quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O Globo – Humanidade fica ‘em dívida’ com a Terra cada vez mais cedo

CESAR BAIMA

Uso de recursos naturais atinge hoje limite da capacidade do planeta

A partir de hoje a Humanidade está, mais uma vez, “em dívida” com o planeta. De acordo com cálculos da organização internacional de pesquisas ambientais Global Footprint Network, é neste 2 de agosto que nosso uso dos recursos da Terra e seus ecossistemas atinge o limite da sua capacidade de renovação. Ou, em uma conta inversa, isto significa que seria preciso ter 1,7 vezes o nosso planeta para sustentar o atual nível de produção e consumo médio da população global.

Mesmo com os avanços nas questões relativas ao meio ambiente nas últimas décadas — tanto nas discussões multilaterais que levaram, por exemplo, ao recente Acordo do Clima de Paris, quanto na conscientização de empresas e indivíduos sobre a importância de atitudes como maior eficiência na produção e reciclagem —, esta data a cada ano chega mais cedo. Diante disso, especialistas dizem que é preciso fazer ainda mais para inverter esta tendência e, no lugar de adiantar, adiar a entrada da Humanidade neste apelidado “cheque especial ambiental”. A nosso favor, porém, é que muito do que pode ser feito para isso está ao alcance de boa parte da população mundial atualmente, destacam.


COMBATE AO DESPERDÍCIO
— É extremamente importante agirmos em diferentes frentes, na cadeia produtiva, na redução do desperdício, na contenção do desmatamento — considera Fabrício de Campos, especialista do Programa de Agricultura e Alimentos do WWF-Brasil. — É preciso atuar dentro das cadeias de valor, com o engajamento de governos, empresas, mas também do consumidor final, pois estamos “comendo” o planeta.

Segundo Campos, ao tomar atitudes como consumir apenas o necessário, ir ao supermercado com mais frequência no lugar de fazer grandes compras mensais, priorizar alimentos frescos e com produção local e dar preferência a frutas e vegetais que estão “na época” já é possível diminuir em muito a chamada “pegada ecológica” individual.
— A maneira que a gente monta nosso prato influencia nossa paisagem — lembra. — Um prato com mais vegetais se traduz em mais vegetais também na natureza, o que, além de benéfico para a saúde, é benéfico para o planeta.

Estas mudanças de atitude, no entanto, são urgentes, aponta Pedro Telles, especialista em mudanças climáticas da organização ambientalista Greenpeace:

— Sem dúvida temos hoje uma conscientização ambiental maior que há 30 anos, mas a velocidade de ação não está acompanhando o ritmo da degradação ambiental. O papel do indivíduo é importante, todos podemos fazer diferença, mas isso não é suficiente. Precisamos também pressionar governos e empresas a fazer mudanças nas políticas públicas e nos processos de produção em grande escala no curto prazo se quisermos adiar esta data.

Opinião parecida tem Eduardo Carvalho, editor de conteúdo do Museu do Amanhã, no Rio, que promove hoje seminário sobre este que é conhecido como o Dia da Sobrecarga da Terra.

— Hoje é o lugar da ação, pois, sem isso, não teremos amanhã — diz. — O que vai ditar a situação do mundo nas próximas cinco décadas é o que fizermos agora, já que os “juros” deste “cheque especial ambiental” são a intensificação do aquecimento global e das mudanças climáticas, a redução da biodiversidade e a aceleração da extinção em massa que vão afetar toda a vida na Terra e farão a Humanidade sofrer.

Medidas desesperadas para salvar o planeta.

Valores inegociáveis: respeito à vida, à família e à religião


Posted: 01 Aug 2017 01:30 AM PDT
A propaganda ambientalista contra os filhos atinge patamares inimagináveis e com o pretexto de combater a mudança climática!!!
A propaganda ambientalista contra os filhos atinge patamares inimagináveis
e com o pretexto de combater a mudança climática!!!
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Seth Wynes, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e Kimberly A. Nicholas, da Universidade Lund, na Suécia, com ar de ciência publicaram na revista “Environmental Research Letters” um estudo com conclusões que até há pouco só se ouviam em grupos niilistas extremamente “anti-humanos”.

Em poucas palavras, resumiu Agenda Europe, os autores defendem: “Salve o clima, não tenha filhos. Ou, ainda melhor, erradique a humanidade”.

O pretexto é muito batido e bem fajuto: combater as mudanças climáticas e reduzir a emissão de CO2.

Para isso, eles propõem a introdução em nível planetário de quatro costumes fundamentais: alimentação vegana, parar de viajar de avião, deixar de usar carro e limitar a família.

Ter menos filhos é o mais eficaz dos quatro costumes – aliás, o mais “anti-humano” –, vindo em segundo lugar o abandono do uso do carro.

Na concepção verde-niilista o homem não é mais visto como o resumo da Criação divina, o reflexo mais acabado do Criador que se encarnou para remi-lo.

Se não é nada disso, para que deveria ele então continuar existindo, se causa prejuízo ao planeta? – pergunta Agenda Europe.

Wynes e Nicholas fazem malabarismos com coeficientes e equações a fim de montar pretextos para colocar a humanidade de cabeça para baixo.

Na prática, o objetivo final daria na divisão dos homens em duas singulares castas: a dos que poderiam ainda existir, mas sem procriar, e a casta inferior, que não teria esse privilégio.

Essa divisão em castas já está acontecendo de alguma maneira com uma opressiva promoção legal social, política e econômica das tendências LGBT, da ideologia de gênero, do malthusianismo e das políticas de controle da população, observa Agenda Europee.

A extinção sumária da humanidade não será aceita, por isso a pregação verde prefere embuti-la na (de)formação da juventude
A extinção sumária da humanidade não será aceita,
por isso a pregação verde prefere investir na deformação moral da juventude
Segundo o estudo citado, o combate à população deve de imediato focar as crianças e os adolescentes, notadamente seus livros escolares.

Isso teria efeitos mais profundos do que todas as medidas de controle do CO2 que os governos podem excogitar – explica.

Wynes e Nicholas propõem mudar os costumes dos povos e acham que os adolescentes são os mais sensíveis à transformação. Eles não o dizem em termos diretos, mas tratar-se-ia no fundo de introduzir um chocante viés na educação que favoreceria formas de perversão contrárias à família ou à prole.

Eles sugerem que a promoção do veganismo e o abandono do consumo de carne podem ser mais facilmente introduzidos nas mentes juvenis. O mesmo poderia se dizer do abandono do transporte privado em benefício do transporte público e de formas alternativas como a bicicleta.

Segundo os dois extremados autores, algumas das ações não vão ser bem recebidas. E dão como exemplo o insucesso da proibição das sacolas plásticas em lojas e supermercados.

Em todos os casos, fazer o cérebro dos jovens durante a adolescência parece ser para eles o golpe ideal para provocar uma imensa mudança civilizacional.

A “Folha de S.Paulo” reproduziu um elogio da desequilibrada e invasiva proposta.

“Esqueça a reciclagem ou o uso de lâmpadas mais eficientes: se você deseja dar uma contribuição pessoal significativa para a luta contra as mudanças climáticas, o negócio é ter menos filhos, não andar de carro nem de avião e abolir a carne do cardápio”, comenta colaboração de Reinaldo José Lopes para a “Folha”.

O autor destaca um dos grandes desafios apontados pelo tendencioso estudo: os habitantes dos países em desenvolvimento aspiram a consumir no nível os países ricos. Isso incluiu o uso de carros maiores e comer carne com frequência.

A "política do filho único" chinesa horrorizou o mundo. Mas o radicalismo ambientalista sonho algo pior. Na foto: mãe chinesa junto a seu filho que foi obrigada a abortar
A "política do filho único" chinesa horrorizou o mundo.
Mas o radicalismo ambientalista cogita algo pior e mais eficaz.
Foto: mãe chinesa junto a seu filho que foi obrigada a abortar
Essa tendência natural do espírito humano é focada no estudo como grave vício psicológico que impede ao ambientalismo realizar suas enganosas manobras para “evitar mudanças climáticas extremas”.

“Nós não vamos conseguir diminuir as emissões no ritmo necessário só com novas tecnologias menos poluentes. Se conseguirmos passar de maneira clara a mensagem sobre os métodos que funcionam, temos uma chance de modificar o comportamento das gerações mais novas”, diz Wynes.

A família é o meio ambiente ideal para o homem se desenvolver, viver rodeado do afeto e dos cuidados entre pais e filhos. Mas ela está sendo apresentada como o fulcro do mal.

A vida larga e próspera se torna um dos maiores males a serem combatidos, devendo ser inviabilizada e extinta como produto de uma “reeducação” massiva das gerações jovens.

A solução é análoga à pretendida por Mao-Tse-Tung com a Revolução Cultural chinesa: métodos claros e radicais de conscientização sob a sombra de uma pressão constante.

E quem não se conscientizar?

No caso da China, acabou dando em massacre geral dos relutantes. Para esse ambientalismo, poderia ser uma opção que auxiliaria na redução da humanidade.

De onde as frequentes alusões elogiosas à Revolução Cultural maoísta na boca de inimigos da vida, inclusive socialistas e ambientalistas.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

O ICMS Ecológico.



 Ferramenta já usada em 17 estados, o ICMS Ecológico tem repassado valorosos recursos a municípios conforme critérios como quanto de seu território é coberto por Unidades de Conservação estabelecidas em terras públicas, pela manutenção de fontes de água e pelo índice de tratamento de esgotos. Em 2016, o governo de São Paulo repassou mais de R$ 124 milhões a municípios que investiram na proteção da natureza. Os recursos vêm da receita arrecadada pelos Estado por meio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Assim, cada município é premiado e incentivado a adotar novas medidas ambientais. O Rio de Janeiro, por exemplo, adotou a legislação em 2009 e, apenas dois anos depois, já havia duplicado sua área protegida com Mata Atlântica. Já no Mato Grosso do Sul, as receitas dessa fonte somaram quase R$ 70 milhões no ano passado. Decreto publicado este ano pelo governo daquele estado inova ao permitir a destinação de recursos do ICMS Ecológico também a reservas privadas. A mesma legislação definiu que os proprietários dessas áreas poderão ter apoio dos municípios para manutenção de estradas, fiscalização e elaboração de planos de manejo. Em muitos municípios no país, os repasses de ICMS Ecológico são a principal fonte de receita. Um alívio em tempos de crise econômica.


@ Falta de gente e de orçamento mantém o monitoramento sobre atropelamentos de animais silvestres no Distrito Federal (DF) restrito ao entorno da Estação Ecológica de Águas Emendadas. Entre Abril de 2010 e Março de 2015, o trabalho também contabilizou os incidentes ao redor do Parque Nacional de Brasília, da Fazenda Água Limpa (UnB), da Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília e da Reserva Ecológica do IBGE. Essas áreas são núcleos da Reserva da Biosfera do Cerrado no DF. Conforme estimativas oficiais, quase 110 mil animais são mortos por atropelamentos a cada ano na região. Mais de oito em cada dez são silvestres, e 70% das vítimas são aves. Dos emplumados, a espécie mais atropelada é o tiziu, que busca o DF na época de chuvas para reprodução. Conforme trabalho do Instituto Brasília Ambiental em parceria com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos de Portugal, os atropelamentos de animais silvestres se concentram no entorno das estações ecológicas de Águas Emendadas e do Jardim Botânico de Brasília, onde o trânsito intenso em vias duplas asfaltadas aumenta os riscos de morte para inúmeras espécies. Mapas com a distribuição de atropelamentos no DF podem ser conferidos aqui. "Essas informações permitem que medidas de mitigação sejam atreladas ao licenciamento ambiental de estradas e rodovias. Já estão operando radares para controle de velocidade na região da Estação Ecológica de Águas Emendadas e na DF128 em direção à Planaltina", contou Rodrigo Santos, servidor do Ibram cuja tese de doutorado alimentou o mapeamento de atropelamentos de fauna no DF.


@ Dados oficiais divulgados com boca de siri mostram que mais de 1.000 quilômetros quadrados de Cerrado foram eliminados entre em Unidades de Conservação (UCs) federais e estaduais. Essas últimas concentram quase todo o desmatamento registrado entre 2013 e 2015. No período, as áreas protegidas que mais sofreram com motosserras, correntões e fogo foram as Áreas de Proteção Ambiental da Ilha do Bananal/Cantão (TO) e do Rio Preto (BA), somando perdas de quase 550 quilômetros quadrados. O desmate foi bem menor em parques nacionais e outras UCs de Proteção Integral. Em 2015, o Cerrado perdeu quase 9,5 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa - área superior a mais de seis cidades como São Paulo e que supera em 52% a devastação na Amazônia no mesmo ano, como divulgou o Observatório do Clima. Já entre 2013 e 2015, foram removidos do bioma 19 mil quilômetros quadrados, ou quase 2% da vegetação nativa que lhe resta. Esse desmatamento corresponde à emissão de pelo menos 25 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, mas não coloca na balança o estoque de carbono no solo, que representa a maior parte do carbono total da vegetação de Cerrado, conforme o Ipam. De forma geral, a eliminação anual do Cerrado acontece em taxas superiores às da Amazônia e se concentra onde cresce o agronegócio no Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia. Esses estados abrigam os remanescentes nacionais de Cerrado e respondem por mais de 60% do desmatamento no bioma.


@ Entre os benefícios que mares e oceanos geram, estão fornecer quase metade do oxigênio que respiramos, ajudar a combater as mudanças globais do clima, manter estoques pesqueiros e outros recursos econômicos, oferecer áreas para turismo e meios de sobrevivência para inúmeras populações. Com esses valores na balança, as Nações Unidas realizaram em Junho um novo encontro global sobre a manutenção da saúde desses ambientes, que cobrem três quartos do planeta. Na reunião, mais de 190 países se debruçaram sobre a problemática de como conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos e lavraram um documento recheado de recomendações para alcançar esse objetivo. Entre elas, expandir a rede de áreas protegidas costeiro marinhas, melhorar o planejamento do uso desses ambientes e implantar uma gestão integrada da zona costeira, colocando na mesma mesa todos os setores interessados em seu aproveitamento econômico, ecológico e social. O Brasil ratificou as convenções das Nações Unidas sobre Direito do Mar e para Conservação da Diversidade Biológica respectivamente em 1988 e em 1994, mas ainda está distante de cumprir metas internacionais para manutenção da vida marinha. Enquanto elas demandam ao menos 10% de proteção para ambientes costeiro marinhos, o país abriga apenas 1,5% desses em Unidades de Conservação.


@ Fonte de um dos maiores embates entre ambientalistas, cientistas e ruralistas dos anos recentes, o chamado Novo Código Florestal vigora desde 2012 e ganhou uma recente e aprofundada análise quanto ao jogo político que levou à sua aprovação. O trabalho analisa caminhos políticos e legislativos que levaram ao desmanche do Código Florestal que vigorava desde 1965, apontando e acompanhando a movimentação de atores chave entre 1996 e 2012, especialmente da Bancada Ruralista, mas sem esquecer de posicionamentos do Governo e de coligações partidárias de ocasião no Congresso Nacional. "O ambiente político que originou tantas modificações (...) durante o período estudado não mudou tanto dentro do Congresso Nacional, apesar de sua “renovação” em 2015, quanto fora deste. Campanhas eleitorais continuam recebendo financiamentos pesados do agronegócio; o alinhamento do Executivo com o agronegócio permanece “ajustado”, apesar de não alavancar a segurança alimentar sustentada no país; a sensação de impunidade que a anistia àqueles que desmataram florestas até 2008 parece só ter se arraigado, assim como a percepção de que, ao invés de políticas efetivas,  seus formuladores apenas nos oferecem o abrandamento de regras como “solução” para um país cuja extensão de florestas é da ordem de 60% do território. Por tudo isso, “o problema”ambiental permanece, pois não há como conciliar concessões políticas e qualidade técnica e ambiental", traz uma apresentação da obra. O livro é fruto da dissertação de mestrado de Paulo Roberto Cunha junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP).



Este boletim é um oferecimento de
© Aldem Bourscheit // Jornalista DRT/RS 9781 // conectacomm@gmail.com
- Ativista em Políticas Públicas Socioambientais
- Membro da Comissão sobre Educação e Comunicação da UICN
- Mestrando em Desenvolvimento Sustentável pelo Fórum Latino-americano de Ciências Ambientais
- Especialista em Meio Ambiente, Economia e Sociedade pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais

Robôs de escolta poderão guiar pessoas e animais

Robôs de escolta poderão guiar pessoas e animais
Um dos conceitos testados pela equipe envolve formar uma cerca virtual ao redor dos animais para guiá-los até o destino final. [Imagem: Alexander Jahn]

Robôs pastores
Alexander Jahn e Luciano Pimenta, da USP em São Carlos (SP), desenvolveram um sistema robotizado capaz de guiar animais ou pessoas de forma a fazer o caminho mais rápido em um percurso que não é previamente conhecido.


Para isso, os pesquisadores trabalharam com a chamada robótica de enxame, em que grupos de robôs trocam informações de forma autônoma para desempenhar uma tarefa conjunta.


"Imagine que você deseja levar um grupo de animais de um lugar para outro em uma grande fazenda. Com os robôs coordenando todo o trajeto, o caminho percorrido será sempre o menor, além de proporcionar uma rota sem riscos, livre de buracos, por exemplo," explicou Luciano.


Cada robô faz seus próprios cálculos, planejando a melhor direção que o grupo deve seguir. Ao longo da rota, cada um deles vai colhendo pequenas amostras de "bons caminhos" e, baseando-se nelas, calcula a rota ideal até o final do percurso. Para isso, os robôs contam com GPS, no caso de tarefas em ambientes externos, câmeras e diversos sensores, como os de localização a laser e ultra-som.


Para que o comboio possa chegar ao objetivo, os robôs fazem continuamente uma espécie de leilão, no qual eles competem para decidir quem será o responsável pelo próximo movimento do grupo. A cada rodada, será vencedor o robô que traçar o caminho mais rápido e com menos barreiras. A disputa é realizada de forma contínua até que o rebanho chegue ao destino final.



Robôs de escolta poderão guiar pessoas e animais
Os minirrobôs e-puck identificam possíveis obstáculos (blocos pretos). [Imagem: Luciano Pimenta]
Robôs para a sociedade
O sistema foi testado em pequenos robôs de código aberto chamados e-pucks, mas os pesquisadores afirmam que a técnica pode ser aplicada em robôs humanoides, drones ou até mesmo em carros autônomos.


Além disso, os robôs não precisam ser exatamente cães pastores cibernéticos. O sistema pode ser usado para guiar pessoas em prédios e instituições ou até mesmo servir como escolta para pessoas e cargas.


Segundo Alexander, há décadas a sociedade cada vez mais vem incorporando robôs na indústria; mas fora dela, não existe um grande nível de desenvolvimento e automação. Trabalhos como os da sua equipe podem servir de estímulo para que outros pesquisadores trilhem o mesmo caminho e novas pesquisas impactem mais diretamente na rotina da população, guiando os robôs para além das linhas de produção.


Bibliografia:

Distributed Multi-Robot Coordination for Dynamic Perimeter Surveillance in Uncertain Environments
Alexander Jahn, Reza Javanmard Alitappeh, David Julian Saldaña, Luciano Pimenta, André G. Santos, Mário Montenegro Campos
IEEE International Conference on Robotics and Automation (ICRA) 2017

Materiais que morrem degradam-se após tempo de vida definido


Criados materiais que
Esse gel pode ser usado para manter alguma coisa - física ou química - em um determinado local ou posição, e depois se degradar naturalmente, liberando sua carga. [Imagem: Benedikt Rieb/TUM]
Natural versus sintético
Você já parou para pensar que a natureza não possui lixões, que tudo se degrada naturalmente com o passar do tempo - e um tempo geralmente muito curto?
E, em contraposição, que os materiais fabricados pelo homem tendem a durar o suficiente para se amontoarem e interferirem com a natureza?


Esta é uma das principais diferenças entre os materiais biológicos, ou vivos, e as substâncias artificiais, ou sintéticas. Em termos físicos, tudo é uma questão de diferença na "gestão de energia": os materiais feitos pelo homem estão em equilíbrio com o ambiente, o que significa que eles não trocam moléculas e energia, permanecendo como são por um tempo indefinido.


"Até agora, a maioria das substâncias artificiais são quimicamente muito estáveis: para decompô-las novamente em seus componentes é preciso gastar muita energia," explica o professor Job Boekhoven, da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, ressaltando que a reciclagem é a única opção que nos resta, mas que ela é energeticamente muito cara.
A natureza funciona de acordo com outro princípio: os materiais biológicos, desde as células, não estão energeticamente em equilíbrio com o meio ambiente. Eles exigem uma entrada constante de energia, na forma de alimento, água, luz do Sol etc, para sua construção, manutenção e reparo.


"A natureza não produz depósitos de lixo. Em vez disso, as células biológicas estão constantemente sintetizando novas moléculas a partir de moléculas recicladas. Algumas dessas moléculas se reúnem em estruturas maiores, os chamados conjuntos supramoleculares, que formam os componentes estruturais da célula. Esse conjunto dinâmico nos inspirou a desenvolver materiais que se descartam a si mesmos quando não são mais necessários," disse Boekhoven.


Materiais com tempo de vida
A boa notícia é que já está pronto o primeiro lote dessa nova classe de materiais supramoleculares, que se desintegram em um tempo predeterminado - uma característica que deverá ser usada em inúmeras aplicações.


Reunindo uma equipe de químicos, físicos e engenheiros, o trabalho baseou-se no modelo natural: os blocos de construção molecular são inicialmente livres para se movimentar, mas se for adicionada energia - na forma de moléculas - as estruturas supramoleculares se formam. Tão logo a energia se esgota, as estruturas supramoleculares se desintegram de forma autônoma, sem a necessidade de nenhuma ação externa.


Assim, a vida útil do material pode ser predefinida pela quantidade de combustível adicionada. As primeiras versões do material podem ser configuradas para se degradar de forma autônoma de alguns minutos até várias horas. Além disso, após um ciclo, o material degradado pode ser reutilizado simplesmente adicionando mais "alimento" - outro lote de moléculas de energia.


Estas primeiras versões das estruturas supramoleculares feitas pelo homem são diferentes tipos de anidridos que se juntam em coloides, hidrogéis ou tintas supramoleculares. Uma reação química em cadeia converte dicarboxilatos em anidridos metaestáveis graças ao consumo irreversível de carbodi-imida como combustível. Devido ao seu caráter metaestável, os anidridos hidrolizam para seus dicarboxilatos originais, com meias-vidas na faixa de segundos até vários minutos.


Materiais supramoleculares
A equipe fabricou tintas com tempo de vida - elas se apagam quando sua vida termina, mas podem voltar a mostrar sua mensagem se receberem mais "alimento". [Imagem: Marta Tena-Solsona et al. - 10.1038/ncomms15895]
 
Fim do lixo?
Com base nesses avanços, será que já dá para pensar em construir máquinas supramoleculares ou telefones celulares que simplesmente desaparecerão quando não forem mais necessários?

"Isso pode não ser completamente impossível, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Agora estamos trabalhando no básico," ressalta o professor Boekhoven.

Bibliografia:

Far-from-equilibrium supramolecular materials with a tunable lifetime
Marta Tena-Solsona, Benedikt Rieb, Raphael K. Grötsch, Franziska C. Löhrer, Caren Wanzke, Benjamin Käsdorf, Andreas R. Bausch, Peter Müller-Buschbaum, Oliver Lieleg, Job Boekhoven
Nature Communications
Vol.: 8, 15895
DOI: 10.1038/ncomms15895

Governos fazem com que cidadãos paguem bilhões para destruir sua própria saúde

quinta-feira, 27 de julho de 2017


Subsídios aos combustíveis fósseis apoiam um setor que causa enormes custos de saúde em todo o mundo.

 
 
 
A Aliança Saúde e Meio Ambiente (HEAL, na sigla em inglês) acaba de lançar o relatório “Etiquetas de preço escondidas: como o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis beneficiaria a nossa saúde” com a primeira comparação entre subsídios a combustíveis fósseis e os custos com saúde decorrentes da poluição do ar gerada pela queima desses combustíveis – a qual é também responsável pelas mudanças climáticas.
 
 
 
Praticamente todos os governos destinam cifras enormes de recursos públicos – ou seja, dinheiro oriundo de impostos pagos por seus cidadãos – para apoiar a indústria de petróleo, gás e carvão na produção de energia a partir de combustíveis fósseis. O relatório revela que, na média, os custos de saúde associados aos combustíveis fósseis são mais de seis vezes maiores do que os subsídios nos países do G20: US$ 2.760 bilhões vs US$ 444 bilhões.
 
 
 
Todos os anos, a queima de combustíveis fósseis ceifa a vida de cerca de 6,5 milhões de pessoas em todo o mundo em decorrência de infecções do trato respiratório, acidentes vasculares cerebrais, ataques cardíacos, câncer de pulmão e doença pulmonar crônica. Os custos para a saúde decorrentes da poluição atmosférica gerada pelos fósseis, das alterações climáticas e da degradação ambiental não são pagos pela indústria, mas pela sociedade.
 
 
 
“Líderes europeus e mundiais continuam a comprometer-se com o combate às mudanças climáticas e a descarbonização de nossa economia. No entanto, eles ainda dão bilhões de euros e dólares justamente ao que leva ao aquecimento global e causa mortes precoces e problemas de saúde, incluindo doença cardíaca e pulmonar”, alerta Genon K. Jensen, diretor executivo da HEAL. “É hora de aproveitar a oportunidade para melhorar a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo, abandonando os subsídios à indústria mortal de combustíveis fósseis. Eles devem fazer o que dizem e acabar com os subsídios de combustíveis fósseis já”.
 
 
 
O relatório analisa os verdadeiros custos dos impactos na saúde. No Reino Unido, por exemplo, os custos de saúde decorrentes da poluição atmosférica impulsionada por combustíveis fósseis são quase cinco vezes maiores do que os subsídios que eles recebem, o que significa que os cidadãos não só vêem 6,5 bilhões de dólares de dinheiro público concedidos a uma das indústrias mais ricas do mundo, mas acabam pagando outros 30,7 bilhões de dólares em custos de saúde decorrentes de mortes prematuras causadas pela poluição do ar.
 
 
 
Já na China, os combustíveis fósseis geram impressionantes 1,790 trilhão de dólares em custos de saúde decorrentes da poluição do ar, mais de 18 vezes o que a nação entrega aos produtores de petróleo, gás e carvão, ajudando a alimentar uma crise de saúde pública que está causando 1,6 milhão de mortes prematuras a cada ano.
 
 
 
No relatório, a HEAL apresenta recomendações aos decisores políticos, convidando-os a eliminar progressivamente os subsídios aos combustíveis fósseis até 2020 para os países desenvolvidos e, até 2025, para as economias de baixa renda, para reduzir as mortes prematuras, má saúde e caos do clima e pavimentar o caminho para opções de energia renováveis e limpas e seus múltiplos benefícios para a saúde.
 
 
 
O relatório também destaca como os fundos poderiam ser reatribuídos para impulsionar a saúde nos sete países que foram analisados mais a fundo. Na Alemanha, por exemplo, os 5,4 bilhões de dólares de subsídios para combustíveis fósseis representam o dinheiro dos contribuintes que é suficiente para instalar energia solar em mais de 300 mil lares, o que contribuiria fortemente com a transição de todos os 15.000 trabalhadores da indústria do carvão nos próximos cinco anos. Em países como a Turquia e a Polônia, os subsídios aos combustíveis fósseis representam valiosos fundos públicos que poderiam fortalecer os sistemas de saúde da nação – no caso da Polônia, poderiam ser usados para construir mais de 34 novas clínicas e aumentar o número de médicos em 30.000.
 
 
 
“Uma das melhores estratégias políticas para reduzir os subsídios aos combustíveis fósseis é simultaneamente lançar serviços de saúde gratuitos universais. As economias do primeiro podem financiar o último”, analisa Robert Yates, Senior Fellow da Chatham House. “Combinar essas políticas pode oferecer benefícios significativos para a saúde, a economia e o meio ambiente e oferecer grandes benefícios políticos aos líderes que trazem cuidados de saúde gratuitos para suas pessoas.
 
 
 
Fonte: Ciclo Vivo

Suspeita de corrupção afeta credibilidade de ações socioambientais

sexta-feira, 28 de julho de 2017


Pesquisa revela crescimento da desconfiança do brasileiro com relação às iniciativas corporativas na área de sustentabilidade. A empresa Vale é uma das mais mal-avaliadas no quesito sustentabilidade.
 
 
 

Os brasileiros estão perdendo a confiança no setor corporativo em geral, graças aos inúmeros escândalos envolvendo algumas das empresas mais importantes do setor. Consequentemente, o ceticismo está atingindo iniciativas ligadas à sustentabilidade praticadas pelo setor privado.
 
 
 
Isso é o que constatou a 12ª edição do estudo Monitor de Sustentabilidade Corporativa 2017, pesquisa feita anualmente pela Market Analysis e publicado com exclusividade por esta coluna.
 
 
 
Não está mesmo fácil pra ninguém, diria o verbete popular diante de tantos fatos desabonadores que atingem o País de cima a baixo!
 
 
 
Várias grandes empresas que se esforçaram ao longo dos anos para construir suas imagens viram esforços de anos serem comprometidos por, direta ou indiretamente, terem contribuído para a perda da credibilidade de todo o setor privado brasileiro.
 
 
 
Após a realização de 810 entrevistas com adultos entre 18 e 69 anos, em nove capitais do país, entre elas, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, no primeiro semestre deste ano, a credibilidade das companhias brazucas caiu de 74,2% registrados em 2010 para 43,8% em 2017.
 
 
 
Dessa maneira, o estudo concluiu que os brasileiros passaram a demonstrar um nível recorde de descrença e indiferença quanto a identificação de bons exemplos de ações de responsabilidade social e/ou ambiental.
Na pesquisa de 2010, apenas um de cada cinco entrevistados tinha essa visão pessimista. Já em 2017 dois em cada três disseram não reconhecer exemplos positivos.
 
 
 
As melhores e as piores
 
 
 
O novo cenário apresentou um reforço à imagem da Natura, com um terço das menções positivas – também fato inédito apontado pela pesquisa – seguida depois por três multinacionais estrangeiras: Coca-Cola, Nestlé e Unilever. Fechando o quadro das cinco melhores vem a Petrobrás.
 
 
 
Já entre as cinco piores em sustentabilidade, em primeiríssimo lugar a JBS (dos célebres irmãos Batista), seguida pela Petrobrás, BRF (proprietária das marcas Sadia e Perdigão e envolvida na operação Carne Fraca), Odebrecht (outra grande empresa envolvida na Lava-Jato) e a Vale (mineradora que, entre outras, é proprietária da Samarco ligada a maior tragédia ambiental brasileira).
 
 
 
A pesquisa deste ano aponta algumas conclusões interessantes: o fato da Petrobrás fazer parte das duas listas revela o conhecimento que as pessoas têm da maior empresa brasileira, mas a citação positiva espontânea foi de apenas 1,7%, enquanto a negativa chegou a 4,5% deixando claro que a petroleira terá que aprofundar suas melhores práticas para superar essa imagem muito ainda associada à corrupção.
 
 
 
Também o fato de empresas estrangeiras ocuparem o espaço de companhias de capital nacional de maneira inédita nos 12 anos anteriores dessa pesquisa afasta as nossas empresas da ideia de serem ambientalmente responsáveis.
 
 
 
Isso, pelo menos, é o que passa pela cabeça dos consumidores. O que, diga-se de passagem, não parece nada bom para o futuro do capitalismo praticado por nossos patrícios.
 
 
 
Por fim, o que não surpreende é o fato das grandes empresas envolvidas nos escândalos de corrupção dos últimos anos serem citadas espontaneamente como vilãs e inimigas da responsabilidade corporativa.
 
 
 
Um comercial antigo dizia: “imagem não é nada, sede é tudo”! Claro, era um anúncio de bebida, mas nada mais longe da realidade imagem é sim tudo e muito mais.
 
 
 
Neste mundo altamente interconectado para se ter uma boa imagem é preciso fazer tudo certo cada vez mais de maneira cidadã, com responsabilidade crescente nos quesitos social e da sustentabilidade. Não atuar desse modo, começa assim como mostra a pesquisa, de uma lembrança ruim segue rapidamente para a rejeição do consumidor. Uma coisa leva a outra, rumo à extinção e lembranças nada agradáveis. (Envolverde)
 
 
 
*Reinaldo Canto é jornalista, Membro do Conselho Editorial da Envolverde – Revista Digital, colunista de Carta Capital, ex-diretor de Comunicação do Greenpeace Brasil e do Instituto Akatu, além de professor e especialista em sustentabilidade.
Fonte: Envolverde