domingo, 5 de julho de 2015

Depois de ensinar que a cooperação e o fogo são processos tecnológicos criados pela humanidade, a mulher sapiens merece trocar o terninho por uma camisa de força

04/07/2015

às 18:18 \ Direto ao Ponto


Já na largada do Discurso da Tocha, improvisado para acender simbolicamente a pira olímpica de 2016, Dilma Rousseff resolveu deixar claro que o neurônio solitário, seviciado pelo sol do Rio, ultrapassou o ponto de combustão, sucumbiu ao curto-circuito, transformou faísca em chama e incinerou o pedaço da cabeça que administra o raciocínio lógico. Fora essa, não há explicações para o vídeo de 30 segundos em que a presidente ergue um portentoso monumento à maluquice com apenas três frases, transcritas a seguir sem correções:


1. “Dentre todos os processos tecnológicos que a humanidade criou, dois se destacam”.
Qual seria a dupla de maravilhas da tecnologia que a humanidade pariu? A mandioca e a mulher sapiens? A mandioca e o milho? A mandioca e o Petrolão? Nenhuma das opções, corrige a segunda frase:


2. “Um é a imensa… o imenso poder, o (sic) imensa força, a imensa capacidade de desenvolvimento que, em qualquer atividade… humana, tem um processo chamado cooperação”.
Sabe-se agora que, para Dilma, cooperação é um processo tecnológico. Falta saber que diabo de “cooperação” é essa. A última frase também não tem pé nem cabeça. Mas é pelo menos mais curta.


3. “E o outro foi a conquista do fogo”.
Para Dilma Rousseff, portanto, o fogo foi conquistado, e tal conquista figura entre os dois mais espetaculares processos tecnológicos registrados desde o Dia da Criação. Antes do Discurso da Tocha, os demais habitantes do planeta, incluídos os doidos de pedra, achavam que o fogo é um dos elementos da natureza que o homem descobriu e aprendeu a dominar. Depois do palavrório de Dilma, ninguém deixou de achar o que achava. Mas agora os fregueses de hospício querem saber por que a ilustre paciente do Sanatório Geral usa terninho vermelho em vez de camisa de força.

Os caras

BLOG do NOBLAT

Não sei se o Baraca perguntou à Dilma como ia “o cara”

O mundo dá muitas voltas. Acabei de criar esta frase, podem me citar.


Quando os dois se encontraram pela primeira vez não me lembro onde, o Barack Obama apontou para o então presidente Lula e disse “Esse é o cara”. O cara presidia um dos poucos países que davam certo, na época.



A crise generalizada no mundo parecia não ter chegado ao Brasil, onde os índices econômicos, maquiados ou não, eram positivos, havia pouco desemprego, e acontecia o milagre de um governo voltado para o social convivendo sem maiores melindres com um patriciado conservador. Lula estava em alta.


Em contraste, o Baraca estava em baixa. A oposição dos republicanos ameaçava paralisar seu governo, seus planos de reforma social não saíam do chão, sua política externa hesitante não agradava nem pombas nem falcões.


Seu elogio ao Lula era uma brincadeira simpática, mas com um certo tom de inveja. Ninguém, na época, salvo talvez a Michelle, chamaria Baraca de “o cara”.
Corta para a visita da Dilma aos Estados Unidos, nesta semana.


O mundo deu as suas voltas e tudo mudou.


Hoje o cara indiscutível é o Baraca. Sua política de recuperação econômica, apesar de ele não contar com maiorias no Congresso, está dando resultados. O maior legado da sua administração, um plano nacional de saúde que tira os Estados Unidos da incômoda posição de única nação rica da Terra a não ter um programa de cobertura universal, foi aprovado pela Corte Suprema, depois de combatido, chamado de “socialista” e “antiamericano” e demonizado pela direita.


A decisão a favor do “Obamacare”, apelido do seu plano de saúde, foi apenas uma das surpreendentes boas notícias que o Baraca recebeu do supremo tribunal americano, reconhecidamente conservador. A liberação do casamento homossexual em todo o país foi outra.


Nos Estados Unidos estão comparando os juízes supremos a velhos sisudos que, de uma hora para outra, decidiram arrancar as togas e mostrar suas bermudas coloridas.
Não sei se o Baraca perguntou à Dilma como ia “o cara”. Talvez tenha ido mais longe e perguntado que fim levou aquele Brasil que Lula representava.


E os dois podem ter conversado sobre os efeitos do tempo até nas melhores intenções. E não seria de estranhar se Dilma se queixasse que o primeiro mandato do Lula tinha sido um sonho, do qual o Brasil acordara justamente no seu governo. E os dois concordassem que, realmente, o mundo dá voltas demais.
Captura da imagem onde Obama diz: Esse é o homem. O político mais popular da terra (Foto: Reprodução / BBC Brasil)Captura da imagem onde Obama diz: "Esse é o homem. O político mais popular da terra" (Foto: Reprodução / BBC Brasil)

Dilma no poder: o prazo de validade expira no dia 14/07?



Segundo informação de Josias de Souza (UOL), reproduzindo discurso do senador Cássio Cunha Lima (PSDB/PB), o governo Dilma será implodido mediante depoimento de Ricardo Pessoa, da UTC, ao Tribunal Superior Eleitoral, relatando irregularidades na campanha da petista.


Foto:Ueslei Marcelino, Ag Reuters
Foto:Ueslei Marcelino, Ag Reuters


Segue trecho do post de Josias de Souza, no UOL:
“Em discurso feito na tribuna do Senado na noite passada, o senador paraibano Cássio Cunha Lima, líder do PSDB, tratou Dilma Rousseff como uma presidente em estado terminal. Lembrou que o empreiteiro-delator Ricardo Pessoa, dono da UTC, vai depor em 14 de julho na ação em que o TSE investiga se houve irregularidades na campanha da presidente petista.


E relatou o cenário esboçado pelo tucanato: “Acreditamos firmemente que, já no próximo semestre, haverá o julgamento que poderá cassar o diploma da presidente Dilma Rousseff e o do vice-presidente Michel Temer. Assume, pelo comando constitucional, por três meses, o presidente da Câmara.” Nesse vaticínio, Eduardo Cunha teria 90 dias para convocar novas eleições, como prevê a Constituição para os casos de interrupção dos mandatos executivos nos primeiros dois anos de governo.” (grifos nossos)
Será? Fica registrada nossa torcida.

Ciclovias de Haddad já custaram mais de R$ 33 milhões – e o valor NÃO inclui as da Paulista e Amaral Gurgel

Blog

4 de julho de 2015


competência em dose dupla
competência em dose dupla


Já falamos aqui do valor exorbitante das ciclovias de Fernando Haddad. Vale também lembrar que o número de usuários frequentes de bicicleta caiu em São Paulo – mesmo após a implantação dessas faixas.


Agora, o valor da farra. Seguem trechos de reportagem do G1, por Carolina Dantas, voltamos em seguida:
“O valor total gasto – incluindo projeto e implantação, até inicio de abril deste ano -, é de R$ 33.940 milhões. Neste valor, não está incluída a ciclovia da Avenida Paulista. Até essa data, segundo os documentos, a implantação das faixas exclusivas para bicicletas custou cerca de R$ 31 milhões e os projetos, R$ 2 milhões.


Os números atualizados das ciclovias inauguradas nos meses seguintes não estão incluídos nesses valores totais e devem ser divulgados na primeira quinzena de julho. Como as ciclovias da Avenidas Paulista/Bernardino Campos e Amaral Gurgel/São João receberam investimentos após essa data, seus valores foram divulgados em separado: R$ 12.199 millhões e R$ 7.678 milhões, respectivamente (…)


A divulgação ocorreu após o vereador Gilberto Natalini (PV) entrar com um mandado de segurança que culminou na decisão da 12ª Vara da Fazenda Pública, com a juíza Paula Micheletto Cometti. A Justiça exigiu que os números fossem divulgados. Na noite desta quinta, a Prefeitura havia informado que ainda não tinha sido notificada. Segundo o vereador, os valores já haviam sido requisitados em 17 de março, mas o pedido teria acabado sem resposta. Natalini diz ter insistido pela segunda vez, no dia 27 de maio, e novamente não obteve resposta da Prefeitura.



Natalini disse suspeitar de superfaturamento nas obras das ciclovias da Avenida Paulista…” (grifos nossos)

Destaque-se a completa falta de transparência, precisando de medida judicial para que o povo saiba o quanto foi gasto nessas ciclovias, além do valor altíssimo gasto pela Prefeitura. Enquanto isso, ciclovias quase vazias e o povo espremido nos ônibus.


Por fim, informamos que defendemos a mobilidade. E a melhor mobilidade para São Paulo é mover Fernando Haddad para bem longe da Prefeitura.

REPORTAGEM-BOMBA DE 'VEJA' FAZ ENTORNAR O TONEL DE ROUBALHEIRAS E CORRUPÇÃO DO PETROLÃO. AS PROVAS DA DELAÇÃO DO EMPRESÁRIO GRANDALHÃO JOGAM A PÁ DE CAL SOBRE A VÍBORA VERMELHA AGONIZANTE.


Um pergunta que não quer calar e que é evocada em todos os diálogos travados pelos cidadãos brasileiros no seu âmbito familiar, nos seus círculos de amizade e no trabalho: o que está faltando para o impeachment imediato da Dilma e a prisão de Lula e seus sequazes? A resposta evidente é que não falta mais nada.
 
 
Todavia se era mesmo pela suposta ausência de provas para cassar imediatamente Dilma e processar criminalmente Lula com endereço direto sem escala para a Papuda, a reportagem-bomba de Veja que chega às bancas neste sábado, mais uma da longa série, detona, ou seja, prova com fatos, fotos e cópias de planilhas das propinas, a mega roubalheira que faz enrubescer o mais vil dos ladravazes.
 
 
Esse fantástico dossiê da orcrim, a organização criminosa que floresceu nos governos petistas, faz parte do arquivo do empresário grandalhão, Ricardo Pessoa, entregue à polícia para comprovar a sua delação cujo prêmio é diminuir o cheiro da cadeia que o opulento empresário já farejou nos dias em que passou na carceragem da Polícia Federal.
 
 
Velho de guerra, Ricardo Pessoa, segundo a reportagem-bomba de Veja guardou tudo minuciosamente e com detalhes nos quais há desde as quantias entregues aos donos do poder, até seus telefones, emails e contas bancárias. Tudo. Tudo. Tudo.
 
 
Enquanto os caminhões se enfileiram para pegar a volumosa tiragem de Veja impressa na grande gráfica do Grupo Abril em São Paulo para desovar nas bancas ao longo desta madrugada, os assinantes digitais da revista já têm acesso à publicação.
 
 
No entanto o site de Veja já deixou um aperitivo da reportagem-bomba da revista, que transcrevo para saciar a curiosidade, digamos assim, de um público heterogêneo: os cidadãos que desejam limpar o Brasil dessa imundice que é o PT e também os consumidores de calmantes e soníferos... Leiam:
Uma amostrinha do acervo do empresário grandalhão. É o suficiente para estimar o impacto e o corre-corre nas redações dos jornalões neste início da madrugada.
O engenheiro Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, é famoso por sua grande capacidade de organização - característica imprescindível para alguém que exercia uma função vital no chamado "clube do bilhão". 
 
 
Ele foi apontado pelos investigadores como o chefe do grupo que durante a última década operou o maior esquema de desvio de dinheiro público da história do país. O empreiteiro entregou à Justiça dezenas de planilhas com movimentações financeiras, manuscritos de reuniões e agendas que fazem do seu acordo de delação um dos mais contundentes e importantes da Operação Lava-Jato.
 
 
 O material constitui um verdadeiro inventário da corrupção. Em uma série de depoimentos aos investigadores do Ministério Público, Pessoa detalhou o que fez, viu e ouviu como personagem central do escândalo da Petrobras. Na sequência, apresentou os documentos que, segundo ele, provam tudo o que disse.
 
 
​​VEJA teve acesso ao arquivo do empreiteiro. Um dos alvos é a campanha de Dilma de 2014 e seu tesoureiro, Edinho Silva, o atual ministro da Comunicação Social. Segundo o delator, ele doou 7,5 milhões de reais à campanha depois de ser convencido por Edinho Silva. "O senhor tem obras no governo e na Petrobras, então o senhor tem que contribuir. O senhor quer continuar tendo?", disse o tesoureiro em uma reunião. 
 
 

RICARDO PESSOA, O EMPRESÁRIO GRANDALHÃO, SERÁ A TESTEMUNHA-BOMBA CONTRA DILMA.


O empresário Ricardo Pessoa, o poderoso dono da empreiteira UTC, cujo depoimento em delação premiada fez o petrolão se derramar sobre o Palácio do Planalto. Seu testemunho agora ao TSE poderá ser nitroglicerina pura.
O Tribunal Superior Eleitoral se prepara para um dos julgamentos mais importantes da história. Trata-se da denúncia de que a campanha de reeleição da presidente Dilma foi financiada com dinheiro ilegal, fruto da corrupção.
 
Será decisivo o depoimento, ao TSE, do delator Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC e coordenador do cartel que roubou a Petrobras. Seus testemunho nesse caso será nitroglicerina pura.
 
O doleiro Alberto Youssef pode também depor no TSE. Ele contou que o PT lhe pediu para “internalizar” R$ 20 milhões para a campanha.
 
O processo no TSE foi aberto com a denúncia do PSDB de que a campanha de Dilma recebeu doações ilegais e não prestou contas.
 
Em depoimento à Lava Jato, Ricardo Pessoa confessou haver levado dinheiro vivo, do esquema do Petrolão, para a campanha de Dilma.
 
A própria Dilma já admitiu haver recebido R$ 7,5 milhões da UTC, que Ricardo Pessoa garantiu terem sido produto de achaque. Da coluna Claudio Humberto/Diário do Poder

Quem pagará o enterro e as flores do PT?



Excelente artigo do jornalista Fernando Gabeira, publicado hoje no Estadão, vai na jugular do lulopetismo, cuja agonia já é demasiado longa - e quem paga as contas é o "Brasil arruinado":


No momento em que escrevo, começo uma jornada pela Amazônia oriental. Entro numa área de pobre conexão, mas ao sair dela, creio, ainda estaremos no mesmo estado de crise.
 
 
O cerco contra o governo cada vez aperta mais. O esperado depoimento de Ricardo Pessoa, o homem da UTC, envolve diretamente tesoureiros e campanhas de Lula e Dilma. Em Minas, o governador Fernando Pimentel está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) com autorização do Superior Tribunal de Justiça.

Dentro da cadeia, o cerco se fecha também contra os empreiteiros. A força-tarefa de procuradores apurou apenas 25% dos casos de corrupção. A presença de grandes empresários na cadeia traz à cena alguns dos melhores escritórios de advocacia do País. Nesses casos – infelizmente, apenas nesses – o respeito aos direitos humanos é minuciosamente monitorado.

Só com os dados divulgados nem sempre é possível fazer uma análise precisa. O bilhete de Marcelo Odebrecht, por exemplo, foi tema de discussão. No bilhete, apreendido pela PF, ele manda destruir um e-mail. A defesa de Odebrecht diz que ele usou o termo destruir num sentido figurado. Queria dizer desconstruir, combater os argumentos associados a um negócio de sondas, com sobrepreço.

Só tenho meus recursos próprios para avaliar um caso desses. Pelo que conheço de cadeia, os presos, de fato, usam linguagem cifrada para evitar que a polícia descubra o conteúdo de seus bilhetes: 
 
 
 
Arnaldo, não se esqueça do remédio das crianças menores; Maria, pegue o meu guarda-chuva e empreste ao Adriano. Na cadeia, a linguagem figurada não é usada apenas para que a polícia não perceba o conteúdo, mas também para que a polícia não possa provar que você falou algo diferente do que está ali, no papel.

 
 
Prisioneiros usam metáforas para escapar do crivo policial. Marcelo Odebrecht usou para se incriminar. Inexperiência? De modo geral, um empresário como ele tentaria ser objetivo. Ele sabe que um simples bilhete de cadeia tem de ser preciso. Poderia ter escrito desconstruir, combater, no lugar de destruir.

 
Vamo-nos ater aos verbos construir e desconstruir. A desconstrução de um argumento, de modo geral, é um processo longo e diversificado. Neste caso, não haveria tanta urgência: era tema para tratar nas conversas regulares com os advogados. 
 
 
O verbo destruir implica uma certa pressa e cabe precisamente num bilhete, num comunicado que não possa esperar visitas legais e regulares de seus defensores. Os advogados de Odebrecht afirmam que não mandaria destruir o e-mail sobre compra de sondas porque já era conhecido da polícia. Argumento forte: de que adianta destruir algo que a polícia já conhece e utiliza? Mas não era só um e-mail, vários foram escritos pelo mesmo diretor. Agora a Braskem já entregou todos os e-mails e a operação foi auditada por uma firma independente.

Novas batalhas estão em curso. Uma delas é sobre o sentido da palavra sobrepreço. Nós a entendemos como superfaturamento. Eles dizem que é um termo comum no mercado, com sentido diferente.

A liberdade de Marcelo Odebrecht depende de uma profunda simpatia da Justiça por seus argumentos. Para conceder habeas corpus será preciso deixar de lado o que está escrito e acreditar só no que ele queria dizer.

Um jornalista que escreve que o governo afundou na corrupção, diante dos juízes não pode alegar que o governo apenas tropeçou ou resvalou na corrupção. Afundou mesmo.

Teremos um longo período de governo sitiado. As peripécias jurídico-policiais serão emocionantes, mas inibem um pouco a discussão sobre alternativas. Tanto a PF quanto o Ministério Público (MP) já devem ter ideia do extenso trabalho que têm pela frente. A usina de Belo Monte, por exemplo, não tinha entrado na história da corrupção. Agora já entrou. Os estádios construídos pelas empreiteiras para a Copa do Mundo também passam por dificuldades e a história de sua construção ainda não é de todo conhecida.

Os empreiteiros estão ressentidos com o governo porque não impediu a ação da PF e do MP. Mas como, se o governo está cercado e se comporta como num avião em queda: primeiro ajusta a máscara de oxigênio em si próprio, depois vai pensar em cuidar do outro.

Lula não poderá dizer que ignora o que se passou na Petrobrás ou não conhece nem trabalhou com a Odebrecht. Dilma, por sua vez, já se complicou com as pedaladas no Orçamento e dificilmente conseguirá explicar-se. Além disso, com as declarações de Pessoa, terá de explicar, juntamente com seu ministro Edinho Silva, onde foram parar os R$ 7,5 milhões da UTC injetados no caixa 2 de sua campanha. Tudo isso já era esperado. Ricardo Pessoa fez várias referências na cadeia, indicando o rumo de sua delação premiada. Com tantos escândalos, quase esquecemos dessa variável. No fim de semana, ela apareceu com toda a força.

As complicações de Fernando Pimentel também eram pressentidas, desde 2014, quando o empresário Bené foi preso com dinheiro no avião. A sensação que tivemos no momento eleitoral foi de abafa. Mas também aí o fio foi sendo puxado. O caso implica a mulher de Pimentel. Jornalista, ela recebeu de outro jornalista, Mario Rosa, mais de R$ 2 milhões por seu trabalho. Deve ser extremamente talentosa. Um jornalista mediano rala dez anos para chegar a essa soma, e muitos não chegam lá.

Estamos assistindo a cenas finais dessa luta da Justiça contra o partido político que domina o País ao lado de seu parceiro, o PMDB. Não me parece tão produtivo falar mal de um governo e um partido cercados pela polícia.

Dilma faz saudações à mandioca, como se o ridículo fosse o mais leve fardo que pudesse carregar. Lula esbraveja contra o PT, como se fosse um observador de outro planeta. Vai chegar o momento de discutir o País e alternativas diante da crise. Está demorando. O minuto de silêncio pelo funeral do PT se estende além da conta. Já sabemos quem pagará o enterro e as flores. Arruinado, o Brasil precisa recomeçar. 
 
 
No momento em que escrevo, começo uma jornada pela Amazônia oriental. Entro numa área de pobre conexão, mas ao sair dela, creio, ainda estaremos no mesmo estado de crise.
 
 
 
O cerco contra o governo cada vez aperta mais. O esperado depoimento de Ricardo Pessoa, o homem da UTC, envolve diretamente tesoureiros e campanhas de Lula e Dilma. Em Minas, o governador Fernando Pimentel está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) com autorização do Superior Tribunal de Justiça.
 
 
 
Dentro da cadeia, o cerco se fecha também contra os empreiteiros. A força-tarefa de procuradores apurou apenas 25% dos casos de corrupção. 
 
 
A presença de grandes empresários na cadeia traz à cena alguns dos melhores escritórios de advocacia do País. Nesses casos – infelizmente, apenas nesses – o respeito aos direitos humanos é minuciosamente monitorado.
 
 
 
Só com os dados divulgados nem sempre é possível fazer uma análise precisa. O bilhete de Marcelo Odebrecht, por exemplo, foi tema de discussão. No bilhete, apreendido pela PF, ele manda destruir um e-mail. A defesa de Odebrecht diz que ele usou o termo destruir num sentido figurado. Queria dizer desconstruir, combater os argumentos associados a um negócio de sondas, com sobrepreço.
 
 
 
Só tenho meus recursos próprios para avaliar um caso desses. Pelo que conheço de cadeia, os presos, de fato, usam linguagem cifrada para evitar que a polícia descubra o conteúdo de seus bilhetes: Arnaldo, não se esqueça do remédio das crianças menores; Maria, pegue o meu guarda-chuva e empreste ao Adriano. Na cadeia, a linguagem figurada não é usada apenas para que a polícia não perceba o conteúdo, mas também para que a polícia não possa provar que você falou algo diferente do que está ali, no papel.
 
 
 
Prisioneiros usam metáforas para escapar do crivo policial. Marcelo Odebrecht usou para se incriminar. Inexperiência? De modo geral, um empresário como ele tentaria ser objetivo. Ele sabe que um simples bilhete de cadeia tem de ser preciso. Poderia ter escrito desconstruir, combater, no lugar de destruir.
 
 
Vamo-nos ater aos verbos construir e desconstruir. A desconstrução de um argumento, de modo geral, é um processo longo e diversificado. Neste caso, não haveria tanta urgência: era tema para tratar nas conversas regulares com os advogados. 
 
 
 
O verbo destruir implica uma certa pressa e cabe precisamente num bilhete, num comunicado que não possa esperar visitas legais e regulares de seus defensores. Os advogados de Odebrecht afirmam que não mandaria destruir o e-mail sobre compra de sondas porque já era conhecido da polícia. 
 
 
 
Argumento forte: de que adianta destruir algo que a polícia já conhece e utiliza? Mas não era só um e-mail, vários foram escritos pelo mesmo diretor. Agora a Braskem já entregou todos os e-mails e a operação foi auditada por uma firma independente.
 
 
Novas batalhas estão em curso. Uma delas é sobre o sentido da palavra sobrepreço. Nós a entendemos como superfaturamento. Eles dizem que é um termo comum no mercado, com sentido diferente.
 
 
A liberdade de Marcelo Odebrecht depende de uma profunda simpatia da Justiça por seus argumentos. Para conceder habeas corpus será preciso deixar de lado o que está escrito e acreditar só no que ele queria dizer.
 
 
Um jornalista que escreve que o governo afundou na corrupção, diante dos juízes não pode alegar que o governo apenas tropeçou ou resvalou na corrupção. Afundou mesmo.
 
 
Teremos um longo período de governo sitiado. As peripécias jurídico-policiais serão emocionantes, mas inibem um pouco a discussão sobre alternativas. Tanto a PF quanto o Ministério Público (MP) já devem ter ideia do extenso trabalho que têm pela frente. A usina de Belo Monte, por exemplo, não tinha entrado na história da corrupção. Agora já entrou. Os estádios construídos pelas empreiteiras para a Copa do Mundo também passam por dificuldades e a história de sua construção ainda não é de todo conhecida.
 
 
Os empreiteiros estão ressentidos com o governo porque não impediu a ação da PF e do MP. Mas como, se o governo está cercado e se comporta como num avião em queda: primeiro ajusta a máscara de oxigênio em si próprio, depois vai pensar em cuidar do outro.
 
 
 
 
Lula não poderá dizer que ignora o que se passou na Petrobrás ou não conhece nem trabalhou com a Odebrecht. Dilma, por sua vez, já se complicou com as pedaladas no Orçamento e dificilmente conseguirá explicar-se. Além disso, com as declarações de Pessoa, terá de explicar, juntamente com seu ministro Edinho Silva, onde foram parar os R$ 7,5 milhões da UTC injetados no caixa 2 de sua campanha.
 
 
 
Tudo isso já era esperado. Ricardo Pessoa fez várias referências na cadeia, indicando o rumo de sua delação premiada. Com tantos escândalos, quase esquecemos dessa variável. No fim de semana, ela apareceu com toda a força.
 
 
 
As complicações de Fernando Pimentel também eram pressentidas, desde 2014, quando o empresário Bené foi preso com dinheiro no avião. A sensação que tivemos no momento eleitoral foi de abafa. 
 
 
 
Mas também aí o fio foi sendo puxado. O caso implica a mulher de Pimentel. Jornalista, ela recebeu de outro jornalista, Mario Rosa, mais de R$ 2 milhões por seu trabalho. Deve ser extremamente talentosa. Um jornalista mediano rala dez anos para chegar a essa soma, e muitos não chegam lá.
 
 
Estamos assistindo a cenas finais dessa luta da Justiça contra o partido político que domina o País ao lado de seu parceiro, o PMDB. Não me parece tão produtivo falar mal de um governo e um partido cercados pela polícia.
 
 
 
Dilma faz saudações à mandioca, como se o ridículo fosse o mais leve fardo que pudesse carregar. Lula esbraveja contra o PT, como se fosse um observador de outro planeta. Vai chegar o momento de discutir o País e alternativas diante da crise. Está demorando. 
 
 
 
O minuto de silêncio pelo funeral do PT se estende além da conta. Já sabemos quem pagará o enterro e as flores. Arruinado, o Brasil precisa recomeçar.O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,quem-pagara-o--enterro-e-as-flores,1718306
 
 
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,quem-pagara-o--enterro-e-as-flores,1718306
 
 
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,quem-pagara-o--enterro-e-as-flores,1718306