segunda-feira, 21 de julho de 2014

'Candidatos devem evitar compromissos que resultem em baixo crescimento'

Entrevista - Bernard Appy


Ex-secretário da Fazenda, Bernard Appy diz que o país precisa mudar a estrutura fiscal para voltar a crescer e faz um alerta aos presidenciáveis sobre os ajustes necessários na economia em 2015

Talita Fernandes
Bernard Appy, economista e sócio da LCA Consultores e ex-secretário-executivo da Fazenda
Bernard Appy, economista e sócio da LCA Consultores e ex-secretário-executivo da Fazenda (André Dusek)
 
As expectativas de baixo crescimento econômico – mísero 1% para este ano –, e de inflação na casa dos 6% fazem da área econômica o calcanhar de Aquiles do governo Dilma Rousseff, que tentará a reeleição. Os dois principais adversários, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), têm feito promessas de reduzir a inflação para o centro da meta, de 4,5%, cortar gastos públicos e pôr o país numa trajetória de crescimento consistente. 


Dentro desse cenário, o economista da LCA Consultores e ex-secretário-executivo da Fazenda Bernard Appy afirma que os candidatos têm de tomar cuidado para não se comprometer com promessas que podem piorar ainda mais o cenário. "O que precisamos fazer no Brasil é enfrentar as escolhas e dizer que se for aumentar gasto em um setor será necessário cortar gastos em outro", diz. 


Para ele, medidas que implicam em aumento de custo para o Estado sem explicar de onde virá o dinheiro são meramente "populistas". Leia a entrevista ao site de VEJA.
Do ponto de vista econômico, o que o senhor acha que deve estar na agenda dos presidenciáveis?  


O que eu não gostaria é que os candidatos assumissem compromisso de natureza populista, que resultará na economia crescendo menos no longo prazo. Medidas que sinalizam aumento de gastos sem sinalizar de onde eles virão são sustentáveis no longo prazo. 


O que precisamos fazer no Brasil é enfrentar as escolhas e dizer que se for aumentar gasto em um setor será necessário cortar gastos em outro. O Brasil tem uma estrutura de política fiscal que conspira para o baixo crescimento. Temos uma parcela enorme de gastos rígidos e, por conta disso, quando há período de crescimento da economia e, consequentemente, aumento da arrecadação, acaba-se criando espaço para ampliar gastos que não são reversíveis no futuro. 


Em contrapartida, no momento em que a economia desacelera e os gastos são mantidos, o ajuste é feito via aumento de carga tributária e redução de investimento. Nossa estrutura de política fiscal faz com que ao longo do tempo haja uma carga tributária crescente e um nível de investimento público baixo e isso faz com que a economia cresça menos. 


 Eu acho que esse deveria ser um tema central no debate das discussões das campanhas eleitorais. Na campanha eleitoral, geralmente se discute o aumento de gastos e não onde será feito o ajuste para liberar espaço fiscal.

Perfil

BERNARD APPY
Economista, formado pela Universidade de São Paulo, Appy ocupou os cargos de secretário-executivo e de política econômica do Ministério da Fazenda, período durante o qual tentou promover mudanças na estrutura tributária do país. O economista também já passou pela BM&FBovespa e presidiu o Conselho de Administração do Banco do Brasil. Atualmente é diretor da LCA Consultores, em São Paulo.


Quais são exemplos desses gastos rígidos? Um exemplo bem claro disso é essa decisão recente de alocar 10% do PIB para a educação sem haver qualquer avaliação de onde virão os recursos. Ninguém é contra a educação. Agora, quando se diz que se vai alocar 10% do PIB para educação sem dizer de onde virão os recursos, não vai ter de onde cortar as despesas porque elas já são muito rígidas. 


Com isso, tal proposta terá de ser cumprida com o aumento de carga tributária ou por meio do corte de investimentos. Uma política bem intencionada - de aumentar os recursos na educação - pode significar, no longo prazo, menor nível de investimento, maior nível de carga tributária e, possivelmente, uma menor taxa de crescimento do PIB no país. No longo prazo pode ser até que, por conta de um PIB menor, haja um gasto menor com educação do que se houvesse uma política mais voltada para o crescimento. Essa é uma discussão que não é feita no Brasil. 


O atual modelo de reajuste do salário mínimo também é um gasto rígido. Como corrigir isso? Como o salário mínimo é um fator muito importante em termos de gastos públicos, e como o salário mínimo hoje, proporcionalmente ao salário médio da economia, está em um nível alto comparativamente a outros países, acho que está na hora de rever a politica de reajuste. O que é possível fazer é vincular o aumento do salário mínimo ao aumento do salário médio da economia. Isso significa dar um aumento real para o salário mínimo, mas um aumento menor do que o que vem sendo dado com a vinculação ao PIB. Às vezes uma política que parece bem intencionada, como dar um reajuste grande real para o salário mínimo, ela parece positiva no curto prazo, mas se gera um efeito relevante sobre as contas públicas, ela pode ter um efeito de longo prazo de resultar em menor crescimento da economia. 
Uma reforma tributária no primeiro ano de governo está na agenda dos dois candidatos de oposição, contudo, eles ainda não detalharam como isso será feito. 

Quais os principais pontos que têm que ser apresentados? Acho que o foco principal da reforma tributária é hoje eliminar distorções que existem no país. Para dar um exemplo, nós temos um nível enorme de contencioso tributário, ou seja, de disputa tributária entre as empresas e o Fisco. 


Isso é resultado de uma legislação tributária complexa e imprecisa que temos no país. É preciso reduzir esse contencioso. Há um custo enorme para as empresas e também um custo grande para o governo na defesa de seus interesses. Isso cria insegurança para as empresas e elas acabam fazendo um investimento menor e, para investir passam a exigir um ganho maior, fazendo com que o consumidor pague a conta. 


Além disso, é preciso simplificar o ICMS e definir como serão resolvidos os incentivos da guerra fiscal, que são ilegais. Seria importante também incluir uma reforma do Imposto de Renda no Brasil. 


A maior parte dos países está reduzindo a alíquota do Imposto de Renda sobre as empresas e o Brasil tem uma alíquota elevada, de 34%. Isso criaria um ambiente de negócios melhor e mais favorável no país. Há uma série de outras questões mais técnicas da legislação tributária que teriam que ser tornadas mais simples para reduzir o grau de disputa entre empresas e o Fisco.

O primeiro ano de governo é um ano de ajustes, caso de 2015. Como fazê-los sem piorar a expectativa econômica, prejudicando ainda mais o crescimento? O ideal seria corrigir as tarifas que estão represadas logo no início do governo. Isso vai levar a um aumento da inflação e, provavelmente, exigirá um aumento da taxa de juros.

 Para evitar que essa situação provoque uma piora de expectativas, que pode comprometer o crescimento nos anos seguintes, é preciso sinalizar um ajuste fiscal consistente no longo prazo, que precisa ser percebido como crível e realizável. E, claro, o governo tem que cumprir aquilo com o que ele se comprometeu. É preciso também promover uma agenda de reformas como do modelo previdenciário, de modo a reduzir o ritmo de crescimento das despesas previdenciárias. 


Com isso, vai se criar um clima e uma perspectiva de que a trajetória de longo prazo do país é positiva, o que gera um clima favorável ao investimento. 

O que o senhor acha sobre o fim do fator previdenciário? O assunto começou a aparecer como propostas em análise por alguns candidatos. Eu sou radicalmente contra simplesmente eliminar o fator previdenciário. Isso significa aumentar os gastos do governo de uma forma relevante. A previdência já tem uma trajetória muito forte de aumento de despesas devido ao envelhecimento da população. 

E o fator previdenciário é uma forma de compensar parcialmente o impacto fiscal dessa trajetória. O que eu acho que precisa ser feito no Brasil é introduzir uma idade mínima de aposentadoria. O que acontece hoje é que as pessoas que se aposentam por tempo de contribuição se aposentam extremamente cedo, os homens com 55 anos e as mulheres com 52 e 53 anos. Idades em que as pessoas têm plenas condições de trabalhar. 


Eu considero socialmente injusto que a sociedade como um todo tenha de financiar um benefício previdenciário de uma pessoa em condições de trabalhar. Se houver uma idade mínima, o fator deixa de ser relevante e torna-se desnecessário. 


Agora, retirar o fator previdenciário sem colocar uma idade mínima é uma medida populista que certamente vai ter consequências fiscais relevantes no longo prazo. 
Apesar de já estarmos vivenciando uma situação de baixo crescimento há algum tempo, ainda temos taxas confortáveis de desemprego. Até quando tal cenário não influenciará o mercado de trabalho? Provavelmente 2015 vai ser um ano de piora na situação do desemprego porque é um ano que vai requerer um ajuste macroeconômico. 


Mesmo que tal ajuste não fosse feito, nós já estamos numa trajetória de baixo crescimento que só não se refletiu no aumento na taxa de desemprego porque tem menos gente querendo trabalhar hoje em dia. A população economicamente ativa está crescendo muito pouco no Brasil. Até por bons motivos, os jovens estão preferindo estudar mais em vez de entrar mais cedo no mercado de trabalho. 


Contudo, acho que a piora que virá não é uma situação desesperadora. Acho que com o ajuste macroeconômico gera uma piora na taxa de desemprego, mas, se for criado um ambiente positivo para o crescimento nos anos seguintes, o emprego tende a se recuperar rapidamente. 

Comitê de Dilma cogita ação contra Aécio






247 – O PT não tardou a reagir à reportagem da ‘Folha de S. Paulo’ que atribui a Aécio Neves o gasto de quase R$ 14 milhões, então como governador de Minas, em aeroporto construído em propriedade de um tio, o fazendeiro Múcio Tolentino. 


O comitê da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) à reeleição estuda mover uma ação judicial por improbidade administrativa contra o presidenciável tucano.
O presidenciável tucano negou irregularidades: “Já foi tudo explicado. Tudo foi feito com a mais absoluta transparência e correção; aliás como sempre faço”, disse em visita à região do Cariri cearense na tarde de ontem. 


Pelo Facebook, ele também apresentou carta resposta: "O aeroporto foi construído em área pertencente ao Estado, não havendo investimento público em área privada. Não houve nenhum tipo de favorecimento. Tanto que o antigo proprietário da área não concordou com a desapropriação e contesta suas bases na Justiça."


A questão virou alvo do Ministério Público de Minas Gerais. O promotor Eduardo Nepomuceno anunciou que irá analisar os fundamentos da desapropriação citada e por que parentes de Aécio controlam na prática o aeroporto, que deveria ser público. Ele teria as chaves do espaço.

Do lado do PT, o presidente nacional do partido, Rui Falcão, diz que o senador tucano não distingue o ''público do privado". "Ele usou o governo de Minas Gerais como extensão de suas propriedades", afirmou.

Já o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, classificou a construção do aeroporto como um "escândalo" e um "absurdo". "Mostra a hipocrisia do PSDB e do Aécio que a qualquer evento gritam CPI e apontam dedo. Agora, fazem um negócio desses."

O deputado estadual Rogério Corrêa (PT) também disse que começará a colher assinaturas nesta semana para abertura de uma CPI no Estado sobre o governo Aécio.
Na Folha, o colunista Ricardo Melo argumenta ainda que a obra representa um "choque de indigestão".

Veja abaixo documento do governo de Minas, apresentado por Aécio no Facebook, que comprovaria que aeroporto foi feito em terreno do Estado:





ONG aponta alta no desmatamento da Amazônia Legal em junho de 2014





Levantamento foi divulgado pela organização Imazon, com sede no Pará.
Devastação foi de 843 km², valor 358% maior ao de junho de 2013.

Do G1, em São Paulo
O desmatamento na floresta amazônica em junho deste ano foi de 843 km², aumento de 358% em relação ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com boletim do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado nesta segunda-feira (21).

O levantamento é paralelo ao oficial da devastação na Amazônia Legal, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a partir do sistema Deter, que detecta desmates em tempo real com a ajuda de satélites.

A maior parte da devastação ocorreu no Pará (464 km²), seguido de Amazonas (136 km²), Rondônia (126 km²), Mato Grosso (115 km²) e Acre (2 km²).

De acordo com o boletim, as maiores perdas aconteceram em áreas privadas, seguido de unidades de conservação e assentamentos de reforma agrária. Os municípios que mais desmataram foram Altamira e Itaituba (PA), Porto Velho (RO) e Lábrea (AM).

Considerando o período de agosto de 2013 a junho de 2014, que corresponde aos onze primeiros meses do "calendário do desmatamento", relacionado com as chuvas e as atividades agrícolas no bioma, houve queda de 9% no total desmatado na Amazônia Legal.

Segundo a organização, a cobertura de nuvens este ano foi maior que no ano passado (30% em 2014, contra 12% em 2013).

Agentes do Ibama inspecionam madeira ilegal apreendida na reserva indígena do Alto Guama, em Nova Esperança do Piriá (PA). Os fotógrafos Nacho Doce e Ricardo Moraes, da Reuters, viajaram pela Amazônia registrando formas de desmatamento. Foto de 25/9/2013. (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)Agentes do Ibama inspecionam madeira ilegal apreendida na reserva indígena do Alto Guama, em Nova Esperança do Piriá (PA), em 25/9/2013

Mercado financeiro já prevê alta do PIB menor que 1% em 2014





Expectativa de alta recuou de 1,05% para 0,97% na 8ª queda seguida.
Analistas do mercado também baixam previsão para o IPCA para 6,44%.

 Do G1, em Brasília
 
A economia brasileira deve crescer menos de 1% este ano, segundo os economistas do mercado financeiro. É a primeira vez que a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano fica abaixo dessa marca. De acordo com o relatório de mercado (Focus), divulgado pelo Banco Central, a previsão para o PIB caiu de 1,05% para 0,97%. Foi a oitava queda seguida.

As previsões do mercado financeiro, coletadas pelo BC por meio de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, confirmam o cenário de desaceleração da economia brasileira. Em 2013, o PIB registrou crescimento de 2,5%. Para 2015, a previsão do mercado de alta do PIB ficou estável em 1,5%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia.

Para conter a inflação, o BC subiu os juros entre abril do ano passado e maio deste ano, influenciando também o ritmo de atividade. Com taxas maiores, há redução do crédito e do dinheiro em circulação, assim como do número de pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços caiam ou parem de subir.


No fim de maio, o IBGE informou que a economia do país registrou expansão de 0,2% nos três primeiros meses de 2014, em relação ao quarto trimestre de 2013, com destaque para o bom desempenho da agropecuária.

A expansão do PIB do país previsto para 2014 pelo mercado financeiro, de 0,97%, continua abaixo do estimado no orçamento federal, de 2,5%, e também menor que a previsão divulgada pelo Banco Central na semana passada, de alta de 1,6%.

Menos inflação
O mercado financeiro também previu menos inflação para este ano. Os economistas dos bancos reduziram de 6,48% para 6,44% sua previsão de 2014 para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Previsão dos economistas para inflação do ano está em 6,44%
 
Com isso, o valor se distanciou um pouco do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação para o ano. A previsão chegou a ultrapassar o teto em abril, mas depois recuou. Para 2015, a expectativa dos economistas dos bancos para o IPCA, porém, subiu de 6,10% para 6,12%.

Pelo sistema que vigora atualmente no Brasil, a meta central tanto para 2014 quanto para 2015 é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
Taxa de juros
A previsão do mercado financeiro para a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira, por sua vez, foi mantida em 11% ao ano até o fechamento de 2014. Na semana passada, o BC manteve a taxa estável neste patamar pelo segundo encontro seguido do Comitê de Política Monetária (Copom).



Para o fim de 2015, a previsão dos analistas para o juro básico da economia permaneceu em 12% ao ano.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
 
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2014 recuou de R$ 2,39 para R$ 2,35 por dólar. Para o término de 2015, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 2,50 por dólar.


A projeção para o superávit da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2014 permaneceu em US$ 2 bilhões na semana passada. Para 2015, a previsão de superávit comercial subiu de US$ 9,4 bilhões para US$ 9,8 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2015, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros ficou estável em US$ 55 bilhões.

Casal chileno é preso por furtar lojas de luxo em shopping do Lago Norte


O casal foi pego pelos seguranças do shopping após roubarem 12 camisas de uma loja de roupas luxuosa

Publicação: 21/07/2014 12:43 Atualização: 21/07/2014 12:46


 

Um casal de chilenos foi preso após furtar produtos de lojas de um shopping no Lago Norte nesse domingo (20/7). Entre as peças roubadas estão pares de sapatos, roupas e jogos de videogame. Segundo informações da Polícia Civil, os suspeitos são acusados de furtarem lojas de outros shoppings de Brasília.

O casal foi pego pelos seguranças do shopping após roubarem 12 camisas de uma loja de roupas. A polícia foi até o local e efetuou a prisão. No hotel onde estavam hospedados, a polícia encontrou vários produtos roubados. Os suspeitos se identificaram com documentos falsos e confessaram que sobrevivem no Brasil da prática de furtos em lojas de shoppings. O homem disse ter 61 anos e a mulher 48 anos.


De acordo com o delegado-chefe adjunto da 9ª DP, Ricardo Viana, o casal foi identificado em outros roubos por meio de imagens das câmeras de segurança das lojas. A dupla furtou duas bolsas de uma loja no mesmo shopping em novembro de 2013 - o prejuízo avaliado foi de R$ 8 mil. Em dezembro, o casal também roubou peças de roupas em outro shopping da região.

Agnelo convoca militância petista para campanha de reeleição



Em inauguração de comitê, Agnelo convoca partidários para ajudá-lo

suzano.almeida@jornaldebrasilia.com.br

Foto: Rafaela FeliccianoA militância petista foi convocada para atuar como difusora da campanha e dos projetos realizados pelo candidato à reeleição Agnelo Queiroz (PT). O governador disse aos partidários, durante a inauguração do comitê majoritário, na Vila Buritis, em Planaltina, ontem, que “existe um plano da direita para derrubar o PT” e pediu apoio para a reeleição da presidente Dilma Rousseff e para ampliar as bancadas do legislativo local e federal.


“Fiz um chamamento especial para nossa militância, pois ela supera qualquer dificuldade e pode mostrar tudo o que nós realizamos, convencendo a nossa população. É um grupo  muito especial, por ser uma militância esclarecida, que conhece o que foi feito no DF e ter á capacidade de mostrar”, declarou Agnelo.


O governador destacou  intervenções realizadas no transporte de Planaltina e prometeu o início, ainda para este ano, do corredor Expresso Oeste. Agnelo garantiu que, com a “experiência adquirida durante o mandato e com a casa arrumada”, uma referência à situação encontrada em 2011, após a passagem de quatro governadores em menos de um ano, conseguirá fazer uma gestão mais eficiente.


A agenda de campanha, nos limites com o Estado de Goiás, contou  com a presença do candidato ao governo goiano, Antônio Gomide (PT). “Vamos dar as mãos e fazer uma gestão em conjunto: dois estados para beneficiar o povo e dar a oportunidade de Agnelo fazer mais um excelente governo”, prometeu.

Denúncias
Pela primeira vez, desde que seu nome apareceu entre os candidatos que tiveram os registros questionadas no Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF), Agnelo comentou a denúncia feita pela candidata a deputada federal pelo PR, Doutora Raquel. 

“Tentaram criar um factoide para igualar a nossa candidatura à dos ficha sujas, mas, na verdade, foi uma falta de respeito à população. Isso mostra incompetência e completa falta de respeito ao povo”, atacou Agnelo.


Raquel entrou com pedido de  impugnação da candidatura, alegando que Agnelo não apresentou certidões negativas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), quando registrou a candidatura.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília


Programa de governo do PSB terá eixo sobre minorias

O programa de governo de Eduardo Campos e Marina Silva (PSB) só deve ficar pronto no fim deste mês ou até no começo de agosto. Os detalhes são guardados em sigilo pela equipe de campanha, mas o coordenador Maurício Rands revelou ao Broadcast Político que, além dos cinco eixos apresentados nas diretrizes para elaboração do programa, ele trará também um sexto eixo, chamado "Identidade e Cidadania Plena". "Será uma parte do programa toda dedicada à identidade das pessoas de movimentos e segmentos específicos, como mulheres, negros e LGBT", disse Rands.
 
 A bandeira de direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais é defendida há tempos pelo PSB de Campos, mas há uma resistência dos movimentos da causa LGBT à figura da vice Marina Silva, por ela ser evangélica. Rands garante que isso é uma questão superada e que não será difícil de comunicar isso ao eleitor. "A Marina é uma pessoa muito aberta, que sabe que o Estado é laico. Ela não quer impor nenhuma concepção individual religiosa ou moral", disse o coordenador.


Rands coordena a elaboração do programa, como representante do PSB, ao lado de Neca Setúbal, irmã do banqueiro Roberto Setúbal e amiga de Marina, que coordena o trabalho pelo lado da Rede Sustentabilidade. "A gente está trabalhando todo dia até de madrugada, mas é um trabalho muito legal. O programa vai trazer muitas novidades boas", disse Rands.


O pessebista ressalta que é uma elaboração de programa inovadora por ser feita a partir de contribuições diversas, de segmentos organizados, da academia e de representantes da sociedade civil. De acordo com pessoas ligadas à campanha, o documento já chega a aproximadamente 250 páginas, deve ter um resumo executivo, um sumário de cerca de 20 páginas e uma versão digital.


Os outros cinco eixos que constam das diretrizes do programa encabeçado por PSB e Rede são: "Estado e a democracia de alta intensidade", que trata sobre reforma política e novo pacto federativo; "Economia para o desenvolvimento sustentável", que trata das propostas para economia e considerações ambientais; "Educação, cultura e inovação", com propostas para educação, treinamento profissional e cultura; "Políticas sociais e qualidade de vida", sobre programas sociais e propostas para a saúde pública; e "Novo urbanismo e o pacto pela vida", que trata de mobilidade, saneamento, segurança pública. O documento completo está disponível no site da campanha.


Propostas populares
Nos últimos dias, Campos e Marina têm falado de propostas com apelo popular, como o Passe Livre estudantil. Além disso, como noticiou o Estadão, Campos estuda incluir no programa a proposta do fim do fator previdenciário, pauta que atende a uma reivindicação antiga de centrais sindicais e aposentados, mas que pode gerar um desequilíbrio nas contas da Previdência.


Rands preferiu não responder diretamente se o tema já está no programa de governo, mas afirmou que nenhuma proposta será colocada de forma leviana. "Temos uma responsabilidade muito grande com a sustentabilidade da Previdência, que é um patrimônio do povo brasileiro", afirmou. "Mas nós temos que ter sempre também uma preocupação com um princípio de justiça", completou.


Criado em 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o fator previdenciário é um mecanismo para desestimular aposentadorias precoces, mas que chega a reduzir o valor do benefício em até 30%. Também consultado pelo Broadcast Político, o coordenador-geral da equipe de campanha, Carlos Siqueira, também evitou confirmar que Campos vá defender o fim do fator previdenciário e se limitou a dizer que "todas as propostas estão sendo estudadas dentro do Orçamento (federal)".


Fonte: Estadao Conteudo

Metade não sabe nem se fica reeleito em 2014

Dos 24 deputados distritais, 16 tentam, mas a expectativa é de que somente 12 sejam reeleitos

millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br


Pelo menos oito deputados serão novidade na Câmara Legislativa do DF a partir de 2015. Isso se se considerar que os 16 distritais candidatos sejam reeleitos este ano. 


Dois  ainda precisam brigar na Justiça pelo direito de participar do pleito, uma vez que o Ministério Público Eleitoral já tenha pedido a impugnação da candidatura de Aylton Gomes (PR) e Cristiano Araújo (PTB). 


Outros cinco tentam a Câmara dos Deputados e três operarão apenas como "cabos eleitorais". 


A expectativa, no entanto, é de que o índice acompanhe o esperado para a Câmara dos Deputados, onde a renovação tem sido de 50%, em média.

Mas tudo isso depende do quociente eleitoral, que é determinado pela divisão do número de votos válidos apurados pelo de lugares a preencher. A coligação PT-PP, por exemplo, vai ter que trabalhar muito para conseguir reeleger seis  distritais (Wasny de Roure, Cláudio Abrantes, Chico Vigilante, Chico Leite, Dr. Michel e Paulo Roriz).

Os partidos e coligações trabalham com números  hipotéticos - já que não é possível determinar o quociente eleitoral antes da apuração - e tentam superar o número de votos do pleito passado. 


Os grupos políticos esperam que o quociente eleitoral fique entre 62 mil e 63 mil votos neste ano. Em 2010, para a Câmara Legislativa, foram 1.429.093 votos válidos para 24 cadeiras - a cada 59.545 votos, a coligação teve direito a um mandato.


Considerando a conta estimada, a coligação PT-PP precisaria de quase 380 mil votos  para a reeleição de todos. Nas últimas eleições, o PT contabilizou 216.382 votos. E o PP, em coligação com o PMN, 88.205.

 críticas à coligação
"Essa aliança é uma violência à história do PT", dispara o presidente da Câmara Legislativa, Wasny de Roure (PT). "Na minha opinião, o partido deveria ter escolhido uma sigla que tivesse história semelhante à do PT, como PDT e PSB", afirma o petista, que alega não ter sido consultado antes da negociação "Esse acordo nos prejudica", desabafa.

Distrital desde a primeira legislatura, Wasny tenta o quinto mandato. Ele argumenta que, embora seja "daqueles que defendem a renovação", quer continuar, porque tem “contribuído muito com Brasília”. 

Coligação para reeleger seis deputados
Para o presidente do PT-DF, deputado federal Policarpo, a coligação não terá dificuldade em eleger os distritais. "A expectativa do PT, sozinho, era de eleger, pelo menos, cinco deputados. Com o PP, serão seis, no mínimo", estima. "Mas vamos trabalhar para eleger mais", finaliza, confiante.

Segundo ele, o motivo de o PT ter se juntado ao PP foi para ajudar o partido, que enfrentou dificuldades para fazer alianças. "A gente se colocou à disposição de qualquer partido. Mas, muitos têm dificuldade de fazer aliança conosco, justamente por causa do número de candidatos", conta.

coligações
A aliança PR-PTB trabalha para reeleger três mandatários (Aylton Gomes, Washington Mesquita e Cristiano Araújo). Na eleição passada, o PR angariou 70.175 votos, enquanto o PTB, em coligação com o PRB, 96.548. 

O grupo PSB-PDT-SD quer espaço para dois (Celina Leão e Joe Valle). No passado, o PSB, em coligação com o PCdoB, reuniu 84.181 votos. O PDT, sozinho, 76.814. 
O PMDB  também deseja cadeiras para dois (Wellington Luiz e Robério Negreiros). Em 2010, conseguiu  apenas 86.577 votos. 

Os grupos PRB-PTC, PRTB-PMN e PRP-PV pretendem reeleger um deputado, cada (Agaciel Maia, Liliane Roriz e Israel Batista, respectivamente). O que não deve ser tarefa difícil, já que em 2010 todas as coligações conseguiram superar o quociente eleitoral,  o que seria suficiente para reeleger um.

experiência é positiva
A experiência acumulada de políticos reeleitos é imprescindível para o bom andamento da Casa, argumenta o cientista David Fleischer, que também é professor da Universidade de Brasília (UnB). "O retorno de ex-deputados é muito importante para dar continuidade ao trabalho. Da mesma forma, é importante quando ex-distritais levam suas experiências legislativas para outros cargos", afirma o especialista.

Sem “milagre político”
Historicamente, o índice de renovação na Câmara Legislativa oscila entre 62,5% e 50%, desde a primeira legislatura (1991-1994). "Não deve haver nenhuma reviravolta", arrisca o cientista político da UnB, João Paulo Peixoto. 

Para ele, não há que se esperar um "milagre político", no entanto, já que as condições estruturais continuam as mesmas: nível baixo dos partidos políticos e apatia da população: "Não vejo um panorama positivo, no sentido de mudança".

O especialista explica que as pessoas não se sentem efetivamente representadas pelo Legislativo local e nem sequer dão importância ao voto para  distrital. O escândalo político de 2009, com a deflagração da Operação Caixa de Pandora, segundo ele, ainda respinga na atual legislatura. "Tem alguns que tentam driblar a Justiça, empurrando os processos com a barriga", explica.

Cabos eleitorais
Evandro Garla (PRB), Arlete Sampaio (PT) e Benedito Domingos (PP) se despedem de mandatos eletivos no fim deste ano. Garla diz que tem uma "missão partidária" importante, na condição de secretário nacional do PRB: ajudar o partido a eleger o maior número de deputados neste ano. "Não daria para fazer dois trabalhos bem feitos", afirma.


Em coligação com o PTC, o grupo tem 36 candidatos e trabalha para ocupar "de uma a duas" cadeiras. "O fato de eu não estar candidato ajudou na formação da chapa", diz.
Aos 80 anos, Benedito Domingos se diz cansado. Depois de mais de 40 anos de vida pública,  "vai cuidar da esposa e da saúde".  Agora, ele quer eleger a filha Benair Domingos, candidata a  federal pelo PP.


Ex-secretária de Desenvolvimento Social, Arlete Sampaio decidiu não se candidatar para se tornar "cabo eleitoral" do PT. "Quis ser coerente: está na hora de promover a renovação", escreveu em seu site.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

Campos reponsabiliza Dilma por crise no setor de etanol

O candidato à presidência da República, Eduardo Campos (PSB), responsabilizou a presidente Dilma pela crise do setor canavieiro e sucroalcooleiro vivida hoje não somente no Nordeste, mas "por todos os Estados produtores do Brasil", em comício realizado na noite deste sábado no município de Palmares, na zona da mata pernambucana , a 120 quilômetros do Recife.
 
 A crise, segundo ele, foi provocada pela "política errada na Petrobras". "Mataram o preço do álcool", discursou ele, ao lembrar que o preço do álcool só é competitivo se 30% mais barato que o da gasolina. 


"Isso fez com que as usinas do Nordeste, com todas as dificuldades de topografia e de acesso ao sistema bancário começassem a pagar o preço dos erros da presidente Dilma na política do preço dos combustíveis", frisou, atacando o governo Dilma em uma região onde ela tem grande aceitação. "O Nordeste se ressente deste governo que não olhou para nós como deveria ter olhado".


Ele afirmou que também os produtores de São Paulo assistem ao fechamento de usinas de açúcar e álcool.

 "Na região plana de Ribeirão Preto, há mais de 40 usinas fechadas", afirmou, complementando que em Sertãozinho, mais da metade das empresas que produzem equipamentos para a atividade sucroalcooleira estão fechando suas portas ou praticamente deixando de funcionar.


O candidato explicou que sem preço competitivo, os que produziam cana para fazer álcool pararam de vender para a Petrobras e postos de gasolina e passaram a fazer açúcar. "E o preço do açúcar foi lá para baixo no mercado no mundo, pois é o Brasil o país que mais fabrica açúcar no mundo e aqui dentro". Ele lembrou que até o governo do ex-presidente Lula, se estava abrindo novas usinas.


Questão de tempo
Para Campos, o fato de ser desconhecido no Brasil "é uma questão de tempo". "De cada 100 brasileiros, menos de 30 nos conhecem", observou, ao lembrar que, em 2006, quando disputou o primeiro mandato ao governo de Pernambuco visitou Palmares como um desconhecido e saiu "lá de baixo nas pesquisas para ganhar a eleição com 75% dos votos".

Ele participou de carreatas nos municípios vizinhos de Escada e Ribeirão, antes do comício em Palmares, acompanhado pelos candidatos da chapa majoritária ao governo estadual. O objetivo é fazer o seu candidato, seu ex-secretário de Fazenda, Paulo Câmara (PSB), também se tornar conhecido do eleitorado pernambucano.

Fonte: Estadão Conteúdo Jornal de Brasília

Grupo é preso suspeito de invadir área particular, em São Sebastião


Foram encontrados com os suspeitos um veículo com a placa adulterada e uma moto com o chassi raspado

luis.nova@jornaldebrasilia.com.br


A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) deteve, na noite desse domingo (20), oito pessoas que invadiram uma área particular em São Sebastião, na chácara 26 do Morro da Cruz. Os suspeitos foram encaminhados para a 30ª Delegacia de Polícia na região.


Segundo informações da polícia, dez pessoas invadiram uma área privada e estavam desmatando o local para construção de moradia. Foram encontrados com os suspeitos um veículo com a placa adulterada e uma moto com o chassi raspado.

Todos os envolvidos foram encaminhados para a delegacia de São Sebastião e autuados pelos crimes de esbulho possessório – invasão, dano ambiental e adulteração de veículos.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

Motorista do Distrito Federal se torna refém do abuso


Atividade é legal no DF, mas exigir pagamento, não. Condutores denunciam extorsão e intimidação

carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br

Foto: Elio RizzoSe não bastasse a falta de vagas nos estacionamentos públicos, os motoristas do Distrito Federal têm de lidar com um fator extra para a dor de cabeça diária: as atitudes abusivas de alguns 

 flanelinhas. O desabafo é de condutores que dependem da boa vontade dos lavadores e vigias de carros para conseguir   vagas nos estacionamentos  gratuitos. 

Na área central da cidade, onde se concentram grandes empresas e órgãos do governo, alguns cidadãos   chegam a pagar valores mensais aos guardadores. Quem se recusa a negociar as vagas, porém, corre o risco de ter o carro riscado ou, até mesmo, de não poder mais parar no mesmo local. Segundo relatos, os flanelinhas chegam a ameaçar aqueles que não desembolsam uma “ajuda de custo”. 

 Hoje, de acordo com Departamento de Trânsito (Detran- DF), o déficit de vagas no centro de Brasília é de 14 mil. Portanto, conseguir um local próximo do trabalho para deixar o carro, por exemplo, é quase uma missão impossível. 

negociação
“Infelizmente, a cada dia está mais difícil conseguir estacionar o carro aqui. Ou você paga para o flanelinha, o que eu me recuso, ou você corre o risco de levar multa. Se a pessoa não chegar cedo, por volta das 7h, já não consegue mais. Aí, só negociando com os guardadores, que tentam nos coagir de todas as formas”, afirma a assessora de imprensa Júlia Carneiro, de 23 anos. 

O desabafo diz respeito ao edifício Brasil 21, na altura da Torre de TV.  Uma das funcionárias do complexo, A.C., 31 anos, conta que fez um acordo para pagar R$ 50 mensais e ter a garantia de conseguir estacionar. “Não tem vaga, não dá para perder tempo com isso. Se você estaciona em cima da calçada leva multa. Então, acho que vai de cada pessoa”, opina. 

O jornalista Victor Hugo Brandão, de 28 anos, também frequenta o local e diz   simplesmente ignorar os pedidos e as ameaças.  

“Eles tentam te fazer negociar de qualquer jeito.   Hoje, até não estaciono mais aqui por opção mesmo.   Eles te oferecem limpeza de carro, qualquer serviço para que tenha de pagar. Só que eu ignorava isso. É uma situação, no mínimo, constrangedora”, afirma. 

 No local, relatam ainda outras pessoas, três flanelinhas fizeram um esquema de “quadrantes”. Ou seja, eles dividiram o estacionamento entre eles para que cada um cuide do seu espaço e cobre devidamente pelas vagas. 

Neste ano, 142 foram para DP
Desde o início do ano, 142 guardadores e lavadores em situação irregular foram conduzidos às delegacias, de acordo com a Secretaria da Ordem Pública e Social (Seops).  Três deles ficaram presos porque tinham mandados de prisão em aberto por outros crimes. 

Apenas 44 dos abordados nas fiscalizações estavam em dia com o registro profissional. A pena para o exercício irregular da profissão, conforme o    subsecretário de Operações, Luciano Teixeira, “é de baixo potencial ofensivo, podendo acontecer desde a prisão, de 15 dias a três meses, até multa”. 

A pasta assegura que  os estacionamentos públicos são fiscalizados semanalmente. Aproximadamente 8,5 mil flanelinhas são registrados na Superintendência Regional do Trabalho. Por isso, quando são abordados, tanto o guardador quanto o lavador de carros devem mostrar a autorização na carteira de trabalho. O uso de colete e crachá, porém, não é   obrigatório. 

 Diante disso, o que acontece em muitos casos, porém, é que esses trabalhadores terceirizam o serviço para pessoas não cadastradas.

chave furtada
“A gente não é informado de nada. Apenas sabe que existe uma regulamentação da profissão, mas não sabe  como funciona essa fiscalização. Eu mesmo tive a chave do   carro furtada nessa coisa de deixar na mão do flanelinha. Eu achava que podia confiar nele. Tive que trocar todas as fechaduras do meu carro”, conta   T.M., que também já trabalhou no Brasil 21. 

 Nesses casos, como aconteceu com  T.M., não há o que ser feito. A Seops orienta aos motoristas cuidado redobrado. Além da possibilidade de prejuízos, o proprietário pode responder nas áreas criminal, civil e administrativa pelo ato de permitir o flanelinha  de conduzir o carro. 

“Aqui é a minha área”, diz guardador

 A equipe do Jornal de Brasília conversou com os flanelinhas que trabalham no complexo Brasil 21 e os abusos foram confirmados por eles mesmos. “Aqui é a minha área”, disse um deles. Outro tentou amenizar: “As pessoas pagam se querem, mas a gente prioriza as vagas para aqueles que pagam. Estamos prestando um serviço. Existe um acordo com algumas pessoas e elas são nossos clientes. É claro que vamos guardar a vaga para eles”. 
 
 Preocupados se estavam sendo filmados, os flanelinhas, que não usavam coletes nem identificação do GDF,  tentaram ainda coagir a reportagem. “Isso não vai sair no jornal, né?”, questionavam. Mais adiante, reconheceram   que batem de frente com quem tenta estacionar nas vagas “reservadas”. “Temos um acordo   alguns clientes e se a pessoa que não nos paga tenta ocupar essas vagas, a gente embarreira mesmo. É assim que funciona”. 
 
Segundo  o subsecretário de Operações de Ordem Pública e Social, Luciano Teixeira, os motoristas devem ter cuidado redobrado antes de aceitar o serviço ou entregar a chave do carro. “Quanto à extorsão, o cidadão deve procurar a polícia. E o que foi acordado entre o proprietário e flanelinha deve ser respeitado  por ambas as partes”, diz.
 
 
 Nos casos de ameaça, o motorista deve procurar a delegacia ou ligar para o 190. “A PM deve, em uma situação dessas, autuar o flanelinha, fazendo a detenção dele e conduzindo-o a uma delegacia”, explica.
 
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília


Comentário
celia m pessoa

A proprio sistema público que tinha que por ordem tira o dele da reta. A vários marginais vigiando carros e se dizendo donos dos estacionamentos porém os orgãos públicos fazem vista grossa diante das extorsões e ameaças, esse é o nosso Pais vale a lei do mais forte.
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A destruição da inteligência



Poucas coisas são tão grotescas quanto a coexistência pacífica, insensível, inconsciente e satisfeita de si, da afetação de inconformismo com a subserviência completa à autoridade de um corpo docente.

Aprender, imitar e introjetar o vocabulário, os tiques e trejeitos mentais e verbais da escola de pensamento dominante na sua faculdade é, para o jovem estudante, um desafio colossal e o cartão de ingresso na comunidade dos seus maiores, os tão admirados professores.


A aquisição dessa linguagem é tão dificultosa, apelando aos recursos mais sutis da memória, da imaginação, da habilidade cênica e da autopersuasão, que seria tolo concebê-la como uma simples conquista intelectual. Ela é, na verdade, um rito de passagem, uma transformação psicológica, a criação de um novo “personagem”, apoiado no qual o estudante se despirá dos últimos resíduos da sentimentalidade doméstica e ingressará no mundo adulto da participação social ativa.

É quase impossível que essa identificação profunda com o personagem aprendido não seja interpretada subjetivamente como uma concordância intelectual, ao ponto de que, no instante mesmo em que repete fielmente o discurso decorado, ou no máximo faz variações em torno dele, o neófito jure estar “pensando com a própria cabeça” e “exercendo o pensamento crítico”.

A imitação é, com certeza, o começo de todo aprendizado, mas ela só funciona porque você imita uma coisa, depois outra, depois uma infinidade delas, e com a soma dos truques imitados compõe no fim a sua própria maneira de sentir, pensar e dizer.

No aprendizado da arte literária isso é mais do que patente. O simples esforço de assimilar auditivamente a maneira, o tom, o ritmo, o estilo de um grande escritor já é uma imitação mental, uma reprodução interior daquilo que você está lendo. A imitação torna-se ainda mais visível quando você decora e declama poemas, discursos, sermões ou capítulos de uma narrativa. 


Porém nas suas primeiras investidas na arte da escrita é impossível que você não copie, adaptando-os às suas necessidades expressivas, os giros de linguagem que aprendeu em Machado de Assis, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Balzac, Stendhal e não sei mais quantos. Esse exercício, se você é um escritor sério, continua pela vida a fora. 


Quando conheci Herberto Sales – que Otto Maria Carpeaux julgava o escritor dotado de mais consciência artística já nascido neste país --, ele estava sentado no saguão do Hotel Glória com um volume de Proust e um caderninho onde anotava cada solução expressiva encontrada pelo romancista, para usá-la a seu modo quando precisasse. Já era um homem de setenta e tantos anos, e ainda estava praticando as lições do velho Antoine Albalat.[1] 


É assim, por acumulação e diversificação dos recursos aprendidos, que se forma, pari passu com a evolução natural da personalidade, o estilo pessoal que singulariza um escritor entre todos. T. S. Eliot ensinava que um escritor só é verdadeiramente grande quando nos seus escritos transparece, como em filigrana, toda a história da arte literária.


Em outros tipos de aprendizado, a imitação é ainda mais decisiva. Nas artes marciais e na ginástica, quantas vezes você não tem de repetir o gesto do seu instrutor até aprender a produzi-lo por si próprio! Na música, quantas performances magistrais o pianista não aprende de cor até produzir a sua própria!

Nas ciências e na tecnologia, o manejo de equipamentos complexos nunca se aprende só em manuais de instrução: o aluno tem de ver e imitar o técnico mais experiente, num processo de assimilação sutil que engloba, em doses consideráveis, a transmissão não-verbal. [2]

Por que seria diferente na filosofia? Compreender uma filosofia não se resume nunca em ler as obras de um filósofo e julgá-las segundo uma reação imediata ou as opiniões de um professor. É impregnar-se de um modo de ver e pensar como se ele fosse o seu próprio, é olhar o mundo com os olhos do filósofo, com ampla simpatia e sem medo de contaminar-se dos seus possíveis erros. Se desde o início você já lê com olhos críticos, buscando erros e limitações, o que você está fazendo é reduzir o filósofo à escala das suas próprias impressões, em vez de ampliar-se até abranger o “universo” dele. 
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Erros e limitações não devem ser buscados, devem surgir naturalmente à medida que você assimila novos e novos autores, novos e novos estilos de pensar, pesando cada um na balança da tradição filosófica e não da sua incultura de principiante. Não seria errado dizer que, entre outros critérios, um professor de filosofia deve ser julgado, sobretudo, pelo número e variedade dos autores, das escolas de pensamento, das vias de conhecimento que abriu em leque para que seus estudantes as percorressem.[3]

Não é preciso mais exemplos. Em todos esses casos, a imitação é o gatilho que põe em movimento o aprendizado, e em todos esses casos ela não se congela em repetição servil porque o aprendiz passa de modelo a modelo, incorporando uma diversidade de percepções e estilos que acabarão espontaneamente se condensando numa fórmula pessoal, irredutível a qualquer dos seus componentes aprendidos.
Mas o que acontece se, em vez disso, o aluno é submetido, por anos a fio, à influência monopolística de um estilo de pensamento dominante, aliás muito limitado no seu escopo e na sua esfera de interesses, e adestrado para desinteressar-se de tudo o mais sob a desculpa de que “não é referência universitária”?
Se durante quatro, cinco ou seis anos você é obrigado a imitar sempre a mesma coisa, e ainda temendo que o fracasso em adaptar-se a ela marque o fim da sua carreira universitária, a imitação deixa de ser um exercício temporário e se torna o seu modo permanente de ser – um “hábito”, no sentido aristotélico.

É como um ator que, forçado a representar sempre um só personagem, não só no palco mas na vida diária, acabasse incapaz de se distinguir dele e de representar qualquer outro personagem, inclusive o seu próprio. Pirandello explorou magistralmente essa situação absurda na peça Henrique IV, onde um milionário louco, imaginando ser o rei, obriga os empregados a comportar-se como funcionários da côrte, até que eles acabam se convencendo de que são mesmo isso.


Toda imitação depende de uma abertura da alma, de uma impregnação empática, de uma suspension of disbelief em que o outro deixa de ser o outro e se torna uma parte de nós mesmos, sentindo com o nosso coração e falando com a nossa voz. Se praticamos isso com muitos modelos diversos, sem medo das contradições e perplexidades, nossa mente se enriquece ao ponto do nihil humanum a me alienum, daquela universalidade de perspectivas que nos liberta do ambiente mental imediato e nos torna juízes melhores de tudo quanto chega ao nosso conhecimento. 


Não é errado dizer que o julgamento honesto e objetivo depende inteiramente da variedade dos pontos de vista, contraditórios inclusive, que podemos adotar como “nossos” no trato de qualquer questão.

Em contrapartida, o enrijecimento da alma num papel fixo abusa da capacidade de imitação até corrompê-la e extingui-la por completo, bloqueando toda possibilidade de abertura empática a novos personagens, a novos estilos, a novos sentimentos e modos de ver.

Habituado a tomar como referência única o conjunto de livros e autores que compõe o universo mental da esquerda militante, e a olhar com temerosa desconfiança tudo o mais, o estudante não só se fecha num provincianismo que se imagina o centro do mundo, mas perde realmente a capacidade de aprendizado, tornando-se um repetidor de tiques e chavões, caquético antes do tempo.

Quem não sabe que, no meio acadêmico brasileiro, a receita uniforme, há mais de meio século, é Marx-Nietzsche-Sartre-Foucault-Lacan-Derrida, não se admitindo outros acréscimos senão os que pareçam estender de algum modo essa tradição, como Slavoj Zizek, Istvan Meszaros ou os arremedos de pensamento que levam, nos EUA, o nome de “estudos culturais”?


Daí a reação de horror sacrossanto, de ódio irracional, não raro de repugnância física, com que tantos estudantes das nossas universidades reagem a toda opinião ou atitude que lhes pareça antagônica ao que aprenderam de seus professores. Não que estejam realmente persuadidos, intelectualmente, daquilo que estes lhes ensinaram. Se o estivessem, reagiriam com o intelecto, não com o estômago. O que os move não é uma convicção profunda, séria, refletida: é apenas a impossibilidade psicológica de desligar-se, mesmo por um momento, do “eu” artificial aprendido, cuja construção lhes custou tanto esforço, tanto investimento emocional.


Justamente, a convicção intelectual genuína só pode nascer da experiência, do longo demorado com os aspectos contraditórios de uma questão, o que é impossível sem uma longa resignação ao estado de dúvida e perplexidade. A intensidade passional que se expressa em gritos de horror, em insultos, em afetações de superioridade ilusória, marca, na verdade, a fragilidade ou ausência completa de uma convicção intelectual. A construção em bloco de um personagem amoldado às exigências sociais e psicológicas de um ambiente ideologicamente carregado e intelectualmente pobre fecha o caminho da experiência, portanto de todo aprendizado subseqüente.


A irracionalidade da situação é ainda mais enfatizada porque o discurso desse personagem o adorna com o prestígio de um rebelde, de um espírito independente em luta contra todos os conformismos. Poucas coisas são tão grotescas quanto a coexistência pacífica, insensível, inconsciente e satisfeita de si, da afetação de inconformismo com a subserviência completa à autoridade de um corpo docente.


No auge da alienação, o garoto que passou cinco anos intoxicando-se de retórica marxista-feminista-multiculturalista-gayzista nas salas de aula, que reage com quatro pedras na mão ante qualquer palavra que antagonize a opinião de seus professores esquerdistas, jura, depois de ler uns parágrafos de Bourdieu para a prova, que a universidade é o “aparato de reprodução da ideologia burguesa”. Aí já não se trata nem mesmo de “paralaxe cognitiva”, mas de um completo e definitivo divórcio entre a mente e a realidade, entre a máquina de falar e a experiência viva.


Se, conforme se observou em pesquisa recente, cinqüenta por cento dos nossos estudantes universitários são analfabetos funcionais[4] – não havendo razão plausível para supor que a quota seja menor entre seus professores mais jovens --,  isso não se deve somente a uma genérica e abstrata “má qualidade do ensino”, mas a um fechamento de perspectivas que é buscado e imposto como um objetivo desejável. 


Não que a presente geração de professores que dá o tom nas universidades brasileiras tenha buscado, de maneira consciente e deliberada, a estupidificação de seus alunos. Apenas, iludidos pelo slogan que os qualificava desde os anos 60 do século XX como “a parcela mais esclarecida da população”, tomaram-se a si próprios como modelos de toda vida intelectual superior e acharam que, impondo esses modelos a seus alunos, estavam criando uma plêiade de gênios. 


Medindo-se na escala de uma grandeza ilusória, incapazes de enxergar acima de suas próprias cabeças, tornaram-se portadores endêmicos da síndrome de Dunning-Kruger[5] e a transmitiram às novas gerações. Os cinqüenta por cento de analfabetos funcionais que eles produziram são a imagem exata da sua síntese de incompetência e presunção.