quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Ímãs substituem antibióticos contra infecções




Ímãs substituem antibióticos contra infecções
As bactérias são removidas por minúsculos ímãs, em uma técnica chamada "purificação magnética do sangue".
[Imagem: EMPA]
Antibacteriano magnético
Já pensou em substituir os antibióticos - caros e com riscos de efeitos colaterais e de tornar as bactérias resistentes - e ter as infecções curadas por ímãs?


Os primeiros testes laboratoriais com essa nova terapia - bem-sucedidos e promissores - acabam de ser realizados por uma equipe internacional incluindo médicos do Instituto EMPA (Suíça), Instituto Adolphe Merkle e Escola de Medicina de Harvard (EUA).


A terapia envolve injetar nanopartículas magnéticas de ferro no sangue do paciente. As nanopartículas ligam-se às bactérias, que são então removidas do sangue usando campos magnéticos gerados do lado de fora do corpo.


Ímãs contra sepse
A sepse, ou septicemia - também conhecida como "envenenamento do sangue" -, é uma condição de infecção generalizada que é fatal em mais de 50% dos casos, mas pode ser curada se tratada em uma fase inicial. A maior prioridade, portanto, é agir rapidamente.


Por isso, os médicos costumam administrar antibióticos tão logo se suspeite de envenenamento do sangue, sem tempo para determinar se é realmente uma sepse bacteriana. Como em muitos casos não é, essa medida necessária de emergência acaba aumentando o risco de resistência bacteriana aos antibióticos.


Por isso, Inge Herrmann e sua equipe estão trabalhando no desenvolvimento de uma solução alternativa sem a necessidade de usar antibióticos - eles chamam sua técnica de "purificação magnética do sangue".

Purificação magnética do sangue
O princípio é, pelo menos na teoria, muito simples. As nanopartículas de ferro são revestidas com um anticorpo que detecta e se liga às bactérias nocivas no sangue. Decorrido um tempo suficiente para que as bactérias sejam capturadas, elas são removidas do sangue magneticamente.


Mas, até agora, havia um porém: os cientistas só haviam conseguido preparar as partículas magnéticas com anticorpos para reconhecer um único tipo de patógeno - mas muitos tipos diferentes de bactérias podem estar envolvidas na septicemia.


Finalmente, a equipe do professor Gerald Pier (Harvard) conseguiu desenvolver um anticorpo que pode se ligar a quase todas as bactérias que podem desencadear a septicemia - desta forma, se houver uma suspeita de sepse, o tratamento magnético poderia ser iniciado imediatamente, independentemente de qual patógeno está realmente no sangue.


Esse anticorpo polivalente permitiu finalmente que a equipe tivesse sucesso na filtragem das bactérias patogênicas do sangue, resultando em um procedimento semelhante à diálise.


Riscos das partículas de ferro
A equipe alerta que a nova terapia ainda não está suficientemente madura para ser usada em pacientes.
Na próxima etapa do trabalho, eles pretendem fazer testes para ver se algumas partículas permanecem no sangue após a extração magnética. Isto porque o requisito fundamental para essas capturadoras de bactérias é claro: elas não podem prejudicar o corpo humano.
Nos primeiros testes, feitos em culturas de células (in vitro), as nanopartículas de ferro se degradaram completamente após cinco dias.

Ler a mente e compartilhar pensamentos está próximo da realidade




Ler a mente e compartilhar pensamentos está próximo da realidade
A primeira comunicação cérebro a cérebro feita em laboratório será bastante diferente da telepatia.
[Imagem: New Scientist]
 
Telepatia científica
A primeira comunicação cérebro a cérebro "verdadeira" entre duas pessoas poderá ser realizada já no próximo ano, de acordo com expectativas da equipe do professor Andrea Stocco, da Universidade de Seattle (EUA).


As primeiras tentativas não vão se assemelhar muito à telepatia, como muitas vezes imaginamos. Isto porque o cérebro de cada um de nós funciona de maneira única, e a forma como cada um de nós pensa sobre um conceito é influenciada por nossas experiências e memórias.


O resultado é que os padrões de atividade cerebral que os equipamentos atuais conseguem medir, para fazer coisas como controlar equipamentos pelo pensamento, são muito diferentes de pessoa para pessoa.


É por isso que os equipamentos atuais exigem uma longa curva de aprendizado, com o usuário e o programa de computador precisando ser treinados para reconhecer como o cérebro sinaliza coisas simples, como "mova o braço" ou "feche os olhos".


Treinamento cerebral
Mas, se os neurocientistas conseguirem aprender os padrões de um indivíduo, eles podem ser capazes de desencadear certos pensamentos no cérebro dessa pessoa. E, em teoria, eles poderiam capturar a atividade cerebral de uma pessoa, interpretá-la, e então traduzir o comando na forma de sinais neurais de outra pessoa, e então desencadear aqueles pensamentos nesta segunda pessoa.


Até agora, os pesquisadores conseguiram que dois voluntários, usando um capacete com sensores que realizam exames contínuos de eletroencefalograma, e sentadas em salas diferentes, jogassem uma partida de um jogo de 20 perguntas em um computador. Os participantes transmitiram respostas "sim" ou "não", desencadeando uma corrente elétrica no cérebro do outro mediante uma técnica chamada estimulação magnética transcraniana.
Indo além, pode ser possível detectar certos processos de pensamento, e usá-los para influenciar os pensamentos de outra pessoa, incluindo decisões simples, como sentar, levantar ou mexer ou não a mão.
Ler a mente e compartilhar pensamentos está próximo da realidade
Nos últimos anos os neurocientistas começaram a discutir os usos médicos da cibernética avançada.
[Imagem: Ag.USP]


Treinar roupas robóticas
Outra abordagem que está sendo explorada consiste em reunir em um único dispositivo eletrônico a atividade cerebral de vários indivíduos. Isso já foi feito com animais. Três macacos com implantes cerebrais aprenderam a pensar juntos, cooperando para controlar e mover um braço robótico.


Um experimento similar foi realizado com camundongos, conectando seus cérebros em um "rede cerebral".


O próximo passo é desenvolver um equivalente humano que não requeira cirurgia invasiva para colocação de implantes no cérebro, como tem sido feito com os animais. A ideia é que os voluntários só utilizem os capacetes de eletroencefalograma, que são feios e desajeitados, mas que são o melhor de que dispomos.


Os primeiros usuários provavelmente serão pessoas paralisadas.

A médio prazo, os neurocientistas esperam incorporar essa "rede cerebral" em uma roupa robótica, por exemplo, que poderá permitir que essas pessoas com paralisia obtenham ajuda de outra pessoa para treinar os exoesqueletos que finalmente lhes permitirão recuperar os movimentos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Em 2016, o Parque Estadual do Rio Vermelho atendeu a mais de 3.000 animais silvestres


Foto: Luís Adriano Funez
Foto: Luís Adriano Funez


Em 2016, mais de 3.000 animais silvestres passaram pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres do Parque Estadual do Rio Vermelho (SC). Comandado pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma) em parceria com a ONG R3 Animal e Polícia Militar Ambiental, o Centro reabilita animais vítimas de tráfico, maus tratos e acidentes, oriundos de todo Estado. Atualmente, estão em tratamento, cerca de 700 bichos dentre aves, mamíferos e répteis.


Após o tratamento, o Centro avalia se os animais podem ou não retornar à vida selvagem. Alguns perdem a capacidade, por terem sido retirados da natureza quando muito jovens. Um dos filhotes internados é um bugio de dois meses de vida encontrado à beira de uma rodovia. Ainda em cativeiro, o pequeno primata acostumou-se ao contato humano e não poderá ser solto antes de um longo processo de readaptação.


Também estão em recuperação três bebês corujas. As aves vão criar penas e, depois de aprenderem a voar, serão liberadas. Há ainda um gato-do-mato e dois cachorros-do-mato. Os filhotes têm entre três a quatro meses de vida e estão sendo cuidados para que se tornem independentes e possam sobreviver sozinhos na natureza.


Além de abrigar e tratar os animais, a unidade de conservação oferece uma trilha ecológica para educar visitantes. “Todo trabalho de educação ambiental realizado aqui é feito com o objetivo de mostrar para a sociedade que o lugar dos animais selvagens é na natureza. Retirá-los de lá é provocar desequilíbrio no ciclo natural da vida”, argumenta o gerente das Unidades de Conservação, Gilberto Morsch. A trilha funciona de terça-feira a domingo, das 10h00 às 17h.00 O contato pode ser feito pelos telefones (48) 3665-4492 ou (48) 99828-8952 e pelo trilha@fatma.sc.gov.br.

*Com informações do Notícias do Dia Online

São Paulo quer parques como compensação por trecho norte do Rodoanel

Por Sabrina Rodrigues
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, enviou o documento para a construção dos parques para a análise da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A). Foto: Governo do Estado de São Paulo/Flickr.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, enviou o documento para a construção dos parques 
para a análise da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A). 
Foto: Governo do Estado de São Paulo/Flickr.


A Prefeitura de São Paulo enviou documento ao governo estadual solicitando a construção de nove parques cercados como forma de compensação ambiental pelo Trecho Norte do Rodoanel. Os nomes dos parques seriam os mesmos que constam nos decretos: Parada de Taipas, Bananal-Canivete, Bananal-Itaguaçu, Bispo, Tremembé, Santa Maria 1 e 2, Julião Fagundes, Engordador e Barrocada. Os locais ficam localizados antes da área do Parque Estadual da Serra da Cantareira. Inicialmente, os locais funcionariam como reservas e depois poderiam ser equipados para receber o público.


No documento, a administração municipal prevê a criação de 12,9 milhões de metros quadrados de espaços verdes, com uma desapropriação estimada em R$ 272 milhões, uma área correspondente a mais de oito Parques do Ibirapuera e cinco vezes maior do que a atingida diretamente pela construção da rodovia Rodoanel Norte. Ainda de acordo com a proposta, o governo estadual teria de ressarcir a administração municipal em R$ 25 milhões por quatro áreas em processo de desapropriação, além de entregar 381 mil mudas para reflorestamento. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) encaminhou a papelada para a análise da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A).


Fonte: Estadão

Refúgio Biológico de Itaipu é bem-sucedido na reprodução de onças-pintadas

Para garantir a integridade dos bebês-onças e evitar estresse da mãe, não foram feitas imagens dos animais. Se tudo der certo, já em março a mãe e os filhotes serão expostos para visitação. Foto: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional
Para garantir a integridade dos bebês-onças e evitar estresse da mãe, não foram feitas imagens dos
 animais. Se tudo der certo, já em março a mãe e os filhotes serão expostos para visitação. 
Foto: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional

Entre a tarde de quarta-feira, 28/12, e a manhã da quinta-feira, 29/12, o Refúgio Biológico Bela Vista (PR), área de proteção permanente (APP) pertencente à usina Itaipu Binacional, registrou o nascimento inédito de onças-pintadas em cativeiro. Os dois filhotes nasceram apenas três meses depois da aproximação entre Valente, antigo morador do Refúgio, e a recém-chegada Nena, doada pelo Criadouro Científico Instituto Onça-Pintada de Goiás.

A mãe e seus filhotes repousam agora em uma maternidade isolada no Zoológico Roberto Ribas Lange, dentro do Refúgio, onde recebem todos os cuidados. Os filhotes passam bem. Eles são melânicos, isto é, sua cor é preta, como a da mãe. A diferença entre os pais (Valente é pintado) é só uma questão de pigmentação, em função da quantidade de melanina. Ambas as onças são da mesma espécie (Panthera onca).

Para o médico-veterinário Wanderlei de Moraes, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, essa é uma das principais conquistas da unidade de conservação. Embora seja referência em reprodução de outros animais – como a harpia, o veado-bororó e a anta -, a reprodução de onças-pintadas era um sonho antigo dos profissionais do Refúgio. A primeira tentativa de reprodução da espécie começou em 2002, com a chegada da onça Juma. Mais tarde se descobriu que Juma tinha problemas de infertilidade, por causa da idade.

Quando Nena chegou, em setembro, os profissionais da unidade de conservação foram bastante prudentes. Eles trabalhavam com a expectativa de que os primeiros filhotes fossem gerados em um ano. A antecipação do prazo traz esperança de nascimento de mais onças-pintadas, espécie em processo de extinção na natureza. A única reserva de grande porte no Sul do País que abriga a espécie é o Parque Nacional do Iguaçu (PR).


Refúgio Biológico Bela Vista
A área de preservação permanente ocupa uma área de 1.908 hectares na margem brasileira da usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR). O espaço reúne hoje a maior diversidade de espécies da flora e da fauna regional, muitas delas ameaçadas de extinção.


Além de ser um importante centro de pesquisas e desenvolvimento de projetos, o local também é aberto à visitação. Moradores de Foz do Iguaçu, dos municípios lindeiros ao Lago de Itaipu e da região das três fronteiras não pagam para conhecer o atrativo, que está aberto de terça-feira a domingo, em seis horários: 8h30, 9h30, 10h30, 13h30, 14h30 e 15h30.


Mais informações para visitar o Refúgio Biológico Bela Vista podem ser obtidas no site www.turismoitaipu.com.br ou pelos telefones 0800 645 4645 e 55 45 3529-2892.
Mais imagens
Nena, 3 anos, e Valente, 9 anos. Foto: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional
Nena, 3 anos, e Valente, 9 anos. Foto: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional[/caption 
[caption id="attachment_7005" align="aligncenter" width="750"]Nena, a mãe, é uma onça-pintada melânica. Foto: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional 
Nena, a mãe, é uma onça-pintada melânica. Foto: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional
Atualmente, só Valente é mantido na área de visitantes do recinto das onças, que integra o circuito turístico. Foto: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional
Atualmente, só Valente é mantido na área de visitantes do recinto das onças, que integra o circuito
 turístico. Foto: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional

*Com informações da Itaipu Binacional

Tráfico de animais silvestres: Maldade de estimação

Por Vandré Fonseca
Laérzio Chiesorin Júnior, médico-veterinário do Cetas Sauim-Castanheiras, segura um papagaio resgatado. Poucos animais sobrevivem ao tráfico. Foto: Vandré Fonseca
Laérzio Chiesorin Júnior, médico-veterinário do Cetas Sauim-Castanheiras, segura um papagaio
resgatado. Poucos animais sobrevivem ao tráfico. Foto: Vandré Fonseca


Manaus, AM - Iguanas cegas, que tiveram o olho perfurado por crianças na rua. Macacos-aranha com problemas ósseos ou macacos-pregos alcoólatras e agressivos. E até uma jiboia com a mandíbula quebrada, para evitar mordidas. Mantido pela prefeitura, o Centro de Triagem de Animais Silvestres, no Refúgio da Vida Silvestre Sauim-Castanheiras, na periferia de Manaus, é onde terminam várias dessas infelizes histórias de tráfico de animais silvestres.


O periquitão-maracanã sobreviveu, contra as estatísticas, mas chegou ao centro com distrofia óssea. Patas e pés tortos impedem que ele consiga se empoleirar. É o que costuma acontecer com animais dessa espécie, quando tirados da natureza e condenados à estimação. Resultado da falta de cálcio na alimentação.


"Na natureza, esses animais têm uma alimentação com frutos, folhas e outros itens, que têm vitaminas específicas", conta Laérzio Chiesorin Júnior, médico-veterinário do Cetas Sauim-Castanheiras. "Presos, não escolhem o que comer e recebem alimentação humana, fraca nos nutrientes exigidos por estes animais, principalmente se estão em fase de crescimento".


Ainda em Manaus, o Cetas Ibama também recebe vítimas como estas. A analista ambiental Natália Lima lembra de um macaco caiarara que chegou com deformações na coluna. Estava curvado para a direita, provavelmente devido a movimentos giratórios repetidos, devido ao confinamento em uma gaiola pequena. Conta também a história de Sansão, uma suçuarana (onça-parda) criada em jaula, cuja alimentação baseada em peixes a deixou com as pernas curtas. Hoje, Sansão vive no zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) do Exército.


Apesar das cicatrizes, animais resgatados são privilegiados. A maioria dos bichos tirados da natureza pelo tráfico morrem pelo caminho, na captura ou durante o transporte. No início dos anos 2000, estimativa divulgada pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) mostrava que para cada animal silvestre que chegava a um dono, nove tinham sido mortos.
Vinte e três cacatuas e um papagaio foram encontrados amontoados em garrafas plásticas de água a bordo de um navio na Indonésia. Foto: Petrus Riski/Mongabay
Vinte e três cacatuas e um papagaio foram encontrados amontoados em garrafas plásticas de água 
a bordo de um navio na Indonésia. Foto: Petrus Riski/Mongabay

É fácil entender as causas desta mortandade. Basta verificar como esses animais são transportados.

Na semana passada, na Indonésia, noticiou-se a apreensão de um carregamento de cacatuas-de-crista-amarela enfiadas dentro de garrafas de água mineral. Para esconder os animais, traficantes não enxergam limites, mesmo que o resultado seja a perda da carga. Isto ocorre tanto no exterior quanto no Brasil.


"Infelizmente não é uma situação rara de acontecer", afirma Dener Giovanini, coordenador-geral da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas). Ele cita o exemplo de macacos enfiados dentro de garrafas térmicas, cujos revestimentos de vidro foram retirados, para acomodar o tamanho dos bichos. "Esses animais são transportados de maneira cruel, passam até 3 ou 4 dias, do Norte ou Nordeste para o Sudeste, sem água ou alimentação", diz Giovanini.


Para ele, a legislação brasileira é branda quando se trata de tráfico de animais. E embora a sociedade esteja mais consciente, a estrutura para fiscalização continua deficiente. Em busca de alternativas, a Renctas está lançando por meio do site Kickante uma campanha para tentar captar R$150 mil. Se sair, o dinheiro financiará um relatório sobre a gestão e uso sustentável da fauna silvestre brasileira.


"O tráfico de animais é considerado crime de menor potencial ofensivo", diz Giovanini. "Se condenada, a pessoa não vai presa, no máximo é obrigada a pagar cesta básica". Só em alguns casos, quando se trata de tráfico internacional, as autoridades conseguem enquadrar o responsável em outros crimes. Enquanto isso, o tráfico continua condenando animais ao cativeiro, a maus-tratos e, na maioria das vezes, à morte.


O macaco caiarara deformado pelos movimentos contidos dentro de uma gaiola pequena. Foto: Ibama (clique para ampliar)

Animais silvestres são roubados de refúgios em Manaus


Por Vandré Fonseca
Crédito: Divulgação Semmas.
Crédito: Divulgação Semmas.
Manaus, AM -- A Delegacia de Meio Ambiente (Dema) da Polícia Civil Amazonas investiga uma série de furtos de animais silvestres em refúgios na cidade de Manaus. Na semana passada, duas jibóias foram levadas durante um intervalo entre visitas do Museu da Amazônia, na Zona Norte da Cidade. Entre novembro e início do mês passado, o Refúgio da Vida Silvestre Sauim-Castanheiras, da prefeitura de Manaus, havia sido vítima de ladrões, que em uma sequência de ataques levaram treze animais.


“O fato em si chama a atenção e, por ser frequente, pode ser tráfico de animais, então é atribuição da Dema”, afirma o delegado titular da delegacia, Samir Freire. Há três meses no cargo, Freire afirma que solicitou a transferência dos inquéritos abertos em outros distritos policiais e deve pedir perícias para tentar desvendar os casos.


No dia 30 de dezembro, uma jibóia-arco-íris (Epicrates cenchria cenchria) e uma jibóia (Boa constrictor) foram levadas, em plena luz do dia, do serpentário do Museu da Amazônia. “Foi entre a visita de duas turmas”, conta o diretor-adjunto do museu, Roberto Moraes. “O guia saiu com os visitantes e quando voltou com os outros, não viram mais as jibóias”, completa. As duas espécies podem ser comercializadas como bichos de estimação em lojas de animais, desde que estejam em situação regular.


Ele destaca que são animais acostumados a cativeiro, o que pode chamar a atenção de traficantes. Moraes acredita que o ladrão, ou os ladrões, conhecessem bem tanto a rotina a instituição quanto o manejo das cobras. O serpentário conta com cerca de outras vinte serpentes, a maioria delas peçonhentas. Os animais haviam sido doados ao Museu pela Fundação de Medicina Tropical (FMT), que fica em Manaus.


No início do mês, o Refúgio da Vida Silvestre Sauim-Castanheiras, da Secretaria de Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), já havia pedido ajuda da polícia para encontrar os responsáveis por uma série de furtos de animais que estavam ocorrendo ali há alguns dias. Entre os bichos que haviam sido levados estavam quelônios e aves, parte deles estavam em recuperação após serem apreendidos. Os furtos levaram à suspensão temporária do recebimento de animais apreendidos ou entregues ao refúgio.


Depois de um primeiro arrombamento, quando nada foi levado, o Centro Cirúrgico do refúgio foi invadido no dia 25 de novembro. Entre os animais roubados, um tracajá, um jabuti e uma curica-roxa. Três dias depois, três homens fugiram após serem flagrados tentando levar gaiolas com carcarás, que foram abandonadas por eles na fuga. Mas os bandidos não se intimidaram e continuaram a agir. Dois carcarás, dois tucanos e cinco papagaios também foram roubados.


“A suspeita é de que o Refúgio da Vida Silvestre Sauim Castanheiras esteja sendo alvo de um grupo especializado em roubo e comércio ilegal de animais silvestres”, afirmou na época o secretário municipal de Meio Ambiente, Itamar de Oliveira Mar. O RVS Sauim Castanheira recebe animais apreendidos ou em situação de risco para serem recuperados e devolvidos, quando possível à natureza. Ele funciona em uma área de 95 hectares na Zona Leste de Manaus. E é um dos dois Centros de Triagem de Animais Silvestres de Manaus. O outro é mantido pelo Ibama.

Projeto de Lei regulamenta a caça de animal silvestre no Brasil

Por Sabrina Rodrigues*
Deputado Valdir Colatto(PMDB-SC). Foto: PMDB Nacional/Flickr.
Deputado Valdir Colatto(PMDB-SC). Foto: PMDB Nacional/Flickr.


Proibida desde 1967, a caça de animais silvestres nunca deixou de existir no Brasil e é um dos principais fatores que levam à extinção de espécies ameaçadas. Mas um projeto que tramita na Câmara dos Deputados prevê a regulamentação do manejo, do controle e do exercício de caça no país. Trata-se do Projeto de Lei 6268/16 de autoria do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), membro da bancada ruralista. A proposta passará por três comissões (Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania) antes de ir a plenário.


O projeto revoga a Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.197/67), que proíbe o exercício da caça profissional. Segundo a legislação vigente, a caça só pode ser permitida se houver regulamentação específica do Executivo Federal. O deputado argumenta que é preciso conter os riscos que as espécies invasoras oferecem ao ecossistema e deu como exemplo o javali europeu, cuja caça foi permitida a partir de 2013. “Os custos de prevenção, controle e erradicação de espécies exóticas invasoras indicam que os danos para o meio ambiente e para a economia são extremamente significativos”, afirmou Colatto.


Na proposta, o manejo de animais silvestres só poderá ser realizado com apresentação de plano aprovado por órgão ambiental competente e elaborado a partir de pesquisas. A comercialização desses animais poderão ocorrer localmente, desde que previsto no plano de manejo de fauna aprovado pelo órgão ambiental competente. Populações tradicionais habitantes de reservas extrativistas ou de desenvolvimento sustentável também poderão comercializar espécie vinda de caça, também com autorização.


O Projeto de Lei responsabiliza as empresas pela conservação das espécies ameaçadas de extinção encontradas em área com empreendimento sujeito a licenciamento ambiental.


Reservas de caça
No que diz respeito à caça, o órgão ambiental poderá autorizar a criação de reserva própria para caça de animais em propriedades privadas, desde que as propriedades atendam à legislação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal, mas a caça de animais constantes nas listas vermelhas de espécie ameaçada fica proibida.


O projeto de lei também retira da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) o agravamento até o triplo da pena de detenção de seis meses a um ano, e multa, por matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar animais sem licença se isso for feito durante caça profissional.

*Com Informações da Câmara Notícias

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Novos recursos para recuperar nascentes

Segunda, 02 Janeiro 2017 18:00



Paulo de Araújo/MMA
Recuperação de nascentes: projetos
Fundo Nacional do Meio Ambiente libera mais R$ 8,2 milhões para projetos em três estados: Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina.

DA REDAÇÃO
Espírito Santo, Santa Catarina e Minas Gerais terão recursos para recuperar nascentes em áreas de preservação permanente, por meio de projetos de organizações da sociedade civil contemplados pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). Na última semana de dezembro de 2016, o Fundo destinou R$ 8,2 milhões a três projetos inscritos no Edital 01/2015, denominado Recuperação de Áreas de Preservação Permanente para Produção de Água.


“Os três projetos celebrados em dezembro consolidam a parceria histórica do FNMA com as organizações da sociedade civil em prol da conservação e recuperação do meio ambiente”, comemorou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.


O secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e diretor do FNMA, Jair Vieira Tannús, afirmou que a restauração florestal de áreas que margeiam os corpos d’água contribui diretamente para aumentar a disponibilidade hídrica. “O Edital 01/2015 é uma resposta do ministério à crise hídrica que continua a afetar várias regiões metropolitanas do país”, destacou.


REGIÕES METROPOLITANAS
O objetivo foi selecionar projetos voltados à recuperação florestal em áreas de preservação permanente localizadas em bacias hidrográficas cujos mananciais de superfície contribuam para o abastecimento de reservatórios de regiões metropolitanas com alto índice de criticidade hídrica.
O edital conta com recursos de seis parceiros, além do FNMA: Fundo Clima, Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, Fundo Socioambiental Caixa, Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Ministério da Justiça e Agência Nacional de Águas, com investimento de R$ 45 milhões.



ESPÍRITO SANTO
O Instituto Brasileiro do Mar (Ibramar), localizado no Espírito Santo, recebeu R$ 2,8 milhões para a recuperação florestal em áreas de preservação permanente no entorno de nascentes e faixas marginais dos cursos d’água da Bacia Hidrográfica do Rio Jucu,  localizados no distrito de Paraju, município de Domingos Martins. Os mananciais de superfície desse rio contribuem para o abastecimento dos reservatórios da região metropolitana da Grande Vitória.


Com a Bacia do Rio Santa Maria da Vitória, a do Rio Jucu é responsável pelo abastecimento de cerca de 90% da população da Grande Vitória. Conforme estudo realizado pelo MMA, a área do projeto está inserida no bioma Mata Atlântica, considerada área prioritária de importância biológica extremamente alta para conservação, uso sustentável e repartição de benefícios da biodiversidade brasileira (Portaria MMA n°9, de 23 de janeiro de 2007).


De acordo com estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, o uso do solo na bacia hidrográfica do Rio Jucu é majoritariamente agropecuário, também com atividades econômicas de hortifrutigranjeiros, indústrias, turismo e geração de energia elétrica. Devido a essas atividades, a bacia sofre uma série de impactos ambientais e desmatamento, sobretudo em áreas de mata ciliar, o que causa assoreamento dos cursos d'água.


O público beneficiário do projeto será constituído, principalmente, por pequenos produtores rurais de base familiar, com propriedades de até quatro módulos fiscais, distribuídos em 12 comunidades (Alto Tijuco Preto, Tijuco Preto, Barra do Tijuco Preto, Cristo Rei, São Rafael, Alto Areinha, Areinha, Ribeirão Capixaba, Goiabeiras, Ponto Alto, Perobas e Alto Paraju). Aproximadamente 602 famílias serão beneficiadas diretamente, e indiretamente, professores, alunos, gestores públicos, lideranças comunitárias e organizações civis organizadas.


SANTA CATARINA
A Associação dos Municípios do Vale do Itapocu disporá de R$ 2,9 milhões para recuperar rios em áreas de nascentes e matas ciliares que contribuem para o abastecimento de municípios da Região Nordeste Catarinense da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu, no bioma Mata Atlântica.


O principal corpo hídrico alvo da recuperação é o Rio Itapocu. Estima-se um total de 256 hectares de recuperação em 535 propriedades de agricultores familiares. Todas as microbacias e áreas a serem recuperadas são de prioridade extremamente alta e muito alta para a conservação da biodiversidade, segundo o Mapa de Áreas Prioritárias e Áreas Protegidas publicado pelo MMA.



Foram identificadas 66 nascentes a serem recuperadas.  Para execução do projeto será utilizado o Viveiro Municipal de Corupá, onde serão recebidas, guardadas e cuidadas as mudas adquiridas para posterior plantio nas áreas degradadas.


O principal uso do solo nas áreas de preservação permanente no Vale do Itapocu é a agricultura, em especial a bananicultura e a rizicultura, havendo também povoamento de espécies exóticas (eucaliptos, plantas ornamentais e palmeira-real), outras culturas e também muitas pastagens.


MINAS GERAIS
A Fundação Biodiversitas para a Conservação da Diversidade Biológica receberá R$ 2,5 milhões para recuperação Florestal das áreas de áreas de preservação permanente que contribuem para o abastecimento da região metropolitana de Belo Horizonte. A região conta com 1,7 milhão de pessoas, abastecidas de água principalmente pelos sistemas do Rio Paraopeba e do Rio das Velhas.



Do sistema Paraopeba, com apenas 30,5% de sua capacidade, o reservatório do Sistema Rio Manso abastece mais de 28,3% da população. Do total de 67 mil hectares de área da bacia, apenas 9 mil hectares são de responsabilidade da Companhia de Abastecimento de Minas Gerais (Copasa).


O restante sofre com processos de degradação ambiental diversos, devido ao mau uso do solo.
Quase 80% do solo da Bacia do Rio Manso é ocupado por atividades agropecuárias. Os remanescentes de vegetação de floresta estacional semidecidual correspondem a pouco mais de 15% e localizam-se na maior parte no entorno do reservatório. Remanescentes de cerrado e campo, somam pouco menos de 3%. A grande fragmentação da vegetação natural indica a necessidade de recomposição da vegetação. Encontram-se também, na bacia, atividades de mineração.


Os projetos de restauração serão desenvolvidos na área de proteção especial do Rio Manso, criada pelo decreto estadual 27.928 de 1988 para proteger o manancial nos municípios de Brumadinho, Rio Manso e Itatiaiuçu. O projeto pretende restaurar cerca de 410 hectares ao longo de cursos d’água e nascentes de pequenas propriedades de agricultores familiares, com propriedade de até quatro módulos fiscais. Agricultores já inscritos do Cadastro Ambiental Rural (CAR) de Minas Gerais terão prioridade e será dada assistência aqueles que ainda não fizeram o CAR.


A restauração obedecerá ao estabelecido pela Lei Florestal nº 12.651/12, considerando a largura da APP consolidada em função do tamanho da propriedade rural. Na Bacia do Rio Manso, foram mapeadas 1.946 nascentes e 1.731,48 quilômetros lineares de cursos d’água. Estima-se de 150 a 200 imóveis a serem atendidos, considerando uma média de restauração de 2 a 2,5 ha por propriedade. Os remanescentes de vegetação natural serão utilizados como banco de sementes para viveiros comunitários a serem instalados.


CONTRATOS
No total, 18 projetos foram selecionados pelo Conselho Deliberativo do FNMA. Em 2016, foram assinados oito contratos, totalizando R$ 22 milhões, sendo R$ 14 milhões do MMA e R$ 8 milhões do Fundo Socioambiental Caixa.


Além desses três projetos com as organizações da sociedade civil, ao longo de 2016 foram assinados convênios com a Prefeitura Municipal de São José dos Campos, a Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento da Bahia, a Empresa Bahiana de Águas e Saneamento (Embasa), a Empresa de Saneamento de Goiás (Saneago) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

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China decide proibir comércio de marfim em 2017

Por Sabrina Rodrigues
A matança dos animais nos últimos sete anos foi responsável pela redução do número de elefantes da África a um terço, de acordo com dados do Grande Censo de Elefantes. Foto: Marta Jimenez/Flickr.
A matança dos animais nos últimos sete anos foi responsável pela redução do número de elefantes da 
África a um terço, de acordo com dados do Grande Censo de Elefantes.

Foto: Marta Jimenez/Flickr.


Na última sexta-feira de 2016, o governo chinês comunicou que o país decidiu terminar com o comércio ilegal de marfim. A decisão visa conter a diminuição da população de elefantes africanos. A matança dos animais nos últimos sete anos foi responsável pela redução do número de elefantes da África a um terço, de acordo com dados do Grande Censo de Elefantes. Grupos de contrabandistas utilizam o mercado ilegal chinês como cobertura para os seus negócios ilegais na caça de animais.


Em 1989, o mercado internacional de marfim foi fechado, entretanto, isso não inibiu o comércio ilegal que permaneceu ativo em diversos países do mundo. A medida foi comemorada pelos ambientalistas que descreveram a decisão como “um anúncio histórico”.


Fonte: O Globo

Conheça o vencedor do 3º Concurso Fotográfico WikiParques 2016


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Amigos Fotógrafos, a terceira e última edição do Concurso Fotográfico WikiParques 2016 chegou ao fim. De 22 de novembro a 20 de dezembro, as suas lentes registraram incríveis imagens das áreas protegidas brasileiras.


Registros de lugares como o Parque Nacional de Jericoacoara (CE), o Parque Estadual do Sumidouro (MG), o Parque Nacional de São Joaquim (SC), a Estação Ecológica do Taim (RS) e a Reserva Extrativista Rio Xingu (PA) fazem agora parte agora das acervo WikiParques, onde estão disponíveis para todos aqueles que querem conhecer e explorar nossas unidades de conservação.

Com mais de 200 imagens enviadas, escolher o vencedor foi um desafio para os jurados. A cada edição, nossos fotógrafos participantes esbanjam talento, o que torna a escolha difícil. No meio de tantas, no entanto, uma imagem se destacou em todas as votações. Hora de conhecer o vencedor do 3º Concurso Fotográfico WikiParques:
Vencedor: Flávio Machado

Numa escolha apertada, os jurados decidiram que a foto de Flávio Machado mereceu o prêmio. A foto, tirada no Parque Estadual do Rio Preto (MG), mostra fêmea de macaco-prego e seu filhote a observar as esquisitices humanas na área de convivência do parque. Com este registro único, fecham-se com chave de ouro os concursos de 2016! Parabéns, Flávio!

Revista BioBrasil discute o manejo de fogo em áreas protegidas


Ação de manejo integrado do fogo no Parque Nacional da Chapadas das Mesas. Foto: Leonardo Milano/ICMBio
Ação de manejo integrado do fogo no Parque Nacional da Chapadas das Mesas. 
Foto: Leonardo Milano/ICMBio


Na quinta-feira, dia 29/12, o ICMBio lançou mais uma edição da revista científica eletrônica Biodiversidade Brasileira, a BioBrasil. Diversas instituições de gestão ambiental tem discutido o manejo do fogo em áreas protegidas e suas consequências ambientais, sociais e econômicas.


O assunto é complexo por abranger desde conceitos ecológicos e a possibilidade de prever efeitos à capacidade de negociar objetivos de manejo entre diferentes atores que atuam em um território. Neste número são apresentados artigos, experiências e argumentos para subsidiar o debate do tema.


Embora as políticas de “fogo zero” tenham predominado no Brasil durante o século XX, acredita-se hoje que a abordagem tende a não ser eficiente nem adequada. O manejo integrado do fogo (MIF) apresenta-se como uma nova metodologia, englobando desde as características ecológicas de diversos biomas até seu uso tradicional por povos e comunidades com objetivos distintos.


Esta edição apresenta artigos sobre histórico do uso do fogo como ferramenta de manejo; experiências de implementação do manejo integrado do fogo no mundo; questões relacionadas ao manejo do fogo no Brasil, com exemplos de aplicação de estratégias e abordagens do MIF; relação das gramíneas africanas e o fogo no Cerrado; estratégias de implementação em unidades de conservação do Cerrado e terras indígenas; aspectos para planejamento e avaliação de técnicas de controle e combate, entre outras abordagens.


A revista Biodiversidade Brasileira tem como objetivo fomentar a discussão e a disseminação de experiências em conservação e manejo, com foco em unidades de conservação e espécies ameaçadas. Lançada em 2011, a publicação está em seu sexto ano de circulação, sempre com edições eletrônicas, e conta com a contribuição de especialistas no tema em debate.


Acesse a revista aqui.

*Com informações da Comunicação ICMBio

Qual o limite da troca entre sofrimento animal e conhecimento científico?

Por Rafael Loyola
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É possível e ético minimizar a captura ou morte de animais com própositos científicos. 


Foto: Pixabay


A curiosidade e o desejo pelo saber são os motores primordiais da ciência. Cada nova descoberta é mais um facho de luz no obscuro universo que nos cerca. Com cientistas que trabalham com a biodiversidade e sua conservação não é diferente. Mas o que acontece quando esse desejo começa a interferir na própria natureza?



Há algum tempo, pesquisas feitas em laboratório e que envolvam experimentação ou sofrimento animal devem ser previamente aprovadas por comitês de ética. Essa prática garante, a princípio, que os cientistas não ultrapassem limites aceitáveis pela sociedade em busca de respostas para suas perguntas. Quando não houve limites para a busca do conhecimento, observamos na história avanços científicos acompanhados de consequências desastrosas, como os estudos com humanos feitos pelos nazistas.


Entretanto, ainda hoje, a regulamentação das pesquisas por comitês de ética tem foco em trabalhos feitos em laboratório e não no campo, no meio da natureza. Para trabalhos de campo que envolvem coleta de material biológico, experimentação e observações, os comitês tendem a ser mais brandos. Na verdade, eles seguem princípios que envolvam a ausência ou minimização do sofrimento animal (plantas costumam ser ignoradas), mas geralmente não limitam coletas de indivíduos em campo.



"Para nossa surpresa, um mês depois recebemos outro trabalho, com as mesmas características: milhares de animais mortos em uma área protegida e nenhum avanço real do nosso conhecimento. "



Recentemente, um grupo de editores da tradicional revista científica Biological Conservation (eu entre eles) escreveram um artigo que vem dividindo opiniões. Nele, explicamos que recebemos um trabalho para ser avaliado pela revista, visando sua eventual publicação. Nesse trabalho, os autores mataram milhares de peixes dentro de uma área protegida para mostrar que dentro dessa área havia mais indivíduos do que fora dela. Como conclusão, eles diziam que a área protegida era eficiente em preservar aquelas espécies, que se reproduziam melhor em locais onde a pesca era proibida (pelo menos até o momento, inclusão minha).


Após conversa entre editores, decidimos negar o trabalho por razões éticas. Ou seja, não aceitaríamos um trabalho enviado para uma revista de conservação da natureza que matava milhares de peixes para provar o que todos nós, convenhamos, já sabíamos. Os autores ficaram furiosos e reclamaram com a revista, argumentando que o trabalho havia sido autorizado pelo comitê de ética da sua instituição. Mas não houve choro nem vela e o trabalho foi negado, sem sequer ter sido revisado pelos pares.


Para nossa surpresa, um mês depois recebemos outro trabalho, com as mesmas características: milhares de animais mortos em uma área protegida e nenhum avanço real do nosso conhecimento. O estudo foi negado com as mesmas considerações. Mais uma vez os autores ficaram indignados... e isso me leva a uma pergunta difícil: que dimensão de ética os pesquisadores têm? Ela pode ser relativa?


Limite
Em nossa opinião, os que escrevemos o artigo em prol de uma ética conservadora em trabalhos de campo, é inconcebível um profissional da conservação realizar um estudo que preveja a morte de milhares de indivíduos, sobretudo dentro de uma área protegida. Mas para nem todos é assim e por isso o artigo levantou uma discussão.


Alguns profissionais, principalmente zoólogos, botânicos e taxonomistas (os cientistas responsáveis por descrever, catalogar e sistematizar nosso conhecimento sobre a biodiversidade) argumentaram que é preciso haver coletas para que nossas coleções sejam depósitos fiéis do existe no mundo lá fora dos museus e herbários.


E, de fato, há métodos desenvolvidos para que as coletas sejam feitas de modo apropriado. Entretanto, a pergunta persiste: até que ponto essa coleta é aceitável? Qual o limite para acumular indivíduos?


Recentemente estive em um comitê que avaliava projetos de conservação a serem financiados por uma organização sem fins lucrativos. Dois desses projetos chamaram a atenção do comitê. Em um deles, os proponentes fariam marcações em pererecas arborícolas por meio da amputação de alguns de seus dedos (falanges). Esse é um método conhecido por cientistas que trabalham nessa área, mas eticamente questionável. Hoje em dia, há alternativas para esse tipo de marcação, e mais, não será prejudicial cortar os dedos de pereceras que os usam para subir nas árvores?


Afinal, elas são arborícolas. No outro projeto, os pesquisadores acreditavam ter encontrado uma nova espécie na natureza, mas para confirmar precisariam ter acesso aos indivíduos. Segundo o projeto, eles o fariam sem sofrimento para os animais, mas caso isso não fosse possível, teriam que abater pelo menos um animal. O mais estranho é que, dentre os materiais necessários para a pesquisa e solicitados como item financiável do projeto, os proponentes incluíram uma carabina!


Eu fico pensando... quem tem a ideia de pedir uma carabina em um projeto submetido à uma organização que financia a conservação da natureza? Nenhum dos projetos foram financiados pela organização, é claro.

Em nosso artigo argumentamos que profissionais trabalhando com conservação da natureza devem estabelecer padrões éticos muito altos e servir de exemplo para outros profissionais. Antes de realizar um estudo, os autores devem avaliar se aquela pesquisa é necessária e se os fins justificam os meios. Minimamente, precisam se perguntar: algum animal ou planta será prejudicado pela pesquisa?


Se sim, há métodos menos invasivos ou prejudiciais para fazer a pesquisa e coletar os dados necessários? Por quanto tempo e sob qual área os impactos da pesquisa vão persistir? No trabalho há uma tabela com mais detalhes para os leitores mais curiosos.

A revista em questão continuará a negar trabalhos cuja ética, ainda que aceitável pelas instituições por meio das quais o trabalho é desenvolvido, seja questionável ou inaceitável para os editores.

Alguns acham que o papel dos editores não é esse, outros, acham que os editores têm que zelar pela qualidade e respeito pela natureza nos trabalhos publicados nas revistas nas quais trabalham.

A discussão é saudável e eu fico com o grupo conservador: conservar a natureza é um dever de todos nós e licenças para matar – como a do 007 – só podem ser concedidas em ocasiões muito especiais. E você, em que grupo está?
Saiba Mais
Mark J. Costello et Al.  Field work ethics in biological research (Ética do trabalho de campo na pesquisa biológica), publicado em Biological Conservation

Onças-pintadas são reintroduzidas na natureza no Pantanal Matogrossense


Por Sabrina Rodrigues
As irmãs Isa e Fera foram reinseridas na natureza numa ação conjunta e bem- sucedida do ICMBio e do Projeto Onçafari. Foto: ICMBio
As irmãs Isa e Fera foram reinseridas na natureza numa ação conjunta e bem- sucedida do ICMBio
 e do Projeto Onçafari. Foto: ICMBio


O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com o Projeto Onçafari foram bem-sucedidos na primeira experiência de reintrodução de onças-pintadas na natureza. A ação foi efetuada numa área do Pantanal, no Mato Grosso do Sul e deve impulsionar outras reintroduções na Mata Atlântica, localidade onde a situação da espécie é mais crítica.


Essa afortunada tarefa tem duas protagonistas: as irmãs Isa e Fera. As fêmeas de pouco mais de dois anos de idade perderam a mãe em 2014, em Corumbá (MS) e desde então, foram criadas e acompanhadas sob os olhares cuidadosos dos pesquisadores do ICMBio e do Onçafari e com suporte financeiro de empresários ligados ao projeto. Isa e Fera foram encaminhadas para um centro de reabilitação animal em amparo, no interior de São Paulo, onde passaram aproximadamente cinco meses, até serem alocadas no Refúgio Ecológico Caiman (MS).


As onças foram monitoradas por meio de colares eletrônicos via satélites. “Pelos sinais emitidos pelos equipamentos dá para saber por onde os animais circulam. E já constatamos que, passados meses da soltura, as onças já se estabeleceram no território onde foram soltas, o que indica que já devem estar ambientadas”, afirmou o analista ambiental Ronaldo Morato, chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), do ICMBio.


Fonte: ICMBio