segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A "Revitalização" que destroi nossas matas e nossa fauna.

Prezado(a) Senhor(a)

O Fórum das Ong's Ambientalistas do DF e a Frente Comunitária do Sítio Histórico de Brasília e Distrito Federal entraram com dois documentos no Conselho de Meio Ambiente do Distrito Federal (CONAM/DF) questionando as várias irregularidades de  "Revitalização do Aeroporto". Esta parece conter propostas  e atividades  que  desvirtuam, e muito, dos objetivos de  um sítio aeroportuário, conforme definido pela ANAC. Sem contar a "cidade do automóvel" que ali se encontra. 

Verificamos que não há  monitoramento ambiental por parte do órgão ambiental, desde que foi dada a última licença para a construção da segunda pista. Fazia parte das condicionantes. Estive dentro do Córrego do Cedro com uma equipe do IBGE e ficamos estarrecidos com o que vimos. Ele está totalmente assoreado pela construção da segunda pista. Os relatos de moradores próximos à pista dizem que em época de chuva, a terra desce com muita violência. Os tubos construídos para segurar a água não dão conta da vazão. Cabe esclarecer que o IBGE tem vários dados daquele Córrego desde 1998. 

Também os prédios propostos pelo Aeroporto  ferem a Portaria IPHAN 68/2012, no que diz respeito à altura na área do  entorno  do Conjunto Urbanístico de Brasília. 

Por último, o Aeroporto  Internacional JK está dentro de uma unidade de conservação (APA Gama Cabeça de Veado) e também  na área da  Reserva da Biosfera do Cerrado (programa da UNESCO). Em ambos, o objetivo maior é manter a biodiversidade e privilegiar o uso sustentável dos recursos ambientais. Se considerarmos que o DF, conforme o Inventário Florestal recém lançado, só possui 23% de Cerrado íntegro, a proposta de "revitalização do Aeroporto", com a destruição de cerca de  145 hectares de Cerrado nativo é, no mínimo, uma afronta à população e um crime ambiental. 

Assim, como conselheiros do CONAM/DF, integrantes do Fórum das Ong's Ambientalistas solicitou explicações da SEMA sobre a revitalização do Aeroporto JK. 

Seria interessante que lessem os documentos, anexo, que são de domínio público e vejam se há algum outro fato além do que já relatamos. Caso haja, podem encaminhar ao   CONAM/DF. Isso ajuda a todos nós.   

Talvez seja interessante também conversarem com os promotores da área. Qualquer ajuda  é sempre bem-vinda. É nossa união que fará diferença na qualidade de vida de nossa cidade. 

Atenciosamente

Mônica Veríssimo

Acordo de Paris entra em vigor em Novembro

quarta-feira, 5 de outubro de 2016


 
 
 
 
O Acordo de Paris sobre Mudança do Clima deverá se tornar lei internacional no dia 7 de novembro deste ano, menos de um ano após ter sido definido na CoP21 de Paris, em 2015.  Trata-se da mais rápida ratificação da história da ONU.  Para efeito de comparação, o Protocolo de Quioto levou sete anos para entrar em vigor.

 
 
 
 
 
Para Jill Duggan, diretor do Grupo de Líderes Corporativos do Príncipe de Gales, “a velocidade sem precedentes que está impulsionando a rápida entrada em vigor do Acordo de Paris mostra a enorme importância do desafio climático para os governos em todo o mundo, apesar da turbulência política que emergem em muitas economias. A importância do Acordo de Paris e seu impacto universal não podem ser subestimados. A transição para uma economia de carbono zero é inevitável. Agora é o momento para as empresas comecem a se preparar para um futuro de carbono zero.”
 
 
 
 
 
Para se tornar lei internacional, o Acordo de Paris teve que cumprir duas condições: ser ratificado por mais de 55 países e que estes respondam por mais de 55% das emissões globais dos gases que causam o efeito estufa. Por isso, o Acordo de Paris previa um prazo até 2020 para sua entrada em vigor.  Mas este segundo requisito será preenchido nesta sexta, 7 de outubro, quando a União Europeia depositará seu instrumento de ratificação do acordo na sede da ONU, em Nova York.
 
 
 
 
Para Alden Meyer,  diretor de Estratégia e Política da Union of Concerned Scientists dos Estados Unidos, “O fato de que o Acordo de Paris está tendo efeito muito mais cedo do que antecipado mostra que os líderes entendem a necessidade de ação coletiva para enfrentar a ameaça crescente do clima. 
 
 
 
 
 
O anúncio conjunto, feito do mês passado pelos EUA e pela China, que se juntaram ao acordo, claramente estimulou outros países a acelerarem os seus processos internos. Embora este marco seja certamente motivo de celebração, muito está por vir. Os países devem agora avançar agressivamente para implementar e reforçar os seus compromissos de redução de emissões no âmbito do acordo, se quisermos ter alguma chance de evitar os piores impactos das mudanças climáticas “.
 
 
 
 
“Fortalecidos pelo apoio de cidades, empresas e investidores, em dezembro último líderes mundiais agiram em nome dos seus cidadãos e no interesse de cada um de nós neste planeta quando concordaram, por unanimidade, em dissociar o crescimento global de emissões de gases de efeito estufa. Essa foi a etapa do ‘Nas suas posições, preparem-se’. 
 
 
 
 
 
 
 Nós agora temos o nosso sinal de partida – este é o “já” em direção a um futuro de baixo carbono. Um futuro que vai ser emocionante: acabar com o domínio dos combustíveis fósseis vai gerar uma abundância de inovação e oportunidades para todos nós. Nós podemos conquistar um ar mais limpo, cidades mais saudáveis e um novo tipo de revolução ‘industrial’ apoiada por tecnologias que nos permitem viver uma vida próspera dentro dos limites que nosso planeta pode sustentar”, declarou Christiana Figueres, ex-secretária executiva da UNFCCC.
 
 
 
 
 
Para conseguir isso, Christiana aponta que “agora temos de aumentar a nossa ambição para garantir o legado deste momento seja selado como um ponto de pivô positivo na história. Um número crescente de pessoas comprometidas querem garantir que, juntos, nossos líderes, comunidades, cidades, empresas e cidadãos podem realmente dobrar a curva sobre as emissões do aquecimento global. Com a colaboração radical e otimismo ilimitado, sob a iniciativa Mission 2020, temos o compromisso de acelerar avanços materiais na economia global que gerem um mundo com clima seguro e desenvolvimento para todos”.
 
 
 
 
Para Renato Redentor Constantino, Diretor Executivo do Instituto do Clima e Cidades Sustentáveis das Filipinas, “devemos usar a entrada em vigor do Acordo de Paris para fortalecer ainda mais a nossa determinação para uma ação mais rápida e mais decisiva para reduzir os gases de efeito estufa e limitar o aquecimento global para menos de 1,5° c. É temporada de tufões novamente nas Filipinas, e o 3ª aniversário do tufão Haiyan que se aproxima nos lembra dos impactos devastadores de uma ação medíocre. 
 
 
 
 
Nós vemos o que os governos podem alcançar juntos se houver vontade política, mas não devemos esquecer que ainda temos de implementar medidas agressivas para mudar para um sistema de energia limpa e liberar financiamento para proteger os mais vulneráveis do agravamento dos impactos climáticos. 
 
 
 
 
 
Precisamos de uma ação orquestrada e rápida, em nível mundial e dentro de um calendário ambicioso para reduzir os gases de efeito estufa. É igualmente importante que os governos, as empresas e a comunidade científica mudem a narrativa do clima: do ponto de desespero para uma mensagem de esperança de que um futuro próspero e sustentável é viável se adotarmos a ação decisiva agora.”
“A velocidade com que o Acordo de Paris entrou em vigor foi notável. Mas agora precisamos ver ações concretas para seguir com a mesma rapidez”, declarou Mohamed Adow, Consultor Sênior sobre Clima, Christian Aid. “À medida que o furacão Matthew deixa destruição por todo o Caribe, somos lembrados que o nosso clima continua a passar por mudanças rápidas e que continuamos a poluir a atmosfera. 
 
 
 
 
O Acordo de Paris foi como um avanço em um centro de reabilitação. Os líderes mundiais admitiram pela primeira vez que tinham um problema de dependência dos combustíveis fósseis e que iriam se limpar.  A questão agora é se eles perseverarão neste novo caminho ou se desistirão na primeira decisão difícil. 
 
 
 
 
Como um viciado saindo das drogas, eles precisam se afastar de verdade da substância prejudicial. Sua atitude m relação às promessas do Acordo de Paris será testado nos próximos dias. É imperativo que eles concordem com uma redução global dos gases de efeito estufa HFCs em Ruanda na próxima semana.” 
 
 
 
Fonte: Envolverde

Loja itinerante recebe pagamento em lixo ao invés de dinheiro

quarta-feira, 5 de outubro de 2016


É possível comprar até cerveja usando o lixo como moeda.

 
 
Você já imaginou se, ao invés de dinheiro, fosse possível fazer compras pagando com lixo? Pode parecer extremamente estranho, mas é isso o que acontece durante o Seaside Scavange, um evento e loja itinerantes que têm viajado a Austrália para conscientizar pessoas sobre a produção e o descarte de resíduos sólidos.
 
 
 
 
 
A ideia é da jovem Anna Jane Linke. Em entrevista ao site australiano “1 Million Women”, ela explicou como surgiu o projeto. “A ideia era conseguir limpar a praia ao mesmo tempo em que acontecia uma feira de troca de roupas”, disse. Para conseguir unir as duas coisas, ela criou uma logística em que as pessoas usam o próprio lixo coletado nas redondezas do evento como moeda para comprar os produtos expostos.
 
 
 
 
 
O sistema é muito simples. A cada dez resíduos entregues, a pessoa ganha uma ficha. Ao longo das araras e prateleiras estão espalhados os mais diversos produtos, recebidos através de doações, e que podem ser levados em troca das fichas. É possível comprar até cerveja usando o lixo como pagamento.
 
 
 
 
 
Para Anna esta é uma forma de mostrar às pessoas que a humanidade está produzindo uma quantidade enorme de resíduos, que boa parte disso poderia ser evitado e que os resíduos também valem dinheiro. A ideia de fazer os eventos próximos às praias é justamente mostrar o estrago que esse lixo pode fazer nos oceanos, como, aliás, já tem feito.
 
 
 
 
Os eventos vão muito além da feira de trocas. Com o apoio de voluntários e da própria comunidade local, o Seaside Scavange se torna um verdadeiro festival cultural grátis, que conta com a participação de músicos e artistas diversos.
 
 
 
 
 
Atualmente o projeto está viajando pela costa leste australiana. No evento do último final de semana, por exemplo, realizado em Sunny Coast, foram coletados 98,1 kg de lixo da praia. Apenas bitucas de cigarro foram 5.077, que são normalmente os resíduos mais comuns, segundo, Anna.
 
 
 
 
Atualmente o Seaside Scavange é realizado de forma totalmente voluntária e sem lucros financeiros. Mas, a idealizadora do projeto espera que para o próximo ano seja possível contar com patrocinadores, para que a ideia ganhe impacto ainda maior e que a continuidade se torne viável pessoal e financeiramente.
 
 
 
 
Fonte: Ciclo vivo

Mais Cidades Brasileiras Resistem À Ameaça Do Fraturamento Hidráulico (FRACKING)

quinta-feira, 6 de outubro de 2016


Em menos de uma semana, mais duas cidades do Paraná aprovaram por unanimidade Projetos de Lei que proíbem extração do gás de xisto por fraturamento hidráulico





Na terça-feira (27), vereadores de Cornélio Procópio, cidade no Norte Pioneiro do Paraná, aprovaram por unanimidade, em segunda discussão, o Projeto de Lei que proíbe a extração de gás de xisto do subsolo através da técnica do fraturamento hidráulico – mais conhecida como Fracking. Na última sexta-feira (23), os moradores de Iporã, no Noroeste do Estado, também puderam comemorar a proibição da prática, uma tecnologia altamente poluente, grande consumidora de água e que ameaça a saúde de pessoas, animais e do meio ambiente.






“Desde fevereiro deste ano a região de Cornélio Procópio vem sendo abordada pela mineradora Global, que faz sondagens para tentativa de extração de gás de xisto em diversos locais. Por inciativa e sugestão da sociedade civil organizada, o projeto foi proposto e a votação resultou na aprovação da lei por unanimidade, tamanha a preocupação da cidade com a destruição causada pelo Fracking”, afirmou a professora Izabel Cristina Marson.







No município, a lei foi assinada pelos vereadores Fernandinho Peppes (PMDB), Edimar Gomes Filho (PSB), Vanildo Sotero (PP) e Rafael Haddad (REDE). Integrante do Conselho de Cultura de Cornélio Procópio, Izabel fez uso da tribuna para apresentar as ameaças da técnica em diversas partes do mundo, como já ocorre na Argentina, e respondeu a dúvidas dos vereadores sobre o assunto. Já o vereador Peppes, secretário da mesa, discursou sobre a audácia de empresas estrangeiras em virem destruir a fauna, a flora, a água e a vida humana da região.






Na ocasião, estiveram presentes membros da comunidade e da imprensa local. Para o professor Dennis William, que assistiu à sessão de votação, é importante o município informar a população sobre os perigos do Fracking. “Eles tentam nos convencer com inverdades, como a promessa de prosperidade para a cidade com a entrada da técnica. Mas a lei garante a nossa segurança”, frisou ele.






Assim como Maringá e Arapongas, que também aprovaram recentemente a proibição do faturamento hidráulico, Cornélio Procópio ainda não teve o subsolo leiloado pela Agência Nacional do Petróleo e Gás (ANP), mas decidiu banir o Fracking antes que isso acontecesse. O intuito é antecipar e garantir a proteção do meio ambiente, das reservas de água, da produção de alimentos e da saúde da população e animais.






No município de Iporã, a articulação entre Prefeitura e Legislativo, coordenada pela campanha Não Fracking Brasil com o apoio da Cáritas Paraná, em especial do Diácono Arildo Celeste, da Cáritas Diocesana de Umuarama, fez com que os vereadores aprovassem por unanimidade a mensagem do Executivo. O PL que proíbe a extração do gás de xisto por fraturamento hidráulico, de autoria do Prefeito Paulo Roberto da Silva (PSDB), será sancionado nos próximos dias, tornando a cidade mais um território livre do Fracking.




Vereadores de Iporã aprovam Projeto de Lei para banir o Fracking.
“A indústria do hidrocarboneto tenta persuadir as pessoas de que não existe movimento contrário ao Frackinge outras práticas extremamente nocivas. Mas nossa força é maior, e juntos conseguiremos banir permanentemente essa ameaça do país. É fundamental que a população esteja informada e que haja sinergia entre os diversos setores da sociedade.





Destaco também a importância do papel de articuladora e mobilizadora que a Igreja Católica, através da Cáritas e da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil], vem desempenhando”, defendeu Juliano Bueno de Araujo, coordenador de campanhas climáticas da 350.org Brasil e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.







Riscos do Fracking
Fracking é o método não convencional que utiliza milhões de litros de água, misturados a areia e um coquetel de mais de 720 substâncias tóxicas, cancerígenas e até radioativas para explodir a rocha que está a grandes profundidades e liberar o gás metano. Parte do fluido tóxico permanece no subsolo e contamina os aquíferos. O que retorna à superfície polui o ar, torna o solo infértil para agricultura e pecuária, e provoca infertilidade em mulheres, abortamentos e nascimentos prematuros. Além dos impactos ambientais, econômicos e sociais, o fraturamento hidráulico também provoca terremotos e intensifica as mudanças climáticas.




“Por ser extremamente perigoso, há um grande temor de que o Fracking provoque uma devastação sem precedentes em nosso Estado, inviabilizando a agricultura, poluindo o ar e fazendo com que as pessoas adoeçam gravemente”, afirmou Reginaldo Urbano Argentino, presidente da Cáritas Paraná e coordenador regional da 350.org Brasil, entidade membro da COESUS.







Próximos passos
O município paranaense de Paraíso do Norte também já caminha para a proibição da prática de modo preventivo, uma vez que ainda não teve seu subsolo vendido pela ANP. Na última semana foi realizada uma palestra, articulada pela Igreja Católica, que reuniu mais de 200 pessoas, dentre moradores, professores, estudantes, agricultores, gestores públicos e parlamentares, além da presença de representante do Ministério Público (MP) local, para debater os riscos do Fracking.





As lideranças políticas presentes asseguraram o encaminhamento do PL à Câmara de Vereadores na próxima segunda-feira (03), seguido de votação favorável ao banimento do faturamento hidráulico. Também já tramita no MP uma ação civil pública contra o Fracking.





A batalha contra o Fracking tem ganhado cada vez mais força com a adesão de todas essas cidades. Hoje já são mais de 100 municípios brasileiros dizendo ‘Não ao Fracking’. Estamos levando a luta também para outros países latino-americanos. É importante conscientizar a todos para que consigamos fechar de vez as portas do continente para esse mal. Devemos formar uma verdadeira barreira contra os combustíveis fósseis, protegendo nossas famílias, nossa terra e nossa água dos impactos severos das mudanças climáticas”, frisou Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina, e coordenadora nacional da COESUS.




A campanha Não Fracking Brasil, coordenada nacionalmente pela COESUS e 350.org Brasil, já realizou mais de 1.100 palestras em 400 cidades de 15 estados brasileiros, mobilizando mais de 7 milhões de pessoas. Nas próximas semanas, como resultado da campanha, o número de cidades em todo o Brasil que já aprovaram a proibição ao Fracking deve chegar a 180.




Fonte: EcoDebate

Reserva da Biosfera , o que é, e porque deve ser conservada.



Reserva da Biosfera é um instrumento de conservação que favorece a descoberta de soluções para problemas como o desmatamento das florestas tropicais, a desertificação, a poluição atmosférica, o efeito estufa, entre outros. A Reserva privilegia o uso sustentável dos recursos naturais nas áreas assim protegidas e tem por objetivo promover o conhecimento, a prática e os valores humanos para implementar as relações entre as populações e o meio ambiente em todo o planeta.


Cada Reserva da Biosfera é uma coleção representativa dos ecossistemas característicos da região onde se estabelece. Terrestre ou marinha, busca otimizar a convivência homem-natureza em projetos que se norteiam pela preservação dos ambientes significativos, pela convivência com áreas que lhe são vizinhas, pelo uso sustentável de seus recursos.




A Reserva é um centro de monitoramento, pesquisas, educação ambiental e gerenciamento de ecossistemas, bem como centro de informação e desenvolvimento profissional dos técnicos em seu manejo. Seu gerenciamento é o trabalho conjunto de instituições governamentais, não governamentais e centros de pesquisa. Esta integração busca o atendimento às necessidades da comunidade local e o melhor relacionamento entre os seres humanos e o meio ambiente.


Criadas pela UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - em 1972, as Reservas da Biosfera, espalhadas hoje por 110 países, têm sua sustentação no programa "O Homem e a Biosfera" (MAB) da UNESCO, desenvolvido com o PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, com a UICN - União Internacional para a Conservação da Natureza e com agências internacionais de desenvolvimento.



É o principal instrumento do Programa MaB e compõe uma rede mundial de áreas que têm por finalidade a Pesquisa Cooperativa, a Conservação do Patrimônio Natural e Cultural e a Promoção do Desenvolvimento Sustentável.


O Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC (Lei 9985 de 18 de julho de 2.000), em seu capítulo XI, reconhece a Reserva da Biosfera como "um modelo, adotado internacionalmente, de gestão integrada, participativa e sustentável dos recursos naturais".


No Brasil a primeira Reserva da Biosfera, criada em 1992, foi para salvar os remanescentes de Mata Atlântica. O Programa Internacional Homem e a Biosfera - MaB aprovou em outubro de 1993 dois outros projetos propostos pelo Brasil: a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, integrada com a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, e a Reserva da Biosfera do Cerrado do Distrito Federal.



Em 2001 foi criada a Reserva da Biosfera da Caatinga, que cobre uma área de 198.000 Km². Ao todo são 7 Reservas da Biosfera no país: Mata Atlântica, Cinturão Verde de São Paulo, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Amazônia Central e Serra do Espinhaço. 



Para mais informações acesso o site do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga.

domingo, 9 de outubro de 2016

Desconfiança na segurança das vacinas é maior na Europa


06/10/2016


Com informações da New Scientist

Desconfiança das vacinas
A população da Europa é a mais cética do mundo quanto às vacinas.


A conclusão é de uma pesquisa que entrevistou 66.000 pessoas em 67 países, perguntando sobre os pontos de vista sobre a importância e a segurança das vacinas.



Os franceses mostraram a menor confiança - 41% dos entrevistados disseram discordar da afirmação de que as vacinas são seguras. A média global foi de 13%.



A França foi seguida pela Bósnia e pela Herzegovina, onde 36% duvidam da segurança das vacinas. A Rússia e Mongólia vieram em seguida, com 28% e 27%, respectivamente. Grécia, Japão e Ucrânia registraram 25% de falta de confiança.



Nos EUA, 14% das pessoas entrevistadas discordaram de que as vacinas são seguras, enquanto 86% concordam que elas são importantes. No Brasil a desconfiança atinge 15% da população.
Dúvida sobre segurança das vacinas é maior na Europa
O Brasil está entre as regiões do mundo onde a população mais confia nas vacinas. [Imagem: Heidi J. Larson et al. - 10.1016/j.ebiom.2016.08.042]  



Alastramento da desconfiança
"É impressionante que a Europa se destaque como a região mais cética sobre a segurança das vacinas," comentou Heidi Larson, coordenadora da pesquisa. "Em um mundo onde a internet significa que preocupações sobre as vacinas podem ser compartilhadas em um instante, não devemos subestimar a influência que isso pode ter em outros países ao redor do mundo."



O sudeste da Ásia foi a região onde a população se mostrou mais confiante na segurança das vacinas. Bangladesh, Indonésia e Tailândia, respectivamente apresentaram 1%, 3% e 6% de discordância da afirmação de que as vacinas eram seguras.



Os resultados foram publicados na revista EBioMedicine.

Risco de outro Chernobyl ou Fukushima é maior que anunciado

Risco de outro Chernobyl ou Fukushima é maior que anunciado
A equipe disponibilizou seu banco de dados em código aberto, listando todos os eventos nucleares analisados - 216 ao todo. [Imagem: Spencer Wheatley et al.]
Riscos da energia nuclear
Uma equipe de especialistas em análise de risco, que acaba de publicar a maior avaliação já feita até hoje sobre os acidentes nucleares, adverte que o próximo desastre na escala de Chernobyl ou Fukushima pode acontecer muito mais cedo do que o público se dá conta.



Os pesquisadores da Universidade de Sussex, na Inglaterra, e do instituto ETH de Zurique, na Suíça, analisaram mais de 200 acidentes nucleares e, estimando e levando em conta os efeitos das respostas da indústria aos desastres anteriores, forneceram uma avaliação sombria dos riscos da energia nuclear.


Eles estimam que catástrofes na escala de Fukushima e Chernobyl têm maior chance de ocorrer do que de não ocorrer de uma a duas vezes por século, e que acidentes na escala do colapso da usina Three Mile Island, em 1979, nos EUA (com danos de cerca de 10 bilhões de dólares) são mais propensos a ocorrer do que a não ocorrer a cada 10 a 20 anos.



Fiscalização e promoção da indústria nuclear
Dados públicos "falhos e lamentavelmente incompletos" da indústria nuclear estão levando a uma atitude de excesso de confiança quanto ao risco da indústria nuclear, adverte o estudo.
 



A equipe aponta para o fato de que sua análise independente contém três vezes mais dados do que os fornecidos publicamente pela própria indústria. Isto, argumentam, provavelmente se deve ao fato de que a Agência Internacional de Energia Atômica, que compila os dados, tem um duplo papel de regulação do setor e de promovê-lo.



"Nossos resultados são preocupantes. Eles sugerem que a metodologia padrão usada pela Agência Internacional da Energia Atômica para prever acidentes e incidentes - particularmente quando foca as consequências dos eventos extremos - é problemática. O próximo acidente nuclear pode ocorrer muito mais cedo ou ser mais mais grave do que o público imagina," disse o professor Benjamin Sovacool, coautor do trabalho.



A equipe pede também uma reconsideração total da forma como os acidentes nucleares são classificados, argumentando que o método atual (a escala INES de sete pontos) é "altamente imprecisa, mal definida e muitas vezes inconsistente".


Banco de dados de acidentes nucleares
Os 15 eventos nucleares mais caros da história analisados pela equipe são:

  1. Chernobyl, Ucrânia (1986) - $259 bilhões
  2. Fukushima, Japão (2011) - $166 bilhões
  3. Tsuruga, Japão (1995) - $15.5 bilhões
  4. TMI, Pensilvânia, EUA (1979) - $11 bilhões
  5. Beloyarsk, União Soviética (1977) - $3.5 bilhões
  6. Sellafield, Reino Unido (1969) - $2.5 bilhões
  7. Athens, EUA (1985) - $2.1 bilhões
  8. Jaslovske Bohunice, Tchecoslováquia (1977) - $2 bilhões
  9. Sellafield, Reino Unido (1968) - $1.9 bilhões
  10. Sellafield, Reino Unido (1971) - $1.3 bilhões
  11. Plymouth, EUA (1986) - $1.2 bilhões
  12. Chapelcross, Reino Unido (1967) - $1.1 bilhões
  13. Chernobyl, Ucrânia (1982) - $1.1 bilhões
  14. Pickering, Canadá (1983) - $1 bilhões
  15. Sellafield, Reino Unido (1973) - $1 bilhões
A equipe disponibilizou seu banco de dados em código aberto, listando todos os eventos nucleares analisados - 216 ao todo - incluindo datas, locais, o custo em dólares norte-americanos e as classificações oficiais de magnitude do acidente.



Este, que é o maior banco de dados público de acidentes nucleares já compilado, pode ser acessado no endereço https://innovwiki.ethz.ch/index.php/Nuclear_events_database.

Avião espacial chinês levará 20 turistas ao espaço


Avião espacial chinês levará 20 turistas ao espaço
O projeto fala em um avião espacial para cinco passageiros e outro para 20 - mas a ilustração de divulgação da agência chinesa mostra uma versão para oito. [Imagem: Mr Pengxin Han et al. from CALT]


Avião automático
A China anunciou seus planos para entrar no ramo do turismo espacial.
O projeto inclui um avião espacial de grandes proporções - muito maior do que o SpaceShip, da norte-americana Virgin Galactic.




A ideia é levar 20 passageiros em cada voo até a borda do espaço, pouco acima dos 100 km de altitude, onde já é possível sentir a ausência de gravidade e ver a curvatura da Terra.
"O veículo decolará verticalmente, como um foguete, e pousará em um aeroporto automaticamente, sem qualquer intervenção a bordo ou do solo," contou o engenheiro Pengxin Han, da Academia Chinesa de Tecnologia de Lançamentos.




Avião espacial chinês
A equipe apresentou duas versões do avião espacial.
A primeira tem uma massa de 10 toneladas, 6 metros de envergadura de asa e atingirá uma velocidade de Mach 6 - seis vezes a velocidade do som, por volta de 7.350 km/h, o que o coloca na classe dos aviões hipersônicos. Essa versão terá capacidade para levar 5 passageiros a uma altitude de 100 km. Cada viagem dará 2 minutos de sensação de ausência de peso.



A segunda versão tem 100 toneladas e 12 metros de envergadura, podendo atingir Mach 8 - cerca de 9.800 km/h. Isso será suficiente para levar 20 passageiros a 130 km de altitude, garantindo 4 minutos de brincadeiras flutuando no espaço.



Esta versão maior poderá levar também um foguete adicional, capaz de lançar pequenos satélites em órbita, o que poderá reduzir o custo operacional e, eventualmente, o preço das passagens.



As duas versões deverão ser reutilizáveis, podendo fazer até 50 voos.
Avião espacial chinês levará 20 turistas ao espaço
O avião espacial será totalmente automático: sem piloto e sem controlador em terra. [Imagem: Mr Pengxin Han et al. from CALT]
 
 
 
De acordo com Han, os primeiros testes com o protótipo do avião espacial começarão em dois anos, e as primeiras passagens serão vendidas assim que se demonstrar que o projeto é seguro - ele estima o voo inaugural em escala comercial em 2020.



Turismo espacial
Outros projetos de naves visando o turismo espacial, já em estágio avançado de desenvolvimento, incluem o Lynx, da empresa XCOR, a cápsula New Shepard, da Blue Origin e o Dream Chaser, da Sierra Nevada, além do SpaceShip Two, da SpaceX.



sábado, 8 de outubro de 2016

No São Francisco, triste retrato dos nossos rios. Em linha reta rumo ao abismo.




“Velho Chico” está vazio. No Amapá, pororoca não existe mais. Em Minas, 1200 pequenos rios foram eliminados. Decadência coincide com expansão da monocultura, mas lucros calam as críticas.

Por Roberto Malvezzi*
O fenômeno da Pororoca, mundialmente conhecido, já não existe mais, no rio onde mais atraíam os olhos do mundo. Você sabia disso? As águas do Araguari, no Amapá — onde havia campeonatos de surf — já não têm forças para chegar à foz e sofrer a força reversa das águas, o que gerava as ondas. Construíram barragens em seu leito para gerar energia, que vem para o sul do país, além de pisotear suas margens com manadas de búfalos.
As águas do Araguaia estão cada vez mais escassas. Muitos de seus afluentes, antes perenes, agora também são intermitentes.
O São Francisco agora terá uma vazão de apenas 700 m3/s. Um rio que, segundo o discurso oficial do antigo governo federal, tinha uma vazão “firme” de 1800 m3/s a partir de Sobradinho. E olha que a transposição sequer começou. Onde Domingos Montagner morreu, na verdade, o que existe é um fiapo de água, em comparação com o que era o Cânion do São Francisco.
O mais emblemático, sem dúvida, é o rio Doce. A tragédia da Samarco não tem precedentes em território nacional, mas está sendo tratada como algo secundário e como se fosse apenas um acidente de percurso.
Se falarmos, então, da qualidade de nossas águas, teremos que lembrar do Tietê e do Pinheiros, a cara, a cor e o cheiro do desenvolvimento de São Paulo.
O que acontece não é fruto apenas de como se trata as calhas principais de nossos rios, mas de todo o desmatamento do território dessas bacias. A destruição do Cerrado – reconhecimento rotineiro nos meios científicos e socioambientais – levará consigo os rios que dependem do bioma. Já em 2004 tínhamos a informação que, apenas no Norte de Minas, cerca de 1200 rios menores tinham sido eliminados. Sem o Cerrado, nos dizem os cientistas, não haverá São Francisco, Araguaia e tantos rios que dependem dos aquíferos do Planalto Central. A criação do Matopiba – território do agronegócio no Cerrado – levará às profundezas esse modelo predador do bioma.
A curva de decadência de nossos rios coincide exatamente com a expansão das monoculturas, seja de grãos, de gado, ou outra qualquer. É só comparar os gráficos a partir da década de 1970.
Assim, nesse dia de São Francisco, como os profetas dos tempos antigos, que amaldiçoavam o dia em que tinham nascido, não nos cansamos de trazer más notícias, ainda que sejam em forma de denúncia (Jeremias 20,14-18).



Toda classe política, todo mundo econômico – exceções de sempre – está alguns anos-luz distante de enxergar o país por esse ângulo. Então, prosseguimos em linha reta rumo ao abismo.
Fonte: Envolverde

Os pecados das hidrelétricas na Amazônia





A mudança de vida de pescadores como Neves ilustra o pecado original das hidrelétricas: mudar a natureza do rio, interrompendo seu fluxo para gerar energia.



Porto Velho, Rondônia, 3/10/2016 – “Antes eu pescava 200 quilos por semana, agora consigo 40 quando tenho sorte”, queixou-se Raimundo Neves culpando as duas centrais hidrelétricas construídas no rio Madeira, uma acima e outra abaixo de Jaci Paraná, o povoado onde vive, no Estado brasileiro de Roraima.





“A uma tonelada só chegam os que pescam ao pé da represa de Jirau”, acrescentou Neves. É que os peixes tentam subir o rio, mas são bloqueados pelo paredão da represa e se concentram ali “dando voltas”, à mercê de pescadores ilegais, explicou à IPS. Os barcos pesqueiros invadem a área proibida por razões de segurança, para evitar o controle.




É proibido aproximar-se a menos de 2,8 quilômetros da represa, limite imposto pela Marinha diante dos riscos de turbulências provocadas pela operação do vertedouro e das turbinas, explicou a concessionária da hidrelétrica de Jirau, a empresa Energia Sustentável do Brasil (ESBR).


A mudança de vida de pescadores como Neves ilustra o pecado original das hidrelétricas: mudar a natureza do rio, interrompendo seu fluxo para gerar energia. No caso de Jirau e Santo Antônio, a outra central, foi represado o rio Madeira, o afluente mais caudaloso do rio Amazonas, que recebe águas da pendente oriental da Cordilheira dos Antes e de grandes bacias da Bolívia e do Peru.




Essas usinas, perto de Porto Velho, capital de Rondônia, inauguraram uma nova geração de grandes hidrelétricas no Brasil, com novas tecnologias e uma legislação acumulada durante as últimas três décadas, destinada a reduzir danos ambientais e sociais e a compensar a população afetada.




Aproveitando o forte caudal – superior à pequena queda do rio, de aproximada 20 metros em cada caso – foram usadas pela primeira vez as horizontais turbinas bulbo em grande escala, 50 em cada uma, com capacidade total de 6.900 megawatts (MW). Dessa forma limitou-se a superfície conjunta das duas represas a 710 quilômetros quadrados, pouco mais do que a do rio nas cheias e uma das menores proporções de área inundada por energia gerada, segundo as concessionárias das centrais.






Mas isso não impediu as críticas por deslocamento forçado de comunidades ribeirinhas tradicionais, desmatamento e submersão de florestas, danos à reprodução dos peixes e caos social pela criminalidade, prostituição e falência de serviços públicos diante da chegada de milhares de pessoas atraídas pelos empregos nas obras. O Movimento de Afetados por Represas (MAB) e um crescente número de pesquisadores condenam os impactos que consideram subestimados nos dados das empresas que construíram e têm a concessão das hidrelétricas por 35 anos.






“A cada ano aumentam os afetados não reconhecidos por Santo Antônio e, por fim, as queixas na justiça. Os reassentados receberam terras inférteis e sem a reserva florestal legal que deve ser 80% de cada propriedade na Amazônia”, disse à IPS João Dutra, um dos coordenadores do MAB em Rondônia. Os deslocados não foram indenizados por “renda cessante”, como os pescadores e outros ribeirinhos, inclusive porque, “em geral, exercem várias atividades”, muitas não reconhecidas, acrescentou.





Parte das famílias desistiu do reassentamento e muitas outras continuam dependentes de uma “ajuda mensal”, cinco anos depois de deslocadas, contou Dutra.A Santo Antônio Energia (SAE), concessionária da hidrelétrica águas abaixo, assegura ter investido US$ 620 milhões no câmbio atual em 28 programas “socioambientais”. Equivale a 10% do custo de construção da central.




A implantação de várias unidades de saúde, inclusive dois hospitais, mais a contratação e capacitação de profissionais, permitiu à rede local de saúde ampliar em mil consultas seu trabalho diário e elevar para 74 o número de postos de saúde familiar, o dobro de alguns anos antes, informou a empresa.




A construção e as reformas de escolas aumentaram a capacidade para seis mil novos alunos e foram doados equipamentos modernos aos bombeiros e à polícia, incluindo seu ramo ambiental, acrescentou a SAE. O mais caro foi construir 548 moradias em sete reassentamentos.



“A ESBR apoia o desenvolvimento de pequenos produtores, por intermédio de cooperativas, com a de Jirau, que tem 160 sócios, impulsionando o cultivo e a extração de frutas amazônicas, como açaí (Euterpe oleracea) e cupuaçu (Theobromagrandiflorum), e agroindústrias de farinha de mandioca e polpas de frutas”, disse à IPS o gerente ambiental da companhia, Veríssimo Alves.




Entre seus 34 programas, incluem-se piscicultura; pesca com manejo do pirarucu (Arapaima gigas), peixe amazônico que pode chegar a 200 quilos, um barco-hospital para atender populações ribeirinhas, e assistência às aldeias indígenas que “em um caso está a 800 quilômetros de Jirau”, por exigência das autoridades ambientais, acrescentou.





As duas empresas também celebram a contribuição de suas maciças campanhas para controle da malária, antes um grave problema sanitário. Além disso, aportaram muitos conhecimentos sobre o passado e a fauna do Madeira. Milhares de objetos arqueológicos enriquecerão museus e a universidade de Porto Velho.






“A SAE impulsionou a pesquisa da ictiofauna, com uma coleção de quase mil espécies que confirma o rio Madeira como o de maior diversidade de peixes na Amazônia”, afirmou à IPS o reitor da Universidade Federal de Rondônia, Ari Ott.Depois de muitos conflitos, incluindo ações judiciais buscando suspender as obras, greves selvagens e protestos com invasão dos canteiros de obra, as tensões pareciam superadas pelo fato consumado de as centrais operarem desde 2012 e 2013.





Uma cheia sem precedentes do Madeira desalojou temporariamente cerca de 30 mil pessoas em Porto Velho e arredores. O caudal do rio em alguns dias de março superou em 70% a média histórica do mês. Povoados, bairros inteiros e vários quilômetros de estrada ficaram debaixo da água.





As duas centrais foram acusadas de, pelo menos, agravarem as inundações ao longo do Madeira no Brasil e no lado boliviano. As concessionárias se defenderam apontando os fenômenos climáticos coincidentes que provocaram chuvas excepcionais em toda a bacia e recordando cheias semelhantes, como a de 1982. A intensidade de 2014 só se repete a cada 350 anos, segundo especialistas.




De todo modo, o desastre ampliou a área inundável pelas duas represas, segundo a Agência Nacional de Águas, obrigando as companhias a reassentar ou indenizar novas famílias ameaçadas por inundações. E acentuou incertezas para o futuro com a mudança climática.



Novas batalhas surgiram com a expansão da central de Santo Antônio, que acrescentou seis novas turbinas às 44 já operacionais, para gerar mais 417 MW e alcançar um total de 3.568. Isso elevaria a represa em 80 centímetros, deslocando mais ribeirinhos, mas ainda depende de autorização ambiental.



A ESBR espera operar Jirau com a “cota 90 constante”. A represa sempre a 90 metros de altitude, como naturalmente ocorre nas cheias, permitiria gerar 420 MW a mais durante a estiagem, entre junho e dezembro, sem novas turbinas ou custos. “Todos ganhariam, nós, o governo, a Bolívia e a população ribeirinha”, pontuou Isaac Teixeira, diretor de Operações da ESBR.




Depende de um acordo com a Bolívia, que seria compensada com energia adicional, ao aceitar o trecho fronteiriço do Madeira sempre no nível de cheias. E deve reativar protestos de ambientalistas e ribeirinhos.



Fonte: Envolverde

O Fim Da Barra Da Tijuca?

Quarta-feira, 5 de outubro de 2016

  Artigo De José Eustáquio Diniz Alves

As praias do Rio de Janeiro e da maioria das cidades do planeta correm o risco de serem “varridas do mapa”. Este processo pode ser socialmente grave na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que é a maior e mais complexa aglomeração urbana da zona costeira brasileira, com mais de 12 milhões de habitantes. 
De todas as zonas ameaçadas, a Barra da Tijuca e arredores é, entre os grandes bairros da Cidade Maravilhosa, a área mais vulnerável ao avanço do nível do mar e às inundações provocadas por ressacas, chuvas e tempestades.

Os professores Orrin Pilkey, da Universidade de Duke, nos EUA, e Andrew Cooper, da Universidade de Ulster, no Reino Unido, lançaram o livro “The Last Beach” em que mostram que as intervenções humanas nas áreas costeiras, junto com a elevação do nível do mar e as tempestades e furacões por conta das mudanças climáticas, estão provocando vasta erosão de areia em direção ao fundo dos oceanos, promovendo a “varredura” do solo costeiro. Para eles a sentença de morte já foi proclamada para grandes extensões de praias densamente povoadas.
As estradas, as barreiras e os muros de concreto erguidas pela civilização para proteção contra as tempestades e elevação das águas são incapazes de deter as ondas e servem apenas para acelerar o processo de erosão dos terrenos litorâneos. Nas praias naturais, sem a intervenção humana, as amplas faixas de areia funcionam como uma defesa natural contra as forças do oceano. Elas absorvem a energia das ondas e amortecem o movimento cíclico das marés. Tempestades e ressacas não destroem as praias naturais, apenas geram deslocamentos em torno da areia para maximizar a absorção de energia das marés.
Mas a ocupação e as barreiras colocadas pelo ser humano fornecem o cenário para as destruições daquilo que foi construído em áreas de baixa altitude. A subida dos oceanos será impiedosa com as construções antrópicas.
Segundo relatório do IPCC, a taxa de aumento do nível do mar foi de 1,5 mm, ao ano, entre 1901-1990 e passou para 3,2 mm, ao ano, entre 1993-2010. No século XX houve, aproximadamente, um aumento de 20 cm do nível do mar. Mas em 2016, o aumento já estava próximo de 4 mm ao ano, segundo a NASA.
Tudo indica que o aumento do volume dos oceanos vai se acelerar no século XXI. Artigo de Justin Gilles, no NYT, mostra que o aumento médio do nível do mar poderá chegar a 1,8 metro (seis pés) ou 2,1 metros (7 pés) até 2100. Isto seria terrível para a cidade do Rio de Janeiro e, particularmente, para a Barra da Tijuca.
Artigo de Dieter Muehe e Paulo Rosman (2011), sobre a capital fluminense, mostra que a orla exposta e voltada para o oceano aberto se apresenta extremamente vulnerável considerando sua orientação diretamente voltada para a incidência de ondas de tempestade e seu déficit potencial de sedimentos. Eles dizem: “Em suma, para os diversos cenários de elevação do nível do mar as praias oceânicas urbanas, devido à sua ‘fixação’ com muros, ficam impedidas de se ajustar por meio de retrogradação e tenderão a perder areia, efeito acelerado pelo refluxo das ondas nos obstáculos impermeáveis representados pelos mesmos muros” (p. 78).
Eles ainda mostram (p. 81) que as principais consequências da elevação do nível do mar são:
1) Tendência de translação das praias e cordões de dunas em direção a terra.
2) Onde houver ruas e avenidas na retro‐praia haverá diminuição das faixas de areia e potencial risco de ataque de ondas diretamente nas benfeitorias públicas.
3) Recuo das linhas de orla em regiões de baixadas de lagoas costeiras e baías, em função da subida do nível médio relativo da água. Nestes locais, é provável que a taxa de elevação do nível médio do mar seja superior à média, visto que se trata de regiões sedimentares geologicamente recentes, cujos terrenos tendem a sofrer subsidências. Portanto, potencialmente o problema é mais grave.
4) Problemas de macrodrenagem em águas interiores, especialmente em zonas urbanas situadas em baixadas de baías e lagoas costeiras aumentando a tendência de alagamentos. As águas fluem de cotas mais altas para cotas mais baixas e a velocidade do escoamento depende do desnível. Com a subida do nível médio relativo diminuem os desníveis, diminuindo a declividade relativa e consequentemente a velocidade dos escoamentos.
5) Aumento da profundidade média de lagoas costeiras e baías.
6) Aumento da intrusão salina em zonas estuarinas levando a causar aumento ou diminuição de manguezais, em função da disponibilidade de áreas de expansão, e, mais para montante, potencial problema de captação de água salobra em locais que hoje captam água doce.
Ou seja, a avenida Lúcio Costa funciona como uma barreira artificial que contém o avanço das ondas e das marés na Barra da Tijuca. Mas esta barreira vai ficar cada vez mais frágil na medida em que o nível do mar sobe. 
Com as tempestades mais intensas na terra e no mar, as ondas ficam mais altas e as marés meteorológicas mais elevadas. Assim, a praia da Barra da Tijuca terá diminuição das faixas de areia e a Avenida Lúcio Costa deverá sofrer sérios problemas de erosão e possível destruição de áreas mais vulneráveis. Os sistemas de saneamento e água vão ser afetados e diversos equipamentos públicos (hospitais, escolas, etc.) devem ser danificados.
Mas antes mesmo da elevação significativa do nível do mar, já é comum ocorrer bolsões d’água na Avenida Ayrton Senna, na Avenida das Américas e outras vias da Barra da Tijuca. As ressacas já chegam no calçadão da Avenida Lúcio Costa, como mostra a foto abaixo.
A orla oceânica urbanizada da Barra da Tijuca dificulta as soluções. O bloqueio de canais de drenagem por ação da elevação do nível do mar, pelo empilhamento durante ressacas, poderá fazer o mar transpor a barreira da Avenida Lúcio Costa, o que tornaria a parte oeste da avenida totalmente vulnerável à incidência de enchentes e inundações. Até o complexo de lagoas de Jacarepaguá pode desaparecer.
Todo o bairro poderá ter problemas de macrodrenagem nas zonas urbanas mais baixas. A pista oeste da Avenida Lúcio Costa é mais baixa que a pista leste e diversas edificações na beira da praia estão abaixo do nível da avenida. Alguns prédios possuem garagens ou os primeiros pisos abaixo da pista de trânsito e são totalmente vulneráveis à fúria intrínseca das forças naturais. Como mostram os mapas abaixo, a maior parte da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e até Jacarepaguá pode ficar debaixo d’água com o constante e permanente aumento do nível do mar. Se as ondas trasladarem a avenida o estrago será monumental.
Construir em áreas baixas e litorâneas é um perigo, especialmente em tempos de mudanças climáticas. A recente e vertiginosa expansão urbana da Barra da Tijuca teve como base os interesses de importantes incorporadores imobiliários que, amparados pelos governos local e regional, visavam maximizar seus lucros ainda que em detrimento da manutenção da qualidade do meio ambiente e da redução dos riscos sociais e ecológicos. A vulnerabilidade é alta.
Como mostrou Gabriela da Costa Silva (2007): “Contemporaneamente, a maioria das cidades privilegia as metas econômicas em detrimento dos valores sociais, prejudicando o meio ambiente, pois que raramente é compreendido como um sistema atuante e vital no processo de urbanização. 
À medida que a cidade se torna mais complexa, graças ao desenvolvimento das atividades humanas, tendem a se acentuar os impactos sobre o meio ambiente. Esses impactos ambientais revelam o processo de degradação ambiental, que se refere ”à destruição e à ruptura do equilíbrio de ecossistemas naturais”, sendo entendida como a ruína da qualidade de vida de uma coletividade na esteira dos impactos negativos sobre o ambiente – tanto o “ambiente natural” quanto o ‘ambiente construído’ – por fenômenos ligados à dinâmica e à ‘lógica’ do modelo civilizatório e do modo de produção capitalistas” (p. 91).
Segundo Mambrini (2005), a ocupação da Barra da Tijuca não seguiu plenamente o Plano original de Lúcio Costa, pois as lagoas, os mangues e as restingas deram lugar a um agressivo uso da terra. Por exemplo, as empresas privadas – interessadas em aproveitar ao máximo o solo para construção e sua transformação em lucro – aumentaram as disputas no entorno das Lagoas da Tijuca; o poder público foi inoperante na fiscalização; foram aprovadas obras que causaram impactos ambientais negativos; ocupações impróprias e irregulares, etc.
O fato é que a Barra da Tijuca se desenvolveu às custas da especulação imobiliária, da concentração fundiária e da degradação ambiental (em uma área mais propícia aos jacarés). 
Uma elevação de 1 metro no nível do mar vai provocar o desaparecimento da praia nos momentos de maré alta e vai gerar graves problemas de inundação e enchentes nas partes mais baixas do bairro. Ressacas e inundações já são comuns no Rio de Janeiro conforme mostram os vídeos abaixo.
Mas um aumento de cerca de 2 metros pode se tornar uma calamidade e inviabilizar as atividades econômicas na região. Dezenas de milhares de pessoas podem ter que ser deslocadas e o prejuízo material e patrimonial poderá ultrapassar mais de uma centena de bilhões de reais.
Toda a cidade do Rio de Janeiro seria afetada por este processo. Se o aquecimento global não for interrompido e se o consequente aumento do nível dos oceanos não for abrandado, então pode ser o começo do fim da viabilidade econômica da Barra da Tijuca e arredores.





Referências:


Gabriela da Costa Silva. (In)Sustentabilidade ambiental na ocupação urbana da Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro, Revista de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo, n. 5, 2007

Maria Luiza Furtado de Mendonça e Luiz Roberto Arueira da Silva. Áreas da cidade passíveis de alagamento pela elevação do nível do mar, IPP, Setembro – 2008


Mambrini, Natalia P. Evolução ambiental na Barra da Tijuca: o sistema de espaços livres no entorno da Lagoa da Tijuca. UFRJ, FAU, Rio de Janeiro, Março de 2005


Dieter Muehe; Paulo C. C. Rosman. A orla costeira da Região Metropolitana do Rio De Janeiro: impactos das mudanças climáticas sobre o meio físico. Megacidades, Vulnerabilidades e Mudanças Climáticas: Região Metropolitana do Rio de Janeiro, CST/INPE e NEPO/UNICAMP, 2011


Megacidades, Vulnerabilidades e Mudanças Climáticas: Região Metropolitana do Rio de Janeiro, CST/INPE e NEPO/UNICAMP, 2011




Orrin H. Pilkey Jr J. Andrew G. Cooper. The Last Beach. Duke University, 2014
Justin Gilles. Flooding of coast caused by global warming has already begun. NYT, 03/09/16
Scientists’ warnings that the rise of the sea would eventually imperil the United States’ coastline are no longer theoretical.

G1. Chuva muito forte faz Rio entrar em estágio de crise, 12/03/2016

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/03/chuva-muito-forte-faz-rio-entrar-em-estagio-de-crise.html

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/03/chuva-deixa-rio-em-estagio-de-atencao2.html

Enchentes no Rio de Janeiro, Bom Dia Brasil, 06/04/2010

https://www.youtube.com/watch?v=MLajeiRxMcI

Enchente na Barra da tijuca – ilha da Gigóia, 2010

https://www.youtube.com/watch?v=uQ0XZgrEgIk

Ressaca na Praia da Barra da Tijuca- RJ, 2012


https://www.youtube.com/watch?v=LAKy4OkD0Jk




José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Fonte: EcoDebate

Corredor verde de mais de 7 mil km pode salvar África da desertificação

quarta-feira, 5 de outubro de 2016


A ideia é criar uma enorme faixa verde entre os dois grandes desertos africanos, o Sahel e o Sahara.





O continente africano é uma das regiões mais áridas do mundo. A perda das florestas e a desertificação constante na África tornam a maior parte do solo de diversos países improdutivas, prejudicando diretamente a população local. No entanto, um projeto chamado de “Great Green Wall” (Grande Barreira Verde) pode mudar esta situação.



A iniciativa, que faz parte de um esforço entre os países que formam a União Africana, começou em 2007 e os primeiros resultados já podem ser vistos e colhidos. A ideia é criar uma enorme faixa verde entre os dois grandes desertos africanos, o Sahel e o Sahara. A previsão é de que o projeto consiga plantar árvores em uma faixa que percorre mais de sete mil quilômetros, percorrendo praticamente o continente de ponta a ponta.


Conforme o site oficial do Great Green Wall, são mais de 20 países envolvidos no projeto. Até o momento, 15% do plantio planejado já foi finalizado. Apenas no Senegal, por exemplo, o projeto já soma mais de 11 milhões de novas árvores e 15 milhões de hectares já foram recuperados na Etiópia. A ideia é que a barreira verde seja finalizada em 2030.




Mesmo ainda tendo muitos anos pela frente, o projeto já começa a ter resultados. O plantio inclui diversas espécies, inclusive com árvores frutíferas, que devem servir como fonte de alimento às populações locais. Essa diversidade na flora também atrai a diversidade de animais, colaborando para o resgate de todo o ecossistema.Veja o vídeo:


O projeto pode ajudar a retirar da atmosfera mais de 250 milhões de toneladas de gás carbônico, ao mesmo tempo em que gera empregos e combate diretamente a desertificação, recuperando o solo e os recursos hídricos, impactando diretamente a população local.


Fonte: Ciclo Vivo