quarta-feira, 28 de setembro de 2016

App diz quanto a pessoa emite de CO2 e como compensar em mudas

RB AMBIENTAL




Posted: 24 Sep 2016 05:47 AM PDT
Um engenheiro ambiental e empresário paulistano lançou um aplicativo que calcula o número de árvores que as pessoas e os responsáveis por indústrias e eventos devem plantar para compensar a quantidade de gás carbônico eliminado no meio ambiente. Os usuários do “CarbonZ” podem utilizar os índices para consulta ou pagar para que o pesquisador e sua equipe plantem as mudas.

Após baixar o aplicativo de celular (app), que está disponível para Android e IOS desde o dia 21 de setembro, Dia da Árvore, o usuário preenche um formulário com dados sobre sua rotina, como tipo de veículo utilizado para chegar ao trabalho e a quantidade de água e energia elétrica consumidas por mês.

Com a informação gerada pela ferramenta, o usuário tem a opção de realizar o plantio, caso queira, ou pagar online para que a "CarbonZ" faça o serviço. Em caso de adesão, o usuário recebe no prazo de uma semana as coordenadas geográficas de onde as mudas estão plantadas, de quais espécies são e uma foto do local.

Além disso, cada muda recebe um chip e o usuário tem a possibilidade de ir ao local e identificar a planta com a câmera do celular, de modo similar àquele realizado na caça de Pokémons.

Empresário
Gabriel Estevam Domingos, de 28 anos, o empreendedor que concebeu o projeto, explica que a ideia surgiu da tendência seguida pelos grandes eventos de neutralizar o carbono gerado nas construções por meio do plantio.

“É uma ação voluntária de responsabilidade socioambiental baseada no Protocolo de Kyoto. Isso foi feito pelos organizadores do Rock in Rio e da Olimpíada do Rio, por exemplo”, explica.

Após realizar um trabalho para um evento que seguia esta tendência neste ano, Gabriel tinha material suficiente para desenvolver o app, que foi criado em três dias. “Para este evento trabalhei de maneira arcaica, usando planilhas de Excel. O "CarbonZ" veio da necessidade de uma ferramenta prática para a realização do cálculo”, conta.



Trajetória
Gabriel é o homem que concebeu o projeto com a ajuda da equipe de sua empresa, a GED – Inovação, Engenharia e Tecnologia. Quando criança, ele queria ser cientista e criar tudo que consumisse. “Eu fiz pasta de dente, desinfetante, captação de água da chuva e tratamento de esgoto, por exemplo”, conta.

Concentrou seus esforços na questão ambiental e sustentável inspirado no município onde cresceu, Cubatão, na Baixada Santista, que já carregou o título de cidade mais poluída do mundo. “Me chamava atenção que 60% da cidade estivesse sob área de preservação ambiental, apresentasse um dos maiores PIBs do Brasil, mas fosse uma cidade poluída e desigual”, afirma.

Consequentemente, Gabriel encontrou na engenharia ambiental sua área de trabalho. “É uma área que trabalha justamente com o tripé social, ambiental e econômico, que sempre me interessou”, explica.

Hoje, Gabriel trabalha em sua empresa, integra o Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (CEPEMA) da Poli/USP, carrega no currículo 25 prêmios por pesquisas e o título de Jovem Embaixador Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Fonte: G1 São Paulo / Globo

Espécies que são salvas graças à interferencia da iniciativa privada.

Old Blue, um macho e um neozelandês intrometido

Por Giuliana Ferrari
Merton-1
Don Merton e Old Blue



Há três possibilidades quando alguém ouve o nome “Nova Zelândia”. Se você for um aficionado por esportes radicais, aparecem na mente imagens de paraquedismo e pontes altíssimas para bungee jumping.



Se você for um fã inveterado de Senhor dos Anéis, como a autora desta crônica, Nova Zelândia é o cantinho da Terra Média que sobreviveu ao rápido desenvolvimento urbano do restante do mundo, conservada em algum lugar da Ilha Sul, perdida entre as montanhas de gelo, lagos estonteantes e colinas verdes repletas de ovelhas. Mas se você for um ecólogo conservacionista, a Nova Zelândia é um dos exemplos máximos de como conhecimento científico pode salvar uma espécie.



Quando se discute reintroduções, neozelandeses literalmente escreveram o livro sobre esse assunto, lançado pela primeira vez com o título “Reintroduction Biology” por Doug Armstrong, Kevin Parker e John Ewen. Apesar do primeiro ser canadense e o terceiro, britânico, os três se tornaram conhecidos trabalhando com espécies reintroduzidas nas pequenas ilhas costeiras do território neozelandês.




Os três homens, com os quais tive a sorte de trabalhar, só tinham boas palavras para falar de Don Merton. Entre outros feitos, Merton foi a pessoa que descobriu o comportamento de lekking no kakapo, um psitacídeo (aves que se parecem com papagaios) e uma das espécies mais emblemáticas da Nova Zelândia (para mais informações sobre esses pássaros não-voadores incríveis, leia “As duas vidas de Richard Henry e a salvação do Kakapo”, de Bernardo Araujo).



Merton nasceu no dia 22 de fevereiro de 1939 em Devonport, uma pequena cidade anexa Auckland, a maior cidade neozelandesa. Ainda criança, Don e seus dois irmãos mais velhos foram bem-sucedidos em cuidar de um tentilhão-dourado selvagem que havia ficado órfão nas redondezas da casa de sua avó. Trinta e cinco anos depois, Merton usaria essa experiência para salvar o Chatham Island Black Robin, à época a ave mais ameaçada do mundo.



O black robin (de nome científico Petroica traversi) é um pequeno passarinho do tamanho de um pardal, assim chamado devido a sua homogênea penugem preta. O bico, também preto, é curto e serve para se alimentar exclusivamente de insetos no chão da floresta, apoiado em galhos baixos ou dando pulinhos curtos por entre as folhas caídas.



Ao contrário do seu primo NI robin Petroica longipes, o , o robin preto tem capacidade de voo reduzida, o que o deixou ainda mais vulnerável aos predadores que invadiram seu território (principalmente arminhos, doninhas e ratos). O North Island robin é um passarinho com uma extensa distribuição na Ilha Norte da Nova Zelândia, enquanto o  black robin estava presente apenas em poucas ilhas do Chatham Islands, um pequeno arquipélago a 800km da costa leste neozelandesa.


Black-Robin
Um exemplar juvenil de black robin, descendo um dos declives da ilha Little Mangere, 
Chattam Islands. Foto: Don Merton




Os fatores que deixaram o black robin em tão precária situação, infelizmente, são comuns: perda de habitat por degradação antrópica e predação por mamíferos exóticos introduzidos pelo homem. Antes uma terra pristina que continha apenas duas espécies de mamíferos nativos (morcegos pequenos que se alimentavam principalmente de frutas), com a chegada dos colonizadores, primeiro os polinésios, e, depois, os europeus, a Nova Zelândia tornou-se um terreno perigoso para seus pássaros, que evoluíram durante milhares de anos na ausência de predadores terrestres. Eles passaram rapidamente a ser mortos por ratos, gatos, arminhos, doninhas e até cachorros, no caso de espécies maiores como os kiwis.




É importante lembrar que em ilhas isoladas como Havaí e Nova Zelândia, as espécies locais, em sua maioria aves, não têm defesas adequadas contra mamíferos predadores simplesmente porque não evoluíram em conjunto com eles, um fenômeno conhecido em ecologia como "ingenuidade insular". Se você pensa que um passarinho é bobo por ficar cantando despreocupadamente enquanto um gato o observa, pronto para dar o bote, pense que você não fugiria de um leão se não soubesse que ele é um poderoso predador. Talvez ficasse parado, observando aquele curioso animal se aproximando, sem se dar conta que o plano de almoço seria você.




Missão quase impossível
"Don havia visto a destruição de biodiversidade no Grande Cabo do Sul, e garantiu que aquilo não se repetiria em Mangere. Juntos, Old Blue e Don Merton iriam mandar uma mensagem ao mundo: a situação pode ser terrível, mas esperança e determinação podem revertê-la."
Vinte anos antes, Don Merton havia chegado na Ilha Grande Cabo do Sul, alguns quilômetros ao oeste da Ilha Sul neozelandesa. Ele estava encarregado de trabalhar com os saddlebacks, passariformes de penugem escura com uma “sela” marrom-alaranjada nas costas. Além dessa espécie, mais duas estavam confinadas à Ilha (eram únicas no mundo). Rattus rattus, o rato comum, conseguiu invadir a Ilha nadando até terra firme e as extinguiu; se não fosse pelo time de Don Merton, teria dizimado a espécie de saddlebacks também. Don ficou marcado pela dolorosa experiência de presenciar duas extinções globais.




Arminhos e roedores são pestes na Nova Zelândia, e ao serem introduzidos (intencionalmente ou por acidente) nas Ilhas Chatham, esses predadores encontraram nos despreocupados black robins um banquete. Em 1980, a situação da espécie era crítica. Quando Merton chegou à ilha, a estimativa era de restarem apenas 30 indivíduos.  Enquanto tentavam bolar um plano de resgate, uma contagem na Ilha Pequena Mangere, a única onde estes pássaros também existiam, revelou míseros 5 indivíduos. Parecia a vez do robin preto de desaparecer da face da Terra.



A missão de Don parecia impossível: salvar uma espécie cuja única fêmea reprodutora recebera o nome de Old Blue (por ser marcada com uma única anilha azul na perna), pois sua avançada fazia duvidar de que ela pudesse gerar filhotes saudáveis. Mas Don havia visto a destruição de biodiversidade no Grande Cabo do Sul, e garantiu que aquilo não se repetiria em Mangere. Juntos, Old Blue e Don Merton, este já com cabelos brancos, iriam mandar uma mensagem ao mundo: a situação pode ser terrível, mas esperança e determinação podem revertê-la.




Primeiro, Merton resgatou a pequena população de robins pretos confinados em um trecho íngreme da Ilha. Isso significou escalar rochedos com caixas e demais equipamentos pesados nas costas. Após capturarem os animais, as caixas tornavam-se carga preciosíssima. Os pesquisadores desciam um alto paredão com os únicos indivíduos de uma espécie. Eles jamais devem ter esquecido aquela tarde.
Old-Blue-box
Caixa de ninho dedicada a Old Blue, em Mangere Islands. Foto: Alan Tennyson


As ondas castigavam o paredão e o vento parecia soprar de todas as direções. O Sol brilhava nas pernas descobertas dos pesquisadores, que vestiam casacos de lã ou linho por cima das blusas, uma tentativa de manter o corpo aquecido sob o frio ensolarado neozelandês. Don ainda teve tempo de sacar sua câmera e tirar uma foto do rapaz encarregado de transportar metade da população do black robin nas costas.



Esta foto até hoje é utilizada em cursos sobre ecologia e conservação nas universidades neozelandesas. Ao levar os indivíduos para a Ilha Mangere, cujo habitat era maior e mais adequado à espécie, Merton percebeu que havia um único casal reprodutivo viável: Old Blue e Old Yellow. Fotos mostram Merton “conversando” com sua Blue, que não deve ter entendido aquela intensa atenção, alheia ao fato de ser a última esperança de sua espécie.



A aposta funcionou e as primeiras ninhadas de Old Blue vingaram, mas um novo problema surgiu: se ela fosse cuidar de seus filhotes, nem todos sobreviveriam. Aves geralmente colocam mais ovos do que o número de indivíduos que irão sobreviver às condições naturais. Mesmo que a maioria de seus filhotes sobrevivessem, Old Blue só poderia ter outras ninhadas na próxima estação reprodutiva, o que para passariformes é em geral entre primavera e verão de cada ano. E havia urgência da população crescer.



Merton estabeleceu uma nova tática: os filhotes do casal seriam criados por adultos de uma espécie similar, o Petroica macrocephala, ou tomtit. Tomtits ajudaram a elevar rapidamente o número de black robins, já que Old Blue e, posteriormente, suas filhas, netas e bisnetas que chegavam à idade adulta eram estimuladas a colocar mais ovos quando estes eram levados para serem cuidados por “pais adotivos”.



Em Mangere, notou-se a permanência de alelos deletérios na população de black robins. No processo, a espécie sofreu um intenso gargalo populacional, pois todos os indivíduos existentes hoje são originários do primeiro casal, Old Blue e Old Yellow. Essa situação é conhecida em ecologia como “bottleneck” (gargalo). O maior dos problemas foi a fixação de um gene mal adaptativo, o qual impelia as fêmeas a empurrarem seus ovos para a borda do ninho.



No início do programa, pesquisadores iam até os ninhos e empurravam os ovos de volta, pois o objetivo claro era aumentar a população o mais rápido possível e tirá-la da situação extremamente vulnerável em que se encontrava. De uns tempos para cá, no entanto, a intervenção humana nos ninhos foi interrompida para que este gene fosse extirpado na população, já que fêmeas com este comportamento não conseguiriam ter filhotes.



Merton trabalhou até uma idade avançada, sempre com a “animação e energia de ecólogos com metade de sua idade”, como descreveria Carl Jones em 2011. Hoje, sobrevivem cerca de 250 indivíduos de black robins na natureza em Chattam Islands: nas ilhas Mangere e Cabo Sul.


Old Blue faleceu depois de incríveis 14 anos, cercada de seus descendentes. A fêmea daquele primeiro casal produziu centenas de passarinhos. A média de expectativa de vida destes pássaros é de apenas quatro anos, embora alguns sobrevivam de 6 a 13 anos. Merton tornou seu trabalho de recuperação da espécie especialmente eficiente com o uso de técnicas de manejo intensivo. A extensa documentação do projeto permitiu replicar em outros projetos idéias que tiraram os robins da beira da extinção. Foi o caso dos pássaros kakapo e o takahe.


Em 11 de abril de 2011, aos 72 anos, foi a vez do mundo se despedir de Don Merton, após longa batalha contra um câncer. Com quase 50 anos de carreira, Don semeou as raízes do que é hoje o trabalho intensivo em recuperar espécies ameaçadas de extinção na Nova Zelândia, e seu conhecimento foi usado em situações semelhantes nas Seychelles, Ilhas Maurício e no leste da Austrália.


Com o avanço das ações antrópicas e perdas irreparáveis de habitat, muitas outras espécies estarão ameaçadas de extinção no futuro. Se conseguiremos salvá-las ou não, é uma incógnita. Mas se hoje sabemos como manejar essas espécies, definitivamente podemos agradecer à incrível história de Don Merton e a pequena Old Blue.

Participe do 2º Concurso Fotográfico WikiParques 2016

"Mandacaru". Foto: Guilherme Haruo
“Mandacaru”. Foto: Guilherme Haruo


Fotógrafos, mais uma vez convocamos vocês a participar do Concurso Fotográfico WikiParques! Se você não participou da edição anterior, não perca esta chance. Se já participou, bem-vindo novamente. Mostrem para o mundo as suas imagens mais marcantes, registradas nos parques e áreas protegidas Brasil afora.


A foto vencedora será revelada pela Escolha do Júri: as equipes do WikiParques, do site ((o))Eco e fotógrafos convidados vão se reunir para escolher qual a melhor foto.  A nossa galeria traz os cliques dos vencedores passados e das muitas contribuições à Wiki. Visite e se inspire.


Assim como nos concursos anteriores, não é preciso uma inscrição formal, basta abrir uma conta no WikiParques e enviar suas fotos. Todas as fotos enviadas para o concurso serão incorporadas ao acervo do WikiParques, ficando disponível no site através da licença Atribuição-Partilha nos Mesmos Termos 3.0 não Adaptada (CC BY-SA 3.0). Não deixe de participar!

btn-enviar-foto

Veja abaixo a foto vencedora da última edição do concurso e, logo depois, o regulamento completo.
Vencedora da última edição: Nádia de Campos Velho  (confira aqui uma rápida entrevista)
800px-TAVARES-MOSTARDA
Na beira da lagoa, no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, uma revoada de dezenas de trinta-réis-boreal (Sterna hirundo), uma ave costeira, pequena, ágil e graciosa, que no inverno boreal migra para o Hemisfério Sul, sendo comum nas costas do Brasil. 

Você já participou na construção de um plano de educação ambiental?

 Resultado de imagem para educação ambiental imagens


Nos ajude a produzir o “Plano Distrital de Educação Ambiental do Distrito Federal (PDEA)”. 


As Secretarias do Meio Ambiente e Educação, CIEA-DF e a CODEPLAN contam com a participação de todas as instituições que atuam com Educação Ambiental no DF. Assim, teremos um diagnóstico das ações de educação ambiental e como podemos melhorá-las. 

É rapidinho e seus dados não serão divulgados. 

Toda participação é importante e estamos felizes em poder construir juntos este plano para o DF!

Acesse a pesquisa pelo link e participe:

Impactos causados pela Coca Cola nos aquiferos brasileiros.

 No dia 13 de março de 2016, domingo, foi realizado na comunidade de Suzana, em Brumadinho (MG), o Encontro Popular “Onde está nossa água?”, que discutiu a repentina queda na vazão das nascentes que abastecem as comunidades de Suzana e Campinho, após o início das operações dos poços tubulares que abastecem a fábrica da Coca-Cola, localizada em Itabirito (MG).


Os poços de água que abastecem a fábrica estão a menos de mil metros das nascentes localizadas dentro do Monumento Natural Municipal da Mãe d’Água que servem de abastecimento de milhares de famílias de Brumadinho.

Conforme demonstrado na reunião, há uma grande coincidência entre a queda na vazão das águas dessas nascentes e o início da operação desses poços. Análises técnicas indicam que é bastante provável que a operação desses poços esteja impactando diretamente o abastecimento de água da população de Brumadinho-MG.

Com a participação de aproximadamente 150 pessoas, o encontro contou com a exposição do geólogo colaborador da ONG Abrace a Serra da Moeda, Ronald Fleisher, que apresentou os aspectos técnicos que envolve a questão.

Prefeitura de Brumadinho-MG
O encontro popular contou com a participação do Secretário de Meio Ambiente de Brumadinho, Hernane Abdon, que se apresentou surpreendido com os impactos da Coca Cola e disse que a Prefeitura de Brumadinho não foi comunicada sobre a instalação da Fábrica. 


Contudo, representantes da ONG Abrace a Serra da Moeda detinham documento datado de 2011, extraído do licenciamento ambiental, que comprovava exatamente o contrário. Vale lembrar que, na ocasião, o próprio Hernane Abdon era o Secretário de Meio ambiente, embora o Prefeito fosse Avimar Barcelos, o Nenen da Asa, opositor à atual gestão.


O Secretário também se comprometeu a obter do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Brumadinho (CODEMA) uma moção de repúdio ao empreendimento da Coca-Cola e solicitando a paralisação imediata das operações dos poços questionados.


As comunidades cobraram do Secretário ações mais enérgicas na defesa das comunidades. Isto porque a Prefeitura de Brumadinho tem se omitido da responsabilidade de proteção do patrimônio ambiental e hídrico do município. 

Exemplo disso é o não reconhecimento por parte dos órgãos municipais do Monumento Natural Municipal da Mãe d’Água que ocasionou a ausência de participação do CODEMA, órgão gestor da Unidade de Conservação, sobre o licenciamento da Fábrica da Coca-Cola. 

A Prefeitura de Brumadinho tenta, judicialmente e em grau de recurso, reduzir a área de proteção do Monumento Natural Mãe d’Água. Isso porque o Ministério Público de Minas Gerais ajuizou ação civil pública após a revogação ilegal do Decreto que criou o Monumento.


Prefeitura de Itabirito
Não obstante a proximidade da Fábrica da Coca Cola FEMSA com o Monumento Natural da Mãe d’Água – Unidade de Proteção Integral localizada em Brumadinho – não foram realizados estudos de impacto da exploração do aquífero em vazões tão grandes e tampouco há previsão de monitorar esse impacto. 


A Coca Cola FEMSA foi dispensada do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) para instalação de sua fábrica, haja vista a sua localização no Distrito Industrial de Itabirito. O EIA/RIMA do Distrito Industria, no entanto, não faz menção sobre o impacto das indústrias sobre o aquífero. A empresa realizou um estudo ambiental simples, se comparado ao EIA/RIMA, o Plano de Controle Ambiental e Relatório de Controle Ambienta (PCA/RCA). No seu PCA/RCA a CocaCola-Femsa não abordou o impacto sobre o aquífero, pois sua água será fornecida pelo SAAE de Itabirito.


Com o objetivo de incentivar a instalação da Fábrica, a prefeitura de Itabirito doou grande parte da área da fábrica e também concedeu uma série de benefícios fiscais, além da garantia de fornecimento de água através do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itabirito-MG. Embora o SAAE Itabirito se comprometa a atender um consumo médio mensal de 172.253m3 para a Coca Cola, não realizou qualquer estudo técnico ambiental que avalie o impacto da exploração do aquífero em vazões tão grandes. Com o consumo mensal da empresa Coca Cola seria possível abastecer 28.875 habitantes, o que corresponde a quase toda a população de Brumadinho. 

 
Também não houve audiência pública antes da instalação da Fábrica, o que impossibilitou a defesa das comunidades antes do início das operações do empreendimento.


Deliberações das Comunidades
As comunidades reunidas no encontro popular realizado domingo (13) deliberaram as seguintes ações: 

a) Representação ao Ministério Público comunicando a diminuição da vazão das nascentes após o início das operações da fábrica da Coca-Cola FEMSA.
b) Ação Civil Púbica visando a paralisação imediata da operação dos poços que abastecem a Fábrica até que se julgue o mérito da causa da diminuição da oferta de água na encosta da Serra da Moeda;

c) Manifestação no dia 21 de abril no evento “Abrace a Serra da Moeda” e em seguida em frente à fábrica da Coca-Cola FEMSA.


















terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pourquoi la théorie de Hawking sur les «extraterrestres dangereux» est peu probable

Le physicien britannique Stephen Hawking

© AFP 2016 Justin Tallis Sci-tech 23:11 27.09.2016URL courte 5115294


Stephen Hawking craint que si nous prenons contact avec des êtres extraterrestres, ils pourraient répondre avec hostilité. Si c’est le cas, il est un peu tard pour s’inquiéter. Seth Shostak, directeur du centre spatial Seti, qui cherche l'intelligence extraterrestre, a déclaré aux journalistes du journal britannique The Guardian, qu'il ne fallait pas avoir peur des attaques extraterrestres.



Dans un film récemment publié en ligne, M. Hawking souligne le danger potentiel de la diffusion des signaux radio vers d'autres systèmes d'étoiles. Après tout, nous ne savons pas qui est là-bas, et ils pourraient ne pas être bien intentionnés. Si nous révélons notre présence avec des signaux, peut-être les extraterrestres tireront avec leur artillerie interstellaire pour nous éliminer. Nous avons déjà diffusé en permanence notre position aux aliens pendant des années grâce à des choses comme la télévision et les radars.



S'il y a une civilisation avancée qui peut recevoir ces signaux, elle sait probablement déjà que nous sommes ici, affirme M. Shostak. Le système d'étoiles le plus proche de notre système solaire est à environ 40.000 milliards de kilomètres.


S'il y a une espèce extraterrestre qui a développé la technologie super-avancée nécessaire pour recevoir des émissions de la Terre, alors il y a des chances qu'elle ait aussi la capacité technique de se rendre sur Terre et de nous capturer en un instant.


 Mais ils n'ont pas encore pris la peine de détruire la Terre, alors pourquoi est-ce mauvais d'essayer de communiquer avec eux ? Si vous supposez que qu'une vie extraterrestre soit susceptible d'exister, étant donné qu'il y a des milliards d'autres planètes dans notre galaxie et des milliards d'autres galaxies dans l'Univers, alors il est tout à fait possible que la Terre soit quelque part au milieu de l'évolution de la vie dans l'Univers.


Il pourrait y avoir des espèces beaucoup plus avancées qui existeraient depuis bien plus longtemps que nous. Ces espèces auraient eu beaucoup de temps pour récolter les ressources de la Terre bien avant le début de la vie humaine.


Une autre scientifique du centre Seti, Jill Tarter, a souligné que les humains étaient devenus plus gentil et plus doux que nous l'étions dans le passé. Il semble qu'au fur et à mesure de l'évolution des technologies, la société évolue et devienne moins violente. Ainsi, toute civilisation extraterrestre suffisamment avancée pour communiquer avec nous ne décidera probablement pas de nous vaporiser immédiatement.


Donc, au moins pour l'instant, il semble que les idées alarmistes de Stephen Hawking concernant les aliens fassent encore débat.




En savoir plus: https://fr.sputniknews.com/sci_tech/201609271027948748-hawking-extraterrestres-peu-probable/

País deve apoiar controle de CO2 da aviação


Por Do Observatório do Clima*
Foto: Paul/Flickr.
Foto: Paul/Flickr.

O Observatório do Clima enviou nesta segunda-feira uma carta ao Presidente da República, Michel Temer, pedindo que o Brasil participe de um novo mecanismo de regulação das emissões de carbono da aviação civil internacional.



O mecanismo deverá ser criado durante a assembleia da Oaci (Organização Internacional da Aviação Civil), que começa nesta terça-feira (27) em Montréal, Canadá, e vai até 7 de outubro.



A aviação civil internacional é um dos setores da economia cujas emissões de gases de efeito estufa crescem mais depressa. Sozinha, ela já emite mais do que todo o Canadá (quase 2% das emissões globais) e, se fosse um país, seria um dos dez maiores poluidores do mundo. Caso nada seja feito, suas emissões poderão crescer 300% até o meio do século. Os responsáveis por esse crescimento serão basicamente os países em desenvolvimento, onde o mercado mais se expande.



No entanto, por serem internacionais – ou seja, por ocorrerem no espaço entre países -, essas emissões não estão regulamentadas pelo acordo do clima de Paris. Só que, se os governos estiverem falando sério sobre cumprir a meta do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento global em bem menos de 2oC e fazer esforços para limitá-lo a 1,5oC, a aviação civil precisa controlar o crescimento de suas emissões.



O mecanismo que se desenha para a reunião de Montréal visa limitar o crescimento dessas emissões após 2020. Mas ele deverá ser de adesão voluntária na sua primeira fase, que vai até 2026. Até lá, as empresas aéreas dos países que não aderirem, e todos os voos entrando e saído desses países, ganhariam um passe livre para poluir.



É crucial que o maior número possível de nações se integre ao mecanismo desde seu início, em 2020, e comunique essa intenção até o final da assembleia, para saber se haverá um acordo eficaz ou não. E o Brasil é uma peça-chave para o sucesso desse acordo.



“O Observatório do Clima considera fundamental que o Brasil anuncie à comunidade internacional que suas emissões de transporte aéreo internacional estarão sujeitas ao controle de mecanismo regulatório no âmbito da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) desde sua fase inicial, como já o fizeram também países como China, Cingapura, Emirados Árabes Unidos, Ilhas Marshall, Indonésia, Malásia, México, Quênia, dentre outros países em desenvolvimento”, afirma a carta.



Para Carlos Rittl, secretário-executivo, do OC, a participação brasileira desde o início é fundamental não apenas pelo tamanho e potencial de crescimento do mercado brasileiro (aproximadamente 1.6% do tráfego de voos internacionais vem do Brasil), mas também pela importância estratégica do país. “Uma posição de liderança do Brasil na negociação tem o potencial de estimular outros países em desenvolvimento, reforçando o papel do país como um dos poucos produtores de aviões comerciais e uma superpotência na produção de biocombustível para aviação. Por outro lado, se o Brasil adiar compromissos, outros países farão o mesmo, o que aumentará o risco de mudanças climáticas perigosas no mundo inteiro”, afirmou Rittl.



Segundo Mark Lutes, especialista em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil, um mecanismo efetivo para o setor de aviação internacional precisa – além da participação de todos os países desenvolvidos e grandes países em desenvolvimento – evoluir o quanto antes para cobrir todas as emissões do setor e ser revisado periodicamente. De acordo com Lutes, só desta forma a aviação poderá cumprir a parte que lhe cabe nos esforços globais.



“As emissões globais estão ainda longe de ser compatíveis com um futuro sustentável e os objetivos climáticos acordados em Paris. Essa reunião da Oaci é a primeira e a melhor oportunidade de avançar nos esforços globais para evitar desastres climáticos. Se países com o tamanho e a capacidade do Brasil ficarem fora, haverá muito menos chances de dar certo”, completa.



Leia aqui a íntegra da carta.

Republicado do Observatório do Clima através de parceria de conteúdo. logo-observatorio-clima

Justiça mantém zoológico do Parque da Cidade aberto e pede envio de leoa


27/09/2016 11h02 - Atualizado em 27/09/2016 11h25


Decisão é referente a Ação Civil Pública promovida pelos MP e MPF.


Juiz entendeu que transferência de felino poderia causar danos a sua sua saúde.

Do G1 SE
A Justiça Federal divulgou nesta terça-feira (27) que o juiz Edmilson da Silva Pimenta decidiu manter o funcionamento do zoológico do Parque da Cidade, mas determinou a adoção de diversas medidas para resolver as pendências estruturais e de funcionamento, conforme as exigências do parecer emitido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).



A decisão é referente a Ação Civil Pública promovida pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual com base o Inquérito Civil instaurado pelo MPF em 15 de fevereiro deste ano para apurar a suposta prática de maus tratos contra uma onça no local.



"Apesar de todas as contingências que envolvem o mencionado Zoológico, entendo que não é o caso de se decretar a sua interdição, diante da importância que ele representa para a sociedade sergipana, que ficaria privada de um importante centro de lazer, de educação, de cultura e de convívio com a natureza. A interdição se configura em uma medida extrema, somente devendo ser adotada em caso de absoluta incapacidade da Administração Pública em recuperar o Zoológico, o que não é o caso”, argumentou o juiz federal.


Edmilson Pimenta entendeu ainda que a transferência do leão para outro parque ou habitat poderia acarretar danos à sua saúde e outras consequências, que devem ser avaliadas por especialistas na área.


Ao final, a decisão determinou que a Emdagro, o Ibama e a Adema, conjuntamente, adotem providências no sentido de trazer uma leoa para o Zoológico do Parque da Cidade de Aracaju, obedecendo, assim, ao anexo IV, alínea d, da Instrução Normativa IBAMA nº 07/2015[1], que recomenda a formação de casais ou pelo menos parear tais animais, medida que deve ser concretizada assim que o Ibama informar que as dependências do Zoológico estão aptas para receber o animal.

*Com informações da Justiça Federal


Les cauchemars d'un monde totalement végétarien

Steak

© Flickr/ Sharon & Nikki McCutcheon Société 21:55 27.09.2016(mis à jour 22:08 27.09.2016)


Exclure la viande de son régime alimentaire peut entraîner un tas d’avantages tant pour la santé humaine que pour la planète.


Dans le même temps, un végétarisme massif pourrait nuire à des millions de personnes. 
De combien d’années la viande écourte-t-elle la vie? Les gens renoncent à la viande pour de multiples raisons, notamment pour soulager la souffrance des animaux ou adopter un mode de vie plus sain.


Peu importent les arguments de leurs amis carnivores, les végétariens n'ont aucun doute sur ce point : supprimer la viande de son régime alimentaire est bénéfique.


Néanmoins, si tout le monde devenait végétarien, cela aurait de sérieuses répercussions pour des millions de personnes partout dans le monde.


« Pour les pays développés, le végétarisme apportera tout un ensemble d'avantages pour l'environnement et pour la santé », annonce Andrew Jarvis du Centre international colombien de l'agriculture tropicale, cité par la BBC. « Mais dans les pays en voie de développement, cela aura des effets négatifs en termes de pauvreté. »


M. Jarvis et ses collègues ont évalué les conséquences concrètes si la population de la planète se tourne vers le végétarisme à partir d'aujourd'hui.


Si tout le monde devient végétarien, le taux de mortalité sera réduit de 6 à 10 % d'ici 2050, bien que les effets du végétarisme global soient plutôt mixtes.




La chute du taux de mortalité sera due pour moitié au refus de manger de la viande rouge et pour moitié à l'augmentation des quantités de fruits et de légumes consommées. De moins en moins de personnes souffriront de maladies liées à la nourriture, les frais médicaux seront en baisse, soit une économie d'environ 2 à 3 % du PIB mondial.


Cependant, le manque d'éléments nutritifs devra être comblé et cela pourrait devenir un vrai problème, plus de deux milliards d'habitants sur la Terre étant sous-alimentés. « Devenir globalement végétarien pourrait donner lieu à une crise de la santé dans les pays en voie de développement, car d'où viendront les micronutriments dès lors ? », met en garde l'expert de l'Université de Leeds Tim Benton.
 
Des changements verront aussi le jour dans le domaine du travail. Les gens liés anciennement à l'industrie de l'élevage devront changer de boulot et les gouvernements devront aider ces flux de chômeurs nouvellement créé à trouver une alternative.


 Mais quels que soient les efforts des autorités, le monde affrontera inévitablement une croissance du taux de chômage dont les principaux concernés seront les habitants des communes rurales liées à cette industrie alimentaire.


 Ensuite, vu les quantités de volailles produites et tuées par an à des fins alimentaires, il faudra être prêt à faire face à de graves perturbations économiques. Sans l'élevage, la vie pourrait devenir impossible pour certains groupes, selon Ben Phalan de l'Université de Cambridge.


Quels groupes précisément ? Les nomades mongols et berbères par exemple qui, privés de leur bétail, seraient obligés de s'installer dans les grandes villes, ce qui aurait pour conséquence la perte de leur identité culturelle.



De même, les gens dont la vie ne dépend pas de l'élevage souffriront également. Il s'agit des pays où la viande fait partie de la tradition, de l'histoire et de la culture, et participe habituellement aux fêtes comme Noël ou les noces.

Cites 2016: novo embate entre traficantes e conservação


Por José Truda
Elefante no Parque Nacional Kruger, na África do Sul. País sedia encontro internacional sobre comércio de espécies ameaçadas. Foto: Wikipédia.
Elefantes vivem protegidos no Parque Nacional Kruger, na África do Sul. 
País sedia encontro internacional sobre comércio de espécies ameaçadas.
Foto: Wikipédia.

Joanesburgo, na África do Sul, é a metrópole mais próxima do lugar que abriga a visão que milhões de pessoas ao redor do mundo têm da África selvagem que resta: o Parque Nacional Kruger, um dos mais visitados e aclamados santuários de biodiversidade terrestre do planeta.



Lar de muita vida, de icônicas famílias matriarcais de elefantes a alguns dos últimos rinocerontes existentes, passando por uma miríade de plantas e animais singulares, Kruger é ao mesmo tempo um enorme sucesso de conservação e um dilema de manejo para seus gestores - um excelente paralelo para a Convenção para a Regulamentação do Comércio Internacional de Fauna e Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção, ou simplesmente CITES, que se reúne nesta cidade a partir do dia 23 de outubro e que mais uma vez sediará um embate entre os que querem proteger as espécies ameaçadas e os que querem vendê-las - ou suas partes mais valiosas - no comércio internacional.



Negociada e entrando em vigor nos já longínquos anos 1970, quando uma onda de preocupação com o planeta levou a diversas inovações no Direito Internacional, a Convenção CITES é uma pérola em um mundo onde os "consensos" impedem, na prática, a adoção de medidas efetivas de conservação; esse é o caso dos acordos regionais de pesca hoje vigentes, por exemplo, onde mesmo com absoluta certeza de que as práticas pesqueiras são criminosamente predatórias e os estoques estão sendo exterminados por quotas demasiado elevadas de captura, basta uma China ou um Japão fincar pé para que nada seja feito e o massacre insustentável continue, consagrando a ditadura da minoria predatória nas decisões sobre recursos naturais compartilhados.



A CITES, bem como a Comissão Internacional da Baleia (CIB), são anteriores a esse golpe do consenso, e tomam decisões por votação.



No caso da CITES, adotam-se por maioria mínima de 2/3 dos países votantes normas para restringir ou proibir o comércio de animais ou plantas ameaçados ou em vias de, listando-os respectivamente no Apêndice II (comércio internacional restrito e sujeito a non-detrimentfindings, ou seja, à demonstração de que o comércio pretendido não prejudicará a espécie) ou Apêndice I (comércio internacional proibido).



Claro, aqui como em muitas leis há uma cláusula pró-meliantes: como em muitos outros tratados, na CITES os países também podem declarar uma "objeção" às decisões em até 90 dias depois de adotadas, e com isso ficam isentos de cumpri-las...



Mas mesmo assim as objeções costumam limitar-se aos vilões ambientais habituais (vocês acertaram: China e Japão encabeçam a lista) e a maioria das decisões favorece as espécies-alvo.



Algumas espécies listadas desde o início na CITES são objeto de permanente revisão e controvérsia, como é o caso dos elefantes, massacrados impiedosamente pelo marfim, ou rinocerontes, cujo chifre é removido dos animais caçados ilegalmente para alimentar o mais imbecil dos tráficos, o de supostos afrodisíacos na tal "medicina tradicional" asiática. Outras são besouros pouco conhecidos ou plantas suculentas obscuras, mas que viram espécies ameaçadas ao serem coletadas em números assustadores para atender a "colecionadores" com dinheiro demais e parafusos de menos.



Nesta reunião que se inicia não será diferente, e falaremos disso em mais detalhe nos próximos dias. Mas em anos recentes, a CITES passou a estender sua proteção também a espécies cujos lobbies do tráfico excedem em muito o poder dos de marfim, chifres e insetos: trata-se dos peixes marinhos, cuja captura e comércio não se medem em exemplares, mas em toneladas.



Maior em volume, ainda que idêntico em estupidez, do que o de chifres de rinoceronte, o comércio internacional de barbatanas de tubarão, para uma sopa insípida e falsamente afrodisíaca, é responsável por boa parte dos quase 100 milhões de tubarões subtraídos aos oceanos anualmente pelas frotas pesqueiras.



A China, novamente, é o grande buraco negro para onde convergem os produtos desse genocídio. No caso dos tubarões-martelo, estima-se que cerca de 90% das populações globais das distintas espécies já tenham desaparecido, e a lista de outras vítimas é longa.



Para piorar o quadro, as raias-manta e seus parentes próximos, as móbulas, magníficos e inofensivos gigantes do mar que atraem mergulhadores do mundo inteiro para seus locais de concentração, estão sendo mortas para a extração de suas estruturas branquiais, também para atender às criminosas crendices chinesas.



A dupla dinâmica. Foto: Pinguim.
A dupla dinâmica Paulo Guilherme "Pinguim" e José Truda no Cites 2016. Foto: Pinguim.


Em 2013, a CITES votou majoritariamente para restringir o comércio de tubarões galha-branca-oceânicos (Carcharinuslongimanus), do marracho (Lamnanasus), três espécies de tubarões-martelo (Sphyrnalewini, S. mokarran e S. zygaena, e de todo o gênero das raias-manta ((Manta spp.), o que deu um fôlego parcial a essas espécies.



Nesta reunião que está começando aqui na África do Sul, estão propostas restrições para o comércio dos muito ameaçados tubarões-raposa (Alopiasspp.), do tubarão-sedoso ou (Carcharinusfalciformis) e das raias-móbula (Mobulaspp.), parentes próximas das mantas. 



O Brasil apoia todas essas propostas, e mais outras iniciativas pró-conservação como a restrição de comércio para todo o gênero Dalbergia, dos jacarandás, e a manutenção da proteção da CITES às grandes baleias, que os países pró-caça incansavelmente tentam derrubar tanto aqui como na CIB.



Estas e outras propostas, bem como todos os documentos que serão discutidos e votados nesta reunião, relatórios e iniciativas para coibir o tráfico de flora e fauna ameaçadas, podem ser acessados gratuitamente através destes Apps para IOs e Android.


Os governos dos predadores marinhos, os traficantes de marfim, os falsos "povos tradicionais" abastados que lucram com a matança de fauna ameaçada, estarão como de hábito nesta Conferência das Partes Contratantes da CITES distribuindo seus dossiês, caretas, ameaças e promessas de benesses lícitas ou não.



Direto desse campo de batalha enviaremos nossos boletins a ((o))eco, enquanto fazemos, eu e Paulo Guilherme "Pinguim", o incansável cabeça da campanha Divers for Sharks, nosso próprio lobby a favor da conservação.


Com um detalhe: este ano fomos convidados pelo Ministério das Relações Exteriores – cujo novo titular declarou a temática ambiental como uma de nossas novas prioridades diplomáticas - a integrar a delegação oficial do Brasil. 



Sinal dos novos tempos, esperamos, em que a sociedade civil ambientalista não é mais obrigada a ser muda e servil para ser admitida como protagonista das políticas públicas. Fiquem de olho em ((o))eco nas próximas duas semanas pros nossos despachos do front.

Leia Também
Fim da Cites 2013: vitória dos tubarões e uma indagação
Tubarões: uma conquista árdua e frágil no Cites

Estudo demonstra diversidade das florestas secas

Estudo demonstra diversidade das florestas secas

Por Vandré Fonseca
Parque Estadual da Mata Seca, em Minas Gerais. Foto: Pezzini/Divulgação.
Parque Estadual da Mata Seca, em Minas Gerais. Foto: Pezzini/Divulgação.

Manaus, AM -- Ancestrais, com linhagens de plantas mais antigas do que da Amazônia ou Cerrado, as florestas secas resistem ao tempo e à ocupação. Os solos férteis que as abrigam são um convite à agricultura ao mesmo tempo em que a escassez de água contribui para ambientes inóspitos. E apesar de alguns países latino-americanos guardarem menos de 10% de suas florestas secas originais, o importante é que elas ainda resistem. E melhor assim, pois guardam uma biodiversidade rica e ainda pouco estudada, que ganhou a capa da revista Science.


No artigo publicado em 23 de setembro, a equipe de pesquisadores da Rede Latino-americana de Florística de Florestas Tropicais Sazonalmente Secas (Dryflor) conta 6.958 espécies de árvores em matas secas em todo continente. O número é bem menor que as espécies listadas para a Amazônia, mas é preciso levar em consideração que a floresta úmida é muito mais estudada, com muito mais levantamentos de campo realizados.



O estudo demonstrou também que áreas de florestas secas possuem composição florística diferente entre elas, de modo que raramente compartilham as mesmas espécies.



“Ao ser publicado numa das revistas científicas de maior prestígio, esperamos que ajude a chamar a atenção para esse ecossistema tão incrível e ao mesmo tempo esquecido”, acredita a bióloga Flávia Pezzini, que participou do estudo. “As matas secas foram berço da civilização pré-colombiana e a fonte de importantes cultivos como o milho, feijão e tomate. Mas historicamente foi bastante destruída e pouco estudada”, completa.



No mapa da continente americano, as matas secas aparecem distribuídas desde o México e Sul da Flórida até o Norte da Argentina, passando por ilhas do Caribe, Andes. No Brasil, ocupa áreas da Mata Atlântica e Cerrado, mas é identificada com a Caatinga, que se estende por aproximadamente 850 mil quilômetros quadrados. Apesar se ser exclusivamente brasileiro e ocupar cerca de 11% do território nacional, o bioma que ocupa o Nordeste e norte de Minas já teve 47% de sua área desmatada e conta com apenas 1% de sua extensão legalmente protegida.



Os autores do artigo defendem que a conservação da diversidade biológica das matas secas seja considerada uma prioridade. São espécies adaptadas ao calor e à seca, condições que provavelmente se tornaram mais intensas na região tropical. Eles destacam a necessidade de serem criadas várias áreas de proteção espalhadas por diversos países para proteger a diversidade dessa vegetação.


A rede Dryfor é liderada pelo Jardim Botânico Real de Edimburgo e inclui mais de 50 pesquisadores e conservacionistas. Ela é financiada pela Leverhulme Trust International Network, fundado em 1925.

Saiba Mais
Artigo: Plant diversity patterns in neotropical dry forests and their conservation implications

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Chega a 60 número de países que ratificaram Acordo de Paris




21 Setembro 2016  |  0 Comments
 
Trinta e um países, incluindo o Brasil, depositaram nesta quarta-feira na sede da ONU, em Nova Iorque, seus instrumentos de ratificação do Acordo de Paris. Com isso, sobe para 60 o número de países de se juntaram ao acordo, representando 47,78% das emissões globais.

Assim, o Brasil – cujas emissões correspondem a 2,48% do total global – se tornou um dos primeiros grandes poluidores a ratificarem o acordo, junto com Estados Unidos e China, que depositaram o instrumento no começo do mês, durante a reunião do G20.  Outros grandes emissores de gases de efeito estufa como Argentina e México também ratificaram hoje o acordo climático global.

Com esse movimento dos países, aumentam as chances de que o acordo passe a valer ainda este ano. O próprio secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, já dá como certa a entrada em vigor ainda em 2016. Para isso, é necessário que pelo menos 55 países, representando 55% das emissões depositem seus instrumentos de ratificação, aceitação, aprovação ou adesão nas Nações Unidas (entenda aqui a diferença).

De acordo com o coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur, a entrada em vigor antecipada do documento é essencial para alimentar a vontade por uma ação climática.


Diferentes análises, incluindo uma do próprio IPCC – o painel científico da ONU sobre o clima – após a COP21, em Paris, mostram que os compromissos apresentados pelos países não são suficientes para mantermos o aumento do aquecimento global em 1,5º C.

Além disso, os governos signatários do Acordo devem internalizar suas metas, demonstrando quais ações vão efetuar para cumprir a diminuição de emissões, além de contabilizá-las em seus orçamentos.

No caso do Brasil, as metas são diminuir as emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e em 43% até 2030, tendo 2005 como ano-base. A contribuição brasileira levada à ONU, chamada Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida (INDC, na sigla em inglês), contém ainda ações como o fim do desmatamento ilegal na Amazônia, a restauração e reflorestamento de 12 milhões de hectares, a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e o alcance de 45% na participação de energias renováveis na composição da matriz energética.

O Instituto Escolhas e o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVCes) fizeram as contas e concluíram que somente para recuperar os 12 milhões de hectares de florestas previstos na contribuição brasileira custaria entre R$ 31 bilhões e R$ 52 bilhões divididos em 14 anos. Mas o governo ainda não apontou de onde podem vir os recursos para pagar essa conta.

Setor privado
“O mundo tem mostrado que compreendeu a crise climática que vivemos e que não é possível esperar mais. Precisamos aproveitar este momento para começar a implementar uma transição justa para uma economia de baixo carbono e colocar mais ambição nas metas de redução de emissões. Esta é uma necessidade do Brasil, mas também de todas as partes”, comentou o coordenador do Programa de Mudanças Climáticas do WWF-Brasil, André Nahur.

Segundo ele, o setor privado é parte importante para fechar a conta das emissões e cada vez mais empresas têm entendido a importância de diminuírem as emissões de suas atividades. “Normalmente, as análises de emissões são feitas por segmentos, como energia, uso da terra e desmatamento.

As empresas fazem parte da cadeia destes produtos e podem contribuir com a diminuição das emissões tanto ao tornar seus métodos de produção mais sustentáveis quanto na escolha de fornecedores e matérias primas”, disse o corrodenador.

Exemplo disso é que, mundialmente, o setor de uso da terra e agricultura equivale a 25% das emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, porém, esse número chega a quase 65%.

Como forma de engajamento, mais de 50 empresas globais assinaram a Declaração de Nova Iorque para Florestas em 2014, se comprometendo a diminuir a perda florestal pela metade até 2020 e ter perda zero até 2030, além de manter o desmatamento fora da cadeira de negócios da agricultura.

Outra questão bastante relevante são as emissões não contabilizadas, como o da aviação internacional, que representa mais de 2% das emissões globais e deve crescer ainda mais nos próximos anos. A Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO, na sigla em inglês) promove no dia 7 de outubro um encontro para elaborar um plano com o objetivo de limitar as emissões de gases de efeito estufa no setor de aviação internacional.

 

Dia Mundial dos Rios. Ajude a proteger os nossos.

WWF-Brasil comemora o Dia Mundial dos Rios com foco no Pantanal




23 Setembro 2016  |  0 Comments
 
No sábado, dia 24 de setembro, o WWF-Brasil organiza, juntamente com o governo de Mato Grosso, uma tarde de educação ambiental e de apresentações culturais no Parque Mãe Bonifácia, em Cuiabá para celebrar o Dia Mundial dos Rios. A ONG e o governo fazem parte do Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal, movimento que tem por objetivo conservar os rios e recuperar nascentes degradas da região onde nascem as águas responsáveis pelas cheias da maior área úmida do planeta.

A abertura está marcada para às 15h30. Ao longo da programação, serão lançados cinco filmes curta-metragens produzidos pelo WWF-Brasil que alertam sobre a necessidade de conservar as águas do Pantanal por meio de histórias de moradores da região.

O Chico Bento, da Turma da Mônica, estará ao vivo no Parque Mãe Bonifácia, interagindo com as crianças. A personagem criada por Maurício de Sousa é, desde 2014, o protetor das nascentes do Pantanal. Haverá ainda apresentações da dupla folclórica “Nico e Lau” e da cantora cuiabana Ana Rafaela, participante do programa “The Voice Brasil”.

O Coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil, Júlio César Sampaio, falará sobre a importância dos rios pantaneiros para o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso e para a preservação da vida e do meio ambiente. “A água é um bem precioso. Os rios e nascentes das cabeceiras estão em risco e nossas ações são necessárias e urgentes. Milhares de espécies dependem das águas para sobreviver. Além disso, precisamos começar a atuar agora se quisermos ter água para abastecimento e água para a produção de alimentos e industrial no futuro.”, afirma.

Haverá ainda distribuição gratuita de mudas de plantas de espécies nativas para os presentes. O evento conta também com a Teoria Verde, plataforma de educação ambiental de Mato Grosso.

O Dia Mundial dos Rios
O Dia Mundial dos Rios, criado em 2005, é comemorado anualmente no último domingo de setembro. O objetivo é conscientizar a população sobre a necessidade de preservar os rios, necessários para o abastecimento das cidades, o desenvolvimento sustentável e a sobrevivência de milhares de espécies. Todos os anos mais de 60 países se unem para celebrar os rios e sua importância para a vida no planeta.

Ameaças
Uma pesquisa realizada em 2015 pelo WWF-Brasil  e o Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC) e o HSBC Brasil, revelou que os níveis de turbidez – quando a água perde a transparência - e de quantidade de sólidos dissolvidos nos rios Jauru, Sepotuba e alto-Paraguai (região das cabeceiras do Pantanal) vem aumentando. O saneamento básico deficiente e o desmatamento das matas ciliares e das matas das nascentes e cabeceiras são os principais responsáveis pela poluição desses três rios, responsáveis pelo fornecimento de 30% das águas que mantém o pulso de inundação – processo anual de cheia e seca - da planície pantaneira no Mato Grosso.

Sem a vegetação, os rios ficam desprotegidos e expostos às chuvas, que carregam sedimentos pela correnteza, provocando aumento da turbidez e do assoreamento, processo pelo qual os rios vão ficando cada vez mais rasos. A turbidez afeta o ciclo de vida dos peixes, pela falta de transparência na água, além de dificultar o tratamento da água que será distribuída à população por parte das empresas de saneamento. O assoreamento dificulta a navegação, o fluxo das águas, a migração dos peixes e também deixa o rio vulnerável à transbordamentos em época de chuvas. A destruição da vegetação pode provocar um efeito ainda mais grave: secar completamente uma nascente.

Por sua vez, a falta de um sistema de tratamento faz com que os dejetos humanos de uma localidade sejam diretamente despejados nos rios e córregos, contaminando águas, solo e até o lençol freático. Um estudo do Instituto Trata Brasil e WWF-Brasil identificou que menos de 10% do esgoto na região recebe tratamento antes do descarte.

Mais sobre o assunto

http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/agua/agua_news/?44562/Desmatamento-e-falta-de-saneamento-bsico-ameaam-as-guas-do-Pantanal

http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/agua/agua_news/?46122/WWF-Brasil-governo-e-prefeituras-de-Mato-Grosso-se-unem--pela-preservao-das-guas-do-Pantanal