segunda-feira, 21 de julho de 2014

Machismo e coisificação da mulher--feito por Percival Puggina




A medida do verdadeiro amor é a medida do sacrifício pelo bem do outro.


Têm sido frequentes os casos de jovens que se deixam fotografar nuas por seus namorados e, depois, passam pelo constrangimento de saber que essas imagens foram postadas nas redes sociais. 


As consequências de tão imprópria prova de amor desabam sobre a parte frágil, determinando padecimento, processos judiciais, enfermidades psíquicas, crises de adaptação social e familiar e, em certos casos, suicídio por total incapacidade para enfrentar a situação. 


Surpreende que, mesmo com a reiterada divulgação de tais casos, algumas moças ainda se exponham em tão desnecessárias liberalidades.

Estranhamente, num ambiente social como o contemporâneo, ainda existem jovens convencidas de que sua paixão do momento será eterna.



E eternamente responsável por elas. 


Afinal, eles as cativaram, hão de pensar. Falsas rosas de Éxupery, tão confiantes em seus príncipes malandros! 



Confundem-se diante do que mais desejam. Afligem-se em busca do amor e o confundem com sedução, desejo, paixão. 



Mas não é assim. A medida do verdadeiro amor é a medida do sacrifício pelo bem do outro. E como não é inteiramente própria da juventude essa capacidade de renúncia, faltam a tais amores tanto as condições da perenidade quanto o longo convívio que proporcione solidez à confiança mútua. 



É sabido, porém, que estas observações - conselhos, vá que sejam - não costumam ser bem recebidos por aqueles a quem se dirigem.


Quanto aos namorados pornofotógrafos, esses são malandros de escol, colecionadores de troféus. 


São canalhas completos, canalhas de Nelson Rodrigues, do começo ao fim de cada uma dessas tristes novelas. 


Canalhas ao fotografar e canalhas ao divulgar as fotos. 



Quanto às jovens, pensando sobre a força determinante dessa decisão de se deixarem fotografar assim pelos namorados, percebi que existe algo contraditório aí. 




De um lado, a jovem está dando prova a si mesma de um rompimento com a cultura da geração anterior. Ela é jovem, autônoma, moderna, liberal e se deixa fotografar como bem entende. 




De outro - e aqui se esconde a contradição - ela está servindo ao machismo e não à autonomia da mulher! Essa jovem, que se crê autônoma, moderna e liberal, se oferece ao altar do machismo. Ao coisificar-se, serve-o.



Nos meus tempos escolares, volta e meia aparecia alguém com uma revista Playboy. Rapidamente, os varões da sala nos agrupávamos em torno da mesa e contemplávamos aquelas desfrutáveis deusas da beleza. Nossas colegas do sexo feminino irritavam-se e esbravejavam. Conosco? Para nós? 




Não. A irritação delas era direcionada para as modelos da revista, para aquelas mulheres, jovens como elas, que se dispunham ao papel de objetos sexuais para agrado e consumo dos rapazes que as folheavam e delas faziam páginas viradas.




Meio século atrás, minhas colegas sabiam mais sobre si mesmas e sobre sua dignidade. Eram mais sensíveis e mais valentes no enfrentamento do machismo do que certas mocinhas do século 21.


O delírio não tem fim: Rogério Ceni quer que Dilma resolva o problema do futebol brasileiro

ceni
O jogo final da Copa 2014 entrou para história pela baixaria dos petistas do início ao fim do torneio (acho que nos próximos dias eu farei uma Retrospectiva da Extrema-Esquerda no torneio), mas nada se comparou ao papelão feito por Dilma no último dia 13/07, data em que a Alemanha venceu a Argentina e sagrou-se campeã no torneio.


Dilma faltou à cerimônia de encerramento, ficou emburrada durante o jogo, e mais ainda quando a Alemanha fez o gol, além de entregar a taça de forma apressada e de cara amarrada. O resultado final, para ela, foi um cenário mais feio que tombo com a mão no bolso. 

É natural que o VTNC (e não apenas por esses motivos) lançado contra ela tenha soado como música para nossos ouvidos. Alias, ela foi vaiada todas as vezes em que apareceu no telão.


Não deve causar surpresa que o PT não queira mais tocar no assunto Copa do Mundo. Andei perambulando pela BLOSTA hoje e não havia mais discursos sobre o torneio, nem mesmo com o uso dos tradicionais truques onde eles tentam dizer que “o governo venceu com o sucesso extra-campo da Copa”.


Enquanto isso, uma turminha continua caindo na conversa petista de estatização do futebol. Um deles é Rogério Ceni, goleiro do São Paulo FC. Vejam a dimensão do delírio:

A derrota foi reflexo do nível dos times da Alemanha e do Brasil. Eu até acho a Alemanha superior, mas a diferença não é desse tamanho. Agora, as mudanças no futebol precisam vir de cima para baixo, de quem está no poder. Aqui, tem isso de se perpetuar, essa mania do brasileiro levar vantagem em tudo.
 
Essa figurinha é realmente contraditória, já que fala da “mania do brasileiro levar vantagem em tudo”, e é exatamente isso que ele está fazendo, seja por ignorância ou má fé. O Brasil ganhou várias copas sem a ajuda estatal.  Bastou perder uma em casa, com goleada, para precisar de “mudanças que venham de cima”? É claro que é enrolação.


Esse tipo de discurso é no mínimo uma afronta, já que ele está nos dizendo que a função do estado agora é “cuidar do futebol”. 


Já não bastasse o estado inchado e ineficiente, deixando de cuidar do que deveria e dando uma de enxerido onde não é chamado, ele agora quer inventar mais uma forma de criação de ineficiência e potencial para distribuição de cargos?


Ademais, se o governo é tão eficiente para “gerir futebol”, por que não fez nada antes do desastre da seleção diante da Alemanha? Por que eles não demonstraram sua “competência” avisando, em alto e bom tom, que Felipão iria nos levar para o abismo dias antes do jogo? 


Reclamar do resultado depois é coisa que qualquer um faz. Não é preciso de nenhuma qualificação administrativa para chorar pelo leite derramado.


A capacidade de antever o futuro é um exemplo de potencial administrativo. Por outro lado, aparecer depois da derrota dizendo “precisamos arrumar tudo” é, no caso especial dos petistas, oportunismo cínico. Coisa que mereceria no mínimo expulsão de sala. É este tipo de gente que Ceni quer trazer para “mudar o futebol”?
Agora veja este outro bloco:

Não tem nem metade do público da Copa nos estádios, porque não oferece nada. A CBF é extremamente rica, e nada é feito. A CBF tinha que ajudar os clubes, e não faturar e deixar eles nessa pindaíba [...] Quem sabe agora, com campanha, a presidente não tenta se mexer um pouco. Em época de eleição, as pessoas acabam se mexendo.
 
Que história é essa? Ele resolve chamar para dar um “corretivo” no futebol gente que conseguiu aparelhar a Petrobrás e concretizar coisas como o escândalo da refinaria de Pasadena? Parece que a lógica de Ceni resolveu dar um passeio e se esqueceu de voltar. Lembrando que se ocorrerem rombos como esse no futebol teríamos times caindo para a segunda divisão…


Surpreende que um sujeito cuja vida transcorreu nos gramados, onde ganhou diversos títulos, se deixe levar pela ideia de que o governo pode “ajudar” os times de futebol. Alias, a memória de Ceni também resolveu dar uma saidinha. 


Deve ter dado a desculpa de ter ido buscar a lógica, mas assim como esta também decidiu não voltar mais.


Bastaria alguém lembrá-lo que uma recente intervenção do estado no futebol fez com que o estádio do Morumbi fosse retirado da Copa do Mundo, e, por causa de politicagem do mais baixo nível, o Corinthians conseguiu um estádio de forma suspeitíssima. Nada contra o Corinthians, e nem a favor do São Paulo. Mas dinheiro de contribuinte não é capim…


Não há do que reclamar aqui: politicagem do nível do chiqueiro, como esta ocorrida na questão Morumbi X Itaquerão, é um padrão da ação estatal. Perto desse tipo de gente (que “toma conta” do estado brasileiro), o pessoal da CBF possui um padrão ético e moral elevado. 


 Lembrando que estar em um padrão ético e moral elevado, em comparação com essa turma que hoje cuida do governo, não significa absolutamente nada. Não estou elogiando a CBF.


Eu acho que Dilma e seus amiguinhos petistas vão deixar o futebol um pouco de lado. Enquanto isso, vamos ter que aturar a turma do Sem Noção FC, novo movimento criado por gente querendo estatizar o futebol.

  Replies


  1. “O Rogério Ceni é chato pra caralho”
    - LEITE, Milton.



  2. Ha essa vontade louca do brasileiro de ser “funcionário público”… Que mentalidade horrível essa.


  3. Dou duas sugestões para a propalada modernização do futebol brasileiro: a) dotar os clubes brasileiros de gestão capitalista eficiente, dispensando qualquer socorro seja do governo federal, seja da CBF (de que outra maneira os clubes se tornarão competitivos!?); e b) tornar o Judiciário Desportivo realmente independente da CBF e federações (de que outra CBF e federações de futebol estaduais serão punidas!?)


  4. Sou saopaulino e na defesa do MITOCENI ele tem todo direito de emitir opinião já que estamos numa democracia,poderia ele até elogiar chequervara e no máximo ser contestado.Agora, preocupante mesmo é o projeto de lei do Álvaro Dias de que o governo deve fiscalizar as contas da CBF.Preocupante é essa oposição que está lá no congresso.Creio que não seja má fé, tanto do MITOCENI ou do Álvaro.Acho q é burrice mesmo, ou talvez é o pensamento enraizado no brasileiro de que o estado deve prover tudo.


  5. ele está tava sendo irônico


  6. Mais um jogador de futebol que engrossa a lista dos falastrões e fanfarrões que não tem a menor ideia do que estão dizendo, mas são orientados ou acham lindo dar palpites. Ou talvez queira se promover visando algum cargo após encerrar a carreira, como tantos outros também fizeram. De qualquer forma, presta um desserviço ao esporte e contribui para a decadência do futebol brasileiro.



  7. A respeito, Luciano, veja este post, publicado no blog do Instituto Liberal:

    Liberalismo e futebol
    Por Instituto Liberal em 17/07/2014
    João César de Melo*

    O que seduz bilhões de pessoas numa Copa do Mundo?

    Erra quem diz que é o amor ao esporte, já que apenas uma pequena parte do público entende de futebol.

    O que as move é o culto à vitória. Vitória de alguns sobre muitos.
    A exemplo de todas as outras espécies de animais, o homem procura suas referências nos mais fortes e talentosos. Assim como cada espécie tem sua forma particular de identificação de seus indivíduos alpha, o homem tem as suas, sendo o esporte uma delas.
    Quanto mais gols um jogador faz, mais aplausos recebe sem que ninguém fique com pena do time ou da torcida adversária.
    A vitória de uma seleção agrega valor à imagem de seu país. O mundo o enxerga melhor, descobrindo belezas até entre as piores mazelas; seu povo infla-se de auto-estima porque enxerga na vitória de uns poucos jogadores, suas possíveis vitórias.
    O povo ama apenas os vencedores.

    Não há sequer um ser vivo que não queira ser reconhecido como um vencedor.
    Fora dos gramados, os socialistas argumentam que o problema do mundo é a má distribuição de renda. Culpam a ganância dos agentes capitalistas por eles se negarem a dividir seus lucros com os mais pobres. Afirmam que a pobreza de muitos é resultado da riqueza de poucos – “toda riqueza é injusta!”, gritam. 

    Apontam questões raciais e sociais como justificativa para o fracasso de indivíduos. Insistem que o Estado deve arbitrar sobre a distribuição das riquezas através de um pequeno grupo de pessoas com poder para tirar de uns e entregar a outros.

    Diante disso, lanço outras perguntas:

    Qual torcedor apoiaria a criação de uma instituição que se dedicasse a tornar o futebol um esporte igualitário, acabando com a concentração de títulos e aplausos num restrito grupo de jogadores, clubes e seleções?

    Qual torcedor apoiaria um pequeno grupo de pessoas, que nunca pisou num gramado de futebol,com poder para arbitrar as seguintes normas:

    1 – Jogadores só podem fazer dois gols por partida, para assim não tirar a oportunidade de outros jogadores também fazerem os seus gols e receberem os aplausos do público;
    2 – Todos os torneios devem ter um sistema de taxação progressiva sobre as equipes que acumulam vitórias, para que seus pontos sejam distribuídos entre as equipes com piores colocações na tabela;
    3 – Toda vez que uma equipe marcar dois gols de diferença, deve permitir que a equipe adversária marque um gol, para que esta possa voltar a ter chances de competir com igualdade;
    4 – Toda equipe com pelo menos um jogador afrodescendente deve obrigatoriamente ser dirigida por um técnico também afrodescendente para, assim, eliminar qualquer suposição de dominação racial;
    5 – Os patrocínios capitalistas devem ser eliminados para que o esporte não fique refém da ganância de empresários;
    6 – Todas as equipes devem ser financiadas com dinheiro público, com todas recebendo os mesmos valores, para que nenhuma tenha vantagem sobre as outras;
    7 – Não deve haver distinção salarial entre jogadores, técnicos e comissão técnica, para que ninguém se sinta mais importante que o outro;
    08 – Os ingressos dos jogos devem ser cobrados apenas da classe burguesa capitalista, para que a renda seja usada para financiar os ingressos da classe trabalhadora;
    09 – Todas as equipes devem destinar 50% das vagas para jogadores afrodescendentes, indiodescendentes, gays e provenientes da classe trabalhadora como forma de reparação pela histórica discriminação e exploração que sofreram;
    10 – Filhos de membros da diretoria da Confederação Revolucionária de Futebol (CRF) também devem ter prioridade de vagas nas equipes, porém, sendo imunes a penalidades, afinal, representam os heróis revolucionários do futebol;
    11 – Em todos os estádios devem ser ostentadas imagens do líder da CRF para que o povo sempre tenha a oportunidade de reverenciar o responsável pela revolução do futebol;
    12 – Os hinos dos clubes devem fazer referência à revolução e à igualdade no futebol;
    13 – Todos os uniformes devem ser na cor vermelha, contanto que alguns sejam mais vermelhos que outros.

    Qual amante do futebol aceitaria isso? Nenhum. Nem aquele que se diz socialista.

    Quais as diferenças conceituais da proposta acima em relação ao sistema político, social e econômico implantado em Cuba e na Coreia do Norte?
    Apenas os itens 04 e 09.

    Por mais idiotas que sejam as treze (com trocadilho) propostas acima, elas representam a essência do socialismo que, em pleno século XXI, ainda insiste que o Estado deve controlar os talentos, os desejos e as ambições humanas.
    Se o sistema descrito acima fosse implantado, obteria os mesmos resultados obtidos pelos países que adotaram o socialismo: desmotivação produtiva. No futebol, atletas perderiam a motivação de jogar bem e o público perderia o interesse pelo esporte por não vê-lo mais como uma vitrine de talentos. Na economia, empresários perderiam a motivação de produzir e o consumidor se veria diante de prateleiras com cada vez menos produtos a preços cada vez mais altos.

    É imprescindível entendermos que todos os comportamentos humanos estão correlacionados.

    Quando Ludwig von Mises diz que o liberalismo econômico oferece um “plebiscito diário e contínuo” sobre os produtos, ele remete à nossa característica de desejarmos apenas o melhor para nós; e nosso poder de identificação do que seria o melhor depende da diversificação da oferta, que depende de liberdade produtiva, que é movida pelo lucro que os produtores enxergam poderem obter.

    Não é um decreto presidencial que indica o craque de um time ou de um campeonato. É o público, avaliando seus resultados em campo, independentemente da raça ou origem social do jogador. O público quer gols! Muitos! Seja lá de quem for.

    Não é o desejo de ver o público feliz que motiva um jogador a fazer seus gols, mas sim as recompensas materiais que receberá.

    Sem a possibilidade de se tornar rico como jogador de futebol, um jovem provavelmente tentará ser um empreendedor ou um profissional de sucesso mas, se não tiver talentos relevantes, só lhe restará tentar ser ativista, sindicalista ou político – quem sabe, presidente do Brasil!


    *Arquiteto e artista plástico; autor do livro Natureza Capital e colunista do Instituto Liberal

Cristina banca a vítima e fala de “pilhagem” contra a Argentina… ela QUASE acertou!

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Se picaretagem intelectual fosse um emprego, o funcionário do mês sempre seria um bolivariano. Simplesmente eles competem para ver quem é mais cara de pau, cínico, chantagista emocional e daí por diante.

Agora é a vez de Cristina Kirchner, cujo país está doido da silva para dar calote em seus credores, como vemos em notícia da Veja.

Ela abusou do papel de vítima ao vir ao Brasil para um encontro que os líderes dos BRICS tiveram com outros presidentes sul-americanos. Foi quando ela aproveitou para choramingar sobre os fundos “abutres” que ganharam ação na Suprema Corte dos Estados Unidos e agora querem receber a grana. Segundo a chorona Kirchner, o valor dos papéis é injusto. Sob quais critérios? Só se for o critério do “quem não chora não mama”.


Leia mais a respeito do que ela afirmou nesta última quarta-feira, 17/7:
O governo Kirchner afirmou que está disposto pagar seus credores, mas apenas aqueles que aceitaram a reestruturação de sua dívida nos anos de 2005 e 2010. Os fundos abutres não aceitaram a renegociação e ganharam na Justiça o direito de receber o valor cheio dos títulos. Ocorre que, segundo a decisão da Corte, o país não conseguirá pagar os credores que aceitaram a reestruturação se também não fizer o pagamento aos fundos abutres.

Cristina criticou a decisão e colocou a Argentina como vítima: “Cremos em uma pátria grande e que se deve terminar essa espécie de pilhagem internacional em matéria financeira que hoje estão querendo fazer contra a Argentina, mas que vão tentar levar adiante contra outros países”, disse ela. Os “abutres” compraram os papéis da dívida argentina por 48,7 milhões de dólares em 2001 e querem receber, hoje, cerca de 1 bilhão de dólares.

Ao celebrar o fortalecimento dos laços dos Brics com os países da América do Sul, a presidente da Argentina também criticou os organismos multilaterais existentes. “Vão surgindo cada vez mais instituições que questionam este funcionamento dos organismos multilaterais que, em vez de dar soluções, não fazem nada além de complicar a vida dos povos”, afirmou. O encontro dos Brics com presidentes sul-americanos reúne dezesseis chefes de Estado em Brasília nesta quarta-feira.
Na verdade, fundo abutre não passa de um jargão usado no mercado financeiro, definindo fundos de hedge que investem em países caloteiros. Geralmente estes países se encontram na América Latina e na África. Só coisa fina.


A atuação dos fundos abutres é legítima, já que eles emprestam dinheiro em troca de “títulos podres”. Eles compram títulos de nações em default, por um valor irrisório, e depois vão acionar o país na justiça para ter os ganhos integrais.


Imagine a seguinte situação. X deve R$ 100.000,00 a Y. Mas Y está doido para receber a grana, e não vê condições de receber de X. Desesperado, Y encontra W que lhe paga R$ 30.000,00 pelos seus “títulos podres” de R$ 100.000,00. Como são “títulos podres”, Y não conseguia encontrar sequer um banco tradicional para lhe amparar, mas W apareceu. Este é o abutre. Ao entrar na justiça contra X, W recebe R$ 300.000,00, 10 anos depois, devido aos juros acumulados e coisas do tipo. Simples assim.


Considerando uma dívida de mais de 10 anos, em títulos podres, a transformação de um investimento dos abutres de 48,7 milhões de dólares em atuais 1 bilhão de dólares não é nada surpreendente. Detalhe: os 48,7 milhões de dólares foram o investimento do fundo abutre, portanto podemos supor que a dívida original representada por esses títulos podres era no mínimo 2 ou 3 vezes maior.


Nenhum credor tradicional iria pagar por esses títulos, a não ser os fundos abutres. Devemos lembrar que na época a Argentina estava com a fama mais feia que indigestão de torresmo. E a coisa não melhorou hoje em dia. Alias, a coisa tende a piorar se Cristina Kirchner não parar com esse vitimismo ridículo. Para melhorar a imagem, ela deveria pagar o que deve.

A Argentina está sendo vítima não de pilhagem internacional, mas de pilhéria de mais uma socialista depravada.


Aécio diz que Lula e Dilma são “de direita”. Ele pirou? Não, nem um pouco…

aecio
Quando eu li “A Arte da Guerra Política”, de David Horowitz, estava em época de estudos da dinâmica social. 

A mistura de psicologia evolucionista com psicologia social, além da imersão no material de Horowitz, mudou minha concepção de política. Posso dizer que a partir daí esse blog mudou toda a perspectiva, adquirindo um realismo político e pragmático que definiu meu paradigma de investigação política.


“É a política, estúpido” foi uma das frases mais repetidas no livro de Horowitz, sempre quando nos defrontávamos com elementos que fugiam ao senso comum. Na política pública, muitas vezes as coisas não são tão óbvias, pois trabalhamos com muitos fatores.


Eis que Aécio Neves rebateu Eduardo Campos e disse que Lula e Dilma tinham características “de direita”. Alguns eleitores de direita que bandeavam para o lado de Aécio ficaram indignados. 


Eis que lhes digo, a la Horowitz: “É a política, estúpido!”.


Antes de tudo, vejamos do que estou falando. Em sabatina no UOL, Aécio rebateu crítica de Eduardo Campos, o qual afirmou que o programa de governo do tucano tinha viés conservador. Aécio disse:
Um governo, por exemplo, que propiciou os maiores lucros da história ao sistema financeiro e, como contraponto, um governo que colocou 97% das crianças na escola. Se fizesse uma avaliação, qual é de esquerda e qual é de direita, a maioria iria dizer que aquele que propiciou lucros estratosféricos ao sistema financeiro seria de direita e o que investiu na educação, de esquerda. Nesse caso, o mesmo presidente Fernando Henrique [Cardoso] seria de esquerda e o governo da presidente Dilma e do presidente Lula seria de direita.
Ele ainda afirmou:
Acho que esses conceitos conservador, progressista, esquerda, direita, são conceitos muitos abstratos, têm pouca conexão com a realidade.
Em ambas respostas, ele está correto em termos de estratégia política, pois ao superar o debate direita x esquerda, ele transmite a mensagem: “Não me importa de onde venham as ideias, eu vou implementar o que funcione”.

Assim, nenhum candidato querendo aparecer como o moderado (e, na dúvida, as pessoas optam pelo centro) deve se posicionar entre direita e esquerda.

Note que, em termos intelectuais, eu ataco ferrenhamente a esquerda, como faço neste blog, mas eu não sou candidato. Eu não estou vendendo minhas propostas a uma parcela do eleitorado que acostumou-se a confundir termos como direita e esquerda.

Outro detalhe: o PT reconheceu ser de esquerda. 

Mas ao apontar o partido de Lula/Dilma como responsável pelo aumento do lucro dos banqueiros, Aécio transmitiu a seguinte mensagem ao eleitor: “eles são hipócritas”.
Quer dizer, ao mesmo tempo em que ele se colocou numa posição moderada (de “superação” das ideologias políticas), mostrou o oponente como contraditório, partidário e hipócrita.

Gostei bastante da postura, que chega a me surpreender positivamente.


Em tempo: abaixo temos um dos melhores memes feitos em homenagem à Aécio. Ao que parece, não foi feito pelo comitê de campanha do tucano. Que pena, pois seria um gol de placa.

Veja:
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Escravos Cubanos: Aécio demonstra uma alternativa moral e Dilma segue mentindo na defesa do indefensável

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Sempre que a questão dos escravos cubanos é trazida à baila, assistirmos um espetáculo deprimente, no qual vemos embustes típicos de cretinos ou sabotadores da ordem democrática. Estes embustes sempre são usados para defender ideias indefensáveis, como a escravidão de pessoas e o regime castrista.


Os petistas são realmente um caso sério. Recentemente, deram mais um show de desonestidade após Aécio fazer propostas para melhorar o programa Mais Médicos.
Antes de tudo, vejamos o que disse Aécio, na última quarta-feira:
Temos que rever esse acordo. Por que nós é que temos que concordar com o governo cubano?
Quando foi questionado sobre a possibilidade da revisão inviabilizar a contratação de médicos cubanos, Aécio disse:
O governo brasileiro financia o governo cubano com parte da remuneração dos médicos. Vamos estabelecer novas partes de negociação. Não vamos aceitar as regras impostas por Cuba. Não vamos cometer o equívoco de circunscrever o problema da saúde ao Mais Médicos.
Basicamente,  ele disse o óbvio: não podemos aceitar as regras de um governo ditatorial. Claro que ele poderia ser mais específico na proposta, mas aqui vai minha sugestão, em um passo a passo (qualquer opositor do PT não precisa agradecer):
  1. Proibir que Cuba exija o retorno de qualquer profissional. Deve-se acionar a ONU de forma antecipada.
  2. Ao final do contrato de cada profissional, encerra-se o acordo com Cuba, e o médico tem a oportunidade de ficar no Brasil. Mesmo assim, os termos atuais já devem ser discutidos.
  3. Este profissional só pode atuar na atenção básica enquanto não fizer o exame Revalida, mas tem o prazo de 5 anos para fazê-lo, a partir do qual poderá escolher seu destino.
  4. Esta libertação dos escravos é opcional, mas quem continuar escravo de Cuba terá que retornar ao final do contrato de três anos para o país castrista. Isto é, após o final do contrato atual não existirá mais envio de verbas para qualquer ditadura por “aluguel de gente”.
  5. Todo profissional que optar por ficar no Brasil tem o direito de ter sua família por aqui.
  6. Todos os agentes cubanos, que fiscalizam os médicos, devem ser deportados de volta para Cuba. Por exemplo, não é possível ter um agente cubano aqui dizendo aos médicos que “eles tem que tomar cuidado, por que as famílias seguem na Ilha”. Lembremos que chantagista é igual marginal da pior espécie…
  7. A ONU deve ser acionada caso o governo cubano se recuse a liberar as famílias dos médicos cubanos que optarem por ficar.
  8. O salário integral deve ser pago aos cubanos.
Seja lá como for, mesmo que Aécio não tenha apresentado um plano, como o elaborado acima, a discussão do contrato e o questionamento às regras impostas por Cuba já é um passo adiante em termos civilizatórios.


Enquanto isso, na sexta-feira (18), Dilma começou a rebater com mentiras, inventando o seguinte factóide: “Aécio é contra o Mais Médicos”. Leia:
Para nós, as criticas ao programa feitas pelo senador não significam uma sugestão para a melhoria do programa. Na verdade, essas críticas demonstram simplesmente que o senador é contra o Mais Médicos, aliás como foi a posição do seu partido, ao longo de todo o processo de aprovação.
Muito bem! Se Aécio disse que os termos deveriam ser negociados com Cuba, e isso significa ser contra o Mais Médicos, então Dilma acaba de reconhecer que Cuba não está disposta a negociar. Detalhe: em nenhum momento Aécio afirmou ser contra o Mais Médicos…


Leia abaixo como Dilma prossegue em seu parangolé, dizendo que o Revalida aprova um número insuficiente de médicos. Ela lembra que no ano de 2013, de 1.595 participantes, foram aprovados 109, portanto, 6,8%. Mais:
[...] enquanto a procura por médicos for maior que a oferta, quem fizer o Revalida vai preferir as regiões mais ricas.
Ué, um dos argumentos petistas dizia que os médicos cubanos representavam a “revolução da Medicina”. Portanto, não deveriam ter problemas para passar no Revalida.


Em seguida, ela diz que o problema é o médico “preferir” onde quiser trabalhar. Mas não são eles que diziam que os médicos cubanos não eram escravos e, portanto, poderiam escolher onde queriam trabalhar? Como se vê, é só deixá-los falar que eles se entregam.


Ainda na sexta-feira, Aécio rebateu as mentiras de Dilma:
Não há nada que desqualifique tanto o debate político e desonre tanto a democracia quanto o uso da mentira e de artifícios como o de colocar na boca do adversário palavras que ele não disse. Práticas que se tornam ainda mais graves quando partem da presidente da República [...] hoje, a candidata mentiu ao dizer que eu sou contra o Mais Médicos. Para que não haja duvidas: não vou acabar com o Mais Médicos, vou aprimorá-lo. Não vou acabar com o Bolsa Família vou aprimorá-lo.
É assim que se fala: é importante chamar um mentiroso pelo nome, assim como apontá-lo como desqualificado para participar do debate público.
Ele segue:
[...] o povo brasileiro merece um debate eleitoral que respeite a verdade [...] melhorar programas sociais, promover avanços, é dever de todo governante responsável. Apenas os autoritários, os que se julgam donos da verdade, espalham o medo por temerem mudanças e os avanços que elas podem trazer.
Eu acho que esse tom deve ser explorado cada vez mais não apenas por Aécio, como por qualquer opositor de Dilma. Apontar uma mentira e desmoralizar quem tenta transformar a mentira em um método. As denúncias ao autoritarismo também são mais que bem vindas.


A queda de Dilma nas pesquisas deve se refletir em um aumento de mentiras por parte dos governistas. A postura de desmascaramento dessas figuras deve resultar em bons frutos caso não deixemos nenhum desses papelões incólumes.

Gastando cartuchos - ELIANE CANTANHÊDE


FOLHA DE SP - 20/07


BRASÍLIA - Sabe o dado mais importante do Datafolha? Eduardo Campos, que só tem 8% de intenções de voto, dá um salto espetacular para 38% num eventual segundo turno entre ele e a presidente Dilma Rousseff. Como assim?

A única explicação é que as pessoas não votariam a favor dele, mas contra Dilma e o PT. A rejeição dela bate em 35%, o dobro da de Aécio (17%) e mais que o dobro da de Campos (12%); e a avaliação ruim/péssimo do governo bate em 29%.

Vai ficando cada vez mais evidente que a grande chance de Dilma ser reeleita é arrancar a vitória no primeiro turno. O que, pelo andar da carruagem, parece bastante improvável. Ela vai mal em São Paulo e caiu no Nordeste, entre as mulheres e nas maiores cidades, que são irradiadoras de votos.

Dilma ainda é favorita (36%), mas, se a eleição for para o segundo turno, a coisa pode ficar feia. A diferença entre ela e Campos é de apenas sete pontos (45% a 38%). Entre ela e Aécio, que já foi de 27 pontos em fevereiro, caiu para irrisórios 4 pontos (44% a 40%) em cinco meses. Considerando a margem de erro de dois pontos, há empate técnico entre Dilma e Aécio, que tem muito menos exposição.

A situação da candidatura Dilma acirra os ânimos do PT e do seu grande líder, Lula, que vive hoje um triplo pesadelo: Geraldo Alckmin com mais de 50% para o governo e José Serra na dianteira para o Senado em São Paulo e Dilma gastando todos os seus cartuchos sem acertar o alvo para a reeleição.

Se Dilma está assim com Copa, Brics, presidentes da Rússia, da China e da América do Sul e uma série de entrevistas, como poderá evoluir bem daqui em diante?

Ela tem mais que o dobro do tempo de TV de Aécio e Campos na campanha, mas TV e marketing não fazem milagre. Talvez a economia fizesse, mas os ventos internacionais não induzem ao otimismo. Nem o desempenho do governo Dilma até aqui.
 
 

Candidatos põem UPP em risco - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 20/07


Diante do êxito da política de Segurança, concorrentes ao Palácio Guanabara desejam ampliá-la; mas, com isso, podem desestabilizar a própria política


Até pelo seu peso na própria história da segurança pública do Rio de Janeiro, embora ainda não tenha uma existência longa, a política das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) teria grande destaque nos debates na campanha eleitoral para o governo do estado. Com início em 2008, quando a primeira UPP foi instalada, no morro Dona Marta, em Botafogo — escolhido por ser uma favela pequena — acumula grande saldo positivo (o que não significa que não haja impasses, retrocessos, necessidade de aperfeiçoamentos). 
 
 
Entre outros, as UPPs têm o mérito de ter acabado com o sobe e desce, o entra e sai da polícia nas chamadas comunidades, operações sempre muito arriscadas, principalmente para os moradores. Veio daí o uso recorrente do termo “bala perdida” para explicar a morte de inocentes.

A decisão da Secretaria de Segurança, sob o comando de José Mariano Beltrame, de entrar e ficar pode ser comparado ao “ovo de Colombo”. Era óbvio, mas ninguém fez. Hoje, são quase 40 UPPs, sob a proteção direta das quais está uma população superior a 700 mil pessoas — se considerarmos a proteção indireta, o número mais que dobra. Os índices de criminalidade caíram, e algumas regiões da cidade gozam de uma tranquilidade não usufruída há muito tempo.

No início da semana, O GLOBO ouviu os principais candidatos sobre o tema: Anthony Garotinho (PR), Marcelo Crivella (PRB), Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Lindbergh Farias (PT)Até por terem sido curtos, os textos com a posição de cada trazem a sua essência, e nela tem-se uma notícia boa e outra ruim. A boa é que ninguém contesta mais as UPPs. A ruim está na visível ânsia de todos de explorar ao máximo o que dá certo, e isto é arriscado.

Garotinho deseja instituir o Batalhão de Defesa Social, para suprir deficiências das UPPs na atuação direta junto ao morador. A ideia não é nova, e basta fazer uma boa coordenação de todos os órgãos do poder público que atuam nesta direção nas comunidades. Crivella, Pezão e Lindbergh querem ampliar bastante a área de cobertura da polícia. É acertado, mas como? 
 
 
Os três tocam em aspectos essenciais: melhor formação do policial, impedir que a UPP vire coisa de “Zona Sul” (já não é, pois dos mais de 700 mil moradores de comunidades beneficiados ‘diretamente, menos de 120 mil são da Zona Sul) e que se acabe com o desguarnecimento de batalhões na Região Metropolitana, incapazes de enfrentar a migração da violência para a Baixada. O candidato petista frisa que “só ocupação policial não resolve”.

Está tudo certo, mas como implementar as corretas propostas com escassez de recursos e baixa qualificação, em geral, de quem se candidata a soldado da PM? Mesmo numa favela-vitrine, a Rocinha, PMs da UPP desapareceram com Amarildo. Os candidatos precisam fazer propostas realistas, para que, numa ampliação voluntariosa, as UPPs não caiam em descrédito. Seria ruinoso




Fantasmas de eleições passadas - VINICIUS TORRES FREIRE


FOLHA DE SP - 20/07


Disputa difícil vai depender ainda mais de 'novidades' mostradas no horário eleitoral gratuito

O QUE ENSINAM pesquisas de voto para presidente em eleições passadas? Praticamente nada. Obviedades. Alguns contrastes. De mais importante, aprende-se que é muito cedo para dizer grande coisa, ainda mais quando se observa o estado paradoxal da disputa. Dilma Rousseff (PT) está tanto à beira da vitória no primeiro turno como da derrota caso tenha de enfrentar um segundo turno.

Obviedade esquecida em cada eleição: convém esperar o que acontece entre o início da campanha e o começo da propaganda em TV e rádio, a reação do eleitorado entre o final de julho e meados de agosto. Parece ser o momento em que o grosso do eleitorado acorda para a eleição.

O voto dos eleitores de renda mais baixa costuma mudar mais do que o do eleitorado "mais rico", de renda familiar superior a dez salários mínimos, de resto muito minoritário.

Não raro, algum acidente, escândalo ou derrapada feia de candidato importante acaba dando uma balançada temporária nos números das pesquisas.

Nas eleições de 2006 e 2010, a vantagem que Lula e Dilma tiveram no Nordeste foi decisiva para o resultado final. Em agosto, logo depois do início da propaganda na TV, a votação nordestina era maciçamente pró-PT (mais de 60%). Não vem muito ao caso lembrar as eleições de 1994, 1998 ou 2002. Trata-se de disputas muito antigas, entre personagens de lastro histórico e político maior; uma delas foi travada em situação de quase colapso econômico (2002). Não é o caso.

Nesta eleição, a vantagem de Dilma no Nordeste ainda é grande, mas a presidente domina menos votos. Por ora empata com Aécio Neves (PSDB) no Sudeste.

A presidente quase não tem mais vantagem em regiões mais ricas e em cidades maiores do país (com mais de 500 mil habitantes), muitas delas mais afetadas pelo esfriamento da economia e, em geral, menos dependentes de dinheiro público e mais do setor privado.

Dilma tirou dez pontos de diferença nas pesquisas e empatou com José Serra (PSDB) entre abril e maio de 2010, empate que durou até o final de julho. Com o início da campanha, Dilma deslanchou. Basicamente, foi quando o grosso do eleitorado mais pobre, da cidade pequena, do Nordeste, soube que ela era a "mulher do Lula", que beirava os 80% de avaliação "ótimo/bom".

Não sendo novidade e em crise de prestígio, Dilma terá de informar ou lembrar os eleitores do trunfo restante, e relevante, de seu governo, a expansão dos programas sociais. Se tal informação já "está no preço", se já é considerada pelo eleitor mais pobre, a presidente tem um problema sério.

Quanto à economia, o grosso do eleitorado não teme, por exemplo, perder o emprego, mas demonstra insegurança ou insatisfação mais difusa por meio do medo manifesto de inflação maior. Trata-se de uma espécie de voto de desconfiança mais genérico, não necessariamente ligado ao medo de carestia, a julgar pelo histórico de 20 anos de pesquisas.

Uma incógnita importante é o que dirão os candidatos de oposição (até agora, nada disseram de relevante). Aécio e Eduardo Campos (PSB) não animam muito; passam a ter muitas chances no segundo turno devido a uma coalizão anti-Dilma, não a seus méritos próprios, por ora ao menos.
 

Dilma e a economia - SUELY CALDAS



O ESTADO DE S.PAULO - 20/07


Na última semana pesquisas diversas constataram: o desempenho da economia piorou e vai piorar mais, caem os índices de avaliação do governo e de intenção de votos na presidente Dilma e cresce sua rejeição entre os eleitores, alcançando 35%, a taxa mais alta entre todos os candidatos. Cenário áspero, cada dia mais difícil para uma disputa eleitoral que há seis meses dava como certo um segundo mandato para a petista.

Desde o primeiro ano, 2011, a fragilidade do governo Dilma tem sido desordenadamente construída pelo vazio de um projeto para o País e por uma sucessão de erros na gestão econômica, que têm nas medíocres taxas de crescimento do PIB a inescapável resposta. Entre 2011 e 2013, a taxa média do PIB foi de 1,97% e, se conseguir alcançar 1% em 2014 (há apostas abaixo disso), Dilma terminará seu mandato com 1,7% - o terceiro pior desempenho econômico da história do País, depois dos presidentes Collor (-1,3%) e Floriano Peixoto (-7,5%).

Diferentemente de seu antecessor e padrinho: em oito anos de Lula, a expansão média do PIB ficou em 4%. Em 2010 a taxa subiu para 7,5% e ajudou (muito) a eleger Dilma. A situação agora se inverte e ela não consegue ajudar a si própria. É certo que Lula contou com a sorte de uma economia mundial próspera em seu primeiro mandato. E, no segundo, o País abalado com a crise financeira do mundo rico, Lula usou de artifícios para acelerar a economia e vencer a eleição em 2010, fez a sucessora, mas lhe entregou uma herança pesada que ela não soube desfazer e até aprofundou. Exemplo: o represamento de tarifas públicas e a preocupante situação financeira da Petrobrás.

Pesquisas recentes (retração de 0,18% na economia, medida pelo Banco Central, o BC; estagnação das vendas do comércio e serviços; desaceleração na geração de empregos) e outras antigas e renitentes (inflação colada no teto da meta; juros nas alturas; queda da produção industrial) não são surpresa para o governo Dilma. Elas têm sido captadas pelo Banco Central, para monitorar suas ações e decisões, e explicitadas em cada relatório trimestral da inflação que a diretoria do banco apresenta ao Senado. No último deles, no fim de junho, o BC manifestou preocupação com o baixo crescimento de todos os setores da economia e previu: em 2014 a agricultura vai despencar de 7% para 2,8%, a indústria retrocede 0,4% e serviços crescem só 2%. Depois das últimas pesquisas, certamente o BC está refazendo essas projeções.

Portanto, surpresa não é. Mas, a cada pesquisa de maus resultados, a equipe da presidente Dilma reage como avestruz: viu antes, mas finge que não viu, surpreende-se e descreve um mundo cor-de-rosa (e desacreditado) para o futuro, garantindo que o quadro será revertido nos meses seguintes. Na arte da ilusão o ministro Guido Mantega é campeão, mas a última foi do ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT): ao divulgar que a geração de 25,4 mil empregos em junho foi a pior desde 1998, ele reagiu: "Nos próximos meses vai expandir mais porque a presidente vai anunciar medidas de estímulo para as pequenas e médias empresas".

E tem sido assim. Se o emprego vai mal, se a indústria se retrai, se o consumo recua, o governo corre para tapar buracos. Desde 2006, quando Dilma venceu a disputa pelo comando da economia com o ex-ministro Palocci e a ordem passou a ser gastar mais, imediatamente surgiu a operação "tapa-buraco" em rodovias. Não se pensou em construir novas e carentes estradas, mas em queimar dinheiro cobrindo buracos nas existentes, que as chuvas e o desgaste do asfalto tratam de refazer.

A "mãe do PAC" fez um plano para o País acelerar o crescimento no presente e vencer disputas eleitorais, mas não se preocupou em desenhar estratégias e construir projetos para o futuro. E assim tem sido nestes quatro anos. Junte-se aí uma sucessão de erros de gestão (o represamento de tarifas de combustíveis e energia elétrica e os truques e mágicas nas contas públicas são os mais graves), e Dilma Rousseff colhe agora a descrença de quem pretende e tem potencial para investir, mas acaba adiando investimentos. E o mau desempenho da economia reflete isso.