segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A utilidade do voto-Merval Pereira.

Entramos num momento delicado da campanha eleitoral, em que a tendência majoritária do cidadão comum parece ver em Marina Silva a sua representante para a tão almejada mudança de hábitos e costumes nacionais, que começa necessariamente pela maneira de fazer política.

Mesmo contestada, com contraditórias posições que a fazem transitar pela velha política como se estivesse fazendo algo de novo, Marina traz consigo símbolos e promessas que apontam para novos caminhos, mesmo que ainda desconhecidos. E quem disse que a inquietação da sociedade requer caminhos seguros?


Talvez a vantagem de Marina sobre seus adversários seja mesmo ser uma incógnita, pois o que é conhecido no mundo da política está sendo francamente rejeitado pelo eleitorado. Tornou-se comum a afirmação de que a presidente Dilma é a garantia de mais quatro anos de retrocessos no país, enquanto Marina é uma incógnita, para o bem ou para o mal.


O jornalista Fernando Rodrigues atribuiu ao ex-ministro José Dirceu a afirmação de que Marina seria um Lula de saias, o que depois foi desmentido, afirmação e desmentido sempre através de interpostas pessoas, pois Dirceu, como condenado, não poderia dar entrevistas. De qualquer maneira, a comparação tem sua dose de verdade, embora não seja politicamente positiva para seu grupo político, e por isso foi desmentida.


Em 2002, Lula recebeu votos de pessoas que nunca haviam votado nele ou no PT, simplesmente por que queriam mudar as coisas no país e ele encarnava, na sua quarta tentativa, a mudança na política. O PT ainda tinha a imagem de ser um partido ético, que poderia mudar a maneira de fazer política, justamente o que Marina propõe hoje com a "nova política".


Mas exatamente por ser uma incógnita, seria prudente que não se desse a ela um cheque em branco. Mais ainda. A "nova política" surfa uma onda de antipolítica, chega à liderança da disputa presidencial sem estrutura partidária sólida nem apoios institucionais de peso, o que coloca Marina acima das necessidades de negociação que são inerentes à relação com o Congresso. 


E é isso que a maioria quer, sem se dar conta de que o que acontece no país no momento é uma distorção do que seja a negociação política, que necessita de uma restauração, não da sua negação.

Se vencer no primeiro turno, como passou a ser visto como possível devido à sua ascensão vertiginosa nas pesquisas eleitorais, Marina estaria respaldada pelas urnas para levar adiante as reformas de que o país necessita, mas estaria também perigosamente tentada a exercer o seu messianismo, ainda mais da maneira como chegou à disputa, trazida pela "providência divina" depois que seus inimigos da política fizeram "o diabo" para impedi-la de concorrer, provavelmente já antevendo o que está acontecendo agora.


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso venceu as duas eleições presidenciais que disputou no primeiro turno, derrotando Lula. Mas procurou um acordo eleitoral anterior com o PFL, o que parecia desnecessário pela força do Plano Real mas mostrou-se imprescindível para governar.


Nas duas vezes, o então candidato do PT ficou no piso da votação do seu partido - 27,04% em 1994 e 31,71% em 1998 -, o que pode acontecer perfeitamente com a presidente Dilma desta vez. Os terceiros colocados tiveram naquelas disputas 7,38% (Enéas em 1994) e 10,97% (Ciro Gomes em 1998).


O candidato do PSDB Aécio Neves, atualmente com 15% das intenções de voto pelo Datafolha, tem uma estrutura partidária maior e apoios regionais que poderiam até mesmo levá-lo à vitória em situação normal, e condições ainda de chegar a um segundo turno caso Marina por alguma razão tenha sua candidatura abalada nesses últimos 30 dias de campanha.


O mais provável, porém, é que o PSDB se coloque como um importante partícipe desse novo jogo num segundo turno entre a presidente Dilma e Marina, mas para tanto a votação em Aécio Neves não pode desidratar a ponto de permitir uma vitória de Marina no primeiro turno.


O voto útil em Marina, para garanti-la no segundo turno ou forçar uma derrota do PT já no primeiro, pode ser um tiro no pé nos eleitores que temem Marina presidente mas não querem Dilma reeleita. Nesse caso, fortalecer a votação do terceiro colocado é impor uma negociação política que demarcará um provável governo Marina.

Skaf encontra Dilma no ‘palanque de ninguém’



Josias de Souza


Paulo Skaf tornou-se um candidato divertido. O eleitor pode brincar com a hipocrisia dele como quem brinca de roleta russa, na certeza de que a (i)lógica que Skaf manipula está completamente descarregada.
Representante do PMDB na corrida pelo governo de São Paulo, Skaf dissera que não subiria em palanque com a petista Dilma Rousseff. Neste sábado, subiu, sob pressão do peemedebista Michel Temer, vice de Dilma.
Skaf recusava-se a pronunciar o nome de Dilma. Instado a revelar o voto para presidente, dizia que votaria em Temer. Ao discursar na presença da presidente, viu-se compelido a chamá-la pelo nome: “Bom dia, presidente Dilma.” Alvíssaras!
Espremido novamente pelos repórteres, Skaf declarou: “Aqui não é palanque de ninguém. Não é um evento da candidatura da presidente Dilma Rousseff e não é um evento da nossa candidatura. Não estou aqui para estar em palanque de ninguém.''

Quer dizer: Skaf escalou um palanque fantasma, num não-evento convocado pelo PMDB para não apoiar a chapa Dilma-Temer. Discursou sobre o oco do vazio para uma plateia que desperdiçou um naco do seu sábado defronte de um palanque de ninguém.

Skaf chegou cedo ao não-evento. Absteve-se de compor o grupo que recepcionou Dilma. E foi embora antes do discurso dela. Não adiantou. Foi aprisionado em fotos ao lado da companhia tóxica. Pior: ganhou a internet no site oficial da campanha de sua não-aliada. Divertido, muito divertido, divertidíssimo!

Principal cabo eleitoral de Marina é o saco cheio da ilicitocracia enrolada na bandeira da moralidade.


Josias de Souza

O ‘Plano A’ era declarar guerra à elite branca do PSDB, fingir que a ruína econômica tem causas externas, pintar o país de rosa na propaganda eleitoral e conquistar mais quatro anos de Poder. O ‘Plano B’ era, era, era… Não havia um ‘Plano B’. O generalato do PT não tinha considerado a hipótese de o ‘Plano A’ dar errado. Ninguém podia imaginar que a morte de Eduardo Campos ressuscitaria a cafuza Marina Silva.
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Campanha presidencial 2014 

31.ago.2014 - O candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves (PSDB), chuta a bola durante uma partida de futebol promovida por sua campanha, na zona oeste do Rio de Janeiro, neste domingo (31). No jogo, Aécio recebeu amigos e apoiadores de sua candidatura, como Zico, Dadá Maravilha, Bebeto, Claudio Adão e outros ex-craques do futebol ERBS Jr./Frame/Agência O Globo
 
 
Agora, Dilma Rousseff e seus operadores buscam uma saída que os redima do fiasco. 


Neste sábado, num comício organizado pelo PMDB, Dilma adotou um ‘Plano B’ que seu vice, Michel Temer, improvisara em cima da perna. “Numa democracia, quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo”, disse a ex-favorita, ecoando um discurso que o vice fizera na véspera, em Porto Alegre. “Não existe um único lugar em que haja regime democrático e que não haja partido.”


Nessa formulação, Marina e sua promessa de governar com “as melhores pessoas” da República seria uma ameaça à normalidade democrática. “As pessoas não podem ser colocadas acima das instituições”, disse Temer, no pronunciamento que inspirou Dilma. “Quando isso aconteceu no mundo, nós fomos para o autoritarismo. Nós temos exemplos dramáticos no mundo, não quero nem mencioná-los!”


A nova estratégia evidencia o desnorteio do conglomerado governista. O que fez de Marina uma alternativa real de poder foi justamente a insuportável normalidade que permeia a democracia brasileira. Oito em cada dez eleitores desejam que o próximo presidente adote providências diferentes das atuais, informa o Datafolha. Ou, por outra: 79% do eleitorado acha que algo de anormal precisa suceder. Sob pena de passar por natural o que é absurdo.


Quem quiser compreender o que está acontecendo deve levar em conta o seguinte: os últimos presidentes brasileiros —FHC, Lula e Dilma— foram prisioneiros de um paradoxo: prometeram o avanço sem chutar o atraso. 


 Pregaram o novo abraçados ao velho. Presidiram a ilicitocracia enrolados na bandeira da moralidade. E terminaram confundindo a plateia. Uma parte acha que são cínicos. A outra avalia que são cúmplices.


Hoje, os quase 80% que estão sedentos por mudança dividem-se em dois grupos. Os que duvidam de tudo enxergam os últimos presidentes como cínicos. Os que não duvidam de mais nada os vêem como cúmplices. As duas alas se juntam na percepção de que, à margem dos avanços econômicos e sociais, proliferou um sistema político-partidário caótico, um mal cada dia menos necessário.


Aos olhos de muita gente, o PT virou um projeto político que saiu pelo ladrão. O PMDB e seus congêneres tornaram-se organizações partidárias com fins lucrativos, todas elas financiadas pelo déficit público. E o PSDB é a mesma esculhambação, só que com doutorado na USP. Se a economia vai bem, o acúmulo de fraudes é tolerado. Se a inflação aperta, a roubalheiras salta às retinas.


Num Brasil remoto, a análise política exigia meia dúzia de raciocínios transcendentes. Era necessário decidir se o pragmatismo do PSDB seria melhor do que o puritanismo do PT, se a social-democracia responderia às dúvidas do socialismo, se a ética da responsabilidade prevaleceria sobre a ética da convicção… Hoje, a coisa é bem mais simples.


Karl Marx e Max Weber tornaram-se descartáveis. Falidas as ideologias, o templo da política abriga uma congregação de homens de bens. Vigora no Executivo, no Legistivo e, por vezes, até no Judiciário a lógica do negócio. Tudo se subordina a ela, inclusive os escrúpulos. A integridade dos ovos não vale mais nada. Importa apenas o proveito do omelete.


Já nem é preciso varrer as cascas para debaixo do tapete. A generalização da desfaçatez, hoje espraiada da Esplanada à Petrobras, tornou a anomalia normal. Tudo parecia tranquilo nessa democracia anestesiada até que as ruas decidiram roncar em junho de 2013. Ao despencar do olimpo das pesquisas, Dilma virou uma espécie de porta-voz do asfalto.


O que os manifestantes querem é o mesmo que o governo deseja, disse ela na época. 


“O meu governo está ouvindo essas vozes pela mudança. Está empenhado e comprometido com a transformação social”, declarou, antes de acrescentar que passeata é uma coisa normal, que ela mesma já participou de muitas.


Por muito pouco Dilma não jogou uma mochila nas costas e foi à Avenida Paulista cobrar a melhoria dos serviços públicos, ao lado de herois da resistência como Sarney e Renan. “Essa mensagem direta das ruas contempla o valor intrínseco da democracia”, ela festejou. “Essa mensagem é de repúdio à corrupção e ao uso indevido de dinheiro público.”

Candidata de um partido cuja cúpula se encontra na cadeia, Dilma soou esquisito. Não se deu conta de que o excesso de cadáveres políticos dera origem a um defunto mais, digamos, ilustre: o próprio PT. Morreu também o pobre. De suicídio. E, suprema desgraça, não foi para o céu. A ex-petista Marina Silva é o purgatório do ex-PT. Ela se tornou uma espécie de repositório do ‘voto saco cheio’.


É nesse estágio que o país se encontra agora. De saco cheio das alianças espúrias e da tolerância presidencial para com os maus hábitos. De saco cheio da teia de chantagens e exigências feitas em nome da pseudo-governabilidade. De saco cheio do mês que dura sempre mais do que o salário. De saco cheio de tudo isso que está aí.


Ao dizerem que ninguém governa sem os partidos, Dilma e Temer tentam aproximar Marina Silva da figura de Fernando Collor, a “nova política” que terminou em impeachment. O problema é que, tomada pela biografia, ela está mais para Lula, em sua versão 2002, do que para caçadora de marajás. Com uma diferença: foi digerida pelo mercado sem precisar assinar nenhuma carta aos brasileiros.


Para se manter no topo das pesquisas até outubro, Marina talvez não precise fazer nada além de desviar dos laranjas do jato de Eduardo Campos e cuidar das suas boas maneiras. 


Prevalecendo a bordo do PSB e de sua coligação diminuta, chegaria ao Planalto sem dever nada a ninguém, exceto aos donos dos votos. Diz-se que pode terminar em desastre.

Mas o eleitor, de saco cheio, parece cada dia mais disposto a assumir o risco de, no mínimo, cometer um erro diferente.

Aliados culpam Dilma por dificuldades eleitorais



Josias de Souza





Um cacique do pedaço do PMDB ainda leal ao governo diz que ficou muito fácil reconhecer em qualquer roda um político da coligação encabeçada por Dilma Rousseff. 

É o que estiver falando mal de Dilma, ele explica.  


As críticas aumentam na proporção direta da elevação do risco de derrota.

Por enquanto, o burburinho soa apenas atrás das portas. Na pior hipótese, Dilma terá tinta na caneta até 31 de dezembro, explica um membro do diretório nacional do PT. Mas, confirmando-se a derrota, petistas e aliados culparão Dilma quando puderem falar sobre 2014 sem medo de perder cargos, verbas e privilégios.

Levada no embrulho do desejo de mudança que as pesquisas farejam, Dilma é bombardeada até por seu estilo. Tornou-se mais difícil encontrar um apologista da presidente disposto a repetir a teoria da “firmeza” —aquela segundo a qual Dilma lida mal com questionamentos porque tem convicções sólidas.

No atacado, seus críticos a acusam de autossuficiência, teimosia e inépcia. Ela só chama os partidos que a apoiam para conversar na hora que o calo lhe aperta, afirma um senador governista. A conversa não flui, ele realça. O diálogo só é considerado bom quando ela obriga o interlocutor a calar a boca.


O senador resume: os empresários não confiam na Dilma, os políticos a detestam e os ministros têm medo dela. Quem desconfia não investe. Quem odeia não faz campanha. E quem teme só diz ‘sim senhora’! Como resultado, tem-se a combinação de PIB baixo com inflação alta, desânimo político e inação.

Curiosamente, os governistas isentam Lula de responsabilidade. Foi graças ao apoio dele que Dilma amanheceu um belo dia presidente. Mas os críticos da afilhada alegam que ela está em apuros porque fez ouvidos moucos para os pitacos do padrinho. Nessa versão, Lula engrossa, em privado, a sinfonia de críticas.

Confirmando-se o pior, Dilma será apresentada à adaptação de um velho axioma da política. Diz-se que a vitória tem muitos pais, mas a derrota é órfã. No caso de Dilma, o eventual insucesso virá acompanhado de uma subversão da máxima. Confirmando-se o pior —ou melhor, conforme o ponto de vista— Dilma será vista por seus pseudo-apoiadores como pai e mãe da própria derrota.

DF: Debates, impugnação e promessas





A pouco mais de um mês para os eleitores brasilienses comparecerem às urnas para escolher os candidatos de sua preferência, que será no dia 5 de outubro. O cenário no DF permanece indefinido. A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeitou a candidatura de José Roberto Arruda (PR) às eleições deixa a população em dúvida sobre o destino do candidato. Arruda lidera as pesquisas de intenção de voto no DF e os advogados dele dizem que vão recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele possa continuar na disputa e, se eleito, tenha o direito de tomar posse. Não há prazo para que o STF analise o recurso e existe a possibilidade de que o processo seja avaliado depois do dia do pleito. Foto: Paula Fróes.

 
O candidato Agnelo Queiroz apresentou medidas para o setor da construção civil
 
Mesmo com a decisão, Arruda pode continuar com a campanha eleitoral normalmente. Ele alega que continua na disputa ao Governo do DF, e como os outros candidatos, participa de debates e faz corpo a corpo nas regiões administrativas do DF. Foto: Roberto Rodrigues...
 
Com uma semana agitada, eles adotaram um tom mais ácido no segundo debate televisivo. Dessa vez realizado pelo SBT em parceria com a Folha de S. Paulo e o portal UOL. Este, pôde ser considerado o confronto, até o momento, em que os candidatos mais se alfinetaram. Entre os momentos marcantes, o concorrente Toninho do PSOL avaliou a postura de Luiz Pitiman (PSDB) e afirmou que ele presta papel de “linha auxiliar” do candidato Arruda. “O candidato Toninho do PSOL continua na mesma. Não tem propostas para apresentar e prefere fazer acusações sem propósito algum”, rebateu Pitiman. Arruda também se pronunciou sobre a acusação do opositor e disse que as pessoas o perguntam se Toninho só sabe o atacar. “Ele mostra para todos que não tem conteúdo. O objetivo dele é apenas fazer acusações”, disse.
 
Também logo no início do debate, Toninho disse a Arruda que traçaria seu perfil, falando como psicólogo. “Você tem uma personalidade de dissimulação. É grave o que ocorreu com você, condenado em segunda instância”, disse. O candidato não poupou o adversário com a resposta. “Vou falar como engenheiro. Te falta estrutura para discutir o futuro de Brasília. Vamos aproveitar para discutir.  Cada um tem sua consciência e cuida de si”, respondeu Arruda no mesmo tom. 
 
Outro momento polêmico foi quando Arruda explicava sobre o golpe que afirma ter sofrido. Ele atribui isso com um suposto envolvimento do PT. “Existe uma ação do Ministério Público em que sou colocado como vítima de chantagem”. Agnelo comentou a afirmação do candidato do PR e disse ser a terceira versão que ele conta. “Primeiro teria sido o partido dele, o DEM, depois o Roriz, depois fui eu. Golpe é comprar apoio de deputado”. Arruda aproveitou para afirmar que Agnelo Queiroz (PT) responde a cinco processos no STJ. 
 
Universidade promove debate
 
Arruda: ''Enquanto tiver chances de recurso. Eu me mantenho candidato!''
Apenas três, Rodrigo Rollemberg (PSB), Toninho e Perci Marrar (PCO), dos seis candidatos ao Governo participaram, na quinta-feira (28), de um debate promovido pelos centros acadêmicos de ciências políticas e de gestão políticas públicas da Universidade de Brasília (UnB). No debate, Toninho destacou o combate à opressão e à desigualdade. “O direito à vida, o respeito à opinião alheia e o direito à cidadania LGBT, dos movimentos feministas e dos demais meios sociais devem ser resguardados pelos governantes”. Já Perci defendeu o fim do vestibular. E Rollemberg avaliou a política e disse que deve funcionar como um instrumento de transformação.
 
Perci defendeu ainda a legalização de todas as drogas ilícitas. Para ela, a medida é necessária  para possibilitar o combate ao tráfico pelo Estado.,
 
José Roberto Arruda tem candidatura cassada
A semana não começou fácil para o candidato José Roberto Arruda. A maioria dos ministros do TSE rejeitou o registro de sua candidatura. Os ministros decidiram manter decisão do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF), que negou o registro com base na Lei da Ficha Limpa, norma que impede a candidatura de condenados pela segunda instância da Justiça. A sessão foi suspensa e deve ser retomada na próxima semana com o voto do presidente do tribunal, Dias Toffoli.
 
O ministro Gilmar Mendes foi o único que votou a favor do recurso por defender a jurisprudência do TSE, cuja definição é que as condições de elegibilidade são aferidas no momento da apresentação do registro, momento no qual Arruda não tinha sido condenado. Segundo o ministro, a regra serve para evitar casuísmos políticos e a manipulação da pauta de julgamento para condenar políticos. Mesmo após a decisão, Arruda garantiu que se mantém na disputa e que irá recorrer ao STF para obter seu registro. “Só não tem jeito pra morte. Enquanto temos chances de recurso, por mais difícil que seja, eu me mantenho na luta. Eu me mantenho candidato!”, disse.
 
A revista Época, instantes antes do julgamento de Arruda, divulgou dois vídeos do candidato afirmando ter “90% de certeza” de que conseguirá o registro nos tribunais e que “está fazendo de tudo” para conseguir os votos. “É mais difícil conseguir quatro votos (no TSE) do que um milhão de votos (para governador)”, disse José Roberto Arruda. As gravações estão em poder do Ministério Público. A gravação registra uma reunião entre o ex-governador e correligionários de Joaquim Roriz, na casa do advogado Eri Varela, conselheiro de Roriz, em Brasília. Filmado no dia 21 de agosto, duas câmeras filmaram a mesma cena em ângulos distintos.
 
Na quinta-feira (28), o  procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot, pediu ao TSE que impeça ele de continuar com a campanha.
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Fonte: Jornal da Comunidade - 31/08/2014 - - 01:14:30
Blog do SOMBRA

Maria Alice Setubal: "O que o PT faz hoje é de esquerda? Não sei "




A socióloga que coordena o programa de governo de Marina diz que Fernando Henrique está à frente do PSDB e que Lula pensa a política de um jeito antiquado.


Entre os principais colaboradores de Marina Silva, a candidata do PSB à Presidência, nenhum ganhou tanta visibilidade nos últimos dias quanto a socióloga Maria Alice Setubal, conhecida como Neca.

  Amiga de Marina, indicada por ela para coordenar o programa de governo de sua coligação, Maria Alice, de 63 anos, virou alvo preferencial dos ataques de outros candidatos, por ser filha do banqueiro Olavo Setubal, um dos maiores acionistas do banco Itaú, morto em 2008. 


Casada pela segunda vez, com o empresário Paulo Almeida Prado, dono do hotel Fazenda Capoava, em Itu, no interior de São Paulo, com três filhos do primeiro casamento,  Maria Alice se dedica hoje, praticamente em tempo integral, ao mundo da política e à campanha eleitoral.  


Nesta entrevista, ela fala de sua ligação com Marina, de sua atuação política e do preconceito que sofreu por ter nascido em família rica e viver em redutos da esquerda. “Tenho orgulho de minha família e entendo que minha origem seja importante, mas não faz sentido reduzir meu currículo a isso”, diz.
 
ÉPOCA –  No debate da Band na semana passada, alguns  candidatos a chamaram de “banqueira” e “herdeira do Itaú”. Também atribuíram à senhora a proposta de conceder autonomia ao Banco Central, encampada por Marina. Como a senhora reage a isso? ...
 
Maria Alice Setubal – Sou parte da família, sou acionista. Sempre tive um ótimo relacionamento com eles e tenho orgulho de meu pai (Olavo Setubal, responsável pelo grande salto do banco, nos anos 1960 e 1970) e de meu irmão Roberto (atual presidente do Itaú Unibanco), padrinho do meu filho mais velho. Mas nunca ocupei nenhum cargo no banco. Entendo que seja importante e que tenha de responder por isso, mas minha atuação sempre foi nas áreas de educação e social. Acho uma pena que seja assim, reduzir meu currículo a isso. Tenho uma história, uma legitimidade e, hoje, tenho muito mais segurança e tranquilidade para lidar com essa questão.
 
ÉPOCA –  Como foi sua aproximação com Marina?


Maria Alice – Foi uma descoberta, em 2009. Marina me encantou. Eu a conheci por meio do Movimento Brasil Sustentável, que a apoiava. Era um grupo que já conhecia havia anos, de que faziam parte os empresários Guilherme Leal (um dos fundadores da Natura e candidato a vice-presidente de Marina em 2010), meu amigo desde a adolescência, Oded Grajew (um dos fundadores do Movimento Nacional das Bases Empresariais, o PNBE, em 1989, e ex-presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos, a Abrinq) e Ricardo Young (vereador do PPS em São Paulo, ex-presidente do Instituto Ethos e também ex-integrante do PNBE). Era um grupo muito confiável. Guilherme me perguntou se eu não queria ajudar na campanha na área da educação, e eu fui. Fui assistir a uma palestra de Marina em São Paulo e fiquei encantada.
 
ÉPOCA – Hoje, além do forte vínculo político, a senhora e Marina dizem que são muito amigas. Que amizade é essa? Vão ao cinema juntas, saem para jantar juntas com os maridos?


Maria Alice –  Não, porque o marido dela mora no Acre, e ela está com apartamento em São Paulo, como Eduardo (Campos) estava, e Brasília. Está praticamente sediada em São Paulo hoje. Meu marido  mora na fazenda, em Itu, no interior de São Paulo. Fábio (marido de Marina) ainda não esteve lá, mas Marina já foi duas vezes à fazenda, conhece o Paulo (marido de Maria Alice), e ele gosta muito dela. Não vamos ao cinema juntas, mas falamos muito ao telefone.
 
ÉPOCA – Marina liga de madrugada?

Maria Alice – Ela não é o (José) Serra (ex-governador de São Paulo), mas a gente se fala cedo, de noite...
 
ÉPOCA – Dizem que sua influência com Marina é tão grande que, no debate, a senhora avisou para ela tirar os óculos. Como foi isso?

Maria Alice – Os óculos eram meus. Temos o mesmo grau. Logo que começou o debate, veio uma enxurrada de mensagens pelo celular, pedindo para ela tirar os óculos. Era uma armação grande, vermelha, e ela estava olhando por cima. Não dava para ver o olho – e ela tem um olhar firme. Achei engraçado que um dos comentários era de um dos meus filhos: “Mãe, ela está ótima. Está indo muito bem, mas o que são esses óculos bizarros?”.


ÉPOCA – Como Marina decide?


Maria Alice – Ela escuta muito. Sempre se diz que ela é intolerante, intransigente e não dialoga. Mas ela escuta as pessoas. Isso não quer dizer que ela seja alguém que demore séculos para tomar uma decisão. Como você viu nos debates, ela é uma pessoa que toma decisão de bate-pronto. Tem convicções firmes, e isso às vezes é confundido com intransigência, mas não é.
 
ÉPOCA – Qual sua opinião sobre Lula e Fernando Henrique?


Maria Alice – Admiro ambos. Fernando Henrique está muito à frente do PSDB. Ele compreende mais que qualquer outro do partido os movimentos de junho e o que se passa no mundo. Entende a Marina, tem um ótimo diálogo com ela. Lula também admiro muitíssimo, a história de vida dele. Acho que ele fez o Brasil mudar. Claro que o PSDB abriu o caminho com Fernando Henrique, com a estabilidade econômica. Se não fosse isso, Lula não teria conseguido fazer o que fez. Hoje, se a gente avaliar pela área social, onde mais milito, o Brasil é outro mundo. Só que Lula continua com o mesmo discurso de 2010. Não percebeu que o mundo mudou, e o Brasil também. Lula ainda pensa a política por meio das grandes estruturas, que são as estruturas sindicais, político-partidárias. Não consegue perceber que há algo maior hoje, embora ainda seja difuso. São essas figuras difusas que votam na Marina. As pessoas não querem mais ficar submissas aos partidos, aos sindicatos, às ONGs.
 
ÉPOCA –  O que a senhora pensa da presidente Dilma?
 
Maria Alice – Dilma é o oposto de Marina. Ela não ouve. Agora, é uma pessoa íntegra, que acredita na causa. Tem um compromisso com o país – dentro do modelo dela, do qual discordo – e é centralizadora.


ÉPOCA –  Como começou sua atividade política?


Maria Alice – Nunca havia me filiado a um partido. Nos anos 1970, na época da faculdade, participei de algumas reuniões do MDB, mas nunca me filiei. Nunca votei num candidato por causa de partido. Votei várias vezes em candidatos do PT, várias vezes no Lula. Luiza Erundina (ex-prefeita de São Paulo, deputada federal pelo PSB e coordenadora da atual campanha de Marina) também era uma candidata minha. Eventualmente, votei também em candidatos do PSDB. Meus filhos falam: “Mãe, para você só a Marina, mesmo”, porque eu já havia tido outros convites, mas nunca havia aceitado nenhum.


ÉPOCA – A senhora se considera de esquerda?


Maria Alice – Tenho um compromisso com a justiça social, com a sustentabilidade, com a liberdade, a democracia. Agora, se isso é ser de esquerda ou direita, não sei. Ser de esquerda é o que o PT faz hoje? Não sei.
 
ÉPOCA – A senhora já defendeu a cobrança de impostos sobre grandes fortunas. Ainda mantém essa posição?


Maria Alice – Falo do ponto de vista pessoal, porque não faz parte do programa de governo da Marina. É algo importante, que o Brasil deveria ter, como os Estados Unidos e países da Europa. Isso não trará mais recursos para educação, saúde, mas tem um simbolismo importante. Sei que isso é controverso e fará com que muitas pessoas levem seus recursos para fora, como acontece na França hoje, mas dará um sinal importante à sociedade.


ÉPOCA – A senhora vem de uma família de acionistas do banco Itaú e estudou ciências sociais na USP,  um dos principais polos da esquerda do país. Como era viver nesses dois mundos?


Maria Alice – Entrei na USP em 1970, no auge da repressão. Meu pai (o banqueiro Olavo Setubal) ainda não era prefeito de São Paulo. Só foi prefeito cinco anos depois, quando eu estava no mestrado. Era muito difícil para mim, uma relação muito ambígua de conseguir lidar, naquela época. Sempre tinha a sensação de que deveria ter a palavra mais radical possível, para poder ser aceita, para contrabalançar. Paulo, meu irmão, que estudava engenharia na FEI, queria que meu pai me proibisse de ir para a USP, dizia que era um antro de comunistas, mas ele respeitava muito o meu jeito de ser. Ele tinha muito orgulho,  incentivava e queria ver os textos que eu lia, os estudos do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) de José Arthur Giannotti, de Octavio Ianni. Era uma forma também de ele saber o que eles estavam pensando. A vida inteira meu pai, enquanto ele estava bem, convidava para almoçar lá no banco vários petistas, deputados, senadores. Ele gostava de conhecer as opiniões. Me lembro de vê-lo lá com o (economista do PT) Paul Singer, a Marta Suplicy (atual ministra da Cultura, do PT). 
 
ÉPOCA – Se Marina for eleita, a senhora trabalhará no governo?
Maria Alice – A gente nunca conversou sobre isso. Só sei que estarei com ela. Como? Do jeito que ela achar melhor.

Fonte: Por JOSÉ FUCS, revista Época - 31/08/2014 - - 11:32:17
 
BLOG do SOMBRA

Eleições: Dias decisivos para a disputa no DF






Flávia, ao lado de Arruda: Escolha pela mulher do ex-governador pode ser a mais acertada,de acordo com aliados.
 
Em breve, o presidente do TSE, Dias Toffoli, despachará pedido do Ministério Público de suspensão da campanha de Arruda. Com as sucessivas derrotas na Justiça Eleitoral, aliados do ex-governador já pensam em nomes para substitui-lo na chapa...
 
A campanha do ex-governador José Roberto Arruda (PR) para tentar voltar ao Palácio do Buriti entra em momentos decisivos a partir dos próximos dias. Restam duas semanas para que a coligação possa tomar a decisão de substituir o cabeça da chapa ou mantê-lo no páreo, sob o risco de ficar sem candidato nas próximas eleições. A data de 15 de setembro é considerada o marco temporal para mudanças porque, a partir daí, encerra-se a possibilidade de alterações. Ainda que Arruda adote um discurso otimista, o grupo mais próximo de aliados começa a analisar qual é o candidato mais viável num plano B (ver quadro). 
 
Sexta-feira, 29 de agosto, Setor Sul do Gama. A tarde chega ao fim e cerca de 300 pessoas — a maioria vestindo camisetas ou balançando bandeiras verdes — se acotovelam para ouvir Arruda falar. Ele repete um discurso que vem fazendo desde o início da campanha e, principalmente, nos últimos dias, desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu o registro de sua candidatura. “Não sou covarde, não sou frouxo. Se fosse, não tinha chegado até aqui. Não está sendo fácil, reconheço, mas vou até o fim. Eu não desistirei”, discursa. As pessoas aplaudem e gritam, incentivando o ex-governador.
 
Entre os aliados de Arruda, a avaliação é de que ele está determinado a continuar. Isso, aliás, é motivo de preocupação. Afinal, se ele ultrapassar a data decisiva de 15 de setembro na cabeça de chapa, pode colocar a perder boa parte do trabalho da coligação, caso não consiga reverter na Justiça a sua condição de ficha suja. 
 
Se a chapa é cassada até o primeiro turno, por exemplo, apenas os outros adversários inscritos concorrem. Se a decisão da Justiça barrar a candidatura entre o primeiro e o segundo turnos, os dois candidatos mais bem classificados além dele vão para a disputa. Se Arruda vencer e continuar ficha suja após as eleições, os votos são anulados e nova eleição é convocada.
 
Desde que as articulações para reunir o grupo começaram a ser feitas, muito antes do período eleitoral, Arruda tem procurado ouvir a família Roriz (que agrega PMN e parte do PRTB), o ex-senador Luiz Estevão (presidente regional do PRTB), o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM) e o senador Gim Argello (presidente regional do PTB). Outro interlocutor próximo é o candidato a vice Jofran Frejat (PR). A última decisão de Arruda foi tomada após consultar familiares e advogados.
 
Opções
 
Luiz Estevão, Frejat, Gim e a família Roriz entenderam que a permanência de Arruda favoreceria toda a coligação, incluindo o candidato ao Senado e os concorrentes à Câmara Legislativa e à Câmara dos Deputados. Fraga também se posicionou no mesmo sentido, mas foi um dos únicos a falar em uma nova opção em caso de queda do ex-governador. “Vamos juntos até quando os recursos se esgotarem. A Justiça está sendo célere na análise do caso do Arruda e esperamos ter uma resposta até 15 de setembro”, disse ele, na semana passada, ao Correio. 
 
Arruda tem usado o caso de Joaquim Roriz para ilustrar o seu próprio. Em 2010, sob risco de ser considerado inelegível, ele abriu mão da disputa em nome da mulher, Weslian Roriz (então no PSC), no meio da campanha — ela acabou derrotada. A encruzilhada do grupo de Arruda é saber qual o potencial de transferência de votos que ele teria. “A grande questão é saber se o eleitor vai votar na Flávia Arruda (mulher do ex-governador) ou no Jofran (Frejat, candidato ao vice) com a mesma certeza de que votaria no Arruda. Ela pode ser a melhor alternativa, pois é conhecida e não tem telhado de vidro, além de ter traquejo e acompanhá-lo sempre. Temos que começar a pensar nisso tudo”, afirma um aliado do grupo.
 
A busca por uma solução também entra na esfera jurídica. Em 9 de julho, o ex-governador foi condenado pela 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) por improbidade administrativa pelo envolvimento nas ações investigadas pela Operação Caixa de Pandora em 2009 — o que o deixaria inelegível à luz da Lei da Ficha Limpa. Os advogados tentam reverter a decisão dos desembargadores no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, assim, “limpar” o nome de Arruda.
 
Sem campanha
 
O TSE deve julgar esta semana um pedido feito pela Procuradoria-Geral Eleitoral para que Arruda seja impedido imediatamente de fazer campanha para o Palácio do Buriti. O procurador-geral, Rodrigo Janot, fez o requerimento por considerar que, como o ex-governador é ficha suja, não pode ser eleito, tampouco tomar posse. Dessa forma, a permanência dele na campanha engana e confunde o eleitor. Um dos ministros do TSE e STF, Luiz Fux, já defendeu a saída do candidato da campanha. Fux acredita que Arruda já está inelegível e que a permanência dele na disputa pode deixar a decisão com cara de “faz de conta”. 
 
QUEM SUBSTITUI ARRUDA?
 
» Jofran Frejat (PR): o 
médico subiria para a 
cabeça de chapa. Nesse 
caso, outro nome ocuparia 
a vaga de vice.
 
» Flávia Peres Arruda (PR): mesmo sem ter disputado eleição, a mulher 
de Arruda é conhecida. Ela ocuparia o lugar do marido. 
 
» Alberto Fraga (DEM): é outro que tem sido citado. Mas 
ele pensa que tem grande chance de chegar à 
Câmara dos Deputados 
e correria o risco de 
trocar o mais certo pelo duvidoso.
 
» Gim Argello (PTB): aliado 
de Agnelo até as vésperas 
da campanha, o senador poderia entrar na disputa 
ao governo e se arriscar, 
pois seu desempenho 
nas pesquisas para o 
Senado tem sido ruim.


Fonte: Por ALMIRO MARCOS, Correio Braziliense - 31/08/2014 - - 11:38:49
 
BLOG do SOMBRA

Gilmar Mendes: “O Distrito Federal não tem sequer dignidade para ter autonomia política”



A frase dura, pronunciada pelo ministro Gilmar Mendes, durante sessão do TSE que barrou o registro do candidato Arruda ao governo do DF, reflete a opinião média que prevalece em todo o país, com relação à emancipação política de Brasília, fixada de maneira ligeira e oportunista na Constituição de 1988. ...

Gilmar Mendes foi impiedoso e certeiro com relação à política do Distrito Federal. Durante a leitura de seu voto, o ministro classificou o tipo de política que vem sendo feita aqui de rastaquera, expressão que tanto pode ser usada como fuleira e baixa, como relativa a ostentação, própria dos novos ricos, no caso no DF.

E ao fazer uma reflexão, me veio a cabeça a entrevista concedida por José Roberto Arruda em 28/09/2010 no Correio Braziliense.  De pouca educação ou delicadeza, oportunista ou não, falando a verdade ou não, mentindo ou não, Arruda foi enfático “Eleger Roriz é mostrar que o crime compensa”. 

Naquela dia ao ler a entrevista, diante de um amigo, o clã da família, Joaquim Roriz chorou. O mesmo Roriz que hoje dá apoio a candidatura de Arruda. Sua filha Jaqueline Roriz nada falou. Arruda, em 2010 declarou apoio a Agnelo Queiroz. 

No governo de Arruda, não foram poucos os rorizistas que reclamaram que eram perseguidos e ameaçados. Segundo eles, Arruda queria destruir a todos. Se Arruda, naquela oportunidade, tinha razão, ninguém sabe. Hoje Arruda diz que é o único com condições de unir todos os grupos e juntou-se outra vez a família Roriz. Hoje ele, Arruda, fala mal de Agnelo.

Na entrevista concedida ao jornalista Marcelo Tokarski, o ex-governador Arruda rompia o silêncio de quase um ano depois da Operação Caixa de Pandora, que o levou a prisão. 

Arruda afirmou em 2010 que votar em Weslian Roriz significaria dizer que o crime compensa, “é a vitória do coronelismo, a vitória das piores práticas políticas que o Brasil já assistiu. A vitória do clã Roriz significa dizer: o crime compensa..” Além disso, chamava Roriz de quadrilheiro, de atrasado, de incompetente, de destruidor de Brasília.

Para quem não sabe o ministro Gilmar Mendes, é umas das maiores autoridades em Direito Público de nosso país. Sabe tanto o que fala, que divide os seus conhecimentos por meio do IDP - Instituto de Direito Público, e  ao pronunciar a frase que sintetizou a política do DF, talvez nem se recordasse da entrevista concedida por Arruda, que transcrevemos abaixo, caso contrário, "rastaquera" teria soado como elogio aos podres poderes.
Entrevista abaixo.

Às vésperas de completar um ano do escândalo político que abalou o Distrito Federal, o ex-governador José Roberto Arruda, que ficou preso por dois meses e teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, decidiu romper o silêncio.


Ao justificar o fim da “reclusão”, como classifica seu isolamento, Arruda argumenta que não poderia se omitir diante do cenário eleitoral do DF. “Pensei muito antes de romper esse silêncio e essa reclusão a que me impus. Mas chegou um momento que eu cheguei à seguinte conclusão: Ou eu falo agora ou mais tarde poderei ser acusado do pior dos atos, que é a omissão”, afirmou.


Para o ex-governador, a eleição de Weslian Roriz (PSC) nada mais seria do que uma manobra para a volta de seu marido, Joaquim Roriz, ao poder. “Meu voto é contra o Roriz e tudo o que ele representa. Contra essa tentativa desesperada de indicar alguém da família para continuar no poder, contra esse nepotismo atrasado que tenta dissimular uma ambição sem limites”, afirmou.


Na avaliação de Arruda, uma eventual vitória do clã Roriz nas urnas representaria a volta do coronelismo. “A eleição do Roriz é a eleição do Durval (Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais e pivô do escândalo), é a eleição do (Édson) Sombra (jornalista envolvido na suposta tentativa de suborno que levou o Superior Tribunal de Justiça a decretar a prisão de Arruda), é a vitória do coronelismo, a vitória das piores práticas políticas a que o Brasil já assistiu. A vitória do Roriz significa dizer o seguinte: o crime compensa”, afirmou.


Questionado se estaria defendendo o voto no petista Agnelo Queiroz — que tem como vice em sua chapa Tade Filippelli (PDMB), ex-aliado de Roriz e do próprio Arruda —, o ex-governador preferiu contemporizar.

“Acho que o Agnelo está longe de ser o candidato dos meus sonhos. Mas a eleição é plebiscitária. Depois de toda a tristeza que se abateu sobre a cidade, e eu sou em grande parte responsável por isso, depois de toda a frustração, eu não tenho o direito de induzir ou pedir voto para ninguém, mas eu tenho a obrigação moral de dizer o meu: eu voto contra o Roriz.”


Durante uma hora e meia em que recebeu o Correio em sua casa, onde diz só sair a cada 15 dias para ir ao médico ou resolver alguma questão pessoal, Arruda relembrou, sempre ao lado da mulher, Flávia, os dias na prisão, se disse vítima de um complô executado pelo ex-secretário de Relações Institucionais — mas “arquitetado” por Joaquim Roriz — e afirmou estar retomando aos poucos sua vida, mas longe da política.


 “Quero voltar a ser engenheiro. Estou me preparando para isso, devagar, me reciclando. Tenho 56 anos. Quero viver de maneira mais simples, mais tranquila, longe do poder.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida com exclusividade ao Correio.


“A eleição da mulher do Roriz é a eleição do Durval”


O que mudou na sua vida? Como o senhor viveu nos últimos meses?
É a primeira vez que eu falo, depois de 60 dias preso e cinco meses e tanto em casa. Estou rompendo o silêncio. O que eu estou passando é a terapia da dor, do sofrimento. Eu não desejo para ninguém, mesmo para os meus algozes, ter que passar pelo que eu, a Flávia e a minha família temos passado.


Em primeiro lugar, fiquei 60 dias preso num cubículo menor do que essa mesa em que estamos, sem janela, sem banheiro. Eu, para usar o vaso sanitário, era escoltado por dois guardas fortemente armados e não podia sequer fechar a porta do box. Sofri todas as humilhações, todas as pressões psicológicas que um ser humano pode sofrer. Comecei a sentir dores no coração e picos de pressão muito fortes, e só 12 dias depois é que foi permitida a presença de um cardiologista.



E aí eu fui submetido a um cateterismo. Depois repousei na UTI até as 5h da manhã e fui levado de volta ao cárcere. Nos cinco dias seguintes sequer conseguia levantar da cama. Como tinha uma cama-beliche, e como a luz não apagava nem de noite, a maneira que eu tinha de dormir, poucas horas por noite, era colocando um cobertor na parte de cima da beliche para tentar tampar pelo menos a incidência direta da luz.


E mesmo com medicamentos era muito difícil eu dormir. Eu tinha apenas 15, 20 minutos por dia de oxigênio, quando a Flávia me levava o almoço. Era o tempo que ela podia estar comigo. E é o único contato que eu tinha com o mundo externo. Era proibido de ler jornal, de ver televisão, de qualquer comunicação com o meio externo.
 


E como foi quando saiu da prisão?
Depois que eu voltei para casa, tanto eu quanto a Flávia, e a nossa família, que me deu muito apoio, e os poucos amigos, poucos e verdadeiros amigos que restaram, eu me impus a uma reclusão. Então, há mais de cinco meses que eu praticamente não saio de casa, com raríssimas exceções, para ir ao médico, resolver algum assunto, mas passo 10, 15 dias sem sair de casa. E tudo isso faz parte da terapia do sofrimento. Acho que a dor ensina mais do que a alegria, a derrota ensina mais do que a vitória.


 


O que aprendeu com tudo isso?
Em primeiro lugar, estou num processo de aprimoramento humano, de dar mais valor às questões espirituais. Para mim, a política, a vida profissional, a ambição, a vaidade, tudo isso era minha prioridade. Hoje, minha prioridade é minha família, minha vida pessoal, a saúde. Estou aprendendo a conviver com o abandono, com a ingratidão, com a traição, sem raiva, sem mágoa, sem julgar ninguém. De cada 100 amigos que eu imaginei que tinha, um apareceu para me dar um abraço.


Não fico contando os outros 99. Fico apenas relacionando aqueles poucos e verdadeiros que estão presentes num momento tão difícil. E também não fico julgando aqueles que não vieram — uns por medo, outros por covardia, outros por oportunismo. Cada um tem suas razões. Não julgo ninguém. Eu, que era tão cartesiano, materialista, hoje sou uma pessoa muito mais próxima de Deus. Vou fazer uma figura de imagem que talvez não seja de bom gosto, mas é a que melhor representa o que eu sinto: Deus está me dando o privilégio de assistir ao meu próprio velório. E aí eu vejo quem apareceu, quem chorou de verdade, quem gosta de mim, quem foi apenas para cumprir uma missão social, os que foram com ironia, os que não apareceram, os que fingiram que não me conheciam.


Mas o mais interessante é que Deus está me dando ainda outro privilégio. Terminando o velório, ele está dizendo: ‘Agora você levanta e pode continuar vivendo um pouquinho mais’. São raras as pessoas que conseguem ter alegrias tão grandes quanto eu tive e tristezas tão profundas. É um grande aprendizado.



 

Estamos a poucos dias da eleição. Como o senhor avalia a candidatura de Weslian, mulher de Roriz?
Em primeiro lugar, quero dizer que pensei muito antes de romper essa reclusão a que me impus. Há quase nove meses me impus a esse silêncio. Mas chegou um momento, face à questão política e às questões jurídicas envolvidas, que cheguei à conclusão: ou falo agora ou me calo para sempre. Ou falo agora ou mais tarde poderei ser acusado do pior dos atos, a omissão. O que eu penso, e aí não vai nenhum sentimento de vingança, de ódio, com todo o respeito por todas as pessoas, inclusive pelo Roriz, eu acho que a eleição da mulher dele é a eleição do Durval, é a eleição do Sombra, é a vitória do coronelismo, a vitória das piores práticas políticas que o Brasil já assistiu. A vitória do clã Roriz significa dizer: o crime compensa.


Qual foi o seu grande erro?
O grande erro do meu governo foi ter permitido que não apenas o Durval, mas alguns outros rorizistas, que vinham no poder há 20 anos, de forma oportunista, quando viram que eu ia ganhar, quando viram que a derrota da Abadia era inevitável, pularem para o meu barco na última hora, e eu, generosamente, ingenuamente, os mantive depois no governo. Para você ter uma ideia, os mesmos deputados distritais que quando eu ganhei a eleição me fizeram pressão para eu deixar o Durval no governo, porque eu não queria deixá-lo — embora ele tivesse me ajudado na campanha —, fizeram pressão e eu acabei cedendo. E aí cometi um erro. Mesmo tendo deixado ele num cargo assim meio honorífico, sem gestão financeira, a verdade é que eu deixei ele no meu governo. Vendo hoje o filme, eu tinha que ter cortado o mal pela raíz.





 

Essa pressão dos distritais incluiu cobrança de mensalão?
Hoje fica claro por que tantos deputados gostavam dele (Durval). Parece evidente que houve mensalão em Brasília, mas foi o mensalão do Roriz, e não meu. As imagens (dos vídeos) são todas anteriores ao meu governo.


Esses rorizistas que o senhor deixou no governo já tinham a intenção de miná-lo depois?
Você acha que é por acaso que, na única vez em que eu fui ao gabinete desse Durval, em 2005, a única vez em que eu o visitei, fiquei lá (no gabinete da Codeplan) 20 e poucos minutos, será que é coincidência o Roriz ter me ligado? Exatamente naquela hora? E eu pergunto: por que cortaram isso da fita? Graças a Deus, agora, um ano depois, é a Polícia Federal, é a perícia oficial que vem confirmar o que dissemos antes, que as fitas foram editadas, manipuladas para enganar a opinião pública. Fitas de 2003, 2004, 2005 e 2006, quando o governador era o Roriz, foram apresentadas de maneira violenta na mídia como se tivessem sido no meu governo. Será que era eu que tinha que ter sido preso?


O Durval responde a 32 processos por corrupção, todos, eu repito, todos, sem exceção, corrupção praticada no governo Roriz, quando ele era presidente da Codeplan. O que eu tenho com isso? Ele não responde a nenhum processo no meu governo. Até porque, embora eu tenha cometido o erro de ter deixado uma figura com esse tipo de formação, de deformação de caráter, eu não posso esquecer que ele (Durval) tem um irmão deputado (Milton Barbosa), aliás candidato à reeleição com uma campanha caríssima. Eu cedi a essas pressões, esse foi o meu grande erro. E ele ficou no governo, sorrateiro, bajulador, até o momento de dar o golpe. Foi na verdade uma armação bem arquitetada. Há uma frase interessante, que é bíblica, que os filhos das trevas são mais perspicazes que os filhos da luz. Então, essas pessoas que se dedicaram a arquitetar o mal o fizeram com tal competência que convenceram a sociedade, através da mídia, com aquele bombardeio de imagens agressivas, que toda aquela corrupção que se passou no governo Roriz na verdade teria sido no meu governo. Porque não aparecia a data (nos vídeos).


Mas por que essa “armação”? Por quem ela foi arquitetada?

Vínhamos num projeto de governo com ampla aprovação, tínhamos duas mil obras em execução, tínhamos tirado as vans irregulares da cidade, tirado os camelôs, acabado com as invasões. Eu fazia um governo de ruptura, colocava ordem na cidade. E quando tudo isso estava indo tão bem, quando Brasília estava garantindo o privilégio de fazer a abertura da Copa de 2014, quando tinha 200 escolas de educação integral, as vilas olímpicas aí, o maior conjunto de obras no sistema viário desde a construção da cidade, quando tudo isso estava dando certo, vem essa armação dos interesses contrariados.


O Roriz é um grande líder dos interesses contrariados. O Roriz reúne hoje todos aqueles que invadiam terras, que operavam o transporte irregular, que faziam o comércio irregular, que desejam aumentar a área de Brasília para fazer mais loteamentos, para acabar mais com a qualidade de vida. Ele reúne todos esses interesses que o meu governo contrariou.


O Roriz diz que o suposto esquema operado pelo Durval pode ter começado no governo dele, mas que ele não sabia. É possível?

Quem sou eu para julgar os outros? O que eu tenho absoluta certeza, e parece que sobre isso não paira dúvida na cidade, é que Durval e Sombra são braços armados do Roriz. Vão lá, armem uma arapuca para tirar esse Arruda da minha frente. Será que se eu fosse candidato à reeleição o quadro político era esse? Ele sabia que não.


Por que então manter o Durval no seu governo?
A pressão política que eu aceitei foi manter o Durval num cargo sem gestão financeira. Ele não responde a nenhum processo por ato que praticou no meu governo, porque no meu governo ele não praticou ato nenhum. No meu governo ele era aspone mesmo, é isso. Toda vez que eu precisava do voto do irmão dele eu pedia para ele. Agora, ninguém me pediu para manter esquema de corrupção porque não tiveram coragem de fazê-lo.


Mas então ele manteve à revelia algum esquema de corrupção?

Acho que o Durval manteve, residualmente, algum poder. Primeiro, pelo dinheiro que acumulou nos oito anos do governo Roriz. Segundo, pelos grandes empresários que ele representava. Você acha que ele estava sozinho? Imagine uma empresa que faturava R$ 100 milhões por ano e que no meu governo passou a faturar zero. Eu estou dizendo uma coisa que naquele momento da comoção ninguém conseguia ver. Há uma coisa interessante: a ligação do Durval e do Roriz é muito mais antiga. Foi o Durval quem fez o vídeo da Estrutural que derrotou o Cristovam (Buarque) em 1998.


Ele era o (delegado) titular da 3ª DP do Cruzeiro, foi ele que filmou o que se intitulou depois de “massacre da Estrutural”, que, exibido no programa eleitoral, foi responsável pela derrota do Cristovam. Em 2002, o Durval foi o braço armado do Roriz para mais uma vez derrotar o (Geraldo) Magela com as urnas da Linknet, ou nós já esquecemos disso? Quem armou a farsa das urnas da Linknet? Doutor Durval. Em 2006, quando eles viram que não conseguiam ganhar com a Abadia, vêm para o meu lado de maneira oportunista e preparam o golpe para me derrubar em seguida para asfaltar a volta do Roriz. Quer dizer, estas pessoas que se reúnem em torno do Roriz, não é a primeira vez em que eles atacam alguém, não sou a primeira vítima.


Mas e a prisão do senhor?
Foi a armação mais clara possível. Eles viram que, apesar de toda a delação que tinham feito, não estavam conseguindo me derrubar, e eu continuava bem avaliado pela sociedade, que no mínimo desejava que eu terminasse o meu governo, que eu concluísse as obras. Quando eles viram que estavam perdendo, inventaram então o segundo golpe. Chega a ser ridículo: duas pessoas que compartilhavam o mesmo escritório, que trabalhavam juntas. Um era o diretor comercial e outra era o presidente do mesmo jornal, aliás, um veículo de informação pouquíssimo conhecido, mas sempre muito bem aquinhoado com verbas públicas.


Essas duas pessoas, que trabalhavam no mesmo escritório, resolvem um entregar propina para o outro, e em vez de fazê-lo no escritório que ambos frequentavam, ou de fazer na casa de um deles, que ambos frequentavam — como está fartamente documentado em vídeos feitos por ele (Sombra) mesmo —, eles resolvem se encontrar numa lanchonete no Sudoeste.


Foi um falso flagrante que me levou à prisão. E, tendo me levado à prisão, me calaram a boca. E enquanto eu estava amordaçado, os mesmos que haviam me pedido a nomeação do Rogério Rosso para o lugar do Durval na Codeplan, os mesmos que elegeram o Rosso como preposto do Durval e do Roriz, me agrediam no Legislativo. Fácil, né, chutar cachorro morto? Todo este plano diabólico deu certo. Vamos reconhecer a competência deles. São pessoas capazes, acostumadas a trafegar nos subterrâneos da política. E que portanto, lá, são imbatíveis.


Como o senhor avalia o fato de Roriz ter renunciado e colocado a mulher no lugar?

Como é triste ver pessoas que sempre tiveram o meu respeito naquela imagem melancólica, fraudulenta, tão bem traduzida pela filha do casal: “Meu pai indicou minha mãe”. É a oligarquia consciente, o contrabando da candidatura, o abuso da confiança dos cidadãos, o desrespeito à Justiça. Mas, vindo do Roriz, nada mais assusta, pela sua capacidade infinita de trapacear, de jogar sujo.


E ela pode ganhar nas urnas?

Claro. Na política, com as atuais regras, o poder econômico, o jogo sujo é ferramenta da maior utilidade no processo eleitoral. Não é à toa que o coronelismo sobrevive em vários estados e até na capital do país. Não vai aqui no meu coração nenhum sentimento de vingança, de ódio, nada pessoal. Eu estou apenas cumprindo uma responsabilidade que tenho, uma responsabilidade pública, como ex-governador.


O que está em jogo são dois projetos diferentes para Brasília. Um projeto que eu liderava, que era um projeto de mudança, de ruptura. Demiti 15 mil servidores sem concurso. Vocês se lembram dos camelódromos no Setor Comercial? Se lembram dos esqueletos que implodi, das 5 mil vans que tirei das ruas? Vocês sabem que o meu governo foi o único na história de Brasília que nunca deu aumento na passagem de ônibus, e ainda assim eu obriguei os empresários a comprar 1.950 ônibus novos? O meu governo terminou a obra do metrô de Ceilândia, parada há 13 anos.


O meu governo fez mil salas de aula, 200 escolas integrais. Este governo de ruptura, que proibia as invasões, que prendeu grileiros, regularizava os condomínios, colocava ordem na cidade. E com isso eu contrariei objetivamente os interesses daqueles que querem a bagunça, e que são liderados pelo Roriz. O Roriz está aí em campanha, e ele não esconde de ninguém.


Ele é a favor das vans, do comércio irregular, nunca coibiu as invasões de terra, as construções irregulares, e é por isso que Brasília vem se tornando essa bagunça. Eu dei uma freada de arrumação e, quando tudo isso estava sendo feito, alguém nos derruba. São projetos diferentes. O que está em jogo não é nada pessoal. O que está em jogo é o seguinte: Brasília quer voltar ao passado da bagunça e da desordem ou quer insistir na organização da cidade?


O Agnelo leva essa bandeira?
O Agnelo está longe de ser o candidato dos meus sonhos. Mas a eleição é plebiscitária. Depois de toda a tristeza que se abateu sobre a cidade, e eu sou em grande parte responsável por isso, não tenho o direito de induzir ou pedir voto para ninguém, mas tenho a obrigação moral de dizer o meu: eu voto contra Roriz.


A delação de Durval começou em setembro de 2009, época em que havia o movimento para tirar Roriz do PMDB. Foi a gota d’água?
Não tenho dúvida de que a saída dele do PMDB foi a gota d’água, até as datas coincidem. Ele saiu do PMDB em 16 de setembro e a delação foi feita no dia 19. E um dia antes o TJDFT tinha aceitado uma denúncia contra o Durval.


Não fosse a saída de Roriz do PMDB o senhor acha que eles teriam levado adiante esse plano a que o senhor se refere?
É difícil saber, porque eu não sei pensar com a cabeça deles. Eu estou dizendo o que eu penso do Roriz abertamente. Ele nunca diz, ele usa os braços armados para me atacar. O Roriz nunca teve coragem de me enfrentar diretamente. Em 1994, eu tinha sido secretário de Obras do governo dele, ele não me queria candidato a senador. Escolheu a Márcia Kubitschek e o Pedro Teixeira. Eu tive que bater voto na convenção para ganhar a disputa e depois ser candidato ao Senado. Em 1998, disputei a eleição contra ele, que nunca compareceu a um debate onde eu estava, nunca teve coragem de debater comigo. Em 2002, ele apoiou fortemente outros candidatos para tentar ver se eu não seria eleito deputado federal e eu fui o mais votado. Em 2006, ele também se acovardou. Quando viu que eu estava com a candidatura mais forte do que a da Abadia, se afastou dela. Ele nunca me enfrenta diretamente, ele escala esses seus braços armados para fazer um tipo de jogo sujo que não tem coragem de fazer.


Dizem que o senhor teria muita coisa contra Roriz e que implodiria a candidatura do grupo ligado a ele. É verdade?
Primeiro, não tenho. Segundo, todas as vezes em que tentaram me oferecer, eu rechacei. Não tenho vídeo, não faço gravação de ninguém, acho isso hediondo, uma prática terrivelmente suja. Não tenho absolutamente nada, nenhum tipo de arma, nem contra o Roriz nem contra ninguém. A minha diferença com o Roriz não é apenas na forma de governar. Eu tentei fazer um governo de ruptura, que organizava a cidade. O Roriz tem uma visão diferente: é o governo da desorganização, da bagunça, da invasão de terra, da ilegalidade. Essa é uma diferença. Mas as nossas diferenças não param aí, as nossas diferenças também são na maneira de fazer política. O Roriz usa todas as armas, acha que os fins justificam os meios. Se há um obstáculo intransponível, destrói-se o obstáculo. Ele só decidiu me destruir quando descobriu que, fora do PMDB e com o nível de aprovação que eu estava, teria dificuldades para voltar ao poder.


Em depoimento ao Ministério Público Federal, o senhor falou que foi achacado pela promotora Deborah Guerner. E depois o próprio Durval confirmou que entregou dinheiro a Deborah a mando de Roriz. Essas pressões vinham também do MP do DF?
Vinham. E nunca passou pela minha cabeça que esses 20 anos de desmandos que o Roriz comandou em Brasília tivessem criado raízes nos outros poderes. As coisas que eu encontrava erradas no governo eu tomava a medida que me cabia, que era enviá-las ao MP. E lá elas paravam, sei lá por que.


Só no fim soube-se a razão. Então, infelizmente, e a constatação não é minha, é deles próprios: se o Durval confessa que entregava dinheiro a uma procuradora a mando do Roriz, e se ela própria me diz que recebia esses recursos, em função disso três anos depois da renúncia do Roriz no Senado ele não havia sequer sido processado. Então o assunto é muito mais grave do que se imagina. Sinceramente, nunca passou pela minha cabeça que esses tentáculos do poder de corrupção do Roriz tivessem penetrado tanto em outras esferas. Infelizmente, tenho que reconhecer que isso ocorreu.


Mas Durval agia sozinho?
Seria ingenuidade da minha parte, a essa altura da vida, dizer que o Durval estava sozinho nisso. Ele é apenas um bem mandado de um esquema muito maior, liderado pelo Roriz, que tem braços no poder econômico. E que desejam que as facilidades voltem. Eu acabei com elas. É verdade que eu errei ao aceitar pressões. Agora, o Durval tem um irmão que é deputado, tinha voto. E tinha outros deputados que eram muito gratos a ele, hoje se sabe até porque. Tive que aceitar isso, mas confesso que aí cometi um erro. E não por falta de aviso de que deveria tirá-lo do governo.


Logo no início?
Antes de tomar posse. E eu, depois das pressões políticas, tomei uma medida que julguei muito salomônica: deixo ele num cargo no governo, mas tiro dele o poder de presidir a Codeplan. Só que minha ingenuidade foi grande. O mesmo grupo que apoiava o Durval me traz alguns nomes para eu analisar para a Codeplan. O primeiro era do atual governador, que tinha recebido 54 mil votos (como candidato a deputado) no PMDB, um homem muito educado, bem preparado, e eu aceitei. E o que os fatos hoje demonstram? Que ele foi para a Codeplan como preposto do Durval. Hoje ele é um governador que, por melhores que sejam suas intenções, tem uma limitação, é refém do Durval. Não é segredo para ninguém das ligações das pessoas mais próximas ao Rogério Rosso hoje que despacham com o Durval, que obedecem as suas ordens. Brasília pode até não saber, mas o governador de fato hoje é o Durval. E eleger o Roriz é outra vez eleger o Durval, o Sombra e esse grupo de pessoas que tanto mal tem feito a Brasília. E agora tudo isso se confirma, quando o Rosso vem apoiar a mulher do Roriz.


O senhor teve seu julgamento político. Como lida com a Justiça?
Num primeiro momento, com o bombardeio de vídeos, com o tamanho do escândalo que se montou, eu entendo as decisões que foram tomadas, tanto no âmbito do Ministério Público quanto no Poder Judiciário. Mas a gente não pode subestimar nem o MP e nem a Justiça. O aprofundamento das investigações está levando, naturalmente, a outros caminhos. E cada vez mais essa armação está ficando clara. É a Polícia Federal que, um ano depois do episódio, dá a público a primeira perícia. E qual o resultado? Que a fita foi cortada, editada criminosamente para proteger alguém. Os meus advogados me pedem que não entre no detalhe dessas questões, mas o que eu posso dizer é que hoje já existem provas contundentes da edição, do corte. Vocês sabem que o dinheiro na meia, o dinheiro na bolsa, o dinheiro sei lá mais aonde aconteceu no governo do Roriz, e não no meu. E mais: se eu tivesse cedido às chantagens do Durval, ele teria me denunciado?


Ele estaria feliz da vida comigo. Ele buscou montar essa denúncia no momento em que seus interesses foram contrariados. E não apenas o interesse dele, o interesse dele era contrariado no mesmo momento em que o interesse político do grupo que o Roriz representa era contrariado, que interesses econômicos poderosos eram contrariados. Infelizmente, eu tenho que constatar que todos esses interesses econômicos estão aí com as suas candidaturas para domingo que vem. O irmão do dono de Linknet é candidato, o irmão do Durval é candidato. São dezenas de candidatos com chances grandes de eleição que representam interesses econômicos claros, contratuais com o GDF. Grande parte do nosso poder político busca eleição para defender interesses econômicos e contratuais diretos com o GDF.


O senhor fala de atuais deputados que são candidatos…
Atuais… (Falo) de personagens da política local. Os grupos econômicos de Brasília começam pequenininhos, vão crescendo e, na hora em que querem dar um pulo para ficar enormes, elegem um deputado. Para defender o quê? Os seus interesses. Essa mistura da vida política com os contratos do GDF é explosiva, muito ruim para a vida da cidade. Procurei combater, com muitas dificuldades. Hoje eu entendo por que demorei mais de dois anos para fazer a concorrência do lixo. E por que todo edital que eu mandava para o MP não servia.


Além de Deborah, que o senhor já citou, o Leonardo Bandarra, ex-procurador-geral do MP do DF, tinha participação nesse esquema?
Não julgo ninguém. A única coisa que eu constato é que forças internas do MP atuavam no sentido de que eu não conseguisse fazer a licitação do lixo, porque, quando consegui, o preço diminuiu 17%. Portanto, alguém era beneficiado antes, enquanto os contratos eram emergenciais. Forças internas no MP pegaram o processo da bezerra de ouro e colocaram na gaveta por três anos. Forças internas não analisaram a auditoria de Corumbá IV, que é o megawatt/hora mais caro da história do Brasil. Tudo isso está lá no Ministério Público local, devo dizer. Então, alguma coisa acontecia. Como e por que eu não sei responder. Quanto ao Bandarra, ele foi um dos que me avisou que eu deveria tirar o Durval e sempre se houve comigo com toda a correção.
O senhor fez delação premiada com o MP Federal?
Não existe essa possibilidade. Só faz delação quem é criminoso, quem tem culpa. Eu não tenho. Não faço nada escondido de ninguém. Tudo o que tenho que falar eu estou falando aqui, com gravador ligado, pode ser publicado no jornal. Agora, o que eu sinto, nos poucos depoimentos que tive, no âmbito do Ministério Público Federal e no próprio Poder Judiciário, é que há um desejo muito claro de esclarecer a situação como um todo, fora daquele clima de comoção dos dias do escândalo.


E daqui para a frente?
Só consigo ver nesse momento o curto prazo. Nossas prioridades aqui em casa são: primeiro, retomar a minha saúde. Hoje eu tenho um artéria entupida, estou com uma carga de medicamentos muito grande, estou voltando a fazer meus exercícios físicos de maneira ainda muito lenta. Enfim, a primeira prioridade é recuperar a saúde. A segunda é recuperar a cabeça. E o que envolve essas duas prioridades é a vida familiar. A minha prioridade é ser feliz com a minha mulher, a minha filha. Isso é muito mais importante do que vida pública, do que qualquer outra coisa. Eu cumpro aqui esse meu dever de dizer as coisas que penso com muito respeito às opiniões divergentes, mas louco para virar essa página e voltar para a minha reclusão, porque, com essas regras, não volto para a política. A política hoje não exerce sobre mim nenhum fascínio.


E o poder?
O poder… Eu experimentei os dois lados do poder. Graças a Deus, quando fui governador, não mudei para a casa oficial, continuei dirigindo meu carro nos fins de semana, poucas vezes usava gravata. Não tirei os pés do chão. Sob esse aspecto, o baque não é grande. Agora, o lado negativo do poder dói muito. O lado do abandono, da ingratidão… Há dois tipos de sofrimento. Um é o pessoal, nosso. Nós dois aqui (referindo-se a ele e a mulher, Flávia) somos pessoas comuns. Há um ano a gente não vai a um restaurante, a um cinema. Sabe por quê? A gente tem vergonha na cara. Nós nos impusemos essa reclusão, em respeito a tudo o que aconteceu. Eu não saio de casa, recebo pouquíssimas pessoas, não interferi no processo político, fiquei quieto. Sofri todas as traições e os abandonos, as ingratidões que um homem público pode sofrer. O meu partido nacional, eu era o único governador, eu os ajudei sempre em tudo o que me pediram, e me abandonaram na primeira curva. Sofri todo tipo de execração pública, de humilhação. Mas esse é o meu, o nosso sofrimento pessoal. Mas ele é muito pequeno, e menos importante, do que o sofrimento da cidade. Nas poucas vezes que saio dirigindo o meu carro… Eu vou confessar uma coisa: me dá um nó na garganta. Eu às vezes choro de tristeza, porque é duro ver obras paradas. É muito duro ver obras concluídas sem terminar. Aquelas marginais que eu fiz ali perto do zoológico, não conseguiram fazer uma graminha no canteiro central nem postes de iluminação. Há pistas de 8km duplicadas que falta uma ponte de 10 metros e eles não conseguem fazer. A Linha Verde era para ter inaugurado em junho e está aí até hoje, enrolando. As vilas olímpicas estão prontas e com cadeado no portão. À exceção da de Samambaia, que eu tive tempo de inaugurar. As crianças podiam estar fazendo esportes, nadando, fugindo das drogas. Me dói muito ver as invasões de terra voltarem, nas nossas barbas. As vans piratas na rua. Os camelôs voltando para o centro da Ceilândia, para o Conic. Isso me dói. Era um projeto de cidade que estava sendo construído e aprovado e que está sendo destruído. Essa é uma dor muito profunda. Mas volto a dizer: não acredito em crime perfeito.


O senhor sofreu algum tipo de hostilidade na rua?
Não, graças a Deus, não.


E manifestações positivas?
Muitas. Mas eu também tenho tido, nós dois temos tido, muito respeito pela opinião pública. Uma pessoa que passa o que eu passei não pode ficar se exibindo. Eu me impus a uma reclusão. Eu raramente vou a algum lugar. Esses dias eu fui a um enterro de um amigo querido e falaram mal do morto… Então é melhor não ir a lugar nenhum. Estou aprendendo a ter paciência, tranquilidade. Tem uma frase de um personagem do Guimarães Rosa que diz assim: “a esperteza quando é muito vira bicho e come o dono”. Tem muito esperto pela cidade comemorando o crime perfeito antes da hora.


Essa primeira entrevista é o início de uma saída desse período de reclusão?
Não, eu volto para a reclusão. Porque eu acho que a reclusão a que nós nos impomos é respeitosa em relação às investigações. É saudável para nossa vida pessoal, nós precisamos voltar a ter paz. Eu tenho lido muito, escrito, pensado, conversado muito, e faço hoje uma constatação. Agora, em 15 de novembro, faço 35 anos como formado de engenheiro. Vai ter até uma festa lá na minha escola de engenharia em Itajubá (MG), que eu também não vou. Nesses 35 anos, a metade do tempo eu fui engenheiro. Na outra metade entrei na política. Fui muito mais feliz profissionalmente como engenheiro. E eu quero voltar a ser engenheiro. Estou me preparando para isso, devagar, me reciclando. A partir do ano que vem quero retomar minha vida de engenheiro. Tenho 56 anos, uma filha de 2 anos. Quero viver de maneira mais simples, mais tranquila, longe do poder.


Política nunca mais?
Com essas regras políticas que estão vigentes eu não mais serei candidato. Tem que mudar muita coisa: financiamento público de campanha, voto facultativo, voto distrital misto. Sem isso, é loucura. Não sou eu que estou deixando a política não. Pimenta da Veiga, um dos grandes políticos de Minas Gerais, não disputou mais eleição. Roberto Brant não quis mais disputar eleição. O ministro Nelson Jobim me disse uma vez que o exercício correto do mandato era impeditivo para uma nova eleição. Ser candidato com as atuais regras é quase uma roleta russa. Não há campanha política, em nenhum estado brasileiro e em nenhum partido, que seja imune a uma verificação séria das suas contas. Com as atuais regras, você pega alguma coisa errada ali ou alguma coisa errada aqui. Mas em todo lugar tem coisa errada. Basta ver a atual campanha em Brasília. É tudo claro, não vê quem não quer. É só sair contando as placas na cidade que você vê quanto custa. Já fui senador, deputado, governador, e eu tenho uma responsabilidade pública que independe do mandato. Por isso estou falando. Essa responsabilidade pública não me dá o direito de pedir voto para ninguém nem de induzir voto para ninguém, mas ela me dá a obrigação de dizer o que penso. Por isso o meu voto é contra tudo o que o Roriz representa. Não é nem contra ele ou sua mulher, mas contra tudo o que eles representam.


O senhor está escrevendo um livro?
Dizem que sim…




Fonte: Edson Sombra, com informações do blog do ARI CUNHA e do Correio Braziliense - 31/08/2014 - - 16:55:38


Exorcizando Brasília

Há 28 anos acompanho as eleições do Distrito Federal. Como repórter, seguindo os candidatos; como colunista e, depois, dentro das redações, na função de editora. Vi Joaquim Roriz ser governador três vezes. Vi o crescimento fenomenal de Cristovam Buarque durante a campanha que o elegeu governador. 

Vi e revi a capacidade de argumentação ilimitada de José Roberto Arruda, que conseguiu a proeza de não concluir dois mandatos, um de senador e um de governador, e ainda assim estar liderando as intenções de voto para o governo da capital. Vi políticos poderosos de Brasília nascerem, renascerem e serem execrados publicamente, e continuarem interferindo na política local. Brasília foi com eles. Para o bem e para o mal...
 
A capital viveu e vive uma campanha delicada, como boa parte do Brasil — algumas são mais sujas; outras nem tanto. Não posso deixar de concordar com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, quando ele diz que a política no DF é rastaquera — às vezes, mais do que isso. Tanto concordo que entendo ter ele todo direito de criticar a autonomia política da cidade ao tomar conhecimento de mais um vídeo comprometedor, que retrata uma conversa de Arruda com o advogado Eri Varela a respeito de especulações sobre o julgamento no TSE. Gilmar, no entanto, foi voto vencido no julgamento que colocaria uma pá de cal na candidatura até agora preferida do eleitor brasiliense, a despeito de todas as acusações.
 
Essa Brasília subterrânea e suja de fato, seja qual for ou de que partido for o personagem gravado ou grampeado, é abjeta. Mas a cidade que vive e respira, que tem direito a voto, que vai além das cercanias da Esplanada dos Ministérios e da Praça do Buriti, nada tem a ver com as “sacanagens” que lhe são impostas dia a dia. A Brasília limpa, que execra políticos descomprometidos e desonestos, quer honrar o direito ao voto. Tirar esse direito da capital não vai melhorar a qualidade de seus políticos.
 
É uma questão de tempo e depuração, tanto em Brasília quanto no resto do país. Quanto mais educado e informado o cidadão, mais consciente do valor do voto ele será. E mais exigente quanto à lisura dos governantes ele será. Sejam azuis, vermelhos, amarelos, verdes ou brancos. Se errarem, terão de ser punidos, com cadeia, inclusive. Portanto, agora é hora de exercer nossa autonomia. 
 
À população, resta o apelo: assista aos programas eleitorais, exerça uma postura crítica e acompanhe os debates. Um deles será promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília, na próxima terça-feira, 2 de setembro, às 22h30, com transmissão também ao vivo pelo site www.correiobraziliense.com.br e pelas redes sociais. Participe usando a hashtag #debateCorreioTVBSB. Um bom momento para brindar a democracia.


Fonte: Por ANA DUBEUX, Correio Braziliense - 31/08/2014 - - 12:18:30


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