sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Retrospectiva de um ano de comprometimentos: 2016 e o avanço da sustentabilidade global

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)
(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)


O ano de 2016 começou com expectativas otimistas após as diversas discussões e acordos ocorridos na Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (COP 21). O Acordo de Paris, que foi estabelecido ao fim de dezembro de 2015, entrou em vigor no dia 04 de novembro de 2016, muito antes do esperado, representando um marco inédito e recorde em todas as negociações internacionais lideradas pela ONU.


Entre tantas turbulências políticas e conflitos, o mundo parou ainda para assistir o Brasil falar sobre o aquecimento global na abertura das Olimpíadas. No fechamento de 2016, o TheCityFix Brasil faz uma retrospectiva do ano para lembrar as conquistas globais em direção a um futuro mais sustentável.



É possível afirmar que 2016 foi o ano para grandes e pequenas nações confirmarem seus compromissos assumidos em 2015 e que definirão a qualidade de vida do planeta. Hoje, 118 partes já assinaram o Acordo de Paris, o que representa 80% das emissões globais. Na COP 22, realizada este ano em Marrakech, foi o momento de pensar em como colocar em prática as ações que levarão ao cumprimento do acordo. O encontro permitiu que passos importantes fossem dados para a formatação de um roteiro com as regras e os processos para a implementação do tratado, incluindo o prazo final de 2018.



Em Marrakech também foi lançada a Parceria NDC (sigla em inglês para Contribuições Nacionalmente Determinadas), uma nova coalizão formada por países desenvolvidos e em desenvolvimento e instituições internacionais e dedicada a garantir que os países recebam o suporte financeiro e técnico necessário para alcançar as metas determinadas especialmente pelo Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.



Além disso, Alemanha, Estados Unidos, México e Canadá – que juntos representam 24% das emissões de gases de efeito estufa do mundo – apresentaram suas estratégias para profundas reduções nas emissões até 2050. Novas alianças foram formadas, incluindo a Iniciativa da Energia Renovável para a África (AREI, sigla em inglês para Africa Renewable Energy Initiative) e a Adaptação da Agricultura Africana (AAA).



Noticiado com menos repercussão, mas considerado por muitos o maior salto no combate ao aquecimento global depois do Acordo de Paris, o tratado de Kigali também foi assinado em 2016. Ao todo, 197 países assinaram o compromisso durante o 28º Encontro das Partes do Protocolo de Montreal, realizado em Kigali, capital de Ruanda, em outubro.


O acordo é uma emenda ao Tratado de Montreal e estabelece que os Estados Unidos e a União Europeia reduzam o uso dos hidrofluorcarbonos (HFCs) em 10% até 2019 (tendo como referência os níveis de 2001-2013), para chegar a menos 85% até 2036. Um segundo grupo de países, que inclui a China, o maior emissor mundial de HFC, e também os países africanos, comprometeu-se a iniciar a transição em 2024.


Uma pequena parcela de nações, entre as quais Índia, Paquistão e alguns estados do Golfo Pérsico, conseguiu adiar o início das ações para 2028. A meta é que o consumo total de HFC tenha caído de 80% a 85% até 2047. Os HFCs são os gases usados em refrigeradores e aparelhos de ar condicionado e têm uma potência de reter o calor mil vezes maior que o gás carbônico (CO2). Segundo especialistas, a redução do uso desses poluentes é o meio isolado mais rápido para diminuir o aquecimento global.


O acordo de Kigali é vinculativo – ou seja, os países são obrigados a cumprir suas determinações – e, portanto, tem o potencial de impedir a alta da temperatura atmosférica em 0,5°C até o final do século. “É provavelmente o mais importante passo que podemos tomar nesse momento para limitar o aquecimento do nosso planeta para as gerações que estão por vir”, exaltou o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry.


Quito foi palco para a Habitat III. (Foto: Adam Reeder/Flick-CC)
Quito foi palco para a Habitat III. (Foto: Adam Reeder/Flick-CC)

A sustentabilidade nas mãos dos líderes urbanos

De Quito, no Equador, foi lançado um documento que irá guiar as transformações urbanas para os próximos 20 anos. A Nova Agenda Urbana (NAU), adotada formalmente após a Habitat III, a Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável, em outubro, foi acordada por 193 países após meses de trabalhos e revisões por parte de especialistas do mundo todo. Seu conteúdo incentiva todos os níveis de governo, assim como a sociedade civil, a tomarem parte dos compromissos pelo desenvolvimento urbano sustentável.



O documento trabalha pela promoção de um planejamento urbano e territorial que garanta o uso sustentável do solo e dos recursos naturais ao pedir por cidades compactas, policêntricas, com densidade e conectividade apropriadas e controle da dispersão urbana. O texto instiga a integração dos planos de mobilidade no planejamento urbano e apoia a priorização do transporte ativo sobre o transporte motorizado e o Desenvolvimento Orientado pelo Transporte Sustentável (DOTS), modelo de planejamento que reduz as necessidades de grandes deslocamentos e possibilita custos mais acessíveis.



Diferentemente do Acordo de Paris, a Nova Agenda Urbana não é um acordo legalmente vinculante, ela apenas oferece orientações para os atores envolvidos no desenvolvimento urbano construírem seus planos de ação. O desafio dessa nova ferramenta é justamente se fazer presente nos planos das cidades. Para isso, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat) lançou o Quito Implementation Plan (QIT), um portal online para os diversos tipos de stakeholders – incluindo o setor privado, ONGs e organizações de base – apresentarem publicamente seus compromissos e iniciativas de implementação em um lugar centralizado. A ideia é chamar a atenção às diferentes atividades e oportunidades em andamento e suscitar colaborações.

Do Rio de Janeiro, a mensagem pela saúde do planeta

A cerimônia de abertura das Olimpíadas Rio 2016 neste ano assumiu a missão de fazer o resto do globo parar para pensar no futuro do nosso meio ambiente. Ao misturar a pauta do aquecimento global com a apresentação dos atletas, o espetáculo no Maracanã mostrou as mudanças pelas quais as cidades passaram ao longo dos séculos, números e consequências das mudanças climáticas.



A emissão de gases de efeito estufa, o degelo dos polos, a elevação do nível do mar e o aumento da temperatura foram retratados em um vídeo em que as atrizes Fernanda Montenegro e Judy Dench recitaram o poema “A Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade.



Para lembrar o reflorestamento, cada atleta recebeu uma semente ao entrar no campo. As sementes, de 207 espécies diferentes, serão plantadas no local em que hoje está instalado o Parque Radical, no Complexo Esportivo de Deodoro, onde será criada a Floresta dos Atletas.
(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)


O Brasil também deu um importante passo em 2016 no processo de adaptação às mudanças no clima e também do aprimoramento de ações de mitigação. O governo lançou, em maio, o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA), que compila estratégias para 11 setores: agricultura, recursos hídricos, segurança alimentar e nutricional, biodiversidade, cidades, gestão de risco aos desastres, indústria e mineração, infraestrutura, povos e populações vulneráveis, saúde e zonas costeiras. O PNA ressalta, portanto, a importância de elencar esforços voltados para o desenvolvimento da resiliência e da capacidade de adaptação dos municípios.



Katerina Elias Trostmann, Analista de Pesquisa do WRI Brasil, destaca a importância de utilizar a adaptação como método para preparar as cidades brasileiras: “A publicação do Plano Nacional de Adaptação é um passo à frente para que possamos estruturar a capacidade de adaptação das cidades às mudanças do clima. O PNA caracteriza os riscos climáticos, identifica as vulnerabilidades das cidades e promove medidas concretas que as cidades podem tomar”, afirma Katerina.



O Plano Nacional de Adaptação terá metas com prazo de quatro anos, com suas respectivas revisões, conforme orientação legal para o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, e contará com um sistema de monitoramento e avaliação. “Essas metas fazem parte das contribuições que o Brasil enviou às Nações Unidas, dentro dos esforços globais de combate às mudanças do clima”, explicou Karen Silverwood-Cope, secretária de mudança do clima e qualidade ambiental do MMA, citando as contribuições nacionalmente determinadas pretendidas (INDC) que o governo brasileiro apresentou antes da COP 21 e que fundamentaram os compromissos assumidos pelo país para a redução de suas emissões no âmbito do Acordo de Paris. As informações são do Observatório do Clima.

Que venha 2017!

2016 foi desafiador em muitas esferas, mas chega ao fim com o mundo sinalizando o comprometimento com o desenvolvimento sustentável. A perspectiva que fica, com tantos acordos firmados em prol do clima, é a de esperança: os esforços e comprometimentos das nações nos colocam no caminho certo para reverter as mudanças climáticas.



As discussões e acertos ocorridos até devem seguir avançando. Para o novo ano que se anuncia, esperamos que os compromissos assinados em 2016 se concretizem, alavancando a sustentabilidade nas cidades e contribuindo para a construção de um futuro melhor para o planeta e as pessoas. Que venha 2017!

Gás metano dispara e ameaça meta de 2 graus


Por Claudio Angelo, do Observatório do Clima
Gado em pasto degradado na Amazônia: rebanho bovino lidera emissões de metano do Brasil. Foto: Ipam
Gado em pasto degradado na Amazônia: rebanho bovino lidera emissões de metano
 do Brasil. Foto: Ipam



Um consórcio internacional de cientistas largou uma bomba de gás sobre a humanidade nesta segunda-feira: eles mostraram que as concentrações globais de metano (CH4), o segundo gás de efeito estufa mais importante, aumentaram quase 14 vezes de 2007 até 2015. As causas da disparada ainda não estão totalmente claras, mas os cientistas atribuem o grosso do problema a emissões por desmatamento e agropecuária, em especial nos trópicos.



Os números, revelados pela rede GCP (Global Carbon Project), trazem um desafio adicional para o cumprimento da meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a menos de 2oC neste século. A trajetória observada do metano se aproxima do pior cenário de emissões do IPCC, o painel do clima da ONU. Nesse cenário, conhecido pela sigla RCP 8.5, o esquentamento da Terra no fim do século 21 ultrapassa os 4oC em relação à era pré-industrial.



“O aumento foi surpreendente”, disse ao OC o pesquisador catalão Josep “Pep” Canadell, diretor-executivo do GCP. Ele é coautor de dois estudos publicados hoje: um sobre o balanço global de metano de 2016, com dados de 2000 a 2012, no periódico Earth Systems Data; e outro na revista Environmental Research Letters, com uma análise do que isso significa para o clima, que inclui dados mais recentes, até 2015.



Concentração (no alto) e emissões de metano (esq.) e gás carbônico, comparadas aos cenários do IPCC



Segundo Canadell, o pico de emissões aconteceu nos últimos três anos. Em 2014, por exemplo, a concentração de metano na atmosfera cresceu 12,5 partes por bilhão (ppb), em comparação com uma média de 0,5 ppb no começo do século. Com efeito, nos anos 2000, o metano parecia ter atingido um platô, com concentrações praticamente estagnadas.


“Achamos até que estivéssemos fazendo alguma coisa certa”, conta Canadell. Os novos dados assustam os cientistas porque vão quase na direção oposta da concentração de gás carbônico emitido por combustíveis fósseis, que ficou praticamente estagnada em 2014 e 2015.


O metano é emitido em quantidades muito menores do que o CO2. Suas principais fontes são a queima de biomassa, o rebanho bovino e ovino (o popular “arroto” das vacas e ovelhas), a produção de combustíveis fósseis, como o gás natural (que é quase todo metano) e o lixo e o esgoto nas cidades.


Estima-se que em 2012, último ano para o qual as análises mais completas estão disponíveis, suas emissões anuais tenham chegado à casa das 550 milhões de toneladas por ano – contra cerca de 50 bilhões de toneladas de CO2 atualmente. Ele representa 4% do CO2 equivalente.


O problema é que cada molécula de metano esquenta o planeta 28 vezes mais do que uma molécula de CO2. Então, apesar de responder por apenas 4% dos gases-estufa, ele causa 20% da elevação de temperatura, segundo estimativa do Global Carbon Project. A aceleração do crescimento das emissões de metano, se tiver vindo para ficar, significa que nós provavelmente veremos um aumento de temperatura da Terra mais rápido do que os cientistas imaginavam.


“Esses novos dados são um lembrete brutal de que precisamos olhar para o pico de todos os gases de efeito estufa”, afirmou Canadell. “Todos os gases deveriam estar chegando ao pico e declinando muito rápido. As emissões precisam cair a zero.”



De acordo com a análise do GCP, a América do Sul e o Sudeste da Ásia ocupam os primeiros lugares nas emissões globais de metano – dois terços das emissões estão nos trópicos. No caso sul-americano, as áreas úmidas e cursos d’água lideram as emissões, o que pode ter relação com impactos de secas recentes sobre o balanço de metano dos ecossistemas. Mas seu crescimento é dominado pela agropecuária.

Emissões anuais de metano no período 2003-2012 e sua distribuição entre as regiões do planeta; América do Sul lidera (fonte das ilustrações: GCP, Environmental Research Letters)

“Acreditamos haver um sinal claro da agricultura”, afirmou Canadell. “Há uma tendência de longo prazo de desmatamento e de crescimento do rebanho que ainda é enorme.” A queima e produção de combustíveis fósseis, como a produção de gás de folhelho nos EUA por fraturamento hidráulico (“fracking”), também é um fator importante de emissão, mas o GCP considera “improvável” atribuir a escalada global do metano a essa atividade.


Se a notícia do balanço de metano é ruim, por um lado, por outro é possível fazer algo a respeito num prazo curto – diferentemente do que acontece com o CO2. “O metano é um gás lindo”, brinca Pep Canadell. “Se nós fazemos uma coisa agora, vemos o resultado já em dez anos.” Isso porque o tempo de vida do gás na atmosfera é de uma década ou duas, comparado aos mais de 150 anos que o gás carbônico permanece no ar.



Além disso, reduzir várias fontes de metano é muito mais barato do que cortar emissões de CO2 – ações como trocar fogões a lenha na África, fazer aterros sanitários no Brasil e reduzir a queima por “flaring” em poços de petróleo no Oriente Médio.


Mas o grande esforço, diz o cientista, precisa vir da agropecuária. “Já temos inovações extraordinárias acontecendo, como novas tecnologias de alimentação de gado que reduzem dramaticamente as emissões. Todo o esforço global que está sendo feito hoje na área de energia, como em painéis solares, precisa de um equivalente na produção de alimentos.”

Republicado do Observatório do Clima através de parceria de conteúdo.

Governo reduz Jamanxim em 43% para resolver caos fundiário

Por Daniele Bragança
Gados dentro da Flona de Jamanxim, em setembro de 2009. Foto: Nelson Feitosa/Ascom Ibama.
Gados dentro da Flona de Jamanxim, em setembro de 2009. 

Foto: Nelson Feitosa/Ascom Ibama.



O governo escolheu reduzir o tamanho da Floresta Nacional do Jamanxim (Flona), localizada em Novo Progresso, no Pará, para resolver o caos fundiário da região. Criada em 2006 dentro de um pacote para conter o desmatamento ao longo da BR-163, que estava sendo asfaltada, a unidade é uma criança de 10 anos com problemas de 500: convive com ilegalidades que vão de grilagem de terra à garimpo ilegal.


O ICMBio discute internamente há anos como resolver o impasse em torno da floresta nacional mais desmatada do país. Desde agosto, o Ministério Público Federal lançou alertas contra a redução da Flona, que agora se confirma. Ontem, o presidente Michel Temer publicou a medida provisória 756, diminuindo em 743.540 mil hectares a área protegida. Antes, a floresta ocupava 1.301.120 mil hectares. Era a maior do país sob o domínio do Instituto Chico Mendes. A redução da área foi de 43%.



Em parte do local reduzido foi criado uma Área de Proteção Ambiental, a de Jamanxim, categoria menos restritiva dentro do Sistema Nacional de Unidades de Conservação que permitirá que os posseiros continuem no local. Mas isso não significa que o passivo fundiário tenha sido resolvido: cerca de 20% dos ocupantes ainda estão dentro dos novos limites da Floresta.


O perfil fundiário da região é dominado por posseiros e grileiros sem títulos de posse, alguns com extensas fazendas de gado. A grande dificuldade das autoridades ambientais era separar o proprietário legítimo, que já estava lá antes da Unidade ser criada, do grileiro de terras públicas. Não havia a possibilidade de regularizar a situação dos posseiros, mesmo aqueles que já ocupavam a terra antes de 2006, porque a área havia virado Floresta Nacional. Segundo estimativas do próprio ICMBio, existiam mais de 250 propriedades rurais dentro de Jamanxim e 110 mil cabeças de gado. Uma floresta que virou (várias) fazendas.
Gado apreendido durante Operação Boi Pirata II dentro da Flona de Jamanxim, em janeiro de 2010. Foto: Ascom Ibama.
Gado apreendido durante Operação Boi Pirata II dentro da Flona de Jamanxim, em janeiro de 2010. Foto: Ascom Ibama.


“Se tem esse número enorme de gado lá dentro, eles estão conseguindo comercializar e se a moratória tivesse tido o mesmo efeito eficaz que em outras regiões, por exemplo, na Terra do Meio, que não conseguiram comercializar, não teríamos gado nessa unidade.


As medidas que deram certo em outros lugares, tipo a restrição de crédito agrícola, tem um efeito pequeno porque o financiamento não é um financiamento oficial, ele é financiado pelo garimpo. A mesma história acontece com a madeira e outras questões que movimentam ali a ocupação da área. Alguns anos a gente desbaratou uma grande quadrilha de grilagem, esperávamos que o movimento diminuísse, mas a gente continua sob pressão de grilagem de terra lá dentro”, explicou Paulo Henrique Carneiro, diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do ICMBio, numa entrevista sobre a redução de Jamanxim feita em outubro, mas ainda não publicada.


Na ocasião, ((o))eco queria entender em que patamar estava a discussão sobre a redução da Flona e como a cadeia ilegal de gado afetava a Unidade.


Pressões para a redução
Pressões externas pedem a redução da Floresta para regularizar as áreas produtivas que estão dentro da unidade desde que a mesma foi criada. De 2009, foi realizado o primeiro estudo técnico do ICMBio para rever os limites da unidade e, até agora, foram pelo menos 8 pedidos de revisão dos limites de Jamanxim.


No Senado, tramita atualmente um Projeto de Lei que anula a criação da Floresta Nacional do Jamanxim. Na Câmara, pelo menos duas propostas de decreto legislativo foram apresentados para sustar a unidade. As duas foram arquivadas.


Em agosto, o Ministério Público Federal (MPF) enviou uma recomendação ao órgão pedindo pela manutenção dos limites de Jamanxim. Os procuradores argumentavam que a redução promoverá ainda mais o avanço do desmatamento na região e não resolverá o problema de cunho fundiário, a chaga que mantém a violência na região.


“(...) 51% do desmatamento total identificado [na Amazônia] ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse, revelando que a ausência de proteção ambiental pelo Estado em áreas especialmente protegidas favorece às práticas de desmatamento”, afirma, no documento enviado ao órgão ambiental, a procuradora Janaina Andrade de Sousa. A recomendação do MPF lista 27 motivos para não reduzir a unidade.


Após resistir por 10 anos e tentar todo tipo de medida de comando e controle, o ICMBio preferiu ficar com uma área menor, porém administrável. A violência na região chegou ao auge com o assassinato do policial João Luiz de Maria Pereira, morto durante operação do Ibama de combate ao desmatamento e garimpo na Floresta Nacional do Jamanxim (PA), no dia 17 de junho.



Recompensas
A maior parte do território reduzido de Jamanxim (438 mil ha), foi incorporada ao Parque Nacional do Rio Novo (acima). Foto: ICMBio.
A maior parte do território reduzido de Jamanxim (438 mil ha), foi incorporada ao Parque Nacional do Rio Novo (acima). Foto: ICMBio.


Além da alteração de Jamanxim, o Governo Temer modificou os limites de mais três unidades de conservação (UCs) na Amazônia: o Parque Nacional do Rio Novo, que passou de 537.757 hectares (ha) para 976.525 ha; o Parque Nacional do Jamanxim, de 859.700 ha para 909.970 ha; e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, que foi reduzida de 2.039.580 ha para 1.988.445 ha. Todas essas unidades são vizinhas de Jamanxim e estão localizadas na região da BR 163.

O acréscimo foi de mais 500 mil ha em áreas de proteção integral.

Governo francês expande área de reserva marinha


Por Sabrina Rodrigues
A região expandida abriga diversas espécies de pinguins. Foto: Leandro Cluffo/Flickr
A região expandida abriga diversas espécies de pinguins. Foto: Leandro Cluffo/Flickr


O governo francês anunciou a expansão da Reserva Natural Nacional das Terras Francesas do Sul, uma reserva marinha nas águas sub-antárticas controladas pela França no sul do Oceano Índico.


Com a decisão, haverá um aumento no tamanho da reserva, que passará de 15,700 para 120,000 quilômetros quadrados, abrangendo sete áreas totalmente protegidas que cercam as ilhas remotas de Crozet e de Kerguelen.



A proteção é fundamental para garantir um ecossistema oceânico saudável em uma área onde a rica biodiversidade abriga mamíferos marinhos, peixes e aves marinhas como orcas, várias espécies de pinguins, focas antárticas e o Albatroz-de-Amsterdam, animal ameaçado de extinção.


Fonte: The Pew Charitable Trusts

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Chernobyl pode virar a maior usina solar do mundo


O plano da Ucrânia é transformar o lugar do desastre em uma enorme fonte de energia. Falta encontrar quem esteja disposto a colocar dinheiro nisso.


Ana Carolina Leonardi - Superinteressante - 17/08/2016


flickr.com/photos/iaea_imagebank

O desastre de Chernobyl ainda custa caro para a Ucrânia. A radiação na região poder demorar mais 24 mil anos para chegar a níveis seguros. Hoje o governo gasta até 7% dos impostos para garantir o isolamento e a segurança de uma região maior que um Parque do Ibirapuera e meio.

A Ucrânia já aceitou que a Zona de Exclusão não vai servir de moradia, plantação e nem madeireira tão cedo. A nova proposta é criar uma enorme usina de energia solar no local do acidente nuclear, capaz de gerar mil megawatts de potência, suficiente para abastecer uma média de 164 mil residências. Se fosse terminada hoje, seria a maior planta solar da história.

Pela localização, os painéis poderiam ajudar a manter "ligada" parte da cidade de Kiev, o maior centro urbano do país, que também é o que consome mais energia.

A Chernobyl Solar ainda tem que ultrapassar alguns desafios para se tornar realidade. O primeiro passo é aprovar uma lei amplie o acesso e o uso da Zona de Exclusão - a primeira versão dessa legislação já está passando pelo Parlamento ucraniano.

Depois, é uma questão de dinheiro. O custo total da instalação da planta solar deve passar dos R$ 3 bilhões e a Ucrânia quer atrair investidores dispostos a financiar o projeto. Como a região está abandonada, o custo do terreno é extremamente baixo. Além disso, a instalação poderia tirar vantagem dos cabos de transmissão de alta voltagem que já estão instalados por conta da antiga usina nuclear.

Chernobyl fica no norte da Ucrânia, que recebe bem menos luz solar que a porção sul do país. Mas o país como um todo ainda recebe bem mais radiação solar que a Alemanha, que é líder europeia em energia renovável. Além das possibilidades energéticas, outra etapa decisiva vai ser a avaliação dos riscos por parte dos investidores: afinal, eles precisam se comprometer com a segurança das equipes de construção que vão instalar os painéis solares.

Acima dos aspectos técnicos, porém, a Ucrânia tem divulgado o projeto como o renascimento de Chernobyl e um esforço para que nada parecido volte a se repetir. Ainda hoje, metade da energia do país vem de usinas nucleares. Já as novas instalações em Chernobyl seriam o primeiro passo para "limpar" a matriz energética. O plano é que, até 2020, 11% da energia ucraniana venha de fontes renováveis.

Índia multa companhias aéreas por jogar fezes de aviões durante voos


A justiça da Índia aprovou uma multa para os aviões que despejarem detritos humanos dos seus banheiros durante o voo. 



A multa, no valor de 50 mil rúpias (R$ 2.450,00), é resultado de uma denúncia de que as aeronaves estariam jogado fezes sobre áreas residenciais próximas ao aeroporto, na cidade de Nova Déli.

As fezes dos banheiros dos aviões ficam armazenadas em tanques especiais.
Normalmente, elas são descartadas depois do pouso. Mas as autoridades internacionais de aviação admitem que podem ocorrer vazamentos durante o voo.
 

'Chuva' de dejetos

O National Green Tribunal (o tribunal ambiental indiano) ordenou que o órgão regulador da aviação garantir que as aeronaves não joguem dejetos humanos quando estiverem pousando ou voando em áreas próximas de aeroportos.


O tribunal também quer "que ao pousar o avião possa ser submetido a uma inspeção de surpresa para verificar se os tanques especiais não estão vazios", informou a Press Trust of India, a maior agência de notícias do país.


"Se for descoberta alguma aeronave desrespeitando essa determinação ou se seus tanques forem encontrados vazios no pouso, a companhia aérea estará sujeita a uma multa ambiental de 50 mil rúpias (R$ 2.450,00) por infração", diz a sentença.


A ação foi movida por um oficial reformado do Exército, que acusou as companhias aéreas indianas de despejarem fezes sobre áreas residenciais de Nova Déli.


Ele informou que as "paredes e piso" da varanda da sua casa - que fica perto do aeroporto - "estão salpicados de excrementos jogados pelos aviões".


Mas não há provas conclusivas de que os detritos tenham caído de aviões que sobrevoaram a casa.

O que é o 'gelo azul'

O Ministério da Aviação também contestou a queixa e disse que os banheiros dos aviões têm tanques que normalmente são limpos pela equipe terrestre depois do pouso.

Um piloto veterano disse à BBC que estes tanques raramente são esvaziados durante o voo, a menos que o comandante tenha que tomar "uma medida de emergência rara como esvaziar os tanques de combustível".


Além disso, geralmente as fezes que congelam nas saídas para escoamento desses tanques podem escapar e cair durante o voo.


O fenômeno é conhecido como "blue ice" (ou "gelo azul" em inglês) por causa da cor dos produtos químicos usados nos toaletes dos aviões para reduzir o odor e dissolver os dejetos.


Despejos de "gelo azul", no entanto, apesar de incomuns, ocorrem eventualmente, segundo os especialistas.

'Arpocalipse' na China: poluição coloca meio bilhão de pessoas em alerta vermelho



Quase meio bilhão de pessoas estão vivendo sob uma densa poluição no norte da China desde o final de semana passada, o que levou autoridades a colocarem 21 cidades e a capital, Pequim, em alerta vermelho.



Com um nível de partículas no ar seis vezes acima do limite estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o governo chinês pediu que as pessoas não usem seus carros e permaneçam em casa. Muitas escolas estão fechadas, e, com uma visibilidade de cerca de 50 metros, centenas de voos foram cancelados.



A construção e manutenção de estradas foi suspensa, e veículos mais antigos e poluentes foram vetados temporariamente. Também foi pedido que indústrias com forte impacto ambiental, como o setor de aço, reduzam ou interrompam suas atividades.


O alerta vermelho é a categoria mais grave em uma escala de quatro níveis do sistema criado pelo governo chinês como parte de uma série de medidas de combate à poluição.
Em dezembro do ano passado, Pequim e dezenas de outras cidades chinesas já tinham entrado em alerta vermelho por conta de uma espessa névoa de fumaça que perdurou por dias.


Há duas semanas, autoridades da metrópole classificaram oficialmente a fumaça como um “desastre meteorológico”, comparável às tempestades de areia da primavera e as fortes chuvas de verão que costumam atingir a cidade.


A classificação gerou críticas de especialistas, ambientalistas e provocou discussões nas redes sociais, pois ela parece isentar os emissores de poluição de sua responsabilidade pelos efeitos da fumaça.


No entanto, o papel da ação humana nesse fenômeno não é um consenso. "Na média, a poluição vem diminuindo ano a ano", disse Wang Min, professor de políticas públicas e ambientais da Universidade de Pequim, ao jornal 'Financial Times'. "As principais razões desta situação tão ruim agora estão relacionadas ao clima: há muito pouco vento e, com a baixa temperatura, a fumaça fica presa próxima ao solo."


Esse problema costuma se agravar na China entre novembro e março, quando, por conta do inverno, residências consomem mais eletricidade de usinas movidas a carvão e os sistemas de aquecimento municipais são ativados.


O Greenpeace alertou que 460 milhões de pessoas, o equivalente às populações dos Estados Unidos, Canadá e México somadas, estão sendo afetadas pela mais recente crise, que vem sendo chamada informalmente de “arpocalipse”.


A mídia chinesa relata que essa crise vem criando o que chamou de “refugiados da poluição”: moradores deixando as cidades para fugir da fumaça e evitar os riscos à saúde.
Para especialistas, o ar tóxico contém micropartículas que podem chegar ao fundo dos pulmões e até mesmo entrar na corrente sanguínea.


A China é o país do mundo com o maior número de mortes ligadas à poluição do ar em ambientes externos, segundo a Organização Mundial da Saúde. Com base em dados de 2012, os mais recentes disponíveis, 1 milhão de pessoas morrem prematuramente por ano por este motivo no país.


A expectativa é que a fumaça se dissipe nesta quarta-feira.


A China é o país que mais cresce nos últimos anos no mundo. Com o PIB anual quase sempre superando os 2 dígitos, é considerada pelo mercado como “A Locomotiva do Mundo“, já que além de crescer puxa o crescimento de vários países, inclusive o Brasil, com importação de commodities (minério de ferro, soja, etc).
Mas a locomotiva está deixando um rastro de fumaça muito denso para trás e destruindo rapidamente a belíssima e exuberante natureza que reinava no país até poucos anos atrás. Rios, mar, solo e ar estão agora sendo completamente poluídos por um modelo de desenvolvimento que já se mostrou insustentável a longo prazo.
Quem já teve oportunidade de viajar para China deve ter percebido como raramente o céu estava azul, sempre havia uma camada cinza, a poluição na China é a olhos vistos.
O país das milenares tradições, da inteligentíssima medicina tradicional chinesa, berço dos taoístas (que tinham como base a observação constante da natureza) já não é mais a mesmo. A devastação predatória em prol de um desenvolvimento insustentável está trazendo prejuízo para a própria China e para o mundo.
Qual o preço do desenvolvimento ?

1 – Mulher em Pequim, onde a poluição por partículas pequenas é 40 vezes maior que o padrão de Segurança Internacional

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2 – Criança nadando em uma reserva poluída , Pingba

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3 – Homem limpando lago com peixes mortos, Província de Hubei

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4 – Jornalista pegando amostra de água poluída do rio Jianhe Red

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5 – Poluição de uma fábrica em Yutian, East 100 km de Pequim

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6 – Trabalhadores limpando lixo flutuante no rio Yangtsé

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7 – Peixe morto em rio poluído, East Lake, Wuhan

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8 – Poluição sobre a cidade – Pequim

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9 – Criança bebendo água do córrego – Fuyuan County, Província de Yunnan

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10 – Homem caminhando pela tubulação de descarga de Águas Residuais do rio Yangtze

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11 – Foto Falsa para turistas – Hong Kong

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Fonte Foto de Capa : Reuters



quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Depois do corte, as velhas trabalham melhor


Por Vandré Fonseca

Área afetada pela exploração madeireira: grandes árvores poupadas absorvem carbono mais rápido do que as novas. Foto: Piponiot et al., eLife
Área afetada pela exploração madeireira: grandes árvores poupadas absorvem carbono
 mais rápido do que as novas. Foto: Piponiot et al., eLife


Manaus, AM -- Quando se trata de sequestrar carbono, o desempenho de árvores velhas em áreas afetadas pela extração de madeira na Amazônia deixa as novinhas pra trás. Pelo menos este é o resultado de um estudo desenvolvido por pesquisadores franceses, o primeiro a considerar a dinâmica do carbono em toda a extensão da floresta amazônica.



Depois de analisar dados de 113 áreas de floresta permanente e 13 afetadas experimentalmente, em diferentes regiões de floresta, eles verificaram que, pelo menos ao longo da primeira década após o corte, as velhas árvores que sobrevivem à motosserra absorvem mais CO2 do que as novas. O estudo foi publicado nesta quarta-feira no jornal eLife por pesquisadores franceses do Observatório de Florestas Tropicais Manejadas, um grupo de pesquisas que conta com a participação da Embrapa.



“Nós olhamos as diferenças regionais no clima, solo e biomassa inicial acima do solo inicial e relacionamos isso com alterações no estoque de carbono causadas tanto pelas árvores mais novas quanto pelas sobreviventes, para prever o potencial de recuperação de carbono em toda a Amazônia”, afirma a pesquisadora francesa Camille Piponiot, que faz doutorado na América do Sul.



O estudo demonstrou também que a absorção de carbono em áreas afetadas por madeireiras é maior no Escudo das Guianas a oeste do que no sul da Amazônia. Devido ao solo pobre, as árvores mais sobreviventes absorvem mais rápido a matéria em decomposição, deixada por troncos e galhos caídos. Já no sul da região amazônica, o crescimento das árvores é afetado pelo estresse hídrico, provocado pelo período seco durante metade do ano. De acordo com a pesquisadora, as árvores tolerantes à redução da disponibilidade de água são menos competitivas quando se trata de nutrientes, o que explica o crescimento mais lento.


Segundo o orientador de Camille Piponiot, Bruno Hérault, que também assina o artigo, embora os estudos tenham focado principalmente na recuperação de carbono após o corte, ele dá pistas importantes sobre o que ocorre com a floresta quando afetada por outros fatores, como fogo e outras consequências das mudanças climáticas.


“Como as mudanças climáticas continuam, nós podemos esperar também um aumento de secas e fogo que perturbam a floresta amazônica”, afirma o pesquisador. “Apostar em novas árvores para estocar carbono em algumas das florestas já perturbadas pela exploração madeireira pode ser uma aposta arriscada, já que muitas dessas árvores pioneiras são vulneráveis ao estresse hídrico. As árvores que sobrevivem à exploração podem ser mais valiosas na absorção do carbono nestas florestas perturbadas”, conclui.


Um atestado para a liberdade


Por Vandré Fonseca
Peixe-boi sendo monitorado no semi-cativeiro do inpa. Foto: Vandré Fonseca.
Peixe-boi sendo monitorado no semi-cativeiro do Inpa. Foto: Vandré Fonseca.


Manaus, AM -- Os dezesseis peixes-bois-da-amazônia (Trichechus inunguis) mantidos em semi-cativeiro pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) passam essa semana por uma série de exames, em uma seleção para escolher dez animais que serão reintroduzidos na natureza ao longo de 2017.


Eles serão retirados da água, e vão ser submetidos a medições de tamanho e peso e coleta de sangue para exames de laboratório. “Primeiro a gente quer saber se o bicho está evoluindo bem e depois precisa saber se está saudável para ser solto”, explica o veterinário da Associação Amigos do Peixe-Boi (AMPA) Anselmo D´Affonseca.


O semi-cativeiro é um ambiente de lagos nas margens do Rio Solimões, no município de Manacapuru, a 80 quilômetros de Manaus, onde os animais passam por um período de adaptação para voltarem aos rios. Lá, os animais estão sujeitos aos ciclos naturais de cheia e vazante dos rios amazônicos e se acostumam a buscar o próprio alimento.


A ideia surgiu depois de uma primeira tentativa, frustrada, de reintroduzir peixes-bois que viviam em tanques do Inpa. Em março de 2008, dois machos foram soltos na região do rio Cuieiras, 60 quilômetros de Manaus. Alguns meses depois, a carcaça de um deles foi encontrada junto com o rádio-transmissor. Os pesquisadores concluíram que, depois de passar anos em cativeiro, ele não estava adaptado ao regime de cheias e secas dos rios da região.


Há quatro anos, foram levados os primeiros animais à fazenda. Dos quatro que foram soltos no início deste ano, três ainda são monitorados por radiofrequência. Em novembro, um dos animais reintroduzidos foi recapturado para exames e solto novamente.



Foto: Vandré Fonseca.
Foto: Vandré Fonseca.


Matupá recebeu o nome quando estava em cativeiro. Ele é um macho de 10 anos, que chegou ainda lactante ao Inpa e viveu em tanques durante seis anos. Foi um dos primeiros a irem para o semi-cativeiro. Hoje vive nas proximidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Piagaçu-Purus, no Amazonas, onde o monitoramento demonstrou que interage com outros peixes-bois selvagens.


E ele está muito bem, mesmo após enfrentar o período de seca. “A gente viu que ele cresceu e estava com 13 quilos a mais”, comemora D´Affonseca. “E era final da vazante, então ele deve ter ganho ainda mais peso e perdido um pouco durante a seca”, completa.


Matupá atualmente pesa 135 quilos e está com cerca de 2,10 metros de comprimento.


Os exames realizados esta semana vão determinar os próximos a voltar para os rios, mas a prioridade é dada para animais com idade entre 5 e 10 anos, idade em que os animais já passaram um tempo no tanque e tiveram alguns anos de adaptação nos lagos da fazenda. O critério pode deixar de fora bichos mais velhos, que viveram durante décadas nos tanques do Inpa, mas aumenta a possibilidade de sucesso da reintrodução. “A gente percebeu que animais que passam menos tempo em cativeiro se adaptam melhor na natureza”, conta o biólogo Diogo Souza, do Inpa.

O preço de um pãozinho quente.





Os moradores do Park Way, há mais de duas décadas, vêm lutando contra oportunistas com interesses em atividades comerciais em geral, incluindo até mesmo postos de gasolina que geram grande impacto ao nosso bairro por ser uma área de proteção ambiental. O sucesso conquistado até agora foi fruto de uma união que fortaleceu os laços de quem vive e respeita esse que é o "pulmão" do Plano Piloto. 


Por isso mesmo, causou-nos estranheza a matéria publicada no CB dia 18 deste mês,  sobre a reunião do LUOS. Nela, um morador lamentou com destaque  que o Park Way não dispusesse de um comércio apto a fornecer, por exemplo,  pão fresco aos seus moradores.


Afirmou inclusive que, caso fossem implantadas padarias perto das casas dos moradores, o trânsito se tornaria melhor.


Não vemos, contudo,  como a implantação de estabelecimentos comerciais dentro do Park Way, ou em qualquer outro bairro, poderia melhorar o trânsito de automóveis, uma vez que o comércio acarretaria um fluxo de veículos de abastecimento dos produtos e de clientela.


Assim, além do aumento no fluxo de veículos, relaciono abaixo outros problemas decorrentes da implantação de comércio no Park Way:


-Devido à baixa densidade populacional do Park Way, é provável que qualquer atividade comercial venha com o tempo a sofrer o impacto da falta de demanda. O estabelecimento poderá fechar ou mudar de destinação;


-Tendo em vista ser o bairro composto por grandes áreas fica difícil garantir a segurança e a fiscalização dos estabelecimentos comerciais;


-O Park Way não possui um adensamento populacional que justifique um sistema de transporte eficiente. Assim, os funcionários trazidos pelo comércio não poderão se deslocar com facilidade;


-Caso o comércio fique localizado perto da EPIA ou de outra rodovia com grande afluxo de pessoas, a alta demanda atrairá um grande numero de pessoas de outras Ras com o consequente agravamento do trânsito de veículos,  pedintes, moradores de rua, flanelinhas e obviamente assaltantes que entrarão com facilidade pela EPIA e fugirão com a mesma presteza.


-O Park Way não dispõe de infraestrutura de saneamento básico, uma vez que a baixa densidade populacional não compensa o custo da implantação;


- O Park Way faz parte da Reserva da Biosfera do Cerrado onde qualquer adensamento populacional ou de veículos é firmemente desestimulado, assim como a impermeabilização do solo e o desmatamento, decorrentes de atividades comerciais. A preservação das áreas verdes e as florestas e matas ciliares do Park Way é de suma importância para a manutenção dos córregos que vão alimentar o Lago Paranoá.


Por outro lado, a oferta de bens e de serviços pode ser encontrada em localidades vizinhas como o Núcleo Bandeirante, Santa Maria, Aguas Claras, Guará, Lago Sul, etc... O ônus dos deslocamentos dos moradores para as áreas de comercio vizinhas é infinitamente menor do que a exposição aos desafios e prejuízos inerentes à uma estrutura comercial;


A baixa demanda ao empreendimento comercial e até mesmo aos equipamentos públicos (exemplo é o baixo interesse da população pelos PECs) provocará o abandono dos mesmos e/ ou a mudança de destinação para atividades menos adequadas à finalidade do bairro que é hoje exclusivamente residencial.

Diante do exposto, a Associação Park Way Residencial-APWR defende o ponto de vista de  uma grande parcela dos moradores locais que não abre mão de manter nosso bairro exclusivamente residencial apoiado no conceito de condomínios horizontais de até oito unidades ou, ainda, de unidades individuais.


Sebastião Boechat
morador do Park Way e ex presidente de associação de moradores.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Estudo alerta que recursos hídricos podem se esgotar em 2050

sábado, 17 de dezembro de 2016


 
 
 
Aumento de uso de água em agricultura, indústria e consumo ameaça recursos hídricos subterrâneos.

 
 
 
 
O o crescente de água doce na agricultura, na indústria e para o consumo humano pode esgotar os recursos hídricos subterrâneos em várias partes do mundo nas próximas décadas, alertaram especialistas nesta quinta-feira (15).
 
 
 
 
Entre as áreas em risco, os pesquisadores citam a Índia, Argentina, Austrália, Califórnia e o sul da Europa, em um estudo apresentado na conferência anual da União Geofísica Americana, que está sendo realizada nesta semana em San Francisco, na Califórnia.
 
 
 
 
"Embora muitos aquíferos permaneçam produtivos, a água subterrânea economicamente explorável já é ou se tornará inacessível em um futuro próximo, especialmente em áreas irrigadas intensivamente nas regiões mais secas do mundo", disse o pesquisador Inge de Graaf, hidrologista da Escola de Minas do Colorado em Golden, Colorado.
 
 
 
 
Segundo um novo modelo de computador, a água armazenada na região da bacia do Ganges, na Índia, e no sul da Espanha e da Itália poderia se esgotar entre 2040 e 2060.
 
 
 
 
Nos Estados Unidos, os aquíferos nas partes central e sul do estado da Califórnia, atingido pela seca, poderiam escassear na década de 2030.
 
 
 
 
Já os estados do Texas, Oklahoma e Novo México dependem de aquíferos que poderiam atingir seus limites entre os anos 2050 e 2070.
 
 
 
 
Seca pode afetar 1,8 bilhão de pessoas
 
 
 
 
Nos próximos 34 anos, cerca de 1,8 bilhão de pessoas em todo o mundo poderiam viver em áreas onde os níveis de água subterrânea estarão totalmente ou quase esgotados devido ao bombeamento excessivo de aquíferos para consumo humano e para as culturas agrícolas, segundo o estudo.
 
 
 
Estudos anteriores baseados em observações de satélite mostraram que vários dos principais aquíferos do mundo estavam perto de se esgotar. Mas essas avaliações não medem o nível de reservas menores, em escala regional, dizem os especialistas.
 
 
 
A nova abordagem, baseada em modelos de computador, mediu a estrutura dos aquíferos, o volume de bombeamento e as interações entre as águas subterrâneas e as águas circundantes, como rios e lagos.
 
 
 
 
De acordo com o estudo, as regiões mais secas com irrigação massiva são as mais ameaçadas. Os autores citam as Grandes Planícies americanas, a bacia do Ganges e partes da Argentina e da Austrália.
 
 
 
Embora o novo estudo estime os limites das reservas de água subterrânea em uma escala regional, os cientistas ainda não têm dados completos sobre a estrutura geológica ou sobre a capacidade de armazenamento dos aquíferos, que permitiriam avaliar com precisão o volume de água contido em cada um destes reservatórios naturais.
 
 
 
 
"Não sabemos quanta água há, quão rápido estamos esgotando os aquíferos, ou por quanto tempo poderemos usar esse recurso antes que ocorram efeitos devastadores, como a secagem de poços ou rios", disse De Graaf.
Fonte: G1

Os alemães e sua montanha de embalagens no lixo

sábado, 17 de dezembro de 2016


Ao mesmo tempo em que é uma meca da reciclagem, Alemanha é também a número um na produção per capita de embalagens na Europa. E tentar evitar essa montanha de lixo é mais difícil do que parece.

 
 
 
 
Os alemães e sua montanha de embalagens no lixo
 
 
Os alemães são conhecidos como ávidos separadores dos diversos tipos de lixo e por reciclarem meticulosamente. De fato, o país é um dos campeões de reciclagem no mundo, reutilizando cerca de metade de seus resíduos. No entanto, números recentes da organização ambiental alemã Deutsche Umwelthilfe (DUH) mostram que a Alemanha também é boa – até demais – na produção de lixo.
 
 
 
 
De acordo com a DUH, cada cidadão produz uma média de 213 quilos de resíduos de embalagens por ano, ou mais de 600 gramas por dia. Em comparação com a França (185 quilos), Áustria (150 quilos) e Suécia (109 quilos), a Alemanha ocupa o primeiro lugar na Europa em embalagens postas no lixo.
 
 
 
 
E o problema está aumentando: os resíduos de embalagens cresceram 13% no país, na última década, refletindo uma tendência mundial. Mas, enquanto as empresas lucram com mais embalagens, o governo está lutando para conter a crescente quantidade de resíduos por meio de regulamentações.
 
 
 
 
Lucrando com excesso de embalagens
 
 
 
 
Por um lado, "há uma clara tendência a dividir os produtos previamente em porções, que vão ficando cada vez menores, o que resulta em quantidades enormes de embalagens", explica Thomas Fischer, da DUH. Essa divisão em porções atende ao crescente número de pessoas vivendo sozinhas, mas as companhias também a praticam para aumentar sua margem de lucro ou disfarçar a redução do tamanho de seus produtos.
 
 
 
 
Um bom exemplo é a popular cápsula de café: as porções pré-embaladas usam 16 vezes mais embalagem do que o pó empacotado da maneira convencional, mas garantem aos fabricantes um faturamento até quatro vezes maior.
 
 
 
 
Fatores de mercado igualmente corroeram o sistema alemão de reutilização de frascos de bebidas. O que já foi um sistema modelar está sendo cada vez mais deixado de lado, à medida que as empresas priorizam as garrafas descartáveis, que são mais baratas e, uma vez esmagadas, dispensam custosos espaços de armazenamento.
 
 
 
 
Cerca de 25 anos atrás, mais de 90% da água mineral era vendida pelo sistema de depósito – em que o consumidor paga um valor a mais ao comprar garrafas reutilizáveis e recebe esse dinheiro de volta ao devolvê-las nos mercados. Agora, a proporção é inferior a 30%. As redes de supermercados populares Aldi e Lidl suspenderam inteiramente o uso de garrafas reutilizáveis.
 
 
 
 
Empresas dão pequenos passos
 
 
 
 
De acordo com um estudo do Instituto do Clima, Meio Ambiente e Energia de Wuppertal, as empresas poderiam reduzir fácil e imediatamente os recursos utilizados em embalagens em 20% se as reprojetassem para ser mais eficientes e ecológicas.
 
 
 
 
Alguns exemplos têm aparecido no mercado, como desodorantes spray com a mesma quantidade de produto, mas 20% menos de embalagem, ou detergentes em embalagens comprimidas. O Lidl reduziu a embalagem de seu papel higiênico em 20% simplesmente mudando a forma de empacotamento, apertando mais os rolos.
 
 
 
 
Outra ação voluntária das empresas para reduzir o desperdício é a proibição de sacos plásticos. Desde 1º de junho, os supermercados Rewe, a segunda maior cadeia do país, baniram os sacos plásticos de suas lojas. A rede calcula que assim serão usados menos 140 milhões de sacos plásticos.
 
 
 
 
Embora com medidas menos drásticas, 240 redes alemãs também se comprometeram a cobrar um valor pela sacola de plástico a partir de julho de 2016. No entanto, os sacos de papel que o Rewe e outros supermercados e drogarias continuam oferecendo não são muito melhores para o meio ambiente e podem, em parte, ser até mais nocivos, já que sua produção emprega recursos significativos.
Fonte: G1

Veículos a diesel serão removidos de Paris, Cidade do México, Madri e Atenas até 2025

terça-feira, 20 de dezembro de 2016


Essas cidades também se comprometeram a incentivar veículos alternativos e dar estrutura para pedestres e ciclistas.

 
 
 
 
Atenas, Paris, Madrid e Cidade do México estarão livres de veículos a diesel até 2025, como parte de um esforço sem precedentes de seus prefeitos para melhorar a qualidade do ar para seus cidadãos. Essas cidades pioneiras também se comprometeram a incentivar veículos alternativos e a promover as infra-estruturas necessárias para pedestres e ciclistas. O compromisso foi feito durante a Cúpula de Prefeitos do C40 na Cidade do México. Em todo o mundo, 3 milhões de mortes por ano estão ligadas à exposição à poluição do ar ao ar livre de acordo com a Organização Mundial da Saúde, com a grande maioria dessas mortes ocorrendo em cidades.
 
 
 
 
“Os prefeitos já se levantaram para dizer que a mudança climática é um dos maiores desafios que enfrentamos”, lembrou Anne Hidalgo, prefeita de Paris e nova presidente do C40 Cities Climate Leadership Group. “Hoje, também nos levantamos para dizer que não toleramos mais a poluição do ar e os problemas de saúde e as mortes que ela causa – particularmente para os nossos cidadãos mais vulneráveis. Grandes problemas como a poluição do ar exigem ações ousadas e pedimos aos fabricantes de carros e ônibus que se juntem a nós “.
 
 
 
 
“Não é nenhum segredo que na Cidade do México, nós lidamos com os problemas irmanados da poluição do ar e do tráfego”, disse o prefeito da Cidade do México, Miguel Ángel Mancera. “Ao expandir as opções alternativas de transporte, como o Bus Rapid Transport e sistemas de metrô, ao mesmo tempo em que investimos em infraestruturas de ciclismo, estamos trabalhando para aliviar o congestionamento de nossas rodovias e de nossos pulmões”.




Perseguir políticas que melhorem a qualidade do ar – descarbonizando os sistemas de transporte e promovendo opções alternativas de transporte – também ajuda as cidades a cumprir a meta do Acordo de Paris.
 
 
 
 
“A qualidade do ar que respiramos em nossas cidades está diretamente ligada à luta contra as mudanças climáticas”, destaca a prefeita de Madri Manuela Carmena. “À medida que reduzimos as emissões de gases de efeito estufa gerados em nossas cidades, nosso ar ficará mais limpo e nossos filhos, nossos avós e nossos vizinhos serão mais saudáveis”.
 
 
 
 
“Nosso objetivo é acabar com todos os carros do centro de Atenas nos próximos anos”, disse o prefeito Giorgos Kaminis. “Apoio a ambição ambiciosa da Declaração da Qualidade do Ar e exorto os nossos parceiros do governo nacional a Implementar seus compromissos com base nos acordos internacionais de ação climática e unir nosso esforço comum para limpar o ar que respiramos “.
 
 
 
 
Durante a cúpula de prefeitos, o C40 anunciou uma parceria de dois anos com a Johnson & Johnson, que vai apoiar os programas climáticos do grupo que também trazem co-benefícios para a qualidade do ar e a saúde humana. Através da pesquisa e da educação, a parceria ajudará a conectar os pontos entre o o ar e o clima melhores e benefícios de saúde mensuravelmente melhores em áreas urbanas vulneráveis.
 
 
 
 
Fonte: Ciclo Vivo

Ibama destrói equipamentos de madeireiros em terras indígenas


Por Sabrina Rodrigues
Segundo os agentes do Ibama, os madeireiros sabem que uma operação de grande escala demora a acontecer novamente e eles voltam rapidamente ao mesmo lugar. Foto: Ibama/Flickr.
Segundo os agentes do Ibama, os madeireiros sabem que uma operação de grande escala
 demora a acontecer novamente e eles voltam rapidamente ao mesmo lugar. 
Foto: Ibama/Flickr.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou uma operação de combate a crimes ambientais em terras indígenas em Rondônia e Mato Grosso. Em quatro dias de atividades, os agentes do órgão federal incendiaram dois caminhões para o transporte de madeira, um skidder (trator para arrasto de toras), uma caminhonete Mitsubishi L200 e uma pá carregadeira.


A ação acarretou um prejuízo de, no mínimo, R$ 600 mil aos madeireiros. Apesar do prejuízo monetário, ninguém foi detido. Os madeireiros fugiram momentos antes da chegada dos agentes e da equipe de reportagem da Folha de São Paulo. A venda de madeira ilegal e a baixa punição para esse tipo de crime favorecem a reincidência.


Além disso, segundo os agentes do Ibama, os madeireiros sabem que uma operação de grande escala demora a acontecer novamente e eles voltam rapidamente ao mesmo lugar. O principal recurso do Grupo Especializado de Fiscalização (GEF) é o decreto 6.514 de julho de 2008, que autoriza a destruição de equipamentos usados para crimes ambientais encontrados em terras indígenas e unidades de conservação.


Fonte: Folha de S. Paulo