segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Bolsonaro não entendeu que sociedade 'não tolera' desmatar, diz ex-ministra.


Alex Tajra e Marcelo Freire
Do UOL, em São Paulo
10/12/2018 04h00

A decisão do Itamaraty de retirar a candidatura do Brasil para sediar a COP-25, no próximo ano --sobre a qual o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse ter tido participação--, ainda recebe críticas de diversos setores, tanto no exterior quanto no país.

Em conversa com o UOL durante a conferência "Brasil-China: Propostas para o Futuro", realizada pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), em São Paulo, no último dia 30, a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira falou sobre os desafios contra o desmatamento da Amazônia e para a produção de alimentos de baixo carbono. Ela também alertou para os potenciais prejuízos brasileiros em não sediar a cúpula climática.
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“Não existe esse fantasma do carbono, tem que contar isso para ele [Bolsonaro]”, diz a ex-ministra, aludindo à Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês), conjunto de metas voluntárias firmadas pelos países para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. “As pessoas criaram um fantasma, soltaram um elefante na sala, e isso não tem sentido”, critica Teixeira.
Suas palavras ecoam análises de ambientalistas e ONGs. Na COP-24, que vai até a próxima sexta-feira (14) em Katowice, na Polônia, um grupo de mil organizações se declarou contra a decisão. "Bolsonaro cancelou a oferta para sediar a COP-25 no próximo ano porque leu no WhatsApp que o Acordo de Paris é uma ameaça à soberania do Brasil", diz o texto lido na última quarta-feira (5) no evento.

Em outra ironia durante a conferência, o Brasil foi "homenageado" com o prêmio Fóssil do Dia, entregue pela organização Climate Action Network para os países que eles consideram atrasar as negociações sobre mudanças climáticas.

"O local de nascimento da convenção climática da ONU [durante a Rio 92], uma vez celebrada por seus avanços espetaculares na redução do desmatamento e mitigação do aquecimento global, tornou-se motivo de chacota dos negociadores em Katowice", afirmaram os organizadores da premiação.
"Corredor Triplo A"

Entre os motivos para a retirada da candidatura do Brasil como sede, Bolsonaro citou a falta de recursos e o que chama de "Corredor Triplo A".

“Está em jogo o 'Triplo A' nesse acordo. O que é o 'Triplo A'? É uma grande faixa que pega dos Andes, Amazônia e Atlântico, 136 milhões de hectares, ali, então, ao longo da calha dos rios Solimões e Amazonas, e que poderá fazer com que percamos a nossa soberania nessa área", disse Bolsonaro.

Mencionado diversas vezes pelo militar, o corredor, como já publicado pelo UOL e por outros veículos, não tem qualquer relação com o Acordo de Paris ou com a conferência do clima das Nações Unidas. Na realidade, o "Triplo A" nada mais é que uma proposta que nunca saiu do papel.

A ideia até ganhou força nos últimos anos, mas não foi adiante. Pouco antes da COP-23, realizada na Alemanha em 2017, países da América Latina tentaram se organizar para oferecer propostas concretas para o que seria um grande corredor de preservação ambiental. O Corredor Andes-Amazônia-Atlântico, ou Triplo A, envolveria a proteção de 309 áreas (957.649 km²) e 1.199 terras indígenas (1.223.997 km²).

Para a ex-ministra, que ocupou o cargo entre 2010 e 2016 e participou da adesão do Brasil ao Acordo de Paris, não há nenhuma menção do chamado "Corredor Triplo A" na NDC e no acordo, porque o “Brasil tem um programa de áreas protegidas na Amazônia, o programa mais ambicioso do mundo em termos de proteção ambiental”. “Nós temos 60 milhões de hectares de área protegida. Não precisamos fazer corredor para lugar nenhum, é dentro do nosso território, feito com parceria os governos estaduais. Não é mito, é política pública”, diz.

Além disso, segundo Teixeira, o futuro governo não tem compreensão de que sediar a cúpula do clima transcende as questões ambientais. “Do ponto de vista da COP e sobre a importância do Brasil na discussão das mudanças climáticas, existem vários lugares, como o setor produtivo, o setor privado e a sociedade, que não toleram o desmatamento na Amazônia. Isso tem que ser traduzido em compreensão política, e imagino que o governo eleito não tenha essa compreensão.”

Ela diz que o protagonismo do Brasil nos debates sobre alterações climáticas está diretamente relacionado ao papel do país na economia mundial, o que sofreu uma transformação considerável nas últimas décadas. Se há 40 anos o país importava alimentos, hoje ocupa o posto de segundo maior exportador dessas commodities no mundo, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).

“A agricultura brasileira se fez campeã e tem que ser orgulho de todos nós. Mas politicamente o Brasil precisa produzir alimentos com base na agricultura de baixo carbono. E nós estamos criando essas tecnologias. Isso não vem do capital internacional, ao contrário, vem da nossa capacidade de inovação tecnológica, de produzir mais com menos impacto ambiental, atendendo esses novos requisitos de mercado, em que sustentabilidade e baixo carbono influenciam na hora da compra”, argumenta a ex-ministra.

Brasil informal

Regulamentar o Código Florestal e implementar as diretrizes do Acordo de Paris, segundo a ex-ministra, que atualmente integra o Núcleo de Mudança do Clima, Meio Ambiente e Uso da Terra do Cebri, podem impulsionar o país economicamente e trazer parte da agricultura que vive na informalidade para o que ela chama de "compliance legal". “O país está desperdiçando uma chance de sair na frente com algo que é produzir mais alimentos, incrementar produtividade, sem provocar desmatamentos.”

“O Brasil tem chances de pegar isso de forma inteligente e separar a agricultura séria da agricultura que desmata. Porque, pelo que eu ouço de todas as lideranças do setor, e isso é sinal de amadurecimento político. Os agricultores não querem o desmatamento ilegal, e sim [querem] cumprir o Código Florestal. Isso foi dito até pelas pessoas de extrema-direita que estão ao lado do presidente eleito, não precisa criar nenhum fantasma”, diz Teixeira.

Mas o que perdemos ao deixar de sediar a COP? “O país deixa de compartilhar sua visão estratégica nos próximos 10 ou 20 anos, em termos de potencializar isso que só o Brasil tem. A NDC não é só dinheiro, é visão de desenvolvimento. Quais negócios que emergirão disso, quais desafios tecnológicos, quais novos modelos de negócios, startups? Isso é a implementação da NDC.”

Duas Alemanhas desmatadas
As discussões em torno das mudanças climáticas e a hipotética saída do Brasil do Acordo de Paris surgem em meio a uma desconfiança por parte dos ambientalistas de que as políticas de Bolsonaro podem piorar o desmatamento na floresta amazônica. Pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais) temem que a alta demanda por commodities como soja e carne acabem causando uma maior destruição dos biomas brasileiros, como a floresta amazônica e o cerrado.

Como exemplo, o instituto registrou, em 30 anos, um total de 783 mil km² desmatados de floresta amazônica, o que equivale a uma área duas vezes maior que o território da Alemanha. Em 2018, a taxa foi a mais alta da última década: 7.900 km², dos quais cerca de 95% correspondem a cortes ilegais.








Os métodos medievais utilizados pela Câmara Legislativa quando interesses obscuros estão em jogo.


Moção de Repúdio


A ADUNB e o Centro de Estudos Avançados multidisciplinares –CEAM- tornam público seu repúdio pela violência desferida de forma verbal e física aos professores da Universidade de Brasília dentro da Câmara Legislativa do Distrito Federal, no dia 26 de Novembro deste ano.

O ato vergonhoso de expulsar o Professor Frederico Flósculo dos recintos da CLDF e, de forma covarde e vil, permitir o espancamento de dois outros professores- Dr. José Wilson Correa Rosa e Dra. Mónica Veríssimo dos Santos-sendo um deles uma mulher, que apanhou até desfalecer- remetem a Camara Legislativa à época da inquisição, onde o conhecimento era um objeto a ser combatido a qualquer custo pelo obscurantismo da Igreja Católica.

Os três professores prestam enorme serviço à sociedade do Distrito Federal. Tanto na produção académica quanto no voluntariado. O Professor Frederico Flósculo é um incansável participante e colaborador junto à sociedade civil na formulação de diversos materiais referentes às questões urbanas no Distrito Federal.

O professor José Wilson coordenador do Núcleo GEOCIVITAS do CEAM acaba de apoiar a realização da 1ª Oficina de Arborização Urbana do Distrito Federal, coordenada pelo Conselho de Meio Ambiente do Distrito Federal.

No momento, o GEOCIVITAS lança um projecto cuja chamada é “PROCURA-SE UM CIDADÃO!”. A proposta é trabalhar com alunos universitários voluntários que queiram participar do projecto “Brasília, Património Cultural e Ambiental da Humanidade”. Esse trabalho tem apoio do Fórum das ONGS Ambientalistas do Distrito Federal.

As contribuições desses professores nos debates e audiências públicas dentro da CLDF, referentes ao Projeto de Lei sobre o Uso e Ocupação do Solo no Distrito Federal deveriam ter sido desejadas e valorizadas. Mas, o que se viu nesta semana foram momentos de regresso, desrespeito, revolta e tristeza para a comunidade universitária. Esperemos que os culpados por essa vergonha cometida contra docentes, a ciência e a democracia sejam punidos de forma exemplar.

Não se pode mais uma vez passar à sociedade do Distrito Federal a impressão de que a Câmara Legislativa não cumpre a sua função mais básica que é a de garantir segurança aos cidadãos de terem voz.

Contudo, isso não basta. Ela deve ser necessariamente ouvida, considerada e respeitada. E não cerceada, agredida e eliminada seja por policiais legislativos ou pela truculência de selvagens, travestidos de homens, que não tinham a mínima condição de estarem presentes no principal espaço de transformação democrática da sociedade brasiliense.

Ministério do Meio Ambiente: WWF-Brasil se posiciona sobre nova liderança

WWFMinistério do Meio Ambiente: WWF-Brasil se posiciona sobre nova liderança



09 Dezembro 2018   |  
Nota de posicionamento do WWF-Brasil sobre a indicação de Ricardo Salles para o Ministério do Meio Ambiente

Brasília, DF - O Ministério do Meio Ambiente é uma pasta estratégica para o Brasil avançar com urgência como um país que busca o desenvolvimento sustentável, onde justiça social e prosperidade econômica caminham lado a lado com o uso racional dos recursos naturais.


O WWF-Brasil reitera o papel imprescindível do Ministério do Meio Ambiente na redução do desmatamento no país.

Isso é fundamental para posicionar a agropecuária brasileira com tremendas vantagens competitivas no mercado internacional, tão importante para o setor. A destruição ilegal das nossas florestas na Amazônia e no Cerrado diminuem a competitividade dos produtos brasileiros diante de um mercado global que busca produtos livres de desmatamento. Além de também prejudicar o cumprimento dos compromissos que o Brasil assumiu no Acordo de Paris, de diminuição na emissão de gases de efeito estufa, e na Convenção sobre Diversidade Biológica.


“O Ministério do Meio Ambiente tem o papel de balancear as questões ambientais nas outras pastas do governo, zelando assim para que o Brasil tenha medidas necessárias para proteger de forma estratégica o nosso imenso patrimônio natural. É também essencial que o MMA tenha capacidade de dialogar com os diversos setores da sociedade, uma vez que o direito a um meio ambiente saudável se aplica a todos, desta e das futuras gerações.”

Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil

A maior parte do desmatamento na Amazônia continua sendo feita por atividades ilegais, que seguem impunes na justiça brasileira. Estamos destruindo o motivo de maior orgulho nacional. É fundamental que essas atividades sejam controladas com vigor, e aqueles que cometem crimes ambientais sejam punidos com rigor.

De acordo com o economista Pavan Sukhdev, presidente do Conselho do WWF Internacional, "o Brasil possui todas as condições necessárias para ser líder mundial em sustentabilidade e economia. As empresas já começaram a entender que a preservação dos recursos naturais é uma tendência global irreversível", afirmou em recente visita ao País.

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Garotos pescando no rio Iriri, na reserva extrativista Riozinho do Anfrísio, Altamira, Pará.
© © WWF-Brazil / Clóvis Miranda Enlarge
© WWF-Brasil / Luciano Candisani Enlarge
© WWF-Brasil Enlarge
© André Dib/WWF-Brasil Enlarge
Venda do óleo de copaíba é parte de uma estratégia mais ampla, de estimular o manejo florestal, o reflorestamento, o extrativismo e os sistemas agroflorestais no Sul do Amazonas
© WWF-Brasil/ Marcelo Cortez Enlarge

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WWFCOP 25 do Clima: WWF-Brasil se posiciona sobre a desistência do Brasil de sediar evento



28 Novembro 2018   |   0 Comments
 
 
São Paulo - O WWF-Brasil lamenta a notícia de que o Brasil desistiu de sediar a 25ª Conferência de Partes na Convenção de Clima da ONU. O país tem tido destaque nas negociações internacionais de clima, exercendo um importante papel na diplomacia rumo a uma maior redução de gases de efeito estufa.

A participação do Brasil é vital para atingir as metas mundiais, uma vez que nosso país é atualmente o 7º maior emissor de Gases de Efeito Estufa e a Amazônia tem um papel fundamental na regulação do clima mundial.

Neste momento de transição de governo, a decisão diverge do posicionamento anterior anunciado antes das eleições, demonstrando forte influência da equipe de transição. O Embaixador brasileiro no próximo governo, Ernesto Araújo, demonstrou ceticismo às mudanças climáticas e fez duras críticas ao processo internacional de negociação.

De acordo com o diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, a decisão de não realizar a COP no Brasil passa ao mundo um sinal de que o novo governo não enxerga como prioritária a agenda de combate às mudanças climáticas, o maior desafio que o planeta enfrenta.

Em um período marcado por desastres ambientais ao redor do globo, como secas gerando prejuízos na agricultura no Nordeste ao mesmo tempo em que inundações assolam cidades no Sudeste do Brasil, e os históricos incêndios da Califórnia, esperamos que esta decisão não implique em um menor protagonismo do Brasil no Acordo de Paris ou um menor compromisso com as já assumidas metas de redução das emissões brasileiras.

Com uma economia fortemente apoiada no uso de recursos naturais, minimizar os efeitos, e as medidas de enfrentamento às mudanças climáticas, poderá gerar sérias implicações a uma trajetória de desenvolvimento sustentável. A segurança climática do país e do planeta, assim como a qualidade das vidas de todos nós dependem disso.

Grafiteiros em ação pela Amazônia

WWFGrafiteiros em ação pela Amazônia



27 Novembro 2018   |   0 Comments
Por Frederico Brandão

Ação que utiliza a arte como forma de pedir reflexão e engajamento para a conservação da Amazônia tem movimentado o Beco do Batman, na Vila Madalena, em São Paulo. O espaço é referência para o graffiti paulistano há mais de 30 anos. E foi lá que três artistas de rua brasileiros registraram sua paixão pela Amazônia.

Binho Ribeiro, Rafa Mon e Sebá Tapajós (conheça abaixo o perfil de cada um), sob produção de Luan Cardoso, pintaram o graffiti na última semana. A obra tem chamado a atenção das pessoas que passam e param para admirá-la e fazer ‘selfies’. A pintura ficará exposta até fevereiro de 2019.



 A ação acontece no mesmo momento em que o governo federal divulgou, na última sexta (23/11), o maior aumento do desmatamento da Amazônia nos últimos dez anos. Registrado pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES), o desmatamento do bioma cresceu 13,7%, entre agosto de 2017 e julho de 2018, se comparado ao mesmo período do ano anterior. No total, foram suprimidos 7.900 km2 de floresta amazônica, o que equivale a mais de cinco vezes a área da cidade de São Paulo.

A ideia do graffiti surgiu em um diálogo entre WWF-Brasil e um grupo de artistas e influenciadores digitais, a partir do conceito “A Amazônia que inspira precisa respirar”, durante as celebrações do Dia da Amazônia (5/9) deste ano.

A pintura lembra a Amazônia em suas cores e formas, com destaque para a ilustração de um grande coração-árvore ao centro, que pulsa e bombeia vida para rios, florestas, espécies e comunidades.

“Como trazer a floresta e os rios para as grandes cidades, dentro e fora da própria Amazônia?  Todos nós, de alguma maneira, estamos conectados à Amazônia, nos inspiramos nela e dependemos dela.  Com a ação, queremos evidenciar a conexão entre as cidades e os ambientes naturais. Proteger a maior floresta tropical contínua e a maior bacia de água doce do mundo é proteger a vida; é também proteger a todos nós”, explica Gabriela Yamaguchi,  diretora de Engajamento do WWF-Brasil.

Para a artista Rafa Mon, participar da ação é trazer a floresta para a cidade, para o dia-a-dia, e entender que ela está presente em todos os momentos da vida das pessoas. “A Amazônia é esse lugar magnífico, fonte de vida, e que está desaparecendo aos poucos, a olhos nus e sem o menor pudor. Por que esse santuário sagrado nos parece algo mítico, intocável e eterno? O ambiente urbano nos cega e nos faz acreditar que a floresta jamais vai nos faltar, mas as estatísticas são alarmantes, e se não pararmos para olhar e cuidar dela, rapidamente ela vai desaparecer e as consequências serão drásticas”, avalia.

Sebá Tapajós inspira-se na Amazônia diariamente e reflete isso no graffiti.  “A ideia é mostrar que esse coração que pulsa cor e inspiração também clama por liberdade. E se conecta à biodiversidade de maneira generosa e farta, mas pedindo consciência, respeito e amor à Amazônia. A interação do homem deve ser integrada e amorosa, sem invadir ou deixar rastros que comprometam a vida e o futuro dessa potência tão significativa que é nossa”, comenta.

De acordo com Binho, é fundamental associar a arte com a defesa de causas importantes para a vida. “Como brasileiro, artista e morador do planeta Terra, me sinto honrado em fazer parte desse chamado para proteger a Amazônia. Todos precisamos de uma Amazônia com saúde. Precisamos preservar, ficar sempre de olho, chamando a atenção para o cuidado especial que esse lugar merece para o bem de todos”, afirma.

A pintura é acompanhada das hashtags #SomosAmazônia, #VivaAmazôniaViva e #WWFBrasil para que as pessoas possam se informar e entender de que forma podem contribuir com a conservação da Amazônia. Para mais informações, acesse: www.somosamazonia.wwf.org.br

Amazônia Viva

Estendendo-se por oito países e um território ultramarino na América do Sul (Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e a Guiana Francesa), o bioma Amazônia, em toda a sua imensidão e complexidade, é essencialmente uma única unidade ecológica, e provê um conjunto de bens e serviços ambientais às populações locais, aos países da região e ao mundo.

São mais de 40 mil espécies de plantas. Aproximadamente 2.500 espécies de peixes já foram descritas. No entanto, estima-se que a região possa ter mais de 6.000 espécies de peixes. Mas há muito a ser estudado e descoberto pela ciência.

Em 2017, relatório do WWF-Brasil e Instituto Mamirauá com atualização de novas espécies descobertas na Amazônia concluiu que a taxa de descobertas de novas espécies na Amazônia só tem crescido ao longo dos últimos anos. No entanto, a Amazônia ainda possui lacunas de conhecimento, muito por conta de sua extensão territorial e ausência de recursos para viabilizar pesquisas científicas. O relatório mostra ainda que muitas das descobertas foram feitas dentro de áreas protegidas e seu entorno – reforçando a importância das unidades de conservação, dos mosaicos de áreas protegidas e da necessidade de se fazer pesquisas dentro desses espaços.

Apesar de o Brasil ter avançado nas últimas décadas no monitoramento e no controle ao desmatamento, a supressão da floresta continua sendo a maior ameaça. Entre os anos de 2013 a 2017, o índice de desmatamento da região foi 38% maior que nos anos anteriores. Cerca de 71 milhões de hectares já foram perdidos – uma área equivalente às áreas dos estados de São, Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul somados.

“Valorizar a conservação da Amazônia é essencial para o bem-estar e a saúde das populações locais e de todo mundo, por meio de um caminho de desenvolvimento econômico, cultural e socioambiental mais responsável e justo, considerando a necessidade de manter o sistema ecológico equilibrado”, avalia Ricardo Mello, coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil.

Sobre os grafiteiros

Binho Ribeiro (@binho3m)
Faz graffiti desde 1984, primórdios do movimento da arte de rua no Brasil. Hoje é um dos mais reconhecidos street artists no país não apenas pelo trabalho consistente que nunca parou de fazer nas ruas, mas também pelo apurado trabalho em telas e curadoria de grandes projetos envolvendo a street art, como o Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo (MAAU), o primeiro museu aberto de arte urbana do mundo, e a Bienal Internacional Graffiti Fine Art, hoje a mais completa bienal de arte urbana do mundo. Mais informações: http://www.binhoribeiro.com.br/

Rafa Mon (@rafamon)
Natural de Monte Sião (MG), Rafa Mon desenvolve seu trabalho mais autoral desde 2014. Ao imprimir um estilo único e politizado, desenvolveu estampas para diversas empresas e projetos. Dentre os destaques estão um mural de 350m2 no Riocentro; a criação da estampa para a Campanha Outubro Rosa, em São Paulo. Recentemente produziu seu maior painel na carreira que tomou toda a fachada lateral de um prédio na orla de Botafogo, com 36 metros de altura. Uma sereia negra ganhou vida e cores para trazer da Baía de Guanabara uma súplica na forma de uma pomba branca da paz. Moradora do Rio de Janeiro, suas obras podem ser vistas em vários pontos da capital carioca.

Sebá Tapajós (@sebatapajos)
Filho do consagrado violonista Sebastião Tapajós, o artista é o idealizador do Street River, a primeira Galeria Fluvial do Mundo com reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O artista criou o projeto em 2015, quando pintou cinco casas de ribeirinhos moradores da Ilha do Combu. Por meio do projeto, Sebá carrega o legado de dar voz aos povos ribeirinhos e utiliza a arte como meio de transformação da realidade de comunidades tradicionais.  Segundo ele, o Street River Amazônia é um tratado de responsabilidade social com os povos ribeirinhos. Mais informações: http://institutostreetriver.eco.br/
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Moradores da floresta apresentam duas espécies de tamanduás da Amazônia

WWFMoradores da floresta apresentam duas espécies de tamanduás da Amazônia



23 Novembro 2018   |   0 Comments
Por Frederico Brandão
           
Será que você conhece duas das espécies de tamanduá da Amazônia? É com essa pergunta que começa o mais novo vídeo dos Moradores da Floresta, lançado hoje, 23 de novembro. O quarto episódio da série destaca o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), ambas espécies constam na lista global de animais ameaçados da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), e constam como ameaçadas ou extintas em lista locais no Brasil

Confira abaixo:

https://youtu.be/OjRAq-587-0 

De caráter educativo, os vídeos da série trazem informações sobre algumas das espécies mais marcantes e raras das florestas da Amazônia, a partir de imagens capturadas por armadilhas fotográficas, instaladas na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes (AC).

A divulgação do vídeo dos tamanduás coincide com a comemoração do Dia Mundial dos Tamanduás - #TamanduaDay (https://www.tamanduaday.org/), uma iniciativa do Instituto Jurumi e do Projeto Tamanduá Brasil, com apoio da IUCN/SSC Anteater, Sloth and Armadillo Specialist Group. A iniciativa já acontece há 5 anos e foi criada para sensibilizar a população sobre a importância e os desafios de se conservar a espécie.



Enquanto o tamanduá-bandeira come cupins e formigas, chegando a consumir até 30 mil por dia, o tamanduá-mirim, por ser um bom escalador, também se alimenta de colmeias e mel de abelhas. Além disso, para se alimentar, o tamanduá-bandeira utiliza sua longa língua, que pode chegar a 60 cm. Outra curiosidade é que para capturar seu alimento, os tamanduás usam o olfato para captar o odor das presas, mesmo que abaixo da superfície.

“Ambas espécies de tamanduá sofrem pressão devido a ocupação de extensas áreas do Brasil para agricultura em larga escala, e ao desmatamento que reduzem seus habitats naturais. Além disso, as queimadas, a caça predatória, e o atropelamento desses animais, também são fatores que colocam as espécies em risco”, explica Felipe Spina Avino, biólogo e analista de conservação do WWF-Brasil.

Segundo ele, esses fatores de pressão, associados a um longo período de gestação que normalmente resulta em único filhote, podem ter contribuído para declínio das populações de tamanduás ao longo dos últimos anos, em especial do tamanduá-bandeira. “Essa espécie originalmente, ocorria em todos os estados brasileiros, mas atualmente está em risco de extinção em todas as regiões do país. De maneira geral, na Amazônia ainda existem boa quantidade desses animais, mas em outras regiões do País, como na Mata Atlântica, a espécie é considerada praticamente extinta, e no Pampa possivelmente extinta. Não podemos descuidar e temos que buscar promover ações que ajudem para a preservação dos tamanduás no Brasil”, esclarece.

Moradores da Floresta

Ao todo, serão 10 vídeos, um a cada mês, que retratam os resultados de uma iniciativa que instalou 20 armadilhas fotográficas no interior da Resex. O trabalho inédito, feito em parceria com os comunitários da reserva extrativista, têm monitorado a fauna presente nas áreas de manejo florestal da unidade de conservação (UC).

O primeiro vídeo, divulgado em abril deste ano, mostrou o primeiro registro em florestas amazônicas da pacarana (Dinomys branickii), espécie rara e pouco conhecida da ciência. Em setembro, a anta, o maior mamífero da América do Sul, foi a espécie de destaque.

O trabalho é uma parceria entre WWF-Brasil, Cooperativa dos Produtores Florestais Comunitários (Cooperfloresta) e  Associação de Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes em Xapuri (Amoprex), com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do conselho gestor da Resex Chico Mendes.

Armadilhas

As armadilhas fotográficas são câmeras normais equipadas com melhorias tecnológicas e apropriadas para o ambiente selvagem. Elas ficam escondidas e amarradas em árvores, funcionando com sensores de luz. Toda vez que um animal passa pela frente do equipamento, a câmera dispara automaticamente e tira uma foto ou inicia uma gravação audiovisual.

Essas câmeras utilizam infravermelho gravando bem à noite sem necessitar de luz adicional, e não espantam ou agridem os animais. Por isso, elas vêm sendo cada vez mais adotadas por conservacionistas ao redor do globo.

Desde que foram instaladas na Resex Chico Mendes, em dezembro de 2017, as câmeras fizeram mais de 2 mil registros. A instalação aconteceu em oficinas que reuniram cerca de 20 extrativistas e quatro deles foram treinados para serem os “operadores locais” dos equipamentos.

Mais de 30 espécies diferentes de animais foram flagradas pelas câmeras, entre elas estão tatus (Dasypus sp.), veados (Mazama sp.), macacos-guariba (Alouatta seniculus), macacos-prego (Cebus apela), jaguatiricas (Leopardus pardalis), entre vários outros.

Sobre a Resex Chico Mendes

A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes foi criada em 1990 e possui mais de 970 mil hectares. Ela abrange sete municípios do Acre e cerca de 10 mil pessoas moram na reserva. A Resex é uma das 117 unidades de conservação apoiadas pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA).

CDB/COP 14: Espécies ameaçadas são tema de discussão

https://d1diae5goewto1.cloudfront.net/_skins/pandaorg3/img/logo.pngCDB/COP 14: Espécies ameaçadas são tema de discussão



26 Novembro 2018   |   
Por Mariana G. Menezes

O Brasil é reconhecido pela sua rica biodiversidade, o que potencializa a responsabilidade e o compromisso com a proteção de espécies e ecossistemas. No entanto, de acordo com a Lista Vermelha Nacional, o país já tem 1.173 espécies da fauna ameaçadas de extinção. Compreender o estado de conservação de cada espécie é fundamental para sua preservação.

O Mapa de Sítios da Aliança Brasileira para Extinção Zero traz os locais prioritários para conservação de espécies ameaçadas no Brasil, e foi apresentado ontem (25) na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB/COP 14).

A avaliação de 725 espécies de vertebrados e invertebrados com a classificação Em Perigo (EN) e Criticamente em Perigo (CR), segundo a Lista Vermelha Oficial de Fauna Brasileira, identificou 146 sítios prioritários para a conservação de espécies ameaçadas.

Dos sítios localizados no Mapa de Sítios da Aliança Brasileira para Extinção Zero, 25 se encontram em territórios de abrangência do Projeto Pró-Espécies, que prevê a elaboração de Planos de Ação Nacional (PANs). O mapa também apresenta uma listagem de espécies Criticamente em Perigo (CR) por grupo taxonômico, seu respectivo status de conservação e localização, como por exemplo, o peixe piatã (Hasemania piatan), a Cobra-de-duas-cabeças (Amphisbaena arda), o Muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), o Mico-leão-da-cara-preta (Leontophitecus caissara) e o Mutum-do-Sudeste (Crax blumenbachii), entre outras.

O Mapa de Sítios da Aliança Brasileira para Extinção Zero é resultado de uma avaliação realizada pela Estratégia Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas - Pró-Espécies, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com Fundação Biodiversitas, Aliança Brasileira para Extinção Zero (BAZE) e as organizações Birdlife International e American Bird Conservancy, com financiamento do Global Environment Facility (GEF).

A avaliação das espécies e áreas prioritárias é importante para planejar estratégias de conservação e alocação de recursos de investimento, assim como para definir diretrizes e criar políticas públicas para o combate à extinção de espécies no Brasil.


Crise Global

O planeta enfrenta uma crise global de extinção de espécies, cuja causa está fortemente ligada à supressão de vegetação natural, à superexploração dos recursos naturais e às mudanças climáticas, com até 200 espécies sendo perdidas por dia.

Existem diversos fatores para que uma espécie seja considerada criticamente ameaçada de extinção, entre eles estão a perda de habitat, redução de população e a ausência de um plano de conservação, por exemplo. O atual cenário de mudanças climáticas é outro agravante pois acelera o processo de extinção.

No Brasil, o projeto Pró-Espécies tem como objetivo adotar ações de prevenção, conservação, manejo e gestão para minimizar as ameaças e o risco de extinção de espécies integrando união, estados e municípios na implementação de políticas públicas em pelo menos 12 áreas-chave de 13 estados (MA, BA, PA, AM, TO, GO, SC, PR, RS, MG, SP, RJ e ES), que totalizam 9 milhões de hectares.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e órgãos estaduais de Meio Ambiente dos estados supracitados são parceiros do projeto.


Sobre a Aliança Brasileira para Extinção Zero (BAZE)

A Aliança Brasileira para Extinção Zero (BAZE) foi criada em 2006 e tem como objetivo a proteção dos últimos refúgios para espécies ameaçadas de extinção. A Aliança é inspirada na iniciativa global Alliance for Zero Extinction (AZE). A Portaria MMA nº 287, de 12 de julho de 2018, reconhece os Sítios da Aliança Brasileira para Extinção Zero, que também são reconhecidos pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

Sobre o Projeto Pró-Espécies

A Estratégia Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (Pró-Espécies – Todos contra a extinção) é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA), financiada pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF, da sigla em inglês para Global Environment Facility Trust Fund). É coordenada pelo Departamento de Conservação e Manejo de Espécies (DESP/MMA), e implementada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) sendo o WWF-Brasil a agência executora dos recursos. 

Índice de Vulnerabilidade aos Desastres Naturais relacionados às Secas no Contexto das Mudanças do Clima.




 
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IVDNS

Secas e estiagens representam a categoria de desastres naturais com maior registro de ocorrências no país, representando cerca de 70% dos municípios atingidos por algum desastre em 2013. Isso representou 12 milhões de pessoas afetadas pela seca nesse ano.

Foi com base nesses e em outros números, que o WWF-Brasil, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Integração lançam o estudo IVDNS – Índice de Vulnerabilidade aos Desastres Naturais relacionados às Secas no Contexto das Mudanças do Clima.

O material surgiu como uma resposta à lacuna de estudos sobre a vulnerabilidade do país a secas e estiagens no contexto da mudança do clima, visando contribuir para o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA), cuja discussão começou em 2013 e culminou no lançamento do PNA em 2016.

A presente publicação apresenta uma análise da vulnerabilidade do Brasil a secas a partir de uma visão integrada do desastre, tendo como ponto de partida um índice composto por variáveis e subíndices que fazem sua representação em três dimensões: i) climática; ii) socioeconômica; e iii) físico-ambiental. Todos estes índices estão em formato aberto e disponíveis para download, no menu ao lado.

Como resultado, foi feita a análise de vulnerabilidade a secas e estiagens para municípios em todo o território brasileiro, com projeções para três períodos: 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2099.

Além de uma análise mais detalhada para o período até 2040, o estudo traz uma metodologia inédita que permite a quantificação da vulnerabilidade - uma importante ferramenta que pode ser utilizada para contribuir com a gestão de risco a secas em escala local no contexto da mudança do clima. Com isso, será possível até mesmo contribuir para a elaboração ou revisão de iniciativas e políticas públicas relacionadas ao tema.