quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Fêmeas preferem gorilas que se dedicam aos filhotes, aponta estudo



Machos de espécie encontrada em Ruanda dedicam bastante tempo cuidando dos filhotes da comunidade, sendo eles de sua prole ou não. Os mais aplicados costumam ser mais escolhidos pelas fêmeas.

Por BBC

15/10/2018 10h15  Atualizado há 2 dias

 

Machos de espécie encontrada em Ruanda dedicam bastante tempo cuidando dos filhotes da comunidade, sendo eles de sua prole ou não — Foto: TIERRA SMILEY EVANS/UC DAVIS/BBC
Há um consenso no mundo científico de que, no mundo animal, o cuidado parental por parte de machos é raro entre mamíferos. Eles até podem se preocupar com alimentação ou mesmo, como é o caso dos leões, proteção - mas é um comportamento que já teriam mesmo se não houvesse filhotes no grupo.

Uma exceção que salta aos olhos dos pesquisadores é o caso dos gorilas. Estudos anteriores realizados com os da espécie montanhesa que vive em Ruanda, na África, já havia constatado que os machos dedicam bastante tempo em funções de cuidado com filhotes da comunidade, sendo eles seus filhos ou de outros.

Isto faz deles os únicos grandes símios em que machos desenvolvem fortes laços com os filhotes, conforme ressaltam autores de um estudo publicado nesta segunda-feira pela Universidade Northwestern, em Illinois, Estados Unidos.

O artigo, que está na mais recente edição do periódico Scientific Reports, procura entender os motivos deste comportamento.

E a resposta está no sexo - e na reprodução.
 Os gorilas machos que gastaram maiores porcentagens de seu tempo com filhotes - ainda que não os seus - tiveram maior prole — Foto: TERENCE FUH NEBA, WWF CENTRAL AFRICAN REPUBLIC/BBC
Os gorilas machos que gastaram maiores porcentagens de seu tempo com filhotes - ainda que não os seus - tiveram maior prole — Foto: TERENCE FUH NEBA, WWF CENTRAL AFRICAN REPUBLIC/BBC

O método
Conforme explicou à BBC News Brasil a antropóloga e psicóloga Stacy Rosenbaum, pesquisadora do Departamento de Antropologia da universidade e principal autora da pesquisa, os cientistas utilizaram 100 horas de observação do comportamento de um grupo de gorilas-da-montanha.

"Então, calculamos a porcentagem do tempo que cada macho passou cuidando, tratando, ensinando filhotes e descansando com eles", explica a pesquisadora.

Em seguida, esses dados foram analisados em comparação com o número total de descendentes que cada macho havia produzido em sua vida.

"(E a conclusão foi que) os gorilas machos que gastaram maiores porcentagens de seu tempo envolvidos em tais comportamentos geraram maior prole do que os outros, que se dedicaram menos", diz Rosenbaum, enfatizando que, para o estudo, ajustes de controle foram feitos para que o grau de dominância do membro do grupo, a idade e a longevidade não interferissem no resultado final da amostra.

Os dados mostram um cenário um pouco diferente do que o imaginário padrão sugere quando se pensa em um grupo de gorilas. Sai a ideia de que a reprodução, no grupo, é dominada por um macho-alfa. E entra o poder de escolha feminino.

Conforme ressalta o antropólogo Christopher Kuzawa, coautor do trabalho e professor do Instituto de Pesquisa Política da mesma universidade, uma interpretação provável é que "as fêmeas optam por se acasalar com machos com base nessas interações", ou seja, os machos que "passam muito tempo com grupos de filhotes, que cuidam e descansam com eles, são os que têm mais oportunidades reprodutivas".

Rosenbaum lembra que há muito tempo se sabe que os gorilas-das-montanhas competem entre si, dentro do grupo, para ter "acesso às fêmeas" e conseguirem boas "oportunidades de acasalamento".

"Mas esses novos dados sugerem uma estratégia mais diversificada", comenta. "Os machos que cuidam dos filhotes são muito mais bem-sucedidos."

O estudo dá algumas pistas de como foi que os comportamentos paternos podem ter evoluído — Foto: Alice C. Gray/BBC
O estudo dá algumas pistas de como foi que os comportamentos paternos podem ter evoluído — Foto: Alice C. Gray/BBC

De onde viemos
O estudo dá algumas pistas de como os comportamentos paternos podem ter evoluído, inclusive no caso dos seres humanos.

A antropóloga lembra que, tradicionalmente, os cientistas relacionam o cuidado parental masculino, de forma geral, a uma estrutura social específica - a monogamia -, "que ajudaria a garantir que os machos cuidassem de seus próprios filhos".

"Mas esta pesquisa (em que o comportamento foi observado entre animais não monogâmicos) sugere que há um caminho alternativo pelo qual a evolução pode ter gerado este comportamento, em situações de grupo em que os machos podem não saber quais filhotes são seus", comenta.
A ilação, portanto, é: será que não foi assim também entre os ancestrais humanos?

O próximo passo dos pesquisadores é analisar se há hormônios específicos que auxiliam este comportamento - e provoca essa relação de causa e consequência.

Estudos anteriores do qual o antropólogo Kuzawa fez parte mostraram que, em humanos, a testosterona diminui à medida que os homens se tornam pais. "E acredita-se que isto ajude a concentrar a atenção nas necessidades do recém-nascido", pontua.

No caso dos gorilas, os pesquisadores não sabem se algo semelhante ocorre.

Há dúvidas para ambos os cenários. Se os gorilas que estão envolvidos particularmente em interação infantil experimentam declínios de testosterona e isso impediria sua capacidade de competir com outros machos, o nível baixo do hormônio poderia funcionar como algum atrativo para as fêmeas?
Ou, como eles são bem-sucedidos na atividade sexual, no caso dos gorilas, altos níveis de testosterona e o comportamento de paternidade ativa não são excludentes?

Estas novas questões ainda precisam ser estudadas. Rosenbaum adianta que a ideia agora é justamente esta: caracterizar os perfis hormonais dos machos ao longo do tempo.
 Os cientistas acreditam que as fêmeas optam por se acasalar com machos com base nessas interações — Foto: TERENCE FUH NEBA, WWF CENTRAL AFRICAN REPUBLIC/BBC

Os cientistas acreditam que as fêmeas optam por se acasalar com machos com base nessas interações — Foto: TERENCE FUH NEBA, WWF CENTRAL AFRICAN REPUBLIC/BBC


Poder feminino
Se ainda não se sabe ao certo qual é o mecanismo biológico que norteia o comportamento dos gorilas machos, o que os cientistas já cravam com segurança é que, nas comunidades desses animais, o papel feminino é fundamental na hora de escolher quais genes serão passados adiante.


"Não sabemos ainda qual é o mecanismo que impulsiona tal correlação encontrada, mas a explicação mais plausível é que as fêmeas preferem machos que cuidam da prole", define Rosenbaum.
"Isso sugere que a escolha feminina pode ser um fator muito mais importante do que supúnhamos anteriormente na condução da trajetória evolutiva dos gorilas."


Ela enfatiza que, com base na pesquisa, pode-se dizer que as gorilas fêmeas "não são apenas observadoras passivas que acasalam com qualquer macho que vença as lutas".
"Elas têm preferências e as expressam. E suas escolhas têm importantes consequências evolutivas", diz.


E, enquanto estuda o mundo dos gorilas, a psicóloga não deixa de pensar nos seres humanos.


"Um dos mistérios da evolução humana é como foi que formas muito intensas de cuidados masculinos começaram, ainda entre nossos ancestrais já extintos. Nossa pesquisa sugere um caminho que a seleção natural pode ter tomado para obter formas rudimentares desse comportamento zeloso", aponta.

Aquecendo o coração com belas imagens!

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Wings of the Ocean – le rêve de dépolluer les océans devenu realité


Wings of the Ocean – le rêve de 
dépolluer les océans devenu realité

Jul 2, 2018

Wings Of the Ocean est née d’un rêve partagé par deux écologistes, jumelé avec un pari fou : celui de dépolluer les océans de son plastique, retirer les filets dérivants dits “fantômes” et offrir une plateforme de recherche pour les océanologues, pour n’en citer que les aspects essentiels. Le tout, sous la forme d’une École de voile autour du monde ! Nous avons interviewé Julien Wosnitza, créateur du projet qui, à 24 ans, a décidé de s’engager avec d’autres jeunes comme lui pour nettoyer les océans.


Wings of the Ocean

Pouvez-vous nous présenter le projet Wings of the Ocean?

Il s’agit d’un projet de dépollution des océans, couplé avec du transport à la voile et des études scientifiques. Le tout sous la forme d’une école de voile sur un magnifique 3 mâts de 47m de long.
Nous tâcherons d’effectuer des études scientifiques sur le plastique océanique tout en em retirant un maximum de l’eau. Surtout, nous permettons à n’importe qui de participer à l’aventure !


Dans ce voilier il y a 14 places pour l’équipage ainsi que l’équipe scientifique et 24 pour des aventuriers ; pouvez-vous nous expliquer la démarche?
Les éco-aventuriers participeront à l’aventure avec nous. Mais attention ! Ce n’est pas de la croisière type “Cocktail au soleil” ! Ici, on apprend la navigation, on tire des bords, on hisse les voiles, on aide les scientifiques, on retire tout le plastique qu’on trouve, bref, on participe à la vie du bateau !
Vous n’en sortirez pas reposés, mais vous aurez à coup sûr fait des rencontres exceptionnelles et aurez vécu une expérience de camaraderie à nulle autre pareille… Et puis, être à la barre d’un 3 mâts au soleil couchant, après une journée à dépolluer l’Atlantique… c’est pas beau ça?


Quelles méthodes et outils allez-vous utiliser pour dépolluer les océans?
Des filets, des plongeurs, un compacteur sur le navire, ramassages sur les plages en fonction de nos destinations… Nous sommes en pleine réflexion sur les méthodes à la fois de ramassage, mais aussi de recyclage, avec notamment des procédés comme la pyrolyse.


Quels vont être les recherches scientifiques, et dans quels buts?
L’impact des humains sur l’océan est encore très peu connu. Nous ferons des études scientifiques afin de mieux comprendre l’impact du plastique sur les océans ainsi que des sciences participatives comme de l’observation documentée de mammifères marins.


De quoi avez-vous besoin pour que cette mission se passe dans de bonnes conditions?
De gens motivés qui souhaitent venir à bord du Navire ! Là se trouve la clé de voûte de la réussite de notre projet : amener des gens à bord ! Nous cherchons également un ou plusieurs sponsors afin de pérenniser notre activité.


Pouvez-vous résumer en quelques points en quoi consiste l’expérience Wings of the Oceans?
1) Retirer du plastique et le recycler à terre
2) Retirer des filets dérivants des océans
3) Faire des études océanographiques
4) Faire du transport de marchandises à la voile
5) Apprendre la navigation
6) Voyager utile, sans émissions de CO2, dans des décors sublimes.

Qui veut venir avec nous ?



Libération – «Le réchauffement climatique a tendance à accentuer les précipitations intenses»–

Libération – «Le réchauffement climatique a tendance à accentuer les précipitations intenses»–

Pour le chercheur Philippe Drobinski, les épisodes de pluie violente comme les périodes de sécheresse devraient se multiplier dans le Bassin méditerranéen.

Philippe Drobinski, directeur de recherches au CNRS, à la tête du labo de météorologie dynamique, analyse l’origine des pluies torrentielles qui ont touché l’Aude et fait le lien entre réchauffement climatique et épisodes pluviométriques extrêmes.

Météorologiquement, à quoi correspondent ces pluies torrentielles ?

C’est un épisode méditerranéen, c’est–à–dire la rencontre d’une anomalie froide en altitude, d’une dépression plus ou moins localisée sur la péninsule Ibérique et d’un «flux de sud» assez fort sur la Méditerranée, qui alimente les orages. L’ensemble de ces conditions doivent être réunies pour que le phénomène se forme. Il peut donc avoir lieu sur tout l’arc méditerranéen, de l’Espagne à la Croatie, tant que des reliefs sont présents. La période, entre septembre et novembre environ, y est favorable.

L’épisode de ce week–end est–il lié à la tempête Leslie qui a balayé le Portugal ?

Il n’y a pas de lien direct. Ces épisodes n’ont pas besoin d’un cyclone pour se former. Par contre, la présence du cyclone réduit la capacité de prévision météo, surtout pour ces événements dont la localisation exacte est toujours délicate à établir.

Les épisodes méditerranéens deviennent–ils plus violents et plus fréquents ces dernières années ?
L’augmentation de la fréquence n’est pas avérée. Mais ces phénomènes deviennent plus violents. Une étude publiée il y a quelques années sur les maximums de précipitations dans les Cévennes montre une augmentation en intensité de 4 % à 5 % par décennie des précipitations extrêmes.

Comment expliquer cet accroissement ?

Le réchauffement climatique a tendance à accentuer les précipitations intenses. Plus l’atmosphère est chaude, plus elle peut contenir d’eau sous forme de vapeur et donc constituer de gros réservoirs d’eau, qui vont se libérer d’un coup au moment où la pluie va se former. La combinaison chaleur et humidité suffisante favorise les événements pluviométriques extrêmes.
Le Bassin méditerranéen risque–t–il d’être particulièrement touché par ce type de phénomènes météo violents à l’avenir ?

La région est une sorte d’amplificateur du réchauffement climatique : si la planète se réchauffe de deux degrés, le bassin méditerranéen risque de se réchauffer de trois ou quatre degrés. On observe déjà un accroissement des sécheresses et des périodes caniculaires. L’aridification touche l’ensemble du Bassin méditerranéen, que l’on soit sur la rive nord ou sud, les précipitations moyennes annuelles sont en baisse. A l’avenir, les périodes de sécheresse risquent d’être plus étendues. Quand un épisode méditerranéen aura lieu, il sera plus intense. 


A terme, ces épisodes de pluies intenses pourraient devenir la seule ressource en précipitation disponible sur la rive nord de la Méditerranée. Au sud, l’aridification étant plus forte, l’humidité ne sera pas suffisante pour que cela se produise.



O Globo – Bolsonaro quer usina na Amazônia; Haddad defende energia eólica


Equipe do candidato do PSL é a favor de hidrelétrica com reservatório. Campanha do PT adotaria modelo de Belo Monte

DANIELLE NOGUEIRA

Caso seja eleito, Jair Bolsonaro (PSL) pretende retomar estudos para construção de hidrelétricas na Amazônia. Se forem viáveis, elas serão construídas com grandes reservatórios. O argumento é que, apesar de alagarem mais a floresta, dão mais segurança ao sistema. Nos últimos anos, o país deu preferência às hidrelétricas a fio d"água, que não têm reservatório, como Belo Monte. Elas alagam menos, mas praticamente perdem sua capacidade de "estocar" energia para períodos de seca.

A expectativa do núcleo duro da campanha de Bolsonaro é que o país volte a crescer a taxas anuais de 3% a 4% ao ano, o que demandaria mais oferta de energia. Na avaliação do general Oswaldo Ferreira, conselheiro de Bolsonaro para a área de infraestrutura, o Brasil é um país privilegiado em termos de recursos hídricos e, por isso, não faz sentido desperdiçar esse potencial. Especialistas em energia apontam que entre 50% e 70% do potencial hídrico a ser explorado no país estão na Região Amazônica.

— Nossa sensação é que a resistência a Belo Monte foi tão grande quanto a uma usina com reservatório. Você abriu mão do reservatório, que traz segurança energética, para atender o pessoal do meio ambiente. E o pessoal do meio ambiente continuou com restrições. Se é assim, então, vamos fazer com reservatório — diz Paulo César Coutinho, coordenador do grupo de infraestrutura da campanha de Bolsonaro e braço direito de Ferreira.

De outro lado, integrantes da campanha dizem que devem tirar incentivos à geração de energia eólica e solar, embora o programa de governo dê destaque a essas fontes.

Indagado pelo GLOBO sobre projetos de hidrelétricas na Amazônia, o economista Ricardo Carneiro, coordenador de infraestrutura da campanha de Fernando Haddad (PT), diz que a hipótese não está descartada, e, caso sejam erguidas, serão afio d"água. Segundo ele, "o modelo já está consolidado". O candidato do PT avalia que a oferta adicional de energia virá prioritariamente da geração de energia eólica, solar e de biomassa.

QUESTÃO AMBIENTAL

Essas três fontes seriam incentivadas, com o objetivo de zerar as emissões de gases de efeito estufa da matriz elétrica brasileira até 2050. Os subsídios às energias solar e eólica também serão mantidos, "para consolidar essas fontes", diz Carneiro. A energia solar ainda representa apenas 0,8% do total da matriz. A eólica já responde por 7,9%, mais que o gás natural (7,5%). No entanto, a dependência brasileira em relação à energia hídrica é grande: 61% do total.

O tema das hidrelétricas na Amazônia é polêmico e está longe de ser um consenso entre especialistas do setor. Para Roberto Schaeffer, professor de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, o custo ambiental das hidrelétricas — com ou sem reservatórios — não compensa na região. Ele avalia que o fato de a Amazônia ser uma área plana faz com que a área alagada tenha que ser muito extensa para viabilizar queda d"água suficiente para gerar energia.

Além disso, diz, como os centros consumidores estão no Sudeste, trazer energia da Amazônia exigiria a construção de linhões de transmissão, com desmatamento nos corredores por onde passariam.

Para ele, o novo presidente deveria buscar ganhos de eficiência energética e expansão de fontes distribuídas, como painéis solares nos telhados, para elevar a oferta de energia.

— O que dita a política energética no mundo hoje é a questão ambiental, as mudanças climáticas — afirma Schaeffer, membro do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC) da ONU.

Já o Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) do Instituto de Economia da UFRJ recebeu bem os planos de retomada de hidrelétricas com reservatórios na Amazônia. Para Nivalde de Castro, coordenador do grupo, elas dão mais estabilidade ao sistema: — O reservatório é a maneira mais eficiente de mitigar o risco de instabilidade.

O Globo – Trump afirma que especialistas climáticos têm ‘agenda política’


KEVIN LAMARQUE/REUTERS

Apesar das evidências gritantes em todo o mundo, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a minimizar as mudanças climáticas. Em entrevista, ontem, ao programa “60 Minutes”, da CBS, ele sugeriu que o clima pode “mudar de volta” e acusou os cientistas climáticos de ter uma “agenda política”.

Por outro lado, o republicano reconheceu pela primeira vez que o aquecimento global não é um boato, mas disse que ainda duvida que ele seja provocado pela ação humana.

— Eu acho que alguma coisa está acontecendo. Algo está mudando e vai mudar de volta — afirmou Trump. — Eu não acho que (o aquecimento global) é um boato. Acho que provavelmente existe uma diferença, mas não sei se é causada pelo homem. Eu digo isso: não quero dar trilhões e trilhões de dólares. Não quero perder milhões e milhões de empregos.

Os comentários foram feitos dias após a Costa Leste do país ser atingida pelo Furacão Michael, o mais poderoso a afetar a Flórida, e o Leslie, o piorcicloneem76anosaatingir a Europa. Na semana passada, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas(IPCC,nasiglaeminglês) divulgou relatório alertando que o tempo para salvar o planeta de uma catástrofe climática está se esgotando.

Os cientistas afirmam, quase em consenso, que as emissões de gases–estufa pela ação humana estão provocando o desequilíbrio do planeta, com a elevação das temperaturas, alterações nos climas locais e aumento da frequência de extremos climáticos, como furacões, secas severas e inundações.

Questionado, Trump afirmou que “você teria que me mostrar os cientistas, porque eles têm uma agenda política muito grande”.

—Na semana passada tivemos mais um relatório mostrando os riscos que estamos correndo e o quão mais caro e doloroso será se demorarmos a agir. Se há uma agenda política é a do presidente Trump, os cientistas só estão fazendo o seu trabalho— criticou o coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima , Tasso Azevedo.

O governo Trump já anunciou que os EUA irão se retirar do Acordo de Paris, um pacto global para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. E internamente atua para reverter medidas adotadas por administrações anteriores para o controle da poluição e dificultar os trabalhos científicos sobre o tema.

Durante a campanha presidencial de 2016, ele afirmou que as mudanças climáticas eram um “boato” e, no ano passado, ironizou dizendo que os EUA poderiam “usar um pouco do velho e bom aquecimento global” para amenizar uma onda de frio.

Valor Econômico – País troca negociadores na área ambiental


Por Daniela Chiaretti | De São Paulo

Há uma mudança em curso no comando dos negociadores climáticos brasileiros.

O embaixador José Antonio Marcondes de Carvalho, que desde 2013 é subsecretário–geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia e chefe dos negociadores brasileiros nas conferências internacionais da ONU, foi nomeado embaixador do Brasil na Áustria.

O posto deve ser ocupado pelo embaixador Everton Vieira Vargas que já foi chefe da divisão de Meio Ambiente de 1998 a 2001.

Vargas é embaixador do Brasil junto à União Europeia, baseado em Bruxelas, desde 2016. Foi embaixador em Buenos Aires e Berlim e serviu em Tóquio e Bonn, e na missão do Brasil junto à ONU, em Nova York.

Em Brasília, foi subsecretário–geral, chefe de gabinete do secretário–geral das Relações Exteriores e diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais.

Sob sua gestão o Brasil poderá sediar a conferência do clima da ONU de 2019, a CoP 25. O Brasil apresentou sua candidatura em 2017 e a decisão agora depende do novo governo. O candidato à Presidência Jair Bolsonaro disse que, se vencer, tirará o Brasil do Acordo de Paris. Um evento desta magnitude e de R$ 400 milhões não pode, contudo, ocorrer em país com governo hostil à temática.

Foi sob o comando do embaixador Marcondes de Carvalho que o Brasil foi um dos protagonistas na construção do Acordo de Paris, em 2015. Ele havia sido embaixador na representação do Brasil junto à FAO e em Caracas. Advogado, entrou na carreira diplomática em 1975. Sua nomeação para a Áustria foi aprovada pelo Congresso em agosto. Gaúcho, como é conhecido no Itamaraty, deve chefiar os negociadores brasileiros na reunião de dezembro, na Polônia.