segunda-feira, 17 de abril de 2023

Com novo governo, inclusão do Cerrado como patrimônio nacional volta à pauta

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Com novo governo, inclusão do Cerrado como patrimônio nacional volta à pauta

Organizações da sociedade civil preparam mobilização para alavancar votação da PEC 504, que há 13 anos tenta incluir bioma em categoria especial de proteçãoanos tenta incluir bioma em categoria especial de proteção

ADRIANA AMÂNCIO · 

5 de abril de 2023

 

Cerrado ocupa cerca de 25% do território nacional. Foto: Senado Federal

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Dezenas de organizações de defesa do Cerrado preparam um processo de mobilização no Congresso Nacional pela votação da PEC 504. A proposta de emenda altera a Constituição Federal, de forma a incluir o Cerrado como patrimônio nacional.

De autoria do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), a PEC passou em janeiro de 2023 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJC) da Câmara dos Deputados, após 13 anos de tramitação nesta Casa, e está pronta para ser votada em Plenário.


O artigo 225 da Constituição Federal, da forma como está redigido, define como patrimônios nacionais a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira do Brasil. Por estarem descritos desta forma na lei suprema do país, tais biomas recebem tratamento especial de proteção.

“[Com a inclusão do Cerrado] A gente espera  ganhar força, tanto política quanto juridicamente, para demandar a implantação de políticas públicas voltadas para a defesa do Cerrado e dos seus povos. A gente espera poder citar o artigo 225 da Constituição como fundamento jurídico em processos judiciais que envolvam o bioma”, defende Joice Bonfim, advogada e secretária executiva  da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado.

Na mobilização planejada, está prevista a retomada da petição “Junte-se a mim na defesa do Cerrado e da Caatinga! Exija que sejam Patrimônios Nacionais!”, que já conta com mais de meio milhão de assinaturas.  

Estão previstos ainda o relançamento de uma nota técnica sobre a importância do Cerrado brasileiro, além de rodadas de negociação com os parlamentares que assumiram compromisso público com o bioma em suas candidaturas eleitorais em 2022. 

Célia Xacriabá (PSOL), deputada federal que faz parte do grupo citado acima,  disse a ((o))eco que “fará todos os esforços para garantir as articulações políticas em torno da PEC em Brasília”. 

Segundo a parlamentar, dentro do Congresso é forte o lobby para que a expansão agrícola avance sobre o Cerrado. “Certamente faremos todo o debate para tentar obstruir toda a tentativa de passar a boiada e também o veneno [agrotóxicos]. Veja se os deputados que vocês votaram estão comprometidos com o Cerrado ou com o PL do Veneno, se são contra ou a favor do bioma”, recomenda, categórica. 

Os deputados Federais Camila Jara, Patrus Ananias e Nilto Tatto, do PT, e Luiza Erundina, Taliria Petrone e Glauber Braga, do PSOL,  devem engrossar o quórum pela PEC 504. Nas eleições de 2022, eles assumiram compromisso público com o bioma, assinando a carta-compromisso em defesa do Cerrado, lançada pela Campanha Nacional.


Bioma sob pressão

Em agosto de 2022, o Cerrado sediou uma sessão especial do Tribunal Permanente dos Povos (TPP). Na sentença do júri, o Estado brasileiro e empresas do agronegócio que atuam no bioma foram condenadas pelos crimes de Ecocídio do Cerrado e genocídio dos seus povos.

O Tribunal Permanente dos Povos é um júri de opinião internacional que julga crimes cometidos contra povos e minorias. Apesar de ser um tribunal simbólico, uma condenação pelo TPP pode criar pressão internacional sobre governos e ter sua decisão encaminhada para o Tribunal de Haia, onde são julgados crimes contra a humanidade, e para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ratificada pelo Brasil.

No âmbito do TPP, o ecocídio é entendido como o extermínio em larga escala de espécies animais e vegetais em ecossistemas. Já o genocídio refere-se ao extermínio total ou parcial de um grupo étnico, religioso ou cultural.

Segundo os dados produzidos para a peça de acusação da sessão, o desmatamento no Cerrado foi o motivo principal para a sentença dada pelo Tribunal Permanente dos Povos. Atualmente, 110 milhões de hectares do bioma (49% do total) já foram destruídos, sendo substituídos pelo cultivo extensivo de commodities agrícolas, principalmente soja, milho, cana-de-açúcar e algodão, ou usado para extração de matérias-primas voltadas à produção industrial.

Além dos prejuízos para flora e fauna, tais culturas também impactam diretamente os recursos hídricos do bioma. Dados do TPP apontam que 60% das outorgas da Agência Nacional das Águas (ANA) estão em nome de empresas do agronegócio que atuam no Cerrado.

Alavancado pela produção de commodities, o Cerrado também está no topo de outro triste ranking, o de maior consumidor de agrotóxicos do Brasil. A região consome 73,5% do total de agroquímicos comercializados no Brasil. Isso resulta em cerca de 600 milhões de litros de veneno despejados, anualmente, por via aérea e terrestre. 

De acordo com Joice Bonfim, da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, o objetivo é que, uma vez aprovada, a PEC 504 possa funcionar como arcabouço jurídico para alavancar propostas que freiem os principais problemas do bioma. “A gente espera que a PEC 504 seja como um guarda-chuva, onde a gente possa implementar todas as pautas de combate aos problemas do Cerrado”, pontua.


Direitos humanos violados

“Futuramente todos nós vamos ser um zumbi”, afirma Erileide Domingues, uma das lideranças do povo indígena Guarani Kaywoá, referindo-se ao efeito provocado pelo agrotóxico aplicado nas culturas de commodities que cercam o seu território. Junto com outras famílias, ela vive no território indígena Guarani Guyraroká, na área rural de Caarapó, no Cerrado sul matogrossense.

Essa região é cercada por imensas lavouras onde, de forma intercalada, são produzidas soja, milho e cana-de-açúcar. A cada 15 dias, se o tempo for chuvoso, a produção recebe agrotóxicos por pulverização aérea. Sem a ocorrência de chuva, a aplicação é feita a cada trinta dias. Segundo Erileide, “no tempo [do cultivo] da soja é pior, pois a pulverização é mais por via aérea e mais frequente”, completa.

Além de atingirem as pessoas, os produtos aplicados já afetam os cultivos tradicionais – como milho, feijão, arroz e batata-doce – e a produção de sementes nativas. “Dá coceira, dor de barriga, coceira no olho.  A gente não conseguiu colher porque o veneno não deixa as plantas crescerem. As que nascem não germinam. Nós não conseguimos mais as sementes nativas, está tudo contaminado”, lamenta.

Com a perda da plantação, os Guarani, continua Erileide, contam com cestas básicas doadas pelo governo para complementar a alimentação. Infelizmente, diz ela, além de conter muitos ultraprocessados, que não fazem parte da cultura alimentar de seu povo, muitos alimentos chegam sem condições de consumo. “Os indígenas cultivam seus próprios alimentos. O que o governo dá, às vezes, vem até estragado.” 

Em 2019, uma pulverização aérea de pó de calcário e agrotóxico atingiu estudantes em uma escola e idosos da comunidade, provocando irritação na pele, enjoo, diarreia e dores de cabeça. A nuvem de agroquímicos permaneceu na aldeia Kaiowá por cinco dias. 

Com a contaminação e perda da vazão, a utilização dos principais rios que cortam o território Guarani Kaywoá também foi afetada. De acordo com a cultura indígena, o rio é terapêutico. “A gente acredita que a água que corre leva as dores. Infelizmente, como está tudo poluído, a gente deixou de tomar banho. O rio Puitã perdeu o volume de água, fecharam as nascentes [quer dizer que a nascente secou], o rio ficou mais seco”, afirma Erileide, em tom de lamento.

Além da pressão dos agrotóxicos, as cerca de 120 famílias Guarani Kaiowá esperam pela demarcação das suas terras. Em 2004,  a Fundação Nacional do Índio (Funai) identificou e delimitou 11 mil hectares de terra para a etnia. Cinco anos mais tarde, em 2009, o Ministério da Justiça declarou as terras como sendo de ocupação tradicional indígena. 

Em 2014, no entanto, o Superior Tribunal Federal (STF) anulou a demarcação e, atualmente, as famílias vivem em 55 hectares de terra, cercadas pelas fazendas de commodities. Nessa demarcação, as famílias perderam acesso a um rio importante localizado em sua comunidade.

“A gente tem que suportar isso e esperar a demarcação. O governo anterior era anti-indígena. Nós sofremos muito. Nós, indígenas, somos mais vulneráveis. A gente precisa de terra para continuar a nossa vida, com a nossa cultura. Nós do Mato Grosso do Sul, os indígenas, falam que terra é vida. Para um indígena, não se pode viver sem terra”, conclui Erileide.

Assim como Guarani Kaiowá, diversos outros povos e comunidades tradicionais do Cerrado sentem a pressão das imensas fazendas de soja à sua volta. Na sessão Cerrado do Tribunal dos Povos, foram denunciados 15 casos que reúnem graves violações de direitos humanos. 

Milhares de comunidades e povos tradicionais têm vivenciado esta realidade no bioma, como mostra o portal da sessão Cerrado do TPP. As fontes ouvidas nesta reportagem afirmam que há muitos outros espalhados pelo bioma. 

Convenção para Repressão ao Genocídio, em seu artigo 2, diz que também se configura crime de genocídio a “submissão deliberada do grupo a condições de existência que acarretarão à sua destruição física, total ou parcial”. 

A  jurista e ex-procuradora da República Débora Duprat explica que o artigo indica que genocídio também se caracteriza por retirar as condições de existência de um povo. “Com a intenção de eliminar esses grupos, você os submete a situações que os impeça de existir como tradicionais”, explica. 

O que se espera alavancar com a PEC 504

Na avaliação da integrante da Campanha Nacional do Cerrado, Joice Bonfim, os últimos anos foram de “retrocessos graves para o Cerrado, especialmente na política fundiária e socioambiental”. 

Com o novo cenário político, a advogada afirma que espera que sejam implementadas políticas públicas para reparar esses danos ambientais. Segundo ela, a aprovação da PEC 504 pode contribuir com isso.

“Contamos com a aprovação da PEC como um fundamento para exigir alterações nas políticas de ampliação das áreas protegidas do Cerrado, na revisão do Código Florestal, passando o limite da área de reserva florestal de uma propriedade para 40%, e na revisão profunda da política de água, dando prioridade ao consumo humano. Considerando que os povos e comunidades tradicionais é que protegem o Cerrado, [também se espera que a PEC 504 alavanque] a realização da titulação das terras indígenas e outras comunidades tradicionais. Hoje, menos de 40% das 338 terras indígenas do Cerrado são tituladas”, conclui Joice.


Cerrado perdeu área maior do que a cidade de São Paulo nos três primeiros meses do ano

 Cerrado perdeu área maior do que a cidade de São Paulo nos três primeiros meses do ano

Impulsionado pela expansão da fronteira agrícola no Matopiba, desmatamento no bioma subiu 35% no primeiro trimestre de 2023, mostra SAD Cerrado

CRISTIANE PRIZIBISCZKI · 

14 de abril de 2023

No primeiro trimestre de 2023, o desmatamento no Cerrado chegou a 
188,2 mil hectares, número 35% maior do que o registrado no mesmo 
período de 2022, quando foram desmatados 139,8 mil hectares. 

A área perdida no bioma em apenas 90 dias foi maior do que a cidade
 de São Paulo (152,1 mil ha). Os dados, do Sistema de Alertas de 
Desmatamento (SAD) do Cerrado, foram divulgados nesta sexta-feira (14).

O aumento na destruição do bioma surpreendeu os pesquisadores do 
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), responsáveis pela 
ferramenta, em parceria com a rede MapBiomas e com a Universidade 
Federal de Goiás. 

“Normalmente temos uma baixa detecção de alertas na época chuvosa 
devido à alta cobertura de nuvens, e também devido ao próprio calendário 
agrícola. Por isso, esse aumento significativo de desmatamento no primeiro
 trimestre em relação aos últimos dois anos é bastante preocupante”, disse Tarsila Andrade, analista do IPAM
 
Dos 188,2 mil hectares desmatados no Cerrado no primeiro trimestre, aproximadamente 48 mil estão na Bahia, segundo o SAD Cerrado. 

O estado concentrou 25% das novas áreas de desmatamento do bioma no período. A área desmatada mais que dobrou em relação ao primeiro trimestre de 2022, quando foram registrados 20,2 mil hectares derrubados no estado da Bahia.

O resultado, segundo o IPAM, foi impulsionado pelo desmatamento em municípios do oeste baiano, dentro da fronteira agrícola do Matopiba – que compreende os estados Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. 

No trimestre, o Matopiba concentrou 64% do desmatamento do bioma. 

“Essa expansão está ocorrendo em áreas de alta importância para manutenção da conectividade entre áreas protegidas da região, e também dentro de territórios tradicionais, fomentando diversos conflitos sociais na região”, afirma a pesquisadora do Instituto.

O tamanho das áreas de Cerrado desmatadas também aumentou. Segundo levantamento do SAD, entre janeiro e março de 2023, alertas de desmatamento com mais de 50 hectares corresponderam a 51,3% de todo o desmatamento registrado.

 Em 2022, áreas desse tamanho representavam menos de 30% de todos os alertas de desmatamento registrados para o bioma.


sábado, 15 de abril de 2023

População de tigres na Índia mais do que dobra em 17 anos

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População de tigres na Índia mais do que dobra em 17 anos

População de tigres na Índia dobra em pouco mais de 15 anos

No século passado, a população de tigres na Índia beirava os 40 mil indivíduos. Pouco a pouco eles foram desaparecendo, vítimas da caça e da perda de habitat. Todavia, há 50 anos o governo indiano lançou o “Project Tiger”, uma iniciativa de conservação para tentar evitar a extinção da espécie no país.

E décadas de muito trabalho, unindo esforços públicos e de organizações não-governamentais se provaram bem-sucedidos. Em 17 anos, a população de tigres dobrou na Índia. Eram 1.411 animais em 2016 e no último censo, realizado no ano passado, foram contabilizados 3.167.

“Já se passaram 50 anos do Projeto Tigre. Seu sucesso tem sido motivo de orgulho não apenas para a Índia, mas para o mundo inteiro. A Índia não apenas salvou o tigre, mas também deu a ele um grande ecossistema para florescer. Isso foi possível graças aos esforços de todos”, celebrou o primeiro-ministro Narendra Modi.

Segundo o WWF-Internacional, 70% da população global de tigres, aproximadamente 4.500 indivíduos, está na Índia.

O tigre é o maior animal dentre todas as espécies de felinos da Ásia e considerado um dos grandes da natureza. Há um século havia cerca de 100 mil deles na vida selvagem.

Hoje eles ainda são vistos, em números muito menores do que no passado, em países como Butão, Bangladesh, Malásia, Nepal, Rússia e Tailândia.

De hábitos solitários, tigres caçam sozinhos e dependem principalmente da visão e da audição para encontrar suas presas. Um macho pode chegar a pesar quase 300 kg. Assim como outras espécies de animais, marcam seu território através da urina, fezes e vocalizações.

Em geral, as tigresas têm entre dois a quatro filhotes a cada dois anos. Caso todos os filhotes morram, ela pode ter uma nova gestação depois de cinco meses.

Filhotes ficam ao lado da mãe até, em média, os dois anos de vida. A mortalidade juvenil é alta e estima-se que 50% não sobreviva esse período inicial.

*Com informações dos sites CNN Internacional The Indian Express

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Foto de abertura: Syna Tiger Resort on Unsplash

Novo satélite de parceria Brasil e China será mais um aliado no monitoramento da Amazônia

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Novo satélite de parceria Brasil e China será mais um aliado no monitoramento da Amazônia

Novo satélite de parceria Brasil e China fará monitoramento da Amazônia com mais precisão

Entre os 15 acordos comerciais e parcerias assinados nesta sexta-feira entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da China, Xi Jinping, durante encontro em Pequim, está o desenvolvimento e uso conjunto de um novo satélite, de uso não militar, que servirá como mais um instrumento para o monitoramento da Amazônia.

Segundo informações divulgadas inicialmente, o CBERS-6 terá “aplicações pacíficas de ciência e tecnologia do espaço”.

Ainda de acordo com reportagem publicada pela coluna Tilt, do portal UOL, o novo satélite terá um custo de US$ 140 milhões, cerca de R$ 752 milhões, que será dividido entre os dois países. A assinatura do acordo entre os governos brasileiros e chinês retoma a parceria já existente do Programa de Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, que existe há mais de 30 anos.

A Agência Espacial Brasileira (AEB) explica que o CBERS-6 será um satélite de monitoramento por radar. A grande diferença é que atualmente o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) utiliza satélites ópticos, que captam imagens da floresta. Acontece que, quando há uma grande quantidade de nuvens ou por exemplo, durante a noite, o monitoramento fica comprometido.

Com a nova ferramenta, será possível coletar informações adicionais da Amazônia e ter melhores dados sobre índices de desmatamento, queimadas, mudanças de solo e áreas de garimpo.

“Empregamos hoje a tecnologia óptica, que na verdade, é a captação de imagens. Com o radar, o satélite vai nos permitir observar objetos sem necessariamente ter a visão ou luminosidade do Sol. Poderemos fazer imagens em condições noturnas e com coberturas de nuvens e de florestas para enxergar o solo. Na Amazônia, existem meses com bastante cobertura de nuvens. É difícil monitorar essas áreas com satélites de tecnologia óptica. O radar vem complementar por passar a radiação através das nuvens”, afirmou Carlos Moura, presidente da AEB ao UOL.

Todas as imagens coletadas pelo CBERS-6 serão públicas.

“O objetivo não é defesa. A ideia é fazer imagens de grandes áreas. Vamos monitorar grandes áreas de preservação ambiental, assim como observação de agricultura e outras aplicações relacionadas”, garante Moura.

Desde o início do programa CBERS, Brasil e China já desenvolveram seis satélites juntos. O primeiro deles foi lançado em 1999. A previsão é que este novo fique pronto em quatro anos. O lançamento será feito de uma base chinesa.

Cada país será responsável por controlar o CBERS-6 por um determinado período de meses, ainda a ser definido no contrato. No Brasil, o Inpe fará sua operação.

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Foto de abertura: Ricardo Stuckert/PR/Fotos Públicas

Pesquisador brasileiro de 17 anos ganha prêmio internacional ao criar repelente e inseticida de baixo custo com fruto da Amazônia

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Pesquisador brasileiro de 17 anos ganha prêmio internacional ao criar repelente de baixo custo com fruto da Amazônia

O jovem pesquisador brasileiro Gustavo Botega Serra tem apenas 17 anos, mas já está brilhando lá fora. Esse maranhense, de Imperatriz, acaba de ganhar simultaneamente o Prêmio Weizmann, que inclui uma bolsa de estudos em Israel, e a oportunidade de participar da Regeneron ISEF, um dos maiores eventos de ciências do mundo, que esse ano acontecerá em Dallas, Texas.

O reconhecimento internacional se deu após ele ter conquistado este ano o 1° lugar nas categorias Inovação e Ciências Biológicas na Feira Brasileira de Ciência e Tecnologia (Febrace), a maior feira brasileira pré-universitária de Ciências e Engenharia, promovida anualmente pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Com a ajuda de seu orientador, Zilmar Timóteo, Gustavo que fez parte do Programa Cientista Aprendiz*, vinculado à Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL), desenvolveu um larvicida, inseticida e repelente naturais, de baixo custo, feitos com os princípios ativos do tucum mirim (Astrocaryum acaule), um fruto encontrado em abundância na Amazônia e muito utilizado pelas comunidades rurais para prevenir e tratar picadas de insetos.

“Porém não havia nenhuma comprovação científica da eficácia desse fruto, era um conhecimento apenas empírico. Então visando transformar esse conhecimento empírico em um conhecimento científico, nós desenvolvemos um fármaco sustentável e de baixo custo, totalmente a base do tucum mirim, chamado PharmAcaule, dividido em repelente infantil, adulto, animal, e antipragas”, contou Gustavo ao Conexão Planeta.

Pesquisador brasileiro de 17 anos ganha prêmio internacional ao criar repelente de baixo custo com fruto da Amazônia

Segundo o pesquisador, o produto foi feito com uma fusão do álcool do tucum mirim como o óleo, extrato e polpa do fruto. Depois disso, realizou-se a identificação dos princípios ativos, nos quais foram encontrados os responsáveis pela repelência (Dilapiol, Icaridina, e Dietiltoluamida), e responsáveis pelos teores de inseticida (Cipermetrina)

“Então nós fizemos testes para comprovação da eficácia desse fármaco, utilizando tecido de porco, e todos os resultados foram excelentes, acima de 90% de eficácia, inclusive quando comparado a repelentes industrializados”, revela. “Além disso, nos testes como inseticida, percebeu-se a morte de 1, a cada 2 insetos, e larvas que entravam em contato o PharmAcaule antipragas morriam”.

O repelente não tem adicionado à sua formulação nenhum aditivo ou componente químico tóxico. A expectativa é que o fármaco ajude a combater a propagação de doenças como a dengue, chikungunya e zika, por exemplo, através do controle dos insetos vetores que as transmitem.

Pesquisador brasileiro de 17 anos ganha prêmio internacional ao criar repelente de baixo custo com fruto da Amazônia

Os repelentes e fármacos criados pelo projeto do jovem pesquisador
(Foto: arquivo pessoal)

Gustavo, que estudou como bolsista na Escola Santa Terezinha, em Imperatriz, concluiu o Ensino Médio no ano passado. Mas a paixão pela ciência já nasceu na infância.

“Assim como a grande maioria dos jovens cientistas, eu fui uma criança muito curiosa, fazia muitas perguntas pros meus pais e professores, e pude encontrar na ciência uma forma de responder essas perguntas”, diz.

O curso no Instituto Weizmann será em julho e terá duração de três semanas. Lá o brasileiro estará junto de outros 80 estudantes do mundo inteiro, que terão à disposição alguns dos mais modernos laboratórios nas áreas de bioquímica, biologia, química, matemática, ciência da computação e física.  

“Estou muito empolgado. Tenho certeza que será uma vivência transformadora. Eu já conhecia e admirava bastante a história de alguns dos outros brasileiros que já passaram por essa experiência, e poder viver isso é um sentimento de felicidade enorme. Sou muito grato por ter sido selecionado dentre tantos outros excelentes projetos, tenho certeza que essa experiência irá ser um divisor de águas em minha vida, poder trabalhar em alguns dos melhores institutos de ciência do mundo, com profissionais fantásticos e em um país de referência no meio científico como Israel, é um sonho para qualquer jovem cientista”, afirma Gustavo.

Na volta, ele pretende continuar investindo na carreira de pesquisador científico.

“Tenho certeza que voltarei com muitos aprendizados na bagagem, e sem dúvida compartilharei esses conhecimentos com a comunidade científica do Brasil, pois assim como eu tive aqueles jovens brasileiros como inspiração, espero um dia poder inspirar outras crianças curiosas a trilhar o caminho da ciência”.

*O Cientista Aprendiz é um programa de pré-iniciação científica para alunos do 8º ano do Ensino Fundamental até a 3ª série do Ensino Médio. O programa faz parte das atividades de extensão da UEMASUL e nasceu do interesse dos alunos pelas atividades de laboratório e pelas diferentes áreas da pesquisa científica.

Foto de abertura: divulgação Ascom/UEMASUL