sábado, 4 de fevereiro de 2017

Mineradoras não são mais obrigadas a pagar R$ 1,2 bi por desastre de Mariana

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017


A Justiça Federal suspendeu por tempo indeterminado a decisão que obrigava a mineradora Samarco a pagar a multa.

 
 
 
 
A Justiça Federal suspendeu por tempo indeterminado a decisão que obrigava a mineradora Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton a depositarem R$ 1,2 bilhão como garantia de futuras ações de recuperação e reparação dos danos socioambientais decorrentes da tragédia de Mariana (MG). A decisão ocorre após as mineradoras assinarem um Termo de Ajustamento Preliminar com o Ministério Público Federal (MPF).
 
 
 
 
O prazo para depósito já havia sido prorrogado algumas vezes. Na última ocasião, a data estabelecida era 19 de janeiro. Em sua decisão, o juiz Mário de Paula Franco informou que a suspensão se deve à “demonstração de atitudes concretas e à postura cooperativa das partes, do MPF e das instituições envolvidas, em buscarem a solução da presente lide”.
 
 
 
 
O Termo de Ajustamento Preliminar estabelece que as mineradoras irão contratar especialistas indicados pelo MPF para analisar o andamento dos programas de reparação dos danos da tragédia ambiental de Mariana, considerada a maior do país, que ocorreu em novembro de 2015. No episódio, a barragem de Fundão, pertencente à Samarco, se rompeu e liberou mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Dezenove pessoas morreram. Houve devastação da vegetação nativa, poluição da Bacia do Rio Doce e destruição dos distritos de Bento Rodrigues e de Paracatu, além de outras comunidades.
 
 
 
 
A reparação dos danos foi negociada em um acordo entre a Samarco, a Vale, a BHP, o governo federal e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo. O documento estima um investimento de R$ 20 bilhões ao longo de 15 anos. As partes estão levando adiante os programas combinados, mas a Justiça ainda analisa se homologa esse acordo. O MPF contesta os termos. Em uma ação impetrada na Justiça Federal, que tramita paralelamente, o Ministério Público calcula os prejuízos em R$ 155 bilhões.
 
 
 
 
De acordo com o Termo de Ajustamento Preliminar, a análise dos programas de reparação dos danos poderá fundamentar, em junho, um Termo de Ajustamento de Conduta Final (TACF). Se as mineradoras e o MPF chegarem a um consenso, a ação de R$ 155 bilhões poderá ser extinta.
 
 
 
 
O Termo de Ajustamento Preliminar também sugere a substituição do depósito de R$ 1,2 bilhão pela garantia provisória de R$ 2,2 bilhões. Essa garantia seria composta por aplicações financeiras, seguro e bens da Samarco.
 
 
 
 
Fonte: Ciclo Vivo

Turbina eólica gigante bate recorde mundial de produção de energia

terça-feira, 31 de janeiro de 2017


Com 220 metros de altura, esta é a turbina eólica mais poderosa do mundo.
 
 
 

Criar turbinas eólicas mais eficientes é o primeiro passo para elevar a produção de energia renovável através dos ventos. Há alguns anos os desenvolvedores têm trabalhado em busca de uma turbina de 10 MW. Este objetivo está cada vez mais próximo. Em dezembro de 2016, um dos exemplares alcançou 9 MW.
 
 
 
O feito foi obtido pela V164, de 9MW, da empresa dinamarquesa MHI Vestas Offshore Wind, que alcançou 216 mil kWh em 01 de dezembro de 2016 e foi considerado um recorde mundial de energia eólica gerada por uma turbina em um período de 24 horas.
 
 
 
 
Até o momento, esta é a turbina eólica mais poderosa do mundo. Suas dimensões também são do tamanho do seu potencial. Instalada a 220 metros de altura, ela possui lâminas de mais de 80 metros de comprimento. Com essas medidas, o ideal é que as turbinas deste porte sejam instaladas no mar, para não ocuparem áreas enormes de terra, que poderiam ser destinadas a outros usos.
 
 
 
De acordo com a empresa fabricante, a V164 é capaz de gerar energia com ventos a partir de 14 km/h, mas a velocidade ideal é entre 43 e 90 km/h, para que todo o potencial seja aproveitado. A companhia também informa que a vida útil do exemplar é de 25 anos e que, após esse período, 80% da estrutura pode ser reciclada.
A ideia é usar essa turbina na construção de um parque eólico de 370 MW na costa da Bélgica. Um projeto que deve ser concluído em 2019, gerando energia para mais de 400 mil residências.
Fonte: Ciclo Vivo

Por que o espírita não vai ao cemitério?


terça-feira, 31 de janeiro de 2017


O dia 02 de Novembro no Brasil é uma data em que muitos visitam os cemitérios para prestar homenagens aos seus entes desencarnados. É importante ponderarmos sobre questionamentos com os quais de vez em quando chegam até nós. Aqui e acolá alguém pergunta por que o espírita não vai ao cemitério, no dia de finados, mais especificamente.

 
 
 
 
 
Nenhum espírita, em virtude de ideologia religiosa, ou restrição de qualquer tipo imposta pela doutrina, "não pode" ir ao cemitério em qualquer época. O que ocorre é que o espírita tem a tranquila certeza de que seu ente querido não mais está ali e de que tudo o que ficou na sepultura foi a "roupagem gasta", e não mais, assim sendo, a pessoa com quem compartilhou experiências e/ou vivências. Isto não sugere que o espírita franco combata ou recrimine a postura dos demais semelhantes que, de todo o coração, oferece com sinceridade as suas homenagens aos seus que fizeram a viagem deste para o outro lado da vida. 
 
 
 
 
 
 
Aliás, a própria doutrina tem consciência de que muitos desencarnados visitam essencialmente, os cemitérios por ocasião da data, em apreço as manifestações de amor com que ali são caracterizadas. E muitos outros ainda, presos aos costumes dentro dos quais obtiveram suas experiências na matéria, atribuem grande importância a este gesto, ressentindo-se, de fato, daqueles que não o ofereçam tal demonstração nas datas que as convenções sociais instituíram para serem lembrados.
 
 
 
 
 
É na pureza do gesto, e não no gesto em si, que se enxerga a verdadeira homenagem aos desencarnados, de modo que aqueles que partiram nos amando verdadeiramente haverão de estimar e compreender o nosso melhor intuito ao seu respeito, seja de onde for que se irradie, colhendo-os de pronto, pela linguagem imediata do coração e do pensamento. Os que foram presos aos hábitos clássicos do dia de finados, ao alcance de suas possibilidades espirituais após a transição lá estarão, junto à sepultura física, colhendo com franco agrado as flores ou os votos de paz e as preces que lhes estejam sendo emanadas. 
 
 
 
 
 
É assunto individual a forma como exaltamos o nosso afeto para com os nossos entes queridos, e que a sinceridade e a intenção é o que realmente conta! Tenham certeza de que nossas preces e votos de paz serão bem recebidos por aqueles que prosseguem nos amando de igual modo na continuidade pura e simples da vida, que a todos aguarda para além das portas da sepultura, sob as bênçãos de Jesus!
 
 
 
Fonte: Espírita On Line

Ministério destinará de R$ 23 mi para nascentes

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017


Dez projetos para a recuperação de nascentes em áreas de preservação permanente devem ser contratados ainda neste ano pelo Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA).




O objetivo é ampliar a oferta de água em regiões metropolitanas, com população acima de um milhão de habitantes, que já vivenciam restrições na oferta de água. “A recuperação das nascentes contribui para aumentar a oferta de água e para a melhoria na qualidade de vida dessas populações”, ressaltou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.





Cinco dos projetos que serão contemplados em 2017 foram apresentados por instituições públicas na Bahia, São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais. Os outros cinco foram apresentados por organizações da sociedade civil, localizadas no Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. O valor total é de R$ 23,5 milhões.




A analista ambiental Miriam Miller, do Ministério do Meio Ambiente, explicou que a intenção é contratar todos esses projetos durante o primeiro semestre, mas alerta que está condicionado à disponibilidade de orçamento do Fundo e dos parceiros. Segundo Miriam, além de contribuir para a produção de água, os projetos também colaboram para a agenda Clima. “O Brasil se comprometeu a restaurar 12 milhões de hectares até 2030 e esses projetos também contribuirão para o alcance dessa meta”, esclareceu a analista.




O diretor do Departamento de Recursos Hídricos do MMA, Sérgio Gonçalves, explica que as nascentes iniciam um curso d’água e garantem que grandes rios continuem sendo perenizados. “O investimento em recuperação de nascentes é fundamental para a superação da escassez hídrica e para a garantia do abastecimento de água no futuro”, informou.




Nascentes - Dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) indicam que o Brasil tem cerca de 1,5 milhões de nascentes em propriedades privadas e posses rurais. De acordo com o levantamento, os estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, juntos, abrigam quase 50% dessas nascentes.




O CAR foi instituído pelo Código Florestal e é um registro público onde os proprietários e possuidores declaram o perímetro de seus imóveis rurais, as áreas destinadas para a produção, as áreas de preservação permanentes (margens de rios, nascentes, áreas inclinadas e topos de morros) e as reservas legais.




Edital - Os recursos destinados às propostas que foram selecionadas por meio do Edital “Recuperação de Áreas de Preservação Permanente para Produção de Água” são resultado de parceria entre o Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Justiça e Caixa Econômica Federal.




O valor total do investimento até agora é de R$ 22 milhões, sendo R$ 14 milhões do MMA e R$ 8 milhões do Fundo Socioambiental Caixa. “O Edital é uma resposta do MMA à crise hídrica que continua a afetar várias regiões metropolitanas do país”, disse o secretário de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA e diretor do FNMA, Jair Tannús.




Fonte: MMA

As primeiras imagens de um novo mundo

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017


O sucesso de nosso primeiro mergulho revelou que os recifes surpreendem pela exuberância de vida em uma região considerada pouco amigável a abrigá-la.
 
 
 

“Estou me sentindo como alguém que volta de outro planeta”, disse o professor Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, logo após voltar à tona, sem esconder a emoção. Ele foi o primeiro cientista a mergulhar com o submarino para ver os recifes de corais da Amazônia. Junto dele estava o piloto John Hocevar, diretor da Campanha de Oceanos do Greenpeace USA.
 
 
 
Neste 27 de janeiro, às 13h15, retornava à superfície com as primeiras imagens que revelavam os contornos de um mundo oculto . Um capricho da natureza, que não cansa de nos surpreender ao preencher de vida uma região considerada inóspita e tão improvável de abrigá-la. Dentro de nós, que estamos à bordo do navio Esperanza, fica a certeza de que a campanha “Defenda os Corais da Amazônia” merece toda a nossa atenção.
 
 
 
ASSINE A PETIÇÃO
 
 
 
Foram quase duas horas de mergulho. A 220 metros de profundidade, a mais de 100 quilômetros da costa brasileira, lá estavam eles, os recifes com esponjas, corais e rodolitos (algas calcárias), expondo para nossas lentes suas cores e formas. “Ali existe um ecossistema bem diverso. Em boa parte do recife, o chão é cheio de vida”, conta Ronaldo.
 
 
 
Na expedição realizada em 2014, os pesquisadores usaram redes para coletar exemplares. Desta vez, eles realizaram a primeira observação desse novo bioma embaixo d’água. Isso faz toda a diferença, ao permitir entender mais sobre esse universo que já está ameaçado. Empresas querem explorar petróleo perto dali e um vazamento poderia colocar em risco não só os corais mas a vida marinha da região.
 
 
 
Quando Ronaldo e John começaram a explicar o que viram debaixo d’água, a alegria e a satisfação estampavam seus sorrisos. Eles contaram que nos primeiros minutos o submarino passou por uma extensa área de areia, o que os deixou ansiosos por tentar ver alguma coisa. No navio, o capitão e a tripulação iam dando as coordenadas certas para que a pequena cápsula com os dois tripulantes chegasse aos recifes. Os rodolitos e as esponjas foram aparecendo aos poucos. 
 
 
 
Até que o submarino chegou a um paredão: uma grande estrutura de carbonato de cálcio. Ali estava o que realmente procuravam! O submarino precisou subir um pouco, a 180 metros de profundidade, para ver o ecossistema por cima.
 Entre os peixes avistados, estavam um cardume de atum e o cioba, uma espécie muito importante para a economia da região do Amapá, altamente dependente da pesca. O cioba está ameaçado de extinção.
 
 
 
Esses peixes usam os recifes como locais para sua reprodução. Ali também estavam peixes herbívoros, comprovando a presença de algas mesmo onde chega pouca luz do sol. O mais supreendente para Ronaldo, no entanto, foi ver alguns peixes-borboletas. Segundo ele, podem ser de uma nova espécie. “Espécies deste peixe têm sido descobertas frequentemente em áreas de águas profundas. E é emblemático vê-los aqui também”, afirma.
 
 
 
Este primeiro mergulho de submarino realizado pelo Greenpeace a bordo do Esperanza revelou esse novo universo a ser protegido. . 
”Mostramos por que não podemos deixar que empresas explorem petróleo na região da foz do Rio Amazonas. Ainda mais se pouco conhecemos esse ecossistema”, disse Thiago Almeida, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.
 
 
 
Toda a tripulação se envolveu nessa operação. Da cabine de controle, o capitão e seus ajudantes garantiam que o navio Esperanza não se distanciasse do submarino. A cada 15 minutos, sinais de comunicação eram enviados para saber se tudo estava bem.
 
 
 
 
Ao final do dia, a aventura foi celebrada em uma roda de conversa entre todos no navio. John e Ronaldo contaram em detalhes o que viram debaixo d’água e a experiência de viajar em um equipamento tão moderno. Juntos, assistimos a um vídeo sobre nossos primeiros dias reunidos nessa missão. Uma cumplicidade de equipe e um espírito de aventura expressos em olhares trocados, que certamente renovam a união e a energia para os próximos dias. Foi de arrepiar.
 
 
 
Nossa missão por aqui, entretanto, está apenas começando. Teremos novas oportunidades de ver com mais detalhes o que as águas brasileiras vitaminadas pelo Rio Amazonas nos escondem. Continue conosco nesta jornada. Nos ajude a divulgar essas imagens e participe da luta para defender os Corais da Amazônia da exploração de petróleo.
 
 
 
Fonte: Envolverde

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Cinco parques que mostram que a natureza está ao alcance de todos


A natureza é um direito de todos, mas infelizmente nem sempre é fácil acessá-la. Para garantir que pessoas com deficiências físicas, dificuldades de locomoção também podem – e devem – ser usuárias de unidades de conservação, alguns parques tomaram a iniciativa e dão o bom exemplo com atrativos acessíveis para todos os públicos.


Para dar o bom exemplo e mostrar que todos podem sim, desfrutar das belezas naturais, selecionamos cinco parques brasileiros que mostram que a natureza está ao alcance de todos.

Confira nossa lista de cinco parques que oferecem atrativos com acessibilidade:

Parque Nacional de Ubajara (CE)
Gruta de Ubajara. Parque Nacional de Ubajara.Foto: Aldízio Filho
Gruta de Ubajara. Parque Nacional de Ubajara.Foto: Aldízio Filho


Recém inaugurada, a trilha Ibiapaba, no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará, permite acesso total de pessoas com dificuldades de locomoção. A nova trilha garante que todos poderão desfrutar das belezas da Caatinga preservadas dentro do parque. Outro atrativo do parque, a trilha da Samambaia também foi revitalizada para facilitar o acesso de pessoas com dificuldade de mobilidade. Criado em 1959 e com quase 6.300 hectares de extensão, a entrada no parque é gratuita, portanto, está acessível também aos bolsos, não tem desculpa para não visitar!
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO)
Queda localizada dentro dos limites do parque nacional. Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Foto: Leonardo Borges
Queda localizada dentro dos limites do parque nacional. Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

 Foto: Leonardo Borges


No coração do Cerrado brasileiro, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, inaugurou em 2015 uma trilha suspensa com acessibilidade total a pessoas com dificuldades de mobilidade. O trecho leva a um dos principais atrativos do parque, as Corredeiras, onde é possível tomar banho nas águas do Rio Preto. Para facilitar ainda mais o acesso, os visitantes que se enquadrarem no Estatuto da Pessoa com Deficiência poderão entrar no parque com carro próprio (4×4) até o início da trilha.
Parque Natural Municipal da Catacumba (RJ)
Parque Natural Municipal da Catacumba. Foto: Rodrigo Soldon https://www.flickr.com/photos/soldon/3343709603
Parque Natural Municipal da Catacumba. Foto: Rodrigo Soldon/Flickr


Vizinho à Lagoa Rodrigo de Freitas, o Parque Natural Municipal da Catacumba oferece aos visitantes com dificuldade de locomoção a possibilidade de trilhar em um trecho da unidade. O percurso acessível à deficientes e também para pessoas com carrinhos de bebê, partiu de solicitações dos visitantes para facilitar o desfrute desse cartão-postal carioca.


Parque Nacional da Tijuca (RJ)
Filhote de quati subindo em uma palmeira depois de se separar do grupo. Parque Nacional da Tijuca. Foto: Peterson de Almeida
Filhote de quati subindo em uma palmeira depois de se separar do grupo. Parque Nacional da Tijuca. 
Foto: Peterson de Almeida

O Parque Nacional da Tijuca, localizado no coração da Cidade Maravilhosa, possui desde 2011 uma trilha adaptada para pessoas com deficiências físicas. O percurso foi idealizado em parceria com o Instituto Terra Brasil. A trilha chamada Caminho Dom Pedro Augusto fica no Setor A do parque, Floresta da Tijuca e é mais larga do que as trilhas convencionais. O trajeto começa nos Jardins dos Manacás, passeia em meio às árvores da Mata Atlântica e termina perto da sede administrativa do parque.

Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (PE)
Por do sol vista do Mirante do Fortinho. Ao fundo encontram-se os Dois Irmãos. Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. Foto: Bruno Melo
Por do sol vista do Mirante do Fortinho. Ao fundo encontram-se os Dois Irmãos. Parque 
Nacional Marinho de Fernando de Noronha. Foto: Bruno Melo


As belezas do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha são famosas mundo afora, e desde 2013 as famosas praias do parque estão acessíveis para os visitantes com deficiências de locomoção ou mobilidade reduzida. O parque conta com cadeiras de rodas anfíbias – capazes de andar tanto na areia quanto entrar na água – e com uma esteira de 30 metros que permite acesso dos visitantes ao mar da baía do Sueste. Também há banheiros adaptados e existem profissionais treinados à disposição dos visitantes para auxiliá-los durante o banho.

Sarney negocia licenciamento com ruralista

Por Claudio Angelo, do Observatório do Clima
O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados.
O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados.


Vão-se os anéis, ficam os dedos. O Ministério do Meio Ambiente está negociando com a bancada ruralista uma nova proposta de lei de licenciamento ambiental que isenta da necessidade de licença 97% dos imóveis rurais do país. O objetivo é evitar que a numerosa bancada ruralista, apoiada pelas confederações nacionais da indústria e da agricultura, aprove na Câmara dos Deputados o chamado “licenciamento flex”, que na prática acabaria com o licenciamento ambiental no Brasil.


O ministro Sarney Filho (PV-MA) apresentou aos deputados em janeiro o rascunho de um novo texto. Não será mais uma proposta do governo federal, como se tentou fazer, mas uma espécie de construção coletiva – ambientalistas e Ministério Público também serão chamados a palpitar no texto, segundo declarou o ministro ao OC.


Sarney resolveu tomar a dianteira da negociação com os deputados depois que a Casa Civil, no fim do ano passado, retalhou a proposta original de lei elaborada pelo MMA, que deveria ser enviada ao Congresso como projeto do Executivo. Diante de reclamação do Meio Ambiente contra o enfraquecimento do texto, o ministro Eliseu Padilha (PMDB-RS) deu carta branca à Câmara para votar o PL do deputado Mauro Pereira (PMDB-RS), redigido pelos ruralistas em colaboração com a CNA e a CNI. Apelidado “licenciamento flex”, o texto de Pereira essencialmente deixaria todas as decisões sobre o rigor da licença nas mãos dos Estados – até mesmo a decisão de não ter rigor algum.



O episódio quase causou a demissão de Sarney, que mandou uma carta a Padilha pedindo que interviesse para retirar o projeto de pauta, sob risco de causar uma avalanche de ações na Justiça contra o licenciamento e uma guerra ambiental entre os Estados. O “licenciamento flex” acabou não sendo votado, mas o tema é prioridade máxima dos ruralistas para 2017.


A nova minuta do MMA, datada de 17 de janeiro, tem metade do número de páginas do texto que saiu da Casa Civil e 31 artigos a menos. Ela mantém a essência do projeto inicial, que considera a localização do empreendimento o critério principal para definir o rigor do licenciamento. Mas faz uma série de concessões que, se aprovadas, enfraquecerão a lei em relação ao texto original e poderão dificultar a fiscalização do desmatamento e tirar do gancho centenas de fazendas embargadas pelo Ibama na Amazônia.



Uma das principais é a dispensa de licenciamento para propriedades rurais com área de até 15 módulos fiscais. Um módulo fiscal é uma medida que varia de município para município, usado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para categorizar as propriedades em pequena, média e grande e orientar as políticas fundiárias. Na Amazônia, a medida de um módulo pode chegar a 100 hectares.



Segundo levantamento feito pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) a pedido do OC, 97% das propriedades rurais registradas no Cadastro Ambiental Rural estariam enquadradas na isenção (o CAR tem cerca de 3,2 milhões de propriedades cadastradas). Mas o número pode crescer, porque também estariam dispensadas de licenciamento todas as propriedades rurais em “área consolidada”, ou seja, que foram desmatadas até junho de 2008 e são passíveis de anistia pelo Código Florestal – independentemente de sua área.



Ninguém sabe quantos imóveis existem nestas condições no Brasil; isso será objeto dos PRA (Planos de Regularização Ambiental) do código nos Estados, mas os ruralistas estão se mobilizando para incluir o maior número possível de fazendas na anistia.



Essas isenções tendem a dificultar a ação do Ibama de embargo a propriedades com desmatamento ilegal na Amazônia.



O embargo tem sido o principal instrumento de controle do desmatamento. No ano passado, a devastação chegou a quase 8.000 quilômetros quadrados, a maior em oito anos, com a emissão de cerca de 130 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.



Hoje há cerca de 2.000 fazendas embargadas na região por falta de licença ambiental. Se a lei de licenciamento for aprovada nesses termos, cerca de metade delas poderia se livrar do embargo e voltar a tomar crédito nos bancos.



“DOLO OU CULPA”
Outro ponto, que já está sendo criticado por especialistas que tiveram acesso ao texto, é a responsabilização dos bancos pelo dano ambiental. A proposta da Casa Civil, apresentada em novembro do ano passado, isentava completamente o sistema financeiro de corresponsabilidade por dano ambiental.



A nova minuta restitui em alguma medida a responsabilização, mas com uma ressalva: as autoridades terão de provar que houve “dolo ou culpa” da instituição financeira e ligação causal entre o financiamento e o dano apontado. Como isso nem sempre é simples de estabelecer, os bancos podem ficar mais à vontade para emprestar para poluidores e degradadores.



Há mudanças também na chamada matriz de enquadramento, que define o grau de rigor do licenciamento de acordo com o local, o porte do empreendimento e seu potencial poluidor. Esta é a grande inovação da proposta do MMA, que reconhece que um posto de gasolina na cidade de São Paulo não pode passar pelo mesmo trâmite burocrático que uma hidrelétrica na Amazônia.



Uma das principais novidades da lei geral de licenciamento, a matriz será baseada no mapa de áreas prioritárias para a conservação do Ministério do Meio Ambiente. Na proposta original, empreendimentos de grande porte e alto potencial degradador precisariam de licenciamento em três fases e com EIA (estudo de impacto ambiental) em qualquer localização. A nova matriz só impõe essa necessidade caso o empreendimento esteja em áreas de relevância alta e extremamente alta para a conservação.



Procurado pelo OC, o ministro Sarney Filho afirmou que “não houve afrouxamento” da proteção na minuta. “A concessão principal é no licenciamento das atividades agrossilvopastoris em áreas consolidadas. Mas isso não compromete de jeito nenhum, porque hoje é pior”, afirmou.
Sarney se mostrou otimista com a reação dos ruralistas – que toparam sentar para discutir o texto com o ministro, cuja cabeça vinham pedindo um dia sim e outro também – e da indústria. “Eles estão aceitando o EIA com o mapeamento das áreas sensíveis.”



O deputado Mauro Pereira evitou fazer comentários a respeito da proposta do MMA. Mas sinalizou que existe um diálogo. “Não há queda de braço”, afirmou ao OC. Os ruralistas ainda defendem a proposta do deputado gaúcho, mas temem uma onda de ações judiciais caso ela seja aprovada.
Pereira disse que a lei de licenciamento aguarda para ser votada “há 12 anos” e que a bancada tem pressa, mas que é preciso bom senso. “Não adianta a Câmara estar na contramão do Ibama, do Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente]. Temos de discutir como gente madura, senão não anda.”

Republicado do Observatório do Clima através de parceria de conteúdo.

Sinal aberto para grileiros e desmatadores

((o))eco
Helicóptero do IBAMA sobrevoa área desmatada ilegalmente. Foto: Marcio Isensee e Sá.
Helicóptero do IBAMA sobrevoa área desmatada ilegalmente. Foto: Marcio Isensee e Sá.


A linguagem corporal diz muito no relacionamento entre pessoas. Um sinal sutil, como uma piscada, pode formar um novo casal. Quando se trata de governo, os sinais começam com discursos, tornam-se mais claros com medidas pontuais e ficam óbvios com novas leis.


Em 2012, o Congresso aprovou o novo Código Florestal, que além de enfraquecer regras de proteção ambiental, anistiou as multas sobre desmatamentos ilegais ocorridos dentro de propriedades rurais antes de julho de 2008. Desde então, a tendência dos números de desmatamento na Amazônia é crescer. Antes dessa anistia, eles caíam com rapidez.


No finalzinho de 2016, nos dias 20 e 23 de dezembro, o governo enviou mais dois recados pró-desmatamento: entregou cerca de 400 mil hectares de uma área protegida no Pará para invasores e emitiu uma medida provisória que estende o prazo para legalizar terras sem título na Amazônia.


A Flona (Floresta Nacional) Jamanxim foi criada em 2006, com 1,3 milhão de hectares de bioma amazônico. Ela foi parte de um pacote de criação de áreas protegidas para compensar o asfaltamento da BR-163 dentro do Pará. Essa rodovia corta o país no sentido Sul-Norte e melhorias facilitam o escoamento de produção agrícola desde o Mato Grosso até o porto fluvial, em Santarém, Pará.


Em 20 de dezembro de 2016, o governo federal retirou 368 mil hectares da Flona Jamanxim, equivalente a um quarto de sua área. Esse pedaço passou a ter um status de proteção de APA (Área de Proteção Ambiental), mais fraco, que permite propriedades e atividades produtivas no seu interior.


A alegação para o recorte é que, quando a Flona Jamanxim foi criada, essa área já continha ocupações de pequenas fazendas. Uma análise da ONG Imazon a ser divulgada nos próximos dias mostra que ambos os argumentos são falsos: 67% das ocupações ocorreram após a criação e o seu tamanho médio é de 1.772 hectares (equivalente a 1.772 campos de futebol), não exatamente o tamanho de uma propriedade de agricultura familiar, em geral menor do que 100 hectares.


Três dias depois de reduzir Jamanxim, em 23 de dezembro, o governo emitiu a Medida Provisória 759, que dilatou os prazos de regularização de terras não tituladas na Amazônia. A regra anterior era de 2009 e implicava que só propriedades ocupadas até no máximo 2004 poderiam ser regularizadas. A nova MP estendeu o prazo para 2011. O governo alega que a medida legaliza milhares de fazendeiros que, sem título, não têm acesso a programas de crédito agrícola. Verdade. Ao mesmo tempo, reforça um padrão: não há prazo final para invasões na Amazônia, pois quando os velhos limites se esgotam, as regras mudam.


Entre 2008 e 2012, o desmatamento despencou de cerca de 1,2 milhões de hectares (12 mil km²) para menos de 500 mil hectares. Neste ano, o novo Código Florestal foi aprovado, junto com a sua anistia de multas a desmatadores. Desde então, em 3 dos 4 anos seguintes, o desmatamento na Amazônia cresceu. Em 2016, ele foi 74% mais alto do que em 2012.


Em casos anteriores ao da Flona Jamanxim, já está documentado que quando o governo reduz limites de uma área protegida, incentiva invasões de outras.


Os grileiros criminosos continuam atuando. No fim de junho de 2016, o Ibama e a Polícia Federal desbarataram a mais bem organizada quadrilha de grilagem já encontrada, comandada de São Paulo. Segundo as investigações, ela movimentou 1,9 bilhão de reais entre 2012 e 2015.


Quando se trata de política “contra” o desmatamento, o governo não está dando piscadas para desmatadores e grileiros, ele está abrindo um sorrisão.

http://www.oeco.org.br/colunas/eduardo-pegurier/governo-abre-caminho-para-grileiros-e-desmatadores-da-amazonia/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+siteoeco+%28O+Eco%29

Dia Mundial das Áreas Úmidas

02/02/2017

Por Júlio César Sampaio*

Dois de fevereiro é uma data especial: comemoramos o Dia Mundial das Áreas Úmidas, estabelecido em 1971 em homenagem ao dia da adoção da Convenção de Ramsar, na cidade iraniana de mesmo nome. Essa data é extremamente importante para o Brasil, já que nosso país abriga a maior área úmida do planeta: o Pantanal. Seus 170.500,92 mil km² de extensão – parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além da Bolívia e Paraguai – abrigam uma rica biodiversidade: pelo menos 4.700 espécies de animais e plantas já foram registradas.


Em 2017, o WWF-Brasil chama atenção para a relevância de promover a conservação da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais do Pantanal por meio de um chamamento para que seja aprovada e implementada ainda neste ano a Lei do Pantanal, o Projeto de Lei (PL) 750, de 2011.


Em pauta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, o PL vai seguir um longo caminho até que se torne lei. Deve ser analisado e votado por outras duas comissões antes de ser enviado para a Câmara dos Deputados. Após a votação do Congresso Nacional, o Presidente da República pode aprovar ou recusar a proposição. Se aprovado, o Presidente tem o prazo de 48 horas para ordenar a publicação da lei no Diário Oficial da União.

São consideradas áreas úmidas os pântanos, charcos, turfas ou locais de acúmulo de água, permanente ou temporário. Foto: © Adriano Gambarini/WWF-Brasil

O texto que está atualmente em tramitação no Senado prevê, acertadamente, que o uso dos recursos naturais no Pantanal será regido por princípios como os de “poluidor-pagador” e “usuário-pagador”. O primeiro pune os que desrespeitam o cuidado com o meio ambiente. O segundo exemplifica aqueles que usam os recursos naturais e que, portanto, devem pagar por tal utilização. O PL atual também define acertadamente uma série de proibições no bioma, como a construção de barragens ou obras de alterações dos cursos d´água e o uso de agrotóxicos e o plantio de transgênicos no Pantanal.
Porém, no texto atual há lacunas que acreditamos que devem ser preenchidas. O WWF-Brasil reivindica que a Lei do Pantanal contenha:


• Inclusão do planalto pantaneiro na delimitação do bioma: não só a planície deve ser considerada. É no planalto – região das cabeceiras – onde nascem as águas responsáveis pelo abastecimento do ciclo hidrológico do Pantanal. Sem ações de conservação e preservação do planalto, o Pantanal fica ameaçado;


• Atenção específica aos recursos hídricos do Pantanal – já que o bioma é a maior área úmida do planeta. (Seus rios estão fortemente ameaçados por falta de planos de saneamento básico nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul);


• Incentivo de implementação de ações que promovam o desenvolvimento sustentável da região e das comunidades pantaneiras, como o turismo;


• Incentivo de implementação de remuneração àqueles que recuperam e preservam o meio ambiente, como a adoção do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) nos municípios do Pantanal;
• Inclusão de incentivos econômicos à recuperação e conservação. Assim como na Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428 de 2006), a Lei do Pantanal deve prever um Fundo de Restauração, destinado ao financiamento de projetos de conservação e restauração ambiental e de pesquisa científica.



Para o WWF-Brasil, é urgente a aprovação de uma lei completa, que disponha sobre ações de conservação e restauração ambiental, mas que também preveja o financiamento dessas ações de pesquisas e a promoção do desenvolvimento sustentável da região, a preservação de seus recursos naturais e a valorização da cultura e saberes tradicionais das comunidades pantaneiras.


O desmatamento, as queimadas, o uso indiscriminado de agrotóxicos, más práticas agropecuárias e a falta de saneamento básico são ameaças graves ao Pantanal. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, até 2009 o Pantanal perdeu 23.160 km2 de vegetação nativa, o equivalente a 15,31% de sua área total.


A região das cabeceiras, onde nascem as águas que alimentam o ciclo hidrológico do bioma, está em alto risco. Uma pesquisa realizada pelo WWF-Brasil mostrou que os níveis de turbidez – quando a água perde a transparência – e de quantidade de sólidos dissolvidos nos rios Jauru, Sepotuba e Alto-Paraguai vem aumentando.


Sem a vegetação, os rios ficam desprotegidos e expostos às chuvas, que carregam sedimentos pela correnteza, provocando aumento da turbidez e do assoreamento, processo pelo qual os rios vão ficando cada vez mais rasos. A turbidez afeta o ciclo de vida dos peixes, pela falta de transparência na água, além de dificultar o tratamento da água que será distribuída à população por parte das empresas de saneamento.


O assoreamento dificulta a navegação, o fluxo das águas, a migração dos peixes e também deixa o rio vulnerável à transbordamentos em época de chuvas. A destruição da vegetação pode provocar um efeito ainda mais grave: secar completamente uma nascente.


Por sua vez, a falta de um sistema de tratamento faz com que os dejetos humanos de uma localidade sejam diretamente despejados nos rios e córregos, contaminando águas, solo e até o lençol freático. Um estudo do Instituto Trata Brasil e WWF-Brasil identificou que menos de 10% do esgoto na região recebe tratamento antes do descarte.


O PL 750 tramita desde 2011. Já não devemos esperar. Mais do que nunca, precisamos da Lei do Pantanal. (WWF Brasil/ #Envolverde)


* Júlio César Sampaio é Coordenador do Programa Cerrado Pantanal WWF-Brasil.


** Publicado originalmente no site WWF Brasil.

Atividade física previne doenças


Por Baher Kamal, da IPS – 
Roma, Itália, 3/2/2017 – Sente-se cansado, com preguiça, aborrecido, passa muitas horas jogado diante da televisão ou sentado olhando e-mails? É um erro e é perigoso. A falta de exercício contribui para o câncer, diabete, depressão e outras doenças não transmissíveis. O alarme é forte e foi dado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que alerta que os riscos da falta de atividade física aumentam de forma preocupante no mundo, e incentiva as pessoas a praticarem atividade física.



No mundo, 81% dos adolescentes não praticam a atividade física necessária para manter um bom estado de saúde. Foto: OMS



Um novo documento da OMS destaca que cada vez menos pessoas praticam alguma atividade física em muitos países, e quase um em cada quatro adulto e mais de 80% dos adolescentes são extremamente sedentários. O Plano de Ação Mundial 2013-2020 da OMS, de prevenção e controle de enfermidades não transmissíveis, recomenda que as pessoas sedentárias comecem “pouco a pouco a atividade física” e aumentem de forma gradual sua duração, frequência e intensidade.



“A atividade física pode ser de qualquer tipo, não só esporte, e deve gastar energia, desde jogos até tarefas do lar como jardinagem e até dança. Qualquer atividade, de trabalho, caminhada ou ciclismo, para diferentes lugares ou como parte do tempo de lazer, tem benefícios para a saúde”, destaca a OMS.



Para os adultos e idosos aplica-se as mesmas recomendações de praticar atividade física, segundo seu estado de saúde. Foto: A Loke/WHO



Para as pessoas que ainda não estão convencidas, a agência apresenta dez fatos concretos.


  1. A atividade física reduz o risco de doenças


A atividade física reduz o risco de cardiopatias coronárias e acidentes cerebrovasculares, diabetes, hipertensão e diferentes tipos de câncer, como de cólon e de mama, bem como depressão. Também é fundamental para equilibrar a energia e controlar o peso. Cerca de 23% dos adultos e 81% dos adolescentes não realizam atividade física suficiente. E, em geral, as mulheres e meninas são menos ativas do que homens e meninos, e os idosos praticam menos atividade física do que os mais jovens.
  1. A atividade física ajuda a manter o corpo saudável


As pessoas ativas fisicamente têm:
* melhor estado físico muscular e cardiorrespiratório;
* melhor saúde funcional e óssea;
* menor propensão a doenças coronárias, pressão alta, acidentes cerebrovasculares, diabetes, câncer e depressão;
* menor risco de cair e quebrar o quadril ou as vértebras;
* mais probabilidade de manter um bom peso.


  1. A atividade física não é o mesmo que praticar esporte


A atividade física é qualquer movimento corporal produzido pelos músculos e que use energia. Isso inclui esportes, exercícios físicos e outras atividades como brincar, caminhar, as tarefas do lar, jardinagem, dançar, entre outras.


  1. A atividade física moderada ou vigorosa é benéfica


A intensidade se refere ao ritmo com que a atividade é realizada, e pode ser descrita como quão duro deve trabalhar uma pessoa para realizá-la. A intensidade dos diferentes movimentos varia segundo as pessoas. Segundo o grau de aptidão física da pessoa, a atividade física moderada pode ser uma caminhada forte, dançar ou realizar as tarefas de casa. E os exemplos de atividade física forte incluem correr, pedalar e nadar rápido ou mover elementos pesados.


  1. Exercício durante 60 minutos para pessoas de cinco a 17 anos


As pessoas entre 5 e 17 anos deveriam realizar pelo menos 60 minutos diários de atividade física forte; mais tempo implica maiores benefícios para a saúde.


  1. Exercício durante 150 minutos na semana para pessoas entre 18 e 64 anos


Os adultos entre 18 e 64 anos devem realizar pelo menos 150 minutos de atividade física intensa por semana ou pelo menos 75 minutos de atividade física moderada ou uma combinação de ambas. Para que a atividade seja benéfica para a saúde cardiorrespiratória, o exercício deve ser feito em períodos de pelo menos dez minutos de duração.


  1. Adultos de 65 anos e mais


A principal recomendação para adultos e idosos é a mesma. Além disso, os idosos com pouca mobilidade devem realizar atividade física três dias ou mais por semana para melhorar o equilíbrio e evitar quedas. Nos casos em que os idosos não podem realizar a quantidade recomendada por problema de saúde, devem fazer o que estiver dentro de suas possibilidades.


  1. Todos os adultos saudáveis devem ser fisicamente ativos


A menos que haja razão médica indicando o contrário, as recomendações da OMS se aplicam a todas as pessoas, independente do gênero, da raça, do grupo étnico ou nível de renda. Também se aplicam às pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e não relacionadas com sua capacidade de movimento, como hipertensão ou diabete. Os adultos com deficiência também devem seguir as recomendações da OMS.


  1. Um pouco de atividade física é melhor do que nenhuma


As pessoas sedentárias devem começar com pequenas quantidades de atividade física para aumentar a duração de forma gradual, bem como a frequência e intensidade. Os adultos e idosos inativos e quem tem limitação por doença obterão benefícios agregados quando se tornarem mais ativos. As grávidas, as mulheres que estão no pós-parto e as pessoas com problemas de coração deverão tomar precauções adicionais e consultar seus médicos antes de se esforçar para chegar aos níveis de atividade física recomendados.


  1. Comunidades e entornos propícios ajudam as mulheres a realizarem atividade física


As políticas urbanas e ambientais têm grandes possibilidades de conseguir elevar a prática de atividade física, e devem incentivar para que:


* caminhada, ciclismo e outras formas de transporte ativos sejam acessíveis e seguros para todos;


* as políticas trabalhistas promovam a atividade física;


* as escolas contem com instalações e espaços seguros para que os alunos permaneçam ativos durante seu tempo livre;


* as instalações recreativas e desportivas propiciem oportunidades para que todos permaneçam ativos.

Agora, é só se mexer! Envolverde/IPS

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Envolverde

Continente desaparecido há 200 milhões de anos é encontrado debaixo do Oceano Índico



Sob as águas das Ilhas Maurício, no Oceano Índico, se escondem fragmentos de um continente que desapareceu há 200 milhões de anos. É o que afirma uma equipe de pesquisadores da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul.


De acordo com a pesquisa, publicada na revista Nature Communication, os fragmentos se desprenderam do supercontinente Gondwana, quando este se desintegrou para formar a África, Índia, Austrália, América do Sul e Antártida.


A descoberta foi feita a partir de um mineral chamado zircão, de 3 bilhões de anos, encontrado na superfície da ilha Maurício, a maior do país, localizado no sul do Oceano Índico, a leste de Madagascar. A revelação surpreendeu os geólogos, já que Maurício é uma ilha vulcânica jovem, que não tem mais de 9 milhões de anos.


Fragmentação complexa

 

 

Acredita-se que os fragmentos encontrados no oceano, batizados coletivamente de Mauritia, são pedaços da crosta terrestre que mais tarde foi coberta de lava de erupções vulcânicas da ilha.
“O fato de termos encontrado zircões desta idade mostra que nas Ilhas Maurício existem materiais da crosta terrestre muito mais antigos que só poderiam ser originários de um continente”, diz Lewis Anshwal, principal autor da pesquisa.


A ruptura do Gondwana não foi um processo simples no qual o supercontinente se dividiu em dois, mas uma fragmentação complexa que deixou pedaços de crosta terrestre de tamanhos diferentes “à deriva na bacia do Oceano Índico em evolução”.



Não houve contaminação



Não é a primeira vez, no entanto, que zircões desta idade são encontrados nas Ilhas Maurício.
Um estudo de 2013 encontrou vestígios do mineral na ilha, mas recebeu inúmeras críticas, indicando que o material poderia ter aparecido ali por outros motivos – pelo vento ou contaminação, por exemplo.

Mas, depois de uma análise cuidadosa para evitar a contaminação cruzada com outros minerais, Ashwal concluiu que os zircões “não poderiam ter sido introduzidos nas rochas pelo vento ou pelas ondas do mar, nem poderiam ter sido transportados por aves, rodas de carros ou sapatos”.
Para o pesquisador, as rochas só poderiam ter se originado a partir de uma erupção vulcânica.
A descoberta lança nova luz sobre os mecanismos a que estão submetidas as placas tectônicas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Científicos mezclan hombre y cerdo para crear animal “híbrido”



Los híbridos de humanos y animales (llamados ‘quimeras’) se crean mediante la inyección de células madre humanas en embriones de animales de días de vida, que luego se gestan en el ganado.
  • Ciencia y Tecnología    
  • 31 ene 2017   


Desafiando la prohibición de financiación impuesta por la principal agencia de salud de EE.UU., algunos centros de investigación estadounidenses están avanzando en los intentos de cultivar tejido humano dentro de cerdos y ovejas con el objetivo de crear corazones, hígados y otros órganos necesarios para trasplantes.



Los híbridos de humanos y animales (llamados ‘quimeras’) se crean mediante la inyección de células madre humanas en embriones de animales de días de vida, que luego se gestan en el ganado.



Modificando los genes, los científicos pueden cambiar el ADN en embriones de cerdos u ovejas de modo que sean genéticamente incapaces de formar un tejido específico, después de lo cual se añaden las células madre de una persona. La idea es que las células humanas se hagan cargo de la formación del órgano que falte, que podría ser luego utilizado en una operación de trasplante humano.



Según los datos de la revista ‘MIT Technology Review’ basados en las entrevistas con tres equipos de investigadores (dos en California y uno en Minnesota), alrededor de 20 embarazos de quimeras cerdo-humano u oveja-humano han sido desarrollados en los últimos 12 meses en EE.



UU., aunque hasta el momento no ha sido publicado ningún artículo científico que describa el trabajo.



Dilema ético
Se trata de un enfoque revolucionario sobre la generación de órganos humanos, pero también un proyecto complicado desde el punto de vista ético, ya que implica la adición de células humanas en embriones de animales de una forma que podría borrar la línea entre las especies, explica ‘MIT Technology Review’.



Por esa razón el pasado mes de septiembre el Instituto Nacional de Salud de EE.UU. (NIH) anunció que no apoyaría estudios con participación de quimeras hasta que haya revisado sus aspectos científicos y sociales más detenidamente.



Sin embargo, dado que las quimeras podrían ser una nueva fuente de órganos para pacientes necesitados y también dar lugar a nuevos descubrimientos fundamentales, investigadores como Daniel Garry, cardiólogo que dirige un proyecto de quimeras en la Universidad de Minnesota, aseguran que van a seguir adelante a pesar de la posición del NIH.



“Podemos crear un animal sin corazón. Hemos diseñado cerdos que carecen de los músculos esqueléticos y vasos sanguíneos”, relata Garry, que explica que, aunque tales cerdos no son viables, pueden desarrollarse correctamente si se añaden unas cuantas células de un embrión de cerdo normal.



La probabilidad de que un animal obtenga conciencia humana es baja, ya que los cerebros son demasiado diferentes, pero, como medida de precaución, los investigadores aún no han permitido nacer a ninguna de sus quimeras. En vez de ello, están reuniendo fetos con el fin de recabar información acerca de la contribución de las células humanas a los órganos de los animales.



Obviamente, la publicación del estudio renueva las discusiones éticas y preocupaciones acerca de los animales híbridos conocidos. En particular, mediante el uso de las células humanas.



Este no es el único tipo de experimento en el mundo para generar una quimera. Un artículo de la revista Nature de este mes muestra que los científicos han tenido éxito en la generación de órganos de un ratón en un ratón. Luego hicieron un trasplante a un ratón, lo que demuestra que las especies de inter trasplante es una realidad, según publica The Washington Post.



INPE capacita profissionais e estudantes para monitoramento de florestas








Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

Vinte e quatro profissionais e estudantes em último ano de graduação de áreas com domínio de geoprocessamento e sensoriamento remoto participaram de 9 a 12 de janeiro no Centro Regional da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em Belém (PA), do "Curso de Monitoramento de Florestas por Satélite utilizando o sistema TerraAmazon para projetos PRODES e TERRACLASS". A seleção dos participantes foi feita através da análise de currículos, enviados pelos interessados na semana anterior à capacitação.

O Centro Regional da Amazônia recebeu 500 currículos, não só do Pará, mas também do Amazonas, Maranhão e Brasília, o que evidencia a alta demanda por cursos e treinamentos a partir dos métodos e tecnologias desenvolvidas pelo INPE para monitoramento do desmatamento na Amazônia.

Além do conhecimento adquirido, os participantes tiveram a oportunidade de estar em contato e usufruir da infraestrutura inovadora do Centro Regional da Amazônia do INPE, que trabalha continuamente para atender as demandas atuais e futuras na área de geotecnologias e tecnologias espaciais, com ênfase no monitoramento do desflorestamento da Amazônia.

O objetivo do curso é tornar os participantes aptos para utilizar o sistema TerraAmazon, destinado ao mapeamento de corte raso, uso e cobertura da terra. O software foi desenvolvido pela Divisão de Processamento de Imagens (DPI/INPE) em parceria com a Fundação de Ciência, Tecnologias e Aplicações Espaciais (FUNCATE). O Centro Regional da Amazônia é responsável pela difusão das metodologias que compõem o Programa Amazônia do INPE, como os projetos PRODES e TerraClass.

A DPI integra a Coordenação de Observação da Terra (OBT/INPE), responsável pela capacitação em sensoriamento remoto e geoprocessamento através de parceria com a Associação de Especialistas Latino-americanos em Sensoriamento Remoto - SELPER Brasil.

"O curso consiste na difusão das metodologias PRODES e TerraClass utilizando o software TerraAmazon, assim como princípios básicos sobre sensoriamento remoto, cartografia, Sistemas de Informação Geográfica (SIGs), banco de dados e consultas através de comandos de Linguagem de Consulta Estruturada (SQL)", explicou Carlos Da Costa Mesia, geógrafo e consultor do Centro Regional da Amazônia, que ministrou o curso ao lado do também geógrafo e consultor Luis Sadeck.

O PRODES é o maior programa de monitoramento de florestas do mundo e faz o mapeamento por satélites do desflorestamento na Amazônia Legal desde 1988, produzindo taxas anuais e oficiais do desmatamento na região. O TerraClass, desenvolvido e executado através de parceria do INPE com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), qualifica as áreas mapeadas pelo PRODES, buscando os porquês das causas do desmate.

O TerraClass é um dos subprojetos executados no contexto do projeto Monitoramento Ambiental por Satélites no Bioma Amazônia (MSA), que o INPE desenvolve com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

O curso foi ministrado nas instalações do Centro Regional da Amazônia do INPE, em Belém
 

Estudo coordenado pelo INPE aponta os riscos da exploração do Cerrado




área de abrangência do Cerrado brasileiro
Imagem: www.sabordocerrado.com.br / IHU

No artigo “Desvalorizando e Superexplorando o Cerrado Brasileiro: Por Nossa Conta e Risco”, pesquisadores abordam a importância do bioma para frear as ameaças associadas às mudanças climáticas e para o desenvolvimento humano e econômico do país e da região. Coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o estudo foi recentemente publicado na Environment Magazine.



“Novas políticas públicas são necessárias para promover e integrar este bioma à nação. Em um contexto internacional, esforços importantes estão sendo feitos para preservar as florestas tropicais do Brasil. Enquanto isso, a destruição do Cerrado, o mais antigo bioma do país, avança a passos largos, com poucas controvérsias”, diz Myanna Lahsen, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do INPE.



Segundo a pesquisadora, está sob grande ameaça a existência dos ecossistemas e dos recursos naturais que são vitais para a maioria dos brasileiros, bem como para a viabilidade da agricultura.



Lahsen, que assina o artigo com Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), e Eloi Dalla-Nora, também do INPE, ressalta que a beleza e importância ecológica do cerrado são profundamente desvalorizadas, apesar de o bioma ser classificado como um dos 35 hotspots de biodiversidade existentes no planeta devido sua excepcional concentração de biodiversidade endêmica e altos níveis de degradação por conta da exploração econômica.



Ecossistemas naturais no Cerrado são essenciais para a manutenção das reservas hídricas que abastecem o Brasil. “Os muitos serviços ecossistêmicos fornecidos pela vegetação nativa do Cerrado incluem a regulação do clima e da água doce limpa para grande parte do Brasil, incluindo a Amazônia e países vizinhos. Além de estabilizar o clima regional, a enorme circulação da água correndo através da vegetação nativa do Cerrado forma muitas dos importantes bacias hidrográficas do Brasil e contribui para o sistema subterrâneo do aquífero Guarani.


O Cerrado fornece água, tanto para as regiões mais ricas quanto para as mais pobres do Brasil. Ele fornece cerca de 70% da água que flui para o norte para a bacia do Araguaia-Tocantins, para o sul-sudeste à bacia do Paraná, e para o nordeste para a bacia do São Francisco, alimentando 8 das 12 regiões hidrográficas do Brasil (Amazonas, Tocantins-Araguaia, Nordeste do Atlântico Ocidental, Parnaíba, São Francisco Atlântico Leste, Paraná, Paraguai), além da água atmosférica ou subterrânea para outras regiões e países.



Isto significa que a estabilidade e o funcionamento dos ecossistemas circundantes em todas essas regiões dependem muito da integridade biológica do Cerrado. Além disso, devido ao fato de que 80% da eletricidade do Brasil vêm de usinas hidrelétricas em rios que têm suas nascentes no Cerrado, a conservação do bioma também é fundamental para a segurança energética do país”, escrevem os autores.



Os pesquisadores alertam ainda para a implementação de sistemas de monitoramento regulares para o Cerrado e melhorias na gestão daqueles que já estão estabelecidos, bem como para a diminuição de novos desmatamentos e a restauração de áreas degradadas.
“É preciso cumprir a legislação ambiental brasileira existente e os compromissos internacionais relacionados às mudanças climáticas, conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável.



Mas a resposta requer mais do que soluções técnicas. Por isso estamos chamando também atenção aos problemas estruturais de governança, obstáculos à integração nas decisões econômicas e do desenvolvimento com considerações de sustentabilidade ambiental e do bem estar humano. Nada menos do que a segurança hídrica, alimentar e energética do país está em jogo”, ressalta Lahsen.



Para os autores do estudo, a solução passa por melhorar a educação e a participação dos atores locais nas decisões sobre a região, com olhar crítico sobre os caminhos historicamente traçados para o desenvolvimento econômico do país.



O artigo Undervaluing and Overexploiting the Brazilian Cerrado at Our Peril, traduzido para o português, está disponível aqui.



Ainda na Environment Magazine, um segundo trabalho – Civil Society and Environmental Change in Brazil’s Cerrado, por Donald Sawyer e Myanna Lahsen – analisa a capacidade das instituições para enfrentar o desafio de conseguir um desenvolvimento humano e econômico ambientalmente mais sustentável e viável para um maior número de brasileiros no presente e no futuro.

Do INPE, in EcoDebate, 31/01/2017

Maior aumento da concentração de CO2 da história humana, artigo de José Eustáquio Diniz Alves



“Se uma planta não consegue viver de acordo com sua natureza, ela morre,
assim também o ser humano”
Henry Thoreau (200 anos de seu nascimento)

crescimento médio anual, por década, da concentração de CO2

[EcoDebate] Estudos indicam que o mundo conseguiu, pelo terceiro ano consecutivo, manter estáveis suas emissões de gases CO2. Os otimistas comemoram o desacoplamento relativo. Mas os números indicam que, se as emissões pararam de subir, elas continuam nos níveis mais elevados da história.



Na realidade, a concentração de gases de efeito estufa (GEE) ultrapassou permanentemente o limiar de 400 partes por milhão e atingiu um perigoso ponto de não retorno. Nos 800 mil anos antes da revolução industrial a concentração de CO2 na atmosfera ficou abaixo de 280 partes por milhão (ppm).



Ou seja, em cada um milhão de moléculas de ar no planeta, havia menos de 280 do principal gás de efeito estufa. As medições com base no estudo do gelo, mostram que em 1860 a concentração atingiu 290 ppm. Em 1900 estava em 295 ppm. Chegou a 300 ppm em 1920 e atingiu 310 ppm em 1950. A partir do início do Antropoceno (1950), o efeito estufa se acelerou.




Em 1958, Charles Keeling, instalou no alto do vulcão Mauna Loa o primeiro equipamento para medir as concentrações de CO2 na atmosfera. Isto possibilitou que a partir de uma série histórica de dados houvesse a possibilidade de acompanhar a poluição recente. A série de Keeling mostra que a concentração de CO2 na atmosfera, na média mensal, chegou a 399,76 partes por milhão (ppm) em maio de 2013 e só ultrapassou a barreira de 400 ppm no ano seguinte.




Em abril de 2014 a concentração de CO2 ficou em 401,34 ppm, passou para 401,88 ppm em maio e caiu para 401,20 ppm em junho de 2014. Mas como a concentração segue um padrão sazonal, ao longo do ano, com os picos acontecendo no mês de maio e os vales acontecendo nos meses de setembro, a média anual de 2014 foi de 398,61 ppm.




Em 2015, a marca das 400 ppm foi ultrapassada em 8 dos 12 meses. Na média anual, 2015 foi o primeiro ano a ultrapassar a barreira simbólica e marcou a cifra de 400,83 ppm. Mas foi o ano de 2016 que tornou permanente a marca de 400 ppm em todos os meses e em todas as semanas. A média anual de 2016 foi de 404,21 ppm.




A National Oceanic & Atmospheric Administration – NOAA – (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) apresenta o gráfico acima com o crescimento médio anual (e por décadas) da concentração de CO2. Nota-se, que apesar das variações anuais, existe uma clara tendência de aumento da concentração dos gases de efeito estufa.



O aumento médio anual estava abaixo de 1 ppm na década de 1960, chegou a 2 ppm na década passada e está em 2,41 ppm ao ano no período 2010-2016. Neste ritmo, a concentração de CO2 na atmosfera pode chegar a 700 ppm no final do século XXI, quando o nível considerado minimamente seguro seria 350 ppm. Já estamos vivendo uma situação inédita em relação aos últimos milhões de anos do Planeta.




Artigo de Nicola Jones (26/01/2017), no site e360 Yale, apresenta o gráfico abaixo que mostra que a concentração de CO2 ficou abaixo de 400 ppm nos últimos 20 milhões de anos. Somente antes de 200 milhões de anos, a concentração ficou consistentemente acima de 1000 ppm. No ritmo acelerado da atualidade esta marca pode ser atingida no século XXII. Seria o caos climático para os humanos e a biodiversidade da Terra.

concentração de CO2 na atmosfera, nos últimos 500 milhões de anos

O mundo corre sério perigo. O aumento da concentração de CO2 na atmosfera contribuiu para o fato do ano de 2016 ser o mais quente já registrado e aponta para novos recordes futuros de aquecimento. O efeito estufa trará custos enormes e as sociedades podem não estar preparadas para pagar o alto preço de limpar no futuro a sujeira feita no passado e no presente.




Artigo de David Spratt (26/01/2017) mostra que o degelo da Antártica atingiu um ponto de mutação e, a partir de 2016, se acelerou de forma preocupante. As principais conclusões do artigo são:




“O setor do Mar de Amundsen da Plataforma de Gelo da Antártica Ocidental, provavelmente foi desestabilizado e o recuo de gelo é imparável nas condições atuais;


Nenhuma aceleração adicional nas mudanças climáticas seria necessária para desencadear o colapso do restante da Plataforma de Gelo Antártico Ocidental em escalas de tempo de décadas;


Somente a Antártida tem o potencial de contribuir com mais de um metro de elevação do nível do mar até 2100;


Uma grande fração do gelo da bacia da Antártida Ocidental pode desaparecer dentro de dois séculos, causando um aumento do nível do mar de 3 a 5 metros;


Mecanismos semelhantes aos que estão causando a desglaciação da Antártica Ocidental também são encontrados, em menor grau, na Antártida Oriental;


• A desglaciação parcial da camada de gelo da Antártica Oriental é provável no atual nível de concentração de dióxido de carbono (CO2) atmosférico, contribuindo para 10 metros de aumento do nível do mar no longo prazo e 5 metros nos primeiros 200 anos”.

desglaciação parcial da camada de gelo da Antártica Oriental

Portanto, existe uma relação inexorável entre o aumento das emissões de gases de efeito estufa, provocadas pelo aumento das atividades antrópicas (crescimento demoeconômico do mundo), o aumento da concentração de CO2 na atmosfera, o aumento do aquecimento global, o aumento do degelo do Ártico, da Antártica, da Groenlândia e dos glaciares – tudo isto – provocando o aumento do nível dos oceanos e o naufrágio das áreas costeiras (urbanas e rurais) de todo o mundo.


No ritmo atual, as gerações futuras vão receber uma herança maldita, que pode provocar uma significativa mobilidade social e ambiental descendente. No longo prazo, o aumento da concentração de CO2 na atmosfera e o aquecimento global – filhos bastardos do progresso humano – são as maiores ameaças à vida na Terra e podem ser responsáveis pelo colapso da civilização.


Referências:
Nicola Jones. How the World Passed a Carbon Threshold and Why It Matters, e360 Yale, 26/01/2017
David Spratt. Antarctic Tipping Points for a Multi-Metre Sea Level Rise. Resilience, 26/01/2017

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br



in EcoDebate, 01/02/2017



"Maior aumento da concentração de CO2 da história humana, artigo de José Eustáquio Diniz Alves," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 1/02/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/02/01/maior-aumento-da-concentracao-de-co2-da-historia-humana-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

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