terça-feira, 7 de julho de 2015

Belo Monte, empreiteiras e espelhinhos


Como a mistura explosiva entre o público e o privado, entre o Estado brasileiro e as grandes construtoras, ergueu um monumento à violência, à beira do Xingu, na Amazônia




A marca da corrupção no Brasil atual, assim como da relação explosiva entre o Estado e as empreiteiras, tem como símbolo a Operação Lava Jato e a Petrobras, para onde todos os olhos estão voltados. Sem ignorar a enorme importância dessa investigação, há elementos para suspeitar que o símbolo das ligações perigosas entre o público e o privado pode estar também em outro lugar: na construção da polêmica hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, na Amazônia.



 É ela, um projeto acalentado ainda na ditadura, mas só executado na democracia, nos governos Lula-Dilma Rousseff, que une os fios desencapados da história recente do país, expõe a coleção de mazelas sociais do Brasil e nos obriga a compreender a corrupção também como um ato de extermínio. Belo Monte revela as vísceras de um modo de operação que se consolidou na ditadura, atravessou vários governos da democracia e permanece até hoje. A Amazônia, tanto como criadora de sentidos para o Brasil quanto como lugar concreto onde as disputas entre os vários atores se dá, não é a periferia do país, mas o centro. O que precisamos, talvez, seja deslocar o olhar para ajustar o foco.



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Esse modo de operação, em que o público e o privado se misturam, é a chave para compreender o “Dossiê Belo Monte: Não há condições para a Licença de Operação”, documento publicado pelo Instituto Socioambiental no final de junho. Sabemos que o dinheiro que se esvai na corrupção no Brasil é também o dinheiro que falta para saneamento, educação e saúde, assim como para outros investimentos prioritários. Mas sempre fica um pouco abstrato. Em Belo Monte, é possível enxergar e quantificar o que a relação contaminada entre a concessionária Norte Energia e o governo federal já causou nos últimos anos, entre 2010 e 2015.



O anúncio recente de que o Tribunal de Contas da União (TCU) vai iniciar uma investigação sobre o uso de recursos públicos na construção da hidrelétrica de Belo Monte é uma boa notícia. Mas ainda é muito pouco e chega atrasada. A investigação do TCU atende a um pedido do Ministério Público Federal: as empreiteiras investigadas pela Lava Jato por desvios de recursos na Petrobras são as mesmas que constroem Belo Monte e, portanto, é importante investigar sua atuação juntou a outra estatal, a Eletrobras, esta do setor elétrico.


Um dos delatores da Operação Lava Jato, Dalton Avancini, ex-presidente da construtora Camargo Corrêa, já afirmou, em um dos depoimentos, que a empreiteira se comprometeu a pagar ao PMDB uma propina de 20 milhões de reais para atuar na construção da usina.



O custo da hidrelétrica, segundo o TCU, é estimado hoje em 33 bilhões de reais. Na época do leilão estava orçado em 19 bilhões de reais, um aumento, portanto, mais do que considerável. A maior parte destes recursos vem do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).


Belo Monte é o mostruário de como o público e o privado se articulam na história recente do país
Belo Monte é o mostruário – ou “monstruário”, como alguns preferem – de como o público e o privado se articulam na história recente do país. Mas, por atingir diretamente populações discriminadas, cujo modo de vida e o conhecimento têm sido desqualificados por séculos, caso dos indígenas e ribeirinhos, assim como uma região distante do centro político e econômico do país, suas violações foram toleradas enquanto a usina virava fato consumado à beira de um dos rios mais importantes da Amazônia.



Neste artigo, apresento a mais recente radiografia sobre o legado que a usina já deixou ao Brasil, antes mesmo de começar a funcionar, mas também busco compreender por que imaginários e caminhos históricos permitimos que algo assim aconteça no século 21 e na democracia. Este é um momento crucial, já que Belo Monte espera que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) dê a Licença de Operação.

 

 

1) Arquitetura da destruição

É preciso observar com atenção a trajetória de Belo Monte, para compreender a relação entre governos e empreiteiras. Em 2010, ainda no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, pouco antes do leilão da hidrelétrica, duas gigantes do setor de construção, Odebrecht e Camargo Corrêa, anunciaram que haviam se retirado do processo, por falta de “condições econômico-financeiras que permitissem sua participação na disputa”.


Dito de outro modo: o lucro não estava garantido. Às pressas, o governo formou o consórcio Norte Energia, para assegurar a disputa, já que só havia um outro consórcio candidato, o Belo Monte Energia, do qual participavam a Andrade Gutierrez, Vale, Eletrosul, Furnas, Companhia Brasileira de Alumínio e Neoenergia.



O consórcio formado pelo governo foi o vencedor do leilão. Era composto por uma subsidiária da Eletrobrás, a Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), e algumas construtoras de menor porte. Chegou a ser chamado na imprensa de “consórcio das desconhecidas”. Na ocasião, o então presidente do consórcio Norte Energia e diretor da Chesf, José Ailton de Lima afirmou, com toda a razão, que as condições de financiamento oferecidas pelo BNDES para a construção de Belo Monte “talvez sejam uma das melhores do mundo”.



O mais interessante vem agora: as construtoras que participavam do consórcio vencedor preferiram deixá-lo depois do leilão. Hoje, a Norte Energia é formada principalmente por estatais do setor, como Eletrobrás, Eletronorte e a própria Chesf, e por fundos de pensão (Petros e Funcef). Em resumo: em grande parte é pública. Cerca de 50% da composição acionária pertence a empresas controladas direta ou indiretamente pela União.



Para construir a hidrelétrica, a Norte Energia contratou o terceiro elemento da arquitetura política e econômica da usina: o Consórcio Construtor Belo Monte. E, adivinhem quem faz parte dele? Sim, as gigantes do setor de construção, Odebrecht e Camargo Corrêa, que desistiram de participar do leilão por falta de “condições econômico-financeiras”; a outra gigante, a Andrade Gutierrez, que participava do consórcio perdedor; e as construtoras que participavam do consórcio vencedor, mas o deixaram após vencer o leilão. Podemos concluir que construir Belo Monte, contratada pela Norte Energia, mostrou-se um negócio muito melhor para as empreiteiras.
Há algo de obsceno na arquitetura política e econômica de Belo Monte
Há ainda dois pontos importantes para entender o que vem a seguir. Diante das violações de direitos e da série de descumprimentos da Norte Energia, o Ministério Público Federal entrou com mais de 20 ações contra a empresa. Em algumas destas ações, quando o MPF conquistou uma decisão liminar que determinava a suspensão das obras da usina até que as medidas (condicionantes) acordadas para a construção da hidrelétrica fossem cumpridas, a Advocacia-Geral da União invocou um instrumento autoritário: “a suspensão de segurança”.



Este instrumento é concedido pela presidência de um tribunal, que não analisa o mérito da questão, apenas se limita a mencionar razões como “ordem, saúde, segurança e economia públicas”. No caso, alegava-se que era preciso manter o cronograma da obra e, portanto, ela não poderia ser paralisada por uma decisão judicial provisória. O uso da “suspensão de segurança” garantiu que, quando o mérito da ação for finalmente julgado em última instância, o que levará anos, Belo Monte já será fato consumado, como testemunhamos acontecer.



Outro ponto que chama a atenção é a forma como foram tratados os protestos contra as arbitrariedades de Belo Monte, assim como as várias paralisações de operários. O governo usou a Força Nacional para reprimir tanto as manifestações de indígenas, ribeirinhos, agricultores e moradores urbanos atingidos pela hidrelétrica quanto as greves de trabalhadores nos canteiros da obra. Uma escolha surpreendente para um governo democrático.



A pergunta óbvia é: onde acaba o público e começa o privado? Belo Monte é, ao mesmo tempo, uma obra controlada em parte por estatais, financiada em grande parte por um banco público e cujas posições da empresa são defendidas pela Advocacia-Geral da União. Ao mesmo tempo, também é o governo o responsável, via órgãos como Ibama e Funai (Fundação Nacional do Índio), por fiscalizar o cumprimento dos acordos e o respeito aos direitos das populações atingidas.


É bastante visível que há algo de obsceno nessa arquitetura.
No dossiê sobre Belo Monte, a seguinte afirmação explicita a obscenidade: “Talvez o maior desafio de Belo Monte consista em superar o conflito de interesses e as contradições inerentes ao fato de se tratar de uma obra pertencente ao governo federal, que é, a um só tempo, executada, financiada e fiscalizada pelo mesmo”. O dossiê mostra também que o grosso das informações sobre as ações e o impacto da construção de Belo Monte vem dos relatórios feitos e enviados periodicamente pela Norte Energia. Em resumo: o Ibama fiscaliza com base no que é dito pelo objeto de sua fiscalização.



Ainda assim, ao longo do processo de licenciamento de Belo Monte, foram abertos diversos processos administrativos contra a Norte Energia, que culminaram em multas no valor total de 15 milhões de reais. Segundo o dossiê, nenhuma delas foi paga até hoje.
Os governos Lula-Dilma criaram o mais “friendly” dos mundos para a Norte Energia e para o Consórcio Construtor Belo Monte
É difícil imaginar um mundo mais amoroso para a Norte Energia e para o Consórcio Construtor Belo Monte do que este que os governos Lula-Dilma Rousseff criaram. Também é difícil imaginar um mundo mais perverso para as populações atingidas e para o meio ambiente do que este que os mesmos governos criaram. Mas o que precisamos entender é que população atingida é também todo o conjunto de cidadãos brasileiros – e de várias maneiras.



Essa espantosa arquitetura é denunciada há anos por organizações socioambientais, lideranças do movimento social do Xingu e especialistas do setor. Em 2011, Célio Bermann, pesquisador da área energética e professor da Universidade de São Paulo, fez uma análise profunda sobre o que afirmou serem as razões reais pela qual se atropelava a lei para construir Belo Monte (leia aqui).



Mais tarde, Dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu que há uma década é obrigado a andar com escolta policial por estar ameaçado de morte pela sua defesa dos povos da floresta, deu um testemunho impactante sobre como os movimentos sociais foram atropelados no processo (leia aqui). Dom Erwin auxiliou o Papa em sua recente encíclica sobre a mudança climática, ao relatar a situação da Amazônia. O procurador da República no Pará Felício Pontes foi um dos membros do Ministério Público Federal que chamaram repetidamente a atenção para a tragédia anunciada, na esperança de evitá-la (leia aqui).


A pergunta é: por que não foram escutados?


2) Os espelhinhos do século 21

 

 

Se o Ibama der a Licença de Operação à Belo Monte, há poucas dúvidas de que, no momento em que se iniciar o enchimento do reservatório da hidrelétrica, tudo o que foi violado e descumprido pela Norte Energia e pelo atual governo também será tão fato consumado – e impune – quanto a usina gigantesca. Desta vez, não dá para empurrar o cumprimento do que não foi cumprido para a próxima etapa, porque não haverá próxima etapa.



Tornou-se uma alegoria do “descobrimento” do Brasil a troca com os indígenas de bens de valor para os europeus por espelhinhos, objetos que a população originária nunca tinha visto. Em Belo Monte, essa prática foi adaptada ao momento histórico, alterando-se a lista de mercadorias, e reeditada, consumando um processo de extermínio cultural e criando uma situação de insegurança alimentar em aldeias afetadas pela hidrelétrica.


 Para se ter um quadro mais amplo do ovo da serpente, leia “A anatomia de um etnocídio”, em que Thais Santi, procuradora da República em Altamira, faz a relação entre conceitos da filósofa Hannah Arendt e Belo Monte, com ênfase na eliminação da cultura dos povos indígenas no raio de ação da maior obra em andamento no país.

As aldeias indígenas afetadas pela usina ganharam por dois anos uma mesada de 30.000 reais, em forma de mercadorias, que causou desnutrição infantil e extermínio cultural


O dossiê do Instituto Socioambiental mostra que, durante dois anos, a Norte Energia deu uma espécie de “mesada” para as aldeias atingidas, no valor de 30.000 reais. Funcionava assim: os caciques enviavam a lista de mercadorias e a empresa as entregava. Segundo a Norte Energia, 212 milhões de reais foram gastos com os povos indígenas.



Mas, em vez de o dinheiro ser investido na redução e na compensação dos impactos, foi usado na compra dos espelhinhos deste milênio: barcos e voadeiras, motores para barcos e voadeiras, milhões de litros de gasolina, caminhonetes (mesmo em aldeias onde não havia estradas), camas boxer, TVs de plasma, açúcar, refrigerantes, bolachas e salgadinhos, entre outros.



Essa operação deflagrou, segundo técnicos que a testemunharam, “um dos processos mais perversos de cooptação de lideranças indígenas e desestruturação social promovidos por Belo Monte”. Em documento, o Distrito Sanitário Especial Indígena de Altamira (DSEI), subordinado ao Ministério da Saúde, assim se manifesta:


“A partir de setembro de 2010, com a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, os indígenas passaram a receber cestas de alimentos, composta por alimentos não perecíveis e industrializados. Com isso os indígenas deixaram de fazer suas roças, de plantar e produzir seus próprios alimentos. Porém, em setembro de 2012, tal ‘benefício’ foi cortado, os indígenas ficaram sem o fornecimento de alimentos e já não tinham mais roças para colher o que comer, o que levou ao aumento do número de casos de crianças com Peso Baixo ou Peso Muito Baixo Para a Idade, chegando a 97 casos ou 14,3%”.



Em outro ponto do documento, o DSEI de Altamira relaciona o aumento dos casos de “doença diarreica aguda” em 2010 à atuação da Norte Energia nas aldeias:



“Em 2010 registramos um aumento considerável, já que numa população de 557 crianças menores de 5 anos ocorreram 878 casos, o equivalente a 157% dessa população ou 1.576,3 para cada 1.000 crianças. (…) Mudanças nos hábitos alimentares com a introdução de alimentos industrializados oriundos de recursos financeiros das condicionantes para construção da hidrelétrica de Belo Monte é outro fator contribuinte para o alto índice existente”.



A desnutrição infantil nas aldeias da região, conforme dados do dossiê, aumentou 127% entre 2010 e 2012. Um quarto das crianças está desnutrida. No mesmo período, ainda segundo o dossiê, o atendimento de saúde a indígenas cresceu 2.000% (dois mil por cento) nas cidades do raio de impacto de Belo Monte.



A situação é tão aterradora que, em 2014, técnicos da Funai recomendaram a aquisição de cestas básicas para enfrentar a vulnerabilidade alimentar das comunidades. Dito de outro modo: cestas básicas para impedir que indígenas, que antes de Belo Monte tinham autonomia alimentar, hoje morram de fome ou de doenças causadas pelo consumo repentino e indiscriminado de produtos industrializados, assim como pela interrupção do plantio, pesca e coleta de alimentos, causado pelo ingresso dos mesmo produtos.
Apenas de uma terra indígena saiu, em 2014, o equivalente a 13.000 caminhões cheios de madeira ilegal
O dossiê também mostra que a hidrelétrica já deixou um “rastro de degradação ambiental e social dificilmente reversível”. Segundo técnicos do Ibama ouvidos para a elaboração do documento, Belo Monte se transformou num “sumidouro de madeira”. Boa parte da madeira gerada pela obra apodreceu.


As toras não foram sequer reaproveitadas na construção da usina, como era exigido. Ao mesmo tempo, a Norte Energia comprou enormes quantidades de madeira – 17.000 metros cúbicos só até dezembro de 2012 – de fornecedores externos. Essa demanda repentina é justamente o que os programas ambientais lutam para evitar, já que a madeira comercializada na região é quase toda ela obtida na ilegalidade.



Os índices de exploração ilegal de madeira dispararam na área de influência da obra. Na Terra Indígena Cachoeira Seca, uma das afetadas pela usina, foram extraídos 200.000 metros cúbicos de madeira só em 2014. Essa quantidade é suficiente para encher mais de 13.000 caminhões madeireiros. Em 2013, a TI Cachoeira Seca foi a mais desmatada do Brasil.



Qual é a troca, de fato, entre a Norte Energia e os povos indígenas?
A resposta talvez esteja na conclusão de uma indígena Araweté, ao testemunhar as mercadorias entrando em sua aldeia. Ela disse ao antropólogo Guilherme Heurich: “As mercadorias são a contrapartida de nossa morte futura”.

 

 

3) Somos filhos de quem?

Para além do engendramento concreto de uma operação política e econômica como a de Belo Monte, é preciso compreender como a população brasileira foi alertada para o que aconteceria, ainda que bem menos do que deveria, e mesmo assim a indignação ficou circunscrita a setores da sociedade, sem alcançar o conjunto dos brasileiros. Belo Monte é um escândalo que não foi decodificado pelo senso comum como escândalo.


Em parte, porque uma parcela significativa da imprensa não o tratou assim. Mas, se não nos compreendermos na História, há poucas chances de que essa história, a de Belo Monte, não volte a se repetir em outras regiões amazônicas.

A ditadura tornou a Amazônia uma imagem para consumo de massa que persiste na democracia
A ideia que o senso comum ainda hoje tem da Amazônia é a de uma propaganda, a da ditadura militar. Uma propaganda muito eficaz e que, combinada à ignorância da maioria sobre a região, persiste até hoje. É na ditadura que a Amazônia se torna uma imagem para consumo de massa.


Até então, as notícias chegavam à população na forma de informações vindas de uma geografia nebulosa, tão fascinante quanto assustadora, em que se misturavam eldorado, aventura e perigo. Soldados da borracha, Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Fordlândia, Marcha para o Oeste, assim como os nomes do Marechal Cândido Rondon e dos Irmãos Villas-Bôas, eram, entre outros, capítulos de uma história fragmentada para a maioria dos brasileiros.


A ditadura dá uma imagem coesa à Amazônia. E a dá como propaganda. A Amazônia torna-se então “o deserto verde” ou “o deserto humano”. Torna-se também “a terra sem homens para homens sem terra”. O imperativo de “integrar para não entregar” é um slogan publicitário, invocando uma ameaça externa reeditada até hoje, sempre que convém, para garantir a adesão da população.



Como já se provou, a maioria adora um nacionalismo de ocasião, mesmo que falso. Assim, a Amazônia se torna a expressão de um vazio de gente e de uma riqueza incalculável a ser tomada, garantida e explorada. Primeiro a terra, depois o subsolo. E, como é um regime de exceção, as vozes de resistência que conflitam com essa narrativa são abafadas ou mesmo silenciadas.



Nessa propaganda há falsificações muito atuais, apesar de todos os avanços alcançados na redemocratização e apesar da garantia de direitos aos povos indígenas e às comunidades tradicionais na Constituição de 1988. A primeira ideia é de que não há gente na Amazônia. É preciso, portanto, levar gente para lá, para ocupar o território, garantir a soberania nacional e gerar riqueza. E como? Abrindo estradas como a Transamazônica, criando projetos de colonização com agricultores do sul e nordeste, aumentando a presença do Exército nas fronteiras.


Na propaganda da ditadura, povos indígenas e populações ribeirinhas não são gente, ou pelo menos não são “a gente certa”. Quando a admissão de sua existência é obrigatória, são gente primitiva que precisa ser assimilada e salva pelo progresso. Já que, se não fossem assim considerados, a Amazônia não poderia ser vendida à população como um vazio ou um deserto humano. Nem poderia ser ocupada. O que a ditadura fez com os povos da floresta, em especial com os indígenas, é uma história que ainda precisa ser melhor contada.



A Comissão da Verdade que apurou os crimes da ditadura estima que mais de 8 mil indígenas foram assassinados no período. É também nos anos do regime de exceção que a imagem dos indígenas como “entraves ao progresso” é incrustrada no senso comum.



A Realidade, a mais celebrada revista de grandes reportagens do jornalismo brasileiro, fez, em 1971, uma edição antológica, toda ela dedicada à Amazônia. Se as reportagens realizadas por alguns dos maiores repórteres e fotógrafos brasileiros do século 20 continuam impressionantes, há duas outras partes desta revista que também se tornaram um documento de grande relevância: a parte de opinião, com a fala de ministros, generais e coronéis da ditadura, e a parte dos anúncios publicitários.



Estes são uma preciosidade para compreender o imaginário da época e, assim, entender de onde viemos nós, que berramos que “a Amazônia é nossa!”, mas nem por isso nos responsabilizamos por ela.


Como já destaquei neste espaço, há um entre os tantos discursos da página de opinião da Realidade Amazônia que ilustra com total clareza a mentalidade vigente. É o do gaúcho Carlos Aloysio Weber, então coronel e ex-comandante do 5o Batalhão de Engenharia e Construção, um dos primeiros a instalar-se na Amazônia na ditadura civil-militar. Até hoje ele é nome de escolas em Rondônia, entre outras homenagens públicas.


O coronel é apresentado como “lendário” naquele estado, afirmação que suscita arrepios. A pergunta do jornalista é a seguinte: “Como é possível fazer as coisas na Amazônia e transformar a região?”. O coronel respondeu:


- Quando se quer fazer alguma coisa na Amazônia, não se deve pedir licença: faz-se.
E continua:


- Como você pensa que nós fizemos 800 quilômetros de estrada? Pedindo licença, chê? Usamos a mesma tática dos portugueses, que não pediam licença aos espanhóis para cruzar a linha de Tordesilhas. Se tudo o que fizemos não tivesse dado certo, eu estaria na cadeia, velho.


Pois é. Se os crimes da ditadura tivessem sido apurados e punidos, é possível que militares como este tivessem sido colocados na cadeia.
Há uma tentativa recorrente de esvaziar os indígenas de identidade para liberar suas terras para a exploração privada
Se falas como a desse coronel podem soar absurdas hoje, ao acompanharmos grandes obras como a hidrelétrica de Belo Monte é possível perceber que essa ideia continua muito presente. Continua ainda muito atual, apenas com alguns disfarces, já que estamos num período democrático. Neste momento, os direitos dos povos indígenas garantidos pela Constituição de 1988 estão sendo atacados pelo atual Congresso, graças ao tamanho e ao poder da bancada ruralista, aliada às bancadas da bala e da bíblia.



Há vários projetos de emenda constitucional que buscam esvaziar os direitos dos povos da floresta, como a PEC-215. Como não é mais possível tratar os indígenas como “não gente”, agora o que se diz deles é que “têm terra demais” ou que “não são índios de verdade”.



Como os indígenas se tornaram o que se chama de “sujeitos de direitos”, é preciso tirar deles tanto o “sujeito” – razão da frase “não são índios de verdade” – quanto o “direito” – “têm terra demais”. Essa parte está contada de forma aprofundada em outros dois artigos: “Os índios e o golpe na Constituição” e “Índios, os estrangeiros nativos”.


O indígena tem um lugar como alegoria no imaginário nacional, como um componente de formação cristalizado no passado, quase uma gravura. Mas sua existência concreta, sua história em movimento, e, principalmente, sua resistência como protagonista histórico, o torna perturbador. A ideia dos povos indígenas como “entraves”, agora não mais ao progresso, mas ao “desenvolvimento”, persiste no senso comum. E “entraves” precisam ser “removidos”. Seja pelo extermínio direto, o que já não é possível numa democracia, seja pelo extermínio cultural, como a Norte Energia e o governo fizeram – e estão fazendo – em Belo Monte.
A aposta de setores da sociedade, como os do agronegócio e da mineração, ainda é a conversão de índio em pobre
A aposta de setores da sociedade, como os representantes do agronegócio e da mineração, ainda hoje, como costuma afirmar o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro (leia aqui), é “na conversão do índio em pobre”, da floresta para as favelas. Devidamente transferidos para as periferias urbanas, abre-se caminho para a exploração privada de suas terras ancestrais.



O imaginário sobre a Amazônia e os povos da floresta tem sido construído ao longo de décadas. Esta é uma das explicações possíveis para a evidência de que uma parcela significativa dos brasileiros assimila o extermínio cultural dos indígenas em Belo Monte com pouco ou nenhum escândalo. Somos tanto herdeiros quanto reprodutores desta propaganda, e a maioria continua ainda agora confundindo propaganda com verdade.



Tanto sobre o imaginário da Amazônia quanto sobre outras duas fraudes: a de que hidrelétrica na floresta é “energia limpa” e a de que, se Belo Monte não fosse construída, assim como as grandes hidrelétricas da Amazônia, não teríamos eletricidade para assistir à novela. Essa simplificação da complexa questão das fontes e do consumo de energia, num planeta assolado pela mudança climática, está a serviço de interesses poderosos que pouco têm a ver com as necessidades concretas da população.



A ignorância, porém, de modo algum nos absolve. Neste momento, isso nos faz cúmplices de etnocídio. Hoje, nem a imprensa nem nenhum brasileiro pode usar a desculpa de que está amordaçado pela censura de um regime de exceção.


4) Empreiteiras e Estado, uma longa lua de mel à brasileira

A outra falsificação da propaganda da ditadura sobre a Amazônia que persiste até hoje é a da Amazônia como um corpo a ser violado e ocupado. Esse corpo é esvaziado de sujeito e, assim convertido, torna-se um objeto. E, como objeto, é um objeto de exploração.



Neste sentido, talvez a imagem mais emblemática é a do general Emílio Garrastazu Médici, presidente durante o período mais sangrento da ditadura, entre 1969 e 1974. Em entrevista já citada, Dom Erwin Kräutler conta do dia em que testemunhou o general celebrar a Transamazônica, no início dos anos 70. O ato simbólico de Médici para marcar o poder do homem sobre a natureza, tão típico da modernidade, foi a derrubada de uma castanheira gigantesca. Neste gesto, podemos pensar numa alusão ao poder do regime sobre os corpos torturados nos porões da ditadura até serem esvaziados também eles de sujeito:



- Ele (Médici) deu início às obras. Todo o pessoal delirando no palanque... delirando mesmo! Batendo palmas! Gente, derrubando uma árvore daquelas! E dizendo que era o progresso que estava chegando. Cortou-me o coração... Como é que pode? Aplaudir que a rainha das árvores do Pará ou da Amazônia tomba, e com um estrondo tremendo. Como é possível? Está escrito na placa que roubaram: "O presidente da República dá início à conquista deste gigantesco mundo verde".
O “Pau do Presidente” é o símbolo fálico da conquista da Amazônia que expõe a mentalidade de uma época, ainda atual em Belo Monte
A conquista da Amazônia era então representada pela derrubada da castanheira, a árvore torturada até a morte por ordem do general. O lugar que marca esse evento em Altamira é conhecido como “Pau do Presidente”. O que é muito significativo. O presidente fálico, potente, por um lado. Mas, por outro, de quem é o pau que ele cortou?


Essa ideia, a da Amazônia como corpo para exploração, corpo sem sujeito, a ser dominado, submetido e violado, que ganha uma forma na ditadura e símbolos como este, continua bastante hegemônica no senso comum. É essa visão que prevalece hoje na política de grandes hidrelétricas na Amazônia dos governos Lula-Dilma Rousseff. O que é a imagem da hidrelétrica de Belo Monte, aquela monstruosidade humana imposta sobre a floresta lá no meio do Xingu?



Não seria ela também uma espécie de falo, mas agora deslocado, já que os tempos são outros? O que significa uma obra como esta no momento em que o mundo teme a mudança climática causada pela ação do homem?



As empreiteiras da Transamazônica e das grandes obras da ditadura são em grande parte as mesmas que construíram Belo Monte na democracia. Hoje, algumas delas têm diretores e donos na cadeia. A ditadura foi a lua de mel das empreiteiras com o poder e, desde então, o Planalto e as empreiteiras são íntimos. Os governos Lula-Dilma marcam um momento de muita sintonia nessa relação, mas estão longe de ser os únicos.


A “conquista” da Amazônia é um projeto do Estado brasileiro com as grandes empreiteiras que atravessa governos da ditadura e da democracia. É algo, portanto, que precisa ser entendido dentro de um contexto amplo sobre como o público e o privado foram se articulando na história brasileira.
As empreiteiras construíram Brasília e nunca mais saíram de Brasília
O historiador Pedro Henrique Pedreira Campos disseca essa relação numa tese de doutorado defendida na Universidade Federal Fluminense (disponível para leitura aqui). A tese virou o livro “Estranhas catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar”, lançado em 2014 pela editora da UFF. As grandes empreiteiras se nacionalizaram justamente nos anos JK (governo de Juscelino Kubitschek, 1955-1960), com a construção de Brasília.



Antes, as empreiteiras eram regionais. Elas construíram concretamente Brasília e, simbólica e concretamente, nunca mais saíram de Brasília.



Alguns exemplos: a ponte Rio-Niterói foi feita por um consórcio que envolveu Camargo Corrêa e Mendes Júnior. Itaipu foi feita pela Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Mendes Júnior. A Transamazônica envolveu Mendes Júnior e Camargo Corrêa. Belo Monte é construída por um consórcio de várias empreiteiras, entre elas Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa.



As empreiteiras, portanto, são as mesmas antes da ditadura, durante a ditadura e na redemocratização do país. O país mudou de regime, ganhou nova Constituição, mas as empreiteiras continuaram as mesmas. Há uma frase sobre essa relação, no livro de memórias de Samuel Wainer, polêmico homem de imprensa: “Naquele momento, eu conheci uma figura indispensável à decifração dos segredos do jogo do poder no Brasil: o empreiteiro”. Nada mais atual.



Uma história interessante da relação entre empreiteiras, Estado e Amazônia pode ser contada pela figura de Cecílio do Rego Almeida, falecido em 2008, que era simultaneamente dono da construtora CR Almeida e “o maior grileiro do mundo”. Ele havia ocupado na Amazônia uma área de cerca de 6 milhões de hectares, composta por terras indígenas, terras públicas e assentamentos do Incra, que ficou conhecida como “Ceciliolândia”.



A área que ele se apropriou ilegalmente era equivalente à soma dos territórios da Bélgica e da Holanda, em plena Terra do Meio, no Pará. O empreiteiro tornou-se conhecido como “Dom Ciccillo” durante a ditadura, quando a CR Almeida abocanhou 37 grandes obras federais e se tornou uma potência. Até morrer ele costumava se referir ao regime de exceção como “a mais leve das ditaduras”.


Quando Marina Silva era ministra do Meio Ambiente, Dom Ciccillo a chamava de aquela “indiazinha totalmente doente e analfabeta”. A Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro de Lula, coube o epíteto de “viado”. Ao se referir a Chico Mendes, era nos seguintes termos: “Aquele seringueiro que se fodeu”. Esta era a pessoa. E o personagem. Para conhecê-lo melhor, sugiro uma reportagem da revista Caros Amigos, feita pelo jornalista João de Barros, em 2005 (reproduzida aqui).




O mais curioso, porém, aconteceu dois anos atrás, em 2013. Naquele ano, o então deputado federal André Vargas conseguiu aprovar na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados um projeto homenageando Cecílio do Rego Almeida. Vargas pretendia dar o nome do empreiteiro a um trecho da BR-277, entre Paranaguá e Curitiba, um dos principais do sul do País. Em 2014, como se sabe, André Vargas foi expulso do PT e cassado pela Câmara. Em 2015, foi preso pela Operação Lava Jato.
A homenagem ao empreiteiro e “maior grileiro do mundo” por um deputado do PT hoje preso é um emblema do momento histórico
Dois anos atrás, porém, ele ainda era o vice-presidente da Câmara, bastante influente no PT e no Congresso. O projeto de lei era de 2009 e, no texto de justificativa, o deputado dizia o seguinte: “Seu trabalho, o do Cecílio do Rego Almeida, foi perseverante em seu objetivo, e agora, após a sua morte (...), este benemérito cidadão poderá receber a merecida homenagem”.



“Perseverante” é uma palavra e tanto para definir a vida pública de Dom Ciccillo, homenageado após sua morte por um deputado do Partido dos Trabalhadores. Em 2015, com o autor preso, o projeto foi arquivado no Senado.



A relação entre os governos Lula-Dilma, Norte Energia e o consórcio de construtoras na obra de Belo Monte deve ser desvendada a partir desse contexto mais amplo. Se ela tem suas especificidades – e de fato tem –, também não pode ser descolada de um modo de operação que ultrapassa este ou aquele governo e que está profundamente infiltrado no Estado brasileiro.



A “conquista” da Amazônia e todo o rastro de violências deixado por essa experiência não poderiam ter sido consumados ao longo da história do Brasil sem este outro tipo de “conquistador”. Em nossos dias, ele ganha o nome de “empreendedor”.

 

 

6) Altamira, o inferno sem verde

O Dossiê Belo Monte, lançado pelo Instituto Socioambiental, com a colaboração de técnicos que testemunham no cotidiano o impacto da hidrelétrica, mostra o que aconteceu com Altamira e os municípios da região atingida pelas obras. Entre 2011 e 2014, o número de assassinatos por ano em Altamira saltou de 48 para 86 casos, um aumento de 80%. A taxa é hoje de 57 por 100.000 habitantes, cinco vezes superior ao índice de homicídios considerado pela organização mundial da saúde como “não epidêmico”.



O número de acidentes de trânsito nos últimos quatro anos saltou de 456 anuais para 1.169: um aumento de 144%. Só em 2014, o número de pacientes vítimas de acidentes de trânsito registrados no Hospital Regional de Altamira aumentou 213% com relação a 2013.



A situação do saneamento é aterradora. Foram construídos 220 quilômetros de redes de esgoto e 170 quilômetros de redes de abastecimento de água, mas nenhuma casa foi ligada ao sistema. Depois de mais de um ano discutindo de quem é a responsabilidade, a prefeitura de Altamira anunciou no fim de junho a disposição de criar uma empresa municipal para gerenciar o saneamento básico e realizar as ligações. A Norte Energia pagará o custo dessas obras. A iniciativa, porém, depende da aprovação do projeto pela Câmara de Vereadores.



As taxas de reprovação escolar nos cinco municípios afetados diretamente por Belo Monte cresceram 40,5% no ensino fundamental, entre 2011 e 2013, e 73,5% no ensino médio, entre 2010 e 2013. Em Altamira, o abandono da escola no ensino fundamental aumentou 57%, de 2011 para 2013. Professores da rede pública relatam que um grande número de adolescentes trocou a escola pelos canteiros de obras da usina.



Vale a pena botar uma lupa sobre o que se chama de “remoções”. Palavra “técnica” para o que na prática significa expulsão, o termo se tornou popular nas obras da Copa do Mundo de 2014. É curioso como aceitamos fácil as palavras e passamos a reproduzi-las. Aqui, “remoção” será usada sempre entre aspas, para manter o estranhamento que a palavra deveria nos provocar. Isso caso fosse eu ou aquele que lê este texto o “removido” de sua casa e do seu mundo em nome do “desenvolvimento”.
Milhares foram arrancados de suas casas e de seu modo de vida, parte deles analfabetos, sem nenhuma proteção ou acompanhamento jurídico
No caso de Belo Monte, mais de 8.000 famílias – cerca de 40.000 pessoas – foram arrancadas – ou ainda serão – do lugar onde vivem, trabalham, têm laços de parentesco e vizinhança, memória e cotidiano. Mas, se a palavra “remover” é o primeiro estranhamento, a brutalidade maior é na forma como isso se deu. A população atingida, parte dela analfabeta, só teve assistência jurídica federal no início de 2015, quando a usina já se preparava para pedir ao Ibama a licença de operação.



Em todos os anos de obra, ficou a mercê da Norte Energia e de sua equipe de dezenas de advogados. Depois de uma audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal em novembro de 2014, a Defensoria Pública da União fez um enorme esforço, já que faltam defensores em todo o Brasil sem que o governo se esforce para suprir essa falha, e formou uma força-tarefa.



O governo federal não se moveu para garantir acesso à justiça numa das maiores obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ao contrário, deixou a população abandonada. Mesmo quem mora nas grandes cidades e têm curso superior sabe o quanto a justiça e sua linguagem são capazes de tornar analfabeto até mesmo quem é pós-graduado. É fácil imaginar o impacto dessa realidade sobre agricultores e pescadores, assim como a população urbana e pobre dos baixões de Altamira, diante do poder da empresa concessionária.



O “empreendedor”, a nova roupagem, muito mais palatável, do conquistador ou colonizador, reproduz a lógica da dominação: para conquistar ou para colonizar é preciso impor ao outro a sua visão de mundo. Para conquistar e colonizar – ou para “empreender” – é preciso partir do princípio de que o outro que está lá não tem conhecimento nenhum. Ele, o “empreendedor”, é o sujeito do corpo que domina. Primeiro ao esvaziá-lo: no passado, de humanidade; no presente, de identidade. Depois, há o domínio concreto, ao tornar esse corpo aquilo que ele faz dele. Altamira vive essa realidade.



As histórias das “remoções” lotam páginas e páginas com relatos de violências. Houve quem tivesse saído e ao voltar para casa não encontrou nada no lugar. Houve quem assinou com o dedo um papel que não sabia ler. O que atravessou o processo, além da completa omissão do governo e do abuso de poder da Norte Energia, foi o total desinteresse em compreender qual era o modo de vida das famílias que arrancavam do lugar. Entender, para começar, o que era uma “casa” para elas.



Para quem fez o cadastro, a ideia de casa e de cotidiano era aquela que traziam com eles de seus lugares de origem, tanto geográficos quanto de classe. É possível perceber em vários textos e discursos, inclusive da imprensa, o desprezo pelo que se chama de “casebres” ou mesmo “palafitas”.



Em uma reportagem que publiquei neste espaço, chamada “O pescador sem rio e sem letras”, contei uma destas histórias em que um Brasil apaga outro Brasil, o mais frágil e desamparado. Ao escutar a história de Otávio das Chagas e de sua família (leia aqui) fica claro o alcance do que lhes foi arrancado, quando toda a vida que conheciam, assim como as marcas que provam essa vida, viraram literalmente água. Ao me contarem sua história, sem nada para provar que existiram sobre uma ilha que já não mais existe, eles apontavam em total desespero as cicatrizes na única geografia que lhes restou: o próprio corpo.
Belo Monte criou uma geração de pescadores sem rio e sem peixe em plena Amazônia
Por esforço da Defensoria Pública da União, Otávio das Chagas conseguiu garantir uma casa num dos bairros construídos pela Norte Energia. Isso o tornou um privilegiado entre as vítimas de Belo Monte. Apenas 4% dos “removidos”, segundo o dossiê, receberam uma casa, por total falta de informação e de orientação na realização do cadastro e na negociação simulada que marcou o processo. Outros 75% receberam uma indenização que não lhes permite comprar uma moradia, já que os preços em Altamira explodiram desde o início da obra. E outros 21% tiveram uma indenização em forma de carta de crédito.



Aqueles que foram “realocados” ou “reassentados” estão distantes de seu modo de vida, de seu trabalho, de seus laços de afeto e de solidariedade, da única vida que conheciam. Muitos deles são, como Otávio das Chagas, pescadores sem rio e sem peixe, arrancados de suas ilhas e jogados num conjunto habitacional distante de tudo e no qual não se reconhecem. A imagem de Otávio das Chagas e de sua família diante desta casa, deslocados de seu mundo e também de si mesmos, mostra que o seu final apenas foi menos infeliz. Aqui, é a conversão de pescadores e agricultores em pobres que testemunhamos. Diz Otávio das Chagas, o transplantado de raízes decepadas e submersas:
- Eu só sei viver na beira do rio. Meus meninos também só conhecem trabalho de rio. É tão triste.



Em uma entrevista à repórter Letícia Leite, do Instituto Socioambiental, a conselheira tutelar de Altamira Edizângela Barros contou que a “remoção” de sua casa causou a primeira separação de dois dos seus filhos. Mesmo quando teve de passar uma noite nas ruas de Altamira, Edizângela conseguiu manter os filhos com ela. Com a “remoção”, longe de tudo e sem transporte público, não foi mais possível. O corte simbólico entre o que há de mais visceral, a relação entre uma mãe e seus filhos pequenos, sintetiza a lâmina de Belo Monte sobre dezenas de milhares de vidas humanas.
É neste ponto que a história está.

7) A guerreira Antonia Melo despede-se de sua casa com a espinha ereta

No sábado (4/7), houve uma festa de despedida para a casa de Antonia Melo, anunciada como uma celebração “das histórias de vida e da identidade amazônica”, assim como a “reafirmação da resistência aos grandes projetos do governo, como Belo Monte”. Coordenadora do Movimento Xingu Vivo, aos 65 anos Antonia Melo é o símbolo da luta contra Belo Monte e uma das mais importantes lideranças da história do Xingu. Na defesa dos povos da floresta, dos agricultores, mulheres e crianças, Antonia viu companheiros tombarem por tiro de pistoleiro.



Também ela frequentou listas de ameaçados de morte. Ao longo da batalha contra a hidrelétrica, deixou o PT e tornou-se uma crítica de Lula e de Dilma Rousseff. Quando conta as humilhações sofridas por um e por outro em encontros no Planalto para discutir Belo Monte, seus olhos salgam-se. Em 2014, seu coração, ferido de tantas maneiras simbólicas, quase soçobrou.




Apenas quase. Antonia fez uma cirurgia e se recuperou para voltar a denunciar as violências infligidas por aquela que só chama de “Belo Monstro”. Também ela, que já vive entre escombros dos vizinhos, será obrigada a deixar a casa na zona urbana de Altamira, em que vive há 30 anos, nas próximas semanas. Perguntei à Antonia Melo se sentia-se derrotada. Ela respondeu:

- Não. Eu nunca me curvei. Ainda não é o fim.



Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes - o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos e do romance Uma Duas



Site: desacontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum

EUA pedem a Suíça que extradite sete dirigentes da FIFA



Suíços têm prazo de até um mês para decidir se aceitam pedido da promotora de NY


Loretta Lynch, promotora de Nova York encarregada do caso. / Reuters

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos formalizou ante as autoridades suíças o pedido de extradição dos sete dirigentes da FIFA detidos neste país há cinco semanas. O pedido formal chegou ontem ao Ministério da Justiça suíço, que assim o informou hoje em comunicado. A solicitação de extradição baseia-se nas fundadas suspeitas de que esses dirigentes, além de empresários de empresas com as quais colaboravam, participaram de um esquema de corrupção que permitiu o pagamento de mais de 100 milhões de dólares em propinas.
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“Em 1 de julho, a embaixada dos EUA em Berna transmitiu à Suíça os pedidos de extradição, nos prazos previstos pelo tratado de extradição entre os dois países”, informou o Ministério da Justiça suíço. Segundo as investigações da promotora Loretta Lynch, de Nova York, os sete altos dirigentes da FIFA receberam milhões de dólares de representantes de meios de comunicação esportivos e empresas comerciais no âmbito futebolístico, em troca de direitos de transmissão, comercialização e patrocínio de torneios de futebol nos EUA e na América Latina.


Para o Ministério suíço, “esses atos de corrupção, estipulados e preparados em solo norte-americano, também foram o objeto de transações através de bancos norte-americanos”, razão pela qual a Justiça dos EUA decidiu abrir um processo sobre esse caso.


Os sete detidos são Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas, Eugenio Figueredo, Rafael Esquivel, José Maria Marín e Jeffrey Webb, ex-diretores de diversas federações de futebol de países americanos. Nos próximos dias, os ex-dirigentes poderão se pronunciar ante a polícia de Zurique com relação ao pedido de extradição. Após sua detenção, realizada em 27 de maio nessa cidade, onde participavam do Congresso mundial da FIFA, seis dos dirigentes rejeitaram aceitar voluntariamente a extradição.



O que havia aceitado logo mudou de opinião e também se opôs ao procedimento.
Uma vez que os detidos sejam ouvidos pela polícia, eles e seus advogados terão 14 dias para assumir uma posição definitiva. O prazo pode se estender por outros 14 dias, mas unicamente por motivos muito sérios.



Em seguida, as autoridades da Justiça suíça tomarão a decisão definitiva no prazo máximo de um mês. Em todo caso, mesmo que a extradição seja aprovada, restarão ainda duas instâncias de apelação superiores, o Tribunal Penal Federal e o máximo órgão da Justiça do país, o Tribunal Federal.

Com tática de guerra relâmpago, bancada conservadora ganha posições


Vitória na votação da redução da maioridade penal expõe Governo franco entrincheirado


Plenário da Câmara após votação para redução da maioridade penal. / Fabio Rodrigues Pozzebom  (agência Brasil)

Uma estratégia bélica nazista de 70 anos atrás observa-se com assombrosas semelhanças no Congresso, afirma o cientista social e filósofo Marcos Nobre. As incursões do Exército alemão na Segunda Guerra foram efetivas pelas penetrações por surpresa, a falta de preparação geral do inimigo e a incapacidade de reagir rapidamente às ofensivas.



Nesses dias, os deputados conservadores comandados por um, até agora, imbatível Eduardo Cunha avançam com velocidade em assuntos relevantes como a redução da maioridade penal, a discussão sobre o Estatuto do Desarmamento, ou a modificação do Estatuto da Família, que pode dificultar a adoção de crianças por casais homossexuais. Já na trincheira, está um inimigo enfraquecido, sem fôlego diante do bombardeio.


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“A batalha se ganha rapidamente, mas as guerras relâmpago, Blitzkrieg em alemão, são intrinsecamente antidemocráticas, como tem sido a discussão sobre a redução da maioridade penal. Temos que rebater que existe um consenso formado sobre este assunto, isso é querer achar que as pessoas não mudam de opinião com o debate. Não dá tempo para ter uma discussão profunda sobre os temas e, se houver discussão, é apagada pela quantidade inacreditável de assuntos importantes que são colocados ao mesmo tempo”, mantêm Nobre.


Esta tática “proposital”, segundo Nobre, das forças conservadoras, apontou-se um tanto na madrugada desta quinta-feira quando a proposta que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal para crimes hediondos e outras modalidades, foi aprovada por 323 a 155 votos. A vitória parcial, pois o projeto ainda precisa ser analisado em segundo turno pelos deputados e votado duas vezes pelo Senado, é a principal bandeira do Frente Parlamentar da Segurança Pública, a chamada bancada da bala, que sai reforçada neste embate, a pesar de não ter se aprofundado na discussão e não contar com estatísticas fiáveis que dimensionem a participação dos jovens nos crimes do país.



As arengas dos policiais e militares aposentados, associados à indústria armamentista e que acreditam na repressão como fórmula contra a violência, são fáceis de memorizar, apelam ao emocional, e podem ser reproduzidas facilmente no balcão do bar, no táxi, nos programas policiais e nas redes sociais, embora reduzam o espaço de discussão à sua mínima expressão. “Um coitadinho de 17 aninhos pega uma coitadinha e dá uma estupradinha, uma matadinha [...] É isso que sociedade brasileira não suporta mais”, “estamos no Congresso, representando você, que não aguenta mais tanta impunidade e quer dar um basta nessa criminalidade dos menores”, “daqui a pouco vai [sic] faltar cemitérios para as vítimas desses marginais”, "defendo a redução da maioridade penal não por querer acabar com a violência, mas para punir os criminosos, assim como uso o agasalho para me proteger do frio, e não para acabar com o inverno"..., foram alguns dos apelos dos congressistas da bala na Câmara e em  seus perfis nas redes sociais.



“Eles saíram fortalecidos, sem sombra de dúvida”, opina o cientista político e professor da FGV Carlos Pereira, “mas esta matéria é muito controversa, não há uma alternativa vencedora, e os dois lados pecam por não entenderem isso”, complementa Pereira. “Este setor lida com os problemas de violência com violência, acreditam no estado repressor, mas os parlamentares mais à esquerda apenas percebem o problema como um problema de inclusão.”



Reforçada e com 30% mais de representantes que na legislatura anterior, a bancada prioriza e pretende acelerar uma nova batalha: a revogação do Estatuto do Desarmamento. A lei regula e limita desde 2003 a aquisição e porte de armas no país e, segundo o Mapa da Violência 2015, salvou 160.036 vidas.



Desde sua aprovação, foram formulados dezenas de projetos de lei que buscavam flexibilizar o Estatuto sem sucesso, mas isso pode mudar, segundo os especialistas consultados. “Existe uma possibilidade bastante concreta de revisar o Estatuto. Eles estão conseguindo articular uma agenda bem populista, embora os estudos comprovam que o desarmamento diminuiu o número de homicídios nas grandes capitais. A bancada vem com um discurso muito simplificado e simplista e propõe soluções miraculosas para problemas complexos que precisam de soluções complexas”, avalia o professor de estudos organizacionais da EAESP/FGV, Rafael Alcadipani.



"Chegamos a um ponto de inflexão, a esquerda começou a perder terreno este ano no Brasil. O povo não aceita mais comunismo aqui, nem a depravação dos valores familiares", afirma o deputado e ex-militar Jair Bolsonaro. "É mentira que não debatemos a redução maioridade penal, há 24 anos que estamos debatendo [em referência à data de aprovação do Estatuto da Criança e o Adolescente que institui os direitos dos menores] e, enquanto você e eu conversamos, as mulheres estão sendo estupradas por marginais". "Nossa prioridade é o Estatuto do Desarmamento que tirou as armas das pessoas do bem, mas também vamos lutar para que evitar o fim dos atos de resistência, os policiais que matam um bandido devem responder em liberdade", continua o deputado.


Enquanto avançam as pautas de deputados como Bolsonaro, que defende a retirada de alunos infratores das escolas para que não contaminem os que desejam estudar, ou o líder da bancada Alberto Fraga, entre cujas propostas está a de permitir que deputados e senadores possam entrar armados no Congresso, retrocede a influência do discurso progressista.



Há duas questões que explica o incomum desequilíbrio de forças em um Governo, considerado de esquerda, segundo Alcadipani. “Os deputados estão lidando com um problema verdadeiro que é um país com uma das maiores taxas de crimes do mundo e o excesso de violência aflige muito às pessoas. Uma segunda questão que favorece o avanço da agenda mais conservadora é o enfraquecimento absurdo do Governo, que deveria ser de esquerda, mas não consegue articular agendas menos conservadoras”, completa.



O porquê a bancada governista não consegue neutralizar o inimigo encontra seu paralelismo também nas trincheiras europeias, segundo Nobre. “Os franceses foram pegos de surpresa porque eles prepararam suas táticas de defesa de acordo à guerra anterior, quando, na verdade, estavam frente a uma tática nova de ataque. As forças opositoras aos conservadores não conseguiram ainda enfrentá-las, mas elas vão achar a maneira, é só questão de tempo. Eduardo Cunha está avançando rápido, mas está criando muitas rixas”. Para Bolsonaro a estratégia da bancada se resume em uma frase só: "Quem tem comandante [em referência ao presidente da Câmara] não perde a guerra".

Lava Jato: PF investigará a fundo, "doa a quem doer".


O diretor da Polícia Federal, Leandro Daiello, afirma que ninguém está livre de investigação: "nós investigamos fatos, aonde os fatos vão chegar é consequência da investigação, doa a quem doer". Dilma e Lula estão na berlinda, portanto. A conferir:

Discreto e de poucas palavras, o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello(foto), saiu do quase anonimato e disse ao Estado que, mesmo que as investigações cheguem perto da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Lula e de suas campanhas, isso não muda nada na Lava Jato e ninguém estará livre de ser investigado: “Nós investigamos fatos, não pessoas. Aonde os fatos vão chegar é consequência da investigação, doa a quem doer”.

Gaúcho de 49 anos, no cargo desde 2011, ele usou três vezes a mesma expressão, “doa a quem doer”, para dizer que a PF é uma instituição independente, que trabalha dentro da lei e com regras consolidadas de conduta, e que isso e as investigações vão continuar com “o ministro José Eduardo Cardozo na Justiça ou não, com o Daiello na PF ou não”.

A entrevista ocorre quando o governo Dilma está sob forte pressão da Lava Jato, da PF, do Ministério Público, da Justiça Eleitoral e do Tribunal de Contas da União, com versões recorrentes sobre a saída de Cardozo – que negou essa possibilidade na sexta-feira, depois de encontro com a presidente. O delegado fez firme defesa de Cardozo: “Sua conduta tem sido totalmente republicana”.

Se o ministro deixar o cargo, a PF muda?
Se o ministro vai ou não ficar é uma questão que afeta o Ministério da Justiça e a Presidência, não a PF. A PF é uma instituição sólida, seguirá sua vida com Cardozo ou sem Cardozo, com Daiello ou sem Daiello. Nós temos uma estrutura que se consolidou nos últimos anos, uma doutrina de polícia, de investigação, e uma cultura de polícia de Estado e de polícia legalista.
 
 
A direção do PT convocou o ministro para cobrar a atuação da PF, e o ex-presidente Lula diz nos bastidores que o ministro “não controla” a PF. Não controla mesmo?
A PF é controlada pela lei. Nós cumprimos a lei e ninguém vai aceitar ingerência política aqui. Pressionar o ministro da Justiça para influenciar, evitar, coibir qualquer ação da PF não é uma possibilidade. Pensar nesse sentido é premeditar o cometimento de um crime.
 
 
O ministro da Justiça não é seu chefe?
O ministro da Justiça é o responsável pela PF, mas na esfera administrativa. As ações da PF na esfera de investigação são feitas no limite da lei.

Então, o que tanto o senhor conversa com o ministro da Justiça? O senhor vive no ministério...
Assuntos correlatos à PF, fronteira, tráfico de drogas, equipamentos novos...

E investigação do PT, das campanhas da presidente?
O ministro tem conhecimento de uma investigação no dia em que a operação é desencadeada, logo após as buscas e prisões. O diretor-geral, nesse momento, informa ao ministro o que esta acontecendo, mas só nesse momento.

E se um ministro da Justiça pedisse para o diretor da PF “maneirar” nessas investigações de empreiteiro, de Lula, de Dilma, de petistas?
O diretor-geral da PF tem como prioridade o cumprimento da lei. Ele vai cumprir a lei e fazer as investigações que a lei determina e dentro do limite que a lei determina.

Isso já aconteceu?
Não. O ministro tem uma conduta totalmente republicana e é extremamente legalista, como o diretor-geral da PF também é.

Algum político procurou o senhor para mandar esse recado?
Não há espaço para isso. A história da PF e as ações da PF já deixam claro uma postura republicana e uma polícia de Estado.

O PT reclama que tudo é doação de campanha e que a oposição também recebe. Dilma citou o tucano Aécio Neves. Por que a PF só atinge praticamente o PT?
A PF não investiga pessoas, mas fatos. Se existem indícios de que um fato pode ser crime, a PF vai investigar dentro de suas atribuições, que são o desvio de recursos da União, contrabando e tráfico de drogas.

Do outro lado, tucanos reclamam que toda investigação contra petistas e aliados ao governo tem sempre um único tucano, para constar que vocês são isentos.
Vale o mesmo princípio. A PF preza por esclarecer os fatos, trazer a verdade ao processo. É essa a nossa missão, doa a quem doer. A PF só instaura procedimento investigatório se tem indício de existência de crime e, quando o personagem tem foro privilegiado, ou seja, mandato, a PF precisa de autorização do STF ou do STJ.
Se não há pressão política, há pressão do poder econômico, principalmente com o ineditismo de empreiteiros na cadeia?
A PF, por sua doutrina, é imune a qualquer tipo de pressão. Não nos interessa quem está sendo investigado, mas fazer uma investigação competente, com provas robustas.

Um agente da PF disse à CPI da Petrobrás que implantou duas escutas, na cela do Alberto Youssef e no fumódromo, a mando de delegados da Lava Jato.
Toda e qualquer conduta duvidosa é apurada de imediato pela Corregedoria. Estamos apurando se o fato existiu e se foi ilícito administrativo ou penal.

Uma escuta ilegal poderia anular a Lava Jato?
Não vislumbro nada nesse suposto fato que possa levar à nulidade da Lava Jato. A operação é muito bem construída, com robustez das provas, que segue seu trajeto dentro do padrão das operações da PF.

Até onde vai a Lava Jato?
Vai até exaurir. Enquanto encontrar fatos com indícios de serem criminosos, a PF continuará investigando. A Lava Jato começou com a investigação de quatro doleiros, se estendeu para seus clientes, novos inquéritos foram abertos e virou o que virou. E vamos continuar.

Mesmo que isso chegue perto de Dilma, do ex-presidente Lula e de campanhas de ambos?
Nós investigamos fatos, aonde os fatos vão chegar é consequência da investigação, doa a quem doer. 

Se essa investigação chegar aos seus chefes e mexer com a institucionalidade do País, como o senhor lida com isso? Na parede da sua sala tem uma foto oficial da presidente da República.
Quando começa uma investigação você não sabe as pessoas que vão surgir. É preciso ter clareza de que não é dado o direito ao policial de não cumprir o que a lei determina. Não se trata de uma questão de escolha.

As brigas com o MPF atrapalham as investigações?
As divergências entre PF e MPF são antigas, admito que continuam existindo, mas temos obrigação com a sociedade brasileira de trabalhar em conjunto e assim é feito. 

A PF tem uma grampolândia?
Os equipamentos podem ser auditados para saber quem usou, quando usou, no que usou. A PF não é uma grampolândia. Não chega a 1% o número de investigações com monitoramento telefônico. Na Acrônimo (que investiga o governador de Minas, Fernando Pimentel) não teve, por exemplo.

O governador disse que fará uma representação contra o vazamento de informações contra ele.
Qualquer representação será apurada com rigor pela Corregedoria, mas é preciso ter presente que as operações têm em média um ano na PF e não há vazamentos nesse período. Só que, quando cumpro prisão e busca, todas as pessoas alvos têm acesso aos dados e, aí, não tenho mais como controlar. No caso do governador Pimentel, o juiz determinou a entrega da sentença e, quando fui na busca, tive de entregar a sentença. Vou a 15, 16 lugares, e entrego a decisão. A partir dali, já não posso garantir nada. Antes disso, alguém sabia da operação?

O que é fundamental no combate ao crime organizado?
O foco é descapitalizar as organizações criminosas, porque, sem dinheiro, elas se enfraquecem e, asfixiadas, também não têm como corromper servidores e entes públicos. Por isso, várias operações que cresceram tanto começaram com a investigação de doleiros. É aí que está o dinheiro.

Há muitas críticas à prisão preventiva do Marcelo Odebrecht. Por que não temporária ou condução coercitiva?
Pedido de prisão não é unilateral, passa pelo parecer do MPF e pela decisão do juiz. Mas não falo de caso concreto.

A presidente disse em Nova York que não respeita delator. O que acha?
A PF usa todos os meios de produção de prova previstos em lei, nem mais nem menos. Quanto à delação premiada, é um instrumento que tem ajudado muito nas investigações.

O diretor-geral pode telefonar para um superintendente regional que ele nomeou e pedir para aliviar numa investigação?
Ele cai na hora, porque a instituição não aceita. E, se eu fizer uma coisa errada, qualquer policial pode me prender.

Houve tentativas de cooptação de jovens pela internet para atentados durante as Olimpíadas? 
A PF tem uma unidade de prevenção ao terrorismo que cresce no mesmo padrão das outras polícias, mas a PF não fala de situações em andamento, que existiram ou não.

O Congresso tenta votar uma lei antiterror para o País. Aprova?
Acho importante para estarmos em sintonia com os demais países, para nos adequarmos a uma situação da atualidade. (Estadão).
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Ralé "aliada" do PT propõe pacto por Dilma. Pacto demoníaco, isso sim.


A caterva partidária que vive à sombra do governo (e dos cofres estatais) se reúne hoje para tentar salvar o governo Dilma. Em vão. Ninguém salva um governo que tem apenas 9 por cento de apoio da população. Saí daí, Dilma. Faça um favor ao Brasil: renuncie.


Preocupados com o agravamento da crise política, partidos governistas vão propor um pacto pela governabilidade entre os aliados na reunião do conselho político marcada para a noite desta segunda-feira, 6, no Palácio do Alvorada. Apesar da crise do governo Dilma Rousseff, líderes partidários acusam a oposição de criar um ambiente de instabilidade e dizem que o momento é de responsabilidade com o País. "Não podemos incentivar o golpe", disse o líder do PP na Câmara dos Deputados, Eduardo da Fonte (PE).

Vislumbrando um cenário econômico pior nos próximos meses, os líderes falam em "união" e pregam uma atuação conjunta. "É mais que um pacto, tem de ter um trabalho (de articulação) coordenado", defendeu o presidente do PSD, GuRalilherme Campos.
Os líderes PP, PR e PSD condenaram a aproximação entre peemedebistas e tucanos em um possível governo comandado pelo vice-presidente Michel Temer. Ao contrário do que afirmam alguns caciques do PMDB, os líderes dizem que Temer demonstra estar confortável na articulação política e que é preciso união para superar o período de crise de credibilidade do governo. "Não podemos colocar mais dúvida na governabilidade, não podemos querer desestabilizar o Brasil. Temos de ter responsabilidade com nossas atitudes. Não podemos jogar no quanto pior melhor", destacou Fonte.
Sobre a possibilidade de a crise gerar um pedido de impeachment, os líderes dizem que o quadro do momento não legitima um possível afastamento da presidente Dilma Rousseff. "Somos contrários ao impeachment. Eleição se dá a cada quatro anos", disse o líder do PR na Câmara, Maurício Quintella Lessa (AL). "Temos uma posição legalista. Quem disputou e ganhou (a eleição) tem um mandato a cumprir", concordou Campos.
Na avaliação dos líderes, é preciso aguardar os desdobramentos dos processos que tramitam contra o governo Dilma em outras esferas (como a análise das pedaladas fiscais em curso no Tribunal de Contas da União e da ação por abuso de poder econômico e político no Tribunal Superior Eleitoral) para só depois reavaliar o apoio ao Palácio do Planalto. "Hoje não tem fato concreto (pelo impeachment), mas se o fato surgir, aí é outro quadro", afirmou Quintella. (Estadão).

Outro recorde petista: fuga da poupança é a maior em 20 anos.


Não é só a baixa remuneração da poupança (o confisco é velado, como revelou a Empiricus) que leva à retirada. É medo também. Ninguém mais acredita no governo Dilma. Com este volume de saques, em poucos meses não haverá como financiar novos empreendimentos imobiliários:


A quantia de saques da poupança superou a de depósitos em junho em 6,26 bilhões reais, informou o Banco Central nesta segunda-feira. Na primeira metade de 2015, o total resgatado dessa aplicação foi de 38,54 bilhões de reais. Nos dois casos, são os maiores volumes dos últimos vinte anos para os períodos (mês de junho e primeira metade do ano), desde quando a instituição começou a compilar as informações disponíveis até hoje, em janeiro de 1995.

Até então, o pior junho para a caderneta havia sido em 1999. Na ocasião, o resultado ficou negativo em 1,4 bilhão de reais. O resultado do primeiro semestre também é significativo, já que há dez anos, desde 2005, não se via um volume de resgates maior do que o de aplicações em todos os meses da primeira metade de um ano. Em janeiro, o resultado ficou negativo em 5,5 bilhões de reais e, em fevereiro, em 6,3 bilhões de reais.

Em março, os resgates superaram os depósitos em 11,4 bilhões de reais e, em abril, em 5,8 bilhões de reais. Em maio, o saldo ficou no vermelho em 3,2 bilhões de reais. O resultado de março foi, portanto, o pior da série histórica do BC para um mês e o de junho, o terceiro pior, atrás também do de fevereiro.

Com o resultado de junho, o saldo total da poupança ficou em 646,56 bilhões de reais, já incluindo os rendimentos do período, no valor de 4,05 bilhões de reais. Os depósitos na caderneta somaram 162,85 bilhões de reais no mês passado, enquanto as retiradas foram de 169,11 bilhões de reais.

A situação de junho só não foi pior porque, no último dia do mês, a quantidade de aplicações foi 3,84 bilhões de reais maior do que o das retiradas. Até o dia 29, o saldo da caderneta estava no vermelho em 10,10 bilhões de reais em junho. É comum ocorrer um aumento dos depósitos no último dia de cada mês por conta de aplicações automáticas e de sobras de salários.

Remuneração - O que tem ocorrido nos últimos meses, no entanto, é que essa sobra tem sido cada vez menor. Além disso, com o atual ciclo de alta dos juros básicos e do dólar, outros investimentos mais atrativos acabam ofuscando o desempenho da caderneta. Soma-se a isso o fato de há três anos a forma de remuneração da aplicação ter mudado. Pela regra de maio de 2012, sempre que a taxa básica de juros, a Selic, for igual ou menor que 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). Atualmente, a taxa básica está em 13,75% ao ano. Quando o juro sobe a partir de 8,75% ao ano, passa a valer a regra antiga de remuneração fixa de 0,5% ao mês mais a TR.

Compulsório - Devido à sangria na poupança vista desde o início do ano, o setor imobiliário passou a reclamar de falta de recursos para financiamentos de casas e apartamentos. Para minimizar esse quadro, o BC decidiu liberar os bancos para usar 25 bilhões de reais dos depósitos da poupança que são obrigados a manter na instituição para desembolsos nas operações de financiamento habitacional e rural. A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão que reúne o BC e os ministérios da Fazenda e do Planejamento.

Foi reduzida a obrigatoriedade de guardar uma parte dos depósitos da caderneta no BC desde que os recursos fossem usados para financiamento habitacional (até 22,5 bilhões de reais) e empréstimos a produtores rurais (outros 2,5 bilhões de reais). (Veja.com).

Depois de vários reajustes sucessivos, conta de Luz vai subir de novo




Ao que parece, mesmo sendo um dos mercados de maior entrada de caixa do país, já que a energia elétrica faz parte da vida de todo brasileiro, e dos reajustes que vem acontecendo na conta de luz, as entradas de capitais não estão sendo suficientes para cobrir o gasto das companhias.


O rombo que o brasileiro deve bancar na conta de Luz foi destaque em editorial recente da Folha.


Segue trecho da matéria:

“Embora já tenha arcado com aumento extra na conta de luz de R$ 3,9 bilhões só de janeiro a abril com as bandeiras tarifárias, o consumidor deve acabar pagando por mais um rombo neste ano. (…). Segundo dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o sistema de bandeiras tarifárias, que eleva mensalmente as contas (veja quadro nesta página), não foi suficiente para cobrir os gastos extras das distribuidoras com o uso das térmicas e com a compra extra de energia. De janeiro a abril, as despesas somaram R$ 5,5 bilhões. A diferença, de R$ 1,6 bilhão, vem sendo absorvida pelo caixa das distribuidoras.”


Pois é, caro leitor, como o “galho sempre quebra pelo lado mais fraco”, só resta preparar os bolsos para suportar mais este peso, que já vem ficando tão pesado a tempos, e que aliás, vai indo totalmente na contramão daquilo que Dilma prometeu.



Para refrescar a memória, veja o vídeo abaixo em que Dilma promete reduzir o valor da conta de luz.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Bolsa “votos” custa R$ 11 milhões ao dia p/ brasileiro e deve pagar recorde de 28 bi em 2015.E, ao contrário dos nossos filhos, esses dependentes não se emancipam NUNCA!





Desde de que começou a ser usada como moeda de troca, ou seja, desde sua criação, o Bolsa-Família tem batido recordes de distribuição atrás de recordes, e apesar do governo demonstrar em seus números diminuição do desemprego e melhoria da faixa de renda do brasileiro, curiosamente este benefício (bolsa-família) está anualmente aumentando em níveis bilionários.



Diversos críticos classificam esse benefício como o maior programa oficial de compra de votos do mundo, programa que tem saído muito caro para o bolso do brasileiro, cerca de 74 milhões por dia, e, segundo Claudio Humberto, do Diário do Poder, esse ano devem ser gastos 28 bilhões com o benefício, 1 bilhão a mais que em 2014.


Em tempos de crise e cortes de gastos nas pastas do governo, inclusive saúde e educação, o Bolsa Família segue aumentando as custas do suado dinheiro do trabalhador brasileiro. Como é isso Dilma?

Dilma afirma que defenderá seu mandato 'com unhas e dentes'.Pudera!Mamata igual a essa é dificil de ser encontrada!




A presidente Dilma Rousseff classificou nesta sgeunda-feira, 6, como "golpista" a pregação por sua saída do governo e disse que defenderá "com unhas e dentes" o mandato para o qual foi eleita. Um dia depois da convenção do PSDB, na qual tucanos apostaram em novas eleições antes de 2018, Dilma orientou ministros, presidentes de partidos, deputados e senadores da base aliada a afastarem com vigor a articulação de adversários pelo impeachment, carimbando a iniciativa como "golpe".


"As pessoas que estão fazendo delação premiada vão ter de provar o que estão falando", disse Dilma em conversas reservadas. Foi uma referência a depoimentos de empreiteiros que, presos pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, disseram ter dado dinheiro desviado da Petrobrás para o PT e para as campanhas de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Vou defender o meu mandato com unhas e dentes. Nada ficará sem resposta."


Indignada com o movimento que começou a ganhar corpo com o agravamento da crise política, Dilma chamou uma reunião de emergência no Palácio da Alvorada, à noite, com o Conselho Político do governo, formado por presidentes e líderes de partidos da base na Câmara e no Senado. Não foi só: convocou os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) para explicar aos aliados, "ponto por ponto", a manobra orçamentária que ficou conhecida como "pedalada fiscal".



"Todos nós achamos que (o impeachment) é algo impensável para o momento atual", afirmou o vice-presidente Michel Temer, que comanda o PMDB e é articulador político do Palácio do Planalto. "Eu vejo essa pregação com muita preocupação. Nós não podemos ter a essa altura, no momento em que o País tem grande repercussão internacional, uma tese dessa natureza sendo patrocinada por diversos setores."


Além do PSDB do senador Aécio Neves (MG), reconduzido no domingo à presidência do partido, uma ala do PMDB flerta com a oposição e também prega o afastamento de Dilma, sob o argumento de que ela não tem mais condições políticas para governar.



Há, porém, divisões em todos os partidos que defendem a interrupção do mandato de Dilma. Setores do PMDB torcem para que o Tribunal de Contas da União (TCU) rejeite as contas do governo em razão da "pedalada fiscal". Nesse caso, mesmo se o desfecho no Congresso seja a aprovação do impeachment, Temer assumiria o cargo. Se, no entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acatar o pedido feito pelo PSDB e considerar que houve abuso do poder econômico e político nas eleições, como alega o partido de Aécio, a chapa Dilma-Temer perde o mandato.


Temer disse desconhecer que setores do PMDB estejam namorando o PSDB, com o objetivo de sondar os tucanos para um possível apoio ao governo caso Dilma seja obrigada a se afastar. "A presidente está tranquila. Podemos ter uma pequena crise política, dificuldades econômicas, mas o que não se quer é uma crise institucional", afirmou o vice-presidente.


 "Levar adiante uma ideia de impedimento da presidente da República poderia revelar uma crise institucional, que é indesejável para o País."


Antes de entrar para a reunião com o Conselho Político, no Alvorada, o ministro Nelson Barbosa disse que não houve ilegalidade no episódio sob análise do TCU. "Todas as operações que foram feitas estão de acordo com a lei e já foram objeto até de aprovação pelo TCU em exercícios anteriores", insistiu Barbosa.


Fonte: Estadão Conteúdo Jornal de Brasília

Cada hora a imprensa diz uma coisa diferente, já não sei mais o que pensar! Temer diz que impeachment é algo 'impensável' e que Dilma está tranquila


O vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) afirmou nesta segunda, 6, que um eventual processo de impeachment que afaste a presidente Dilma Rousseff é uma hipótese "impensável" para "o momento atual" e que a petista está "tranquila" diante do cenário político.



"Vejo essa pregação com muita preocupação. Não podemos ter a essa altura uma tese desta natureza sendo patrocinada por vários setores", disse Temer, em coletiva de imprensa ao lado dos ministros Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia) e Gilberto Kassab (Cidades), além do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS).



Temer pediu ainda "tranquilidade", negou que o Brasil passe por uma crise política e destacou que o impedimento de Dilma poderia levara uma "crise institucional indesejável para o País".




Temer ironizou ainda a fala do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, que, ao ser reconduzido ao comando do partido neste final de semana, disse que o fim do governo de Dilma Rousseff pode acontecer "mais breve do que alguns imaginam" e sugeriu que o PSDB pode voltar ao Planalto.




Questionado sobre o tema, Temer disse esperar que um novo governo tucano só ocorra nas eleições programadas para 2018.




Temer evitou polemizar com os tucanos e disse que o PSDB está "fazendo o seu papel". Mas pediu que qualquer espécie de crise institucional seja deixada de lado, entre outras razões porque repercute negativamente em outros países sul-americanos.(Ah, e isso é razão???)



Ele disse ainda desconhecer qualquer conversa mantida entre integrantes do PMDB e do PSDB para um possível apoio dos tucanos caso Temer assuma a Presidência na eventualidade de um impeachment de Dilma. Qualquer sondagem de peemedebistas nesse sentido não foi institucional, mas algo isolado, minimizou Temer: "não há razão para esse tipo de conversa. Queremos manter a chapa tal qual eleita para todo o mandato."



A coletiva de imprensa ocorreu após a reunião de coordenação política semanal comandada por Dilma. Na tentativa de esfriar a tese do impeachment, Temer afirmou ainda que os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não estão alimentando a ideia. "Não creio que eles estejam dispostos a isso", declarou Temer, para quem, apesar de "litigâncias" pontuais, há "harmonia" entre os poderes Executivo e Legislativo.


Fonte: Estadao Conteudo



Comentário

Ariomar Duarte Melo

Nao tem saida Temer. Acabou.

Quando é que essa turma vai se emancipar, hein? Teremos de sustentar esse bando de marmanjos a vida toda?MST volta a protestar na Secretaria de Fazenda

Manifestantes alegam a falta de pagamento do auxílio-aluguel

vitoria.pereira@jornaldebrasilia.com.br


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), protestam na manhã desta segunda (6), em frente prédio da Secretaria de Fazenda, no Setor Bancário Norte.
De acordo com a Polícia Militar, cerca de 100 manifestantes ocupam a via da Secretaria da Fazenda.


Eles reivindicam  o pagamento do auxílio-aluguel.


Após acordo com os manifestantes, a PM conseguiu liberar as vias que ficaram interditadas por alguns minutos.



Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

(Comentário sobre uma mensagem pescada do Face Book): Que feio, gente, deixar um governo separar o povo brasileiro.Nossa união tem de estar acima desses conflitos politicos!Os politicos passam, os brasileiros ficam!

Imaginou perder um filho assassinado e ainda ter de ouvir isso?:"Quem morreu, morreu não volta mais.Agora deixar preso um muleque "só" porque ele matou, sou contra!"