segunda-feira, 2 de março de 2015

Ameaçar as magistraturas do Ministério Público e do Judiciário constitui ameaça à própria Democracia

BLOG do SOMBRA

No DF: ANPR rechaça ameaças ao Procurador-Geral da República

Ameaçar as magistraturas do Ministério Público e do Judiciário constitui ameaça à própria Democracia

Nesta sexta-feira, 27, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) vem a público rechaçar as ameaças à segurança do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, bem como a dos demais membros do Ministério Público brasileiro.


Seja no interior do país ou na capital federal, é inaceitável que tentativas isoladas ou perpetradas por grupos criminosos assombrem o cotidiano daqueles que têm a atribuição constitucional de defender os direitos da sociedade.

Em Brasília, por força dos desdobramentos da Operação Lava-Jato, fatos concretos obrigaram o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a adotar medidas de contenção...

É dever do Estado – conforme consta das Regras de Havana sobre a atividade do Ministério Público, de autoria da Organização das Nações Unidas – assegurar que os promotores possam executar suas funções profissionais sem intimidação, obstáculo, perturbação, interferência imprópria ou exposição injustificada a obrigação civil, penal ou outras. Aceitar o contrário seria relegar a sociedade brasileira aos desmandos e vontades de criminosos. Significaria, em última instância, abrir mão do Estado Democrático de Direito e renunciar a valores tão caros para a República brasileira: os direitos humanos e as garantias fundamentais.

No momento em que a sociedade assiste perplexa o cerco se fechar contra a corrupção, o alto nível de organização de quadrilhas criminosas revela que a guerra contra o crime permanece desafiadora. Entretanto, como guardiões da ordem jurídica e do regime democrático, os membros do Ministério Público não hesitarão em continuar na linha de frente do combate à criminalidade, e tampouco se intimidarão.

Ameaçar as magistraturas do Ministério Público e do Judiciário constitui ameaça à própria Democracia. A Associação Nacional dos Procuradores da República alerta para a necessidade de assegurar ao Procurador-Geral da República a segurança indispensável ao desempenho de sua relevante atribuição constitucional.

Alexandre Camanho de Assis

Procurador Regional da República

Presidente da ANPR

Fonte: Gama Livre/ANPR - 02/03/2015 - - 08:29:06

Legislativo do DF: Em tempos de crise, distritais esbanjam


BLOG do SOMBRA

Na Câmara Legislativa, distritais consideram plausível a redução de gastos: "Devemos pesar o que é necessário e o que pode ser cortado", diz a presidente da Casa, Celina Leão


Enquanto o Governo do Distrito Federal (GDF) encaminha para apreciação dos deputados distritais uma série de propostas que visam aumentar a arrecadação este ano em R$ 400 milhões a partir da correção de impostos, os parlamentares não dão exemplo de como cortar os próprios gastos. Apenas com a redução em 50% do custo anual com estrutura e emendas dos distritais do DF, calculado em cerca de R$ 460 milhões, seria possível cobrir mais da metade do que o governo espera arrecadar este ano com o aumento de tributos. Para o secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, qualquer alternativa para não onerar o bolso do contribuinte deve ser levada em conta...

Ao comparar o custo mensal com salário, verbas indenizatória e de gabinete e o auxílio-alimentação de deputados distritais e federais, nota-se outra discrepância: com apenas esses gastos somados, um parlamentar da Câmara Legislativa (CLDF) custa 78,5% a mais do que um deputado da bancada do DF no Congresso Nacional. O motivo é que, na Casa local, a verba para pagar salários de pessoal de gabinete é quase o dobro da destinada aos federais; uma diferença de 96,2%.

O limite de gastos com pagamento de funcionários de gabinete da Câmara Legislativa é estipulado pela Lei nº 4.342/09. Ela fixa a composição de gabinete na CLDF com quatro cargos de CNE, que chegam a R$ 16,5 mil cada um; seis cargos CL-14, de R$ 12,7 mil; dois CL-09, de R$ 7,5 mil; dois CL-07, de R$ 6 mil; e dois CL-06, de R$ 5,4 mil, num total de R$ 180,8 mil por mês para cada um dos 24 distritais. Além disso, a lei prevê a cada deputado a indicação, nos blocos partidários e nas lideranças, de três cargos CL-11. Cada um custa, por mês, R$ 9,2 mil, totalizando R$ 27,6 mil mensais.

Gordura
Como a verba indenizatória dos parlamentares federais ainda cobre gastos com hospedagem e passagens aéreas, o custo dos deputados distritais pode ser considerado ainda maior, pois eles não precisam se deslocar de avião para comparecer às sessões plenárias no DF. Outro aspecto importante da atividade parlamentar é a indicação de emendas ao orçamento do Executivo. Todo ano, cada deputado pode encaminhar sugestões de obras e investimentos de até R$ 16 milhões, num total de R$ 384 milhões do governo que são sujeitos à atividade parlamentar.

“Há muita gordura a ser queimada no Legislativo e no Executivo, especialmente nas administrações regionais. Mas caberia aos deputados colaborarem com esse esforço de ajuste fiscal, até porque é injustificável que uma verba de gabinete de deputado distrital seja maior do que a do federal”, opina Castello Branco. Para ele, a indicação de emendas por parlamentares também poderia ser extinta. “Havendo um bom relacionamento entre Executivo e Legislativo, as leis orçamentárias poderiam englobar as demandas das regiões de atuação dos deputados, o que torna dispensável a indicação de emendas”, aponta.

Entre alguns deputados federais do DF, o assunto é tratado com indignação. Para Alberto Fraga (DEM), por exemplo, o ideal é que as cotas parlamentares da CLDF e da Câmara dos Deputados seja proporcional. “Qualquer parlamentar deve ter condições de ter uma equipe qualificada, mas o mínimo que se deveria exigir do Legislativo do DF é uma relação proporcional da verba indenizatória em comparação à Câmara dos Deputados. Se o salário deles é de 75% do deputado federal, isso deveria valer para as verbas indenizatórias. É um absurdo haver legislativos no país que concedem até R$ 300 mil de verbas dessa natureza a cada deputado estadual”, afirma.

Izalci Lucas (PSDB) também concorda que a Câmara Legislativa é muito cara. “Os deputados federais do DF não têm direito a auxílio-moradia e verbas para passagens aéreas, o que aumenta ainda mais a diferença entre um parlamentar distrital e um federal”, diz. “Enquanto deputados federais de outros estados devem percorrer grandes distâncias para atender as bases em seus estados, um distrital recebe um valor proporcionalmente maior para ficar dentro do DF”, compara.

Redução
Para o deputado distrital Reginaldo Veras (PDT), a CLDF tem condições de dar um bom exemplo no corte de despesas. “É possível a Câmara reduzir, mas querer reduzir é uma outra história”, alerta. Ele afirma ter lançado mão de 25% da verba para pagamento de pessoal e de 85% da verba indenizatória. “Reduzi os custos com pessoal ao privilegiar o aproveitamento de servidores públicos, que recebem 55% dos valores dos cargos assumidos no Legislativo. Além disso, acho um absurdo cada deputado ter direito a cerca de R$ 13 mil para despesas com correspondência. Por isso, no fim de ano, recebemos tantas propagandas de deputados”, observa.

A presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão (PDT), não desconsidera a possibilidade de os deputados distritais contribuírem com a redução de gastos, mas ela lembra que a verba de gabinete é destinada ao pagamento de pessoal contratado para desempenhar as atividades inerentes ao Legislativo. “Um deputado precisa ter estrutura com equipe competente, por isso esses valores da verba de gabinete são importantes. Além disso, foi na legislatura anterior que cortamos os salários extras. Devemos pesar o que é necessário e o que pode ser cortado”, pondera.

Devolução
Apesar de o custo da Câmara ser alto, todos os anos são devolvidos recursos não executados pelo Legislativo para o Tesouro do DF. Em 2014, do total de R$ 51,6 milhões do orçamento que ficou sem destinação, R$ 36 milhões foram transferidos à Secretaria de Saúde para o pagamento de despesas com pessoal da rede pública de saúde.

Fonte: Por Arthur Paganini, Correio Braziliense - 02/03/2015 - - 09:59:26

Opinião: Farra com o meu, o teu, o nosso dinheiro

BLOG do SOMBRA

Causa indignação a insensibilidade apresentada logo na abertura dos trabalhos de 2015


A decisão do comando da Câmara de aumentar as regalias dos deputados repercutiu mal, muito mal.


Eduardo Cunha engordou o já gordo kit mordomia posto à disposição dos parlamentares. Robusteceu o auxílio-moradia e a ajuda para a atividade parlamentar. A verba de gabinete, destinada à livre contratação de servidores, passou de R$ 78 mil para R$ 92 mil. Mais: devolveu privilégio cassado há seis anos. Cônjuges voltarão a ter passagens pagas pelo erário. No total, as benesses atingirão o montante de R$ 150 milhões anuais. ...

Cunha explicou que não se trata de aumento nos gastos da Casa. Trata-se de correção monetária. Desde julho de 2012, os valores não são corrigidos. É verdade. É verdade também que há muita gordura para ser queimada. Considerado o delicado momento que a economia atravessa, incrementar mordomias soa como acinte aos brasileiros, que veem o mês se alongar e o salário se reduzir. Mais atentos à realidade nacional, os 64 deputados do PSDB e do PPS anunciaram que recusam a bolsa-cônjuge.

É de lamentar o ocorrido, que vai de encontro às urgências do Brasil. A reconquista da credibilidade é um dos grandes desafios do Congresso. Talvez seja o maior. No sistema representativo, o eleitor escolhe o candidato que supõe faça o que ele faria em situações cruciais para a sociedade e o país. Senadores e deputados, ao receber o mandato, assumem simbolicamente a identidade do cidadão que confiou na pessoa e nas palavras do postulante ao cargo.

 Decepções vêm se sucedendo. Entre os efeitos nocivos da ditadura, sobressai o rebaixamento do Legislativo. Os governos militares lhe desidrataram o poder. Como compensação, multiplicaram as benesses que não pararam de crescer. Gabinetes, passagens, residências, viagens, gasolina, carros oficiais, verbas para contratação de servidores, franquias postais e telefônicas contribuíram para criar um parlamento obeso, sem musculatura.

O regime de exceção passou. Mas o Congresso manteve a atrofia em relação ao Executivo e ao Judiciário. Eduardo Cunha, na disputa da Presidência da Câmara, levantou a bandeira de independência e recuperação do prestígio do Poder que legisla e fiscaliza. A proposta mereceu aplausos. Com razão. O Legislativo constitui um dos tripés da democracia. Fragilizado, fragiliza o regime de franquias.

Causa indignação a insensibilidade apresentada logo na abertura dos trabalhos de 2015. Os membros da Mesa Diretora da Câmara dão prova de total alienação da realidade. São pessoas que não sabem ler o tempo em que vivem. Extemporâneas, ressuscitaram cadáver enterrado em 2009 no féretro da farra das passagens.

Fonte: Correio Braziliense - 01/03/2015 - - 21:09:15

Opinião: #tenhamvergonha O apelo por mais trabalho, seriedade e austeridade converteu-se em protesto consistente, que provocou mau humor nos senhores parlamentares



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Opinião: #tenhamvergonha

O apelo por mais trabalho, seriedade e austeridade converteu-se em protesto consistente, que provocou mau humor nos senhores parlamentares

Os políticos perdem sucessivas chances de se redimir da péssima imagem que têm diante da opinião pública. Jogam fora todas elas. Na semana passada, houve mais uma decisão lamentável na Câmara dos Deputados: a de usar dinheiro de impostos para bancar o turismo de mulheres e maridos de parlamentares. Um acinte aos brasileiros e justamente num momento que requer austeridade, com o país à beira da recessão, ameaçado de rebaixamento e com hospitais e escolas sucateadas. ...

Repito aqui um convite complementar ao que já fiz no ano passado, ao exaltar a participação social na campanha deflagrada pelo Correio Braziliense: #vaitrabalhardeputado. Assim como em 2014, o pedido disseminou-se nas redes sociais, ganhou corpo e visibilidade até nos palcos de teatro. A adesão dos últimos dias revela o quanto o brasileiro está farto com o sem-número de privilégios que os integrantes da Câmara Legislativa, no caso no Distrito Federal, e do Congresso Nacional aprovam em benefício próprio, enquanto fecham os olhos à votação de temas de interesse da população.

O apelo por mais trabalho, seriedade e austeridade converteu-se em protesto consistente, que provocou mau humor nos senhores parlamentares. Muito acostumados a mordomias, que incluem gordas verbas para apadrinhar amigos e férias prolongadas, e pouquíssimo habituados a cobranças. A cara feia deles não nos preocupa. Levar informação à população e cobrar punição aos malfeitos de autoridades são bandeiras do jornal não apenas neste assunto em particular. Sempre dedicamos espaço generoso a questões sociais.

Relembro de novo algumas: levantamos campanhas bem-sucedidas e que surtiram efeitos práticos, como “A paz no trânsito”, que mobilizou os brasilienses e as autoridades e acabou por reduzir as estatísticas de morte nas estradas e avenidas da capital. Encampamos, também, uma luta pela aprovação de pesquisas com células-tronco. Mais recentemente, incorporamos a internet, especialmente as redes sociais, para dar corpo virtual à mobilização já forte no meio impresso. O #vaitrabalhardeputado é um exemplo disso e tornou-se uma campanha constante, sem data para acabar.

Fonte: Por Ana Dubeux, Correio Braziliense. Foto: Internet - 01/03/2015 - - 23:35:50

Em nota, MPF afirma que houve corrupção na Petrobras até dezembro de 2014.



O procurador Deltan Dallagnol já havia se manifestado ontem sobre o tema. Hoje o MPF adotou a mesma argumentação.

Em relação a matéria publicada no jornal Valor no dia 27 tratando de acordos de leniência, o MPF esclarece:
O MPF reconhece a competência da CGU para realizar acordos de leniência e pretende caminhar em harmonia com os demais órgãos e poderes da União, conforme ressaltado em recente reunião com o Tribunal de Contas. Contudo, entende o MPF que, a depender do modo de celebração desse tipo de acordo, ele pode ser prejudicial ao interesse público.

O Ministério Público Federal entende que acordos de leniência, assim como os acordos de colaboração, só podem ser celebrados quando estiverem presentes três requisitos cumulativos: reconhecimento de culpa; ressarcimento, ainda que parcial do dano; e indicação de fatos e provas novos.

Sendo necessária a comunicação de fatos novos e a entrega de novas provas sobre crimes, e estando a investigação dos fatos criminosos sendo desenvolvida, em parte, sob sigilo, é possível que a CGU tome, como novos, fatos e provas apresentados pela empresa que já estejam informados e comprovados na investigação.

A análise de conveniência dos acordos passa pela análise da relevância dos fatos e provas informados diante dos atos praticados pela empresa e em relação aos quais ela pede leniência, bem como diante do que já está comprovado na investigação, englobando fatos públicos e sob sigilo.

O MPF não se opõe a um acordo de leniência que cumpra os requisitos legais. Contudo, diante das circunstâncias do caso, parece inviável que a CGU analise se os requisitos estão sendo atendidos.

Dos 13 acordos de colaboração celebrados no âmbito da investigação da Lava Jato, 11 foram feitos com pessoas soltas e os dois restantes foram feitos com presos que continuaram presos, de modo que está desconectado da realidade o argumento de que prisões são feitas para forçar pessoas a acordos.

Embora legítima a preocupação do governo com consequências econômicas e sociais, a maior preocupação deve ser com as consequências econômicas e sociais da corrupção praticada e em desenvolvimento - lembrando que houve práticas corruptas recém descobertas que ocorreram até dezembro de 2014. Conforme a experiência internacional demonstra, quanto menor a corrupção na sociedade, melhores são as condições para o desenvolvimento econômico e social.

Secretaria de Comunicação Social
Procuradoria Geral da República
 
 
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Delação da Camargo Corrêa vai fechar as comportas da corrupção em Jirau e Belo Monte. Investigação avança sobre R$ 500 bilhões do PAC da Dilma.


(Valor Econômico) Os executivos da Camargo Corrêa que firmaram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF) vão detalhar irregularidades que afirmam ter ocorrido em obras estatais do setor energético, entre as quais empreendimentos licitados durante as duas gestões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no primeiro mandato da presidente Dilma Roussef. 
 
Entre os projetos colocados sob suspeita pelos novos delatores estão alguns que integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado por Lula em janeiro de 2007 e que previa investimentos da ordem de R$ 500 bilhões até 2010 para obras de infraestrutura, como saneamento básico, habitação, transportes, energia e recursos hídricos.

No foco dos investigadores da Operação Lava-Jato estão financiamentos liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No entanto, o banco ainda não é alvo de investigação. As informações foram apuradas com fontes diretamente ligadas à Operação Lava-Jato pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor.

O diretor-presidente da Camargo Corrêa Construções e Participações SA, Dalton dos Santos Avancini, e o vice-presidente, Eduardo Hermelino Leite, fecharam acordo de colaboração premiada com a força-tarefa do MPF na madrugada de sábado.

Entre as obras listadas no rol de projetos que os delatores confirmaram ter sido alvo de cartel de empreiteiras estão as das usinas hidrelétricas de Belo Monte e Jirau, localizadas no Pará e em Rondônia. Somadas, as duas construções ultrapassam os R$ 40 bilhões, segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU). A corte de contas iniciou uma auditoria no ano passado para fiscalizar o repasse de R$ 22,5 bilhões do BNDES para o consórcio Norte Energia SA, responsável pela construção de Belo Monte.

Todas as empresas convidadas a participar da obra de Belo Monte estão sob investigação por suspeita de envolvimento no escândalo de desvios de recursos da Petrobras, segundo o MPF. A partir desta semana o presidente e o vice-presidente da Camargo Corrêa iniciarão séries de longos depoimentos a um delegado da Polícia Federal (PF) e a um procurador da República. Dalton Avancini dará informações e apresentará documentação referentes a Belo Monte e obras hidrelétricas. Segundo o site da Construtora Camargo Corrêa, "só no Brasil, mais de 50% de todo o parque gerador a partir de fontes hídricas tem sua participação".

Já Eduardo Leite está incumbido de apresentar provas de ilícitos em contratos firmados com a Petrobras. Os investigadores não esperam que o executivo aponte novas diretorias envolvidas em corrupção além das três já conhecidas: Abastecimento, Serviços e Internacional. Mas consideram a colaboração de Leite importante para fortalecer a prova sobre cartel. O oferecimento de denúncia por formação de cartel e fraude à Lei de Licitações contra os empreiteiros investigados pela Lava-Jato é um dos próximos passos da acusação.

Em nota divulgada pela assessoria de imprensa no sábado, a Construtora Camargo Corrêa informou que não participou das negociações para o acordo de colaboração premiada de seus executivos e disse que " permanecerá à disposição das autoridades para o que for necessário e sanará eventuais irregularidades, aprimorando a governança administrativa para seguir contribuindo com o desenvolvimento do país."
 
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(O Plano de Destruição do DF volta a ser discutido.Qual será o tamanho do dano desta vez?) Plano de preservação de Brasília volta a ser discutido pelo GDF

Correio Braziliense

URBANISMO

Governo quer criar conselho consultivo para debater o PPCub. Projeto foi alvo de protestos quando encaminhado pela primeira vez à Câmara






postado em 02/03/2015 06:45 / atualizado em 02/03/2015 06:59 



Monique Renne/Esp. CB/D.A Press - 21/11/13

Quase três anos se passaram desde a visita de consultores da Unesco a Brasília. Os dias na capital renderam um relatório crítico sobre o estado de preservação da cidade e um pedido de paralisação na elaboração do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub). Mesmo assim, o governo deu continuidade ao trabalho, alvo de protesto da comunidade, de arquitetos e de urbanistas. Agora, o documento que trata da área tombada tem uma nova oportunidade de cumprir o papel de proteção do patrimônio. O Projeto de Lei nº 78, de 2013, foi retirado da Câmara Legislativa e o governo pretende criar um conselho consultivo para retomar o debate sobre o PPCub.

O documento foi enviado novamente à Câmara Legislativa para apreciação em 2013, após idas e vindas. A chegada à Casa levou arquitetos e urbanistas a publicarem um manifesto pedindo a paralisação imediata da tramitação do projeto. Assim como representantes da Unesco, eles reclamaram da falta de participação popular no debate, além de apontar pontos polêmicos. Os especialistas disseram que o plano foi elaborado muito mais para atender interesses dos empresários do que preservar Brasília. “É preciso revisar a estrutura do PPCub. Ele deve ser mais enxuto, objetivo e claro. Tem que levar em conta os conceitos universais de preservação e as características essenciais de Lucio Costa”, sugere a vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal (IHG-DF), Vera Ramos.

A arquiteta e urbanista foi uma das principais defensoras da paralisação da tramitação do projeto na Câmara. Ela destrinchou o projeto para apontar os itens polêmicos e chegou a fazer parte de um grupo técnico criado pelo governo para discutir esses pontos. Novamente, colocou-se à disposição para colaborar. “O PPCub tem que ser, prioritariamente, um plano de preservação. Seguir as recomendações da Unesco, os conceitos de unidade de vizinhança que estão se perdendo, os valores culturais, simbólicos e históricos”, completa. Vera defende ainda uma maior participação popular nas discussões para revisar o projeto e a criação de uma tabela comparativa de como é e como ficará para que qualquer um possa entender as regras.

Professor da Universidade de Brasília, Aleixo Furtado participou das discussões sobre o PPCub no Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do DF (Conplan). Ele representava o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do DF (CAU-DF) e combateu fortemente o projeto de lei. “Sempre entendi que o plano de preservação era muito mais de ampliação do número de ocupantes no Plano Piloto”, criticou. Ele acredita que o projeto não deve ser descartado, mas precisa de melhorias. “As ideias e proposições podem e devem voltar a ser discutidas, com a participação popular e sem o peso político”, completou.

Só neste país de piada mesmo que uma meia dúzia de gatos pingados causa um transtorno deste prá milhares de pessoas que precisam ir ao trabalho, um bando de vagabundos que querem tudo de mão beijada, saudades dos militares, borracha nesse bando de sem noção e pronto tá resolvido o problema, voltem militares pelo amor de Deus, bem que o General Figueiredo falou, "vão sentir saudades de mim" e ele tinha toda razão, a minha esperança é: 2018, Bolsanaro Presidente, Min. da Justiça: Conti

Moradores protestam por regularização de lotes do Sol Nascente

Enquanto isso, a Agência de Fiscalização (Agefis) faz operação no Sol Nascente para derrubar os barracos irregulares

Na manhã desta segunda (02), cerca de 150 moradores do Residencial Nova Jerusalém protestam no Eixo Monumental. Eles cobram a regularização de lotes da invasão no Sol Nascente.


De acordo com a Polícia Militar, por volta das 6h15 os manifestantes fecharam todas as vias da pista S1, na altura do Tribunal de Justiça do DF. Às 7h20 os militares negociaram com o grupo e três das seis faixas foram liberadas. Já por volta das 11h20, os manifestantes bloquearam novamente as seis faixas do Eixo Monumental, em frente ao Palácio do Buriti, sentido Rodoferroviária. Às 11h50, três faixas foram liberadas. Enquanto isso, a Agência de Fiscalização (Agefis) faz operação no Sol Nascente para derrubar os barracos irregulares. Os moradores do condomínio estão armando barricadas para impedir a ação.


Representantes dos moradores e uma comitiva do GDF se reuniram, mas nada foi acordado. O governo ofereceu cheque-aluguel para os manifestantes, mas eles recusaram a proposta.
O representante da comunidade, Igor Sávio, diz que eles permanecerão no local até uma reunião decente com o governo: "Essa será a primeira de muitas noites que passaremos aqui, caso não entrem em acordo conosco. O Sol Nascente é uma região passível de regularização e só sairemos quando fizerem uma negociação de verdade".

O trânsito segue lento  no Eixo Monumental, via N1. Motoristas relatam que a velocidade média é de 8 km/h.

No início da manhã, o protesto também causou reflexos em todas as vias adjacentes da área central de Brasília. O tráfego da Epia Sul e da EPTG era desviado para o Parque da Cidade. Estrutural não acessava o Eixo Monumental em razão do protesto.

Outro protesto
Moradores do Jardins Mangueiral protestam por melhorias no transporte público. A DF-001 e a  DF-463 estão com trânsito lento em virtude da manifestação.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília


Comentários

1.Como eu sempre digo, a cobiça dos politicos, nesse caso a do Roriz, está acabando com Brasilia.Sol Nascente já se transformou NA MAIOR FAVELA da America do Sul, antro de criminalidade, de venda e de consumo de drogas e querem ainda aumentar o numero de favelados e de criminosos.Não deveria ser a AGEFIS a coibi-los e sim a BOPE!


2.Só neste país de piada mesmo que uma meia dúzia de gatos pingado causa um transtorno deste prá milhares de pessoas que precisam ir ao trabalho, um bando de vagabundos que querem tudo de mão beijada, saudades dos militares, borracha nesse bando de sem noção e pronto tá resolvido o problema, voltem militares pelo amor de Deus, bem que o General Figueiredo falou, "vão sentir saudades de mim" e ele tinha toda razão, a minha esperança é: 2018, Bolsanaro Presidente, Min. da Justiça: Conti Lopes.


Distrito Federal está a um passo de ter a maior favela da América Latina

O crescimento desordenado faz do Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia, o lar de 61 mil pessoas, segundo dados oficiais. Mas hoje podem ultrapassar 100 mil, o que deixaria a região como a mais populosa comunidade carente da América







postado em 08/05/2013 06:19 / atualizado em 08/05/2013 10:39
Saulo Araújo




A diarista Paula Alves Ferreira, 42 anos, aponta para o fim da rua esburacada, no Trecho 1 do Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia. Mostra que a região ocupada por barracos e biroscas há 12 anos não passava de um enorme cerrado. No período, ela viu casas se multiplicarem. Com a chegada de tantos moradores, os problemas não demoraram a aparecer. As terras da chácara de Paula, antes férteis, pararam de dar frutas e verduras devido à contaminação do solo. O lugar, tranquilo, tornou-se palco de crimes de toda ordem. Em pouco mais de uma década, a zona rural escolhida pela trabalhadora para viver com a família se transformou na segunda maior favela da América Latina, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Só fica atrás da Rocinha, no Rio de Janeiro.



Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 22/3/13


Três décadas atrás, os primeiros chacareiros chegaram à região. Em 1999, grileiros começaram a atuar no local, ainda no governo Joaquim Roriz, mas a migração em massa teve início no terceiro mandato de Joaquim Roriz, em 2004. Com 61 mil moradores e crescimento populacional desordenado, o Sol Nascente caminha para ocupar o topo do ranking de maior comunidade pobre do país — incrustada em um morro, a comunidade carioca da Rocinha praticamente não tem mais espaço físico para se expandir. Lideranças comunitárias garantem que, hoje, são pelo menos 100 mil pessoas na região do DF — o GDF não reconhece o número.


Golpe de jiu-jitsu.Persistente, insidiosa e inexoravemente, os braços e pernas da cidadania no Legislativo e no Judiciário, vão sendo agarrados, torcidos, imobilizados; o país vai parando, exausto, e o estrangulamento econômico é que leva aos tres tapinhas no final.



VESPEIRO

venha mexer com ele

Golpe de jiu-jitsu

28 de fevereiro de 2015 § 34 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 28/2/2015
Não ha explosões nem rupturas. Não ha socos nem chutes fulminantes, à Anderson Silva. Golpe, hoje, é de jiu-jitsu. A luta é no chão, lenta e sufocante como aperto de cobra. Nada de muito espetacular acontece. Persistente, insidiosa e inexoravemente, os braços e pernas da cidadania no Legislativo e no Judiciário, vão sendo agarrados, torcidos, imobilizados; o país vai parando, exausto, e o estrangulamento econômico é que leva aos tres tapinhas no final.


É esse o script bolivariano. Depois vem o caos…



Mas em países da pujança e da complexidade do Brasil o buraco é mais embaixo. Tiroteio no morro é sempre impressionante mas diz pouco sobre o que rola no alto comando do crime organizado. Com o “petrolão” acontece coisa parecida. Se quiser saber onde é que essas guerras realmente são decididas, siga o dinheiro.




A “caixa preta” do BNDES e dos fundos de pensão estatais está para o “petrolão” como o armamento nuclear está para as armas convencionais na guerra pela construção do “Reich de Mil Anos” do PT. Luciano Coutinho é a Dilma competente. O “true believer” que sabe o que faz. Mas por tras de tudo e por cima de todos paira Luis Ignácio Lula da Silva, o que não acredita em nada. 


A este, com seu faro e instinto fulminantes para o poder, não custou um átimo entender o potencial que tinha o fascínio do doutor Coutinho pelo sistema coreano dos Chaebol. “Aparelhar” esse fascínio foi brincadeira para o nosso insuperável virtuose na arte de servir doses cavalares de dinheiro para os ricos e de mentiras para os pobres enquanto atiça uns contra os outros e é amado por ambos, arte em que se iniciou, já lá vão 40 anos, frequentando a ponta da ponta do capitalismo cínico de seu tempo, aquele sem pátria das multinacionais automobilísticas do ABC paulista. 


Foi ali que ele aprendeu a comprar pequenos privilégios para a clientela dos metalúrgicos que o mantinha na linha de frente do jogo do poder a custa de garantir lucro fácil às multinacionais pondo o resto do Brasil andando de carroça paga a preço de Rolls Royce. Foi ali que ele entendeu a força que o dinheiro tem, a resiliência dos laços que ele cria e a conveniente característica de moto contínuo que os esquemas amarrados com ele engendram, realimentados pela corrupção e pela miséria que eles próprios fabricam.



Do esquema coreano de “empresas-mãe” recheadas de dinheiro do estado entregues a um indivíduo ou a uma família, cercadas de pequenas “empresas-satélites” amarradas a elas pelo elo pétreo da sobrevivência econômica nasceu a versão macunaímica dos “campeões nacionais” do BNDES e dos fundos de pensão estatais dos quais hoje dependem cada vez mais o fornecimento de todos os insumos e a absorção de toda a produção – e portanto todos os empregos – da vasta periferia da economia que orbita esses ungidos do estado petista.


A diferença está em que se na Coréia a explosão da corrupção e a instrumentalização política da relação de dependência inerente aos monopólios de que até hoje, apesar do nível de educação conquistado por seu povo, aquele país não consegue se livrar, foi o corolário indesejável de uma vasta operação para criar a partir do zero um país e uma economia devastados pela guerra, aqui a trajetória foi exatamente a inversa. O PT não pensa no Brasil, o PT pensa no PT. Aqui, tudo começou para dotar um partido político de condições de impor sua hegemonia com o recurso à corrupção elevada à categoria de moeda institucionalizada de compra de poder e à criação de elos de completa dependência a monopólios politicamente manipuláveis de vastas áreas de uma economia pujante mas diversificada demais para o gosto de quem sonha com sociedades inteiras dizendo amém a um chefe incontestável que não desce nunca do trono.



É essa segunda parte que decide o jogo e o resultado parcial está aí. Com pouquíssimas exceções, não ha mais força econômica de qualquer relevância fora do “esquema”. Só um rei e seus barões; tanto mais “relativos” estes quanto mais aquele se tornar “absoluto”. E se o agronegócio, calcanhar de Aquiles dos totalitários do passado, foi exceção por algum tempo, esse tempo passou. O universo da proteína animal, “chaebolizado” tornou-se galático; o da bioenergia, garroteado pelo golpe da “gasolina barata”, ou se multinacionalizou, ou não vive mais sem as veias pinçadas na UTI do governo. Eficiência empresarial? Esta “commodity” hoje compra-se. Os grandes “tycoons” do “setor privado” brasileiro que continuam voando em seus jatões cada vez mais obscenos são só os CEO’s a soldo de uma economia estatizada, ainda que vestindo roupas civis e não mais a farda militar de outrora.


Dilma Rousseff é um acidente de percurso. O “poste” plantado para ocupar o buraco que começou a acreditar que era ela que tinha sido eleita e quase pôs tudo a perder. Talvez ainda consiga, a prosseguir o patológico desemparelhamento entre seu discurso e a realidade. Mas já não é só nisso que se constitui o “pântano brasileiro” descrito pela Economist. O que está paralisando o Brasil é o PT real sem a anestesia chinesa, apenas acrescentado de extensas áreas de grave irritação cutânea provocada pela irrefreável pesporrência de madame.



Para que os brasileiros enxerguem com clareza de onde é que isso tudo vem vindo e disponham do mínimo necessário para opinar sobre o destino que lhe querem impor antes que seja tarde a imprensa terá de tirar o bisturi da gaveta, lancetar com suas próprias mãos o abcesso que corrói o país por baixo dos “campeões nacionais” e fazer muito barulho para chamar a atenção de todos para ele. Os membros do exclusivíssimo clube dos “campeões” do BNDES, balofos e engurgitados de dinheiro público, almoçam e jantam diariamente em Palácio onde todos se dão tapinhas amistosos nas costas. Ali ninguém vai atirar em ninguém, não haverá prisões nem delações premiadas e jamais nos será “dado acesso” ao câncer que ha por baixo da ferida que, com todo mundo hipnotizado pelo tiroteio do “petrolão”, o país ainda mal vê.
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O PT nunca se dobra aos fatos como nos prova diariamente dona Dilma e a sua Petrobras. Nem que o Brasil inteiro afunde. Que dirá São Paulo!



venha mexer com ele

As ruas do PT
25 de fevereiro de 2015 § 20 Comentários



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Estou chegando da rua.Tres ou quatro quilômetros em tres ou quatro horas. A aventura imprevisível de sempre.


As ruas do PT são a cara do PT.


Com o que já foi de todos retalhado, fatiado, loteado e “redistribuido” pelos critérios da segregação e do preconceito de classe a cidade que resulta do que São Paulo já foi é a cada dia menor para cada um dos seus cidadãos. Embora cada clientela com peso em qualquer tipo de cálculo eleitoreiro tenha um pedaço do antigo “espaço público” para chamar de seu, cada contribuinte e cada cidadão paulistano tem hoje apenas pedaços das ruas que já foram suas inteiras. 


Não é mais ele quem escolhe como e por onde quer andar por elas, respeitados os limites universalmente consagrados para preservar por igual os diretos individuais de todos, como acontecia quando vivíamos no limiar de um Estado de Direito.


Não vivemos mais. Agora cada brasileiro tem um direito só seu segundo a sua “raça” ou sub-raça, o seu gênero ou sub-gênero, a sua “classe” ou sub-classe social, e até o partido ao qual declare simpatia. E não é só modo de dizer. Vale casa paga pelo governo, terreno tomado do alheio, direito de barrar rua de hospital e, é claro, a prerrogativa de delinquir impunemente chancelada pelo novíssimo Supremo Tribunal Federal esse tipo de critério.


Governar, que há quase meio século já foi sinônimo de “construir estradas”, hoje é tarefa reduzida a “pintar ruas” nas metrópoles tomadas pela doença petista. Fora com os urbanistas, fora com os engenheiros, fora com os “tatuzões” de furar tuneis de metro. Para os almoxarifados das “obras” da prefeitura de Fernando Haddad bastam pincéis e latas de tinta.ciclo7
Cada via pública foi fatiada em “faixas” coloridas para ônibus, para ciclistas, para motociclistas, para pedestres, para automóveis, para automóveis de praça. Para o diabo!


O fato da cidade estruturalmente não comportar nada disso não importa a mínima. O PT nunca se dobra aos fatos como nos prova diariamente dona Dilma e a sua Petrobras. Nem que o Brasil inteiro afunde. Que dirá São Paulo!
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Assim essas “faixas” todas correm, ora pela direita, ora pela esquerda, ora por cima, ora à margem do passeio público, ignorando obstáculos, subindo até pelas paredes, “ilhando” quilômetros seguidos de comércios e de empregos, anulando gerações inteiras de suor e trabalho e transformando a cidade num labirinto por onde todos se esgueiram apertados de faixa reservada em faixa reservada, de multa em multa, de radar em radar, de limite em limite de velocidade como num joguinho infernal.
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Como desistiram de enfiar os trens por baixo da terra correndo por trilhos desimpedidos como é da natureza desses veículos, o jeito foi trazê-los para a superfície e atirá-los por cima dessa fábrica de loucos, com o requinte de autorizá-los a andar no dobro da velocidade dos demais “porque é preciso favorecer os pobres”.


E aí estão eles com seus três, até quatro vagões, os rabos trancando os cruzamentos quando o sinal fecha lá na frente, raspando o seu carrinho como bólidos num desembesto de motoqueiros-gigantes fazendo o seu coração dar saltos e, diariamente, esmagando carros e pessoas em horrendas colisões de elefantes contra formigas.


Mas o mais doloroso, o que mais confrange quem usa as janelas que ha hoje para esse mundo que voa lá fora, é ver a crescente multidão dos imbecis lobotomizados que nossas universidades públicas aparelhadas despejam diariamente nas ruas olharem encantados para esse fatiamento da cidadania, para esse dividir para reinar, essa fórmula primária de socialização da corrupção, essa reedição piorada do velho corporativismo cotrareformista lusitano inventado para barrar a entrada da democracia na nossa eterna idade média, e chamar a tudo isso sincera e orgulhosamente  de “modernidade”.

Aí dá vontade de chorar! De pena do Brasil dos meus filhos!