sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Mesmo com ferimento grave na coluna, a baleia Moon completa jornada de 5 mil km… Talvez sua última!

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Mesmo com ferimento grave na coluna, a baleia Moon completa jornada de 5 mil km… Talvez sua última!

Mesmo com ferimento grave na coluna, a baleia Moon completa jornada de 5 mil km... Talvez sua última!

Nos últimos anos foram várias as vezes que Moon foi avistada em suas jornadas migratórias. Todo mês de setembro a baleia jubarte era observada por pesquisadores da estação de Fin Island, na Colúmbia Britânica, no Canadá. Lá ela se alimentava de krills, antes de rumar nos próximos meses para as águas mais quentes do Havaí.

Em 2020, Moon que sempre estava sozinha, apareceu com um filhote, o que foi motivo de muita celebração para os pesquisadores canadenses.

Todavia, há três meses, enquanto se fazia o monitoramento da espécie com drone, nas proximidades de Fin Island, as imagens revelaram um animal com uma curva anormal na coluna, em forma de “S”. Era Moon.

“Enquanto nosso drone pairava sobre ela, imediatamente reconhecemos que ela havia sido atingida por uma embarcação devido à curvatura na espinha da nadadeira dorsal até sua cauda”, relatou a equipe da organização BC Whales em suas redes sociais.

E para surpresa e incredulidade de todos, no último dia 1o de dezembro, Moon foi fotografada novamente, todavia, a 5 mil km de distância, próximo de Maui. Mesmo apesar de sua condição, ela nadou todo esse percurso no Oceano Pacífico.

“Tenacidade e tragédia. Moon viajou da Colúmbia Britânica para o Havaí com uma grave lesão na coluna devido ao choque de um navio, mas ela não conseguirá retornar”, dizem os cientistas.

Moon provavelmente nasceu no Havaí. E por isso, todos os anos voltava pra lá. Porque deve ter aprendido isso com sua mãe.

As imagens da baleia documentadas pela Pacific Whale Foundation (PWF) revelam que o estado dela é muito grave.

“As imagens angustiantes de seu corpo retorcido mexeram com todos nós. Ela provavelmente estava com dores consideráveis, mas migrou milhares de quilômetros sem ser capaz de se impulsionar com a cauda. Sua jornada a deixou completamente emaciada e coberta de piolhos de baleia como prova de sua condição severamente depreciada. Esta é a dura realidade sobre colisões com embarcações e mostra o sofrimento prolongado que as baleias podem suportar depois. Também reforça seu instinto: até onde as baleias vão para seguir padrões de comportamento”, lamentou a BC Whales.

Mesmo com ferimento grave na coluna, a baleia Moon completa jornada de 5 mil km... Talvez sua última!

Imagens de Moon em setembro e agora, no começo de dezembro

Infelizmente não há nada o que possa ser feito para amenizar a dor de Moon. Não é possível tentar abreviar a vida uma criatura do tamanho dela através da eutanásia. Se fossem dados medicamentos para matá-la, eles poderiam ser ingeridos por outros animais que eventualmente se alimentassem da carcaça dela.

“Nunca entenderemos verdadeiramente a força necessária para Moon assumir o que é, lamentavelmente, sua última jornada, mas cabe a nós respeitar tal tenacidade dentro de outra espécie e reconhecer que as colisões com navios levam a um fim devastador”, diz a organização.

Mesmo com ferimento grave na coluna, a baleia Moon completa jornada de 5 mil km... Talvez sua última!

Fotos mostram Moon há dois anos, antes da possível colisão com o navio
(Fotos: North Coast Cetacean Society e Pacific Whale Foundation)

*Com informações adicionais do site Phys.org

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Foto de abertura: @North Coast Cetacean Society/BC Whaleshttps://www.blogger.com/blog/post/edit/167651065127135696/4917234823546512045

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Pesquisadores defendem proteção integral de áreas úmidas do Cerrado, atualmente exploradas por grandes produtores rurais

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Pesquisadores defendem proteção integral 

de áreas úmidas do Cerrado, atualmente exploradas por grandes produtores rurais

Pesquisadores defendem proteção integral de áreas úmidas do Cerrado, atualmente exploradas por grandes produtores rurais

*Por José Tadeu Arantes

Cerrado é o mais ameaçado dos grandes biomas do território brasileiro. E uma parte especialmente vulnerável dele são suas áreas úmidas, que garantem a existência de rios perenes e abastecem nada menos do que oito bacias hidrográficas. O Xingu, o Tocantins, o Araguaia, o São Francisco, o Parnaíba, o Jequitinhonha, o Paraná e o Paraguai, entre outros rios importantes, nascem no Cerrado. A destruição de áreas úmidas não ameaça apenas a biodiversidade e a extraordinária beleza das paisagens cerratenses. Põe em risco ainda a segurança hídrica e energética do país.

Além disso, as áreas úmidas são também um extraordinário repositório de carbono (CO2), estocando mais de 200 toneladas por hectare. E alterações em seu equilíbrio cíclico tendem a liberar metano (CH4) para a atmosfera, um dos principais gases de efeito estufa (GEE).

O problema é que a própria definição de áreas úmidas é confusa. E essa confusão tem sido explorada por grandes produtores rurais que, não contentes em converter descontroladamente áreas secas do Cerrado em terras agriculturáveis, cogitam também drenar as áreas úmidas, para estender as lavouras de soja até o fundo das veredas. Se não fosse por outros motivos, até mesmo do ponto de vista estrito do interesse econômico isso equivaleria a erguer uma pedra para deixá-la cair sobre os próprios pés, pois a possibilidade de irrigação depende da sobrevivência dos mananciais.

Para dirimir a confusão e fornecer aos tomadores de decisão sólidos critérios científicos, um grupo de pesquisadores acaba de produzir um artigo contemplando os múltiplos ecossistemas englobados pelo conceito de áreas úmidas. Trata-se de Cerrado wetlands: multiple ecosystems deserving legal protection as a unique and irreplaceable treasure, publicado no periódico Perspectives in Ecology and Conservation.

“A falta de definições precisas tem embaralhado a regulamentação, deixando importantes segmentos do Cerrado desprotegidos. Nosso objetivo foi esclarecer o que são áreas úmidas; que ecossistemas podem ser abarcados por esse nome; que dinâmicas eles apresentam; e o que devemos fazer para protegê-los”, diz à Agência FAPESP a pesquisadora Giselda Durigan, primeira autora do artigo.

Durigan é pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ambientais do Estado de São Paulo (IPA) e professora nos programas de pós-graduação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Estuda o Cerrado há mais de 35 anos.

“Um exemplo do grave risco que a falta de definições precisas e as ambiguidades na interpretação da lei podem acarretar foi a Resolução número 45, de 31 de agosto de 2022, aprovada pelo Conselho do Meio Ambiente de Mato Grosso (Consema). Desrespeitando decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), essa norma regulamentou o ‘licenciamento ambiental de atividades e empreendimentos localizados em áreas úmidas’ no âmbito estadual. Por trás dos eufemismos do texto, a resolução, de fato, libera a destruição”, denuncia Durigan.

A pesquisadora define: “Áreas úmidas são porções de terras continentais que estão sujeitas, periódica ou permanentemente, a encharcamento do solo ou inundação. Dada a sua fragilidade e extrema importância para o armazenamento e a filtragem da água, são globalmente protegidas, desde a convenção intergovernamental realizada em Ramsar, no Irã, em 1971. O Brasil é signatário da convenção de Ramsar desde 1996, mas até hoje não atendeu ao compromisso de mapear todas as suas áreas úmidas”.

No país, há exemplos de áreas úmidas em faixas costeiras, onde os pulsos de inundação resultam da oscilação das marés, de modo que a água se apresenta salgada ou salobra. E também longe da costa, compondo dois grandes tipos, hidrologicamente distintos: terras que são periodicamente alagadas pelo transbordamento dos leitos dos rios (várzeas e pantanais) e terras que ficam encharcadas ou até alagadas pela elevação periódica do lençol freático.

“As áreas úmidas do Cerrado geralmente se enquadram no último tipo. As chuvas abundantes, que caem nos meses de verão, infiltram-se lenta e profundamente no solo, recarregando o lençol freático e acumulando-se nas áreas úmidas, de onde brotam os pequenos riachos que nunca secam e alimentam os grandes rios do Brasil, mesmo nos períodos de estiagem. Diferentemente, aliás, das outras grandes savanas do mundo, cujos grandes rios secam de todo durante boa parte do ano”, informa Durigan.

Proteção integral às areas úmidas do Cerrado

Segundo a pesquisadora, a confusão que embaralha a regulamentação deve-se ao fato de que, dentro das áreas úmidas do Cerrado, existem diversos tipos de vegetação, que resultam em múltiplas denominações regionais. São campos úmidos, campos de murundus, turfeiras, veredas, palmeirais, buritizais, matas de galeria, matas de brejo e por aí vai. Às vezes, em uma única área úmida, existem dois ou mais tipos de vegetação, desde campos limpos até florestas densas, o que tem dificultado seu entendimento, delimitação e proteção.

“A lei, às vezes, refere-se a apenas um dos tipos, como é o caso das veredas na Lei de Proteção da Vegetação Nativa (12.651), de 2012, deixando os demais tipos desprotegidos. Outras vezes, a lei protege apenas uma parte da área úmida, deixando trechos inteiros sem cobertura legal”, ressalta Durigan.

Ela conta que o artigo em pauta resultou de um esforço multidisciplinar, envolvendo especialistas em vegetação, hidrologia, ecofisiologia, conservação, restauração e legislação ambiental, que utilizaram seus conhecimentos e experiências práticas para unificar e disseminar sua compreensão sobre o assunto. O grupo teve apoio da FAPESP por meio de três projetos (19/07773-120/09257-8 e 20/01378-0).

“Para nós, todas as áreas úmidas devem ser igualmente e integralmente protegidas por lei, garantindo-se que não sejam convertidas para cultivo e que seus pulsos naturais de encharcamento ou inundação não sejam afetados pelo uso da terra ao redor. Práticas de exploração sustentável, como a apicultura e o extrativismo, por exemplo, podem ser admitidas, mas precisam ser validadas e regulamentadas”, enfatiza Durigan.

E sua ênfase se justifica, pois as ameaças às áreas úmidas são muitas no Cerrado, destacando-se barramento dos córregos, drenagem das terras brejosas, expansão de áreas urbanizadas, obras de infraestrutura, extração descontrolada de água de poços para irrigação e plantação de árvores, principalmente de eucalipto, em bacias hidrográficas inteiras, onde a vegetação original não era floresta.

“Todas essas atividades são altamente impactantes. Reduzem o nível do lençol freático ou podem até mesmo exauri-lo localmente, pondo em risco a segurança hídrica e os serviços ecossistêmicos do Cerrado. É algo que precisa ser urgentemente impedido por meio de legislação competente e da aplicação efetiva da lei”, afirma a pesquisadora.

Durigan comenta que a Lei de Proteção à Vegetação Nativa trata de maneira bastante confusa as áreas úmidas, deixando uma parte delas como Áreas de Preservação Permanente (APP) e outra parte como Áreas de Uso Restrito (AUR). Mas que alguns tipos de áreas úmidas do Cerrado não se encaixam nas definições dos tipos mencionados, o que tem gerado imprecisão na aplicação da lei, com conflitos jurídicos, sociais e políticos.

“Buscando pacificar a situação, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, dada a sua inquestionável importância ambiental, todas as áreas úmidas devem ser entendidas como protegidas, sejam como APPs, sejam como AURs, independentemente da nomenclatura. Foi essa decisão que a resolução do Consema do Estado de Mato Grosso desrespeitou”, sublinha a pesquisadora.

A boa notícia é que existe, no momento, um grande grupo de técnicos e cientistas, representativos de diferentes regiões do Brasil, empenhados em realizar o Inventário Nacional de Áreas Úmidas, sob a liderança dos especialistas Wolfgang Junk, do INCT Áreas Úmidas (Inau), para dar suporte ao Ministério do Meio Ambiente. O trabalho conta com a participação de Cátia Nunes da Cunha, professora da UFMT.

“A Plataforma MapBiomas incluiu recentemente a legenda ‘Áreas Úmidas’ em seus mapas, o que se constitui em grande avanço. Porém, demarcar as áreas úmidas em campo, na escala de uma propriedade rural, não é uma tarefa fácil e isso atrapalha a aplicação das leis. Nosso artigo propõe critérios objetivos, baseados no solo hidromórfico, na flora endêmica e na elevação máxima do lençol freático para facilitar a delimitação de áreas úmidas em escala local”, conclui Durigan.

O artigo Cerrado wetlands: multiple ecosystems deserving legal protection as a unique and irreplaceable treasure pode ser acessado neste link.

*Texto publicado originalmente em 06/12/22 no site da Agência Fapesp da Notícias

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Foto de abertura: Rafael Oliveira/chuveirinho (Paepalanthus urbanianus) em campo úmido, Chapada dos Veadeiros, Goiás

Inglaterra deve proibir produtos descartáveis plásticos como copos, pratos e talheres

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Inglaterra deve proibir produtos descartáveis plásticos como copos, pratos e talheres

Inglaterra deve proibir produtos descartáveis plásticos como copos, pratos e talheres

Um inglês utiliza, em média, por ano, quase 20 pratos de plástico e 40 talheres desse mesmo material. Obviamente, que após o uso, tudo vai para o lixo. Parece pouco, mas quando pensamos que a população da Inglaterra passa de 56 milhões de pessoas, o número de produtos descartados se torna gigantesco. E como grande parte desses resíduos acaba não tendo a destinação correta, ou seja, a reciclagem, muitos vão parar no meio ambiente. Com isso, aproximadamente 1 milhão de aves e 100 mil criaturas marinhas morrem, anualmente, vítimas desses dejetos plásticos.

Em novembro do ano passado, o governo inglês abriu uma consulta pública para saber se a população concordava em banir o uso e a comercialização de produtos plásticos de uso único no país.

“O Governo está empenhado em deixar o nosso ambiente num estado melhor do que o encontramos e em protegê-lo para as gerações futuras. O Plano Ambiental de 25 anos, publicado em janeiro de 2018, descreve as etapas que tomaremos para alcançar isso, incluindo a eliminação de resíduos plásticos evitáveis até 2042”, diz o texto da consulta, encerrada em fevereiro de 2022.

E segundo antecipou uma reportagem do jornal Financial Times, em breve a ministra do Meio Ambiente da Inglaterra, Thérèse Coffey, deve anunciar o seu resultado, que será a proibição dos produtos descartáveis plásticos e a substituição dos mesmos por alternativas biodegradáveis.

Desde 2020, cotonetes, canudos e misturadores de bebidas feitos com plástico já eram proibidos no país, assim como a distribuição de sacolas feitas com essa material em supermercados e outros estabelecimentos comerciais (leia mais aqui).

Todavia, há uma pressão para que a Inglaterra, apesar de não fazer mais parte da Comunidade Europeia, se alinhe com as demais nações do bloco, que baniram completamente os descartáveis plásticos em 2021.

De acordo com um estudo do projeto Beyond Plastics, do Bennington College, dos Estados Unidos, em 2030, a indústria de plásticos americana liberará mais emissões de gases de efeito estufa do que a de carvão.

Ao analisar os estágios de produção, uso e descarte de plásticos naquele país, o levantamento revela que os fabricantes de plástico emitem pelo menos 232 milhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano, o equivalente a 116 usinas termoelétricas a carvão de porte médio. Só no ano passado, as emissões do setor plástico aumentaram em 10 milhões de toneladas em relação a 2019.

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Foto de abertura: Volodymyr Hryshchenko on Unsplash

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Apenas 10 atores financeiros são a chave para enfrentar mudanças climáticas

 

Apenas 10 atores financeiros são a chave para enfrentar mudanças climáticas

Redação do Site Inovação Tecnológica - 07/09/2022

Para enfrentar as mudanças climáticas basta convencer 10 atores financeiros
O poder decisório da indústria de combustíveis fósseis está incrivelmente concentrado.
[Imagem: Gerd Altmann/Pixabay]

ocando em quem decide

Um relatório preparado por pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, identificou os 10 atores financeiros com maior influência na economia dos combustíveis fósseis e descreve o papel decisivo que eles podem desempenhar para ajudar a descarbonizar nosso futuro.

O estudo descobriu que os 10 atores mais influentes, incluindo consultores de investimentos, governos e fundos soberanos de todo o mundo, possuem controle sobre 49,5% das emissões potenciais das maiores empresas de energia do mundo.

"Isso nos mostra que os investidores e os governos podem estar na vanguarda da mudança se cidadãos e clientes os incentivarem a descarbonizar," disse o professor Truzaar Dordi. "Um número concentrado de investidores com potencial para influenciar a trajetória da indústria de combustíveis fósseis é um problema ou uma oportunidade, dependendo de como você vê as coisas."

Para chegar à lista, os pesquisadores usaram um novo mecanismo de pontuação que combina as participações e os investimentos em combustíveis fósseis dos atores financeiros nas 200 maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo.

"Se eles agirem seriamente a respeito, os mercados de capitais podem permitir uma transição para uma economia de baixo carbono entre os principais proprietários de reservas de carvão, petróleo e gás do mundo," disse Dordi. "As promessas recentes de reduzir a exposição ao carbono em portfólios de investimento e o envolvimento com a indústria de combustíveis fósseis indicam que já podemos estar caminhando nessa direção."

10 maiores dos combustíveis fósseis

Apenas 200 empresas atualmente possuem 42,98% das reservas globais de combustíveis fósseis na forma de petróleo, gás ou carvão.

Para direcionar os esforços de descarbonização e chegar a soluções efetivas, os pesquisadores então se propuseram a responder à questão básica: Quem são os donos dessas 200 empresas?

Usando informações disponíveis nos mercados de capitais ao redor do mundo, a equipe então mapeou a estrutura de controle de 68 participações acionárias naquelas 200 empresas e identificou os acionistas que têm a maior influência potencial na governança corporativa dessas empresas.

"Nós descobrimos que os dez proprietários com maior influência sobre o uso futuro das reservas de combustíveis fósseis são gestores de investimento (Blackrock, Vanguard, State Street, Dimensional, Life Insurance Corp, FMR e Capital Group), bem como governos (Índia, Arábia Saudita e Noruega). Esses dez atores têm o maior potencial para influenciar os mercados de ações e a trajetória para uma transição sustentável na indústria de combustíveis fósseis," diz o relatório.

A ideia básica da equipe é que esses 10 governos e consultores de investimento privado podem fazer mudanças que terão um impacto transformador na luta contra as mudanças climáticas.

Algumas recomendações incluem a divulgação pública de uma eliminação programada do financiamento aos combustíveis fósseis, uma avaliação da exposição de uma carteira ao risco climático em um mundo de 2 °C mais quente e um alinhamento das carteiras de investimento com um cenário de 1,5 °C mais quente.

"Individualmente, reduzir a demanda por combustíveis fósseis dirigindo e voando menos e desligando o ar-condicionado é ótimo. Devemos continuar fazendo isso. Mas também precisamos reduzir nossa produção de combustíveis fósseis, que esses 10 atores podem liderar. Sem eles, nós simplesmente não teremos o que é preciso para alcançar nossas metas de emissões e evitar uma catástrofe," concluiu Dordi.

Bibliografia:

Artigo: Ten financial actors can accelerate a transition away from fossil fuels
Autores: Truzaar Dordi, Sebastian A. Gehricke, Alain Naef, Olaf Weber
Revista: Environmental Innovation and Societal Transitions
Vol.: 44: 60
DOI: 10.1016/j.eist.2022.05.006


Abelhas geram tanta eletricidade quanto nuvem de tempestade

 

Abelhas geram tanta eletricidade quanto nuvem de tempestade

Redação do Site Inovação Tecnológica - 25/10/2022

Abelhas contribuem para eletricidade na atmosfera
A contribuição das abelhas para a eletricidade estática na atmosfera é comparável à de variações induzidas pela meteorologia.Imagem: Ellard R. Hunting et al. - 10.1016/j.isci.2022.105241]

Energia das abelhas

Ao medir os campos elétricos perto de enxames de abelhas, pesquisadores descobriram que um enxame grande pode produzir tanta carga elétrica atmosférica quanto uma nuvem de tempestade.

Já se sabia que esse tipo de eletricidade, conhecida como eletricidade estática, ajuda os insetos a encontrar comida e até impulsiona as aranhas pelo ar, permitindo-as migrar por grandes distâncias usando fios de suas teias.

Mas esta é a primeira vez que se demonstra que os seres vivos podem ter um impacto na eletricidade atmosférica, eventualmente impactando nos eventos climáticos.

"Nós fornecemos uma avaliação quantitativa desta descoberta, comparando a contribuição elétrica de várias espécies de insetos em enxame com fontes abióticas comuns de carga. Isso revela que a contribuição de carga de alguns enxames de insetos será comparável à de variações induzidas pela meteorologia," escreveu a equipe.

"Nós sempre analisamos como a física influencia a biologia, mas em algum momento percebemos que a biologia também pode estar influenciando a física," diz o Ellard Hunting, biólogo da Universidade de Bristol, no Reino Unido. "Estamos interessados em como diferentes organismos usam os campos elétricos estáticos, que estão praticamente em todos os lugares do ambiente."

Bioeletricidade

Como a maioria dos seres vivos, as abelhas têm sua própria carga elétrica inata, chamada eletricidade biogênica, mas ninguém calculava que um enxame de abelhas pudesse gerar tanta eletricidade.

Segundo a equipe, um enxame de abelhas pode alterar a eletricidade atmosférica entre 100 a 1.000 volts por metro, aumentando a força do campo elétrico normalmente experimentada no nível do solo.

"Também calculamos a influência dos gafanhotos na eletricidade atmosférica, pois os gafanhotos enxameiam em escalas bíblicas, medindo 1.200 km quadrados, com 80 milhões de gafanhotos em menos de um 1,5 km quadrado; sua influência é provavelmente muito maior do que as abelhas," disse Liam O'Reilly, coautor do estudo. "O modo como os enxames de insetos influenciam a eletricidade atmosférica depende de sua densidade e tamanho."

A equipe acredita que devem haver muitas outras associações entre os campos elétricos estáticos de origem biológica e o ambiente, em diferentes escalas espaciais, como os micróbios no solo.

Bibliografia:

Artigo: Observed electric charge of insect swarms and their contribution to atmospheric electricity
Autores: Ellard R. Hunting, Liam J. O’Reilly, R. Giles Harrison, Constantine Manser, Sam J. England, Beth H. Harris, Daniel Robert
Revista: iScience
DOI: 10.1016/j.isci.2022.105241