segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Ministério do Meio Ambiente: WWF-Brasil se posiciona sobre nova liderança

WWFMinistério do Meio Ambiente: WWF-Brasil se posiciona sobre nova liderança



09 Dezembro 2018   |  
Nota de posicionamento do WWF-Brasil sobre a indicação de Ricardo Salles para o Ministério do Meio Ambiente

Brasília, DF - O Ministério do Meio Ambiente é uma pasta estratégica para o Brasil avançar com urgência como um país que busca o desenvolvimento sustentável, onde justiça social e prosperidade econômica caminham lado a lado com o uso racional dos recursos naturais.


O WWF-Brasil reitera o papel imprescindível do Ministério do Meio Ambiente na redução do desmatamento no país.

Isso é fundamental para posicionar a agropecuária brasileira com tremendas vantagens competitivas no mercado internacional, tão importante para o setor. A destruição ilegal das nossas florestas na Amazônia e no Cerrado diminuem a competitividade dos produtos brasileiros diante de um mercado global que busca produtos livres de desmatamento. Além de também prejudicar o cumprimento dos compromissos que o Brasil assumiu no Acordo de Paris, de diminuição na emissão de gases de efeito estufa, e na Convenção sobre Diversidade Biológica.


“O Ministério do Meio Ambiente tem o papel de balancear as questões ambientais nas outras pastas do governo, zelando assim para que o Brasil tenha medidas necessárias para proteger de forma estratégica o nosso imenso patrimônio natural. É também essencial que o MMA tenha capacidade de dialogar com os diversos setores da sociedade, uma vez que o direito a um meio ambiente saudável se aplica a todos, desta e das futuras gerações.”

Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil

A maior parte do desmatamento na Amazônia continua sendo feita por atividades ilegais, que seguem impunes na justiça brasileira. Estamos destruindo o motivo de maior orgulho nacional. É fundamental que essas atividades sejam controladas com vigor, e aqueles que cometem crimes ambientais sejam punidos com rigor.

De acordo com o economista Pavan Sukhdev, presidente do Conselho do WWF Internacional, "o Brasil possui todas as condições necessárias para ser líder mundial em sustentabilidade e economia. As empresas já começaram a entender que a preservação dos recursos naturais é uma tendência global irreversível", afirmou em recente visita ao País.

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Garotos pescando no rio Iriri, na reserva extrativista Riozinho do Anfrísio, Altamira, Pará.
© © WWF-Brazil / Clóvis Miranda Enlarge
© WWF-Brasil / Luciano Candisani Enlarge
© WWF-Brasil Enlarge
© André Dib/WWF-Brasil Enlarge
Venda do óleo de copaíba é parte de uma estratégia mais ampla, de estimular o manejo florestal, o reflorestamento, o extrativismo e os sistemas agroflorestais no Sul do Amazonas
© WWF-Brasil/ Marcelo Cortez Enlarge

COP 25 do Clima: WWF-Brasil se posiciona sobre a desistência do Brasil de sediar evento

WWFCOP 25 do Clima: WWF-Brasil se posiciona sobre a desistência do Brasil de sediar evento



28 Novembro 2018   |   0 Comments
 
 
São Paulo - O WWF-Brasil lamenta a notícia de que o Brasil desistiu de sediar a 25ª Conferência de Partes na Convenção de Clima da ONU. O país tem tido destaque nas negociações internacionais de clima, exercendo um importante papel na diplomacia rumo a uma maior redução de gases de efeito estufa.

A participação do Brasil é vital para atingir as metas mundiais, uma vez que nosso país é atualmente o 7º maior emissor de Gases de Efeito Estufa e a Amazônia tem um papel fundamental na regulação do clima mundial.

Neste momento de transição de governo, a decisão diverge do posicionamento anterior anunciado antes das eleições, demonstrando forte influência da equipe de transição. O Embaixador brasileiro no próximo governo, Ernesto Araújo, demonstrou ceticismo às mudanças climáticas e fez duras críticas ao processo internacional de negociação.

De acordo com o diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, a decisão de não realizar a COP no Brasil passa ao mundo um sinal de que o novo governo não enxerga como prioritária a agenda de combate às mudanças climáticas, o maior desafio que o planeta enfrenta.

Em um período marcado por desastres ambientais ao redor do globo, como secas gerando prejuízos na agricultura no Nordeste ao mesmo tempo em que inundações assolam cidades no Sudeste do Brasil, e os históricos incêndios da Califórnia, esperamos que esta decisão não implique em um menor protagonismo do Brasil no Acordo de Paris ou um menor compromisso com as já assumidas metas de redução das emissões brasileiras.

Com uma economia fortemente apoiada no uso de recursos naturais, minimizar os efeitos, e as medidas de enfrentamento às mudanças climáticas, poderá gerar sérias implicações a uma trajetória de desenvolvimento sustentável. A segurança climática do país e do planeta, assim como a qualidade das vidas de todos nós dependem disso.

Grafiteiros em ação pela Amazônia

WWFGrafiteiros em ação pela Amazônia



27 Novembro 2018   |   0 Comments
Por Frederico Brandão

Ação que utiliza a arte como forma de pedir reflexão e engajamento para a conservação da Amazônia tem movimentado o Beco do Batman, na Vila Madalena, em São Paulo. O espaço é referência para o graffiti paulistano há mais de 30 anos. E foi lá que três artistas de rua brasileiros registraram sua paixão pela Amazônia.

Binho Ribeiro, Rafa Mon e Sebá Tapajós (conheça abaixo o perfil de cada um), sob produção de Luan Cardoso, pintaram o graffiti na última semana. A obra tem chamado a atenção das pessoas que passam e param para admirá-la e fazer ‘selfies’. A pintura ficará exposta até fevereiro de 2019.



 A ação acontece no mesmo momento em que o governo federal divulgou, na última sexta (23/11), o maior aumento do desmatamento da Amazônia nos últimos dez anos. Registrado pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES), o desmatamento do bioma cresceu 13,7%, entre agosto de 2017 e julho de 2018, se comparado ao mesmo período do ano anterior. No total, foram suprimidos 7.900 km2 de floresta amazônica, o que equivale a mais de cinco vezes a área da cidade de São Paulo.

A ideia do graffiti surgiu em um diálogo entre WWF-Brasil e um grupo de artistas e influenciadores digitais, a partir do conceito “A Amazônia que inspira precisa respirar”, durante as celebrações do Dia da Amazônia (5/9) deste ano.

A pintura lembra a Amazônia em suas cores e formas, com destaque para a ilustração de um grande coração-árvore ao centro, que pulsa e bombeia vida para rios, florestas, espécies e comunidades.

“Como trazer a floresta e os rios para as grandes cidades, dentro e fora da própria Amazônia?  Todos nós, de alguma maneira, estamos conectados à Amazônia, nos inspiramos nela e dependemos dela.  Com a ação, queremos evidenciar a conexão entre as cidades e os ambientes naturais. Proteger a maior floresta tropical contínua e a maior bacia de água doce do mundo é proteger a vida; é também proteger a todos nós”, explica Gabriela Yamaguchi,  diretora de Engajamento do WWF-Brasil.

Para a artista Rafa Mon, participar da ação é trazer a floresta para a cidade, para o dia-a-dia, e entender que ela está presente em todos os momentos da vida das pessoas. “A Amazônia é esse lugar magnífico, fonte de vida, e que está desaparecendo aos poucos, a olhos nus e sem o menor pudor. Por que esse santuário sagrado nos parece algo mítico, intocável e eterno? O ambiente urbano nos cega e nos faz acreditar que a floresta jamais vai nos faltar, mas as estatísticas são alarmantes, e se não pararmos para olhar e cuidar dela, rapidamente ela vai desaparecer e as consequências serão drásticas”, avalia.

Sebá Tapajós inspira-se na Amazônia diariamente e reflete isso no graffiti.  “A ideia é mostrar que esse coração que pulsa cor e inspiração também clama por liberdade. E se conecta à biodiversidade de maneira generosa e farta, mas pedindo consciência, respeito e amor à Amazônia. A interação do homem deve ser integrada e amorosa, sem invadir ou deixar rastros que comprometam a vida e o futuro dessa potência tão significativa que é nossa”, comenta.

De acordo com Binho, é fundamental associar a arte com a defesa de causas importantes para a vida. “Como brasileiro, artista e morador do planeta Terra, me sinto honrado em fazer parte desse chamado para proteger a Amazônia. Todos precisamos de uma Amazônia com saúde. Precisamos preservar, ficar sempre de olho, chamando a atenção para o cuidado especial que esse lugar merece para o bem de todos”, afirma.

A pintura é acompanhada das hashtags #SomosAmazônia, #VivaAmazôniaViva e #WWFBrasil para que as pessoas possam se informar e entender de que forma podem contribuir com a conservação da Amazônia. Para mais informações, acesse: www.somosamazonia.wwf.org.br

Amazônia Viva

Estendendo-se por oito países e um território ultramarino na América do Sul (Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e a Guiana Francesa), o bioma Amazônia, em toda a sua imensidão e complexidade, é essencialmente uma única unidade ecológica, e provê um conjunto de bens e serviços ambientais às populações locais, aos países da região e ao mundo.

São mais de 40 mil espécies de plantas. Aproximadamente 2.500 espécies de peixes já foram descritas. No entanto, estima-se que a região possa ter mais de 6.000 espécies de peixes. Mas há muito a ser estudado e descoberto pela ciência.

Em 2017, relatório do WWF-Brasil e Instituto Mamirauá com atualização de novas espécies descobertas na Amazônia concluiu que a taxa de descobertas de novas espécies na Amazônia só tem crescido ao longo dos últimos anos. No entanto, a Amazônia ainda possui lacunas de conhecimento, muito por conta de sua extensão territorial e ausência de recursos para viabilizar pesquisas científicas. O relatório mostra ainda que muitas das descobertas foram feitas dentro de áreas protegidas e seu entorno – reforçando a importância das unidades de conservação, dos mosaicos de áreas protegidas e da necessidade de se fazer pesquisas dentro desses espaços.

Apesar de o Brasil ter avançado nas últimas décadas no monitoramento e no controle ao desmatamento, a supressão da floresta continua sendo a maior ameaça. Entre os anos de 2013 a 2017, o índice de desmatamento da região foi 38% maior que nos anos anteriores. Cerca de 71 milhões de hectares já foram perdidos – uma área equivalente às áreas dos estados de São, Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul somados.

“Valorizar a conservação da Amazônia é essencial para o bem-estar e a saúde das populações locais e de todo mundo, por meio de um caminho de desenvolvimento econômico, cultural e socioambiental mais responsável e justo, considerando a necessidade de manter o sistema ecológico equilibrado”, avalia Ricardo Mello, coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil.

Sobre os grafiteiros

Binho Ribeiro (@binho3m)
Faz graffiti desde 1984, primórdios do movimento da arte de rua no Brasil. Hoje é um dos mais reconhecidos street artists no país não apenas pelo trabalho consistente que nunca parou de fazer nas ruas, mas também pelo apurado trabalho em telas e curadoria de grandes projetos envolvendo a street art, como o Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo (MAAU), o primeiro museu aberto de arte urbana do mundo, e a Bienal Internacional Graffiti Fine Art, hoje a mais completa bienal de arte urbana do mundo. Mais informações: http://www.binhoribeiro.com.br/

Rafa Mon (@rafamon)
Natural de Monte Sião (MG), Rafa Mon desenvolve seu trabalho mais autoral desde 2014. Ao imprimir um estilo único e politizado, desenvolveu estampas para diversas empresas e projetos. Dentre os destaques estão um mural de 350m2 no Riocentro; a criação da estampa para a Campanha Outubro Rosa, em São Paulo. Recentemente produziu seu maior painel na carreira que tomou toda a fachada lateral de um prédio na orla de Botafogo, com 36 metros de altura. Uma sereia negra ganhou vida e cores para trazer da Baía de Guanabara uma súplica na forma de uma pomba branca da paz. Moradora do Rio de Janeiro, suas obras podem ser vistas em vários pontos da capital carioca.

Sebá Tapajós (@sebatapajos)
Filho do consagrado violonista Sebastião Tapajós, o artista é o idealizador do Street River, a primeira Galeria Fluvial do Mundo com reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O artista criou o projeto em 2015, quando pintou cinco casas de ribeirinhos moradores da Ilha do Combu. Por meio do projeto, Sebá carrega o legado de dar voz aos povos ribeirinhos e utiliza a arte como meio de transformação da realidade de comunidades tradicionais.  Segundo ele, o Street River Amazônia é um tratado de responsabilidade social com os povos ribeirinhos. Mais informações: http://institutostreetriver.eco.br/
© Luan Cardoso Enlarge
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Moradores da floresta apresentam duas espécies de tamanduás da Amazônia

WWFMoradores da floresta apresentam duas espécies de tamanduás da Amazônia



23 Novembro 2018   |   0 Comments
Por Frederico Brandão
           
Será que você conhece duas das espécies de tamanduá da Amazônia? É com essa pergunta que começa o mais novo vídeo dos Moradores da Floresta, lançado hoje, 23 de novembro. O quarto episódio da série destaca o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), ambas espécies constam na lista global de animais ameaçados da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), e constam como ameaçadas ou extintas em lista locais no Brasil

Confira abaixo:

https://youtu.be/OjRAq-587-0 

De caráter educativo, os vídeos da série trazem informações sobre algumas das espécies mais marcantes e raras das florestas da Amazônia, a partir de imagens capturadas por armadilhas fotográficas, instaladas na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes (AC).

A divulgação do vídeo dos tamanduás coincide com a comemoração do Dia Mundial dos Tamanduás - #TamanduaDay (https://www.tamanduaday.org/), uma iniciativa do Instituto Jurumi e do Projeto Tamanduá Brasil, com apoio da IUCN/SSC Anteater, Sloth and Armadillo Specialist Group. A iniciativa já acontece há 5 anos e foi criada para sensibilizar a população sobre a importância e os desafios de se conservar a espécie.



Enquanto o tamanduá-bandeira come cupins e formigas, chegando a consumir até 30 mil por dia, o tamanduá-mirim, por ser um bom escalador, também se alimenta de colmeias e mel de abelhas. Além disso, para se alimentar, o tamanduá-bandeira utiliza sua longa língua, que pode chegar a 60 cm. Outra curiosidade é que para capturar seu alimento, os tamanduás usam o olfato para captar o odor das presas, mesmo que abaixo da superfície.

“Ambas espécies de tamanduá sofrem pressão devido a ocupação de extensas áreas do Brasil para agricultura em larga escala, e ao desmatamento que reduzem seus habitats naturais. Além disso, as queimadas, a caça predatória, e o atropelamento desses animais, também são fatores que colocam as espécies em risco”, explica Felipe Spina Avino, biólogo e analista de conservação do WWF-Brasil.

Segundo ele, esses fatores de pressão, associados a um longo período de gestação que normalmente resulta em único filhote, podem ter contribuído para declínio das populações de tamanduás ao longo dos últimos anos, em especial do tamanduá-bandeira. “Essa espécie originalmente, ocorria em todos os estados brasileiros, mas atualmente está em risco de extinção em todas as regiões do país. De maneira geral, na Amazônia ainda existem boa quantidade desses animais, mas em outras regiões do País, como na Mata Atlântica, a espécie é considerada praticamente extinta, e no Pampa possivelmente extinta. Não podemos descuidar e temos que buscar promover ações que ajudem para a preservação dos tamanduás no Brasil”, esclarece.

Moradores da Floresta

Ao todo, serão 10 vídeos, um a cada mês, que retratam os resultados de uma iniciativa que instalou 20 armadilhas fotográficas no interior da Resex. O trabalho inédito, feito em parceria com os comunitários da reserva extrativista, têm monitorado a fauna presente nas áreas de manejo florestal da unidade de conservação (UC).

O primeiro vídeo, divulgado em abril deste ano, mostrou o primeiro registro em florestas amazônicas da pacarana (Dinomys branickii), espécie rara e pouco conhecida da ciência. Em setembro, a anta, o maior mamífero da América do Sul, foi a espécie de destaque.

O trabalho é uma parceria entre WWF-Brasil, Cooperativa dos Produtores Florestais Comunitários (Cooperfloresta) e  Associação de Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes em Xapuri (Amoprex), com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do conselho gestor da Resex Chico Mendes.

Armadilhas

As armadilhas fotográficas são câmeras normais equipadas com melhorias tecnológicas e apropriadas para o ambiente selvagem. Elas ficam escondidas e amarradas em árvores, funcionando com sensores de luz. Toda vez que um animal passa pela frente do equipamento, a câmera dispara automaticamente e tira uma foto ou inicia uma gravação audiovisual.

Essas câmeras utilizam infravermelho gravando bem à noite sem necessitar de luz adicional, e não espantam ou agridem os animais. Por isso, elas vêm sendo cada vez mais adotadas por conservacionistas ao redor do globo.

Desde que foram instaladas na Resex Chico Mendes, em dezembro de 2017, as câmeras fizeram mais de 2 mil registros. A instalação aconteceu em oficinas que reuniram cerca de 20 extrativistas e quatro deles foram treinados para serem os “operadores locais” dos equipamentos.

Mais de 30 espécies diferentes de animais foram flagradas pelas câmeras, entre elas estão tatus (Dasypus sp.), veados (Mazama sp.), macacos-guariba (Alouatta seniculus), macacos-prego (Cebus apela), jaguatiricas (Leopardus pardalis), entre vários outros.

Sobre a Resex Chico Mendes

A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes foi criada em 1990 e possui mais de 970 mil hectares. Ela abrange sete municípios do Acre e cerca de 10 mil pessoas moram na reserva. A Resex é uma das 117 unidades de conservação apoiadas pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA).

CDB/COP 14: Espécies ameaçadas são tema de discussão

https://d1diae5goewto1.cloudfront.net/_skins/pandaorg3/img/logo.pngCDB/COP 14: Espécies ameaçadas são tema de discussão



26 Novembro 2018   |   
Por Mariana G. Menezes

O Brasil é reconhecido pela sua rica biodiversidade, o que potencializa a responsabilidade e o compromisso com a proteção de espécies e ecossistemas. No entanto, de acordo com a Lista Vermelha Nacional, o país já tem 1.173 espécies da fauna ameaçadas de extinção. Compreender o estado de conservação de cada espécie é fundamental para sua preservação.

O Mapa de Sítios da Aliança Brasileira para Extinção Zero traz os locais prioritários para conservação de espécies ameaçadas no Brasil, e foi apresentado ontem (25) na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB/COP 14).

A avaliação de 725 espécies de vertebrados e invertebrados com a classificação Em Perigo (EN) e Criticamente em Perigo (CR), segundo a Lista Vermelha Oficial de Fauna Brasileira, identificou 146 sítios prioritários para a conservação de espécies ameaçadas.

Dos sítios localizados no Mapa de Sítios da Aliança Brasileira para Extinção Zero, 25 se encontram em territórios de abrangência do Projeto Pró-Espécies, que prevê a elaboração de Planos de Ação Nacional (PANs). O mapa também apresenta uma listagem de espécies Criticamente em Perigo (CR) por grupo taxonômico, seu respectivo status de conservação e localização, como por exemplo, o peixe piatã (Hasemania piatan), a Cobra-de-duas-cabeças (Amphisbaena arda), o Muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), o Mico-leão-da-cara-preta (Leontophitecus caissara) e o Mutum-do-Sudeste (Crax blumenbachii), entre outras.

O Mapa de Sítios da Aliança Brasileira para Extinção Zero é resultado de uma avaliação realizada pela Estratégia Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas - Pró-Espécies, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com Fundação Biodiversitas, Aliança Brasileira para Extinção Zero (BAZE) e as organizações Birdlife International e American Bird Conservancy, com financiamento do Global Environment Facility (GEF).

A avaliação das espécies e áreas prioritárias é importante para planejar estratégias de conservação e alocação de recursos de investimento, assim como para definir diretrizes e criar políticas públicas para o combate à extinção de espécies no Brasil.


Crise Global

O planeta enfrenta uma crise global de extinção de espécies, cuja causa está fortemente ligada à supressão de vegetação natural, à superexploração dos recursos naturais e às mudanças climáticas, com até 200 espécies sendo perdidas por dia.

Existem diversos fatores para que uma espécie seja considerada criticamente ameaçada de extinção, entre eles estão a perda de habitat, redução de população e a ausência de um plano de conservação, por exemplo. O atual cenário de mudanças climáticas é outro agravante pois acelera o processo de extinção.

No Brasil, o projeto Pró-Espécies tem como objetivo adotar ações de prevenção, conservação, manejo e gestão para minimizar as ameaças e o risco de extinção de espécies integrando união, estados e municípios na implementação de políticas públicas em pelo menos 12 áreas-chave de 13 estados (MA, BA, PA, AM, TO, GO, SC, PR, RS, MG, SP, RJ e ES), que totalizam 9 milhões de hectares.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e órgãos estaduais de Meio Ambiente dos estados supracitados são parceiros do projeto.


Sobre a Aliança Brasileira para Extinção Zero (BAZE)

A Aliança Brasileira para Extinção Zero (BAZE) foi criada em 2006 e tem como objetivo a proteção dos últimos refúgios para espécies ameaçadas de extinção. A Aliança é inspirada na iniciativa global Alliance for Zero Extinction (AZE). A Portaria MMA nº 287, de 12 de julho de 2018, reconhece os Sítios da Aliança Brasileira para Extinção Zero, que também são reconhecidos pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

Sobre o Projeto Pró-Espécies

A Estratégia Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (Pró-Espécies – Todos contra a extinção) é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA), financiada pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF, da sigla em inglês para Global Environment Facility Trust Fund). É coordenada pelo Departamento de Conservação e Manejo de Espécies (DESP/MMA), e implementada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) sendo o WWF-Brasil a agência executora dos recursos. 

Índice de Vulnerabilidade aos Desastres Naturais relacionados às Secas no Contexto das Mudanças do Clima.




 
 © KSSphotographer / Shutterstock

IVDNS

Secas e estiagens representam a categoria de desastres naturais com maior registro de ocorrências no país, representando cerca de 70% dos municípios atingidos por algum desastre em 2013. Isso representou 12 milhões de pessoas afetadas pela seca nesse ano.

Foi com base nesses e em outros números, que o WWF-Brasil, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Integração lançam o estudo IVDNS – Índice de Vulnerabilidade aos Desastres Naturais relacionados às Secas no Contexto das Mudanças do Clima.

O material surgiu como uma resposta à lacuna de estudos sobre a vulnerabilidade do país a secas e estiagens no contexto da mudança do clima, visando contribuir para o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA), cuja discussão começou em 2013 e culminou no lançamento do PNA em 2016.

A presente publicação apresenta uma análise da vulnerabilidade do Brasil a secas a partir de uma visão integrada do desastre, tendo como ponto de partida um índice composto por variáveis e subíndices que fazem sua representação em três dimensões: i) climática; ii) socioeconômica; e iii) físico-ambiental. Todos estes índices estão em formato aberto e disponíveis para download, no menu ao lado.

Como resultado, foi feita a análise de vulnerabilidade a secas e estiagens para municípios em todo o território brasileiro, com projeções para três períodos: 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2099.

Além de uma análise mais detalhada para o período até 2040, o estudo traz uma metodologia inédita que permite a quantificação da vulnerabilidade - uma importante ferramenta que pode ser utilizada para contribuir com a gestão de risco a secas em escala local no contexto da mudança do clima. Com isso, será possível até mesmo contribuir para a elaboração ou revisão de iniciativas e políticas públicas relacionadas ao tema.

Maior aumento de desmatamento da Amazônia em dez anos

Maior aumento de desmatamento da Amazônia em dez anos



23 Novembro 2018   |   1 Comment

Nossa maior riqueza natural está sendo destruída

Dados divulgados pelo governo brasileiro registram aumento de 13,7% no desmatamento da Amazônia Legal. Área destruída equivalente a cinco vezes a cidade de São Paulo

Por WWF-Brasil

Brasília, 23 de novembro – Os ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) divulgaram hoje (23) a taxa preliminar do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES). Entre agosto de 2017 e julho de 2018, o sistema registrou aumento no desmatamento da Amazônia de 13,7% em relação aos 12 meses anteriores. Foram suprimidos 7.900 km2 de floresta amazônica, o que equivale a mais de cinco vezes a área da cidade de São Paulo.

Essa é a maior taxa divulgada desde 2009, ano em que se registrou 7.464 km². Os estados que mais desmataram foram Pará (35,9%), Mato Grosso (22,1%), Rondônia (16,7%) e Amazonas (13,2%).

“O aumento do desmatamento da Amazônia diminui a competitividade dos produtos brasileiros diante de um mercado global que busca produtos livres de desmatamento. Além disso, a destruição da Amazônia também prejudica o cumprimento dos compromissos que o Brasil assumiu no Acordo de Paris, de diminuição na emissão de gases de efeito estufa, e na Convenção sobre Diversidade Biológica”, afirma Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil.

É essencial que haja a continuidade do monitoramento e da divulgação das informações fornecidas no PRODES. Só com elas a sociedade e o governo brasileiro podem cumprir o seu papel de acompanhamento e análise dos dados para exercer seu papel de monitorar e estimular avanços nas políticas públicas de combate ao desmatamento e de redução nas emissões de gases de efeito estufa no Brasil.

O monitoramento e transparência na divulgação dos dados é uma conquista da Ciência e da sociedade brasileiras. O Brasil se transformou em referência global pela criação do sistema de monitoramento do desmatamento na Amazônia e, sobretudo, por reduzir suas taxas.

Apesar da intensificação dos esforços de fiscalização e apreensão dos produtos de atividades ilegais na Amazônia promovidas pelo governo brasileiro, a maior parte do desmatamento na Amazônia continua sendo feito por atividades ilegais, que segue impune na justiça brasileira.

Nesse sentido, o combate ao desmatamento ilegal deve ser a prioridade. Estamos destruindo o motivo de maior orgulho nacional. O combate à impunidade, que defenda o patrimônio do país, deve ser prioridade da Justiça do Brasil.

A Amazônia nos presta serviços ambientais inestimáveis: a biodiversidade, a umidade imprescindível para a formação das chuvas que caem também no centro-sul do país, a contribuição para a regulação do clima, a minimização dos impactos de eventos climáticos mais drásticos, entre outros. Para manter esses e outros serviços ambientais à sociedade, é fundamental combater o desmatamento e a degradação florestal com rigor.

Sobre o PRODES
A mensuração foi realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no âmbito do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), cujos dados encontram-se disponíveis em http://terrabrasilis.info/composer/PRODES.

O mapeamento utilizou imagens do satélite para registrar e quantificar as áreas desmatadas maiores do que 6,25 hectares. Foi considerado como desmatamento a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso, independentemente da futura utilização dessas áreas.
 
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© Divulgação MMA


Comentários

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Diante desses números, publicados recentemente pelo governo federal, surgem dúvidas, por parte daqueles que se dizem preocupados com o meio ambiente (se é que existe alguém realmente preocupado), em especial com as florestas, que comportam a base para nossa sobrevivência.


Se digo que não tem nada de efetivo nas leis criadas por fazendeiros, pecuaristas disfarçados de políticos, é com base, dentre outros fatores observáveis, nesta matéria, que mostra números cada vez mais preocupantes em relação ao tema abordado, provas de que esse “novo” Código Florestal, como a maioria das leis criadas, são feitas somente para preenchimento de papel, pois acima de qualquer preocupação com o meio ambiente, e volto a repetir que este é a base para a nossa sobrevivência neste planeta, está o CAPITALISMO, a economia, o lucro, o “pseudo desenvolvimento”,
como se fosse possível estes existirem sem aquele.
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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Governo mente: Entidades ambientalistas são CONTRA a aprovação da LUOS



Entidades apresentam 10 razões para não aprovar a LUOS de Rollemberg





Entidades da Sociedade Civil do Distrito Federal se manifestam, mais uma vez, contrárias a aprovação do projeto de lei sobre a Lei de Uso e Ocupação do Solo – LUOS, elaborada no Governo de Rollemberg e que o Governador eleito divulga ter pressa em aprovar.


Em documento elaborado pelas 21 Entidades que acompanham essa matéria desde o início, são enumeradas 10 razões para que essa proposição NÃO SEJA APROVADA, por inúmeros vícios de origem por ilegalidades e por comprometimento aos sistemas de infraestrutura implantados e disponíveis no DF. Nenhum estudo técnico acompanha tal proposição demonstrando, também, a preservação da ”ambiência e visibilidade “ de Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade, conforme determina legislação federal de proteção ao patrimônio.


10 RAZÕES PARA NÃO APROVAR A LUOS DO ROLLEMBERG

Vinte e uma Entidades da sociedade civil do DF entregaram, após reunião com o governador Rodrigo Rollemberg e a pedido dele, em outubro de 2017, considerações e sugestões específicas sobre a proposta da Lei de Uso e Ocupação do Solo – LUOS. Lamentavelmente, no dia seguinte à reunião com essas Entidades representativas da sociedade civil, o governador Rollemberg encaminhou a proposição para aprovação do Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do DF – CONPLAN – em total desrespeito a toda população que recebeu e requereu solicitações.
Vale registrar aqui algumas das razões pelas quais a proposta da LUOS encaminhada para aprovação na Câmara Legislativa do DF NÃO DEVE SER APROVADA:

  1. Ao contrário do que alega o GDF, NÃO houve a efetiva participação da população na elaboração desse instrumento, conforme procedimento acima relatado demonstra e as inúmeras de proposições apresentadas por representantes da população à SEGETH, ignoradas no curso da elaboração da proposta;
  2. NÃO houve a divulgação de documentos técnicos e informativos sobre a situação urbanística dos imóveis por quadra ou conjunto, comparativamente às normas atuais e às propostas na LUOS, o que NÃO PERMITE AO CIDADÃO CONHECER O QUE A PROPOSTA TRARÁ COMO IMPACTO PARA SUA QUADRA, SEU CONJUNTO, local de sua moradia;
  3. Não existe nenhum estudo sobre a capacidade dos sistemas de infraestrutura de água, esgotos, energia, drenagem pluvial, lixo etc para atendimento a nova demanda decorrente dessa proposição. No site da SEGETH, à época em que se disponibilizou o material produzido para conhecimento da população, constaram APENAS AS CONSULTAS ÀS CONCESSIONÁRIAS E NENHUMA RESPOSTA;
  4. A LUOS inclui áreas no entorno da Área Tombada de Brasília, classificadas por lei (Decreto-Lei 25/37) e especificamente delimitadas pela Portaria no. 68/2012-IPHAN, como ÁREAS DE TUTELA. A ocupação e uso dessas Áreas de Tutela, segundo a legislação de proteção do Patrimônio exige regulação especial pois devem preservar a “visibilidade e ambiência” do Bem Tombado. Entretanto, apesar de representantes da sociedade civil solicitarem tais estudos, NADA FOI ELABORADO NEM SEQUER MENCIONADO SOBRE ESSA PARTICULARIDADE E OBRIGATORIEDADE LEGAL. O Conselho Internacional de Monumento e Sítios – ICOMOS, entidade não governamental de assessoramento técnico à UNESCO para matéria de Patrimônio, através da Coordenação do Distrito Federal questionou o IPHAN sobre a ausência desses estudos, diante das normativas legais impostas para preservação de Patrimônios inscritos na lista da UNESCO como Culturais da Humanidade, como é Brasília;
  5. Dentre as Sugestões apresentadas pelas 21 Entidades da sociedade civil ao Governador foram questionados matérias de conteúdo contidas nos Artigos no. 8º, 9º, 12, 41, 45, 47, 91, 92, 93, 108, 109 e 110, cujas alterações são de competência exclusiva do Poder Executivo Local;
  6. A esse PLC que trata da LUOS , por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Executivo Local e, cumulativamente, tratar de matéria de uso do solo, com procedimento definido pela Constituição Federal , na mesma hierarquia de como Plano Diretor, cuja elaboração exige participação da população , não se aplica o PLC 13/2004, que dispõe sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis do Distrito Federal;
  7.  Qualquer alteração de conteúdo nessa proposição tem de ser submetida a oitiva da sociedade civil, sob pena de ser questionada sua constitucionalidade;
  8. As alterações de mérito, os estudos técnicos inexistentes referidos nos itens 2, 3, 4 e 6 acima só poderão, portanto, ser supridos pelo próprio Poder Executivo Local, APÓS NOVA AUDIÊNCIA PÚBLICA;
  9. A Câmara Legislativa do DF não tem a competência de elaborar, alterar, revisar instrumentos da política urbana, matérias de uso do solo, mas aprovar as proposições que recebe do Poder Executivo, elaboradas com a participação popular, sob pena de nulidade ao processo participativo conquistado pela sociedade civil;
  10. A proposta da LUOS ignora o Estatuto da Cidade ( Lei Federal no. 10257/2001, Artigos 36 e 37, incisos I, II, III e IV, especialmente), que assegura uma ordem urbana , tranquilidade de seus moradores sem impedir o desenvolvimento m, mediante a aplicação de estudos de impacto de vizinhança, nas hipóteses especificadas. As cidades podem e devem crescer e proporcionar novas alternativas de produção sem, no entanto provocar conflitos entre os cidadãos, sempre em compatibilidade com a capacidade de infraestrutura implantada no local. A função social da propriedade só é alcançada se a função social da cidade e a qualidade de vida de seus moradores também é garantida. O interesse público sempre deve prevalecer, na gestão democrática das cidades.

Assinam o documento elaborado em 6 de novembro de 2018: 

Conselho Comunitário da Asa Sul – CCAS
Conselho Comunitário da Asa Norte – CCAN
Conselho Comunitário do Lago Sul
Associação dos Moradores do Lago Sul – Prefeitura Comunitária
Prefeitura Comunitária da Península Norte
Fórum das ONG Ambientalistas do DF e Entorno
Frente Comunitária do Sítio Histórico de Brasília e Distrito Federal
Prefeitura do Centro de Brasília / Centro de Estudos para o Desenvolvimento das Cidades
Associação Parque Ecológico das Sucupiras – Setor Sudoeste
Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal – IHG/DF
Associação Park Way Residencial
Movimento Cidadão do Park Way
Associação dos Moradores e Amigos da Região do Parque Ecológico do Córrego do Mato Seco – AMAC – Park Way
Associação dos Produtores do Núcleo Rural de Taguatinga – APRONTAG
Associação dos Moradores do Noroeste – AMONOR
Movimento O Verde é Nosso
Movimento Nós que Amamos Brasília
Movimento Taguatinga Urbano
Movimento Transparência HACKER


domingo, 2 de dezembro de 2018

Operações do Ibama embargam 8 mil hectares em MT e desativam 4 serrarias no PA

Operações do Ibama embargam 8 mil hectares em MT e desativam 4 serrarias no PA


Operações do Ibama embargam 8 mil hectares em MT e desativam 4 serrarias no PA
Foto: Ibama
(28/11/2018) – O Ibama, com apoio da Polícia Militar do Mato Grosso, embargou 8 mil hectares de cerrado, o equivalente a 8 mil campos de futebol, e impediu a destruição de outros 1.120 hectares na região de Santa Teresinha (MT), na Bacia do Araguaia. Iniciada em novembro, a Operação Siriema III resultou até o momento na aplicação de R$ 37,4 milhões em multas.

A maior parte da área desmatada está localizada em imóvel rural parcialmente invadido por grileiros, que tinham a intenção de lotear o terreno.

Agentes ambientais também identificaram propriedades em que os responsáveis legais omitiam a existência de vegetação nativa em áreas de varjão com o propósito de obter de forma simplificada a autorização para limpeza de pasto.

A ação impediu a destruição de espécies nativas do cerrado brasileiro, como pequizeiros, em áreas de varjão que seriam convertidas em pastagens. Pelo menos 500 hectares de vegetação foram destruídos com uso de correntão.

Em Santa Cruz do Xingu (MT), onde ocorreu outra etapa da operação nesta terça-feira (27/11), a equipe de fiscalização apreendeu uma retroescavadeira, 4 motosserras e 4 armas de fogo que pertenciam a grileiros. Cerca de mil hectares desmatados ilegalmente foram embargados. Três infratores foram detidos.

As informações obtidas durante a investigação serão encaminhadas ao Ministério Público Estadual (MPE) para apuração no âmbito criminal.

Quatro serrarias são desativadas em Novo Progresso (PA)

Quatro serrarias são desativadas em Novo Progresso (PA)
Em Novo Progresso (PA), durante operação conjunta com a Força Nacional, foram desativadas 4 serrarias e apreendidos 478 metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente da Floresta Nacional do Jamanxim. Os agentes ambientais também recolheram 3 carretas usadas no transporte da madeira e 3 tratores. Os autos de infração totalizam R$1,1 milhão.

Em meio à carga apreendida foram identificadas espécies nativas como ipê, angelim e maçaranduba. As serrarias receberam o produto florestal ilegal acobertado por declarações falsas no sistema do Documento de Origem Florestal (DOF).

A madeira e os veículos apreendidos ficaram sob guarda da prefeitura de Novo Progresso.
Do Ibama, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/11/2018

"Operações do Ibama embargam 8 mil hectares em MT e desativam 4 serrarias no PA," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/11/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/11/29/operacoes-do-ibama-embargam-8-mil-hectares-em-mt-e-desativam-4-serrarias-no-pa/.

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Ilhas verdes ajudam a recuperar florestas carbonizadas



Ilhas verdes ajudam a recuperar florestas carbonizadas

 

 

  Esses refúgios de incêndio, que são locais de proteção para as espécies, enfrentam a ameaça do aquecimento global



Carl Zimmer, The New York Times
24 Novembro 2018 | 06h00

As florestas arderam num ritmo espetacular este ano. Da Califórnia ao Colorado, em Portugal e na Grécia, infernos lançaram suas chamas até o céu e se espalharam pelo horizonte. Os incêndios produziram cenários de destruição cinzenta, mas não acabaram com tudo. Espalhadas, via-se ilhas de árvores, moitas e grama.

Esses restantes, que os ecologistas chamam de refúgios de incêndio, podem ser vitais para o bem estar das florestas no longo prazo. Funcionam como proteção para as espécies e, posteriormente, podem servir como pontos de partida para a regeneração do ecossistema.

refúgio incêndio florestal
Incêndios florestais acabam com a vegetação, mas, em meio à destruição, encontramos áreas chamadas de refúgios, onde plantas e árvores sobrevivem Foto: Noah Berger/Associated Press
“Essas áreas são botes salva-vidas", disse Meg Krawchuk, da Universidade Estadual do Oregon. A Dra. Krawchuk e seus colegas dizem que é urgente compreender melhor os refúgios, pois estes podem ser colocados em risco pela mudança climática. Sem eles, muitas espécies podem se tornar ameaçadas e os ecossistemas ao redor podem levar mais tempo para se recuperar.

Com o passar dos anos, os ecologistas usaram diferentes nomes para os refúgios: sombras de fogo, ilhas não incendiadas, pausas, brechas. Enquanto o incêndio arde, animais buscam santuário nesses refúgios. Quando a floresta começa sua lenta regeneração, eles podem voltar aos refúgios em busca de alimento ou um local para seus ninhos.

As sementes de árvores que sobrevivem num refúgio flutuam pela paisagem carbonizada, produzindo novas gerações de plantas. Com quase 50 anos de dados de satélite, os cientistas começam a montar um quadro da história recente desse santuários. Após um incêndio, os refúgios se destacam como joias verdes espalhadas por uma paisagem cor de carvão. Até 25% de uma floresta pode sobreviver.

Às vezes, a sobrevivência de um refúgio é produto da sorte. “Pode ocorrer uma mudança no vento, uma noite mais fria, e isso faz com que o fogo poupe uma parte da floresta", disse Arjan Meddens, da Universidade de Idaho. Mas alguns refúgios são diferentes. “Há lugares na paisagem que parecem evitar o fogo repetidas vezes", disse a Dra. Krawchuk.

No Hemisfério Norte, a face norte das montanhas favorece os refúgios. Ali, as plantas recebem menos luz do sol. Costumam reter mais água em seus troncos e raízes. Mesmo um abrigo temporário pode ser importante para a biodiversidade.

Os gramados podem ser consumidos pelo fogo todos os anos, e as partes que sobrevivem a um incêndio costumam arder no seguinte. Para as borboletas, esses breves refúgios do fogo podem ser cruciais para a sobrevivência. Se os gramados queimassem até o fim todos os anos, as borboletas seriam extintas.

Os refúgios estão sujeitos a muitas pressões, como espécies invasivas e pragas. A mudança climática pode ser uma ameaça muito maior. Ondas de calor e secas podem transformar a vegetação em combustível. Os refúgios podem se tornar mais raros conforme o fogo se intensifica.
Os ecologistas ainda não sabem o suficiente a respeito dos refúgios para desenvolver uma estratégia para preservá-los. “Para isso, é necessário identificar onde eles estão e por que os consideramos importantes", disse a Dra. Krawchuk.

Se os pesquisadores chegarem a um acordo a esse respeito, disse ela, poderemos criar um atlas dos refúgios de incêndio. “Seria como uma bíblia de referência", disse a Dra. Krawchuk.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Por que cobrir o meio ambiente é uma das pautas mais perigosas do jornalismo Dal Marcondes 25/11/2018

por Eric Freedman, do Nieman Joournalism Lab – 
 
“Tanto nos países ricos quanto nos países em desenvolvimento, os jornalistas que cobrem essas questões se encontram na mira. A maioria sobrevive, mas muitos sofrem traumas graves, com efeitos profundos em suas carreiras ”.

Do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi por agentes sauditasaos confrontos do presidente Trump com o corpo de imprensa da Casa Branca , os ataques aos repórteres estão nos noticiários. Mas esse problema se estende muito além da batida política – e os líderes mundiais não são as únicas ameaças.

No Centro Knight para o Jornalismo Ambiental da Universidade Estadual de Michigan , treinamos estudantes e jornalistas profissionais para relatar o que consideramos a batida mais importante do mundo. Um fato difícil é que aqueles que o cobrem correm maior risco de homicídio, prisão, agressão, ameaças, auto-exílio, ações judiciais e assédio.

Em um estudo recente , explorei esse problema por meio de entrevistas em profundidade com jornalistas em cinco continentes, incluindo impactos em sua saúde mental e carreira. Descobri que alguns deles foram afastados do jornalismo por essas experiências, enquanto outros se tornaram ainda mais comprometidos com suas missões.

Na mira

Cobrir o meio ambiente é uma das pautas mais perigosas do jornalismo. De acordo com uma estimativa, 40 repórteres em todo o mundo morreram entre 2005 e setembro de 2016 por causa de seus relatórios ambientais – mais do que foram mortos cobrindo a guerra dos EUA no Afeganistão .
As controvérsias ambientais geralmente envolvem negócios influentes e interesses econômicos, batalhas políticas, atividades criminosas, insurgentes contra o governo ou corrupção.

Outros fatores incluem distinções ambíguas entre “jornalista” e “ativista” em muitos países, bem como lutas pelos direitos indígenas à terra e aos recursos naturais. Tanto nos países ricos como nos países em desenvolvimento, os jornalistas que cobrem essas questões encontram-se na mira. A maioria sobrevive, mas muitos sofrem traumas graves, com efeitos profundos em suas carreiras.

Como um exemplo, em 2013, Rodney Sieh , um jornalista independente na Libéria, divulgou o envolvimento de um ex-ministro da Agricultura em um esquema corrupto que utilizou mal os fundos destinados a combater a parasitária e infecciosa doença do verme da Guiné. Sieh foi condenado a 5.000 anos de prisão e multado em US $ 1,6 milhão por difamação. Ele serviu três meses na prisão mais notória da Libéria antes que um clamor internacional pressionasse o governo a libertá-lo.

No mesmo ano, o repórter canadense Miles Howe foi designado para cobrir os protestos da Primeira Nação Elsipotog em New Brunswick contra o fraturamento hidráulico do gás natural. Howe trabalhou para uma organização de notícias on-line independente que procurava destacar histórias não relatadas e subnotificadas.

“Muitas vezes, eu fui a única jornalista credenciada que presenciou prisões violentas, mulheres grávidas no terceiro trimestre sendo trancadas, caras presos ao chão”, lembra ele. Howe foi preso várias vezes , e durante um protesto, um membro da Real Polícia Montada do Canadá o apontou e gritou: “Ele está com eles!” Seu equipamento foi apreendido e a polícia revistou sua casa. Eles também se ofereceram para pagá-lo por fornecer informações sobre os próximos “eventos” – em outras palavras, espionando os manifestantes.

Impactos psicológicos

Os relativamente poucos estudos que examinaram ataques a repórteres mostram que esse tratamento pode ter impactos persistentes, incluindo transtorno de estresse pós-traumático e transtornos depressivos e de uso de substâncias . Enquanto alguns jornalistas são capazes de lidar e se recuperar, outros vivem em um estado de medo de futuros incidentes, ou sofrem de culpa por sobreviventes se eles escapam e deixam parentes e colegas para trás.

“No geral, os jornalistas são uma tribo bastante resistente”, disse-me Bruce Shapiro , diretor executivo do Centro Dart para Jornalismo e Trauma da Universidade de Columbia. “Suas taxas de PTSD e depressão são de cerca de 13 a 15%, o que é comparável às taxas entre os primeiros socorristas. Os repórteres de justiça ambiental ou social geralmente têm um senso de missão e propósito acima da média e um nível mais alto de habilidade ”, além de alguns de seus pares em outras situações.

Mas essa atitude pode se traduzir em relutância em procurar ajuda. A maioria dos jornalistas que entrevistei não procurou terapia, geralmente porque não havia serviços disponíveis ou por causa do fator machismo da profissão. Gowri Ananthan, professor do Instituto de Saúde Mental no Sri Lanka, considera o jornalismo “ uma profissão em negação ”, mesmo quando algumas vítimas reconhecem o preço que pagaram.


Por exemplo, Howe sofreu sérios problemas psicológicos após suas prisões. “O que isso fez comigo? Isso me deixou chateada, com raiva ”, diz ele. Howe não procurou terapia até que ele deixou o jornalismo mais de dois anos depois, mas em retrospectiva, ele lamenta não agir mais cedo.



Outros me disseram que suas experiências os reafirmaram para suas missões como jornalistas. Sieh diz que seu período na prisão “realmente elevou nosso trabalho a um nível internacional que nunca teríamos se eu não fosse preso. Isso nos fez mais fortes, maiores e melhores.

Direitos indígenas versus ética profissional

Controvérsias ambientais geralmente envolvem direitos indígenas. Na América do Sul, por exemplo, jornalistas indígenas e “etnocomunicadores” estão desempenhando um papel cada vez mais importante na descoberta da vasta exploração de recursos naturais, florestas e terras .

Apesar dos códigos profissionais exigirem uma cobertura equilibrada e imparcial, alguns repórteres podem se sentir compelidos a tomar partido nessas histórias. “Nós vimos isso claramente no Standing Rock”, diz Tristan Ahtone , membro do conselho da Associação de Jornalistas Nativos Americanos (e ex-Nieman Fellow), referindo-se aos protestos na Reserva Indígena Standing Rock, em Dakota do Norte, contra o Dakota Access Pipeline .

“O NAJA teve que lançar diretrizes éticas para os jornalistas . Nós vimos isso principalmente com jovens repórteres nativos que ficaram felizes em estourar a linha ética ”, diz Ahtone. “Muito disso é ter uma visão de mundo diferente”.

Melhor treinamento e proteção legal

Muitas dessas questões precisam de mais pesquisas. Do ponto de vista do artesanato, como essas experiências afetam a abordagem dos jornalistas à reportagem? Como eles lidam com as fontes depois, especialmente se essas pessoas também estão em risco? Como os editores e diretores de notícias tratam os repórteres posteriormente em termos de atribuições, colocação de matérias e salários? Essas descobertas também levantam questões sobre como os grupos de direitos da imprensa podem proteger e defender com êxito os repórteres ambientais. Na minha opinião, mais jornalistas ambientais precisam do tipo de treinamento de segurança que muitos correspondentes de guerra e estrangeiros recebem atualmente.

Poluição e danos aos recursos naturais afetam a todos, especialmente os membros mais pobres e vulneráveis ​​da sociedade. O fato de os jornalistas que relatam essas questões serem tão vulneráveis ​​é profundamente perturbador. E seus abusadores geralmente operam com impunidade. Por exemplo, não houve condenações no homicídio de 2017 do jornalista de rádio colombiano Efigenia Vásquez Astudillo , que foi atingido enquanto cobria um movimento indígena para recuperar terras ancestrais que haviam sido convertidas em fazendas, resorts e plantações de açúcar. Como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas observa , “o assassinato é a forma final de censura”.

Eric Freedman é professor de jornalismo e presidente do Centro Knight para o Jornalismo Ambiental na Michigan State University. Esta peça foi originalmente publicada no The Conversation .



Água e lixo – Problemas e soluções inseparáveis

Palestra na Câmara Municipal de São Paulo aborda soluções inovadoras para a gestão da água e do lixo em São Paulo
 
O gerenciamento dos recursos hídricos e dos resíduos nas cidades são questões que caminham juntas e também temas prementes nos grandes centros urbanos. Na cidade de São Paulo, 18 mil toneladas de lixo são coletadas todos os meses, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Isso equivale à metade dos resíduos gerados em todo o estado de São Paulo e cerca de 10% de todo o volume produzido no país.

Os números não são menos significativos quando o assunto é água. Atualmente, a Sabesp distribui 60,9 mil litros por segundo (l/s) para abastecer 21 milhões de pessoas na Grande São Paulo, de acordo com informações do Instituto Akatu. E tratar desse volume todo para entregar água com qualidade não é um desafio pequeno.

Diante da enormidade da questão, pessoas e empresas têm pensado em soluções inovadoras e colaborativas para lidar com o assunto. O mandato da vereadora Soninha Francine vai promover um bate-papo para falar sobre duas delas: as ilhas flutuantes e o projeto Rua Lixo Zero.

Na palestra aberta ‘Água e lixo – Problemas e soluções inseparáveis’ os presentes poderão conversar com o engenheiro ambiental Benjamin Herr Boudler, da ÁguaV – Construindo Sustentabilidade, que já ajudou implantar em cursos d’água de São Paulo quatro ilhas flutuantes, que filtram a água utilizando essencialmente plantas, e com a também engenheira ambiental e consultora de projetos Maiara Batista, que coordenou na Vila Madalena o projeto Rua Lixo Zero, iniciativa que engajou empresas e moradores de uma rua para reduzir a geração de resíduos e ampliar os índices de reciclagem.

O evento é aberto e gratuito e não é preciso fazer inscrição!

Serviço: 
Palestra aberta – Água e lixo – Problemas e soluções inseparáveis
Quando: 30 de novembro, das 10h às 12h
Onde: Câmara Municipal de São Paulo
Endereço: Viaduto Jacareí, 100, 1º subsolo, Sala Sérgio Vieira de Melo
Acesse aqui o evento no Facebook.

Mudança climática/perda de biodiversidade: Ameaças inseparáveis que precisam ser debatidas juntas

Mudança climática/perda de biodiversidade: Ameaças inseparáveis que precisam ser debatidas juntas

Perda de Biodiversidade – Modelos preveem aumento de 10 a 30 vezes nas terras agrícolas dedicadas à bioenergia

PLATAFORMA INTERGOVERNAMENTAL DE POLÍTICA CIENTÍFICA SOBRE BIODIVERSIDADE E SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS (IPBES, em inglês)

cultivo de cana

A demanda por bioenergia para reduzir as emissões de CO2 procedentes de combustíveis fósseis pode causar um aumento de 10 a 30 vezes no uso relacionado à energia de áreas verdes nos próximos anos, acrescentando uma pressão esmagadora no habitat para plantas e animais e comprometendo a essencial diversidade de espécies na Terra.


Palestrando a ministros de Estado e a outros representantes de alto nível em uma importante reunião da ONU sobre biodiversidade no Egito, Anne Larigauderie, Secretária Executiva da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, disse que cientistas do clima preveem que muito mais terras serão necessárias para o milho e outras culturas energéticas, a fim de mitigar a mudança climática nas próximas décadas.

Citando o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que limitou o aquecimento climático a 1.5 ºC, a Dra. Larigauderie observou que a maioria dos cenários do IPCC prevê um grande aumento nas áreas para culturas energéticas até 2050 – até 724 milhões de hectares ao todo, uma área quase do tamanho da Austrália.

A questão-chave aqui é: de onde viria esta enorme quantidade de novas terras?”, ela perguntou. “Existe atualmente tal enorme quantidade de terras marginais disponíveis ou haveria competição com a biodiversidade? Alguns cientistas argumentam que restam muito poucas terras marginais.”
Esta importante questão precisa ser esclarecida, mas a demanda por terra para energia quase seguramente crescerá, com consequências negativas para a biodiversidade.”

A Dra. Larigauderie fez estes comentários no início da 14ª reunião da Conferência das Partes da Convenção Sobre Diversidade Biológica da ONU (COP 14, https://www.cbd.int/conferences/2018), organizada com o governo do Egito em Sharm el-Sheikh, de 14 a 29 de novembro.

Atingir os alvos de intensa mitigação climática sem massiva bioenergia é possível, ela acrescentou, mas os cenários indicam que isso exige reduções substanciais no uso de energia e rápidos aumentos na produção de energia de baixo carbono através de fontes eólicas, solares e nucleares.

Preservar a diversidade de espécies vegetais e animais e os serviços que a natureza provê é em si a chave para mitigar o aquecimento planetário, ela disse.
Por exemplo:
  • Os ecossistemas terrestres, com suas diversas plantas e solos, atualmente sequestram cerca de um terço das emissões anuais de CO2.
  • Similarmente, o oceano sequestra cerca de um quarto das emissões anuais de carbono.
  • O reflorestamento mitiga melhor o clima do que a maioria das culturas energéticas. Em climas temperados, um hectare reflorestado é quatro vezes mais efetivo na mitigação climática do que um hectare de milho usado como biocombustível.
Todos os métodos que produzem ecossistemas mais saudáveis deveriam ser promovidos como uma forma de combater a mudança climática,” ela disse. “Isso inclui o florestamento e o reflorestamento, bem como a restauração – executada adequadamente usando espécies nativas, por exemplo.”
O último relatório do IPCC “deu um senso de extrema urgência para essas trocas de escolhas e sinergias entre o clima, a biodiversidade e a degradação da terra”, ela disse.

Esforços estão em andamento para melhorar a tão necessária colaboração interdisciplinar entre o IPCC e o IPBES, ela acrescentou, no contexto do segundo programa de trabalho do IPBES a ser aprovado em 2019.

Por detrás de todas essas discussões está a necessidade de se elevar o tópico da biodiversidade ao mesmo nível do clima na agenda política. Sinto que podemos estar mais próximos… Mas precisamos intensificar ainda mais nossos esforços como comunidade nos próximos dois anos.”

Em comentários separados a líderes empresariais nas reuniões da ONU, a Dra. Larigauderie disse que esperava-se que a COP 14 tomasse a decisão de requerer um relatório do IPBES sobre critérios, métricas e indicadores dos impactos que diferentes setores econômicos têm na biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos, o qual poderia ser realizado em 2019 caso aprovado pelo próximo Plenário do IPBES.

As empresas têm várias razões convincentes para proteger e usar a biodiversidade de forma sustentável, ela observou.

Entre elas:
  • Muitos negócios dependem direta ou indiretamente da biodiversidade e da saúde dos serviços ecossistêmicos
  • Eles são muitas vezes responsáveis pela perda de biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos e os consumidores irão cada vez mais favorecer as empresas com uma política de biodiversidade, assim como eles tomam decisões agora que refletem preocupações com o clima e com a poluição
  • A gestão adequada do impacto na biodiversidade não somente minimizaria riscos operacionais, regulamentares, de reputação e de mercado, mas também traria oportunidades de negócios para as empresas na forma de novos mercados, eficiências de produção, engajamento dos funcionários e vantagem competitiva.
Avaliações do IPBES recentemente publicadas sobre biodiversidade regional e relatórios de serviços ecossistêmicos contêm estudos de caso, opções de políticas e oportunidades para priorizar a biodiversidade em diferentes setores econômicos, ela observou.

Elas mostram em especial que a ação ambiental proativa por parte das empresas é fundamental e precisa aumentar, mas também que elas precisam ser apoiadas por medidas regulamentares complementares bem como por incentivos/desincentivos por parte dos governos.”

Espera-se que seja dada uma ênfase maior nisto em uma grande avaliação global de biodiversidade e serviços ecossistêmicos que está sendo preparada para ser publicada em Paris em maio do ano que vem, disse a Dra. Larigauderie. Será o primeiro relatório do tipo desde a Avaliação Ecossistêmica do Milênio de 2005.

Uma importante pormenorização dos elementos da Avaliação Global sobre a Biodiversidade do IPBES será publicada na segunda-feira, 19 de novembro.

Sobre a 14ª reunião da Conferência das Partes da Convenção Sobre Diversidade Biológica da ONU
Segmento de Alto Nível (14-15 de novembro, https://www.cbd.int/meetings/COP-14-HLS). Espera-se que nada menos que 80 ministros do Meio Ambiente, da Infraestrutura, de Energia, da Indústria e de outros setores juntem-se às discussões sobre priorizar a biodiversidade em suas respectivas áreas  de trabalho.

De 17 a 29 de novembro, negociações serão realizadas entre as 196 partes da CDB nos seguintes temas principais: Alcançar as globalmente adotadas Metas de Aichi (2010-2020); priorizar os problemas de biodiversidade; e o início de dois anos de negociação do quadro mundial para a biodiversidade pós-2020, agendado para acordo final na COP 15 da CDB na China em 2020.

* Tradução de Ivy do Carmo, Magma Translation (magmatranslation.com)
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/11/2018

"Mudança climática/perda de biodiversidade: Ameaças inseparáveis que precisam ser debatidas juntas," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/11/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/11/23/mudanca-climaticaperda-de-biodiversidade-ameacas-inseparaveis-que-precisam-ser-debatidas-juntas/.

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]