Por Lucas Ferrante e Philip Martin Fearnside
Em 06 de novembro de 2019, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro e seus ministros da Economia e Agricultura assinaram em conjunto um decreto
que extingue o zoneamento ambiental da cana-de-açúcar, que havia
restringido o avanço dessa cultura na Amazônia e no Pantanal. A mudança ameaça drasticamente esses biomas. Demonstrou-se que as plantações de cana-de-açúcar ameaçam a biodiversidade,
seus efeitos se estendendo além das áreas cultivadas até as florestas
adjacentes. Uma versão anterior em Inglês deste texto foi publicada pela
Mongabay.
Em 2018, o Senado brasileiro considerou revogar o decreto de 2009 que
estabeleceu o zoneamento para a cana-de-açúcar na Amazônia e no
Pantanal. Como apontamos em uma carta publicada na revista Science
na época da proposta do Senado de 2018, permitir que a cana se
expandisse para a Amazônia afetaria a biodiversidade e os serviços
ecossistêmicos, com impactos que se estendem a outras áreas do País.
Por temer boicotes internacionais, a proposta de 2018 foi contestada
pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), uma posição que agora
mudou. Felizmente, em 2018, senadores suficientes nos comitês-chave
estavam convencidos das consequências desastrosas da proposta e
decidiram não liberar esta cultura. Agora sob o presidente Bolsonaro, o
mesmo desastre está sendo desencadeado por um simples decreto
presidencial. Cana-de-açúcar teve o plantio liberado na Amazônia e Pantanal (Foto: Wenderson Araújo/CNA)
Ignorando todas as pesquisas sobre o assunto, o presidente da União
da Indústria da Cana-de-Açúcar, Evandro Gussi, publicou recentemente uma
nota no site da UNICA
alegando que o zoneamento ambiental não seria mais necessário para a
cana nos biomas Amazônia e Pantanal, sob a justificativa que o Renovabio
(a política de biocombustíveis aprovada em 2017) seria suficiente para
mitigar esses impactos. Isso carece de apoio científico.
A cana-de-açúcar na Amazônia e no Pantanal gerará
impactos sem precedentes, e não podemos considerar que os
biocombustíveis brasileiros sejam “limpos” e livres de associação ao
desmatamento e degradação ambiental na Amazônia. Em 2018, os países da
União Europeia importaram mais de 43 milhões de litros
de etanol brasileiro derivado da cana, de acordo com dados oficiais do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo
brasileiro. Como é o caso para todas as mercadorias, os países
importadores precisam avaliar o impacto ambiental que a produção dessas
mercadorias causa no clima global, por exemplo, através da destruição da
floresta amazônica.
A expansão da cana-de-açúcar na Amazônia não afetaria apenas a maior floresta tropical do mundo, mas também prejudicaria a capacidade agrícola do Brasil. O desmatamento da Amazônia aumentou em 85% em 2019 comparado com o ano anterior, resultado da retórica antiambiental do governo Bolsonaro e do desmantelamento das agências ambientais do país. Esse clima político torna os danos prováveis do decreto de 06 de novembro ainda maiores. Desmatamento no Mato Grosso (Foto: Alberto César Araújo)A fotografia acima mostra a colheita da cana-de-açúcar (Foto: Wenderson Araujo/CNA) Lucas Ferrante possui formação em Ciências
Biológicas pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL) em Minas
Gerais, Mestrado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (INPA) e atualmente é Doutorando em Biologia
(Ecologia) também no INPA. É pesquisador associado ao Instituto Nacional
de Ciência e Tecnologia dos Serviços Ambientais da Amazônia
(INCT-SERVAMB). Desenvolve pesquisas e popularização da ciência sobre a
influência das ações humanas sobre a estrutura, dinâmicas, clima e
biodiversidade de paisagens, em especifico florestas tropicais, bem como
povos tradicionais que vivem na floresta, tendo como intuito minimizar
os danos causados pela mudança da paisagem, expansão agropecuária e
mudanças climáticas sobre pessoas, fauna e serviços ecossistêmicos.
Neste contexto tem avaliado principalmente efeitos de diferentes
matrizes agrícolas, mudanças da paisagem e mudanças climáticas sobre
biodiversidade, biomas e serviços ecossistêmicos. Tem pesquisado agentes
do desmatamento, buscando políticas públicas para mitigar conflitos de
terra gerados pelo desmatamento, invasão de áreas protegidas e
comunidades tradicionais, principalmente sobre Terras indígenas e
Unidades de Conservação na Amazônia ( lucasferrante@hotmail.com). Philip Martin Fearnside é doutor pelo Departamento
de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e
pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
(Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia
Brasileira de Ciências e também coordena o INCT (Instituto Nacional de
Ciência e Tecnologia) dos Serviços Ambientais da Amazônia. Recebeu o
Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças
Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 500 publicações científicas e
mais de 200 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis aqui. Os colunistas da agência Amazônia Real têm liberdade para
escolher os temas de seus artigos, que não são necessariamente da mesma
opinião da agência de jornalismo independente.
É oficial o homem é
uma praga e coloca o planeta em risco
A vida selvagem no
planeta corre sérios riscos de total extermínio
devido à presença humana, com quase (8) bilhões
de seres humanos consumindo diariamente os
recursos naturais, a espécie é declarada
oficialmente como sendo uma (praga humana).
O avanço em áreas
selvagens é rápido de mais para os animais se
adaptarem as novas regras, seu alimento é a cada
dia mais escasso, poluição, desmatamento,
envenenamento e doenças são uma das principais
“qualidades humanas”. O aquecimento global
causado pela ação do homem esta chegando ao seu
limite, o planeta se tornará tão quente sem
florestas que a vida será exterminada. O Brasil
é um dos países que mais água potável possuía no
mundo, com o desmatamento e a substituição das
florestas pela cana-de-açúcar, soja, gado e
eucaliptos, perde-se (1) trilhão de litros de
água/minuto.
Alguns estados como o (MS)
(SP) (MG) entre todos menos ainda a Amazônia,
serão estados desérticos, em (2015) foi uma
pequena amostra da grande seca que acontecerá em
um futuro muito breve, só que desta vez para
sempre. As únicas soluções
drásticas e necessárias para salvar as espécies
inclusive a humana, será caçar e matar todos os
caçadores e desmatadores, assim como também os
receptadores, o controle populacional
principalmente na Índia, China e países
emergentes onde existem ainda florestas como no
Brasil e África, o controle da natalidade deve
ser drástico.
Sem controle,
teremos uma população de (11) bilhões de humanos
e, (8) bilhões de mendigos espalhando doenças,
se esta sociedade chegar a este estágio de
superpopulação, já não existirá mais rios,
animais ou florestas, os aquíferos serão seus
últimos recursos de agua potável, mas
infelizmente esta agua já se encontra
extremamente contaminada pelos agrotóxicos sendo
improprio seu uso para beber e até se banhar,
envenenada por agrotóxicos principalmente no
cultivo da exótica cana-de-açúcar, a espécie
humana não terá futuro sem o controle de
nascimento e sem preservação ambiental.
Não
solte fogos,
eles causam câncer e atacam o
sistema neurológico e psicológico
das crianças, matam, maltratam e
adoece animais e humanos.
Não frequente zoológico, não compre
animais adote (1).
Não estamos sozinhos,
é vital dividirmos espaço com outras criaturas ou
seremos também eliminados do planeta. Proteger
as árvores, os animais, rios e mares são dever
cívico de cada cidadão. Seremos
todos responsabilizados, pelo mal que estamos fazendo
a natureza.
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o Ache
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diversidade de informações úteis
ao seu dispor. Seja bem
vindo, gostamos de
suas críticas e sugestões, elas nos ajudam a
melhorar a cada ano.
Meu primeiro prêmio no jornalismo foi resultado da cobertura do escoamento da safra de soja para o porto de Rio Grande, na boleia de um Fenemê. Foi em 1972. De lá até hoje, a área plantada não chegou sequer a dobrar, mas a colheita quintuplicou, numa invejável produtividade, que compete com o meio-oeste americano. Um bilhão e meio de habitantes do planeta podem ser alimentados pelo trabalho e tecnologia de 5 milhões de produtores rurais brasileiro. Produzem quase uma quarta parte do PIB e respondem por metade das exportações. Somos campeões mundiais em açúcar, café, suco de laranja, soja, carnes. A produção da terra passa de 1 bilhão de toneladas. O agro, com toda sua cadeia econômica, gera 40% dos empregos no Brasil. Um sucesso absoluto.
Naqueles anos em que eu iniciava o jornalismo nas páginas de economia do Jornal do Brasil, a ênfase era para o sonho de o Brasil tornar-se um país industrializado. O mundo desenvolvido tinha por sinônimo a industrialização. A agricultura e pecuária pareciam atividades do passado. Hoje a indústria patina nos números, na renovação, na atualização. Vai bem a indústria voltada para o campo e lavoura – moderna, digitalizada.
Mas o setor industrial foi ultrapassado pela agropecuária na participação do PIB. Enquanto os produtores rurais pensam para o futuro e vivem o futuro, com todas as dificuldades de escoamento e embargos tributários e trabalhistas, a indústria parece presa a um ritmo discreto e lento.
O mundo urbano parece não se dar conta da riqueza do agro. Há quem pense que o alimento aparece na prateleira do supermercado vindo de alguma indústria. Já ouvi uma repórter falar em “fábrica de leite”. Esclareci a ela que fábrica de leite se chama vaca. Já fui visitado por um menino carioca que nunca havia visto uma galinha com penas e cacarejando no galinheiro; só o frango depenado e limpo no balcão frigorífico. E há os que combatem os que produzem no campo, sem saber que seu prato farto e acessível a cada refeição é produto do entusiasmo dos produtores rurais. O agro foi o que nos fez respirar, equilibrando nossas contas externas, quando os anos Dilma nos afogavam em recessão.
Pecuarista assume o comando de entidade centenária para construir ponte para discutir questões ambientais.
Mônica Scaramuzzo
Primeira mulher a assumir a presidência da centenária entidade Sociedade Rural Brasileira (SRB), Teresa Vendramini, a Teka, quer promover um amplo diálogo com os produtores agrícolas sobre as questões ambientais, tema considerado sensível para o agronegócio.
Pecuarista e socióloga, Teka teve o apoio de três diretores da SRB para presidir a entidade a partir deste ano até 2022. “Chego aqui carregando 100 anos de história nas costas”, diz. Teka também promoveu a renovação na entidade, que completa 101 anos em 2020, trazendo três jovens líderes com menos de 30 anos. A seguir, os principais trechos da entrevista.
• Qual o peso de ser a primeira mulher a assumir a Sociedade Rural Brasileira, um setor predominantemente masculino? Chego carregando 100 anos de história nas costas. A Rural tem um passado tão glorioso, com um celeiro de líderes nesses últimos anos, que é uma honra estar com eles aprendendo e também ajudando a construir novos caminhos. Tenho de honrar o que foi feito até agora e trazer os agricultores para novas discussões.
• Quais serão os grandes temas para debate no seu mandato? Um dos meus temas é trazer o produtor rural para discutir a questão ambiental. Nós passamos por um turbilhão no ano passado (por causa dos incêndios na Amazônia). Quero criar um comitê da Amazônia aqui na Rural para debater essas questões.
• Como será esse comitê? Tenho conversado com um produtor rural do Pará, associado à SRB, que conhece todos os problemas da Amazônia e que está disposto a fazer a ponte com agricultores locais da região. Isso é uma coisa nova dessa diretoria. Eu vou para Marabá, entre março e abril, para efetivar esse comitê e conhecer os outros produtores que estão lá. Minha preocupação é ter também um produtor que olhe para os dois lados.
• Quais lados?
Às vezes, acho que o agricultor fica só do lado da produção, mas hoje em dia a coisa está tão mais aberta. Temos de debater, é um tema sensível. Quem estiver comigo, teria de ter mais maleabilidade.
• Como está a interlocução da SRB com o governo?
A Rural pega todas as demandas e indagações dos agricultores e leva para governo, Congresso e Judiciário. Faz essa ponte. Então é óbvio que essa diretoria e essa nova presidente em construção vão continuar sendo essa ponte.
• A sociedade civil colocou o agricultor como um vilão nesta história. Como provar que o agricultor não é vilão?
Acho que qualquer historinha tem os bandidos e os vilões. Então, isso está em construção também. Quem sabe trazendo história real. Não dá para dizer que o agricultor é péssimo, que degrada. Não é isso. A maior parte preserva, cuida. Tenho feito viagens e vejo como eles se ressentem do que falam dele do outro lado do País. Eu quero trazer essas histórias para que se conheçam as práticas ambientais deles.
• Como vai ser essa conversa da SRB com os ministérios da Agricultura e Meio Ambiente. No ano passado, esses dois ministérios não estavam tão alinhados. Espero conseguir levar umas pautas adiante. Sou uma pessoa de ouvir muito, pondero. A maturidade me deu isso. Quero ser a ponte bem grande para construir esses diálogos.
• Construir essa ponte em Brasília ou no exterior, que tem essa • Pecuarista do interior de São Paulo e socióloga, Teresa Vendramini, a Teka, foi eleita este ano para mandato de três anos. Era associada à SRB e tornou-se diretora de pecuária da entidade em 2017 imagem do País que só desmata? O nosso maior desafio é reverter essa imagem fora. Não tenho dúvida. A gente (vai conseguir) se organizando com comitê da Amazônia, com pessoas sérias que querem contar suas verdadeiras histórias. Podemos debater e mostrar que o agronegócio está preocupado, sim, com questões ambientais.
• Qual foi a motivação para trazer para diretoria pessoas da nova geração?
Foi uma preocupação muito grande minha no ano passado, quando estava na diretoria. Comecei a pensar em quais são os ativos da Rural. Tem uma moçada aqui dentro jovem que é o grande ativo e só está esperando uma oportunidade para trabalhar. Estou tentando identificar outros. Preciso de gente para trabalhar comigo e ajudar a carregar este piano.
• Qual o desafio da SRB sobre a vigilância sanitária?
Quando ainda era diretora de pecuária, fui acompanhar o plano nacional de erradicação da vacinação da febre aftosa. Acompanhei muito esse assunto no Brasil. Aprendi muito com Pedro de Camargo Neto (vice-presidente da SRB) a importância da vigilância sanitária para o País. Faz dois anos que o Ministério da Agricultura fez uma avaliação dos Estados. São Paulo é o segundo pior Estado em vigilância sanitária do Brasil, e é o Estado mais rico. O que aconteceu? Fiquei preocupada, com medo de surtos. A SRB tem de debater com o governo.
• E a educação no campo não ajudaria?
Uma produtora da região de Bauru (SP) um dia me ligou para falar sobre o avanço da indústria da árvore no Estado, que arrendou fazendas grandes e médias, e deixou os pequenos fora do jogo. Fui lá dar palestra.
• Então, a SRB vai passar a olhar não somente as questões dos latifundiários para representar os pequenos produtores?
Olha só a oportunidade que estou tendo! Não representar só os grandes. Eu quero ser esse meio. O Brasil é esse chão.
ONU
Meio Ambiente espera que países adotem ação climática com base
científica e façam compromissos voluntários; agência alerta sobre perda
de espécies, em taxas mil vezes maior, do que em qualquer momento da
história.
O
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, ONU Meio Ambiente,
considera a Conferência da ONU sobre Oceanos de Lisboa um dos
eventos-chave marcados para 2020.
A agência vê os próximos 365 dias como “super ano” para o meio
ambiente, porque os maiores encontros internacionais “definirão o tom e a
agenda da ação ambiental na próxima década”.
Meta da Conferência da ONU sobre Oceanos de Lisboa é
apoiar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número
14, sobre a Vida na Água. Foto: Saeed Rashid
Ação
O evento, marcado para 2 junho, na capital de Portugal, reúne
representantes de governos, ONGs, sociedade civil, academia, comunidade
científica, setor privado e filantropia.
A Conferência sobre Oceanos, coorganizada por Portugal e Quênia, deve
adotar uma declaração intergovernamental sobre a ação climática com
base na ciência e vários compromissos voluntários dos países. A meta é
apoiar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número
14, sobre a Vida na Água.
Esta será a segunda reunião global após o evento de Nova Iorque em 2017.
Conservação
Ainda em 2020, durante 11 e 19 junho, a França abrigará o Congresso
Mundial da União Internacional para Conservação da Natureza em Marselha.
Já a Semana Mundial da Água destacará ciência e inovação, de 22 a 28 de agosto em Estocolmo, na Suécia.
A ênfase global na ação em prol da natureza também marcará o primeiro
dia dos Debates de Alto Nível da 75ª Sessão da Assembleia Geral das
Nações Unidas, juntando líderes globais numa cúpula sobre a
biodiversidade. Em 27 de setembro, a ONU celebra os cinco anos do
lançamento dos ODSs.
Unicef/Fati Abubakar
Semana Mundial da Água destacará ciência e inovação, de 22 a 28 de agosto em Estocolmo, na Suécia.
Alarme
E os eventos seguirão em outubro na cidade chinesa de Kunming, que
recebe entre 5 e 10 de outubro a Conferência da ONU sobre
Biodiversidade.
A comunidade internacional voltará a encontrar-se entre 9 e 20 de
novembro na cidade escocesa de Glasgow na Conferência da
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP26.
A ONU Meio Ambiente lembra que uma das marcas de 2019 foram os apelos
repetidos de cientistas sobre a degradação da biodiversidade e a
emergência climática.
Extinção
A agência da ONU destaca que grande parte dos governos reconhece que o
mundo enfrenta uma crise ambiental sem precedentes, com muitas espécies
à beira da extinção e o aumento das temperaturas globais.
Mesmo com soluções naturais em prol do bem-estar humano, para
enfrentar mudanças climáticas e proteger o planeta, a agência alerta
para a contínua perda de espécies a uma taxa mil vezes maior do que em
qualquer outro momento da história.
O ONU Meio Ambiente destaca a dependência humana pela estabilidade e
funcionamento de ecossistemas para sobreviver, além de ações urgentes
para que o mundo siga em direção de um futuro mais sustentável em 2020.
Índia abriga reunião sobre ‘super ano’ da natureza, que deve registrar novas espécies
BR
IISD/ENB/Sean Wu
A
13º reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Conservação de
Espécies Migratórias de Animais Silvestres, CMS COP13, acontece em
Gandhinagar.
Durante
a CMS COP13, 10 novas espécies devem ser adicionadas para proteção na
Convenção sobre Conservação de Espécies Migratórias de Animais
Silvestres, Cites; selos com espécies migratórias listadas nos apêndices
da CMS e da Cites serão lançados, nesta segunda-feira, em todo o mundo.
A
13º reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Conservação de
Espécies Migratórias de Animais Silvestres, CMS COP13, foi aberta nesta
segunda-feira, em Gandhinagar, na Índia.
O evento, que vai até 22 de fevereiro, inaugura o 'super ano' da
natureza, que incluirá uma Cúpula da ONU realizada em setembro e a
Conferência de Biodiversidade da ONU, marcada para o fim do ano. Nesta
última conferência, será adotada uma nova estratégia global de
biodiversidade para a próxima década, o Pós-2020 Quadro Global de
Biodiversidade.
Durante a CMS COP13, 10 novas espécies devem ser
adicionadas para proteção na Convenção. Entre eles, o elefante asiático.
Foto: Banco Mundial/ Curt Carnemark
Proteção
O conceito de 'conectividade ecológica' é a prioridade da CMS para o
quadro, que busca a proteção e restauração de áreas geográficas
importantes e apoia espécies migratórias durante as diferentes fases de
seus ciclos de vida, como criação e alimentação.
As deliberações na CMS COP13 se concentrarão na melhor forma de proteger as espécies migratórias num mundo em rápida mudança.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, destaca que
o Relatório de Avaliação Global da ONU sobre Biodiversidade, lançado em
maio de 2019, revelou que o mundo corre o risco de perder 1 milhão de
espécies para extinção se nada for feito.
2020
A vice-diretora executiva do Pnuma, Joyce Msuya, afirmou que “2020 é
um ano importante para intensificar as ações de conservação de espécies,
proteger ecossistemas e avançar para alcançar as metas de
desenvolvimento sustentável.” Ao falar sobre a CMS COP13, ela disse que
o evento acontece “em um momento crucial”.
Um novo relatório, que será divulgado no evento, indica que, apesar
de alguns exemplos bem-sucedidos, as populações da maioria das espécies
migratórias, cobertas pelo CMS, estão em declínio.
ONU/John Isaac
Populações da maioria das espécies migratórias, cobertas pelo CMS, estão em declínio.
Espécies
O Pnuma enfatiza que é necessária uma cooperação internacional para
proteger as espécies e seus habitats. Isso se reflete no tema da COP13:
As espécies migratórias conectam o planeta - juntos, recebemos elas em
casa.
Durante a CMS COP13, 10 novas espécies devem ser adicionadas para
proteção na Convenção. Entre eles, o elefante asiático, a onça-pintada e
a grande abetarda indiana, que é a mascote da COP13.
O evento também abordará questões e ameaças emergentes como a
necessidade de ferramentas de orientação e implementação para mitigar os
impactos de estradas e ferrovias em espécies migratórias e uma ação
direcionada sobre a carne selvagem aquática, incluindo espécies de
tubarões e raias.
Selo
Um conjunto especial de selos emitidos pela Administração Postal das
Nações Unidas, Unpa, em um projeto colaborativo com a Convenção sobre o
Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, Cites, será
apresentado aos delegados da CMS COP13.
Os selos, com espécies migratórias listadas nos apêndices do CMS e da
Cites, serão lançados nesta segunda-feira em todo o mundo e estarão
disponíveis na sede da ONU em Nova York, Genebra e Viena.
Parque dos Manguezais em Sanya, na China, um exemplo de parque alagável — Foto: Turenscape/Divulgação
Assim como grandes cidades brasileiras, várias partes do mundo
sofreram com enchentes e inundações que causaram tragédias nas últimas
décadas. Para enfrentar ou evitar catástrofes, urbanistas têm rejeitado
soluções tradicionais – baseadas em bocas de lobo e encanamentos – em
favor de novas formas de garantir a drenagem da água: criam, assim, as chamadas cidades-esponja.
O conceito parte da ideia central de que as metrópoles modernas lidam com a água de maneira errada.
Em vez de coletar a água das chuvas e jogá-la o mais rápido possível
nos rios – como ocorre habitualmente –, as cidades-esponja lançam mão de
uma série de recursos que asseguram espaço e tempo para que a água seja absorvida pelo solo (conheça cada um deles mais abaixo).
Essas medidas incluem a criação de:
parques alagáveis
telhados verdes
calçamentos permeáveis
praças-piscina
Inspiração ancestral na China
Em 2012, uma enchente causou a morte de quase 80 pessoas em Pequim,
muitas delas afogadas ou eletrocutadas. Casas desabaram e estradas,
metrô e até o aeroporto ficaram sob as águas.
No entanto, fotos de turistas tiradas na época mostraram a Cidade
Proibida, construída centenas de anos atrás, completamente seca – graças
a seu antigo sistema de drenagem.
A tragédia chamou a atenção das autoridades. A China, que viveu intenso processo de urbanização nos últimos anos, passou a ser um dos países que abraçou com mais força o conceito de cidade-esponja. Em Taizhou e Jinhua, por exemplo, muros de concreto que canalizavam rios foram demolidos e substituídos por parques. Parque alagável Yanweizhou, na cidade de Jinhua, na China — Foto: Turenscape/Divulgação
Propostas semelhantes também têm sido adotadas em outras cidades pelo mundo, como Berlim, Copenhague e Nova York.
O arquiteto chinês Kongjian Yu explica que a proposta da cidade-esponja é preservar ecossistemas naturais, mais capazes de se recuperar das adversidades.
“A sabedoria ancestral de conviver
com a água é a maior inspiração para o conceito de cidade-esponja”,
explica o arquiteto chinês Kongjian Yu, chefe do escritório que fez
alguns dos maiores projetos da área no país asiático.
“Esse conhecimento vem sendo
negligenciado há muito tempo. Nós construímos as cidades modernas usando
técnicas industriais, dependentes de infraestrutura feita de concreto,
canos e bombas.”
O arquiteto defende que construir cidades-esponja ajuda não só a enfrentar, no período das chuvas, a força da água, mas também a mantê-la fluindo pelas torneiras durante os meses mais secos do ano.
Veja, abaixo, algumas das soluções das cidades-esponja pelo mundo:
Parques alagáveis
O Rio Yongningantes da construção de um parque alagável na cidade chinesa de Taizhou… — Foto: Turenscape/Divulgação
…e o mesmo rio depois da criação do parque alagável, que absorve a água
das cheias e é aberto à população — Foto: Turenscape/Divulgação
A face mais visível do conceito de cidade-esponja são os parques desenhados especialmente para serem parcialmente alagados durante
alguns meses do ano. Diversos locais do tipo foram projetados e
inaugurados pelo escritório de Kongjian em cidades chinesas.
Em boa parte dos casos, esses espaços tem passarelas suspensas, com
livre acesso o ano todo. A parte térrea, alagável, fica intransitável no
período de cheias, mas pode ser usada pelos frequentadores durante a
seca.
Um parque alagável geralmente vai muito além da criação de um espaço extra para as águas. Ele também conta com uma vegetação pensada para absorver a água e fomentar a biodiversidade local.
Para o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil em São Paulo (IAB-SP), Fernando Tulio, esses parques são uma alternativa aos piscinões, uma das soluções comumente adotadas por autoridades brasileiras.
“Piscinões são grandes espaços
vazios que passam a ser um grande problema urbano, acumulam lixo, ratos,
exigem manutenção”, critica o arquiteto.
Os parques alagáveis são mais comuns nas margens dos rios e nas costas, como no caso de Nova York, onde foi criado o Hunters Point South Park.
Mas também são encontrados em terrenos sem cursos d’água, que
concentram água da chuva, como o parque Chulalongkorn, em Bangcoc, na
Tailândia, e o parque de Qunli, na própria China.
Parque alagável de Qunli, na China, criado para reter, filtrar e
devolver ao solo a água da chuva — Foto: Turenscape/Divulgação
Calçamentos permeáveis
Boa parte da água da chuva que cai
sobre uma cidade fica retida sobre asfalto ou concreto. De lá, ela é
drenada por meio de canos para ser levada a rios e muitas vezes se
mistura com esgoto não tratado no caminho — especialmente quando a chuva
é tanta, que supera a capacidade do sistema para absorvê-la.
A cidade chinesa de Lingshui, no extremo sul do país, é uma das que trocaram os tradicionais bueiros por estruturas conhecidas como bioswales. São pequenos canais de infiltração natural, com vegetação nativa, que correm paralelamente a ruas, avenidas e calçadas.
Outras opções exigem novas tecnologias. Copenhague, na Dinamarca, e
cidades chinesas têm aberto novos espaços públicos usando um tipo de
“concreto” permeável.
Praça Langelands, em Frederiksberg, na Dinamarca, recebeu tecnologia
que funciona como uma esponja para absorver a água da chuva — Foto:
Divulgação/ Rockwool
A cidade dinamarquesa de Frederiksberg, perto da capital do país,
sofreu com os estragos de uma chuva de 100 mm que caiu em duas horas em
julho de 2011. Desde então, o município focou em desenvolver a capacidade de “amortecer” grandes volumes de água para, em seguida, dispersá-los de maneira segura.
Uma das iniciativas foi colocada em prática na praça Langelands (veja a foto acima), ponto alto mais alto de Frederiksberg e o local a partir de onde a água da chuva corre para Copenhague.
Nessa praça de 3 mil metros quadrados, foi concluída em 2019 a instalação de um material fibroso (stone wool) que funciona como uma esponja e libera a água de maneira lenta. A cada litro de água despejado, o material pode absorver até 950 ml, de acordo com o fabricante. Concreto permeável usado na construção do Parque Yanweizhou, em Jinhua, na China — Foto: Turenscape/Divulgação
Apesar dessas iniciativas, a ideia de que a permeabilização por si só é a chave para evitar alagamentos não é unanimidade.
O arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) Milton Braga defende que a discussão deve privilegiar a preservação do verde nas grandes cidades, e não a permeabilização do solo.
Avegetação é que “segura” a água e dá tempo para que o solo consiga absorver todo o volume de chuva.
“Tanto a vegetação rasteira, como
gramados e arbustos, quanto as árvores contribuem [para evitar
alagamentos]”, diz o arquiteto. “Muitas vezes, o solo já é naturalmente
impermeável. O grave é a supressão dos elementos que ‘seguram’ a água.”
Telhados verdes
Telhado verde implantado sobre prédio da Escola de Finanças e
Administração de Frankfurt — Foto: Frank
Rumpenhorst/dpa/Picture-Alliance/AFP/Arquivo A ideia de fazer jardins em tetos ou telhados não é nova – vem da Antiguidade, passando pela Itália renascentista. Telhados verdes existem em diversas partes do mundo, e não é difícil encontrá-los no Brasil.
A novidade é incentivar a construção desses espaços de forma ampla,
para resolver problemas das cidades. Em número suficiente, a vegetação em cima dos prédios pode reter boa parte da chuva e diminuir o fluxo de água que vai parar nos bueiros e nos rios durante uma tempestade.
“Os benefícios desses jardins vão
muito além de ajudar a mitigar as enchentes”, diz o arquiteto e
professor FAU-USP Milton Braga. “Eles ajudam a regular a temperatura
dentro dos centros urbanos, a filtrar o ar, a filtrar a própria água.”
Braga pondera, no entanto, que criar um jardim sobre um prédio já existente significa colocar um pesomuito maior sobre a estrutura, e isso exige cuidados.
“Não é fácil fazer um jardim no
topo de um prédio já existente. É impossível fazer um jardim no telhado
de uma casa sem um reforço na estrutura.”
Já abrir um quintal em um espaço impermeabilizado no térreo é bem mais fácil, diz o arquiteto. A ideia, como política pública, ainda engatinha – mas algumas cidades já buscam meios de incentivar a implantação de telhados verdes em prédios privados. É o caso de Copenhague, que já em 2011 colocou a medida em seu Plano de Adaptação Climática.
Praças-piscina
Quadra da praça Benthemplein, em Roterdã, na Holanda, em um dia sem
chuva — Foto: Divulgação: Jeroen Musch, Ossip van Duivenbode,
pallesh+azarfane, Jurgen Bals and De Urbanisten (Florian Boer &
Eduardo Marin) Em Roterdã, na Holanda, a praça Benthemplein foi construída em 2013 adaptada para armazenar água nos dias de chuva.
O complexo, desenvolvido pelo escritório de arquitetura De Urbanisten, é composto por três bacias. Duas delas são subterrâneas e armazenam a água sempre que chove. A terceira é uma quadra de esportes abaixo do nível da rua que enche quando a chuva persiste (veja acima).
Na praça, a água da chuva é
transportada até as bacias por grandes calhas de aço inoxidável. Essas
calhas são projetadas para serem utilizadas por skatistas quando não
está chovendo.
Quadra na Praça Benthemplein, em Roterdã, na Holanda, estava com água
nesta quinta-feira (13) — Foto: Reprodução/fotopaulmartens.netcam.nl O armazenamento da água pode durar até 36 horas depois da chuva. Um sistema deixa a água fluir gradualmente, o que permite que ela volte para as reservas subterrâneas e nunca seja canalizada para o esgoto.
O equilíbrio das águas
subterrâneas é especialmente importante durante os períodos de seca para
manter as árvores e plantas da cidade em boas condições. A iniciativa
acaba por reduzir o efeito da ilha de calor urbano. Parte a água,
devidamente filtrada, é distribuída em bebedouros.
Uma câmera mostra ao vivo o movimento na praça de estudantes,
frequentadores de uma igreja e visitantes de um teatro que fica na
região.
Fonte: G1