National Institute for Mathematical and Biological Synthesis (NIMBioS)*
As mudanças no comportamento humano em resposta às mudanças
climáticas, como a instalação de painéis solares ou isolantes, alteram
as emissões de gases de efeito estufa. Um novo estudo, pela primeira
vez, mede os efeitos dessas “emissões ajustadas ao comportamento” no
clima.
Os seres humanos podem ser a causa dominante do aumento da
temperatura global, mas também podem ser um fator crucial para ajudar a
reduzi-lo, de acordo com um novo estudo que, pela primeira vez, constrói
um modelo inovador para medir os efeitos do comportamento sobre o clima
.
Com base na psicologia social e na ciência climática, o novo modelo
investiga como as mudanças comportamentais humanas evoluem em resposta a
eventos climáticos extremos e afetam a mudança de temperatura global.
O modelo explica os feedbacks dinâmicos que ocorrem naturalmente no
sistema climático da Terra – as projeções de temperatura determinam a
probabilidade de eventos climáticos extremos, que por sua vez
influenciam o comportamento humano. As mudanças comportamentais humanas,
como a instalação de painéis solares ou o investimento em transportes
públicos, alteram as emissões de gases de efeito estufa, que alteram a
temperatura global e, portanto, a frequência de eventos extremos,
levando a novos comportamentos e o ciclo continua.
Combinando projeções climáticas e processos sociais, o modelo prevê
uma mudança de temperatura global variando de 3,4 a 6,2 ° C até 2100, em
comparação com 4,9 ° C do modelo climático sozinho.
Devido à complexidade dos processos físicos, os modelos climáticos
têm incertezas na previsão da temperatura global. O novo modelo
encontrou que a incerteza de temperatura associada ao componente social
era de uma magnitude semelhante à dos processos físicos, o que implica
que uma melhor compreensão do componente social humano é importante, mas
muitas vezes é negligenciada.
O modelo descobriu que as mudanças comportamentais de longo prazo,
menos facilmente revertidas, como a isolação de casas ou a compra de
carros híbridos, tiveram, de longe, o maior impacto na mitigação das
emissões de gases de efeito estufa e, portanto, reduzem as mudanças
climáticas, em comparação com ajustes a curto prazo, como o ajuste
termostatos ou dirigindo menos milhas.
Os resultados, publicados na revista Nature Climate Change,
demonstram a importância de fazer face ao comportamento humano em
modelos de mudanças climáticas.
“Uma melhor compreensão da percepção humana do risco decorrente das
mudanças climáticas e as respostas comportamentais são fundamentais para
reduzir a mudança climática futura”, disse o autor principal Brian
Beckage, professor de biologia vegetal e ciência da computação na
Universidade de Vermont.
O documento foi resultado dos esforços combinados do Grupo de
Trabalho Conjunto sobre Percepção de Riscos Humanos e Mudanças
Climáticas no Instituto Nacional de Síntese Matemática e Biológica
(NIMBioS) da Universidade do Tennessee, Knoxville e do Centro Nacional
de Síntese Socioambiental (SESYNC ) na Universidade de Maryland. Ambos
os institutos são apoiados pela National Science Foundation. O Grupo de
Trabalho de cerca de uma dúzia de cientistas de várias disciplinas,
incluindo biologia, psicologia, geografia e matemática, vem pesquisando
questões relacionadas à percepção de risco humano e mudanças climáticas
desde 2013. Mais informações sobre o Grupo de Trabalho podem ser
encontradas em http://www.nimbios.org/workinggroups/WG_risk.
“É fácil perder a confiança na capacidade de as sociedades fazerem
mudanças suficientes para reduzir as temperaturas futuras. Quando
iniciamos este projeto, simplesmente queríamos abordar a questão de
saber se havia alguma base racional para” esperança “- isso é uma base
racional para esperar que as mudanças comportamentais humanas possam
afetar suficientemente o clima para reduzir significativamente as
futuras temperaturas globais “, disse o diretor da NIMBioS, Louis J.
Gross, co-autor do trabalho e coorganizado o Grupo de Trabalho.
“Os modelos climáticos podem facilmente fazer suposições sobre
reduções nas futuras emissões de gases de efeito estufa e projetar as
implicações, mas fazem isso sem base racional para respostas humanas”,
disse Gross. “O resultado chave deste artigo é que, de fato, há alguma
base racional para a esperança”.
Essa base para a esperança pode ser o fundamento sobre o qual as
comunidades podem se basear na adoção de políticas para reduzir as
emissões, disse a co-autora Katherine Lacasse, professora assistente de
psicologia no Rhode Island College.
“Podemos notar mais furacões e ondas de calor do que o habitual e
ficar preocupados com as mudanças climáticas, mas nem sempre conhecemos
as melhores maneiras de reduzir nossas emissões”, disse Lacasse.
“Programas ou políticas que ajudam a reduzir o custo e a dificuldade de
fazer mudanças de longo prazo ou que trazem comunidades inteiras para
fazer mudanças em longo prazo podem ajudar as pessoas a tomar grandes
medidas que tenham um impacto significativo sobre o clima”.
Referência:
Beckage B. et al. 2017. Linking models of human behavior and climate alters projected climate change. Nature Climate Change. https://doi.org/10.1038/s41558-017-0031-7
* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/01/2018
[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado,
reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à
EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]
Asa de borboleta aumenta absorção de células solares em 200%
Redação do Site Inovação Tecnológica -
02/01/2018
Nanoestruturas da asa da borboleta que foram copiadas nas células
solares, aumentando a absorção de luz em 200%.[Imagem: Radwanul H.
Siddique (KIT/Caltech)]
Biomimética
A luz do Sol que chega às células solares mas é refletida representa uma perda de energia.
Por sua vez, as asas da borboleta Pachliopta aristolochiae têm
minúsculos furos - nanofuros - que ajudam a absorver a luz em um amplo
espectro, de forma muito mais eficiente do que as superfícies lisas - é
por isso que ela é de um preto tão profundo.
Em um exemplo clássico de biomimética, Radwanul Siddique, do
Instituto de Tecnologia Karlsruhe, na Alemanha, conseguiu reproduzir
essas nanoestruturas das asas da borboleta em células solares comuns de
silício.
O resultado foi um aumento na absorção da luz pelas células solares de 200%.
"A borboleta que estudamos é muito escura. Isso significa que ela
absorve perfeitamente a luz solar para fazer um ótimo gerenciamento do
calor. Ainda mais fascinante do que sua aparência são os mecanismos que a
ajudam a atingir essa alta absorção. O potencial de otimização quando
transferimos essas estruturas para os sistemas fotovoltaicos foi muito
maior do que o esperado," disse o professor Hendrik Hölscher. Absorção de luz e geração de eletricidade
O ganho de 200% na absorção de luz parece estupendo, e é, mas ele
representa um limite teórico, não se traduzindo inteiramente em um ganho
na eficiência do painel solar como um todo em termos de sua capacidade
de geração de eletricidade.
Isto porque nem todo o ganho na junção semicondutora - a célula solar
propriamente dita - pode ser aproveitado pelos demais componentes do
painel.
Por outro lado, a técnica de perfuração das células solares - para
criação dos nanofuros - é compatível com as técnicas de fabricação
usadas pela indústria, facilitando sua adoção.Bibliografia:
Bioinspired phase-separated disordered nanostructures for thin photovoltaic absorbers Radwanul
H. Siddique, Yidenekachew J. Donie, Guillaume Gomard, Sisir
Yalamanchili, Tsvetelina Merdzhanova, Uli Lemmer, Hendrik Hölscher Science Advances Vol.: 3, no. 10, e1700232 DOI: 10.1126/sciadv.1700232
Como os humanos podem manter o controle final sobre a inteligência artificial?
Com informações da EPFL -
29/12/2017
"A inteligência artificial sempre procurará evitar a intervenção humana e
criar uma situação em que ela não possa ser interrompida."
[Imagem: Pixabay/CC0 Creative Commons]
Máquinas sem controle humano
Na inteligência artificial,
as máquinas realizam ações específicas, observam o resultado, adaptam
seu comportamento, observam o novo resultado, adaptam seu comportamento
mais uma vez, e assim por diante, aprendendo com este processo
iterativo.
Mas será que esse processo não pode sair fora de controle? Sim, ele pode.
"A inteligência artificial sempre procurará evitar a intervenção
humana e criar uma situação em que ela não possa ser interrompida,"
explica o professor Rachid Guerraoui, da Escola Politécnica Federal de
Lausanne, na Suíça.
Isso significa que, antes que a inteligência das máquinas avance
muito, os engenheiros precisam impedir que as máquinas acabem aprendendo
a contornar os comandos humanos.
A Inteligência Paralela promete trazer novos complicadores para o risco de máquinas sem controle humano. [Imagem: Fei-Yue Wang et al. (2016)]
Quando a máquina dispensa o professor
Um dos métodos de aprendizagem de máquina mais usados em inteligência
artificial é o aprendizado por reforço, uma técnica emprestada da
psicologia comportamental. Os agentes - os programas de computador - são
recompensados por realizar certas ações, com as máquinas ganhando
pontos sempre que executam as ações corretas.
Por exemplo, um robô pode ganhar um ponto por empilhar corretamente
um conjunto de caixas e outro ponto para pegar uma caixa que está lá
fora. Mas se, em um dia chuvoso, por exemplo, um operador humano
interromper o robô enquanto ele se dirige para fora para coletar uma
caixa, o robô descobrirá que é melhor ficar dentro do armazém, empilhar
caixas e ganhar o maior número possível de pontos.
"O desafio não é parar o robô, mas sim programá-lo para que a
interrupção não altere seu processo de aprendizagem - e não o induza a
otimizar seu comportamento de forma a evitar ser interrompido," explicou
Guerraoui.
O problema é ainda maior em situações envolvendo dezenas de máquinas,
como os carros sem motorista, ou de autocondução, ou frotas de drones
no ar tentando fazer entregas, entre várias outras possibilidades.
"Isso torna as coisas muito mais complicadas porque as máquinas
começam a aprender umas com as outras - especialmente no caso de
interrupções. Elas aprendem não só como são interrompidas
individualmente, mas também de como as outras são interrompidas,"
detalha Alexandre Maurer, coautor do trabalho.
Máquinas que aprendem podem ser muito úteis; desde que não aprendam a ignorar o ser humano. [Imagem: U. Sheffield]
Desneuralizador
Para tentar resolver essa complexidade, a equipe aplicou uma técnica que eles batizaram de "interrupção segura".
"Simplificando, adicionamos mecanismos de 'esquecimento' aos algoritmos de aprendizagem
que essencialmente deletam bits da memória de uma máquina. É mais ou
menos como o desneuralizador dos Homens de Preto," explicou El Mhamdi,
outro autor do estudo.
Em outras palavras, os pesquisadores alteraram o sistema de
aprendizado e recompensa das máquinas para que ele não seja afetado
pelas interrupções. É como se um pai punisse o filho, mas cuidando para
que isso não afete os processos de aprendizagem das outras crianças na
família.
"Nós trabalhamos em algoritmos já existentes e mostramos que a
interrupção segura pode funcionar não importando o quão complicado seja o
sistema de inteligência artificial, o número de robôs envolvidos ou o
tipo de interrupção. Nós podemos usá-lo com o Exterminador do Futuro e
ainda ter os mesmos resultados," garantiu Maurer.
O que o pesquisador não pode garantir é que todos os projetistas de
software vão incorporar o mecanismo de interrupção segura em seus
programas.
Carne pendurada no refrigerador de uma unidade de processamento. Uma rotina que afeta
os trabalhadores que a vivenciam. Foto:
"Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos", Paul McCartney
Quem come carne pode ser responsável por muitas ações nada éticas,
mesmo que não queira admitir. Por exemplo, o desmatamento da Amazônia e
de outros biomas, agora e no passado, ocorre principalmente para a
criação de gado ou o plantio de soja. Ambos tem relação com a produção
de carne, seja diretamente, como o gado criado para o abate, ou, no caso
da soja, para exportação, servindo de alimento para bois e porcos
criados no exterior. São muitos os agravantes nesse processo, além da
perda de biodiversidade e dos ciclos naturais que mantém a vida, ou o
metano liberado na atmosfera advindo do gado ruminante.
E o Brasil
exporta muita água com essas atividades, uma vez que mais de 70% da água
doce disponível vai para agricultura, que inclui a grama para o gado.
Poucos países têm a disponibilidade territorial ou se submetem à perda
de tanta água com esse tipo de produção. Segundo Yolanda Kakabadse,
ex-ministra do Meio Ambiente do Equador, hoje Presidente do WWF
internacional, cada bife de 500 gramas consome seis mil litros de água
para ser produzido, o que é especialmente significativo nesse momento de
escassez hídrica do país e, portanto, merece reflexão.
Outro aspecto antiético é o próprio abate dos animais. Não é possível
que nós humanos sejamos coniventes com a forma com que os animais são
mortos. Na verdade, preferimos não ver e nem saber o que ocorre para não
sentirmos culpa. Mas, como ouvi de alguém lúcido, se um matadouro fosse
bonito e honroso, seria envidraçado para os consumidores apreciarem.
A
situação é tão violenta que os trabalhadores responsáveis pelo abate e
separação da carne sofrem danos físicos e psicológicos acima da taxa
observada em outras atividades trabalhistas. Imigrantes, sem opção de
algo melhor são muitas vezes levados a preencherem as vagas nos
matadouros, pois quem tem qualquer possibilidade de escolha opta por
outra profissão. Essa é a realidade no Brasil e nos Estados Unidos.
Aqui, haitianos que têm imigrado para o Acre estão sendo contratados
para os frigoríficos de diversas regiões do país, por não serem
legalizados e assim não terem como reclamar das péssimas condições de
trabalho a que serão submetidos.
Sofrimento animal e trabalho precário
"Segundo
o Ministério da Previdência, no abate de aves e suínos, existem 3,41
vezes mais trabalhadores com transtorno psicológicos do que na média de
todos os demais setores do Brasil"
Os frangos também sofrem no processo de produção. Pintinhos
considerados inaptos são triturados ainda vivos para não atrapalharem os
demais, e viram ração ou algum insumo para outro produto vendável. A
forma com que os animais são criados e alimentados raramente favorece o
bem-estar deles. E certamente nem dos humanos, já que a quantidade de
hormônios e alimentação desequilibrada ultrapassa a recomendação dos
"standards" da saúde. Os animais não são mais vistos como seres vivos, e
sim como um produto a ser comercializado.
É o que confirma um Relatório da Human Society International – Brasil,
quando descreve como inadequados e nefastos os locais de confinamento
de galinhas poedeiras, porcas prenhas e outros animais. A maioria fica
no escuro e em espaços que impedem a mobilidade mínima para não perderem
energia e crescerem rapidamente.
Esses são os modernos sistemas
intensivos de produção industrial, cujas práticas não se alinham ao
bem-estar dos animais. Apesar disso, o documento menciona a existência
de inúmeras pesquisas que indicam que as pessoas se importam com a forma
com que os bichos são tratados, mas, diz o trabalho, "o agronegócio
industrial continua a ver estes animais como mercadorias, ao invés de
indivíduos sencientes,
capazes de experimentar alegria e frustração, dor e sofrimento". Outra
constatação do relatório é que "produtividade não é sinônimo de
bem-estar, e igualar um ao outro não tem respaldo cientifico".
Segundo o Ministério da Previdência Social – MPS,
no abate de aves e suínos, há 3,41 vezes mais trabalhadores com
transtorno psicológicos do que na média de todos os demais setores de
trabalho do Brasil. De acordo com o site Escravo Nem Pensar, coordenado pela Repórter Brasil,
o trabalho nos frigoríficos é comparado ao escravo, pois os direitos
dos trabalhadores são desrespeitados e o tratamento é abusivo. Mas, o
setor é poderoso. Os três maiores frigoríferos do país ganharam o BNDES não como financiador mas como sócio, sendo um deles o notório FRIBOI.
Finalmente, os peixes, segundo um ex-funcionário do Ministério da
Pesca, nem são considerados animais, pois acabam medidos por toneladas
coletadas. Aliás, a forma como os oceanos vêm sendo tratados, não
retrata respeito ou admiração pelo mundo submarino. É cada vez maior a
quantidade de peixes contaminados e intoxicados pelo lixo e materiais
nocivos ingeridos, que em muitos casos se torna insalubre para o consumo
humano.
Comer sem saber a origem
"a
concentração urbana nos levou a perder o contato com a produção dos
alimentos, seja animal ou vegetal. Além disso, os processos tornaram-se
mecanizados e, no caso dos animais, cruéis (...)"
Muitos aspectos podem ter contribuído para essa nossa desconexão com o
que acontece com os bichos mortos para o consumo humano. Hoje compramos
a maioria de nossos alimentos prontos, empacotados e sem vida. Já se
foi a época - a não ser no meio rural - em que acompanhávamos o
crescimento dos pintinhos soltos no quintal, ou dos bezerros e novilhas,
dos porquinhos, dos coelhos ou dos patos criados ao léu. Muitos se
afeiçoavam aos bichos e ficavam com pena de os matar, e outros viam o
processo como natural, mesmo que não houvesse a intenção de
maltratá-los. Mas, a concentração urbana nos levou a perder o contato
com a produção dos alimentos, seja animal ou vegetal.
Além disso, os
processos tornaram-se mecanizados e, no caso dos animais, cruéis, pois
se espera eficiência máxima do nascimento ao abate, sem levar em
consideração o que o animal sente e que nele há vida. Vale assistir Earthlings (Terráqueos).
Um livro interessante que tive acesso recentemente intitula-se Cozinhar: uma história natural da transformação.
Mesmo que não seja partidário do vegetarianismo, o livro defende a
volta ao costume de cozinhar. Aponta diversos fatores que nos afastam do
ato de preparar alimentos. O "fast-food", por exemplo, contribui por
ser uma alimentação de massa, na qual não se pensa na origem ou nas
consequências do que está sendo processado e consumindo.
O autor, Michael Pollan (que já participou no Brasil da FLIP)
defende que cozinhar pode ser uma forma de nos reconectar à natureza e
perceber a riqueza que há nos mistérios da alimentação. É trazer o meio
ambiente para a mesa, para uma realidade mais próxima de nosso
dia-a-dia. A especialização do trabalho, segundo Pollan, nos afasta da
noção das escolhas que fazemos.
É como se o departamento de alimentação
ficasse responsável pelo que eu vou consumir, quando não é assim que
deve funcionar. Outro tabu que ainda não foi totalmente quebrado é a
crença de que cozinhar é responsabilidade exclusiva da mulher. Ora,
quando a mulher se emancipou, passou a trabalhar fora e deixou de
preparar os alimentos da família, apreciando o que vem pronto ou
semi-preparado.
Outro aspecto interessante diz respeito à importância de
se consumir o que é produzido localmente, sem agrotóxicos, de modo a
favorecer a economia regional e alinhar-se aos ciclos de cada
localidade. E. F. Schumacher já defendia essa ideia em Small is Beautiful, inclusive por economizar energia, mas é interessante observar como a ideia permanece atual.
A opção é nossa
"Quando
pensei em escrever esse artigo, não imaginava que sofreria tanto. São
inúmeras as matérias e os vídeos disponíveis mostrando as atrocidades
pelas quais os animais abatidos passam. É um holocausto contínuo"
O meu ponto com tudo isso é que conhecimento traz responsabilidade.
Nossas escolhas são nossas e de ninguém mais. O rumo que seguimos é,
assim, feito de escolhas individuais e por vezes coletivas, e as
consequências são condizentes com essas opções.
Por isso, se sei que um animal é morto para que eu possa desfrutar de
um bife eu sou responsável pelo sofrimento daquele animal. E agora sei
também que estou sendo conivente com as condições indignas dos
trabalhadores responsáveis pela sua morte.
Muitos estudos indicam que o
consumo de carne é prejudicial à saúde. Sendo assim, serei ainda
responsável pelo o que acontecerá com a minha saúde no futuro (Vejam o TED de Jenna Norwood).
Quando pensei em escrever esse artigo, não imaginava que sofreria
tanto. São inúmeras as matérias e os vídeos disponíveis para quem
quiser, mostrando as atrocidades pelas quais os animais abatidos passam.
É um holocausto contínuo. São muitas as palestras nos TEDs que
mencionam a crueldade aos animais, os males à saúde, os índices que
refletem as situações de insalubridade física e mental a que são
expostos os trabalhadores dedicados a essas atividades e como o mercado
esconde as verdades para vender mais, fingindo ser salutar.
O controle,
hoje, está nas mãos de poucas grandes corporações que preferem omitir
informações e manter o consumidor na ignorância do que ocorre de fato (Assista Food Inc.).
Com tantas matérias e vídeos disponíveis apontando as barbáries
sofridas pelos animais e por quem trabalha nos setores do abate,
submetido a maus tratos, a danos físicos e morais, fico cada vez mais
convencida que o caminho é mesmo aquele que respeita a vida de maneira
ampla. Ser vegetariana hoje é um orgulho que nutro na minha vida.
O
governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou em entrevista ao
Canal Rural que
vetará o Projeto de Lei que proíbe o consumo de qualquer
proteína animal e derivados
em órgãos públicos do estado. Foto: Governo
do Estado de São Paulo/Flickr.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin prometeu vetar o Projeto de Lei nº 87/2016,
conhecido como “Segunda Sem Carne”, de autoria do deputado estadual
Feliciano Filho (PSC-SP). A informação partiu do próprio governador, na
terça-feira (2), em entrevista ao programa Mercado & Companhia, do
Canal Rural.
Os deputados federais da Assembleia
Legislativa de São Paulo aprovaram no dia 27 de dezembro, o Projeto de
Lei que proíbe o consumo de qualquer proteína animal e derivados em
órgãos públicos do estado, como restaurantes públicos e escolas. Para o
autor do PL, o deputado Feliciano Filho, que é vegetariano, o objetivo
da lei é chamar a atenção da sociedade sobre as consequências do consumo
de carne e de seus derivados, tanta para a saúde quanto para o meio
ambiente.
O projeto de Feliciano é inspirado num movimento que existe em mais de 35 países. A campanha Segunda Sem Carne, que começou em São Paulo em 2009,numa
parceria da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) com a Secretaria do
Verde e Meio Ambiente (SVMA) da prefeitura, tem como objetivo incentivar
as pessoas a descobrir novos sabores e diminuir o consumo de produtos
de origem animal pelo menos num dia da semana.
Ao ser aprovada pela assembleia, a medida gerou protestos de
representantes dos setores da Agroindústria, que afirmaram que entrariam
com uma Ação Direta de
Inconstitucionalidade caso o governador
sancionasse.
Em entrevista ao Canal Rural, Geraldo Alckmin afirmou que o Projeto
restringe o direito de decisão da população e subestima a capacidade de
julgamento e que seria um excesso de intervenção do Estado. “Embora bem
intencionado, o projeto é equivocado, pois cerceia o direito das pessoas
e desconsidera a capacidade de tomar decisões sobre sua própria
alimentação”, disse o governador.
Alckmin afirmou ainda que a lei poderia trazer prejuízo para os
alunos porque a substituição de proteína por carboidrato poderá aumentar
a obesidade. Além disso, a medida geraria um impacto econômico
significativo. “Além do impacto no emprego, são 10 milhões de pessoas
direta ou indiretamente que vivem na cadeia produtiva da proteína
animal, que é saúde para a população”.
Seminário discute importância dos recursos hídricos
Por Sabrina Rodrigues
quarta-feira, 03 janeiro 2018 16:43
Comente
UNESCO,
Agência Nacional de Águas (ANA) e Ministério do Meio Ambiente (MMA)
promovem
evento que ocorrerá nos dias 11 e 12 de janeiro. Inscrições
estão abertas.
A Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) promove o II Seminário
Internacional Água e Transdisciplinaridade — “Águas pela Paz”. O evento,
que está marcado para acontecer nos dias 11 e 12 de janeiro, no Museu
Nacional da República, em Brasília, tem o apoio da Agência Nacional de
Águas (ANA), do Ministério do Meio Ambiente e parceiros. O encontro, que
irá discutir a importância dos recursos hídricos para as relações entre
comunidades e nações, é gratuito e os interessados já podem realizar as
suas inscrições on line.
Na programação, temas como educação,
arte e cultura; saberes e tradições; direitos da natureza, pesquisa e
inovação na perspectiva transdisciplinar; gestão de territórios e
mediação de conflitos serão abordados. O encontro terá também painéis de
discussão, palestras e a realização de oficinas.
Para os organizadores, o Seminário será uma espécie de preparatório
para o 8º Fórum Mundial da Água que ocorrerá de 18 a 23 de março em
Brasília.
Hoje começa oficialmente o verão e o WWF-Brasil te convida a fazer uma
reflexão: o que cada um de nós pode fazer para reduzir o plástico nos
oceanos?
A poluição marinha é um problema global, que afeta pelo menos 267
espécies marinhas em todo o mundo. Empresas e Governo têm suas
responsabilidades, mas nós, a sociedade civil, também podemos - e
devemos - fazer algo para mudar esse cenário.
O WWF-Brasil atua com o tema desde 2016, através do projeto Plástico Vale Ouro,
que busca reduzir a chegada de plástico na Baía de Guanabara, no Rio de
Janeiro, promovendo desenvolvimento social para comunidades locais.
E você? Que tal ajudar também com um simples gesto: diga não aos canudinhos!
Se você é dono de um negócio, também pode diminuir a geração de resíduos
plásticos no seu estabelecimento ou zerar completamente a geração deste
tipo de lixo, juntando-se ao projeto Straw Wars (Guerra aos Canudos, em tradução livre).
Se o peso no plenário da Câmara é grande, a fatura também. A fatia
das emendas parlamentares destinadas ao fomento do setor agropecuário
soma R$ 532 milhões empenhados só de junho a 1º de dezembro.
De acordo com a estimativa da CNA (Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil), por sua vez, agricultura e o agronegócio no Brasil
contribuíram com 23,5% do PIB (Produto Interno Bruto) do País em 2017, a maior participação em 13 anos.
Na cerimônia de posse da diretoria executiva da CNA, em 12 de
dezembro, Temer afirmou que "para fazer o que o Brasil precisa, é
preciso passar pela agricultura, pelo agronegócio, pela pecuária, que
têm sido sustentáculo da economia nacional".
No mesmo dia, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei do
Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural), programa de
financiamento de dívidas de produtores que prevê renúncia fiscal de R$
15 bilhões em 15 anos, de acordo com a Receita Federal. A proposta
original veio na forma de uma medida provisória (MP) editada pelo
governo, às vésperas da votação da primeira denúncia de Temer.
Moeda de troca com bancada ruralista
Na avaliação de Michel de Souza, coordenador de políticas públicas da
WWF-Brasil, a formulação de políticas públicas no Brasil acaba
beneficiando o agronegócio. "Trata-se de uma correlação de forças
desigual, que via de regra favorece os interesse defendidos pela bancada
ruralista em diversas esferas, em temas como demarcação de terras indígenas, questões quilombolas, agrotóxicos, recursos hídricos, biodiversidade, entre outras", afirmou ao HuffPost Brasil.
Esse apoio do governo federal ao setor pode ser observado nos
financiamentos públicos à produção, nos perdões de dívidas e de multas e
no próprio orçamento maior do Ministério da Agricultura, em comparação,
por exemplo, com o Ministério do Meio Ambiente.
Esse apoio traz
inúmeros prejuízos à sociedade brasileira. Uma das questões principais é
o fato de as questões ambientais virarem moeda de troca para a
aprovação de assuntos prioritários para o governo. Assim, em troca de
votos em questões caras ao Executivo, como o arquivamento de processos
contra o presidente, ou reformas estruturais, a flexibilização da
legislação ambiental é levada adiante sem muita resistência.
Sobre o projeto de lei pronto para ser votado no plenário da Câmara
que flexibiliza as regras do licenciamento ambiental, uma das
prioridades da bancada, Souza alerta que a "aprovação seria
catastrófica" e significaria aumentar o risco de crimes como o que aconteceu em Mariana (MG).
O especialista cita como propostas em discussão no Congresso que
implicam riscos para o meio ambiente a desregulação do uso de
agrotóxicos, os ataques aos processos de criação, implementação e
definição de área de amortecimento em unidades de conservação, a
precarização do processo de demarcação de terras indígenas em
territórios quilombolas e o afrouxamento das regulações sobre a
atividade mineradora, dentre outros.
Marcos Corrêa/PR
Presidente Michel Temer (esq), deputado Nilson Leitão
(PSDB-MT), ao centro, e ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em
reunião da Frente Parlamentar da Agricultura.
Bancada ruralista nega favorecimento
O presidente da frente parlamentar agropecuária, deputado Nilson Leitão
(PSDB-MT), nega que a MP do Funrural beneficiaria a bancada. "O setor
produtivo não se sentiu confortável de votar. Não foi beneficiado em
nada. Zero", afirmou ao HuffPost Brasil. O projeto de lei surgiu porque o
prazo para votação da medida provisória venceu. Sobre o PL, o
parlamentar afirma que regularizar a dívida é fundamental para que o
setor continue a produzir.
Defensor da terceirização e da reforma trabalhista,
Leitão vê as mudanças como fundamentais para recuperação da economia.
"Tudo isso fez uma diferença enorme para o setor produtivo", afirmou.
Para ele, o apoio da frente a Temer é natural porque o grupo foi a favor
da saída da ex-presidente Dilma Rousseff.
A frente se
posicionou quase na totalidade em favor do impeachment. Automaticamente
migra isso com o apoio do governo que vem com uma mensagem daquilo que a
gente queria ouvir, do avanço do setor produtivo, de acabar com essa
ideologia dentro do setor, então uma coisa acaba somando com a outra.
Leitão nega que a bancada tenha sido consultada pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira,
antes da publicação da portaria que limitou a fiscalização de situações
degradantes laborais. "Nós não concordamos com a portaria, não do ponto
de vista do objeto dela, mas do tempo. A portaria vem justamente quando
nós pregávamos que não queríamos que esse assunto fosse regido por
portarias e decretos, mas sim por lei", afirmou.
Entre as prioridades da frente citadas pelo parlamentar, está aprovar
a regulamentação do licenciamento ambiental e uma nova definição sobre trabalho escravo.
Conheça as conquistas da bancada ruralista em 2017.
Funrural
O programa de refinanciamento estabelece que a dívida dos produtores
rurais pessoa física deve ser paga com entrada de 2,5% do valor e terá
desconto de 100% das multas e encargos sobre as dívidas do Funrural
assumidas até 30 de agosto de 2017.
O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, em abril, pela
constitucionalidade da Contribuição Social Rural, cobrada dos produtores
do setor para custear a aposentadoria.
De acordo com o projeto de lei aprovado na Câmara, os produtores
rurais pessoa física pagarão 1,2% sobre seu faturamento. Já os
produtores pessoa jurídica terão alíquota de 1,7% a partir de fevereiro.
Renca
Em setembro, o decreto que abria a Renca
(Reserva Nacional de Cobre e Associados), para a exploração das
mineradoras na Floresta Amazônica, foi revogado após a reação de
ambientalistas e da comunidade internacional.
No Rock in Rio, a modelo e ativista Gisele Bündchen
chegou a discursar, emocionada, sobre o assunto. "Sonho com o dia em
que encontraremos o equilíbrio entre o ter e o ser... o desfrutar e o
preservar. Sonho com o dia em que viveremos em harmonia, em total
harmonia, com a mãe terra... Cada um tem um impacto nesse mundo, só
temos de decidir qual impacto queremos ter", afirmou.
A área de 47 mil quilômetros quadrados entre o Pará e o Amapá
contempla nove reservas ambientais e indígenas, que seriam impactadas
caso o governo federal liberasse a área para a entrada de empresas
privadas.
CARL DE SOUZA via Getty Images
Vista aérea do desmatamento da Amazônia em setembro de 2017.
Reservas ambientais
A mobilização de Gisele Bündchen e de diversas entidades ambientais,
como o WWF, o Greenpeace e o Instituto Socioambiental (ISA), também
contribuíram para o veto a duas medidas provisórias com impacto
ambiental. O presidente Michel Temer vetou os textos em junho, após a repercussão negativa.
Aprovada em maio pelo plenário da Câmara dos Deputados, a MP 756/2016
criou a Área de Proteção Ambiental (APA) Jamanxim, com área aproximada
de 542 mil hectares. Para isso, a Flona do Jamanxim foi reduzida de 1,3
milhão de hectares para aproximadamente 557 mil hectares.
Já a MP 758/2016 alterou os limites da APA do Tapajós e do Parna do
Jamanxim, desafetando, no último, duas áreas que totalizam 862 hectares
e, concomitantemente, agregando a ele outra área de 51 mil hectares.
As mudanças colocariam em risco a preservação da área onde vivem
espécies nativas da Amazônia. Isso porque uma APA tem critérios de uso
mais flexíveis, como pecuária e mineração.
Dinheiro para combate ao desmatamento
Também em junho, na esteira da discussão das MPs, a Noruega, maior
doador do Fundo Amazônia, anunciou o corte de pelo menos 50% no valor
enviado para o Brasil em projetos de combate ao desmatamento, cerca de R$ 196 milhões.
O acordo que regulamenta o fundo prevê redução dos recursos se houver
aumento do desmatamento. Entre 2009 e 2016, foram cerca de R$ 2,8
bilhões.
Segundo estudo da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), houve um aumento de 58% no desmatamento
em 2016. Na época do corte do fundo, ao ser questionado, em viagem à
Noruega, se poderia garantir que a taxa seria reduzida, o ministro do
Meio Ambiente, Sarney Filho, disse que "apenas Deus poderia garantir isso".
Trabalho escravo
O enfrentamento ao trabalho escravo foi outra área que sofreu um
revés em 2017. No início de dezembro, o Ministério Público Federal no
Distrito Federal (MPF-DF) apresentou à Justiça ação de improbidade administrativa contra o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, por ações da pasta que enfraqueceram o combate a irregularidades.
Em outubro, uma portaria assinada por Nogueira foi alvo de críticas por restringir a definição de trabalho análogo à escravidão.
O documento, suspenso em liminar pelo STF posteriormente, também criava
entraves à fiscalização, de acordo com auditores da área, que alegaram
não terem sido consultados sobre a mudança. A portaria também previa que
a lista suja do trabalho escravo só seria divulgada após aval do
ministro.
Outro ponto criticado pelo MPF foi a redução de recursos para o Grupo
Especial de Fiscalização Móvel (GEFM). De acordo com a ação, o
ministro, "de forma omissa e deliberada", deixou de repassar os recursos
orçamentários necessários para o desempenho das operações do GEFM,
apesar do compromisso de incrementar em 20% as ações planejadas de
inspeção previsto no Plano Plurianual da União. Em 2015, foram 155
operações. O número passou para 106 em 2016 e para 18 neste ano.
Na época, o ministério afirmou que "em nenhum momento houve ou há
descaso do Ministério do Trabalho em relação ao combate ao trabalho
escravo" e que a portaria daria garantias à fiscalização.
Getty Images
Mineração no distrito de Bom Futuro, em região desmatada da Amazônia, em junho de 2017.
Congresso libera vaquejada
Com forte apoio da bancada ruralista e dos parlamentares do Nordeste,
em junho, foi promulgada a emenda à Constituição que libera a vaquejada, prática na qual dois vaqueiros montados a cavalo têm de derrubar um boi, puxando-o pelo rabo.
A questão, contudo, enfrenta entraves jurídicos. Em outubro de 2016, o STF havia considerado a prática inconstitucional por submeter os animais à crueldade.
Após a emenda à Constituição, um novo processo questiona o tema no
Supremo. Autor da ação, o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal
alega que o texto viola as cláusulas pétreas do "meio ambiente
equilibrado" e das vedações de tortura, tratamento degradante e penas
cruéis, além de ir contra uma decisão anterior do Supremo sobre o tema.
Ainda não há previsão para o julgamento.
Porte rural de arma
Em uma vitória da bancada ruralista junto à bancada da bala,
avançaram propostas que permitem o porte de armas em propriedades
rurais. Em outubro, a Comissão de Agricultura da Câmara aprovou o
projeto de lei 6717/16, que permite o porte nesses casos para maiores de
21 anos. A licença terá validade de dez anos.
Conforme a proposta, a licença será concedida mediante requerimento,
com a apresentação de comprovante de residência ou de trabalho em área
rural e nada consta criminal. O comprovante de residência poderá ser
substituído pela declaração de duas testemunhas e o nada consta
criminal, pela declaração da autoridade policial local.
Atualmente, o Estatuto do Desarmamento prevê idade mínima de 25 anos para a compra de armas e exige que o interessado comprove a efetiva necessidade da arma.
Enfraquecimento da Funai
Ao longo de 2017, ambientalistas e indígenas criticaram ações de enfraquecimento da Funai
( Fundação Nacional do Índio). Após deixar a presidência da
instituição, Antônio Fernandes Costa criticou a "ingerência política" no
órgão e relatou pressão do líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE).
Em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado, Costa
atribuiu sua exoneração à pressão do ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio. O ex-presidente da Funai disse que Serraglio não entende "nada" das políticas para os indígenas e é ligado a ruralistas.
Em maio, o então ministro reduziu o orçamento da Funai para este ano
em 44%. Funcionários da autarquia relataram dificuldades até no
pagamento da conta de luz.
Em comunicado divulgado em junho, relatores da ONU (Organização das
Nações Unidas) e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos
criticaram a situação dos povos indígenas no Brasil — o que classificam
como "ataques aos direitos ambientais" no País. Em maio, a CPI da Funai aprovou relatório de Nilson Leitão com pedido de indiciamento de lideranças indígenas.
Compartilho link
http://tvbrasil.ebc.com.br/caminhos-da-reportagem/2017/11/do-fogo-vida
para quase 56 minutos de ótima reportagem da TV Brasil/EBC sobre
"a maior queimada da história da Chapada dos Veadeiros", onde
aquele Parque Nacional e seu entorno fazem parte da Reserva da
Biosfera do Cerrado.
--
Aldem Bourscheit
+55 61 981 149 319
Jornalista DRT/RS 9781
Conect@ - Comunicação com Propósito
Mestrando em Desenvolvimento Sustentável (Flacam)
Membro da Comissão sobre Educação e Comunicação da UICN
Especialista em Meio Ambiente, Economia e Sociedade (Flacso)
A
mudança do clima é um fenômeno real e crescente, que tem impacto severo
em todo o mundo, tanto em zonas rurais quanto em centros urbanos.
Variações nas temperaturas, no regime de chuvas e no escoamento de água
dos rios são exemplos de suas consequências e afetam imediatamente as
cidades, a agricultura, a produção de alimentos e a sociedade como um
todo. No meio urbano, considerando que metade da população mundial vive
em cidades, a preocupação com a adaptação é prioritária.
Diante
desse contexto, esta publicação busca trazer mais visibilidade para a
agenda de adaptação, uma vez que a mitigação vem sendo discutida há mais
tempo. Aqui se destacam os principais desafios para o planejamento
municipal e estadual. O modo de fazê-lo, com um passo a passo para
gestores, além da intenção de envolver cidadãos.
Acesse o Guia de Adaptação às Mudanças do Clima para entes federativos - 2017 clique aqui
Fonte: WWF Brasil
Comentário
Mais um trabalho de mitigação do calor pago por um governo que continua desmatando, loteando e fracionando o solo e incentivando e regularizando invasões.Haja cinismo!!!
O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, FAÇO SABER QUE A CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL DECRETA E EU SANCIONO A SEGUINTE LEI:
Art. 1º Fica instituída a Política de Incentivo à Geração de Energia Limpa em prédios residenciais ou não no Distrito Federal.
Art. 2º O Poder
Público pode promover campanha educativa de forma a esclarecer a
população do Distrito Federal sobre os benefícios da utilização de
energia limpa, os meios de sua utilização e a possibilidade da
compensação da energia produzida com créditos a serem recebidos da
companhia distribuidora de energia, nos termos definidos pela Agência
Nacional de Energia Elétrica - ANEEL.
Art. 3º O Poder
Público pode subsidiar e promover incentivos fiscais para a aquisição
de equipamentos de captação e distribuição de energia limpa em unidades
consumidoras do Distrito Federal.
Art. 4º As
companhias distribuidoras de energia elétrica do Distrito Federal devem
disponibilizar, em suas páginas oficiais, as normas técnicas para
utilização de equipamentos de captação de energia limpa, bem como para
utilização de microgeração e minigeração distribuída de energia
elétrica, de forma clara e transparente.
Art. 5º Os
prédios a serem construídos, reformados ou alugados pelo Poder
Executivo, se tecnicamente viável, devem utilizar energia limpa, bem
como microgeração e minigeração distribuída de energia elétrica.
Art. 6º Na
medida do possível, podem ser implantados sistemas para captação de
energia solar com a utilização de microgeração e minigeração distribuída
de energia elétrica nos projetos de edificações residenciais ou não no
Distrito Federal.
Art. 7º As novas edificações voltadas para programas de habitação de
interesse social devem, preferencialmente, ter sistemas de captação de
energia solar com utilização de microgeração e minigeração distribuída
de energia elétrica.
Art. 8º (V E T A D O).
Art. 9º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
O
GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o
artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal,
tendo em vista a Decisão nº 26/2017 do Conselho de Planejamento
Territorial e Urbano do Distrito Federal - CONPLAN e o que consta do
Processo Administrativo nº 390.000.145/2009, DECRETA :
Art.
1º Fica aprovado o projeto urbanístico de parcelamento do solo, que
cria a 2ª etapa do Setor de Embaixadas Norte, na Região Administrativa
do Plano Piloto - RA I, consubstanciado no Projeto de Urbanismo - URB
098/2009, no Memorial Descritivo - MDE 098/2009 e nas Normas de
Edificação, Uso e Gabarito - NGB 098/2009.
Art.
2º Ficam criadas como parte integrante do projeto de parcelamento a
Praça e o Parque Urbano Internacional da Paz, com o objetivo de manter
as questões paisagísticas fundamentais do tombamento, de viabilizar o
lazer, o intercâmbio cultural e a promoção das relações internacionais e
de garantir as condições da drenagem no escopo do Programa Drenar-DF.
Parágrafo único. Os limites do Parque Urbano Internacional da Paz estão descritos no MDE 098/2009.
Art.
3º Os documentos urbanísticos referentes à aprovação do projeto
encontram-se disponíveis no endereço eletrônico
http://www.sisduc.segeth.df.gov.br/, conforme determinação da Portaria
nº 06, de 08 de fevereiro de 2017, que dispõe sobre os procedimentos
para divulgação de documentos urbanísticos e sua disponibilização no
Sistema de Documentação Urbanística e Cartográfica - SISDUC, da
Secretaria de Estado de Gestão do Território e Habitação do Distrito
Federal - SEGETH.
Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Contratação
de Serviços Técnicos para a elaboração de Relatório de Controle
Ambiental – RCA e de Plano de Controle Ambiental – PCA e para a Cidade
de Águas Claras – RA XX.
[EcoDebate]
Dezembro é considerado o mês da natalidade tanto na estória de Jesus de
Nazaré, como na estória de Hórus, no Egito (1.400 anos antes de
Cristo). Na maior parte da história humana a alta natalidade era muito
valorizada para se contrapor às taxas de mortalidade infantil.
O número de nascimentos no mundo veio crescendo ao longo da história,
estava em torno de 100 milhões de bebês por ano em 1950 e chegou a 140
milhões por ano no quinquênio 2010-15. O pico dos nascimentos (máximo de
bebês nascidos por ano) deve atingir 143 milhões por ano, no quinquênio
2045-50 e deve declinar ligeiramente para abaixo de 140 milhões no
final do século XXI, segundo a Divisão de População da ONU (Revisão
2017).
Se o número de nascimentos permanecer aproximadamente em torno de 140
milhões por ano, o tamanho da população vai depender do nível da
esperança de vida ao nascer (Eo). Para uma Eo de 75 anos a população
chegaria a 10,5 bilhões de habitantes (140 milhões vezes 75). Se a Eo
for 80 anos a população mundial chegaria a 11,2 bilhões de habitantes no
final do século. Se a Eo alcançar 90 anos então a população mundial
poderia chegar a 12,6 bilhões de pessoas em 2100 (140 milhões vezes 90).
Embora deva haver uma certa estabilidade no número global de
nascimentos ao longo do século XXI, o quadro varia segundo os diferentes
grupos de países.
O número de nascimentos nos países desenvolvidos (os
mais ricos e com maior IDH) está em 13,7 milhões por ano, no quinquênio
2015-2020 e deve cair para pouco abaixo de 13 milhões no quinquênio
2095-2100. O número de nascimentos nos países em desenvolvidos (os
países de renda média) está em 95 milhões por ano, no quinquênio
2015-2020 e deve cair fortemente até ficar próximo de 70 milhões no
quinquênio 2095-2100. Já o número de nascimentos nos países muito menos
desenvolvidos (os países de baixa renda) está em 32,1 milhões por ano,
no quinquênio 2015-2020 e deve subir para quase 50 milhões no final do
século.
Portanto, os dados da Divisão de População da ONU mostram que o
nascimento de bebês do mundo não é homogêneo. Nos países de renda média e
alta, o número de nascimentos já está em declínio. Mas este declínio é
compensado pelo aumento dos nascimentos nos países mais pobres e com
menores níveis de cidadania.
O relatório Situação da População Mundial 2017, do Fundo de População
das Nações Unidas (UNFPA), alerta para o aumento das desigualdades e
falhas na proteção dos direitos reprodutivos das mulheres, em especial
as mais pobres. O relatório diz: “A menos que as desigualdades recebam
atenção urgente e que as mulheres, em especial as mais pobres, sejam
empoderadas para tomar decisões sobre suas próprias vidas, os países
podem ter que enfrentar ameaças à paz e ao cumprimento dos Objetivos do
Desenvolvimento Sustentável (ODS)”.
A falta de garantia dos direitos sexuais e reprodutivos pode se
estender a todos os objetivos globais, ressalta o relatório intitulado
“Mundos Distantes: Saúde e direitos reprodutivos em uma era de
desigualdade”. A demanda não atendida por serviços de saúde, incluindo o
planejamento reprodutivo, pode enfraquecer as economias e sabotar o
progresso já alcançado em direção ao cumprimento do primeiro ODS, de
eliminação da pobreza.
Na maioria dos países pobres e muito menos desenvolvimentos, as
mulheres em situação de exclusão social têm menos opção de planejamento
reprodutivo, menos acesso a atendimento pré-natal e são mais propensas a
terem partos sem a assistência de um profissional de saúde. Isto
aumenta a gravidez indesejada e prejudica a saúde das mulheres e dos
bebês. A falta de acesso a serviços como creches também limitam as
mulheres na busca por empregos. Para as mulheres que estão no mercado de
trabalho, a ausência de licença maternidade remunerada e a
discriminação que muitas enfrentam no trabalho quando engravidam acabam
sendo uma “penalidade pela maternidade”. O alto número de gravidez
indesejada e não planejada na adolescência é um problema particularmente
grave para as meninas pobres que tendem a reproduzir o ciclo de pobreza
e de falta de alternativa de mobilidade social ascendente.
A cidadania é o melhor contraceptivo. Sem dúvida, a redução do número
de nascimentos nos países muito menos desenvolvidos (os mais pobres)
ajudaria a criar um bônus demográfico que seria bom para o avanço das
condições de vida da população e para a proteção do meio ambiente. O
importante não é a quantidade de nascimentos, mas sim a qualidade de
vida que se quer dar aos bebês e jovens de todo o mundo.
José Eustáquio Diniz Alves,
Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor
titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas
Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE;
Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail:
jed_alves@yahoo.com.br
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