quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Considerado “caribe amazônico”, Alter do Chão (PA) pode virar savana, alerta estudo

Catarina Barbosa, Brasil de Fato – 

Possibilidade é cogitada por pesquisadores que estudam a região; desmatamento e queimadas seriam os responsáveis

Alter do Chão, no Oeste do estado do Pará, é considerado o “caribe amazônico” e se tornou destino frequente de turistas em busca de suas praias de água doce às margens do Rio Tapajós. As belezas naturais que tornaram o local – que é vila do município de Santarém –conhecido, porém, estão ameaçadas pelo aumento de queimadas e do desmatamento na Amazônia que aceleram o processo de transformação da floresta amazônica em savana.

A esse processo, dá-se o nome de: savanização. De forma resumida é como se a diversidade de árvores fosse transformada em uma vegetação com espécies de pequeno e médio porte.

Um estudo realizado na região, acendeu o alerta em pesquisadores ao constatarem que uma floresta primária e densa – como é a floresta amazônica – pode ganhar aspectos parecidos com o de uma savana se for submetida repetidas vezes processos de devastação.

“Mesmo que você tenha uma floresta que esteja em uma área bem protegida, se essa área pegar fogo repetidamente por alguns anos, é possível que o processo de savanização se intensifique nesse local”, alerta o pesquisador José Mauro Moura professor da Universidade do Oeste do Pará (Ufopa), um dos pesquisadores que atuaram nesse estudo.

Ele explica que a vegetação, embora seja relativamente aberta e com pouca cobertura vegetal sobre o solo, funciona como um filtro para as águas da chuva que irão abastecer os lagos e igarapés.

LEIA TAMBÉM: Desmatamento na Amazônia está secando o resto do Brasil, aponta relatório

“Logo, se você elimina essa vegetação, queima, o solo vai ficar desprotegido e muito material pode ser carregado para a água dos rios. Então, aquela paisagem bonita que a gente conhece com praias e com lago pode ter uma mudança muito grande em função da cor da água”, diz ele.

pesquisa foi conduzida pela universidade de Michigan, nos Estados Unidos, pesquisadores do Programa de Pós-Graduação Graduação em Recursos Naturais da Amazônia da Universidade Federal do Oeste do Pará (PPGRNA-Ufopa), além da equipe do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Universidade de São Paulo (USP) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O pesquisador destaca ainda que a Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter do Chão é uma área em que há ocorrência de dois tipos de processo de savanização: as mais fechadas com composição florística mais parecida com a floresta e as com uma composição florística mais aberta, que se assemelham a áreas do centro-oeste do Brasil e da África.

Na avaliação de Caetano Scannavino, coordenador da ONG Projeto Saude e Alegria a degradação da floresta e o processo de savanização deve nos levar à reflexão de que tipo de desenvolvimento temos hoje na Amazônia.

“Em termos de Amazônia, a gente desmatou o equivalente a duas Alemanhas de floresta para colocar o quê no lugar? 63% dessa área devastada é ocupada por pastagens de baixíssima produtividade, menos de um animal por hectare e os outros 23% são áreas abandonadas. Então, a gente está desmatando para produzir mal e para ficar mais pobre”, alerta.

Edição: Leandro Melito

Queimadas impedirão o Brasil de honrar o Acordo de Paris, conclui estudo da Unemat e Ufms publicado na Nature

 

Queimadas impedirão o Brasil de honrar o Acordo de Paris, conclui estudo da Unemat e Ufms publicado na Nature


Plurale em revista, do Portal da UNEMAT – 

As florestas brasileiras estão queimando somente agora? Não. O Brasil sempre queimou suas florestas, campos e pastagens. As evidências são citadas no estudo liderado por pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) que acaba de ser publicada na Nature Scientific Reports. O artigo, publicado na renomada revista científica de acesso aberto e com variados temas de ciências naturais e clínicas, pode ser acessado aqui.

Entre os anos de 1999 a 2018 os pesquisadores avaliaram os focos de calor em todos os seis biomas brasileiros (Pampa, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal, Cerrado e Amazônia) e suas emissões, utilizando diversos dados provenientes de vários satélites, dentre eles o ATSR, TERRA, AQUA, GOES-13, NPP-375 e o NOAA-18. Com base nesses levantamentos os cientistas realizaram uma projeção para 2030 onde estimaram que o Brasil emitirá, naquele ano, 5,7 GtCO2 (gigatoneladas de dióxido de carbono) somente como resultado das queimadas. É importante considerar que pelo Acordo de Paris, em 2030, o Brasil precisa emitir apenas 1,2 Gt CO2 . Assim como vale lembrar que cada Gt corresponde a um bilhão de toneladas.

Foto de Gustavo Figueiroa – SOS Pantanal – Porto Jofre (MT)

Segundo o professor da Unemat, Carlos Antonio da Silva Junior, doutor em Agronomia e autor principal da pesquisa, estes números impressionam e evidenciam a ausência de uma ampla política de combate aos incêndios no país que vem ocorrendo desde governos passados. “Além disso, demonstram que não conseguiremos atingir as metas do Acordo Climático de Paris”, reforçou o professor.

Paulo Eduardo Teodoro, doutor em Genética e Melhoramento e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), lembra que o estudo não avaliou os anos de 2019 e 2020 uma vez que a pesquisa foi realizada a partir do segundo semestre de 2018 e encerrada no primeiro semestre de 2019. “Mas os anos de 2019 e 2020 provavelmente estarão contribuindo para deixar o Brasil em uma posição cada vez mais distante do Acordo internacional”, considerou Teodoro.

A pesquisa ainda contou com cientistas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Université Rennes 2 (França).

Acordo de Paris – O Acordo de Paris aprovado, em 1992, por 195 países que participam da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) no contexto do desenvolvimento sustentável estabelece o compromisso de manter o aumento da temperatura média global em bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e de envidar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

#Envolverde

Apesar de proibição, queimadas batem recorde da última década em Mato Grosso

 

por Nádia Pontes, Deutsche Welle – 

Maior parte do fogo ocorreu em período proibido via decreto, sendo o Pantanal o palco da maior destruição. Impunidade, seca histórica e pandemia são apontadas como causas para cenário trágico.

Em todo o Brasil, as queimadas para fins agrícolas foram proibidas de meados de julho a meados de novembro por um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. Mas é como se a lei não existisse ou tivesse o efeito contrário do desejado: o número de incêndios em todas as regiões aumentou em 2020 em relação ao ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em Mato Grosso, as queimadas já estavam proibidas antes do decreto de Bolsonaro, por meio de um decreto estadual. Apesar de o período de proibição ter começado mais cedo que de costume no estado – normalmente vai de 15 de julho a 15 de setembro e, neste ano, iria incialmente de 1º de julho a 30 de setembro e foi prorrogado até 12 de novembro –, o número de focos de calor de julho a setembro aumentou 57% em relação ao mesmo período do ano passado.

Dos 39,9 mil pontos de fogo registrados por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no estado de janeiro a setembro, 83% (33,1 mil) ocorreram durante os meses da proibição, que são também os mais secos. Só no Pantanal, que, proporcionalmente, é o bioma mais impactado pelas queimadas em Mato Grosso, 95% dos focos de calor ocorreram no período proibido.

Além disso, em 2020, as queimadas na região começaram mais cedo: janeiro, fevereiro e abril já haviam superado o número de focos de calor do ano passado. Em setembro deste ano, eles explodiram e atingiram o dobro do registrado no mesmo mês de 2019.

Os focos registrados no estado de janeiro até esta quinta-feira (07/10) somam 41,8 mil, número que só foi superado na última década em 2010, que teve 52,3 mil focos no mesmo período. Desde que o sistema de monitoramento do Inpe passou a funcionar, em 1998, o ano mais crítico foi 2004, quando a marca chegou a 86 mil focos no período.

“[A proibição] não teve efeito nenhum na redução do cenário de foco de calor e de áreas atingidas pelo fogo”, comenta Vinícius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do Instituto Centro e Vida (ICV), que analisou os dados das queimadas no estado.

“A sensação de impunidade é muito grande. Ver o principal órgão de fiscalização, que é o Ibama, enfraquecido como está é uma mensagem de que quem comete o crime não será autuado e, se for, pode recorrer e não pagar a multa”, analisa.

Endereço conhecido

Em Mato Grosso, estado que também é o maior produtor de soja do país, a análise feita pelo ICV tentou demonstrar que é possível rastrear o começo e o endereço das maiores queimadas. Segundo o levantamento, feito com ajuda de dados da Nasa, nove pontos de origem foram responsáveis por queimar 325 mil hectares.

“Cinco deles foram originados dentro de imóveis que estão dentro do Cadastro Ambiental Rural (CAR)”, comenta Silgueiro. “A gente quer mostrar que é possível chegar à origem.”

O CAR é um registro público eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais. O objetivo é gerar informações ambientais das propriedades para que os órgãos possam fiscalizar se o Código Florestal está sendo cumprido.

Questionada, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente disse à DW Brasil que, de janeiro a setembro, foram aplicadas multas que somam R$ 1,05 bilhão por crimes como desmatamento e incêndios florestais – sendo 100 milhões desse valor relacionados a crimes relacionados ao uso do fogo.

“O aumento dos incêndios nessa época não é o fogo permitido, é o crime mesmo”, justifica o cenário no estado Alex Sandro Antônio Marega, secretário adjunto Executivo da secretaria.

Sobre a eficiência da proibição, Marega diz que essa legislação tem a ver com o uso permitido do fogo, já que é preciso autorização dos órgãos responsáveis para o manuseio dessa técnica nas propriedades rurais. “O decreto não permitiu que nenhuma licença fosse expedida e, as que saíram antes do decreto, foram suspensas”, explica.

“As pessoas que estão cometendo esses crimes hoje vão passar por dificuldades grandes nos próximos anos, porque elas irão responder no administrativo, no Ministério Público, e vão ser responsabilizadas pelo Ministério Público Federal na Justiça Federal”, diz o secretário sobre a ação integrada entre os órgãos.

De janeiro a setembro deste ano, o valor de multas aplicadas no estado é quatro vezes maior que a média histórica. Por outro lado, são poucos os proprietários rurais que chegam, de fato, a pagar pelo crime ambiental: 97,2% deles conseguem se livrar da penalidade, segundo dados da própria secretaria.

Entre 2018 e 2019, porém, a taxa de recebimento das multas em Mato Grosso saltou de 2,8% para 19%. “Montamos uma força-tarefa e temos expectativa de aumentar esse índice em 2020”, comenta Marega.

LEIA TAMBÉM: Extrativistas cercados pelo fogo se dizem abandonados

Crime de grilagem

Nem todo fogo começa para limpeza de pasto. Em Novo Mundo, norte de Mato Grosso, famílias do Pré-Assentamento Boa Esperança acusam grileiros de provocar um incêndio para expulsá-las da área.

Há menos de um mês, chamas destruíram casas, plantações, cercas, vegetação e animais no local, onde moram 300 pessoas. Cerca de 90% da área ocupada pelas famílias foi destruída, segundo o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de Mato Grosso (CDDPH) e o Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT/MT).

Disputas nas Justiça em andamento há mais de dez anos deram às famílias o direito de permanecer nas terras, que são da União, e pediram a expulsão do ocupante ilegal, sediado na antiga Fazenda Araúna.

“Em julho, numa reunião, as famílias nos disseram que tinham medo de que o grileiro ateasse fogo como forma de expulsá-las”, conta Inácio Werner, do FDHT. “E foi o que aconteceu. As famílias perderam muitas coisas, mas continuam lá”, afirma, adicionando que foram registrados diversos boletins de ocorrência sobre o caso.

Impunidade como motivação para o crime

A certeza da impunidade também é vista pela secretaria estadual como uma das razões para crimes desse tipo.

“Achar que vai ficar impune é um dos motivos, certamente. A seca, a maior dos últimos 50 anos, também contribui muito. E a pandemia é vista como um fator”, aponta Marega sobre as causas para o recorde de queimadas no estado encontradas pelo comitê que gerencia a situação.

Segundo ele, muitos criminosos aproveitaram a emergência de saúde para cometer os crimes ambientais por acharem que os órgãos estaduais ficariam inoperantes. “Mas em abril nossos equipes já estavam em campo, com todas as medidas de proteção contra o coronavírus”, afirma.

Para Silgueiro, do ICV, o quadro trágico é reflexo do desmonte e corte de recursos do Ibama, principal órgão responsável por fiscalizar delitos ambientais no país e por ações de prevenção contra queimadas.

“É preciso deixar claro que esse tipo de crime ambiental não será tolerado e também fortalecer as equipes de combate e formar brigadistas em regiões que todo ano pega fogo”, diz.

A tragédia já tinha sido, de uma certa forma, anunciada pela ciência. Institutos, como o próprio Inpe, haviam alertado para o risco das chamas mais intensas nesta temporada devido às condições climáticas.

“Existe também uma conivência do setor produtivo em negar o problema, que encontra um governo federal que nega o problema”, comenta Silgueiro.

#Envolverde

NÃO É MAIS FICÇÃO CIENTÍFICA: CIENTISTAS CRIARAM UM CIRCUITO A PARTIR DO GRAFENO QUE GERA ENERGIA LIMPA E ILIMITADA

 

NÃO É MAIS FICÇÃO CIENTÍFICA: CIENTISTAS CRIARAM UM CIRCUITO A PARTIR DO GRAFENO QUE GERA ENERGIA LIMPA E ILIMITADA


Compartilhe

Uma equipe de físicos da Universidade de Arkansas (EUA) desenvolveu com sucesso um circuito capaz de capturar o movimento térmico do grafeno e convertê-lo em corrente elétrica.

Um circuito de coleta de energia baseado em grafeno poderia ser incorporado em um chip para fornecer energia limpa, ilimitada e de baixa voltagem para pequenos dispositivos ou sensores”, disse Paul Thibado, professor de física e pesquisador-chefe da descoberta.

A descoberta, publicada na revista Physical Review E, são a comprovação de uma teoria que os físicos desenvolveram há três anos atrás, de que o grafeno independente – uma única camada de átomos de carbono – ondula e se deforma de uma forma que possibilita a captação de energia .

A ideia de colher energia do grafeno é controversa porque refuta a conhecida afirmação do físico Richard Feynman de que o movimento térmico dos átomos, conhecido como movimento browniano, não funciona. A equipe de Thibado descobriu que, à temperatura ambiente, o movimento térmico do grafeno de fato induz uma corrente alternada (CA) em um circuito, algo até então considerado impossível.

O grafeno e o circuito compartilham uma relação simbiótica.

Embora o ambiente térmico esteja realizando trabalho no resistor de carga, o grafeno e o circuito estão na mesma temperatura e o calor não flui entre os dois”, explicou Pradeep Kumar, co-autor do experimento.

Essa é uma distinção importante, disse Thibado, porque uma diferença de temperatura entre o grafeno e o circuito, em um circuito que produz energia, contradiria a segunda lei da termodinâmica.

Isso significa que a segunda lei da termodinâmica não é violada, nem há necessidade de argumentar que o ‘Demônio de Maxwell’ está separando elétrons quentes e frios”, disse Thibado.

A equipe também descobriu que o movimento relativamente lento do grafeno induz corrente no circuito em baixas frequências, o que é importante do ponto de vista tecnológico porque a eletrônica funciona com mais eficiência em frequências mais baixas.

As pessoas podem pensar que a corrente fluindo em um resistor faz com que ele aqueça, mas a corrente browniana não. Na verdade, se nenhuma corrente estivesse fluindo, o resistor esfriaria. O que fizemos foi redirecionar a corrente do circuito e transformá-la em algo útil”, explicou Thibado. 

O próximo objetivo da equipe é determinar se a corrente contínua (CC) pode ser armazenada em um capacitor para uso posterior, uma meta que requer a miniaturização do circuito e padronização em uma pastilha de silício, ou chip. Se milhões desses minúsculos circuitos pudessem ser construídos em um chip de 1 por 1 milímetro, eles poderiam servir como uma substituição de bateria de baixa potência.

 


MAIOR AQUÍFERO DO MUNDO FICA NO BRASIL E ABASTECERIA O PLANETA POR 250 ANOS

 AQUÍFERO DA AMAZÔNIA – Drops of Amazon

MAIOR AQUÍFERO DO MUNDO FICA NO BRASIL E ABASTECERIA O PLANETA POR 250 ANOS


Compartilhe

Imagine uma quantidade de água subterrânea capaz de abastecer todo o planeta por 250 anos. Essa reserva existe, está localizada na parte brasileira da Amazônia e é praticamente subutilizada.

Até dois anos atrás, o aquífero era conhecido como Alter do Chão. Em 2013, novos estudos feitos por pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará) apontaram para uma área maior e nova definição.

A gente avançou bastante e passamos a chamar de SAGA, o Sistema Aquífero Grande Amazônia. Fizemos um estudo e vimos que aquilo que era o Alter do Chão é muito maior do que sempre se considerou, e criamos um novo nome para que não ficasse essa confusão”, explicou o professor de Instituto de Geociência da UFPA, Francisco Matos.

Segundo a pesquisa, o aquífero possui reservas hídricas estimadas preliminarmente em 162.520 km³ – sendo a maior que se tem conhecimento no planeta.

Isso considerando a reserva até uma profundidade de 500 metros. O aquífero Guarani, que era ao maior, tem 39 mil km³ e já era considerado o maior do mundo”, explicou Matos.

O aquífero está posicionado nas bacias do Marajó (PA), Amazonas, Solimões (AM) e Acre, todas na região amazônica, chegando até a bacias sub-andinas. Para se ter ideia, a reserva de água equivale a mais de 150 quatrilhões de litros.

Daria para abastecer o planeta por pelo menos 250 anos”, estimou Matos.

O aquífero exemplifica a má distribuição do volume hídrico nacional com relação à concentração populacional. Na Amazônia, vive apenas 5% da população do país, mas é a região que concentra mais da metade de toda água doce existente no Brasil.

Por conta disso, a água é subutilizada. Hoje, o aquífero serve apenas para fornecer água para cidades do vale amazônico, com cidades como Manaus e Santarém.

O que poderíamos fazer era aproveitar para termos outro ciclo, além do natural, para produção de alimentos, que ocorreria por meio da irrigação. Isso poderia ampliar a produção de vários tipos de cultivo na Amazônia”, afirmou Matos.

Para o professor, o uso da água do aquífero deve adotar critérios específicos para evitar problemas ambientais.

Esse patrimônio tem de ser visto no ciclo hidrológico completo. As águas do sistema subterrâneo são as que alimentam o rio, que são abastecidos pelas chuvas. Está tudo interligado. É preciso planejamento para poder entender esse esquema para que o uso seja feito de forma equilibrada. Se fizer errado pode causar um desequilíbrio”, disse.

Mesmo com a água em abundância, Matos tem pouca esperança de ver essa água abastecendo regiões secas, como o semiárido brasileiro.

O problema todo é que essa água não tem como ser transportada para Nordeste ou São Paulo. Para isso seriam necessárias obras faraônicas. Não dá para pensar hoje em transportar isso em distâncias tão grandes”, afirmou.


O PLANETA TERRA ESTÁ SUGANDO MUITA ÁGUA E NINGUÉM SABE O PORQUÊ

 Já existe mais concreto do que água no planeta terra | W Radio Brasil

O PLANETA TERRA ESTÁ SUGANDO MUITA ÁGUA E NINGUÉM SABE O PORQUÊ


Compartilhe

A medida que as placas tectônicas se movem e se introduzem umas debaixo das outras, é arrastada para o interior da Terra um volume de água superior ao imaginado, é o que indica uma pesquisa elaborada por especialistas da Universidade Washington em Saint Louis.

Cálculos indicam que são perdidos a cada milhão de anos cerca de 3 bilhões de teragramas de água nas entranhas do nosso planeta, informa o estudo na revista científica Nature.30

Os cientistas, liderados por Chen Cai, usaram dados coletados por vários sensores sísmicos instalados a 11 mil metros de profundidade, mais especificamente na fossa das Marianas, conhecido como o local mais profundo dos oceanos.

Nessa parte do Pacífico ocidental, os dispositivos detectaram terremotos e ecos, que percorrem pela crosta terrestre. Os cientistas mediram a velocidade desses tremores, cuja desaceleração indica a presença de água em fraturas de rocha e de minerais que contêm água dentro de seus cristais.

Depois de registrar a desaceleração dos ecos na crosta e analisar os níveis de temperatura e pressão, os cientistas calcularam que a cada milhão de anos são perdidos 3 bilhões de teragramas de água na crosta e no manto. Um teragrama corresponde a um bilhão de quilogramas (ou cerca de 3 quadrilhões de toneladas no total). Sim, é muita água.

Os cientistas ainda não entendem como a água se move dentro da Terra. A água filtrada deveria reaparecer na superfície em erupções vulcânicas. Além do mais, o cálculo dos estudiosos é três vezes maior do que as previsões anteriores e é menor do que a quantidade de magma que seria expulsa das crateras do planeta.

O estudo foi publicado na revista Natura, disponível neste link.


terça-feira, 6 de outubro de 2020

Amazónia à beira da destruição "irreversível"

 

Amazónia à beira da destruição "irreversível"

Voltou a época das queimadas na Amazónia, depois de um ano de devastação recorde
Voltou a época das queimadas na Amazónia, depois de um ano de devastação recorde   -   Direitos de autor  Edmar Barros/AP
Tamanho do texto Aa Aa

A desflorestação e desmatamento a Amazónia terão atingido o valor máximo dos últimos 14 anos.

São dados oficiais, mas ainda preliminares que assinalam um ano devastador para o pulmão do mundo: mais 34 por cento de área ardida do que no ano anterior. A tradicional épocadas queimadas voltou e os especialistas dizem que estamos muito perto do ponto de não retorno.

Uma nuvem de fumo envolve a cidade de Novo Progresso
Euronews/APUma nuvem de fumo envolve a cidade de Novo Progresso

Carlos Nobre, investigador do INPA, o instituto governamental brasileiro que monitoriza a situação na Amazónia, não tem dúvidas que estamos à beita do ponto de não retorno. " Quando toda esta área começar a tornar-se numa savana, é irreversível. É um processo irreversível que demora 30 a 50 anos. Depois disso, 60% a 70% da floresta amazónica estará convertida numa savana," avisa.

Há uma nuvem de fumo que resiste à passagem dos dias nesta região do Pará. Terá sido aqui, em Novo Progresso, que começou o movimento que há um ano organizou o "Dia do Fogo". Mas há aqui quem viva para proteger a floresta. Nubia Machado, é professora e pede que "se um crime ambiental foi cometido por A, B ou C, essas pessoas não devem ser tomadas como o estereótipo dos habitantes de Novo Progesso".

Euronews/AP
Começou esta semana uma nova época de queimadasEuronews/AP

Joaquim da Silva, agricultor paranense, garante que ele e "todos os vizinhos querem tomar conta da terra de forma legal".

Nas contas oficiais, a Amazónia brasileira perdeu no último ano 9 mil 205 quilómetros quadrados de floresta - uma área equivalente ao território de Chipre. A maioria em queimadas iniciadas em Agosto e Setembro do ano passado.

Plano para proteção da Amazónia pode prejudicar a floresta


Plano para proteção da Amazónia pode prejudicar a floresta

Amazónia
Amazónia   -   Direitos de autor  AP Photo
Tamanho do texto Aa Aa

Em maio, depois de uma série de incêndios florestais na Amazónia, o presidente brasileiro colocou o exército na frente da proteção da floresta tropical.

Mas segundo uma investigação da Associated Press, a decisão teve o efeito contrário.

A agência de notícias diz que sob o controlo dos militares as acusações relacionadas com a devastação da floresta estão praticamente paradas e que o exército parece concentrar-se em dezenas de pequenos projetos de construção de estradas e pontes, alimentando ainda mais a exploração da Amazónia.

A Associeted Press descobriu que o número de multas emitidas por crimes ambientais foi reduzido para quase metade desde há quatro anos, especialmente com a presidência de Jair Bolsonaro. A agência cita ainda dois funcionários do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis que, sob anonimato, revelaram que deixaram de utilizar mapas de satélite para localizar locais de risco e multar os proprietários.

Mas os agricultores também têm queixas e pedem mais respeito pelos produtores rurais.

Perigos para a Saúde Pública

Os especialistas lembram que a Amazónia perdeu cerca de 17% da área original e, ao ritmo atual, espera-se que atinja um ponto de viragem nos próximos 15 a 30 anos.

Ao decompor-se, irá libertar centenas de biliões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera.

Segundo um estudo da Human Rights Watch, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia, e do Instituto de Estudos de Política de Saúde, os incêndios que resultam da desflorestação descontrolada estão a envenenar o ar que milhões de pessoas respiram.

O estudo revelou que mais de 2 mil pessoas foram ao hospital por causa de doenças respiratórias relacionadas com os incêndios do ano passado.

Para a Human Rights Watch Brasil, trata-se de um problema "crónico" de saúde pública que poderia ter sido evitado.

Crise de extinção: líderes mundiais dizem que é hora de agir

 

Crise de extinção: líderes mundiais dizem que é hora de agir

De acordo com a ONU, 75% da superfície terrestre da Terra foi significativamente alterada pela ação humana. Fonte: GETTY IMAGES.

Enquanto cerca de 150 líderes globais se alinhavam – virtualmente – para falar da cúpula da biodiversidade na quarta-feira, as apostas não poderiam ser maiores.

“A casa está pegando fogo e todos nós estamos trancados, por causa de uma doença que veio da nossa má gestão da natureza”.

Leia também:

Foi assim que Inger Anderson, chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, destacou a questão em um briefing um dia antes do evento.

“Acho que há uma percepção de que se não cuidarmos da natureza, podemos acabar em apuros”, acrescentou ela.

Muitos primatas, incluindo o macaco dourado, ameaçado de extinção, estão em declínio devido à perda de habitat. Fonte: JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK.

Com o mundo lutando com a saúde pública, a devastação social e econômica da pandemia Covid-19, os líderes estão sob pressão crescente para cumprir suas promessas de reverter o declínio no mundo natural.

Por que essa cúpula é importante?

Esta cúpula é principalmente um fórum de alto nível para líderes mundiais. Seu objetivo é “destacar a crise que a humanidade enfrenta com a degradação da biodiversidade, e a necessidade urgente de acelerar a ação sobre a biodiversidade para o desenvolvimento sustentável”.

Mas o ponto em que compromissos genuínos serão feitos – para tomar medidas para proteger a natureza – será na conferência sobre biodiversidade em 2021. Essa conferência, adiada por causa da pandemia, é onde todos os países membros devem adotar uma nova “estrutura de biodiversidade “- essencialmente um contrato global para colocar a natureza no caminho da recuperação até 2030.

Mas um relatório da ONU publicado apenas duas semanas atrás revelou que nenhuma das 20 metas de biodiversidade que os países assinaram em 2011 seria totalmente cumprida.

Os insetos contribuem com centenas de milhões de libras para a economia global, polinizando as plantações de alimentos. Fonte: VICTORIA GILL.

Essas metas eram ambiciosas, englobando todos os aspectos de como nossas vidas humanas se cruzam com o mundo natural.

Variam desde a redução da taxa de perda de habitats naturais como florestas e proteção das paisagens mais preciosas para a vida selvagem, até mudanças mais fundamentalmente econômicas, como a eliminação de subsídios para “atividades que são prejudiciais”, incluindo práticas intensivas e poluentes de agricultura e pesca.

Covid-19 não é a primeira pandemia causada por uma doença zoonótica – uma doença que “transbordou” dos animais. Fonte: GETTY IMAGES.

Xi Jinping, presidente da China, país anfitrião da conferência de 2021, usou seu discurso pré-gravado para enfatizar o compromisso de seu país de virar o jogo para a biodiversidade.

“Precisamos encontrar uma maneira da humanidade viver em harmonia com a natureza”, disse ele.

O Sr. Xi também enfatizou a necessidade de recuperação econômica, dizendo que o desenvolvimento verde “aumentaria o potencial de alta qualidade da recuperação econômica pela Covid-19”.

“Precisamos reconhecer que nossas soluções estão na natureza – para alcançar um ´ganha-ganha`”.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, usou um discurso pré-gravado para destacar a situação do pangolim, criticamente ameaçado de extinção:

“Eu não acredito que qualquer um de nós escolheria deixar um planeta no qual uma criaturinha tão maravilhosamente bizarra seja tão desconhecida para as gerações futuras quanto os dinossauros e dodôs são para nós hoje”.

“No entanto, é isso que nos espera se continuarmos neste caminho. E isso não é apenas uma má notícia para os pangolins – é uma má notícia para todos nós”.

O pangolim é um dos mamíferos mais ameaçados da Terra e também era uma suspeita “espécie de elo perdido” na pandemia de coronavírus. Fonte: GETTY IMAGES.

Mas, na esteira do recente anúncio do governo do Reino Unido de que protegeria mais terras para a natureza, o histórico do país na perda de biodiversidade está sendo examinado.

A professora Kate Jones, da University College London (UCL), que estuda a interação entre a natureza e a saúde humana, descreveu os “declínios históricos massivos” da biodiversidade no Reino Unido como “terríveis”.

O que é diferente desta vez?

Inger Anderson insistiu que os “trilhões de dólares investidos em pacotes de estímulo” por causa da pandemia, proporcionaram uma oportunidade ideal para investir no crescimento sustentável. “Certamente não queremos voltar aos nossos caminhos prejudiciais”, disse ela.

Elizabeth Maruma Mrema, secretária executiva da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, um tratado multilateral que visa conservar as espécies, acrescentou: “Empresas, bancos, a juventude – todos estão prontos para agir. Esta é nossa última chance e todos têm um papel a desempenhar”.

Ao destruir o mundo natural, explicou a professora Jones, “atualmente estamos degradando nosso patrimônio. Portanto, nossos sistemas financeiros precisam mudar”.

Ela acrescentou: “Com a mudança climática, nossa casa está em um penhasco e vai cair em breve. A perda de biodiversidade e as mudanças no uso da terra significam que ela também está pegando fogo – nossa trajetória atual não é sustentável, então temos que fazer algo.

“Há mais conversa e ação agora do que antes, e estou mais esperançosa agora do que nunca, mas as expectativas ainda são baixas”.

Fonte: BBC News / Victoria Gill
Tradução: Redação Ambientebrasil / Maria Beatriz Ayello Leite
Para ler a reportagem original em inglês acesse:
https://www.bbc.com/news/science-environment-54357479

A legislação ambiental brasileira cada vez mais frágil

 

A legislação ambiental brasileira cada vez mais frágil

A fragilidade da legislação ambiental brasileira

Esvaziamento de colegiados participativos resulta em decisões sem amparo técnico-científico, levando à judicialização das políticas ambientais

Oceana Brasil

Os desdobramentos das decisões da 135ª Reunião Ordinária da Plenária do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), realizada no dia 28 de setembro de 2020 após convocação de última hora, levaram à judicialização das decisões que suspendiam as resoluções 302 e 303/2002. Essas normas protegem manguezais e restingas, ecossistemas costeiros de enorme importância socioambiental.

As medidas foram aprovadas por um Conselho esvaziado, à luz de sua história de quatro décadas pautada pelo debate com ampla participação da sociedade civil, das três esferas de governo e do setor produtivo. A deliberação na Plenária, em geral, é precedida por discussões nas Câmaras Técnicas, formadas por conhecedores da matéria em pauta, o que não ocorreu nas deliberações que culminaram com a suspenção das duas resoluções, além da aprovação de medida que versa sobre o licenciamento da incineração de resíduos em fornos industriais.

Em 2019, a composição do Conselho foi reduzida de 96 para 23 membros, em que permaneceram somente quatro representantes da sociedade civil e dois do setor produtivo. Criado pela Lei nº 6.938/ 1981, o Conama escapou de ser enquadrado no Decreto nº 9.759/2019, que extinguiu colegiados formados no âmbito no governo federal. Entre eles, o ato presidencial suspendeu os Comitês Permanentes de Gestão da Pesca (CPGs), que eram os únicos espaços consultivos dos quais participam representantes do governo, do setor pesqueiro e da sociedade civil para discutir medidas de ordenamento da atividade pesqueira.

A extinção e o esvaziamento desses fóruns fragilizam o respaldo científico na tomada de decisão pelos gestores da área ambiental, além de minar a transparência na elaboração das políticas públicas, uma vez que os procedimentos são escusos. Em nossa experiência acompanhando os CPGs, pudemos observar que, ao dar voz aos envolvidos na execução das políticas ambientais propostas – como o setor produtivo – as chances de uma resposta bem sucedida são maiores.

A Resolução Conama nº 302/2002 estabelece para as Áreas de Preservação Permanente (APP) de reservatório artificial – definidas como acumulação não natural de água destinada a quaisquer de seus múltiplos usos – parâmetros, definições e limites de 30 metros em áreas urbanas e de 100 metros em áreas rurais. Dispõe também sobre os critérios para aumentar ou diminuir a área de APP desses reservatórios, dependendo do seu uso.

Com a revogação dessa resolução, permanece em vigor somente o disposto no Código Florestal, que não contempla o estabelecimento de “Área de Preservação Permanente no entorno de reservatórios artificiais de água que não decorram de barramento ou represamento de cursos d’água naturais.” Os limites de proteção ficam assim restritos somente para reservatórios de água com fins de abastecimento público ou de geração de energia. Os demais reservatórios passam a ser analisados no processo de licenciamento ambiental dos empreendimentos, o que efetivamente reduz a proteção das áreas de APP de reservatórios artificiais.

A Resolução Conama 303/2002 estabelece limites referentes às Áreas de Preservação Permanente em geral, incluindo as faixas de restinga e manguezais do litoral brasileiro. Se essa resolução for de fato revogada, os manguezais continuarão protegidos em toda a sua extensão pelo Código Florestal. No entanto, as áreas de restinga perderão a faixa de proteção de 300 metros estabelecida na Resolução 303, cujo novo limite, passará a ser regido pelo Código Florestal e será estabelecido pelo órgão ambiental licenciador.

Além disso, com a revogação da Resolução 303 diversas áreas de APP não presentes no Código Florestal deixarão de existir, a saber: dunas, locais de refúgio ou de reprodução de aves migratórias, locais de refúgio ou de reprodução de exemplares da fauna ameaçados de extinção que constem de lista elaborada pelo Poder Público Federal, Estadual ou Municipal e nas praias, em locais de nidificação e de reprodução da fauna silvestre, como áreas de desova de tartarugas.

As resoluções 302 e 303/2002 do Conama são referências basilares para os processos de licenciamento ambiental de empreendimentos como resorts ou carcinicultura em regiões litorâneas. A sua possível revogação eliminará a faixa mínima de 300 metros, em que não pode haver construções, fragilizando a proteção dos mangues e restingas e de todos os outros ecossistemas não incluídos no Código Florestal, o que tornará ainda mais vulneráveis as comunidades pesqueiras da região Norte e Nordeste, já severamente impactadas pelo derramamento de óleo em 2019 e pela pandemia da Covid-19.

Alertamos para outra medida aprovada sem embasamento técnico ou consulta pública na 135ª Plenária do Conama. Trata-se do licenciamento da queima de resíduos em fornos industriais para serem transformados em cimento. A incineração não deve ser tratada como solução para a redução do volume de resíduos, sobretudo dos resíduos plásticos que compõe cerca de 16% dos resíduos sólidos. A solução para a redução da geração de resíduos deve estar focada no início de sua cadeia produtiva, como na redução da produção de plásticos descartáveis.

A função da legislação ambiental é proteger o meio ambiente, respeitando a Constituição Federal e a Política Nacional do Meio Ambiente. O Brasil precisa avançar em suas políticas públicas tendo como princípios o desenvolvimento sustentável, a ciência, a transparência e a participação social.

Nota da Oceana Brasil

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/10/2020

 

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate com link e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Mudanças Climáticas: evidências e impactos atuais

 

Mudanças Climáticas: evidências e impactos atuais
projeções do aquecimento global

O negacionismo militante abusa da anticiência, em uma bem-sucedida campanha de desinformação, ignorando qualquer estudo ou pesquisa contrária, com o objetivo ideológico de negar as mudanças climáticas e o aquecimento global antropogênico

Em geral, insistem em desrespeitar e desqualificar autores e comentaristas. Frequentemente ocultos pelo anonimato, abusam da lógica perversa de que é mais fácil desqualificar o outro do que qualificar a si mesmo.

Além disto, insistem na desinformação e na confusão de conceitos.

A desinformação deliberada apenas contribui para alimentar a confusão de conceitos e temas relacionados ao aquecimento global / mudanças climáticas. E desinformação, em qualquer tema, é algo inaceitável.

Em razão disso, preparamos uma amostra de estudos e pesquisas, de Universidades e Institutos internacionais, relacionados às mudanças climáticas, suas evidências, bem como impactos atuais e futuros.

Veja, abaixo, uma amostra das matérias exclusivas que publicamos, nos últimos meses, tratando de mudanças climáticas / aquecimento global, nas quais citamos e destacamos as pesquisas publicadas que deram origem às matérias.

Boa leitura,

Mudança Climática Aumenta O Risco De Incêndios Florestais

Aumento Das Ondas De Calor Marinhas É Resultado Da Influência Humana

Mudanças Climáticas: O Ártico Está Em Transição Para Um Novo Estado Climático

Aquecimento: Verões Cada Vez Mais Quentes Tornam O Ártico Mais Verde

Degelo Da Groenlândia E Da Antártica Pode Adicionar 38 Cm Ao Aumento Do Nível Do Mar Em 2100

As Consequências Da Crise Climática Já Chegaram

Pesquisa Global Mostra Crescimento Dramático Dos Lagos Glaciais

Aumento Do Degelo, Na Groenlândia E Na Antártica, Combina Com Os Piores Cenários De Aquecimento Climático

Calor Extremo, Incêndios E Tempestades Indicam Que Futuro Assustador Já Chegou

O Aquecimento Global Aumenta O Risco De Furacões Extremos No Caribe

O Gelo Marinho Do Ártico Está Derretendo Mais Rapidamente Do Que Se Imaginava

Mudanças Climáticas E O Uso Da Terra Estão Acelerando A Erosão Do Solo

Mudanças Climáticas – Os Trópicos Estão Se Expandindo Em Direção Aos Polos

Mais Da Metade Dos Oceanos Do Mundo Já São Afetados Pelas Mudanças Climáticas

Redução Da Camada De Gelo Da Groenlândia Passa Do Ponto Sem Volta

Novo Estudo Apoia As Previsões De Que O Ártico Poderá Ficar Livre Do Gelo Marinho Em 2035

As Mudanças Climáticas Estão Impulsionando Quantidades Crescentes De Água Doce No Oceano Ártico

Emergência Climática: Sibéria – Calor, Fogo E Derretimento Do Gelo

Eventos Climáticos Extremos E As Mudanças Climáticas – Entenda

Eventos Climáticos Extremos – Calor Prolongado Na Sibéria Seria ‘Quase Impossível Sem Mudanças Climáticas’

Mudanças Climáticas Estão Afetando A Disponibilidade De Água E Estão Exacerbando Os Danos Causados Pelas Inundações E Secas Em Todo O Mundo

Emergência Climática – Modelos Climáticos Mais Recentes Mostram Secas Mais Intensas No Futuro

Nível Do Mar Pode Subir Mais De 1 Metro Até 2100 Se As Metas De Emissão Não Forem Cumpridas, Revela Pesquisa Internacional

Se Emissões De Carbono Não Caírem, 1/3 Da Humanidade Poderá Viver Em Áreas De Calor Insuportável Em 50 Anos

Mudanças Climáticas Podem Causar Perdas Potencialmente Catastróficas De Biodiversidade Em Todo O Mundo

Mudanças Climáticas Podem Interferir Na Circulação Oceânica Do Atlântico

Eventos Climáticos Extremos – Como As Mudanças Climáticas Podem Impactar Tempestades Nos Oceanos Tropicais

Relatório Afirma Que Mudança Climática Provoca Aumento De Mortes, Doenças E Fome No Planeta

Relatório De Várias Agências Destaca Sinais E Impactos Crescentes Das Mudanças Climáticas Na Atmosfera, Terra E Oceanos

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/10/2020

 

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate com link e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

 ECODEBATE

Comportamento do Consumidor Sustentável

Artigo de José Austerliano Rodrigues

[EcoDebate] Comportamento do consumidor tornou-se uma das áreas mais estudadas no campo de marketing e, diante da crescente emissão de gás carbônico, consumo da água e outros problemas ecológicos, a produção e o consumo global estão se tornando, também, áreas cada vez mais urgentes de serem estudadas. Sabe-se que as inovações tecnológicas são exigidas para reduzir estes problemas ecológicos, mas a importância e papel do consumo estão recebendo muita atenção nos anos mais recentes (SMART, 2010; SPAARGAREN; OOSTERVEER, 2010; VAN TRIJP; FISCHER, 2011).

Solomon (2013), o comportamento do consumidor é o estudo sobre como indivíduos, grupos e organizações selecionam, compram, usam e descartam bens, serviços, ideias ou experiências para satisfazer suas necessidades e desejos.

O comportamento do consumidor é extremamente complexo e, com o desenvolvimento do marketing tradicional, o consumo tornou-se mais insustentável ao longo dos anos. Tukker e Jansen (2006), o consumo de alimentos, habitação e transporte privado, é responsável por mais de 70% dos impactos ambientais. Além disso, essas três áreas respondem por mais da metade das despesas de consumo.

Contudo, os bens duráveis são adquiridos com mais frequência hoje em dia, o que aumenta o uso de matérias-primas, impactos ambientais e resíduos (BELZ; PEATTIE, 2009; REUTLINGER, 2012). Assim sendo, é necessário um consumo mais sustentável, devido ao crescente esgotamento dos recursos naturiais e outros problemas ecológicos.

Todavia, o objetivo do marketing do sustentável é promover um comportamento do consumidor sustentável e oferecer produtos adequados, com o objetivo de uma sustentabilidade econômica, ecológica e social.

O consumo mais sustentável exige uma mudança no comportamento do consumidor, também nas atividades das empresas (CHARTER et al., 2002; REUTLINGER, 2012). Embora exista um grande interesse pela sustentabilidade hoje em dia, como na década de 1990, quando os consumidores estavam cada vez mais preocupados com o meio ambiente, há uma discrepância entre expressar preocupação com a sustentabilidade e traduzir essas preocupações em ações sustentáveis (BELZ; PEATTIE, 2009; EMERY, 2012).

A complexidade das necessidades dos consumidores é frequentemente explicada pela Teoria de Abraham Maslow de que as pessoas precisam satisfazer a necessidade, da mais urgente para menos urgente (MASLOW, 1987; KOTLER; KELLER, 2018).

A seguir, serão apresentadas uma descrição sucinta de cada uma das necessidades de Maslow:

  • Necessidades Fisiológicas: comida, são as necessidades de sobrevivência. Aqui as pessoas já reconheceram a necessidade de alternativas mais sustentáveis, como alimentos orgânicos.

  • Necessidades de segurança: habitação faz parte de segurança (construção civil), conforme mencionado acima, isso responde pela grande parte dos impactos ambientais. Soluções mais sustentáveis tornaram-se mais aceitáveis, como a utilização de equipamentos mais novos para consumir menos energia (energia solar/eólica, etc.).

  • Necessidades Sociais e Estima: as necessidades sensação de pertencimento e estima são as que impedem a maioria das pessoas consumir de forma sustentável. As pessoas querem pertencer e ser reconhecidas por outros ao seu redor. Se o comportamento de consumo sustentável e os produtos sustentáveis não são da norma social, as pessoas não consomem. As pessoas se expressam através de compras e formam sua identidade, mas tudo dentro do quadro da norma social (influências psicológicas do marketing tradicional). Eles querem ser valorizados e se um produto sustentável não lhes traz o status necessário, eles não o compram. (JACKSON 2005; BELZ; PEATTIE 2009; EMERY 2012; MARTIN; SCHOUTEN 2012; REUTLINGER, 2012; KOTLER; KELLER, 2018).

  • Necessidade de Autorrealização: desenvolvimento e realizações pessoais.

Essas necessidades desempenham um papel no processo de decisão de compra dos consumidores (reconhecimento do problema, busca de informações, avaliação de alternativas, decisão de compras e comportamento pós-compra) e podem levar a decisões de compra menos sustentáveis (REUTLINGER, 2012; KOTLER; KELLER, 2018).

A necessidade de reconhecimento em um processo de decisão sustentável do consumidor deve reconhecer a necessidade de soluções alternativas e sustentáveis, que podem ter diferentes gatilhos, como o endosso de celebridades, que produtos sustentáveis se tornam da norma social (influências dos fatores culturais, sociais e pessoais do marketing sustentável).

A sustentabilidade adiciona uma nova dimensão à pesquisa de busca de informações, além de critérios tradicionais, como preço e ponto. Na maioria das vezes, os consumidores estão sobrecarregados com a quantidade de informações sobre sustentabilidade. Além disso, os consumidores são frequentemente menos conhecedor da sustentabilidade e a pesquisa de informações se transforma em um processo de aprendizagem (mudanças no comportamento de um indivíduo decorrentes da experiência).

Ao avaliar alternativas, os consumidores analisam os benefícios e atributos que os diferentes produtos têm a oferecer. A sustentabilidade é apenas um desses atributos e não é vista como um benefício por todos os consumidores. Outros atributos e benefícios são preço, desempenho e status que podem superar a sustentabilidade. Além disso, podem ser consideradas alternativas para a compra de um produto, como alugar ou não comprar.

O mais importante é a decisão de compra sobre a compra do produto sustentável ou não. Embora durante a avaliação de alternativas o consumidor tenha encontrado o produto mais preferido, a intenção de compra ainda pode ser intervindo. Com produtos sustentáveis, um dos principais fatores que podem impedir a compra é a disponibilidade. Outro fator é que se o produto sustentável resultar constrangimento por não ser da norma social, provavelmente não será comprado. Por outro lado, se o consumidor acredita que o produto convencional representa uma ameaça à sua segurança ou saúde, as soluções sustentáveis podem ser preferidas.

O comportamento pós-compra inclui o uso e o descarte do produto. O uso sustentável do produto significa uso eficiente e manutenção, a fim de prolongar a vida útil do produto. O comportamento pós-uso sustentável trata-se da reciclagem, reutilização ou remanufatura de produtos (economia circular), a fim de reduzir o desperdício que vai para aterros sanitários. Outra possibilidade pós-uso é a revenda do produto para outra pessoa. (BELZ; PEATTIE 2009; MARTIN; SCHOUTEN 2012; REUTLINGER, 2012; KOTLER; KELLER 2018).

Contudo, os consumidores tendem a se concentrar em questões únicas de sustentabilidade e comprar produtos que respondam a essas questões, como produtos Fairtrade (comércio justo) ou produtos benevolentes.

Portanto, os principais desafios são incluir todas as gamas de produtos sustentáveis no consumo sustentável e que o mercado de massa consuma de forma sustentável. Para isso, o consumo sustentável deve se tornar da norma social em oposição à sociedade consumidora vigente (BELZ; PEATTIE, 2009).

José Austerliano Rodrigues. Especialista Sênior em Sustentabilidade de Marketing e Doutor em Marketing Sustentável pela UFRJ, com ênfase em Sustentabilidade e Marketing, com interesse em pesquisa em Marketing Sustentável, Sustentabilidade de Marketing, Responsabilidade Social e Comportamento do Consumidor. E-mail: austerlianorodrigues@bol.com.br.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/10/2020

 

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate com link e, se for o caso, à fonte primária da informação ]