terça-feira, 1 de julho de 2014

Campanha na Cadeia




Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por José Casado





A partir desta semana, a monotonia entre corredores e celas será substituída por viagens diárias para trabalho em escritórios. São presidiários — “reeducandos” no vetusto linguajar de um dos juízes que os condenou por corrupção.

Têm mais de 40 anos no ativismo político. Foram liberados para serviços burocráticos à luz do dia, embora nunca tenham deixado de trabalhar na penumbra dos presídios: profissionais da política, tentam ampliar espaços de poder na eleição que acontece em 90 dias.



Mesmo com movimentos limitados à margem do frenesi da campanha, eles passaram os últimos seis meses empenhados em mostrar que não há muro de penitenciária capaz de impedi-los de participar do jogo eleitoral. À distância, José Dirceu (PT), Roberto Jefferson (PTB) e Valdemar Costa Neto (PR) entraram na disputa pelos governos federal e estaduais.



— Quem comanda é o Lula e os que estão presos — atestou Jorge Picciani, presidente do PMDB no Rio, ao explicar às repórteres Juliana Castro e Maiá Menezes a origem da aliança no estado de Dilma Rousseff e Lindbergh Faria (PT) com Anthony Garotinho (PR).



Ex-aliado de Lula e Dirceu, Picciani aprendeu a identificar as digitais de ambos na cena política fluminense. Testemunhou, por exemplo, como eles decapitaram sucessivamente as candidaturas dos petistas Vladimir Palmeira, Benedita da Silva e Alessandro Molon ao governo e à prefeitura da capital, em acordos com os ex-governadores Garotinho e Sérgio Cabral.



Desta vez, a ofensiva de Lula e Dirceu no Rio importunou tanto o PMDB de Picciani e Cabral quanto o PTB de Roberto Jefferson.



Dirceu, da prisão, destacou três escudeiros (Washington Quaquá, Marcelo Sereno e Alberto Cantalice) para avançar com o PT no interior, no rastro do ex-governador Garotinho. Lula, com Dilma, atuou para submeter o candidato do PRB, Marcelo Crivella, à liderança de Garotinho.



A reação veio na coligação do PMDB local com o PSDB de Aécio Neves e o DEM de Cesar Maia. Resultado: no Rio, Dilma deve ser excluída dos dez minutos de propaganda estadual do PMDB — manobra que pode acabar estendida a estados onde peemedebistas rejeitam o PT como aliado.



Foram a ambição e o fascínio pelo poder que levaram José Dirceu e Roberto Jefferson à luta e à cadeia. Em 2002 uniram-se em torno de Lula, e expuseram a política brasileira como um mercado, no qual a moeda de troca são cargos nos ministérios, empresas e fundos de pensão estatais — estratégicos pelo potencial de negócios, pela capacidade de privilegiar aliados e de atrapalhar adversários.



O personalismo derivou em embate pessoal, que continua. Do presídio Ary Franco, no Rio, Jefferson discretamente orientou seu PTB a migrar para a oposição. Com um toque de requinte, o partido programou o anúncio da aliança com Aécio para o dia da sagração da candidatura de Dilma à reeleição.



Da cela na Papuda, Valdemar Costa Neto exibiu-se como “o chefe” do PR na Esplanada dos Três Poderes. Mobilizou soldados e fez a presidente devolver o orçamento dos Transportes a um de seus mais fiéis pajens. Dilma cedeu. Levou em troca um minuto e quinze segundos extras de tempo para a sua propaganda em rede nacional. Em seguida, imolou-se em chamas de autopiedade: “A vida é muito mais complexa do que parece.”


José Casado é Jornalista. Originalmente publicado em O Globo em 1º de Julho de 2014.



 


O Mutante Supremo



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Joaquim Falcão

O problema de Joaquim Barbosa não é um problema de Joaquim Barbosa. É de todo e qualquer presidente do Supremo. Passados, presente, como Ricardo Lewandowski, e futuros. O mandato é de apenas dois anos. Muito curto. Não se tem tempo para nada.
Imaginem se o Brasil tivesse que eleger o presidente da República a cada dois anos. Que empresário investiria no país onde a política econômica pode mudar quase anualmente? Nossa vida seria corda bamba.

Cada novo presidente do Supremo pode mudar tudo. Todos os assessores e cargos de direção. Sua influência na condução da jurisprudência é efêmera. Supremo mutante e volátil. Gera politização e insegurança jurídica administrativa permanentes.
Basta um bom advogado jogar bem com prazos, e as chances de reverter pauta, alterar decisões e relatores é muito grande. Temos visto.

Não culpem os ministros. Culpem o formato institucional.

A única saída é cada presidente escolher um alvo, um tema. Somente um. Nelson Jobim optou por criar o Conselho Nacional de Justiça. Ganhou. Ellen Gracie optou por informatizar processos. Começou. Gilmar Mendes focou nas prisões. Ainda complicado. Ayres Britto decidiu apenas colocar o mensalão em pauta.

Conseguiu.

Joaquim Barbosa se deu a terminar o mensalão, condenar culpados, e lançar duas mensagens ao país.

Primeiro, que o Supremo demora, mas com obsessão política consegue decidir. 

Segundo, que corrupção, não. Improbidade administrativa, não. Lavagem de dinheiro, não. Poderosos podem ser punidos.

As desigualdades entre riqueza e pobreza, entre a raça negra e a branca podem ser superadas pelo Judiciário.

Fez isto bem. Em pouco, fez muito. E sai de cena.

Sairá?

Joaquim Falcão é Professor de Direito Constitucional da FGV Direito. Originalmente publicado em o Globo em 1º de Julho de 2014.

Para “zelite” mixa, Bacalhau Basta...



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Com raras e honrosas exceções, a atual “zelite” brasileira é composta de self made men sem nenhuma instrução, sem cultura e sem escrúpulos.

Pessoas inteligentes, sem dúvida, venceram em suas respectivas profissões ou seus negócios, de maneira voraz e predatória, sem ética, sem educação e sem escrúpulos.

Corromperam quando foi preciso, adularam quando isto lhes custava menos, traíram quando disso podiam tirar proveito.

Os tradicionais clubes de cavalheiros desapareceram por falta de cavalheiros, não por falta de instalações.

Um deles teve um enterro de segunda e virou um pífio cento de estudos de um conhecido pavão. Outro foi incorporado por navegantes sem bússola, comandados por um vendedor de proteção.

Os publicitários tentam  seduzi-la com o luxo ordinaire.

Nunca vi no Brasil anúncios de bolsas do Morabito -  http://www.morabitoparis.com - ou de impressos da Ditta Raimondi di Pettinaroli - http://www.pettinaroli.it/

É verdade que o público-alvo mal fala só o português, não se veste de maneira apropriada à ocasião e nunca teve o menor respeito pelo próximo.

Coisas de quem come manjubinha frita, mas adora arrotar bacalhau...


Carlos Maurício Mantiqueira é Livre Pensador.
Postado por Jorge Serrão às 10:38:00

Petistas investem em trégua por Dilma Rousseff ter dado 15,8% de reajuste salarial à Polícia Federal




Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O desgoverno Dilma Rousseff, alvo de inúmeras investigações e suspeitas de corrupção, resolveu dar uma acalmada (pelo menos no bolso) da Polícia Federal. A aposta petista é que as broncas comecem a diminuir, em função do reajuste dado na véspera da campanha reeleitoral. Se vai dar certo o plano do cebolinha para acalmar algumas das cinco tendências dentro da Polícia Federal, esta é uma dúvida que só o tempo pode tirar.

O governo tem sido pego de surpresa com ações da PF – como a recente Operação lava Jato (com rumo incontrolável) e a Porto Seguro (surpreendente no começo, mas sob controle, na visão do governo, na fase judicial). Dilma Rousseff, que agora anda bolada com a chance de faturar eleitoralmente com um resultado positivo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, teme surpresas desagradáveis em investigações que envolvem a Petrobras.

Para alegria da PF, o Diário Oficial da União de hoje publica a Medida Provisória 650 que concede 15,8% de reajuste salarial para agentes, escrivães e papiloscopistas. O aumento dos policiais federais será dado em duas vezes. A primeira parcela, retroativa a 20 de junho, em 12%. O percentual restante será aplicado em 1º de janeiro de 2015. Assim, os subsídios ficarão 15,8% acima do valor fixado para 1º de fevereiro de 2009, data-base do último reajuste antes do concedido agora.

O menor salário na categoria (terceira classe) passa para R$ 8.416,05 agora e para R$ 8.702,20 em janeiro do ano que vem. O maior salário na Polícia Federal, sem contar as gratificações, para classe especial, chega a R$ 13.304,57 agora e a 13.756,93 no começo de 2015. Com o reajuste, o governo Dilma cumpre um acordo com as representações sindicais dos servidores da PF.

Saideira

O Super Joaquim Barbosa participa hoje de sua última sessão no Supremo Tribunal Federal.

Aos 59 anos, Barbosa se aposentará de forma prematura, com uma antecedência de 11 anos do limite de 70 anos de idade.

Tem candidato presidencial de oposição apostando que contará com o apoio público do novo aposentado para detonar o PT na campanha...

“Chose de Wacky”

Já pensou um ex-Presidente da República detido e com risco de condenação por tráfico de influência na magistratura?

Pois isto aconteceu com Nicolas Sarkosy, ex-mandatário francês, suspeito de manter uma rede de informantes para manipular os processos que o investigam por financiamento ilegal de campanha.

Ainda bem que essas coisas de louco só acontecem na França...

Muito além do Diálogo Interamericano

O comandante tucano FHC, que anda conversando com generais à farda pequena, promete reforçar o poder transnacional em favor de seu candidato presidencial.

FHC deseja intermediar conversas de Aécio Neves com Bill Clinton (ex-presidente dos EUA) e David Cameron (atual premier britânico).

Os dois são tidos como pontas-de-lança do chamado Diálogo Interamericano – think tank do qual FHC faz parte e do qual Lula participou, até criar o Foro de São Paulo, em 1990...

Maior abandonado


A fidelidade política de Paulo Maluf é de fazer inveja ao discurso petista...

Contra tudo

A cúpula de alemães propagandistas contra o Brasil e contra a Copa da Fifa promove um programa de agito nesta quinta-feira.

O ato será às 18 horas, no Centro de Teatro do Oprimido, Avenida Mem de Sá, 31, na Lapa, Rio de Janeiro.

Não informaram se teremos salsicha, cerveja e chucrute no animado protesto...

Bronca do Mujica


Salve-se quem puder


© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 1º de Julho de 2014.

A REJEIÇÃO É GERAL





Carlos Chagas
Publicado: 25 de junho de 2014 às 0:00 -

Um estranho fenômeno vem marcando a copa do mundo, depois da partida inicial no Itaquerão: a fuga dos políticos. Não é apenas a presidente Dilma, que em seguida à vaia inicial decidiu ficar diante de seu aparelho de televisão. Os demais candidatos presidenciais também não aparecem. 

Governadores, nem pensar. Ministros, só bissextamente, por obrigação, como o das Relações Exteriores para acompanhar o príncipe Henry, ou o dos Esportes, por sua própria razão de ser. Pior ficam as ausências quando se trata do Congresso. Nem presidentes da Câmara e do Senado, nem dirigentes dos partidos ou líderes da maioria e minoria. Todos fogem dos estádios como o diabo da cruz, com medo das vaias.


Se algum político desmentir essa conclusão, provando ter comparecido, basta indagar com que disfarce ele esteve presente: bigodes falsos ou peruca?

Logo depois da copa do mundo de 1950, com o Maracanã aberto ao povão por conta do baixo preço dos ingressos, o presidente Getúlio Vargas compareceu a um fla-flu de no mínimo cem mil torcedores. Anunciada sua presença pelos alto-falantes, ninguém vaiou, mas poucos aplaudiram. 

Atrás dele estava o prefeito do Rio, Angelo Mendes de Moraes, por sinal o construtor do maior estádio do mundo. Fiado em que seria aplaudido, mandou o locutor oficial registrar seu nome. Seguiu-se a primeira das centenas de milhares de vaias que marcam os campos de futebol: a multidão em peso gritou por muitos minutos: “água! Água!”, uma referência explosiva a uma das maiores mazelas da cidade maravilhosa, a falta da própria.

Nas décadas seguintes, Juscelino comparecia, mas nada de querer seu nome anunciado. No período militar, só Garrastazu Médici gostava de futebol, mas ia escondido, numa das cabines destinadas aos narradores do rádio. Isso até a conquista da copa pelo Brasil, em 1970, no México. 

Na véspera, o general reuniu a imprensa , alertada para não fazer perguntas políticas, só esportivas. Um puxa-saco indagou se ele arriscaria um palpite e veio a resposta: “Brasil, quatro a um”. Faltando dez minutos para o encerramento, ganhávamos de três a um, com o país dividido de alto a baixo. Quando o Pelé pegava na bola, metade da população colada nos aparelhos de televisão gritava “mais um, mais um”, enquanto a outra metade exortava o craque a chutar para trás ou para a lateral. 

Pois não é que depois de driblar um monte de italianos ele passa para Carlos Alberto, que vinha desabalado e consagrou a previsão do ditador! Dali por diante, Médici mandava anunciar sua chegada na tribuna de honra e, durante meses, era aplaudido de pé nas arquibancadas e na geral, do povão. Claro que durou pouco aquela ilusão, mas como foi difícil de aguentar…

Esses episódios se recordam porque agora tudo mudou. É o povo, elitizado ou não, segundo comentário do ministro Gilberto Carvalho, que manifesta seu repúdio a qualquer tipo de autoridade, começando pela presidente da República. 

Nos estádios e fora dos estádios, como ainda se viu dois dias atrás no Amapá. Os políticos estão certos quando preferem assistir os jogos pela televisão…

NEM O LULA EMPOLGARIA A NAÇÃO

Carlos Chagas
Publicado: 1 de julho de 2014

Mesmo com a profusão de candidatos a governador lançados até ontem em diversos estados, por conta da lei eleitoral, fica difícil dividir as atenções com a copa do mundo de futebol. Só compareceram às convenções  agora encerradas  os militantes dos partidos e os aficionados de determinados candidatos, além, é claro, das tradicionais claques pagas com dinheiro do fundo partidário. 


Do povão, mesmo, que costumava entusiasmar-se com os pretendentes, nada. As eleições de outubro ainda não tocaram a opinião pública, apesar de a mídia cumprir sua obrigação de reportar o que acontece.


Há quem suponha que as campanhas só esquentarão quando começar a propaganda eleitoral gratuita pelo rádio e a televisão, em agosto. Mesmo a disputa pela presidência da República não tem sensibilizado, exceção  das vaias e dos protestos  de rua, não propriamente contra a  candidata  Dilma Rousseff, mas contra a presidente da República  e o  seu governo. 

Sem concorrer,  ela  receberia as mesmas manifestações de inconformismo popular, ignorando-se apenas se o companheiro que a estivesse substituindo concentraria tanta indignação. Talvez menos, se fosse o Lula, mas garantir, ninguém garante.


A dúvida que fica dessa conjunção estranha entre copa do mundo e eleições refere-se  à propaganda eleitoral gratuita. Há quem sustente  que da noite para o dia, como num passe de mágica, o cidadão comum ficará colado nas telinhas e microfones, vendo e ouvindo cada um dos candidatos com a máxima atenção.   

Possivelmente, não. Mostra a experiência de eleições passadas que qualquer novela fajuta tem batido essa programação, em audiência. O desgaste não atinge apenas as eleições presidenciais, mas as outras também, apesar de a apresentação de candidatos a deputado despertar muita semelhança com os programas humorísticos, em especial depois que saiu do ar a  inesquecível Escolinha do Professor Raimundo.


Assiste-se, de ano a ano, ou de eleição em eleição, a rejeição cada vez maior aos políticos. Não será por falta de motivos,  é claro, em especial  depois que o PT, no governo, mostrou-se igual aos demais partidos empenhados em aproveitar-se do poder para praticar nepotismo, ilegalidades e corrupção generalizada. Saída não há para esse impasse, pois ruim com eleições, pior sem elas.


A registrar, porém, emerge um fato novo: não há mais candidatos-salvadores, aqueles falsos heróis que no passado despertaram multidões entusiasmadas e ilusões desmedidas.  Hoje são todos iguais, nivelados pela ausência de expectativas populares.  Mesmo o Lula, se viesse a candidatar-se, e por isso mesmo não o fará, dificilmente empolgaria  o eleitorado e a nação.

CAINDO NA REAL
De São Paulo surgem indicações de que o governador Geraldo Alckmin caiu na real, sentindo que sua reeleição não será mais um passeio. A sombra do segundo turno parece definitiva, assim como  a candidatura de Paulo Skaf  começa a assustar. Para qual dos dois irá o voto dos companheiros?

Doleiro Preso Youssef não vai depor no Conselho de Ética da Câmara

1 de julho de 2014 às 19:29

Doleiro Alberto Yousseff, preso na Operação Lava Jato, suspeito de chefiar um esquema de lavagem de dinheiro. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Doleiro Alberto Yousseff, preso na Operação Lava Jato, suspeito de chefiar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 10 bilhões. 


O presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PSD-SP), e o relator do processo contra André Vargas, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), devem anunciar nesta terça-feira se adotarão nova estratégia para contornar a ausência do doleiro Alberto Youssef no depoimento previsto para amanhã. Youssef, que está preso em Curitiba, seria ouvido por videoconferência, mas a Justiça Federal do Paraná atendeu a pedido da defesa e cancelou a oitiva.

A decisão do juiz federal Sérgio Moro, segundo assessores do conselho, foi baseada no que a Justiça define como “economia processual”, pois o doleiro garantiu que não irá se pronunciar sobre o assunto. Youssef foi indicado como testemunha tanto pela relatoria do colegiado quanto pela defesa de Vargas.

Os parlamentares do conselho só devem falar sobre o assunto durante a reunião de hoje, marcada para as 15h, quando o colegiado ouvirá o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) - o primeiro a ser inquirido no caso de suspeita de envolvimento de Vargas com Youssef.

O conselho ainda deve manter para amanhã os depoimentos dos donos do laboratório Labogen, Leonardo Meireles e Esdras Ferreira, suspeitos de ter conseguido contrato com o Ministério da Saúde a partir de um pedido de Vargas. Até o próximo dia 4, o colegiado também espera receber informações de Bernardo Tosto, proprietário da aeronave usada por Vargas e fretada pelo doleiro Alberto Youssef. Ele pediu para responder por escrito.

Com essas oitivas concluídas, o relator do processo começará a convocar as testemunhas indicadas pela defesa. O deputado vem reiterando que vai cumprir os prazos definidos pelo regimento e tentar concluir e votar o relatório sobre o caso antes do início do recesso parlamentar, marcado para 17 de julho.(ABr)

Professor ‘dá uma aula’ de Revolução Francesa para não ser linchado



Confundido com ladrão, ele improvisou sobre conteúdo para não ser espancado

01/07/2014 6:00 / Atualizado 01/07/2014 15:13  O GLOBO

SÃO PAULO — Confundido com um ladrão, um professor de História foi espancado por moradores da periferia de São Paulo e só conseguiu se livrar do linchamento quando, segundo ele, foi obrigado a dar uma aula sobre Revolução Francesa. Ainda assim, André Luiz Ribeiro, mulato de 27 anos, foi levado para a delegacia, onde ficou por dois dias, já que o dono do bar assaltado confirmou em depoimento que André seria o ladrão.

O professor contou que, socorrido por bombeiros, teve de falar sobre a Revolução Francesa para provar sua inocência. Os bombeiros informaram que “informações são improcedentes” e que não houve “desrespeito ou deboche”. André conta que estava correndo na última quarta-feira no bairro Balneário São José, quando um bar foi assaltado.

— Eu corro dez quilômetros todos os dias, estava de fone de ouvido, sem identificação porque moro por perto, e fui confundido com um dos três assaltantes. O dono do bar e o filho dele me acorrentaram. Umas 20 pessoas me cercaram e começaram a me bater. Acorrentaram meus braços e pernas e me colocaram de barriga para baixo na rua.

O professor foi socorrido por bombeiros que passavam no local. Um deles, segundo Ribeiro, teria dito: “Se você é professor de História, então dá uma aula sobre Revolução Francesa”.

— Falei que a França era o local onde o antigo regime manifestava maior força, e que a burguesia comandou uma revolta junto com as causas populares, e que havia fases da revolução. Falei por uns três minutos e perguntei se já estava bom.

Ribeiro também diz que foram os bombeiros que salvaram a vida dele pois enquanto ele dava a aula sobre a Revolução Francesa para provar que era professor, ouviu o proprietário do bar dizer que ia buscar um facão. Em seguida, a Polícia Militar chegou no local, o levou para o pronto-socorro da região e depois o encaminhou para o 101º Distrito Policial (Jardim das Imbuias), onde ficou preso até sexta-feira.

O proprietário do bar assaltado, Djalma dos Santos, 70 anos, negou que tenha espancado o professor. Questionado se tinha certeza de que Ribeiro era um dos assaltantes, ele desconversou.

— A população que acorrentou, que bateu, eu não fiz nada. O que eu tinha que falar já falei na delegacia. Não adianta nada ficar perguntando, não vou retirar o que disse. 

Eu gritei que era ladrão e a população da rua foi atrás dele. Se ele não devia nada, vai dar uma mancada dessas de estar correndo no meio dos bandidos na hora do assalto? — afirmou o proprietário do bar.

O advogado de Ribeiro, Cláudio Reimberg, afirmou que irá amanhã até o 58º DP (Jardim Mirna) registrar a ocorrência de lesão corporal e tentativa de homicídio.
— Inicialmente, nossa prioridade era a liberdade dele, até pela integridade dele. 

Agora, vamos registrar a ocorrência e pedir ação indenizatória tanto do proprietário do bar, quanto do estado, já que no 101º DP não foi registrada a ocorrência de agressão a ele, só do assalto ao bar — afirmou o advogado.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o delegado André Antiqueira, titular do 101º DP, “se coloca à disposição para ouvir em depoimento quem tenha novas informações para acrescentar à investigação”, já que os criminosos que participaram do crime ainda não foram presos.

“O professor foi preso em flagrante em cumprimento do artigo 302 do Código Penal, já que a vitima o reconheceu como um dos participantes do roubo ao estabelecimento comercial em duas oportunidades. A Justiça concedeu liberdade provisória ao acusado”, diz nota da SSP.