quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Folha de S. Paulo – Vítima de maus tratos, elefanta viaja 2.700 km para chegar a santuário em MT


Dom. 23/12/2018

Com passado circense, história de vida de Rana ainda é mistério; trajeto demorou três dias

Vinicius Lemos
CUIABÁ

Em uma caixa de aço de cinco toneladas, carregada por um caminhão, a elefanta Rana percorreu 2.700 km em pouco mais de três dias. A longa viagem teve como destino o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães (MT). É o início de uma nova vida para o animal, vítima de maus-tratos quando era mais jovem.

O santuário é um espaço destinado à conservação dos bichos. Fundado há dois anos, ele está localizado em uma antiga fazenda de gado, de 1.100 hectares —equivalente a sete parques Ibirapuera. No lugar, atualmente vivem as elefantas Maia e Guida, que também têm histórico de maus-tratos.

A história de Rana possui lacunas. A idade da elefanta, que pesa cerca de 3,5 toneladas, é estimada entre 43 e 64 anos. A principal versão sobre ela diz que o mamífero viajou pelo mundo com uma companhia circense e chegou ao Brasil em 1967. Quando a legislação proibiu o uso de animais em números circenses, foi abandonada.

Ela tem uma lesão na pata dianteira esquerda, possivelmente originada em um período em que sofreu maus-tratos.

Há algumas especulações sobre o passado do animal. Segundo a coordenação do santuário, indícios apontam que ela chegou a vagar sem rumo após ser abandonada. Outra versão diz que o mamífero viveu um período acorrentado em uma fazenda. Mas nada se sabe ao certo.

Nos últimos anos, Rana viveu no zoológico de um hotel fazenda, onde chegou após ser vendida por um circo. No último mês de novembro, os proprietários do estabelecimento decidiram doá-la ao santuário, para que o animal pudesse viver com mais liberdade.

“Agora ela terá a vida que sempre deveria ter tido, cercada por natureza e na companhia de outros elefantes”, afirmou Scott Blais, presidente do santuário.

Scott classifica Rana como um animal incrível. “Às vezes, ela parece distante, como se estivesse fugindo da própria realidade. Em outros momentos, seu olhar é bastante presente e brincalhão.”

Na manhã de terça-feira (18), ela deixou o hotel fazenda, nas proximidades de Aracaju (SE); na tarde de sexta (21), chegou ao destino.

Foram gastos R$ 108 mil no transporte. Metade do valor foi obtido com parceiros internacionais do SEB, que também atuam na preservação de elefantes. A outra parte chegou por meio de doações no Brasil, de empresas e pessoas físicas.

Os responsáveis pelo SEB dizem acreditar que Rana não terá problemas na nova moradia. "Ela receberá todo o suporte necessário para se adaptar da forma mais natural possível”, disse Daniel Moura, um dos diretores do santuário.

Ele afirmou que Maia e Guida devem receber bem a companheira. Elas passarão a dividir com Rana os 29 hectares destinados aos animais, nos quais há área médica, tanques de água, local para alimentação e área verde. “As duas são incríveis e tranquilas. Isso ajudará na recepção”, disse Moura.

Outros animais aguardam para ser levados ao santuário. Na fila, há uma família de três elefantes –pai, mãe e filha– da Argentina e um do Chile. A diretoria do SEB afirma que os trâmites para trazer animais de outros países são demorados e, por isso, ainda não há prazo para a chegada deles.

Valor Econômico – Caça de baleias no Japão


O Japão se retirará da Comissão Baleeira Internacional (IWC) para retomar a caça comercial de baleias. Segundo fontes do governo, a saída da IWC está prevista para 2019. O governo cogita retomar a caça em mares próximos ao país. O Japão argumenta que a maioria das espécies não está ameaçada e o animal faz parte de sua culinária.

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Valor Econômico – Nobel de Economia propõe 'clube do clima' / Artigo / Humberto Saccomandi


Por Humberto Saccomandi

A conferência do clima da ONU, a CoP 24, na Polônia, foi um sucesso, mas também reforçou a percepção crescente de que a estratégia de combate ao aquecimento global não está funcionando. Para William Nordhaus, Prêmio Nobel de Economia deste ano e especialista na questão climática, o arranjo atual tem dois problemas fundamentais: não precifica o carbono e não pune quem se omite. Ele sugere que essa punição ocorra por meio de uma tarifa sobre o comércio internacional.

A CoP 24 redigiu o chamado livro de regras do Acordo de Paris. No acordo, os países se comprometem a evitar que a temperatura no planeta suba mais de 2°C em relação ao período pré-industrial, tendo como objetivo 1,5°C. Para isso, cada país propôs uma série de medidas voluntárias para reduzir suas emissões de gases. O livro de regras permitirá padronizar medições, fiscalizar as medidas e a ajuda financeira prometida pelos países ricos, compartilhar experiências e tecnologia. Isso tudo é muito importante e foi assinado por todos os países.

Mas, se a negociação avançou, por que a percepção negativa do acordo? Porque está ficando evidente que: 1. os compromissos assumidos não bastam para conter o aquecimento no limite acertado; 2. muitos países não cumprirão seus compromissos.

Política climática efetiva precisa elevar o preço do carbono

Essa sensação de urgência foi explicitada nas últimas semanas pelo secretário-geral da ONU. António Guterres disse que o aquecimento global é a principal ameaça mundial, que mudanças climáticas estão acontecendo num ritmo mais rápido que o previsto, que o compromisso dos países deveria ser muito maior e que falta hoje liderança política para conduzir esse processo.

William Nordhaus ganhou o Nobel pelo seu trabalho com economia do clima e da inovação tecnológica. No seu discurso na entrega do prêmio, em 8 de dezembro, em Estocolmo, ele expôs os principais desafios econômicos do combate ao aquecimento e sugeriu modos de aperfeiçoar esse processo.

Para Nordhaus, o aquecimento é uma típica falha de mercado. O progresso econômico gerou as emissões de gases, que criaram uma externalidade, isto é, uma consequência não prevista, nesse caso negativa: o aquecimento global. Ou seja, há 150 anos a humanidade vem queimando combustíveis fósseis em escala grande e crescente sem precificar isso corretamente.

"O aquecimento global é (...) particularmente pernicioso porque envolve muitas atividades da vida cotidiana, afeta todo o planeta, vem ocorrendo há décadas, durará séculos, nos afeta a todos e nenhum de nós, mesmo agindo como indivíduo ético, pode fazer nada sozinho [para evitar]."

Segundo ele, a redução das emissões é a única estratégia tecnologicamente viável hoje, "realista e segura". "Realista, mas cara." Ele estima que a meta de conter o aquecimento em 2°C pode custar até 4% da nossa renda por um ou dois séculos. "Isso pode ser bom para a natureza, mas não é muito atraente para os eleitores."

"A economia aponta para uma verdade inconveniente das políticas de mudança climática: para serem efetivas, é preciso elevar o preço do carbono, do CO2, para corrigir a externalidade do mercado", disse Nordhaus. "Temos de fazer com que bilhões de pessoas, agora e no futuro, milhões de empresas, milhares de governos tomem medidas, se queremos ir na direção que decidimos. Isso só pode ser feito elevando o preço do carbono."

Mas colocar um preço no carbono é contraintuitivo politicamente. Os governos costumam querer o benefício imediato e postergar o custo para o futuro. É o que faz o Brasil quando se endivida para pagar salários e aposentadorias. No caso do aquecimento, é preciso agir de forma oposta: parte dos custos incide agora, mas os benefícios virão no futuro.

Assim, o problema de elevar o custo das emissões é que governo e cidadãos não gostam de pagar. Isso ficou claro na França, onde houve violentos protestos depois que o governo criou uma taxa de carbono sobre os combustíveis. Acuado, o presidente Emmanuel Macron teve de recuar.

Um dos motivos da irritação dos franceses é que a arrecadação ia para o Estado. O Canadá está adotando uma estratégia que talvez gere menos resistência. O país criou uma taxa de carbono de US$ 20 por tonelada de CO2 emitida (que subirá anualmente até US$ 50 em 2022). Isso elevará o preço de todos os combustíveis fósseis. Mas o governo devolverá 90% dessa receita às famílias (o restante vai para setores mais afetados, como escolas, hospitais, pequenas empresas etc). Muitas famílias receberão mais do que vão gastar com o custo extra de energia e combustíveis. Se elas reduzirem o seu consumo, o ganho será ainda maior. Isso premia quem consome pouco, estimula a redução do consumo e a inovação e evita a impressão de que o Estado quer só tirar mais dinheiro da sociedade.

Um governo pode obrigar seus cidadãos a pagar, mas países são soberanos. Não existem hoje mecanismos para obrigá-los a reduzir as suas emissões, nem para puni-los caso não o façam.

Já existem alguns mecanismos internacionais para elevar o preço das emissões, como o mercado de carbono da União Europeia. Mas eles são limitados, englobam apenas alguns setores e o preço ainda é muito baixo. Para Nordhaus, o custo global de emitir carbono ainda é quase zero. A CoP 24 discutiu a criação de um mercado de carbono global, mas ainda não há acordo.

Isso cria o que Nordhau chama de efeito carona ("free riding"), isto é, um país sai ganhando se não cumprir sua parte. O país não arca com o custo de reduzir suas emissões, porém é beneficiado pelo gasto dos demais países. No pior cenário, se muitos países buscarem essa carona no gasto alheio, o acordo não atinge seu objetivo e todos perdem. Ou seja, a estrutura do Acordo de Paris embute um estímulo negativo que prejudica o próprio acordo.

Para superar esse efeito carona, Nordhaus sugere a criação de um "clube do clima", de países que vão efetivamente gastar para descarbonizar suas economias, a partir de um preço acertado para o carbono. Quem optar por ficar fora seria punido com uma tarifa sobre os produtos que exporta para os países do clube. Quanto maior a tarifa, maior seria o estímulo para os países aderirem.

Alguns países europeus já aventaram relacionar a política climática ao comércio. Isso não parece provável no curto prazo, mas pode ser uma opção se as políticas atuais se mostrarem insuficientes. "Estamos longe de um clube do clima, mas devemos ver isso como um modelo para o futuro", disse Nordhaus.

Le Monde (França) – Les plastiques à usage unique interdits dans l’UE en 2021

MEIO AMBIENTE E ENERGIA


Le Monde (França) – Les plastiques à usage unique interdits dans l’UE en 2021


Un accord inédit a été conclu afin de limiter la pollution
Patricia Jolly

Alors que 25 millions de tonnes de déchets en plastique sont produites chaque année dans l’Union européenne (UE), dont un quart seulement est recyclé, le Parlement de Strasbourg et la présidence du Conseil européen ont conclu, mercredi 19 décembre, un accord provisoire inédit pour lutter contre la pollution environnementale liée aux plastiques. Assiettes, couverts, Coton-Tige, pailles, touillettes à boisson, tiges de ballons de baudruche, plastique oxodégradable, contenants alimentaires en polystyrène expansé… Comme annoncé, ces produits à usage unique – déjà interdits dans certains pays – seront bannis de l’UE début 2021 au plus tard. Mais le texte, qui devait être entériné, jeudi 20 décembre, par les ministres de l’environnement lors du Conseil environnement, contient d’autres avancées significatives.

Il renforce l’application du principe « pollueur-payeur » en introduisant notamment la « responsabilité élargie du producteur » (REP) pour les cigarettiers et les producteurs de matériel de pêche qui devront prendre en charge les coûts de la collecte des mégots et des filets abandonnés en mer. Il fixe, en outre, un objectif de collecte des bouteilles en plastique de 90 % des volumes d’ici à 2029, et un objectif de 25 % de contenu recyclé dans les bouteilles en plastique d’ici à 2025, et de 30 % d’ici à 2030. Il prévoit également un étiquetage obligatoire relatif à l’impact environnemental négatif pour les cigarettes à filtre plastique, les gobelets en plastique, les lingettes humides et autres articles hygiéniques.

« En poids, il y aura plus de plastique que de poissons dans les océans du monde d’ici 2050 si nous continuons à rejeter du plastique dans la mer au rythme actuel », a déclaré Elisabeth Köstinger, ministre autrichienne du développement durable dont le pays exerce actuellement la présidence tournante de l’UE.

L’affaire a été rondement menée. Fin mai 2018, la Commission européenne avait proposé un texte visant la réduire « drastiquement » la pollution liée aux plastiques qui contamine les espèces marines pour migrer dans la chaîne alimentaire humaine.

« Avancée significative »
Le 24 octobre, le projet de texte a été approuvé par le Parlement européen en session plénière à une large majorité et le trilogue – négociations entre le Parlement, le Conseil et la Commission – a débuté en novembre. L’accord doit encore recevoir l’assentiment officiel du Parlement de Strasbourg et du Conseil de l’UE, mais il devrait être adopté en mars 2019 pour une entrée en vigueur en 2021.

« La définition de l’usage unique au niveau européen est désormais plus précise, elle se renforce et les interdictions s’étendent aux contenants en polystyrène, s’est réjouit Laura Châtel, responsable de plaidoyer pour l’ONG environnementale Zero Waste France. Et l’introduction d’une REP pour l’industrie du tabac est capitale. »

Outre la protection des océans, la directive affiche d’autres ambitions environnementales et économiques. Selon l’eurodéputée belge rapporteure du dossier, Frédérique Ries (Groupe Alliance des démocrates et des libéraux pour l’Europe), son adoption permettra de « réduire la facture des dégâts environnementaux de 22 milliards d’euros, soit le coût estimé de la pollution aux plastiques en Europe d’ici 2030 », mais aussi « d’éviter l’émission de 3,4 millions de tonnes d’équivalent CO2 ».

Dans un communiqué, Rethink Plastic, une coalition d’ONG en faveur d’un avenir sans plastique, a qualifié le texte d’« avancée significative » tout en estimant qu’il ne répond « pas pleinement à l’urgence de la crise des plastiques ». « L’UE a le mérite d’être la première région à introduire de nouvelles lois visant à réduire la pollution par les plastiques à usage unique, a déclaré Meadhbh Bolger, de l’association Friends of the Earth Europe au nom de Rethink Plastic. Ce qui est moins louable, c’est que le lobby du plastique a réussi à retarder et à affaiblir son ambition. »

La coalition regrette ainsi qu’aucun objectif européen contraignant n’ait été fixé pour la réduction de la consommation des emballages alimentaires et des gobelets, et que l’entrée en vigueur de l’obligation de collecter 90 % des bouteilles en plastique – recommandée pour 2025 par la Commission européenne – ait été repoussée de quatre ans.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O que significa para o Brasil deixar de sediar a COP-25?


O que significa para o Brasil deixar de sediar a COP-25?

Participantes passam pelo logo da COP 21 - a Conferência do Clima das Nações Unidas - realizada em Paris há três anosImagem: Stephane Mahe/Reuters
Stephane Mahe/Reuters

Alex Tajra

Do UOL*, em São Paulo

28/11/2018 23h02

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou, nesta quarta-feira (28), que teve participação na decisão de não receber mais a COP-25, conferência do clima das Nações Unidas, no próximo ano. O evento seria palco das negociações para a implementação do Acordo de Paris, que versa sobre questões como desmatamento e redução da emissão de gases estufa.

Em comunicado oficial, o Itamaraty afirmou que “tendo em vista as atuais restrições fiscais e orçamentárias, que deverão permanecer no futuro próximo, e o processo de transição para a recém-eleita administração, a ser iniciada em 1º de janeiro de 2019, o governo brasileiro viu-se obrigado a retirar sua oferta de sediar a COP 25."

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A equipe de transição do governo, contudo, bateu cabeça nas explicações. O futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), chegou a afirmar que a decisão havia sido tomada estritamente pela diplomacia brasileira. O presidente eleito, no entanto, interpelou Lorenzoni no meio da entrevista e afirmou que "houve participação" dele na decisão.
Descrição: https://t.dynad.net/pc/?dc=5550001580;ord=1544463334692

"Houve participação minha nessa decisão. Ao nosso futuro ministro, recomendei que se evitasse a realização desse evento aqui no Brasil", disse Bolsonaro, em referência ao chanceler escolhido pela equipe de governo,Ernesto Araújo, que já se mostrou crítico do que chama de "alarmismo climático". Araújo já deixou claro em vários artigos publicados que é reticente em relação às teorias que endossam o aumento do aquecimento global.

Perda de liderança
Para o biólogo e coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil (Fundo Mundial para a Natureza), André Nahur, a sinalização de Bolsonaro é que o país não será mais líder nas questões ambientais, como tem se posicionado desde a realização da conferência Rio 92. O fato de o país ser o sétimo maior emissor de gases poluentes do mundo e, ao mesmo tempo, possuir uma rica reserva ambiental contribuíram para esse protagonismo.

"O Brasil se tornou um player importante nesse contexto, fomos uma das principais nações nas negociações sobre clima. Precisamos entender que o desenvolvimento do país passa, necessariamente, pelo respeito às nossas condições socioambientais", diz Nahur ao UOL.

Há também uma preocupação com a ingerência das mudanças climáticas em diversos setores do país. "O desmatamento, por exemplo, vai impactar diretamente no setor agropecuário do país. O setor de energia também vai ser afetado, já que as alterações no clima nos obrigam a utilizar fontes de energia renovável", explica.

Problemas econômicos
Para Nahur, entretanto, o principal revés dessa decisão do governo está na economia do país. "É uma grande ameaça para nossa economia, estamos perdendo visibilidade e deixando escapar várias oportunidades que poderiam ser fundamentais para o crescimento do país", argumenta.

O biólogo ainda cita alguns pontos imprescindíveis do desenvolvimento econômico que vão se perder com a decisão de não sediar a conferência do clima das Nações Unidas. Entre elas o fomento às empresas que se dedicam a energia renovável e a biomassa, que fica mais distante com a perda de protagonismo do Brasil nas negociações sobre o clima. 

Ao encontro da opinião de Nahur, um relatório produzido a pedido do Congresso dos Estados Unidos dimensionou os prejuízos que o país pode ter se continuar mantendo sua política em relação à exploração de combustíveis fósseis.

O documento mostra que centenas de bilhões de dólares são gastos por conta das políticas ambientais de Donald Trump e que, até o final do século, aproximadamente 10% do PIB dos EUA será comprometido em função das mudanças climáticas.

"A retirada da candidatura do Brasil para a COP-25 vai contra toda a narrativa do desenvolvimento econômico do país. Todos os cenários mostram que houve avanços no PIB dos países que se preocuparam com as mudanças climáticas, além da geração de empregos. Acima de tudo, essa discussão é sobre novos postos de trabalho e redução de gastos", diz Nahur.

Críticas
O WWF já havia se manifestado sobre a desistência do país de sediar a COP-25. "O país tem tido destaque nas negociações internacionais de clima, exercendo um importante papel na diplomacia rumo a uma maior redução de gases de efeito estufa. A participação do Brasil é vital para atingir as metas mundiais, uma vez que nosso país é atualmente o 7º maior emissor de Gases de Efeito Estufa."

Outras organizações, como o Observatório do Clima, também se posicionaram de forma crítica a retirada de candidatura do Brasil. “Com o abandono da liderança internacional nessa área, vão-se embora também oportunidades de negócios, investimentos e geração de empregos”, afirma a entidade.

O Greenpeace também criticou a decisão, afirmando que o "Brasil envergonha a agenda climática". A ONG lembrou que o Brasil havia chegado a um consenso na América Latina para ser a sede da COP-25, e que a missão do país de liderar a discussão sobre as mudanças climáticas foi fundamental para a conferência ser confirmada no Brasil.

"Voltar atrás na decisão de sediar a COP não é apenas uma perda de oportunidade de afirmar o Brasil como uma importante liderança na questão do clima. O gesto é uma clara demonstração da visão de política ambiental defendida pelo novo presidente, que revela ao mundo o que já havia dito aos brasileiros durante a campanha eleitoral; em seu governo, o meio ambiente não é bem-vindo", afirmou Fabiana Alves, porta-voz do Greenpeace Brasil.

* Com informações da Reuters

Amazônia brasileira abriga 453 garimpos ilegais, mostra estudo

Amazônia brasileira abriga 453 garimpos ilegais, mostra estudo

Em todo o bioma – que se espraia por nove países, em quase 7 milhões de km² – são mais de 2.500

Amazônia brasileira abriga 453 garimpos ilegais, mostra estudo
Notícias ao Minuto Brasil
Há 9 Horas por Folhapress 

Brasil Pesquisa 

O Brasil tem 453 garimpos ilegais na Amazônia, de acordo com mapa inédito apresentado nesta segunda-feira (10) pela Raisg (Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada). Em todo o bioma –que se espraia por nove países, em quase 7 milhões de km²–são mais de 2.500.

Enquanto a Venezuela lidera o ranking amazônico dessa atividade predatória, com 1.899 garimpos clandestinos, o Brasil ocupa o primeiro posto entre os países que mantém a atividade ilegal dentro de terras indígenas, com 18 casos entre os 37 identificados, e em áreas de conservação.

Esse quadro pode se agravar em breve. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, tem defendido que as populações indígenas tenham o direito de explorar as suas terras. Ele também já sugeriu que índios possam receber royalties sobre a extração de minérios nas reservas.

Neste domingo (8), após muita polêmica e indefinição, Bolsonaro anunciou o futuro ministro do Meio Ambiente que terá que enfrentar o problema: Ricardo Salles. Ex-secretário de Meio Ambiente de São Paulo na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), se notabilizou por críticas ao MST.

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"O objetivo do mapa é mostrar a abrangência transnacional do garimpo ilegal na Amazônia, em geral praticado por grupos à margem da lei e que gera prejuízos à floresta, aos rios, aos índios e às populações tradicionais", explica Alicia Rolla, geógrafa do ISA (Instituto Socioambiental), que coordena a Raisg.

Além de Venezuela, com 1.899 garimpos ilegais, e Brasil, com 453, o mapa aponta 134, no Peru, e 68, no Equador.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores agregaram conhecimentos de diversas fontes, como estudos técnicos, informações de parceiros locais, notícias da imprensa de cada país e análises de imagens de satélites. "Trabalhamos por cerca de um ano e meio no projeto", diz a geógrafa.

O mapa mostra 2.312 pontos e 245 áreas de garimpo ou extração de minerais como ouro e diamantes. "Conceitualmente, 'pontos' e 'áreas' são a mesma coisa, mas as 'áreas' são aqueles garimpos cuja extensão determinamos por meio de sensoriamento remoto".


Além disso, foram mapeados 30 rios afetados pela atividade extrativista ou pela entrada de máquinas, insumos e saída de minerais. Na Colômbia e na Bolívia, as unidades de análise foram os rios, razão pela qual não aparecem quantificados como pontos.

Segundo Roberto Cabral, coordenador de operações de fiscalização do Ibama, o garimpo ilegal provoca a "destruição da cobertura vegetal da floresta. Na Amazônia, a maioria dos garimpos segue o curso d'água, assim, a exploração derruba os barrancos, muda o curso de rios e arrasa igarapés. Além disso, o mercúrio utilizado na atividade se propaga pelo rio".

Para Alicia Rolla, o mapa permitirá que os órgãos ambientais delineiem estratégias de intervenção mais articuladas, "pois ele possibilita ver toda uma região, e não apenas garimpos isolados".
Ela também cita a possibilidade de incrementar a cooperação internacional no combate a esse crime. Dá como exemplo a extração mineral realizada nas terras ianomâmi no Brasil e na Venezuela.
"Quando ocorre uma ação fiscalizadora no lado brasileiro, os garimpeiros fogem para o lado venezuelano e voltam depois. Esse mapeamento pode servir de base para orientar uma necessária articulação internacional para coibir a mineração ilegal".

"Trata-se de uma atividade não só ilegal como impossível de ser legalizada", diz Cabral, sobre os garimpos em terras indígenas e áreas de conservação.

Além de liderar o ranking, a Venezuela também é o local onde a mineração produz mais tensão social. A criação em 2016 do chamado Arco Mineiro do Orinoco, localizado na bacia desse rio, deflagrou conflitos armados na região. Estima-se que mais de cem pessoas morreram em confrontos desde 2016.

"Trata-se de uma área imensa, que ocupa 12% da Amazônia venezuelana", diz Gustavo Faleiros, coordenador do InfoAmazônia, que produziu, em parceria com a Raisg, um "storymap", forma de apresentação que expõe dados do mapa de maneira interativa.

"O governo mapeou as zonas de existência de minérios para fazer concessões e parcerias com a iniciativa privada. Só que já existiam mineiros ilegais nessa área e, a partir do decreto de criação [do Arco Mineiro], o exército foi enviado para retomar algumas delas", diz.

A investida do governo venezuelano sobre a área é vista como uma tentativa, após a queda de preço do petróleo, de arrecadar recursos com a exploração do ouro, cujo valor de mercado aumentou muito na última década.

No Brasil, a valorização do metal, de 149% desde 2010, com o grama valendo na última sexta R$ 155,23– é apontada como uma das razões para o recrudescimento do garimpo ilegal na Amazônianacional, com polo minerador na região do rio Tapajós.

Ali, a exploração data do final da década de 1950, diz Maurício Torres, da Universidade Federal do Pará.

Inicialmente todo o trabalho era feito de forma artesanal e manual. Segundo Torres, uma peculiaridade da região permitiu que, de início, as mineradoras não se sobrepujassem aos garimpeiros.

"O ouro ali está distribuído numa área imensa. Assim, se uma mineradora controlasse um ponto, o garimpeiro só precisava ir para o terreno ao lado. Isso , em certa medida, deu ao garimpo uma situação democrática e nacional".

Com o escasseamento do ouro superficial, explorado pelos primeiros garimpeiros, a região do Tapajós viu a chegada das mangueiras bico-jato. Nessa técnica, água pressurizada é utilizada para o desmonte de barrancos. A lama resultante é então filtrada para a extração do metal. A prática produz grandes crateras.

"Isso já tornou possível algum controle do acesso ao ouro pelos donos de garimpo", pelos gastos para comprar a máquina e combustível.

A partir de 2008, diz Torres, a situação muda drasticamente com a chegada de retroescavadeiras hidráulicas (PCs) e de dragas escariantes, com um poder de destruição ambiental avassalador.

"A grande transformação da região ocorreu com a chegada das PCs. Elas geram um impacto ambiental insano. Eu arriscaria dizer que a alteração da cobertura florestal foi maior nos últimos 10 anos do que nos 50 anteriores."

Isso também produziu uma concentração econômica e de controle dos garimpos inéditas. Uma PC custa aproximadamente R$ 500 mil.

Nesse contexto, diz Torres, é muito importante diferenciar o garimpeiro do dono do garimpo. "O garimpeiro, em geral, é um peão, um trabalhador rural, um ribeirinho, é alguém que luta para sobreviver. O bandido é o dono do garimpo. No entanto, persiste a ideia de que o garimpeiro é o demônio. Quase todas as ações só atacam a ponta da cadeia, investem contra o garimpo. Isso não funciona."

A chegada das PCs no Tapajós se deu com o aumento da cotação do preço do ouro. "A partir dos anos 1990, com abertura da antiga União Soviética, injetou-se muito ouro no mercado e o preço caiu. Desde a crise econômica de 2008, o ouro se fortaleceu de novo. A partir daí a relação do preço do ouro com o preço do diesel passou a compensar." Com informações da Folhapress.
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Folha de S. Paulo – Pesquisadores e ONGs apostam que Brasil fica no Acordo de Paris

Folha de São Paulo

Impacto econômico é um dos fatores que podem levar à permanência no compromisso

Ana Carolina Amaral
KATOWICE (POLÔNIA)

A possibilidade de o Brasil deixar o Acordo de Paris reuniu 300 participantes da COP-24 do Clima em um evento organizado por brasileiros, paralelo às negociações que buscam regulamentar o acordo. Sob clima de constrangimento e incerteza, pesquisadores e representantes de ONGs responderam a questões do público internacional e apostaram que o novo governo poderá rever o anúncio de deixar Paris.

O conselho de diplomatas experientes do Ministério das Relações Exteriores e a forte influência do agronegócio exportador poderiam mudar a decisão do presidente eleito, diz o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl. “O próprio Maggi [atual Ministro da Agricultura] já participou das COPs e sabe da sua importância para o produtor brasileiro”, lembrou durante o evento.

O debate também contou com a vice-presidente do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), a brasileira Thelma Krug. Recusando-se a comentar diretamente sobre a política brasileira, ela enfatiza que “a ciência dá base para a construção política” e que os relatórios científicos do IPCC oferecem diferentes opções de caminhos e suas respectivas consequências para lidar com as mudanças climáticas.

O secretário de clima do Ministério do Meio Ambiente cancelou sua participação no evento, alegando conflito de agenda com as negociações da COP.

Também nesta quinta (6), o presidente Michel Temer falou a correspondentes no Palácio da Alvorada em defesa do Acordo de Paris. “É importantíssimo”, afirmou. Temer disse que seu governo perseguiu o cumprimento das metas do acordo.

Na reunião do G-20 no último fim de semana, Temer declarou que Bolsonaro não deve deixar Paris. No entanto, a oposição do presidente eleito ao acordo levou o governo atual a retirar a oferta para sediar a COP-25 no próximo ano, como a Folha noticiou.

O motivo pelo qual Bolsonaro tem justificado sua contrariedade ao Acordo de Paris é uma proposta que não consta no compromisso internacional. Iniciada pelo governo colombiano fora do âmbito das negociações climáticas, o chamado Triplo A —nome que refere à conexão entre Atlântico, Andes e Amazônia— seria um corredor de áreas protegidas, que só poderiam ser criadas pelo governo de cada país da região.

Para Christiana Figueres, que até 2016 foi secretária geral da agência da ONU para mudanças climáticas e principal arquiteta do Acordo de Paris, “a ideia de que isso [o Triplo A] foi levantado no contexto das discussões sobre o Acordo de Paris é uma surpresa para mim. O Triplo A não é e nunca foi parte do Acordo de Paris”, afirma.

“Eu ficaria feliz em ajudar a explicar ao presidente eleito Bolsonaro ou a seu novo ministro das Relações Exteriores os benefícios do Acordo de Paris para o Brasil", diz Figueres.

Embora o Acordo de Paris seja criticado por Trump e Bolsonaro por “ir contra a soberania” dos países, o documento não estabelece obrigações às nações, que estabelecem suas próprias metas, as chamadas "contribuições nacionalmente determinadas".

"O Acordo de Paris foi construído sobre a vontade e respeito à soberania e capacidade de cada um dos 193 países que o assinaram. É por isso que agora todos os países do mundo contribuem com diferentes intensidades e abordagens para um objetivo comum", afirma Figueres.

Os indígenas da Amazônia são apoiadores da ideia de um corredor internacional de conservação. A Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA) deve apresentar nesta sexta na COP-24 uma proposta de corredor para abranger um território amazônico do tamanho do México.

NA COP-24, as alianças indígenas se articulam para resistir às políticas anunciadas por Bolsonaro. Segundo a coordenadora da Coiab Amazônia (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), Nara Baré, a proposta é de conectar unidades de conservação e terras indígenas. “Já conversávamos com o governo brasileiro com a proposta de mosaicos, que formam barreiras de contenção contra a destruição da Amazônia”, diz.

O corredor poderia ajudar a garantir os direitos dos indígenas a seus territórios. “Há um povo brasileiro e 305 povos indígenas, 112 em isolamento voluntário, resistindo há 518 anos”, afirma.