CASO QUE INQUIETA O PODER
Claudio Savoia
A falta
de balanços da empresa, os quartos vazios, a sombra da lavagem de
dinheiro. O que se investiga na causa que afeta a presidente da
Argentina.
Buenos Aires, 29 de novembro de 2014

(O endereço da empresa de Cristina, nos documentos, é um lugar de fachada)
Hotesur
é o nome de uma empresa que pertence à presidente. Mas há alguns dias, é
também o apelativo de um expediente judicial que, após a ordem de busca
e apreensão do juiz federal Claudio Bonadio aos seus escritórios
portenhos, ainda estremece os alicerces do governo.
O
caso foi iniciado com uma investigação jornalística que a deputada
federal do partido opositor GEN, Margarita Stolbizer, transformou em
denúncia judicial. Após ver as declarações de renda de Cristina e os
esquálidos dados sobre essa firma que podiam ser encontrados no Diário
Oficial, Stolbizer enumerou uma série de irregularidades, dúvidas e
incongruências que a Justiça deveria investigar.
O
caso levou a presidente e políticos governistas a criticarem o juiz. Na
sexta, 28, ele já tinha as declarações de renda da presidente, dos seus
filhos, Máximo e Florencia, e do empresário amigo deles, Lázaro Báez. O
gesto deixa claro que o juiz não se intimidou com as críticas.
Veja aqui os dez pontos decisivos deste caso:
1. Falhas na declaração juramentada de Cristina.
Na
Declaração Juramentada Patrimonial Integral de 2013, a presidente
admite ser a titular de ações da firma Hotesur S.A., embora não mencione
em que quantidade ou porcentagem. Ela diz que o montante desse
patrimônio é de 9.367.528,85 pesos e depois reconhece uma dívida com
essa mesma sociedade pelo montante de 4.683.848,68 pesos, sem esclarecer
conceitos ou razões desse endividamento.
2. Alto Calafate, um "alojamento fantasma".
Hotesur
é a proprietária do hotel Alto Calafate, situado nessa lindíssima
localidade da província de Santa Cruz. Para a deputada, existem
suspeitas de que se trata, na verdade, de um alojamento fantasma usado
pelo casal presidencial para fazer negócios obscuros com Lázaro Báez.
"Surge de todos os manuais e trabalhos técnicos e jurídicos que o ramo
de hotelaria é um dos mais usados e eficazes para operações de disfarce
dos números ou lavagem de ativos".
3. Uma empresa sem balanços nem inscrição de autoridades.
Hotesur
não cumpre com a obrigação legal de apresentar seus balanços perante a
Inspeção Geral de Justiça desde 2011. Quais são as consequências dessa
omissão? Que não se sabe quais são os ativos e os passivos da empresa,
nem quem são hoje seus sócios nem os integrantes do diretório.
4. Máximo Kirchner e a sombra de Lázaro Báez.
Embora
o estatuto de Hotesur diga que as autoridades teriam mandato de três
anos, a empresa as modificou todos os anos até a morte de Néstor
Kirchner. Desde então, não se sabe quem são. Mas em 2009, o Diário
Oficial publicou que a diretora titular era Romina Mercado - filha de
Alicia Kirchner -, seu suplente era Roberto Saldivia, advogado de Lázaro
Báez, e o presidente era Osvaldo Sanfelice, sócio de Máximo Kirchner na
imobiliária de Río Gallegos.
5. Rua Lavalle 975, na cidade de Buenos Aires, a sede de fachada.
A
última sede de Hotesur inscrita nos registros públicos e publicada no
Diário Oficial está localizada na rua Lavalle 975, 4º andar, apartamento
A, da cidade de Buenos Aires, o que obriga a firma a se apresentar
perante a Inspeção Geral de Justiça, que depende do Ministério da
Justiça. Mas quando o juiz Bonadio inspecionou esses escritórios, eles
estavam vazios.
6. Os singulares aluguéis de Lázaro.
Hotesur
alugou à empresa Valle Mitre, do empresário amigo e sócio da família
Kirchner – ganhador de licitações milionárias de obras públicas com o
governo de Santa Cruz e com o governo nacional – quartos no hotel Alto
Calafate por um total de 10,1 milhões de pesos (6,3 milhões em 2010 e
3,7 milhões em 2011). Mas esses quartos quase nunca foram ocupados.
7. Cristina e uma estranha dívida consigo mesma.
Em
sua última declaração juramentada a presidente declarou um aumento de
sua dívida com Hotesur S.A., a empresa que pertence a ela mesma e aos
filhos. Devido a alterações na apresentação das declarações
juramentadas, que foram aprovadas a pedido do governo, já não é possível
saber o movimento real de dinheiro, nem como a dívida foi contraída,
nem qual foi a contraprestação, nem quais são os planos de pagamento
para quitá-la.
8. Qual é a porcentagem de Hotesur que pertence a Cristina?
A
presidente declarou em 2013 que sua participação na firma valia
9.367.528,85 pesos. Para começar, é impossível checar esse dado porque
Hotesur não apresenta seus balanços desde 2010. Também não se pode
comprovar a variação no valor das ações. E o mais importante: nem sequer
se pode saber se Cristina é dona de 10%, 50% ou 100% da empresa.
9. Os dados-chave que os balanços deveriam fornecer.
A
lei diz que as sociedades localizadas na capital federal devam
apresentar seus balanços perante a IGJ (Inspeção Geral de Justiça) para
que os terceiros que eventualmente estabelecerem trato com elas possam
saber quem são seus acionistas e em que proporções, se têm dívidas e de
quanto, qual é o valor de seus ativos, que negócios fizeram ano após
ano, que contas pagaram e quais são seus planos para os próximos anos.
Todos esses dados são essenciais, por exemplo, para os juízes que
deveriam investigar os negócios de Lázaro Báez com o objetivo de
estabelecer se o empresário lavou dinheiro de origem ilegal.
10. A rede de proteção.
Cada
uma das irregularidades enumeradas e sustentadas durante pelo menos
três anos foi possível graças à omissão da Inspeção Geral de Justiça em
fazer seu trabalho de controle. Até esta semana, quando o secretário de
Justiça anunciou que aplicaria a Hotesur uma "severa" multa de 3.000
pesos, a empresa não tinha sofrido sanções. A "cumplicidade" da IGJ –
como qualificada pela deputada Stolbizer em sua denúncia – nem sequer
foi modificada quando a investigação judicial sobre a "rota do dinheiro
K" e Lázaro Báez foi iniciada, apesar de o empresário kirchnerista ser
suspeito por ter lavado dinheiro de origem ilegal.
Cristina Kirchner
Juiz amplia investigação sobre patrimônio de Cristina e vira alvo do governo
Redação Clarín em Português
Um
juiz determinou, na semana passada, uma blitz em uma empresa da
presidente Cristina Kirchner que estava em falta com o fisco. Cristina
atacou o juiz. Mas ele não recuou. Nesta quinta, 27, o escândalo com a
empresa da presidente cresceu e a reação do governo também.
Buenos Aires, 27 de novembro de 2014
O
juiz Claudio Bonadío pediu, nesta quinta, à AFIP (Receita Federal
argentina) cópias das declarações de renda da presidente Cristina
Kirchner e dos filhos dela, Máximo e Florencia, herdeiros da presidente e
do ex-presidente Nestor Kirchner, morto em 2010. Bonadio também
solicitou os mesmos documentos do empresário Lázaro Báez entregues à
AFIP. Báez tem negócios com a família Kirchner.
O juiz
quer saber se a Hotesur, empresa que dos Kirchner que administra um de
seus hoteis, o Alto Calafate, é, na verdade, apenas o fio da meada de um
esquema de "lavagem de dinheiro", como informou o jornalista Nicolás
Wiñazid no jornal Clarin desta quinta.
O
caso poderia envolver o hotel mais famoso dos Kirchner, o Los Sauces,
perto da casa da presidente na província de Santa Cruz, na Patagônia.
Segundo a reportagem do Clarin, Báez teria recebido dinheiro público para obras e em troca conseguiria hóspedes para os hotéis da família presidencial.
Báez está sendo investigado por contas sem declarar no Uruguai, na Suíça, nos Estados Unidos e na própria Argentina.
Assessores
do governo reconheceram que a empresa Hotesur não estava em dia com o
fisco e passaram a atacar o juiz do caso. Primeiro, foi a própria
presidente e depois parlamentares governistas. O senador kirchnerista
Marcelo Fuentes fez uma denúncia judicial contra o juiz por
"enriquecimento ilícito" e "abuso de autoridade".
Nesta quinta, o chefe dos fiscais, Ricardo Echegarray, falou sobre outros argentinos com contas na Suíça.
Uma
guerra de denúncias que para especialistas e opositores pode ser só o
começo de muitos problemas para Cristina explicar sua fortuna.
Autor: Tornado Pereira
Não votei em nenhum desses canalhas. Tô de alma lavada.
Autor: Tornado Pereira
Suas Excelencias, pelos relevantes serviços que nos prestam, deveriam ganhar uns cem mil por mês. O que não pode é votar em vagabundos e depois reclamar de suas maracutaias. Não voteu em nenhum. Tô de alna lavada.
Autor: Rister Abadio
Isso é Brasil!!!! País sem escrúpulos!!! Cadê as autoridades? Ah! Esqueci, são elas que estão aprovando os aumentos. Lamentável!!!
Autor: david farias
Eu acho que os deputados deveriam ganhar salário mínimo e vale transporte. Ai o salário mínimo aumentaria no Brasil, e também, o salário dos aposentados.