domingo, 21 de junho de 2015

Meu guru--Ítalo Pasini



MEU GURU



Ítalo Pasini



            Tenho um guru. Quais de vocês, prezados leitores, têm um guru? Não adianta procurar no dicionário. Não encontrarão, porque não é palavra de nosso idioma. Vem lá da Índia. Caracteriza uma espécie de líder espiritual, pessoa exemplar, na qual podemos nos espelhar. Confesso que não sei toda a abrangência do significado. Somente líder espiritual satisfaz meu propósito. 



            Na Catedral de Ipameri é um local onde podemos encontrá-lo, bem à frente, na segunda fileira de bancos, do lado esquerdo, aos sábados, durante a missa, sempre acompanhado de sua esposa. Tem sido assim, nos últimos sessenta ou mais anos.



            Aproveitando que me foi concedido escrever uma coluna neste jornal, quero prestar-lhe uma homenagem. Procurei sempre espelhar-me nessa pessoa maravilhosa. Seu exemplo de vida (religiosidade, dedicação à família, sentimento de companheirismo e dedicação ao trabalho) foi marcante em minha formação. Hoje, tenho 75 anos de idade e continuo a observá-lo. Foi meu mestre, agora é meu “guru”.



            Voltando à Catedral de Ipameri, aos sábados. Faltam quinze minutos para dezenove horas. Sozinho ou com minha esposa, sento-me no lugar costumeiro.  Cinco para dezenove, adentra a esposa dele; será que ele não vem? Estará doente? Meu coração agita-se levemente. Sem ele, algo estará errado. Mas, logo em seguida ele aparece, vagarosamente, com um semblante alegre, cumprimenta as pessoas com um meneio de cabeça quase imperceptível.  Senta-se. Agora está tudo bem.           


            Considero uma graça Divina o fato de que ele foi meu professor e diretor durante todo o curso ginasial. Fase maravilhosa e inesquecível de minha vida, aquele período em que estudei no então Ginásio Estadual de Ipameri (GEI), dirigido por ele. Não sei se pela idade, pelo ambiente, ou ambos.  O certo é que outros cursos que fiz não foram tão marcantes. Confesso que o prédio imponente do GEI, hoje Colégio Estadual Professor Eduardo Mancini (CEPEM), e a presença em Ipameri de alguns antigos professores e colegas, influenciaram-me quando escolhi a cidade de Ipameri para viver, até há algum tempo, na condição de aposentado.

            

               Considero-o “meu guru” por uma soma de vários fatores. Não é somente por ter sido seu aluno, mas porque, como ele, também sou professor. Sempre que o vejo, lembro-me do provérbio latino, de um daqueles filósofos antigos: “Sic vos, non vobis, melificatis, apis”. 
 

               Em toda sua essência, essa frase refere-se não somente ao professor, mas também a todo cidadão trabalhador, honesto e principalmente desprendido, que presta serviços à comunidade, sem almejar necessariamente uma recompensa pecuniária. Contenta-se com a satisfação do dever cumprido. Este provérbio que, vertido, significa “Assim vós, mas não para vós, fazeis o mel, ó abelhas”, caracteriza o professor em todas suas nuanças. 
 

                 Ele transmite os ensinamentos, mas estes não revertem em seu favor. Não há um “feed back” imediato. Este pode acontecer muitos anos depois. Por exemplo, um ex-aluno que se elege a um alto cargo; destaca-se nacional ou internacionalmente como escritor, cientista, desportista, um jurista famoso, um médico de renome etc. Assim, o professor recebe sua recompensa. No caso de meu “guru”, posso citar um “feed back” recebido por ele. Um seu ex-aluno, retornando da capital federal, implantou, a duras penas, a primeira Faculdade (Agronomia) em Ipameri (Ramón Henrique Edreira Neves).

             


                 Divaguei, num parágrafo enorme, para delinear o professor. Volto ao assunto propriamente dito, que é “meu guru”. Meus contemporâneos, que leem essa coluna, já sabem de quem se trata, porém vou citar seu nome apenas mais adiante.

                     

                    Como disse anteriormente, ele era o diretor do GEI, professor de Língua Portuguesa, e uma disciplina chamada Civilidade. Quando necessário, dava aulas de francês, latim ou outra disciplina, se o professor titular estava impedido. Do seminário católico, trouxe a maior parte de sua formação. Afinal, foi seminarista no Brasil e na Holanda, trazendo, em sua bagagem cultural, ingredientes valorosos como a religiosidade e principalmente o sentido de autoridade, que no seminário, como numa caserna, são transmitidos, enfaticamente, para uso em todas as situações da vida (família, trabalho, lazer, estudos, etc.).

            


                    Dirigia o Ginásio com serenidade, mas com firmeza. Sem elevar o tom de voz, impunha-se sobre professores e alunos. De vez em quando, seu rosto aparecia na janela, observando a atuação do professor. Durante suas aulas, ficávamos embevecidos. Com didática e psicologia educacional avançadas, para a época, sabia conduzir e dosar sua disciplina de modo que o aluno sentisse prazer, na sala de aula. No tocante à Língua Portuguesa, que ele era o titular, influenciou-me de tal forma que sempre desejei fazer o curso de Letras, não propriamente para ser professor, mas sim para adentrar-me no universo dos livros, à literatura propriamente dita. 



                      Interessantes eram as aulas de Civilidade. Ali, ele transmitia conhecimentos usuais para o cotidiano, tais como: comportamento à mesa (uso de talheres, postura, etc.); sentimento de urbanidade e companheirismo; as vantagens de ser educado e honesto. Lembro-me bem que ele nos dizia: “Jamais façam algo que não desejaria que lhes fizessem”. Muito mais tarde, soube que ele resumia para nós, a fala de Jesus Cristo no Sermão da Montanha: “Tudo quanto quereis que os homens vos façam, fazei-lhos também vós”.



                 Ocorria, à época, uma eleição acirrada para prefeito da cidade. Zuzu falava sobre o valor do voto. Da necessidade de se analisar o candidato; que essa capacidade de julgamento só poderia ser adquirida através da educação; e que a educação estava na escola e na família; que sem possuir um senso crítico, o eleitor sujeitar-se-ia a ter uma pessoa incompetente e/ou desonesta dirigindo os destinos dos cidadãos, prejudicando-os seriamente e à cidade. Não éramos eleitores, porque a idade não permitia, mas vivenciamos intensamente aquela eleição. Foi um aprendizado importante. Hoje sei que ele tentava fazer-nos compreender que uma democracia depende de pessoas capazes de pensar por si próprias. Onde buscar essa capacidade? Lendo muito. Envidei esforços para pautar minha vida naqueles ensinamentos.



                 Ainda sobre este assunto, ano de 2005, por ocasião das eleições para prefeito, eis que recebo, via postal, um envelope contendo cópia de um artigo de jornal, escrito pelo arcebispo de Goiânia, versando sobre o voto consciente. Não é que meu guru, apenas cinquenta anos depois, continua ensinando seu ex-aluno?


                    Também nos esportes, Zuzu era exemplar. Na minha visão de aluno e fã, no futebol ele era um craque. Disciplinado, mas de canela dura, especializou-se em marcar gol de mão. O juiz pensava que era de cabeça, apitava e mandava a bola para o meio do campo, completamente insensível aos queixumes dos adversários. Ríamos “a bandeiras despregadas”. No basquete, era melhor ainda, chegando a integrar, salvo engano, a seleção da cidade, que se destacou nacionalmente.



                  Este é meu guru. José Bernardino da Costa, carinhosamente apelidado de ZUZU. Aqui está ele, em nosso convívio, graças a Deus. Já nos noventa e um anos, tem os cabelos ainda escuros (não sei se pintados), não tem barriga grande, continua lúcido, educado e sereno. Confesso que sinto um prazer imenso, me locupleto, quando, ao encontrá-lo, dedica-me alguns minutos de sua atenção, para uma conversa informal 



                         Para agradecer publicamente ao Zuzu, na oportunidade que essa coluna me oferece, quero fazê-lo citando os nomes de meus colegas, que juntos terminamos o curso ginasial, em 1957. Considerando que naquele tempo a formação universitária era alcançada quase somente pelos jovens de família abastada, ao fazer uma análise, verifica-se que os 14 ex-alunos do Zuzu, da turma supramencionada, tiveram êxito considerável em seus estudos e vidas. 


                      Célio de Oliveira (advogado); Edir de O. Negry (engenheiro); Gilberto Porto (bancário); Ítalo Pasini (professor); José Peixoto Vaz (fazendeiro); Julieta de Souza (diplomata); Júlio Fausto de Faria (funcionário público); Lindolfo Roberly Aquino Moura (empresário); Maria Aparecida Silva (dona de casa, mãe exemplar); Manoel Maria Teixeira (médico); Marilene de Andrade (dona de casa, mãe exemplar); Ramon Henrique Edreira Neves (arquiteto, professor); Ubiratan Cury (oficial do Exército); Wdson Mesquita Vaz (agrônomo).



            Muito obrigado, Zuzu! Você é verdadeiramente um exemplo de vida.



(Ítalo Pasini – Licenciatura Plena em Letras, pela Universidade de ITUIUTABA - MG.)

Uma denúncia a esclarecer.


Embaixada apenas fingiu apoiar os senadores brasileiros


Carlos Chagas
Gravíssima a denúncia feita pelos oito senadores que foram e voltaram da Venezuela sem sair das proximidades do aeroporto de Caracas: o ministro da Relações Exteriores, Mauro Vieira, teria instruído o embaixador do Brasil naquele país, Rui Pereira, a não acompanhar a comitiva, que apenas cumprimentou na chegada e na saída, inclusive sem deixar nenhum diplomata à disposição deles. A ordem teria partido do palácio do Planalto, com a presidente Dilma irritada pela intervenção de parlamentares oposicionistas nos negócios internos de um país nosso limítrofe.



Aécio Neves, Aloísio Nunes Ferreira, Ronaldo Caiado, Cassio Cunha Lima, Ricardo Ferraço e outros adversários do governo estavam dispostos a visitar o líder Leopoldo Lopes, da oposição venezuelana, preso há um ano e em greve de fome. Viajaram em avião da Força Aérea, ou seja, em missão oficial do Legislativo, mas foram sabotados pelas autoridades locais, com o ônibus contratado para transportá-los preso em misterioso engarrafamento e atacado a pedradas por bem organizado grupo de baderneiros.



Para os senadores, tudo foi tramado pelo governo do presidente Maduro, com conhecimento do Itamaraty e do governo brasileiro. Assim, convocaram o chanceler para dar explicações na quinta-feira, na Comissão de Relações Exteriores. Estavam em missão humanitária, para visitar os diversos presos políticos isolados numa penitenciária perto de Caracas e tentar convencer um deles a interromper a greve de fome, que já dura 25 dias.



Essa é a versão dos senadores. Para o Itamaraty, não houve qualquer entendimento com autoridades venezuelanas a respeito da viagem dos senadores. Assim que soube do constrangimento por que passaram os senadores brasileiros, o ministro Mauro Vieira telefonou para a ministra do Exterior da Venezuela, Delcy Rodrigues, pedindo explicações, ao tempo em que o secretário-geral, Sergio Danese, com a mesma finalidade, convocou a embaixadora Maria de Loudes Urbanejas. Nenhuma operação foi combinada entre as duas chancelarias, rebate o Itamaraty. Marco Aurélio Garcia, assessor internacional da presidente Dilma, criticou os senadores, acusando-os de criar problemas para o governo brasileiro, intrometendo-se nos negócios internos de um país amigo.



INVENÇÃO NÃO FOI
Não pode ter sido invenção de jornal ou de jornalistas o desabafo feito pelo Lula a um grupo de religiosos, quinta-feira, no instituto que leva o nome dele.   Certamente tratou-se de um conversa descontraída, que alguém gravou. O ex-presidente é conhecido pela língua solta, mas, dessa vez, exagerou nas críticas à presidente Dilma, ao governo e ao PT. Queixou-se de que a sucessora não fala e não viaja, acontecendo o mesmo com seus ministros.



Exemplares do jornal O Globo, que publicou a demorada conversa do Lula com os padres, eram ontem disputados a tapa, em Brasília e fora de Brasília. Em qualquer país sério as considerações do ex-presidente gerariam rompimento imediato e explosivo por parte de Madame.

Maioridade aos 16 anos, em casos de crimes hediondos


Heron Guimarães
O Tempo


Após muito tumulto e debates acalorados, a comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou por maioria ampla o projeto que reduz a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. Deixando as polêmicas um pouco de lado, não se pode negar que é a primeira vez que uma ação concreta é colocada em prática, desde a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente.


O projeto faz o cidadão comum refletir melhor sobre os problemas de insegurança pública que o afligem, além de tirar autoridades e estudiosos da cômoda situação de “apenas” receber ou desferir críticas.


Particularmente, apesar de todos os argumentos de quem é contra a lei em gestação, considero que estão ocorrendo avanços. Ao contrário do que alegam os críticos, pelo menos nesse assunto, a sociedade brasileira está, sim, sendo atendida.


A grande maioria das pessoas é favorável à redução da maioridade penal, talvez porque, no mundo real, não há nada que impossibilite um jovem com dois anos de diferença fazer aquilo que bem entende e que lhe venha à cabeça. Portanto, mesmo com todas as consequências que a nova lei possa ocasionar, no cômputo geral, a população sai ganhando, mesmo que seja em seu anseio de ser ouvida.


Também não há de se considerar essa uma visão simplista. Talvez simples, por sua objetividade. Mas simplista, não. Tampouco pode ser considerado um argumento conservador. Muitos do que torcem para a maioridade aos 16 também são a favor da legalização da maconha e do aborto, por exemplo.


VULNERABILIDADES
Assim, argumentos contrários são vários, como também padecem de vulnerabilidades. As cadeias vão ficar ainda mais lotadas. Sim, obviamente. Mas aí já é outro problema. O Estado que se programe e planeje melhor sua infraestrutura carcerária. Jovens se transformarão em bandidos profissionais. E isso já não ocorre? Futuros serão destruídos. Para alguns desses adolescentes, a sensação de impunidade é que os coloca bem mais próximo da criminalidade.


Fora isso, a maioridade aos 16 anos pode exercer um papel pedagógico importante. Também pode melhorar a sensação de segurança, um aspecto importante na hora de se promover a segurança pública.


Por fim, a redução da maioridade não inviabiliza a proposta da presidente Dilma Rousseff de criar leis mais duras contra adultos que utilizem crianças e adolescentes na facilitação de crimes.


Tampouco a punição de jovens homicidas ou autores de crimes de grande perversidade impede políticas públicas que cuidem de nossas crianças, tirando delas um futuro incerto e melancólico.

Projeções sobre o Brasil no exterior já incluem corrupção


Rolf Kuntz
Estadão


O Banco Mundial projeta para a economia global crescimento de 2,8% neste ano, 3,3% no próximo e 3,2% em 2017. Para o Brasil as estimativas indicam contração de 1,3% em 2015 e expansão de 1% em 2016 e 2% no ano seguinte. Mas esses talvez sejam os detalhes menos interessantes.


Para explicar as dificuldades da economia brasileira, os técnicos do banco foram além da menção aos fatores mais comumente citados, como infraestrutura deficiente, baixo nível de investimento, problemas fiscais, depreciação internacional das commodities, etc.


No capítulo introdutório, acrescentaram à lista mais convencional uma referência a “investigações” e uma ao “escândalo de corrupção”. No capítulo sobre a América Latina a palavra “corrupção” aparece mais três vezes quando se trata do Brasil.


Mais uma conquista do PT: nas análises da situação e das perspectivas brasileiras, corrupção agora é listada como variável econômica.

(artigo enviado pelo comentarista Celso Serra)

"Todo mundo quer meter a mão em Brasília", diz filha de Lucio Costa


A arquiteta Maria Elisa Costa, filha do inventor de Brasília, sugere uma comissão deliberativa para cuidar do Plano Piloto





postado em 20/06/2015 09:13 / atualizado em 20/06/2015 15:31


Ana Dubeux , Dad Squarisi /Correio Braziliense , Cristine Gentil , Conceição Freitas

 Minervino Junior/CB/D.A Press


Ativista número 1 das boas causas de Brasília (um bem da humanidade), a arquiteta Maria Elisa Costa entrou na rede faz algum tempo. Posta protestos, denúncias, espantos e raridades que segue descobrindo nas preciosidades que o pai deixou espalhadas pelo apartamento onde morou por 50 anos e que a filha segue catalogando e transferindo para a Casa de Lucio Costa. Mas Maria Elisa bem podia estar numa situação desconfortável: o governador da cidade que tanto defende é seu sobrinho. Ela foi casada com o irmão da mãe de Rollemberg. O casamento acabou, o ex-marido morreu, mas a relação afetiva se fortaleceu ao longo das últimas três décadas.

Nesta entrevista ao Correio, Maria Elisa sugere ao governador que crie uma comissão de alto nível, autônoma e deliberativa, para fazer frente à pressão dos que querem lotear o Plano Piloto. “Todo mundo é guloso, todo mundo quer meter a mão em Brasília.” Critica o sobrinho: “O fato de Rodrigo querer agradar a Deus e o mundo é fruto da geração pós-ditadura”. Lamenta que a autonomia política de Brasília tenha acabado com os prefeitos indicados. E diz que “o crachá de Lucio Costa” lhe dá o direito de falar o que bem entende.

Antes da entrevista, a filha do inventor havia almoçado com o representante das construtoras, o presidente do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal), Luiz Carlos Botelho Ferreira, numa grande mesa que incluiu três aguerridos defensores da cidade, os arquitetos Carlos Magalhães e Fernando Andrade, e o jornalista Silvestre Gorgulho. Depois do bate-papo no Correio, Maria Elisa foi à Câmara Legislativa participar da sessão que entregou o título de cidadão honorário post-mortem ao fotógrafo Mário Fontenelle.(Além das jornalistas do Correio, participou da entrevista o jornalista convidado Silvestre Gorgulho)
 



O direito de falar o que bem entende
“Vou contar uma tragédia… Foi a maior lição que tive quando passei pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Eu, filha do Lucio, na presidência do Iphan. O Park Hotel, um hotelzinho lindo que meu pai projetou em Nova Friburgo, que é síntese dele, estava cheio de goteiras. Tinha de arranjar um jeito de bancar o conserto. Havia uma verba de R$ 80 mil. Levei um mês convencendo meus súditos (risos) para dar esse dinheiro para o conserto do ParkHotel porque estava chovendo dentro. Não podia, porque era propriedade particular. É particular, mas a chuva está caindo…


Tanto insisti que concordaram. Fiquei na maior felicidade. Achei que estava resolvido o problema. Mas fui burra. Quem trabalha em serviço público tem que ter know-how. Serviço público não é pra amador, é pra profissional. Passaram-se seis meses para o dinheiro chegar ao destino. Nesses seis meses, a chuva foi de tal ordem que o hotel teve de ser fechado e nunca mais abriu. Isso com a filha do doutor Lucio na presidência do Iphan! O que é terrível é que a solução era a mais simples do mundo. Eu tinha de ter chegado pra minha chefe de gabinete e dito: Dia sim, dia não, telefona pra ver se o dinheiro chegou.


Sem isso, as coisas não andam. Tem que ter alguém que cobre o tempo inteiro. Por isso que tomei horror de reunião. A reunião acaba em si mesma, o produto final da reunião é ela mesma.


Nunca mais quero saber de cargo coisíssima nenhuma. Continuarei autônoma a vida inteira. E falando o que bem entendo. O que me permite estar aqui falando essas coisas é que sou uma aposentada autônoma. É um direito e uma mania. Essa liberdade de falar o que penso não seria igual se eu estivesse presa a um emprego público. E esse crachá de Lucio Costa também me dá o direito de falar o que bem entendo."


DAD SQUARISI — O governo fez bem em retirar o PPCuB da discussão na Câmara Legislativa?

MARIA ELISA COSTA
— Aquele velho, feito em Cingapura, aquele catatau? Aquilo tinha que jogar fora. Não analisei tim-tim por tim-tim porque me recusei a levar a sério um plano daquele tamanho. Foi feito para ser burlado. É muito mais fácil burlar um plano prolixo do que um plano enxuto.


Foi uma perda de tempo, um erro. Tinha de ser deletado para se fazer uma coisa mais sensata, mais saudável. O governo mudou. Pela primeira vez Brasília tem um governo de pessoas de Brasília. Começar uma coisa decente, benfeita.

DAD SQUARISI
— O que a senhora considera benfeito, decente? Quais são os pontos principais?

MARIA ELISA — Quem trabalha com essas coisas tem que ter umas tantas convicções. Não tem regra. Você tem que ter o mínimo de discernimento para saber o que importa, o que não importa. Administrar Brasília é muito difícil. São duas situações adjacentes e opostas. De um lado, há uma cidade com quase 3 milhões de habitantes e um centro histórico que tem que ser preservado.


São coisas opostas e indissociáveis ao mesmo tempo. Ter consciência disso é o primeiro capítulo. É preciso evitar que, daqui a muito menos tempo do que a gente imagina, a parte original de Brasília seja reduzida a um aviãozinho cercado de torres por todos os lados, uma jaulinha com um aviãozinho lá dentro, que é uma coisa terrível e que, se você bobear…. Está no momento limite para se impedir que isso aconteça.

DAD SQUARISI —
Como se faria isso?

MARIA ELISA — A Bacia do Paranoá é o território original de Brasília. O divisor de águas delimitaria o centro histórico da capital do Brasil. Todo mundo é guloso, todo mundo quer meter a mão em Brasília.


Não sei juridicamente como se faria, mas seria uma espécie de comissão técnica de alto nível que fosse permanente, e que tivesse poder de veto. Quer fazer 501? Negativo, meu amor. 901? Mas nem vem!


Com isso você já sinalizava para a especulação: Inventa outro esquema, a área preservada de Brasília pertence ao Brasil. As pessoas não têm a menor ideia do que seja o tombamento de Brasília porque ele é atípico.


Até o tombamento de Brasília, o tombamento era sempre de objetos construídos e quando o Zé Aparecido (José Aparecido de Oliveira, governador do Distrito Federal entre 1985 e 1988) resolveu tombar Brasília, queria tombar a cidade que ia acontecer.


O arquiteto Italo Campofiorito teve a brilhante ideia de tombar o conceito da cidade através das escalas urbanas que meu pai usou para a fazer o projeto — a escala monumental, a residencial, a gregária e a bucólica.


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Império empresarial: Prisão de Odebrecht é 'duro golpe' para maior multinacional brasileira---Companhia fundada em 1944 é tida como maior grupo industrial do país

Milagre econômico



A prisão do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, é um "duro golpe" para a maior multinacional brasileira, que se tornou um dos ícones da projeção internacional do país, dizem analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Marcelo Odebrecht e outros três executivos da companhia (Márcio Faria, Alexandrino Costa e Rogério Araújo) foram presos na sexta-feira ao lado do presidente da Andrade Gutierrez, ...Otávio Marques de Azevedo, e outros dois dirigentes do grupo (Paulo Dalmazzo e Antonio Pedro).

As prisões, efetuadas pela Polícia Federal (PF), ocorreram no âmbito da operação Lava Jato, que investiga denúncias de corrupção envolvendo políticos, empreiteiras e a Petrobras.

Obrebrecht foi apontado por delatores como o líder de um cartel que gerenciaria contratos com a estatal.

Em nota, a Odebrecht disse que os mandados de prisão são "desnecessários", já que a companhia e seus executivos "sempre estiveram à disposição das autoridades para colaborar com as investigações".

Império empresarial

Odebrecht, 47 anos, pertence à terceira geração da família que ergueu um dos maiores grupos empresariais do hemisfério Ocidental, com negócios em 23 países.

A companhia foi fundada em 1944 por Norberto Odebrecht (1920-2014), avô do atual presidente e neto de imigrantes alemães. Na época, a empresa tinha sede em Salvador e atuava apenas como construtora.

Hoje a empresa é tida como o maior grupo industrial do Brasil, com negócios nos setores de energia, biocombustíveis, defesa, seguros e petroquímico, entre outros. Também é a mais internacional das multinacionais brasileiras, segundo um ranking da Fundação Dom Cabral.

A empresa - uma das maiores doadoras de campanhas eleitorais - ocupa o décimo segundo lugar no ranking das maiores construtoras do mundo da revista Engineering-News Record.

Para o jornalista e escritor uruguaio Raúl Zibechi, autor de um livro sobre a ascensão de multinacionais brasileiras, a prisão de Marcelo Odebrecht "é um duro golpe" para a empresa.

Ele diz que a companhia "revolucionou o setor de construção" no Brasil com um método de operar "muito agressivo e eficiente", gestado por Norberto e transmitido por seu filho Emílio ao atual presidente.
Marcelo Odebrecht foi preso junto com três executivos de sua companhia
A filosofia, batizada de "Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO)", é definida pela companhia como um "conjunto de princípios, conceitos e critérios" que valoriza "potencialidades do ser humano, como a disposição para servir, a capacidade e o desejo de evoluir e a vontade de superar resultados".

Segundo Zibechi, Marcelo Odebrecht integra um grupo de executivos nascidos em empresas familiares que foram bastante influenciadas pela Escola Superior de Guerra (ESG), um centro de estudos ligado ao Ministério da Defesa.

"Eles têm uma visão nacionalista, que prega que o desenvolvimento econômico traz independência e soberania a um país".

Embora seja uma companhia familiar, ex-funcionários dizem que a Odebrecht é menos centralizada que outras grandes construtoras e que seus escritórios no exterior operam com grande autonomia, o que teria ajudado em sua expansão.


Eles afirmam que, ainda que Marcelo Odebrecht tenha mantido o modelo de gestão do pai e do avô, há importantes diferenças de personalidade entre os três.

"O doutor Noberto era um homem muito querido por todos", diz um ex-empregado que prefere não ser identificado. Segundo ele, seu sucessor, Emílio Odebrecht - que comandou o grupo entre 1991 e 2004 - não tinha o carisma do pai e era um "homem de negócios, mas muito acessível". Já Marcelo é descrito como "ansioso" e "arrogante".

Laços com o BNDES

Paralelamente à operação Lava Jato, a Odebrecht também tem enfrentado crescentes questionamentos sobre suas relações com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em seminário na segunda-feira em São Paulo, Marcelo Odebrecht se disse "irritado por estarmos na linha de fogo do embate político, nós que geramos empregos".

Sob forte pressão para se tornar mais transparente, o BNDES derrubou no início do mês o sigilo sobre seus financiamentos a empresas brasileiras em Cuba e Angola, que tiveram a Odebrecht como principal receptora.

Poucas semanas antes, o Ministério Público Federal (MPF) pediu informações à Odebrecht, ao Instituto Lula e ao BNDES sobre financiamentos a obras da empresa em países da África e América Latina.

O MPF analisa os dados para decidir se há base para a abertura de um inquérito, primeiro passo para uma eventual denúncia à Justiça. Segundo uma reportagem da revista Época, o MPF apura se Lula usou sua influência para facilitar negócios celebrados entre a Odebrecht e governos estrangeiros.

Lula, a Odebrecht e o BNDES negam qualquer infração.

Política dos 'campeões nacionais'

Para Sergio Lazzarini, professor do Instituto de Pesquisa e Estratégia (Insper) e pesquisador das relações entre o Estado brasileiro e grandes empresas, a Lava Jato está colocando "em xeque" o modelo que permitiu a ascensão da Odebrecht e outros grupos empresariais nacionais.

Esse modelo, que segundo ele "sempre vigorou no país", prega que o Estado deve ser o grande indutor do desenvolvimento."Criou-se um cenário em que os empresários buscavam se conectar com o Estado em busca de oportunidades, o que favorece procedimentos ilícitos".

Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV-SP, diz que a Lava Jato pode levar a uma reavaliação da política dos "campeões nacionais", pela qual o governo favoreceu a consolidação de alguns grupos empresariais - entre os quais a Odebrecht - e que foi peça chave nas políticas da expansão brasileira em países em desenvolvimento.

Ele diz que as prisões recentes poderão ser bem recebidas por investidores estrangeiros, em um momento em que o Brasil busca no exterior apoios para reavivar a economia. "Poderá sinalizar que o Brasil é um país onde a lei é cumprida, onde o Estado de Direito funciona."

Já Cameron Combs, pesquisador da consultoria Eurasia, avalia que as prisões terão efeito contrário. "Quando empresas estrangeiras veem executivos importantes do país indo para a cadeia, sentem que o cenário político e econômico no Brasil ainda é muito imprevisível."

'Milagre econômico'

A Odebrecht se tornou uma das principais construtoras brasileiras durante o chamado "milagre econômico" (1968-1973) da ditadura militar, quando participou da construção de várias estradas, hidrelétricas e da usina nuclear de Angra 1.

Em 1979, a empresa começou a operar no exterior ao erguer hidrelétricas no Peru e no Chile. Desde então, e quase sempre amparada por empréstimos do governo, expandiu sua atuação por quase toda a América Latina, vários países africanos e os Estados Unidos, onde participou da reforma dos aeroportos de Orlando e Miami.

Um dos momentos mais emblemáticos da internacionalização da Odebrecht se deu em Angola, quando em 1984 a companhia obteve um financiamento para erguer a hidrelétrica de Capanda.

A decisão de ir a Angola foi arriscada. Poucas empresas se dispunham a atuar no país africano, então sob uma guerra civil.
Operação da Polícia Federal revelou esquema de corrupção na Petrobras
Ataques ao canteiro de obras fizeram com que os operários da companhia fossem evacuados. Em estudo que baseou sua dissertação de mestrado, o psicólogo angolano João Manuel Saveia, formado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), cita o caso de um técnico brasileiro da Odebrecht que disse ter pego em armas para proteger a capital angolana, Luanda, de um ataque contra o governo local.

A aposta da companhia gerou dividendos. Quando a guerra civil angolana terminou, em 2002, a Odebrecht se valeu da relação próxima com o governo para se tornar a maior empregadora privada do país, com negócios em vários setores além da construção civil.

Angola se tornou um mercado tão importante para a Odebrecht que, em 2007, a empresa realizou ali a primeira reunião de seu conselho de administração fora do Brasil.

A empresa costuma citar sua trajetória em Angola como um sinal de seu compromisso de longo prazo com as nações onde atua.

A atuação da companhia no país africano, no entanto, está na mira do Ministério Público do Trabalho (MPT) brasileiro.

Em 2014, o MPT denunciou a Odebrecht à Justiça brasileira por, segundo o órgão, manter 500 trabalhadores em condições análogas à escravidão na construção de uma usina de biocombustíveis em Angola.

De acordo com a ação, iniciada após uma reportagem da BBC Brasil revelar denúncias de maus tratos na obra, a construtora teria praticado ainda tráfico de pessoas no transporte de operários brasileiros até a usina Biocom, na Província de Malanje.

O MPT quer que a Odebrecht pague uma indenização de R$ 500 milhões por danos coletivos aos trabalhadores. A empresa negou irregularidades na obra. Não há prazo para uma decisão judicial.

Fonte: Por João Fellet, portal BBC Brasil - 20/06/2015 - - 17:49:11

Em tempos de crise: Casais de Brasília ‘transformam’ estacionamento em motel ao ar livre


Uma placa em cima de uma árvore indica o local do estacionamento que virou motel

Ao invés de pagar para ir a um motel, pessoas ‘improvisaram’ um local para fazer sexo num estacionamento ao livre na Asa Norte, região central de Brasília. Chegaram até a pendurar numa árvore a placa “Motel 707”, em referência ao número da quadra.

Trata-se de uma área comercial e residencial, na qual moradores e comerciantes já denunciavam a presença de prostitutas, traficantes e usuários de drogas durante a noite... Agora eles reclamam também que, a partir das 21h, pessoas iniciam o movimento no ‘Motel 707’, algo que já denunciaram ao presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Brasília, Alcino Marçal.

— Já soube da situação há bastante tempo. Esse fato vem sendo discutido nas reuniões do conselho, assim como outras casas de prostituição aqui na região. Temos um estudo para poder intervir na situação, pois atentado ao pudor é crime.

O mecânico Ricardo Alexandre tem uma oficina na 707 norte. Ele reclama que o motel ao ar livre espanta os clientes, pois durante as manhãs, sobram os preservativos usados jogados no chão.

— A gente chega aqui encontra até 60 camisinhas no chão. A gente usa o local como estacionamento, mas quando está muito sujo a gente varre pra não espantar os fregueses. Nas segundas a situação fica pior.

Em nota, a PMDF afirma que já nesta área em especifico, principalmente na prevenção e repressão de crimes como roubo e furto. No entanto, eles alegam não ter conhecimento sobre as denúncias a respeito do motel, mas prometem atenção especial ao problema a partir desta sexta-feira (19).

A lei diz que ao ser flagrado pela polícia no cometimento de ato obsceno, o casal em questão é levado para registro caso esteja cometendo em local público. Na ação penal, tanto a pública quanto privada, em regra geral, depende de queixa do ofendido, ou seja, a pessoa que presenciar o fato precisa se deslocar para registrar ocorrência em uma delegacia.

Fonte: Portal R7 Com foto reprodução/TV Record - 20/06/2015 - - 11:06:08
 
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A coragem ímpar do nosso MP! Luiz Estevão: MP recorre contra prescrição

Além desse caso, há o risco de prescrição de penas aplicadas a Estevão por envolvimento no escândalo do TRT

A subprocuradora-geral da República Raquel Dodge entrou com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra decisão que declarou extinta uma pena de três anos de prisão do ex-senador Luiz Estevão.

O ex-senador foi condenado a três anos de prisão, em 2007, por inserir documentos falsos em livro contábil de construtora, mas, como houve demora na análise de recursos, a punição foi extinta neste caso. ...

Subprocuradora-geral contesta a contagem de prazos. Condenado por falsificação de documentos da empresa Construtora e Incorporadora Moradia, ele recebeu a punição em 2007, mas a defesa do empresário apresentou vários embargos em diferentes instâncias. Como a Justiça demorou a analisar os recursos de Estevão, o ministro do STJ Ericson Maranho decretou, no último dia 11, que a punição está prescrita. O Ministério Público Federal questiona a contagem de prazos e apresentou embargos para contestar a extinção da pena de Estevão.

Segundo a denúncia do MP contra o empresário, ele teria inserido documentos falsos no livro contábil da Construtora e Incorporadora Moradia para ocultar o recebimento de recursos do Grupo Monteiro de Barros. O caso tem relação com a denúncia de desvios de dinheiro da construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, mas o processo não faz parte da condenação a mais de 31 anos de prisão imposta ao ex-senador por envolvimento no escândalo.

O Ministério Público Federal apresentou a denúncia em julho de 1999 e foi recebida pela Justiça em dezembro de 2000. Quase três anos depois, Estevão acabou condenado a 3 anos e 8 meses de cadeia por infringir o Artigo 304 do Código Penal. Mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região anulou a sentença com o argumento de que, na época dos delitos, o réu era senador e, portanto, o caso teria que tramitar no Supremo Tribunal Federal.

O STF, por sua vez, declinou da competência para julgar o caso e remeteu o processo à Justiça Federal do DF. Em março de 2007, a 10ª Vara Federal proferiu nova sentença condenando Estevão à mesma pena de 3 anos e 8 meses de reclusão. A pena restritiva de liberdade foi substituída por uma restritiva de direitos, mais multa. A sentença foi publicada em 2 de abril de 2007. A defesa recorreu da decisão e, em segunda instância, o empresário conseguiu reduzir a pena para três anos de reclusão.

Ao decretar a prescrição da pena, o ministro Ericson Maranho considerou que “houve o transcurso de mais de oito anos entre a referida publicação da sentença e a presente data e, por isso, deve ser reconhecida e declarada a prescrição da pretensão punitiva”.

Mas, no embargo apresentado ao STJ, o Ministério Público Federal alega que houve equívoco na contagem dos prazos processuais. Para o MPF, é preciso contar a partir da publicação do acórdão, e não da data da sentença. “Desse modo, entre as causas de interrupção do prazo prescricional previstas no Código Penal, não transcorreu lapso superior a oito anos”, alegou o Ministério Público. Para a procuradoria, como o acórdão só foi publicado em 4 de agosto de 2008, a punição só prescreverá em 4 de agosto de 2016.

R$ 2,2 bilhões
Além desse caso de falsificação de documentos, existe ainda o risco de prescrição de algumas penas aplicadas a Luiz Estevão por envolvimento no escândalo do TRT de São Paulo. Ele foi condenado pela Justiça Federal, em maio de 2006, sob acusação de crimes de corrupção ativa, estelionato, peculato, formação de quadrilha e uso de documento falso. Pelos cálculos do Ministério Público Federal, as condutas criminosas provocaram um rombo nos cofres estimado em R$ 2,2 bilhões, contabilizados desvios de verba, multas e danos morais.

A condenação ocorreu há quase uma década, mas, por conta da apresentação de sucessivos recursos, o processo ainda não transitou em julgado. O STJ já negou os recursos, mas o empresário foi ao STF. Este mês, o relator do agravo, ministro Marco Aurélio Mello, rejeitou as pretensões do ex-senador. A defesa apresentou embargo de declaração e não há prazo para a análise dos novos recursos. Em 2012, o Ministério Público Federal pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que incluísse o processo no Programa Justiça Plena, criado para dar celeridade ao julgamento de crimes de grande repercussão social e, assim, evitar a prescrição.

Fonte: Por Helena Mader, Correio Braziliense - 20/06/2015 - - 21:08:38

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Análise: Que legado grandes eventos trazem para os direitos humanos no Brasil? As Olimpiadas foram orçadas até agora em 37, 7 BILHÕES!!Daria para comprar muito cobertor para Hospital Público, não é?

  • Reparação aos mais vulneráveis

    A poluição da Baía da Guanabara, em parte, decorre da atuação irresponsável de empresas

    Moradores pobres sendo vítimas da gentrifricação e de remoção forçada sem consultas adequadas, canteiros de obras sem condições adequadas à saúde e à segurança de trabalhadores, manifestantes violentamente detidos por forças de segurança. Cenas como essas têm sido comuns no Brasil.

    Uma das maiores dificuldades quando se discute os impactos das empresas sobre direitos humanos é prevenir e proteger contra abusos dos direitos decorrentes de suas operações... O desafio é ainda maior quando megaprojetos são necessários para sediar Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, os quais infelizmente foram e têm sido acompanhados de abusos e violações de direitos humanos.

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    Recentemente, Moradores da Vila Autódromo denunciaram que a prefeitura do Rio teria negociado com empresas privadas a construção de prédios para classe média no bairro onde vivem, causando a remoção de ao menos mil famílias pobres. Segundo os moradores, nas obras de renovação, a prefeitura e empresas privadas têm excluído os pobres do que chamam de “progresso”.

    Outro problema é a poluição da Baía da Guanabara, que em parte decorre da atuação irresponsável de empresas, principalmente indústrias e refinarias de petróleo, que contribuem com vazamento de óleo e não cuidam adequadamente do lançamento de resíduos.

    Qual a resposta de empresas e governos para prevenir e remediar abusos de direitos humanos decorrentes de operações empresariais?

    O governo brasileiro, em resposta à pesquisa Plataformas de Ação de governos e empresas sobre empresas e direitos humanos que desenvolvemos, demonstra interesse no tema de empresas e direitos humanos. Apontou iniciativas relevantes como o combate ao trabalho escravo, por meio da Lista Suja. Contudo, afirma que um dos entraves mais importantes às ações no tema é a “falta de entendimento ou conscientização sobre questões envolvendo empresas e direitos humanos no governo”. É inaceitável que isso impeça o país de cumprir e implementar leis voltadas à prevenção e proteção dos direitos.

    Em geral, instrumentos de direitos humanos disponibilizados por empresas são interessantes, mas ainda não conseguem ser eficazes para prevenir, mitigar e reparar os abusos decorrentes de suas atividades.

    Tomemos como exemplo as empresas Itaú Unibanco, Vale e Petrobrás. Em suas respostas à pesquisa, apontaram a existência de instrumentos internos para tratar de queixas e reparações formuladas por comunidades, indivíduos e trabalhadores.

    O Itaú Unibanco abordou mais diretamente o tema em duas questões. Ao responder sobre como as questões de direitos humanos são administradas na empresa, o banco afirmou que disponibiliza “canais internos e externos para denúncia de situações que estão em desconformidade com as diretrizes das políticas corporativas, orientações de código de ética, legislação, entre outros”. À questão sobre providências da empresa para se certificar de que queixas dos trabalhadores, comunidades ou indivíduos afetados são ouvidas e exemplos dos recursos de reparação oferecidos, o banco disse que “disponibiliza o Ombudsman para receber denúncias e oferecer orientações a respeito do tema. O canal atende...os colaboradores em questões de conflitos interpessoais. As manifestações são recebidas por pessoas...que dão o tratamento...por meio de aconselhamentos, mediação de conflitos e ...apuração de denúncias mais graves...”. Em ambas respostas, fica claro que existe um canal, principalmente para os colaboradores, mas não fica tão evidente quais são os recursos disponíveis para reparação de abusos para indivíduos e comunidades afetados.

    A Petrobras também disponibiliza tais serviços, mas para os públicos interno e externo, e com atendimento pessoal. Em sua resposta à questão sobre como os direitos humanos são administradas na empresa, afirma que foi “desenvolvida a Metodologia para Gestão de RS em Projetos de Investimento...que contém orientações e ferramentas para auxiliar o responsável pelo projeto...de responsabilidade social que contribuam para a mitigação de riscos sociais negativos e para a potencialização das oportunidades relacionadas ao projeto”.

    Nenhuma das empresas comenta como têm conseguido oferecer acesso à reparação aos mais vulneráveis

    A Vale também menciona que já está em curso a aplicação de ferramenta de gestão de riscos de direitos humanos. Ao responder sobre quais providências toma para se certificar de que queixas dos trabalhadores, comunidades ou indivíduos afetados são ouvidas e exemplos dos recursos de reparação oferecidos, assim como o Itaú Unibanco e a Petrobras, menciona o canal com uma ouvidoria. Mas não menciona a possibilidade de encaminhamento de denúncias com atendimento pessoal, como a Petrobras. Na questão sobre como aborda a participação das partes interessadas, incluindo funcionários e comunidades locais afetadas nas questões de direitos humanos, a Vale trata de outras possibilidades de diálogo com a comunidade em que aborda também o acesso à reparação: “...estreitar o relacionamento com...partes interessadas...tratando suas queixas e demandas e buscando construir em conjunto soluções sustentáveis...[E]...está implantando...processos de diálogo social estruturados e permanentes com as comunidades...”.

    Seria interessante saber se e como essas diferentes iniciativas têm impactado positivamente comunidades no território. Nenhuma das empresas comenta como têm concretamente conseguido oferecer acesso à reparação aos mais vulneráveis por suas ações.

    É preciso que tanto Estados quanto empresas escutem mais vítimas de abusos de direitos humanos para repará-las e melhorar suas ações visando a construção de um futuro mais digno, em que as comunidades possam fazer parte de um processo de desenvolvimento não só econômico como social, e possam decidir sobre seu futuro. Apenas desta forma, o legado das Olimpíadas do Rio terá um foco mais humano do que o da Copa do Mundo.

    Júlia Mello Neiva é pesquisadora do Centro de Informações sobre Empresas e Direitos Humanos


    Fonte: Por Júlia Mello Neiva, jornal El País com foto de F. Frazão (Ag. Brasil) - 
    21/06/2015 - - 01:43:11

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Odebrecht e Andrade Gutierrez: Um novo hábito vai mudar a vida desses homens

  • Odebrecht e Andrade Gutierrez

    Erga Omnes

    A prisão desses homens da nobreza empresarial pode mudar a direção de investigação Lava Jato. No dia que eles forem apresentados a uma “Privada Turca “ e tiverem que defecar na frente dos companheiros, a realidade será outra.

    Dormir em colchonetes, comer quentinhas e viver a rotina de presos comuns, faz com que a nobreza dos empreiteiros pense muitas vezes antes de se calar e não fazer uma delação premiada...

    A prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez colocou a cúpula do PT em “estado de alerta” e preocupa o Palácio do Planalto pelos efeitos negativos na economia.

    Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo foram presos nesta sexta-feira (19) no âmbito das investigações da Operação Lava Jato.

    Na avaliação do governo, contudo, “não há o que fazer”, até porque a nova fase da operação que investiga um esquema de corrupção na Petrobras promete fazer jus a seu nome latino e “valer para todo mundo”.

    Isso porque a “Erga Omnes” (expressão em latim que significa “para todos” e que em direito designa a ação que vale para todos os cidadãos, mesmo que não tenham ingressado em juízo) não atinge apenas figuras centrais ligadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Não é segredo que Marcelo Odebrechet e Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, têm excelentes relações não só com o petista, mas também com a oposição –especialmente o PSDB.

    Durante a campanha presidencial de 2014, segundo esses interlocutores do governo, ambos os executivos fizeram chegar reservadamente ao Planalto a sua intenção de votar na oposição.

    De todo modo, o nível de alerta é maior entre os petistas. Desde o fim do ano passado, governo e partido trabalhavam com a informação, que circulava no meio empresarial e político, de que Marcelo Odebrecht não “cairia sozinho” caso fosse preso na Lava Jato.

    A empresa sempre negou tais ameaças. Entre empresários e políticos, contudo, as supostas ameaças eram vistas como um recado ao PT dada a proximidade entre a Odebrecht e Lula –a empresa patrocinou viagens do ex-presidente ao exterior, para tentar fomentar negócios na África e América Latina.

    Um dos presos nesta sexta (19), aliás, é Alexandrino Alencar, diretor da Odebrecht que acompanhava pessoalmente Lula em suas viagens às custas da empreiteira após deixar a Presidência. Este dado causou particularmente “pânico” entre alguns aliados do petista.

    Esses interlocutores vão ainda além, dizendo que a polícia “quer pegar o Lula”. Contemporizam, contudo, ao comentar a relação das empresas com políticos da oposição.

    Na PF, que naturalmente nega qualquer viés político em suas operações, a preocupação maior é a de que o escopo atingido nesta fase da Lava Jato posso trazer mais pressão contra sua ação. Reservadamente, dentro do órgão se diz que “agora nenhum partido irá nos defender”.

    Apesar da avaliação de que a ação da PF era inevitável, o Planalto também teme o efeito econômico desta fase da operação.

    A Odebrecht é a maior empreiteira do Brasil, e o cenário já ruim na construção civil pode piorar ainda mais a recessão que atinge o país neste ano. Por outro lado, há a possibilidade de atração de empresas estrangeiras para o programa de concessões recentemente lançado pela presidente Dilma, além de dar mais espaço para as pequenas e médias empresas brasileiras.



    Fonte: Por Ronald Carvalho/Blog do Riela - 21/06/2015 - - 02:06:16
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Ninho tucano pega fogo: Alckmin atropela Aécio----As ambições não cabem no mesmo espaço

  • Rosa dos Ventos



    O conflito, em torno da eleição de 2018, está instalado no PSDB e pode ficar mais duro se José Serra entrar na disputa.

    Quem soprou a brasa foi o deputado estadual Pedro Tobias, recém-eleito presidente do diretório paulista do PSDB. A posse de Tobias virou um ato quase oficial de lançamento da candidatura do governador Geraldo Alckmin à Presidência da República em 2018...

    O deputado fez o anúncio emoldurado por um gracejo bisonho: “O País precisa de um médico porque está doente, corrompido”. Não era blague. Formado em medicina, Alckmin seguiu o mote e mirou o PT: “A política se exerce essencialmente com ética (...) Um partido político se faz com ética”.

    Quem não enxerga nessa obviedade um roteiro planejado? A crise interna no PSDB, provocada pela longínqua eleição presidencial de 2018, é maior do que supõe, e do que publica, a vã filosofia da mídia. A ignorância é um objetivo calculado. Bloqueia a informação e torna inocentes úteis os militantes tucanos e os próprios quadros políticos do partido. Tudo se passa nos limites da cúpula concentrada em São Paulo.

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    Aécio sentiu o impacto do ataque de Alckmin e se abrigou na circunstância política disponível. Ou seja, a antecipação da disputa interna: “É confortador (...) termos no PSDB, em condições de disputar as eleições e de vencê-las, nomes da estatura do governador de São Paulo”. Alertou, porém: “Teremos a responsabilidade de não saltar etapas”.

    A regra, neste momento, é a de negar evidências. Restam, no entanto, fatos. Não há condições de evitar ou mesmo de contornar a situação. É frágil a responsabilidade invocada pelo presidente do partido. Ele mesmo vai ignorar a restrição se preciso for.

    Aécio Neves saiu chamuscado da eleição de 2014. Sofreu duas derrotas em casa, para o PT, ao perder a disputa pela Presidência da República e pelo governo de Minas Gerais. Na perspectiva da competição interna os dias de agora também não lhe são favoráveis. Derrotado na competição eleitoral, o senador mineiro pôs-se a comandar praticamente sozinho, sem sucesso, os movimentos radicais contra Dilma. Perdeu também esse “terceiro turno”.

    O governador de São Paulo surgiu em cena e reagiu ao movimento pelo impeachment da presidenta. Frustrou os planos de Aécio.

    Agora os dois estão novamente em lados opostos. Alckmin atacou a proposta do fim da reeleição, que chamou de “mudancismo”, e a redução da maioridade penal apoiada pelo colega de legenda.

    São esses alguns fatos. Quem irá para a luta eleitoral? Geraldo Alckmin ou Aécio Neves? Ou, quem sabe, José Serra?

    Serra, à margem do choque entre Aécio e Alckmin, é, por ora, candidato de si próprio. Mantém, no entanto, o sonho no qual sempre se intrometem os fantasmas de duas derrotas. Para Lula, em 2002, e para Dilma, em 2010. O sonho, nesses momentos, vira pesadelo.


    Fonte: Por Mauricio Dias, CartaCapital com foto de Marcos Fernandes/Obritonews - 21/06/2015 - - 02:35:18
     
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Rio cidade aberta (ao tráfico, ao crime, à violência)


Pedro do Coutto


O título, claro está praticamente repetindo, o que usou Roberto Rosselini no famoso filme “Roma Cidade Aberta”, focalizando os últimos dias do governo fascista italiano. Era 1944 e a Itália estava sendo invadida pelas forças americanas e brasileiras, que ao lado dos partizani lutavam para libertar o país do nazismo, que também a ocupavam,buscando manter Mussolini no poder. O filme incluía cenas reais dos combates e marcou o início do neorrealismo no cinema. Esse realismo agora se aplica com propriedade ao que se passa na cidade do Rio de Janeiro em matéria de fracasso quase total da política de segurança do governo Pezão.



A capital do RJ hoje está sob o domínio do tráfico de entorpecentes , do crime em série, da violência e dos assaltos que se sucedem nas ruas e nas praças, muitos deles terminando em assassinatos. Reflexo da desordem urbana o Rio 2015 é uma cidade aberta a todos os fatores sintetizados na frase que inspira o título deste artigo. Desnecessário lembrar a morte do médico Jaime Gold, na Lagoa Rodrigo de Freitas, por uma bicicleta que atraiu os assassinos. Mas deve-se destacar que, após Jaime Gold, verificou-se uma série de esfaqueamentos na cidade atingindo as vítimas de um cotidiano absolutamente insano.



O comércio imundo das drogas está atrás de tudo, pois criou um mercado de câmbio próprio na medida em que os assaltantes acham que vão multiplicar o produto de seus roubos comprando e revendendo tóxicos e adquirindo o pernicioso crack. Perniciosos, aliás, são todos os entorpecentes, cujos consumidores na realidade direta ou indiretamente financiam a violência.



FORA DA REALIDADE        
O governo estadual revela-se ausente da realidade, tanto assim que o próprio governador Pezão, há poucos dias, matéria divulgada pela GloboNews, afirmou que pretendia regularizar até dezembro os pagamentos a serviços prestados e aquisição de equipamentos necessários ao setor de saúde. Nós estamos no mês de junho. Os atrasos de pagamento, é claro, não se limitam aos serviços médicos e são reveladores de um distanciamento entre o Executivo e o cotidiano das ruas cada vez mais ameaçadas.



Na edição de domingo de O Globo, a repórter Waleska Borges escreveu que os moradores de Laranjeiras vão usar apitos em bloco, contra a violência no bairro.



Perfeito. É uma forma legítima de manifestar a inquietação contra a omissão. Na mesma página em que a reportagem foi publicada, uma notícia sobre o novo esfaqueamento desta vez tendo vítima um taxista que se recusou a levar um passageiro a um morro Juca Branco, em Niterói. Levou dez facadas. O criminoso fugiu com o carro, abandonando-o pouco depois.



Este foi mais um retrato de como a violência produz vítimas em série nas áreas urbanas. Qual a resposta do Palácio Guanabara? Nenhuma. O poder no Rio de Janeiro encontra-se adormecido, num torpor que tem origem num tradicional escapismo que marca as últimas administrações estaduais.



REFORMA DO FATOR PREVIDENCIÁRIO
Reportagem de Valdo Cruz, Cláudia Rolli e Paulo Muzolon, Folha de São Paulo, na edição de domingo, revela que a presidente Dilma Rousseff está pretendendo vetar a emenda aprovada pelo Congresso alterando com o fator previdenciário. Vetando, sofrerá de fato uma derrota enorme porque seu argumento não convence ninguém. Ela se baseia no objetivo de fixar uma idade mínima para todos os aposentados.



Uma farsa. A idade mínima já se encontra praticamente atribuída no texto aprovado pelo Legislativo: 60 anos para os homens 55 para mulheres, além da necessidade de terem trabalhado respectivamente 35 e 30 anos, salvo profissões de risco excetuadas na legislação. A matéria acrescenta que Dilma Russeff pretende debater a nova fórmula com dirigentes sindicais. Só pode ser um teatro armado, mais um descumprimento do que afirmou na campanha eleitoral.




POR QUEM OS JUROS SOBEM?
Comecei este artigo citando Rosselini, no bloco final repito o título que Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, deu ao seu artigo de domingo, igualmente na Folha de São Paulo, recorrendo a Hemingway e também ao filme de John Ford sobre a guerra civil espanhola. O título do romance é Por Quem os Sinos Dobram. Pelas vítimas do bombardeio nazista que garantiu general Franco no poder em 1935.



Agora no Brasil não é difícil saber por quem os juros sobem. Seria para conter a inflação num lance de política financeira. A qual, entretanto, traz consigo reflexos em favor da rentabilidade dos bancos e dos fundos de investimentos. 


Pois quando o devedor propõe ao credor pagar juros mais altos é porque está procurando captar mais recursos no mercado para financiar seus projetos. É a única explicação lógica para tal procedimento, sem discutir a eficiência ou não desse rumo.