sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Temer desiste de ‘urgência’ para manobra fiscal



Josias de Souza


Durou menos de 24 horas o pedido do Planalto para que fosse votado em regime de “urgência constitucional” o projeto que autoriza o governo a descumprir sua meta de equilíbrio fiscal em 2014.


No exercício da Presidência da República, Michel Temer enviou há pouco uma nova mensagem ao Congresso. No texto, o substituto de Dilma Rousseff informa que o Poder Executivo desistiu da requisição anterior.

Conforme já noticiado aqui, o pedido de urgência provocara questionamentos instantâneos. Abriu-se uma discussão sobre a inconstitucionalidade da requisição. O líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), já preparava um recurso ao STF.

Conhecido por seus dotes de constitucionalista, o advogado Temer diz que há elementos para sustentar a legalidade do pedido de urgência. Ele invoca o artigo 166 da Constituição, parágrafos 6º e 7º. Porém, para evitar a “judicialização” do projeto, optou por adotar o que chamou de “recuo político”.

A despeito do gesto, o Planalto não abriu mão da pressa. Em jogo combinado com o próprio Temer, o presidente do Congresso, Renan Calheiros, e o relator do projeto que empurra a manobra fiscal para dentro da Lei de Diretrizes Orçamentárias, Romero Jucá, decidiu-se adotar um calendário-relâmpago. Reduz em 25 dias a tramitação do projeto.

Por esse cronograma, a proposta que modifica a LDO para permitir que o governo feche suas contas no vermelho será votado na Comissão Mista de Orçamento na próxima quarta-feira (19). Adotando-se o rito convencional, essa votação, que antecede o envio do projeto ao plenário do Congresso, só ocorreria em 14 de dezembro. A oposição se arma para questionar também o calendário especial redigido por Jucá.

Urgência pode levar manobra fiscal ao Supremo

Josias de Souza

No exercício da Presidência da República, Michel Temer remeteu ao Congresso, nesta quinta-feira, um pedido para que seja votada em regime de urgência a proposta que autoriza o governo fechar suas contas de 2014 no vermelho. Essa requisição não encontra amparo na Constituição. Se for referendado pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros, deve ser questionado no STF. A oposição já prepara o recurso judicial.

“Acredito que o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, vai rejeitar esse pedido de urgência, que é inconstitucional e fere a independência do parlamento e os princípios democráticos. Mas, se a urgência for mantida vamos questionar no STF esse atentado a Constituição”, apressou-se em dizer o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE). “Depois de desmoralizar completamente a politica econômica, com a eliminação da meta de superávit primário, o governo agora vem com essa medida que é uma aberração jurídica e política.”

O blog ouviu dois especialistas dos quadros técnicos do próprio Legislativo. Ambos concordaram com a tese de que o pedido de urgência não é cabível. A matéria está regulada no artigo 64 do texto constitucional e nos seus respectivos parágrafos. Prevê que o presidente da República tem poderes para requerer a urgência na tramitação dos projetos de sua iniciativa. Mas a regra não se aplica às propostas que tratam de Orçamento.

Diz o artigo 64 do texto constitucional: “A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados.” O parágrafo 1º acrescenta que “o presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa.”

Eis o problema: os projetos ordinários têm tramitação bicameral. O presidente da República os envia à Câmara que, depois de apreciá-los, remete-os ao Senado. As propostas que tratam do Orçamento da União têm tramitação unicameral. É o caso da proposta que agora interessa ao governo. Ela trata de modificações à Lei de Diretrizes Orçamentárias, a LDO. Seguiu para a Comissão Mista de Orçamento, composta de deputados e senadores. Depois, será votada em sessão do Congresso, de novo com deputados e senadores. Não se enquadra, portanto, no artigo 64 da Constituição, que trata dos projetos cuja tramitação tem “início na Câmara dos Deputados''.

Ao detalhar os prazos da urgência, a Constituição refere-se sempre às duas Casas do Legislativo separadamente. No parágrafo 2º do mesmo artigo 64, lê-se o seguinte: “Se a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição [do governo], cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa…”

Quer dizer: para aceitar o pedido de urgência do Planalto, o Congresso teria de considerar aceitar que o texto constitucional pode ser aplicado, por analogia, também às sessões conjuntas do Congresso. Algo que a oposição não parece disposta a aceitar.

Relator do projeto que libera o governo de poupar recursos para o pagamento de sua dívida, o senador Romero Jucá apresentou nesta quinta-feira (13) um calendário especial. Prevê um encurtamento dos prazos regimentias em 25 dias. Seguido esse cronograma, negociado previamente com o Planalto, a proposta chegaria ao plenário ainda em novembro.

Criativo, governo inventou o déficit sem remorso

Blog do Josias de Souza


Josias de Souza

Sob Dilma Rousseff, o governo marchou sobre os cofres do Tesouro mais ou menos como a Cavalaria Americana avançou sobre os índios na conquista do Velho Oeste.


Você imagina os EUA dando explicações sobre o massacre dos seus índios? Pois é. O Palácio do Planalto também estava muito ocupado cumprindo sua missão de conquistar a prosperidade para sentir remorso pelo extermínio do equilíbrio das contas públicas.



A caminho da reunião da cúpula do G20, na Austrália, Dilma refutou as críticas ao projeto que seu governo enviou ao Congresso para legalizar a irresponsabilidade fiscal que levará ao fechamento das contas públicas de 2014 no vermelho. “Dos 20 países do G20, que são as 20 maiores economias do mundo, 17 estão numa situação de ter déficit fiscal. Nós estamos ali, no zero”, festejou a presidente. Otimista, ela parece descrer da hipótese de o resultado ficar abaixo de zero.


Em entrevista à repórter Míriam Leitão, veiculada na noite desta quinta-feira (13), o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) reiterou comentários que ajudam a definir a estética do western do governo petista. Graças ao heroísmo desbravador de Dilma, o governo sacrificou a meta de superávit primário para “proteger a produção, o emprego e o chão da fábrica”.


Tomado pelo entusiasmo, Mercadante nem notou que alguma coisa lhe subiu à cabeça ao comentar a hesitação do Congresso em aprovar a proposta que desobriga o governo de produzir sobras de caixa para pagar os juros da dívida pública. “Se o Congresso não aprovar, não tem problema, podemos fazer o superávit primário”, disse o ministro. “É só suspender as desonerações [tributárias] e brecar os investimentos no país. Mas vamos colocar o resultado disso na conta do Congresso.”


Há no Congresso um sentimento antipetista que ultrapassa as fronteiras da oposição. Tomado pelas palavras, Mercadante deseja que essa aversão seja convertida num pró-petismo inocente, que aceite todas as presunções do governo a seu próprio respeito. Em matéria de política econômica, isso inclui concordar com a tese segundo a qual a gestão Dilma tem uma missão de inspiração divina. Portanto, indiscutível.


O estouro das contas não impedirá que o crescimento econômico fique próximo de zero em 2014. A gastança tampouco evitará que a inflação permaneça ao redor dos 6,5%, no topo da meta. A Petrobras, cujo conselho de administração foi presidido por Dilma, não consegue fechar um balanço trimestral, tamanha a roubalheira que se instalou na companhia desde o governo Lula.


Munido de autocritérios, porém, Mercadante acredita que Dilma —gestora impecável, potência moral— só deve explicações à sua própria noção de superioridade. O governo criou um novo tipo de déficit. O déficit sem remorso. Autocongratula-se e prepara o fechamento do ciclo. O Novo Mundo está conquistado. Falta só ajustá-lo. Se o Congresso cumprir o seu papel de aprovar tudo sem fazer muitas perguntas, quem haverá de se lembrar dos índios e das metas que a Cavalaria teve de sacrificar pelo bem do país?

Luis Nassif fala sobre a “ultradireita” das manifestações. Ultradireita? Freud explica.

luis_nassif
Ah, Luis Nassif, quanta baixaria se faz em nome de verba estatal para bloguinhos safados. Agora é a hora do texto Como a ultradireita se articula para contestar a reeleição de Dilma, do Jornal GGN:
Um hangout que o músico anti-petista Lobão liderou nesta segunda (10) definiu as diretrizes de uma carta de intenções que será apresentada à sociedade brasileira no próximo sábado (15), quando protestos contrários à reeleição de Dilma Rousseff (PT) estão programados para ocorrer em diversas cidades do País.


Segundo Lobão, a carta de intenções deve deixar claro que os manifestantes que sairão às ruas no final de semana não pedirão intervenção militar ou separatismo. Ao lado de Olavo de Carvalho, Bené Barbosa, Hermes Nery, Nathan Inácio, Marcello Reis, Dalmo Accorsini, Fábio Barsotti e Kim Kataguiri, Lobão criticou a cobertura dada pela grande mídia nos últimos protestos. Grandes jornais como Estadão e Folha deram destaque – com tom de satirização – aos direitistas descompensados e descontentes com a vitória de Dilma sobre o candidato da oposição, Aécio Neves (PSDB).


“Nós temos um único intento, que é declarar inelegibilidade de Dilma, com a fraude que aconteceu nas eleições, e por todas as falcatruas que o PT vem cometendo. Ou seja, nossa mira é o PT e a Dilma. Não temos a menor intenção de gritar por intervenção militar ou separatismo, ou coisas que o valham, como a oposição vem colocando em nossos ombros”, disse Lobão.
E deixamos algo bem claro: vários comentaristas do Nassif estão irritados pelo fato deste último reconhecer que as manifestações de 1º de novembro tiveram uma cobertura com viés. E, pecado moral (para os petistas): ele reconheceu as intenções dos organizadores em rejeitar pedidos por intervenção militar e separatismo.
Na sexta-feira anterior às manifestações, Lobão pretende conduzir uma coletiva de imprensa com a mídia internacional, com o intuito de evitar “distorções” na imprensa nacional. “Isso será muito importante porque poderemos falar para o mundo inteiro antes das manifestações. Nós teremos esse espaço para falar da carta de intenções”, disse. A única publicação que se safou de críticas foi a Veja, alinhada com o pensamento reinante dos cabeças do movimento.
Aliás, a Veja que atualmente não recebe verbas estatais. E, por isso mesmo, é considerada uma publicação isenta de chantagem governamental.
O documento com o pleito dos movimentos estará disponível em um site com base de dados fora do país a partir do dia 15, para evitar o “governo brasileiro de ter condições de fazer qualquer intervenção”, explicou Marcelo Reis, que também participou do hangout como organizador de protesto.


Com uma camiseta preta estampada com a palavra “impeachment”, Marcelo explicou que o objetivo no sábado será iniciar uma série de protestos para pressionar as autoridades a promoverem uma auditoria independente nas urnas eletrônicas, pois o “povo se sentiu lesado com a suspeita de fraude nessa eleições”.


Com a comprovação de fraude, sustentou Marcelo, a reeleição de Dilma poderia ser anulada. “Nós somos obrigados a votar, e temos também o direito de saber se fomos enganados ou não. Não adianta ter autoria referente ou igual ao [que permite o] TSE, pois [o ministro] Dias Toffoli é advogado do PT. Ele foi colocado no TSE simplesmente para advogar pelo PT”, disparou.


Olavo de Carvalho sustentou que a apuração secreta de votos já torna a eleição presidencial brasileira nada transparente e muito questionável. Ele também defendeu que as lideranças de direita que estão articulando movimentos contra o PT não sejam unificados sob um mesmo símbolo pré-estabelecido, como se fossem um partido político. Para ele, é preciso se manifestar em nome dos 200 milhões de brasileiros.
O texto acaba aqui e tudo que vimos são demandas moderadas.


Alguns até podem criticar o pedido por impeachment, alegando ser um tanto precipitado.


Eu até sugiro a seguinte campanha: “Contra o impeachment de Dilma, mas sem censura”. O racional é o seguinte: impeachment para o PT sair do poder como coitadinho em um país quebrado e ganhar autoridade moral para 2018? Não, proponho algo completamente diferente. Deixar Dilma lá no poder até o fim do mandato, mas atacando ferrenhamente o projeto de censura do partido.


A mensagem é essa: “Quis tanto o poder? Quebrou o país para isso? Ok, agora vá trabalhar! Mas nada de fazer como Kirchner, que censurou a mídia para esconder indicadores ruins e a corrupção e nem precisar trabalhar”.

Mas o momento não é de barrar de demandas, e sim de dar voz a todas as demandas, desde que sejam republicanas. E o impeachment é uma demanda republicana.

A pergunta que fica é a seguinte: o que há de “ultradireita” em todas as citações feitas no texto de Luis Nassif? Neca de pitibiriba.

Na verdade, o que temos é o oposto: uma direita moderada (junto com centristas e até esquerdistas moderados) protestando contra um governo de extrema-esquerda.
Nassif, vá projetar seu extremismo de esquerda em outro lugar.

Veja o hangout:



Em tempo: estou revendo minhas posições a respeito das urnas. As ótimas explicações de Dalmo Accorsini mostram que já passou da hora de exigirmos votações com a impressão de um recibo do voto para ser colocado em uma urna. Como em qualquer país civilizado.

O super-engavetador de Dilma e o super-engavetador de oportunidades da campanha do PSDB

Janot
O Procurador-geral da República deve ter alcançado um tipo de recorde: conseguiu engavetar 82 processos em apenas 13 meses, para a alegria da companheirada. Veja, conforme o site do PSDB:


Brasília – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, arquivou, no prazo de 13 meses, 82 inquéritos sobre denúncias que envolvem parlamentares, ministros e ex-ministros de estado. “Temos um ‘super-engavetador-geral da República’”, disparou o secretário-geral do PSDB, deputado federal Mendes Thame (SP).


O levantamento sobre os arquivamentos recomendados por Janot foi feito pelo jornal Folha de S. Paulo. Em 62 episódios, o procurador concluiu que não havia provas suficientes para avançar nas investigações e, em outros 16, identificou que as penas possíveis para as denúncias em questão já estariam prescritas. Janot está no cargo desde setembro de 2013.


“Defino essa situação como um atentado ao combate à corrupção. Além disso, é um cenário que deixa clara mais uma contradição do governo Dilma. Afinal, ao longo da campanha ela disse que o governo dela investiga e apura as denúncias, quando na prática estamos vendo o perfeito oposto. É lamentável”, declarou Thame.


O procurador-geral é o responsável pelas principais decisões nas investigações que envolvem autoridades que dispõem de foro privilegiado, como os deputados federais, ministros e senadores. Janot, de acordo com a Folha, estaria se recusando a compartilhar com o Congresso informações da delação premiada dos envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras. “Na prática, Janot tem o poder de ‘absolver’ os citados em investigações com foro privilegiado, incluindo Dilma”, diz o texto da Folha.


Histórico
Janot assumiu o cargo em substituição a Roberto Gurgel, que estava à frente da Procuradoria-Geral da República à época do julgamento dos acusados pelo mensalão. Por conta de sua postura implacável neste julgamento, Gurgel foi alvo de duros ataques de líderes petistas.

Eu sei que pode ser chato chutar cachorro morto.

Mas como pode com fatos como esses a campanha de Aécio não ter criado uma propaganda de 30 segundos na televisão falando do super-engavetador de Dilma?

Tudo bem que hoje em dia vemos que Aécio receberia uma herança maldita se tivesse sido eleito, mas o não aproveitamento de oportunidades desse tipo é imperdoável.


Que fique como um aprendizado dessas eleições.

Ricardo Noblat: Do outro lado do espelho (ou o começo do governo Aécio)


“Chega a ser risível ouvir o PT falar que é hora de descer do palanque. O PT, sempre que perdeu, nunca desceu.” Aécio Neves

Os adversários de Aécio Neves passaram as últimas semanas de campanha alertando que ele faria no governo o que negava que fosse fazer. Nem por isso Aécio escreveu uma Carta ao Povo Brasileiro. Uma vez eleito, contudo, esqueceu tudo o que disse, mas não escreveu, que não é bobo como foi Fernando Henrique. Ao cabo, avalizou o saco de maldades desembrulhado de imediato por seus auxiliares. Confira.

ARMÍNIO FRAGA, ministro da Fazenda, aumentou a miséria extrema. Gente que vive com até R$ 70 mensais passou de 3,6% para 4% da população - mais 371 mil pessoas. Agora, os miseráveis são 10,5 milhões de brasileiros e brasileiras. Na campanha, Aécio lembrou que a FAO havia tirado o Brasil do mapa da fome. Bobagem, claro, mas a FAO, órgão da ONU, é comandada por um companheiro dele e deu uma mãozinha.

NO BANCO CENTRAL, Neca Setúbal, a banqueira de Marina Silva e herdeira do Itaú, subiu a taxa de juro para 11,25% - o maior juro real do mundo. Com isso, a comida sumiu do prato das famílias mais pobres e as letrinhas dos livros escolares.

A PETROBRAX aumentou os preços da gasolina e do diesel. Considerando que o frete é 30% do custo da comida, os preços no supermercado crescerão mais. Melhor substituir o ovo por alguma promoção de miojo com prazo de validade perto de vencer.

AÉCIO AFIRMOU que vai “fazer a lição de casa” e combater a inflação - embora na campanha tenha dito que a inflação estava sob controle, mas era mentira só para ganhar a eleição, bobinhos. Armínio mandou cortar gastos do governo: encolher os bancos públicos, conter benefícios sociais e aumentar o desemprego. Sim, porque vocês também lembram que Aécio observou na campanha que, se baixar a inflação, o desemprego aumenta.

A ANEEL, aparelhada pelo PSDB, autorizou aumentos na conta de luz. Para os ricos do Rio, aumento de 20%; para os pobres do Norte, tipo Roraima, de 54%. Quem mandou acreditar que a adversária é que faria tarifaço, não é? Deviam ter aprendido com o Collor, que disse na eleição de 1989 que Lula confiscaria a poupança. Deu no que deu. Daqui até 2018, tomem memoriol, queridos!

O OPERADOR NACIONAL do Sistema do governo Aécio avisôôô, avisôôô, avisôôô que vai rolar racionamento de energia no verão, vai rolar! É que seca é seca e mané é mané: não chove na Cantareira do Alckmin, mas também não chove nos reservatórios das hidrelétricas. E reservatórios vazios não movem turbinas. Sim, o desmatamento da Amazônia que Aécio dizia estar sob controle, disparou em agosto e setembro: devastados 1.626 km², aumento de 122%.

MAIS HERANÇA maldita para azucrinar Aécio: devemos os tubos e conexões. As contas públicas de setembro tiveram o pior resultado da história com rombo de R$ 25,5 bilhões. É muito, mas não é. Na PetrobraX, surrupiaram sem contabilizar uns R$ 10 bilhões. A balança comercial de outubro foi a pior desde 1998. Aécio acha, segundo Armínio, que a culpa é do povo que enricou e pegou mania de fazer as compras do mês em Miami. Por enquanto, era isso. Beijinho no ombro, caros leitores.


PS: ENGULAM o choro, levianos! Podia ser pior. A vitória deles - aqueles “eles” lá do outro lado - seria um “retrocesso neoliberal”. Inclusive, o chefe da seita deles comanda sessões de “machismo, racismo, preconceito, ódio, intolerância e nostalgia da ditadura militar”, segundo recente resolução partidária. Dizem até que degola bodes, mas aí já acho que é maldade dos nossos blogueiros progressistas. 
 
 

Arnaldo Jabor: A derrota do óbvio

quarta-feira, 12 de novembro de 2014


A vitória da Dilma começou há dez anos, quando o PSDB preferiu não se defender dos ataques de Lula e do PT. Nunca entenderei como um partido que, no governo, acabou com a inflação, criou leis modernizantes, reformas fundamentais, fechou-se, se “arregou, se encagaçou” diante das acusações mais infundadas, por preguiça e medo. Aí o PT deitou e rolou. E conseguiu transformar os social-democratas em “reacionários de direita”, pecha que os jovens imbecis e intelectuais de hoje engoliram.

Ou seja, o melhor projeto para o país foi desmoralizado como “neoliberal”, de “direita”.

Os intelectuais que legitimaram o Lula/Dilma nos últimos 12 anos repetem os diagnósticos óbvios sobre o mundo capitalista, mas, na hora de traçar um programa para o Brasil, temos o “silêncio dos inocentes”. Rejeitam o capitalismo, mas não têm nada para botar no lugar. Assim, em vez de construir, avacalham. Estamos no início de um grave desastre. E esses “revolucionários” de galinheiro não se preocupam com o detalhe de dizer “como” fazer suas mudanças no país.

Dizem que querem mudar a realidade brasileira mas odeiam vê-la, como se a realidade fosse “reacionária”. Isso me faz lembrar (para um breve refresco cômico) a frase de Woody Allen: “A ‘realidade’ é enigmática, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife”.

No Brasil, a palavra “esquerda” continua a ser o ópio dos “pequenos burgueses” (para usar um termo tão caro a eles). Pressupõe uma especialidade que ninguém mais sabe qual é, mas que “fortalece”, enobrece qualquer discurso. O termo é esquivo, encobre erros pavorosos e até justifica massacres.

Nas rasas autocríticas que fazem, falam em “aventureirismo”, “vacilações”, “sectarismo” e outros vícios ideológicos; mas o que os define são conceitos como narcisismo, paranoia, onipotência, voracidade, ignorância. É impossível repensar uma “esquerda” mantendo velhas ideias como: democracia burguesa, fins justificam os meios, superioridade moral sobre os “outros”, luta de classes clássica. Uma “nova esquerda” teria de acabar com a fé e a esperança. Isso dói, eu sei; mas, contar com essas duas antigas virtudes não cabe mais neste mundo de bosta de hoje.

As grandes soluções impossíveis amarram as possíveis. Temos de encerrar as macrossoluções e aceitar as “micro”. O discurso épico tem de ser substituído por um discurso realista e até pessimista. O pensamento da “esquerda metafísica” tem de dar lugar a uma reflexão mais testada, mais sociológica, mais óbvia, mais cotidiana.

Não quero bancar o profeta, mas qualquer um que tenha conhecido a turminha que está no poder hoje, nos idos de 1963, poderia adivinhar o que estava para vir. E olhem que nos meus vinte anos era impossível não ser “de esquerda”. 


Havia o espírito do tempo da Guerra Fria, uma onda de esperança misturada com falta de experiência. Nós queríamos ser como os homens maravilhosos que conquistaram Cuba, os longos cabelos louros de Camilo Cienfuegos, o charuto do Guevara, a “pachanga” dançada na chuva linda do dia em que entraram em Havana, exaustos, barbados, com fuzis na mão e embriagados de vitória.

A genialidade de Marx me fascinava. Um companheiro me disse uma vez: “Marx estudou economia, História e filosofia e, um dia, sentou na mesa e escreveu um programa para reorganizar a humanidade.” Era a invencível beleza da Razão, o poder das ideias “justas”, que me estimulava a largar qualquer profissão “burguesa”. Meu avô dizia: “Cuidado, Arnaldinho, os comunistas se acham ‘médiuns’, parece tenda espirita...”

Eu não liguei e fui para os “aparelhos”, as reuniões de “base” e, para meu desalento, me decepcionei.

Em vez do charme infinito dos heróis cubanos, comecei a ver o erro, plantado em duas raízes: ou uma patética tentativa de organização da sociedade que nunca se explicitava ou, de outro lado, um delírio radical utópico. 



Eu e outros “artistas” morávamos numa espécie de “terceira via” revolucionária e começamos a achar caretas ou malucos os nossos camaradas. Nas reuniões e assembleias, surgia sempre a presença rombuda da burrice. A burrice tem sido muito subestimada nas análises históricas. No entanto, ela é presença obrigatória, o convidado de honra: a burrice sólida, assentada em certezas. 


As discussões intermináveis acabavam diante do enigma: o que fazer? E ninguém sabia. Eu nunca vi gente tão incompetente como os “comunistas”. São militantes cheios de fé como evangélicos, mas não sabem fazer porra nenhuma. E até hoje são fiéis a essa ignorância. Trata-se de um cinismo indestrutível em nome de um emaranhado de dogmas que eles chamam de “causas populares”. E Lula montou nessa gente, e essa gente no Lula.

A grande mentira está adoecendo os homens de bem que romanticamente achavam que o Brasil poderia se modernizar. Os safados atuais acreditam que o país não tem condições de suportar a “delicadeza” da democracia. E como o socialismo é impossível — eles remotamente suspeitam — partiram para o mais descarado populismo, que funciona num país de pobres analfabetos e famintos. E eles são mantidos “in vitro” para futuras eleições. E populismo dura muito. Destruirão a Venezuela e Argentina com a aprovação da população de enganados. É muito longa a “jornada dos imbecis até o entendimento”.


Na situação atual, é um insulto vermos o regresso do Brasil a um passado pré-impeachment do Collor. Reaparecem todos os vícios que pareciam suprimidos pela consciência da sociedade. E para além das racionalizações, do “wishful thinking” dos derrotados (tucanos “fortalecidos” etc..), a oposição vai ter de lutar muito para impedir o desastre institucional que pode ser irreversível.


Nas últimas eleições não houve uma disputa tipo Fla x Flu. É muito mais grave. Estamos descobrindo que temos poucos instrumentos para modernizar o pais — tudo parece ter uma vocação para a marcha à ré em direção ao atraso. O óbvio está berrando à nossa frente, e os donos do poder fecham os olhos.

Esta crise não é só política; é psiquiátrica.


Vice-presidente da Mendes Júnior negocia prisão com a Polícia Federal




O vice-presidente da Mendes Junior, Sérgio Cunha Mendes, negocia com a Polícia Federal para se entregar. Sua casa foi alvo de busca e apreensão nesta sexta-feira (14).


Segundo a Folha apurou, policiais apreenderam documentos e um cofre.

Fora de Brasília, Mendes teria conversado por telefone com o delegado e lhe passado a senha do cofre que estava no local. Como há um mandado de prisão aberto, o vice-presidente está negociando com a Polícia Federal para se entregar.

A PF deflagrou nesta sexta (14) mais uma etapa da Operação Lava Jato, que investiga pagamento de propinas e desvios de dinheiro de obras da empresa estatal de petróleo Petrobras.


Segundo documentos que compõem a Operação Lava Jato, algumas das principais ligações entre a Mendes Júnior e o doleiro Alberto Youssef são pagamentos e um contrato de prestação de serviços assinado pelo Consórcio Mendes Júnior-MPE-SOG e a empresa GFD Investimentos, controlada pelo doleiro.


Segundo o contrato, datado de 2011 e apreendido no primeiro trimestre deste ano pela PF, a empreiteira se comprometeu a pagar R$ 2,7 milhões para a GFD a título de "consultoria em Gestão Empresarial" em serviços relativos à Replan (Refinaria de Paulínia), no interior de São Paulo.


Durante a Lava Jato, os investigadores localizaram quatro depósitos mensais, no valor de R$ 281,5 mil cada um, totalizando R$ 1,12 milhão de julho a outubro de 2011, das contas da Mendes Júnior Trading e Engenharia para a da GFD.


A suspeita dos investigadores é que se trata de um contrato fictício, formalizado apenas para justificar repasses de propinas a servidores públicos. Assim, no entender da PF, Youssef se apossou desses recursos e os repassou adiante.


A Replan é "a maior refinaria em capacidade de processamento de petróleo", com o equivalente a 415 mil barris por dia, segundo informações divulgadas ao público pela Petrobras na internet. A produção "corresponde a 20% de todo o refino de petróleo no Brasil, processando aproximadamente 80% de petróleo nacional, grande parte da Bacia de Campos".


NOVA FASE
Na fase da Operação Lava Jato deflagrada hoje, estão sendo cumpridos 85 mandados judiciais em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais Pernambuco e Distrito Federal. São 27 mandados de prisão - preventivas e temporárias -, nove de condução coercitiva e 49 de busca e apreensão.


A ação está concentrada, principalmente, nas grandes empreiteiras do país. Foi decretado ainda o bloqueio de R$ 720 milhões em bens de 36 investigados.


Ouvida pela Folha no mês passado, a Mendes Junior informou, por meio de sua assessoria, que "não se manifesta sobre investigações em andamento".

Quem será o petista que recebeu U$ 100 milhões do Petrolão? A PF já sabe.



Na sétima etapa da Operação Lava-Jato, a Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. Ele é suspeito de participar de um esquema de desvio de dinheiro da Petrobras maior até que o do ex-diretor Paulo Roberto. Só um dos cúmplices de Renato Duque recebeu US$ 100 milhões, segundo revelou ao GLOBO uma fonte vinculada às investigações.

Policiais e procuradores da força-tarefa que estão à frente da Lava-Jato já identificaram o suposto envolvimento de Duque em pelo menos nove transações financeiras relacionadas a desvios de dinheiro de contratos de empreiteiras com a Petrobras. Em pelo menos sete delas, ele teria recebido parte do dinheiro. Segundo um dos investigadores, são somas expressivas. Duque comandou uma das mais fortes diretorias da Petrobras.

Investigadores suspeitam que parte do dinheiro amealhado na Diretoria de Serviços durante a gestão de Duque abasteceu os cofres do PT. Duque ocupava o cargo por indicação do partido. As primeiras informações sobre o pagamento de propina da Diretoria de Serviços surgiram num depoimento de Paulo Roberto Costa ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Mas os investigadores não se deram por satisfeito e foram atrás de novos dados.

No decorrer da apuração, investigadores obtiveram dados detalhados sobre o suposto pagamento de propina para Duque e outros altos funcionários da Petrobras. Parte dos pagamentos ao ex-diretor foram feitos no exterior. Um dos cúmplices de Duque amealhou US$ 100 milhões em propina, algo em torno de R$ 250 milhões. Duque deve ser levado ainda nesta sexta para Curitiba, onde deverá ser apresentado a Sérgio Moro.

A Polícia Federal deve dar entrevista coletiva, em Curitiba, para falar sobre aspectos gerais da operação. Procuradores da força-tarefa disseram que vão aguardar os resultados da busca para falar sobre o assunto. Mas um deles admitiu que as descobertas sobre Duque colocam a investigação sobre fraudes na Petrobras num patamar ainda mais elevado. - O Brasil está ficando mais republicano. É mais um motivo para se comemorar neste 15 de Novembro - disse o procurador.

A Justiça Federal expediu mandados de prisão também contra mais cinco suspeitos de envolvimento com os desvios da Petrobras. Um deles tem fortes ligações financeiras com um grande partido político. A PF também está fazendo buscas para apreender documentos nos escritórios das grandes empreiteiras investigadas por pagamento de propina. - É o Dia do Juizo final - comentou um policial ao avaliar as possíveis consequências da nova fase da Lava Jato. (O Globo)

Finalmente, PF bota a mão na irmã do tesoureiro do PT.


Desde o Mensalão que a irmã do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto,  Marice Corrêa Lima, era parte ativa do esquema de corrupção do partido. Hoje, finalmente, ela foi levada à PF para prestar esclarecimento. Tomara que no Petrolão ela pague pelos seus crimes no Mensalão.

Recordar é prender!

Em 7 de dezembro de 2005, quando o Mensalão estava sendo investigado, a Folha de São Paulo publicou a seguinte matéria:

Apontada como a portadora de R$ 1 milhão do PT à Coteminas (Companhia de Tecido Norte de Minas), a coordenadora administrativa do partido, Marice Corrêa Lima, confirmou a petistas ter levado o dinheiro à empresa em maio deste ano. Ela também assinou um recibo em que consta o valor entregue. Mas, pelo fato de os recursos não estarem contabilizados -e para não admitir uma ilegalidade-, o PT continuava ontem agindo como se a operação não tivesse existido.

"Não tem como [o PT] assumir esse pagamento. Claro que não. Como a instituição vai assumir algo que não houve?", disse o atual tesoureiro do partido, Paulo Ferreira. A declaração foi dada antes da divulgação da nota do antecessor de Ferreira no cargo, Delúbio Soares, na qual o pagamento foi justificado com recursos que tiveram origem "nos empréstimos feitos por Marcos Valério".

Já o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, disse ontem que não tem como "provar que não ocorreu" o pagamento de R$ 1 milhão. "O Josué [Gomes, filho de Alencar] diz que ocorreu. O Delúbio [Soares, ex-tesoureiro] diz que ocorreu. Se ambos dizem que ocorreu, quem sou eu para dizer que não ocorreu?"

Sobre a participação da coordenadora administrativa no episódio, Paulo Ferreira disse que ela "cumpriu ordens, nem sabia o que estava levando". "Pode não ter sabido, entendeu?", corrigiu-se. "O responsável era o dirigente", disse, numa alusão a Delúbio.

A coordenadora Marice aparece como signatária de um recibo emitido pela Coteminas, no valor de R$ 1 milhão. O documento, de 17 de maio de 2005, atesta o "pagamento parcial referente a fornecimento de camisetas para o Partido dos Trabalhadores". No papel consta um "de acordo", acompanhado da assinatura da funcionária petista.

Empresa do vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar, a Coteminas afirmou que o pagamento é referente a uma parcela de uma dívida de R$ 11,031 milhões -atualizados em R$ 12.279.036,31-, relativa ao fornecimento de camisetas na campanha eleitoral de 2004. Documentos da Coteminas mostram que Josué Gomes trocou correspondência com três presidentes do PT para cobrar a dívida: José Genoino, Tarso Genro e Ricardo Berzoini.

Tarso chegou a apresentar uma proposta de pagamento em 48 meses. Em resposta por escrito, Gomes alegou que, "em função da perversa combinação das políticas monetária e cambial", não poderia aceitar o acordo. Ele propôs pagamento em 12 meses.

No dia 11 de outubro, Tarso reiterou a proposta de parcelamento em 48 meses. No dia 25 de outubro, Josué Gomes endereçou nova carta ao atual presidente, Ricardo Berzoini. Nem Tarso nem Genoino quiseram falar sobre a negociação. Procurada pela Folha, Marice disse que não tem autorização para falar sobre o assunto. "Se ele [Ferreira] me autorizar, eu falo. Agora, eu não tenho autorização nem autoridade para fazer isso."
 

CPMI da Petrobras: não dá mais pra abafar.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014



Oposição vai com tudo para cima do Governo e do STF para agilizar as investigações da roubalheira da Petrobras.

A oposição avalia que a sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira (14) e que prendeu executivos de empreiteiras suspeitos de envolvimento com desvios da Petrobras, acaba com a "operação abafa" do governo para invalidar investigações da CPI do Congresso que apura irregularidades na estatal. Líderes do DEM e do PPS afirmaram ainda que, diante do estágio da operação, os políticos serão os próximos alvos.

As empresas alvo de ação da Polícia Federal nesta sexta-feira (14), em nova fase da Operação Lava Jato, têm contratos que somam R$ 59 bilhões com a Petrobras. Nove empresas, que pertencem a sete grandes grupos de empreiteiras, tiveram mandados de busca e apreensão cumpridos em suas sedes: Camargo e Corrêa, OAS, Odebrechet, UTC, Queiroz Galvão, Engevix, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Iesa. Na lista há mandados de busca e apreensão e prisões de executivos e empresários.A operação da PF investiga esquema bilionário de lavagem e desvios de dinheiro envolvendo a estatal.

Para o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), a ação da PF derruba a movimentação governista para barrar as investigações da CPI da Petrobras. O deputado afirmou que vai insistir na convocação para o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, preso nesta manhã. A convocação foi pedida em maio pelos oposicionistas. Duque foi indicado pelo PT para o alto escalão da empresa. Segundo congressistas, teria sido lançado pelo ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), condenado e preso no processo do mensalão.

"Os fatos se mostraram maiores do que a operação abafa do governo, inclusive esta semana tentamos votar a convocação de Renato Duque na CPMI. Felizmente, a Justiça não está aparelhada e existe independência na atuação do Ministério Público e Polícia Federal que acabou prendendo o ex-diretor da Petrobras", disse Mendonça Filho.

Para o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), a Operação Lava Jato vai levar o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) à ruína. "A operação desmoraliza a comando da CPMI da Petrobras que se negou a votar convocação de ex-diretor preso nesta sexta-feira pela Polícia Federal", afirmou.
Bueno disse que a oposição vai insistir na instalação de uma nova CPI para em 2015 analisar a situação dos políticos envolvidos no escândalo.


"A parte criminal está sendo realizada com eficiência pelo comando da operação Lava Jato. Cabe a nós, no Congresso, investigar em uma CPI os políticos e, após a conclusão das investigações, encaminhar os devidos pedidos de cassação de mandato para o Conselho de Ética", defendeu o deputado. ( Folha Poder )


'Tem muita gente sem dormir em Brasília', diz Aécio sobre Lava Jato




O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse nesta sexta-feira (14) que a nova fase da operação Lava Jato, da Polícia Federal, está deixando "muita gente sem dormir em Brasília". Para ele, as novas prisões levam o escândalo para cada vez mais perto de dentro do governo da presidente Dilma Rousseff.

Aécio, que disputou e perdeu a eleição para a petista, falou sobre o caso em sua primeira agenda em São Paulo após as eleições.

Acompanhado do governador Geraldo Alckmin, que não falou sobre o caso, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ele disse que " cada vez é mais clara a percepção de que não havia um ato isolado de um ou dois dirigentes, mas uma estrutura" criminosa dentro da Petrobras.


O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que concorreu a vice de Aécio, completou a frase do aliado com a seguinte expressão: "a casa caiu".

Por que o PT despreza o nordeste e ignora as necessidades dos nordestinos?



Vitrines de Dilma, obras do NE atrasam e acumulam aumentos de R$ 47 bilhões

Do UOL, em Maceió (AL)




Obras de transposição do rio São Francisco



Uma vaca magra caminha ao lado de um dos canais que está sendo construído para a transposição do rio São Francisco, no município de Cabrobó, no interior de Pernambuco. A transposição desviará água do rio para atender a quatro Estados do Nordeste brasileiro, notadamente marcados pelas secas. As obras foram iniciadas em 2007, com o orçamento inicial de quase R$ 4 bilhões.

Os trabalhos diminuíram em 2010, por problemas de adequação do projeto-base à realidade da execução. Hoje, o orçamento da transposição está em R$ 8,2 bilhões, o dobro do previsto inicialmente, financiados pelo PAC (Programa de Aceleração ao Crescimento) 1 e 2. Esse é o maior empreendimento de infraestrutura hídrica já construído no Brasil. Atualmente, a transposição está com 51% de suas obras concluídas, com previsão de conclusão para dezembro de 2015 Leia mais Ueslei Marcelino/Reuters

A região Nordeste, que deu mais de 70% dos votos válidos para a releição presidente Dilma Rousseff (PT), espera há anos a conclusão das principais obras prometidas à região. A transposição do rio São Francisco, a refinaria Abreu e Lima e a ferrovia Transnordestina estão em andamento, mas têm cronograma atrasado e o preço inicial já foi aumentado R$ 47 bilhões.


Durante a campanha pela reeleição, Dilma intensificou suas viagens ao Nordeste. Uma visita de Dilma ao São Francisco inclusive foi gravada e usada na propaganda eleitoral. As imagens da obra da transposição apareceram no primeiro dia do horário eleitoral gratuito.


A obra-símbolo do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na região é a transposição do rio São Francisco, que já contabiliza mais de dois anos de atraso.


O projeto de "Integração do Rio São Francisco", como é chamada oficialmente a transposição, é a maior obra de infraestrutura hídrica do país, com 477 km de canais que devem abastecer 12 milhões de pessoas em 390 municípios de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.


A previsão inicial de entrega era 2012, mas agora a inauguração só deve ocorrer no próximo ano, com elevação de 80% no valor inicial: de R$ 4,8 bilhões para R$ 8,2 bilhões. Para acelerar a obra, há canteiros com turnos de trabalho nas 24 horas do dia.

Arte/UOL
Dilma (PT) venceu o segundo das eleições em todos os Estados do Nordeste
 
Outro caso emblemático de atraso é a ferrovia Transnordestina, que, na verdade, é uma concessão a um empreendimento privado, mas que está incluso no PAC. A ferrovia era para ter sido entregue pronta há quatro anos, interligando os portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco --cortando, assim, o sertão nordestino.

Entre todas elevações de custo, nenhuma é maior que a refinaria Abreu e Lima. Com custo inicial previsto de US$ 2,5 bilhões, a obra só deve ser concluída em maio 2015, com um custo estimado de US$ 18,5 bilhões. Com denúncias de corrupção que envolveram a Petrobras, a obra se transformou numa das maiores dores de cabeça do governo.


A refinaria entrou no plano de negócios da Petrobras em 2007, com o início das obras apenas dois anos depois. Durante quatro anos, a Petrobras negociou uma participação de 40% na refinaria com a estatal venezuelana PDVSA (por isso os valores estimados em dólares), mas o acordo foi descartado em 2013 --quando a estatal percebeu que jamais seria cumprida a promessa de investimentos feitos pelo então presidente Hugo Chávez, morto em março do ano passado.





Obras no Nordeste acumulam atrasos
  • Folhapress
    Refinaria Abreu e Lima
    Prazo inicial previsto: 2012 / Custo inicial*: US$ 2,5 bi (R$ 6,3 bilhões)
  • Folhapress
    Refinaria Abreu e Lima
    Novo prazo para entrega: 2015 / Custo atual*: US$ 18,5 bi (R$ 46,9 bilhões)
  • Daniel Carvalho/Folhapress
    Transposição do rio São Francisco
    Prazo previsto: 2012 / Custo inicial: R$ 4,8 bilhões
  • Daniel Carvalho/Folhapress
    Transposição do rio São Francisco
    Novo prazo previsto para entrega: 2015 / Custo atual: R$ 8,2 bilhões
  • Alan Marques/Folhapress
    Ferrovia Transnordestina 
    Prazo inicial previsto: 2010 / Custo inicial: R$ 4,5 bilhões  
    Novo prazo previsto para entrega: 2016 / Custo atual: R$ 7,5 bilhões

     





Fonte: Ministério da Integração Nacional, Min. dos Transportes e Petrobras. *Cálculo feito com dólar a R$ 2,53

Respostas

Segundo o Ministério da Integração Nacional, que toca a transposição, é "natural" que a implantação de uma grande obra encontre "obstáculos diversos".

A pasta informou que o prazo de conclusão da obra é "compatível com a dimensão e complexidade do empreendimento" e citou que novos serviços surgiram a partir das "diferenças entre o Projeto Executivo e o Projeto Básico."

Já a diferença entre os valores inicial e atual se refere "à atualização monetária (R$ 1,7 bilhão), adequações de projeto (R$ 0,9 bilhão) e incorporação de despesas ambientais no orçamento (R$ 1 bilhão)".

Segundo o Ministério dos Transportes, responsável pela Transnordestina, "ocorreram alguns ajustes financeiros, que são acordos entre investidores e acionistas." "Estes acordos estabelecem condições e responsabilidades para a conclusão das obras de implantação da ferrovia Transnordestina e inclui ainda obrigações assumidas pela TLSA em relação a implementação da Malha II, que compreende os trechos que passam por Missão Velha a Salgueiro, Salgueiro a Trindade, Trindade a Eliseu Martins, Salgueiro ao Porto de Suape e Missão Velha ao Porto de Pecém, além da readequação dos trechos que a compõem", afirmou.

Já sobre o atraso de quatro anos, o órgão respondeu que se deve "principalmente a questões ambientais, desapropriação e recursos para adequação de projeto."

A Petrobras não respondeu aos questionamentos do UOL sobre Abreu e Lima.

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Obra de transposição do rio São Francisco recebe políticos de governo e oposição




14.out.2009 - O então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, posa ladeado pela então ministra da Casa Civil do governo, Dilma Rousseff, do ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) (à esquerda) e do governador de Minas Gerais à época, Aécio Neves (PSDB), durante visita às obras de transposição do rio São Francisco no Estado Leia mais Ricardo Stuckert/Presidência da República/Divulgação

Dilma II Até agora, todos recusaram o lugar de Mantega


Até agora, todos candidatos fora do governo procurados para ocupar lugar de Mantega recusaram convite
Publicado: 14 de novembro de 2014 às 0:14

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Ministro da Fazenda sob aviso prévio, Guido Mantega. Foto: ABr

Há grande nervosismo no Palácio do Planalto com a recusa sistemática de cotadas para o cargo de ministro da Fazenda, em substituição a Guido Mantega. Dilma não queria banqueiro no cargo, mas acabou convencida pelo ex-presidente Lula. Quando finalmente ela autorizou as sondagens, todos eles declinaram, inclusive executivos do mercado financeiro. Restaram apenas opções de atuais integrantes do governo.

A recusa não decorre do temor da crise de 2015, mas o temor do jeito búlgaro de ser de Dilma, e suas intromissões em decisões técnicas.

Executivos do mercado financeiro estão habituados a decidir e fazer cumprir suas decisões. Não aceitam submeter-se a injunções políticas.

Como revelou o portal Diário do Poder, o presidente do BC, Alexandre Tombini, é opção técnica. E está habituado aos esculachos de Dilma.

Henrique Meirelles, ex-BC, topa ser ministro da Fazenda, mas que não topa com ele no cargo é Dilma. Lula insiste nessa alternativa. Leia na Coluna Cláudio Humberto.

Casa da vergonha!! Ou da falta de vergonha! Câmara Legislativa quer dificultar cassação de deputados pilantras



Câmara Legislativa quer dificultar cassação de deputados corruptos
Publicado: 14 de novembro de 2014 às 10:58

(Foto:wikimedia_commons)
Câmara Legisativa do Distrito Federa; fábrica de decisões vergonhosas


A Câmara Legislativa do DF vai votar Projeto de Resolução que retira do cidadão o direito de apresentar representações por quebra de decoro contra deputados distritais. Entidades da sociedade civil também ficarão impedidas de requerer a abertura de investigações contra esses parlamentares.

Dessa forma, a prerrogativa ficará restrita ao próprio meio político. Além disso, processos de cassação somente poderão ser aberto após condenação transitada em julgado, na Justiça – o que pode demorar anos a fio, o suficiente para que cumpram seus mandatos sem o risco de perdê-los.


dep chico leite
O deputado Chico Leite é contra o projeto


Agora, segundo o projeto de resolução nº 82, apresentado nesta quarta-feira, somente partidos políticos com representação no Congresso Nacional ou na Câmara Legislativa, o corregedor da Casa e comissões permanentes a poderão denunciar malfeitorias de deputados distritais. A informação foi publicada no jornal Correio Braziliense desta sexta-feira.


A abertura de processos contra Raad Massouh (PPL), cassado em 2013, Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP) e Rôney Nemer (PMDB), estes já condenados na Justiça em segunda instância, foram de iniciativa da população. Esse direito está previsto na Constituição Federal.


O projeto de resolução passou por uma tramitação relâmpago. Quatro dos deputados favoráveis ao projeto têm condenação por improbidade e outros quatro respondem a ações judiciais pelo mesmo motivo.


O deputado Chico Leite (PT) é contra o projeto:

- O parlamentar, quando processado, é pelo fato ilícito que cometeu, não pela circunstância de estar sendo processado em outra instância, como a judiciária. É por isso, inclusive, que ele pode ser absolvido na Justiça e ter o mandato cassado na Câmara Legislativa.

Petrolão Odebrecht e Mendes Júnior são alvo da Lava Jato



Polícia Federal prende também o vice-presidente da Mendes Júnior
Publicado: 14 de novembro de 2014 às 10:59 - Atualizado às 12:50
EMPRESA … UMA DAS EMPREITEIRAS-ALVO DE A«√O DA OPERA«√O LAVA JATO
PF executa mandatos na sede da empreiteira Camargo Corrêa em São Paulo.


A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira em Brasília o vice-presidente da construtora Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes, e fez buscas na sede da empreiteira. Policiais também vasculharam endereços da Odebrecht e de três de seus executivos. Trata-se de Márcio Faria da Silva, Rogério Campos de Araújo e Saulo Vinicius Rocha Silveira.

As ações fazem parte da sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada hoje. Executivos das duas empresas são suspeitos de pagar propina a dirigentes da Petrobras em troca de contratos superfaturados em obras da estatal.


 Parte dos recursos do esquema era direcionada a partidos da base aliada do governo, entre eles o PT e o PMDB, segundo o inquérito. O Estado revelou hoje que a PF também prendeu um diretor da Iesa Óleo e Gás e fez busca e apreensão na sede da Camargo Correia, em São Paulo