segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Eleições: Dias decisivos para a disputa no DF






Flávia, ao lado de Arruda: Escolha pela mulher do ex-governador pode ser a mais acertada,de acordo com aliados.
 
Em breve, o presidente do TSE, Dias Toffoli, despachará pedido do Ministério Público de suspensão da campanha de Arruda. Com as sucessivas derrotas na Justiça Eleitoral, aliados do ex-governador já pensam em nomes para substitui-lo na chapa...
 
A campanha do ex-governador José Roberto Arruda (PR) para tentar voltar ao Palácio do Buriti entra em momentos decisivos a partir dos próximos dias. Restam duas semanas para que a coligação possa tomar a decisão de substituir o cabeça da chapa ou mantê-lo no páreo, sob o risco de ficar sem candidato nas próximas eleições. A data de 15 de setembro é considerada o marco temporal para mudanças porque, a partir daí, encerra-se a possibilidade de alterações. Ainda que Arruda adote um discurso otimista, o grupo mais próximo de aliados começa a analisar qual é o candidato mais viável num plano B (ver quadro). 
 
Sexta-feira, 29 de agosto, Setor Sul do Gama. A tarde chega ao fim e cerca de 300 pessoas — a maioria vestindo camisetas ou balançando bandeiras verdes — se acotovelam para ouvir Arruda falar. Ele repete um discurso que vem fazendo desde o início da campanha e, principalmente, nos últimos dias, desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu o registro de sua candidatura. “Não sou covarde, não sou frouxo. Se fosse, não tinha chegado até aqui. Não está sendo fácil, reconheço, mas vou até o fim. Eu não desistirei”, discursa. As pessoas aplaudem e gritam, incentivando o ex-governador.
 
Entre os aliados de Arruda, a avaliação é de que ele está determinado a continuar. Isso, aliás, é motivo de preocupação. Afinal, se ele ultrapassar a data decisiva de 15 de setembro na cabeça de chapa, pode colocar a perder boa parte do trabalho da coligação, caso não consiga reverter na Justiça a sua condição de ficha suja. 
 
Se a chapa é cassada até o primeiro turno, por exemplo, apenas os outros adversários inscritos concorrem. Se a decisão da Justiça barrar a candidatura entre o primeiro e o segundo turnos, os dois candidatos mais bem classificados além dele vão para a disputa. Se Arruda vencer e continuar ficha suja após as eleições, os votos são anulados e nova eleição é convocada.
 
Desde que as articulações para reunir o grupo começaram a ser feitas, muito antes do período eleitoral, Arruda tem procurado ouvir a família Roriz (que agrega PMN e parte do PRTB), o ex-senador Luiz Estevão (presidente regional do PRTB), o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM) e o senador Gim Argello (presidente regional do PTB). Outro interlocutor próximo é o candidato a vice Jofran Frejat (PR). A última decisão de Arruda foi tomada após consultar familiares e advogados.
 
Opções
 
Luiz Estevão, Frejat, Gim e a família Roriz entenderam que a permanência de Arruda favoreceria toda a coligação, incluindo o candidato ao Senado e os concorrentes à Câmara Legislativa e à Câmara dos Deputados. Fraga também se posicionou no mesmo sentido, mas foi um dos únicos a falar em uma nova opção em caso de queda do ex-governador. “Vamos juntos até quando os recursos se esgotarem. A Justiça está sendo célere na análise do caso do Arruda e esperamos ter uma resposta até 15 de setembro”, disse ele, na semana passada, ao Correio. 
 
Arruda tem usado o caso de Joaquim Roriz para ilustrar o seu próprio. Em 2010, sob risco de ser considerado inelegível, ele abriu mão da disputa em nome da mulher, Weslian Roriz (então no PSC), no meio da campanha — ela acabou derrotada. A encruzilhada do grupo de Arruda é saber qual o potencial de transferência de votos que ele teria. “A grande questão é saber se o eleitor vai votar na Flávia Arruda (mulher do ex-governador) ou no Jofran (Frejat, candidato ao vice) com a mesma certeza de que votaria no Arruda. Ela pode ser a melhor alternativa, pois é conhecida e não tem telhado de vidro, além de ter traquejo e acompanhá-lo sempre. Temos que começar a pensar nisso tudo”, afirma um aliado do grupo.
 
A busca por uma solução também entra na esfera jurídica. Em 9 de julho, o ex-governador foi condenado pela 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) por improbidade administrativa pelo envolvimento nas ações investigadas pela Operação Caixa de Pandora em 2009 — o que o deixaria inelegível à luz da Lei da Ficha Limpa. Os advogados tentam reverter a decisão dos desembargadores no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, assim, “limpar” o nome de Arruda.
 
Sem campanha
 
O TSE deve julgar esta semana um pedido feito pela Procuradoria-Geral Eleitoral para que Arruda seja impedido imediatamente de fazer campanha para o Palácio do Buriti. O procurador-geral, Rodrigo Janot, fez o requerimento por considerar que, como o ex-governador é ficha suja, não pode ser eleito, tampouco tomar posse. Dessa forma, a permanência dele na campanha engana e confunde o eleitor. Um dos ministros do TSE e STF, Luiz Fux, já defendeu a saída do candidato da campanha. Fux acredita que Arruda já está inelegível e que a permanência dele na disputa pode deixar a decisão com cara de “faz de conta”. 
 
QUEM SUBSTITUI ARRUDA?
 
» Jofran Frejat (PR): o 
médico subiria para a 
cabeça de chapa. Nesse 
caso, outro nome ocuparia 
a vaga de vice.
 
» Flávia Peres Arruda (PR): mesmo sem ter disputado eleição, a mulher 
de Arruda é conhecida. Ela ocuparia o lugar do marido. 
 
» Alberto Fraga (DEM): é outro que tem sido citado. Mas 
ele pensa que tem grande chance de chegar à 
Câmara dos Deputados 
e correria o risco de 
trocar o mais certo pelo duvidoso.
 
» Gim Argello (PTB): aliado 
de Agnelo até as vésperas 
da campanha, o senador poderia entrar na disputa 
ao governo e se arriscar, 
pois seu desempenho 
nas pesquisas para o 
Senado tem sido ruim.


Fonte: Por ALMIRO MARCOS, Correio Braziliense - 31/08/2014 - - 11:38:49
 
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