quinta-feira, 5 de abril de 2018

O implacável Antropoceno x a resiliência ecossistêmica, por Sucena Shkrada Resk


O implacável Antropoceno x a resiliência ecossistêmica, por Sucena Shkrada Resk




Relatório revela que as atividades humanas já impactaram 75% da superfície terrestre – Número deve chegar a 90% até 2050, segundo o novo relatório sobre degradação e restauração de áreas degradadas divulgado pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) (foto: Dudarev Mikhail / Shutterstock.com)

Hoje 75% da superfície terrestre estão impactadas pelas atividades humanas e a projeção é de que essa destruição atinja 85% até 2050  e já afeta pelo menos 3,2 bilhões de pessoas no planeta. Alguém acha pouco? Mais de 100 pesquisadores de 45 países da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), que reúne a representação de 129 estados-membros, produziram o relatório sobre o Agravamento da degradação do solo causado pelas atividades humanas e restauração, o qual alerta sobre os efeitos implacáveis no Antropoceno e propõe alternativas de remediação. O documento, resultado de um trabalho de três anos, foi divulgado nesta segunda-feira (26/3), na Colômbia,  ampliando a mensagem da Organização das Nações Unidas (ONU), que destacou também neste mês que a saída para a gestão das águas está nos “Serviços Baseados na Natureza” (SbN) (veja #Recursoshídricos: o pedido de socorro ao Ecossistema).

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Biodiversidade, serviços ecossistêmicos, mudanças climáticas, segurança alimentar, energia… um leque de eixos fundamentais para o bem-viver estão sendo atacados. Se nada for feito, a humanidade caminha para a sexta extinção das espécies em massa, segundo os cientistas. Os pesquisadores reiteram a necessidade iminente de restaurar e reabilitar os ecossistemas atingidos, sendo que alguns já revelam perdas irreversíveis. As ações devem ser multidisciplinares, envolvendo agendas agrícola, florestal, energética, hídrica e de infraestrutura e serviços. E afirmam – Em média, os benefícios da restauração são 10 vezes superiores aos custos (estimados em nove biomas diferentes) e, para regiões como a Ásia e África, o custo da inação em face da degradação da terra é, pelo menos, três vezes maior do que o custo de ação.

Rolo compressor
O relatório destaca que mais de 1,5 bilhão de hectares de ecossistemas foram destruídos pela agricultura e pastagem praticadas de forma não-sustentável até o ano de 2014 (sendo no Brasil, mais de 200 milhões de ha), área superior a um terço da Terra. Paralelamente o modelo de consumo excessivo é um fator que contribui para que haja cada vez mais a extração de bens naturais e minerais, de forma descontrolada. Ao mesmo tempo, desperdiçamos no Planeta até 40% do que consumimos. Com isso, não há conta que feche. Esta relação de algoz e vítima ao mesmo tempo revela a esquizofrenia de uma contemporaneidade desenvolvimentista. É o implacável Antropoceno revelado em suas facetas mais cruéis. Esses impactos equivalem a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial anual (ano de 2010).

A vulnerabilidade maior está nas condições das zonas úmidas, cuja destruição chega à 87%. Entre 1970 e 2012, os pesquisadores destacam que o índice do tamanho médio da população de espécies terrestres selvagens de vertebrados caiu em 38% e em espécies de água doce em 81%.

Os pesquisadores afirmam que mais de dois quintos da população planetária (3,2 bilhões) já sentem de alguma forma os efeitos desta destruição. Os deslocamentos migratórios com estas catástrofes ambientais têm crescido de forma assustadora. Um êxodo de pessoas que fogem literalmente da pobreza extrema, da humilhação e da morte. Cada perda de 5% do produto interno bruto, em parte causada pela degradação, está associada a um aumento de 12% na probabilidade de conflito violento.  O caminho para a maior extensão territorial de seca sinaliza que a combinação da destruição da terra mais as mudanças climáticas possa aumentar em até 45% estes confrontos.
Os pesquisadores alertam para a expansão descontrolada do uso de fertilizantes e pesticidas, que deve dobrar até 2050. Os efeitos deletérios que já são observados na atualidade revelam que estes produtos químicos estão contaminando o solo e os sistemas aquáticos. Como exemplo, citam que algumas regiões nas zonas costeiras, como o Golfo do México, estão mortas.

Até 2050, é previsto que a combinação de degradação da terra e mudança climática reduza a produtividade global das culturas em uma média de 10%, e em até 50% em algumas regiões. As principais regiões afetadas deverão ser as Américas Central e do Sul, a África subsaariana e a Ásia.

Nós, seres humanos, mesmo que empiricamente, sabemos exatamente o que fazer para que não agonizemos em um planeta em destruição, já que uma boa parcela da sociedade (pela ignorância, inação, omissão ou por ação concreta) é responsável pela aceleração deste processo degenerativo. Esta frase pode soar taxativa, mas a equação demonstrada pela realidade não deixa sombra de dúvidas.

Escapar deste rolo compressor é como estar numa arena onde lutam titãs. Talvez alguns locais mais ermos do planeta possam estar nesta lista, como trechos distantes dos polos, desertos e pontos inacessíveis de florestas tropicais, de acordo com Robert Scholes, um dos cientistas coordenadores do trabalho. Mudarmos o modelo de consumo e da relação com a polis, com o meio ambiente se torna determinante para a sociedade, neste palco em que as opções se tornam cada vez mais escassas.

* Sucena Shkrada Resk é jornalista, formada há 26 anos, pela PUC-SP, com especializações lato sensu em Meio Ambiente e Sociedade e em Política Internacional, pela FESPSP, e autora do Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk (http://www.cidadaosdomundo.webnode.com), desde 2007, voltado às áreas de cidadania, socioambientalismo e sustentabilidade.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/04/2018
"O implacável Antropoceno x a resiliência ecossistêmica, por Sucena Shkrada Resk," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 3/04/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/04/03/o-implacavel-antropoceno-x-a-resiliencia-ecossistemica-por-sucena-shkrada-resk/.

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Neomalthusianismo e Antineomalthusianismo: ‘Bomba Populacional’ versus ‘Humanae Vitae’, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


“Diferentemente das pragas da idade das trevas ou das doenças contemporâneas que ainda não compreendemos, a praga moderna da superpopulação é solúvel pelos meios que descobrimos e com os recursos que possuímos. O que falta não é conhecimento suficiente da solução, mas consciência universal da gravidade do problema e educação dos bilhões que são suas vítimas” Martin Luther King (1966)

'Bomba Populacional' versus 'Humanae Vitae'

[EcoDebate] Parece que foi ontem, mas 1968 – “o ano que não terminou” – completa 50 anos. O ano de 1968 foi excepcional em vários aspectos e foi marcado por atos revolucionários e contrarrevolucionários, por esperanças e desesperanças e por defesas intransigentes do Neomalthusianismo e do Antineomalthusianismo.
Em 05/01, acontece o início da Primavera de Praga, na Tchecoslováquia. Em 30/01, os Vietcongues lançam a “Ofensiva Tet”. Em 05/02, as universidades de vários países do mundo são ocupadas por estudantes, incluindo grandes manifestações contra a guerra do Vietnã. Em 28/03, morre no Rio de Janeiro o estudante Edson Luís durante o choque da Policia Militar e estudantes do Restaurante Calabouço. Em 04/04, Martin Luther King é assassinado em Memphis, Tennessee. Em 11/04, o presidente americano, Lyndon Johnson, assina a lei sobre os direitos civis. No dia 29/04 foi lançado o filme “2001 – Uma Odisseia no Espaço”. Em 02/05, início do “Maio de 1968” e no dia seguinte a Universidade de Paris (Sorbonne) é fechada pelas autoridades francesas. Em 30/05, o presidente De Gaulle recusa-se a renunciar e lança sua contraofensiva, dissolvendo a Assembleia Nacional e convocando eleições para o mês de junho. Em 26/06, é realizada a Passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro. Em 21/08, fim Primavera de Praga, quando tropas soviéticas e outros países do Pacto de Varsóvia invadem a cidade de Praga. Em 02/10, Massacre de Tlateloco, o exército matou 48 pessoas durante manifestação estudantil no México. Em 03/10, o general peruano Juan Velasco Alvarado dirige um golpe de estado. Em 15/10, prisão de líderes estudantis no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna. Em 13/12, o Presidente General Costa e Silva decreta o AI-5.
No campo da discussão sobre população e desenvolvimento, 1968 foi marcado pela publicação de duas obras antagônicas, que polarizaram as discussões nas décadas seguintes e que merecem ser avaliadas 50 anos depois: o livro “Bomba populacional” (maio de 1968), de Paul Ehrlich e a encíclica “Humanae Vitae” (25/07/1968), do Papa Paulo VI.
Do ponto de vista da dinâmica demográfica, a década de 1960 foi marcada pelo fortalecimento do Neomalthusianismo vindo dos países do Norte preocupados com o alto crescimento das populações do “Sul econômico”. Em 1965, o presidente dos EUA, Lyndon Johnson disse a famosa frase que sintetizou o pensamento controlista: “Less than five dollars invested in population control is worth a hundred dollars invested in economic growth” (Mais valem 5 dólares investidos no controle da população do que 100 dólares investidos em desenvolvimento).
O gráfico abaixo mostra que a população mundial passou de 800 milhões de habitantes, por volta de 1775, chegou a 4 bilhões em 1975 e deve atingir 8 bilhões de habitantes em 2025. Um aumento de 5 vezes em 200 anos e de 10 vezes em 250 anos. Evidentemente, é um crescimento muito significativo. O pico do crescimento populacional global ocorreu exatamente na década de 1960, quando atingiu 2,1% ao ano. A esta taxa, a população se multiplica por 8 vezes em 100 anos e por 64 vezes em 200 anos. Ou seja, se a taxa de crescimento se mantivesse em torno de 2,1% ao ano, a população mundial chegaria a mais de 200 bilhões de habitantes em 2168.

world population growth, 1750-2100

Foi com estas contas simples na cabeça que Paul Ehrlich lançou o livro “Bomba Populacional”, em maio de 1968. Ehrlich era um biólogo norte-americano especializado em estudos de borboleta, tendo publicado vários livros sobre o assunto. Ele era um lepidopterologista e não um demógrafo. Se ele usasse o referencial teórico da transição demográfica – que já era bastante conhecido nesta época – saberia que a tendência seria a redução das taxas de fecundidade após um certo período posterior à queda das taxas de mortalidade.
O título do livro (que foi dado pelo editor e não pelo autor) já mostrava o caráter sensacionalista da obra, ao tratar a população como uma coisa bombástica e explosiva. Logo no prólogo do livro aparece a previsão apocalíptica: “A batalha para alimentar toda a humanidade acabou. Na década de 1970, o mundo passará fome – centenas de milhões de pessoas vão morrer de fome…” (p. 13).
O livro de Paul Ehrlich está repleto de erros e exageros. Mas a mensagem da obra é relativamente simples e não pode ser considerada equivocada. O autor propõe o “Crescimento populacional zero” (Zero Population Growth – ZPG) para que o mundo pudesse evitar o contínuo crescimento populacional permitindo um maior equilíbrio entre as atividades antrópicas e o meio ambiente. Para tanto os casais deveriam limitar a fecundidade a dois filhos, para alcançar uma sustentabilidade ambiental de longo prazo.
Esta proposta foi considerada de direita e imperialista. Na Conferência Mundial de População ocorrida em Bucareste, em 1974, os países desenvolvimentistas do Terceiro Mundo se contrapuseram à proposta do ZPG de Ehrlich e lançaram a palavra de ordem: “O desenvolvimento é o melhor contraceptivo”.
Mas, curiosamente, a China comunista percebeu que seria impossível garantir o desenvolvimento e a redução da fome para sua imensa população devido ao alto crescimento demográfico e lançou, em 1979, a orientação neomalthusiana mais draconiana da história – a política do filho único. Ou seja, enquanto Paul Ehrlich defendia a adoção de um padrão de dois filhos por casal, a China dobrou a aposta e adotou uma política autoritária e intransigente de apenas um filho por casal (1/2 ZPG).
Mas o maior ataque às propostas neomalthusianas veio com o lançamento da encíclica Humanae Vitae (“Da vida humana”), lançada pelo Papa Paulo VI, no dia 25/07/1968. A encíclica, que tem como subtítulo a expressão “Sobre a regulação da natalidade”, se posiciona contra todos os métodos modernos de regulação da fecundidade, contra os meios que possibilitam o sexo seguro, condena a masturbação e define a sexualidade com um ato heterossexual com a finalidade única do “desejo divino” da procriação. Adotando a visão agostiniana do sexo como o pecado responsável pela “queda” de Adão e Eva do Paraíso, a encíclica Humanae Vitae reforça a repressão ao desejo carnal e só admite a sexualidade em função dos objetivos generativos. Ou seja, a encíclica de Paulo VI é contrária à liberdade sexual e a favor do pronatalismo.
O jornalista Robert McClory, no livro “Turning Point: The Inside Story of the Papal Birth Control Commission, and how Humanae Vitae Changed the Life of Patty Crowley and the Future of the Church” (1995), mostra que a encíclica foi fruto de uma “manobra conservadora”. Uma “Comissão Papal do controle da natalidade” (com cerca de 70 membros), criada por iniciativa do Concílio Vaticano II, após longo debate, concluiu que a contracepção artificial deveria ser considerada moralmente aceitável para os casais. No final dos trabalhos, após uma votação por 52 votos a 4, encaminhou um relatório com a posição da maioria para o Papa Paulo VI recomendando a aceitação dos métodos contraceptivos artificiais. Porém, o pequeno número de membros da Comissão que se opunha a essa mudança, em conjunto com funcionários conservadores do Vaticano, construiu um relatório minoritário contra as mudanças no dogma da Igreja sobre contracepção. Este relatório minoritário constituiu a base da encíclica Humanae Vitae.
Ou seja, a encíclica do Papa Paulo VI não representou o pensamento da maioria das autoridades que foram encarregadas pelo Concílio Vaticano II, na época do Papa João XXIII, para analisar a questão da reprodução humana. E o pior, criou um fosso em relação ao conjunto da população católica do mundo que ficou “amarrada a dogmas medievais”, exatamente no momento em que as taxas de crescimento demográfico eram as maiores da história humana, o mundo passava por uma revolução sexual e comportamental, se expandia a diversidade dos arranjos familiares, aumentava o número de separações e divórcio e era cada vez maior o número de nascimentos fora do casamento. Contudo, a maioria dos católicos são favoráveis ao uso de métodos contraceptivos modernos. O Papa Francisco formou uma comissão para reavaliar a encíclica Humanae Vitae 50 anos depois do seu lançamento. Veremos em breve o que vai surgir.
Felizmente, os equívocos do livro “Bomba Populacional” e da encíclica “Humanae Vitae” ficaram bastante evidentes ao longo dos anos. A transição demográfica se aprofundou nos anos 1970 e o crescimento demográfico global caiu de 2,1% na década de 1960 para menos de 1% na atual década, devendo zerar até o final do século. Na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), realizada na cidade do Cairo, em 1994, foram definidos com bandeira os “direitos sexuais e reprodutivos”. A Constituição Brasileira, de 1988, em seu artigo 226, § 7º, define que “O planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas”.
50 anos após a publicação do livro “Bomba populacional”, de Paul Ehrlich, e da encíclica “Humanae Vitae”, do Papa Paulo VI, a questão populacional já não tem mais o caráter alarmante da década de 1960, mas a sustentabilidade ambiental está cada vez mais ameaçada e o mundo caminha para a 6ª extinção em massa das espécies.
Estudo do Stockholm Resilience Centre, publicado na Revista Science (janeiro de 2015), mostra que quatro das nove fronteiras planetárias, definidas no estudo, foram ultrapassadas: Mudanças climáticas; Perda da integridade da biosfera; Mudança no uso da terra; Fluxos biogeoquímicos (fósforo e nitrogênio). Duas delas, a Mudança climática e a Integridade da biosfera, são o que os cientistas chamam de “limites fundamentais” e tem o potencial para conduzir o Sistema Terra a um estado catastrófico. O agravamento destas duas fronteiras fundamentais podem levar a civilização ao colapso.
Sem ECOlogia não há ECOnomia. Assim, não dá para a humanidade continuar se enriquecendo às custas do empobrecimento dos ecossistemas. É urgentemente necessário superar os sectarismos, o antropocentrismo e os dogmas preconceituosos para promover o decrescimento demoeconômico, como forma de adequar a Pegada Ecológica aos limites da Biocapacidade do Planeta.
Referências:
ALVES, JED. CAVENAGHI, S. Igreja Católica, Direitos Reprodutivos e Direitos Ambientais, Horizonte, Belo Horizonte, v. 15, n. 47, p. 736-769, jul./set. 2017
http://periodicos.pucminas.br/index.php/horizonte/article/view/P.2175-5841.2017v15n47p736
ALVES, J. E. D., Corrêa, Sonia. Demografia e ideologia: trajetos históricos e os desafios do Cairo + 10. Revista Brasileira de Estudos da População. v.20, n.2, p.129 – 156, 2003.
https://www.rebep.org.br/revista/article/view/290
MARTINE, G., ALVES, J. E. D. Economia, sociedade e meio ambiente no século 21: tripé ou trilema da sustentabilidade? Revista Brasileira de Estudos de População. v.3, p.1-31, 2015 http://www.scielo.br/pdf/rbepop/v32n3/0102-3098-rbepop-S0102-3098201500000027P.pdf
ALVES, JED. Emma Goldman e a luta pela autodeterminação reprodutiva, Ecodebate, 15/02/17
https://www.ecodebate.com.br/2017/02/15/emma-goldman-e-luta-pela-autodeterminacao-reprodutiva-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
EHRLICH, Paul. The population bomb, Ballantine Books, New York, May 1968
http://projectavalon.net/The_Population_Bomb_Paul_Ehrlich.pdf
PAULO VI. HUMANAE VITAE, Carta Encíclica de Sua Santidade o Papa Paulo Vi sobre a Regulação da Natalidade
http://w2.vatican.va/content/paul-vi/it/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae.html
Population Media Center. Martin Luther King, Jr. Discusses Family Planning and Population, January 15, 2018
https://www.populationmedia.org/2018/01/15/martin-luther-king/
McCLORY, Robert. Turning Point: The Inside Story of the Papal Birth Control Commission, and how Humanae Vitae Changed the Life of Patty Crowley and the Future of the Church. New York: The Crossroad Publishing Company, 1995

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/04/2018
"Neomalthusianismo e Antineomalthusianismo: ‘Bomba Populacional’ versus ‘Humanae Vitae’, artigo de José Eustáquio Diniz Alves," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 4/04/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/04/04/neomalthusianismo-e-antineomalthusianismo-bomba-populacional-versus-humanae-vitae-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

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quinta-feira, 29 de março de 2018

Cientistas sugerem que os sinais de alerta para a extinção em massa existem, ao contrário dos pressupostos anteriores



Extinção em massa com aviso prévio

Friedrich-Alexander-Universität – FAU*
Extinções em massa ao longo da história da Terra foram bem documentadas. Os cientistas acreditam que eles ocorreram durante um curto período de tempo em termos geológicos. Em um novo estudo, os paleobiólogos da FAU e seus parceiros de pesquisa mostraram agora que os sinais de que o maior evento de extinção em massa na história da Terra estava se aproximando se tornaram aparentes muito antes do que se acreditava anteriormente, e apontam que os mesmos indicadores que podem ser observados hoje.


Extinções em massa são eventos raros que têm conseqüências catastróficas. Esses eventos muitas vezes mudam completamente o curso da evolução. Por exemplo, o surgimento de mamíferos – e, portanto, de humanos – provavelmente não teria sido possível se os dinossauros não tivessem se extinguido há 65 milhões de anos. Um meteorito atingiu a Terra mergulhando-o na escuridão e causando uma enorme queda de temperatura. A crise de fome subsequente acabou com mais de 70% de todas as espécies de animais. Os ancestrais do homem estavam entre os sobreviventes.


As conseqüências da extinção de espécies que ocorreram há cerca de 250 milhões de anos, no limite permiano-triássico, foram ainda mais catastróficas. Gigantescas erupções vulcânicas e as emissões de gases causadores do efeito estufa causaram a extinção cerca de 90% de todas as espécies de animais, de acordo com estimativas. Por mais de vinte anos, a opinião dominante na pesquisa foi que essa “mãe de todos os desastres” aconteceu abruptamente e sem aviso prévio, quando vista em escala de tempo geológica – as estimativas sugerem um período de apenas 60 mil anos.


Em um novo estudo publicado na edição de março da revista ‘Geology’, uma equipe de pesquisadores da Alemanha e do Irã provaram que esta crise aconteceu por um longo período de tempo. Sob a liderança do Prof. Dr. Wolfgang Kießling, presidente da Palaeoenviromental Research na FAU, que também foi recentemente nomeado como principal autor do sexto World Climate Report, e do Dr. Dieter Korn do Museum für Naturkunde em Berlim, os cientistas examinaram fósseis em perfis geológicos em grande parte não pesquisados no Irã.


Seus resultados mostram que os primeiros indicadores de uma extinção em massa eram evidentes a partir de 700.000 anos antes do evento real. Várias espécies de amonóides foram mortas naquela época e as espécies sobreviventes tornaram-se cada vez menores em tamanho e menos complexas quanto mais próximo o evento principal se tornava.
Os sinais de alerta de extinção em massa também são visíveis hoje.


Os fatores que levaram à extinção em massa no final do Período Permiano nos lembram muito hoje, diz o professor Wolfgang Kießling. ‘Há muitas evidências de aquecimento global severo, acidificação oceânica e falta de oxigênio. O que nos separa dos eventos do passado é a extensão desses fenômenos. Por exemplo, o aumento atual da temperatura é significativamente menor do que há 250 milhões de anos ”.


No entanto, os sinais de alerta que a equipe de Wolfgang Kießling encontrou no final do Período Permiano já podem ser vistos hoje. “O aumento da taxa de extinção em todos os habitats que estamos atualmente observando é atribuível à influência direta dos seres humanos, como a destruição do habitat, a pesca excessiva e a poluição. No entanto, o nanismo de espécies animais nos oceanos em particular pode ser claramente atribuído à mudança climática. Devemos levar esses sinais muito a sério.


O artigo original intitulado ‘Pre–mass extinction decline of latest Permian ammonoids’ por Wolfgang Kiessling, Martin Schobben, Abbas Ghaderi, Vachik Hairepatan, Lucyna Leda e Dieter Korn foi publicado na revista ‘Geology’ (doi: 10,1130 / G39866.1) .


O trabalho foi realizado pela unidade de pesquisa TERSANE, que é baseada na FAU (FOR 2332). Neste projeto interdisciplinar, oito grupos de trabalho investigaram em que condições as emissões naturais de gases de efeito estufa podem atingir níveis catastróficos e como elas estão conectadas a crises na biodiversidade.

Pre–mass extinction decline of latest Permian ammonoids


Referência:
Wolfgang Kiessling, Martin Schobben, Abbas Ghaderi, Vachik Hairapetian, Lucyna Leda, Dieter Korn; Pre–mass extinction decline of latest Permian ammonoids. Geology ; 46 (3): 283–286. doi: https://doi.org/10.1130/G39866.1

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/03/2018

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Águas para a Vida! artigo de Nísio Miranda



água
Foto: EBC

“A água é o princípio de todas as coisas”
Tales de Mileto

[EcoDebate] Há muito estudamos e trabalhamos com as questões ambientais, especialmente às inerentes ao elemento mais importante, do ponto de vista da manutenção da vida, em todos os seus aspectos: a água. E sob uma perspectiva que talvez não interesse – mas deveria interessar – a todos: a de que a água não é um recurso. Água é patrimônio. Para chegarmos a esta conclusão, basta pensarmos que recurso é algo negociável, que se vende, do qual se dispõe, de acordo com as circunstâncias; e ao patrimônio nos dedicamos, cuidamos, preservamos, zelamos por sua manutenção e até tendemos à busca pela sua multiplicação. E o compartilhamos, a qualquer tempo e sem contrapartida.


No dia 22 de março, comemoramos o Dia Mundial da Água. Em anos anteriores, vivemos este dia com a angústia e a apreensão provocadas pela iminente falta dela, em toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte – território no qual focamos nossa atuação neste momento – bem como em vários pontos de Minas Gerais e do País. Neste 2018, um pouco aliviados, podemos comemorar, relativamente ao abastecimento da RMBH, pelas chuvas constantes e intensas. E lamentar, também, pelos inúmeros problemas causados nas cidades, estradas e áreas de maior vulnerabilidade ambiental, que trazem, além de prejuízos ambientais e materiais, risco às nossas vidas, o que nos faz refletir sobre a nossa incapacidade de convivência com o que considero ser o mais importante e forte elemento da Natureza.


O mundo manteve seus olhares para a nossa Capital Federal, pelos mais diversos interesses que a água desperta e, o que é pior, pelos diversos conflitos hoje já estabelecidos em torno dela. No centro das discussões do 8º Fórum Mundial da Água (idealizado e produzido por organismos internacionais, empresas e alguns governos nacionais que insistem em encarar a água como “recurso”), a sua valoração como mercadoria, a sua privatização e a apropriação por grandes grupos econômicos, que a sujeitariam às regras de um mercado nem sempre justo ou interessado em preservar os direitos universais – humanos, animais e ambientais – a ela imanentes.


Por outro lado, no Fórum Alternativo Mundial da Água – FAMA, realizado paralelamente àquele, a tentativa de se construir uma ampla articulação social, institucional e política em torno do reconhecimento da água como um patrimônio e direito humano, universal, difuso e coletivo. Bem inestimável a ser preservado e usufruído por todos, de forma equilibrada, inteligente, parcimoniosa e racional, com acesso e disponibilidade em quantidade e qualidade, garantindo a sua preservação para as gerações vindouras, numa confirmação da sua natureza de direito inalienável de todos os seres vivos.


No caso da RMBH, especialmente nossa Capital deverá se dedicar, de modo vigoroso e sistemático, em cooperação com o Estado e os municípios vizinhos, a estudar, planejar e executar, sem morosidade, ações que garantam, no futuro, abastecimento regular e qualificado de água, considerando seus múltiplos usos. Primar, também, pela identificação (não tão difícil, por óbvias) e a eliminação das principais causas dos problemas e transtornos que afetam a população, sempre que chuvas intensas atingem a região, mesmo em períodos de baixas – mas concentradas – precipitações pluviométricas.


Em diálogo constante no âmbito dos Comitês de Bacias Hidrográficas, em seminários, cursos, audiências públicas e eventos em que o tema é abordado e estudado com afinco, pela sua urgência, temos nos convencido, a cada dia mais, de que a garantia da manutenção do abastecimento de água para Belo Horizonte e outros municípios da RMBH, num futuro próximo, só se dará a partir de um grande acordo com os municípios localizados no Alto Rio das Velhas e até em parte da Bacia do Paraopeba – principais abastecedores da RMBH – não necessariamente integrantes do território metropolitano. Na construção de uma cooperação que determine o pagamento, por meio de recursos diversos, de acordo com a necessidade e aplicabilidade de cada recebedor, pela prestação de serviços ecossistêmicos, compensando esses municípios pela preservação das condições ambientais necessárias não só à acumulação e à reservação, mas à produção de água em seus territórios.


Isso implicaria em restrições à expansão urbana, das atividades industriais diversas e à impermeabilização, e na necessidade de implementação de sistemas e práticas para a preservação e o manejo adequado do solo, a restauração de nascentes e ecossistemas, que assegurem perenidade aos mananciais, com quantidade e qualidade. As práticas agroecológicas e agroflorestais como instrumentos de geração de trabalho, renda e segurança alimentar e nutricional, neste contexto, contribuiriam para o fortalecimento da economia desses municípios, com a aquisição da produção desses arranjos pelas administrações e as populações dos municípios da RMBH.


Já na perspectiva do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – 11, que almeja “tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”, os municípios metropolitanos – mais uma vez, em especial, Belo Horizonte – em concordância com inúmeros envolvidos com as políticas públicas de abastecimento e saneamento, deverão se desdobrar na missão de reverter as intervenções que invisibilizaram e estreitaram o leito dos cursos d’água em suas áreas mais adensadas; trabalhar fortemente na instalação de equipamentos urbanos sustentáveis e acessíveis à população, como parques lineares no entorno de nascentes e mananciais urbanos, de modo a sensibilizar a sociedade para a necessidade de convivência e preservação desses como condição sine qua non para a sobrevivência das cidades. Investir na estruturação de uma rede de áreas de proteção ambiental e de drenagem e armazenamento adequado de águas pluviais, de ampliação da rede de interconexões com estações de tratamento terciário de efluentes, garantindo a qualidade da água após a sua passagem pelo núcleo mais populoso da Região Metropolitana, para o abastecimento dos municípios a jusante.


O apoio à atuação e a atenção às propostas e sugestões dos comitês e subcomitês (estrutura descentralizada do CBH-Velhas) de bacias hidrográficas torna-se um diferencial relevante e enriquecedor na implantação dessas políticas, considerado o enorme acervo documental e de conhecimento em poder desses organismos, e seu potencial multiplicador e mobilizador em torno das causas preservacionistas da água.


Como alento, a percepção de que não há inércia na busca de soluções e salvaguarda desse nosso patrimônio. Muito se tem estudado, debatido e planejado, nas universidades, governos e organizações sociais, resultando em produtos como o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado – PDDI da RMBH, concebido pela Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte – ARMBH, em cooperação com a Universidade Federal de Minas Gerais e outras, com ampla participação social, hoje em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, para que seja transformado em Lei Complementar; o Macrozoneamento Metropolitano, parte integrante dos estudos do PDDI; o Sistema de Informações do CBH-Rio das Velhas (Siga – Rio das Velhas); e a Plataforma de Infraestrutura de Dados Espaciais – IDE, do Instituto Mineiro de Gestão das Águas – IGAM, dentre outras iniciativas.


E alguma coisa tem sido feita, no campo das políticas públicas, por parte de empresas públicas, governos, universidade e sociedade civil, como os programas Pró-mananciais, da Copasa/MG e Plantando Futuro, da Codemig; a Rede Urbana de Agroecologia Metropolitana, com inúmeros atores sob a coordenação do grupo de Estudos em Agricultura Urbana – AUÊ!, da UFMG; as feiras agroecológicas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário – Seda; as intervenções hidroambientais dos SCBHs do CBH-Rio das Velhas, que contemplam a restauração de nascentes urbanas, a instalação de fossas sépticas, o financiamento de Planos Municipais de Saneamento Básico e de Planos Diretores de Unidades de Conservação, dentre outros projetos financiados com os recursos da cobrança pelo uso das águas, dentre outras. A integração dessas iniciativas poderia significar um grande ganho em escala e qualidade das soluções delas advindas.


Diante desse quadro, caminhemos! Há esperança! É o que nos entusiasma e alimenta a luta! Com a certeza de que a preservação e o uso sustentável de nosso Patrimônio Hídrico e Ambiental equivalem à nossa autopreservação e à sagrada preservação, em cada rincão e em toda a aldeia global, da Vida: a que é e a que será!


Nísio Miranda é Bacharel em Direito, Especialista para Magistério Superior em Direitos Difusos e Coletivos e em Poder Legislativo; poeta e ambientalista. Está como Titular do Observatório de Políticas Metropolitanas da Agência de Desenvolvimento da RMBH.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/03/2018
"Águas para a Vida! artigo de Nísio Miranda," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/03/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/03/28/aguas-para-a-vida-artigo-de-nisio-miranda/.

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Diversidade e funcionalidade ecossistêmica, artigo de Roberto Naime





Considerada o maior felino das Américas, a onça-pintada (Panthera onca) está presente em cinco biomas brasileiros (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal). Animal de hábitos solitários e mordida potente, a Panthera onca é classificada como ameaçada de extinção
Considerada o maior felino das Américas, a onça-pintada (Panthera onca) está presente em cinco biomas brasileiros (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal). Animal de hábitos solitários e mordida potente, a Panthera onca é classificada como ameaçada de extinção. Foto e informação do ICMBio

[EcoDebate] Todos os animais como abelhas, anfíbios, antas, onças, cupins e peixes-boi exercem funções ecossistêmicas importantes na manutenção do habitat.
Todos os animais possuem papéis importantes para o equilíbrio da natureza. São eles que dispersam sementes, plantando árvores, controlam populações de outras espécies e ainda produzem remédios para cura de muitas doenças, inclusive humanas. A função deles é primordial para a existência de outras espécies.

O site do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) selecionou algumas espécies que se destacam na natureza ressaltando a importância delas para a manutenção e o equilíbrio ecossistêmico e da biodiversidade.

As abelhas praticam a polinização, que contribui com a manutenção da diversidade de espécies na terra, sendo o fator mais importante para a existência da vegetação.
O desaparecimento das abelhas levará à redução de várias espécies de plantas e animais e também dos serviços ambientais fornecidos por elas, como é o caso da polinização, que promove a diversidade das espécies de plantas.

Acredita-se que as principais causas na redução de populações de abelhas sejam as mudanças climáticas, a grande quantidade de inseticida utilizado pela agricultura e o desmatamento.

Os anfíbios são considerados bioindicadores, conseguem prever alterações ambientais. A pele permeável e o ciclo de vida em ambiente aquático e terrestre são características que os tornam suscetíveis a alterações no ambiente, tanto físicas, como químicas.

A sensibilidade de algumas espécies de anfíbios permite dizer que o ambiente não vai bem, quando deveriam estar presentes e não estão. O declínio de tantas espécies de anfíbios é grave. Mesmo em áreas em que o ambiente está aparentemente preservado, o desaparecimento de espécies de anfíbios nos diz que existe um problema.

A anta tem o hábito de procurar comida durante o fim de tarde, de noite e de madrugada. Durante o dia costuma descansar escondida na mata ou dentro da água, local considerado como refúgio para elas. Em períodos de cheias, com a inundação das florestas, a anta mergulha atrás de frutos caídos das árvores. A principal predadora da anta adulta é a onça-pintada.

Os jovens e filhotes também são presas das suçuaranas e jacarés. A anta, além de ser o maior mamífero terrestre da América do Sul, é considerada a jardineira de nossas florestas, por ser uma excelente dispersora de sementes, contribuindo dessa forma para a formação e manutenção da biodiversidade dos biomas brasileiros onde vive, como Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal.

Os cupins podem ser considerados como uma espécie-chave devido a sua grande abundância e impacto no ambiente. Esses insetos capazes de digerir celulose servem de alimento para um grande número de organismos, e os seus ninhos, os cupinzeiros, servem de abrigo a vários animais de diversas espécies, incluindo invertebrados e vertebrados. São muito importantes para o solo, influenciando diretamente na sua estruturação e fertilidade.

Os cupins ao construírem seus ninhos no solo fazem vãos e pequenos canais, permitindo com que os solos sejam aerados e drenados. A movimentação dos cupins faz com que haja maior circulação de partículas no solo.

Por consequência, outras funções importantes são a de descompactação e a de manutenção da porosidade e distribuição de matéria orgânica. Ou seja, este grupo é muito importante tanto para a estruturação física quanto química do solo.

Cupins têm função importante nos processos de decomposição, ciclagem de nutrientes, fixação de nitrogênio, fluxo do carbono, incorporação de matéria orgânica e condicionamento do solo.

A onça-pintada exerce importante função ecológica para a manutenção do equilíbrio dos ambientes onde ocorre, principalmente por regular o tamanho das populações de suas espécies presas como queixadas, capivaras e jacarés.

É um animal que exige extensas áreas preservadas para sobreviver e se reproduzir. Dessa forma, a onça-pintada é considerada uma espécie guarda-chuva, pois suas exigências ecológicas englobam todas as exigências das demais espécies que ocorrem no seu ambiente. Ou seja, quando a onça estiver bem, outras espécies estarão bem também.

Finalizando, o peixe-boi fertiliza a água dos rios com os nutrientes encontrados em sua urina e fezes que serve de alimento para muitas larvas de peixes e fitoplânctons.

Além disso, contribui para o controle biológico de plantas aquáticas, regulando a sua multiplicação. A espécie marinha evita que algas se acumulem em um único local da costa e também as impedem de alcançar superfícies litorâneas e dificultar a vida marinha nesses locais.

Referência:

http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2014/11/conheca-alguns-animais-considerados-fundamentais-para-o-equilibrio-da-natureza

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/03/2018
"Diversidade e funcionalidade ecossistêmica, artigo de Roberto Naime," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/03/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/03/29/diversidade-e-funcionalidade-ecossistemica-artigo-de-roberto-naime/.

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A aprovação do cultivo de cana na Amazônia será trágico para a floresta e para a indústria de biocombustivel brasileira.


26.03.2018Opinião
 
A onda de retrocessos socioambientais promovida pela bancada ruralista durante o governo Temer é tão grande que agora ameaça o próprio setor produtivo. O Senado deve votar, nesta terça-feira (27), um projeto de lei que autoriza o cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia Legal, proibido há oito anos. Se aprovado, o projeto será trágico para as florestas e também para a indústria de biocombustíveis do Brasil – que sofrerá um dano de imagem difícil de reparar num período crítico para o sucesso do etanol.

O Projeto de Lei do Senado nº 626/2011, do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), é antes de mais nada desnecessário para a indústria sucroalcooleira. O zoneamento da cana, aprovado por decreto em 2009, autoriza a expansão do cultivo em 70 milhões de hectares. Isso é dez vezes mais área do que a expansão projetada da lavoura até 2020. Portanto, não falta terra para plantar cana de forma sustentável.

Permitir o cultivo na Amazônia, mesmo que em áreas degradadas, significa acrescentar mais um motor ao desmatamento na região: a pecuária será empurrada para novas áreas para dar lugar à lavoura, estimulando a devastação onde hoje deveria haver aumento de produtividade. Toda a infraestrutura de processamento precisaria se instalar ali, o que aumenta a pressão sobre a floresta. Cria-se um problema onde hoje ele não existe, e sem nenhuma justificativa consistente.

Além do risco ambiental, a proposta também joga na lama a imagem dos biocombustíveis do Brasil. O zoneamento da cana, afinal, foi feito exatamente como resposta a ameaças de imposição de barreiras comerciais não-tarifárias às exportações de álcool do Brasil. Revertê-lo atesta a nossos compradores que o Brasil não é um país sério, já que é incapaz de manter uma salvaguarda ambiental num tema discutido com o setor e pacificado há quase uma década. Isso fez a União da Indústria Sucroalcooleira, a Unica, manifestar-se, em 2017, contrariamente à proposta.

Prejudicar a indústria dos biocombustíveis significa prejudicar também o clima. Além de ter sua meta no Acordo de Paris para o setor de energia baseada, entre outros, na produção sustentável do etanol, e viabilizada com a lei do RenovaBio, o Brasil também lidera esforços internacionais de desenvolvimento de biocombustíveis para a descarbonização rápida do setor de transportes. Essa liderança é ferida de morte pelo projeto de Flexa Ribeiro.

Já para nossos concorrentes, em especial os produtores de etanol de milho dos Estados Unidos, trata-se de uma grande notícia: o álcool brasileiro é mais barato e energeticamente muito mais eficiente, e tirá-lo de circulação é o sonho da concorrência – principalmente em tempos de escalada protecionista promovida pelo governo de Donald Trump.

O PLS 626/2011, pautado de surpresa no último dia 21, atende a alguns interesses privados e acaba beneficiando estrangeiros enquanto impõe graves ameaças à Amazônia e ao setor de biocombustíveis. Repudiamos qualquer tentativa de votá-lo em plenário. Em respeito aos interesses maiores do país, cabe ao presidente Michel Temer e ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, darem a esse projeto de lei o único destino aceitável: o arquivamento.


ASSINAM ESTA NOTA:
Amazon Watch
Amigos da Terra Amazônia Brasileira
Associação Alternativa Terrazul
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi)
Associação de Proteção a Ecossistemas Costeiros (Aprec)
Centro de Ação Comunitária (Cedac)
CI-Brasil – Conservação Internacional
Comissão Pró-Índio de São Paulo
Conselho Nacional das Populações Extrativistas – CNS
Ecoa – Ecologia e Ação
Engajamundo
Fórum da Amazônia Oriental (FAOR)
Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
Fundação SOS Mata Atlântica
Fundación Avina
Gambá – Grupo Ambientalista da Bahia
Greenpeace
Rede GTA
Instituto BV-Rio
Idesam
Instituto Amazônia Solidária (IAMAS)
Instituto Centro de Vida (ICV)
Instituto ClimaInfo
Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – Idesam
Instituto Ecoar
Instituto de Manejo Florestal e Certificação Agrícola (Imaflora)
Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé)
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)
Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)
Instituto Socioambiental
IPAM Amazônia
Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais-UFMG
Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais
Observatório do Clima
Projeto Hospitais Saudáveis
Projeto Saúde e Alegria
Rede de Cooperação Amazônica (RCA)
Rede ODS Brasil
Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS)
SOS Pantanal
Uma Gota no Oceano
WRI Brasil
WWF-Brasil

Carta aberta em defesa da criação de 11 unidades de conservação em Rondônia


29.03.2018Opinião
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As organizações abaixo-assinadas se manifestam publicamente por meio desta carta contra a decisão inconstitucional da Assembleia Legislativa do estado de Rondônia, que aprovou no dia 27 de março de 2018, por unanimidade, 11 Projetos de Decreto Legislativo (PDL) que sustam os decretos do governador Confúcio Moura para criação de 11 Unidades de Conservação (UCs) no estado.

O governo estadual havia publicado os 11 decretos no Diário Oficial da União (DOU), no dia 20 de março de 2018, regulamentando a criação de parques e reservas ecológicas de várias categorias. As áreas totalizam cerca de 600 mil hectares em vários municípios rondonienses. Quatro delas receberam apoio do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), programa do governo federal.

As áreas estudadas foram consideradas de enorme interesse ambiental por se tratarem de berçários de rios importantes, grande diversidade de fauna e flora, e áreas com enorme pressão antrópica. As UCs estão em sintonia com o Zoneamento Socioeconômico e Ecológico do estado, aprovado no ano 2000, que desde então previa a vocação ambiental dessas áreas. Importante ressaltar que o estado de Rondônia não cria unidades de conservação há 25 anos.

Consideramos a decisão do legislativo arbitrária e inconstitucional. A desafetação de unidades de conservação depende de lei – e não de decreto legislativo –, elaborada por meio de processo aberto para a participação da sociedade civil e das entidades interessadas e precedida por estudos técnicos que a justifiquem. Nada disso foi observado pelos deputados estaduais de Rondônia. Além disso, a criação dessas UCs respeitou os requisitos legais exigidos, como a realização de consultas públicas, estudos socioambientais e caracterização do bioma e da fauna.

O poder público tem o dever de criar UCs para dar efetividade ao direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Ao extinguir as UCs recém-criadas, a Assembleia Legislativa não cumpriu com o seu dever e violou o direito de todos.

Além dos PDL, que atacam as recém-criadas UCs, a Assembleia Legislativa de Rondônia aprovou também uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que altera a constituição estadual, obrigando a criação de UCs por lei complementar. Com isso, o Poder Executivo Estadual perde a competência de instituir áreas protegidas. Tal fato viola o pacto federativo ao criar uma norma menos protetiva do que a norma que consta do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

11 UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
▪ Área de Proteção Ambiental do Rio Pardo (Porto Velho e Buritis)
▪ Floresta Estadual do Rio Pardo (Porto Velho e Buritis)
▪ Estação Ecológica Umirizal (Porto Velho)
▪ Reserva de Fauna Pau D’óleo (São Francisco do Guaporé)
▪ Parque Estadual Abaitará (Pimenta Bueno)
▪ Parque Estadual Ilha das Flores (Alta Floresta D’Oeste)
▪ Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Machado (Porto Velho)
▪ Reserva de Desenvolvimento Sustentável Limoeiro (São Francisco do Guaporé)
▪ Reserva de Desenvolvimento Sustentável Serra Grande (São Francisco do Guaporé)
▪ Reserva de Desenvolvimento Sustentável Bom Jardim (Porto Velho)
▪ Estação Ecológica Soldado da Borracha (Porto Velho e Cujubim)


INSTITUIÇÕES SIGNATÁRIAS
▪ Ação Ecológica Guaporé- Ecoporé
▪ Apremavi – Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida
▪ Coalizão Pró-UCs
▪ CI – Conservação Internacional
▪ Fundação Grupo Boticario de Proteção à Natureza
▪ FVA – Fundação Vitória Amazônica
▪ Greenpeace
▪ Kanindé – Associação de Defesa Etnoambiental
▪ IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil
▪ Imaflora – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola
▪ IDSM – Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá
▪ ISA – Instituto Sociambiental
▪ IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia
▪ PSA – Projeto Saúde e Alegria
▪ Rede GTA – Grupo de Trabalho Amazônico
▪ Rede Pró-UC
▪ SOS Amazônia
▪ SOS Mata Atlântica
▪ SPVS – Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental
▪ TNC – The Nature Conservancy
▪ Uma Gota No Oceano
▪ WWF-Brasil