quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Cetesb nega licença para construção de termoelétrica em Peruíbe

Por Sabrina Rodrigues
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) negou o pedido de licenciamento ambiental do Projeto Verde Atlântico Energia, que previa a construção de uma usina termoelétrica em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Foto: Usina Termoelétrica Termoverde, Salvador, Bahia. Foto: Rafael Martins/ AGECOM.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) negou o pedido de licenciamento ambiental do Projeto Verde Atlântico Energia, que previa a construção de uma usina termoelétrica em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Foto: Usina Termoelétrica Termoverde, Salvador, Bahia. Foto: Rafael Martins/ AGECOM.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) negou o pedido de licenciamento ambiental do Projeto Verde Atlântico Energia, que previa a construção de uma usina termoelétrica em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Em parecer técnico publicado hoje (19) no Diário Oficial de São Paulo, a Cetesb concluiu pela inviabilidade ambiental do empreendimento, de responsabilidade da empresa Gastrading Comercializadora de Energias S/A.
A termelétrica a gás teria a capacidade de gerar até 1,7 gigawatt, energia que poderia abastecer uma população de aproximadamente 1,7 milhão de habitantes. As linhas de transmissão da usina para ligar ao sistema nacional passariam por dentro de áreas protegidas como o Parque Estadual da Serra do Mar e a Estação Ecológica Jureia-Itatins, além de terras indígenas. O impacto na construção do empreendimento afetaria pelo menos 5 municípios: Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente e Cubatão.  
A construção da usina gerou polêmica desde a sua proposta, unindo população, ONGs, povos indígenas e comunidades tradicionais contrários à instalação do empreendimento. Em agosto, a ONG SOS Mata Atlântica emitiu nota técnica direcionada ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) onde descreve a inviabilidade da construção da termoelétrica por se tratar de “altíssimo grau de risco e impacto ambiental, muito além dos impactos locais e regionais previsíveis para instalação e operação desse tipo de sistema”.
A ONG comemorou a decisão da Cetesb e a considera como uma vitória de toda a população de Peruíbe. “As manifestações da comunidade diretamente afetada pelos impactos ambientais da obra foram ouvidas. Esta é uma vitória de toda a população de Peruíbe, localizada na região que é guardiã do maior refúgio de Mata Atlântica do país”, conclui Beloyanis Monteiro, coordenador de Mobilização da SOS Mata Atlântica.

Justiça Federal suspende licenças para garimpo no Amazonas

Por Vandré Fonseca
Draga de mineração utilizada para garimpo ilegal de ouro no rio Madeira (AM) é apreendida pelo Ibama. Foto: Ibama.
Draga de mineração utilizada para garimpo ilegal de ouro no rio Madeira (AM) é apreendida pelo Ibama. Foto: Ibama.
Manaus -- Decisão atende a um pedido do Ministério Público Federal, que questiona licenças ambientais concedidas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) a cooperativas de garimpo que atuam no rio Madeira. A liminar impede também que o órgão ambiental conceda novas autorizações para o garimpo na região.
A Procuradoria da República argumenta que a atividade garimpeira no local causa significativo impacto ambiental que ultrapassa os limites do estado do Amazonas. Assim, conforme o MPF, o licenciamento deve ser feito pelo governo federal, via Ibama. Para o procurador Aldo Campos de Campos Costa, é necessária a apresentação de Estudos de Impacto Ambiental para que seja realizado o licenciamento.
Em seus argumentos, ele cita estudos sobre a contaminação por mercúrio em populações ribeirinhas no rio Madeira, além da concentração do metal em casas de ouro em Porto Velho (RO). O procurador destaca que o mercúrio afeta o leito do rio, a floresta e atinge também peixes usados na alimentação humana.
Na semana passada, o Ipaam havia liberado a atividade de cooperativas de garimpeiros que atuam ao longo do rio Madeira, em quatro municípios do sul do estado. A iniciativa gerou críticas, pois contraria resoluções do Conselho Estadual do Meio Ambiente do Amazonas (Cemaam), que tratam do licenciamento de garimpo e uso de mercúrio e cianeto na extração de ouro.
Ontem mesmo o Ministério Público Federal havia ajuizado ações contra garimpeiros flagrados extraindo ouro ilegalmente no entorno da Floresta Nacional de Humaitá, em 24 de outubro. A reação à essa operação resultou em ataques a escritórios do Ibama e ICMBio em Humaitá, além da queima de um barco do Instituto Chico Mendes. A depredação do patrimônio é investigada em outro inquérito.
Ao todo, 26 garimpeiros foram denunciados por usurpação bens da União, conforme previsto na Lei 8.176/1991 (que prevê multa), que trata de crimes contra a ordem econômica, por extração ilegal de bens da união, e extração ilegal de minério, sem autorização, conforme a Lei 9.605/ 1997 (pena prevista de multa e de seis a um ano de detenção).

sábado, 16 de dezembro de 2017

Sensores impressos em plantas mostram hora da irrigação

Sensores impressos em plantas mostram hora da irrigação

Sensores impressos em plantas mostram hora da irrigação
A ideia é criar circuitos eletrônicos tipo internet das coisas, que avisem quando a planta está sem água. [Imagem: Volodymyr B. Koman et al. - 10.1039/C7LC00930E]
Sensor de seca para plantas
Esqueceu de regar as plantas? Que tal permitir que elas lhe mandem um pedido de socorro pelo celular?
Essa é uma das possibilidades criadas com o desenvolvimento de um novo sensor que pode ser impresso nas folhas das plantas e indicar quando elas estão ficando sem água.
Segundo o professor Michael Strano, do MIT, essa tecnologia poderá não apenas salvar as plantas do escritório ou de casa, mas, e mais importante, dar aos agricultores uma informação precisa que permita aplicar a irrigação de forma otimizada, nem mais e nem menos.
"Este parece ser o primeiro indicador de seca que temos para aplicações agrícolas. É difícil obter essa informação de outra maneira. Você pode colocar sensores no solo, ou você pode fazer imagens de satélite e mapeamento, mas você nunca sabe realmente o que uma determinada planta está detectando como potencial de água," disse o pesquisador, que vem trabalhando há alguns anos com plantas biônicas.
Estômatos
O sensor tira vantagem dos estômatos das plantas, pequenos poros na superfície das folhas que permitem que a água evapore. À medida que a água evapora da folha, a pressão da água na planta cai, permitindo que ela sugue mais água do solo.
"As pessoas já sabiam que os estômatos respondem à luz, à concentração de dióxido de carbono, à seca, mas agora conseguimos monitorá-lo continuamente. Os métodos anteriores não conseguiam produzir esse tipo de informação," explicou o pesquisador Volodymyr Koman.
Para criar o sensor, Koman usou uma tinta feita de nanotubos de carbono - eletricamente condutores - dissolvidos em um composto orgânico chamado dodecil sulfato de sódio. Para aplicar a tinta às folhas ele usou um molde de impressão com um canal microfluídico, que permite uma cuidadosa deposição do material.
Os primeiros dados mostraram que os estômatos abrem sete minutos após o nascer do sol e se fecham 53 minutos após o por do sol. Mais importante do que isso, porém, é que esse tempo muda quando a planta está sentindo falta de água, levando até 25 minutos para abrir e fechando-se mais cedo, 45 minutos após o horário de iluminação.
A ideia agora é imprimir os sensores em adesivos, que possam ser rapidamente aplicados nas plantas no campo. Esses adesivos deverão levar também os circuitos eletrônicos necessários para transmitir os sinais lidos das plantas para uma central de monitoramento.
Bibliografia:

Persistent drought monitoring using a microfluidic-printed electro-mechanical sensor of stomata in planta
Volodymyr B. Koman, Tedrick T. S. Lew, Min Hao Wong, Seon-Yeong Kwak, Juan P. Giraldo, Michael S. Strano
Lab on a Chip
DOI: 10.1039/C7LC00930E

Energia limpa pode mudar face do mundo até 2050

Energia limpa pode mudar face do mundo até 2050

Energia limpa pode mudar face do mundo até 2050
Uma adoção generalizada de fontes de energia renováveis pode mudar a face do mundo.[Imagem: Wikimedia Commons]
Mundo com energia renovável
Pelo menos 139 países poderiam ser totalmente abastecidos por eletricidade gerada por fontes eólica, solar e aquática até 2050.
Esta é a conclusão, não exatamente de um estudo ou de um levantamento, mas de um roteiro para a efetivação de um futuro 100% baseado em energia renovável. Uma primeira etapa prevê alcançar 80% de energia renovável em 2030, e a segunda prevê alcançar 100% em 2050.
O roteiro descreve as mudanças de infraestrutura que os 139 países devem fazer para se tornarem totalmente alimentados pelo que hoje são consideradas fontes alternativas de energia.
As análises examinaram os setores de eletricidade, transporte, aquecimento e refrigeração, industriais e de agricultura/silvicultura/pesca de cada país.
Os 139 países - selecionados porque são países para os quais os dados estão publicamente disponíveis por meio da Agência Internacional de Energia - emitem em conjunto mais de 99% de todo o dióxido de carbono de origem humana do planeta.
"Os formuladores de políticas geralmente não querem comprometer-se a fazer algo a menos que haja alguma ciência razoável que possa mostrar que é possível, e é isso que estamos tentando fazer. Existem outros cenários. Não estamos dizendo que há apenas uma maneira de fazer isso, mas ter um cenário dá orientação às pessoas," disse o professor Mark Jacobson, da Universidade de Stanford, coordenador do trabalho. "Tanto os indivíduos como os governos podem liderar essa mudança."
Economia baseada em energia limpa
A transição para uma economia baseada em energia limpa pode significar um aumento líquido de mais de 24 milhões de empregos no longo prazo, uma diminuição anual de 4 a 7 milhões de mortes por poluição atmosférica por ano, a estabilização dos preços da energia e uma poupança anual de mais de US$ 20 trilhões em custos de saúde e ações de adaptação às mudanças climáticas.
Para cada uma das 139 nações, a equipe de 26 especialistas avaliou os recursos de energia renovável disponíveis, o número de geradores de energia eólica que poderiam ser instalados, a disponibilidade de fontes de água (rios e mares), a incidência de energia solar e a área em terrenos e telhados necessária para a instalação dos painéis solares.
"O que é diferente entre este estudo e outros que propuseram soluções é que estamos tentando examinar não só os benefícios climáticos da redução de carbono, mas também os benefícios de poluição do ar, benefícios de trabalho e benefícios de custo," disse Jacobson.
Benefícios de um mundo com energia limpa
Como resultado da transição para a energia limpa, o roteiro prevê uma série de benefícios diretos.
Por exemplo, ao eliminar o uso de petróleo, gás e urânio, a energia associada à mineração, transporte e refinação destes combustíveis também é eliminada, reduzindo a demanda internacional de energia em cerca de 13%. Como a eletricidade é mais eficiente do que a queima de combustíveis fósseis, a demanda deve diminuir 23%.
As mudanças na infraestrutura também significariam que os países não precisariam depender uns dos outros para combustíveis fósseis, reduzindo a frequência dos conflitos internacionais por questões de energia.
"Além de eliminar as emissões e evitar o aquecimento global de 1,5º C e começar o processo de deixar o dióxido de carbono ser drenado da atmosfera terrestre, a transição elimina de 4 a 7 milhões de mortes por poluição atmosférica a cada ano e cria mais de 24 milhões de empregos de tempo integral no longo prazo," disse Jacobson.
Bibliografia:

100% Clean and Renewable Wind, Water, and Sunlight All-Sector Energy Roadmaps for 139 Countries of the World
Mark Z. Jacobson, Mark A. Delucchi, Zack A.F. Bauer, Savannah C. Goodman, William E. Chapman, Mary A. Cameron, Cedric Bozonnat, Liat Chobadi, Hailey A. Clonts, Peter Enevoldsen, Jenny R. Erwin, Simone N. Fobi, Owen K. Goldstrom, Eleanor M. Hennessy, Jingyi Liu, Jonathan Lo, Clayton B. Meyer, Sean B. Morris, Kevin R. Moy, Patrick L. O'Neill, Ivalin Petkov, Stephanie Redfern, Robin Schucker, Michael A. Sontag, Jingfan Wang, Eric Weiner, Alexander S. Yachanin
Joule
DOI: 10.1016/j.joule.2017.07.005

Aranhas que ingerem grafeno e nanotubos tecem teias mais fortes


Aranhas que ingerem grafeno e nanotubos tecem teias mais fortes
O biocompósito foi tecido naturalmente pelas aranhas, que ingeriram uma solução de grafeno e nanotubos de carbono.[Imagem: F. Tomasinelli]
Reforço
Cientistas da Universidade de Cambridge (Reino Unido) e de Trento (Itália) descobriram um modo de fazer com que as aranhas teçam uma seda ainda mais forte e resistente.
Emiliano Lepore e seus colegas deixaram que algumas aranhas construíssem suas teias e depois aspergiram sobre suas casas uma solução de grafeno e de nanotubos de carbono, dois materiais conhecidos por sua extrema força e resistência.

As aranhas ingeriram - ou absorveram - o material a partir do seu ambiente e continuaram levando sua vida normal.

Os cientistas então coletaram as teias que elas teceram desde a aspersão dos nanomateriais e as compararam com as teias tecidas pelas mesmas aranhas antes da aspersão.

Seda biônica
As novas teias apresentaram aumentos significativos na força, tenacidade e elasticidade dos fios, que a equipe chama de "biocompósitos" - materiais compostos sintetizados biologicamente.

Os fios de seda mais fortes apresentaram uma resistência à fratura de até 5,4 GPa, mais de 3 vezes mais forte do que as sedas originais, bem como um aumento de 10 vezes no módulo de resistência, que chegou a 2,1 GPa.

A equipe espera usar as novas sedas superfortes em tecidos biodegradáveis ou têxteis para aplicações especiais, como em para-quedas e vestimentas médicas.

"Ainda estamos nos primeiros dias [dessa nova técnica], mas nossos resultados são uma prova de conceito que abre o caminho para explorar o naturalmente eficiente processo de fiação das aranhas para produzir fibras reforçadas de seda biônica, melhorando ainda mais um dos materiais fortes mais promissores," disse o professor Nicola Pugno.
Bibliografia:

Spider silk reinforced by graphene or carbon nanotubes
Emiliano Lepore, Federico Bosia, Francesco Bonaccorso, Matteo Bruna, Simone Taioli, Giovanni Garberoglio, Andrea C Ferrari, Nicola Maria Pugno
2D Materials
Vol.: 4, Number 3
DOI: 10.1088/2053-1583/aa7cd3

Tecido reversível mantém você quente no inverno e frio no verão

Tecido reversível mantém você quente no inverno e frio no verão

Tecido reversível mantém você quente no inverno e frio no verão
Microfotografias do material (em cima) e estrutura do tecido térmico (embaixo).[Imagem: Po-Chun Hsu et al. - 10.1126/sciadv.1700895]
Ar-condicionado pessoal
Se uma roupa que tira o calor do corpo sem gastar energia não é bom o suficiente, que tal uma que, além de fazer isto, também mantenha o calor no seu corpo quando estiver fazendo frio?

Isto logo será possível com um tecido reversível - que também não gasta energia - que acaba de ser criado por uma equipe da Universidade de Stanford, nos EUA.

A ideia é que o tecido seja usado para fazer um casaco que possa ser usado de um lado no verão, eliminando o calor do corpo. No inverno, bastará virá-lo do avesso, ou seja, vesti-lo ao contrário, para que ele se incumba de manter o calor no seu corpo e o frio do lado de fora.

Tecido térmico
A novidade é um melhoramento em relação a um tecido que expulsa o calor do corpo, que a equipe apresentou no ano passado.

Foi o pesquisador Po-Chun Hsu que percebeu que o controle da radiação termal usada no tecido original pode funcionar nos dois sentidos.

Ele então empilhou duas camadas de materiais com diferentes capacidades para liberar energia térmica e criou um sanduíche colocando camadas de polietileno nos dois lados.
De um lado, um revestimento feito com uma trama de cobre aprisiona o calor entre a camada de polietileno e a pele. Do outro lado, um revestimento de carbono libera calor sob a outra camada de polietileno. Usado com a camada de cobre voltada para fora, o material aprisiona o calor e aquece a pele em dias frios. Com a camada de carbono voltada para fora, ele libera calor, refrescando o usuário.

O protótipo consegue aumentar a temperatura de conforto do usuário em 5ºC, mas a equipe acredita que poderá chegar fácil aos 15º C de variação. Além disso, agora eles estão verificando se o material suporta ser lavado a máquina sem perder a funcionalidade.

Bibliografia:

A dual-mode textile for human body radiative heating and cooling
Po-Chun Hsu, Chong Liu, Alex Y. Song, Ze Zhang, Yucan Peng, Jin Xie, Kai Liu, Chun-Lan Wu, Peter B. Catrysse, Lili Cai, Shang Zhai, Arun Majumdar, Shanhui Fan, Yi Cui
Science Advances
Vol.: 3, no. 11, e1700895
DOI: 10.1126/sciadv.1700895

Experimento faz tempo andar para trás

Experimento faz tempo andar para trás

Experimento mostra que tempo pode andar para trás
Esquema do experimento. [Imagem: Kaonan Micadei et al. (2017)]
Seta do tempo relativa
Uma equipe internacional, liderada por físicos brasileiros, realizou um experimento que mostra que a seta do tempo - o desenrolar contínuo do tempo do passado rumo ao futuro - é um conceito relativo, e não absoluto.
Em um artigo ainda sendo revisado para publicação, a equipe descreve o experimento e o resultado, e também explica por que suas descobertas não violam a segunda lei da termodinâmica.

A segunda lei da termodinâmica estabelece que a entropia, ou desordem, tende a aumentar ao longo do tempo, e é por isso que todo o mundo que nos rodeia parece se desdobrar tempo adiante, nunca dando marcha-a-ré. Ela também explica por que o café quente sempre esfria e nunca se aquece, e coisas desse tipo.
Kaonan Micadei e seus colegas parecem agora ter encontrado uma exceção a essa regra - e uma exceção que funciona de forma a não violar as regras conhecidas da física.

Partículas correlacionadas
A ideia de partículas emaranhadas, ou entrelaçadas, já é bastante conhecida, graças em parte aos esforços para transformá-las em qubits para computadores quânticos.
Mas há uma outra propriedade menos conhecida das partículas subatômicas, ligeiramente diferente do entrelaçamento. É quando as partículas estão correlacionadas, o que significa que elas se ligam de modos que não acontecem no mundo em escala humana. As partículas correlacionadas também compartilham informações, como as partículas entrelaçadas, embora por meio de uma ligação que não é tão forte.

Em seu experimento, os pesquisadores usaram essa propriedade do correlacionamento para mudar a direção da seta do tempo.

O experimento consistiu em mudar a temperatura dos núcleos em dois dos átomos de uma molécula de triclorometano - hidrogênio e carbono - , de modo que a temperatura ficou mais alta no núcleo de hidrogênio do que no núcleo de carbono. Em seguida, a equipe ficou observando como o calor fluía de um núcleo atômico para o outro.

A equipe verificou que, quando os núcleos dos dois átomos não estavam correlacionados, o calor fluiu como esperado, do núcleo mais quente de hidrogênio para o núcleo mais frio de carbono.

Mas, quando os dois estavam correlacionados, ocorreu o oposto - o calor fluiu para trás em relação ao que normalmente é observado. O núcleo quente ficou ainda mais quente, enquanto o núcleo frio ficou mais frio.
Experimento mostra que tempo pode andar para trás
Quando as partículas estão correlacionadas, a energia térmica vai do frio para o quente. [Imagem: Kaonan Micadei et al. (2017)]

Tempo andando para trás
Como é a própria assimetria do fluxo de calor no tempo - a entropia - que determina a seta do tempo, conforme descrito por Arthur Eddington há quase 100 anos, a equipe concluiu que seu experimento inverteu a seta do tempo. Em outras palavras, fez o tempo correr para trás.

"O calor flui neste caso do qubit frio para o quente: a seta do tempo é invertida. Nós caracterizamos quantitativamente a ocorrência dessa inversão calculando o calor real a cada momento," escreveram Micadei e seus colegas.

"Isso abre a possibilidade de controlar ou até mesmo inverter a seta do tempo dependendo das condições iniciais," acrescentaram.

Segundo a equipe, seu experimento não violou a segunda lei da termodinâmica porque a segunda lei pressupõe que não existam correlações entre as partículas - e a correlação foi essencial para que o tempo corresse para trás durante o experimento.

Participaram do trabalho físicos das universidades Federal do ABC, CBPF, USP (Brasil), Nacional de Cingapura, York (Reino Unido) e Erlangen-Nürnberg (Alemanha).
 
Bibliografia:

Reversing the thermodynamic arrow of time using quantum correlations
Kaonan Micadei, John P. S. Peterson, Alexandre M. Souza, Roberto S. Sarthour, Ivan S. Oliveira, Gabriel T. Landi, Tiago B. Batalhão, Roberto M. Serra, Eric Lutz
arXiv
Vol.: 1711.03323
https://arxiv.org/abs/1711.03323

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Estudos ligam cada vez mais o clima extremo às mudanças climáticas

Estudos ligam cada vez mais o clima extremo às mudanças climáticas


Imagem: Los Alamos National Laboratory
Imagem: Los Alamos National Laboratory

Um novo relatório mostra que os estudos publicados desde que o Acordo de Paris foi firmado há dois anos estão ligando cada vez mais as mudanças climáticas a eventos climáticos extremos em todo o mundo. [1]

Desde a conclusão da cúpula do clima da ONU em Paris, em 12 de dezembro de 2015, cientistas publicaram pelo menos 59 artigos sobre a atribuição de eventos climáticos específicos às mudanças climáticas. Destes, 41 concluem que as mudanças climáticas aumentaram os riscos de um determinado tipo de evento extremo, revela a análise da Unidade de Inteligência Energética e Climática (ECIU). Alguns detectam um aumento na frequência, outros aumentam a intensidade ou a duração, ou vinculam um impacto particular às mudanças climáticas, ou uma combinação desses efeitos.

Os eventos meteorológicos estudados abrangem episódios de calor extremo, seca, inundações e ondas de incêndios, e dizem respeito a todos os continentes, exceto a Antártida. Eles abrangem 32 eventos individuais recentes para os quais os riscos aumentaram devido a mudanças climáticas, com outros focando na tendência de longo prazo de riscos crescentes.

Uma pequena proporção dos eventos climáticos extremos individuais analisados ??nestes estudos têm um custo quantificado em termos de vidas perdidas ou danos econômicos. A partir destes, o relatório deduziu que, neste pequeno conjunto de eventos, as mudanças climáticas causaram cerca de 4.000 mortes e cerca de US$ 8 bilhões em danos econômicos. Mas o relatório adverte que esses números não podem ser tratados como o “custo das mudanças climáticas”.

Richard Black, diretor da ECIU e autor do relatório, disse que a compreensão das conexões entre mudanças climáticas e eventos climáticos extremos está evoluindo rapidamente. “Apenas alguns anos atrás, era difícil dizer mais sobre qualquer tempestade, seca ou onda de calor além de que era ‘consistente com o que a ciência prevê’. Cada vez mais, os cientistas podem olhar muito especificamente para um sinal de mudança climática em eventos extremos, e fazê-lo muito rapidamente. Este relatório mostra que cada vez mais, estão descobrindo que os eventos específicos são mais prováveis ou mais prejudiciais pelas mudanças climáticas “.

Comentando, a Dra. Friederike Otto, Diretora Adjunta do Instituto de Mudanças Ambientais da Universidade de Oxford, disse que a rápida evolução da ciência na atribuição de eventos está gerando conhecimento cada vez mais útil para os formuladores de políticas. “Estamos agora descobrindo que, para muitos tipos de eventos climáticos extremos, especialmente ondas de calor e chuvas extremas, podemos estar bastante confiantes sobre o efeito da mudança climática”, disse ela. “Sejam formuladores de políticas analisando questões locais, como proteção contra inundações, sejam negociadores envolvidas em processos globais sobre alterações climáticas, quanto mais informações sobre como as mudanças climáticas impactam o agora e o futuro, melhores serão as decisões que podem ser tomadas. Este relatório da ECIU mostra o rápido crescimento do conhecimento, e acho que só vai acelerar”.

O relatório foi lançado na semana em que líderes mundiais se reúnem novamente em Paris para uma cúpula climática convocada pelo presidente francês Emmanuel Macron, focada na economia da mudança climática.

# # # # #
Notas:
1. O relatório, Heavy Weather: Tracking the fingerprints of climate change, two years after the Paris summit, está disponível em http://eciu.net/assets/Reports/ECIU_Climate_Attribution-report-Dec-2017.pdf
2. O Acordo de Paris foi firmado na conclusão de uma conferência climática da ONU em Paris (COP21) em 12 de dezembro de 2015; entrou em vigor em 4 de novembro de 2016: https://www.ecodebate.com.br/?s=acordo+de+paris
Sobre
A Unidade de Inteligência Energética e Climática é uma organização sem fins lucrativos que apoia o debate informado sobre questões de energia e mudanças climáticas no Reino Unido. A Grã-Bretanha enfrenta escolhas importantes sobre energia e sobre a resposta às mudanças climáticas, e acreditamos que é vital que os debates sobre essas questões sejam fundamentados em evidências e contextos apropriados.

Colaboração de Flavia Guarnieri, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2017

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Singularidade Solar, artigo de José Eustáquio Diniz Alves



crescimento anual da produção global de energia solar

[EcoDebate] O mundo está passando por uma grande revolução da sua matriz energética, passando da era dos poluidores combustíveis fósseis para a era das energias renováveis. O Sol irradia durante 365 dias o equivalente a 10 mil vezes a energia consumida anualmente pela população mundial. Assim, o nosso astro maior pode ser a grande fonte de energia renovável do planeta, tornando-se uma fonte energética que seja abundante e, relativamente, limpa e ecológica.

Segundo Tam Hunt, a “singularidade solar” é o ponto em que a energia solar se torna tão barata na maioria dos países ao redor do mundo que é estabelecida como a nova fonte de energia padrão.


O crescimento da energia fotovoltaica acompanhado do armazenamento de baterias e os veículos elétricos formam revoluções paralelas e entrelaçadas que devem transformar o sistema energético em todo o mundo. Existe a possibilidade de se atingir 100% de energia renovável até 2050.

O gráfico acima mostra que os acréscimos anuais na produção de energia solar passou de 1 GW em 2005 para 74 GW em 2016 e deve alcançar mais de 100 GW em 2021. Portanto, um aumento de 100 vezes em 15 anos. A capacidade instalada pode ultrapassar mil GW no início da próxima década.

O custo da energia é fundamental para o seu futuro desenvolvimento. O preço de um painel solar em 2016 era 30% menor do que era em 2010 – caindo de US$ 1,50 por watt para US$ 0,447 por watt. Isso significou uma redução de 70% em seis anos.

O gráfico abaixo mostra que a queda do preço da produção da energia solar tem caído de forma consistente e já se torna competitiva com as demais fontes energéticas. A singularidade solar cria uma nova situação, pois a energia solar tenderá a crescer exponencialmente quando atingir o nível bem abaixo da paridade dos custos com novas usinas de gás natural, plantas de carvão ou usinas nucleares.

a grande queda do preço da energia solar

A energia solar foi a fonte de mais rápido crescimento em todo o mundo em 2016, superando o crescimento em todas as outras formas de geração de energia pela primeira vez, segundo a Agência Internacional de Energia. A energia renovável representou dois terços do novo poder adicionado às redes mundiais no ano passado. A nova capacidade solar já ultrapassou o crescimento líquido do carvão, anteriormente a maior fonte nova de geração de energia.


A mudança foi impulsionada pela queda dos preços e pelas políticas governamentais, particularmente na China, que representavam quase metade dos painéis solares instalados. O Dr. Fatih Birol, diretor executivo da AIE, disse: “O que estamos testemunhando é o nascimento de uma nova era na energia solar fotovoltaica [PV]. Esperamos que o crescimento da capacidade de energia solar fotovoltaica seja maior do que qualquer outra tecnologia renovável até 2022”.

O gráfico abaixo ilustra a desconexão entre as projeções históricas sobre as instalações dos painéis solares e os desenvolvimentos reais, segundo Hoekstra (12/06/2017). As 12 projeções dos relatórios do World Energy Outlook (WEO) da Agência Internacional de Energia (IEA) ficaram sempre abaixo do crescimento real da energia solar.

annual PV additions

Sem dúvida o avanço da energia solar (juntamente com a energia eólica) substituindo os combustíveis fósseis é uma necessidade urgente para a estabilização da economia e do clima. Contudo, a trajetória de mudança não será simples.


Kurt Cobb considera que a revolução energética, se acontecer na escala necessária, não deve ocorrer de maneira tão rápida e nem com tantos resultados positivos sobre o clima. Gail Tverberg (2014), no artigo: “Ten Reasons Intermittent Renewables (Wind and Solar PV) are a Problem”, relaciona dez problemas que dificultam a superação dos combustíveis fósseis e a mudança da matriz energética mundial para fontes renováveis. Artigo de Kris De Decker (14/09/2017) mostra as dificuldades para manter a economia mundial funcionando apenas com base na energia renovável.


Não resta dúvidas de que a economia internacional precisa reduzir significativamente os subsídios e a dependência dos combustíveis fósseis e aumentar o peso das energias renováveis no conjunto da produção energética, a despeito das dificuldades que precisam ser superadas. A transição energética não pode ser pequena e tardia.


Paralelamente, o mundo também precisa caminhar rumo ao decrescimento das atividades antrópicas, renovando o estilo de desenvolvimento consumista que tem colocado tantas pressões sobre o meio ambiente e a biodiversidade. A transição energética é um primeiro passo. Mas a construção de uma civilização ecológica é a única alternativa para evitar um colapso ambiental.

Referências:


ALVES, JED. Energia renovável: um salto na evolução? Ecodebate, 29/01/2010
http://www.ecodebate.com.br/2010/01/29/energia-renovavel-um-salto-na-evolucao-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. A transição energética: da energia fóssil às renováveis, Ecodebate, 28/07/2017
https://www.ecodebate.com.br/2017/07/28/transicao-energetica-da-energia-fossil-as-renovaveis-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
Tam Hunt. The Solar Singularity: 2017 Update, Green Tech media, March 24, 2017
https://www.greentechmedia.com/articles/read/the-solar-singularity-2017-update-ev-autonomous-energy-storage
Kris De Decker. How (Not) to Run a Modern Society on Solar and Wind Power Alone, Resilience, 14/09/2017 http://www.resilience.org/stories/2017-09-14/how-not-to-run-a-modern-society-on-solar-and-wind-power-alone/
Auke Hoekstra. Photovoltaic growth: reality versus projections of the International Energy Agency, 12/06/2017
https://steinbuch.wordpress.com/2017/06/12/photovoltaic-growth-reality-versus-projections-of-the-international-energy-agency/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2017
"A Singularidade Solar, artigo de José Eustáquio Diniz Alves," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/12/15/singularidade-solar-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

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PGR reafirma inconstitucionalidade de decreto do Rio de Janeiro que reduz área da APA de Tamoios

PGR reafirma inconstitucionalidade de decreto do Rio de Janeiro que reduz área da APA de Tamoios


Em parecer enviado ao STF, Raquel Dodge opinou pela procedência do pedido de liminar para suspender a eficácia do dispositivo que reduz área da APA de Tamoios


APA de Tamoios. Foto: Inea
APA de Tamoios. Foto: Inea

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou nesta quinta-feira (14) parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) no qual reafirma a inconstitucionalidade de decreto do Rio de Janeiro que reduz o território da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a norma promoveu subtração de aproximadamente 15.356 hectares, o equivalente a 68% da área original.


Na manifestação, Raquel Dodge opina pela procedência do pedido de concessão da medida cautelar (liminar) para suspender a eficácia do dispositivo e reitera os argumentos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5676, ajuizada pela PGR, em março deste ano. Segundo ela, edição de decreto que inove o ordenamento jurídico e reduz o âmbito de proteção ambiental de APA invade matéria reservada à lei pela Constituição.


“Configura-se situação de ofensa ao princípio da reserva legal, hipótese na qual o Supremo Tribunal Federal admite controle concentrado de constitucionalidade por meio de ação direta”, argumenta a PGR no documento. A procuradora-geral ainda destaca que os documentos da petição inicial evidenciam a “redução drástica da APA de Tamoios por ato infralegal, o que afasta alegação do presidente do Inea de que o decreto fluminense teria apenas disposto sobre plano de manejo da APA, sem promover alteração territorial”.


A ADI 5676 pede a inconstitucionalidade da expressão “com área total aproximada de 7.173,23 hectares”, contida no artigo 1º do Decreto 44.175/2013, do Estado do Rio de Janeiro, que aprova o plano de manejo da APA de Tamoios e estabelece seu zoneamento. De acordo com a ação, a norma, em total descompasso com o artigo 225, parágrafo 1º, inciso III, da Constituição da República, “promoveu drástica supressão da área submetida a regime de proteção ambiental”. Isso porque o Decreto 9.452/1986 havia fixado o território da APA Tamoios em 22.530 hectares.


A ação também cita parecer técnico da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal (4CCR/MPF), que trata de matéria ambiental, na qual aponta a supressão de proteção jurídica sobre território substancial da APA de Tamoios.


APA Tamoios – A Área de Proteção Ambiental de Tamoios, no município de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, foi criada pelo Decreto 9.452, de 5 de dezembro de 1986, que fixou o território em 22.530 hectares. O Plano Diretor da APA de Tamoios foi instituído pelo Decreto 20.172, de 1º de julho de 1994.


Com a edição da Lei 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), a APA de Tamoios foi recepcionada como Unidade de Conservação (UC) do grupo de uso sustentável. De acordo com a norma, APA é “área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais”.


Íntegra do parecer

Fonte: Procuradoria-Geral da República

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2017

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Modelos de clima de alta resolução apresentam novas projeções alarmantes para os EUA



pesquisa

University of Illinois at Urbana-Champaign*
Aproximando-se da segunda metade do século, os Estados Unidos provavelmente sofrerão aumento no número de dias com calor extremo, na frequência e duração das ondas de calor. Em resposta, prevê-se que as necessidades sociais, agrícolas e ecológicas irão aumentar a demanda em recursos naturais já esbanjados, como água e energia.


Pesquisadores da Universidade de Illinois desenvolveram novos modelos de clima de alta resolução que podem ajudar os responsáveis políticos a mitigar esses efeitos a nível local.
Em um artigo publicado no jornal Earth’s Future , o professor de ciências atmosféricas Donald Wuebbles , o estudante de graduação Zach Zobel e os cientistas do Argonne National Laboratory, Jiali Wang e Rao Kotamarthi, demonstram como a modelagem de resolução aumentada pode melhorar futuras projeções climáticas.

Muitos modelos climáticos usam uma resolução espacial de centenas de quilômetros. Esta abordagem é adequada para modelos de escala global que funcionam durante séculos no futuro, mas não conseguem capturar características de terra e clima em pequena escala que influenciam os eventos atmosféricos locais, disseram os pesquisadores.

“Nossos novos modelos funcionam em uma resolução espacial de 12 km, o que nos permite examinar mudanças localizadas no sistema climático nos EUA continentais”, disse Wuebbles. “É a diferença entre ser capaz de resolver algo tão pequeno quanto o condado de Champaign contra o estado inteiro de Illinois – é uma grande melhoria”.

O estudo analisou duas futuras futuras projeções de produção de gases de efeito estufa – um cenário “comercial como de costume”, onde o consumo de combustível fóssil permanece em sua trajetória atual e que implica uma redução significativa no consumo até o final do século. O grupo gerou dados para duas projeções de dez anos (2045-54 e 2085-94) e comparou-os com dados históricos (1995-2004) para o contexto.

“Uma das descobertas mais alarmantes na nossa projeção de negócios como de costume mostra que, no final do século, o sudeste dos EUA experimentará temperaturas máximas de verão todos os dias que costumavam ocorrer apenas uma vez a cada 20 dias”, disse Zobel.
Embora não sejam tão graves, outras regiões do país também devem experimentar alterações significativas na temperatura.

“O Centro-Oeste poderia ver grandes eventos de calor incomuns, como a onda de calor de Chicago de 1995, que matou mais de 800 pessoas, tornando-se mais comuns e talvez até até quase cinco vezes por ano até o final do século”, disse Wuebbles. “As ondas de calor aumentam a taxa de mortalidade no Centro-Oeste e no Nordeste porque as pessoas nessas regiões densamente povoadas não estão acostumadas a lidar com esse tipo de calor que frequentemente”.

As temperaturas extremas e a duração prolongada da estação mais quente provavelmente terão um impacto significativo nas culturas e no ecossistema, disseram os pesquisadores. Áreas como o Oeste americano, que já estão lidando com recursos hídricos limitados, podem assistir estações de geada muito mais curtas, levando a um aumento menor na água de derretimento da primavera do que o que é necessário.

“A alta resolução de nossos modelos pode captar variáveis climáticas regionais causadas por formas de relevo locais como montanhas, vales e corpos de água”, disse Zobel. “Isso permitirá que os formuladores de políticas adaptem as ações de resposta de uma maneira muito localizada”.

Os novos modelos se concentram na temperatura e não influenciam o efeito que os padrões regionais de precipitação terão sobre o impacto das mudanças climáticas antecipadas. Os pesquisadores planejam ampliar seu estudo para explicar essas variáveis adicionais.

“O conceito de mudança climática global pode ser um pouco abstrato, e as pessoas querem saber como essas mudanças projetadas os afetarão, em sua comunidade”, disse Wuebbles.

“Nossos modelos estão ajudando a responder a essas perguntas, e é isso que separa nosso trabalho dos estudos maiores e de escala global”.

Referência:
Zobel, Z., Wang, J., Wuebbles, D. J. and Kotamarthi, V. R. (), High Resolution Dynamical Downscaling Ensemble Projections of Future Extreme Temperature Distributions for the United States. Earth’s Future. Accepted Author Manuscript. doi:10.1002/2017EF000642
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/2017EF000642/epdf

*Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2017

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Rio proíbe uso de animais em testes de produtos cosméticos

Rio proíbe uso de animais em testes de produtos cosméticos

Por Sabrina Rodrigues
Por 40 votos a zero, deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro derrubam o veto do governador Pezão ao Projeto de Lei 2714/2014, que proíbe teste em animais para produção de cosméticos e de higiene pessoal. Foto: João Carlos Caribé/Flickr.
Por 40 votos a zero, deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro 
derrubam o veto do governador Pezão ao Projeto de Lei 2714/2014, que proíbe teste 
em animais para produção de cosméticos e de higiene pessoal. 

Foto: João Carlos Caribé/Flickr.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) derrubou na terça-feira (12) o veto do governador Luiz Fernando Pezão ao Projeto de Lei 2714/2014. Pezão havia vetado o PL que proíbe no Estado do Rio de Janeiro, a utilização de animais para desenvolvimento, experimentos e testes de produtos cosméticos, higiene pessoal, perfumes, e seus componentes além da comercialização dos produtos quando derivados da realização desse tipo de teste.

Com 40 votos favoráveis e nenhum contrário, o veto ao PL foi derrubado e a lei de autoria dos deputados Paulo Ramos (PSol) e Gilberto Palmares (PT) e do deputado licenciado Thiago Pampolha  (PDT) passa a valer em todo o estado do Rio de Janeiro.

O deputado Gilberto Palmares justifica a lei ao afirmar que  “Já há metodologias que fazem testes desses produtos sem utilizar os animais, então, nós temos que respeitar a dignidade dos animais e não tratá-los de forma cruel”, explica Palmares.

A lei prevê punição que vai desde pagamento de multa e até suspensão definitiva do alvará de funcionamento para as empresas que descumprirem o regramento.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

O crescente desmatamento do planeta e o mito da ‘transição florestal’, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


“A floresta precede os povos
E o deserto os segue”
(Chateaubriand)

cem anos de devastação

[EcoDebate] O número de árvores no mundo está em torno de três trilhões de unidades. São muitas árvores, mas havia o dobro deste número no passado recente. A humanidade já destruiu a metade de todas as árvores do planeta desde o avanço exponencial da pegada ecológica da civilização, segundo um estudo da Universidade de Yale, publicado pela revista científica Nature, conforme reportagem de El País (02/09/2015)

Mas o pior é que os seres humanos estão destruindo 15 bilhões de árvores por ano, enquanto o aparecimento de novas árvores e o reflorestamento é de somente 5 bilhões de unidades. Ou seja, o Planeta está perdendo 10 bilhões de árvores por ano e pode eliminar todo o estoque de 3 trilhões de árvores em 300 anos.

O Brasil é um triste exemplo de destruição das florestas. Cerca de 90% da Mata Atlântica foi destruída a “ferro e fogo”, como mostrou Warren Dean. São Paulo é o maior estado do Brasil, tanto em termos populacionais, quanto econômico. Mas o crescimento das atividades antrópicas teve como consequência a destruição das matas e da biodiversidade do estado. Segundo Mauro Antônio Moraes Victor et. al. (2005), no início do século XIX a cobertura florestal do Estado de São Paulo correspondia a 81,8% de seu território, equivalente a 20.450.000 hectares (veja a figura acima).

Durante o Brasil Colônia, o processo de devastação da cobertura florestal ficou limitado às áreas do litoral e às cercanias de São Paulo de Piratininga e se expandiu após a independência do Brasil. Mas foi com o surto cafeeiro que a devastação avançou em grande escala, com uma alta correlação entre o caminhamento do café em direção ao interior paulista e o avanço das derrubadas. O café entrou em São Paulo pelo Vale do Paraíba, proveniente do Rio de Janeiro. A entrada aconteceu em 1790, mas foi a partir de 1850 que este processo ganhou corpo.

Na segunda metade do século XIX os cafezais avançam derrubando as florestas das regiões Norte e Central. As lavouras progridem a passos largos e os fazendeiros de ltu, Jundiaí e Campinas adquirem terras novas, entrando pelo sertão através do rio Tietê e sua rede de afluentes. Usando o vale do rio Mogi-Guaçu e Pardo, aproximam-se das terras altas e roxas próximas a Minas Gerais, onde o café encontra condições ideais de produtividade. Em 1870 funda-se Ribeirão Preto, em 1871 Piraju, em 1879 São José do Rio Preto. Por essa mesma época ainda, na esteira do café, parecem as cidades de Campos Novos Paulista, São Manuel e Bauru. Em 1907, a devastação florestal já era enorme no Estado de São Paulo

Após o fim da Primeira Guerra Mundial e o crescimento da economia mundial na década de 1920, acontece uma nova febre de plantio, atingindo profundamente as matas das regiões Noroeste, Araraquarense, Alta Paulista e Alta Sorocabana. Mas o que já estava ruim, piorou depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Em 1952, São Paulo tinha apenas 18,2 % da cobertura vegetal de seu território, concentrando-se os últimos remanescentes na escarpa Atlântica, região mais inatingível devido ao relevo acidentado, em torno da Capital, no Vale do Ribeira e no Pontal de Paranapanema. A destruição continuou com o processo de urbanização e o crescimento populacional.

O estado de São Paulo tinha uma população de 837 mil pessoas em 1872, quando se realizou o primeiro censo demográfico brasileiro. Chegou a 2,3 milhões de habitantes em 1900. Pulou para 9,1 milhões em 1950. Atingiu 37 milhões de habitantes na virada do milênio. O censo 2010 indicou uma população paulista de 41,3 milhões de habitantes.

O fim da hegemonia do café não interrompeu a devastação, pois a indústria, as novas culturas e a pecuária completaram o serviço de destruição. Caiu o uso da lenha e do carvão vegetal como energia para as locomotivas a vapor, mas cresceu a utilização de madeira para uso doméstico e industrial. O regime militar acelerou o processo de ocupação de todo o território paulista.

O crescimento da população e da economia na região metropolitana e a “política de interiorização do desenvolvimento” transformou em letra morta todas as tentativas de interromper a eliminação das florestas.

Mas no ano 2000 a cobertura vegetal do Estado de São Paulo era de apenas 3%, praticamente em áreas escarpadas e difícil acesso. Em 200 anos, a cobertura vegetal caiu de 82% para 3%.

Evidentemente, muitas espécies vegetais e animais desapareceram e foram extintas neste processo. O progresso humano dos paulistas aconteceu passo a passo ao regresso ambiental e à degradação do meio ambiente. O triste é que o desmatamento não ficou restrito à SP, mas se generalizou em todos os Estados e o pior que o desmatamento continua no século XXI.

Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a área desmatada na Mata Atlântica, entre 2015 a 2016, foi de 29.075 hectares (ha), ou 290 Km2, nos 17 Estados do bioma Mata Atlântica, representando um aumento de 57,7% em relação ao período anterior (2014-2015), que foi de 18.433 ha.

O gráfico abaixo mostra que a taxa de desflorestamento da Mata Atlântica está diminuindo, especialmente depois dos anos 2000, mas isto porque já resta pouca coisa para ser destruída. Mesmo assim o desmatamento aumentou de 2015-16 em relação a 2014-15. Em São Paulo, por exemplo, onde restam tão poucos remanescentes florestais, o desmatamento aumentou de 45 hectares em 2014-15 para 698 ha em 2015-16 (uma aumento de 1.462%).

taxa de desflorestamento anual da Mata Atlântica

A degradação continua também nos demais biomas brasileiros. Metade do Cerrado já perdeu a sua cobertura florestal e o desmatamento anual é escandaloso, provocando um holocausto biológico e a degradação das fontes de água. O cerrado perdeu 9.483 km2 de vegetação em 2015, um número que equivale a mais de seis cidades de São Paulo e supera em 52% a devastação na Amazônia no mesmo ano. O Cerrado pode desaparecer em 40 anos.

Na Amazônia, o desmatamento vinha caindo até 2012, mas a partir de 2013 voltou a subir e, em 2016, o desmatamento foi maior do que em 2009, como mostra o gráfico abaixo. Entre agosto de 2016 e julho de 2017, o desmatamento na Amazônia caiu 16%, o que representou 6.624 km² de floresta foram devastados no período, o equivalente a quatro vezes a cidade de São Paulo. O desmatamento do último ano foi maior do que o de 2011.

cresce o desmatamento da Amazônia

A Amazônia Legal brasileira possui(a) uma área de 5.217.423 km². De 1988 a 2017, os dados do Prodes mostram que o desmatamento atingiu o montante de 430 mil km². Outros 400 mil km² foram destruídos entre 1965 e 1988. Os 4,4 milhões de km² restantes, podem desaparecer em 600 anos se o desmatamento anual ficar em torno de 7 mil km².

Para complicar o quadro, as queimadas e os incêndios aceleram o quadro de destruição florestal. Agora em 2017 os incêndios destruíram grandes áreas de Portugal, Espanha e da Califórnia, nos EUA, além de várias áreas no Brasil. Com o aquecimento global esta situação deve se agravar. Assim, maiores queimadas aumentam o efeito estufa e menos florestas diminui o sequestro de carbono.

Estes dados, contestam o mito da “transição florestal” (ou a recuperação das florestas). É evidente que localmente ou em um ou outro país as áreas de florestas podem aumentar. Porém, geralmente, o que se planta são monoculturas, como a do eucalipto, da seringueira, etc., o que se chama de “deserto verde”.

Portanto, o quadro de deflorestação e defaunação global não exclui o aumento da cobertura florestal em alguns locais. O gráfico abaixo, apresentado em artigo de Leiwen Jiang e Anping Chen (IUSSP, 2017) mostra que a cobertura florestal na China aumentou especialmente nas últimas duas décadas paralelamente ao avanço da industrialização e da urbanização. Mas a China garante os investimentos na “Great Green Wall” na medida em que compra madeira dos países tropicais. A China “exporta” sua pegada ecológica, enquanto aumenta a sua biocapacidade às custas da degradação ambiental de outros países e regiões do mundo.

historical changes in land cover and population

Segundo a WWF, no relatório Planeta Vivo 2014, o estado atual da biodiversidade do planeta está pior do que nunca. O Índice do Planeta Vivo (LPI, sigla em Inglês), que mede as tendências de milhares de populações de vertebrados, diminuiu 52% entre 1970 e 2010. Em outras palavras, a quantidade de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes em todo o planeta é, em média, a metade do que era 40 anos atrás. Esta redução é muito maior do que a que foi divulgada em relatórios anteriores em função de uma nova metodologia que visa obter uma amostra mais representativa da biodiversidade global.

Ainda segundo a WWF, a biodiversidade está diminuindo em regiões temperadas e tropicais, mas a redução é maior nos trópicos. Entre 1970 e 2010, o LPI temperado diminuiu 36% em 6.569 populações das 1.606 espécies em regiões temperadas, ao passo que o LPI tropical diminuiu 56% em 3.811 populações das 1.638 espécies em regiões tropicais durante o mesmo período. A redução mais dramática aconteceu na América Latina – uma queda de 83%.

Estudo publicado na revista científica Plos One (18/10/2017) revela queda de 75% no número de insetos voadores na Alemanha (Insectageddon). Os dados foram obtidos em áreas protegidas do país, mas o resultado têm implicações para todas as regiões onde a paisagem é dominada pela agricultura. De acordo com os autores da pesquisa, a constatação é preocupante, já que os insetos têm um papel crucial no funcionamento dos ecossistemas, polinizando 80% das plantas e fornecendo alimento para 60% das aves.

Evidentemente, iniciativas com as do Instituto Terra, criado pelo fotógrafo Sebastião Salgado são bem-vindas e superimportantes. Mas todas as conquistas da recuperação de 40 milhões de m² promovida pelo Instituto ficaram secundarizadas diante do desastre ambiental de Mariana (MG), quando, em 5 de novembro de 2015, cerca de 34 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério de ferro jorraram do complexo de mineração operado pela Samarco e percorreram 55 km do rio Gualaxo do Norte e outros 22 km do rio do Carmo até desaguarem no rio Doce.

No total, a lama percorreu 663 km até encontrar o mar, no município de Regência (ES) e provocou um rastro de destruição de proporções infernais. O continuado crescimento de bens e serviços da economia global provoca o aumento da demanda por recursos naturais e aumenta o descarte de lixo, resíduos sólidos e poluição em todas as suas diferentes formas destrutivas.

Tudo isto deixa claro que a aniquilação biológica está em curso no Brasil e no mundo. O genocídio ecológico, com o fim das florestas e da biodiversidade, pode significar o fim da humanidade. Como disse o escritor francês François-René Chateaubriand (1768-1848): “A floresta precede os povos, e o deserto os segue”. Do ponto de vista global, a única transição florestal que acontece, de fato, é das áreas verdes para as áreas desertificadas e defaunadas.

Referências:
Cem anos de devastação: revisitada 30 anos depois/Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Biodiversidade e Florestas: Mauro Antônio Moraes Victor… [et al.]. – Brasília: 2005 http://www.historiaambiental.org/biblioteca/ebooks/cem_anos_de_devastacao_2005.pdf#page=1&zoom=60,0,803
Ministério do Meio Ambiente. Mata Atlântica
http://www.mma.gov.br/biomas/mata-atlantica
Nuño Domínguez. A humanidade já destruiu a metade de todas as árvores do planeta, El País, 02/09/2015
https://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/02/ciencia/1441206399_772262.html
SOS Mata Atlântica. Desmatamento da Mata Atlântica cresce quase 60% em um ano, 26/05/2017
https://www.sosma.org.br/projeto/atlas-da-mata-atlantica/dados-mais-recentes/
Leiwen Jiang; Anping Chen. Urbanization, Migration, Climate Change and Vegetation Coverage in China, IUSSP, Cape Town, 2017
https://iussp.confex.com/iussp/ipc2017/meetingapp.cgi/Paper/7496
George Monbiot. Insectageddon: farming is more catastrophic than climate breakdown, The Guardian, Friday 20/10/2017
https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/oct/20/insectageddon-farming-catastrophe-climate-breakdown-insect-populations

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/12/2017
"O crescente desmatamento do planeta e o mito da ‘transição florestal’, artigo de José Eustáquio Diniz Alves," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/12/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/12/13/o-crescente-desmatamento-do-planeta-e-o-mito-da-transicao-florestal-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

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