quarta-feira, 23 de julho de 2014

O sistema pró-oligarquia


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Adriano Benayon

É pró-oligárquia o sistema político-econômico prevalecente nos países “desenvolvidos”, que, erroneamente, dizem ser  democracias. O mesmo sistema é ainda mais radical nas periferias sob seu comando, como o Brasil, cujos mercados e base produtiva foram entregues às transnacionais, desde os anos 50, para ser explorados de forma neocolonial.

Temos exemplos significativos de que a política econômica no Brasil é intervencionista, e não, liberal. Ela não opera em prol do equilíbrio social, mas, sim, favorece os concentradores, em geral, e o capital estrangeiro, em especial.

Na moeda e no crédito,  a intervenção contra a sociedade e em favor do oligopólio dos grandes bancos privados tem seu pilar básico na própria Constituição Federal (cidadã de onde?), em seu art. 164.

Este atribui exclusivamente  ao Banco Central - cuja política, na prática, é determinada por aqueles bancos – a competência da União de emitir moeda e, ademais, proíbe ao Banco Central financiar entidades do Estado, inclusive  o Tesouro Nacional – ao qual deveria caber o poder de emitir.

Ou seja: o BACEN só pode financiar os bancos privados, os quais se locupletam com os juros  dos títulos do Tesouro, a taxas brutais, que, de nenhum modo, decorrem de um mercado financeiro livre.

Em um mercado livre  não haveria, como há, a concentração de oferta de dinheiro nas mãos de um oligopólio liderado por pouquíssimos e gigantescos bancos, nem a promoção de enorme demanda forçada, constituída pelas necessidades de financiamento do Tesouro (consequência do art. 164 da CF).

Ironicamente, a maior das fontes de demanda por crédito provém do próprio serviço da dívida pública, a qual atingiu cifras assustadoras, através da composição de juros a taxas elevadíssimas, impostas pelo cartel dos bancos, que a grande mídia chama de o “mercado”.

Além das somas colossais que o cartel aufere com os juros dos títulos públicos, os lucros dele crescem também em função dos depósitos voluntários e compulsórios que colocam no Banco Central.

Noticiou-se que, em maio de 2014, os depósitos compulsórios atingiram o saldo de R$ 395,7 bilhões, remunerados  à taxa SELIC. A 11% aa., supondo  esse saldo médio no ano, o cartel ganha, só aí, R$ 43,5 bilhões.

Conforme estudo do DIEESE, em 2011, mais de 60% do lucro líquido dos cinco maiores bancos do país vieram da remuneração do depósito compulsório no Banco Central. Foram R$ 33,6 bilhões, do total de R$ 50,7 bilhões de lucro.

Esse retorno superou em 97,4% o de 2010. Em conluio, as autoridades monetárias, o “mercado” (cartel dos bancos) e a grande mídia alegaram o objetivo de conter o crescimento do crédito ao consumo e combater a inflação. Ora, as altas taxas de juros não servem para controlar a alta dos preços, mas, sim, para fomentar os lucros do cartel e dos rentistas.

Novamente crescem os depósitos no BACEN dos bancos, que agora dizem estar reduzindo riscos, diante da perspectiva de aumento das inadimplências, tendo deixado de emprestar quase R$ 14 bilhões, desde que as taxas de juros começaram a voltar a subir.  De março de 2013 a maio de 2014,  os compulsórios cresceram R$ 49,24 bilhões (14,7%). 

Resumindo, o cartel:

a) recebe depósitos à vista do público, com os quais “lastreia” empréstimos, criando moeda do nada, que se torna dinheiro dele, à medida que recebe os juros e as amortizações desses empréstimos. Por exemplo, com 45% de compulsório, pode emprestar 6 e até mais vezes dos 55% de recursos livres: assim, para R$ 50 bilhões de depósitos à vista, terá R$ 27,5 bilhões livres e a possibilidade de criar crédito (dinheiro) no montante de R$ 165 bilhões ou mais;

b) sobre esses empréstimos, ganha as taxas mais altas do mundo, hoje na média de 32% aa., ao financiar pessoas físicas e jurídicas,

c) aufere os juros dos depósitos compulsórios, em que o risco é zero, sobre um dinheiro ocioso, que deixa ociosos fatores de produção existentes e não é usado para gerar novos bens de capital físico;

d)  recebe recursos a baixo custo do BACEN no mercado interbancário;

e) aufere juros, a taxas efetivas muito superiores à absurdamente elevada SELIC,  nos títulos de Tesouro, que assim paga por recursos financeiros que ele próprio poderia e deveria criar, não fosse a política pró-oligarquia instituída através do art. 164 da CF.

Portanto, poder-se-ia estimar a bolsa-bancos em mais de R$ 100 bilhões/ano. Essa brutal transferência de renda, em detrimento da sociedade e da produção decorre, além de das disposições legais, de  as taxas de juros serem administradas pelo Estado, sob comando do cartel dos bancos. Ora, a taxa de juros seria baixíssima, se fosse determinada pelo mercado financeiro  sem tal intervenção.

Também os mercados dos bens de uso durável e n outros  ficam sob controle dos carteis, situação que se foi agravando, desde que, nos anos 50, a política subsidiou a ocupação do mercado e da produção  pelos  carteis que dominam o grosso da economia mundial.

Se fosse liberal e pró-livre iniciativa, a política teria viabilizado a concorrência nos mercados, coibindo os oligopólios e fomentando a descentralização, sem a qual não existe a menor possibilidade de livre concorrência e de livre iniciativa. 

Após a concentração da indústria nas mãos das transnacionais, situação já consolidada no final dos anos 60, vieram com Delfim Netto, os desbragados subsídios à exportação de manufaturados. O que é isso senão intervencionismo pró-imperial?

Um liberal sério e que não seja agente consciente ou inconsciente da oligarquia imperial, defenderá a privatização somente em atividades que não demandem grande escala, nem sejam  monopólios naturais. Assim, não pediria privatizar as estatais, as quais, ao contrário dos oligopólios transnacionais, viabilizavam empresas de pequeno porte e, assim, concorrência e produção de tecnologia no País.

A fim de descentralizar a economia e assim criar condições para a livre iniciativa, deveriam recomendar nacionalizar-se  as multinacionais  e subdividi-las,  e então privatizá-las para empreendedores, que precisariam crédito e capacitação, por, de há muito tempo, virem sendo as empresas nacionais excluídas do mercado.

Como observa o Eng. Hélio Silveira, a política pró-imperial  entregou  a grandes grupos privados e estrangeiros empresas públicas, monopólios naturais, repassados  com  receita garantida, dinheiro em caixa, livres de obrigações fiscais (e até com créditos fiscais) e de dívidas trabalhistas, para o que a União desembolsou vultosos recursos públicos, muito maiores que as quantias arrecadadas nos leilões, amiúde pagas com títulos podres. 

Privatizaram-se também, nessas condições, bancos estaduais, que se juntaram ao cartel dos bancos e se cevam com a bolsa-bancos.

A política pró-imperial prossegue nos empréstimos dos bancos públicos -  BNDES à frente - com taxas de juros subsidiadas,  para  transnacionais e para outros grupos concentradores.

Do mesmo modo, as concessões de serviços públicos, garantidos por financiamentos federais, a grupos privados assemelham-se a feudos, dada a exploração, tarifas crescentes e sem obrigação de elevar a qualidade dos serviços. Nada têm de liberalizante. 

Esse é também o caso das parcerias público-privadas, em que o Estado financia e assegura lucros sem risco para grupos privados.

Apresentada como liberal, em vez de desmascarada por sua natureza pró-imperial e pró-oligarquia, a grande fraude consiste em opor-se a intervenção do Estado sem perceber que esta tanto pode beneficiar como prejudicar a sociedade. Ao mesmo tempo, ignora-se  que o favorecimento à concentração da economia e das finanças nas mãos de grupos privados necessariamente prejudica a sociedade.

Daí que a política pró-oligarquia usa o Estado como agente da concentração e da desnacionalização, intensificadas,  no Brasil, a partir do golpe de Estado de 1954, promovido pelos serviços secretos e entidades dos centros imperiais.

Foi, ademais, minada a qualidade da administração pública, para “justificar” as privatizações e as concessões, além de criarem-se as agências “reguladoras”, dominadas pelos grupos concentradores. Além disso, a fim de  torná-la  inepta para promover o desenvolvimento.

Até instituições supostamente criadas para representar os interesses da sociedade, como o Ministério Público, o TCU e os tribunais de contas estaduais,  entraram em cena, inviabilizando investimentos estatais, com amparo em leis  como as ambientais e as de proteção aos indígenas. 

Com a Lei de licitações, os agentes públicos evitam levar adiante obras públicas, receando processos administrativos. A repressão à corrupção de varejo não afasta, porém, a mega-corrupção sistêmica. 


Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

Prejuízo de Pasadena: daria para construir 125 aeroportos como o de Cláudio, em Minas. Ou: A responsabilidade de Dilma



O Tribunal de Contas da União analisou detidamente os números da compra da refinaria de Pasadena. Quem quiser que vá lá desafiar os critérios. Segundo aqueles que são empregados para analisar outras operações, a Petrobras teve um prejuízo com a operação de US$ 792 milhões. 


Trata-se, obviamente, de uma soma fabulosa. O tribunal aponta como responsáveis 11 ex-diretores da estatal. Os membros do conselho, que era presidido pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foram poupados.  Caso haja fatos novos, sua eventual responsabilidade pode ser reexaminada, mas não parece que isso esteja para acontecer.


Vamos lá. Já se escreveu e se falou muito a respeito do assunto. De fato, não parece que os membros do Conselho possam ser diretamente responsabilizados pela operação. Em situações assim, a tendência é que se fiem na avaliação da diretoria e de consultorias especializadas, que endossaram a compra. A questão que diz respeito à agora presidente Dilma é de outra natureza. Já escrevi aqui e reitero: a mim me incomoda mais a omissão da Dilma como chefe do Executivo do que da Dilma como presidente do Conselho. Por quê?

Os conselheiros perceberam, sim, que a compra de Pasadena era um mau negócio. Tanto é assim que recorreram à Justiça dos Estados Unidos para se livrar da obrigação de comprar os outros 50% da refinaria. Já ali, perceberam tratar-se de uma opção danosa para a empresa brasileira. Talvez tenha faltado, no entanto, assessoria competente para demovê-los da ideia. Afinal, não havia o que fazer. E a tentativa de abrir mão da obrigação de comprar a empresa custou alguns milhões a mais; só contribuiu para elevar o prejuízo final.

Assim, a Dilma conselheira já tinha plena ciência da operação ruinosa, realidade que ela vocalizou mais tarde, quando veio a púbico com o seu “eu não sabia”. Então cabe a pergunta óbvia: como é que Nestor Cerveró, diretor da Área Internacional da Petrobras, que havia deixado o cargo no período, digamos, pós-Pasadena, voltou a uma subsidiária da empresa, na direção financeira da gigante BE Distribuidora? “Ah, uma presidente não cuida dessas miudezas”. Lamento! Não se trata de miudeza: nem o prejuízo da Petrobras nem o cargo.


É claro que a condenação tem um peso político importante. Entre os punidos, está José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da estatal e petista de quatro costados. O PT, no entanto, tentará dar ênfase ao fato de que o TCU poupou a presidente. Uma coisa, no entanto, não dá para disfarçar: uma única operação da Petrobras na gestão Lula, quando Dilma era presidente do Conselho e chefe inconteste do setor energético, gerou um prejuízo à empresa de R$ 1.758.240.000,00 milhões: lê-se “um bilhão, setecentos e cinquenta e oito milhões, duzentos e quarenta mil reais.


Daria para construir 125 aeroportos em Cláudio. E olhem que esse é o prejuízo decorrente de uma única ação, numa só empresa.


Por Reinaldo Azevedo

CPI mista ouve secretário em sessão secreta; oposição vê contradição




Foi a primeira sessão fechada realizada pela comissão. Para oposicionista, secretário do TCU deu declarações contraditórias

A CPI mista instalada no Congresso para apurar supostas irregularidades na Petrobras ouviu, nesta quarta-feira (23), o secretário de controle externo da administração indireta do Tribunal de Contas da União (TCU), Osvaldo Perrout. Foi a primeira sessão fechada da comissão.

Perrout foi convidado para dar explicações sobre divergências em relatórios elaborados por técnicos do TCU em relação à compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras. A aquisição é o principal ponto da CPI mista e deu prejuízo à estatal.

Parlamentares da oposição apontaram contradição no depoimento de Perrout. Questionado se teria votado com base no resumo executivo apresentado ao conselho de administração da Petrobras para a compra da refinaria, o secretário do tribunal disse que não.

“Ele [Perrout] disse que exigiria mais documentos e que não votaria [pela aprovação da compra de Pasadena] e agora disse que o conselho não tem responsabilidade”, reclamou o deputado Fernando Francischini (SD-PR), autor do convite para ouvir Perrout, que pediu para que a reunião fosse secreta porque o processo no TCU tramita sob sigilo.

Quando o caso veio à tona, a presidenta da República Dilma Rousseff (PT), que presidia o conselho de administração da Petrobras na época da aquisição, justificou a aprovação do negócio alegando que se baseou em um resumo falho apresentado pela diretoria da estatal. Hoje, Perrout isentou de responsabilidade o conselho de administração.

Em um primeiro relatório, técnicos do TCU responsabilizaram o conselho de administração pela compra. Em outro relatório, os auditores isentaram os membros do colegiado, que, em 2006, autorizou a compra de 50% da refinaria. Hoje, os ministros determinaram a devolução de US$ 792,3 milhões aos cofres da Petrobras por membros da diretoria da estatal.

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POLÍCIA SUSPEITA QUE SINDICATOS FINANCIAM O TERRORISMO PRATICADO PELOS ESQUERDISTAS NO RIO DE JANEIRO





A investigação da Polícia Civil sobre a participação de manifestantes em atos de vandalismo revelou indícios do envolvimento de sindicatos no financiamento de protestos. As evidências foram levantadas a partir do monitoramento, autorizado pela Justiça, de telefonemas e e-mails, além de depoimentos ouvidos no inquérito da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) que resultou na Operação Fire Wall.


Como a investigação era voltada apenas para a apuração de atos de violência, os indícios foram usados para abrir um novo inquérito, com o objetivo de chegar aos financiadores. Entre as entidades de classe citadas, figuram o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), o Sindprev e o Sindpetro. Este último, segundo a polícia, teria fornecido dinheiro, transporte, carros de som e alimentação para ativistas participarem de ocupações e manifestações violentas. Em contrapartida, integrantes do sindicato teriam cobrado o recolhimento de assinaturas contra o leilão do Campo de Libra — maior reserva do pré-sal do país.


De acordo com as investigações, Jair Seixas Rodrigues, o Baiano, atuaria como elo entre o Sindpetro e os manifestantes. Ligado à Frente Internacionalista dos Sem Teto (Fist), Baiano teria recebido dinheiro do sindicato para mobilizar ativistas para invadir e ocupar prédios, além de dar transporte a grupos que realizaram um protesto violento contra o leilão, em outubro passado, na Barra da Tijuca.


Manifestantes tentam invadir a Câmara dos Vereadores durante protesto em outubro do ano passado: a Polícia Civil abriu um novo inquérito para investigar a ligação de sindicatos com ativistas acusados de vandalismo.  Foto do site de O Globo

COQUETÉIS MOLOTOV CONTRA POLICIAIS

Na ocasião, dezenas de adeptos da tática black bloc (de confronto) entraram em choque com homens da Força Nacional de Segurança e do Exército no entorno da Praça do Ó. Apesar do forte aparato de segurança, os manifestantes conseguiram por duas vezes furar o bloqueio, lançando coquetéis molotov nos homens da FNS.


Antes dos confrontos, muitos dos ativistas violentos carregavam bandeiras do Sindpetro, que manteve um carro de som no local. Há indícios de que Baiano teria sido o responsável pela mobilização. “Financiado pela Fist e pelo Sindpetro, Baiano teria pago a pessoas para praticar vandalismo durante o protesto contra o leilão de Libra”, diz o inquérito. “O mesmo teria acontecido nos atos Ocupa Cabral e Ocupa Câmara. Além das refeições, os financiadores teriam fornecido os materiais para confecção de cartazes e as passagens dos ativistas”.


Baiano não é o único apontado na investigação como suspeito de receber recursos de sindicatos. Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, aparece num telefonema pedindo a um integrante do Sepe cem quentinhas para um ato. Na escuta, contudo, não fica claro se ela conseguiu. O elo da ativista com o Sepe é Filipe Proença de Carvalho Moraes, conhecido como Ratão. Ele figura entre os 23 manifestantes que tiveram as prisões preventivas decretadas na sexta-feira e permanece foragido (juntamente com mais 17).


Filipe encabeça um grupo formado por professores das redes estadual e municipal que dissemina a adoção de ações diretas, com depredações de patrimônios público e privados, enfrentamento de policiais, pichações e resistência em ocupações.


Sininho também recorreu a outros sindicatos, como revelam conversas captadas em 9 de junho passado. A ativista fez contato com pessoas ligadas a entidades como o Sindpetro e o Sindiprev, para pedir quentinhas para índios que participavam de uma assembleia organizada por ela referente à Aldeia Maracanã.


Nesse mesmo dia, Sininho disse que a assembleia seria na Uerj e que a reserva do auditório estava em nome de Camila Jourdan, professora de filosofia da universidade. Logo em seguida, Sininho manteve contato com a namorada de Rafael Rêgo Barros Caruso, que está foragido, dizendo que as quentinhas seriam para indígenas que participavam de um evento na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.


DINHEIRO PARA COMIDA, BEBIDA E CIGARRO

Em depoimento, uma ex-integrante do grupo de manifestantes disse na DRCI que Sininho “sempre tinha dinheiro e costumava pagar comida, bebida e até cigarro para quem aceitava participar da linha de frente das manifestações”. A jovem, que passou a colaborar com a polícia, relatou que Sininho e seu ex-namorado Luiz Carlos Rendeiro Júnior, o Game Over, recolheram dinheiro para custear a alimentação de manifestantes que atuaram em vários atos, inclusive fora do estado.


A ativista teria custeado a viagem de Fábio Raposo Barbosa, o Fox, e outra manifestante ainda não identificada pela polícia. A dupla viajou para São Paulo logo após o fim do Ocupa Cabral para organizar o Ocupa Alesp, movimento à frente da Assembleia Legislativa de São Paulo.


Numa agenda apreendida durante a Operação Fire Wall na casa de Sininho, policiais encontraram uma espécie de contabilidade do grupo. Ao lado das cifras, aparecia a rubrica de Game Over com a destinação do dinheiro. A descoberta reforçou o depoimento da testemunha, que atribuiu a Sininho e Game Over a responsabilidade por recolher e distribuir os recursos.


O inquérito da DRCI revela ainda que o advogado Marino D’Icarahy, pai do foragido Igor D’Icaray, impediu um dos presos detidos na Fire Wall de assinar um depoimento onde admitia que alguns manifestantes recebiam para participar de atos violentos. O advogado teria dito: “Ele não vai assinar p. nenhuma. Ele tem direito a falar só em juízo”. 

O CASO DO AEROPORTO MINEIRO. OU: QUANDO O JORNALISMO É DOMINADO POR PSICOPATAS E HISTÉRICOS.



Sem alterar o tom de voz, com educação e sem rompantes, Aécio Neves apenas cumpriu o dever de colocar a verdade no seu devido lugar. E ponto final.
Em um pronunciamento breve em sua chegada ao comitê de campanha em São Paulo nesta terça-feira, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou que escolheu, quando governador de Minas Gerais, uma área que pertencia a um tio-avô dele para a construção de um aeroporto no município de Cláudio porque era a opção “mais barata”. 
 
 
Aécio entregou à imprensa no início desta noite dois pareceres que ele solicitou a ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso. Os ex-ministros Ayres Britto e Carlos Velloso atestam, no documento, a legalidade do processo realizado pelo tucano quando governador.
 
“Era o (terreno) mais barato. Já tinha uma pista de terra nele. Seria sim um ato contra o erário se eu fizesse uma obra muito mais cara numa área onde a topografia não justificasse”, justificou Aécio.
 
“A campanha começou e como nossos adversários gostam, com mentiras e ataques à honra. Essa é uma praxe dos nossos adversários do PT. Portanto, quero dizer duas coisas. O que circulou na imprensa é que teria havido a construção de um aeroporto por parte do governo de Minas numa área de um tio-avô meu em Cláudio. Essa informação é mentirosa. Não existiu nenhuma construção em nenhuma área privada. A área foi desapropriada em benefício do estado como atestam todos os documentos que vocês vão receber hoje. A desapropriação foi feita pelo estado em R$ 1 milhão. O proprietário, na época, apresentou proposta de R$ 9 milhões, mas ela foi desapropriada com o valor depositado de R$ 1 milhão. Se houve alguém favorecido nisso foi o estado e não o meu parente.”
 
Pouco antes, o coordenador-geral da campanha, Agripino Maia, também sugeriu uma ação eleitoral por parte dos adversários. “A denúncia foi feita, claro, que por vazamento de algum órgão de governo que tem a informação, que é quem controla o funcionamento de aeroporto, quatro anos depois, no início da campanha eleitoral”, disse.
 
A campanha do tucano entregou à imprensa também uma cópia das justificativas do Ministério Público de Minas Gerais para o arquivamento de uma investigação sobre a obra do aeroporto em fevereiro deste ano.
 
“A investigação é muito bem-vinda, mas quero dizer que, assim como aconteceu em inúmeras obras em Minas, nossos adversários sempre de forma anônima, na maioria das vezes, buscava que o MP fizesse investigação. Eu soube ontem que o MP investigou essa obra neste ano e arquivou esse processo porque não encontrou nenhuma ilegalidade.” Do site de O Globo
 
 
UM VIVEIRO DE PSICOPATAS
 
 
MEU COMENTÁRIO: O que não deixa de causar espécie é que essa história do aeroporto de Cláudio, cidade do interior de Minas Gerais, foi manchete da Folha de S. Paulo deste domingo, o que significa que a direção do jornal reputou como a matéria mais importante da edição.
 
 
Para um jornal que contrata como colunista o chefete do movimento sem teto do PT como articulista semanal, sabendo-se que esse elemento conduz a invasão de propriedades públicas e privadas em São Paulo, não é de admirar. 
 
 
Lamentavelmente tudo indica que a Folha de S. Paulo foi terceirizada pelo PT para produzir os famigerados "dossiês" contra a Oposição. 
 
 
A campanha eleitoral está apenas começando e desta feita o PT conta com os préstimos daquele que é considerado um dos principais jornais da grande mídia brasileira.
 
 
A propósito, a mesma Folha de S. Paulo, correu mais do que depressa para entrevistar uma das figuras mais asquerosas, mentirosas, um psicopata completo que esteve recentemente no Brasil. Refiro-me ao tiranete bolivariano do Equador, Rafael Correa, que dentre os seus maiores feitos como presidente daquela republiqueta foi instituir a censura à imprensa, depois de uma perseguição implacável contra os jornalistas, obrigando-os fugir do país.
 
 
A entrevista foi realizada pela jornalista Mônica Bérgamo, colunista da Folha, com o seguinte título: "Restauração conservadora ameaça ciclo progressista". De autoria dessa semovente, como dos demais semoventes da Folha, jamais se lerá uma linha de condenação à deletéria regulação da mídia, ou controle social da mídia, leia-se "censura", como deseja o Lula, o psicopata-mor, o chefete da horda de comunistas vagabundos que compõem o PT e o Foro de São Paulo.
 
Por aí se pode concluir que boa parte jornalistas brasileiros é a favor, pasmem, da censura à imprensa! Aliás a Fenaj e os todos os sindicatos de jornalistas do Brasil transformaram-se em departamentos do PT. 
 
 
Eles pretendem, inclusive, ser mais comunistas do que qualquer comunista que já apareceu na face na Terra!, afinal, são excrescências que brotaram sob o adubo dos cursos de jornalismo, locus que reúne o maior número de psicoptas e histéricos que já apareceu no meio universitário. 
 
 
É de lá que saem os profissionais com a missão do partido de montar dossiês contra a oposição democrática e dar voz a tiranetes criminosos como Rafael Correa, depois que conseguem infiltrar-se nas redações dos veículos de mídia.
 
Por tudo isso, é imperioso que o PT seja alijado do poder para sempre, já que a ciência demonstrou de forma cabal que a psicopatia é incurável e todos os petistas e esquerdistas de todos os gêneros são psicopatas. 
 
 
E as provas estão aí ao vivo e em cores. Até porque não estou revelando nenhuma novidade. A Folha de S. Paulo é o exemplo concreto, na verdade um viveiro de psicopatas. Todavia a direção da Folha de S. Paulo sabe muito bem que o dia em que tentarem impor a censura a esse jornal serei o primeiro a me levantar para defendê-lo, procedimento que tomarei em relação a qualquer veículo de mídia. 
 
 

Sponholz: O fim está próximo. Legado do PT será um monturo de lixo!

Brasil obtém permissão da ONU para explorar minério em fundo do oceano


Atualizado em  23 de julho, 2014 - 18:25 (Brasília) 21:25 GMT





Alto do Rio Grande (CPRM)
Área a ser explorada fica em águas internacionais, a 1.500km da costa do Rio de Janeiro


O Brasil foi autorizado por um braço da ONU a explorar recursos minerais em águas internacionais do oceano Atlântico, levantando tanto potenciais ganhos econômicos quanto preocupações ambientais.

Essa mineração submarina é considerada uma nova fronteira na busca por metais preciosos, como manganês, cobre e ouro, que se tornaram essenciais na economia mundial moderna.

A permissão foi concedida pela Autoridade Internacional de Fundos Marinhos (Isba), órgão vinculado à ONU, e confere ao país o direito de atuar por 15 anos em uma área de 3 mil quilômetros quadrados na região do Atlântico conhecida como Elevação do Rio Grande, localizada a cerca de 1,5 mil km do Rio de Janeiro.

O pedido foi feito em dezembro pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) em nome do Ministério de Minas e Energia, depois do investimento de R$ 90 milhões ao longo de quatro anos de estudos sobre o potencial geológico desta área.

Potencial econômico

O Brasil poderá estudar as chamadas crostas ferromanganesíferas ricas em cobalto em projetos de mineração submarina. Segundo os estudos realizados pela CPRM, esses depósitos foram identificados como os de maior potencial econômico e estratégico em levantamentos realizados em expedições a essa região.

"Nestes 15 anos, mapearemos o que existe lá e avaliaremos seu potencial econômico. Depois, podemos entrar com um novo pedido para explorar economicamente", afirma à BBC Brasil Roberto Ventura Santos, diretor de geologia e recursos minerais do CPRM.

"As possibilidades são interessantes, porque é uma região rica em elementos químicos usados na indústria, especialmente nas de alta de tecnologia, na produção de chips, peças de usinas eólicas e carros elétricos."

Santos afirma ainda que o Brasil ampliará seu conhecimento técnico sobre este tipo de mineração submarina, formará profissionais capacitados a trabalhar nesta área e criará tecnologia para tal.

"Somos o primeiro país da América Latina a conseguir essa permissão e, assim, entramos no seleto grupo de países que fazem este tipo de exploração, como Japão, Estados Unidos e China", diz Santos.

Novas permissões


Manganês no fundo do oceano (Reuters)
Reservas de metais no fundo do oceano são consderadas nova fronteira da mineração
Além do Brasil, a ONU concedeu outras seis novas permissões a empresas públicas e estatais do Reino Unido, Cingapura, Ilhas Cook, Índia, Alemanha e Rússia.

Com isso, a área total do leito oceânico liberada para exploração foi ampliada para 1,2 milhão de quilômetros quadrados, sob um total de 26 permissões de exploração científica.

A ONU ainda não conferiu nenhuma permissão de exploração econômica, conhecida como explotação, mas as primeiras devem ser concedidas nos próximos anos, segundo a Isba.

"Existe um interesse crescente", disse Michael Lodge, da Isba, à BBC. "A maioria dessas últimas permissões foi concedida a empresas que esperam minerar estas áreas em pouco tempo".

No entanto, ainda precisam ser negociadas as condições e regras dessa atividade econômica, como por exemplo a divisão de royalties, já que um dos princípios básicos da Isba é que as riquezas do fundo do oceano devem ser compartilhadas globalmente.


A exploração mineral do fundo oceano começou a ser investigada na década de 1960, mas só recentemente tornou-se possível graças a avanços tecnológicos – criados nas indústrias de petróleo e gás. Ao mesmo tempo, o preço destas matérias-primas aumentou, aumentando o potencial retorno econômico, o que viabilizou os investimentos necessários para obtê-las.

Impacto ambiental

No entanto, esse tipo de exploração não é vista com bons por grupos de defesa do meio ambiente, que alegam que a exploração pode trazer prejuízos para ecossistemas marinhos.

Um protocolo para minimizar o impacto ambiental ainda está sendo estudado.
O biólogo marinho Jon Copley, da Universidade de Southampton, vem monitorando a mineração nas chamadas dorsais oceânicas, nome dado às cadeias de montanhas submersas que se originam do afastamento de placas tectônicas.

"Cerca de 6.000km de dorsais oceânicas, ou 7,5% do total, são exploradas hoje por seu potencial mineral", afirma Copley.

"Essas dorsais são um dos três locais do fundo do oceano em que há depósitos mineirais que atraem o interesse de países e empresas. Mas também vivem nestes locais colônias de espécies que não são encontradas em outras partes do oceano e podem ser suscetíveis a impactos ambientais gerados pela mineração."

Santos, da CPRM, diz que isso será levado em conta no caso brasileiro: "Faremos um estudo de impacto ambiental junto com o de potencial econômico. Nosso pedido foi muito elogiado por causa disso".

Com reportagem de David Shukman, editor de ciência da BBC News, e Rafael Barifouse, repórter da BBC Brasil.

Médico que lidera luta contra o ebola em Serra Leoa contrai o vírus


Atualizado em  23 de julho, 2014 - 12:57 (Brasília) 15:57 GMT

Sheik Umar Khan (Arquivo/Reuters)
Sheik Umar Khan já teria tratado mais de cem vítimas do ebola em Serra Leoa


O médico que liderava a luta contra o ebola em Serra Leoa foi infectado pelo vírus da doença e está internado em um hospital na cidade de Kailahun, epicentro do surto, no leste do país.

Segundo uma declaração da presidência do país, o virologista de 39 anos Sheik Umar Khan foi transferido para uma enfermaria especial da organização não governamental Médicos Sem Fronteiras.
Khan já teria tratado mais de cem vítimas da doença no país.

A presidência de Serra Leoa informou que a ministra da Saúde, Miatta Kargbo, chorou quando ficou sabendo da notícia.

De acordo com a agência de notícias Reuters, a ministra chamou Khan de herói nacional e afirmou que fará "qualquer coisa e tudo em meu poder para garantir que ele sobreviva".

Greve

Os casos de ebola de Serra Leoa estão concentrados nos distritos de Kailahun e de Kenema, também no leste.

Segundo Umaru Fofana, correspondente da BBC na capital, Freetown, dezenas de enfermeiras do hospital público da cidade de Kenema, que trata todos os casos da doença do distrito, entraram em greve na segunda-feira depois da morte de três colegas, em casos suspeitos de ebola.

Mas a greve foi suspensa depois que o governo analisou as reivindicações das enfermeiras, que exigiam a transferência da enfermaria para tratamento dos doentes com ebola para outro hospital e que os Médicos Sem Fronteiras assumam as operações nesta enfermaria.

No último sábado a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que entre 632 casos de ebola que até então haviam resultado em mortes na África, 206 foram em Serra Leoa.

No total, o país havia registrado 442 casos da doença.
Na vizinha Guiné, foram 410 casos e 310 mortes. A Libéria registrou 196 casos e 116 mortes.

Pior surto

Este já está sendo considerado o pior surto de ebola já registrado.

O vírus mata cerca de 90% das pessoas infectadas, e o contágio acontece por contato direto com fluidos corporais, como sangue e secreções, de uma pessoa infectada. Não há vacina ou cura para a doença.

Mas se os pacientes receberem o tratamento logo no início da doença, têm mais chances de sobrevivência.

Os sintomas iniciais incluem fraqueza, dor muscular, dor de cabeça e de garganta, vermelhidão nos olhos. Posteriormente ocorrem vômitos, diarreia, coceiras e, em alguns casos, sangramentos.

O período de incubação do vírus do ebola varia entre dois e 21 dias, segundo a OMS.

Inimigo número 1 dos taxistas, aplicativo Uber vira caso de polícia





Atualizado em  23 de julho, 2014 - 14:41 (Brasília) 17:41 GMT


Protesto contra o Uber no Rio (Getty)
Por colocar passageiros em contato com motoristas particulares, o aplicativo Uber virou alvo de protestos 

Lançado nos Estados Unidos há cinco anos, o aplicativo de carona paga Uber chegou em maio ao Rio de Janeiro e, no mês seguinte, a São Paulo sem chamar muita atenção. Isso poderia ajudar a não despertar a polêmica criada em torno dele em outras cidades do mundo. Mas não adiantou e, além de enfrentar protestos de taxistas, o Uber virou caso de polícia.

O Uber coloca passageiros em contato com motoristas profissionais que cobram pelo trecho rodado. Mas, como taxistas detêm a exclusividade do transporte individual de passageiros, segundo uma lei federal de 2011, os motoristas do Uber não poderiam prestar este tipo de serviço. Por isso, o programa de celular foi considerado ilegal pelas Prefeituras do Rio e de São Paulo.
Na prática, o novo programa funciona como os aplicativos de táxi. O passageiro se cadastra e informa dados de cartão de crédito ou de uma conta PayPal, as formas de pagamento aceitas pelo serviço. Depois, diz onde está e pede um carro.

O motorista deve ter uma carteira profissional e um carro considerado "de luxo" lançado, no máximo, desde 2009. Também precisa atender a outros requisitos, como ter seguro do automóvel e seguro para o passageiro, além de não ter antecedentes criminais.

O valor da corrida é calculado pelo aplicativo e normalmente custa 30% a mais do que um táxi comum - o Uber fica com 20% do valor final. Há uma taxa fixa, acrescida de um valor por minuto e outro por quilômetro rodado, num sistema semelhante ao de taxímetros.

Por isso, o Uber entrou na mira dos taxistas. Segundo a lei federal nº 12.468, é privativa destes profissionais "a utilização de veículo automotor, próprio ou de terceiros, para o transporte público individual remunerado de passageiros, cuja capacidade será de, no máximo, sete passageiros".

Em junho, motoristas cariocas bloquearam ruas da cidade e se articulam para colocar em pauta na Câmara Municipal um projeto de lei que sirva para banir o Uber da cidade.

Covardia

Protestos contra o Uber no mundo (Getty/Reuters)
Taxistas americanos, britânicos e espanhóis já protestaram contra o serviço
"O que estão fazendo não é só exercício ilegal da profissão. É covardia", diz André Oliveira, da Associação de Assistência ao Motorista de Táxi do Brasil (AAMOTAB), que organizou o protesto.


"Não é carona. É serviço clandestino. Trabalham como taxistas sem autorização. O faturamento do táxi no exterior caiu até 40% com o Uber. Temos lutado muito pelo reconhecimento da profissão para uma empresa aparecer do nada e dizer que pode explorar a atividade."


A Prefeitura do Rio diz que só motoristas e carros cadastrados na prefeitura podem fazer esse tipo de transporte. A Secretaria Municipal de Transportes emitiu um ofício à Delegacia de Repressão de Crimes de Informática, que tem um inquérito em curso para investigar programas como o Uber.


A Prefeitura de São Paulo também é contra o serviço e informou por nota que o motorista "flagrado realizando uma atividade irregular terá seu veículo apreendido".

Como funciona o Uber?

Motorista do Uber (BBC Brasil)
Em duas viagens nesta semana, a BBC Brasil testou o serviço na cidade de São Paulo o serviço do Uber. Confira como foi essa experiência.
"Temos uma das melhores frotas da América Latina, com carros novos e profissionais qualificados. Por que não usar essa mão de obra?", diz Ricardo Auriemma, presidente da Associação das Empresas de Táxi de Frota de São Paulo (Adetax).
"Estamos em contato com associações de outros estados para impedir o Uber de operar no Brasil, seja com uma nova lei ou na Justiça."

O Uber não está surpreso com a reação, já que o mesmo ocorre em outras das 150 cidades de 41 países onde está presente.

Houve protestos em Londres, Paris, Berlim, Barcelona, Madri, Milão e Taipei. Também enfrenta problemas com autoridades em Bruxelas, Seul, Xangai e nos estados de Victoria, na Austrália, e Virginia, nos Estados Unidos.

"Não é incomum que uma indústria queira impedir a concorrência", diz Lane Kasselman, porta-voz do Uber, que argumenta não ser uma empresa de táxi, mas de tecnologia.

"Não temos carros ou motoristas contratados. Oferecemos uma plataforma que liga motoristas a passageiros. E a realidade é que passageiros estão insatisfeitos. Querem um serviço mais seguro e confiável."

Motorista sob demanda

Walter Junior (Aqruivo pessoal)
Walter Motta Junior deixou de pegar táxi depois de experimentar o Uber em São Paulo

O publicitário Walter Motta Junior, de 23 anos, tornou-se cliente fiel do Uber em São Paulo.

"Sem desmerecer nossos taxistas, mas o serviço do Uber é de outro nível. É como um motorista particular sob demanda”, afirma Motta Junior. “Nem penso mais em pegar táxi."

Os motoristas também dizem que o programa tem vantagens.

"Não circulo com dinheiro, então, tenho menos medo de ser assaltado", afirma Anderson Garcia, de 37 anos, que começou no Uber há duas semanas.

"Faço de quatro a cinco viagens por dia, o que já é bom. Mas a quantidade de serviço deve aumentar em breve."

Para Marco Aurélio Dória, de 34 anos, que estreou como motorista do Uber na última segunda-feira, a remuneração é melhor.

"Era motorista particular, mas os preços desse mercado caíram muito e deixou de valer a pena. Agora, tenho a chance de ganhar mais", afirma Dória.

"Também não daria para virar taxista, porque quem tem uma licença não quer vender e quem tem cobra muito caro por ela."
"O que estão fazendo não é só exercício ilegal da profissão. É covardia. Temos lutado muito pelo reconhecimento da profissão para uma empresa aparecer do nada e dizer que pode explorar a atividade."
André Oliveira, da Associação de Assistência ao Motorista de Táxi do Brasil (AAMOTAB)
Esta é uma reclamação comum, porque desde 2011 nenhuma nova licença de táxi é emitida no Rio ou em São Paulo. As prefeituras dizem que não o fazem porque as cidades têm táxis suficientes. 


São 34 mil em São Paulo (um para cada 285 habitantes) e 33 mil no Rio (um para cada 195 habitantes). A única forma de obter uma licença é por meio de uma doação de um antigo dono, mas não é o que acontece na prática.


O Ministério Público Estadual de São Paulo move, desde 2011, um processo contra a Prefeitura da capital em que aponta que o sistema municipal de licenças de táxis viola o artigo 185 da Constituição Federal, o qual exige que todos os serviços públicos sejam licitados.

No entanto, diz o MPE, o que ocorre é a venda ilegal dos alvarás, por valores que chegam a R$ 140 mil e podem triplicar em pontos mais cobiçados, como aeroportos. Também há denúncias de que pessoas detêm múltiplos alvarás e os alugam, fazendo da licença uma fonte de renda equivalente à de um imóvel.

"A saída seria alugar um táxi por dia e começar a rodar já no prejuízo”, diz o motorista Dória, que desistiu de tentar ser taxista. "Com o Uber, não preciso correr por aí para pegar o máximo de passageiros e compensar o aluguel."

Novas leis

Uber (Getty)
Lançado há cinco anos, o aplicativo Uber já opera em 150 cidades de 41 países
O Uber conta com o apoio de motoristas e passageiros para vencer a resistência encontrada nas cidades onde opera.

"Quando os políticos ouvem o público e veem o impacto positivo gerado pelo serviço, eles nos apoiam para mudar as leis", diz Kasselman, do Uber.

A empresa vem obtendo vitórias. Os estados americanos do Colorado e da Califórnia mudaram as regras para permitir a operação do Uber, assim como as cidades de Washington e Seattle.

Em Londres, o departamento de transportes disse que não pode impedi-lo de operar porque o aplicativo não é um taxímetro e deixou a decisão final para a Justiça, que se pronunciará em agosto.

Em Toronto, no Canadá, o prefeito rejeitou leis mais duras para este tipo de serviço por não querer "impedir a competição".

Larry Downes, diretor de projetos no Centro de Negócios e Políticas Públicas da escola de negócios da Universidade Georgetown, acredita que a batalha está perdida para taxistas e políticos, mesmo que o Uber viole leis existentes.
"Os protestos não são uma surpresa, porque é comum que uma indústria queira impedir a concorrência. Mas, quando os políticos vêm o impacto positivo gerado pelo serviço, eles nos apoiam para mudar as leis."
Lane Kasselman, porta-voz do Uber
"Isso é comum em mercados como os de táxi, energia ou água, porque as leis são antigas. Foram criadas porque o consumidor não tinha poder de barganha e, assim, o Estado pode agir em nome do público", afirma Downes. "Mas, hoje, os aplicativos e redes sociais permitem que o passageiro avalie o serviço e exerça este tipo de controle de forma mais eficiente."

Em Big Bang Disruption: strategy in the age of devastating innovation (Ruptura Big Bang: estratégia na era da inovação devastadora, numa tradução livre; 2014), Downes analisou os conflitos gerados por novas tecnologias em 30 indústrias e diz que "a nova tecnologia sempre ganha". 

"Integrantes de mercados muito regulados e políticos têm um relacionamento forte e trabalham para manter tudo como está, mesmo que seja ruim para os consumidores. Foi assim com a música digital e videocassetes", diz Downes.

"Mas os consumidores descobrem que a vida pode ser melhor e pressionam por mudanças. Os taxistas podem usar a Justiça para impedir o Uber de funcionar, mas isso não funciona no longo prazo."