terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Governo reduz distância mínima entre pulverização aérea de pesticidas em cultivo de bananas e povoados e mananciais de água

 

Governo reduz distância mínima entre pulverização aérea de pesticidas em cultivo de bananas e povoados e mananciais de água

Governo reduz distância mínima entre pulverização aérea de pesticidas em cultivo de bananas e povoados e mananciais de água

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ex-líder da Frente Parlamentar Ruralista, conhecida no Congresso como “musa do veneno”, recebeu elogios de Jair Bolsonaro na fatídica reunião ministerial do dia 22 de abril, aquela que teve seu vídeo divulgado publicamente. Na ocasião, o presidente afirmou que “ela é exemplo de integrante do governo que joga no seu time”. No último dia 8 de abril, em mais um decreto publicado no Diário Oficial da União, o ministério de Cristina reduziu a distância mínima necessária para a pulverização aérea de fungicidas agrícolas e de óleo mineral na cultura da banana.

A nova instrução normativa, que já está em vigor desde 4 de maio, diminui de 500 para 250 metros a distância necessária entre a pulverização e povoados (cidades, vilas, bairros).

O texto do decreto estabelece ainda, apenas 15 metros de distância para mananciais de água (desde que protegidos por faixa marginal de cobertura vegetal nativa, reflorestada ou em regeneração), 30 metros de moradias isoladas e agrupamentos de animais e 500 metros de pontos de captação de água para abastecimento de populações.

“Tínhamos um limite já perigoso, hoje ele se tornou vergonhoso e chega a ser criminoso”, disse em nota o Greenpeace Brasil, que destacou a decisão do governo de fazer tal liberação bem na época da pandemia de Covid-19.

A legislação determina também que quando a aplicação aérea for feita, “as vias de acesso e estradas vicinais terão o trânsito interrompido no momento da pulverização e as residências isoladas nas áreas de produção serão evacuadas… sendo permitido o retorno somente 02 (duas) horas após o término da aplicação”.

Infelizmente, sabe-se que no caso do Brasil, medidas preventivas como essas são inexistentes e não há fiscalização que controle essas exigências.

Segundo reportagem publicada no site De Olho dos Ruralistas, a mudança na legislação teria sido realizada para atender interesses de fazendeiros que plantam banana no Vale do Ribeira, no estado de São Paulo. A região é uma das principais produtoras da fruta no Brasil.

“O Vale do Ribeira é cheio de pequenos povoados. Ali existem dez aldeias Guarani Mbyá e Ñandeva, mais de oitenta comunidades caiçaras e 98 dos 142 territórios quilombola do estado”, alerta Marina Lacôrte, porta-voz da Campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace.

Em 2018, uma comitiva do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) identificou violações de direitos humanos em visita realizada ao Vale do Ribeira, entre elas, o uso indiscriminado e excessivo de agrotóxicos.

Ou seja, o que era ruim, vai ficar ainda pior. E são os mais pobres e vulneráveis, sempre, os que mais sofrem com as medidas tomadas para beneficiar aqueles com mais dinheiro e melhores conexões no governo vigente.

Chuva de agrotóxicos

Em julho de 2018, nesta outra reportagem no Conexão Planeta, divulgamos o relatório da Human Rights Watch que denunciava as falhas para proteger as populações de comunidades rurais brasileiras expostas à dispersão de pesticidas.

De julho de 2017 a abril daquele ano, a organização entrevistou 73 pessoas afetadas pela utilização de agrotóxicos em sete zonas rurais, nas cinco regiões do Brasil, incluindo comunidades indígenas e quilombolas e escolas rurais.

Segundo o relatório, em todos estes lugares os entrevistados descreveram sintomas relacionados com a intoxicação aguda por agrotóxicos após verem pulverização dos mesmos nas proximidades ou sentirem o cheiro deles recentemente aplicados em plantações próximas. Os sintomas incluíram sudorese, frequência cardíaca elevada e vômitos, além de náusea, dor de cabeça e tontura.
O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Por ano, o setor comercializa algo em torno de US$ 10 bilhões. Em 2014, a estimativa era de que cerca de 7,5 quilos de pesticidas foram usados, por pessoa, no país. Entre as dez substâncias mais utilizadas por aqui, quatro são proibidas na Europa.

*Com informações do site De Olho nos Ruralistas e do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

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Foto: domínio público/pixabay

Peixes em reservatório no Paraná apresentam contaminação por metais pesados e agrotóxicos já banidos no país

 

Peixes em reservatório no Paraná apresentam contaminação por metais pesados e agrotóxicos já banidos no país

Peixes em barragem no Paraná apresentam contaminação por metais pesados e agrotóxicos já banidos no país

O Reservatório de Alagados é uma barragem artificial com 15 quilômetros de extensão que abastece água para os municípios paranaenses de Ponta Grossa, Castro e Carambeí que, juntos, somam 450 mil habitantes. Um estudo desenvolvido pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) analisou lambaris (A. altiparanae) coletados no reservatório. O peixe é muito apreciado e consumido por pescadores que frequentam a área e também indica a qualidade ambiental da água. Amostras de carne, órgãos e ovas da espécie indicaram sua contaminação pelos pesticidas Aldrin, Dieldrin, Endosulfan e DDT.

De acordo com Sandro Xavier de Campos, coordenador do Grupo de Pesquisa em Química Analítica Ambiental e Sanitária da UEPG, as atividades agropecuárias podem ser a principal fonte da contaminação, por cercarem e estarem muito próximas do reservatório.

As análises apontam que alguns princípios ativos, como Aldrin e Dieldrin, estão acima do limite estipulado por organismos internacionais, demonstrando que essas concentrações podem gerar efeitos maléficos à saúde para aqueles que consomem o lambari.

“A população precisa ser alertada para não comer esses peixes pois, a longo prazo, pode ocasionar um grande risco à saúde com a bioacumulação. Se esses peixes forem consumidos com frequência, esses metais vão se acumulando no organismo, porque a pessoa não consegue eliminá-los. Há resultados mostrando que o efeito toxicológico é muito grande”, enfatiza Campos.

Ainda segundo o especialista, na questão dos agrotóxicos, os resultados são bastantes preocupantes ainda. Foram detectadas substâncias já proibidas há cerca de 30 anos no Brasil e no mundo. O mais famoso é o DDT, um composto desenvolvido na Segunda Guerra Mundial e que possui um potencial extremamente tóxico para a fauna, a flora e também para a saúde humana. “Eu não consumiria e deixaria um alerta para a população que esses peixes não estão aptos para consumo, apenas para pesca esportiva”, ressalta.

O DDT foi o primeiro pesticida usado em larga escala no combate a mosquitos transmissores da malária e dengue. Também foi aplicado em soldados para matar piolhos. Até que, em 1962, a cientista e ecologista americana Rachel Carson publicou um estudo relatando os estragos causados pelo veneno.

No livro Primavera Silenciosa, Carson relaciona o DDT com a incidência de câncer e descreve como os inseticidas alteravam os processos celulares das plantas, animais e seres humanos gerando uma série de proibições do produto pelo mundo. No Brasil, o uso do DDT em lavouras foi proibido em 1985 pelo Ministério da Agricultura.

Já o Endosulfan, inseticida para pragas agrícolas, foi vedado em 2013 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por causar problemas reprodutivos e endócrinos e afetar diversos outros insetos benéficos. Ambos são extremamente tóxicos e persistem por muito tempo no organismo e no meio ambiente.

Peixes em reservatório no Paraná apresentam contaminação por metais pesados e agrotóxicos já banidos no país

450 mil pessoas recebem a água do Reservatório de Alagados

Contaminação com metais pesados em carpas e carás

Em outro estudo desenvolvido pelo grupo de pesquisa, na mesma represa, foi identificada a contaminação por metais pesados como chumbo, cádmio, zinco e alumínio em dois tipos diferentes de peixes, no cará (Geophagus brasiliensis) e na carpa (Cyprinus carpio), uma espécie que pode ser usada como bioindicador de qualidade ambiental, por ser bastante resistente à poluição e ao aumento de temperatura.

Metais ocorrem na natureza e nem todos são prejudiciais à saúde, mas as atividades humanas têm contribuído para aumento do nível de suas concentrações em muitos dos ecossistemas aquáticos. Os metais não se degradam com o tempo e podem se acumular, causando sérias intoxicações. Os fertilizantes usados na agricultura são uma das fontes dos metais pesados. O excesso no uso pode levar esses produtos para dentro do reservatório, principalmente após as chuvas.

A acumulação no organismo é feita, em geral, pela alimentação, o que inclui também a água que bebemos. Quanto mais no topo da cadeia alimentar o animal está, mais sujeito ao acúmulo. É o caso dos seres humanos que se alimentam de plantas e carne contaminadas. Essa intoxicação, na maioria dos casos, não é percebida imediatamente, mas é desencadeadora de diversas doenças, como o câncer, por exemplo.

Além disso, diversos estudos médicos comprovam que agrotóxicos e metais pesados estão diretamente relacionados com o aumento dos casos de autismo, doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer, assim como problemas de fertilidade.

Peixes em reservatório no Paraná apresentam contaminação por metais pesados e agrotóxicos já banidos no país

Pesquisadora da UEPG avalia grau de contaminação de lambaris

Análises periódicas da empresa responsável pelo tratamento e abastecimento de água atestam que a qualidade está dentro do que estabelece a legislação nacional e os órgãos de controle e, portanto, seria potável. Mas é importante lembrar que existe uma permissividade centenas de vezes maior no Brasil da concentração de agrotóxicos na água se comparado à legislação europeia. Um exemplo é o glifosato, herbicida conhecido como Mata-Mato. Enquanto a União Europeia limita a quantidade máxima que pode ser encontrada do glifosato na água potável em 0,1 miligramas por litro, o Brasil permite até 5 mil vezes mais. E isso ocorre também com outros compostos químicos presentes na água que bebemos.

“A água estar dentro do que exige a legislação não significa que não existe o risco. Essa falta de rigor da legislação brasileira pode fazer com que essa população esteja consumindo substâncias que não deveria”, explica o coordenador do Grupo de Pesquisa.

Segundo Campos, a sociedade precisa estar informada por meio da ciência e dos dados científicos para que cobre dos gestores um estudo mais amplo e uma área maior de preservação ambiental ao redor da Represa de Alagados para evitar a entrada dessas substâncias na água. Outro ponto é investigar de onde os contaminantes proibidos estão vindo. O contrabando pode ser uma explicação para as altas taxas de venenos agrícolas já banidos do país.

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Governo reduz distância mínima entre pulverização aérea de pesticidas em cultivo de bananas e povoados e mananciais de água

Fotos: Tatiana Stremel/divulgação UFPG (peixes) e Prefeitura Municipal de Ponta Grossa (Reservatório de Alagados)

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Tecnologia e Meio Ambiente: Inovações com propostas sustentáveis

 

Tecnologia e Meio Ambiente: Inovações com propostas sustentáveis

 

Tecnologia e Meio Ambiente: Inovações com propostas sustentáveis

tecnologia

Imagem: Freepik

 

A união da tecnologia e meio ambiente é fundamental para o desenvolvimento de inovações com propostas sustentáveis, impactando diretamente no futuro da humanidade.

 

Estabelecer cidades e comunidades sustentáveis é um dos objetivos de desenvolvimento da ONU e a tecnologia é uma importante aliada para atingir essa meta. A tecnologia e o meio ambiente andam juntos quando pensamos em futuro para humanidade e inovações com propostas sustentáveis são cada vez mais discutidas pela sociedade.

Anualmente, dezenas de produtos e ferramentas são desenvolvidas para que o mundo consiga utilizar os recursos naturais com cuidado, repondo aquilo que utilizou, para que a demanda não prejudique ainda mais a natureza.

Na esteira de inovações, é possível se deparar com conceitos que vão de casas inteligentes à redução da velocidade em que a obsolescência acomete nossos equipamentos, ideias que mostram que a tecnologia pode ser fundamental para cuidar do planeta.

Menos velocidade na obsolescência

Quando o documentário “A Conspiração da Lâmpada” foi lançado, em 2010, o grande público descobriu uma forma de trabalho utilizada em milhares de indústrias: a criação de produtos que são feitos para estragar.

O ramo da tecnologia se mostrou um dos principais agentes da chamada obsolescência programada e o documentário serviu como um incentivo para que as relações de consumo mudassem – tanto da parte das indústrias quanto dos consumidores.

Assim, várias empresas passaram a estudar formas de aproveitar ao máximo os produtos, seja aumentando a vida útil, reaproveitando materiais ou criando soluções digitais para problemas comuns.

Um exemplo está no cartão SD, um pequeno dispositivo que é utilizado como memória de smartphones, câmeras e outros periféricos. Sua estrutura frágil fazia com que ele fosse facilmente danificado, além de casos em que o cartão se corrompia e perdia os dados salvos.

Assim, desenvolvedoras como o Recoverit criaram formas para realizar a recuperação de SD. Ao recuperar fotos do cartão de memória, o usuário pode formatar o dispositivo, mantendo os arquivos que deseja e reaproveitando o cartão para usos posteriores.

recoverit

Imagem: Recoverit

Na prática, significa que o usuário ganha a possibilidade de resgatar os arquivos deletados, enquanto o dispositivo ganha uma vida útil maior, o que impacta na cadeia de produção ao diminuir a demanda por ter um melhor aproveitamento.

Avanço da energia limpa

Além da tecnologia ser aplicada em ferramentas que facilitam a nossa vida e aumentam a utilidade de um produto, ela é usada para o desenvolvimento de novidades que conseguem atingir uma grande parcela da população com mais rapidez.

Este é o caso da geração de energia limpa, que tem sido cada vez mais discutida por governos de vários países do mundo.

A energia limpa é aquela gerada por fontes renováveis, o que faz com que poluentes não sejam lançados na atmosfera. O Brasil é um dos países com maior produção de energia limpa do mundo, uma vez que consegue aproveitar recursos como as águas e o vento.

Entretanto, essa não é a realidade de muitas nações, que ainda dependem da queima de combustíveis fósseis para ter eletricidade. Com a tecnologia, esse quadro deve mudar.

Muitos governos estudam formas de produzir energia sem o uso de combustíveis fósseis, mesmo em locais em que as fontes renováveis não são tão variadas quanto o Brasil.

Além disso, a sociedade está cada vez mais envolvida no debate e consciente de suas escolhas. Painéis solares ultra sensíveis já são instalados em casas para que uma família consiga gerar sua própria energia.

energia solar

Imagem: Freepik

Casas inteligentes

A procura da sociedade por meios de colaborar com os cuidados com a natureza fez com que inovações com propostas sustentáveis chegassem aos lares de milhares de famílias, como o conceito de casa inteligente.

Uma casa inteligente é aquela que conta com uma série de soluções integradas, que utilizam a tecnologia da informação para seu funcionamento. Alguns exemplos são as lâmpadas e eletrodomésticos que podem ser desligados, à distância, pelo smartphone.

Outras ideias interessantes são as tomadas capazes de reduzir o consumo de energia elétrica e até chuveiros que liberam a água somente em alguns momentos do banho.

A demanda por esse tipo de tecnologia residencial é tão alta que as projeções indicam um faturamento de mais de US$291 milhões em 2021.

Inovações com propostas sustentáveis

Quando a sociedade como um todo, com governantes e a população, discutem formas de proteger a natureza, a indústria se molda para atender a demanda, unindo tecnologia e meio ambiente.

Com as inovações com propostas sustentáveis todos saem ganhando e percebemos que é possível ter um consumo cada vez mais consciente e equilibrado. Uma ótima forma de cuidar dos recursos para um futuro melhor para a humanidade.

 

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/02/2021

 

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Com energias alternativas, Brasil pode gerar mais de 1 milhão de empregos e reduzir emissão de CO² até 2025

 

Com energias alternativas, Brasil pode gerar mais de 1 milhão de empregos e reduzir emissão de CO² até 2025


Com investimentos em energias alternativas, Brasil pode gerar mais de 1 milhão de empregos e reduzir em 28 toneladas a emissão de CO² até 2025, aponta estudo

World Economic Forum e Accenture ouviram mais de 25 empresas de serviços públicos globais e trazem análise específica para o País

Por Deborah Costa, Vinícius Chaves e Felipe de Paula

O Fórum Econômico Mundial, em parceria com a Accenture, divulga uma nova análise em várias regiões, explorando o caminho das concessionárias em meio à pandemia de Covid-19 em curso e as oportunidades para acelerar o crescimento econômico e a transição para energia limpa.

Um Grupo de Ação da Indústria que incluiu mais de 25 empresas de serviços públicos globais e empresas de tecnologia de energia buscou avaliar de forma holística os resultados econômicos, ambientais, sociais, bem como desdobramentos técnicos de potenciais soluções de energia.

A análise revelou que no Brasil, nos próximos cinco anos, os investimentos da indústria de energia alternativa – como a solar e a eólica – e o impacto da digitalização das cidades para um modelo mais inteligente e eficiente podem gerar mais que 1,2 milhão de novos empregos e reduzir em 28 toneladas a emissão de CO².

Na análise, foram mapeados diversos elementos da cadeia de valor do setor elétrico no País, como emissão de gás carbônico, pegadas d’água, acesso a eletricidade, qualidade do ar, resiliência e segurança do setor, qualidade de serviços e flexibilidade. No entanto, foram aspectos como: impactos no emprego e na economia, eficiência do setor e produtividade, investimento estrangeiro, atualização de sistemas e competitividade que se destacaram no cenário nacional.

Com o mapeamento do setor elétrico brasileiro, foi possível identificar um modelo que pode direcionar a transformação e atualização do País em termos de energia, utilizando sua grande fonte de energia hidrelétrica como alicerce para sustentar a população enquanto investimentos em fontes alternativas de energia ganham força, como a solar e a eólica, bem como o investimento em cidades integradas e inteligentes

energias alternativas

Ampliação do setor elétrico

O relatório traz, ainda, que a demanda por energia no País deve triplicar até 2050, o que fortalece a necessidade de investimentos no setor. Para isso, o Brasil deve precisar de ao menos 38 novas linhas de distribuição de energia com mais de 5 mil quilômetros de extensão, o que significa um investimento de mais de R﹩ 10 bilhões¹.

¹dados da Empresa de Pesquisa Energética, articulada com o Ministério de Minas e Energia e o Ministério da Economia.

 

Impactos do Covid-19 no setor

Apesar da necessidade de crescimento e modernização do setor elétrico, o Brasil – assim como todos os países do mundo – sofreu fortes impactos por conta da pandemia da Covid-19. Isso, somado aos problemas já existentes no País, pode dificultar a modernização do setor. Entre os principais pontos, pode-se destacar:

Pontos negativos:

• Ao longo do período de pandemia, o foco do País foi em manter a operação básica funcionando, com cortes massivos em investimentos vistos como não essenciais.

• A demanda por energia caiu dois dígitos se comparado ao mês de maio do ano anterior.

• O mercado como um todo sofreu um forte golpe, com redução do volume de operações em torno de 47% no mercado automotivo e 38% no setor de serviços.

• Com isso, o PIB do País tem estimativa de queda de aproximadamente 9%.

Pontos positivos:

• O Brasil testemunhou um aumento de 53% na geração de energia solar em abril de 2020.

• Como resultado da Covid-19, foi observado um aumento no foco em eficiência operacional e planejamento financeiro por parte das empresas operando no Brasil.

• Durante o período de quarentena, foi possível notar uma queda abrupta na concentração de gases como NO, NO² e CO na cidade de São Paulo, com quedas de 77%, 54% e 65%, respectivamente.

Como se recuperar da crise?

O estudo aponta, contudo, alternativas para uma recuperação do setor elétrico no Brasil, baseado em três fatores principais:

• Expansão de energias renováveis não hidrelétricas

Acelerar a expansão das energias renováveis não hídricas (~ 7 GW eólica e solar) por meio de várias iniciativas, como fomentar o mercado liberalizado (ACL) com contratos de compra de energia inovadores (PPAs), desenvolver uma nova solução estruturada para o Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), e substituição de termo-planta fóssil.

• Digitalização da Transmissão e Distribuição (T&D)

Abordar os problemas de confiabilidade e qualidade de energia por meio de investimentos básicos na rede de distribuição e, em seguida, digitalizar e moderniza a rede elétrica do Brasil por meio de redes inteligentes, medidores inteligentes, internet das coisas (IoT) e recursos de energia distribuída (DER).

• Cidades Inteligentes e Eficientes

Investir em cidades inteligentes por meio do desenvolvimento de uma rede digital de energia, possibilitando eficiência energética e novos modelos de negócios de suporte à geração distribuída, DERs e mobilidade elétrica, além de serviços públicos como iluminação pública e manejo da vegetação.

Acesse os estudos completos com foco no Brasil e Global .

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/02/2021

 

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Aquisição de Terras por Investidores Estrangeiros – Riscos à Soberania e Segurança Alimentar

 

Aquisição de Terras por Investidores Estrangeiros – Riscos à Soberania e Segurança Alimentar

artigo de opinião

Aquisição de Terras por Investidores Estrangeiros – Riscos à Soberania e Segurança Alimentar, artigo de José Rodrigues Filho

[EcoDebate] Há pouco tempo uma Comissão do Senado do Canadá demonstrou preocupações com a aquisição de terras, considerando que a propriedade familiar rural sempre foi a espinha dorsal do país durante gerações. No final, a Comissão fez recomendações no sentido de uma cooperação nos diferentes níveis de governo para se discutir a aquisição de terras.

Estranhamente, o Senado do Brasil aprovou, há poucos dias, sem nenhuma discussão um projeto de aquisição de terras no Brasil por investidores estrangeiros.

Para o autor do projeto, senador Irajá (PSD-TO), a proposta visa “possibilitar o ingresso de agroindústrias transnacionais no Brasil voltadas para o desenvolvimento da cadeia produtiva agrícola de longo prazo, que agreguem valor, gerem mais empregos e aumentem a qualidade e a quantidade da produção agrícola brasileira“.

Considerando os riscos da concentração de terras em poucas mãos, estes argumentos são refutados pela nossa própria experiência brasileira, como por pesquisas nacionais e internacionais, que comprovam os riscos da concentração de terras à soberania e segurança alimentar, às mudanças climáticas e a nossa democracia.

Infelizmente, a concentração de terras é um fenômeno mundial e é criminosa a forma como vem se dando no mundo inteiro, onde o investimento financeiro agora se concentra na terra. No Brasil sofremos deste mal desde o descobrimento, mas nos últimos anos é perceptível uma acentuada concentração, com danos terríveis aos produtores familiares, concentração de renda, êxodo rural, desemprego, desmatamento e à desindustrialização do país.

Quando foi solicitado aos intelectuais americanos de esquerda, direita e centro apresentarem ao Presidente Biden sugestões para sua gestão, eles não mencionaram apenas a introdução de uma disciplina de teologia, filosofia e poesia nos currículos das escolas para tornar os americanos melhores seres humanos, mas consideraram investimentos na zona rural, onde pequenos agricultores, principalmente os negros, vem sofrendo todo tipo de discriminação destinada à inviabilizar suas atividades em pequenas fazendas. Os negros, que logo após a abolição da escravidão, fugiram das cidades para se livrarem da pobreza e do racismo, foram buscar nas terras e zonas rurais um melhor abrigo de sustentação. Há anos chegaram a representar 14% (quatorze por cento) das propriedades rurais, mas nos últimos anos isto caiu para menos de 2% (dois por cento). Tudo isto por conta de políticas perversas dos governos anteriores, principalmente nos últimos anos.

A literatura é rica sobre os riscos da concentração de terras e o Brasil jamais alcançará um desenvolvimento sustentável, diante das desigualdades sociais causadas por isto.

É lamentável que o Senado Brasileiro aprove projetos contrários à sustentabilidade e ao desenvolvimento sustentável. Por conta de espaço não vamos aqui mencionar todos os riscos da concentração de terras no Brasil e no mundo, mas vamos nos limitar aos riscos dela sobre o sistema alimentar, fato ocorrido nos últimos meses no Brasil e no Canada, que se tornou preocupante e de riscos incalculáveis à sociedade.

Com a proteção governamental e redução de rígida fiscalização, a indústria de embalagem de carnes conseguiu a vantagem de reduzir preços no mercado. Mas esta redução de custos foi exposta pelo Coronavírus no mundo inteiro, que pode quebrar e reformular o sistema de produção de carnes, no seu ponto mais fraco – a saúde dos trabalhadores.

Das poucas empresas que atuam no mercado canadense, a JBS, empresa brasileira, e a Cargill, empresa americana, se tornaram pontos marcantes do surto do COVID-19 tanto no Canada como no Brasil. Enquanto o Covid-19 devastava os pobres trabalhadores nos matadouros da JBS e Cargill, é justamente neste ponto que os consumidores se beneficiam, à custa da desgraça deles, que ainda facilitavam a rápida disseminação da doença. Desta forma, os mega frigoríficos ameaçam a segurança e o sistema alimentar. Se o governo quer proteger estas indústrias e sua cadeia de suprimentos deve obrigá-las a proteger também sua força de trabalho.

Para o professor Chris Deutsch, Universidade de Missouri, o tipo de trabalho nestes matadouros é para pessoas pobres que vivem em péssimas condições sanitárias e de superlotação, não tendo a devida remuneração para viverem em melhores condições. Segundo a imprensa, algumas pessoas do frigorífico da JBS no Canadá tinham que dormir no carro temendo contaminar a família. No Canadá, a Cargill fechou suas portas por duas semanas e a JBS teve que reduzir seus turnos de trabalho. No Brasil, os comentários são de que a JBS não deu assistência aos seus trabalhadores e os frigoríficos contribuíram para a “propagação do vírus por cidades do interior”, segundo o Ministério Público do Trabalho.

Com ajuda de governos anteriores, através de empréstimos com juros subsidiados e outras facilidades absurdas, foi possível se criar no Brasil a maior corporação de distribuição de carnes do mundo – JBS, mas o Covid-19 trouxe à tona a insustentabilidade de sua cadeia de suprimentos. Num próximo texto, faremos uma análise das ações desta Corporação no Brasil e Canadá, que tem sido um sucesso para seus acionistas, mas um fardo para a população brasileira, que arca com parte de seus custos.

Por fim, o capital financeiro tem uma compulsão de possuir a terra e expulsar quem está nela. Já foi dito que a terra é a cena do crime, mas nunca foi criminosa. Ela é a base da independência, da liberdade, da justiça e igualdade.

Assim sendo, este projeto do Senado merece uma discussão em cima de uma sustentabilidade econômica, social e ambiental, visando corrigir injustiças e desigualdades brutais.

*Jose Rodrigues Filho é professor da Universidade Federal da Paraíba. Foi pesquisador nas Universidades de Johns Hopkins e Harvard. Recentemente foi professor visitante na McMaster University, Canadá.
https://jrodriguesfilho.blogspot.com/

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/02/2021

 

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Inversão dos polos magnéticos da Terra pode ter causado extinção do neandertal

 

Inversão dos polos magnéticos da Terra pode ter causado extinção do neandertal

Representação do homem de neandertal
Foto: CNN

A inversão dos polos magnéticos da Terra, somada a um colapso temporário do campo magnético terrestre há cerca de 42 mil anos, pode ter desencadeado uma série de mudanças ambientais, tempestades solares e a extinção dos neandertais, de acordo com um novo estudo.

O campo magnético da Terra nos protege, agindo como um escudo contra o vento solar (uma corrente de radiação e partículas carregadas emitida pelo Sol). No entanto, o campo geomagnético não é estável em termos de força e direção, e tem a capacidade de girar ou se inverter.

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Há cerca de 42 mil anos, em um período conhecido como Evento de Laschamp, os polos fizeram essa inversão temporária por cerca de 800 anos, mas os cientistas ainda não tinham certeza se e como isso impactou a vida na Terra.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de New South Wales (UNSW) e do South Australian Museum, na Austrália, disse que essa mudança, juntamente com a alteração dos ventos solares, pode ter desencadeado uma série de crises climáticas, levando a mudanças ambientais e extinções em massa.

Os cientistas analisaram os anéis encontrados em antigas árvores kauri da Nova Zelândia (algumas preservadas em sedimentos há mais de 40 mil anos), para criar uma escala de como a atmosfera da Terra mudou ao longo do tempo.

A partir da datação por carbono, a equipe estudou seções transversais das árvores (cujos anéis de crescimento anual serviam como um registro natural do tempo) para rastrear as mudanças nos níveis de carbono radioativo durante a reversão dos polos.

“Usando as árvores primitivas, pudemos medir e datar os picos nos níveis de carbono radioativo na atmosfera, causados pelo colapso do campo magnético da Terra”, contou Chris Turney, professor da UNSW Science, diretor do Earth and Sustainability Science Research Center da universidade e um dos principais autores do estudo.

A equipe comparou a nova escala de tempo com os registros locais de cavernas, núcleos de gelo e pântanos no mundo todo.

“Fim dos tempos”

Os pesquisadores descobriram que a inversão levou a “profundas mudanças climáticas”. O modelo demonstrou que o crescimento da camada de gelo e das geleiras na América do Norte, bem como as mudanças nos principais cinturões de vento e sistemas de tempestades tropicais, podem ser rastreadas até o período da inversão dos polos magnéticos, que os cientistas chamaram de Evento de Adams.

“O campo magnético da Terra quase desapareceu, e praticamente abriu o planeta para todas essas partículas de alta energia do espaço sideral. Deve ter sido uma época muito assustadora, quase como o fim dos tempos”, comentou Turney.

Os pesquisadores disseram que o Evento de Adams pode explicar muitos dos mistérios evolutivos da Terra, incluindo a extinção dos neandertais e o súbito aparecimento generalizado da arte figurativa em cavernas em todo o mundo.

O fenômeno teria causado alguns eventos dramáticos e impressionantes. Antes do Evento de Adams, o campo magnético da Terra caiu para de 0 a 6% de sua força, enquanto o Sol teve longos períodos de mínima atividade solar.

Reconstrução do homem de neandertal
Foto: Hermann Schaaffhausen/Wikicommons

“Basicamente, não havia nenhum campo magnético: nosso escudo contra a radiação cósmica tinha desaparecido”, disse Turney.

O enfraquecimento do campo magnético significa que mais eventos espaciais, como erupções solares e raios cósmicos galácticos, poderiam chegar à Terra.

“A radiação do espaço, atingindo o planeta sem nenhum tipo de filtro, separou as partículas de ar da atmosfera terrestre, separando elétrons e emitindo luz, um processo chamado de ionização”, escreveu Turney em um comunicado. “O ar ionizado ‘fritou’ a camada de ozônio, desencadeando uma onda de mudanças climáticas em todo o mundo”.

Durante esse período, os habitantes da Terra podem ter presenciado algumas visões deslumbrantes: as auroras boreal e austral, que acontecem quando ventos solares colidem com a atmosfera da Terra, devem ter sido frequentes. Ao mesmo tempo, o ar ionizado teria aumentado a frequência das tempestades elétricas, algo que os cientistas imaginam que fez os humanos buscarem abrigo em cavernas.

“O tema comum da arte das cavernas, de impressões de mãos em ocre vermelho, pode sinalizar que a pintura vermelha era usada como protetor solar, uma técnica utilizada ainda hoje por alguns grupos”, escreveu em um comunicado Alan Cooper, pesquisador honorário do South Australian Museum.

“As incríveis imagens criadas nas cavernas durante esse período foram preservadas, enquanto outras obras de arte em áreas descobertas sofreram erosão, dando a impressão de que a arte começou repentinamente há 42 mil anos”, acrescentou.

A próxima inversão

No artigo, publicado na revista “Science”, os especialistas dizem que há, atualmente, movimentos rápidos do polo magnético no hemisfério norte, o que pode significar que outra inversão pode estar a caminho.

“A velocidade, junto com o enfraquecimento do campo magnético da Terra em cerca de 9% nos últimos 170 anos, pode indicar uma inversão iminente”, observou Cooper.

“Se um evento semelhante acontecesse hoje, as consequências para a vida moderna seriam enormes. A radiação cósmica destruiria nossas redes de satélites e energia elétrica”, afirmou.

A atividade humana já elevou o carbono na atmosfera a níveis “nunca antes vistos pela humanidade”, disse Cooper.

“Uma inversão dos polos magnéticos ou uma mudança drástica nas atividades solares poderiam acelerar as mudanças climáticas de forma inédita. Precisamos urgentemente reduzir as emissões de carbono antes que um evento aleatório como esse aconteça novamente”, acrescentou.

Fonte: CNN

A possibilidade cada vez mais real de termos zoológicos de animais extintos

 

A possibilidade cada vez mais real de termos zoológicos de animais extintos

MamutesDireito de imagemSPL
Seria possível clonar um mamute?

Imagine visitar um zoológico repleto de animais já extintos, desde dinossauros a mamutes.

Para muitos, esse cenário é um pesadelo distópico. Em outros, no entanto, gera muita empolgação.

Mas, à medida em que a ciência avança, isso pode se tornar realidade em breve.

Alguns pesquisadores, por exemplo, já estão analisando como a clonagem de animais poderia mudar a indústria do turismo em 2070.

Um parque de dinossauros, por outro lado, ainda permanece uma fantasia. A desextinção continua sendo um desafio e não está claro se o DNA de dinossauros poderia ser recuperado. Com a tecnologia atual, amostras de DNA só podem ser usadas por 1 milhão de anos – neste sentido, teoricamente poderíamos clonar um Homem de Neandertal, mas não um tricerátops que viveu há 65 milhões de anos.

Amostra laboratorialDireito de imagemSPL
Pesquisador colhe amostre de tecido de mamute congelado

O DNA dos mamutes é mais acessível. Cientistas possuem amostras congeladas da criatura e podem implantar o material genético em elefantes, que são geneticamente muito parecidos. Apesar disso, há um problema: não vamos conseguir trazer os mamutes de volta a habitats que se pareçam aos originais, onde eles poderiam se reproduzir naturalmente.

Mas os cientistas poderiam, em última análise, ser capazes de fazer isso com outras espécies que foram extintas mais recentemente – como os pombo-passageiros. Isso envolveria o mapeamento do genoma completa desse animal, para então modificar o genoma do pombo comum de forma a que ele se pareça ao do pombo-passageiro. Assim, teríamos uma espécie extinta clonada.

Daqui dez anos

A ciência percorreu um longo caminho desde que a ovelha Dolly foi clonada em 1996, diz a professora de biotecnologia Cindy Tian, da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, que está pesquisando DNA baseado no núcleo por meio da clonagem.

Cientistas vêm tentando implantar embriões de rinocerontes brancos em uma barriga de aluguel – algo não menos polêmico. Um híbrido de um mamute-elefante poderia, assim, estar próximo de se materializar.

Pelas estimativas de Tian, se houver vontade política e financiamento suficientes, demoraria apenas dez anos para que pudéssemos ver animais raros e ameaçados de extinção espalhados pelos zoológicos do mundo.

Estamos na metade do caminho. Em 2000, o Zoológico de San Diego, nos Estados Unidos, planejou exibir um gauro clonado (bisão indiano) apelidado de Noah, mas ele morreu de infecção depois de dois dias.

O zoo abrigou, posteriormente, Jahava, um banteng (um tipo de gado selvagem do Sudeste Asiático), por sete anos, até que o animal quebrou uma das patas e teve de ser submetido à eutanásia.

Jahava e Noah foram clonados usando células de um departamento de amostras de pele congeladas a partir de animais ameaçados de extinção.

Questão de dinheiro

Neste sentido, os principais obstáculos podem ser financeiros e políticos, em vez de científicos, diz Tian.

Uma das principais barreiras são as taxas de mortalidade dos animais clonados, que são muito altas. Os motivos não são inteiramente conhecidos, mas provavelmente incluem erros de reprogramação: essencialmente, o núcleo do óvulo da doadora carrega um tipo de memória genética que resiste à substituição por um material genético novo.

Animais clonados por meio desse processo, conhecido como transferência nuclear de células somáticas (TNCS, na sigla em inglês), “têm que sobreviver a esse primeiro choque depois do nascimento”, diz Tian. “Se eles sobreviverem, são geralmente saudáveis”, completa.

Há também preocupações éticas sobre criar animais com alta chance de morte prematura ou estresse. Ainda assim, questionamentos similares podem ser levantados sobre como reproduzimos rebanhos. E as taxas de sucesso estão aumentando. Em 1996, cientistas usaram 277 embriões clonados para conseguir criar a ovelha Dolly.

“Agora, se você clona gado, você pode transferir 100 embriões de gado clonados e obter de 10 a 20 animais clonados”, diz Tian. “Essa é uma mudança magnífica”, acrescenta.

RinoceronteDireito de imagemGETTY IMAGES
Muitas espécies estão hoje ameaçadas de extinção

Ainda assim, as altas taxas de mortalidade significam que a clonagem permanece um processo muito caro. O único uso produtivo atual da clonagem de animais é para touros premiados, cujo material genético é valioso para os fazendeiros.

Tian calcula que o custo da clonagem de um único touro é de pelo menos US$ 15 mil (R$ 53 mil). Clonar animais selvagens ou ameaçados de extinção poderia ser até mais caro, à medida que temos menos informação sobre eles e poucas espécies usadas para testes.

Turismo para os ricos

Neste sentido, do ponto de vista científico, há uma possibilidade real maior de clonar animais ameaçados de extinção do que propriamente extintos.

Se isso acontecer, muitos de nós não terão muito contato com esses animais clonados no dia a dia. Mas um setor que possibilitaria aos não cientistas interagir com clones é o turismo para os ricos.

Se o Instagram já está repleto de usuários que adoram compartilhar fotos sobre suas viagens, tal tendência só deve se acentuar caso esse cenário se torne realidade, acredita Daniel Wright, professor de administração de turismo na Universidade de Central Lancashire, no Reino Unido, e autor de um artigo sobre clonagem e turismo.

Neste momento, foodies aventureiros comem fugu no Japão, embora certas espécies estejam ameaçadas pela sobrepesca (e apesar da natureza venenosa desses peixes).

BantengueDireito de imagemSPL
Bantengue, também conhecido como tembadau, é uma espécie de gado selvagem nativo do sudeste da Ásia

Paradoxalmente, o governo da Namíbia faz leilões de autorizações todos os anos para caçar o rinoceronte negro, atualmente ameaçado de extinção, sob a justificativa de que o dinheiro é essencial para programas de conservação e que apenas rinocerontes não reprodutores podem ser caçados.

A clonagem poderia, por exemplo, tornar as duas experiências acessíveis a mais visitantes.

E, claro, zoos e parques de safári em todo o mundo já exibem animais ameaçados de extinção. Muitos deles participam de programas de biodiversidade com o objetivo de impedir que animais ameaçados sejam totalmente extintos, ou de se tornarem perigosamente endogâmicos, dado que há muito poucos exemplares vivos da espécie. Um exemplo são as doninhas-de-patas-pretas.

Sendo assim, pode-se argumentar que o uso de tecnologia de clonagem para fins de turismo é, embora dispendioso, não muito diferente do ponto de vista ético. Se é politicamente incorreto defender um zoológico que mantém animais em cativeiro, a clonagem não muda tal paradigma.

FuguDireito de imagemGETTY IMAGES
Fugu é um tipo de peixe servido vivo no Japão

Animais e tecnologia

Carrie Friese, socióloga da universidade London School of Economics (LSE) em Londres e autora do livro Cloning Wild Life (“Clonando Vida Selvagem”, em tradução livre), é uma das interessadas no assunto.

Friese diz que, nos zoológicos tradicionais, os animais são as estrelas; eles são o motivo pelo qual as pessoas frequentam esses locais. Mas, no futuro, em parques de conservação com animais clonados, ela imagina que o foco será a tecnologia, não os animais.

Neste sentido, a finalidade desses locais seria não só se maravilhar com os bichos, mas também celebrar a engenhosidade humana: “Basicamente, iríamos a esses lugares não apenas para ver ao vivo um animal já extinto, mas celebrar a ciência que o trouxe de volta à vida”.

GirafaDireito de imagemGETTY IMAGES
Clonagem de animais ganha cada vez mais espaço

Como Tian, Friese imagina que experiências como essa vão atrair turistas. Algumas pesquisas de opinião mostram, por exemplo, que os americanos defendem mais a tecnologia de clonagem quando usadas para conservação do que para qualquer outra finalidade.

As duas pesquisadoras também acreditam que vamos clonar animais em extinção para servir de alimento.

O estudo desenvolvido por Tian mostrou que a carne e o leite produzidos por bovinos clonados são seguros para consumo humano e são amplamente indistinguíveis de produtos animais não clonados.

Ela diz se lembrar de provar carne de um touro negro clonado no Japão: “A carne era deliciosa. Muitas pessoas ficaram na fila por alguns segundos.”

Mas ampliar a oferta de alimentos não é a principal finalidade da clonagem de animais neste momento, e algumas pessoas podem estar preocupadas com a segurança de se comer alimentos clonados.

Assim, o cenário mais provável para o futuro do turismo de animais clonados continua sendo um parque (talvez não um Jurassic Park).

No entanto, como Friese ressalta, as práticas de clonagem levantam questões complicadas sobre autenticidade e ética.

Um íbex-dos-pirineus clonado, cujo DNA nuclear é combinado com o de cabras domésticas, seria um verdadeiro íbex? Poderia um animal clonado de uma espécie selvagem ser considerado selvagem em si? E se zoológicos e parques de safári com acesso à mais recente biotecnologia se tornarem repletos de animais clonados no futuro, qual seria o impacto nos países de baixa renda que atualmente dependem do turismo baseado em animais selvagens?

Esses aspectos são nebulosos, mas uma coisa é clara. O hype em torno de um processo biotecnológico custoso não deve descartar completamente a preservação do habitat e as práticas de conservação testadas e comprovadas.

Como diz Wright, “os humanos devem apoiar e implementar medidas que visem a preservação dos ambientes naturais e garantir que animais e espécies não sejam extintos”

Fonte: BBC


Espécie de doninha em extinção é clonada pela primeira vez nos Estados Unidos

 

Espécie de doninha em extinção é clonada pela primeira vez nos Estados Unidos

Cientistas norte-americanos comemoram a clonagem de uma espécie de doninha ameaçada de extinção — a doninha-de-patas-pretas —, e o procedimento foi possível com o uso de células que estavam congeladas há três décadas. O animal foi clonado ainda no ano passado, nascendo no dia 10 de dezembro, e foi batizado de Elizabeth Ann.

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De acordo com o instituto de preservação da vida selvagem, U.S. Fish & Wildlife Services, os pesquisadores usaram as células de uma doninha-de-patas-pretas chamada Willa, que morreu em 1988 e teve as suas células criopreservadas. A clonagem fica marcada como a primeira vez em que espécies ameaçadas de extinção são clonadas nos Estados Unidos, e o animal poderá trazer uma diversidade à população da espécie.

Imagem: Reprodução/USFWS Mountain-Prairie

Ryan Phelan, diretor da organização de conservação Revive & Restore, que também esteve envolvida na clonagem junto ao Fish & Wildlife Services, conta que foi um comprometimento ver essas espécies sobrevivendo na natureza. “Ela é uma conquista para a biodiversidade e para o resgate genético”, diz Phelan sobre o sucesso da conquista.  

Antigamente, acreditava-se que as doninhas-de-patas-pretas já estavam extintas, mas pesquisadores encontraram uma pequena população delas em 1981. Com a descoberta, foi possível que conservacionistas começassem programas de reprodução em cativeiro para manter a espécie viva. Hoje, cerca de 250 a 350 doninhas vivem em cativeiro e outras 300 estão em ambientes de reintrodução à natureza.

Imagem: Reprodução/USFWS Mountain-Prairie

Ao redor do mundo, outros animais ameaçados de extinção já foram clonados, como o bisão indiano, ainda em 2001, coiotes selvagens em 2012, e cabras selvagens em 2009.

Fonte: Canaltech


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Algumas vacinas podem causar autismo?




Organização sem fins lucrativos abre processo contra o CDC sobre declaração de que as vacinas não causam autismo


POR MEILING LEE 21 de fevereiro de 2021


Del Bigtree, fundador da Rede de Ação de Consentimento Informado (ICAN) disse que sua organização vai abrir um processo contra os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) para solicitar que a agência federal retire sua declaração de que as vacinas não causam autismo em sua página web sobre autismo e vacinas.

 

“Não há ciência para apoiar a declaração no que diz respeito ao que o CDC forneceu para dizer que as vacinas, no plural, não causam autismo”, disse Bigtree ao Epoch Times. "Esta é uma afirmação falsa."

 

“Vamos abrir um processo contra o CDC para remover isso do site porque é realmente impreciso”, acrescentou.

 

Bigtree diz que o CDC não foi capaz de fornecer à sua organização estudos que demonstrem concretamente que as vacinas administradas a crianças nos primeiros seis meses de vida não causam autismo, um distúrbio neurológico e de desenvolvimento que pode ser diagnosticado nos primeiros seis a 12 meses.

 

“Se as vacinas contribuem para o problema, certamente podemos isolá-lo dentro das vacinas dadas nos primeiros seis meses de vida porque o autismo está aparecendo aos seis meses”, disse Bigtree.

 

Os Estados Unidos observaram um aumento no número de crianças diagnosticadas com autismo. Em 2000, havia apenas 1 em 150 crianças com autismo. Em 2016, o CDC estimou que 1 em 45 crianças tinha autismo, com 1 em 32 crianças diagnosticadas em Nova Jersey.

 

Um porta-voz do CDC disse que a agência de saúde sempre foi aberta sobre sua posição sobre vacinas e autismo. “O CDC é e sempre foi claro sobre este assunto: vacinas não causam autismo”, disse o porta-voz ao Epoch Times por e-mail.

 

Em agosto de 2020, a agência federal disse que estava fazendo uma atualização em seu site e retirou temporariamente o comunicado, causando um mal-entendido de que o CDC pode ter mudado sua posição sobre o assunto.

 

“Quanto à declaração que você faz referência, no outono de 2020, como parte das atualizações de rotina do site para garantir a formatação consistente do site, o CDC atualizou sua página sobre vacinas e autismo”, disse o porta-voz. “Recentemente, essa mudança foi mal interpretada nas mídias sociais e entre algumas organizações como uma mudança na posição do CDC.”

 

“O título foi adicionado de volta ao nosso site para garantir que não haja confusão em torno da posição do CDC”, acrescentou ela.

 

Mark Sadaka, um advogado de ferimentos por vacinas que tratou de mais de 180 casos de vacinação, disse que o CDC "nunca" removerá a declaração, já que a agência de saúde está fazendo essa alegação com base em sua própria pesquisa e na recomendação do Comitê Consultivo em Práticas de Imunização (ACIP ) que “se reúnem regularmente e votam em todos os tipos de questões, incluindo questões de segurança e recomendações sobre quem deve ser vacinado e quando”.

 

 

“O CDC é a principal agência de saúde pública dos EUA e, como o ACIP fez, pode obter as informações atualmente disponíveis e emitir declarações relacionadas à saúde pública”, disse Sadaka ao Epoch Times por e-mail. “É isso que o CDC está encarregado de fazer e é isso que eles fizeram aqui”.

 

Sadaka disse que o processo do ICAN deveria se concentrar em fazer com que o CDC “adicionasse linguagem de qualificação às informações apresentadas ao público”.

 

“O melhor que poderia acontecer [para o processo do ICAN] é o acréscimo de um texto de qualificação que diz 'seis efeitos das vacinas nas primeiras seis semanas de vida não foram estudados' ou algo parecido”, disse Sadaka.

 

“Como advogado de pessoas feridas por vacinas, posso dizer que as vacinas podem ferir e matar. Mas quando se trata de autismo especificamente, a ciência simplesmente não existe agora. Pode chegar um dia ”, acrescentou.

 

Falta de estudos para apoiar a reivindicação

A organização sem fins lucrativos disse que vai abrir um processo contra o CDC com relação à alegação de que as vacinas não causam autismo. (Cortesia de icandecide.org)

 

Em 2019, o ICAN e o Institute for Autism Science submeteram um pedido de Freedom of Information Act (FOIA) ao CDC solicitando que a agência de saúde fornecesse todos os estudos em que se baseava para determinar que as cinco vacinas administradas durante os primeiros seis meses de um bebê a vida não causam autismo.

 

As vacinas: difteria, tétano e pertussis acelular (DTaP), hepatite B, poliomielite (IPV), Haemophilus Influenzae tipo B (Hib) e pneumococo

 heepochtimes.com/nonprofit-to-file-lawsuit-against-cdc-claims-statement-that-vaccines-do-not-cause-autism-is-misleading_3705000.html?utm_source=newsnoe&utm_medium=email&utm_campaign=breaking-2021-02-21-2