Planta em escala de laboratório produzindo isopreno renovável a partir de biomassa. [Imagem: UMN]
Pneus renováveis
Uma nova tecnologia para produzir pneus de automóveis usando
matérias-primas vegetais - árvores e gramíneas - promete virar a
indústria em direção ao uso de recursos renováveis.
Os pneus de carro são vistos como ambientalmente hostis porque são
predominantemente feitos de combustíveis fósseis e não há muito o que
fazer com eles depois que chegam ao final de sua vida útil. Contudo, até
hoje não existem materiais alternativos em termos de preço e
desempenho.
A equipe que desenvolveu o novo processo afirma que os pneus de carro
produzidos a partir da biomassa serão idênticos aos pneus atuais, com a
mesma composição química, cor, forma e desempenho.
"Nossa equipe criou um novo processo químico para fazer isopreno, a
molécula-chave nos pneus de carro, a partir de produtos naturais como
árvores, gramíneas ou milho. Esta pesquisa poderá ter um grande impacto
sobre a multibilionária indústria de pneus de automóveis," disse o
professor Paul Dauenhauer, da Universidade de Minnesota, nos EUA.
Isopreno biológico
Hoje, o isopreno é produzido separando-se termicamente moléculas no
petróleo que são semelhantes à gasolina, em um processo chamado
craqueamento. O isopreno é então separado de centenas de outros produtos
e purificado. No passo final, o composto é posto para reagir consigo
mesmo, formando cadeias longas que originam um polímero sólido que é o
componente principal dos pneus de automóvel.
O isopreno de biomassa, por sua vez, é fabricado a partir de açúcares
extraídos de plantas como gramíneas, árvores ou milho, em um processo
de três passos "hibridizado", o que significa que ele combina a
fermentação biológica, usando microrganismos, com a refinação catalítica
convencional, que é semelhante à tecnologia de refinação do petróleo.
O primeiro passo é a fermentação microbiana dos açúcares da biomassa,
como a glicose, para se obter um composto intermediário, chamado ácido
itacônico. No segundo passo, o ácido itacônico reage com hidrogênio,
gerando um produto químico chamado metil-THF (tetrahidrofurano). Esta
etapa foi otimizada quando a equipe identificou uma combinação
metal-metal única que serviu como um catalisador altamente eficiente.
Mas o grande avanço tecnológico do processo está no terceiro passo,
quando o metil-THF é desidratado para gerar o isopreno. Usando um
catalisador recentemente descoberto, chamado P-SPP (pentasil
autoempilhado fosfórico), a equipe foi capaz de demonstrar uma
eficiência catalítica de até 90%, com a maior parte do produto
catalítico sendo isopreno.
Combinando as três etapas em um processo, o isopreno renovável pode ser obtido de forma renovável a partir da biomassa.
A tecnologia foi patenteada e está disponível para licenciamento pela Universidade.
Bibliografia:
Renewable Isoprene by Sequential Hydrogenation of Itaconic Acid and Dehydra-Decyclization of 3-Methyl-Tetrahydrofuran Omar
A. Abdelrahman, Dae Sung Park, Katherine P. Vinter, Charles S.
Spanjers, Limin Ren, Hong Je Cho, Kechun Zhang, Wei Fan, Michael
Tsapatsis, Paul J. Dauenhauer Catalysis Vol.: 7 (2), pp 1428-1431 DOI: 10.1021/acscatal.6b03335
O BNDES lançará condições especiais de financiamento para projetos de geração renovável de energia elétrica a serem implementados em áreas isoladas da região amazônica.
Os investimentos serão feitos em parceria com a Amazonas Energia,
distribuidora de energia elétrica controlada pelo Sistema Eletrobras.
De acordo com o BNDES, o Amazonas tem atualmente 225 usinas a diesel,
com capacidade instalada de 683 megawatts (MW) que consomem 687 milhões
de litros do combustível por ano. O sistema emite cerca de 2 milhões de
toneladas de dióxido de carbono (CO2), outros gases poluentes (NOx e
SOx) e particulados, além do risco de poluição dos rios decorrentes de
naufrágios ou vazamentos no transporte e armazenamento do combustível.
Com a medida, os itens financiáveis dos projetos - a serem licitados
em leilão promovido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) -
poderão usar 15% de recursos do Fundo Nacional de Mudanças do Clima, com
taxa de juros anual de 1%.
Os projetos de energia solar e micro, pequenas e médias empresas que
usarem os recursos do Fundo Clima poderão complementar o financiamento
com mais 65% em TJLP e as demais fontes renováveis, como eólica e
biomassa, em até 55%.
O financiamento poderá ainda ser complementado em taxa de juros de
longo prazo (TJLP), cuja taxa atual é de 7,5% ao ano, até o percentual
de 80% previsto nas novas políticas operacionais do BNDES.
O prazo de carência do financiamento é de até seis meses após a
entrada em operação comercial do projeto e o prazo de amortização será
inferior em pelo menos dois anos ao término do prazo do Contrato de
Compra e Venda de Energia.
Segundo o BNDES, o leilão da Aneel já recebeu a inscrição de 36
projetos de energia renovável. O Fundo Clima poderá destinar até R$ 200
milhões para financiar esses empreendimentos, que terão prazo de até 24
meses para utilização dos recursos após a data do leilão. O Contrato de
Compra e Venda de Energia terá prazo de até 15 anos.
Fundo Clima
Vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, o Fundo Clima é um dos
instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima para apoio
financeiro a projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa.
As aplicações não-reembolsáveis - aqueles nos quais as empresas não
precisam pagar os financiamentos - são feitas pelo ministério e as
reembolsáveis administradas pelo BNDES, seguindo diretrizes do Comitê
Orientador do Fundo Clima, presidido pelo Ministério do Meio Ambiente.
Desde 2011, mais de 190 projetos não-reembolsáveis foram contratados
pelo Fundo Clima, dos quais 65 foram concluídos, contribuindo para o
alcance das metas de assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris, em 2015.
Baseado em artigo de Chelsea Whyte - New Scientist -
22/03/2017
A simulação à esquerda é como Marte deveria ser no passado para explicar
sua geologia atual. Mas nada indica que ele já tenha sido tão parecido
com a Terra.[Imagem: NASA]
Sinais de água sem água
Alguma coisa não está batendo.
Marte tem calotas de gelo de água nos polos e há marcas no solo que
indicam que a água fluiu em rios e lagos há bilhões de anos - há poucos
dias, a agência espacial europeia apresentou um estudo detalhado sobre
uma megainundação em Marte.
De fato, temos uma compreensão decente de como a água se comporta na
Terra, e não há razão para pensar que as leis da física ou a geologia
sejam diferentes em Marte.
Contudo, mais do que não encontrar água hoje no planeta, ninguém
consegue explicar sequer como a água poderia ter existido em forma
líquida em Marte mesmo no passado.
Este mistério é conhecido como o "Paradoxo de Marte" - os dados e as
teorias mostram que parece ter havido água lá, mas os dados e as teorias
também indicam que nunca houve condições de ter havido água lá. Se, e
quando esse paradoxo for resolvido, provavelmente será necessário jogar
fora um monte de livros didáticos.
Paradoxo de Marte
O atual terreno frio e rochoso de Marte,
seco e coberto de poeira, apresenta minerais de argila e sedimentos que
devem ter sido depositados por lagos e rios entre 3,5 e 4 bilhões de
anos atrás.
O problema começa quando se olha para as condições em Marte naquele
tempo. Ainda hoje, a fina atmosfera do planeta e a distância do Sol
mantêm-no a uma temperatura média por volta dos -60° C, frio o
suficiente para manter água congelada em depósitos polares permanentes.
Há bilhões de anos, contudo, quando a água deveria estar fluindo pela
superfície, o Sol era mais jovem e mais frio, o que significa que Marte
também era ainda mais frio do que é hoje.
Assim, dado que o ponto de congelamento da água é o mesmo aqui e lá,
como é que Marte pode ter sido algum dia quente o suficiente para que a
água líquida fluísse em sua superfície e formasse o relevo e as rochas
que encontramos lá hoje?
Um dos planos da NASA para tornar Marte habitável é dar-lhe um escudo magnético que permita aumentar a densidade da sua atmosfera. [Imagem: NASA]
Efeito estufa improvável
Uma hipótese plausível seria que os gases de efeito estufa prenderiam
o calor como o fazem na Terra. O problema é que nenhuma quantidade de
CO2 conseguiria aquecer Marte o suficiente para manter a água líquida.
Mesmo com uma atmosfera de CO2 puro sua temperatura só subiria até perto
dos -33° C.
Mas este cenário hipotético é impensável - Thomas Bristow e seus
colegas do Centro de Pesquisas Ames da NASA acabam de calcular, com base
em sedimentos formados há 3,5 bilhões de anos, que a atmosfera marciana
naquela época continha apenas quantidades-traço de dióxido de carbono.
Então talvez pudéssemos adicionar um pouco de metano ou hidrogênio -
também não dá certo porque, com essa escassez de CO2, não importa quanto
hidrogênio ou metano ou outros gases sejam adicionados à equação, seria
preciso uma atmosfera tremendamente espessa para blindar esses gases de
efeito estufa sensíveis contra a radiação solar.
Bristow e seus colegas apresentaram agora uma outra alternativa: água
salgada o suficiente para permanecer líquida mesmo a temperaturas muito
abaixo de 0º C. Nesse caso, a atmosfera não precisaria de muito CO2.
Também não parece plausível ou suficiente. Uma água ultrassalina pode
até fluir - na Terra, pelo menos - mas o frio do planeta não permitiria
chuvas suficientes para explicar a água parada gravada no arenito e no
xisto de Marte ao longo de milhões de anos.
Mistérios da água
Então, será que existe algum mecanismo planetário que ainda não
entendemos? Uma mistura de gases de efeito estufa que ainda não
identificamos?
Talvez o verdadeiro problema seja a nossa compreensão da própria água. Nós já sabemos que a água tem mais de 70 "anomalias",
muitas delas incomodando algumas das nossas bem-amadas leis da física -
como quando a água mais fria flui para o topo de um copo, por exemplo.
Seja qual for a resposta, estamos ficando sem soluções óbvias para o
Paradoxo de Marte. Quando ele for resolvido, talvez nos vejamos em
territórios ainda mais estranhos e desafiadores do que o solo do planeta
vizinho.
Bibliografia:
Low Hesperian PCO2 constrained from in situ mineralogical analysis at Gale Crater, Mars Thomas
F. Bristow, Robert M. Haberle, David F. Blake, David J. Des Marais,
Jennifer L. Eigenbrode, Alberto G. Fairén, John P. Grotzinger, Kathryn
M. Stack, Michael A. Mischna, Elizabeth B. Rampe, Kirsten L. Siebach,
Brad Sutter, David T. Vaniman, Ashwin R. Vasavada Proceedings of the National Academy of Sciences Vol.: 114 no. 9 - 2166-2170 DOI: 10.1073/pnas.1616649114
DNIT realiza obras para tornar trecho da BR-319 trafegável sem licença.
Foto: Vandré Fonseca.
Manaus, AM -- A pavimentação completa da BR-319, entre Manaus (AM) e
Porto Velho (RO), pode resultar na emissão de 2,164 bilhões de toneladas
de CO2, segundo um estudo preparado pelo Instituto de Pesquisa
Ambiental da Amazônia (IPAM). Esta é a previsão mais pessimista dos três
cenários avaliados, que consideraram os efeitos do desmatamento atingir
20%, 50% e 80% da área de influência da rodovia.
O valor está próximo ao total que o Brasil emitia em 2005 e 2006,
quando o país despejou anualmente mais de 2 bilhões de equivalentes a
CO2 na atmosfera. No cenário mais otimista, as emissões com o
desmatamento ao longo da BR-319 previstas são de 541 milhões de
toneladas de equivalentes a CO2, aproximadamente o volume que o país vem
emitindo a cada ano desde 2009, devido a mudanças no uso da terra, como
desmatamento ou queimadas.
O biólogo Paulo Moutinho, pesquisador sênior do Ipam e um dos autores
do estudo, lembra que mais de 70% do desmatamento na Amazônia ocorre
numa faixa de até 50 quilômetros ao longo de rodovias. Além disso, ele
destaca que a floresta cortada pela BR-319 é bastante densa, o que
significa que, em caso de desmatamento, as emissões são maiores do que
em outras regiões da Amazônia.
“Se ela seguir a mesma tendência histórica das outras rodovias, que
têm uma grande parte do desmatamento concentrado ao longo dessas
rodovias, o que aconteceria seria um desmatamento numa proporção que
anularia signitivamente boa parte do esforço de redução de desmatamento
que ocorreu na Amazônia de 2005 pra cá, que foi de quase 80 por cento”,
afirma.
Área desmatada embargada pelo Ibama na BR-319. Foto: Ibama.
A BR-319 percorre cerca de 800 quilômetros, cortando uma região ainda
preservada da floresta amazônica. Cerca de 400 quilômetros, no chamado
meião da rodovia, ainda aguardam o licenciamento ambiental para serem
pavimentados. Apesar de grandes estragos provocados pela chuva, um
serviço de manutenção realizado pelo Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes (DNIT) tem permitido a ônibus trafegarem
no trecho.
A Associação Amigos e Defensores da BR-319 acompanha as obras de
pavimentação e a trafegabilidade da estrada. Para André Marsílio,
presidente da associação, os maiores impactos ambientais ocorreu na
construção da BR, há mais de 40 anos. E afirma que a degradação
ambiental ao longo da rodovia poderia ser reduzido justamente com a
pavimentação, que permitiria a atuação de órgãos ambientais e polícias
no combate a ilegalidades que estão ocorrendo, como a extração de
madeira.
“Hoje os impactos são muito maiores porque não há fiscalização, não
tem postos de fiscalização na BR-319”, afirma Marsílio. “Se a rodovia
tivesse pavimentada, ela teria junto com o Exército, o Ibama, a Polícia
Rodoviária Federal, a Polícia Ambiental, as prefeituras municipais, o
governo estadual, as reservas ambientais estariam funcionando como
deveriam funcionar e, com certeza, esse negócio de impacto ambiental não
aconteceria como está acontecendo agora”, completa.
Além da fiscalização, que deveria ocorrer com ou sem a pavimentação,
outras medidas podem ser tomadas. Para Paulo Moutinho, dar atenção às
atividades econômicas e às Unidades de Conservação de Uso Sustentável
criadas ao longo da rodovia é um caminho para amenizar os impactos e o
desmatamento previstos. É importante, segundo ele, que a produção no
decorrer da BR-319 tenha políticas de apoio e seja controlada.
“Se você faz um ordenamento onde haja produção em uma faixa próxima a
rodovia, você deixa de ter uma expansão desordenada pra dentro da
floresta, ou seja, poderia se produzir tudo o que se produz em 15 ou 20
quilômetros para cada lado das rodovias se tudo fosse muito bem
preparado”, defende Moutinho. “Isso não acontece, as vicinas estão
destroçadas, então para produzir mais você avança mais em busca de
espaço para produzir, fora a grilagem que vem”.
Campanha Farra do Boi deu início ao Compromisso Público pela Pecuária em 2009.
Foto: Greenpeace/Daniel Beltra.
O Greenpeace resolveu suspender as negociações com a JBS em relação
ao Compromisso Público da Pecuária na Amazônia, na qual a empresa é
signatária desde 2009, após a maior produtora de proteína animal do
mundo ser multada pelo Ibama por comprar gado de fazenda embargada.
Desde o dia 17 de março, a JBS está no olho do furacão após uma mega
operação da Polícia Federal, a Carne Fraca, colocar a marca como uma das
investigadas por vender carnes impróprias para consumo. Após a Carne
Fraca, veio a Carne Fria,
deflagrada pelo Ibama, que investigou frigoríficos e fazendas que
comercializaram gado criado em áreas embargadas por desmatamento ilegal
no Pará.
Diante de mais um escândalo, o Greenpeace entrou em contato com a
empresa e comunicou que não vai mais acompanhar o cumprimento do
compromisso público assumido pela JBS em 2009 “até que ela [empresa]
apresente provas inequívocas que está cumprindo com todos os critérios
estabelecidos”. Há 8 anos, os maiores frigoríficos do país assumiram um
compromisso de monitorar sua cadeia produtiva e excluir dos fornecedores
fazendas que desmataram ilegalmente, que utilizaram trabalho escravo ou
que invadiram terras indígenas e unidades de conservação. A JBS, dona
das marcas Friboi, Seara e Swift, era uma das principais signatárias do
acordo.
“A empresa deverá apresentar melhoria no seu sistema de seleção de
fornecedores, bem como melhorar as suas auditorias públicas de terceira
parte, para que possa garantir que está cumprindo com todos os critérios
do compromisso. Cabe a empresa aproveitar esse momento e cobrar
conjuntamente com as outras empresas que haja mais transparência nos
instrumentos públicos existentes como o Cadastro Rural Ambiental (CAR) e
Guia de Trânsito Animal (GTA), com esses dois instrumentos
transparentes e público seria possível o rastreamento da cadeia de
fornecedores, inclusive indiretos”, afirmou Cristiane Mazzetti, da
Campanha da Amazônia do Greenpeace, em entrevista a ((o))eco feita por
e-mail.
Procurada, a JBS respondeu "que cumpre rigorosamente o Compromisso
Público da Pecuária e está em contato com o Greenpeace para esclarecer
os fatos". Em outra nota enviado a ((o))eco, dessa vez sobre a operação Carne Fria, a empresa negou ter comprado de fornecedores irregulares como acusa a operação do Ibama. Leia a íntegra da nota:
A JBS reitera que não comprou e não
compra nenhum animal de fornecedores incluídos na lista de áreas
embargadas do Ibama e vem cumprindo integralmente o TAC (Termo de
Ajustamento de Conduta), assinado com o Ministério Público Federal do
Pará em 2009.
A Companhia não é e não pode ser
responsabilizada pelo controle e movimentação de gado de seus
produtores. A empresa não tem acesso a Guia de Trânsito Animal (GTA) -
documento de posse e de uso exclusivo do governo -, único responsável
pelo controle de trânsito animal. Dessa maneira, é um absurdo que o
Ibama queira imputar à indústria frigorífica a responsabilidade por
garantir esse controle.
No que é de sua responsabilidade, a
JBS trabalha com um sistema de monitoramento sofisticado com imagens de
satélite e análise de documentos públicos. Fornecedores irregulares são
imediatamente excluídos. Nas três últimas auditorias independentes, a
JBS obteve mais de 99,9% de conformidade com critérios socioambientais
aplicados à compra de gado.
Parece absurdo mas, infelizmente, é verdade. Enquanto os especialistas apontam o desmatamento e a impermeabilização do cerrado como um grande causador da crise hídrica, a Secretaria da Habitação elabora um documento chamado ironicamente de Zoneamento "Ecológico" Economizo que promove a destruição desse mesmo cerrado!! Seria psicopatia ou total irresponsabilidade com o futuro do DF e do Brasil?
Árvore do Cerrado. Foto: EBC
Alguns estados já têm tido racionamento de água e especialistas
afirmam que o desmatamento do Cerrado é uma das causas do problema. No
dia 22 de março foi comemorado o Dia Mundial da Água e você sabia que o
Cerrado é fundamental para continuarmos tendo água no Brasil?
Notícias sobre racionamento de água já foram manchetes em alguns
estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e agora Brasília.
Diferentes estudos da Universidade Federal de Goiás, da Universidade de
Brasília, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e da Brown
University (publicada na revista científica Global Change Biology em
2016) apontam que o desmatamento no Cerrado é uma das causas para a
crise. Isso porque o bioma é considerado o berço das águas, é no Cerrado
onde estão localizados os três grandes aquíferos que abastecem boa
parte do país: Guarani, Urucuia e Bambuí.
O Cerrado ocupa um quarto do território nacional e está localizado no
coração do Brasil, abrangendo 13 estados. Apesar de sua importância
para o equilíbrio ambiental, o Cerrado tem sido destruído nas últimas
décadas para a expansão do agronegócio e grandes empreendimentos e mais
de 50% da sua vegetação já foi desmatada.
A legislação brasileira não garante plena proteção ao Cerrado. Apenas
11% do Cerrado é coberto por reservas ou unidades de conservação,
comparados com quase 50% da Amazônia. Enquanto um proprietário de terras
é obrigado a proteger 80% da floresta se sua fazenda estiver na
Amazônia, no Cerrado essa porcentagem cai para 35%. Em outras palavras, o
desmatamento permitido, legal, é muito mais comum.
Com o objetivo de alertar a sociedade para esse e outros impactos, 43
organizações e movimentos sociais se uniram para lançar a Campanha
Nacional em Defesa do Cerrado. A campanha busca valorizar a
biodiversidade e as culturas dos povos e comunidades do Cerrado, que
lutam pela sua preservação. A água é o mote atual da Campanha (Sem
Cerrado, sem água, sem vida) para reforçar o papel central do Cerrado no
abastecimento de água do país.
A Campanha prevê ações ao longo dos próximos dois anos, e, além de
dar visibilidade ao bioma, busca promover a visibilidade dos povos e
comunidades tradicionais que vivem nas regiões de Cerrado, já que eles
convivem historicamente de forma harmônica com o meio ambiente. As
organizações envolvidas buscam também trazer para a esfera política o
debate sobre a elevação do status do Cerrado para Patrimônio Nacional e
exigir um acordo político para estancar o desmatamento.
Organizações promotoras da Campanha
Associação União das Aldeias Apinajés/PEMPXÀ – ActionAid Brasil –
CNBB/Pastorais Sociais – Agência 10envolvimento – APA/TO – ANQ – AATR/BA
– ABRA – APIB – CPT – CONTAG – CIMI – CUT/GO – CPP – Cáritas Brasileira
– CEBI – CESE – CEDAC – Coletivo de Fundos e Fechos de Pasto do Oeste
da Bahia – Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do DF – CONAQ –
FASE – FBSSAN – FETAET – FETAEMA – CONTRAF-BRASIL/FETRAF – Gwatá/UEG –
IBRACE – ISPN – MJD – MIQCB – MPP – MMC – MPA – MST – MAB – MOPIC – SPM –
Rede Cerrado – Redessan – Rede Social de Direitos Humanos – Rede de
Agroecologia do Maranhão – TIJUPA – Via Campesina – FIAN Brasil.
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reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à
EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]
Comentário:
Abram os links e constatem que o ZEE nada mais é do que uma condenação à morte do que resta do cerrado no DF!
[EcoDebate]
Os incêndios florestais acontecem em diversas regiões do Brasil, e em
que 90% dos casos são causadas pelo homem, o que representa uma ameaça
real à sustentabilidade de determinados ecossistemas e prejudicam os
esforços globais para a conservação da água. Em períodos de estiagem,
quando a vegetação está seca, é comum também à queimada por causas
naturais, sem que haja a intenção do homem. Neste caso, qualquer fagulha
ao cair solo pode se transformar em um grave incêndio florestal,
devastando áreas inteiras. E não tem sido diferente no interior da
Bahia, onde esta localizada a Serra de Jacobina..
As Serras de Jacobina com suas elevações acima de 1000m favorecem o
acúmulo de água e o surgimento de inúmeras nascentes. Destaca-se que os
vales das serras, (Figura 1), devido ao encharcamento excessivo,
proporcionam o desenvolvimento das turfas de montanhas. As turfas em
outras partes do mundo são protegidas pela Convenção de Berna, 1979 e
Directiva Habitats, 1992, pelo fato de serem elas próprias o habitat de
uma grande diversidade de espécies raras e protegidas, além de ser é um
verdadeiro reservatório purificador, ou seja, purificam a água, retendo
na sua estrutura todas as substâncias que são transportadas em solução,
tais como íons metálicos e outras substâncias tóxicas. Contribuem também
para regular a infiltração da água após chuvas intensas, sendo
gradualmente liberada durante os períodos de baixa precipitação,
regulando ainda a erosão dos solos e o microclima local.
Figura 1 – Vista da Serra de Jacobina e localização dos vales – 2017. Foto: Modificado de Eugênio Junior.
As turfas de montanhas funcionam como um combustível para o fogo.
Nestes locais, a velocidade da queima é lenta e ocorre no subsolo, e nem
sempre é possível ver as chamas, que pode durar dias ou meses. Apesar
disso, produz combustão de grande quantidade de biomassa por hectare, em
alguns casos até maiores que aquela produzida por um incêndio florestal
na superfície. Esse incêndio vai ‘cozinhando’ o solo e queimando as
raízes das plantas por baixo. Até que chega a uma vegetação em
superfície, dando inicio a uma labareda, que pode passar para outra
região e aí vira uma reação em cadeia.
Muitas dessas queimadas que se propagam ao longo das serras (Figura
2) podem ser intencionais ou não, no segundo caso, na maioria das vezes
trata-se de incêndios provocados por queimadas para limpeza de terrenos,
principalmente na zona rural, sendo hoje considerada como uma das
principais causas dos incêndios florestais, seguidos dos incendiários
criminosos.
A prática da queimada na zona rural esta presente em nossa sociedade
por décadas. O ato de queimar é negativo, pois o solo perde nutriente e
os microrganismos que garantem a sua fertilidade. Com isso o solo fica
empobrecido, e no decorrer dos anos, ao longo de consecutivos plantios a
situação se agrava gradativamente, o que resulta na infertilidade da
área. Do ponto de vista ambiental, as queimadas são responsáveis pelo
desmatamento de grandes áreas nativas, o que pode comprometer o
equilíbrio hídrico de toda a região.
Figura 2 – Incêndio Florestal na Serra de Jacobina – 2017. Foto: Eugênio Junior.
Apesar de ser uma prática nociva e proibida, o novo Código Florestal
(LEI Nº 12.651), aprovado em 2012, autoriza o uso do fogo em atividades
de subsistência exercidas pelas populações tradicionais e indígenas.
Tudo isso mediante a prévia aprovação do órgão ambiental competente, que
deve estabelecer os critérios de monitoramento e controle de queimada.
Entretanto esta prática historicamente vem sendo negligenciada, o que é
considerado crime ambiental, com previsão de pena de reclusão de dois a
quatro anos e multas por hectare queimado, conforme estabelece o artigo
250 do Código Penal. Além da possibilidade de responder a processos
criminais, aquele que utilizar do fogo sem licença ambiental esta
sujeito a pagar pelos danos morais causados a sociedade, que fica
tolhida de desfrutar do patrimônio ecológico.
Somado a isto, a ausência de um Plano de Prevenção a Incêndios
Florestais, um Plano de Manejo em Áreas de APP- (Áreas de Proteção
Permanente) e um Plano de Recuperação das Nascentes nas serras e no seu
entorno potencializa os riscos ambientais causados pelo fogo e pode
compromete o abastecimento de água local para as futuras gerações.
Isto em um momento em que as discussões sobre políticas públicas
nacionais e internacionais relacionado às alterações climáticas e seus
previsíveis impactos sobre os recursos naturais estão em evidência.
Neste contexto de grande incerteza se faz necessário o desenvolvimento
de estratégias para garantir a sustentabilidade dos recursos naturais,
que devem ser evidenciadas e discutidas pelos órgãos governamentais e
empresas privadas, do contrário, os recursos naturais sensíveis como é o
caso das Serras de Jacobina, correm risco.
Destaca-se que dos quase 200 km de Serras/Montanhas (Serras de
Jacobina) com cotas acima de 1000m pertencentes à Bacia Hidrográfica do
Rio Itapicuru, 31 km encontram-se dentro dos limites geográficos do
município de Jacobina, sendo o restante distribuídos em 9 municípios,
incluindo os confrontantes, tais quais, Miguel Calmon, localizado a sul
de Jacobina, Caem, Mirangaba, Saúde, Pindobaçu, Antônio Gonçalves,
Senhor do Bonfim, Campo Formoso e Jaguarari, localizados a norte de
Jacobina (Figura 3). Figura
3 – A – Mapa da Bahia indicando a localização da Bacia Hidrográfica do
Rio Itapicuru; B- Mapa de Localização da Serra de Jacobina e Municípios
confrontantes.
Portanto, a elaboração e execução de um Plano de Prevenção a
Incêndios Florestais, um Plano de Manejo em Áreas de APP- (Áreas de
Proteção Permanente) e um Plano de Recuperação de Nascentes de forma
integrada entre os 10 municípios confrontantes com as Serras de Jacobina
parece ser uma medida necessária para a revitalização das nascentes e
conservação das turfas, de modo a somar esforços para a conservação
global da água, bem como minimizar os efeitos locais dos incêndios
florestais e dos prejuízos já ocorridos, estes incalculáveis do ponto de
vista ecológico e financeiro e que ameaça inclusive o desenvolvimento
do Turismo Sustentável da Região.
Carlos Victor Rios da Silva Filho possui graduação é Geologia
Universidade Federal da Bahia (2009). Mestre em Geologia Econômica pela
Universidade de Brasília (2012) e doutorando Geologia e Geoquímica pela
Universidade de Brasilia (2017). Atualmente é diretor executivo da
Geofsite – Geologia e Geofísica onde desenvolve atividades e aquisição
geofísica terrestre utilizando Métodos Elétricos e GPR (Ground
Penetrating RadarGerenciamento em projetos de Geologia e Geofísica
direcionada a Prospecção Mineral, estudos Hidrogeológicos, Geotécnicos e
ambientais. E-mail: carlosvictor02@yahoo.com.br
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reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à
EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]
Volta e meia, o fantasma da Lei Complementar de Uso
e Ocupação do Solo (Luos) sai do Palácio do Buriti e volta a assombrar a
população do Distrito Federal. As audiências públicas que se sucedem desde o
ano passado, visando a alterações nos gabaritos e na destinação de espaços,
deixam mais dúvidas do que certezas.
Nos lagos Sul e Norte e no Park Way, os moradores vêm se mobilizando
para impedir que as áreas, antes destinadas exclusivamente a residências, se
transformem, em pouco tempo, em áreas mistas, onde seria permitido o
funcionamento de estabelecimentos comerciais e industriais.
Quem ainda não vislumbrou direito como seriam essas localidades, caso a
lei venha a ser aprovada conforme desejam os empreiteiros, basta visitar o
bairro de Águas Claras e ver, in loco, o que foi cometido naquela localidade.
Lá, construíram-se torres residenciais altíssimas, instalando os comércios sob
os edifícios. Não bastasse esse descalabro, somente depois de o bairro ser
concluído, perceberam que não haviam planejado calçadas adequadas para
pedestres nem ruas suficientes para desafogar o trânsito. O resultado é que,
nas horas de pico, o bairro empaca.
Onde a especulação imobiliária fala mais alto do que o planejamento
urbano, o resultado é um desastre para muitas gerações. Para a maioria dos
moradores dos Lagos Sul e Norte e do Park Way, a Luos para aquelas localidades
contribuirá para acelerar a destruição da qualidade de vida dos bairros,
transformando-os de uma área, até então bucólica, em mais uma zona populosa e
caótica. Chamamos a atenção para a cerca arrebentada na entrada do Lago Norte à
esquerda. A área verde ali preservada certamente está na mira de construtoras.
Há tempos, esta coluna vem defendendo que se retire da Câmara
Legislativa a possibilidade de alterar, por qualquer motivo, o uso e a ocupação
do solo em todo o DF, por uma razão simples: eles não entendem e desprezam a
ciência urbana e legislam, nesses assuntos, apenas de olho nas vantagens
financeiras que advirão.
Basta lembrarmos os escândalos protagonizados por pelo Legislativo local
nos episódios que alteraram a destinação de alguns lotes residenciais para
áreas nas quais poderiam ser construídos postos de combustíveis. Do dia para a
noite, os lotes passaram a valer fortunas para alguns e prejuízos para muitos.
Brasília conquistou, há pouco, o título de cidade com a melhor qualidade de
vida do Brasil, graças à determinação de muitos moradores, principalmente
àqueles que para cá vieram nos tempos difíceis da construção da nova capital. O
que os políticos e os empreiteiros não entendem é que essa qualidade de vida
foi conquistada, ao longo de anos, com muito esforço, e não tem dinheiro no
mundo que pague.
22
de março é um lembrete anual de que a água é primordial para a
sobrevivência dos seres vivos, mas principalmente sobre a importância de
cuidarmos desse recurso tão precioso e escasso. Isso porque apesar de
mais de 70% da superfície da Terra ser coberta por água, menos de 1% é
própria para consumo.
Do
total de água disponível no planeta, 97% estão nos mares e oceanos
(água salgada) e apenas 3% são água doce. Dessa pequena porcentagem,
pouco mais de 2% estão nas geleiras (em estado sólido) e, portanto,
menos de 1% está disponível para consumo. E você sabe onde está
localizado esse 1% de água doce disponível para consumo? Está nos rios,
lagos e águas subterrâneas. E, como sabemos, grande parte dessas fontes
está sendo poluída, contaminada e degradada por más práticas humanas.
Segundo relatório divulgado em 2015 pela Organização das Nações Unidas
(ONU), mais de dois terços da população mundial sofrerão com a falta de
água em 2050 devido ao consumo excessivo de água para a produção de
alimentos e para a agricultura, a degradação dos recursos naturais e os
impactos climáticos.
O que o WWF-Brasil faz pela água?
No Pantanal
O Pantanal é a maior área úmida do planeta e possui uma rica
biodiversidade: mais de 4 mil espécies de animais e plantas registradas.
Em março de 2017 comemoramos a recuperação de 70 nascentes das
cabeceiras do Pantanal, região onde nascem as águas que alimentam a
planícia e sua biodiversidade. Esse resultado ocorre dentro da
iniciativa denominada Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal,
idealizada pelo WWF-Brasil em 2012 para conservar rios e nascentes da
maior área úmida do planeta, e hoje composta por 47 entidades, entre
empresas, ongs, prefeituras e governo do estado de Mato Grosso. "A
região das cabeceiras do Pantanal está em alto risco por conta do
desmatamento, más práticas agropecuárias e falta de saneamento básico. É
muito importante apoiarmos um projeto como o Pacto paraconservar
os recursos hídricos de uma área prioritária da Bacia do Alto
Paraguai", afirma Júlio César Sampaio, coordenador do Programa Cerrado
Pantanal do WWF-Brasil.
Além da recuperação das nascentes, o Pacto soma outros resultados positivos:20
famílias beneficiadas pela instalação de biofossas, 76 pequenas
propriedades preparadas para receber Pagamento por Serviços Ambientais
(PSA), 3 viveiros florestais em funcionamento, 170 quilômetros de
estradas rurais recuperadas.Para participar do Pacto, cada
organização assina um termo de adesão voluntário se comprometendo a
executar em sua região pelo menos três ações em prol das águas.
No Cerrado No Cerrado nascem as principais bacias hidrográficas do
país que alimentam as bacias do São Francisco, do Tocantins-Araguaia, do
Paraná e Paraguai. Para se ter uma ideia da importância das águas do
Cerrado, sete em cada dez litros das águas que passam pelas turbinas da
usina de Tucuruí (PA) vêm do Cerrado, assim como, metade da água que
alimenta Itaipu (PR), e quase 100% do montante de Sobradinho (BA). Isso
significa que nove em cada dez brasileiros consomem eletricidade
produzida com águas do Cerrado.
O WWF-Brasil tem trabalhado com o Programa Água Brasil, fruto de uma
parceria com o Banco do Brasil, Fundação Banco do Brasil e Agência
Nacional de Águas, na implementação de modelos de produção e uso
eficiente da água em bacias do Cerrado. Iniciado em 2010, contou com uma
área piloto na bacia do Pipiripau, no Distrito Federal, responsável
pelo abastecimento de 200 mil habitantes.
Ações de conscientização,
recuperação de rios e proteção de nascentes, além da adoção de boas
práticas como a instalação de terraços, com o objetivo de aumentar a
infiltração da água das chuvas na região, têm demonstrado uma
significativa melhora na qualidade e quantidade desse recurso.
Atualmente, o projeto, em sua segunda fase de implementação, atuando nas
bacias do Descoberto e de São Bartolomeu, que, juntas, representam mais
de 40% do território do Distrito Federal.
Na Amazônia
A Amazônia é a maior floresta tropical úmida do mundo, com a maior bacia
hidrográfica do planeta. É nela que está o Rio Amazonas, o segundo rio
mais longo do mundo, com mais de 6,4 mil km de extensão, e de onde saem
os gigantescos “rios voadores” para todo o Brasil, a partir do vapor
d’água proveniente das florestas, que influenciam as chuvas no
centro-sul da América do Sul. A bacia hidrográfica é composta por uma
variedade de paisagens e ecossistemas, que incluem florestas tropicais
úmidas, florestas inundadas ou várzeas, savanas e uma rede intrincada de
rios, lagos e igarapés. Além disso, as florestas tropicais trocam
grandes quantidades de água e energia com a atmosfera e são consideradas
importantes para o controle do clima local e regional.
Ao trabalhar pela conservação da Amazônia, há mais de 20 anos, o
WWF-Brasil também tem contribuído com a proteção de rios, lagos,
nascentes e toda a biodiversidade que dela dependem. Um dos destaques é o
trabalho de conservação de inúmeras áreas protegidas, entre Unidades de
Conservação (UC's), que contribuem para a com a proteção dos recursos
hídricos que abastecem cidades urbanas e uma riqíssima bodiversidade. Um
bom exemplo é o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), o maior
programa de conservação de florestas tropicais do mundo, que protege 114
UCs ou 59,2 milhões de hectares.
Pela melhoria da gestão dos recursos hídricos O
Observatório da Governança das Águas, outra iniciativa da qual o
WWF-Brasil também faz parte, trabalha no monitoramento da gestão dos
recursos hídricos de todo o país. Tem como objetivos principais
fortalecer o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos
(SINGREH) - responsável por arbitrar conflitos e promover a cobrança
pelo uso da água - monitorar a governança em todo o território nacional e
garantir que a água seja tema estratégico na agenda social e política
brasileira.
Na
prática, significa verificar questões como por exemplo: as leis
referentes ao setor são efetivas e estão sendo aplicadas corretamente?
Os recursos financeiros destinados à gestão das águas estão sendo
repassados corretamente entre os órgãos e esferas públicas? A sociedade e
os comitês de bacias estão participando ativamente das discussões e das
decisões referentes à agua? Os comitês de bacias estão conseguindo
implementar seus planos e recuperar a qualidade e quantidade das águas?
Pela energia
No Brasil, a maior parte de nossa eletricidade vem de usinas movidas a
água (as hidrelétricas). Historicamente, o nível dos nossos
reservatórios tem diminuído gradativamente, como consequência,
principalmente, da modificação no regime de chuvas, muito relacionado às
mudanças climáticas. Com o atual modelo de energia (que não privilegia a
energia alternativa renovável), menos água nos reservatórios significa
mais complementação pelo uso de térmicas, mais caras e mais poluentes.
A água também é um sinal importante de aquecimento global. As emissões
cada vez maiores de gases de efeito estufa provocam o aumento da
temperatura da água dos oceanos (o que causa, entre outras coisa, o
branqueamento dos corais), derretimento das geleiras e elevação do nível
do mar. Os efeitos destes fenômenos já estão aparecendo e exigem ações
que garantam a segurança da população e de todo o ecossistema. O
WWF-Brasil, por meio do Programa Mudanças Climáticas e Energia, trabalha
pela implementação brasileira do Acordo de Paris com metas climáticas
mais fortes, incluindo uma matriz elétrica 100%. Dessa forma, buscamos
que o país dê sua contribuição justa para o clima global, contribua para
o bem estar da população e para a geração de empregos.
Saru Saud, de 7 años, bebe agua en la
comunidad en la empobrecida aldea de Biraltoli, en el distrito de
Achham, en la región de Far-Western, en Nepal.
Foto: UNICEF/NYHQ2012-2002/SHEHZAD NOORANI
La humanidad necesita agua
Una gota de agua es flexible. Una gota de agua es poderosa. Una gota de agua es más necesaria que nunca.
El agua es un elemento esencial del desarrollo sostenible. Los
recursos hídricos, y la gama de servicios que prestan, juegan un papel
clave en la reducción de la pobreza, el crecimiento económico y la
sostenibilidad ambiental. El agua propicia el bienestar de la población y
el crecimiento inclusivo, y tiene un impacto positivo en la vida de
miles de millones de personas, al incidir en cuestiones que afectan a la
seguridad alimentaria y energética, la salud humana y al medio
ambiente.
En la actualidad más de 663 millones de personas viven sin
suministro de agua potable cerca de casa, lo que les obliga a pasar
horas haciendo cola o trasladándose a fuentes lejanas, así como a hacer
frente a problemas de salud debido al consumo de agua contaminada.
«¿Por qué desperdiciar agua?»
Este año, nos concentramos en el desperdicio del agua y en cómo
reducir y reutilizar hasta un 80% del agua que malgastamos en nuestras
casas, ciudades, industrias y agricultura y que fluye de vuelta a la
naturaleza, contaminando el medio ambiente y perdiendo nutrientes
valiosos.
Necesitamos aumentar la recolección y tratamiento de las aguas
residuales y reciclarlas de una forma segura. Al mismo tiempo,
necesitamos reducir la cantidad de agua que contaminamos y malgastamos
para ayudar a proteger el medio ambiente y los recursos hídricos.
El Objetivo de Desarrollo número 6
Garantizar la disponibilidad de agua y su gestión sostenible y el
saneamiento para todos, incluye una meta de reducir a la mitad la
proporción de agua dilapidada y aumentar su reciclaje.
Datos destacados
Mundialmente, más del 80% de las aguas residuales que generamos vuelve a los ecosistemas sin ser tratada ni reciclada.
1800 millones de personas usan una fuente de agua contaminada por
material fecal, poniéndolas en riesgo de contraer el cólera, la
disentería, el tifus o la polio. El agua no potable, y unas pobres
infraestructuras sanitarias, así como la falta de higiene, causa
alrededor de 842 000 muertes al año.
Las oportunidades de explotar las aguas residuales como un recurso
son enormes. El agua tratada de una forma segura es una fuente
sostenible y asequible de agua y energía, así como para obtener
nutrientes y otros materiales recuperables.
El Día Mundial del Agua está coordinado por UN-Water,
un mecanismo de colaboración de la ONU para temas relacionados con el
agua potable en el que participan gobiernos y otras entidades.
No dia 25 de março, sábado, acontece a Hora do Planeta, que ressalta
a importância de ações individuais e coletivas em prol do planeta. E
nesse dia, o WWF-Brasil, em parceria com o Instituto Mar Adentro,
mobiliza voluntários para limpar a praia de Copacabana, no Rio de
Janeiro, e organiza o 1º Mutirão de Limpeza de Praia, o Clean Up. Ele
acontece entre os Postos 5 e 6, entre 8h e 11h.
Em seguida à catação de micro lixo, atividade fundamental para
elaboração de um relatório gravimétrico do trecho de areia em questão
para ser encaminhado para os órgãos ambientais, e o corpo a corpo, às
11h haverá o encerramento das atividades com um “abraçaço” ao mar, que
começará no Posto 6 e se expandirá. As pessoas darão as mãos para criar
uma corrente de desejos positivos para o oceano.
Esse será o primeiro Clean Up de 2017, seguido de dois eventos desse
tipo no Arquipélago das Cagarras, um em junho e outro no segundo
semestre, com mergulhadores retirando o plástico direto do fundo do
oceano.
Ação Voluntária A intenção do projeto é buscar aumentar a
conscientização sobre o meio ambiente marinho, engajando a comunidade
para que participe na preservação e proteção da natureza, aderindo às
atividades de limpeza de praia e à prática da coleta seletiva. E para
isso, é fundamental a parceria da própria comunidade: a ideia é reunir
500 voluntários que atuarão como agentes do bem, recolhendo micro lixos
da praia e auxiliando na educação ambiental no local, conversando com o
público presente sem distribuir qualquer papel, abordando a problemática
sobre o abandono de lixo no mar, problemas sobre a fauna e a flora
marinha e a importância da coleta seletiva.
Hoje, dia 13 de março, o WWF-Brasil e o time de parceiros abre as
inscrições para a ação de voluntariado. Para se inscrever, basta acessar
olinke preencher o documento.
Comunidade ativa
O evento, que faz parte do projeto Conhecer para Preservar, é uma
parceria entre WWF-Brasil e Instituto Mar Adentro, que atuam juntos para
a preservação marinha desde 2016, com mutirões de limpeza como esse,
cursos para a comunidade, ações com o público infantil e monitoramento
de cetáceos (baleias e golfinhos) e de aves marinhas.
No local, também haverá a venda de produtos reciclados do plástico, por
meio do projeto Remolda, que faz parte da campanha Plástico Vale Ouro do
WWF-Brasil e busca reduzir a chegada de plástico na Baía de Guanabara
promovendo desenvolvimento social para comunidades locais.
Essa ação conta com o apoio e a participação do Movimento Lixo Zero,
Colônia de Pescadores Z13, do Rio Eu Amo Eu Cuido, BG500, Projeto
Aruanã, Projeto Praia para Todos, Meu Copo Eco, Instituto IEVA,
Movimento Clean Up The World, Eco Eduque, Verde Mar, Mergulho
Consciente, G BioTra, X-CAm, Jornal O Posto 6 Sanatto (empresa de
coleta), Biscui, Rainha e Flor de Copa (restaurantes), Clube Carioca
VA´A, O Treino, Da Selva Sup, Street Runners, Natação no Mar
(consultorias esportivas), Associação Brasileira do Lixo Marinho e
Associação de Stand Up Paddle.
Sobre o WWF-Brasil O WWF-Brasil é uma organização não governamental
brasileira dedicada à conservação da natureza, com os objetivos de
harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e
promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos
de hoje e das futuras gerações. Criado em 1996, o WWFBrasil desenvolve
projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede mundial
independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100
países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e
voluntários.
Serviço: Clean Up– Mutirão de Limpeza Data: 25 de março Horário: 8h às
11h Local: Praia de Copacabana (trecho entre os postos 5 e 6) –
concentração na Colônia de Pescadores do Posto 6 Evento no
Facebook:https://www.facebook.com/events/108273499672088/ Hashtag:
#conhecerparapreservar Inscrições aqui.
Qualquer semelhança com a Terra é mera coincidência: à esquerda é como
os cientistas imaginam que Marte era no passado; à direita, como ele é
hoje.[Imagem: NASA]
Terraformação
Seus próprios criadores reconhecem que se trata de uma estratégia que
pode parecer obra de ficção científica, mas eles acreditam que já é
possível sonhar com esse efeito de terraformação.
Cientistas da Nasa dizem que Marte poderia ser habitável caso fosse criado artificialmente algo que a Terra já tem: um campo magnético protetor.
Esse escudo é essencial para evitar o impacto da radiação e dos
ventos solares, que assolam continuamente a atmosfera dos planetas.
De acordo com pesquisadores da Divisão de Ciência Planetária da Nasa,
pode ser possível gerar um campo semelhante ao redor do Planeta
Vermelho.
De olho no passado
Hoje, Marte é um planeta dominado pelos extremos. A falta de
atmosfera faz, por exemplo, com que a temperatura média seja de -63°C,
mas com variações que vão de 35°C durante o dia até -140°C durante a
noite.
Mas o Planeta Vermelho era muito diferente no passado: dados das
missões Maven, da Nasa, e Mars Express, da ESA (agência espacial
europeia) sugerem que ele tinha um campo magnético natural.
Essa proteção sumiu há cerca de 4,2 bilhões de anos, eventualmente
pelo resfriamento do núcleo do planeta. Como resultado, a atmosfera
marciana desapareceu gradualmente ao longo do tempo, varrida pelo vento
solar. Na Terra, a magnetosfera impede essa varrição cósmica.
O que os pesquisadores propõem, então, é recuperar a atmosfera
marciana usando tecnologia para criar uma magnetosfera artificial e
restaurar o planeta Marte do passado, com sua atmosfera, temperaturas
mais altas e eventualmente até com parte de seus antigos oceanos.
Campo magnético artificial protegeria Marte da radiação e dos ventos solares. [Imagem: NASA]
Campo magnético
"No futuro, é bem possível que ela (a tecnologia) possa gerar um
campo magnético de 1 a 2 Teslas contra o vento solar", disse Jim Green,
da divisão de ciência planetária da Nasa.
Green e seus colegas propõem a instalação de um dipolo magnético, na
forma de um satélite, para que ele acompanhe o planeta em sua órbita,
protegendo-o. Um dipolo é um elemento específico que produz um campo
magnético dipolar (dois polos magnéticos opostos).
De acordo com as simulações, um campo magnético implantado no ponto
de Lagrange L1 - ponto de equilíbrio gravitacional entre Marte e o Sol -
seria capaz de ampliar a espessura da atmosfera e produzir um aumento
da temperatura em 4°C.
Marte é um planeta de condições extremas: as temperaturas vão de -130°C a 35°C. [Imagem: NASA]
Colônia humana
O aumento na temperatura do planeta é bem menor do que os cientistas
esperavam, mas eles acreditam que o efeito poderia se multiplicar.
O aumento da temperatura, por sua vez, poderia derreter o dióxido de
carbono no polo norte do planeta. E isso criaria um efeito estufa que
aumentaria ainda mais a temperatura até alcançar condições compatíveis
com a presença de água no estado líquido.
"Uma atmosfera marciana com maior temperatura e pressão permitiria
que houvesse água em estado líquido suficiente na superfície para
melhorar a exploração humana na década de 2040", disse Green.
Para ele, se fosse criado um campo magnético artificial, "as novas
condições em Marte permitiriam que os pesquisadores e exploradores
estudassem o planeta com muito mais detalhes. E se isso for alcançado...
a colonização de Marte não estará muito longe."
Quando Marte perdeu o campo magnético, sua atmosfera foi progressivamente eliminada. [Imagem: NASA]
Cautela
Apesar do entusiasmo com a ideia, trata-se ainda de um conceito, e a
equipe reconhece que este primeiro estudo está longe de oferecer as
soluções definitivas para prover habitabilidade em Marte.
As simulações não contam com dados suficientes para prover cenários
confiáveis sobre como o escudo artificial impactaria o clima marciano.
E, principalmente, a tecnologia para a geração do campo magnético ainda
está por ser desenvolvida.
Em discursos, executivos da NASA insistem em uma presença humana em
Marte na década de 2030, mas mesmo os planos mais detalhados para colocar o homem em Marte em 2039 ainda não estão em andamento.
O GOES-R é considerado o satélite meteorológico mais avançado do mundo. [Imagem: NASA]
Satélite mais avançado do mundo
Descrito como o "satélite meteorológico mais avançado do mundo", o
GOES-R foi lançado ao espaço com a promessa de monitorar de perto
eventos extremos como tufões, tornados, nuvens de cinzas vulcânicas e
tempestades de raios, além de eventos do clima espacial, como
tempestades solares.
Segunda a agência NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration),
o primeiro GOES-R, que custou US$ 1 bilhão, coletará dados dos céus
cinco vezes mais rápido e com uma resolução quatro vezes maior do que
seus antecessores.
De particular interesse da aviação, o satélite deverá fornecer os
primeiros mapas tridimensionais das "ondas de nuvens" que provocam
turbulência durante os voos, e que são mais difíceis de prever do que as
tempestades de raios.
Isto significa que os raios intra-nuvens serão monitorados em tempo
integral, graças a um equipamento que consegue enxergar abaixo das
nuvens cirrus, que obscurecem a visão de outros satélites.
O satélite também acompanhará a formação de neblina, tempestades de poeira, erupções vulcânicas e incêndios florestais.
Previsão do tempo em segundos
Quando os primeiros dados estiverem disponíveis, o que deverá ocorrer
a partir da segunda metade de 2017, a expectativa é que a velocidade na
coleta de dados dê aos pilotos informações suficientes para que eles
alterem suas rotas para evitar zonas de turbulência e outros fenômenos
de maior risco.
Essa velocidade de varredura da atmosfera significa que os dados
sobre o que está acontecendo na atmosfera serão disponibilizados em
poucos segundos, em vez de cerca de uma hora, como ocorre atualmente.
Regiões específicas onde estejam ocorrendo tempestades terão dados
atualizados a cada 30 segundos. A região continental dos EUA terá dados a
cada 5 minutos, e o ocidente como um todo, incluindo a maior parte da
Europa, terá atualizações a cada 15 minutos.
A produtividade das microalgas pode ser de dez a 100 vezes maior do que
de cultivos agrícolas tradicionais.[Imagem: Embrapa/Vivian Chies]
Conversão de efluentes
A Embrapa Agroenergia identificou espécies de microalgas que podem
ser cultivadas em resíduos líquidos de processamento em agroindústrias,
transformando os efluentes em matéria-prima renovável para
biocombustíveis, rações, cosméticos e vários outros produtos.
A pesquisa, que durou três anos, investigou efluentes como a vinhaça,
formada na produção de açúcar e etanol de cana-de-açúcar, e o pome,
gerado no processamento de dendê, aproveitado na fertirrigação das
plantações.
Em vez das utilizações atuais, passar a utilizar esses efluentes como
meio para produzir as microalgas deverá agregar valor às cadeias
produtivas da cana e do dendê, produzindo mais biomassa e óleo para
obter energia e bioprodutos.
Genética para aumentar produtividade
Já existem pelo menos quatro empresas no Brasil produzindo
microalgas: duas no Nordeste, com foco em nutrição humana e animal, e
duas no interior de São Paulo, atendendo indústrias de cosméticos e
também de rações, além de projetos para tratamento de efluentes.
Um maior avanço do setor depende do desenvolvimento de tecnologias
sobretudo para a redução do custo de produção. Isto é essencial para
alcançar mercados que necessitam de grandes volumes e de preços baixos,
como é o caso dos biocombustíveis - um estudo encomendado pelo governo
dos Estados Unidos mostrou que o uso de linhagens modificadas
geneticamente chega a reduzir em 85% o custo de produção.
O primeiro trabalho da equipe da Embrapa visava encontrar espécies de
microalgas capazes de crescer na vinhaça, em ambientes industriais e em
biomas brasileiros (Amazônia, Pantanal e Cerrado). Duas espécies foram
identificadas que podem ser cultivadas nesse efluente, com bom
rendimento - uma delas era desconhecida pelos cientistas. A análise dos
componentes da biomassa das duas microalgas indica maior concentração de
carboidratos e de proteínas do que de lipídeos e carotenoides, que as
tornam mais adequadas para a produção de etanol do que de biodiesel -
além dos biocombustíveis, elas podem ser utilizadas na fabricação de
rações.
As duas espécies selecionadas realizam fotossíntese, mas também
utilizam a matéria orgânica da vinhaça para crescer. Não chegam a
reduzir significativamente a carga orgânica e, por isso, não podem ser
utilizadas isoladamente para tratamento do efluente. Mas possibilitam
que a vinhaça seja usada para fertirrigação de canaviais após a retirada
das microalgas.
A equipe da Embrapa e de várias universidades está empenhada agora em
construir ferramentas que permitam a modificação genética das espécies
selecionadas para crescimento na vinhaça e no pome, com o objetivo de
potencializar o rendimento das microalgas.
Microalgas
As microalgas são organismos unicelulares e microscópicos que vivem
em meios aquáticos e têm característica curiosa: não são plantas, mas
são capazes de realizar fotossíntese e de se desenvolver utilizando luz
do Sol e gás carbônico. Reproduzem-se muito rapidamente, proporcionando
grande quantidade de óleo e de biomassa. A produtividade pode ser de dez
a 100 vezes maior do que a de cultivos agrícolas tradicionais. Isso
chamou a atenção de setores que necessitam de grandes quantidades de
matéria-prima, como os biocombustíveis.
Os óleos produzidos por algumas espécies de microalgas quase sempre
contêm compostos muito valiosos como, por exemplo, ômega 3 e
carotenoides. Por isso, elas também encontram espaço em indústrias que
atendem nichos de mercado e pagam mais caro por matérias-primas com
propriedades raras. É o caso dos cosméticos e dos suplementos
alimentares.
Agora, o grupo substituiu o hidrogel semicondutor que eles haviam
usado para construir os fios e transistores por um material
especialmente projetado e otimizado para a bioeletrônica.
O material demonstrou seu potencial ao polimerizar no interior de uma
roseira sem qualquer indutor externo. Ele é sugado pela planta, como se
fosse água, e então endurece depois de seguir pelos canais naturais do
vegetal.
O líquido que fluiu para dentro da rosa criou longos fios condutores,
não só na haste da flor, mas em toda a planta, incluindo as pétalas e
as folhas.
Os
fios que formam o sistema de armazenamento de energia formam-se nos
veios naturais da planta. [Imagem: Eleni Stavrinidou et al. -
10.1073/pnas.1616456114]
Planta-bateria
Devido às características do material polimérico, a rede de fios que
se estrutura no interior da planta forma um supercapacitor, um
dispositivo de armazenamento de eletricidade.
"Nós conseguimos carregar a rosa repetidamente por centenas de vezes,
sem qualquer perda no desempenho do dispositivo. Os níveis de energia
armazenada que alcançamos são da mesma ordem de magnitude que as dos
supercapacitores. A planta pode, sem qualquer forma de otimização do
sistema, alimentar uma bomba de íons, por exemplo, e vários tipos de
sensores," explicou a pesquisadora Eleni Stavrinidou, da Universidade de
Linkoping.
A pesquisa está em estágio inicial e experimentos adicionais serão
necessários para verificar se os supercapacitores poderão conviver
pacificamente com as plantas - em caso positivo, a equipe terá criado
uma técnica promissora para a colheita de energia, eventualmente lançando as bases para a criação de células de combustível no interior de plantas.
Bibliografia:
In vivo polymerization and manufacturing of wires and supercapacitors in plants Eleni
Stavrinidou, Roger Gabrielsson, K. Peter R. Nilsson, Sandeep Kumar
Singh, Juan Felipe Franco-Gonzalez, Anton V. Volkov, Magnus P. Jonsson,
Andrea Grimoldi, Mathias Elgland, Igor V. Zozoulenko, Daniel T. Simon,
Magnus Berggren Proceedings of the National Academy of Sciences Vol.: 114 no. 11 - 2807-281 DOI: 10.1073/pnas.1616456114