quando proporciona a mudança através de atividades práticas e mensuração de resultados que vão ao encontro com os objetivos estratégicos das empresas, da sociedade e do planeta de forma equilibrada.



À frente da Presidência do Capítulo Brasileiro do PRME e do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE) adoto os princípios do Pacto Global e do PRME como valores da Instituição, inserindo os ODS na gestão e na estrutura curricular dos cursos ofertados, promovendo o tema de forma a extrapolar a teoria a partir de sua inserção no meio empresarial. Assim, busco incentivar os novos e futuros líderes a levarem para as empresas uma visão mais globalizada do desenvolvimento sustentável.


O primeiro ano da implantação da Agenda 2030 foi registrado pelo governo brasileiro com o posicionamento da bandeira dos ODS ao lado da bandeira do nosso país em cerimônia oficial realizada pelo Tribunal de Contas da União em Brasília. Espero, fielmente, que a simbologia desse ato possa se materializar em ações que nos aproximem cada vez mais do alcance dos Objetivos.


Como visionário e crente do poder das parcerias, espero ansioso pelo dia que começaremos a pontuar e comemorar os resultados concretos que os ODS trouxerem à sociedade.


*Norman de Paula Arruda Filho é presidente do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE) e do Capítulo Brasileiro do PRME da ONU

in EcoDebate, 24/10/2016


"Um ano do lançamento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, artigo de Norman de Paula Arruda Filho," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/10/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/10/24/um-ano-do-lancamento-dos-objetivos-do-desenvolvimento-sustentavel-artigo-de-norman-de-paula-arruda-filho/.

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Desastres naturais e civilização humana, artigo de Roberto Naime




nundação em Santa Catarina, outubro/2014. Foto: Defesa Civil de Santa Catarina/Divulgação
Inundação em Santa Catarina, outubro/2014. Foto: Defesa Civil de Santa Catarina/Divulgação

[EcoDebate] Em agosto de 2010, o vulcão Sinabung, na ilha indonesiana de Sumatra, entrou em erupção e retirou pelo menos 18 mil moradores da região.


Um mês depois, no Paquistão, chuvas torrenciais causaram o pior desastre natural da história do país, matando mais de 1.500 pessoas e deixando mais de seis milhões de desabrigados, causando bilhões de dólares de danos à infraestrutura e à agricultura.


Eventos como vulcões e inundações são fenômenos da natureza e são considerados desastres naturais quando atingem um sistema social, causando danos e prejuízos que excedam a capacidade dos afetados de conviver com o impacto.


Um desastre natural, além de causar a perda de vidas humanas, traz prejuízos materiais, econômicos e ambientais e provoca graves interrupções do funcionamento de uma comunidade ou de uma sociedade.


São fenômenos que podem ocorrer em qualquer região do nosso planeta variando de intensidade e gravidade, dependendo de elementos próprios da dinâmica da natureza e das intervenções humanas.
Matthew Kahn, no artigo “The death roll from natural disasters: the role of income, geography, and institutions” (Universidade Tufts e Universidade Stanford, 2003), analisou grandes desastres naturais ocorridos em 73 países (pobres, médios e ricos), entre 1980 e 2002.


Concluiu que os mesmos se distribuíram equitativamente, mas afetaram as populações de forma diferente.


Por exemplo, no período estudado, a Índia teve 14 grandes terremotos, nos quais morreram 32.117 pessoas, enquanto que nos Estados Unidos ocorreram 18 grandes terremotos, que causaram 143 mortes.


Alguns fenômenos, como movimentos de placas tectônicas que causam os terremotos, possuem grande aleatoriedade, mas ocorrem principalmente em áreas situadas em bordas de placas, outros, como secas e inundações, podem ser previstos com alguma antecedência, a partir de modelos climáticos cada vez mais sofisticados.


Se uma região está sujeita a terremotos, ciclones ou chuvas muito intensas, por exemplo, sua população estará mais exposta a perigos, porém, o risco não será o mesmo para todos.
O relatório “Reduzindo o risco de desastres: um desafio para o desenvolvimento”, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), define que o risco é a probabilidade de perda esperada para uma área habitada em um determinado tempo, devido à presença iminente de um perigo.


Elaborado por especialistas de todo o mundo, o documento aponta que, no período de 1980 a 2000, quase 75% da população mundial vivia em regiões onde ocorreu pelo menos uma vez um fenômeno como terremoto, ciclone tropical, inundação ou seca.


Esses eventos causaram a morte de mais de 1,5 milhão de pessoas. A vulnerabilidade de uma população ante um desastre natural reflete condições sociais, econômicas e geográficas, que afetam a capacidade dessa população para responder ao risco.


Como o conceito de desastre natural está vinculado aos prejuízos por ele causado, o impacto depende da capacidade da comunidade de suportar ou superar os danos.


Assim, quanto mais pobre a população, mais ela sofre com os desastres naturais. Isso explicaria porque não existe uma relação direta entre número de desastres naturais e número de pessoas mortas ou afetadas pelos eventos.


Concentração de renda, baixa escolaridade, acesso precário a informações sobre os riscos, falta de organização política dos segmentos desfavorecidos da sociedade, ausência de políticas públicas eficientes que permitam a definição e implantação de ordenamentos no uso de terras urbanas e rurais, são alguns dos muitos fatores que contribuem para uma exposição maior de populações pobres a possíveis desastres naturais.


Mas isso não significa que não exista percepção do perigo, nem tampouco que apenas fatores sociais e econômicos condicionam a permanência de populações em áreas de risco.


Rafaela Vieira, arquiteta e professora da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALE) e da Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), entrevistou moradores de uma área com grande incidência de deslizamento, localizada próxima ao centro de Blumenau (SC).


Na cidade onde predomina um relevo acidentado e que tem apresentado um forte crescimento populacional, com a ocupação das encostas sendo geralmente associada à formação de áreas de exclusão social. Ela verificou que todos sabiam do perigo de viver em áreas íngremes e que um deslizamento de encostas pode causar destruição e mortes, “mas a maioria não reconhecia o próprio risco a que estava exposto”.


Na pesquisa, que integrou seu doutorado em geografia defendido na Universidade de Santa Catarina (UFSC), a arquiteta trabalhou com conceitos propostos por Ian Burton, Robert W. Kates e Gilbert F. White, organizados no livro “The environment as hazard” (1993).


Se afirma a partir de estudos em 18 países, que a percepção do perigo se dá de diferentes formas e influi na maneira como as pessoas enfrentam os problemas, como habitam o lugar e como se relacionam entre si (indivíduos e coletividade) e com o ambiente (indivíduos e coletividade com o ambiente).


Estes autores consideram que existem quatro estágios na percepção, sendo absorção, aceitação, redução das perdas e mudanças de uso e de localização. Estes estágios estão separados por três limiares, que são conhecimento, ação e tolerância.


Em sua pesquisa, Rafaela constatou que os moradores da área estudada afirmavam que o deslizamento não aconteceria onde moram, apesar de a grande maioria ser residente em áreas de suscetibilidade a deslizamentos. Não existe este determinismo social, nem existencial.
“De fato, quando mais próximos se encontravam do risco, maior era a negação desse risco”, diz ela. Segundo a professora, “quanto menor a renda, mais rapidamente as pessoas que vivem em uma área de risco atingem o limiar do conhecimento; mas para chegar à ação, outros fatores interferem fortemente como os laços afetivos ao lugar”.


Rafaela confirmou o que Burton e seus colaboradores já haviam apontado, de que “há uma incapacidade humana para imaginar um desastre natural em um meio ambiente familiar”.
** Matéria original de Maria Leonor Assad, in Cienc. Cult. vol.63 no.1 São Paulo Jan. 2011, ampliada e comentada.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Celebração da vida [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 20/10/2016
"Desastres naturais e civilização humana, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/10/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/10/20/desastres-naturais-e-civilizacao-humana-artigo-de-roberto-naime/.

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Evento incentiva pessoas a observarem pássaros e listarem espécies em app colaborativo

quinta-feira, 20 de outubro de 2016


O objetivo é observar o maior número de espécies de aves livres em 24 horas.
 
 

No dia 22 de outubro acontece o Big Day Brasil, evento que reúne pessoas de todo o País para um desafio: observar o maior número de espécies de aves livres em 24 horas. É possível participar de qualquer lugar, seja da janela de casa, nas ruas, em um parque ou numa Unidade de Conservação. O importante é “capturar” a ave com os olhos, sem incomodar o pássaro ou o ninho. 
 
 
 
As espécies observadas devem ser listadas na plataforma colaborativa eBird com informações, fotos e/ou filmes.
 
 
 
 
Como forma de reconhecer a participação e a colaboração do público, haverá uma premiação simbólica para os que observarem o maior número de espécies em geral, maior número de espécies ameaçadas e maior número de espécies em seu Estado.
 
 
 
 
De acordo com Pedro Develey, diretor da SAVE Brasil (Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil) e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, o movimento contribui para a conservação e conhecimento da biodiversidade brasileira. “Não temos informações suficientes, como distribuição e população, de determinadas aves. Quando o esforço é colaborativo e padronizado, tudo pode ser registrado e comparado ano após ano”, relata.
 
 
 
 
Ele explica que não precisa ser um especialista para participar da ação. “Qualquer pessoa pode contribuir, começando com as aves mais comuns e aumentar o número de espécies e idas a campo, aprendendo cada vez mais”, conta. No ano passado, ele observou 125 espécies em sua casa no interior de São Paulo.
 
 
 
 
Para os que não possuem tanta experiência, o especialista recomenda o uso de binóculos e uma aproximação mais cautelosa. Também deve ser evitada a formação de grupos muito grandes e o uso de equipamentos sonoros perto dos ninhos, pois podem estressar e assustar as aves.
 
 
 
 
O Big Day Brasil 2016 é organizado pela SAVE Brasil (Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil), Avistar Brasil, Observatório de Aves do Instituto Butantan e PUC/RJ, além de contar com o apoio da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.
Fonte: Ciclo Vivo

Concentração De CO² Na Atmosfera Atinge Seu Mais Alto Nível Em Milhões De Anos, Alerta ONU



Citando os graves impactos que os recordes de emissões CO² causaram no mês de setembro, o Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) pediu que países aumentem o compromisso com a redução da emissão dos gases de efeito estufa.

 
 
 
 
“É profundamente perturbador saber que os níveis globais das 400 partes por milhão (ppm) já tenham sido alcançados no mês de setembro pela primeira vez”, disse o diretor da agência da ONU, Robert Glasser.
 
 
 
 
Para o diretor-executivo do PNUMA, Achim Steiner, a América Latina e o Caribe estão na “vanguarda” da luta contra o efeito estufa, buscando fontes renováveis de energia para alcançar o desenvolvimento sustentável
 
 
 
 
Citando os graves impactos que os recordes – em 15 a 20 milhões de anos – de emissões CO² causaram no mês de setembro, o Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) pediu na semana passada (30) que os governos aumentem o compromisso com a redução da emissão dos gases de efeito estufa.
 
 
 
 
“É profundamente perturbador saber que os níveis globais das 400 partes por milhão (ppm) já tenham sido alcançados no mês de setembro pela primeira vez”, disse o diretor da agência da ONU, Robert Glasser, em comunicado à imprensa.
 
 
 
 
“A última vez que os níveis de dióxido de carbono atingiram esse patamar foi há 15 a 20 milhões de anos”, acrescentou.
 
 
 
 
Segundo Robert Glasser, os níveis mais baixos são geralmente registrados em setembro, o que traduz a improbabilidade de se ver níveis menores que das 400 partes por milhão (ppm) no futuro.
 
 
 
 
“Estamos elevando sistematicamente os níveis de risco de desastres para as gerações futuras. É possível que eventos climáticos mais severos aconteçam nos próximos anos”, sublinhou Glasser.
 
 
 
 
Catástrofes climáticas já são responsáveis por 90% de todas as devastações causadas por desastres naturais. Esses desastres são potencialmente prejudiciais, especialmente para os países de baixa e média renda que contribuem pouco paras as emissões de gases de efeitos estufa, mas têm grandes populações expostas a secas, inundações e tempestades.
 
 
 
 
“Uma ação muito mais vigorosa é necessária para uma razoável chance de limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius, embora o Acordo de Paris reconheça que limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius reduziria significativamente os riscos e os impactos da mudança climática”, frisou Glasser.
 
 
 
 
A UNISDR é o ponto focal entre as Nações Unidas e das organizações regionais para a coordenação da redução de desastres.

ACE inaugura jardim sensorial para crianças com síndromes neurológicas em Joinville

terça-feira, 18 de outubro de 2016


Abertura do espaço faz parte da comemoração pelos 30 anos do curso de Fisioterapia

 
 
Imagine como é aprender em uma sala branca fazendo exercícios repetitivos. Agora, imagine como é estar em um local repleto de aromas e texturas, como um jardim. A segunda opção parece melhor, não é? Pensando nisto, a ACE (Associação Catarinense de Ensino) inaugura nesta quarta-feira (19), às 10h, o Jardim Sensorial Maria Iracema, um espaço voltado à reabilitação de crianças com síndromes neurológicas. A inauguração faz parte da comemoração pelos 30 anos do curso de Fisioterapia da instituição, o primeiro em Santa Catarina.
 
 
A ideia, segundo o coordenador do curso, Jean Zipperer, surgiu da necessidade de estimular a reabilitação das 81 crianças cadastradas no atendimento. “A sala branca, com uma pessoa de jaleco branco, fazendo exercícios repetitivos, tudo isso gera muita dificuldade na adesão das crianças. Por isso, quisemos tirá-las de dentro da sala e trazer para o contato com a natureza”, explica. No espaço de cerca de 150m², o equilíbrio e a força das crianças são estimuladas a partir dos elementos do jardim, como bambus, areia, pedras e argila. A estimulação visual, tátil e a partir de aromas também são benefícios do ambiente. 




O espaço está disponível para as crianças há cerca de dois meses e o resultado é comemorado pelo curso. “É muito gratificante ver a resposta dos pais e das crianças. Primeiro havia resistência das crianças em vir pra fisioterapia, mas hoje elas querem vir. Isso foi muito impactante pra nós e os pais também se sentem felizes. Isso suaviza o processo de reabilitação”, conta Jean. As crianças são atendidas no espaço duas vezes por semana.
 
 
 
O Jardim Sensorial leva o nome de Maria Iracema, esposa de Guilherme Guimbala, fundador da faculdade.
 
Fonte: Notícias do Dia
 
 

Jovens brasileiros conquistam prêmio do governo alemão para a sustentabilidade




Os dois apresentaram projetos de suas áreas de atuação e competiram com outros 757 candidatos de mais de 104 países.

Anualmente o Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF) realiza o concurso Green Talents. A proposta é incentivar iniciativas com capacidade inovadora de tornar a sociedade mais sustentável, abrangendo diversas áreas da economia, com ideias criativas capazes de responder as questões atuais mais urgentes sobre proteção ambiental. Na edição deste ano, dois brasileiros tiveram destaque e foram premiados: Marina Demaria Venâncio e Hani Rocha El Bizri.
Os dois apresentaram projetos diferentes, dentro de suas áreas de atuação e competiram com outros 757 candidatos de mais de 104 países. Hani, de 29 anos, mestrando em Saúde e Produção Animal pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e pesquisador associado do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), apresentou uma iniciativa focada na sustentabilidade da caça na Amazônia. Enquanto Marina, de 23 anos, estudante de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), tem como foco de sua pesquisa as interconexões entre mudanças climáticas, agricultura e os sistemas alimentares sob uma perspectiva do direito, com ênfase nas políticas públicas agroecológicas brasileiras e suas implicações jurídicas.
O projeto de Hani
A carne de caça, tema estudado por Hani, tem uma importância notável na subsistência das famílias de baixa renda que vivem na região, como as populações indígenas, ribeirinhas e quilombolas.
 Porém, a caça tem afetado fortemente os animais silvestres, pois a atividade contribui para a diminuição de suas populações, o que gera tanto um problema de preservação da biodiversidade como também à segurança alimentar das comunidades. Assim, o projeto do pesquisador visa obter informações reprodutivas desses animais na busca do manejo sustentável desses recursos.
“A nossa técnica inovadora envolve os moradores locais, que nos fornecem os órgãos reprodutivos dos animais que eles caçam habitualmente, partes raramente consumidas. Trata-se de um sistema de fornecimento voluntário que ocorre no dia a dia da vida do morador. Até o momento, obtivemos mais de 1.700 doações em 10 anos de estudos conduzidos na Amazônia brasileira e peruana”, conta o pesquisador.
A partir desses dados, a equipe do pesquisador trabalha com as amostras em laboratório para refinar as informações reprodutivas de mais de 10 espécies de mamíferos (por exemplo, anta, paca, queixada, catitu, cutia, espécies de macacos, etc.), comparando com resultados anteriores e que hoje são obsoletos, já que foram gerados há mais de 30 anos com base em poucos animais de cativeiro. 
Com isso, novos resultados foram gerados. Esses dados reprodutivos representam uma das informações mais essenciais para nutrir modelos matemáticos de sustentabilidade, os quais estimam taxas sustentáveis de caça e as melhores técnicas a serem aplicadas para manter as populações de animais estáveis. Esse trabalho também poderá ser usado para definir estratégias de manejo a serem adotadas pelas comunidades e, assim, garantir uma de suas principais fontes de proteína.
A pesquisa de Marina
O trabalho desenvolvido pela mestranda tem como foco de sua pesquisa as interconexões entre mudanças climáticas, agricultura e os sistemas alimentares sob uma perspectiva do direito, com ênfase nas políticas públicas agroecológicas brasileiras e suas implicações jurídicas.



“Mudanças climáticas, agricultura industrial e insegurança alimentar são apenas alguns dos exemplos das diversas questões que atualmente demandam soluções e abordagens inovadoras, interdisciplinares e integradas no contexto de uma sociedade global que se modifica rapidamente”, coloca a pesquisadora.  Tem-se, assim, que a Agroecologia é uma ciência transdisciplinar que também ficou conhecida na América Latina como uma teoria crítica e um movimento social, que advogam para o estabelecimento de um sistema de produção mais sustentável e socialmente inclusivo.



Recentemente no Brasil foram promulgadas variadas leis relacionadas à temática, com destaque à Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica.  Neste âmbito, enquadra-se a sua pesquisa atual, cujos principais objetivos são melhor compreender e delimitar os princípios, direitos e deveres trazidos ao mundo jurídico por estas novas políticas públicas, bem como sua extensão e mecanismos de cumprimento; revisitar o direito ambiental brasileiro à luz do novo paradigma estabelecido pela Agroecologia, repensando a atual divisão entre as nossas especializadas disciplinas jurídicas e discutir as interconexões entre a recente legislação agroecológica brasileira com as leis existentes relacionadas à agricultura familiar, segurança alimentar e produção orgânico-ecológica, delineando um manual para auxiliar na construção de políticas agroecológicas mais compreensivas e efetivas.
Fonte: Ciclo Vivo

A Amazônia que arde


TEXTO 1
A Amazônia que arde
O ano de 2016 caminha para ser o mais quente já registrado. Enquanto isso, no Brasil, um dos El Niños mais intensos das últimas décadas exacerbou a estação seca em boa parte da na Amazônia.
Quando esses dois quadros se juntaram ao uso inadequado do fogo nos últimos meses, vastos quinhões da Amazônia arderam, com graves consequências para as populações, para a economia e para a natureza.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área queimada na região em setembro[1] chegou a 54,5 mil quilômetros quadrados, maior do que o Estado do Rio – extensão pouco menor do que em setembro de 2015, contrariando previsões iniciais de potencial recorde neste ano.
Nem por isso há o que se comemorar: largas áreas de vegetação foram incendiadas. “Sabemos que está ocorrendo o aumento da estação seca na Amazônia e uma alteração no ciclo hidrológico, mas ainda não sabemos direito as causas", diz o cientista Paulo Artaxo, professor na Universidade de São Paulo (USP) e conselheiro do IPAM.
Estresse
De acordo com dados da NASA (agência espacial norte-americana), o solo da floresta amazônica está menos úmido em 2016 do que em 2005 e 2010, dois anos que também registraram secas extremas[2].
A área queimada no bioma aumentou 110% em 2015 em relação à área queimada em 2006, segundo cálculo baseado em informações do Inpe. Enquanto isso, a área de corte raso caiu 56%, ficando estacionada ao redor de 5.000 km2.
Em todo o mundo, as regiões de floresta tropical têm aquecido em média 0,26°C por década desde meados de 1970[3]. “A Amazônia está sofrendo um processo de estresse hídrico devido ao aumento de 1,5°C no último século”, explica Artaxo. “Ao ter um ambiente com uma temperatura alta se aproximando de limiares, isso pode trazer uma fragilidade maior para a região.”
Quando diferentes forças – atividades humanas, como mudança no uso do solo e emissões de CO2, mais fatores naturais, como El Niño – atuam sobre uma mesma região ao mesmo tempo, pesquisas científicas combinadas a políticas públicas precisam ser prioritárias.
"Políticas públicas de longo prazo, monitoramento, presença do Estado e governabilidade estadual são essenciais para definir os próximos rumos do ambiente e da população como um todo", diz o cientista. "Uma estratégia muito importante para o país é melhorar o monitoramento ambiental dos processos que estão acontecendo na Amazônia. Mudanças no uso do solo são só a primeira alteração ambiental numa cadeia muito grande – é preciso monitorá-la completamente.”

TEXTO 2
Um menino esquenta a Amazônia
Em agosto e setembro, o Inpe detectou 425.178 focos de calor no bioma amazônico. Nos mesmos meses de 2015, foram registrados 444.942 focos, cerca de 4% a mais. Já a área queimada cresceu pouco mais de 5%, de 102.965 para 108.655 quilômetros quadrados, na mesma comparação.
Esse fogaréu todo responde pelo nome de El Niño (“O Menino”, em espanhol), que começou no ano passado e só foi perder força no primeiro semestre de 2016.
El Niño é um fenômeno natural climático como consequência do aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na altura da costa do Peru. Conhecido por alterar globalmente os índices pluviométricos e os padrões de vento, no Brasil ele atinge as regiões de formas diferentes. Ao modificar a distribuição de calor e umidade, El Niño geralmente causa excesso de chuva no Sul do país e redução no Nordeste e no Leste da Amazônia.
No período de 2015-2016, a temperatura da superfície do Oceano Pacífico foi a mais alta registrada desde 2001, quando começou o monitoramento de queimadas por satélite. Para piorar, a temperatura da superfície do Oceano Atlântico também esteve acima do normal, o que intensificou a seca e, por consequência, as queimadas na Amazônia este ano[4].
Alta intensidade
O último grande El Niño foi registrado entre 1997 e 1998. O fenômeno causou uma intensa seca na Amazônia, o que aumentou significativamente as queimadas.
Naquele período, estudos do IPAM com IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostraram que na Amazônia os prejuízos com o fogo chegaram a quase 10% de PIB (cerca de US$ 5 bilhões na época). Em 1998, só o SUS (Sistema Único de Saúde) gastou mais de US$ 10 milhões com tratamento de problemas respiratórios na região devido à fumaça das queimadas na região[5]. No Nordeste, a estiagem provocou uma perda de R$ 1,8 bilhão[6] devido a quebras de produção. No Sul, as chuvas ficaram acima da média histórica, causando tempestades e enchentes.
Neste ano, o El Niño foi, além de intenso, extenso (confira gráfico abaixo). “Ainda não podemos atribuir essa intensidade do fenômeno ao aquecimento global; serão necessárias um pouco mais investigações”, explica o pesquisador sênior do IPAM, Paulo Moutinho. “Mas o que se pode já dizer é que, se o avanço do desmatamento e da mudanças climática continuarem, o cenário de grandes secas em boa parte da Amazônia poderá ser algo bem comum no futuro.”
 
TEXTO 3
O (des)controle do fogo
O fenômeno El Niño forneceu o ambiente para as queimadas proliferarem em 2015 e 2016. Mas, ele sozinho não explica por que tantos focos de calor surgiram na Amazônia. Essa conta é do homem.
Na Amazônia, é praticamente impossível que o fogo apareça por causas naturais. Raios, por exemplo. Se o número de focos de calor aumentou neste ano é porque alguém riscou o fósforo em uma situação altamente favorável a propagação das chamas.
“A frequência do fogo natural na Amazônia, ou seja, de quanto em quanto tempo uma mesma área queima sem interferência humana, é de 500 a 1.000 anos”, explica a pesquisadora Ane Alencar, diretora do IPAM. “Pela ação humana, nós diminuímos essa frequência para 24 anos, sendo que há lugares que já queimaram até 12 vezes nesse mesmo período." É uma alta frequência de queima a qual a vegetação não tem tempo para se adaptar”. O resultado é uma mortalidade elevada de árvores, mesmo quando o fogo é rasteiro.
Alencar mapeou o histórico do fogo em 24 anos no Sudeste da região, utilizando dados de sensoriamento remoto e identificando quantidade de material no solo. Sua conclusão é que, apesar de o fogo ser considerado um distúrbio natural da floresta, a forma que se faz o manejo da terra está alterando seu regime na Amazônia, pois ele mexe na dinâmica da região, enquanto as mudanças climáticas potencializam seus efeitos.
"A floresta tem a capacidade de retenção de água no solo, mas não está se recuperando desse processo de seca intensa”, diz a diretora do IPAM. Há um déficit de água acumulada na floresta, que parece aumentar ano após ano. Por isso, qualquer fagulha tem potencial de virar labaredas. “São vários eventos que se sobrepõem, sem que haja um tempo de recuperação do solo.”
Um desses eventos é a conversão de uma área florestada para um campo de soja ou de pasto. Um estudo realizado pelo também pesquisador do IPAM Divino Silvério ao redor do Parque Indígena do Xingu (MT) aponta que áreas de produção tem a temperatura da superfície de 4°C a 6°C, em média, mais alta em comparação a uma área florestada.
"Ao desmatar, o sistema perde capacidade de retirar água do solo mais profundo, assim, a energia do Sol que seria utilizada para gerar vapor d’água passa a ser utilizada para aquecer o solo. Desta forma, o sistema se torna muito mais quente e mais seco", explica Silvério.
Combate
Justamente num ano que se previa crítico, o Ibama (Insttuto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) teve menos dinheiro para combater incêndios florestais na Amazônia. O Prevfogo, um programa do Ibama que todo ano contrata brigadistas para combater queimadas sobretudo em terras indígenas e assentamentos, teve R$ 24,2 milhões no ano passado e contratou 1.400 pessoas. Neste ano, após dois cortes orçamentários e uma complementação, foram R$ 22 milhões, que bastou para contratar 900 pessoas.
"Com o aumento do salário mínimo, a despesa total cresceu, mas o orçamento não acompanhou. Por isso contratamos menos brigadistas", explica Gabriel Zacharias, chefe do Prevfogo. 
Segundo ele, uma estratégia que o programa tem usado nos últimos anos é tentar fazer o manejo do fogo usando o conhecimento tradicional dos índios (23 das 49 brigadas do Prevfogo são indígenas). "Não dá para simplesmente dizer para não queimar. O que nós estamos fazendo é buscar resgatar, por exemplo, a informação de quando os avós dos índios queimavam", diz Zacharias. "O horário da queimada, por exemplo, importa muito na disseminação do fogo."

TEXTO 4
Mais fogo, menos comida
O fogo é uma técnica antiga utilizada pelos índios, para limpar a área e preparar a terra antes do cultivo. No passado, quando usado, o fogo não causava tantos problemas. Porém, em um ambiente cada vez mais seco, as condições naturais do clima que os indígenas estavam acostumados não são mais as mesmas. O risco de se perder o controle do fogo – porque a chuva atrasou, por exemplo – é bem maior agora. Consequentemente, há mais incêndios florestais e muitos indígenas estão perdendo seu cultivo de subsistência.
Segundo a pesquisadora do IPAM, Ane Alencar, é preciso entender como as políticas públicas podem auxiliar em ano de seca extrema e trabalhar com os índios a melhor forma de manejo para enfrentar o problema. “É preciso criar os mecanismos para que eles tenham essa visão de médio prazo e possam se adequar às novas condições climáticas", afirma Alencar.
Uma alternativa para a criação desta visão mais abrangente do problema está na plataforma SOMAI (Sistema de Observação e Monitoramento da Amazônia Indígena), desenvolvida pelo IPAM. Por meio dela, os povos tradicionais têm acesso a informações que impactam suas terras. Com o apoio do Google, nos próximos meses, um boletim digital, o Alerta Clima Indígena, será lançado para levar dados climáticos com mais antecedência aos indígenas.
“Muitos povos indígenas já relatam mudanças nos seus calendários agrícolas, afetando diretamente a segurança alimentar. Ferramenta como o SOMAI e o Alerta Clima Indígena apoiarão tomadas de decisão importantes na gestão territorial, visando a ações de adaptação para esses povos", afirma a coordenadora do núcleo indígena do IPAM, Fernanda Bortolotto.
Produção em risco
Não só o cultivo de subsistência precisa de adaptação. No Pará, o segundo Estado que mais produz cacau no Brasil, os agricultores estão sentindo os impactos da seca. No verão de 2015, diversos produtores relataram a mortalidade de cacaueiros. Esse ano, a safra que deveria ser colhida até agosto atrasou e é esperada uma perda de 50% da produção.
Até os produtores mais antigos estão surpresos com a situação desse ano. Élido Trevisan é um médio produtor em Medicilândia (PA), que produz cacau desde 1977. Ele conta que, em uma safra normal, sua produção é de 1.500 quilos por hectare, mas esse ano vai cair para 900 quilos. “É uma queda muito grande na colheita do cacau, ainda mais considerando que essa foi a única safra do ano. Estamos sofrendo, porque ficamos nove meses sem produção."

TEXTO 5
Os efeitos invisíveis do fogo
Além das labaredas e grandes colunas de fumaça, as queimadas provocam efeitos danosos e de longo prazo que não são imediatamente visíveis.
O primeiro é o empobrecimento do solo. Especialmente em áreas em que o fogo é recorrente, ou seja, quando ele é usado como ferramenta agrícola, ele degrada e afeta a fertilidade da terra, e reduz tanto a produção agrícola quanto sua capacidade de produção.
Nutrientes essenciais às plantas, como nitrogênio, potássio e fósforo, são eliminados. Além disso, a prática reduz a umidade do solo e acarreta na sua compactação, resultando em um processo erosivo.
Na Amazônia, as queimadas se somam ao desmatamento e a secas extremas para ampliar esse processo, uma vez que cada um desses fatores alimenta o seguinte.
Com a crescente demanda por alimentos, a saúde do solo, que é um recurso finito, é uma preocupação mundial. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) cerca de 32% das terras do mundo estão degradadas.
"No Brasil 40% do PIB vem do uso do solo. Se fizermos o manejo de forma equivocada, vamos comprometer o futuro e a segurança alimentar da população. Por isso, é preciso investir na conservação, na recuperação e no bom uso do solo," explica o diretor-executivo do IPAM, André Guimarães.
Aquecimento global
Outro efeito é o impacto no clima. Além de reduzir a capacidade das florestas em armazenar o carbono, as queimas são responsáveis por liberar uma grande quantidade de CO2, o principal gás do efeito estufa, na atmosfera.
Estimativas globais indicam que 70% a 80% do CO2 que chega à troposfera pela queima de biomassa em um ano vem de regiões equatoriais e subtropicais[7].
Na terceira Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças do Clima, divulgada neste ano, as emissões de gases estufa pelo fogo seguidas de desmatamento correspondem a 350 milhões de toneladas de CO2 equivalente (t CO2e) em 2010, que são 63% das emissões totais de uso de solo, como explica o cientista da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Raoni Rajão. “Há também as emissões de mais de 450 milhões de tCO2e que, por serem de fogo que não ocasionaram desmatamento, não são contabilizadas, já que parte disso pode voltar para a floresta em recuperação”, diz.
Quanto mais gases estufa na atmosfera, piores são as mudanças climáticas e mais intensos e frequentes serão os eventos extremos, como as secas – que, por sua vez, alimentam mais fogo, num círculo vicioso e extremamente perigoso para a Amazônia e para quem vive na região.
“Enquanto desmatamento e queimadas forem uma prática corrente na Amazônia, não haverá equilíbrio”, diz Paulo Moutinho, do IPAM.

Reportagem: Karinna Matozinhos (IPAM), com colaboração de Claudio Angelo (Observatório do Clima)
Edição: Cristina Amorim (IPAM)

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

ICMBio lança o boletim “Pesquisa, Conservação e Sociedade”


Prateleiras, e os lagos da Parte Alta do Parque Nacional do Itatiaia. Foto: Peterson de Almeida
Prateleiras, e os lagos da Parte Alta do Parque Nacional do Itatiaia. Foto: Peterson de Almeida
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) acaba de lançar o boletim Pesquisa, Conservação e Sociedade, uma publicação que busca dar publicidade às pesquisas liberadas pelo Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (Sisbio) não só para o público especializado da área científica, mas também para toda a população brasileira. E fazer com que este conhecimento seja aplicado na gestão das unidades de conservação.


A iniciativa tem o objetivo de superar dos maiores desafios do pesquisador: a comunicação dos resultados de sua pesquisa de maneira compreensível à sociedade e não apenas a seus pares. O primeiro número é sobre Mudanças Climáticas e traz o relato da pesquisa da bióloga Ilaíne S. Matos, que investigou como os campos de altitude do Parque Nacional de Itatiaia (RJ) se comportam diante das alterações do clima.


Para ter acesso ao boletim, clique aqui.

Frigorífico denuncia ao MPF 3.864 áreas ilegais de produção de gado


A empresa JBS diz que o País consumiu, em quase dois anos, 2 milhões de cabeças produzidas em regiões de conservação ambiental, terras indígenas e fazendas que usam trabalho escravo
Iuri Dantas, BRASÍLIA,
14 Novembro 2011 | 03h01
Desde o início do ano passado, os brasileiros consumiram, inadvertidamente, até 2 milhões de cabeças de gado provenientes de áreas de conservação ambiental, terras indígenas e fazendas que usam trabalho análogo à escravidão dos Estados de Mato Grosso e Amazonas. O dado foi apurado pela empresa JBS, maior frigorífico da América Latina, e entregue na semana passada ao Ministério Público Federal.


A companhia identificou um total de 3.864 propriedades rurais que, em tese, não poderiam fornecer os animais para abate. Nesse universo, 2.217 fazendas se encontram em áreas embargadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Outras 81 criam gado em área de desmatamento e 1.127 ocupam unidades de conservação.


Diante das irregularidades, a JBS evitou adquirir o gado, mas verificou que os animais foram vendidos a outros frigoríficos, cujos nomes não foram divulgados. Procurado, o Ibama não se pronunciou sobre os números.


Embora não seja possível afirmar categoricamente, a falta de fiscalização do poder público dá margem para que parte da carne termine em contêineres, exportada para outros países.
"Os números mostram o que deixamos de comprar, mas alguém comprou", declarou ao Estado a diretora de Sustentabilidade da JBS, Angela Garcia. A empresa mapeou ainda 158 fazendas em terras indígenas e 281 propriedades flagradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego como exploradoras de mão de obra em regime análogo à escravidão.



Fiscalização. Embora todas as áreas irregulares façam parte de cadastros federais, cabe aos Estados a fiscalização sobre a comercialização dos animais, afirmou o secretário adjunto de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Enio Marques. Mesmo o Sistema de Inspeção Federal (SIF) abrange somente metade do rebanho nacional.



"Quem emite documento sanitário é o governo do Estado", explicou. "As indústrias precisam ter registro para vender no Brasil inteiro e no exterior. Se alguém não tem os registros, é questão de polícia, questão de ser clandestino", disse Marques.


Frigoríficos de três unidades da federação assinaram Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público Federal, comprometendo-se a evitar a compra de carne bovina de estabelecimentos inscritos nos cadastros federais.


O MPF vai investigar a lista entregue pela JBS.


Compromisso nacional. Diante do levantamento da JBS, o MPF vai tentar celebrar instrumentos semelhantes com os demais Estados, afirmou a diretora da empresa. "Os procuradores nos ouviram e, com base nessas informações, vai haver uma atualização do compromisso", contou Angela. "Esse acordo deve se estender ao País todo."


Uma medida simples, como melhorar o acesso e a confiabilidade do dados do governo sobre fazendas irregularidades, poderia auxiliar as empresas que querem cumprir a lei, disse Angela.


O Ministério do Trabalho informou que não tem informações sobre as fazendas. A reportagem não conseguiu falar na sexta-feira com a assessoria de imprensa da Fundação Nacional do Índio (Funai).




Morte misteriosa de 10 mil rãs gigantes preocupa o Peru

Por Sabrina Rodrigues
Um fato assustador tem intrigado a Agência Ambiental do Peru: é que 10 mil rãs conhecidas como gigantes do Titicaca (Telmatobius culeus) foram encontradas mortas no rio Coata, localizado na região sul do país. A Telmatobius culeus é considerada uma espécie em extinção. Esses animais são encontrados nas águas frescas entre o Peru e a Bolívia. Autoridades peruanas estão investigando qual seria o motivo que levou à morte dos animais. Ativistas do Comitê de Luta contra a Contaminação do Rio Coata afirma que a causa da mortandade está na poluição das águas. A situação é preocupante e segundo os ativistas, está fora de controle. Fonte: BBC Brasil.


 http://www.biopedia.com/wp-content/uploads/2013/11/image8.jpg

Caçadores agem livres no Parque Estadual Serra do Mar


Por Eduardo Castro Francisco*
Sábado, dia 21 de setembro de 2013, voltei à área de Mongaguá conhecida como "cialta", no núcleo Curucutu do Parque Estadual Serra do Mar. O objetivo da trilha era registrar um dos muitos acampamentos de caça presentes na área, sem contar os "trepeiros" ou jiraus, instalados em frente a cevas de banana verde, milho ou sal.

Cheguei no ranho de caça, no mesmo local onde estive uma semana antes, quando ouvi a derrubada de árvores de grande porte com uso de motosserra. Notei que havia pouco ele tinha ocupantes, pelo cheiro de fumaça, chinelos, lenha empilhada, colchão e roupas penduradas. Tirei fotos o mais rápido que pude e dei meia volta.  Não cheguei a ver ninguém ali. O dia estava bem quente e o folhiço seco. Fiz barulho chegando próximo do rancho e quem estivesse ali teria notado, então imagino que os ocupantes estivessem na mata ou escondidos no rancho. Não encontrei vestígios das árvores que ouvi tombar semana passada. Tirei fotos de um único lado do rancho e não contornei o acampamento para não confrontar quem estivesse no seu interior do rancho ou do lado oposto. Percebi que um "goiabão" (Eugenia leitonii) que avistei da última vez que não estava à vista. Pode ter virado barraco.

Ao longo dos anos, já encontrei muitos outros acampamentos de caça como esse descrito acima. Também vi a criação de outras tantas "casas" no meio da serra. Fiz denúncias para o ministério público e nada de resultados. Perambulo por aquela região com certa frequência há mais de 15 anos e jamais vi uma viatura da polícia ambiental...

Na volta tirei fotos de "sítios" construídos no meio da serra. Um deles parecia ter sido reformado há pouco tempo e foi ocupado por uma família com crianças. Alguns anos atrás o local era uma bela mata. Agora, está virando uma roça e os acessos para a cachoeira que abastece a casa estão bem abertos. Esse povo também tem seus cachorros, que vivem soltos.



Esse mesmo local abrigou carvoarias décadas atrás e ainda é possível encontrar restos dos fornos dentro da mata. Muita gente caça na área. O estilingue é popular entre marmanjos locais e os sitiantes capricham no volume do funk ou do sertanejo. Mas a despeito da ausência do Estado e da pressão exercida pela presença humana, a área ainda abriga uma biodiversidade rica.



Ao longo dos anos, registrei ou observei a presença de arapongas, macucos, macacos prego, muriquis, antas e pacas. E por mais incrível que pareça, ainda é possível encontrar alguns juçaras adultos, zanzando pelas matas de lá.  Árvores já raras em outras regiões, como o cambucá (Plinia edulis) e o Cambuci (Campomanesia phae) ainda são comuns por lá.

*Eduardo Castro Francisco é biólogo. Naturalista desde que se entende por gente, trabalha com anfíbios e répteis.

Os 300 ameaçados pela caça excessiva

Por Vandré Fonseca
Foto: wikipédia.
Foto: wikipédia.


Manaus, AM -- Um grupo de pesquisadores, entre eles os brasileiros Carlos Peres, da Universidade de East Anglia, Inglaterra, e Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), faz um alerta para o risco de faltar comida para populações que se alimentam de caça na América do Sul, África e Ásia. A razão: falta de controle sobre o abate de animais selvagens, que está levando mais de 300 espécies a um declínio contínuo.



Eles revisaram as informações sobre a situação de 1169 espécies de mamíferos terrestres, listados como ameaçados pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em Inglês), e concluíram que uma grande parte deles está desaparecendo sob a mira de armas ou em armadilhas. O estudo foi publicado na edição desta terça-feira (18) da revista da Royal Society Open Science.



"Nossa análise é conservadora", afirma o autor principal do estudo, William J. Ripple, da Universidade do Estado do Oregon, Estados Unidos. "Essas 301 espécies são os piores casos de declínio das populações de mamíferos para os quais a caça e captura são claramente identificadas como uma grande ameaça. Se os dados para uma espécie estavam faltando ou inconclusivo, não incluímos”, completa.


A ameaça atinge desde grandes animais, como koupreys (um parente do boi domesticado, que pode atingir quase uma tonelada), até pequenos como morcegos e lêmures. Os primatas foram o grupo com maior número de espécies listadas. Entre gorilas-da-planície, chimpanzé, bonobo e outros, são 126 espécies caçadas que podem desaparecer, nos três continentes.



De acordo com o estudo, sai da Amazônia brasileira um total estimado de 89 mil toneladas de carne por ano, que equivalem a U$ 200 milhões (ou cerca de R$ 640 milhões). Número significativo, mas ainda menor do que as taxas de exploração na bacia do Congo, que chegam a ser cinco vezes maiores, segundo os pesquisadores. A perda destes mamíferos pode afetar a subsistência de milhões de pessoas e causar também problemas ecológicos.


A subsistência não é a única motivação para a caça de animais selvagens. Os pesquisadores relatam a existência de um mercado clandestino de carnes de caça, que chega inclusive à Europa. Eles lembram a apreensão de 5 toneladas de carne contrabandeada, no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, em 2010.



Apesar de representarem apenas uma pequena porcentagem dos mamíferos listados, grandes carnívoros e herbívoros (com mais de 10 quilos) tendem a ser afetados mais severamente pela caça excessiva. A longo prazo, a perda destas grandes espécies pode causar mudanças ecológicos, como super populações de antigas presas, riscos mais elevados de doenças.


O estudo aponta que 57 grandes artiodáctilos (como hipopótamos, yaks, camelos e veados-do-pantâno) estão ameaçados pelo abate. Animais menores, que são importantes ecologicamente pelo papel crucial que desempenham na dispersão de sementes, polinização e controle de insetos, também estão listados. Entre os pequenos, os morcegos estão em maior número, são 27 espécies.


Medidas mitigadoras
Os autores do estudo apontam também caminhos para reduzir o impacto da caça sobre esses animais. Eles pedem penalidades mais severas para a caça ilegal e tráfico de animais e expansão de áreas protegidas para mamíferos ameaçados; direito de propriedade para populações que se beneficiam da presença da vida selvagem; alternativas para a alimentação, como espécies mais sustentáveis ou plantas ricas em proteínas; educação para os consumidores de carne de caça compreenderem as ameaças sofridas pelos mamíferos; e planejamento familiar em regiões onde mulheres desejam retardar ou evitar a gravidez.


Artigo disponível em: http://rsos.royalsocietypublishing.org/

(Ótima ideia para o Lago Sul e o Park Way!) Em São Paulo, o sucesso de um corredor de fauna

Parque Estadual Alberto Löfgren.
Parque Estadual Alberto Löfgren.


Em novembro de 2014, os maciços florestais do Parque Estadual Alberto Löfgren (SP) (antigo Horto Florestal) e da Invernada do Barro Branco da Polícia Militar de São Paulo foram interligados por cinco passarelas aéreas antiatropelamento para animais silvestres. Com especial atenção aos bugios (Alouatta clamitans), as passarelas permitem a travesseia segura destes animais sobre vias de intenso trânsito no local. Além das passagens, também foram instaladas câmeras a fim de monitorar o progresso do projeto. E o resultado foi muito positivo!


No dia 26/09 deste ano, houve a retirada das câmeras que estavam fixadas sobre as passarelas. A observação das imagens capturadas pelas armadilhas fotográficas demonstraram o sucesso do projeto, ao exibir bugios e saguis-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus) utilizando a passagem como uma rota de deslocamento. O biólogo e sargento da PM Fábio Ferrão e a bióloga Priscila Comasseto da AES Eletropaulo, coordenadores do projeto, comemoraram os resultados encontrados no monitoramento.


A extensão verde do Parque Estadual Alberto Löfgren se une à área do Parque Estadual da Cantareira (SP), permitindo que animais de áreas muitos distantes possam, sem interrupção de acesso, buscar os atrativos existentes no interior do fragmento de mata da Invernada. A movimentada avenida Luiz Carlos Gentile de Laet impedia essa transição completa, mas o corredor de fauna agora a viabiliza.
Bugio atravessa o corredor de fauna sobre a av. Luis Carlos Gentille de Laet.
Bugio atravessa o corredor de fauna sobre a av. Luis Carlos Gentille de Laet.
Registro noturno de uso da passarela pela fauna local.
Registro noturno de uso da passarela pela fauna local.
Passarela para animais silvestres no Parque Estadual Alberto Lögfren. Foto: ZNnaLinha
Passarela para animais silvestres no Parque Estadual Alberto Lögfren. Foto: ZNnaLinha

*Com informações do Portal ZN na Linha