Entrevista com Altair Sales Barbosa
Publicado em outubro 27, 2014 por
Redação
“A questão atual do desaparecimento dos pequenos cursos
d’água, alimentadores dos maiores, é apenas a ponta de um ‘iceberg’ que
tende a se tornar cada vez mais evidente”, adverte o antropólogo.
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| Foto: tvbrasilcentral |
O problema que gera as crises de abastecimento de água que afetam o estado de
São Paulo “jamais será solucionado em sua totalidade”, alerta
Altair Sales Barbosa, na entrevista a seguir, concedida por e-mail à
IHU On-Line.
Segundo ele, a dificuldade de solucionar tais crises está relacionada
a outros dois fenômenos:
“o primeiro é a estiagem prolongada provocada
por fatores que independem da ação humana, como
el Niño,
por exemplo.
O segundo é a vazão dos rios alimentadores das represas,
que não ostentam mais a quantidade de água de tempos atrás.
A
consequência: com a normalização da precipitação pluviométrica depois de
certo tempo (uns quatro anos), os níveis das represas podem atingir a
plenitude. Entretanto, com o advento de outra estiagem cíclica, a
situação voltará a se repetir”.
Na entrevista a seguir, o pesquisador explica que o
Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de
São Paulo, “é abastecido principalmente pelo
rio Piracicaba, afluente do
rio Doce, que aparentemente nada tem a ver com a
bacia do Paraná”, que é formada e alimentada pelas
águas do Cerrado.
Entretanto, esclarece, “se penetrarmos além das aparências, iremos constatar que além das águas que fluem da
Serra do Mar, as águas do
aquífero Guarani são as responsáveis pela alimentação das nascentes da represa, basta ver a geotecnia das nascentes do
rio Piracicaba, bacia do
rio Doce, e suas relações com as nascentes do
ribeirão Baguaçu, proveniente do
aquífero Guarani e pertencente a
Bacia do Paraná”.
Isso significa, pontua, que o “
Sistema Biogeográfico do Cerrado, que ocupa desde a aurora do Cenozoico até a parte central da
América do Sul, também é conhecido como o
‘berço das águas’ ou a
‘cumeeira’ do continente, porque é distribuidor das águas que alimentam as grandes bacias hidrográficas da
América do Sul”.
Somente na abrangência do
Cerrado,
destaca, “encontram-se três grandes aquíferos responsáveis pela
formação e alimentação dos grandes rios continentais.
Um deles e o mais
conhecido é o
aquífero Guarani, associado ao arenito
Botucatu e a outras formações areníticas mais antigas. Esse aquífero é responsável pelas águas que alimentam a bacia hidrográfica do
Paraná, além de alguns formadores que vertem para a bacia
Amazônica. Os outros dois são os aquíferos
Bambuí e
Urucuia (…)
Os
aquíferos Bambuí e
Urucuia são responsáveis pela formação e alimentação dos rios que integram a
bacia do São Francisco e as sub-bacias hidrográficas do
Tocantins,
Araguaia, além de outras situadas na abrangência do
Cerrado”. Isso significa que, “representada por uma complexa teia, as águas que brotam do
Cerrado são as responsáveis pela alimentação e configuração das grandes bacias hidrográficas da
América do Sul”.
Fundador do
Memorial do Cerrado,
Goiânia-GO, o antropólogo adverte que o
Cerrado
é uma das matrizes ambientais mais antigas, e “já chegou ao seu clímax
evolutivo, ou seja, uma vez degradado, não se recupera jamais na
plenitude de sua biodiversidade”.
A vegetação nativa do bioma é
responsável pela alimentação dos lençóis profundos, contudo, com a
introdução da
agricultura no Cerrado, parte da
vegetação já foi extinta e impacta diretamente no funcionamento dos
corpos hídricos.
“No caso específico das plantas do cerrado, estas
possuem um sistema radicular extremamente profundo e complexo. Estas
plantas existiam até bem pouco tempo, nas áreas de recargas do aquífero
Guarani, responsáveis pelas águas da bacia do
Paraná.
Com a introdução da monocultura, essas plantas foram substituídas por
vegetais com raízes subsuperficiais que não sugam as águas como as
plantas nativas. A consequência é que com o passar dos tempos as águas
dos aquíferos vão diminuindo.
Num primeiro momento ocorre o fenômeno
denominado migração de nascentes das partes mais elevadas para as partes
mais baixas. Num segundo momento os cursos d’águas menores iniciam um
processo de desaparecimento e assim por diante, são veias menores que
deixam de irrigar as maiores”, informa.
Se a atual situação do
Cerrado não for alterada, o futuro será ainda mais catastrófico.
De acordo com o diagnóstico de
Barbosa, “o primeiro aquífero a ter suas reservas diminuídas será o
Urucuia, até o quase total desaparecimento, seguido do
aquífero Bambuí e do aquífero
Guarani”.
Posteriormente, frisa, “os fenômenos ocorridos nos chapadões centrais
do Brasil, em função do desaparecimento do cerrado, afetarão, de forma
direta, várias partes do continente” e a “floresta equatorial deixará de
existir na sua configuração original, sendo paulatinamente substituída
por uma vegetação rala do tipo caatinga, salpicada em alguns locais por
espécies de plantas adaptadas a um ambiente mais seco”.
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| Foto: tvbrasilcentral |
Altair Sales Barbosa é graduado em Antropologia pela
Universidade Católica de Chile e doutor em Arqueologia Pré-Histórica –
Smithsonian Institution National Museum Of Natural History (1991). É professor titular da
Pontifícia Universidade Católica de Goiás.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O senhor está entre os pesquisadores que já
afirmam a extinção do Cerrado. Quais fatores levaram a esse quadro? É
possível revertê-lo?
Altair Sales Barbosa - Em primeiro lugar, o
Cerrado dos Chapadões Centrais do Brasil se nos apresenta como um
Sistema Biogeográfico,
que envolve vários subsistemas. Esses subsistemas se diferenciam por
solos, fisionomia vegetal, quantidade de água nos lençóis, comunidades
animais, etc., e qualquer modificação nos elementos dos subsistemas
provoca modificações nos Sistema como um todo.
Em segundo lugar, convém destacar que o
Cerrado é uma das matrizes ambientais mais antigas da história recente do
Planeta Terra, que tem seu início no
Cenozoico.
Isto significa que este ambiente já chegou ao seu clímax evolutivo, ou
seja, uma vez degradado, não se recupera jamais na plenitude de sua
biodiversidade.
Em terceiro lugar, a maior parte das plantas do cerrado tem um
desenvolvimento lento, algumas levam séculos para atingir a maior idade,
fato que torna quase impossível um trabalho de recomposição vegetal.
Sem mencionar que estas plantas estão condicionadas a um tipo de solo
oligotrópico com balanço hídrico específico, fato hoje difícil de ser
encontrado em equilíbrio no
Cerrado.
Não se mede a degradação ambiental apenas pela ocorrência de uma ou
outra planta. Há de se considerar comunidades, tanto vegetais como
animais, incluindo insetos polinizadores, água, etc., tudo isto já não
existe no cerrado de forma contínua. O que há são fragmentos que não
representam 10% da área total.
IHU On-Line – Qual a função do Cerrado brasileiro enquanto
elo para garantir o abastecimento da água tanto no Norte quanto no Sul
do país? Ainda nesse sentido, qual é a conexão existente entre o Cerrado
e os demais biomas brasileiros?
Altair Sales Barbosa - O
Sistema Biogeográfico do Cerrado, que ocupa desde a aurora do
Cenozoico até a parte central da
América do Sul,
também é conhecido como o “berço das águas” ou a “cumeeira” do
continente, porque é distribuidor das águas que alimentam as grandes
bacias hidrográficas da
América do Sul.
Isso ocorre porque, na área de abrangência do
Cerrado,
encontram-se três grandes aquíferos responsáveis pela formação e
alimentação dos grandes rios continentais.
Um deles e o mais conhecido é
o
aquífero Guarani, associado ao arenito
Botucatu e a outras formações areníticas mais antigas. Esse aquífero é responsável pelas águas que alimentam a bacia hidrográfica do
Paraná, além de alguns formadores que vertem para a bacia
Amazônica. Os outros dois são os
aquíferos Bambuí e
Urucuia.
O primeiro está associado às Formações geológicas do Grupo Bambuí, e o
segundo está associado à Formação arenítica Urucuia, que em muitos
locais está sobreposta à Formação Bambuí. Em certos pontos, há até um
contato entre os dois aquíferos, apesar de existir entre ambos uma
imensa diferença cronológica. Os aquíferos Bambuí e Urucuia são
responsáveis pela formação e alimentação dos rios que integram a bacia
do São Francisco e as sub-bacias hidrográficas do Tocantins, Araguaia,
além de outras situadas na abrangência do
Cerrado.
Esses três grandes aquíferos, armazenados nos lençóis artesianos,
intercalam-se na parte central dos chapadões do continente
sul-americano, formando lagoas conhecidas como águas emendadas, que
tomam a direção norte, sul, leste e oeste do continente. Essa direção
está condicionada à estrutura geomorfológica que caracteriza cada área,
definindo e delimitando, dessa forma, as bacias e sub-bacias
hidrográficas.
Dos planaltos do centro da
América do Sul brotam
águas responsáveis pela grande alimentação do rio Amazonas, pela sua
margem direita. Das entranhas dos arenitos de idades Mesozoicas brota a
grande maioria das águas da imponente bacia do Paraná, que verte para o
sul do continente. Do alto da
Serra da Canastra,
juntando águas oriundas do arenito da Formação Urucuia e águas retidas
nas galerias do calcáreo Bambuí de idade Proterozoica, correm em direção
ao nordeste do Brasil as águas do São Francisco.

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“No início do século XXI, encontra-se em suspenso o destino do Cerrado”
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Bacias hidrográficas independentes
Além dessas imponentes bacias hidrográficas de dimensões
continentais, no cerrado, ainda brotam águas que dão origem a bacias
hidrográficas independentes de grande importância regional. Algumas são
tão fenomenais que formam acidentes únicos. É o caso da bacia do
Parnaíba, que nasce na
Chapada das Mangabeiras, alimentada com águas oriundas do arenito Urucuia, situado no cerrado do Jalapão, estado do
Tocantins.
A bacia do rio Parnaíba, apesar de as dimensões serem bem menores que
as anteriores, está associada a um grande transporte de sedimentos, que
são distribuídos por vasta área do litoral norte do Brasil, formando
dunas, lagoas, os lençóis maranhenses, os lençóis piauienses, estendendo
até as dunas de Jericoacoara, no Ceará. No seu encontro com o oceano
Atlântico, forma o
Delta do Parnaíba, tão complexo e ao mesmo tempo impressionante que está entre os maiores do Planeta.
Outro exemplo importante refere-se à sub-bacia do rio
Gurgeia,
oriunda do cerrado piauiense, responsável pela irrigação de uma vasta
área e pela formação dos poços jorrantes com águas que brotam com tanta
pressão que, ao surgirem até a superfície, atingem vários metros de
altura.
O Cerrado e os rios do Amazonas
A
Bacia Amazônica é considerada a maior rede
hidrográfica do Planeta. Para descrevê-la, um observador, mesmo do
espaço, é incapaz de avaliar sua complexidade em meio a ilhas, furos,
paranás e igarapés.
A bacia hidrográfica do
Amazonas tem sua gênese a
partir de três importantes regimes: águas de origem glacial,
provenientes dos Andes; águas de origem pluvial, que alimentam a bacia
pela margem esquerda; e águas tanto de origem pluvial como de lençóis
profundos, que a alimentam pela margem direita. Na realidade, são esses
rios da margem direita que contribuem para os maiores volumes de água na
alimentação do Amazonas e também são responsáveis pela sua regularidade
e sua perenização, já que as águas pluviais e glaciares da sua margem
esquerda e nascentes, apesar de volumosas, possuem regimes irregulares.
Tomando a orientação de leste para oeste, pode-se constatar quão
extensos e volumosos são os afluentes da margem direita do rio Amazonas,
que brotam no coração do
cerrado e cujas vertentes, qual artérias interligadas, são bombeadas para irrigar e oxigenar o pai dos rios.
Tocantins ou Araguaia
As sub-bacias do
Tocantins e
Araguaia são tão complexas e extensas que não se tem certeza de qual dos dois chega primeiro ao
Amazonas, ao sul de
Marajó. Oficialmente é o Tocantins, mas é ele que deságua no
Araguaia,
e não o inverso. Porém a nomenclatura não é um fator relevante. O mais
importante é a quantidade de água e sedimentos que esses rios levam até a
foz do
Amazonas, transformando-a num ecossistema extremamente complexo.
Tocantins, um rio de vários nomes
O
rio Tocantins bem poderia ser chamado de
rio Uru, que nasce nos contrafortes da
Serra Dourada e segue ao norte, ao passo que seus irmãos de nascentes tomam rumo oeste em direção ao
Araguaia ou rumo sul em direção ao
Paranaíba.
Entre as pedras, o
Uru é
Uruíta, mais abaixo dialoga com
dona Ana e se formou
Uruana. Depois de tanto se encorpar, tornou-se
Uruaçú ou
Uru-grande, nos vocábulos do
Tupi. Ou o
Tocantins seria o
Rio das Almas, proveniente dos
Pirineus, ou
Maranhão ou ainda o
Paranã, que vem do longínquo lugar onde as águas se emendam?
O fato é que o rio
Tocantins
é todos eles e muito mais. Inúmeros afluentes caudalosos o alimentam
pela margem direita e pela margem esquerda. Alguns da margem direita têm
suas nascentes emendadas com águas que correm para a
bacia do São Francisco, como é o caso das águas provenientes do Jalapão e as águas do Paranã, oriundas do atual município de
Formosa, em
Goiás.
O mesmo fenômeno acontece em relação aos afluentes da margem
esquerda, com aqueles da margem direita do Araguaia. São as reentrâncias
do interflúvio formado pela Serra do Estrondo que os separam.
Rio Araguaia
O
rio Araguaia nasce em formações pertencentes à bacia geológica do
Paraná, mas integra a bacia hidrográfica do
Amazonas. Seu berço e seu curso superior são compostos por águas do
Aquífero Guarani. No seu nascedouro, esse aquífero se encontra nas formações
Baurú e
Botucatu. No mesmo local nascem os
rios Taquari, que corre no sentido oeste integrando a sub-bacia do
rio Paraguai no
Pantanal Mato-grossense, e o
Aporé, que corre para sudeste, desaguando no
Paranaíba, formador do
Paraná.
Entretanto o
Araguaia segue sereno para o norte,
recebendo a todo instante portentosos afluentes tanto pela margem
direita quanto pela esquerda. Alguns desses afluentes são tão extensos e
complexos que delimitam, no tempo e no espaço, histórias próprias. Esse
é o caso do
rio das Mortes, cuja nascente brota das reentrâncias da
Serra do Roncador, a pouca distância, onde ao sul nascem os
rios do Pantanal Norte, sub-bacia do
Paraguai.
No seu curso intermediário, o Araguaia abraça a
Ilha do Bananal,
a maior ilha fluvial do mundo. Na realidade, trata-se de um grande
território com rios próprios, lagos e uma diversidade biótica
impressionante. Em meio a essa complexidade, segue o
Araguaia, até encontrar-se com o
Tocantins ou vice-versa, como já foi dito.
Bem próximo à nascente do
Rio das Mortes, emergem também das reentrâncias da
Serra do Roncador os grandes afluentes do
Xingu. Aí também se situam as nascentes do caudaloso
Teles Pires. Na borda oeste dessa
Serra, surgem as águas do
rio Arinos, que mais abaixo se une com as
águas do Juruena,
formado por uma complexa rede de nascentes oriundas da borda norte da
chapada dos Parecis, toda coberta por cerrado. Teles Pires, Arinos e
Juruena se juntam para formar o Tapajós, que deságua no Amazonas na
cidade de Santarém.
Guaporé, Mamoré e Madeira têm suas nascentes situadas nos limites
oeste do Cerrado, desde a depressão relativa do Pantanal Mato-Grossense
até as águas provenientes das ilhas de cerrado situadas nos longínquos
planaltos de Alta Lídia, Serra dos Pakaás-Novos. Daí, então, descambam
águas do Jamarí que vão engrossar o já grandioso Ji-Paraná, que deságua
no Madeira.

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“O que se pode afirmar é que enquanto o desejo de explorar o Cerrado
tiver raízes estrangeiras, a possibilidade de um programa racional de
desenvolvimento será nula”
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O Cerrado e a Bacia hidrográfica do São Francisco
O
rio São Francisco e toda sua bacia hidrográfica
correm por inúmeras terras do território brasileiro. O São Francisco tem
sua nascente situada em áreas de cerrado, na Serra da Canastra, estado
de Minas Gerais. É alimentado especialmente pelas águas acumuladas no
aquífero Urucuia e no aquífero Bambuí. Seu regime é marcado por
diferenciações básicas.
A grande totalidade dos afluentes da margem
direita que recebe suas águas principalmente das chuvas sofre influência
direta de climas semiáridos, conduzidos até o curso médio superior do
grande vale, pelos eixos de expansão de semiaridez. Esses rios são
classificados como rios temporários, que desaparecem na estação seca.
Portanto, a perenização do São Francisco está na dependência direta dos
seus afluentes que o alimentam pela margem esquerda.
Esses rios caudalosos e outrora cristalinos correm encaixados e
paralelos na formação geológica Urucuia.
A grande maioria provém dos
contrafortes leste da Serra Geral ou Espigão Mestre, como é o caso dos
rios Carinhanha, Pratudinho, Pratudão, Formoso, Arrojado, Correntina, do
Meio, Guará, Santo Antonio, Corrente e Grande.
Outros que o alimentam na porção superior têm suas nascentes nas
águas emendadas próximas ao Distrito Federal, como é o caso dos rios
Preto e Urucuia. Este dá nome à formação geológica que abriga o aquífero
Urucuia, responsável por quase 80% das águas que alimentam o São
Francisco.
O rio Paracatu é o responsável pela junção das águas dos aquíferos
Bambuí e Urucuia. E tem suas nascentes situadas numa mancha isolada da
formação Urucuia. Ainda pela margem direita, o rio das Velhas contribui
com o São Francisco, no seu curso superior, com águas oriundas, quase em
sua totalidade, do aquífero Bambuí.
A última grande nascente ao norte se constitui no nascedouro do rio
Preto, afluente do rio Grande. As nascentes do rio Preto estão em áreas
aflorantes do arenito Urucuia, na região do Jalapão, um pouco ao sul da
nascente do Parnaíba, com água quase emendada com o rio do Sono,
afluente do Tocantins.
O Cerrado e as Águas do Paraná
A
Bacia hidrográfica do Paraná é outra formada e
alimentada pelas águas do Cerrado. Apenas em sua porção inferior, após
receber o rio Uruguai, esse fenômeno não é tão evidente.
As águas nascentes da
bacia do Paraná se espalham
como um leque a partir do coração do Cerrado, correndo em direção ao sul
do continente. Das escarpas sul da Chapada dos Parecis e das escarpas
oeste da
Serra do Roncador fluem as águas formadoras da sub-bacia do Paraguai.
O rio Paraná é formado pela junção dos
rios Paranaíba e
Grande. As águas iniciais do
Paranaíba são originárias das águas emendadas que viajam desde o norte do
Distrito Federal, e se juntam às que vertem da
Serra das Divisões do Centro-Sul de Goiás, até as que vêm das bordas leste e sul da
Serra do Caiapó.
As águas do rio Grande se precipitam da borda oeste da
Serra da Mantiqueira, numa área de
Mata Atlântica, mas seu curso maior percorre de leste a oeste o estado de
Minas Gerais, e são as águas do
Cerrado mineiro que lhes dão corpo.
Assim, representada por uma complexa teia, as águas que brotam do
Cerrado são as responsáveis pela alimentação e configuração das grandes
bacias hidrográficas da América do Sul.
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| Foto: gpsdoagronegocio.blogspot.com.br |
IHU On-Line – O senhor associa a recente crise de abastecimento de água em São Paulo à condição ambiental do Cerrado?
Altair Sales Barbosa - Para entender este assunto, é
necessário compreender que um aquífero possui sua área de descarga e de
recarga. A área de recarga de um aquífero se situa nos chapadões ou em
suas áreas mais planas. Quem exerce a função de alimentar os lençóis
profundos é a vegetação, especialmente a vegetação nativa.
No caso específico das plantas do cerrado, estas possuem um sistema
radicular extremamente profundo e complexo. Estas plantas existiam até
bem pouco tempo, nas áreas de recargas do
aquífero Guarani, responsáveis pelas águas da
bacia do Paraná.
Com a introdução da monocultura, essas plantas foram substituídas por
vegetais com raízes subsuperficiais que não sugam as águas como as
plantas nativas. A consequência é que com o passar dos tempos as águas
dos aquíferos vão diminuindo.
Num primeiro momento ocorre o fenômeno
denominado migração de nascentes das partes mais elevadas para as partes
mais baixas. Num segundo momento os cursos d’águas menores iniciam um
processo de desaparecimento e assim por diante, são veias menores que
deixam de irrigar as maiores.
No caso específico das crises de abastecimento de água que afetam o
Estado de São Paulo,
por exemplo, o problema jamais será solucionado em sua totalidade. Isto
porque a situação está intimamente ligada a dois problemas: o primeiro é
a estiagem prolongada provocada por fatores que independem da ação
humana, como el Niño, por exemplo.
O segundo é a vazão dos rios
alimentadores das represas, que não ostentam mais a quantidade de água
de tempos atrás. Consequência: com a normalização da precipitação
pluviométrica depois de certo tempo (uns quatro anos), os níveis das
represas podem atingir a plenitude.
Entretanto, com o advento de outra
estiagem cíclica, a situação voltará a se repetir. O
Sistema Cantareira é abastecido principalmente pelo rio Piracicaba, afluente do
rio Doce,
que aparentemente nada tem a ver com a bacia do Paraná.
Entretanto, se
penetrarmos além das aparências, iremos constatar que além das águas que
fluem da
Serra do Mar, as águas do aquífero Guarani
são as responsáveis pela alimentação das nascentes da represa, basta ver
a geotecnia das nascentes do rio Piracicaba, bacia do rio Doce, e suas
relações com as nascentes do ribeirão Baguaçu, proveniente do aquífero
Guarani e pertencente à Bacia do Paraná.
IHU On-Line – Qual é a atual situação dos rios que nascem no
Cerrado? É possível constatar alguma mudança no fluxo da água deles ao
longo dos últimos anos? O senhor mencionou recentemente que dez pequenos
rios do Cerrado desaparecem a cada ano. É possível estimar quantos
pequenos rios já desapareceram e o que isso significa num quadro geral
acerca dos recursos hídricos do cerrado?
Altair Sales Barbosa - A partir de 1970, uma nova
matriz territorial foi implantada na área do Cerrado. Essa matriz tem
raízes e consequências predatórias. A partir desse momento foi só uma
questão de tempo para que os problemas ambientais viessem a aparecer e
se agravarem com o tempo.
A questão atual do desaparecimento dos pequenos cursos d’água, alimentadores dos maiores, é apenas a ponta de um
“iceberg” que tende a se tornar cada vez mais evidente.
IHU On-Line – É possível avaliar qual a situação ambiental do Aquífero Guarani?
Altair Sales Barbosa - É muito difícil precisar esta
situação em função da ausência de pesquisas. Entretanto, se projetarmos
as consequências advindas da degradação, podemos afirmar que se não
houver uma solução científica e tecnológica capaz de aumentar a recarga
deste aquífero, num tempo muito mais curto que possamos imaginar, suas
reservas desaparecerão quase que por completo.
Veja o que já está
acontecendo com o rio
São Francisco, alimentado pelos aquíferos Urucuia e Bambuí, que estão passando pelo mesmo processo de degradação.
IHU On-Line – Com a crise de abastecimento em São Paulo,
fala-se em possíveis riscos de desertificação, como de extermínio das
reservas hídricas existentes no subsolo. Esse risco existe de fato? Em
que proporção no atual momento? Se o Cerrado já está extinto, como
reverter a crise hídrica? Por quais razões não se trata e não se
menciona a importância do Cerrado nas discussões acerca da crise de
abastecimento da água?
Altair Sales Barbosa - O potencial agrícola que o
cerrado tem demonstrado o transformou em uma das últimas reservas da
terra capazes de suportar, de modo imediato, a produção de cereais e a
formação de pastagens.
E o desenvolvimento das técnicas modernas de
cultivo tem atraído, recentemente, grandes investimentos e criado
modificações significativas do ponto de vista da infraestrutura de
suporte.
O fato da não existência de uma política global para
agricultura tem provocado o êxodo rural e o crescimento desordenado dos
núcleos urbanos. Todos esses fatores, no seu conjunto, têm provocado
situações nocivas ao meio ambiente, com perspectivas preocupantes.
De todos os grandes
Domínios Morfoclimáticos e Fitogeográficos Brasileiros, para usar a linguagem do
Prof. Ab’Saber, ou
Sistemas Biogeográficos, o
Cerrado
tem sido o que mais transformações vem sofrendo nos últimos anos.
Porém, não só transformações das técnicas de produção, mas outras muito
mais profundas, isto é, transformações culturais, que têm afetado o
próprio modo de vida das populações, desestruturando os valores e,
muitas vezes, provocando um vazio, não repondo algo que venha a
preencher o espaço deixado pelos elementos que foram ou estão sendo
subtraídos.
Os antigos núcleos urbanos, quase todos originados em torno de
atividades mineradoras, principalmente os do início do século XVIII,
veem-se de repente transformados em polos regionais de inovações e
agenciadores de “mudanças radicais” nos sistemas de relações, com seus
inúmeros serviços, quase todos voltados para atividades agroindustriais e
com preocupações imediatistas.
A criação de
Goiânia, posteriormente
Brasília,
juntamente com o desenvolvimento do sistema viário e o processo de
modernização da agricultura, veio contribuir com certa radicalização nas
modificações dos fatores até então estruturados, rompendo em estilhaços
seus traços mais tradicionais.
Até bem pouco tempo, as áreas do
Sistema Biogeográfico do Cerrado
não eram muito valorizadas, nem procuradas para implantação de grandes
atividades agropastoris.
As suas partes mais intensamente ocupadas eram
restritas ao Subsistema de Matas, ou seja, áreas florestadas que existem
dentro do Sistema e que estão sempre associadas a solos de boa
fertilidade natural. Por isso essas áreas, também denominadas de “terras
de cultura”, foram as primeiras a receber o impacto de uma degradação
maior. Ao seu lado, em escala menor, podem ser citadas as áreas que
compõem o
Subsistema Cerradão e as
Matas-Galerias.

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“Não se mede a degradação ambiental apenas pela ocorrência de uma ou
outra planta. Há de se considerar comunidades, tanto vegetais como
animais, incluindo insetos polinizadores, água, etc., tudo isto já não
existe no cerrado de forma contínua. O que há são fragmentos que não
representam 10% da área total”
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As demais áreas, que constituem as maiores superfícies do Sistema, como os Subsistemas do
Cerrado, do Campo, das
Veredas e Ambientes Alagadiços,
em virtude das características dos seus solos, não favorecem de
imediato uma ocupação intensiva, não tiveram tanto impacto no início
maciço da ocupação humana.
Essas áreas, outrora ocupadas pelo criatório
extensivo, tinham como suporte uma pastagem nativa, cujo teor
alimentício estava condicionado à sazonalidade climática, fato que
obrigava os rebanhos a migrações longas. E durante a estação seca eram
conduzidos para as “veredas”, onde a umidade mantinha o capim
verdejante, mesmo no auge da seca. Entretanto, essas áreas de veredas
não ocupam grande extensão e, na época da estação chuvosa, em função de
muitos fatores, não é propícia a sua ocupação por rebanhos. Nessa época
chuvosa, o rebanho pode ser transportado para as áreas mais elevadas
(campos e cerrado).
Esse fator das migrações sazonarias é responsável
por um sistema pastoril que exige grandes extensões de terras, que
poderiam ser compradas, arrendadas ou simplesmente ocupadas na forma de
posse ou “fechos”.
A utilização do calcário para a correção da acidez do solo e do adubo
para aumento da sua fertilidade, a introdução do arado e de sistemas
mecânicos de desmatamento e a facilidade de irrigação transformaram
essas áreas, anteriormente impróprias para atividades agrícolas, em
terras produtivas.
Outrossim, a substituição das pastagens nativas por
espécies estrangeiras modificou radicalmente o quadro pastoril.
Os impactos causados sobre o ambiente por esse novo modelo de
ocupação são visíveis e podem ser caracterizados pelos itens seguintes:
- empobrecimento genético;
- empobrecimento dos ecossistemas;
- destruição da vegetação nativa;
- propagação de ervas exóticas;
- extinção da fauna nativa;
- diminuição e poluição dos mananciais hídricos;
- compactação e erosão dos solos;
- contaminação química das águas e da biota;
- proliferação de doenças desconhecidas, etc.
Exploração do cerrado
Esses fatores em conjunto geram inúmeros outros que, por sua vez,
funcionam como agentes de atração populacional e de modificações
significativas do ambiente.
Como exemplo, podemos citar a demanda de
energia que exige a formação de grandes reservatórios e usinas geradoras
que criam inúmeras frentes de trabalho, diretas e indiretas,
acarretando entropias de grande alcance natural e social.
Assim é que, no início do
século XXI, encontra-se em suspenso o destino do
Cerrado.
Se as próximas décadas trarão sua ruína ou salvação, ainda não se pode
dizer. Embora sejam grandes as lacunas no nosso conhecimento, dispomos
de informações suficientes para impedirmos que ocorra uma degradação
irreversível.
O que se pode afirmar é que enquanto o desejo de explorar o
Cerrado tiver raízes estrangeiras, a possibilidade de um programa racional de desenvolvimento será nula.
O cerrado está incluído no
Planejamento Político Brasileiro como região de expansão da fronteira agrícola, orientada por práticas predatórias, causando um cenário estarrecedor.
A retirada total da cobertura vegetal afetará, de forma decisiva, a
já reduzida recarga dos aquíferos, cujas reservas chegarão a um nível
crítico, pois as águas pluviais que conseguirem penetrar através do solo
serão de imediato absorvidas por estes, dado seus estados de aridez em
função da insolação.
A pouca umidade retida se evaporará de forma rápida
pelas mesmas causas. No início, os problemas oriundos dessa situação
tentarão ser contornados com a construção de barramentos, através de
curvas de níveis e pequenos açudes, para reter as águas das chuvas.
Entretanto, os ambientes que surgem desse processo têm caráter bêntico,
fato que origina a argilicificação e a consequente impermeabilização do
fundo dos poços, que, associada à forte insolação, resultará numa ação
de nula eficácia.
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| Foto: cmbbc.cpac.embrapa.br |
Aquíferos
O primeiro aquífero a ter suas reservas diminuídas será o
Urucuia, até o quase total desaparecimento, seguido do
aquífero Bambuí e do
aquífero Guarani.
Com o desaparecimento do lençol freático, seguido da diminuição
drástica da reserva dos aquíferos, os rios iniciarão um processo de
diminuição da perenidade, oscilando sempre para menos, entre uma estação
chuvosa e outra, e desaparecendo quase por completo na estação seca.
Esse fato afetará primeiro os pequenos cursos d’água, depois os de médio
porte e, em seguida, os grandes rios.
Os fenômenos ocorridos nos chapadões centrais do
Brasil, em função do desaparecimento do cerrado, afetarão, de forma direta, várias partes do continente.
A parte sul da calha do
rio Amazonas, representada
pelos baixos chapadões, terá uma rede de drenagem insignificante no que
diz respeito ao volume d’água, uma vez que os grandes afluentes da
margem direita, que têm suas nascentes e seus alimentadores situados no
cerrado, deixarão de existir ou terão seus volumes diminuídos de forma
significativa nos cursos superiores e médios.
Os grandes afluentes do
rio Amazonas, pela sua margem direita, serão alimentados apenas nos seus cursos inferiores, fato que reduzirá em mais de 80% suas vazões.
A floresta equatorial deixará de existir na sua configuração
original, sendo paulatinamente substituída por uma vegetação rala do
tipo caatinga, salpicada em alguns locais por espécies de plantas
adaptadas a um ambiente mais seco.
O vale do
Parnaíba, englobando a bacia geológica
Parnaíba-Maranhão, será invadido na direção sul/norte por dunas arenosas secas provenientes da
Formação Urucuia, existentes no
Jalapão e na
Chapada das Mangabeiras.
E, na direção norte/sul, será invadido por sedimentos arenosos litorâneos que caracterizam os
Lençóis Maranhenses e
Piauienses,
que, em virtude de condições favoráveis, terão facilidade de transporte
eólico em direção ao interior. Os atuais poços jorrantes do vale do
Gurgueia deixarão de ser fluentes.
Com o desaparecimento dos principais afluentes do rio
São Francisco, pela sua margem esquerda, que cortam o arenito
Urucuia,
a ausência de alimentação constante e o assoreamento contribuirão para o
desaparecimento do grande rio, nos seus aspectos originais.
Permanecerão algumas lagoas e cacimbas, onde o terreno tiver
característica argilosa, ou outra rocha impermeabilizante originária da
metaformose do calcário
Bambuí.
A
Caatinga, que já caracteriza parte do curso inferior do rio
São Francisco,
avançará um pouco mais em direção ao norte, transicionando
paulatinamente para a formação de uma grande área desértica que
certamente abrangerá o centro, o oeste, o sul da
Bahia e norte e centro de
Minas Gerais.
A região da
Serra da Canastra permanecerá com alguns elementos originais, como uma espécie de enclave geoecológico, com clima subúmido.
Nas áreas correspondentes aos formadores e às bordas da
Bacia Hidrográfica do Paraná, as desintegrações intensas dos arenitos
Botucatu e
Bauru – que já formaram na região, durante os períodos
Triássico e
Cretáceo,
grandes desertos, acordarão de um sono profundo, expandindo seus grãos
de areia em várias direções, provocando erosões colossais, assoreamento e
acúmulos de sedimentos na configuração de dunas. Do curso médio da
Bacia do Paraná até a parte superior de seus afluentes, haverá muitas
áreas desérticas separadas por formações rochosas ostentando vegetação
de características áridas e semiáridas.
A sub-bacia do
rio Paraguai, alimentada pelo
aquífero Guarani, sofrerá as mesmas consequências das demais regiões hidrográficas do
Cerrado, transformando o atual
Pantanal Mato-Grossense numa área de desertos arenosos, tal como já ocorreu na região durante o
Pleistoceno Superior, onde ali existia o deserto do
Grande Pantanal.
Logo após o desaparecimento por completo das comunidades vegetais
nativas, a agroindústria terá seus dias de grande apogeu em termos de
produtividade.
Grave processo de modificação
Os núcleos urbanos criados ou dinamizados como suportes dessas
atividades atingirão também seu apogeu em termos de aumento demográfico e
em termos de ofertas e oportunidades de serviços de natureza diversa.
Passado certo tempo, contado em alguns poucos anos, essa realidade
experimentará um grave processo de modificação. A produtividade agrícola
começará a diminuir assustadoramente, causando ondas de demissões nas
empresas estabelecidas.
Isso acontecerá porque a água dos lençóis
subterrâneos não será mais suficiente para sustentar a produção no
sistema de rotatividade de antes. Não haverá água para fazer funcionarem
os pivôs centrais. A atividade agrícola sobrevivente se restringirá à
época da estação chuvosa, que já se manifestará com instabilidades
sazonais.
Os solos, outrora preparados intensivamente para os cultivos, serão
ocupados em pequenas parcelas, deixando exposta uma grande superfície
desnudada. Da mesma forma as pastagens que sustentavam a pecuária serão
afetadas, provocando a redução paulatina dos rebanhos.
Essa situação começará a refletir de forma visível nos polos urbanos. Haverá
racionamento de água,
em função da diminuição da vazão dos rios, que, por sua vez, provocará a
redução do nível dos reservatórios. O racionamento de energia elétrica
também será imposto pelas mesmas causas. O desemprego e os serviços,
antes fartos e variados, afundarão numa crise sem precedentes.

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“O cerrado está incluído no Planejamento Político Brasileiro como
região de expansão da fronteira agrícola, orientada por práticas
predatórias, causando um cenário estarrecedor”
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Isso provocará o aumento de pessoas ociosas e vadias nas cidades,
situação que criará enormes embaraços sociais desagradáveis. Haverá a
intensificação da criminalidade de todas as espécies, desde pequenos
furtos, saques, assaltos e assassinatos. A prostituição se generalizará,
trazendo consequências consideráveis para a saúde pública, que se
apresenta cada vez mais decadente. Os serviços públicos, incluindo a
educação, por falta de arrecadação e manutenção, começarão a beirar o
caos.
Depois de certo tempo a ausência de água nos rios criará uma paisagem
desoladora. Áreas outrora ocupadas pelas lavouras serão caracterizadas
por formas vegetacionais rasteiras e exóticas, típicas de formações
desérticas, com um ciclo vegetativo muito curto.
Grande parte dos campos agrícolas abandonados, sem a cobertura
vegetal necessária para fixar o solo, passará, durante algumas épocas do
ano, a ser assolada por ventos e tempestades fortes, que criarão uma
atmosfera escura carregada de grãos finos de poeira em extensões
quilométricas.
Os polos urbanos serão assolados por diversas epidemias, que
provocarão índices alarmantes de mortalidade. A maioria da população
sucumbirá diante da miséria crescente.
Sobre a INFRAMERICA desmatando o Cerrado para construir... concessionarias de automóveis (!!) abra o link abaixo:
http://associacaoparkwayresidencial.blogspot.com.ar/2014/10/inframerica-revitaliza-as.html