quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Justiça determina que as margens do Paranoá sejam desobstruidas, recuperadas(Será que o GDF sabe o que é recuperar areas degradadas?).




Desobstrução das margens do Lago Paranoá - TV Justiça - 29.01.14.

A Lei 12.651 em seu artigo 04 determina que a orla seja liberada e recuperada, com cobertura vegetal que proteja o lago e todos os seus afluentes. Uma ação civil pública impetrada pelo Ministério Público (MPDFT) pedindo isso em 2005 já transitou em julgado e terá que ser cumprida. 

Toda a área degradada terá que ser recuperada. Começa a reversão de erros que datam da época da criação do lago, quando a vegetação que seria submersa foi mantida e a cota da futura margem foi desmatada - exatamente o contrário do que deveria ter sido feito.

Apesar das dificuldades de retomada de áreas invadidas por pessoas de grande poder econômico, isso já foi feito com sucesso no Lago Sul, nas QLs 10 e 12, para a construção da ciclovia e dos Parques da Península dos Ministros e da QL 10, integrados ao Pontão.

A revegetação servirá como corredor de fauna e o aumento das ciclovias permitirá que caminhantes, corredores e ciclistas possam praticar suas atividades longe dos carros e dos acidentes.

Com marinas públicas a população poderá pescar, nadar e praticar esportes náuticos sem estar obrigatoriamente filiada a nenhum clube, levando suas pranchas, caiaques, pequenos barcos diretamente ao Lago.

O retorno dos lotes às suas áreas definidas nas escrituras e a liberação das margens  também coibirá o lançamento de esgotos clandestinos, a retirada da água sem outorga e a fiscalização dos órgãos como a CAESB, IBRAM, ADASA, ICMBio e Polícia Militar Ambiental.




Hoje, excetuando-se dois ou três grupos insignificantes, e fora dos dias de festa e louca bebedeira, ninguém mais fala nisso

Dilma, a penitente - DEMÉTRIO MAGNOLI

O GLOBO - 30/01

Segundo André Singer, Dilma Rousseff peregrinou até o Fórum Eonômico Mundial de Davos penitenciando-se pela efêmera “aventura desenvolvimentista” do Brasil e depositando, “no altar das finanças”, as “oferendas de praxe” a fim de “obter a absolvição dos endinheirados” (“Folha de S.Paulo”, 25 de janeiro). Singer foi porta-voz de Lula no primeiro mandato e depois, por algum motivo, deslocou-se para a esquerda, identificou a natureza conservadora do lulismo e tornou-se um arauto das imprudências econômicas que empurraram a Argentina à beira do precipício. Seu artigo, um lamento do suposto giro à direita do governo, pouco esclarece sobre a conjuntura. Mas, inadvertidamente, lança luz sobre a oscilação pendular da política econômica lulista.

No passado, a esquerda petista pregava a ruptura com o capitalismo. Hoje, excetuando-se dois ou três grupos insignificantes, e fora dos dias de festa e louca bebedeira, ninguém mais fala nisso. A ordem, nessas alas, é pregar uma volátil combinação de políticas insustentáveis: mais inflação, depreciação cambial, fortes aumentos de gastos públicos, subsídios à indústria, protecionismo comercial. Cristina Kirchner seguiu a receita “desenvolvimentista” quase inteira, até emparedar a Argentina entre as muralhas do descontrole inflacionário, do desinvestimento e da fuga de capitais. Dilma, que não é Cristina, manobra a nau do Brasil antes da chegada da tempestade.

A primeira oscilação assinalou o encerramento da ortodoxia palocciana. O “desenvolvimentismo” (quantas aspas serão necessárias aqui?) petista emergiu após o escândalo do mensalão e ganhou impulso na hora da eclosão da crise financeira internacional. Lula não operou a brusca mudança de rota por uma motivação ideológica, algo que lhe é estranho, mas por um certeiro cálculo de poder: a fórmula de expansão do crédito subsidiado e dos gastos públicos (sem a parte da depreciação cambial) reativaria o crescimento e o consumo, assegurando o triunfo eleitoral de Dilma.
 
Contudo, caracteristicamente, a esquerda petista interpretou o novo rumo como uma vitória sua: a consagração de um dogma ideológico. Agora, no momento da segunda oscilação, seus intelectuais fabricam teses políticas convenientes, destinadas a ocultar o fracasso do dogma.

A teoria de fundo, velha de uma década, classifica os governos lulistas como “governos em disputa”, ou seja, como campos de confrontação entre a “elite” e os “trabalhadores”. A ideia, de vaga sonoridade marxista, tem mil e uma utilidades. Nos intercâmbios políticos cotidianos, serve para aureolar pretendentes petistas a cargos públicos também almejados por outros partidos do extenso arco governista. Nos episódios de repressão a protestos de “movimentos sociais”, funciona como álibi para expressar solidariedade aos “companheiros” sem romper com o governo ou renunciar a preciosos cargos na máquina estatal. Na hora da oscilação do pêndulo da política econômica, converte-se numa senha para a delinquência intelectual. 
 
Ficamos sabendo, então, que Dilma, a penitente, escalou a montanha de Davos por nutrir um temor reverencial aos “endinheirados” — não porque o “desenvolvimentismo” fracassou.

Lula é, antes de tudo, um pragmático: futuro, para ele, nunca representa mais que a próxima eleição. O presidente de facto intuiu o perigo na queda das taxas de crescimento do PIB, no repique inflacionário, na carantonha das agências de classificação de risco, nas manifestações de junho, na retomada americana, no destino da Argentina. 
 
Partiu dele a ordem de reorientar a política econômica e, não por acaso, também o nada discreto lançamento da “candidatura” de Henrique Meirelles ao Ministério da Fazenda. Dilma não é Cristina porque, aqui, existe Lula. A alma da presidente de direito inclina-se na direção do “desenvolvimentismo” — mas ela sabe quem manda. Ao preservar Guido Mantega, enquanto escala a montanha de Davos, Dilma abraça-se simbolicamente às suas convicções ideológicas, que já sacrificou materialmente.

Os malvados “endinheirados” não reclamaram antes, e não reclamarão agora. O “desenvolvimentismo” dessa esquerda petista pós-socialista provocou uma explosão do consumo que girou a roda dos negócios, do varejo à construção civil, e expandiu como nunca os subsídios públicos para o alto empresariado, como atesta o caso extremo de Eike Batista. A volta do cipó de aroeira, tão bem evidenciada pela restauração das taxas de juros de dois dígitos, transfere recursos de um bloco de “endinheirados” para outro e freia o trem desgovernado do consumo popular. Não é muito alvissareiro realizar a manobra na antevéspera das eleições, mas a alternativa seria pior: pense na Argentina.

Dilma disse em Davos que ama o mercado, o investimento privado e a estabilidade econômica. As “oferendas de praxe” equivalem, até certo ponto, a uma abjuração de crenças pessoais, mas não a uma ruptura com a natureza do lulismo. 
 
Nas atuais circunstâncias internacionais, a mudança de rumo oferece as melhores chances de triunfo num embate eleitoral pontilhado de incertezas. Os “desenvolvimentistas” deveriam louvar o aguçado instinto político de Lula: sem a prudente reorientação ortodoxa em curso, o receituário econômico desastroso que eles pregam experimentaria o teste completo da história.

Utópicos? “Sonháticos”? Nem sempre: os “desenvolvimentistas” sabem, ao menos um pouco, onde o calo aperta no ano das eleições. Na conclusão de seu artigo, Singer faz um alerta: “Em fevereiro, o mercado vai exigir um superávit primário robusto e um contingenciamento idem para garanti-lo.” O recado é claro como o sol do meio-dia. Ele está dizendo que Mantega precisa voltar atrás nos sugeridos compromissos de contenção fiscal porque, afinal, as urnas estão aí, na esquina. Não é “luta de classes”, mas apenas o natural desejo político de conservar o poder. Em nome do “povo”, bem entendido.

Quando o partido sentiu o cheiro de carne queimada, pulou fora. Os petistas não estão exatamente os animais políticos mais leais — a não ser lá entre eles.

29/01/2014
às 13:01

É, “amigation”, Cabral acha, e com razão, que o PT fez uma “safadation” com ele…

 

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), reagiu ao rompimento do PT com a sua administração levando para o governo dois partidos que, no Rio, vão se alinhar com a candidatura do tucano Aécio Neves: o Solidariedade e o PSD. 

O primeiro, presidido pelo deputado Paulinho da Força (SP), já anunciou que caminhará mesmo com o senador mineiro. O PSD, de Gilberto Kassab, vai apoiar a presidente Dilma, mas não no Rio (é o lado PMDB da legenda). O comandante do partido no estado é Índio da Costa, ex-DEM e ex-candidato a vice na chapa encabeçada pelo PSDB em 2010 — contra Dilma.. Ele já anunciou que apoiará Aécio.

É sinal de que Cabral pode romper com Dilma e se alinhar com a oposição? Ninguém aposta muito nisso, embora o governador não esteja nada feliz. E, obviamente, tem seus motivos. 

No tempo em que ele trafegava lá nas alturas, os petistas o tratavam a pão de ló. Não custa lembrar que ele era cotado até para ser um possível vice numa segunda candidatura de Dilma. Aí chegaram as jornadas de junho, e o governador do Rio foi quem mais sofreu com elas. Nenhum outro político, exceção feita a Fernando Haddad, sofreu desgaste tão grande — para não se recuperar depois.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) vinha correndo por fora. Ninguém apostava muito. O próprio Cabral apostou que, na hora h, Lula daria um de seus murros na mesa e decidiria: “Vamos nos alinhar com Pezão, do PMDB”. Não desta vez. 

Quando o partido sentiu o cheiro de carne queimada, pulou fora. Os petistas não estão exatamente os animais políticos mais leais — a não ser lá entre eles. E, ainda assim, desde que o vivente cumpra as vontades de quem decide.


Deixar o governo Cabral nessa fase tem o inequívoco sabor da covardia e do oportunismo. Mas estão juntos há tanto tempo, não é? Eles se conhecem. 
 
O PMDB tem uma máquina considerável no governo do estado e na prefeitura. Se todos os que pretendem sair candidatos realmente se viabilizarem, o resultado é bastante incerto. Hoje, quem lidera as pesquisas de opinião — ai, ai… — é Anthony Garotinho, do PR.
 
(...)

É, “amigation”, é Sérgio Cabral, não o Joel Santana. Convenham, né? Depois disso tudo, ele tem o direito de achar que fizeram uma “safadation” com ele…

Por Reinaldo Azevedo

Quem deu ao juiz a competência para descriminar a maconha?




29/01/2014
às 18:21

FIM DA PICADA! Juiz de Brasília absolve traficante que levava 52 porções de maconha no estômago pra traficar dentro da Papuda. Razão? O doutor considera a droga “recreativa”

 

 

Decisão de juiz se respeita, claro!, mas se discute — e, até onde a lei faculta, pode-se recorrer contra ela. 

O juiz Frederico Ernesto Cardoso Maciel, da 4ª vara de Entorpecentes de Brasília, vai virar um herói e um símbolo da causa da descriminação das drogas — particularmente da maconha. 

Será transformado numa espécie de nova face da Justiça: mais humana, mais compreensiva, mais pluralista. Tudo bem! 

Digamos que fosse assim. Ocorre que o senhor Cardoso Maciel tem de julgar segundo as leis que temos, não segundo aquelas que ele pessoalmente acharia justas.  

O seu arbítrio não é subjetivo: transita num determinado orbital. Por que isso? O doutor resolveu absolver um traficante de maconha. E não era coisa pouca, não! Sob quais argumentos? 

Leiam trechos da reportagem de Felipe Coutinho, na Folha. Volto em seguida.

Escreveu o doutor:

“Soa incoerente o fato de outras substâncias entorpecentes, como o álcool e o tabaco, serem não só permitidas e vendidas, gerando milhões de lucro para os empresários dos ramos, mas consumidas e adoradas pela população, o que demonstra também que a proibição de outras substâncias entorpecentes recreativas, como o THC, são fruto de uma cultura atrasada e de política equivocada e violam o princípio da igualdade, restringindo o direito de uma grande parte da população de utilizar outras substâncias”.


O juiz Cardoso Maciel tem todo o direito se julgar a cultura brasileira “atrasada” — e posso imaginar o seu sofrimento ao ser juiz em meio a esse atraso, né? Mas nada o impede de se filiar a um partido político e disputar um lugar lá naquele prédio das duas conchas, não é mesmo? Refiro-me ao Congresso Nacional. 

É lá que se fazem as leis, meu senhor, não aí na 4ª Vara de Entorpecentes de Brasília. Quem deu ao juiz a competência para descriminar a maconha?

Atenção, senhores leitores, o réu em questão foi pego DENTRO DO PRESÍDIO DA PAPUDA COM 52 PORÇÕES DE MACONHA DENTRO DO ESTÔMAGO. O destino era o tráfico entre os presidiários. Pediu pena mínima, e o juiz decidiu absolvê-lo. O advogado do traficante certamente não esperava tanto.

A justificativa, com a devida vênia, é patética. Escreveu ele ainda, segundo a reportagem:

“A portaria 344/98, indubitavelmente um ato administrativo que restringe direitos, carece de qualquer motivação por parte do Estado e não justifica os motivos pelos quais incluem a restrição de uso e comércio de várias substâncias, em especial algumas contidas na lista F, como o THC, o que, de plano, demonstra a ilegalidade do ato administrativo”.

Não está em questão, nem é de sua competência, o conteúdo da portaria. Ainda que ele não goste dela, não é sua função declarar a sua ilegalidade. Enquanto ele estiver investido da toga, cumpre-lhe considerar que ela integra o conjunto das normas do estado de direito — que inclui ainda a Lei Antidrogas, a 11.343.

De resto, observo que sentença de juiz não deveria servir para proselitismo e militância em favor de causas. Ademais, há uma questão de fundo: se a maconha fosse legal no Brasil, ele tem a certeza de que o traficante em questão não estaria com a barriga cheia de cocaína, por exemplo? 

Alguém dirá: “E você, Reinaldo, como pode levantar uma hipótese como essa?”. Posso, sim! O indivíduo sabia que estava cometendo uma ilegalidade — daí ter recorrido àquele ardil. E ele o fez não porque, a exemplo do doutor, considere injusta a ilegalidade da maconha, mas porque decidiu, de forma consciente, transgredir uma lei. Ele não era um militante da liberdade de escolha. Tratava-se apenas de alguém cometendo um ato que sabia ser criminoso.

Um crime que, não obstante, o juiz não reconheceu. Um despropósito absoluto.

PS – Comentem com prudência, como de hábito. Pode não ser o caso do juiz Cardoso Maciel, mas é o de outros com as mesmas teses. Eles costumam ser ultralibertários em matéria de consumo de drogas, mas acham que a liberdade de expressão é uma substância perigosa. Tendem a tomar a divergência como ofensa à honra.


Por Reinaldo Azevedo

Joaquim Barbosa é o quê? Escandinavo?

30/01/2014
às 6:06

Assim não, Joaquim Barbosa!

Joaquim Barbosa gravata amarela

Pois é, leitores… Eu não sou um barbosista, como vocês sabem. Quando Joaquim Barbosa acerta, eu aplaudo. Quando ele erra, eu critico. Na verdade, isso vale para ele e para qualquer pessoa. Nesta quarta, por exemplo, ele errou feio. Deu uma palestra no King’s College, da Universidade de Londres. E fez o que alguém na sua posição não deve fazer: falou mal da política e dos políticos no Brasil. E foi além.

Barbosa criticou com dureza a situação das prisões brasileiras, que definiu como um “horror”, informa a Folha, e disse que assim é por culpa dos políticos, já que o assunto não rende voto. Digamos que ele tenha razão no mérito: não cabe ao presidente de um Poder esse tipo de discurso? Tivesse apenas apontado o tal “horror”, vá lá; as considerações sobre a política é que são impróprias. Imaginem um ministro da Suprema Corte dos EUA em visita ao Brasil largando a língua no Congresso americano… Não dá pé.

Até porque cabe aqui um pergunta direta e reta. Barbosa é o presidente do Conselho Nacional de Justiça. O que ele fez, na sua esfera de competência, para diminuir essas dificuldades? 

A seu tempo, Gilmar Mendes, por exemplo, promoveu um grande mutirão para, entre outras coisas, libertar pessoas que estavam irregularmente presas pelos mais diversos motivos. Barbosa tem de descobrir que alguém na sua posição tem de estar mais comprometido com a ação do que com a denúncia.

Indagado sobre o tema, Barbosa também falou sobre o suposto racismo no Brasil: “Entre negros e mulatos, são a maioria dos brasileiros, mais de 50%, muito mais que as cotas. Os brasileiros não gostam de discutir esse assunto. A TV brasileira parece a TV da Dinamarca”.

Quais “brasileiros” não gostam de “discutir esse assunto”? O Brasil terá em breve lei de cotas raciais, em vigor em todas as universidades públicas, até para o ingresso no funcionalismo federal. O absurdo é tal que bolsas para doutorado já obedecem ao critério da cor da pele.

Em parte, ele tem razão: temos discutido pouco esse assunto… E um conselho final: não é a primeira vez que Barbosa trata “os brasileiros” como um conjunto ou corpo ao qual ele não pertencesse. Barbosa é o quê? Escandinavo

Eu não gosto disso que chamo “discurso de motorista de táxi”. Como todo respeito, é sempre a categoria mais insatisfeita do Brasil. E opina mais do que o Reinaldo Azevedo. É a gente botar o traseiro no banco, lá vem uma crítica “aos brasileiros”, que sempre fazem tudo errado.
Por Reinaldo Azevedo
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Alexandre Padilha, ainda ministro da Saúde, fez campanha eleitoral antecipada de maneira arreganhada, desabrida, sem pudor.

30/01/2014
às 6:19

Com Padilha, PT já põe em prática o “financiamento público de campanha”. É um escárnio! Ou: Refrescando a memória do ministro

alexandre Padilha




O ministro falou aos brasileiros nesta quarta, dia 29 de janeiro. Pretexto: anunciar a campanha de vacinação contra o vírus HPV. 

Sabem quando as vacinas estarão à disposição? Só em março. 

Ora, qual é a natureza dos pronunciamentos públicos, feitos em rede nacional de rádio e TV, prerrogativa de que só dispõe o governo federal? Anunciar um serviço, fazer um comunicado de urgência, informar algo relevante à população. Trata-se, sim, de algo relevante. Mas cabe é pergunta: é urgente?

Ocorre que Padilha, que apareceu com a sua gravata vermelha — que pertence ao uniforme de campanha dos petistas —, está deixando o Ministério da Saúde para se candidatar ao governo de São Paulo. 

O pronunciamento, segundo a pasta, custou R$ 55 mil. Mas esse, obviamente, é só o custo, digamos, de produção. O que o ministro estava fazendo era faturar politicamente uma ação de governo orçada em R$ 15 milhões.

Tanto se tratava de campanha que Padilha não se limitou a falar da vacinação. Aproveitou também para faturar com o programa “Mais Médicos”. O tom era de proselitismo escancarado. Disse: “Com o programa Mais Médicos, o governo federal está dando outro passo decisivo para levar mais saúde a áreas que, durante décadas, viveram esquecidas”.

É mesmo? Se a memória do ministro é fraca, a minha é boa. 

Em 2002, último ano do governo FHC, havia 2,7 leitos hospitalares, públicos e privados, por mil habitantes. Em 2013, havia 2,3. 

A Organização Mundial de Saúde recomenda 5. 

Em 11 anos, houve uma queda de 15%. Atenção! No país que vive uma epidemia de crack, há apenas 0,15 leito psiquiátrico por mil habitantes.  

É a metade do que havia em 2002, quando o PT venceu a eleição. Nos países civilizados, a média é de um leito psiquiátrico para cada mil pessoas, quase seis vezes mais. Entre 2005 e 2012, e isso inclui a gestão do doutor Padilha, o SUS perdeu mais de 41 mil leitos.

Mas, agora, temos os cubanos espalhados Brasil afora para, como disse a presidente Dilma certa feita, dar umas apalpadas nos pobres. Esses médicos, chamados “de família”, não podem realizar vários procedimentos, como cirurgias, por exemplo. No Brasil profundo, trabalham em postos de saúde e hospitais caindo aos pedaços. Considerar que a chegada dos cubanos é a redenção da saúde, em face dos números a que acabo de me referir, é um escárnio.

Padilha é o ministro de Dilma que mais fez pronunciamentos oficiais em rede nacional — cinco ao todo — e é o segundo que mais usou jatos da FAB até dezembro do ano passado. Viajou a várias capitais brasileiras, por exemplo, para receber os médicos cubanos — sempre acompanhado de assessores e fotógrafos. O material coletado, claro!, ajudará a turbinar a campanha eleitoral.

Chega a ser uma piada que o Supremo Tribunal Federal esteja a apenas um voto para formar a maioria que vai proibir as doações de empresas a campanhas eleitorais. Desde que sejam transparentes, que mal há nisso? Condenável, detestável mesmo, é este uso absurdo do dinheiro público em favor de uma candidatura.

Evangélicos
Leio na Folha: “Ontem Padilha usou o horário de almoço para assistir a um culto evangélico no auditório da Saúde. ‘Quem está aqui não é o ministro, é alguém que crê em Deus’, disse a cerca de 60 funcionários do ministério.”

Muito bem! Tem início o ritual de conversão cristão à boca da urna, quando o índice dos que acreditam em Deus no Brasil alcança 110%… 

Em 2010, Dilma revelou até a sua santa de devoção: a “Nossa Senhora de Forma Geral”, que ela chamou de “deusa”, fundando o cristianismo politeísta. 
Por Reinaldo Azevedo 

A cidade que implantou a maior favela da A.Latina tem indice de criminalidade alto.Pudera!

Onda de violência que atinge o DF deixa mortos em Planaltina e Arapoanga.

Além do morador de Águas Claras, morto na porta de casa, outros dois homens foram assassinados a tiros nas duas cidades entre a noite de quarta e a madrugada de hoje.
 

Publicação: 30/01/2014 



Pelo menos dois homicídios foram registrados entre a noite de quarta-feira (29/1) e a madrugada desta quinta-feira (30/1), no Arapoanga e em Planaltina. De acordo com a Polícia Civil, o primeiro crime ocorreu por volta das 20h de ontem, na Quadra 3 do Arapoanga, onde um jovem de 23 anos morreu após ser baleado.
 
Segundo a polícia, depois de ferido, a vítima, Renan do nascimento Castro, foi levada para um bar próximo ao local do crime, onde morreu. Durante a ação, os suspeitos roubaram a bicicleta do jovem, mas o caso foi registrado apenas como homicídio na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina). A polícia investiga o paradeiro dos possíveis suspeitos.

Já na madrugada de hoje, a polícia localizou o corpo de um homem, ainda não identifcado, na Quadra 20 de Planaltina. De acordo com a Polícia Civil, a vítima foi morta a tiros. A 31ª DP também investiga caso.

Outras mortes


Vítima tinha 29 anos e morreu em frente a entrada do próprio prédio (Monique Renne/CB/D.A Press)
Vítima tinha 29 anos e morreu em frente a entrada do próprio prédio


Também na noite de ontem, um morador de Águas Claras foi assassinado quando chegava em casa de carro. Leonardo Almeida, 29 anos, foi atingido por um tiro no pescoço. Ele havia acabado de estacionar uma picape VW Saveiro branca em frente ao edifício Real Flat, onde morava com a mãe, na Rua 34, quando teria sido abordado por dois criminosos, segundo o relato de testemunhas. As circunstâncias do assassinato, no entanto, não foram esclarecidas pela Polícia Civil, mas o caso é tratado como latrocínio.

Leonardo estava sozinho e caminhava em direção à portaria do prédio, após estacionar a Saveiro, carregando uma mochila preta com roupas e objetos pessoais. Porém o veículo e os pertences dele não foram levados pelos criminosos. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tentou reanimar a vítima, mas Leonardo não resistiu. 




Maior favela da América Latina: Sol Nascente toma posto da Rocinha


Pesquisa coloca os condomínios Pôr do Sol e Sol Nascente com mais moradores que a famosa ocupação carioca. O problema dos dois locais não é a renda, mas a falta de infraestrutura
Gabriella Furquim

Publicação: 28/09/2013 08:00 Correio Braziliense
 

A falta de asfalto é uma constante para a população total de quase 79 mil moradores (Breno Fortes/CB/D.A Press - 25/9/12
)
A falta de asfalto é uma constante para a população total de quase 79 mil moradores

Pela primeira vez, os condomínios Pôr do Sol e Sol Nascente foram estudados isoladamente dos outros espaços de Ceilândia. Juntas, as duas ocupações possuem 78.912 moradores. O número aponta o crescimento da população na região — que não conta com sistema de saneamento básico, entre outros problemas de infraestrutura. No Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população era de 56.483 pessoas. Com a nova marca, o Distrito Federal passa a abrir a maior favela do país — à frente da internacionalmente famosa Rocinha, no Rio de Janeiro, que conta com 69.161 habitantes, de acordo com a pesquisa nacional de 2010 — não há números atualizados do crescimento da favela carioca.

Moradores e líderes comunitários acreditam que a quantidade de pessoas nas duas ocupações é muito maior. “Há, pelo menos, 120 mil pessoas vivendo no Pôr do Sol e no Sol Nascente. É muito complicado uma pesquisa por domicílio ser eficaz aqui. Há lotes com dezenas de casas, residências com mais de uma família morando. Enfim, uma estrutura domiciliar completamente diversa da dos outros locais do DF”, analisou o líder comunitário Carlos Botani.

O crescimento vertiginoso foi apontado pela Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad), divulgada ontem pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). O levantamento mostrou também que as duas localidades detêm os piores indicadores de infraestrutura de toda a capital. Apenas 6,1% das residências são ligadas à rede de esgoto. Os caminhões de lixo não atendem 54,15% dos domicílios, e 94% das ruas não são pavimentadas. “O que mais nos chamou a atenção na pesquisa foi o tamanho do Pôr do Sol e do Sol Nascente. A população supera muito a de outros bairros populares. A Estrutural, por exemplo, tem 30 mil habitantes. Além disso, por serem ocupações mais recentes, elas estão em uma situação muito ruim de infraestrutura. O Estado ainda não chegou lá em muitos pontos, e a demanda por infraestrutura é grande”, afirmou o presidente da Codeplan, Júlio Miragaya.

Morador do Sol Nascente há 10 anos, o diagramador Daniel Ribeiro Soares, 54, comemorou a chegada de tratores e operários na rua onde mora há cerca de dois meses. “Era para, finalmente, colocarem a tubulação de esgoto. Mas, mal deu tempo de furarem o chão, o edital foi suspenso e eles (trabalhadores) foram embora”, contou o morador. Daniel mora com a esposa e a filha de 16 anos, e conta que, com a chuva, a falta de estrutura transforma-se em transtornos e riscos à saúde. 
 
“É mais fácil contornar a falta de asfalto, o lixo espalhado e o esgoto correndo na rua quando não chove. Quando a água cai, vira um rio, cheio de lixo”, afirmou.


Operação Tartaruga da Polícia Militar deixa população à mercê de criminosos.

 Movimento com implicações eleitoreiras prejudica o atendimento das ocorrências e contribui para o avanço da criminalidade no DF. Comércio ameaça suspender serviço 24 horas


Renato Alves
Publicação: 30/01/2014 07:56 Atualização: 30/01/2014 08:08

Em 19 de janeiro, bandidos armados atacaram restaurante em um posto de gasolina na Asa Sul: comerciantes com medo do aumento da violência  (Marcelo Ferreira/CB/DA Press)
Em 19 de janeiro, bandidos armados atacaram restaurante em um posto de gasolina na Asa Sul: comerciantes com medo do aumento da violência

A Operação Tartaruga, conduzida por policiais militares, tornou-se o principal problema para a segurança pública do Distrito Federal. Pulverizado, o ato não tem uma liderança política com autoridade e legitimidade para dialogar com o Executivo e negociar as reivindicações da categoria. O movimento que prega o atraso no atendimento das ocorrências é inflado por associações comandadas principalmente por policiais com pretensões eleitorais. Sem um interlocutor com representatividade, a iniciativa tem servido apenas para alimentar a violência.

Enquanto parte da corporação cruza os braços para pressionar por melhorias salariais e desgastar a imagem do governo, a criminalidade avança na capital do país. Levantamento da Secretaria de Segurança Pública indica que, apenas nos primeiros 29 dias do ano, houve 63 homicídios, com um aumento de 28% em relação a janeiro de 2013. Muitos policiais militares têm evitado os chamados da população. Como mostrou o Correio em reportagens publicadas na semana, alguns PMs trocam mensagens em que revelam a omissão no atendimento.

Além da lentidão no combate ao crime, os policiais que alimentam a operação Tartaruga utilizam as redes sociais para disseminar um discurso radical e politizado. Disparam comentário agressivos, tripudiam da angústia da população e vibram com os crimes cometidos no Distrito Federal. Na terça-feira, o Correio publicou uma outra frente dos militares radicais: a distribuição de outdoors com as reivindicações e ameaças às autoridades de segurança.

Ameaça econômica

Iniciada há dois meses, a Operação Tartaruga começa a refletir na economia do DF. Em função de assaltos recentes às lojas de franqueados brasilienses, uma rede internacional de fast-food estuda suspender o serviço 24 horas de todas as unidades instaladas na capital do país. Se adotada a medida, inédita no país, os estabelecimentos do grupo fecharão as portas entre as 22h e as 8h.

Escalada de violência: tentativa de assalto acaba em morte em Águas Claras


Vítima tinha 29 anos e foi atingido com um tiro no pescoço


Arthur Paganini
Publicação: 29/01/2014 22:21 Atualização: 30/01/2014 08:30


Vítima tinha 29 anos e morreu em frente a entrada do próprio prédio (Monique Renne/CB/DA Press)
Vítima tinha 29 anos e morreu em frente a entrada do próprio prédio


Um jovem morador de Águas Claras foi assassinado na noite de ontem, por volta das 22h30, quando chegava em casa de carro. Leonardo Almeida, 29 anos, foi atingido por um tiro no pescoço. Ele havia acabado de estacionar uma picape VW Saveiro branca em frente ao edifício Real Flat, onde morava com a mãe, na Rua 34, perpendicular à Avenida Castanheiras, quando teria sido abordado por dois criminosos, segundo o relato de testemunhas. As circunstâncias do assassinato, no entanto, não foram esclarecidas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), mas o caso é tratado como latrocínio.

O crime é semelhante ao ocorrido em 3 de janeiro, quando o brigadeiro da Aeronáutica João Carlos Franco de Souza foi baleado com um tiro na cabeça após ser abordado por dois criminosos que queriam roubar seu carro. Ele também chegava em casa no momento da ação.

Leonardo estava sozinho e caminhava em direção à portaria do prédio, após estacionar a Saveiro, carregando uma mochila preta com roupas e objetos pessoais. Porém o veículo e os pertences dele não foram levados pelos criminosos. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tentou reanimar a vítima, mas Leonardo não resistiu. Uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar também foi acionada.

A mãe do jovem se desesperou com a cena. Ela chegou ao local após os primeiros socorros, enquanto policiais levantavam informações na cena do crime. “Como eu poderia perder meu filho em frente à minha casa? Algo deve ser feito para combater a criminalidade”, protestou.

Moradora da região, a enfermeira Andréa Santana, 28 anos, esteve no local para acompanhar os trabalhos da polícia. Ela também reclamou da falta de policiamento. “Assaltos acontecem a toda hora aqui em Águas Claras e nós acabamos reféns da violência. Na hora do crime, uma mulher que passava com um bebê viu toda a cena e saiu desesperada correndo para se salvar, senão também teria sido outra vítima”, disse.

Uma vizinha de Leonardo que não quis se identificar se disse chocada. “Aqui em frente ao prédio, há uma obra inacabada em um terreno baldio que sempre atrai mendigos e usuários de drogas, mas nunca houve um crime como este. Moro há sete anos aqui e nunca soube de nenhum problema envolvendo o Leonardo”, afirmou.

Até o fechamento desta edição, a Polícia Civil ainda não havia identificado suspeitos. Os agentes recolheram gravações de câmeras de vigilância que podem ter registrado o momento do crime.







Ministério Público contesta lei do Distrito Federal

Norma, não prevista na legislação nacional, facilitaria dispensas de licitação em projetos estruturantes

Daniel Cardozo
daniel.cardozo@jornaldebrasilia.com.br


Mais uma vez, uma lei criada pelo GDF é questionada pelo Ministério Público. Agora, o alvo é a inclusão, na legislação local, de um item não previsto na Lei Geral da Copa,  sobre o regime diferenciado de contratações. 

Com isso, as licitações de prestação de serviços poderiam ser dispensadas pelo governo com mais facilidade.

O Ministério Público ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a lei distrital 5.254, publicada em 20 de dezembro de 2013. Estão previstas, nela, contratações diferenciadas em ações relacionadas à Copa do Mundo, Olimpíadas, Sistema Único de Saúde, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e à educação.

Na redação final da lei, foram incluídos também “Projetos Estruturantes do Distrito Federal – PEDF aqueles assim identificados em lei orçamentária anual”, conforme a publicação no Diário Oficial do DF. No entanto, o termo não é mencionado na Lei Geral da Copa, de agosto de 2011.

Não pode estender
Para o promotor Antônio Suxberger, do MPDF, o governo não poderia estender a  contratação sem licitação a outros tipos de obra, usando a Copa  como justificativa. O termo “projetos estruturantes” seria vago.
“O regime direto de contratações já é bastante questionável e o GDF jamais poderia ir além do que foi determinado pela Lei Geral da Copa. O caráter vago do termo é o que nós atacamos”, afirmou.

É constitucional, diz GDF
O que o Ministério Público pede é que o inciso V da lei, que traz o PEDF, seja excluído do texto, para evitar que contratações sem licitação aconteçam sem necessidade. 

Em nota, a Secretaria de Comunicação do GDF respondeu que “após a intimação do TJDFT, o governador Agnelo Queiroz irá prestar esclarecimentos demonstrando o entendimento do governo quanto à constitucionalidade da lei impugnada”.

Leis federais também são questionadas
O GDF adotou a lei 5.254 com base na Lei Geral da Copa. No entanto, a legislação federal também sofreu questionamentos da Procuradoria Geral da República (PGR). O Ministério Público Federal questionou artigos que autorizavam o governo a assumir responsabilidade por prejuízos da Fifa e isenção de impostos à organização e patrocinadores do torneio. O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a questão. 

A ação de inconstitucionalidade começa a tramitar na mesma semana em que o Tribunal de Justiça do DF proferiu uma sentença contra o GDF, em outra questão. Os desembargadores do Conselho Especial invalidaram uma instrução normativa da Secretaria de Administração Pública, que autorizava que servidores ultrapassassem o teto constitucional em caso de acúmulo de cargos.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

PRINCIPAIS CAUSAS DETEMINANTES DO AUMENTO DA VIOLÊNCIA E DA CRIMINALIDADE DE MENORES E O PAPEL DO POLÍCIAL-MILITAR.



A falta de infra-estrutura das famílias e de apoio de programas que possam ajudar o menor, já nos eprimeiros dias de sua vida, é a carência básica de seu mais elementar direito, a alimentação. Isto já determina naturalmente o que será a criança em termos de funcionamento intelectual, vez que a subalimentação, a desnutrição na infância, comprovadamente, já o condena para o resto de sua vida a uma situação de inferioridade intelectual, que o levará fatalmente, a enfrentar dificuldades, que as crianças oriundas de famílias mais abastadas não enfrentarão.

A questão social não é a única que marginaliza essa camada da sociedade. Ao contrário outros fatores se fazem presentes, tais como a própria família da criança, desemprego de seus pais, falta de moradia, mendicância, miserabilidade, na verdadeira acepção da palavra. Como colorário, quase sempre os pais entregam-se aos vícios, principalmente o álcool. Desenvolvem, a partir daí, verdadeiras sessões de horror com seus filhos e para piorar, muitas vezes os violentam sexualmente.

A televisão tem exaustivamente mostrado, em programas policiais, que inundam as tardes de todos os dias, que a violência dos pais, contra seus filhos, é alarmante. Aliada a essa questão encontramos a prostituição infantil e adolescente, o uso de drogas, ingestão de cola, ausência de escolaridade, famílias sem qualquer tipo de planejamento, inchamento demográficos das grandes cidades, dando origem às favelas, tão nossas conhecidas, e que, na maioria das vezes, estão distribuídas próximas dos bairros ricos formando um cinturão que vem mantendo praticamente, no enclausuro, essa outra camada da sociedade, que brada, que grita por liberdade e segurança.

A criminalidade envolvendo a criança e o adolescente não se restringe apenas às famílias que sobrevivem na miséria, mas também àquelas que não sofrem desse mal. Vemos, hoje, com pesar, que a permissividade dos pais, que não impõe limites aos seus filhos, criam verdadeiros transgressores da lei e da ordem constituída.

A despreocupação com o futuro de seus pupilos permitindo-lhes ‘tudo’, desde jogos, freqüência a boates, bares e lanchonetes até altas horas da noite, as constantes crises conjugais, o ócio, o tédio, a violência, as drogas, as imagens de televisão banalizando de forma explícita o sexo em horários nobres, a igreja que perdeu ao longo dos anos o seu papel junto da família, pois que busca, muito mais, sua promoção política do que promoção da alma de seus fiéis, tudo isso, por certo choca a criança, choca o adolescente que não conseguindo por sua imaturidade filtrar todas essas informações, acaba por absorvê-las, consumindo-as como se fossem o primado de nossa cultura.

Se é verdade que o grande contingente, para não dizer a maioria, de menores que cometem atos infracionais encontram-se entre os de baixa renda, ou de nenhuma, comprovando que são o carro chefe da origem do aumento da criminalidade, pois que a sociedade hodierna não lhes reserva qualquer oportunidade, e mesmo que lhes desse chance a sua precária alimentação, ao longo dos anos, não lhes permite competir ‘em pé de’ igualdade com os que tiveram uma infância saudável. É verdade, também que a classe social mais privilegiada enfrenta os mesmo problemas, só que aos contrário, pois esta combalida estrutura familiar perdeu a autoridade para com os seus filhos que viraram vítimas de uma legião de miseráveis que estão à sua espreita e cada vez mais aperta-lhes o cinto do horror.

As estatísticas comprovam que o problema se agrava a cada dia que passa.  
 
Extirpar as causas não está nas mãos da Polícia Militar, no entanto não quer dizer que deva ficar inerte. O seu envolvimento, não só repressivo, é medida, hoje, absolutamente necessária. Um claro exemplo disse é o PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência), Projeto Formando Cidadão, um sucesso em todas as cidades onde foi implantado, mas não basta. É preciso organizar a sociedade e buscar mais soluções. Deve envidar todos os esforços para desenraizar esse mal que ameaça destruir as crianças, jogando-as de vez, no poço da miséria humana. Isso é papel do oficial que com sua liderança pode organizar a sociedade.

As principais causas que determinam o aumento da criminalidade infantil e adolescente estão nos relatórios das polícias, nas manchetes dos jornais. Sem dúvida alguma, em que pese os altos níveis de pobreza e miséria, os programas devem dirigir-se no sentido de retirar os menores das ruas encaminhando-os para os projetos já existentes, evitando-se, assim que fiquem mercê de criminosos que os organizam formando com eles verdadeiras quadrilhas, aproveitando-se, destarte de sua inexperiência e às vezes inimputabilidade. 
 
Isso é papel que pode ser desempenhado pelo policial-militar (principalmente do soldado de rádio patrulha), que durante o seu turno de serviço deve fazê-lo, encaminhando-o para os programas existentes em seus municípios, a fim protegê-los daqueles que querem valer-se de sua miséria.
Acredito, sinceramente, ser esse o nobre papel do policial-militar no combate as causas da violência e da criminalidade envolvendo menores.

Assassinato em ônibus na Ceilândia

Dois homens teriam atirado, acertando o dono do veículo e um amigo

Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br


Waldir dos Reis, 25 anos, conversou com colegas pela última vez no início da tarde de ontem, na praça da Bíblia, no P Norte, em Ceilândia, antes de ser assassinado. 

Sentado no banco do motorista de um ônibus de sua propriedade, ele foi morto a tiros. Um dos dois amigos dele também foi  atingido na boca e levado ao hospital.

O crime aconteceu por volta de 12h30 e, por enquanto, a polícia não tem suspeitos, mas testemunhas disseram ter sido obra de dois menores de idade.

O motivo para tal ato também é um mistério. Waldir, que deixou a esposa Sueny Passos, 23 anos, e um filho de quatro anos, fazia transporte “pirata” com o ônibus há pelo menos dois anos. “Não sei de rixa que ele poderia ter. Era uma pessoa que não fazia mal a ninguém”, disse, aos prantos, a esposa, que consolava a mãe da vítima, dona Lerismar, enquanto a perícia entrava no ônibus. Uma suspeita é de que os menores, possíveis autores do crime, estariam se vingando porque um parente de Waldir tinha dívida de drogas com eles. 

Ação

Waldir era conhecido pelo apelido de Galego ou Galeguinho e costumava relaxar na praça em horário de almoço, antes de retomar o serviço na parte da tarde. Segundo testemunhas, dois menores de idade teriam chegado à porta da frente do ônibus e efetuado disparos de pistola contra a vítima e outro homem no transporte. Um terceiro amigo estaria no local e, enquanto os assassinos fugiam, teria ajudado a levar o ferido ao hospital.

Um amigo de infância de Waldir, que preferiu se identificar apenas como R., costumava conversar com a vítima no horário do almoço, mas, na tarde do crime, teve um imprevisto. “Tive que ficar na oficina para consertar meu próprio ônibus, que o Waldir tinha me vendido há um tempo. Não fosse por isso talvez eu também estivesse morto a essa hora”, desabafou o homem de 35 anos. Ele ajudou a consolar familiares na Praça da Bíblia.

Lamento

Outro conhecido do falecido que compareceu ao local do crime foi o primo de Waldir, Edson Ferreira, de 36 anos. “Saí do serviço para ver o que aconteceu com ele. Não o via há quase dois anos, mas é uma pena né?”, lamentou o homem, que confessou sentir muito também por dona Lerismar, prima de sua mãe.

Ninguém sabe, ninguém viu

O crime aconteceu em frente a um centro comercial e próximo a uma parada de ônibus. Apesar da multidão de curiosos ao redor do ônibus, ninguém soube informar o paradeiro dos culpados. Agentes da 19ª DP, onde o inquérito foi aberto, levaram três rapazes para a delegacia, mas, segundo um oficial, apenas na condição de testemunhas. Um menor de idade chegou a ser interpelado pelos policiais sobre participação no assassinato. Ele teria tentado recolher um par de chinelos da cena do crime, mas ainda não se sabe o envolvimento do rapaz com o ocorrido.

Pense Nisso

Foi-se o tempo em que crimes aconteciam somente à noite e em endereços remotos, com a preocupação dos criminosos em se esconder. É cada vez mais comum assaltos e, inclusive, homicídios acontecerem à luz do dia, em locais cheios de pessoas transitando, a exemplo do crime que vitimou o jovem Waldir dos Reis, em Ceilândia. Mesmo com recursos que poderiam facilitar a identificação e captura de suspeitos, muitas vezes, eles passam despercebidos - ou até são vistos, mas quem os viu prefere não se envolver por medo de retaliação.

Motivo pode ter sido rixa no transporte

Populares da cena do crime comentaram sobre possível rixa entre Waldir e outros responsáveis por transporte pirata, mas a polícia ainda não trabalha com essa possibilidade e a família da vítima também afirma desconhecer o assunto.

O fato é que o momento é propício, de acordo com o  DFTrans, para o surgimento de linhas irregulares em Ceilândia, o que poderia criar ou agravar rixas entre diferentes proprietários. Segundo o órgão, a empresa Marechal, que substituirá a Pioneira no atendimento à grande parte da cidade, está demorando para colocar os ônibus novos na rua. A companhia antiga, no entanto, estaria deixando a qualidade do serviço cair, o que propiciaria defasagem na qualidade do serviço de transporte público da região. Enquanto isso, os piratas aproveitam a ausência da fiscalização para lucrar.

Sem informações

Até o fechamento desta edição, a 19ª Delegacia de Polícia (Ceilândia) não tinha maiores detalhes sobre o caso. Também não havia informações sobre o estado de saúde da segunda vítima.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília


Grella não descarta crime organizado em incêndios


O secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, disse nesta quarta-feira, 29, que não descarta a possibilidade de que o crime organizado esteja por trás dos incêndios de ônibus na cidade. 

Ele deu a declaração em entrevista coletiva de balanço sobre o programa da Prefeitura na Cracolândia depois que foi questionado sobre a suposta presença de membros do PCC em pontos finais de ônibus no Jardim João 23.

Grella disse, no entanto, que também não descarta a possibilidade de que os ataques sejam provocados por vários movimentos sociais isolados, cada um com sua demanda, como as enchentes ou crimes.

"Não temos clareza se é crime organizado, não descartamos, ou se são meramente movimentos sociais porque as motivações são as mais distintas: ora em razão da morte de uma pessoa, ora em razão da enchente. O fato é que não é uma situação normal e estamos mobilizados com os setores de inteligência", disse.

Reunião

O secretário disse ainda que já vem discutindo com as empresas de transporte medidas para combater os incêndios em ônibus. Uma reunião entre as duas partes foi realizada na última sexta-feira.

"Discutimos uma série de medidas e alternativas e foram definidas ali algumas providências e ações que já estão em andamento." O secretário não quis detalhar quais ações estão sendo desenvolvidas, mas informou que já ordenou ao Comando Geral da Polícia Militar o reforço no policiamento das regiões que vêm sofrendo esses atos de vandalismo.

Nesta terça-feira, oito pessoas foram presas por causa de incêndios a ônibus em São Paulo. Até as 18h desta quarta, mais cinco pessoas foram detidas. Trinta e dois ônibus foram queimados na cidade de São Paulo desde o início do ano, segundo a SPTrans.
 
M'Boi Mirim

Manifestantes queimaram um ônibus na cidade de São Paulo nesta quarta-feira, 29. O coletivo foi incendiado por volta das 12h30 na Estrada do M'Boi Mirim, zona sul de São Paulo.

Os bombeiros chegaram às 12h40 e controlaram as chamas, mas o veículo ficou completamente destruído. Dois homens e três adolescentes foram detidos pela Polícia Militar acusados de participarem da ação e levados ao 100.º Distrito Policial (Jardim Herculano), na zona sul.

O protesto foi motivado pela morte do jovem Guilherme Augusto Gregório, de 19 anos, na madrugada da última terça-feira, com um tiro. Suspeita-se que o disparo tenha saído da arma de um policial, mas não há nenhuma confirmação até o momento.
Fonte: Agencia Estado

Sobe para 33 o número de ônibus incendiados na capital paulista


  • 30/01/2014 07h51
  • São Paulo
Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger
 
Mais um ônibus coletivo foi incendiado na noite de ontem (30) na capital paulista. Com isso, segundo contagem da São Paulo Transporte (SPTrans), chega a 33 o número de ônibus incendiados desde o início do ano, o que dá uma média de mais de um coletivo queimado por dia. A Polícia Civil investiga se esses incêndios são ações do crime organizado.
São Paulo - Ônibus incendiado ontem (28) na Estrada do M'Boi Mirim, zona sul de São Paulo( Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Ônibus incendiado na Estrada do M'Boi Mirim, zona sul de São Paulo
Marcelo Camargo/Agência Brasil

O incêndio de ontem ocorreu por volta das 21h30, na Rua Guabiroba de Minas, Jardim Lageado, zona leste da cidade. Segundo a Polícia Militar, cerca de 15 manifestantes colocaram entulho na via e pararam o coletivo da Viação VIP, que fazia a Linha Metrô Itaquera – Santo Antônio. Os criminosos quebraram vidros, obrigaram os passageiros a descer e atearam fogo no veículo. O Corpo de Bombeiros foi chamado, mas não evitou que o coletivo ficasse completamente destruído. Não houve detidos e ninguém ficou ferido.
Ontem, a Polícia Militar deteve quatro homens e apreendeu quatro menores de idade, suspeitos de atearem fogo num ônibus que passava pela Estrada do M’Boi Mirim, na zona sul, por volta das 12h. O grupo, que protestava pela morte de um homem, interditou a via e gritou palavras de ordem como “justiça”.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os suspeitos foram encontrados com galão de gasolina, chumaço de estopa, mangueira e isqueiros. Eles foram indiciados pelos crimes de incêndio, associação criminosa e dano ao patrimônio.
Internacional

Brasil é eleito para presidir Comissão de Construção de Paz da ONU

  • 30/01/2014 07h39
  • Brasília
Da Agência Brasil* Edição: Graça Adjuto
 
O Brasil foi eleito nessa quarta-feira (29) para presidir a Comissão de Construção da Paz da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014. A missão é ajudar os países que saíram recentemente de conflitos armados a construir um cenário de estabilidade política e segurança.

Na agenda a ser desenvolvida pelo Brasil estão projetos para países como a Guiné-Bissau, o Burundi, a República da Guiné, Libéria, República Centro-Africana e Serra Leoa.

Criada em 2005, a Comissão de Construção da Paz das Nações Unidas visa a auxiliar as nações com cenários ainda frágeis a consolidar sua capacidade de garantir a própria segurança nacional, bem como o desenvolvimento sustentável, com inclusão social.

Em nota, o governo brasileiro informou que pretende promover, durante o seu mandato, maior participação de países em desenvolvimento e organizações regionais e sub-regionais nas atividades da comissão, bem como manter um "engajamento produtivo" no Conselho de Segurança da ONU.

Segundo a nota, as atividades lideradas pelo Brasil levarão em conta a "interdependência" entre segurança e desenvolvimento.

*Com informações da Agência Lusa