terça-feira, 18 de novembro de 2014

Dilma, indevidamente




Dora Kramer
Partindo do pressuposto de que não lhe falha a memória e de que o Brasil não sofre epidemia de amnésia, a presidente Dilma Rousseff incorre em ato de deliberada apropriação indébita ao atribuir ao seu governo o marco histórico no combate à corrupção, devido ao desmonte do esquema de ilícitos em funcionamento na Petrobrás entre 2003 e 2012.
Da Austrália, a presidente se pronunciou dizendo que esse é um escândalo de características especiais. Segundo ela, "o primeiro a ser investigado". E por isso mesmo, um divisor, "capaz de mudar para sempre as relações entre a sociedade brasileira, o Estado brasileiro e as empresas privadas", em relação à impunidade. Avocou para si o mérito, quando ele se deve a instituições que funcionaram com independência: Congresso, Polícia Federal, Ministério Público e Supremo Tribuna Federal.

Em matéria de amplitude há, de fato, ineditismo, como demonstraram as prisões dos executivos de empreiteiras na última sexta-feira e já indicam as notícias sobre a próxima fase da Operação Lava Jato sobre o envolvimento de algumas dezenas de políticos. Nem de longe, porém, é possível dizer que esse seja o primeiro escândalo a ser investigado e muito menos que seja a causa de mudança de procedimentos.

Na realidade, é consequência de um escândalo produzido pelo PT, o mensalão: desde a denúncia de Roberto Jefferson, passando pela bem sucedida CPI dos Correios, o trabalho do Ministério Público, a denúncia do procurador-geral Antonio Fernando de Souza, o julgamento e as condenações no Supremo Tribunal Federal, até as prisões dos réus.

Enquanto os políticos estão quase todos cumprindo suas penas em prisão domiciliar, os operadores do esquema nos bancos e agências de publicidade continuam na cadeia. O principal deles, Marcos Valério ainda ficará por muito tempo em regime fechado. Confiou na influência dos donos do poder e calou-se na CPI e na Justiça. Quando quis fazer delação premiada era tarde.

Deu-se ali a mudança de paradigma que serviu de exemplo e, depois de alguma resistência, incentivou Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef a optarem pelos acordos de delação premiada. A eles recentemente juntaram-se outros, no que em breve talvez seja uma fila.

Com base nas informações prestadas em exaustivos depoimentos é que a polícia está conseguindo desmontar o que a PF já havia chamado de "organização criminosa" montada dentro da Petrobrás. Isso ao tempo em que o governo tratava o assunto em estado de total negação de que houvesse qualquer tipo de irregularidade na estatal - no máximo se admitia erros administrativos, nunca decorrentes de "má-fé", muito menos de intenções delituosas.

De onde não se pode aceitar como verossímil a versão de que foi a presidente quem "mandou" investigar. Inclusive porque o trabalho foi feito em conjunto pela Polícia Federal, Ministério Público e Justiça do Paraná, instâncias cuja autonomia é assegurada pela Constituição.

Até meados do ano, antes de aparecerem evidências mais consistentes, o governo só fez trabalhar intensamente para inviabilizar as comissões de inquérito no Congresso que pretendiam investigar os negócios na Petrobrás, tentar adiar decisões do Tribunal de Contas da União sobre a refinaria de Pasadena e por várias vezes ministros, políticos governistas e a própria presidente insistiam na versão de que quem lança suspeições sobre a empresa tinha como objetivo enfraquecer um patrimônio nacional e impor prejuízos políticos à candidatura da presidente.

Houve mesmo um momento em que Dilma pôs em dúvida a veracidade do conteúdo das delações premiadas e acusou a oposição de usar as "supostas denúncias" para dar "um golpe" no País.
Diante de tanta contradição e ambiguidade, é de puro exercício de ficção transformar o governo de agente a combatente da corrupção na Petrobrás.

Briga com Lula, crise econômica, e pressões na Petrobras e Eletrobras afetam Dilma em fim de desgoverno








terça-feira, 18 de novembro de 2014





Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Embora Dilma prometa que o "Estado brasileiro vai mudar sua relação com as empresas" e o vice dela, Michel Temer, tente vender a falsa imagem de que o governo está "tranquilíssimo" com a Operação Lava Jato, fica claro que o esquema nazocomunopetralha de poder coloca em prática uma tática de contrainformação nunca antes vista na história do Brasil. A maquiagem de marketagem só não consegue esconder a precária situação em que o desgoverno colocou as maiores empreses estatais de economia mista. Petrobras e Eletrobras vivem crises sui generis, por pura "incomPTência" de governança e muita corrupção.

Investigada e quase processada nos EUA, a endividada Petrobras tende a encontrar dificuldades para se refinanciar - na rolagem quase diária que faz e suas dívidas e na obtenção de crédito novo, via emissão de títulos, para investimentos urgentes. Já se especula sobre o risco de investidores pedirem a antecipação do vencimento dos papéis. Eis porque pode custar muito mais cara que a merreca de R$ 500 reais em multas diárias a não publicação do balanço da empresa no terceiro trimestre. A Petrobras promete divulgar o documento no dia 12 de dezembro. No entanto, de pouco pode adiantar, pois os dados não devem passar pela revisão dos auditores.

Tragédia parecida com a da Petrobras - inclusive com alto risco de explosão de escândalos - acontece com a Eletrobras. O mercado já trabalha com o altíssimo risco de que a empresa não pague dividendos aos acionistas. As reservas para esta finalidade estão no fim. Em números de setembro, há apenas R$ 300 milhões disponíveis. No final de 2011, o reservado era de R$ 16 milhões. A grana virou pó com os sucessivos prejuízos e com os valores pagos aos investidores. A Eletrobras, que sempre foi rentável, teve prejuízo de R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre. Eis o preço pago dois anos depois da desastrosa Medida Provisória 579 - antecipando a renovação das concessões de energia, com a redução de tarifa que agora já não vale mais nada, corroída pela inflação, imposta pelo governo em assembleia geral da companhia.

Na Petrobras, o Petrolão provoca uma crise clara entre Dilma e Lula. A Presidenta age para de descolar dos escândalos. A tática defensiva dela, no entanto, acabe sendo ofensiva contra o Presidentro e seus aliados. Ontem, a diretoria da Petrobras, após espetaculosa entrevista coletiva para acalmar o nervoso mercado, preferiu não confirmar a notícia, vazada pelo colunista Alcelmo Góis, de O Globo, de que o Conselho de Administração da Petrobras tinha decidido, na sexta-feira passada, encaminhar pedido de abertura de ação civil contra 15 funcionários. No meio deles estaria José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da estatal, e Nestor Cerveró, o ex-diretor da área Internacional, além de dois executivos estrangeiros, culpando-os pela desastrosa compra, em 2006, da refinaria de Pasadena, no Texas. O péssimo negócio, com ares de negociata, foi responsável por um prejuízo de US$ 792,3 milhões à Petrobras.


Gabrielli é homem de confiança de Luiz Inácio Lula da Silva. Sempre fez parte da turma de José Eduardo Dutra - turma que comanda a Petrobras desde 2003. A tática de contrainformação do Palácio do Planalto, deixando vazar a notícia negativa contra Gabrielli, pode se transformar em um golaço contra. Como se conseguirá o milagre de tirar fora a responsabilidade pessoal de Dilma Rousseff sobre a decisão do rombo de Pasadena? Dilma era "presidente" do Conselho de Administração da Petrobras quando a operação foi aprovada... O grupo de Lula, na hora de um provável rompimento de relações, é bem capaz de recordar tal fato aos mais convenientemente esquecidos...

Além de arranhar a imagem internacional da Petrobras, e desgastar ainda mais o desgoverno, o Petrolão começa a custar caro à estatal. A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, foi forçada ontem a informar que vão custar cerca de R$ 19 milhões apenas a contratação de duas "consultorias independentes" para auditar a empresa diante das denúncias da Lava Jato. O escritório brasileiro de investigação Trench, Rossi e Watanabe Advogados levará R$ 6 milhões. O norte-americano Gibson, Dunn & Crutcher LLP ebolsará US$ 5 milhões (cabalísticos R$ 13 milhões na cotação atual). Os contratos são de um ano.

Claramente, o plano do governo é fazer uma faxina de fachada no escândalo. A intenção imediata é conter os efeitos do megaescândalo para não agravar uma crise institucional que pode sair do controle. A tática urgente é ganhar tempo, e apostar que o fim do ano, com recesso do Legislativo e do Judiciário, tende a acalmar as coisas até a posse da Presidenta reeleita, em 1 de Janeiro. O negócio é cozinhar a crise até fevereiro, quando o novo congresso assume. Até lá, na prática, o governo quer afastar qualquer risco de impeachment ou de qualquer outro tipo de golpe...

Dilma venceu a reeleição mas já era. No primeiro mandato, robotizada por Lula e por quem manda nele fora do Brasil, Dilma não governou. No segundo mandato, ensaiando uma rebelião contra seu criador, na ilusória tentativa de se tornar "independente", Dilma tende a ficar mais refém ainda do PMDB e da base aliada, ainda mais se seu inimigo Eduardo Cunha conquistar a Presidência da Câmara dos Deputados. Dilma está na merda. Se correr, Lula pega. Se ficar, o Petrolão come e o PMDB se delicia com a sobremesa.

O maçom inglês Michel Temer está pronto para assumir a Presidência da República, caso a Dilma seja engolida pelas crises política e econômica. A belíssima cunhada Marcela já pode comprar seu vestidinho para brilhar como primeira-dama. O ocaso da estrela nazicomunopetralha nunca foi tão previsível... 2015 será infernal. Dilma tentará sobreviver... Será que o PT e o PMDB vão deixar? Devagarinho, o povo já está na rua protestando, mesmo contra a vergonhosa e criminosa autocensura da mídia amestrada e abestada.

Dilma é a Presidenta Porcina. A que é sem nunca ter sido Presidente. Seja pela deturpação ortográfica de gênero, no termo feminilizado pela marketagem, ou pela triste realidade política que transforma o titular do Palácio do Planalto em um imperial refém de forças nada ocultas que transformam o Presidente (ou Presidenta) em mera marionete.

Piada Capimunista sem Graça


O mercado encarou como uma anedota soviética a criação, pela Petrobras, de uma sétima diretoria, a de Governança, para cuidar do óbvio ululante: o “cumprimento de leis e regulamentos internos”.

A genial medida foi aprovada pelo Conselho de Administração da estatal de economia mista na sexta-feira passada, mas só ontem foi anunciada pela presidente da empresa, a prestigiada botafoguense Graça Foster.

Kamarada Azamba, especializado em mecanismos ditatoriais de informação, indaga se o novo cabide para pendurar algum petista com alto salário, como jeitinho de polícia interna, vai se chamar: NKVD, KGB, STASI ou DGI?

Outra brincadeira...

O diretor de exploração e produção da Petrobras, José Miranda Formigli, também "brincou" ontem que não deverão ser rompidos os contratos em que eventualmente forem confirmados sobrepreços:
"Em eventuais revisões de contratos onde sejam identificadas práticas inadequadas, vão ser corrigidos, mas a priori não rompidos. A menos que haja casos concretos que possam afetar as licitações em si, não vemos necessidade de modificações".
Já a presidente Graça Foster, em teleconferência para investidores irritados, vendeu a promessa de que a estatal buscará o ressarcimento pelos prejuízos identificados, quando confirmados:
"Onde houver identificação de prejuízo, vamos buscar esse prejuízo. Nosso jurídico já vem trabalhando em diversas frentes. Vamos buscar os prejuízos para que haja retorno ao caixa da companhia".
Novo Clube dos Cafajestes

Terror na Colômbia

Colombianos voltam aos tempos do terrorismo de Pablo Escobar com o sequestro no domingo do general brigadeiro Rubén Alzate, comandante da Força de Tarefa Titán do Exército, em uma zona rural do departamento de Chocó.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, resolveu suspender as negociações de paz, que rolavam há dois anos, com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

O acordo de cessar fogo e fim de sequestros praticados pelas FARC era negociado com a intermediação da inconfiável turma do Foro de São Paulo, no governo de Cuba - o que demonstra a ingenuidade ou burrice dos governo colombiano.

FARC a toda...

As Farc, principal guerrilha do país e a mais antiga da América Latina, conta oficialmente com cerca de 8 mil combatentes, essencialmente nas zonas rurais.

Desde o início de 2012, o grupo rebelde, ligado ao narcoterrorismo, se comprometeu a não praticar mais o sequestro de civis, mas se reserva ao direito de capturar policiais ou militares, considerados prisioneiros de guerra.

O General Alzate deu mole porque vestia roupas civis e estava sem escolta na hora que foi pego de surpresa pelos sequestradores - que também levaram o cabo Jorge Rodríguez Contreras e a advogada Gloria Urrego, coordenadora de Projetos Especiais da Força Tarefa Titán do Exército colombiano.

Preocupação com o narcotráfico

Quem se manifestou preocupadíssimo com o descontrole da violência e o aumento do poderio do narcotráfico na Argentina foi ninguém menos que o filho do falecido Rei do Tráfico Colombiano Pablo Escobar Gavíria.

Em entrevista ao jornal argentino Perfil, para promover o livro que vai lançar "Mi Padre" (Editora Planeta), Juan Pablo Escobar Henau, que usa a identidade de Sebastián Marroquín, advertiu que a situação dos hermanos é extremamente preocupante:

"Sinceramente, me dá muita tristeza ver um aumento da violência na Argentina. Já faz 22 anos que cheguei para viver aqui e me dá tristeza ver como temos avançado pouco em matéria de segurança. Mas existe uma realidade que vai muito além da mera segurança e da venda de drogas: o narcotráfico é um excelente negócio graças à proibição da venda de drogas. Isto não quer dizer que a legalização seja a única saída, mas quer dizer que as estratégias adotadas há mais de 40 anos para combater o flagelo tem se demonstrado, até agora, obsoletas, sem funcionar em absoluto".

Pai dele fundou as Farc

O pai de Juan, considerado um dos mais ricos narcotraficantes do mundo na década de 80, foi um dos fundadores e sustentadores da guerrilha que se unificou nas FARC, gerando, inclusive, o famigerado Foro de São Paulo, endeusado pelos cubanos e pela nazicomunopetralhada.

Juan Pablo Escobar lamenta a experiência vivida por sua família e até pede desculpas pelas milhares de mortes provocadas direta ou indiretamente por seu pai Pablo Escobar, advertindo que não guarda qualquer herança, a não ser a dura lembrança, dos momentos vividos, na infância, acuado pela guerra que o Cartel de Medelin promoveu contra o Estado colombiano:

"Toda a fortuna que recuperamos de meu pai acabamos forçados a entregar aos cartéis inimigos, como o de Cali. Eles quiseram recuperar todo o dinheiro que tinham investido na morte de meu pai. A nós só restou a opção de entregar a totalidade do dinheiro. Eles conheciam exatamente onde estava toda a fortuna. Se escondêssemos uma moeda sequer seríamos um homem morto".

Manifestações censuradas na mídia nacional

A mídia amestrada tupiniquim, que promove um morde e assopra contra o governo em busca de verbas publicitárias oficiais, insiste em promover a criminosa autocensura e não dá a devida atenção a manifestações populares contra o governo Federal - como as ocorridas dia 15 de novembro.

Quem quiser saber sobre a repercussão das passeatas deve consultar o noticiário internacional.


Outra opção é consultar sobre o assunto no ainda sob censura YouTube...

Brasil não é Venezuela


Ato na Avenida Paulista, sem menção à intervenção militar na edição, apesar da bronca generalizada dos manifestantes contra o PT.


Um outro panorama da manifestação em São Paulo, no MASP.


O deputado federal Jair Bolsonaro discursando no ato do Rio de Janeiro, na Avenida Atlântica.


Ato na Praça da Liberdade, em Minas Gerais.



Diretor acusado de receber propina estava sentado ao lado de Graça Foster. Ontem, quando ela anunciou a criação de uma diretoria anticorrupção na Petrobras.

terça-feira, 18 de novembro de 2014


Cosenza (à esquerda) estava ao lado de Graça Foster na coletiva de ontem: acusado por três delatores.
 
 
O delegado da Polícia Federal Agnaldo Mendonça Alves afirmou no último final de semana, durante a tomada de depoimento de três executivos de empreiteiras presos na Operação Lava Jato, que delatores implicaram o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, em supostos recebimentos de "comissões" ligadas a contratos da estatal. Cosenza participou nesta segunda (17) no Rio, ao lado da presidente da companhia, Graça Foster, de uma conferência promovida pela Petrobras para divulgação de dados operacionais da estatal. 
 
 
Segundo os depoimentos, o delegado fez a seguinte indagação ao ex-presidente da Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho, um dos presos na sexta (14): "Paulo Roberto e Alberto Youssef mencionaram o pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras para si, para os diretores [Renato] Duque, [Nestor] Cerveró e Cosenza e para agentes políticos. O sr. confirma essa informação?". Ele negou. 
 
 
Costa foi diretor de Abastecimento da Petrobras e confessou ter contas no exterior com dinheiro de propina e Youssef é o doleiro que operava uma série de empresas de fachada para pagamentos a políticos. Ambos fecharam acordo de delação premiada na Operação Lava Jato.  A mesma pergunta, com variações, foi feita ao executivo Carlos Eduardo Strauch Albero e Newton Prado Júnior, ambos da Engevix. Eles também negaram ter conhecimento dos pagamentos. 
 
 
O executivo Othon Zonaide de Moraes Filho, da Queiroz Galvão, negou saber de propinas a Cosenza ou outros servidores. Disse que conhecia Cosenza porque ele costumava acompanhar Paulo Roberto Costa em reuniões na petroleira, um relacionamento que ele caracterizou como "estritamente profissional". 
 
 
Procurada pela Folha, a assessoria da Petrobras disse: "O diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, nega, veementemente, as imputações de que tenha recebido comissões' de empreiteiras contratadas pela Petrobras, ao tempo que reafirma que jamais teve contato com Alberto Youssef".
 
 
À PF o executivo Albero disse que conheceu Youssef no final de 2013, quando o doleiro foi ao escritório da companhia para falar com os sócios-proprietários. Depois, em data que não cita, disse ter ido "entregar um envelope" para Youssef a pedido "da alta direção da empresa" Engevix. Os empresários negaram ter pago propinas e negaram ter conhecimento de um "clube" formado por empreiteiras. 
 
 
Há 38 anos na Petrobras, José Carlos Cosenza é formado em engenharia química. Começou a carreira como estagiário na Refinaria Alberto Pasqualini. Passou por outras refinarias até presidir a estatal na Argentina e Uruguai. Em 2007, quando a Petrobras comprou a refinaria de Pasadena, Cosenza foi chamado para modernizar a unidade. A obra nunca saiu do papel. Em 2012, com a saída de Costa, Graça Foster o nomeou para o Abastecimento.(Folha de São Paulo)
 
 

2 comentários:

betinha disse...
Durante a entrevista, num momento, ele colocou a mão na cabeça, tipo NÃO TO ACREDITANDO!!
Anônimo disse...
Agora é juntar o video de um dos debates aonde dilma aparece mentindo que não havia problemas e colar nessa declaração da Foster...e aí temos outro coquetel molotov

Apenas 5 acordos vão devolver R$ 423 milhões para Petrobras. E o que o PT, PMDB e PP roubaram nos últimos 12 anos, como será recuperado?


Blog do Coronelterça-feira, 18 de novembro de 2014


João Vaccari Neto, o tesoureiro honorário do PT, operava todo o esquema e continua ganhando R$ 20 mil mensais como conselheiro de Itaipu. Cuidado com as turbinas! 


Numa série de acordos e confissões de fraudes sem paralelo em processos judiciais brasileiros, cinco delatores da Operação Lava-Jato já se comprometeram a devolver R$ 423 milhões. As somas já estão bloqueadas em contas no Brasil e no exterior, e a devolução aos cofres públicos depende apenas de decisões judiciais burocráticas. Só o ex-gerente Pedro Barusco, um dos supostos cúmplices do ex-diretor de Serviços Renato Duque, firmou compromisso de devolver aproximadamente US$ 100 milhões, algo em torno de R$ 253 milhões, segundo disse ao GLOBO uma autoridade que acompanha o caso.


O valor é superior ao que a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves (PSDB) teriam gasto, cada um, durante a campanha eleitoral deste ano. Dilma planejou despesas da ordem de R$ 300 milhões. Os gastos de Aécio teriam ficado em torno de R$ 290 milhões. Trata-se também do maior volume de recursos a ser devolvido a partir de acordos de delação premiada no país. Até então, a maior quantia a ser devolvida por um delator era a do ex-secretário de Assuntos Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa, operador do mensalão do DEM. Dinheiro e bens a serem devolvidos por Barbosa giram na casa dos R$ 100 milhões, conforme cálculos do Ministério Público local.


A escalada de delações, associada à confissão de culpa e à devolução de dinheiro desviado, começou com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. O ex-diretor entregou a estrutura de corrupção em contratos de empreiteiras com a Petrobras e assumiu por escrito o compromisso de devolver aproximadamente R$ 70 milhões. Desse total, US$ 23 milhões (R$ 58 milhões) estão bloqueados em contas bancárias na Suíça. Com o caminho aberto, o seu ex-cúmplice no esquema, o doleiro Alberto Youssef, também decidiu confessar envolvimento com a corrupção e entregar aproximadamente R$ 50 milhões.


Não demorou, o executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, decidiu fazer o mesmo. O empresário concordou em pagar R$ 40 milhões a título de ressarcimento dos cofres públicos e contar ao Ministério Publico como e para quem pagou propina em troca de contratos com a maior estatal brasileira. Augusto Ribeiro, outro executivo da Toyo Setal, dispôs-se a pagar R$ 10 milhões e também complementar os relatos sobre os subornos de dirigentes da Petrobras e de intermediários das negociatas.


Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato estavam cientes da importância histórica dos valores a serem devolvidos pelos delatores. Numa cartada emblemática, procuradores obtiveram o compromisso de que Barusco devolverá aproximadamente US$ 100 milhões. Parte do dinheiro, US$ 20 milhões, já está bloqueada em contas na Suíça. Barusco é ligado a Renato Duque, que ocupou a diretoria de Serviços da Petrobras até 2012 por indicação do PT. Barusco dediciu entregar o dinheiro depois de terem sido denunciados por Camargo e Ribeiro.


“DEPOIMENTOS DETALHADOS”
“Com efeito, os depoimentos transcritos são bastante detalhados, revelando pagamentos de propinas em diversas obras da Petrobras, como na Repav, Cabiúnas, Comperj, Repar, Gasoduto Urucu Manaus, Refinaria Paulínea, a Renato Duque e ainda a gerente da Petrobras de nome Pedro Barusco, com detalhes quanto ao modus operandi e as contas no exterior creditadas”, sustenta o juiz Sérgio Moro ao decretar a prisão de Duque e outros 26 investigados na Lava-Jato, na semana passada.


Barusco só não foi preso porque decidiu colaborar com a Justiça e devolver o dinheiro desviado. Os acordos de delação e devolução de expressivas somas em espécie são resultado do trabalho de procuradores da força-tarefa e de Sérgio Moro. Um dos procuradores, Carlos Fernando, e Moro são especialistas na questão.


Paulo Roberto Costa decidiu abrir o jogo ao Ministério Público e à Polícia Federal numa tentativa de evitar as prisões das filhas e dos genros, também acusados de envolvimento com a movimentação de dinheiro de origem ilegal. Segundo um de seus advogados, ele estava deprimido e decidiu contar tudo e devolver o dinheiro como uma forma de libertação.

Alberto Youssef resistiu longamente, mas acabou decidindo colaborar por pressão da mulher e da filha. Elas tinham receio de que o pai tivesse destino parecido com o de Marcos Valério, o operador do mensalão do PT. Valério foi condenado a mais de 40 anos de prisão. Os outros cúmplices foram punidos com penas menores, e muitos deles já estão soltos. Os outros delatores também começaram a contar o que sabem por medo de permanecerem longos anos na cadeia. (O Globo)

Livro: "Collor tinha conta na Suíça"

BLOG do SOMBRA


O que vi e vivi

Ex-primeira-dama diz que resolveu escrever um livro sobre a vida ao lado do ex-presidente para mostrar sua versão da história. Na obra, afirma que o atual senador mandava dinheiro para o exterior e mantinha conta conjunta com o ex-tesoureiro PC Farias.

A ex-primeira-dama Rosane Malta foi por 22 anos a companheira de Fernando Collor e sua cúmplice em rituais de magia negra e reuniões secretas realizadas quase sempre na Casa da Dinda, em Brasília. Separada há nove anos por meio de um divórcio litigioso, ela guarda mágoas profundas do ex-marido. ...

Ele se recusa a dividir com ela parte do patrimônio milionário acumulado durante o casamento e a pagar a pensão alimentícia de 30 salários minimos, estabelecida pela Justiça. Depois da separação, Rosane teve depressão e conseguiu superar o problema com a ajuda da igreja evangélica, cujos cultos e obras de caridade ocupam parte da sua programação semanal. Há dois anos, ela decidiu escrever a própria biografia, que se confunde com parte da história do governo Collor e do processo de impeachment sofrido por ele em 1992. Nas 220 páginas do livro que leva o título “Tudo que Vi e Vivi”, Rosane conta os bastidores de um casamento marcado por brigas e ambiciosos projetos de poder.

O QUE VI E VIVI
"Queria ter tido filhos com Collor, mas ele sempre dizia que não era o momento"

Ela detalha como o casal virou adepto de magia negra, e como Collor participava de rituais que incluíam sacríficio de animais e até o uso de fetos humanos. No livro, relata conversas que ouviu e assegura que o ex-marido mantinha contas bancárias na Suíça e uma conta conjunta com o tesoureiro de sua campanha, Paulo Cesar Farias. Embora não apresente documentos, Rosane diz que suas histórias não são uma narrativa de quem pretende denunciar o ex-marido ou criar fatos políticos. Segundo ela, a ideia é contar sobre sua vida. Isso inclui fatos que presenciou durante o casamento com o primeiro presidente do Brasil eleito por voto popular depois dos longos anos de ditadura.

ISTOÉ - O livro “Tudo que Vi e Vivi”, é sua biografia, mas é narrada de forma a transformar o ex-presidente Collor no personagem central. Como decidiu contar essas histórias?
ROSANE MALTA - As pessoas viam uma entrevista minha, mas era um pouco aqui, um pouco ali. Agora eu conto a história com começo, meio e fim. Demorei cerca de dois anos escrevendo. A ideia era que outra pessoa escrevesse para mim, mas depois decidi eu mesma contar com minhas palavras as coisas que vi e vivi naqueles anos.


ISTOÉ - Collor deixou a Presidência há mais de 22 anos. Por que você acha que o assunto ainda interessa tanto?
ROSANE MALTA - As pessoas têm um ponto de interrogação sobre o que aconteceu naquela época durante o governo do Fernando. Eu sei que muito se escreveu sobre aqueles anos. Algumas pessoas que fizeram relatos, como o jornalista Claudio Humberto, até participaram do processo de uma forma próxima mesmo. Mas, lendo o que os outros contam, eu vejo que alguns fatos são verdadeiros, mas em relação a outros tantos eu não concordo. Decidi então mostrar a minha versão da história. Colocar com os meus olhos, não apenas a questão do impeachment, mas também o que eu vivi com ele.


ISTOÉ - Por que lançar o livro agora?
ROSANE MALTA - Eu acho que um conjunto de fatores fez com que o momento fosse oportuno. Houve a eleição deste ano, por exemplo. As pessoas saíram às ruas para dizer que não estão contentes com o governo e passaram a exigir mudanças. O momento lembra um pouco aquele da eleição do Fernando. Quando ele foi candidato, era pós-regime militar. Foi logo depois de as pessoas também terem saído às ruas para mostrar e defender as eleições diretas e democráticas, para votar nos candidatos com alegria. Foi uma fase importante.

ISTOÉ - O senador Fernando Collor acaba de ser reeleito. Houve pressão para que o livro fosse lançado antes ou durante a campanha, numa forma de influenciar o processo?
ROSANE MALTA - Sim, recebi propostas para lançar antes da campanha. Mas eu não queria isso. Eu queria contar a minha história sem parecer que eu estava indo para um enfrentamento com ele. Sou verdadeira. Meu livro não tem o intuito de prejudicar ninguém, muito menos o Fernando. Se eu quisesse fazer isso, já teria feito. Afinal, já estamos separados há nove anos.

"Havia vários indícios de que Fernando Collor e Tereza realmente
tinham um caso. Alguns gestos davam a entender que sim"


ISTOÉ - Mas por que as pessoas acharam que o conteúdo do livro poderia prejudicá-lo?
ROSANE MALTA - É porque as pessoas nunca ouviram a minha versão completa dessas histórias, sobre qual era o meu ponto de vista. Por exemplo, ninguém soube, até agora, o que eu realmente sabia e pensava sobre os boatos de um caso entre Fernando e a Tereza (Collor). Havia vários indícios de que ele e a Tereza realmente tinham um caso. Alguns gestos davam a entender que sim.

ISTOÉ - O que sra. achou de ele ser considerado inocente pelo STF e ter se livrado de todos os processos referentes ao seu governo e ao processo que levou ao impeachment?
ROSANE MALTA - A gente tem que acatar a decisão do Supremo. Quem sou eu para discutir? O que falo sempre é o que eu sabia. Por exemplo, o Fernando mantinha contas conjuntas com o PC Farias. O ex-presidente também tinha conta na Suíça.

ISTOÉ - Mas o STF concluiu que era difícil provar as acusações contra ele. A sra. consegue mostrar alguma prova do que escreve no livro?
ROSANE MALTA - Eu conto o que sei. É o meu ponto de vista. Minha ideia é mostrar a visão de quem estava perto e dentro de todo processo, como esposa, companheira. Acho que o brasileiro é curioso. Sempre houve uma cobrança grande para que eu contasse minha versão dessas histórias.


ISTOÉ - No livro, a sra. detalha os rituais de magia negra dos quais vocês costumavam participar. Como era isso?
ROSANE MALTA - Realmente decidi falar bastante sobre esse assunto. Eu vi, vivi e participei desses rituais. Não me isento disso não. Eu falo a verdade. Eu lembro que li várias entrevistas de ex-mulheres e muitas diziam que não sabiam o que estava acontecendo. Olha, eu sabia muitas coisas, mas outras eu não sabia que ele seria capaz de fazer.


ISTOÉ - O que a surpreendeu, por exemplo?
ROSANE MALTA - O Fernando fez magia negra com feto humano. Eu só fui saber depois. Eu jamais participaria de uma coisa dessa e por isso faziam escondido de mim. No livro, eu conto esse caso e ainda incluí testemunhos de quem viu como acontecia. Depois que descobri o que eles faziam, eu questionei o Fernando sobre como ele tinha coragem de fazer uma coisa daquelas. Fiquei assustada.


ISTOÉ - Fez algo a respeito?
ROSANE MALTA - É aquela coisa: a gente está junto, a gente ama, a gente termina perdoando. Fui educada para casar e para que o casamento durasse o resto da vida. Então passava por certas coisas e certas situações e relevava muito para segurar o relacionamento e manter o casamento. Depois de algum tempo, o respeito e o amor acabaram. Aí não dava mais jeito.


ISTOÉ - Sua narrativa mostra mágoas do seu ex-marido. Foi intencional?
ROSANE MALTA - A história do livro é de uma jovem que casa aos 19 anos com um político e abre mão da sua carreira e da própria vida para seguir o seu amor. No final, o que falo é que, embora eu tenha passado por tantas dificuldades, estou de pé. Espero que o livro sirva para dar um exemplo a mulheres com histórias parecidas e que não tiveram forças para continuar. Várias amigas entraram em depressão depois da separação e não saíram mais. Mas me pergunto como pode um ser humano viver durante 22 anos com uma pessoa, que dedicou a vida a ele, e no final não querer deixar absolutamente nada para ela? Nada do que construímos juntos ele acha que eu tenho direito. Como é que pode?

"Nem a pensão alimentícia Fernando (Collor) paga. Meus advogados dizem
que eu sou um caso de exceção à regra, pois no Brasil
quem não paga pensão vai preso"


ISTOÉ - A sra. também fala da pensão que ele não paga, embora a Justiça tenha entendido ser devida.
ROSANE MALTA - Sim, claro. Há nove anos eu luto pelos direitos que eu creio serem meus. Tudo que ele construiu durante o casamento era nosso e deveria ser dividido. Eu ganhei na Justiça o direito de receber uma pensão e eu não recebi nada. Ele recorreu, eu ganhei de novo. Mesmo assim eu não recebi nada. São nove anos de luta. Nem a pensão alimentícia ele paga. Meus advogados dizem que eu sou um caso de exceção à regra, pois no Brasil quem não paga pensão vai preso. Mas ele não paga, perdeu na Justiça e tudo continua como antes. Ele simplesmente não cumpre a decisão judicial. É incrível que isso aconteça. Eu via o Fernando fazendo maldades com outras pessoas e não esperava que fizesse um dia comigo. Meu terapeuta um dia disse uma coisa muito correta: eu subestimei a capacidade do inimigo. Foi isso mesmo que aconteceu.

ISTOÉ - Hoje a sra. vive sozinha. Algum arrependimento?
ROSANE MALTA - Depois da separação, eu perdi minha mãe, meus dois irmãos e meu pai em sequência. Sou uma pessoa que sofreu muito, mas segui em frente. E ainda tem o fato de não ter tido filhos...


ISTOÉ - A sra. se arrepende de não ter tido filhos com o ex-presidente Fernando Collor?
ROSANE MALTA - Com certeza. Não digo propriamente com ele, mas me arrependo de não ter pensado em mim. Mas ainda quero um filho. É um sonho e isso eu quero fazer. Eu detalho esse drama no livro. Fernando sempre dizia que aquele não era o momento. Ele falava que estava passando por essa ou por aquela fase e precisava de mim por inteiro. Era sempre o momento dele. Eu abdiquei de muita coisa. Mas estou me preparando para esse momento. Hoje eu estou solteira, mas continuo acreditando no amor e no casamento. Acredito que, na hora certa, Deus mandará uma pessoa especial. As coisas têm uma hora certa para acontecer. Foi assim com o livro.


ISTOÉ - Como o ex-presidente reagiu ao seu livro?
ROSANE MALTA - Eu não sei nada. Há nove anos que não falo com Fernando. Não tenho contato nenhum com ele desde a separação.


ISTOÉ - Nas últimas eleições, partidos procuraram a sra. para convidá-la a entrar na política. Por que não aceitou?
ROSANE MALTA - Fui convidada, mas achei que não era o momento. Não quis misturar o lançamento do livro com um momento de campanha eleitoral. Sei que as pessoas diriam que eu estava me aproveitando de uma coisa para promover a outra. Não era isso que eu queria.


Fonte: Revista Istoé - Por IZABELLE TORRES - 18/11/2014 - - 08:05:55

Os deputados distritais entraram na reta final da legislatura com um pacote de projetos para aumentar os próprios poderes e imunidade




DF: Distritais voltam a discutir superpoderes



Na reta final do mandato, deputados aprovam projetos que garantem imunidade contra denúncias de quebra de decoro e ampliam prerrogativas em relação ao Executivo. Conheça os favoráveis a privilégios no Código de Ética


Os deputados distritais entraram na reta final da legislatura com um pacote de projetos para aumentar os próprios poderes e imunidade. Até agora, foram aprovadas propostas que obrigam o Poder Executivo a consultar a Casa em qualquer mudança na estrutura administrativa (criação ou extinção de órgãos e cargos) e também passou o orçamento impositivo, que torna obrigatória ao governo a execução de emendas parlamentares em várias áreas...

Além disso, foi aprovado em primeiro turno um Projeto de Resolução que prevê que só haverá processo de cassação contra parlamentares com processos transitados em julgado (sem opção de mais recursos) e está pronto para ser apreciado um que retira do cidadão comum o direito de apresentar representações contra deputados.

A imposição de obrigatoriedade ao GDF de consultar o Parlamento para qualquer mudança na máquina pública e o orçamento impositivo para emendas nos setores de investimentos, manutenção, educação e saúde já passaram pela aprovação dos distritais e aguardam a sanção ou veto do governador Agnelo Queiroz (PT). Nesses casos, o Executivo ficará mais dependente dos deputados e obrigará o futuro governador Rodrigo Rollemberg (PSB) a apresentar projetos de leis para a reforma administrativa que pretende fazer. Assim, terá que negociar com os parlamentares.

Questões internas
Já os projetos de resolução são voltados para questões internas e não precisam passar pelo crivo governamental. A proposta mais avançada estabelece que, nos casos de improbidade administrativa, procedimentos de cassação contra parlamentares só poderão ser abertos se não houver mais nenhuma possibilidade de recurso. Como algumas sentenças finais demoram mais de 20 anos para serem concedidas, isso excederia em muito um mandato.

Entre os 13 distritais que votaram pela aprovação, dois foram condenados por improbidade: Benedito Domingos (PP) e Aylton Gomes (PR); enquanto outros dois respondem a processos semelhantes: Alírio Neto (PEN) e Liliane Roriz (PRTB). O Correio entrou em contato com aqueles que aprovaram a proposta e as posições são divididas. “Essa proposta não foi bem debatida. Precisamos detalhar melhor”, admitiu o presidente da Casa, Wasny de Roure (PT).
Hoje, no Colégio de Líderes, o petista deve propor que o assunto seja adiado.



Além disso, ele salientou que vai colocar em discussão a retirada da pauta do outro projeto de resolução: o que retira do cidadão comum e de entidades da sociedade civil o direito de pedir abertura de investigação contra parlamentares.


O projeto teve 13 assinaturas, o mínimo para apresentação. Celina Leão (PDT) e Robério Negreiros (PMDB) pediram a retirada das assinaturas. Se for oficializado, isso inviabiliza a tramitação.


Fonte: Correio Braziliense - Por ALMIRO MARCOS E CAMILA COSTA - 18/11/2014 - - 08:25:55

Pagamento de propina em nove grandes obras teria chegado a R$ 1,77 bilhão


  Subornos variavam de 1% a 3% do total dos contratos, segundo o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa

Publicação: 18/11/2014 06:03 Correio Braziliense


 
O quebra-cabeças que começa a se formar a partir da junção dos depoimentos de delatores na Operação Lava-Jato, das apreensões de bens e valores, e do volume de negócios que a Petrobras mantinha com as empreiteiras acusadas de formar um cartel para lesar os cofres públicos aponta para um valor surpreendente de propinas pagas no esquema. A estimativa dos investigadores é de que a cifra pode chegar a R$ 1,77 bilhão.



De acordo com o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, os subornos variavam de 1% a 3% do total dos contratos, sendo que a petroleira fechou R$ 59 bilhões em negócios com o suposto cartel formado por empreiteiras como Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior e Engevix. As apurações da Polícia Federal e do Ministério Público apontam o pagamento de propina em pelo menos nove empreendimentos, incluindo a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Segundo o executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, a Camargo Corrêa pagou R$ 23,37 milhões à empresa Treviso, de propriedade dele. Desse valor, R$ 6 milhões foram repassados ao ex-diretor Renato Duque — ligado ao PT — e ao gerente Pedro Barusco, em contas no Brasil e no exterior, no banco Credit Suisse. Augusto Mendonça, outro executivo da Toyo Setal, afirmou que a Mendes Júnior e outras empresas corromperam funcionários para garantir obras de R$ 1 bilhão na refinaria Replan, em Paulínia (SP). 
 
 
Ele disse que negociou a propina com o ex-deputado José Janene (PP-PR), Duque e Barusco. Camargo afirmou que, em 2005, pagou US$ 15 milhões ao lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, que agia pelo PMDB para garantir que a diretoria Internacional, na época comandada por Nestor Cerveró, adquirisse uma sonda de perfuração da Samsung. O aluguel de um equipamento do tipo custa cerca de R$ 10 bilhões por ano.

 
 
Dinheiro em espécie

Dona de R$ 13,28 bilhões em contratos com a Petrobras e destino de R$ 3,55 bilhões da União nos últimos 10 anos, a maior empreiteira do país, a Odebrecht, escapou de ver seus executivos na cadeia. O Ministério Público pediu a prisão de Márcio Faria e Rogério Araújo, afirmando haver indícios de que eles praticaram delitos como organização criminosa, fraude em licitação e corrupção. “Os pagamentos efetuados pela empresa e seus diretores a título de propina eram realizados em espécie”, diz o Ministério Público.

Nas delações, Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e Augusto Mendonça mencionaram a megaconstrutora como parte do “clube”. Mendonça disse que Márcio Faria era o representante da Odebrecht nas reuniões do cartel, nas quais havia “uma unicidade de pensamento muito grande”. Na casa de Costa, a PF encontrou uma agenda com menções a “Odeb — Odebrecht”, “Renato Barros”, “Rogério” e “CNO — Consórcio Nacional Odebrecht/OAS/UTC”.