sexta-feira, 21 de abril de 2017

Finalmente: Um impermeabilizante que dura

Finalmente: Material repelente à água que se autoconserta
O material resistiu a todos os tipos de ataque que os pesquisadores conseguiram imaginar, permanecendo hidrofóbico. [Imagem: Joseph Xu/University of Michigan]
Resiste a quase tudo
Embora vários materiais super-hidrofóbicos - altamente repelentes à água - venham sendo sintetizados ao longo dos anos, poucos deles passaram dos laboratórios para as prateleiras por que eles perdem sua super-hidrofobicidade muito facilmente, principalmente pelo atrito.
Sabendo disso, Kevin Golovin e Anish Tuteja, da Universidade de Michigan, nos EUA, partiram para fabricar um material repelente à água que fosse capaz de se autoconsertar depois de sofrer algum dano.



O resultado saiu melhor do que o esperado.
O novo material resistiu com galhardia a testes de resistência que incluíram abrasão com pedra de esmeril, riscamento com ferramentas metálicas, fogo, jato de plasma, dobradura, sonicação e ataques químicos.



"A maioria dos pesquisadores de ciência de materiais tem-se concentrado na identificação de um sistema químico específico que seja tão durável e repelente à água quanto possível. Nós abordamos o problema de forma diferente, medindo e mapeando as propriedades químicas básicas que dão durabilidade ao revestimento repelente à água. E alguns dos resultados nos surpreenderam," confessou Golovin.



Durabilidade e autoconserto
O que Golovin descobriu é que, ainda mais importante do que a durabilidade, é uma propriedade chamada "miscibilidade parcial", ou a capacidade de duas substâncias para se misturarem parcialmente. A outra variável-chave que a equipe descobriu é a estabilidade da superfície repelente à água.



Quase todos os revestimentos repelentes de água funcionam porque sua superfície tem uma geometria muito específica, geralmente pilares microscópicos. As gotas caem nas pontas destes pilares, criando bolsas de ar por baixo que impedem que a água alcance uma superfície sólida onde possa assentar, o que mantém as gotas coesas e faz com que rolem. Mas essas superfícies tendem a ser frágeis, e uma abrasão fraca - até mesmo a própria pressão da água - pode danificá-los.



Golovin descobriu que uma superfície que seja ligeiramente flexível pode escapar dessa armadilha. Mesmo que pareça menos durável, suas propriedades flexíveis lhe permitem recuperar-se dos danos - os testes mostraram que o material se autorrepara centenas de vezes.

Finalmente: Material repelente à água que se autoconserta
No detalhe, o teste realizado na superfície do material depois de uma forte abrasão. [Imagem: Kevin Golovin et al. - 10.1021/acsami.6b15491]
Já para o mercado
Dado o interesse de empresas na pesquisa, a equipe estima que seus revestimentos duráveis estarão disponíveis para uso até o final deste ano para aplicações que incluem tecidos repelentes à água e revestimentos e impermeabilizantes por pulverização (spray) que poderão ser adquiridos diretamente pelos consumidores.

Mais no futuro, eles esperam que possam atender a aplicações que estão na lista de espera há mais tempo, como revestir cascos de navios e fuselagens de aviões, mudando o perfil desses setores de transporte.
Bibliografia:

Designing self-healing superhydrophobic surfaces with exceptional mechanical durability
Kevin Golovin, Mathew Boban, Joseph M. Mabry, Anish Tuteja
Applied Materials & Interfaces
Vol.: 9 (12), pp 11212-11223
DOI: 10.1021/acsami.6b15491

OutoBot: Um robô para limpar e pintar edifícios


OutoBot: Robô limpa e pinta edifícios
Sem os trabalhadores, a gôndola ficou mais leve, consumindo menos energia.[Imagem: NTU]
 
Manutenção robótica
Engenheiros da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, criaram o OutoBot, um sistema robotizado de manutenção para trabalhar nas áreas externas dos edifícios.
O robô pode limpar o exterior dos edifícios, por meio de jatos de água, e aplicar novas camadas de tinta - tudo de forma automática e contínua.

A parte principal do OutoBot é um braço robótico com seis graus de liberdade. Uma câmera faz uma varredura da superfície para identificar quais áreas podem receber o jato de água e quais deverão receber a tinta.

Enquanto o esquema tradicional exige uma equipe de cinco trabalhadores - um no solo, um no telhado e três na gôndola -, o OutoBot exige apenas um operador no solo.

"Usando nosso robô, nós demonstramos que um emprego intensivo em trabalho pode ser transformado em um que pode ser facilmente executado por um trabalhador mais velho, e ao mesmo tempo eliminando o risco dos trabalhadores que precisam trabalhar nas alturas," defende-se o professor Dennis Lim quanto ao desemprego gerado por sua criação.

"Nosso objetivo é tornar a limpeza e a pintura de prédios mais fáceis, mais seguras e mais econômicas. O robô também é mais preciso e mais eficiente, minimizando desperdício e poupando tinta," acrescentou seu colega Chen I-Ming.

OutoBot: Robô limpa e pinta edifícios
Os engenheiros optaram pela pintura a ar-comprimido, controversa para uso em edifícios por espalhar tinta pela vizinhança. [Imagem: NTU]
 
Sem os trabalhadores, foi possível também reduzir o peso da gôndola, que exige apenas metade da energia necessária para movimentar o sistema tradicional.

A dupla afirma que seu robô já foi testado em um edifício da universidade e está pronto para ir ao mercado.

Telhado extra dá eficiência energética à casa


Como um telhado extra pode mudar a eficiência energética de uma casa
O segredo da eficiência energética está no telhado adicional em formato de V.[Imagem: University of Malaya]
 
Casa energeticamente eficiente
O professor Wen Tong Chong, da Universidade da Malásia, acredita ter encontrado o projeto ideal para uma casa mais ambientalmente correta em regiões tropicais.

Seu objetivo foi obter um equilíbrio entre um "conflito ambiental" que incomoda os arquitetos: como conciliar a crescente demanda de conforto, com seu natural consumo de energia, e a necessidade de reduzir o consumo de energia por conta das mudanças climáticas.

Usar fontes renováveis de energia e aproveitar as variações naturais do clima parece ser uma resposta adequada, mas falar é mais fácil do que fazer.

Chong então idealizou um telhado superior em formato de V, que se projeta acima do telhado tradicional, criando as condições para gerar energia e aproveitar a iluminação natural.

Telhado inteligente
A estrutura em V coleta o vento e o dirige para uma série de turbinas situadas logo abaixo, gerando eletricidade.

A estrutura também aumenta o fluxo de ar dentro da casa por meio de aberturas construídas no telhado tradicional, melhorando a ventilação natural.

Além disso, um coletor de água da chuva é conectado a um sistema automatizado de resfriamento e limpeza que lava as células solares embutidas no telhado secundário, para manter seu nível de eficiência.

Finalmente, claraboias transparentes iluminam as áreas principais dentro da casa durante o dia, reduzindo a necessidade de iluminação artificial.
Como um telhado extra pode mudar a eficiência energética de uma casa
A estrutura conta com geradores eólicos, painéis solares com limpeza automática, coletores de água da chuva e tetos solares. [Imagem: University of Malaya]
 
Ganhos energéticos
Chong afirma que seu telhado adicional poderia suprir as necessidades de uma família de seis pessoas, gerando 21,20 quilowatts (kWh) de energia, e economizando outros 1,84 kWh por conta dos tetos solares.

Além disso, o sistema de ventilação poderia movimentar, em termos anuais, cerca de 217 milhões de metros cúbicos de ar e reduzir as emissões de dióxido de carbono em 17.768 quilogramas, enquanto o coletor de água da chuva poderia coletar cerca de 525 metros cúbicos de água.

Rumo ao cérebro artificial, sinapses eletrônicas já aprendem sozinhas

Rumo ao cérebro artificial, sinapses eletrônicas já aprendem sozinhas
Impressão artística da sinapse eletrônica: as partículas representam elétrons que circulam através de um óxido, em analogia com os neurotransmissores nas sinapses biológicas. O fluxo de elétrons depende da estrutura do domínio ferroelétrico do óxido, que é controlada por pulsos elétricos. À direita, estrutura do componente real.[Imagem: Sören Boyn/CNRS/Thales]

Aprendizado de máquina autônomo
Pesquisadores franceses criaram uma sinapse artificial capaz de aprender sozinha, sem que os humanos precisem se dedicar ao tedioso trabalho de treiná-la para que ela aprenda a executar suas funções.

Este é um passo importante para a criação de circuitos biomiméticos mais complexos, inspirados no funcionamento do cérebro.

O processo de aprendizagem do cérebro está ligado às sinapses, que servem de ligação entre os neurônios. Quanto mais a sinapse é estimulada, mais a conexão é reforçada, melhorando a aprendizagem.

Soren Boyn e seus colegas do CNRS imitaram esse conceito usando um tipo especial do já bem conhecido memoristor, um componente que também consegue se lembrar das correntes elétricas que já o percorreram anteriormente, o que faz com que ele funcione como uma espécie de sinapse artificial.


O que a equipe conseguiu fazer de novidade foi desenvolver um modelo físico capaz de prever como a sinapse artificial irá funcionar. Esse entendimento do processo, escrevem eles, tornará possível criar sistemas mais complexos e "máquinas mais inteligentes", tirando proveito de uma série de memoristores interconectados.

"Com base neste modelo físico, nossas simulações mostram que as matrizes de nano-sinapses ferroelétricas podem aprender autonomamente a reconhecer padrões de forma previsível, abrindo o caminho para a aprendizagem não-supervisionada em redes neurais," escreveu a equipe.


Câmera inteligente
O próximo passo será testar se o modelo funciona realmente e, para isto, o grupo está trabalhando em um conceito inovador de uma câmera que será dotada de um sensor inteligente, que aprenderá como lidar com a luz.


Se tudo funcionar como eles planejam, os píxeis do sensor da câmera ficarão inativos até que detectem uma mudança no ângulo de visão, quando então se ativarão autonomamente.
Os ganhos esperados são que a câmera leve menos tempo para detectar objetos selecionados e consuma menos energia, já que os píxeis ficarão mais desligados do que ligados.


Bibliografia:

Learning through ferroelectric domain dynamics in solid-state synapses
Sören Boyn, Julie Grollier, Gwendal Lecerf, Bin Xu, Nicolas Locatelli, Stéphane Fusil, Stéphanie Girod, Cécile Carrétéro, Karin Garcia, Stéphane Xavier, Jean Tomas, Laurent Bellaiche, Manuel Bibes, Agnès Barthélémy, Sylvain Saïghi, Vincent Garcia
Nature Communications
Vol.: 8: 14736
DOI: 10.1038/NCOMMS14736

Fogo na várzea ameaça a toda floresta


Por Vandré Fonseca
Igapós atingidos pelo fogo no Rio Cuiuini, Bacia do Rio Negro, Amazonas. Floresta alagada demora mais para se recuperar após incêndios e permanece mais vulnerável. Crédito: Bernardo Flores.
Igapós atingidos pelo fogo no Rio Cuiuini, Bacia do Rio Negro, Amazonas. Floresta alagada 
demora mais para se recuperar após incêndios e permanece mais vulnerável. 
Crédito: Bernardo Flores.

Manaus, AM -- Igapós e várzeas amazônicas são mais susceptíveis aos danos provocados por incêndios ao longo do tempo do que a floresta em terra firme. Esta é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo biólogo brasileiro Bernardo Flores, com a colaboração de outros pesquisadores, na revista científica Proceedings of National Academy of Science (PNAS). O autor aponta ainda que este é um fator de risco até mesmo para regiões da Amazônia hoje consideradas mais protegidas dos impactos do aquecimento global.

No artigo, produzido durante o doutorado de Flores na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e na Wageningen University da Holanda, ele usou um mapa das áreas da Amazônia que durante parte do ano ficam submersas e comparou a cobertura de árvores destes locais com a floresta de terra firme. Enquanto as árvores cobrem cerca de 93% da área em florestas de terra firme, nas áreas alagáveis esse percentual é de 66%. “Você tem cinco vezes mais chances de ter uma savanização, ou seja, é substituída por uma vegetação mais aberta, com menos árvores, nas áreas alagáveis do que na terra firme”, afirma o pesquisador.

Em um estudo anterior, concluído em 2011, Bernardo Flores já havia demonstrado a fragilidade das florestas de igapó, áreas inundáveis, diante incêndios florestais. Na vazante do rio, o material orgânico depositado no chão ao longo destas áreas seca e pode se tornar combustível para grandes incêndios. Basta a ignição. E o fogo pode atingir também as áreas mais altas.
Crédito: Bernardo Flores.
Crédito: Bernardo Flores.

As regiões úmidas na Amazônia são mais vulneráveis também a redução das chuvas. De acordo com Flores, estudos indicam que a floresta de terra firme pode sofrer o processo de savanização quando chuvas caem a cerca de 1 mil milímetros anuais, nas áreas alagadas esse processo ocorre mesmo com um clima mais úmido, com 1,5 mil milímetros anuais. Em Manaus, por comparação, as chuvas anuais geralmente ficam em torno de 2,2 mil milímetros.

Flores alerta que os impactos sofridos pelas áreas inundáveis podem se espalhar por toda floresta amazônica. Ele explica que as várzeas e igapós acompanham justamente os rios que formam a Bacia Amazônica e se concentram principalmente no centro e a oeste, podem ser um caminho para que a degradação avance até regiões bem protegidas. “Isso aumenta as chances das chamas se espalharem onde as florestas hoje são consideradas mais resilientes, afetando a resiliência de toda a Amazônia”, afirma.

Outras duas consequências importantes da degradação das áreas alagáveis são destacadas pelo pesquisador: uma para a atmosfera e outra para a economia e sustento de populações amazônicas. Várzeas e igapós são um ambiente importante para os peixes, que durante a cheia encontram alimento, como frutos, nessas áreas. A perda destes habitats, segundo Flores, pode afetar toda a cadeia alimentar. Além disso, a perda de árvores significa também redução nos estoques de carbono e consequente aumento de gases de efeito estufa.

Saiba Mais
Artigo: “Floodplains as an Achilles’ heel of Amazonian forest resilience,” by Bernardo Flores et al.

Parque que pode ser extinto abriga fazendas de Padilha


Por Daniele Bragança
A exuberância da paisagem do Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, que poderá deixar de ser área protegida. Foto: Renato Moreira/Wikiparques.
A exuberância da paisagem do Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, que poderá deixar de ser área
 protegida. Foto: Renato Moreira/Wikiparques.


Na noite de ontem (19), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou, em primeira votação, a extinção do Parque Estadual Serra Ricardo Franco, criado há 20 anos. Parte da área protegida de 158,6 mil hectares é ocupado por grileiros e por donos legítimos da terra. O governo iniciou um levantamento para separar quem era dono antes de criação da unidade e quem era invasor. O objetivo era regularizar a situação fundiária do parque, mas os deputados estaduais resolveram acabar com a unidade e deixar todos por lá mesmo, donos legítimos e grileiros.


Um dos donos de fazendas dentro do parque é o atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), que possui quatro propriedades no local, como mostra uma reportagem do Cauê Ameni, no “De Olho nos Ruralistas”. Segundo a reportagem do “De olho nos Ruralistas”, elas foram adquiridas depois da criação do parque, entre 2006 e 2013. Existem outras fazendas no parque além dessas. Em 2015, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) começou a organizar as informações para saber quais propriedades existiam antes da criação do parque, e, portanto, eram de donos legítimos, e quais apareceram depois.


A ideia era expulsar os grileiros e regularizar os donos, ora indenizando, ora vendendo a propriedade para outros proprietários rurais que precisassem compensar a reserva legal que haviam desmatados. A regularização fundiária, que preservaria um dos parques mais importantes do estado, que abriga espécies endêmicas, cachoeiras e uma fauna riquíssima nem chegou a ser concluída: o legislativo estadual preferiu fabricar um decreto legislativo que simplesmente acaba com a área protegida.
Um decreto legislativo não necessita da assinatura do governador Pedro Taques (PSDB) para ser sancionado e nem pode ser vetado pelo Executivo.


Apresentado pelas “lideranças partidárias”, o decreto que susta a criação do Parque usa como justificativa já que a Unidade de Conservação é uma das mais desmatadas do estado, “não cumpriu os requisitos necessários para sua efetiva implantação” e, portanto, deve deixar de existir.
O decreto segue agora para a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR). De lá volta para o plenário onde haverá a votação em segundo turno. Caso aprovado pela segunda vez, o Parque Estadual Serra Ricardo Franco estará extinto.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Novas unidades de conservação em debate


RPPN Fazenda Renópolis. Foto: Acervo Fundação Florestal
RPPN Fazenda Renópolis. Foto: Acervo Fundação Florestal

Em meio a um infeliz esforço parlamentar para reduzir unidades de conservação ao redor do país, ainda há muitos projetos de ampliação de proteção de nossas áreas verdes prontos para sair do papel. E projetos que incentivam a criação de novas unidades. É o que demonstram as seguintes iniciativas nos estados de Goiás, Espírito Santo e São Paulo.

Goiás
Em 11/04, a Secretaria das Cidades e Meio Ambiente de Goiás (Secima) debateu a criação do  Parque  Estadual  da  Serrinha (GO), numa área com mais de 100 mil metros quadrados. Hoje completamente abandonada, a área poderá ser transformada com instalação de áreas de lazer, iluminação, trilhas e a preservação e conservação da flora. Durante a  reunião foram apresentados projetos como levantamento topográfico, projeto de paisagismo, projeto estrutural, projeto básico arquitetônico e urbanístico, comunicação visual, instalações elétricas e sanitárias, entre outros. A proposta será agora submetida à uma audiência pública.

Espírito Santo
Nos próximos dias 08 e 09/05, o município de Vitória, no Espírito Santo, realizará consultas públicas para apresentação das propostas e contribuições da população de duas novas unidades de conservação: a Área de Proteção Ambiental Baía das Tartarugas (ES), a primeira unidade de conservação marinha de Vitória com acesso público; e a recategorização da atual Reserva Ecológica Municipal da Mata Paludosa, último remanescente de Mata Paludosa (vegetação que marca a transição entre o manguezal e a restinga) do município.

O objetivo da proposta da área de proteção ambiental (APA) é a preservação do ambiente marinho através do ordenamento do uso, com o fim de evitar conflitos já abundantes na área da unidade de conservação: ela será vizinha de um dos maiores complexos minero-siderúrgicos do mundo, onde a pesca desordenada convive com poluição por esgoto e pó de minério. Ainda assim, a região é visitada por tartarugas marinhas e outras espécies ameaçadas de extinção, área de ocorrência de baleias jubarte, além de atrair cada vez mais praticantes de esportes marítimos.


A atual Reserva Ecológica Municipal da Mata Paludosa requer uma adequação ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). A nova unidade vai acrescentar à área da Reserva, o Parque Municipal da Fazendinha, e um outro fragmento de mata paludosa. A consulta pública sobre a APA Baía das Tartarugas está agendada para o 08/05, na sede do Iate Clube, na Praia do Canto. Já a da Mata Paludosa está marcada para o 09/05, na Escola Municipal Elzira Vivacqua, na Rua Italina Pereira Motta, nº 501, em Jardim Camburi. Ambas as reuniões começam às 19h00.

São Paulo
A Reserva Particular do Patrimônio Natural Fazenda Renópolis (SP), em Santo Antonio do Pinhal, sediará o seminário “Criação de RPPN e a Proteção das Microbacias”, em 06/06. O evento visa esclarecer ao público sobre vantagens e formas de se criar uma reserva particular do patrimônio natural (RPPN). Os interessados encontram a ficha de inscrição neste link: goo.gl/U78f5a .

Das 13h00 às 18h00, serão abordados assuntos como: pagamentos de serviços ambientais, importância das RPPNs para a proteção de microbacias e também trocas de experiências sobre o assunto. Também será discutido o processo de criação e implantação destas unidades de conservação. Mais informações podem ser obtidas aqui.

*Com informações da Secima, Século Diário e Fundação Florestal

Depois de sete anos de recuperação, peixe-boi da Amazônia é solta

Por Sabrina Rodrigues
Helena pesava 90kg e media 1,70m no momento da soltura. Foto: Amanda Lelis
Helena pesava 90kg e media 1,70m no momento da soltura. Foto: Amanda Lelis


Peixes-boi são bichos grandes. Eles pesam de 400 a 550 kg e o seu couro muito grosso é uma defesa, que desencoraja a maioria dos predadores. Os peixes-boi-amazônicos (Trichechus inunguis) foram caçados em escala industrial desde o Brasil Colônia e há registros de sua carne e óleo sendo exportados do então Grão Pará no século XVII. E hoje os peixes-boi continuam sofrendo com a caça desenfreada de seus algozes. Mas, o que será relatado nas próximas linhas trata-se de uma história real de sucesso pela preservação dessa espécie.


Levaram sete anos para que a peixe-boi Helena, que em 2010 foi levada ferida para o Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária, fosse devolvida sã e salva à vida em ambiente natural. No dia 13 de abril, Helena foi solta no Igarapé do Juá Grande, localizado na Reserva Mamirauá, unidade de conservação do Amazonas.


Durante esses sete anos, Helena recebeu os cuidados dos pesquisadores e técnicos do “Centrinho”, como é chamado o Centro de Reabilitação, que foi criado pelo Instituto Mamirauá, em 2008. Na época, quando encontrada ferida pelos moradores da região, a peixe-boi tinha cerca de três meses.
Helena passou por um processo de recuperação diferente dos demais animais que ficam cerca de dois anos em reabilitação. A longa duração dos seus cuidados deveu-se às condições nas quais ela foi encontrada, apresentando muitas sequelas devido aos ferimentos e quadro de infecção. Esse longo tempo foi necessário para que a peixe-boi tivesse plena capacidade para a vida livre. A peixe-boi faz parte de uma enorme história de recuperação e sucesso, que deixa os profissionais envolvidos nesse processo muito felizes.


"Ela teve uma melhora extraordinária. Chegou muito debilitada, ferida com uma flechada na mandíbula, que acabou comprometendo o nervo facial. Por isso, ela perdeu a visão de um olho, teve muita dificuldade até conseguir fechar completamente as narinas e principalmente a mastigação, dificuldade pra pegar a mamadeira e mordiscar as plantas. Digo extraordinária, porque, quando ela chegou, a gente não sabia se ia sobreviver, por causa desta dificuldade grande", explica Miriam Marmontel, pesquisadora do Instituto Mamirauá - unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.


O Igarapé do Juá Grande, na Reserva Mamirauá, onde Helena foi solta, não foi escolhido aleatoriamente. O local apresenta disponibilidade de vegetação para alimentação nesta época do ano, primeiro período de adaptação do peixe-boi na natureza, e tamém porque a área foi o reduto escolhido por Japurá, outro peixe-boi solto pelo Instituto Mamirauá, há dois anos. Há um otimismo entre os pesquisadores de que os dois animais se encontrem.


Antes da soltura, Helena foi pesada, medida e em sua cauda foi adaptado um cinto equipado com transmissor de sinais de rádio. O cinto emite um sinal que permite ser monitorado pelos pesquisadores em ambiente natural.


Esse foi o quinto evento de soltura de peixes-boi reabilitados pelo Instituto Mamirauá. Através do monitoramento, os pesquisadores buscam a compreensão de como os animais se movimentam na área e acompanham o desempenho de adaptação dos indivíduos em vida livre, fora do cativeiro.
Antes da soltura, é instalado um cinto que emite sinais de rádio que podem ser rastreados pelos pesquisadores. Foto: Amanda Lelis
Antes da soltura, é instalado um cinto que emite sinais de rádio que podem ser rastreados pelos
pesquisadores. Foto: Amanda Lelis
O peixe-boi foi transportado em uma lancha aos cuidados de veterinários até o local da soltura. Foto: Amanda Lelis  
O peixe-boi foi transportado em uma lancha aos cuidados de veterinários até o local da soltura. 
Foto: Amanda Lelis
Helena foi solta em um igarapé na Reserva Amanã. Foto: Amanda Lelis
Helena foi solta em um igarapé na Reserva Amanã. Foto: Amanda Lelis
O animal é monitorado por todo o procedimento pela equipe de pesquisadores, veterinários e técnicos. Foto: Amanda Lelis
O animal é monitorado por todo o procedimento pela equipe de pesquisadores, veterinários e
técnicos. Foto: Amanda Lelis

Nós sabemos o que pinguins fizeram no inverno passado

Por Vandré Fonseca*
Imagem da câmera de lapso de tempo mostra pinguins-gentoo em áreas de reprodução no inverno. Crédito: T. Hart.
Imagem da câmera de lapso de tempo mostra pinguins-gentoo em áreas de reprodução no inverno. 
Crédito: T. Hart.

Os pinguins-gentoo (Pygoscelis papua) do extremo sul da Península Antártida Ocidental não tinham como desconfiar, mas estavam sendo vigiados pela internet. Câmeras fotográficas espalhadas em sete locais de reprodução da espécie, na Argentina, Antártica e algumas ilhas, enviavam diariamente entre 8 e 14 fotografias para site Penguin Watch na internet, entre os anos de 2012 e 2014.

As imagens eram acompanhadas por um grupo de voluntários, cientistas-cidadãos que contavam os animais registrados. As fotografias retratam cerca de 1400 horas da vida dos pinguins, inclusive durante o rigoroso e escuro inverno antártico. Resultados do estudo foram publicados na edição desta quinta-feira no jornal científico The Auk: Ornithological Advances.

"Trabalhar com câmeras nos permite entender metade da vida desta espécie sem ter que passar o inverno rigoroso na Antártica”, afirma Caitlin Black, candidata ao doutorado pela Universidade de Oxford. Além dela, o artigo é assinado por Tom Hart, também de Oxford, e Andrea Raya Rey, do Conselho Nacional de Investigação Científica e Técnica da Argentina.

Pinguins-gentoo são as aves que nadam mais rápido no planeta, quando estão submersas, atingindo cerca de 36 quilômetros por hora. Além disso, enquanto outras espécies de pinguins estão em declínio naquela região, a população desta espécie continua a aumentar. Agora, os pesquisadores conhecem também hábitos dos animais não estão no período de reprodução e que são influenciados por alterações no clima e diferenças geográficas.
Montagem das câmeras. Estratégia para fugir do frio extremo e escuridão da Antártida. Crédito: T. Hart.
Montagem das câmeras. Estratégia para fugir do frio extremo e escuridão da Antártida. Crédito: T. Hart.

Graças a vigilância, eles descobriram, por exemplo, que as áreas de reprodução ficam mais povoadas quando estão em águas abertas ou geleiras que flutuam livremente do que em praias congeladas. Além disso, antes do período de reprodução, nestas áreas são encontrados mais animais do que após os animais procriarem.

De acordo com os pesquisadores, nas áreas polares, indivíduos de uma mesma espécie podem adotar estratégias diferentes de migração para sobreviver. O editor-chefe da revista Auk, Mark Hunter, que também é professor de Comportamento Animal na Faculdade Hunter e no Centro de Pós-Graduação da Universidade da Cidade de Nova York, destaca que na Antártida esses estudos são particularmente importantes devido aos longos períodos de escuridão que os animais enfrentam.

"Esta nova pesquisa publicada na Auk: Ornithological Advances em colônias de pinguins-gentoo revela diferenças críticas ano a ano, onde as aves estão quando não estão aninhando: em alguns anos, apenas os locais mais temperados são visitados, e em outros anos tanto Sul e Norte estão ocupados com pinguins ", afirma.

*com informações do serviço Eurekalert.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Mais de cem papagaios-de-cara-roxa nascem no Paraná


Por Sabrina Rodrigues
Biólogos do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa cadastram e monitoram os papagaios anualmente. Foto: Giovana Logulo.
Biólogos do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa cadastram e monitoram os 
papagaios anualmente. Foto: Giovana Logulo.


Os papagaios são as aves mais populares do Brasil e ao longo dos anos estão sofrendo com a diminuição da sua população. Os papagaios-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), por sua vez, já estiveram na categoria “vulnerável” da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, e agora, depois de muitos esforços e trabalho para a conservação da espécie, estão na categoria “quase ameaçado”.


E parece que esses esforços continuam apresentando resultados. Uma boa notícia vem da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS). O Papagaio-de-cara-roxa registrou um total de 116 novos nascimentos. Isso aconteceu entre setembro de 2016 a março de 2017.


O êxito reprodutivo, ou seja, o número de aves que se desenvolveram no ninho e conseguiram alçar voo, foi de 75 filhotes. Isso tudo graças aos ninhos artificiais instalados no litoral do Paraná pelos pesquisadores do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa, que monitora a população das aves desde 1998. Os trabalhos se deram em dois locais: no Paraná e em São Paulo. No primeiro estado, foram cadastrados 140 ninhos e monitorados anualmente. O trabalho contou com a ajuda de dois moradores da região. Já em São Paulo, a iniciativa teve o apoio da Fundação Grupo Boticário e da Fundação Loroparque, que contribuíram com uma busca incessante de ninhos ativos.


O papagaio de cara roxa é endêmico da Mata Atlântica e ocorre somente nos estados de São Paulo e Paraná. Em 1998, a ONG Sociedade de Pesquisa de Vida Selvagem (SPVS) começou as pesquisas e o monitoramento da ave. Em 2003, eles iniciaram a colocação de ninhos artificiais para facilitar a reprodução segura de filhotes. Os ninhos são feitos com madeira e PVC. “Os casais se adaptaram muito bem aos ninhos artificiais. Hoje temos quase 100% deles ocupados e estamos experimentando colocá-los também em São Paulo”, conta Sezerban.


Comunidade envolvida
Esse esforço é conjunto. Além da ONG e das instituições envolvidas, o projeto conta também com a ajuda preciosa da comunidade local. Atualmente, as ações atuam em seis municípios do litoral sul de São Paulo, com maior intensidade na Ilha Comprida, Cananéia, Iguape e Pariquera-Açu. “É surpreendente ver como a comunidade está envolvida. Alguns moradores mais antigos se dispõem a nos apresentar a região e nos auxiliam na localização e na proteção dos ninhos, o que está ajudando muito no trabalho em campo e na manutenção dos ninhos com filhotes registrados”, afirma Elenise Sipinski, coordenadora do projeto.
Ninhos artificiais. Foto: Arquivo SPVS
Ninhos artificiais. Foto: Arquivo SPVS
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Duende Lucas, o professor da criançada, ganha segundo livro


Por Duda Menegassi
lucasmanchete
O lúdico é uma ferramenta poderosa de aprendizado, ainda mais entre crianças. Ciente disso, o cartunista Léo Valença criou, em 2012, o personagem Lucas, um duende que desperta a consciência ecológica entre a criançada. De lá para cá, o cartunista percebeu o impacto positivo dos jogos educativos que propunha no “Almanaque Ecológico do Lucas”, e decidiu fazer um segundo livro para o duende, desta vez dedicado aos passatempos.
capa-1“Passatempos Ecológicos do Lucas” utiliza de caça-palavras, testes, cartuns, quadrinhos e curiosidades para transformar a educação ambiental em algo divertido. O conceito de edutainment, de unir educação com entretenimento, é o norte através do qual Léo Valença espera conscientizar as crianças sobre a importância de preservar o meio ambiente. O autor explica que as brincadeiras ecológicas têm como objetivo “promover ao máximo a interatividade, porque percebi que quanto maior a interatividade com a criança, mais esse conteúdo é bem-vindo e melhor ele é assimilado”.


O livro é publicado pelo sistema PoD, Print On Demand, ou seja, só é impresso por encomenda, o que evita o desperdício de papel e está disponível para compra através do site da editora.

Parlamentares modificam MP para permitir mineração em Parque no Pará

Por Daniele Bragança*
Deputados e senadores acertam os últimos detalhes do relatório da MP 758 antes da votação simbólica. Na foto, deputado Josué Bengtson (PTB-PA); senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA); relator José Reinaldo (PSB-MA) e senador Paulo Rocha (PT-PA). Foto: Roque de Sá/Agência Senado.
Deputados e senadores acertam os últimos detalhes do relatório da MP 758 antes da votação
simbólica.
Na foto, deputado Josué Bengtson (PTB-PA); senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA);
relator José Reinaldo (PSB-MA) e senador Paulo Rocha (PT-PA).

Foto: Roque de Sá/Agência Senado.


Um dia após aprovarem um texto recortando ainda mais a Floresta Nacional de Jamanxim, parlamentares membros de outra comissão mista votaram para desmembrar outras duas Unidade de Conservação do oeste do Pará: o Parque Nacional de Jamanxim e a Floresta Nacional de Itaituba II, que originalmente não estava na matéria. As mudanças beneficiam mineradores que exploram ouro na região.


Em dezembro, o governo Temer alterou, via Medida Provisória, os limites do Parque Nacional de Jamanxim. A mudança foi pontual: 862 hectares foram tirados para dar lugar a ferrovia Ferrogrão. Em compensação, o governo anexou 51 mil hectares de uma área pertencente à Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós no Parque. Após a ampliação, o parque passou a abrigar um território de 909 mil hectares e a APA do Tapajós passou de 2.039.580 hectares para 1.988.445 hectares. Isso até a Medida Provisória ir para o Congresso.


Após tramitar em uma comissão mista formada por deputados e senadores, a matéria foi descaracterizada. Foram apresentadas 7 emendas à proposta original em fevereiro. O relator, deputado José Reinaldo (PSB-MA), acatou parcialmente 4 emendas. A votação, feita em menos de 10 minutos na manhã desta quarta-feira (12), incluiu a diminuição na Floresta Nacional de Itaituba II e a criação de mais três Áreas de Proteção Ambiental: a APA de Rio Branco, a APA de Carapuça e a APA de Trairão.


Com as mudanças do relator, a chamada Medida Provisória da Ferrogrão ficou assim: 273 mil hectares do Parque Nacional do Jamanxim foram transformados nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Carapuça e Rio Branco e 71 mil hectares do Parque foram incorporados à Floresta Nacional do Trairão. As mudanças também atingem a Floresta Nacional Itaituba II, que teve 42% do seu território transformado na Área de Proteção Ambiental do Trairão (Veja Tabela).


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A criação e recategorização de unidades de conservação de categorias mais restritivas em APAs sinaliza a legalização de títulos de terra e de passivos ambientais do grosso dos proprietários de terra legítimos e invasores, já que essa a categoria de unidade de conservação mais branda do país. Um parque nacional, por exemplo, é uma unidade de 'Proteção Integral', onde só é permitido a visitação. Já uma Floresta Nacional é uma unidade de 'Uso Sustentável' cujo objetivo é a exploração de produtos florestais (madeiras, sementes, etc), mas não permite propriedades privadas dentro. Já uma APA, a mais branda de todas, comporta propriedades privadas e produção, com pouquíssimas restrições.


Na Medida Provisória 758, o governo aumentou a proteção da área no entorno da BR 163, ao anexar 51 mil hectares da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós no Parque Nacional de Jamanxim, uma categoria mais restritiva. Os parlamentares fizeram o movimento contrário: retiraram 442,865 mil hectares do Parque, sendo que 79% dessa redução foram para as APAs e 21% viraram floresta.
A criação das APAs, segundo admite o relator, deputado José Reinaldo, permitirá a continuidade de atividades mineradoras anteriores à criação de reservas ambientais com a justificativa de que “ali há investimentos muito grandes que não podem ser desconhecidos”.


O relator destacou ainda que os pequenos produtores rurais foram prejudicados com a criação das Unidades de Conservação em 2006, criadas para impedir o aumento de desmatamento ao longo da BR 163, que estava sendo asfaltada. Autor da emenda que cria a APA de Carapuça, o deputado Francisco Chapadinha (PTN-PA) afirmou que a mudança de categoria “concilia a continuidade das atividades produtivas com a preservação ambiental”.


A demanda no Congresso é recategorizar ou até sustar as Unidades que impedem o aumento da produção agropecuária e exploração mineradora no seio da Amazônia. 

O movimento ganhou força recentemente com a diminuição de áreas protegidas no Pará pelas Medias Provisórias 756 e 758. As modificações feitas pelos congressistas nos dois textos já atingem 1 milhão de hectares em pelo menos 5 unidades de conservação: nas Florestas Nacionais de Jamanxim e Itaituba II, nos Parques Nacionais do Jamanxim e São Joaquim e na Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo.


*Com informações da Agência Senado.

Agentes ambientais de Mamirauá pedem socorro


Por Vandré Fonseca
Pescadores usam botes para estender redes no interior de Mamirauá. Foto: Alex Chaffee/Flickr.
Pescadores usam botes para estender redes no interior de Mamirauá. Foto: Alex Chaffee/Flickr.
Manaus, AM --


 Agentes ambientais das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, interior do Amazonas, ainda aguardam medidas concretas para proteger estas duas Unidades de Conservação estaduais. Há duas semanas, uma comissão de agentes esteve em Manaus para denunciar crimes ambientais e pedir fiscalização na área. Como resultado, até agora, conseguiram uma audiência pública, para discutir as denúncias, no dia 4 de maio, no Ministério Público Federal.



Eles querem providências contra a pesca ilegal que ocorre nas Unidades de Conservação. Embora as embarcações não entrem nas reservas, segundo conta o presidente da Associação dos Agentes Ambientais, Lázaro Alcimar, pescadores usam botes para estender redes em lagos no interior das RDS. Apesar de alertarem pescadores sobre a proibição, os agentes ambientais afirmam não ter autoridade para impedir a atividade e se sentem amedrontado, porque muitos pescadores trabalham armados.


“Eles chegam no lago e conseguem colocar a malhadeira à noite e aproveitam o momento em que os agentes ambientais e os comunitários não estão na área”, conta Lázaro Alcimar. Os pescadores usam redes de até 100 metros, que muitas vezes se estendem de uma margem a outra do lago, de acordo com Alcimar.


A pesca ilegal prejudica, por exemplo, o manejo do pirarucu. Além de reduzir o estoque dos peixes em áreas dentro da reserva, a concorrência do produto ilegal afeta o mercado para o peixe manejado. “Tem prejudicado porque lá nas áreas têm manejo. Nessas áreas, dessas duas unidades, se faz manejo do pirarucu e de outras espécies”, conta o presidente da associação.


Os agentes ambientais denunciam também que uso de jacarés e botos para a pesca da piracatinga voltou a ocorrer na região, inclusive dentro das reservas. “Você vai lá no rio por onde a gente mora e de vez em quando bate aquele pedaço de jacaré morto, podre”, conta o agente ambiental Noé Parente da Paz, que vive na comunidade Barroso, margem esquerda do Rio Solimões. “Toda noite vão focar, vão nos lagos atrás de jacaré. A gente fica preocupado com isso, porque cada vez está aumentando mais. E nós não temos esse poder de ir lá e fazer a apreensão”, completa.


Mamirauá foi a primeira Reserva de Desenvolvimento Sustentável do estado do Amazonas. Foi criada em 1990, como Estação Ecológica, a partir de uma solicitação feita pelo primatólogo José Márcio Ayres ao governo federal. Ela ocupa 1,124 milhão de hectares, no Médio Solimões. Amanã surgiu um pouco depois, em 1998, e é ainda maior, possui 5,746 milhões de hectares (maior do que o estado da Paraíba) entre Mamirauá e o Parque Nacional do Jaú, na Bacia do Rio Negro.


“Nós, como agentes ambientais, fazemos nossa parte lá. Nós educamos, nós mobilizamos, nós trabalhamos na parte de mobilização social também”, afirma o agente ambiental Muniz Torda, que mora na comunidade de Vila Soares, Mamirauá, a vinte quilômetros da cidade de Uarini.  “Quando decreta uma reserva, o estado tem o dever de ajudar a cuidar e apoiar, principalmente na fiscalização”, defende.


De acordo com a comitiva, atualmente 124 agentes ambientais atuam nas RDS Mamirauá e Amanã, onde vivem mais de 20 mil pessoas. Em Manaus, em menos de uma semana, eles tiveram reuniões com Ibama, Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa e Ministério Público Federal. Apenas o Ministério Público Estadual deixou de responder aos pedidos de audiência.


E, por falta de tempo, não puderam apresentar a situação diretamente à Secretaria Estadual de Segurança.



Luís Sérgio dos Reis, agente ambiental da comunidade de Boa Esperança, no Lago Amanã, faz um apelo pelo futuro das reservas. “Se nós não garantirmos o futuro de quem está chegando e de quem vai chegar, vai se tornar uma dificuldade para sobreviver”, diz. “Porque nós estamos tirando o mais fácil e está ficando o mais difícil. Nós temos que garantir o futuro das pessoas e tem que ser hoje, porque amanhã pode ser muito tarde”.

Falha na legislação impede conversão de multas em serviços ambientais


Por Daniele Bragança
O fiscal José Brito chega a passar meses na Amazônia, revezando de equipes, durante a operação Onda Verde. Foto: Marcio Isensee e Sá
Foto: Marcio Isensee e Sá.



Proprietários rurais que desmataram ilegalmente encontram uma dificuldade para que suas multas sejam revertidas em serviços ambientais. O mecanismo, previsto timidamente pela primeira vez em 1990, poderia aumentar a regularização do passivo ambiental dos proprietários rurais, mas a falta de regulamentação impede a conversão das multas.


Além disso, em algumas situações, estas multas poderiam fazer parte de um programa de conversão especial, mas uma falha na redação do novo Código Florestal também impede que o programa seja adotado. É o que conclui um levantamento feito pelas pesquisadoras Joana Chiavari e Cristina Leme Lopes do Núcleo de Avaliação de Políticas Climáticas da PUC-Rio/ Climate Policy Initiative (NAPC/ CPI), através do projeto INPUT.



Multas ambientais são sanções impostas à alguém que tenha cometido uma infração ambiental. O infrator, uma vez autuado, pode pagar integralmente a multa, contestá-la judicialmente ou requerer a sua conversão em serviços ambientais, o que normalmente significa que o infrator se compromete a reparar o dano ambiental causado.



A última opção, porém, ainda não decolou por causa de um vácuo legislativo que inviabiliza a sua aplicação. “A gente viu que existiam várias vantagens, tanto para o infrator quanto para o órgão ambiental, em fazer a conversão de multas. Para o infrator, existe um desconto de 40% no valor da multa e ele pode usar o dinheiro da multa para reparar o dano e conseguir um acordo sem interferência judicial sobre como recuperar. Porém, mesmo com as vantagens, o mecanismo é muito pouco utilizado e fomos tentar entender porque”, explica Joana Chiavari, uma das autoras do estudo.



Segundo a especialista, além da falta de regulamentação, outros entraves para que a conversão de multas seja aplicada são a ausência de jurisprudência com base na legislação em vigor, as mudanças constantes nas normas que regem o tema e a falta de quadro técnico capacitado.



Por um novo marco jurídico
O vácuo legislativo é apontado como o principal entrave para a implementação do programa de conversão de multas. Para as especialistas, é importante regulamentar a conversão de multa ambiental e definir as regras que melhor atendem aos objetivos da nova regulamentação – que pode ser tanto uma instrução normativa do Ibama ou um decreto federal. As analistas defendem que a regulamentação por decreto oferece liberdade para inovar, estabelecendo, por exemplo, outros serviços ambientais para fins de quitação da multa, como a aquisição de Cotas de Reserva Ambiental (CRA) ou a adesão de editais de restauração florestal.



“Não existe um procedimento para dizer como acontece, na prática, a conversão. Na nossa opinião, a nova norma deveria definir o valor da multa a ser convertida, o percentual do desconto, quais serviços ambientais poderiam ser elegíveis, qual o prazo para apresentar o pedido de conversão, quais as diretrizes que o órgão ambiental deveria usar para aprovar ou não a conversão”, afirma Joana.
Outra recomendação feita pelo estudo é a promoção de cursos de capacitação para os técnicos do Ibama, tanto para informá-los sobre o instrumento quanto para capacitá-los para a análise dos projetos de conversão de multa.



Falha no artigo 42 do Código Florestal
O Código Florestal prevê a instituição de um programa de conversão de multa especial, para desmatamento ilegal em área sem ser Reserva Legal ou Área de Preservação Permanente, mas uma falha na redação do artigo é uma pedra no caminho do programa.



Isso porque a redação do artigo 42 do Código Florestal deixa expresso que o programa de conversão só vale para desmatamento sem autorização que tenha ocorrido antes de 22 de julho de 2008 e determina que o auto de infração seja lavrado com base no decreto 6.514/2008. Acontece que o decreto entrou em vigor no dia 23 de julho de 2008, um dia antes da data limite imposta pelo Código:


“As infrações que aconteceram antes de julho de 2008 não podem estar subordinadas a um decreto que entrou em vigor no dia 23 de julho de 2008. As infrações que aconteceram antes de 22 de julho só podem estar subordinadas a um decreto, o decreto 3179, de 1999, que estava em vigor na época”, explica Chiavari, “O que o artigo 42 fez foi criar um direito inexistente. Criou um artigo que é impossível de ser cumprido”, explica.


A recomendação é que o programa de conversão de multas do artigo 42 do Código Florestal fosse feito usando o artigo decreto 3.179/1999 ao invés do 6.514/2008. O problema, porém, é que o programa poderia ser contestado judicialmente e considerado ilegal. “Essa solução seria um risco porque estaríamos ignorando completamente uma menção expressa no Código Florestal”, explica Joana.


A solução definitiva para o problema seria reenviar o Código para o Congresso corrigir o artigo, mas isso abriria brecha para que toda a lei fosse descaracterizada. A última reforma do Código Florestal foi em 2012.

*Editado às 11h, do dia 14/04/2017.

Saiba Mais
Estudo: Conversão de Multas ambientais em prestação de serviços ambientais

Governo parou de produzir estatística sobre pesca

Por José Truda
Não sabemos. Há seis anos, o Brasil sofre com a falta de dados sobre a atividade pesqueira no país, que deveriam ser produzidos regularmente pela Secretaria de Aquicultura e Pesca. Não se sabe o que é desembarcado, como se pesca, o que se pesca e nem quantos barcos existem no país. O problema afeta tanto a pesca industrial quanto a artesanal.

“Enquanto não tivermos o mínimo de monitoramento e uma fiscalização rigorosa, nós não vamos poder jamais dizer que a pesca no Brasil é sustentável”, diz  José Truda, que inaugura hoje videoblog em ((o))eco sobre conservação marinha.


Vejam depoimento no link abaixo:


https://youtu.be/t7IgMGjqlSc

Leia mais sobre o assunto:

https://youtu.be/t7IgMGjqlSc 

Ministério da (Sobre)Pesca e do Sumiço das Estatísticas

Por José Truda
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Durante os dias 26 e 27 de março, a convite do ICMBio, realizou-se em Brasília uma reunião muito rara, reunindo pesquisadores, ONGs ambientalistas e lideranças da pesca artesanal de todo o pais para discutir a recente Portaria 445 do Ministério do Meio Ambiente que lista as espécies aquáticas brasileiras ameaçadas de extinção e determina medidas para sua proteção.


O encontro é incomum, pois envolveu setores que quase nunca se encontram, e menos ainda estão acostumados a encontrar consensos quando se trata da gestão dos recursos pesqueiros nacionais. Para grata surpresa deste que vos escreve, esses consensos foram encontrados até com relativa facilidade, no que tange a apoiar a manutenção da Portaria 445 para proteger o que resta da biodiversidade aquática do Brasil e buscar caminhos para a gestão adequada das espécies vulneráveis.


Outro consenso emergiu nas conversas e da indignação de quem trabalha seja com conservação, seja com pesca: o ministério que se supõe encarregado do tema é o pior problema a resolver, e muitos dentre nós torcemos para que a tão propalada reforma ministerial acabe com esse trambolho que só favorece a devastação e o mau uso do dinheiro público. Trata-se do Ministério da Pesca e Aquicultura, ou melhor, Ministério da (Sobre)Pesca.

Criado com a suposta missão de ordenar e fomentar a aquacultura e o uso dos recursos pesqueiros, ele logo mostrou a que veio, transformando-se num cartório dos interesses que dominam a pesca industrial no Brasil, e que mais parecem ser empresários de mineração do que de uso de um recurso público vivo.

Apropriando-se de montanhas de dinheiro dos nossos impostos, este ministério promove uma verdadeira derrama de subsídios para um setor historicamente responsável pela destruição sistemática da biodiversidade marinha brasileira, com a disponibilização de mais de QUATRO BILHÕES DE REAIS para facilitar a construção de ainda mais embarcações para predar sobre recursos já violentamente sobre-explorados.

Qualquer compromisso com sustentabilidade da pesca empalidece frente à sanha pseudo-desenvolvimentista que caracteriza as ações e o discurso dos caciques políticos que o dominam. Não há qualquer critério técnico para as indicações do ministro e suas chefias, como, aliás, é a má praxe na gestão pública federal de nossa combalida Banânia.

Em nenhuma área a cumplicidade criminosa do Ministério da (Sobre)Pesca com a mineração dos recursos pesqueiros nacionais é tão evidente quanto na pesca oceânica. Basta ver o que está acontecendo com os tubarões do Brasil, um grupo de fauna marinha essencial ao equilíbrio ecológico dos oceanos e à saúde da própria pesca de outras espécies.


Os tubarões estão simplesmente desaparecendo de toda a extensão de nossas águas, vitimados pela captura intencional disfarçada de "incidental" para alimentar o tráfico internacional de barbatanas, cuja exportação "legal", estimulada por esse ministério-cartório, serve apenas para encobrir uma gigantesca e contínua operação de contrabando de toneladas de barbatanas, que corresponde a milhões de tubarões massacrados ilegalmente nas barbas de quem deveria zelar pelo ordenamento pesqueiro.


Cadê os números?
"(...) sem dados oficiais o massacre pornográfico da fauna marinha brasileira não pode ser comprovado em toda sua extensão"
Infelizmente não é possível ordenar a pesca no Brasil, eis que não há dados suficientes para garantir a determinação de cotas sustentáveis para a maioria das espécies de interesse comercial. Como, não há dados? Simples. DESDE 2011 o Ministério da (Sobre)Pesca não publica mais quaisquer estatísticas sobre os desembarques pesqueiros no país, e não os compila mais desde 2008, deixando que a máfia que pratica a sobrepesca sistemática deite e role à vontade.


As desculpas para esse absurdo são muitas, mas a verdade é uma só: sem dados oficiais o massacre pornográfico da fauna marinha brasileira não pode ser comprovado em toda sua extensão, dificultando a adoção de medidas de ordenamento e conservação adequadas. Alegria pura para as quadrilhas que vivem de depredar esse inestimável patrimônio público que é o mar do Brasil.


Não é por nada que auditoria do Tribunal de Contas da União corroborou a informação de que estudos de avaliação dos estoques indicam que 80% dos principais recursos pesqueiros nacionais encontram-se plenamente explorados, sobrepescados, esgotados ou (tardia e lentamente) em processo de recuperação.


Além disso, nota que o próprio governo brasileiro admitiu, em 2011, no seu 4º Relatório para a Convenção da Diversidade Biológica, que a atividade pesqueira é a principal ameaça à biodiversidade marinha nas águas brasileiras, impactando não apenas os recursos ditos pesqueiros propriamente ditos, mas uma ampla diversidade de espécies, capturadas "incidentalmente" ou como "fauna acompanhante", e de ecossistemas. A auditoria do TCU apontou a mais absoluta falta de transparência no processo de gestão no Ministério da (Sobre)Pesca e seus "comitês de gestão". Mas nada foi feito.


Não é de se estranhar, portanto, que este ministério e seus donos, os empresários da (sobre)pesca industrial, tenham ficado furiosos com a edição da Portaria 445 do Ministério do Meio Ambiente, que definiu a lista de espécies aquáticas ameaçadas de extinção.



Fruto de um trabalho primoroso das melhores cabeças do país nesta área da ciência e de técnicos do ICMBio, utilizando metodologias aceitas mundialmente, a lista baseou-se em uma enorme quantidade de trabalhos científicos resgatados pelos pesquisadores, vencendo a inércia proposital do Ministério da (Sobre)Pesca e construindo com fatos inequívocos o quadro de horror das mais de 400 espécies listadas, para muitas das quais a pesca é, sim, o principal fator de ameaça de extinção.


A reação criminosa da pesca industrial, fechando o porto de Itajaí nas barbas das autoridades navais e policiais omissas, e que contou com todo o apoio do ministério, tenta revogar uma das pouquíssimas medidas que busca impor o interesse público sobre o privado na gestão de nossa biodiversidade marinha, e com sua revogação garantir que a máfia da sobrepesca possa continuar delinquindo livremente.


De Crivella a Barbalho
"Os ditos "recursos pesqueiros" que a máfia da sobrepesca reivindica como seus (...) são na verdade a nossa biodiversidade aquática, um patrimônio de todos os cidadãos"
Chegou a haver um período em que parecia que esse Ministério tomaria outro rumo, quando – pasmem - o folclórico Bispo Crivella esteve à frente do mesmo. O sujeito durante um bom tempo passou a ouvir alguns bons técnicos, apoiando a adoção, entre outras, de medidas de conservação dos tubarões e de ordenamento mínimo das atividades pesqueiras. Mas a entrega política do mesmo a Helder Barbalho mudou esse rumo.


Oriundo de um estado que sedia algumas das empresas pesqueiras mais influentes e responsáveis pela exportação ilegal de barbatanas de tubarão para a Ásia, desde o primeiro minuto o novo ministro se recusa a ouvir a sociedade civil e mesmo os pescadores artesanais. Literalmente, entregou o controle da estrutura pública para o lobby da pesca industrial, numa demonstração de que não há futuro para esse ministério caríssimo, incompetente e desnecessário.


Uma secretaria técnica em um ministério mais enxuto, que ouvisse a sociedade adequadamente, poderia suprir as verdadeiras necessidades para que a pesca brasileira deixasse de ser um escândalo de apropriação indébita para se tornar, quem sabe, um benefício para o país.


Os ditos "recursos pesqueiros" que a máfia da sobrepesca reivindica como seus e dos quais pretende apropriar-se no grito, através de ações criminosas como o bloqueio de portos, são na verdade a nossa biodiversidade aquática, um patrimônio de todos os cidadãos e que deveria ser gerido pensando no bem comum, e não no enriquecimento ilícito de uns poucos.


Um ministério que se transformou em cartório de um setor industrial milionário, que desconsidera as necessidades legítimas da pesca artesanal, que abandonou qualquer busca da boa gestão e da sustentabilidade, e que se recusa a escutar os reclamos de todos os segmentos da sociedade que não façam parte de sua claque imediata, não tem o que contribuir para um Brasil moderno, sustentável e justo. Tratemos de nos livrar dessa excrescência, antes que ela acabe de vez com nosso mar.