quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Na subida para o Cristo, Hotel Paineiras apresenta a Floresta Protetora


Maquete mostra o Parque Nacional da Tijuca em meio à cidade do Rio de Janeiro. Foto: Duda Menegassi
Maquete mostra o Parque Nacional da Tijuca em meio à cidade do Rio de Janeiro. 


Foto: Duda Menegassi



Quem visitar o Cristo Redentor e o recém reformado Hotel Paineiras, no Rio de Janeiro, tem ali a possibilidade de fazer um passeio pela história do Parque Nacional da Tijuca (RJ), conhecer seus atrativos, e descobrir toda a exuberância e riqueza naturais. Localizada no segundo andar do prédio reaberto ao público há dois meses, a exposição permanente “Floresta Protetora”, produzida pela empresa Super Uber, que leva os visitantes por dentro do parque e do bioma Mata Atlântica.



Ainda no primeiro andar, a exposição começa com uma enorme maquete que representa com todo território do Parque Nacional e evidencia com clareza como a unidade é abraçada pela cidade – a natureza e o  urbano convivem lado a lado. O público pode explorar a maquete através de computadores interativos que mostram os atrativos, trilhas e rios do parque e, até, os bairros limítrofes.


Uma escada leva o visitante  para o segundo andar. A subida  contorna a maquete por cima e leva o vistante à exposição fotográfica “Floresta Protetora”. As primeiras fotos são registros de visitantes do Parque. Na sequência, os cliques são de fotógrafos que traduziram em fotos a biodiversidade da Mata Atlântica, e registraram a beleza da fauna e flora nativas.
Painel com fotos dos visitantes mostra alguns dos atrativos do Parque. Foto: Duda Menegassi
Painel com fotos dos visitantes mostra alguns dos atrativos do Parque. Foto: Duda Menegassi



Um dos fotógrafos de natureza expostos é Peterson de Almeida. Funcionário do Parque Nacional da Tijuca desde 2010, sua paixão pela fotografia o acompanha desde muito antes. São mais de 300 as fotos com sua assinatura na exposição.


Cliques de quem conhece o parque como ninguém, seus caminhos e atalhos, suas paisagens e seus cantos secretos. Nas palavras do fotógrafo: “É legal poder mostrar o meu trabalho com fotografia na exposição e ter esse reconhecimento pelo próprio parque. Mais legal ainda é mostrar ao visitante que sobe para conhecer o Cristo Redentor que ele está dentro do Parque Nacional da Tijuca. Porque às vezes, ele vem ao Cristo e não percebe que está em um parque nacional, que aqui tem cobra, macaco, enfim, tanta diversidade de fauna e flora, no meio da cidade”.


A exposição convida o visitante a conhecer outros parques nacionais, todos sob gestão do ICMBio. Um telão interativo com fotos mapeia todos os parques sob gestão federal e permite que o público explore-os por bioma, por região ou por estado.


A maioria das fotos está em exibição digitalmente, o que permite que mais registros sejam posteriormente acrescentados à exposição. Mais de 80 fotógrafos contribuíram para o acervo da mostra, dentre montanhistas, trilheiros e fotógrafos profissionais de natureza.
Corredor mostra a textura de diversas folhas nativas da Mata Atlântica. Entre os murais, é possível ouvir os sons da floresta. Foto: Duda Menegassi
Corredor mostra a textura de diversas folhas nativas da Mata Atlântica. Entre os murais, é possível ouvir os sons da floresta. Foto: Duda Menegassi


Convite
Se você é um amante do meio ambiente que gosta de registrar a natureza com sua lente, o WikiParques convida você para participar do 1º Encontro Fotográfico WikiParques. O evento será no próprio Hotel Paineiras, onde poderemos conferir a exposição, neste domingo, dia 9 de outubro. Preparem suas câmeras e fiquem ligados, a divulgação oficial do evento acontece esta semana na nossa página do Facebook.

Expansão cega


Por Adriana Maximiliano*
O escritor inglês James Bryce conheceu o Canal do Panamá ainda em construção, no início do século XX, e num livro publicado em 1912 sobre suas andanças pela América do Sul e Central, o chamou de "a maior liberdade que o homem já tomou com a natureza". Quase 100 anos depois, provavelmente existem outras centenas de obras que rivalizam, ou ultrapassam, os impactos ambientais provocados pela abertura do canal. O que não mudou foi o apetite de seus administradores de continuarem a tomar liberdade em excesso com a natureza. O governo panamenho, escorado nos resultados de um recente referendo popular, quer ampliar a mais movimentada via de ligação entre o Pacífico e o Atlântico. As obras devem terminar em 2014 e vão custar US$ 5,25 bilhões. Já a conta do meio ambiente, para alguns especialistas, não tem preço: aumento abusivo da salinidade da água do canal, escassez de água doce para a população panamenha e ameaça a bosques, animais silvestres e marinhos.

Para os defensores da expansão, vale pagar o preço com o crescimento econômico que o canal vai permitir ao Panamá. "Por lei, a ACP (Autoridade do Canal do Panamá, agência estatal autônoma que administra a via) deveria ter feito um grande e detalhado estudo de impacto ambiental, mas eles conseguiram mudar o regulamento da Anam (Autoridade Nacional de Meio Ambiente) três meses antes do referendo e, pelas novas regras, a própria ACP é quem deve aprovar ou reprovar seus estudos de impacto ambiental", reclama o biólogo da Universidade do Panamá Ariel Rodríguez-Vargas, que criou com outros ambientalistas a organização Aliança para a Conservação e Desenvolvimento do Panamá (ACD Panamá) para cobrar as promessas da ACP. “A primeira coisa que eles fizeram foi adiar os estudos”.

Enquanto eles não são feitos, outros 11 trabalhos foram executados por cinco organizações diferentes para avaliar o impacto da provável salinização das águas doces do canal. Os resultados foram unânimes: a expansão – com a construção de um terceiro jogo de eclusas no canal - não tem viabilidade ambiental. O Panamá tem hoje mais de 1,2 mil espécies de árvores, 900 espécies de pássaros e 10 mil espécies de plantas, das quais 1.250 só existem dentro das suas fronteiras. O canal também. E o país só existe por causa dele. Sua construção começou em 1904 e ele levou dez anos para ser concluído. Os dois, o país e o canal, têm que agradecer o nascimento de ambos ao presidente americano Theodore Roosevelt, engajado em melhorar o fluxo do comércio mundial ligando por um atalho dois Oceanos, o Pacífico e o Atlântico.

Preço de banana

Até o início do século 20, a região onde hoje está o Panamá fazia parte da Colômbia. Roosevelt se dispunha a bancar a construção do canal desde que seu país tivesse absoluto controle militar sobre a área e sobre sua operação. Os colombianos até conversaram sobre o assunto, mas não dava mesmo para aceitar a proposta americana. Roosevelt incentivou um grupo rebelde no Norte colombiano a criar confusão e quando Bogotá pensou em reagir, mandou navios de guerra ancorarem na costa da zona de conflito – não por coincidência, a mesma onde seria construído o canal. A mensagem foi clara. Qualquer retaliação das tropas federais colombianas seria respondida à bala pelos americanos. Os rebeldes se transformaram rapidamente num movimento separatista, o governo colombiano não estava disposto a arranjar briga com Washington e no dia três de dezembro de 1903, eles declaram sua independência num país com território de 78 mil e 200 quilômetros quadrados, metade do nosso Acre.

Em troca, os Estados Unidos compraram o controle da zona do canal (tamanho 82km de extensão) por US$ 10 milhões e construíram a passagem ao custo de US$ 375 milhões. Noventa e seis anos depois, o comando de sua operação finalmente caiu nas mãos do governo panamenho. O Canal do Panamá tem 80 quilômetros de extensão e começou a funcionar em 15 de agosto de 1914, ligando o Golfo do Panamá, no Oceano Pacífico, ao Mar do Caribe, no Oceano Atlântico. Antes de sua construção, para passar de um lado a outro, Não havia mais que duas opções. Uma pela Norte, negociando uma perigosa passagem entre a Sibéria e o Alaska e que ficava fechada boa parte do ano. A outra era contornar a América do Sul pelo Cabo Horn.

Essa rota, para um navio que saísse de São Francisco para Nova York, significava viajar 22 mil e 500 km. O canal encurtou a distância para 9 mil e 500 km. O impacto ambiental da obra no local foi devastador. Vinte e nove vilas foram inundadas, forçando 50 mil pessoas a se mudarem para outras áreas do país, e 27,5 mil trabalhadores morreram. A movimentação de terra provocada pela obra foi monumental. Escavou-se cerca de 7, 6 milhões de metros cúbicos para abrir o canal, 4 vezes mais do que as estimativas feitas inicialmente.

Corredor de espécies

Os críticos da expansão alertam que o meio ambiente mais uma vez não parece ser uma questão importante. A maior preocupação é a salinização do Miraflores e Gatún, os dois lagos artificiais de água doce cuja função primordial é encher as comportas do canal para a passagem dos navios. Mas é essa água também que as populações das duas maiores cidades panamenhas, Cidade do Panamá e Colón, usam para beber, tomar banho e lavar suas roupas e carros. Canal mais largo significa maior volume de água do mar entrando nos lagos. "De todos os impactos ambientais, o mais crítico é o aumento da salinidade no Gatún e Miraflores e nos canais de acesso e trânsito do canal. Se a quantidade nessas áreas for maior do que 0.45 a 0.50 mg de sal por litro, a água não terá qualidade para purificação", avalia Rodriguez Vargas.

Infelizmente, não são apenas os humanos que estão sob risco. A baixa salinidade atual da água consegue impedir uma avalanche de espécies de um oceano para dentro do outro. Se ela subir, é muito provável que o canal forneça o caminho para a criação de um novo corredor migratório, que afetaria o ecossistema dos recifes do Caribe panamenho. E ela vai subir.

Os lagos Gatún e Miraflores já estão bem mais salgados do que nos anos 70, mas ainda num nível tolerável, o que impede que as espécies de um oceano passem para outro. Mas segundo Rodríguez-Vargas, no projeto de ampliação, a ACP já colocou uma salinidade maior do que a verdadeira para quando ela subir muito, eles poderem dizer que não subiu tanto assim, que já era alta antes das obras."Descobri que o nível de salinidade que eles esperam atingir depois da ampliação no lago Gatún é menor do que o atual", revela.

Atualmente, o canal consegue receber navios que carregam até 4 mil contêineres. Como os navios maiores, chamados de pós-Panamax e que carregam até 12 mil contêineres, serão 30% da frota mundial em 2020, o presidente Martín Torrijos acredita que sem a ampliação, o canal se tornaria obsoleto em menos de duas décadas. As obras de expansão vão aumentar a profundidade do canal e alargá-lo. Para fazê-lo funcionar, os dois lagos de água doce terão que ter seus níveis elevados e será instalada uma nova unidade de eclusas.

A ampliação inclui a construção de uma terceira linha, mais larga e profunda, capaz de suportar o tráfego dos pós-Panamax a partir de 2014. A ACP promete gerar sete mil empregos diretos, mais de 30 mil indiretos e, em 15 anos, multiplicar por seis a receita da faixa interoceânica, que atualmente é de cerca de US$ 1 bilhão por ano. De um ponto de vista estritamente mercadológico, Torrijos tem lá sua razão. Além de estar ficando pequeno para os navios atuais, as perspectivas futuras dão conta que o canal finalmente vai encarar competição pelo dinheiro de quem quer passar mais rápido do Atlântico ao Pacífico. México e Colômbia trabalham na criação de rotas de ligação dedicadas, só que por terra, com caminhos levando para navios no Atlântico mercadorias desembarcadas de embarcações no Pacífico. A Nicarágua sonha mais alto. Quer fazer um canal alternativo em seu território.

Ignorância

Atravessam o canal diariamente cerca de 40 navios. E, cada vez que um navio passa por ali, 208 milhões de litros de água doce são despejados no oceano. O terceiro jogo de eclusas terá 18 bacias que vão servir para reciclar 60% da água necessária para erguer os navios. "A ACP optou por uma tecnologia de reciclagem que vem sendo usada por décadas na Alemanha. Economiza água, dinheiro e não requer construir represas ou inundar nenhuma vila", garante a porta-voz da ACP, Teresa Arosemena, que indicou a O ECO uma consultora da ACP, Cookie Domingo, para falar sobre o impacto ambiental do projeto. Ao ser perguntada sobre o assunto, a consultora contou que não é especialista em meio ambiente e repetiu apenas que "todo cuidado será tomado para não causar danos à natureza". Só não está muito claro como.

Ela diz basicamente que a fauna e a flora da região foram monitoradas de perto nos últimos anos e este trabalho será utilizado num estudo maior sobre o impacto, ainda sem data determinada para acontecer. Se o estudo ficou em último plano, os eleitores ganharam mais atenção. Antes do referendo, a Secretaria do Meio Ambiente do Panamá enviou técnicos para as vilas próximas ao canal para explicar aos moradores que suas casas não serão afetadas pelas obras. Mas a questão é polêmica. Ambientalistas acusam a ACP de usar um discurso dúbio sobre a não utilização das águas do rio Índio para encher o canal. No projeto, o rio Índio aparece como última opção de recurso, depois das bacias de água reciclável, da elevação do nível do Lago Gatún e da complicada operação de baixar o fundo dos canais de navegação.

Rodríguez-Vargas alerta que, se o Rio Índio for utilizado, uma represa será construída, o projeto ficará mais caro, bosques serão inundados e milhares de moradores precisarão deixar suas casas. "E a ACP vai colocar a culpa no povo, argumentando que a quantidade de água necessária para consumo humano foi além do previsto", prevê ele. Cerca de 190 mil pessoas moram na região interoceânica. "Eu não vejo isso como um ponto negativo", diz o biólogo do Smithsonian Tropical Research Institute (STRI) Richard Condit, que trabalha no Panamá: "Alguns bosques serão inundados e muitas pessoas serão forçadas a deixar a região, mas isso no fim das contas será bom para o meio ambiente".

Discurso e lei

Apontado pela ACP como um defensor do projeto, o cientista Stanley Heckadon-Moreno, que também trabalha para o Smithsonian Tropical Research Institute como diretor de comunicações no Panamá, começou seus comentários sobre o impacto ambiental com um elogio relativo: "O projeto atual da ACP é muito melhor do que o projeto original, apresentado em 2000, que ameaçava represar três rios". Depois, lembrou que o Panamá perde 40 mil hectares de florestas tropicais por ano devido a queimadas na agricultura, criação extensiva de gado e atividade madeireira. "A modernização do canal vai afetar apenas 427 hectares de floresta secundária", pondera Heckadon-Moreno. Sobre outras ameaças, o cientista foi mais otimista ao dizer que o hidrólogo do STRI Dr. Robert Stallard trabalha na região há 20 anos e considera improvável que o Lago Gatún sofra salinização.

Pior são as perspectivas do Miraflores. "É possível que a salinidade do lago Miraflores aumente um pouco. Já a alta qualidade das águas do Gatún será mantida pelas novas comportas, que são tão boas quanto as antigas. Acho que a maior ameaça a este lago não é a operação do canal, mas a incontrolável urbanização e industrialização da região", diz Heckadon-Moreno, que concorda que o estudo de impacto ambiental devia ser uma prioridade: "Existem muitos dados sobre o meio ambiente do canal. O STRI, por exemplo, estuda a floresta desde 1910 e eu coordenei um time de 40 pesquisadores num projeto sobre os recursos naturais da região do canal, de 1996 a 2000. A ACP pode aproveitar toda essa informação para fazer o melhor estudo de impacto ambiental possível e obedecer estritamente as medidas de redução de risco para preservar a região".

Rodríguez-Vargas concorda com o cientista, mas não acredita que isso vai acontecer: "As conseqüências dessa expansão serão graves e um estudo que contemple as dimensões dos impactos diretos, indiretos e sinérgicos é fundamental, mas também custoso. E, por ser custoso, tem sido ignorado. Assim que funcionam nossas repúblicas das Bananas, propensas a muitos discursos ambientais e poucas práticas reais".

*Adriana Maximiliano é freelancer em Washington.

Onças ameaçadas na América Central


Por Vandré Fonseca
Esta onça capturada em uma armadilha fotográfica no Panamá recebeu o nome de Aquiles. Crédito: Eurekalert.
Esta onça capturada em uma armadilha fotográfica no Panamá recebeu o nome de Aquiles. 
Crédito: Eurekalert.


Manaus, AM - Vinte e seis onças-pintadas foram mortas no Panamá até setembro deste ano, de acordo com o diretor da Fundação Yaguará Panamá, Roberto Moreno.

O número já supera os registros do ano passado, quando 23 onças foram mortas no país e demonstra um aumento no abate dos predadores na região. Entre 1989 e 2014, segundo os dados apresentados no 20º Congresso da Sociedade Mesoamericana para a Biologia e Conservação, realizado em agosto no Belize, foram mortas 230 onças no país.


A principal causa do abate de onças é a retaliação por parte de fazendeiros a ataques ao gado ou a cães. Mas as onças têm ainda outras preocupações na região. Durante o Congresso, foi apresentado um panorama dos remanescentes florestais do México ao Panamá, ao longo da costa atlântica. Imagens com armadilhas fotográficas obtidas entre 2005 e 2014 em parques nacionais e fragmentos de floresta foram utilizados para saber quais ainda suportam a vida selvagem.


Moreno, que também é pesquisador associado do Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian (STRI, em inglês), no Panamá, lembra que a população de onças ao norte do Canal do Panamá foi isolada há cerca de 100 anos com a construção do Canal. “O continuo desenvolvimento e o desmatamento no centro do Panamá interrompem o fluxo de animais e seus genes, então agora o jaguar é considerado uma espécie ameaçada”, afirma o pesquisador.


A redução e a fragmentação do habitat atinge também uma das principais presas da onça, as queixadas (Tayassu pecari). As queixadas vivem em bandos de 10 a 300 indivíduos e são consideradas arquitetas de florestas, porque são capazes tanto de dispersar sementes quanto evitar o crescimento de plantas devido ao pisoteio. A perda de conexão entre os remanescentes florestais prejudica o crescimento de populações saudáveis da espécie.


Ao lado de onças e antas, queixadas são consideradas indicadores da saúde de ambientes tropicais. E as populações destes três animais está diminuindo na parte panamenha do corredor de floresta tropical.


O Panamá já perdeu metade de suas florestas. De acordo com pesquisadores, apesar de mais de 22% da área do país estar sob algum tipo de proteção, muitos parques nacionais não suportam o número esperado de animais. A boa notícia, segundo os pesquisadores, é que é possível recriar o habitat da onça na região, com projetos de restauração florestal. Eles defendem também ações de conscientização e contrapartidas financeiras para conservação da espécie.

Saiba Mais
Artigos:
N.F.V. Meyer, H.J. Esser, R. Moreno et al. 2015. An assessment of the terrestrial mammal communities in forests of Central Panama, using camera-trap surveys. Journal for Nature Conservation 26(2015) 28-25.


R. Moreno, N. Meyer, M. Olmos et al. 2015. Causes of jaguar killing in Panama--a long term survey using interviews. Cat news. No. 62. Spring, 2015. pp.40-42.
N.F.V. Meyer, R. Moreno, E. Sanches et al. 2016. Do protected areas in Panama support intact assemblages of ungulates? Therya 7(1):65-76 doi:10.12933/therya-16-341.


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Transplante de corpo: Será mesmo possível?


26/09/2016


Com informações da BBC

Transplante de corpo: Será mesmo possível?
O Dr. Sergio Canavero já se tornou famoso pelas suas alegações, mas muitos de seus colegas dizem que o transplante de corpo ainda é ficção científica. [Imagem: Divulgação]
Trocar de corpo
Um cirurgião italiano que diz ser capaz de realizar um inédito transplante de corpo - ou de cabeça - afirma que já poderia fazer a operação no ano que vem.


Sergio Canavero explica que o transplante consiste em manter apenas a cabeça do paciente, e plugar nela o corpo de um doador com morte cerebral - em vez de receber apenas um órgão, como coração ou rim, o paciente recebe o transplante do corpo inteiro.



"Não estamos a uma década ou a anos (do transplante). Eu espero ter tudo pronto para começar a trabalhar no final de 2017. Mas é claro que a realização depende da disponibilidade de um doador. O último transplante facial demorou diversos meses para ser feito por falta de um doador adequado. Mas a tecnologia estará disponível," afirmou ele.




Apesar do imenso risco envolvendo a cirurgia, o médico italiano diz ter muitas pessoas se oferecendo como cobaias - dispostas a, na prática, trocar seu corpo por um mais saudável.
Ele diz que, por conta da tecnologia disponível, países como Reino Unido, Alemanha e França seriam os mais indicados para realizar o transplante de cabeça.



Como funcionaria o transplante de corpo
Canavero diz que o transplante requereria a mão de obra de 150 médicos e enfermeiros, duraria 36 horas e custaria o equivalente a R$ 42 milhões. O primeiro passo seria congelar o corpo do paciente para preservar as células do cérebro, drenar o cérebro e substituir o sangue por uma solução cirúrgica.



A partir daí, o pescoço do paciente e do doador seriam cortados para que as artérias e veias importantes fossem envoltas com tubos feitos de uma combinação de silicone e plástico - esses tubos seriam comprimidos para impedir o fluxo de sangue e depois afrouxados para facilitar a circulação quando a cabeça fosse reconectada.



Uma parte ainda mais delicada é o corte da medula espinhal, algo que seria feito com um bisturi especial, feito de diamantes, por causa de sua força. A cabeça, então, seria movida para o novo corpo e as medulas, conectadas com um tipo especial de cola.



Os desafios seriam enormes, a começar pelo perigo da rejeição do corpo pela cabeça, das dificuldades em reabilitar o paciente após a cirurgia e, sobretudo, da incerteza sobre como será possível integrar a espinha - por exemplo, até hoje a medicina não consegue reparar danos à medula, geralmente causados por acidentes, que deixam as pessoas tetraplégicas.



Céticos
Canavero deposita suas esperanças em uma substância comum para reconectar a medula espinhal - um polímero inorgânico chamado polietilenoglicol.



"Agora temos uma substância que faz o milagre de renovar uma medula espinhal cortada. Os resultados que temos são espetaculares. Fizemos um teste com um cachorro e ele se recuperou em duas semanas. Ele conseguia correr," afirmou.



A maioria dos especialistas médicos classifica a proposta de Canavero como "ficção científica" e acha que um transplante de cabeça é impossível - além de potencialmente trazer dilemas éticos e submeter pacientes a procedimentos que podem ser muito dolorosos.



O neurocientista Jerry Silver, da Universidade Case Western Reserve (EUA), afirmou à revista New Scientist que os artigos científicos publicados pela equipe de Canavero "não dão suporte para se prosseguir rumo a testes da tecnologia em humanos".



"O cachorro é um relato de caso, e você não consegue aprender muito de um único animal, sem controles", acrescentou Silver, referindo-se à falta de animais de controle no experimento, que não recebessem a "substância que faz milagre" de Canavero para comparação dos resultados.




Loucuras realizadas
Outros especialistas, porém, destacam que diversas descobertas científicas já foram classificadas de "loucura" antes de serem concretizadas - além de terem permitido outros avanços científicos em paralelo à sua concretização.



Canavero, por sua vez, diz já ter testes em macacos para usar como base e que o procedimento tem "90% de chances de sucesso".


"Isso quer dizer que o paciente acorda sem danos e já começa a andar dentro de um mês ou depois de fisioterapia", explica. "Estamos dando esperanças às pessoas que têm sido decepcionadas pela medicina ocidental".

Colírio previne doença ocular causada pela diabetes


28/09/2016

Com informações da Agência Fapesp

Colírio previne doença ocular causada pela diabetes
Formulação farmacêutica permeia barreiras oculares e leva princípio ativo à retina. O colírio já está disponível para licenciamento por empresas farmacêuticas. [Imagem: Leandro Negro/FAPESP]







Retinopatia Diabética
Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram um colírio capaz de prevenir e tratar a retinopatia diabética, complicação que pode comprometer a visão de pessoas com diabetes.



Essa condição decorre de alterações neurais e vasculares na retina geradas pelo efeito tóxico de altas taxas de glicemia (glicose no soro) e constitui uma das maiores causas de redução visual na idade produtiva podendo, inclusive, levar à perda irreversível da visão.
O principal diferencial do novo colírio é o fato de que sua formulação farmacêutica permeia as barreiras oculares e leva o princípio ativo até a retina.



"Atualmente, as opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da retinopatia diabética são invasivas, como fotocoagulação com laser, injeções intravítreas ou mesmo cirurgia. O uso do colírio facilitaria a administração do fármaco sem os riscos do procedimento intraocular ou dos danos irreversíveis da fotocoagulação a laser na retina," explicou a pesquisadora Jacqueline Mendonça de Faria.



Colírio preventivo
O colírio pode ser aplicado nas fases precoces da doença - precedendo a sua detecção clínica e atuando essencialmente como neuroprotetor da retina - e também no tratamento de outras doenças, como o glaucoma.



"Este colírio poderá ser aplicado na prevenção, já que atua nos mecanismos precoces da retinopatia diabética e de outras doenças isquêmicas da retina como estresse oxidativo e nitrosativo", disse Jacqueline.



A composição está disponível para licenciamento. Já foi testada experimentalmente em animais de laboratório com resultados promissores, sem efeitos adversos. No entanto, ainda há necessidade de experimentos envolvendo seres humanos.

Técnica petrolífera pode afetar reprodução e sistema nervoso


04/10/2016


Redação do Diário da Saúde

Fraturamento hidráulico e saúde
Os resultados negativos foram observados mesmo em camundongos expostos à dose mais baixa dos produtos químicos usados no fraturamento hidráulico. [Imagem: University of Missouri]




Fraturamento hidráulico

Duas equipes, trabalhando de forma independente, anunciaram ter encontrado ligações entre problemas de saúde e uma prática crescente na exploração de petróleo e gás natural.
Pesquisadores da Universidade de Missouri (EUA) anunciaram ter encontrado uma conexão entre a exposição a substâncias químicas liberadas durante o fraturamento hidráulico e problemas reprodutivos e de desenvolvimento.




O fraturamento hidráulico é uma técnica de exploração de petróleo e gás que injeta uma solução de substâncias químicas sob alta pressão para quebrar as rochas e liberar maiores quantidades de gás e petróleo.


Apesar de permitir a exploração de reservas mais pobres ou poços no final da vida útil, a técnica tem forte impacto ambiental, incluindo a contaminação dos lençóis subterrâneos, poluição do ar e sonora, migração para a superfície dos gases e produtos químicos empregados, contaminação da superfície devido a derramamentos da solução usada e possíveis efeitos nocivos à saúde.


A exposição às substâncias químicas liberadas durante o fraturamento hidráulico foram documentadas em camundongos, mas os cientistas acreditam que a exposição a esses produtos químicos também pode representar uma ameaça ao feto e ao desenvolvimento humano.



BTEX
Outra equipe, da Universidade do Texas em Arlington, publicou simultaneamente um estudo que mostra níveis altamente variáveis no ambiente de BTEX - benzeno, tolueno, etilbenzeno, e compostos de xileno - dentro e em torno dos locais de perfuração por fraturamento hidráulico na região Eagle Ford, no sul do Texas, onde é explorado xisto.
Compostos BTEX em altas concentrações podem ser cancerígenos e ter efeitos nocivos sobre o sistema nervoso.



"Pesquisadores já haviam demonstrado que os compostos químicos conhecidos como disruptores endócrinos imitam ou bloqueiam os hormônios - os mensageiros químicos que regulam a respiração, reprodução, metabolismo, crescimento e outras funções biológicas," disse a professora Susan Nagel, responsável pelo primeiro estudo.



"A evidência deste estudo indica que a exposição durante o desenvolvimento aos químicos de perfuração e fraturamento pode representar uma ameaça à fertilidade nos camundongos e potencialmente das pessoas. Os resultados negativos foram observados mesmo em camundongos expostos à dose mais baixa dos produtos químicos, que foi menor do que as concentrações encontradas em águas subterrâneas em alguns locais com derrames de petróleo e de águas residuais de gás."

Trabalho em grupo atrapalha memorização


26/09/2016

Redação do Diário da Saúde

Trabalho em grupo atrapalha memorização
Estranhamente, conhecer um assunto aumenta as falsas memórias sobre ele. Mas se o objetivo é aprender e lembrar, exercitar-se logo depois pode ser a chave do sucesso.[Imagem: Cortesia Branka Milivojevic/Radboud University]



 
Memória grupal
Trabalhar em equipe parece ser o objetivo de todos os tipos de treinamentos, profissionalizantes ou educativos, mas a colaboração em um grupo pode na verdade ser prejudicial se o objetivo for registrar informações.



A memória resultante de ações em grupo é importante em diversas situações, de comitês de seleção para emprego, até em tribunais, onde os jurados trabalham juntos para recordar evidências antes de chegar a um veredito. Nas escolas e nas universidades, os estudantes também costumam trabalhar em conjunto para rever a matéria do curso antes dos exames.



Mas um estudo comparativo entre grupos e igual número de pessoas trabalhando individualmente - um grupo de quatro pessoas versus quatro indivíduos isolados, por exemplo - mostrou que aqueles que trabalham sozinhos gravam muito mais informações.
Também se constatou que o trabalho em grupo é mais prejudicial para grupos maiores do que para grupos menores. Outra conclusão é que amigos e membros da família são mais eficazes em trabalhar em conjunto do que estranhos.


Inibição colaborativa
Os pesquisadores já até cunharam um termo para o efeito: inibição colaborativa.
Eles sugerem que a inibição colaborativa ocorre porque o trabalho em grupo atrapalha as estratégias individuais de memorização.


"Os membros do grupo desenvolvem suas próprias estratégias preferidas de memorização para recordar informações. Por exemplo, a pessoa A pode preferir recordar a informação na ordem em que foi aprendida, mas a pessoa B pode preferir recuperá-la na ordem inversa. E a lembrança é maior quando as pessoas podem usar as suas próprias estratégias de recuperação.


"Durante o trabalho em grupo, os membros ouvem os outros lembrando informações por meio das suas próprias estratégias de recuperação, o que atrapalha suas estratégias preferenciais. Isto resulta em que cada membro fica abaixo do seu desempenho normal, e o grupo como um todo perde.



Os indivíduos que trabalham sozinhos podem usar as suas estratégias de memorização preferenciais sem essa ruptura, de forma que eles se lembram mais," explicou o professor Craig Thorley, da Universidade de Liverpool (Reino Unido), que fez o estudo em colaboração com colegas da Universidade de Ontário (Canadá).



Os resultados foram publicados na revista Psychological Bulletin.

Restrição calórica é benéfica para o cérebro

29/09/2016


Com informações da Agência Fapesp

Restrição calórica beneficia o cérebro
Cortar 40% das calorias protege os neurônios de danos causados pelo excesso de cálcio associado a doenças como Alzheimer, além de aumentar a resiliência das células ao estresse oxidativo. [Imagem: Wikimedia Commmons/MethoxyRoxy]
Calorias e cérebro
Já se sabia que uma alimentação com poucas calorias ajuda a viver mais e que a restrição calórica melhora a memória e a capacidade de aprender.


Agora, novos resultados confirmam que a restrição calórica pode ser fisiologicamente benéfica para o cérebro.



Os experimentos indicam que cortar 40% das calorias protege os neurônios de danos causados pelo excesso de cálcio, por sua vez associado a doenças como Alzheimer, além de aumentar a resiliência das células ao estresse oxidativo.


"Mais do que promover as vantagens de comer pouco, nosso objetivo é compreender os mecanismos que fazem com que não exagerar na ingestão de calorias seja melhor para a saúde. Isso pode apontar novos alvos para o desenvolvimento de drogas contra diversas enfermidades", comentou o pesquisador Ignácio Amigo, da rede pesquisas brasileira Redoxoma (Processos Redox em Biomedicina).


Proteção dos neurônios
Por meio de experimentos em células e em animais de laboratório, Amigo observou que uma redução de 40% nas calorias da dieta aumenta a capacidade da mitocôndria (organela responsável pela produção de energia da célula) de captar cálcio em algumas situações nas quais o nível desse mineral no meio celular encontra-se patologicamente elevado.


No cérebro, isso pode ajudar a evitar a morte de neurônios associada a doenças como Alzheimer, Parkinson, epilepsia e acidente vascular cerebral (AVC), entre outras.


Conforme explicou o pesquisador, o cálcio é uma molécula que participa do processo de comunicação entre os neurônios. Porém, doenças como o Alzheimer podem causar uma superativação dos receptores para o neurotransmissor glutamato nos neurônios, resultando em uma entrada excessiva de íons de cálcio na célula. Essa condição é conhecida como excitotoxicidade e pode causar danos e até mesmo a morte dos neurônios.


A equipe agora pretende estudar as proteínas que tiveram sua atividade alterada pela restrição calórica, já que isto as torna potenciais alvos a serem explorados no tratamento das doenças em que há perda neuronal por excitotoxicidade.

Aparentar quem você não é no mundo virtual gera estresse real

30/09/2016


Com informações da New Scientist

Persona virtual
As redes sociais nos levam a projetar para o exterior o nosso melhor lado, o que faz com que pareçamos alguém que não somos fora do mundo virtual.

Várias pesquisas têm sugerido que ajustamos as nossas interações on-line para esconder aspectos da nossa personalidade que não gostamos - ou não queremos compartilhar. Em outras palavras, nós agimos como um curador dos nossos egos digitais, procurando destacar apenas nossas melhores partes.

O problema é que essa máscara de um "ser melhor" vem com um custo.

Quando a sua auto-apresentação diverge muito de quem você realmente é, isso gera estresse e leva a sentimentos de desconexão social.


Polimento
Rachel Grieve e Jarrah Watkinson, da Universidade da Tasmânia (Austrália), afirmam que o impacto dessas emoções negativas decorrentes do "polimento" da nossa identidade para apresentação nas redes sociais é maior do que se pensava.
Eles constataram que, quanto mais o verdadeiro eu das pessoas diverge da "persona" que elas apresentam online, menos elas se sentem socialmente conectadas e mais estresse elas relatam.


Ou seja, tentar ser nas redes sociais alguém que você não é na vida real carrega uma carga emocional e mental similar à que você experimentaria se tentasse fingir o tempo todo no mundo real.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Meta difícil: não deixar ninguém atrás


Um ano depois de aprovados os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com data-limite para 2030, os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) reiteraram seu compromisso de não deixar ninguém para trás, uma meta que parece cada vez mais idealista e pouco factível.

Por Lyndal Rowlands, da IPS – 
 
 
Nações Unidas, 28/9/2016 – Até o momento, este ano tem sido o mais difícil no caminho para conseguir incluir as pessoas mais vulneráveis e marginalizadas nos esforços de desenvolvimento.
 
 
 
Por exemplo, na terceira semana deste mês, a reunião de alto nível sobre refugiados e migrantes não pôde garantir o bem-estar de crianças refugiadas.Além disso, ativistas pelos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) ficaram fora de uma importante reunião sobre HIV/aids realizada em junho, mesmo mês em que nenhuma mulher foi votada para integrar um importante comitê da ONU para pessoas com necessidades especiais.
 
 
 
Nesse sentido,, o secretário-geral da organização Civicus, Danny Sriskandarajah, apontou à IPS que, para conseguir a meta de não deixar nenhuma pessoa para trás, é preciso que os governos considerem a realização de grandes mudanças em matéria política e de normas sociais. “Levar a sério encontrar e ajudar os que estão mais atrasados não é um exercício técnico, mas um exercício profundamente político”, acrescentou.
 
 
 
Para Sriskandarajah, o primeiro passo é garantirmos a identificação e inclusão dos que correm maior risco de ficar para trás. “Se, no acordo, nossos governantes dizem 42 vezes que não deixarão ninguém para trás, precisamos nos apressar e encontrar os atrasados”, ressaltou.
 
 
Mas nem sempre é fácil chegar até às pessoas marginalizadas e excluídas, alertou à IPS o diretor executivo da Aliança Internacional para Deficientes, Vladimir Cuk. “Verdadeiramente para todos significa que se deve chegar às pessoas que são mais difíceis de serem alcançadas, mais difíceis de serem contadas, mais difíceis de serem incluídas nos programas e das quais é mais difícil se saber algo; e essas são as pessoas com necessidades especiais”, afirmou.
 
 
 
Cuk afirmou que houve alguns esforços para incluí-las na Agenda de Desenvolvimento Sustentável para 2030, uma mudança muito aplaudida com relação aos anteriores Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que não contemplavam as pessoas deficientes. Chegar até esse setor social particular é mais difícil porque se concentram especialmente entre os que vivem na extrema pobreza, acrescentou.
 
 
E essa é outra das razões pelas quais será difícil ninguém ficar para trás. As diferentes desvantagens e tipos de exclusões costumam sobrepor-se umas às outras. Por exemplo, é o caso dos povos indígenas, que costumam ser “minorias dentro das minorias”, afirmou à IPS Marama Pala, diretora executiva da Fundação INA (Maorí, indígenas e Pacífico Sul) para o HIV/Aids.
 
 
 
“Enquanto os países não atenderem as desigualdades e injustiças que sofrem os povos indígenas, será impossível conseguir os ODS”, opinou Pala, também representante da sociedade civil em reuniões da ONU. Além disso, as comunidades indígenas correm outro risco: a perda de seus territórios, seja por apropriação de terras para o plantio de palma, ou outros cultivos, até para projetos de infraestrutura, e com fundos de organismos multilaterais de crédito.
 
 
 
O fato é que a “enorme demanda por alimentos, combustíveis e outros produtos básicos segue empurrando a indústria para novos territórios”, disse à IPS Alice Harrison, assessora em comunicações da organização Global Witness. “As comunidades estão situadas cada vez mais na linha de fogo, porque adotam uma postura contra o roubo e a destruição de suas terras e de seus recursos naturais”, destacou.
 
 
 
Algumas formas de desigualdades geraram muitos enfrentamentos políticos a respeito de sua inclusão no documento final da Agenda 2030, que deveria ter a aprovação dos 193 membros da ONU. A versão final do texto se refere aos direitos “sem distinção de nenhum tipo, como raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política, origem nacional ou social, propriedade, lugar de nascimento, deficiência ou outro status”.
 
 
 
As referências à orientação sexual e à situação migratória tiveram que ser retiradas dos primeiros rascunhos para que se pudesse chegar a um consenso geral. Para lutar contra as desigualdades que deixam muitos setores sociais marginalizados e atrasados, são necessárias mudanças políticas, sociais e econômicas em escalas nacional e multinacional.
 
 
“Uma vez que se comprometam com algo como não deixar ninguém para trás, se destapa um monte de exclusões econômicas e sociais derivadas da cobiça empresarial, da corrupção política e da exclusão social, que requerem mudanças significativas tanto em matéria de normas políticas como sociais, se queremos fazer seu acompanhamento”, explicou Sriskandarajah.
 
 
Os ODS também contemplam as desigualdades entre os países. Mas alguns dos esforços para combatê-las, como um organismo para a cooperação, também estão paralisados. 
Fonte: Envolverde

Filme ‘A Lei Da Água – Novo Código Florestal’ Está Disponível Gratuitamente Nas Plataformas Youtube E Vimeo




Com direção de André D’Elia e produção executiva de Fernando Meirelles, filme alerta sobre consequências da nova lei e o que ainda pode ser feito para evitar mais prejuízos ao meio ambiente.




A O2 Play, distribuidora da O2 Filmes, disponibilizará gratuitamente o documentário “A Lei da Água – Novo Código Florestal” nas plataformas online Vimeo e em seu canal no Youtube. O longa tem direção de André D’Elia, com produção executiva de Fernando Meirelles, e retrata a polêmica sobre as mudanças na legislação que prevê a importância das florestas para a conservação dos recursos hídricos no Brasil, nas propriedades rurais e cidades brasileiras. A produção é da Cinedelia, produtora de cinema e vídeo especializada em projetos socioambientais, e a co-produção da O2 Filmes.


O longa “A Lei da Água – Novo Código Florestal” é um documentário realizado sem fins lucrativos, com financiamento coletivo e parcerias entre o Instituto Socioambiental (ISA), WWF-Brasil, Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) e Bem-Te-Vi Diversidade.





O documentário atingiu um financiamento coletivo online, que permitiu a viabilização do filme “A Lei da Água” em 14 salas de cinema de todo o Brasil, além da produção de 1.500 cartilhas que foram distribuídas em debates com especialistas durante as exibições do filme. Os produtores de “A Lei da Água” destinaram a verba arrecadada em prol de exibições em escolas públicas e ONGs, foram mais de 400 exibições gratuitas, com uma estimativa de público de 20.000 espectadores.




O documentário brasileiro retrata a importância das florestas para a conservação das águas, explicando a relação do novo Código Florestal e a crise hídrica brasileira. As florestas são importantes para a preservação da água, do solo e também para a produção de alimentos que necessitam a ação de polinizadores, como o café, o milho e a soja. 


O diretor André D’Elia entrevistou agricultores, especialistas, cientistas e parlamentares que apoiam a Ação Direta de Inconstitucionalidade do novo Código Florestal no Supremo Tribunal Federal. Entre os entrevistados no filme, estão o senador e ex-governador Blairo Maggi (PR-MT), os deputados federais Ivan Valente (PSOl-SP) e Ricardo Trípoli (PSDB-SP), a sub-procuradora da República Sandra Cureau, o ambientalista Mário Mantovani, pesquisadores de instituições como a USP e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre outros.



A distribuição da O2 Play foi realizada de forma diferenciada e não convencional, através da concretização do financiamento. As sessões foram realizadas exclusivamente em cada cidade e quando o número era atingido o mínimo necessário para a exibição em uma sala, outra sessão para esta mesma cidade era aberta para compra. Ao fim de cada sessão, os financiadores participavam de um debate especial sobre o filme, e recebiam uma cartilha com dicas de como ajudar na campanha. “É um jeito de oferecer mais do que uma sessão de cinema, mas uma experiência completa que permita um aprofundamento a respeito da questão ambiental” afirma Igor Kupstas, Diretor da O2 Play.




A disponibilidade gratuita nos canais online permite um alcance de público ainda maior, além de trazer esclarecimentos necessários sobre o novo código para a sociedade. “Em um momento como o que estamos vivendo, de crise hídrica, o público tem solicitado cada vez mais exibições do filme, até mesmo para entender o Código Florestal aprovado pelo Congresso Nacional”, explica o diretor André D’Elia.



Atualmente, o Instituto Socioambiental (ISA) e as organizações Mater Natura, Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda) e a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) fazem parte das quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a Lei 12.651/2012, que revogou o antigo Código Florestal.



O ISA encaminhou ao tribunal uma manifestação conhecida como amici curiae, que é um levantamento de dados científicos recentes que demonstram a importância para a população e a economia brasileiras dos serviços socioambientais prestados pela vegetação nativa. O documentário “A Lei da Água – Novo Código Florestal” também foi anexado à petição.



As entidades ambientalistas, preocupadas com os impactos negativos gerados pela nova lei, exigem urgência no julgamento das ADIs. “As ADIs do Código Florestal são as ações judiciais de maior relevância para a pauta ambiental da história, já que impactam diretamente a proteção florestal brasileira”, reforça Maurício Guetta, advogado do ISA responsável pela manifestação.



 “Há questões nesse processo sobre as quais o STF se pronunciará pela primeira vez, tornando este caso emblemático em termos de evolução da jurisprudência. Por isso, apresentamos agora ao STF a compilação dos estudos jurídicos e técnico-científicos sobre o tema, de modo a municiar os ministros dos elementos necessários para o julgamento”, conclui.



O documentário “A Lei da Água – Novo Código Florestal” teve sua pré-estreia no auditório do Ibirapuera, dia 31 de agosto de 2014, no encerramento da Virada Sustentável de 2014, e o lançamento mundial, aconteceu no dia 14 de maio de 2015.



O documentário foi premiado no Festival Brasil de Cinema Internacional, como Melhor Filme na categoria “Nosso Planeta” e Melhor Produtor, além do prêmio de Melhor Filme pelo público da Competição Latino-Americana pela 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.



Assista “A Lei da Água – Novo Código Florestal”




Programa de conservação traz esperança para recuperar muriquis

sexta-feira, 30 de setembro de 2016


 
 
O primata está classificado como “criticamente em perigo” na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção.

 
 
 
 
Os muriquis-do-norte ou muriquis-de-minas (Brachyteles hypoxanthus) – que são os primatas mais ameaçados de extinção das Américas – ganham uma nova esperança para sua preservação. Trata-se do lançamento do Programa de Conservação Muriquis de Minas, idealizado por especialistas da organização não governamental Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB), e agora executado pela Fundação Biodiversitas, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
 
 
 
 
O macaco muriqui-do-norte – que existe apenas na Mata Atlântica – é uma das espécies de primatas mais raras e ameaçadas do mundo. Atualmente, são identificados apenas mil indivíduos que vivem todos no Brasil, sendo que 800 estão localizados em Minas Gerais.
 
 
 
 
Além do estado mineiro, o muriqui-do-norte já povoou Bahia, Rio de Janeiro e Espírito Santo e existe registro de mais de um milhão de indivíduos na época do Descobrimento do país. Porém, a fragmentação de seu habitat natural resultou no confinamento da espécie em pequenas porções de floresta, que atualmente correspondem a oito localidades em Minas Gerais, uma no Rio de Janeiro e três no Espírito Santo.
 
 
 
 
Devido a essas ameaças, o primata está classificado como “criticamente em perigo” na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Ministério do Meio Ambiente e pela avaliação da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Por isso, muriqui-do-norte é uma das espécies ameaçadas da fauna brasileira que possui um Plano de Ação Nacional (PAN) para sua conservação, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e elaborado por especialistas de diversas instituições brasileiras.
 
 
 
 
Contudo, segundo o Dr. Fabiano Melo, biólogo, professor e pesquisador responsável pelo Programa de Conservação Muriquis de Minas, até o momento, grande parte das ações elaboradas para proteger os muriquis não foi implementada ou apresenta entraves de execução, especialmente por falta de financiamento. “Esse Programa pretende preencher essa lacuna, contemplando a implementação das ações prioritárias para a conservação da espécie já previstas no PAN Muriquis”, explica Fabiano. Para isso, o Programa contará com uma equipe multidisciplinar, formada por cientistas, estudantes, educadores, e envolve três vertentes de trabalho: pesquisa, manejo e educação.
 
 
 
 
Para Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, o apoio a um programa como esse dos muriquis é um bom exemplo do que a Fundação tem feito nestes 26 anos de existência: parcerias com instituições que possam trazer ações efetivas e auxiliar o poder público e as comunidades locais a manterem a biodiversidade dos locais em que estão inseridos. “O Programa dos Muriquis envolve não apenas a conservação do primata, mas também de todo o ecossistema em que ele ocorre. Dessa forma, serão beneficiadas outras espécies e também as populações que vivem na Mata Atlântica, um dos ecossistemas mais devastados do Brasil e do mundo”, afirma Malu Nunes.
 
 
 
 
A ideia é utilizar o potencial guarda-chuva da espécie para a conservação de áreas florestais prioritárias. “Esperamos promover a conservação dos muriquis por meio da estruturação de modelos de sustentabilidade, visando a inclusão social das comunidades e a manutenção de processos ecológicos básicos para a melhoria da qualidade ambiental”, afirma Gláucia Drummond, bióloga, presidente e superintendente geral da Fundação Biodiversitas.
 
 
 
 
A expectativa dos pesquisadores é que nos próximos anos já possam ser gerados resultados, como o nascimento de filhotes nas regiões estudadas, pois cada fêmea de muriqui engravida de três em três anos. “Um fato positivo é que elas podem acasalar com diversos machos no mesmo período, o que aumenta a possibilidade de fertilização”, explica o professor Fabiano.
 
 
 
 
Além da ONG MIB, da Fundação Biodiversitas e da Fundação Grupo Boticário, também são parceiras institucionais nesta iniciativa a Reserva do Ibitipoca, Storm Security, as Universidades Federais de Goiás, Regional Jataí (UFG/REJ) e de Viçosa (UFV).
Fonte: Ciclo Vivo

Importantes Zonas De Biodiversidade Permanecem Desprotegidas No Mundo, Diz PNUMA





As áreas de proteção ambiental cobrem quase 20 milhões de quilômetros quadrados, ou cerca de 15% do planeta, número que está pouco abaixo das Metas de Aichi de Biodiversidade, adotadas por mais de 190 países em 2010, que prevê 17% de cobertura em 2020.



No entanto, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), as conquistas em número e tamanho têm de ser acompanhadas de melhoras em sua qualidade, com a proteção de lugares com maior diversidade biológica.




Com 14,7% da superfície da Terra e 12% de suas águas territoriais protegidas, o mundo está a caminho de cumprir um importante objetivo global de conservação, de acordo com novo relatório apresentado no início deste mês pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).



No entanto, o relatório “Planeja Protegido 2016” mostrou que áreas cruciais de biodiversidade permanecem desprotegidas, enquanto espécies e habitats estão subrepresentados e uma gestão inadequada limita a efetividade dessas áreas.



“As grandes conquistas em número e tamanho das áreas protegidas das últimas décadas têm que ser acompanhadas de melhoras em sua qualidade”, disse o diretor-executivo do PNUMA, Erik Solheim.



“O mundo deve fazer mais para proteger de forma efetiva os lugares com maior diversidade biológica. As áreas protegidas devem estar mais bem conectadas, para permitir que as populações de animais e plantas se mesclem e se disseminem. Também é importante assegurar que as comunidades locais estejam envolvidas nos esforços de proteção. Seu apoio é crucial para a conservação no longo prazo”, completou.




“Hoje, o mundo enfrenta desafios ambientais e sociais críticos, como a mudança climática e a segurança alimentar e da água”, disse, por sua vez, Inger Andersen, diretor-geral da UICN. “As áreas protegidas têm um importante papel na conservação das espécies e nos ecossistemas que nos ajudam a fazer frente a esses desafios. Assegurar que sejam cuidadosamente mapeados e eficientemente administrados é crucial se quisermos continuar prosperando neste planeta”.




Segundo os cientistas da UICN e do Centro Mundial de Monitoramento da Conservação do PNUMA, atualmente há 202.467 áreas protegidas que cobrem quase 20 milhões de quilômetros quadrados, ou 14,7% do planeta, com exceção da Antártida. Esse número está pouco abaixo das Metas de Aichi de Biodiversidade, adotadas por mais de 190 países em 2010, que preveem 17% de cobertura em 2020.



A cobertura de áreas protegidas caiu 0,7% desde o último relatório Planeta Protegido. Os cientistas acreditam que não se trata de uma diminuição real da cobertura de solos, mas uma consequência de fatores relacionados a fluxos de dados, tais como mudanças nas fronteiras, eliminação de alguns sítios de grande porte da Base de Dados Mundial de Áreas Protegidas ou de uma melhora na qualidade das informações.



A região da América Latina e do Caribe possui a maior área protegida do mundo, quase 5 milhões de quilômetros quadrados. Cerca da metade está no Brasil, país com o maior sistema de terras protegidas do mundo, com 2,47 milhões de quilômetros quadrados.




O Oriente Médio, por outro lado, tem o índice mais baixo de proteção de terras, com cerca de 3%, que equivale a cerca de 119 mil quilômetros quadrados.





A última década viu um progresso notável na proteção dos oceanos no mundo. O tamanho das áreas marinhas protegidas aumentou de pouco mais de 4 milhões em 2006 para quase 17 milhões de quilômetros quadrados atualmente, o que cobre 4% dos oceanos da Terra, quase o tamanho da Rússia. No entanto, apesar do crescimento, ainda resta muito a fazer para melhorar a qualidade das áreas protegidas, segundo o PNUMA.



Áreas de importância para a biodiversidade
Atualmente, menos de 20% das áreas-chave de biodiversidade do mundo estão completamente cobertas por áreas protegidas, enquanto menos de 20% dos países cumpriram seus compromissos para avaliar a gestão de suas áreas protegidas, o que levanta dúvidas sobre a qualidade e a eficácia das medidas de conservação existentes.



O relatório recomenda investir em áreas protegidas para fortalecer a gestão sustentável da pesca, controlar as espécies invasoras, fazer frente à mudança climática e reduzir os incentivos prejudiciais, como os subsídios, que ameaçam a biodiversidade.



A adoção dessas recomendações ajudaria a deter a perda de biodiversidade, melhorar a 
segurança alimentar e da água, permitir às comunidades vulneráveis fazer frente aos desastres naturais e conservar o conhecimento tradicional.


Novos dados
Desde que os dados do relatório foram coletados, foram declaradas novas áreas marinhas protegidas, como a recente expansão ordenada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, do Monumento Nacional Marinho Papahanaumokuakea no Havaí, oito novos sítios protegidos em Malta e grandes áreas marinhas protegidas no Chile e em Palau. Isso fez com que a taxa das águas territoriais protegidas aumentasse para 11,95%, ante 10,2% citado no documento.



O relatório Planeta Protegido 2016 avalia a forma com a qual as áreas protegidas contribuem para a realização do Plano Estratégico para a Diversidade Biológica e as metas pertinentes dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Nele se destacam estudos de pesquisa e casos atuais sobre o papel que as áreas protegidas desempenham na conservação da biodiversidade e do patrimônio cultural.


Fonte: EcoDebate

Campanha Nacional Em Defesa Do Cerrado Quer Garantir Preservação Da Água No Bioma

quarta-feira, 28 de setembro de 2016


Um grupo de 36 organizações se uniu para defender a preservação da água no Cerrado em mobilização lançada ontem (27), em Brasília. A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado busca conscientizar a sociedade dos problemas que a falta de água tem provocado na biodiversidade da região e na vida de comunidades indígenas e povos tradicionais.

 
 
“O Cerrado é fundamental para essas comunidades. Essa campanha está sendo lançada hoje, na expectativa de atingir toda a sociedade brasileira para chamar atenção dessa realidade que o Cerrado está vivendo”, disse Isolete Wichinieski, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), uma das entidades envolvidas na campanha. Além da CPT, outras organizações religiosas e de defesa da agricultura familiar e dos e direitos humanos integram a campanha.
 
 
Segundo Isolete, os povos tradicionais e comunidades indígenas têm um papel importante “na defesa desse território, no uso que eles fazem e na maneira como foram se adaptando e convivendo com esse bioma”.
 
 
A campanha pretende mostrar que um dos grandes responsáveis pelo processo de escassez da água e empobrecimento do solo do Cerrado é a monocultura ligada ao agronegócio.
 
 
“Nosso Cerrado está totalmente destruído. O agronegócio está avançando. A produção de soja, milho, cana-de-açúcar e eucalipto no território Guarani-Kaiowá trouxe prejuízo para a nossa comunidade”, disse o indígena Elson Guarani-Kaiowá durante o lançamento da campanha.
 
 
“Sofremos também vários ataques de agrotóxicos que foram despejados na comunidade indígena. Quando chove, esse agrotóxico cai nos rios, matando os peixes e os animais que ainda restam nas matas. Isso para a gente é uma grande preocupação”, acrescentou.
PEC do Cerrado
 
 
Entre as ações da campanha, estão a defesa da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 504/2010, que torna o Cerrado patrimônio nacional. Outra medida é estudar e cobrar políticas para frear o desmatamento na região. “Hoje o cerrado tem menos de 48% de vegetação [original]. A gente precisa conservar esse Cerrado em pé e pensar políticas que possam realmente recuperar o que a gente ainda consegue recuperar. Porque nem tudo a gente vai conseguir recuperar desse território, da vegetação e da sua biodiversidade”, lamentou.
 
Outra preocupação das entidades envolvidas na campanha é a inclusão do bioma no Plano de Desenvolvimento Agropecuário do Matopiba (sigla para a região de Cerrado nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, considerada a grande fronteira agrícola do país atualmente). “Esse plano vai impactar muito mais o Cerrado. Se a gente não tiver um processo de discutir com as comunidades, de ver como barrar esse plano de desenvolvimento, teremos graves consequências para o Cerrado”, disse Isolete Wichinieski, da CPT.
 
Fonte: EcoDebate

Senhoras transformam sacos plásticos em esteiras para moradores de rua

segunda-feira, 26 de setembro de 2016


Elas já reaproveitaram mais de 52 mil sacolas plásticas que seriam simplesmente descartadas.

Um grupo de senhoras no Tennessee, Estados Unidos, encontrou um jeito muito eficiente de passar o tempo, colaborar com o meio ambiente e ainda ajudar pessoas que estão em situação de rua.



Elas se juntam semanalmente para fazer “crochê” com sacolas plásticas.
O trabalho foi apelidado de “The Bag Ladies”, algo como: as senhoras do saco. A técnica troca as linhas por sacolas plásticas, que não precisam de nenhum processo industrial para serem trabalhadas em pontos semelhantes ao do crochê.


O resultado são esteiras plásticas, doadas para que pessoas em situação de rua tenham onde dormir. Parte da produção também já foi doada a famílias que perderam tudo em consequência de desastres naturais.


Conforme informado pelas voluntárias em declaração a um canal de TV local, são necessárias 600 sacolas plásticas para cada esteira. Desde o início do trabalho, mais de 52 mil sacos plásticos já foram reaproveitados e se tornaram 88 esteiras.


O grupo de artesãs voluntárias é formado por mulheres idosas, que se reúnem semanalmente em uma igreja da comunidade.


Fonte: Ciclo Vivo