quinta-feira, 15 de junho de 2017

Jovem que inventou sistema para tirar plásticos do oceano está prestes a lançar seu produto

segunda-feira, 12 de junho de 2017


A estimativa do jovem é de coletar cerca de 50% da “Grande Porção de Lixo do Pacífico” em apenas cinco anos.


Em 2013, o CicloVivo contou a história de um holandês de apenas 19 anos que havia desenvolvido um sistema inovador para limpar os lixos plásticos do oceano. Quatro anos se passaram e agora o garoto já prevê o lançamento de seu equipamento no mercado em 2018.


Boyan Slat era apenas um estudante quando realizou uma viagem de mergulho na Grécia. Na época, ele ficou surpreso com a quantidade de resíduos encontrados no mundo subaquático e uma vez de volta à terra decidiu que precisava fazer algo para ajudar a resolver o problema.


Segundo o desenho apresentado por Slat inicialmente, a máquina tem a aparência de uma arraia e é equipada com pás gigantes que ajudam a aglomerar todo o resíduo. Depois de centralizar todo o material, ele é direcionado às plataformas que separam os plânctons, filtram o lixo e armazenam o plástico para a reciclagem.


Para viabilizar seu projeto ele conseguiu arrecadar 320 milhões de dólares. A estimativa do jovem é que o sistema colete cerca de 50% da “Grande Porção de Lixo do Pacífico” (uma ilha de lixo localizada no oceano Pacífico) em apenas cinco anos. Anteriormente, o cálculo era de que o equipamento levaria mais de dez anos para coletar 42%.


A promessa de maior velocidade para retirar o lixo deve-se a uma inovação de design aplicada nos últimos anos. Ao invés de todas as bombas do equipamento irem até as profundezas do oceano, elas ficam suspensas na água, mas anexadas com âncoras. Tais âncoras podem flutuar mais facilmente seguindo o fluxo da água, pois a mesma força que moverá o plástico também moverá o sistema de limpeza. Ou seja, as âncoras vão atrás do plástico como imãs.


Cientistas estimam que apenas na ilha de lixo do Pacífico haja trilhões de peças plásticas flutuando. A preocupação de Slat é recolher todo esse lixo antes que cada pecinha se transforme em microplásticos impossíveis de serem capturados. “Isso é o que mais me assusta. Devemos desarmar esta bomba relógio logo”, afirma.


De acordo com as pesquisas de sua equipe, por enquanto “apenas” três por cento dos plásticos ali são microplásticos – a maioria ainda é grande o suficiente para serem retiradas com o sistema. Seguindo as medições de seu grupo e programas computadorizados, o holândes está confiante de poder capturar toneladas de plástico anualmente até que todo o mar esteja limpo.




Fonte: Ciclo Vivo

Chapada Diamantina: a caixa d’água da Bahia vai secar! por Cristiane Passos

sexta-feira, 9 de junho de 2017


Conhecida por ser uma das principais atrações turísticas do Brasil, por conta de suas belezas naturais, o mundo desconhece a importância que a Chapada Diamantina tem no fornecimento de água para o estado da Bahia, e para o equilíbrio da rede hidrográfica brasileira.




(Cristiane Passos – CPT Nacional)



Refém dos interesses comerciais de grandes produtores rurais, abandonada e maltratada pelo poder público, a Chapada está secando e seus rios estão morrendo. Comunidades ao longo da Chapada já sofrem com a escassez de água, conflitos que podem se tornar mais violentos estão se intensificando na região e a capital soteropolitana também vai sofrer com a falta d’água.



Em Utinga, os índios Payayás já perceberam há uns anos o tamanho do problema e começaram um trabalho de conscientização, articulação política e ação. Hoje, Otto Payayá, avalia que a ação é a única ferramenta que ele ainda crê. “Do governo a gente tá cansado. A gente junta a comunidade e vamos limpar o rio, plantar na beirada dele, fazer algo prático, recuperar a vegetação para que a água volte a correr”, afirmou.



A descrença de Otto não é à toa, além do abandono relegado pelo estado à região, quando ele enfim age, o faz sem planejamento e acaba por piorar a situação. O rio Utinga nasce na comunidade de Cabeceira do Rio, distante cerca de oito quilômetros da sede do município de Utinga. Ele é responsável pelo abastecimento de água das cidades de Utinga, Wagner, Lajedinho e Andaraí. Em 1977 foi construída uma barragem na cabeceira da nascente do rio Utinga, literalmente em cima da nascente e de seus fervedouros – nascentes de rios subterrâneos. E para piorar ainda mais, a retirada da mata ciliar na área da barragem provocou o desbarrancamento, o que tem assoreado o rio. O indígena relatou que recentemente conseguiu levar ao local o engenheiro responsável pela obra da barragem e que ele se emocionou ao ver o tamanho do erro que cometeram.



O rio Utinga é apenas um dos vários rios que compõem a bacia do Paraguaçu, responsável pelo abastecimento de várias cidades da região e da capital baiana, Salvador. Assim como o Jacuípe, que abastece, por exemplo, o distrito do município de Piritiba, França. No distrito, a Embasa (Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A.) joga no próprio rio os rejeitos da estação de tratamento. Além dos rejeitos, uso de agrotóxicos por produtores locais e plantações em área de preservação permanente têm poluído e assoreado o rio, cuja vazão tem diminuído a olhos vistos.



Seguindo o exemplo dos payayás, assentamentos da região têm se organizado para reflorestar as margens dos rios e assim tentar retomar a riqueza de águas da região. É o caso do assentamento São Sebastião, no município de Wagner, que após ver o rio Utinga quase secando, fez mutirões para plantação de mudas nativas nas margens do rio e para a limpeza do local. Os assentados descrevem com tristeza terem testemunhado o rio secar e os peixes morrerem. Mesmo com as ações, em fevereiro deste ano os assentamentos ficaram sem água. Na cidade de Wagner aconteceu o mesmo.



Sem a presença do poder público, grandes produtores, também impactados pela falta d’água, destilam acusações contra os assentados e pequenos produtores, acusando-os de serem os responsáveis pela escassez de água. Porém, são os grandes produtores que multiplicam bombas para alimentar sistemas de irrigação de suas produções, ao longo do rio. Segundo os produtores, nos últimos 10 anos houve um aumento do plantio irrigado de culturas, que absorvem um grande volume de água, saindo de aproximadamente 200 hectares para mais de 1.000 hectares. Isso é equivalente a mais de 1,6 milhão de plantas, que para manter sua produtividade necessita de 40 litros de água por dia para cada planta[1]. Sem controle, plano de manejo ou fiscalização, boa parte dessas bombas para irrigação não possui sequer outorga de uso do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia)[2].



Conflitos pela água: a violência iminente



A comunidade do povoado de São José, próximo a Lençóis (BA), ficou 120 dias sem água. Toda sua produção foi perdida. Endividados, pois conseguiram a terra em que vivem através do crédito fundiário e não pela reforma agrária, chegaram a passar fome. Em fevereiro desse ano, quando chegaram ao limite, bloquearam os dois sentidos da BR-242, na altura do km-308.





Segundo relato das famílias, policiais militares da CIPA (Companhia Independente de Policiamento Ambiental) dispararam contra os manifestantes. Ninguém ficou ferido. A polícia teria, segundo eles, levado duas pessoas presas e, no trajeto até a delegacia, os próprios policiais teriam quebrado o vidro da janela da viatura e colocado a culpa em um dos manifestantes, que ficou preso por dois dias sob acusação de vandalismo. Ele foi solto somente após o pagamento de fiança no valor de R$ 2.800,00.



Líderes da comunidade têm sofrido constantes ameaças por conta de sua atuação e denúncias feitas. As ameaças, conforme relataram, partem tanto de fazendeiros da região, quanto da polícia. Fazendeiros disseram também a eles que “se virassem” com caminhões pipa ou que “criassem camelos, que não bebem água”. “Quando é da natureza você tem que concordar. Mas a minha sensação é que não era da natureza essa falta d’água, era somente por que tem gente que se acha melhor do que a gente”, desabafou uma das moradoras da comunidade. Temerosos com o rio baixando novamente, os moradores declararam que vai haver mais embate, pois não irão aguentar novamente a falta d’água, quietos.




Bacia do Paraguaçu
A bacia hidrográfica do Paraguaçu é uma das mais importantes para o estado da Bahia, sendo fundamental para o abastecimento de água da região metropolitana de Salvador. Mais de três milhões de pessoas dependem das águas deste rio, cuja bacia se estende por mais de 55 mil km², abrangendo 86 municípios e 10% do território do estado.





O Paraguaçu tem suas nascentes em áreas de Caatinga, Campos de Altitude e encraves de Mata Atlântica na Chapada Diamantina. Das nascentes até a foz, na Baía de Todos os Santos, o rio percorre 600 km, cruzando uma região com alta diversidade social, cultural e ecológica. Tamanha importância torna ainda mais preocupante o atual estado de degradação ambiental da bacia[3].





Além da sua importância no fornecimento de água e no equilíbrio da biodiversidade local, a região possui grande potencial turístico e econômico, mas nem mesmo isso tem livrado a Chapada da degradação. Um de seus cartões postais, a Cachoeira da Fumaça, localizada entre os municípios de Lençóis e Palmeiras, que possui 340 metros de altura e é a segunda maior cachoeira do Brasil, também enfrenta problemas com o desequilíbrio das águas na região. Segundo moradores da região, têm aumentado os momentos no ano em que a cachoeira seca. O Poço Azul, outra atração turística, atraente por sua gruta com águas cristalinas que ficam mais azuis com a entrada de feixes de luz do sol, está cercado de plantações irrigadas e que utilizam agrotóxicos.





De acordo com Rogério Mucugê, da Conservação Internacional e coordenador do projeto “Semeando Águas no Paraguaçu”, todos esses fatores já citados, como poluição, retirada indiscriminada de água, ausência do Estado e de políticas públicas que garantam a conservação do ecossistema local, são agravados ainda pelas constantes queimadas. “A maioria dessas queimadas são criminosas”, afirmou ele. Além disso, espaços de reivindicação da sociedade civil para a resolução de problemas como esses, estão dominados pelos representantes de grandes empreendimentos rurais. O Comitê da Bacia Hidrográfica do Paraguaçu é um deles. Apesar da ideia de composição diversificada e democrática dos Comitês, a população em geral e as entidades de preservação ambiental são sempre voto vencido nas decisões sobre a Bacia.





Como disse o senhor Ramiro de Souza, do Assentamento São Sebastião, “dizem na televisão que o agro é tudo, mas não é, a água é tudo. Ninguém vive sem água”. Comungando dessa ideia e preocupada com a situação na região, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Ruy Barbosa (BA) dará início a uma campanha de conscientização sobre a necessidade de ações imediatas de preservação das águas da Chapada Diamantina. Articulada com as comunidades locais e organizações de defesa do meio ambiente, ela espera visibilizar a situação crítica das águas da Chapada e, assim, mobilizar a sociedade para salvar esse patrimônio natural, bem como o mais fundamental de nossos recursos naturais, a água.





Fonte: EcoDebate

Projeto para otimizar produção de peixes representa o Brasil em ‘Copa do Mundo’ da tecnologia

terça-feira, 13 de junho de 2017


Um projeto que promete otimizar a produção de peixes e camarões desenvolvido por três universitários irá representar o Brasil na etapa global da Imagine Cup – a ‘Copa do Mundo’ da tecnologia. A técnica, desenvolvida por três estudantes, dois deles de Campinas (SP), gera uma economia no custo operacional dos criadouros de até 30%.

 
“Vimos que é um dos mercados de proteína que mais cresce no mundo, isso porque ele tem a vantagem de usar bem menos espaço produtivo, emite menos gás carbônico e usa até menos água”, conta o estudante da Unicamp Alfredo Cavalcante Neto.
 
Promovida pela Microsoft, a competição tem o objetivo de transformar projetos acadêmicos em startups de sucesso. O ‘UpFish’ foi escolhido entre 199 projetos do país e, juntamente com o BubuDigital, desenvolvido na Paraíba, concorrerá com outros 58 projetos do mundo todo ao prêmio de U$ 100 mil e mentoria exclusiva com o CEO da Microsoft, Satya Nadella. A etapa mundial acontece em julho, em Seattle (EUA).
 
O sistema foi uma parceria entre os estudantes de engenharia de controle e automação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Alfredo Cavalcante Neto e Carlos Eduardo Milani, e o graduando em neurociência da Universidade Federal do ABC (UFABC) Elton Soares.
 
Em desenvolvimento há quatro meses, o principal objetivo do UpFish é monitorar a produção de pescados a fim de ampliar a oferta mundial de alimentos e fortalecer o mercado interno.
 
A ideia de trabalhar com a aquicultura surgiu da experiência de Soares no exterior, onde visitou a primeira fazenda urbana orgânica de camarões, em Nova York (EUA). Voltando ao Brasil, conheceu o zootecnista e diretor da Associação Brasileira de Criadores de Organismos Aquáticos (Abracoa), que deu os primeiros direcionamentos ao grupo.
 
“Vimos aí uma oportunidade bacana. Só que, como tudo, ele tem as suas dificuldades. Então, criar o ambiente ideal de cultivo pra esses peixes, esses camarões, é uma tarefa difícil”, completa o aluno da Unicamp Cavalcante Neto.
 
O grupo desenvolveu uma solução integrada que funciona em três etapas: um dispositivo (hardware) é instalado no tanque de produção dos peixes, onde sensores captam dados sobre a qualidade da água, que são enviados para um software em uma “nuvem”. Com base nessas informações, são desenvolvidas soluções para corrigir eventuais necessidades da água e otimizar o processo de produção.
 
“Como o sistema atua melhorando essa água, ele acaba melhorando também todo o metabolismo do peixe num geral. Então, isso acaba interferindo em como o peixe está absorvendo a comida. E essa técnica acaba gerando uma economia no custo operacional, uma taxa de 15% a 30%”, pontua Cavalcante Neto.
 
Para a equipe, que está confiante com a próxima etapa, participar da Imagine Cup é uma grande responsabilidade não só por representar o Brasil, mas também por representar o mercado da aquicultura, que segundo Cavalcante Neto, ainda carece de tecnologias específicas para a área.
 
“A gente surge pra quebrar essas barreiras, nossa missão é empoderar o produtor rural através da nossa tecnologia”, observa o universitário. 
 
Fonte: G1

Elefante-marinho volta ao mar após 139 dias de tratamento

Por Sabrina Rodrigues
O elefante-marinho Fred em direção ao mar. Foto: Instituto Baleia Jubarte
O elefante-marinho Fred em direção ao mar. Foto: Instituto Baleia Jubarte

Na segunda-feira (12), o elefante-marinho conhecido como Fred voltou ao mar depois de passar 139 dias de tratamento. Uma equipe composta por biólogos, pesquisadores, veterinários e instituições trabalharam durante todos esses dias para que o retorno do animal ao seu habitat natural fosse possível.
A história de recuperação de Fred começou no dia 25 de janeiro deste ano, quando o animal foi resgatado em uma praia no litoral norte do Espírito Santo. O elefante-marinho estava muito magro e com a saúde debilitada.
Durante quase cinco meses, Fred foi tratado por biólogos e veterinários, mantido em uma base do Projeto de Monitoramento de Praias da Petrobras. O elefante-marinho recebeu medicamentos, ingeriu entre 20 e 30 kg de peixe por dia, até que finalmente se recuperou e recebeu alta para poder ser solto.
Agora no mar, caso Fred seja visto em alguma praia, ele poderá ser identificado pelos pesquisadores por apresentar brincos com numeração nas nadadeiras posteriores e um chip sob sua pele, instalados pelo Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA). Além disso, Fred está com uma antena instalada, que permite o seu acompanhamento via satélite.

Fred sendo preparado para ser devolvido para o mar. Foto: Instituto Baleia Jubarte
Fred sendo preparado para ser devolvido ao mar. Foto: Instituto Baleia Jubarte.

Pesquisador instalando transmissor no elefante-marinho Fred. Foto: Instituto Baleia Jubarte
Pesquisador instalando transmissor no elefante-marinho Fred. Foto: Instituto Baleia Jubarte.

Hidrelétricas em série causarão colapso ecológico na Amazônia, diz estudo

Por Claudio Angelo, do Observatório do Clima
Rio Tapajós, onde o governo tem planos por enquanto suspensos de instalar uma nova mega-hidrelétrica. Foto: Fábio Nascimento/Greenpeace.
Rio Tapajós, onde o governo tem planos por enquanto suspensos de instalar uma nova mega-hidrelétrica. Foto: Fábio Nascimento/Greenpeace.
Num momento em que grupos tentam enfraquecer o licenciamento ambiental no Brasil, um estudo internacional acende uma luz amarela sobre as hidrelétricas da Amazônia. Seus autores apontam que as mais de 500 barragens construídas ou planejadas para a região poderão causar, se implementadas, nada menos do que o colapso ecológico de bacias inteiras da maior floresta tropical do mundo.
Entre as principais vítimas potenciais estão a região do rio Marañon, no Peru, do Madeira, na Bolívia e no Brasil, e do Tapajós, onde um polêmico complexo de sete grandes hidrelétricas pode voltar à mesa. Nessas bacias, o pulso natural dos rios, que entre outras coisas mantém a alta biodiversidade da região, seria alterado. Sem ele, até mesmo a evolução das espécies amazônicas poderá ser afetada.
Os impactos agregados poderão prejudicar até mesmo o transporte de sedimentos do rio Amazonas, que todos os anos lança 500 milhões de toneladas de nutrientes trazidos desde sua nascente nos Andes e os despeja no Oceano Atlântico, ajudando a equilibrar o clima local e a fertilizar ecossistemas tão distantes quanto os manguezais do Pará e a costa da Guiana.
Para evitar uma potencial catástrofe, o grupo de 16 pesquisadores propõe aos países da bacia amazônica colocar um freio de arrumação à expansão das hidrelétricas e discutir uns com os outros um protocolo conjunto de manejo de rios.
“Até hoje as hidrelétricas têm sido aprovadas projeto por projeto, mas nunca se pensou no impacto acumulado na larga escala”, disse ao OC o geólogo Edgardo Latrubesse, um argentino que divide seu tempo entre a Universidade do Texas em Austin e a Universidade Tecnológica Nanyang, em Cingapura – com paradas eventuais para orientar alunos na Unesp de Rio Claro. Ele é autor principal do novo estudo, publicado nesta quarta-feira (14) no site do periódico científico Nature.
O grupo liderado por Latrubesse é formado por biólogos, ecólogos, geólogos e hidrólogos do Brasil, da Alemanha, dos Estados Unidos e do Reino Unido. Alguns deles participaram dos estudos de impacto ambiental de hidrelétricas como Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, e Belo Monte, no rio Xingu.
Ele analisou 19 sub-bacias da Bacia Amazônica e compuseram um índice de vulnerabilidade de cada uma, levando em conta fatores como a integridade ambiental, a propensão a erosão, a influência dos sedimentos na dinâmica natural dos rios e o impacto potencial de hidrelétricas em cada sub-bacia.
Em toda a Amazônia, as sub-bacias menos vulneráveis são as do Negro, do Javari e do Jutaí, no Amazonas – em grande parte protegidas por terras indígenas e longe do olho gordo da Eletronorte. As mais vulneráveis são as do Madeira – o quarto maior rio do mundo, responsável por 50% dos sedimentos transportados pelo Amazonas para o oceano –, do Tapajós e do Marañon.
Lama primordial
No caso do Madeira e do Marañon, um dos efeitos deletérios do grande número de usinas é algo que à primeira vista pareceria uma boa coisa: elas tendem a deixar a água barrenta dos rios amazônicos mais clarinha.
Na realidade, isso é um desastre para a floresta. Num sentido nada figurado, a lama transportada do Marañon e do Madeira para o Solimões e o Amazonas é grande parte da receita do que torna a Amazônia o que ela é.
“A lama tem um papel fundamental”, diz Latrubesse. No período das cheias, ela deposita nutrientes nas planícies aluviais, o que mantém a biodiversidade. Os sedimentos também têm um papel na constante mudança de curso dos rios, criando meandros abandonados, lagos e ilhas ao longo dos anos. É nesses ambientes de populações de animais e plantas isoladas pelo rio que surgem novas espécies.
“As pessoas tendem a pensar no rio como um mero canal de água, mas na verdade ele é uma coisa viva”, diz o cientista argentino. “Se você corta os sedimentos, corta a diversidade dos ecossistemas”.
“As pessoas tendem a pensar no rio como um mero canal de água, mas na verdade ele é uma coisa viva”, diz o cientista argentino. “Se você corta os sedimentos, corta a diversidade dos ecossistemas.”
Foi exatamente isso o que aconteceu no rio Paraná, no oeste paulista, que se transformou numa cascata de hidrelétricas, e no rio Yangtzé, na China, que abriga a maior hidrelétrica do mundo, a de Três Gargantas. O rio perdeu 70% de seu transporte de sedimentos, numa tragédia ambiental que os chineses agora buscam reverter.
Licenciamento
O artigo propõe que os nove países da América do Sul que dividem a bacia amazônica desenvolvam um sistema multinacional de avaliação de projetos de hidrelétricas, que leve em conta impactos que vão além da área de influência de cada empreendimento.
A própria necessidade de novas usinas deve ser repensada, segundo os autores: eles não falam em Lava Jato, mas lembram que o custo dessas obras é na maioria dos casos pelo menos duas vezes maior do que a previsão inicial. E afirmam que, devido à crise econômica que reduziu a demanda por energia no Brasil, há espaço para essa reavaliação – e, eventualmente, para preencher a demanda com fontes renováveis, que se expandem rapidamente no mundo e despencam de preço.
O sistema político brasileiro, porém, caminha neste momento no sentido oposto: vários projetos em discussão no Congresso buscam flexibilizar, enfraquecer ou simplesmente extinguir o licenciamento ambiental, facilitando a instalação de hidrelétricas na Amazônia.
Um único projeto de lei de licenciamento, que o Ministério do Meio Ambiente vem há um ano tentando emplacar no Congresso, busca estabelecer algo que dialoga com as recomendações dos cientistas: ele cria a figura da avaliação ambiental estratégica, na qual o impacto de políticas públicas sobre uma região é analisado antes que se decida fazer empreendimentos ali. “O foco passa a ser de desenvolvimento regional, caminhando para empreendimentos que, no conjunto, são mais viáveis do ponto de vista socioambiental”, disse a presidente do Ibama, Suely Araújo. Uma das principais defensoras da avaliação ambiental estratégica, Araújo arquivou, em 2016, o licenciamento da megausina de São Luiz do Tapajós. O Ministério de Minas e Energia, porém, resiste a dar a obra como morta.
O projeto do MMA concorre com outro, da bancada ruralista e da indústria, que visa tirar qualquer critério de rigor no licenciamento baseado na geografia (ou seja, empreendimentos na Amazônia teriam, a priori, maior rigor na análise) e deixar que Estados e municípios definam tudo.
Mas há outras propostas circulando no Parlamento. Uma delas, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR), quer criar um licenciamento “a jato” para grandes obras. Outra, do senador cassado Delcídio do Amaral (PT-MS), recém-aprovada numa comissão do Senado, busca criar um licenciamento especial e mais expedito só para hidrelétricas. Uma terceira, do senador Acir Gurgacz (PDT-RO), vai além: quer emendar a Constituição para extinguir o licenciamento ambiental. Ponto.
“No planejamento das hidrelétricas na Amazônia, usamos a mesma localização das obras proposta pelo regime militar”, disse Latrubesse. “Não se trata de ser contra ou a favor de hidrelétricas. O problema é que a maneira como foi feito foi grotesca.”
OC procurou a Empresa de Planejamento Energético, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, para comentar o estudo. Não obteve resposta até o fechamento deste texto.
Republicado do Observatório do Clima através de parceria de conteúdo.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Quanto vale um parque? Estudo mostra o valor positivo das unidades de conservação


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Na véspera do Dia dos Parques Nacionais, comemorado nesta quarta-feira (14/06), um estudo realizado pela 
Fundação Grupo Boticárioajuda a lembrar a importância – e o valor – dessas unidades de conservação. A pesquisa mediu os benefícios sociais e econômicos gerados por cinco parques no Paraná ao longo do último ano. O resultado comprovou, em números, quão valiosas são essas áreas protegidas: elas geram mais de R$80 milhões por ano ao estado.
Os parques usados no estudo foram: Parque Natural Municipal Barigui (PR), em Curitiba, que soma R$ 43 milhões em benefícios por ano; oParque Estadual das Lauráceas (PR), entre Tunas do Paraná e Adrianópolis (R$ 18,7 milhões); Parque Estadual de Vila Velha (PR), em Ponta Grossa (R$ 13 milhões); Parque Estadual Pico do Marumbi (PR), em Morretes, Piraquara e Quatro Barras (R$ 4,4 milhões); e Parque Estadual do Cerrado (PR), em Jaguariaíva (R$ 679 mil).
Os dados mostram que a importância das unidades transborda a esfera ambiental e significa benefícios também para economia brasileira. A diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes, reforça que esse valor é ainda maior do que os números levantados pela pesquisa: “Embora amplo, o estudo não abarcou todos os benefícios possíveis, nem considerou o valor da biodiversidade em si, ou seja, certamente esses parques valem muito mais que isso, mas esses números servem de referência e como ponto de partida para complementar o discurso a favor da conservação da natureza”.
Um dos aspectos considerados pelo estudo foi o retorno de gastos médios de cada visitante ao consumir no comércio local. No parque Barigui, por exemplo, que recebe aproximadamente nove milhões de visitantes por ano, esse retorno chega a R$37 milhões anuais. No Parque Estadual Vila Velha, com uma visitação média de 63 mil pessoas, o valor corresponde a R$9 milhões. De acordo com o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Luiz Tarcísio Mossato, uma das instituições parceiras da pesquisa, “o estudo comprova, em números, que as UCs impactam de maneira positiva no desenvolvimento de cada uma das regiões do estado”.
O Parque Municipal Barigui rende mais de 40 milhões de reais por ano. Foto: Íris Ferrarini/Acervo Fundação Boticário
O Parque Municipal Barigui rende mais de 40 milhões de reais por ano. Foto: Íris Ferrarini/Acervo Fundação Boticário

Outro fator abordado foi que o dinheiro gerado pelos parques compensa os investimentos necessários para sua manutenção. No caso do Barigui, para cada um real investido pelo governo, o parque retorna R$12,50. Lauráceas retorna R$ 75; Vila Velha, R$ 7,7; Marumbi, R$ 7,10; e Cerrado, R$ 2,06.
Como conclusão das informações levantadas, Malu ressalva que “É preciso que governo, setor privado e sociedade civil compreendam a relevância social e econômica dessas áreas, de forma a criar mais UCs e implementar de modo efetivo as existentes”. A consolidação da visitação nos parques, uma das premissas dessa categoria de unidade de conservação, também é essencial para garantir a geração de emprego e renda através das UCs.
Outro ponto positivo destacado são os benefícios fiscais que as unidades rendem aos seus respectivos municípios. Como por exemplo, o ICMS Ecológico, que no caso do município de Adrianópolis, que abriga o Parque Estadual das Lauráceas, equivale a um repasse de R$3 milhões ao ano – quase 3,5% do PIB municipal.
O estudo foi desenvolvido pela Fundação Grupo Boticário em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Curitiba (SMMA), com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMA) do Paraná e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP).



Trump quer reduzir monumento nacional criado por Obama

Por Sabrina Rodrigues
O Monumento Nacional Bears Ears protege as mais importantes paisagens dos Estados Unidos, algumas são sagradas para muitas tribos nativo-americanas. Foto: Bureau of Land Management/Flickr.
O Monumento Nacional Bears Ears protege as mais importantes paisagens dos Estados Unidos, algumas são sagradas para muitas tribos nativo-americanas. Foto: Bureau of Land Management/Flickr.
Após reduzir 31% do orçamento da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (Environmental Protection Agency, EPA, em inglês) e de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, a administração Trump se voltou agora contra as Áreas Protegidas. A vítima da vez é o Monumento Nacional Bears Ears, de Utah.
Em abril, Donald Trump ordenou a revisão de 27 monumentos nacionais declarados desde 1996, entre eles Bears Ears. O secretário do Interior, Ryan Zinke, recomendou ao presidente que o Monumento Nacional Bears Ears tenha o tamanho reduzido “para o menor tamanho possível” que seja compatível com a sua preservação. O tamanho exato dessa redução ainda não determinado. O governo abriu consulta públicasobre o monumento de Bears Ears, que funcionará até o próximo dia 10 de julho.
A revisão do tamanho da unidade de conservação, que possui uma área de 547,074 hectares, pôs o Monumento Nacional Bears Ears no centro das discussões entre Washington e os ambientalistas. Para Zinke, a área poderia ser explorada por atividades como mineração, pastagem, talha e caça.
Os ambientalistas afirmam que a decisão abre um precedente para reverter as proteções para áreas que atraem visitantes e preservar paisagens valiosas, além de recompensar indústrias poluentes que enxergam as terras públicas como fonte de lucro.
Ao declarar uma área como monumento nacional, as atividades de mineração e pastagem existentes podem continuar, mas as novas atividades foram proibidas.
Bear Ears
Em dezembro do ano passado, nos últimos dias de sua administração, Barack Obama declarou Bears Ears um monumento nacional. Obama se utilizou do direito ao Antiquities Act (Leis de Antiguidades), lei de 1906 que dá ao presidente autoridade para criar monumentos nacionais a fim de proteger importantes características naturais, culturais, históricas ou científicas. Bears Ears tem uma importância histórica e cultural para os índios da região.
Durante os oito anos do seu mandato, Obama protegeu 28 lugares importantes, seja do ponto de vista histórico ou natural. Até hoje, nenhum presidente reduziu ou desmantelou um monumento nacional.

Bolsa Verde apoiará proteção de espécies ameaçadas

Por Sabrina Rodrigues
Reserva Extrativista Chico Mendes, Acre. Foto: Nanda Melonio/Flickr.
Reserva Extrativista Chico Mendes, Acre. Foto: Nanda Melonio/Flickr.
As comunidades que usam as áreas onde vivem de forma sustentável ganharão um incentivo do governo. Na última sexta-feira (9), foi publicado no Diário Oficial da União, a Resolução do Ministério do Meio Ambiente (MMA) estabelecendo critérios sobre áreas rurais relevantes para a conservação de espécies ameaçadas de extinção que se enquadram no Programa de Apoio à Conservação Ambiental, o Programa Bolsa Verde.
Dessa forma, as famílias que se enquadram nos requisitos poderão receber um benefício de R$ 300,00 a cada três meses. Segundo o governo, com a medida, pretende-se expandir o papel do Bolsa Verde como um recurso importante para a preservação de espécies da fauna e da flora ameaçadas. O Programa Bolsa Verde foi implementado em 2011.
A inclusão das famílias devem obedecer os critérios estabelecidos na Lei  nº 12.512, de 14 de outubro de 2011 - Programa de Apoio à Conservação Ambiental, ou seja, estarem em situação de extrema pobreza, terem inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal e desenvolverem atividades de conservação nas áreas previstas.

Conferência Distrital do Meio Ambiente - IFB Brasília

Foto de Secretaria do Meio Ambiente - SEMA DF.

SET16

Conferência Distrital do Meio Ambiente - IFB Brasília

Público


Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
(...)


IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;


Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.


- Arts. 1º e 225 da Constituição da República Federativa do Brasil

Brasil ganha prêmio por projeto voltado a desastres naturais


Brasil ganha prêmio por projeto voltado a desastres naturais
Técnicos do Cemaden instalam dispositivo de previsão de risco geo-hidrológico dos chamados movimentos de massa - ou deslizamentos.[Imagem: Cemaden/Divulgação]

Sempre alerta
O Brasil recebeu o Certificado de Distinção do Prêmio Sasakawa, concedido a cada dois anos pelo Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) e pela Fundação Nippon, do Japão.

A premiação reconhece projetos que contribuam substancialmente para salvar vidas e reduzir a mortalidade por desastres.

O país foi premiado pelo Projeto de Fortalecimento da Estratégia Nacional de Gestão Integrada de Riscos em Desastres Naturais (Gides), desenvolvido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

A iniciativa, que é fruto de uma cooperação técnico-científica com o governo japonês, dá suporte à formulação de políticas e ao aperfeiçoamento do gerenciamento dos riscos de desastres naturais.

"Essa premiação representa o sucesso de um empreendimento para aprimorar o monitoramento e a gestão de risco de desastres naturais no Brasil, principalmente nas regiões onde há histórico de mortes e danos impactados pelas enxurradas e deslizamentos de terra", afirmou o coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Cemaden, José Marengo.

Monitoramento e alerta
Desde 2013, pesquisadores do Cemaden desenvolvem pesquisas em laboratório e em campo sobre o monitoramento e a forma de emissão de alertas para deslizamentos em morros e encostas.

O programa conta ainda com intercâmbios entre Brasil e Japão para aprimorar o desenvolvimento de sistemas de alerta antecipado de risco e planos de contingência junto às Defesas Civis. Atualmente projetos-pilotos são conduzidos nos municípios de Petrópolis e Nova Friburgo (RJ) e Blumenau (SC).

O trabalho do Cemaden resultou no desenvolvimento de novos protocolos operacionais e de sistemas para a emissão e transmissão de alertas, que passaram a ser aplicados no início deste ano, de forma experimental. A finalidade é implantar essas novas ações nos 958 municípios monitorados a partir de 2018.

Neurônios impedem queima de gordura quando fazemos dieta




Neurônios impedem queima de gordura quando fazemos dieta
Células-chave do cérebro agem como um gatilho para evitar queimar calorias quando o alimento é escasso.
[Imagem: Luke K. Burke et al. - 10.7554/eLife.22848]

Minando a estratégia
Neurocientistas acreditam ter uma explicação para o porquê de as dietas não serem uma maneira eficiente para perder peso: células-chave do cérebro agem como um gatilho para evitar queimar calorias quando o alimento é escasso.

"As estratégias de perda de peso são frequentemente ineficientes porque o corpo trabalha como um termostato e associa a quantidade de calorias que nós queimamos com a quantidade de calorias que nós comemos," explica a Dra. Clemence Blouet, da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

"Quando comemos menos, nosso corpo compensa e queima menos calorias, o que torna a perda de peso mais difícil. Nós sabemos que o cérebro deve regular esse termostato calórico, mas como ele ajusta a queima de calorias para a quantidade de alimentos que comemos vinha sendo um mistério," complementou.

Agora, a equipe identificou um mecanismo através do qual o corpo se adapta à baixa ingestão calórica e limita a perda de peso.


Neurônios AGRP
Os pesquisadores demonstraram que os neurônios AGRP são os principais atores no termostato calórico que regula o nosso peso, regulando quantas calorias queimamos - os AGRPs (neurônios neuropeptídeos relacionados ao gene agouti) já eram conhecidos por seu papel na regulação do apetite; quando ativados, eles nos fazem comer, mas quando totalmente inibidos eles podem levar a uma anorexia quase completa.


Os novos resultados indicam que, quando ativados, esses neurônios nos deixam com fome e nos levam a comer, mas quando não há comida disponível, eles agem para poupar energia, limitando o número de calorias que queimamos e, portanto, nossa perda de peso.
Assim que os alimentos se tornam disponíveis e começamos a comer, a ação dos neurônios AGRP é interrompida e nosso gasto de energia volta novamente aos níveis normais.


"Embora este mecanismo possa ter evoluído para nos ajudar a lidar com a fome, hoje em dia a maioria das pessoas só encontra tal situação quando elas estão deliberadamente fazendo dieta para perder peso. Nosso trabalho ajuda a explicar por que, para essas pessoas, a dieta durante um longo período tem pouco efeito. Nossos corpos compensam a redução de calorias," resumiu Blouet.


Os resultados foram publicados na revista científica eLife.

Receita universal: Meia hora de natureza por semana




Receita universal: Meia hora de natureza por semana
Se todo mundo visitasse a natureza meia hora por semana haveria 7% menos casos de depressão e 9% menos casos de hipertensão.

[Imagem: The University of Queensland]
 
Dose mínima de natureza
Pessoas que visitam parques e lugares naturais por 30 minutos ou mais a cada semana são muito menos propensas a ter pressão arterial elevada ou problemas de saúde mental do que aquelas que não costumam frequentar a natureza.

Os dados indicam que a frequência a locais que permitem proximidade com a natureza traz como benefícios a redução dos riscos de desenvolver doenças cardíacas, estresse, ansiedade e depressão.

A partir disso, a recomendação é clara: todas as pessoas precisam de uma "dose mínima de natureza".

"Se todo mundo visitasse seus parques locais durante meia hora a cada semana haveria 7% menos casos de depressão e 9% menos casos de pressão arterial elevada," disse a pesquisadora Danielle Shanahan, da Universidade de Queensland (Austrália).


Natureza e saúde
"Nós sabemos há muito tempo que visitar parques é bom para a nossa saúde, mas agora estamos começando a estabelecer exatamente quanto tempo precisamos passar nos parques para obter esses benefícios. Temos indícios específicos que precisamos fazer visitas regulares de pelo menos meia hora para garantir que obtenhamos esses benefícios," disse o professor Richard Fuller, orientador do estudo.

"Em especial nossas crianças se beneficiam com mais tempo ao ar livre. Crianças que crescem experimentando ambientes naturais podem se beneficiar em termos de desenvolvimento e, quando adultas, têm uma consciência ambiental maior do que aquelas que não têm o hábito [de visitar parques]," concluiu.


A pesquisa foi publicada na revista Nature Scientific Reports.

Sons da natureza relaxam ajustando cérebro e corpo




Sons da natureza relaxam ajustando cérebro e corpo
Curiosamente, a intensidade das alterações na atividade do sistema nervoso se mostrou dependente do estado basal de cada participante.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]
 
 
Sensações tranquilizadoras
O ruído suave de um riacho ou o som do vento nas árvores podem mudar fisicamente nossa mente e nossos sistemas corporais, ajudando-nos a relaxar.

Isto não é exatamente uma novidade, mas agora os cientistas estão se dedicando a descobrir como essas sensações tão sutis alteram nossa fisiologia.

"Todos estamos familiarizados com o sentimento de relaxamento e 'desligamento' que vem com uma caminhada no campo, e agora temos evidências do cérebro e do corpo que nos ajudam a entender esse efeito. Elas vieram de uma emocionante colaboração entre artistas e cientistas, que produziu resultados que podem ter um impacto no mundo real, particularmente para pessoas que estão enfrentando altos níveis de estresse," conta a professora Cassandra Gould van Praag, da Universidade de Sussex (Reino Unido).


Focos da atenção
A equipe documentou como ouvir sons naturais afeta os sistemas corporais que controlam o mecanismo "luta ou fugir" do cérebro e as partes do sistema nervoso autônomo responsáveis pela digestão e pelo repouso.


Para isso, os participantes ouviam sons de ambientes naturais e artificiais enquanto sua atividade cerebral era medida em um aparelho de ressonância magnética e a atividade do sistema nervoso autônomo era monitorada através de pequenas mudanças na frequência cardíaca. Também foram realizados testes cognitivos paralelos.

Os resultados mostraram que a atividade na rede de modo padrão do cérebro (uma coleção de áreas que ficam ativas quando estamos descansando) era diferente dependendo dos sons tocando em segundo plano.

Ao ouvir sons naturais, a conectividade cerebral refletia um foco de atenção dirigido para fora; ao ouvir sons artificiais, a conectividade cerebral refletia um foco de atenção direcionado para dentro, semelhante aos estados observados na ansiedade, no transtorno de estresse pós-traumático e na depressão.

Houve também um aumento na atividade do sistema nervoso digestivo (associada ao relaxamento do corpo) ao ouvir sons naturais em comparação com sons artificiais, e melhor desempenho em uma tarefa de monitoramento externo da atenção.
Estado de base
Curiosamente, a intensidade das alterações na atividade do sistema nervoso se mostrou dependente do estado basal de cada participante: Indivíduos que apresentavam maior estresse antes do início do experimento mostraram maior relaxamento corporal ao ouvir sons naturais, enquanto aqueles que já estavam mais relaxados apresentaram um ligeiro aumento no estresse ao ouvir os sons naturais em comparação com os sons artificiais.
Os resultados foram publicados na revista Nature Scientific Reports.

Alimentos são mais do que a soma dos seus nutrientes



Alimentos são mais do que a soma dos seus nutrientes
O alimento deve ser avaliado como um todo e a avaliação deve levar em conta outros alimentos consumidos ao mesmo tempo.
[Imagem: Tanja Kongerslev Thorning]
Nutrientes versus alimentos
Tradicionalmente, as pesquisas sobre as implicações e efeitos de um alimento para a saúde humana centram-se no conteúdo de nutrientes individuais desse alimento, tais como proteínas, gorduras, carboidratos etc.


No entanto, os efeitos de um alimento sobre a saúde não podem ser determinados com base nos nutrientes individuais que ele contém. O alimento não apenas deve ser avaliado como um todo, como a avaliação deve levar em conta outros alimentos consumidos ao mesmo tempo.


Esta é a conclusão de um painel de especialistas internacionais de epidemiologistas, médicos e cientistas de alimentos e nutrição, que se reuniram a convite das universidades de Copenhague (Dinamarca) e Reading (Reino Unido).


"Os pesquisadores tornaram-se mais habilidosos ao longo dos anos, e desenvolvemos mais métodos para explorar o que os nutrientes específicos significam para a digestão e a saúde. Mas, quando comemos, não consumimos nutrientes individuais. Nós comemos o alimento todo, seja sozinho ou junto com outros alimentos em uma refeição. Portanto, parece óbvio que devamos avaliar os produtos alimentares no contexto," disse a professora Tanja Kongerslev Thorning.


Consumimos alimentos e refeições - não nutrientes
A conclusão final da equipe é que a composição de um alimento pode alterar as propriedades dos nutrientes contidos nele de formas que não podem ser previstas com base em uma análise dos nutrientes individuais.


Por exemplo, os produtos lácteos, como o queijo, têm um efeito menor sobre o colesterol no sangue do que seria previsto com base apenas no seu teor de gordura saturada. Há interações entre os nutrientes do queijo que são significativas para o seu efeito global sobre a saúde. O mesmo é válido para o iogurte.


"Outro exemplo são as amêndoas, que contêm muita gordura, mas que liberam menos gordura do que o esperado durante a digestão mesmo quando são muito bem mastigadas. Os efeitos de um alimento sobre a saúde são provavelmente uma combinação da relação entre seus nutrientes, e também dos métodos utilizados no seu preparo ou na sua produção. Isto significa que alguns alimentos podem ser melhores para nós, ou menos saudáveis, do que se pensa atualmente," disse Tanja.


"Mais estudos são necessários, mas, em última análise, parece que algumas áreas da ciência da nutrição precisam ser repensadas. Não podemos nos concentrar em um nutriente sem olhar para a forma como ele é consumido e o que mais é comido ao mesmo tempo," complementou o professor Ian Givens.


Os resultados foram publicados na revista científica American Journal of Clinical Nutrition.

Cebolas vermelhas têm alta potência contra câncer




Cebolas vermelhas têm alta potência contra células de câncer
Aos poucos as cebolas passam a ser reconhecidas como pertencentes à classe dos chamados superalimentos.
[Imagem: University of Guelph]
Cebolas vermelhas
Na próxima vez que você estiver andando pelos corredores do varejão, pode ser uma boa pedida dar uma passada pelo balcão das cebolas vermelhas (ou roxas) - ao menos se você estiver interessado em meios naturais para evitar ou combater o câncer.

E a cor das cebolas é importante quanto à capacidade de matar as células do câncer, afirmam pesquisadores da Universidade de Guelph (Canadá), porque nem todas as cebolas são criadas iguais.

Suresh Neethirajan e Abdulmonem Murayyan estudaram cinco variedades de cebolas e descobriram que a variedade Anel de Rubi (Ruby Ring) está no topo da escala graças aos seus altos níveis de quercetina e antocianina.
Cebolas contra o câncer
O estudo envolveu colocar células de câncer de cólon em contato direto com a quercetina extraída de cinco diferentes variedades de cebolas.


"Nós descobrimos que as cebolas são excelentes para matar células cancerosas," disse Murayyan. "As cebolas ativam vias que induzem as células cancerosas a sofrer morte celular [apoptose]. Elas criam um ambiente desfavorável para as células cancerígenas e perturbam a comunicação entre as células cancerosas, o que inibe seu crescimento".
Um estudo anterior da equipe já havia demonstrado que cebolas são eficazes quando as células envolvidas são do câncer de mama.


"O próximo passo será testar os poderes do vegetal contra o câncer em testes em humanos", adiantou Murayyan. Isto será possível porque os pesquisadores desenvolveram uma nova técnica de extração dos flavonoides da cebola que elimina o uso de produtos químicos, tornando a quercetina encontrada nas cebolas mais adequada ao consumo.


No ano passado, a pesquisadora brasileira Daniela Lopes Leite, da Embrapa, constatou que o cultivar BRS Cascata possui a maior concentração de quercetina (316,63 mg kg-1) entre os tipos mais comuns de cebola consumidos no Brasil (Horticultura Brasileira 26: S6650-S6659).

Cebolas como superalimentos
As cebolas ainda não são largamente reconhecidas como pertencentes à classe dos "superalimentos", ainda que contenham uma das maiores concentrações dos agora tão afamados flavonoides.


O estudo revelou que a cebola vermelha não apenas tem altos níveis de quercetina, mas também grandes quantidades de antocianina, que enriquece as propriedades "limpantes" das próprias moléculas de quercetina.


"A antocianina é fundamental para dar cor às frutas e vegetais, então faz sentido que as cebolas vermelhas, que são de cor mais escura, tenham a maior potência na luta contra o câncer," disse Murayyan.