sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Tutor é condenado por maus-tratos a cachorro




Zeus era a vítima. Decisão cria jurisprudência com base em provas e não apenas em sequelas nos animais
(Brasília, 7/10/2016) – Por decisão do Juizado Especial de Águas Claras, um homem foi condenado por maus-tratos ao cachorro Zeus. Ele terá que prestar serviços à comunidade por 60 horas em uma instituição indicada pela Secretaria de Meio Ambiente (Sema-DF).
Por se tratar de crime de pequeno potencial ofensivo, a lei garante ao infrator a transação penal, que é a substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos. O acusado pode recorrer. Segundo a advogada Ana Paula Vasconcelos, o recurso, no entanto, não seria vantajoso para o réu.
Ana Paula comemorou a decisão. “O juiz se baseou na coleta de provas e criou uma jurisprudência, mudando a mentalidade de achar que maus-tratos acontecem somente se o animal estiver sem um olho ou uma pata”. Zeus será adotado pela família que o acolheu em lar temporário.
A chefe da Unidade Estratégica de Direitos Animais da Sema-DF, Mara Moscoso, recomenda que as pessoas denunciem. “É importante formalizar”, disse.
As denúncias podem ser feitas na Ouvidoria do governo de Brasília pelo telefone 162 ou pelo sitewww.ouvidoria.df.gov.br. O relato é encaminhado ao Instituto Brasília Ambiental (Ibram) ou à Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e a Ordem Urbanística (Dema), conforme o teor da denúncia, para apurar e tomar as providências cabíveis.
Mais informações:
Telefone: (61) 3214 - 5611
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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

As abelhas estão morrendo intoxicadas no Brasil, segundo estudo


A morte do inseto preocupa apicultores e agricultores por colocar em risco a produção de alimentos

Se pagássemos pelo serviço que as abelhas prestam à natureza, elas estariam bilionárias. O “salário” à colmeia mundial seria de 212 bilhões de dólares por ano. O cachê é alto assim porque o inseto é responsável por 73% da polinização de toda a cultura mundial.



O resultado é a garantia de 40% dos alimentos consumidos por nós. Por isso, sua possível extinção – que pode não estar tão distante, como apontou este novo estudo (no link) – é algo tão preocupante, seja para a biodiversidade do planeta ou até, pasmem, para os produtores de inseticidas, produtos que as matam.


A relação é simples. Sem abelhas, não há agricultura, muito menos a necessidade de agrotóxicos. Foi por isso que o projeto Colmeia Viva, do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) foi criado e agora divulga o Mapeamento de Abelhas Participativo (MAP), como resultado de uma parceria entre agricultores e apicultores.


“Reconhecemos o nosso papel na relação entre a agricultura e a apicultura. Uma não existe sem a outra e somos parte disso. É preciso criar boas práticas para o uso dos defensivos”, explicou a vice-presidente do Sindiveg, Silvia Fagnani.


O principal resultado da pesquisa é de que 70% das abelhas estudadas morreram de intoxicação por inseticidas. E em todos os casos, o que causou a morte foi o uso incorreto dos produtos por parte dos aplicadores. A pesquisa apontou, entretanto, que as abelhas mortas na área analisada não apresentaram sintomas da Síndrome do Colapso das Abelhas (CCD), fenômeno registrado principalmente no hemisfério norte com a espécie Apis Mellifera.


Pelo CCD, elas desaparecem sem deixar vestígios. No Brasil, o caso é de mortalidade por intoxicação. Entres os produtos encontrados, estão alguns dos mais vendidos e conhecidos no mercado, como o Neonicotinoide e o Pirazol.


O relatório, porém, é só um começo para o que o projeto pretende realizar, segundo o biólogo Osmar Malaspina, especialista em ecotoxicologia das abelhas, da Unesp, e que participou da pesquisa. Para esta primeira análise, apenas 13 casos foram estudados. A validade, entretanto, de acordo com o pesquisador, se dá pelo tempo de investigação, de um ano. Para que as abelhas sejam analisadas é necessário que o apicultor denuncie, ao Sindiveg, a morte de sua criação em até 24 horas ou que o agricultor perceba que os insetos estão morrendo em sua plantação nesse mesmo espaço de tempo.



“O curto prazo entre a denúncia e a coleta dificulta um pouco a pesquisa, por isso restringimos a área de abrangência ao estado de São Paulo, com foco em poucas amostras. Para apresentarmos dados mais consistentes, precisamos estudar mais colmeias e, para isso, é necessário que apicultores e agricultores colaborem ligando para o nosso disque denúncia”, pediu Malaspina.


As criações mais afetadas, segundo o biólogo, são as próximas às grandes produções de monocultura, como as de soja e as de cana. “Inseticidas, como o próprio nome já diz, são feitos para matar insetos. Estamos tentando amenizar essa situação para que os aplicadores usem de forma correta e possam diminuir a mortalidade das abelhas. A solução definitiva, porém, estaria em repensar a forma como produzimos alimento, sem necessitar da aplicação desses defensivos”, explicou.


O biólogo ainda lembra da importância do inseto para o lucro do grande produtor. No Brasil, há cerca de 3 mil espécies de abelhas. Alguns cultivos, como o melão e a maçã, são polinizados por apenas um tipo, e o desaparecimento da abelha da região significaria o fim da produção.


“O agricultor, por falta de conhecimento, só pensa em fertilizante e adubos. Mas não sabe que a abelha é a maior responsável por manter sua colheita. Agora, se não há comida, elas não ficam no local. Por isso, é importante aliar a plantação a corredores de florestas, construindo habitats apropriados aos insetos”, concluiu o biólogo.


O MAP continua e as análises também. O relatório completo está disponível no site do Colmeia Viva e o telefone para denúncias e dúvidas é o 0800 771 8000.



 

10 Parques para observação de aves


Tiê Sangue (Ramphocelus bresilius) no Parque Nacional da Serra da Bocaina. Foto: Maíra da Motta
Tiê Sangue (Ramphocelus bresilius) no Parque Nacional da Serra da Bocaina. 
Foto: Maíra da Motta


O tema de hoje é uma homenagem ao Dia das Aves, comemorado neste 5 de outubro. A data não poderia passar em branco em solo brasileiro, afinal, o Brasil é o segundo país do mundo em diversidade de aves, atrás somente da Colômbia. São quase duas mil espécies de aves que voam pelos biomas do país, com destaque para Amazônia, Mata Atlântica e o Pantanal, onde está a maior diversidade da avifauna. O WikiParques fez uma lista com dez Unidades de Conservação que fará com que os observadores de aves tirem suas câmeras e binóculos da bolsa e mirem as alturas. Confira nossa seleção:


Parque Nacional da Serra da Bocaina (RJ)
A Unidade de Conservação localizada na Serra do Mar, além das diversas opções de trilhas e cachoeiras, também é um local privilegiado para observação de aves. Em pleno coração da Mata Atlântica, lá já foram identificados oficialmente cerca de 300 espécies de aves, entre elas o gavião pega-macaco (Spizaetus tyrannus), o cuiú-cuiú (Pionopsitta pileata), o macuco (Tinamus solitarius), o tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus) e a jacutinga (Aburria jacutinga), esta última ameaçada de extinção. Também pode ser encontrado por lá o fotogênico tiê-sangue (Ramphocelus bresilius), famoso por sua colaração vermelha e por ser endêmico do Brasil. A entrada no Parque é gratuita.
Trinta-réis-grande (Phaetusa simplex) no Pantanal. Foto: Paulisson Miura
Trinta-réis-grande (Phaetusa simplex) no Pantanal. Foto: Paulisson Miura]


Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (MT)
O Pantanal é um presente para os observadores: são mais de 600 espécies de aves no bioma.  Aliás, um dos principais atrativos do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense é exatamente a observação de aves em uma embarcação pela Baía do Burro. Algumas das espécies que podem ser encontradas na UC são o Chororó-do-pantanal (Cercomacra melanaria), uma das poucas endêmica do bioma; o falcão-de-coleira (Falco femoralis); e a ema (Rhea americana), maior espécie de ave do Brasil. As garças também são personagens comuns dos cliques dos observadores no Pantanal. A entrada no parque é franca, mas os passeios estão sujeitos aos preços cobrados pelas operadoras.


Parque Nacional do Caparaó (ES)
Na divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais, o Parque Nacional do Caparaó é mais um santuário de Mata Atlântica onde os observadores de aves podem ter certeza de que seus binóculos e lentes fotográficas serão bem-usados. A unidade registra cerca de 350 espécies de aves no seu território e serve de abrigo para pássaros ameaçados de extinção como o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) e o gavião-pombo-pequeno (Amadonastur lacernulatus). O ingresso do Parque custa R$12,50 para brasileiros e R$25 para estrangeiros.
Ema (Rhea americana). Foto por Wagner Machado Carlos
Ema (Rhea americana). Foto por Wagner Machado Carlos


Parque Nacional de São Joaquim (SC)
Criado em 1961, na região serrana de Santa Catarina, o Parque Nacional de São Joaquim corresponde a uma área de quase 50.000 hectares de Mata Atlântica. Entre os morros, trilhas, rios e cânions da Unidade já foram registradas mais de 120 espécies de aves. Atenção especial dos binóculos para o papagaio-charão (Amazona pretrei) e a águia-cinzenta (Urubitinga coronata), espécies ameaçadas de extinção. E para os belos e coloridos pássaros: gralha-azul (Cyanocorax caeruleus) e surucuá-de-barriga-vermelha (Trogon curucui). A visitação no parque é gratuita.


Parque Nacional de Boa Nova (BA)
Criado em 2010, o Parque Nacional de Boa Nova é um dos caçulas dos parque nacionais e, por isso, ainda dá seus primeiros passos na infraestrutura de apoio aos visitantes. O destino, entretanto, já foi descoberto pelos observadores de aves. Localizada na área de transição entre a Caatinga e a Mata Atlântica conhecida como mata de cipó, a unidade é o habitat de uma ave endêmica ameaçada de extinção: o gravatazeiro (Rhopornis ardesiacus). Além dele, já foram registradas 428 espécies de aves no local, o que rendeu à região o título de uma das mais ricas em aves no Brasil. Em seus 12.065 hectares de área protegida estão mais da metade de todas as aves da Bahia. A entrada no parque é gratuita, porém é recomendada a contratação de um guia local.
Saíra-preciosa (Tangara preciosa) no Parque São Joaquim. Foto: João Quental
Saíra-preciosa (Tangara preciosa) no Parque São Joaquim. Foto: João Quental


Parque Nacional da Lagoa do Peixe (RS)
No litoral do Rio Grande do Sul, o Parque Nacional da Lagoa do Peixe protege uma zona costeira que é o paraíso das aves migratórias. As águas rasas da Lagoa do Peixe são disputadas por mais de 150 espécies, dentre elas o flamingo (Phoenicopterus chilensis), um visitante que aparece a partir do mês de março. Outras espécies de aves que “batem ponto” (e asas) na Unidade de Conservação são: o gaivotão (Larus dominicanus), a gaivota-maria-velha (Chroicocephalus maculipennis) e o tesourão (Fregata magnificens). A entrada no parque é gratuita.


Parque Estadual do Desengano (RJ)
Primeiro parque estadual do Rio de Janeiro, criado em 1970, o Parque Estadual do Desengano já registrou cerca de 400 espécies de aves. Em seus 25.000 hectares de Mata Atlântica, o Parque protege espécies ameaçadas de extinção como o gavião-pomba-pequeno (Amadonastur lacernulatus), a araponga (Procnias nudicollis) e o chauá (Amazona rhodocorytha),além de espécies imponentes como o gavião-pato (Spizaetus melanoleucus). A visitação é gratuita.
Trinta-réis-boreal (Sterna hirundo) no Parque Nacional Lagoa Peixe. Foto: Nádia de Campos Velho
Trinta-réis-boreal (Sterna hirundo) no Parque Nacional Lagoa Peixe. Foto: Nádia de Campos Velho


Parque Nacional de Ubajara (CE)
Ampliado em 2002, quando passou a abranger uma área de 6.288 hectares, o Parque Nacional de Ubajara é uma oportunidade para os observadores que quiserem explorar as aves do Caatinga. Dentro do território do parque foram registradas 127 espécies, um número que corresponde a cerca de 20% do total de espécies que existem no bioma. Lá o visitante pode observar algumas aves características como o periquito-da-caatinga (Eupsittula cactorum), o pica-pau-anão-pintado (Picumnus pygmaeus) e o pica-pau-ocráceo (Celeus ochraceus), endêmico do Brasil. A entrada é gratuita, mas os serviços de guia e o teleférico (R$8,00) do parque são pagos.


Parque Nacional de Anavilhanas (AM)
Em pleno coração amazônico, o Parque Nacional de Anavilhanas, no Amazonas, protege o arquipélago fluvial que dá nome à Unidade. São 340.831 hectares preservados onde foram catalogadas 232 espécies de aves. Alguns pássaros que vão entreter os observadores de aves são o choquinha-do-tapajós (Myrmotherula klagesi), a maria-da-campina (Hemitriccus inornatus) e o formigueiro-liso (Myrmoborus lugubris). A entrada no parque é gratuita
Araçari-banana (Pteroglossus bailloni) no Parque Nacional Itatiaia. Foto: Fabrício Corsi Arias
Araçari-banana (Pteroglossus bailloni) no Parque Nacional Itatiaia. Foto: Fabrício Corsi Arias


Parque Nacional do Itatiaia (RJ)
Dentre os muitos atrativos do Parque Nacional do Itatiaia, ganha destaque os o céu, ou melhor, os personagens que passam por ele. Seu território de 28.000 hectares preserva uma importante área de Mata Atlântica que abriga 319 espécies de aves, sendo 134 endêmicas do bioma. Entre elas a garrincha-chorona (Asthenes moreirae), o sanhaço-pardo (Orchesticus abeillei), o araçari-banana (Pteroglossus bailloni) e o saíra-sete-cores (Tangara seledon). O ingresso para o parque custa R$15 para residentes no Brasil e R$30 para o público em geral.

Parque Augusta, uma chance para o verde encravada na cidade

Por Victor Moriyama
"A possibilidade da construção deste parque resgata um amor que eu havia perdido pela cidade de São Paulo", diz Eliane Langer, que mora no bairro e começou a frequentar o chamado parque Augusta, um terreno de 24.752 metros quadrados, localizado entre a Rua Augusta e a Marquês de Paranaguá.


O local é um dos últimos resquícios intactos de Mata Atlântica na cidade de São Paulo, e é alvo de disputa entre ativistas e construtoras. Os moradores do bairro defendem que a Prefeitura compre o terreno, crie o parque e proíba construções. Do outro lado, os proprietários, as incorporadoras Cyrella e Setin, querem construir duas torres, uma comercial e outra residencial. Ao mesmo tempo, afirmam que a mata continuará preservada e aberta ao público.


A criação do Parque Augusta é uma proposta antiga e foi protocolada na Câmara dos Vereadores pela Sociedade dos Amigos do Bairro Cerqueira César. Neste mês, a Câmara dos Vereadores aprovou a proposta e aguarda sanção do prefeito Fernando Haddad (PT). Entretanto, Haddad declarou que a aquisição do terreno não faz parte das prioridades de sua gestão. O valor da área do parque é de R$100 milhões.

Ver Parque Augusta num mapa maior

No fim do seu primeiro mandata, em 2008, Gilberto Kassab emitiu um decreto transformando o local em área de utilidade pública. O decreto foi revogado duas vezes, em 2010 e 2012.



Apesar de ainda não ter acontecido as desapropriações, as construtoras não têm autorização para derrubar a mata, pois ela é tombada pelo patrimônio histórico, cultural e ambiental da cidade.


Hoje, o terreno se divide em duas partes, a primeira é propriedade privada, ocupada por um estacionamento que absorve a demanda de veículos ligados ao comércio local e a duas grandes universidades. A outra parte é pública. É nela que está a floresta.


Nos últimos meses, coletivos de arte, moradores locais e grupos culturais como a Matilha Cultural assumiram a frente da briga pela construção do Parque Augusta e ocuparam o local com oficinas de arte e educação ambiental. No fim de semana, dias 7 e 8 de dezembro, o movimento promoveu um evento com shows e piquenique que teve, segundo os organizadores, mil visitantes por dia.

Clique nas imagens para ampliá-las e ler as legendas.
 *editado às 17h do dia 13/12, com ajustes feitos a partir das observações da leitora Tatiana Bianconcini.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Aumento de desmatamento na Amazônia é sinal amarelo para o Brasil



Brasília, 5 de outubro de 2016 - O aumento do desmatamento na Amazônia, divulgado na semana passada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), acende um sinal amarelo na sociedade: a meta climática assumida pelo país, para cortar emissões de gases estufa, está em risco.
“O Brasil assumiu um compromisso internacional na Conferência do Clima, no ano passado, mas os números atuais indicam que estamos indo na direção contrária do que é necessário para cumprir o acordo”, afirma o diretor-executivo do IPAM, André Guimarães. Os dados estão em discussão hoje, em Brasília, em um evento promovido pelo Ministério de Meio Ambiente.
O desmatamento na Amazônia é o maior dos últimos quatro anos. De agosto de 2014 a julho de 2015, a taxa de corte raso foi de 6.207 quilômetros quadrados, o que representa um aumento de 24% em relação ao período anterior.
A mudança no uso da terra ainda é a principal causa da emissão dos gases estufa no Brasil. Com o desmatamento da floresta amazônica, o país coloca em xeque a ratificação do Acordo de Paris, que deve entrar em vigor em 30 dias.
Para mudar esse cenário, uma série de medidas é necessária. É preciso investir em fiscalização, principalmente das áreas não designadas, e monitoramento da aplicação de políticas públicas que incentivem a conservação.
"O fim do desmatamento na Amazônia é urgente se quisermos ter um clima mais equilibrado e benéfico para a região, para a agricultura e para o país. Para chegar lá, será preciso ir além do comando e controle”, explica o pesquisador sênior do IPAM, Paulo Moutinho. “A conservação da floresta amazônica terá de ser compensada financeiramente. E o caminho mais promissor é o mecanismo de REDD+, atualmente em discussão no âmbito da Convenção de Mudança Climática da ONU."
O IPAM propõe um sistema simples de distribuição de benefícios de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), chamado de “estoque-fluxo". Por este sistema, os Estados que reduzirem as emissões por desmatamento e mantiverem as florestas conservadas seriam beneficiados.
“Nós temos competência, capacidade e determinação para que o desmatamento da Amazônia seja controlado e o Brasil seja um manancial de boas práticas na gestão de florestas”, diz Guimarães. “Ao unirmos todas essas características, o país pode ajudar o mundo no controle das mudanças climáticas.”
Mais informações para a imprensa:
Cristina Amorim – (61) 99127-6994, cristina.amorim@ipam.org.br
Karinna Matozinhos – (35) 99989-6666
O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) é uma organização científica, não governamental e sem fins lucrativos que há 21 anos trabalha pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia, de modo a gerar prosperidade econômica, justiça social e a conservação da integridade funcional dos ecossistemas da região. 
Conheça mais em ipam.org.br.

Pecuária, energia e indústria brasileira dobram as emissões de gases


Por Sabrina Rodrigues
Usina Termoelétrica Termoverde. Queima de combustível fóssil nas termelétricas contribuiu para o aumento nas emissões no setor de energia. Foto: Rafael Martins/AGECOM
Usina Termoelétrica Termoverde. Queima de combustível fóssil nas termelétricas contribuiu para
 o aumento nas emissões no setor de energia. Foto: Rafael Martins/AGECOM


O Brasil conseguiu reduzir drasticamente as emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global ao combater o desmatamento na Amazônia, mas ignorou o crescimento das emissões em áreas como a pecuária, energia e indústria, que dobraram em 24 anos.


Em relação à energia, as emissões vêm da queima de combustível fóssil nas termelétricas. Já na agropecuária, esses gases advêm de emissões do manejo do solo e do próprio gado. Na indústria, são provenientes dos processos químicos de produção. Enquanto a emissão dos resíduos vêm do metano dos esgotos e dos lixões.  Fonte: Época.

Zoológico do Rio passa a ser administrado por empresa privada


Por ((o))eco
Arara no Zoo do Rio. Foto: Rafael F. Sant'Anna/Flickr.
Arara no Zoo do Rio. Foto: Rafael F. Sant'Anna/Flickr.

Após anos de crise, com direito a embargo do Ibama no local em janeiro, a Prefeitura do Rio resolveu entregar a administração do Zoológico da cidade, o mais antigo do país, para a iniciativa privada. No Diário oficial de segunda-feira (03), foi oficializado que a administração do local ficará a cargo do Grupo Cataratas, empresa que também cuida da parte de visitação dos parques nacionais de Iguaçu, Fernando de Noronha e Tijuca.

A concessão é para a gestão e operação do Zoológico e prevê investimentos de até 130 milhões de reais enquanto durar o contrato de 35 anos. Obras deverão ser concluídas até final de 2018.
A nova gestão arcará com as obras exigidas pelo Ibama de melhoria nos recintos dos animais e também na modernização dos espaços dos visitantes, como a construção de restaurantes, melhoria no paisagismo e na pintura.

O processo de concessão teve início agora e nos próximos 40 dias o zoológico deverá ficar fechado para a realização das primeiras obras.

Na subida para o Cristo, Hotel Paineiras apresenta a Floresta Protetora


Maquete mostra o Parque Nacional da Tijuca em meio à cidade do Rio de Janeiro. Foto: Duda Menegassi
Maquete mostra o Parque Nacional da Tijuca em meio à cidade do Rio de Janeiro. 


Foto: Duda Menegassi



Quem visitar o Cristo Redentor e o recém reformado Hotel Paineiras, no Rio de Janeiro, tem ali a possibilidade de fazer um passeio pela história do Parque Nacional da Tijuca (RJ), conhecer seus atrativos, e descobrir toda a exuberância e riqueza naturais. Localizada no segundo andar do prédio reaberto ao público há dois meses, a exposição permanente “Floresta Protetora”, produzida pela empresa Super Uber, que leva os visitantes por dentro do parque e do bioma Mata Atlântica.



Ainda no primeiro andar, a exposição começa com uma enorme maquete que representa com todo território do Parque Nacional e evidencia com clareza como a unidade é abraçada pela cidade – a natureza e o  urbano convivem lado a lado. O público pode explorar a maquete através de computadores interativos que mostram os atrativos, trilhas e rios do parque e, até, os bairros limítrofes.


Uma escada leva o visitante  para o segundo andar. A subida  contorna a maquete por cima e leva o vistante à exposição fotográfica “Floresta Protetora”. As primeiras fotos são registros de visitantes do Parque. Na sequência, os cliques são de fotógrafos que traduziram em fotos a biodiversidade da Mata Atlântica, e registraram a beleza da fauna e flora nativas.
Painel com fotos dos visitantes mostra alguns dos atrativos do Parque. Foto: Duda Menegassi
Painel com fotos dos visitantes mostra alguns dos atrativos do Parque. Foto: Duda Menegassi



Um dos fotógrafos de natureza expostos é Peterson de Almeida. Funcionário do Parque Nacional da Tijuca desde 2010, sua paixão pela fotografia o acompanha desde muito antes. São mais de 300 as fotos com sua assinatura na exposição.


Cliques de quem conhece o parque como ninguém, seus caminhos e atalhos, suas paisagens e seus cantos secretos. Nas palavras do fotógrafo: “É legal poder mostrar o meu trabalho com fotografia na exposição e ter esse reconhecimento pelo próprio parque. Mais legal ainda é mostrar ao visitante que sobe para conhecer o Cristo Redentor que ele está dentro do Parque Nacional da Tijuca. Porque às vezes, ele vem ao Cristo e não percebe que está em um parque nacional, que aqui tem cobra, macaco, enfim, tanta diversidade de fauna e flora, no meio da cidade”.


A exposição convida o visitante a conhecer outros parques nacionais, todos sob gestão do ICMBio. Um telão interativo com fotos mapeia todos os parques sob gestão federal e permite que o público explore-os por bioma, por região ou por estado.


A maioria das fotos está em exibição digitalmente, o que permite que mais registros sejam posteriormente acrescentados à exposição. Mais de 80 fotógrafos contribuíram para o acervo da mostra, dentre montanhistas, trilheiros e fotógrafos profissionais de natureza.
Corredor mostra a textura de diversas folhas nativas da Mata Atlântica. Entre os murais, é possível ouvir os sons da floresta. Foto: Duda Menegassi
Corredor mostra a textura de diversas folhas nativas da Mata Atlântica. Entre os murais, é possível ouvir os sons da floresta. Foto: Duda Menegassi


Convite
Se você é um amante do meio ambiente que gosta de registrar a natureza com sua lente, o WikiParques convida você para participar do 1º Encontro Fotográfico WikiParques. O evento será no próprio Hotel Paineiras, onde poderemos conferir a exposição, neste domingo, dia 9 de outubro. Preparem suas câmeras e fiquem ligados, a divulgação oficial do evento acontece esta semana na nossa página do Facebook.

Expansão cega


Por Adriana Maximiliano*
O escritor inglês James Bryce conheceu o Canal do Panamá ainda em construção, no início do século XX, e num livro publicado em 1912 sobre suas andanças pela América do Sul e Central, o chamou de "a maior liberdade que o homem já tomou com a natureza". Quase 100 anos depois, provavelmente existem outras centenas de obras que rivalizam, ou ultrapassam, os impactos ambientais provocados pela abertura do canal. O que não mudou foi o apetite de seus administradores de continuarem a tomar liberdade em excesso com a natureza. O governo panamenho, escorado nos resultados de um recente referendo popular, quer ampliar a mais movimentada via de ligação entre o Pacífico e o Atlântico. As obras devem terminar em 2014 e vão custar US$ 5,25 bilhões. Já a conta do meio ambiente, para alguns especialistas, não tem preço: aumento abusivo da salinidade da água do canal, escassez de água doce para a população panamenha e ameaça a bosques, animais silvestres e marinhos.

Para os defensores da expansão, vale pagar o preço com o crescimento econômico que o canal vai permitir ao Panamá. "Por lei, a ACP (Autoridade do Canal do Panamá, agência estatal autônoma que administra a via) deveria ter feito um grande e detalhado estudo de impacto ambiental, mas eles conseguiram mudar o regulamento da Anam (Autoridade Nacional de Meio Ambiente) três meses antes do referendo e, pelas novas regras, a própria ACP é quem deve aprovar ou reprovar seus estudos de impacto ambiental", reclama o biólogo da Universidade do Panamá Ariel Rodríguez-Vargas, que criou com outros ambientalistas a organização Aliança para a Conservação e Desenvolvimento do Panamá (ACD Panamá) para cobrar as promessas da ACP. “A primeira coisa que eles fizeram foi adiar os estudos”.

Enquanto eles não são feitos, outros 11 trabalhos foram executados por cinco organizações diferentes para avaliar o impacto da provável salinização das águas doces do canal. Os resultados foram unânimes: a expansão – com a construção de um terceiro jogo de eclusas no canal - não tem viabilidade ambiental. O Panamá tem hoje mais de 1,2 mil espécies de árvores, 900 espécies de pássaros e 10 mil espécies de plantas, das quais 1.250 só existem dentro das suas fronteiras. O canal também. E o país só existe por causa dele. Sua construção começou em 1904 e ele levou dez anos para ser concluído. Os dois, o país e o canal, têm que agradecer o nascimento de ambos ao presidente americano Theodore Roosevelt, engajado em melhorar o fluxo do comércio mundial ligando por um atalho dois Oceanos, o Pacífico e o Atlântico.

Preço de banana

Até o início do século 20, a região onde hoje está o Panamá fazia parte da Colômbia. Roosevelt se dispunha a bancar a construção do canal desde que seu país tivesse absoluto controle militar sobre a área e sobre sua operação. Os colombianos até conversaram sobre o assunto, mas não dava mesmo para aceitar a proposta americana. Roosevelt incentivou um grupo rebelde no Norte colombiano a criar confusão e quando Bogotá pensou em reagir, mandou navios de guerra ancorarem na costa da zona de conflito – não por coincidência, a mesma onde seria construído o canal. A mensagem foi clara. Qualquer retaliação das tropas federais colombianas seria respondida à bala pelos americanos. Os rebeldes se transformaram rapidamente num movimento separatista, o governo colombiano não estava disposto a arranjar briga com Washington e no dia três de dezembro de 1903, eles declaram sua independência num país com território de 78 mil e 200 quilômetros quadrados, metade do nosso Acre.

Em troca, os Estados Unidos compraram o controle da zona do canal (tamanho 82km de extensão) por US$ 10 milhões e construíram a passagem ao custo de US$ 375 milhões. Noventa e seis anos depois, o comando de sua operação finalmente caiu nas mãos do governo panamenho. O Canal do Panamá tem 80 quilômetros de extensão e começou a funcionar em 15 de agosto de 1914, ligando o Golfo do Panamá, no Oceano Pacífico, ao Mar do Caribe, no Oceano Atlântico. Antes de sua construção, para passar de um lado a outro, Não havia mais que duas opções. Uma pela Norte, negociando uma perigosa passagem entre a Sibéria e o Alaska e que ficava fechada boa parte do ano. A outra era contornar a América do Sul pelo Cabo Horn.

Essa rota, para um navio que saísse de São Francisco para Nova York, significava viajar 22 mil e 500 km. O canal encurtou a distância para 9 mil e 500 km. O impacto ambiental da obra no local foi devastador. Vinte e nove vilas foram inundadas, forçando 50 mil pessoas a se mudarem para outras áreas do país, e 27,5 mil trabalhadores morreram. A movimentação de terra provocada pela obra foi monumental. Escavou-se cerca de 7, 6 milhões de metros cúbicos para abrir o canal, 4 vezes mais do que as estimativas feitas inicialmente.

Corredor de espécies

Os críticos da expansão alertam que o meio ambiente mais uma vez não parece ser uma questão importante. A maior preocupação é a salinização do Miraflores e Gatún, os dois lagos artificiais de água doce cuja função primordial é encher as comportas do canal para a passagem dos navios. Mas é essa água também que as populações das duas maiores cidades panamenhas, Cidade do Panamá e Colón, usam para beber, tomar banho e lavar suas roupas e carros. Canal mais largo significa maior volume de água do mar entrando nos lagos. "De todos os impactos ambientais, o mais crítico é o aumento da salinidade no Gatún e Miraflores e nos canais de acesso e trânsito do canal. Se a quantidade nessas áreas for maior do que 0.45 a 0.50 mg de sal por litro, a água não terá qualidade para purificação", avalia Rodriguez Vargas.

Infelizmente, não são apenas os humanos que estão sob risco. A baixa salinidade atual da água consegue impedir uma avalanche de espécies de um oceano para dentro do outro. Se ela subir, é muito provável que o canal forneça o caminho para a criação de um novo corredor migratório, que afetaria o ecossistema dos recifes do Caribe panamenho. E ela vai subir.

Os lagos Gatún e Miraflores já estão bem mais salgados do que nos anos 70, mas ainda num nível tolerável, o que impede que as espécies de um oceano passem para outro. Mas segundo Rodríguez-Vargas, no projeto de ampliação, a ACP já colocou uma salinidade maior do que a verdadeira para quando ela subir muito, eles poderem dizer que não subiu tanto assim, que já era alta antes das obras."Descobri que o nível de salinidade que eles esperam atingir depois da ampliação no lago Gatún é menor do que o atual", revela.

Atualmente, o canal consegue receber navios que carregam até 4 mil contêineres. Como os navios maiores, chamados de pós-Panamax e que carregam até 12 mil contêineres, serão 30% da frota mundial em 2020, o presidente Martín Torrijos acredita que sem a ampliação, o canal se tornaria obsoleto em menos de duas décadas. As obras de expansão vão aumentar a profundidade do canal e alargá-lo. Para fazê-lo funcionar, os dois lagos de água doce terão que ter seus níveis elevados e será instalada uma nova unidade de eclusas.

A ampliação inclui a construção de uma terceira linha, mais larga e profunda, capaz de suportar o tráfego dos pós-Panamax a partir de 2014. A ACP promete gerar sete mil empregos diretos, mais de 30 mil indiretos e, em 15 anos, multiplicar por seis a receita da faixa interoceânica, que atualmente é de cerca de US$ 1 bilhão por ano. De um ponto de vista estritamente mercadológico, Torrijos tem lá sua razão. Além de estar ficando pequeno para os navios atuais, as perspectivas futuras dão conta que o canal finalmente vai encarar competição pelo dinheiro de quem quer passar mais rápido do Atlântico ao Pacífico. México e Colômbia trabalham na criação de rotas de ligação dedicadas, só que por terra, com caminhos levando para navios no Atlântico mercadorias desembarcadas de embarcações no Pacífico. A Nicarágua sonha mais alto. Quer fazer um canal alternativo em seu território.

Ignorância

Atravessam o canal diariamente cerca de 40 navios. E, cada vez que um navio passa por ali, 208 milhões de litros de água doce são despejados no oceano. O terceiro jogo de eclusas terá 18 bacias que vão servir para reciclar 60% da água necessária para erguer os navios. "A ACP optou por uma tecnologia de reciclagem que vem sendo usada por décadas na Alemanha. Economiza água, dinheiro e não requer construir represas ou inundar nenhuma vila", garante a porta-voz da ACP, Teresa Arosemena, que indicou a O ECO uma consultora da ACP, Cookie Domingo, para falar sobre o impacto ambiental do projeto. Ao ser perguntada sobre o assunto, a consultora contou que não é especialista em meio ambiente e repetiu apenas que "todo cuidado será tomado para não causar danos à natureza". Só não está muito claro como.

Ela diz basicamente que a fauna e a flora da região foram monitoradas de perto nos últimos anos e este trabalho será utilizado num estudo maior sobre o impacto, ainda sem data determinada para acontecer. Se o estudo ficou em último plano, os eleitores ganharam mais atenção. Antes do referendo, a Secretaria do Meio Ambiente do Panamá enviou técnicos para as vilas próximas ao canal para explicar aos moradores que suas casas não serão afetadas pelas obras. Mas a questão é polêmica. Ambientalistas acusam a ACP de usar um discurso dúbio sobre a não utilização das águas do rio Índio para encher o canal. No projeto, o rio Índio aparece como última opção de recurso, depois das bacias de água reciclável, da elevação do nível do Lago Gatún e da complicada operação de baixar o fundo dos canais de navegação.

Rodríguez-Vargas alerta que, se o Rio Índio for utilizado, uma represa será construída, o projeto ficará mais caro, bosques serão inundados e milhares de moradores precisarão deixar suas casas. "E a ACP vai colocar a culpa no povo, argumentando que a quantidade de água necessária para consumo humano foi além do previsto", prevê ele. Cerca de 190 mil pessoas moram na região interoceânica. "Eu não vejo isso como um ponto negativo", diz o biólogo do Smithsonian Tropical Research Institute (STRI) Richard Condit, que trabalha no Panamá: "Alguns bosques serão inundados e muitas pessoas serão forçadas a deixar a região, mas isso no fim das contas será bom para o meio ambiente".

Discurso e lei

Apontado pela ACP como um defensor do projeto, o cientista Stanley Heckadon-Moreno, que também trabalha para o Smithsonian Tropical Research Institute como diretor de comunicações no Panamá, começou seus comentários sobre o impacto ambiental com um elogio relativo: "O projeto atual da ACP é muito melhor do que o projeto original, apresentado em 2000, que ameaçava represar três rios". Depois, lembrou que o Panamá perde 40 mil hectares de florestas tropicais por ano devido a queimadas na agricultura, criação extensiva de gado e atividade madeireira. "A modernização do canal vai afetar apenas 427 hectares de floresta secundária", pondera Heckadon-Moreno. Sobre outras ameaças, o cientista foi mais otimista ao dizer que o hidrólogo do STRI Dr. Robert Stallard trabalha na região há 20 anos e considera improvável que o Lago Gatún sofra salinização.

Pior são as perspectivas do Miraflores. "É possível que a salinidade do lago Miraflores aumente um pouco. Já a alta qualidade das águas do Gatún será mantida pelas novas comportas, que são tão boas quanto as antigas. Acho que a maior ameaça a este lago não é a operação do canal, mas a incontrolável urbanização e industrialização da região", diz Heckadon-Moreno, que concorda que o estudo de impacto ambiental devia ser uma prioridade: "Existem muitos dados sobre o meio ambiente do canal. O STRI, por exemplo, estuda a floresta desde 1910 e eu coordenei um time de 40 pesquisadores num projeto sobre os recursos naturais da região do canal, de 1996 a 2000. A ACP pode aproveitar toda essa informação para fazer o melhor estudo de impacto ambiental possível e obedecer estritamente as medidas de redução de risco para preservar a região".

Rodríguez-Vargas concorda com o cientista, mas não acredita que isso vai acontecer: "As conseqüências dessa expansão serão graves e um estudo que contemple as dimensões dos impactos diretos, indiretos e sinérgicos é fundamental, mas também custoso. E, por ser custoso, tem sido ignorado. Assim que funcionam nossas repúblicas das Bananas, propensas a muitos discursos ambientais e poucas práticas reais".

*Adriana Maximiliano é freelancer em Washington.

Onças ameaçadas na América Central


Por Vandré Fonseca
Esta onça capturada em uma armadilha fotográfica no Panamá recebeu o nome de Aquiles. Crédito: Eurekalert.
Esta onça capturada em uma armadilha fotográfica no Panamá recebeu o nome de Aquiles. 
Crédito: Eurekalert.


Manaus, AM - Vinte e seis onças-pintadas foram mortas no Panamá até setembro deste ano, de acordo com o diretor da Fundação Yaguará Panamá, Roberto Moreno.

O número já supera os registros do ano passado, quando 23 onças foram mortas no país e demonstra um aumento no abate dos predadores na região. Entre 1989 e 2014, segundo os dados apresentados no 20º Congresso da Sociedade Mesoamericana para a Biologia e Conservação, realizado em agosto no Belize, foram mortas 230 onças no país.


A principal causa do abate de onças é a retaliação por parte de fazendeiros a ataques ao gado ou a cães. Mas as onças têm ainda outras preocupações na região. Durante o Congresso, foi apresentado um panorama dos remanescentes florestais do México ao Panamá, ao longo da costa atlântica. Imagens com armadilhas fotográficas obtidas entre 2005 e 2014 em parques nacionais e fragmentos de floresta foram utilizados para saber quais ainda suportam a vida selvagem.


Moreno, que também é pesquisador associado do Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian (STRI, em inglês), no Panamá, lembra que a população de onças ao norte do Canal do Panamá foi isolada há cerca de 100 anos com a construção do Canal. “O continuo desenvolvimento e o desmatamento no centro do Panamá interrompem o fluxo de animais e seus genes, então agora o jaguar é considerado uma espécie ameaçada”, afirma o pesquisador.


A redução e a fragmentação do habitat atinge também uma das principais presas da onça, as queixadas (Tayassu pecari). As queixadas vivem em bandos de 10 a 300 indivíduos e são consideradas arquitetas de florestas, porque são capazes tanto de dispersar sementes quanto evitar o crescimento de plantas devido ao pisoteio. A perda de conexão entre os remanescentes florestais prejudica o crescimento de populações saudáveis da espécie.


Ao lado de onças e antas, queixadas são consideradas indicadores da saúde de ambientes tropicais. E as populações destes três animais está diminuindo na parte panamenha do corredor de floresta tropical.


O Panamá já perdeu metade de suas florestas. De acordo com pesquisadores, apesar de mais de 22% da área do país estar sob algum tipo de proteção, muitos parques nacionais não suportam o número esperado de animais. A boa notícia, segundo os pesquisadores, é que é possível recriar o habitat da onça na região, com projetos de restauração florestal. Eles defendem também ações de conscientização e contrapartidas financeiras para conservação da espécie.

Saiba Mais
Artigos:
N.F.V. Meyer, H.J. Esser, R. Moreno et al. 2015. An assessment of the terrestrial mammal communities in forests of Central Panama, using camera-trap surveys. Journal for Nature Conservation 26(2015) 28-25.


R. Moreno, N. Meyer, M. Olmos et al. 2015. Causes of jaguar killing in Panama--a long term survey using interviews. Cat news. No. 62. Spring, 2015. pp.40-42.
N.F.V. Meyer, R. Moreno, E. Sanches et al. 2016. Do protected areas in Panama support intact assemblages of ungulates? Therya 7(1):65-76 doi:10.12933/therya-16-341.


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Transplante de corpo: Será mesmo possível?


26/09/2016


Com informações da BBC

Transplante de corpo: Será mesmo possível?
O Dr. Sergio Canavero já se tornou famoso pelas suas alegações, mas muitos de seus colegas dizem que o transplante de corpo ainda é ficção científica. [Imagem: Divulgação]
Trocar de corpo
Um cirurgião italiano que diz ser capaz de realizar um inédito transplante de corpo - ou de cabeça - afirma que já poderia fazer a operação no ano que vem.


Sergio Canavero explica que o transplante consiste em manter apenas a cabeça do paciente, e plugar nela o corpo de um doador com morte cerebral - em vez de receber apenas um órgão, como coração ou rim, o paciente recebe o transplante do corpo inteiro.



"Não estamos a uma década ou a anos (do transplante). Eu espero ter tudo pronto para começar a trabalhar no final de 2017. Mas é claro que a realização depende da disponibilidade de um doador. O último transplante facial demorou diversos meses para ser feito por falta de um doador adequado. Mas a tecnologia estará disponível," afirmou ele.




Apesar do imenso risco envolvendo a cirurgia, o médico italiano diz ter muitas pessoas se oferecendo como cobaias - dispostas a, na prática, trocar seu corpo por um mais saudável.
Ele diz que, por conta da tecnologia disponível, países como Reino Unido, Alemanha e França seriam os mais indicados para realizar o transplante de cabeça.



Como funcionaria o transplante de corpo
Canavero diz que o transplante requereria a mão de obra de 150 médicos e enfermeiros, duraria 36 horas e custaria o equivalente a R$ 42 milhões. O primeiro passo seria congelar o corpo do paciente para preservar as células do cérebro, drenar o cérebro e substituir o sangue por uma solução cirúrgica.



A partir daí, o pescoço do paciente e do doador seriam cortados para que as artérias e veias importantes fossem envoltas com tubos feitos de uma combinação de silicone e plástico - esses tubos seriam comprimidos para impedir o fluxo de sangue e depois afrouxados para facilitar a circulação quando a cabeça fosse reconectada.



Uma parte ainda mais delicada é o corte da medula espinhal, algo que seria feito com um bisturi especial, feito de diamantes, por causa de sua força. A cabeça, então, seria movida para o novo corpo e as medulas, conectadas com um tipo especial de cola.



Os desafios seriam enormes, a começar pelo perigo da rejeição do corpo pela cabeça, das dificuldades em reabilitar o paciente após a cirurgia e, sobretudo, da incerteza sobre como será possível integrar a espinha - por exemplo, até hoje a medicina não consegue reparar danos à medula, geralmente causados por acidentes, que deixam as pessoas tetraplégicas.



Céticos
Canavero deposita suas esperanças em uma substância comum para reconectar a medula espinhal - um polímero inorgânico chamado polietilenoglicol.



"Agora temos uma substância que faz o milagre de renovar uma medula espinhal cortada. Os resultados que temos são espetaculares. Fizemos um teste com um cachorro e ele se recuperou em duas semanas. Ele conseguia correr," afirmou.



A maioria dos especialistas médicos classifica a proposta de Canavero como "ficção científica" e acha que um transplante de cabeça é impossível - além de potencialmente trazer dilemas éticos e submeter pacientes a procedimentos que podem ser muito dolorosos.



O neurocientista Jerry Silver, da Universidade Case Western Reserve (EUA), afirmou à revista New Scientist que os artigos científicos publicados pela equipe de Canavero "não dão suporte para se prosseguir rumo a testes da tecnologia em humanos".



"O cachorro é um relato de caso, e você não consegue aprender muito de um único animal, sem controles", acrescentou Silver, referindo-se à falta de animais de controle no experimento, que não recebessem a "substância que faz milagre" de Canavero para comparação dos resultados.




Loucuras realizadas
Outros especialistas, porém, destacam que diversas descobertas científicas já foram classificadas de "loucura" antes de serem concretizadas - além de terem permitido outros avanços científicos em paralelo à sua concretização.



Canavero, por sua vez, diz já ter testes em macacos para usar como base e que o procedimento tem "90% de chances de sucesso".


"Isso quer dizer que o paciente acorda sem danos e já começa a andar dentro de um mês ou depois de fisioterapia", explica. "Estamos dando esperanças às pessoas que têm sido decepcionadas pela medicina ocidental".

Colírio previne doença ocular causada pela diabetes


28/09/2016

Com informações da Agência Fapesp

Colírio previne doença ocular causada pela diabetes
Formulação farmacêutica permeia barreiras oculares e leva princípio ativo à retina. O colírio já está disponível para licenciamento por empresas farmacêuticas. [Imagem: Leandro Negro/FAPESP]







Retinopatia Diabética
Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram um colírio capaz de prevenir e tratar a retinopatia diabética, complicação que pode comprometer a visão de pessoas com diabetes.



Essa condição decorre de alterações neurais e vasculares na retina geradas pelo efeito tóxico de altas taxas de glicemia (glicose no soro) e constitui uma das maiores causas de redução visual na idade produtiva podendo, inclusive, levar à perda irreversível da visão.
O principal diferencial do novo colírio é o fato de que sua formulação farmacêutica permeia as barreiras oculares e leva o princípio ativo até a retina.



"Atualmente, as opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da retinopatia diabética são invasivas, como fotocoagulação com laser, injeções intravítreas ou mesmo cirurgia. O uso do colírio facilitaria a administração do fármaco sem os riscos do procedimento intraocular ou dos danos irreversíveis da fotocoagulação a laser na retina," explicou a pesquisadora Jacqueline Mendonça de Faria.



Colírio preventivo
O colírio pode ser aplicado nas fases precoces da doença - precedendo a sua detecção clínica e atuando essencialmente como neuroprotetor da retina - e também no tratamento de outras doenças, como o glaucoma.



"Este colírio poderá ser aplicado na prevenção, já que atua nos mecanismos precoces da retinopatia diabética e de outras doenças isquêmicas da retina como estresse oxidativo e nitrosativo", disse Jacqueline.



A composição está disponível para licenciamento. Já foi testada experimentalmente em animais de laboratório com resultados promissores, sem efeitos adversos. No entanto, ainda há necessidade de experimentos envolvendo seres humanos.

Técnica petrolífera pode afetar reprodução e sistema nervoso


04/10/2016


Redação do Diário da Saúde

Fraturamento hidráulico e saúde
Os resultados negativos foram observados mesmo em camundongos expostos à dose mais baixa dos produtos químicos usados no fraturamento hidráulico. [Imagem: University of Missouri]




Fraturamento hidráulico

Duas equipes, trabalhando de forma independente, anunciaram ter encontrado ligações entre problemas de saúde e uma prática crescente na exploração de petróleo e gás natural.
Pesquisadores da Universidade de Missouri (EUA) anunciaram ter encontrado uma conexão entre a exposição a substâncias químicas liberadas durante o fraturamento hidráulico e problemas reprodutivos e de desenvolvimento.




O fraturamento hidráulico é uma técnica de exploração de petróleo e gás que injeta uma solução de substâncias químicas sob alta pressão para quebrar as rochas e liberar maiores quantidades de gás e petróleo.


Apesar de permitir a exploração de reservas mais pobres ou poços no final da vida útil, a técnica tem forte impacto ambiental, incluindo a contaminação dos lençóis subterrâneos, poluição do ar e sonora, migração para a superfície dos gases e produtos químicos empregados, contaminação da superfície devido a derramamentos da solução usada e possíveis efeitos nocivos à saúde.


A exposição às substâncias químicas liberadas durante o fraturamento hidráulico foram documentadas em camundongos, mas os cientistas acreditam que a exposição a esses produtos químicos também pode representar uma ameaça ao feto e ao desenvolvimento humano.



BTEX
Outra equipe, da Universidade do Texas em Arlington, publicou simultaneamente um estudo que mostra níveis altamente variáveis no ambiente de BTEX - benzeno, tolueno, etilbenzeno, e compostos de xileno - dentro e em torno dos locais de perfuração por fraturamento hidráulico na região Eagle Ford, no sul do Texas, onde é explorado xisto.
Compostos BTEX em altas concentrações podem ser cancerígenos e ter efeitos nocivos sobre o sistema nervoso.



"Pesquisadores já haviam demonstrado que os compostos químicos conhecidos como disruptores endócrinos imitam ou bloqueiam os hormônios - os mensageiros químicos que regulam a respiração, reprodução, metabolismo, crescimento e outras funções biológicas," disse a professora Susan Nagel, responsável pelo primeiro estudo.



"A evidência deste estudo indica que a exposição durante o desenvolvimento aos químicos de perfuração e fraturamento pode representar uma ameaça à fertilidade nos camundongos e potencialmente das pessoas. Os resultados negativos foram observados mesmo em camundongos expostos à dose mais baixa dos produtos químicos, que foi menor do que as concentrações encontradas em águas subterrâneas em alguns locais com derrames de petróleo e de águas residuais de gás."

Trabalho em grupo atrapalha memorização


26/09/2016

Redação do Diário da Saúde

Trabalho em grupo atrapalha memorização
Estranhamente, conhecer um assunto aumenta as falsas memórias sobre ele. Mas se o objetivo é aprender e lembrar, exercitar-se logo depois pode ser a chave do sucesso.[Imagem: Cortesia Branka Milivojevic/Radboud University]



 
Memória grupal
Trabalhar em equipe parece ser o objetivo de todos os tipos de treinamentos, profissionalizantes ou educativos, mas a colaboração em um grupo pode na verdade ser prejudicial se o objetivo for registrar informações.



A memória resultante de ações em grupo é importante em diversas situações, de comitês de seleção para emprego, até em tribunais, onde os jurados trabalham juntos para recordar evidências antes de chegar a um veredito. Nas escolas e nas universidades, os estudantes também costumam trabalhar em conjunto para rever a matéria do curso antes dos exames.



Mas um estudo comparativo entre grupos e igual número de pessoas trabalhando individualmente - um grupo de quatro pessoas versus quatro indivíduos isolados, por exemplo - mostrou que aqueles que trabalham sozinhos gravam muito mais informações.
Também se constatou que o trabalho em grupo é mais prejudicial para grupos maiores do que para grupos menores. Outra conclusão é que amigos e membros da família são mais eficazes em trabalhar em conjunto do que estranhos.


Inibição colaborativa
Os pesquisadores já até cunharam um termo para o efeito: inibição colaborativa.
Eles sugerem que a inibição colaborativa ocorre porque o trabalho em grupo atrapalha as estratégias individuais de memorização.


"Os membros do grupo desenvolvem suas próprias estratégias preferidas de memorização para recordar informações. Por exemplo, a pessoa A pode preferir recordar a informação na ordem em que foi aprendida, mas a pessoa B pode preferir recuperá-la na ordem inversa. E a lembrança é maior quando as pessoas podem usar as suas próprias estratégias de recuperação.


"Durante o trabalho em grupo, os membros ouvem os outros lembrando informações por meio das suas próprias estratégias de recuperação, o que atrapalha suas estratégias preferenciais. Isto resulta em que cada membro fica abaixo do seu desempenho normal, e o grupo como um todo perde.



Os indivíduos que trabalham sozinhos podem usar as suas estratégias de memorização preferenciais sem essa ruptura, de forma que eles se lembram mais," explicou o professor Craig Thorley, da Universidade de Liverpool (Reino Unido), que fez o estudo em colaboração com colegas da Universidade de Ontário (Canadá).



Os resultados foram publicados na revista Psychological Bulletin.

Restrição calórica é benéfica para o cérebro

29/09/2016


Com informações da Agência Fapesp

Restrição calórica beneficia o cérebro
Cortar 40% das calorias protege os neurônios de danos causados pelo excesso de cálcio associado a doenças como Alzheimer, além de aumentar a resiliência das células ao estresse oxidativo. [Imagem: Wikimedia Commmons/MethoxyRoxy]
Calorias e cérebro
Já se sabia que uma alimentação com poucas calorias ajuda a viver mais e que a restrição calórica melhora a memória e a capacidade de aprender.


Agora, novos resultados confirmam que a restrição calórica pode ser fisiologicamente benéfica para o cérebro.



Os experimentos indicam que cortar 40% das calorias protege os neurônios de danos causados pelo excesso de cálcio, por sua vez associado a doenças como Alzheimer, além de aumentar a resiliência das células ao estresse oxidativo.


"Mais do que promover as vantagens de comer pouco, nosso objetivo é compreender os mecanismos que fazem com que não exagerar na ingestão de calorias seja melhor para a saúde. Isso pode apontar novos alvos para o desenvolvimento de drogas contra diversas enfermidades", comentou o pesquisador Ignácio Amigo, da rede pesquisas brasileira Redoxoma (Processos Redox em Biomedicina).


Proteção dos neurônios
Por meio de experimentos em células e em animais de laboratório, Amigo observou que uma redução de 40% nas calorias da dieta aumenta a capacidade da mitocôndria (organela responsável pela produção de energia da célula) de captar cálcio em algumas situações nas quais o nível desse mineral no meio celular encontra-se patologicamente elevado.


No cérebro, isso pode ajudar a evitar a morte de neurônios associada a doenças como Alzheimer, Parkinson, epilepsia e acidente vascular cerebral (AVC), entre outras.


Conforme explicou o pesquisador, o cálcio é uma molécula que participa do processo de comunicação entre os neurônios. Porém, doenças como o Alzheimer podem causar uma superativação dos receptores para o neurotransmissor glutamato nos neurônios, resultando em uma entrada excessiva de íons de cálcio na célula. Essa condição é conhecida como excitotoxicidade e pode causar danos e até mesmo a morte dos neurônios.


A equipe agora pretende estudar as proteínas que tiveram sua atividade alterada pela restrição calórica, já que isto as torna potenciais alvos a serem explorados no tratamento das doenças em que há perda neuronal por excitotoxicidade.