terça-feira, 21 de julho de 2015

Uma putrefação lenta demais


Clóvis Rossi
Folha


A percepção externa da crise brasileira está bem retratada na revista peruana “Caretas”, cujo número mais recente diz que a Lava Jato “é a mais importante investigação anticorrupção na história brasileira e latino-americana”. É dizer muito quando se conhece como a história latino-americana é prenhe de escândalos formidáveis de corrupção.


O ponto alto do escândalo em curso foi a abertura de investigação a respeito de Luiz Inácio Lula da Silva, notícia que não escapou a nenhum jornal mais ou menos relevante do planeta.


“The New York Times” deu, aliás, um título significativo: “Brasil acrescenta ao inventário dos escândalos de corrupção a investigação de um ex-presidente”.


Já estamos, pois, pelo menos aos olhos de um dos grandes jornais do planeta, com um dossiê tão formidável de corrupção que se transformou em inventário – algo que usualmente se faz post-mortem. É natural, em assim sendo, que o público brasileiro sinta um cheiro nauseabundo de putrefação do ambiente político.


PROVA EM CONTRÁRIO
Claro que sempre é preciso ressalvar que todo mundo é inocente até prova em contrário – e a delação premiada não é suficiente como prova.


Mas o inventário a que se refere “The New York Times” está durando tempo demais, sem que haja culpados em definitivo, condenados pela Justiça ou inocentes definitivamente declarados, depois das investigações competentes. É urgente acelerar as coisas, sem, claro, abandonar todas as cautelas que garantam uma investigação limpa e legítima e a preservação integral do direito de defesa.



Está na hora de o Judiciário, até agora o único dos três Poderes cuja cúpula não foi colocada sob suspeição, criar uma força-tarefa, em coordenação com o Ministério Público e a Polícia Federal, para encerrar o “inventário”, mandando para a cadeia quem merecer e passando atestado de bons antecedentes para quem for inocente.


Um país, qualquer que seja, não pode conviver eternamente com a suspeita de que seus principais líderes e alguns de seus principais empresários são corruptos.


ECONOMIA ESTAGNADA
Como diz o subtítulo do artigo de sexta-feira, 17, de Pedro Luiz Passos, presidente do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial, “sem solução do imbróglio político em que o país se meteu, a economia não voltará a crescer”.


Uma parte importante do imbróglio é dada pela discussão cada vez mais escancarada sobre uma eventual defenestração da presidente Dilma Rousseff.


É importante deixar claro, nesse capítulo, que impeachment não é golpe, pela simples e óbvia razão de que está previsto na Constituição e –como diria o Conselheiro Acácio– o que é constitucional não é golpismo.


Feita essa ressalva, é indecente tratar do afastamento da presidente pelas costas, em conversas de bastidores entre altas autoridades.


Impeachment é algo que se tem de encarar de frente. Se alguém acha que há razões que justifiquem a abertura do processo (eu acho que não há), que as apresente de peito aberto no foro adequado. Seria a única maneira decente de encerrar pelo menos parte desse sórdido “inventário”.

CPI do BNDES coloca governo em pânico.


A presidente Dilma Rousseff
(Estadão) O governo avalia que a CPI anunciada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para investigar contratos do BNDES pode paralisar a instituição e causar sérios prejuízos à economia. O receio do Planalto é que o impacto da comissão sobre a atividade econômica seja ainda pior do que o provocado pela CPI da Petrobrás, aumentando a temperatura da crise política. 
 
A avaliação foi feita ontem em reunião da presidente Dilma Rousseff com ministros da coordenação política do governo. Em conversas reservadas, auxiliares de Dilma dizem pouco poder fazer para impedir a CPI, mas acreditam que até mesmo empresários vão atuar para esvaziá-la.
 
Segundo informações obtidas pelo Estado, a equipe econômica estuda abrir uma linha de capital de giro, financiada pelo BNDES, para socorrer empresas em dificuldades financeiras após a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, com o objetivo de evitar quebradeiras e demissões em massa. Ministros dizem, porém, que nada disso será levado adiante se a CPI vingar. 
 
 
Rompido com o governo desde que o lobista Júlio Camargo o acusou de ter cobrado propina de US$ 5 milhões, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, Cunha quer pôr o PMDB na presidência e até mesmo na relatoria da CPI do BNDES, o que preocupa o Planalto. Além disso, o Senado ameaça abrir uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o mesmo assunto, criando nova fonte de problemas para Dilma. 
 
Para piorar o quadro, o governo sabe que o grupo de Cunha e a oposição vão tentar constranger o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na CPI e temem que a crise bata com mais força à porta do Planalto. Na semana passada, a Procuradoria da República no Distrito Federal abriu investigação contra Lula, acusando-o de tráfico de influência internacional e no Brasil. 
 
A suspeita levantada pelo Ministério Público é a de que Lula tenha usado o seu poder para facilitar obras da empreiteira Odebrecht em países da África e da América Latina, com financiamento do BNDES. Em nota, o Instituto Lula disse que o procedimento aberto pela Procuradoria no DF é “absolutamente irregular, intempestivo e injustificado”. Na sexta-feira, advogados do ex-presidente apresentaram uma reclamação disciplinar ao Conselho Nacional do Ministério Público para requerer apuração da conduta do procurador Valtan Timbó Mendes Furtado, pedindo a suspensão do inquérito. 
 
Coutinho. “Não há possibilidade de ingerência política no BNDES”, disse Luciano Coutinho, presidente do banco. “Os processos de governança do BNDES são extremamente rigorosos. Temos plena convicção da nossa capacidade de esclarecer e demonstrar a contribuição do BNDES para o desenvolvimento.” A estratégia do governo é tentar pacificar a relação com Câmara e Senado durante o recesso, liberando emendas parlamentares e acertando nomeações de segundo e terceiro escalões. Embora na reunião de ontem a avaliação tenha sido a de que Cunha “extrapolou e passou dos limites”, a ordem é isolar o presidente da Câmara, e não atacá-lo. 
 
“Eu quero ver isso como uma questão de momento em que ele (Cunha) se sentiu injustiçado”, afirmou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “Espero que essas iniciativas não se traduzam na busca de desestabilização das relações políticas e do próprio quadro institucional. Não creio que ele faria isso.” 
 
Por ordem de Dilma, ministros também tentarão se reaproximar do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em pronunciamento na TV Senado, na sexta-feira, Renan elogiou Cunha e chamou de “tacanhas e ineficientes” as medidas propostas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Disse, ainda, que ajuste fiscal sem crescimento econômico é como “cachorro correndo atrás do rabo”, porque não sai do lugar.  “O senador Renan é aliado, é integrante do PMDB e os aliados não estão proibidos de fazer críticas”, amenizou o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha. 


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Descanse em paz, Dilma Rousseff.



A 128ª Pesquisa CNT/MDA, realizada de 12 a 16 de julho de 2015 e divulgada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte), mostra a avaliação dos índices de popularidade do governo e pessoal da presidente Dilma Rousseff. Aborda também a expectativa da população sobre emprego, renda, saúde, educação e segurança pública. Os entrevistados foram questionados sobre política, eleições, Operação Lava Jato e outros assuntos.

 
Foram entrevistadas 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 Unidades Federativas, das cinco regiões. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais com 95% de nível de confiança.

 
AVALIAÇÃO DE GOVERNO

 
DESEMPENHO PESSOAL DA PRESIDENTE: A avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff é positiva para 7,7% dos entrevistados, contra 70,9% de avaliação negativa. A aprovação do desempenho pessoal da presidente atinge 15,3%, contra 79,9% de desaprovação.

 
Renda mensal: vai aumentar: 13,8%, vai diminuir: 33,7%, vai ficar igual: 50,2%.

 
Saúde: vai melhorar: 13,6%, vai piorar: 47,5%, vai ficar igual: 37,1%.

 
Educação: vai melhorar: 15,1%, vai piorar: 41,0%, vai ficar igual: 42,1%.

 
Segurança pública: vai melhorar: 12,9%, vai piorar: 46,2%, vai ficar igual: 39,2%.

CONJUNTURAIS

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2018:

1º turno: Intenção de voto estimulada para presidente, caso a eleição fosse hoje

CENÁRIO 1: Aécio Neves 35,1%, Lula 22,8%, Marina Silva 15,6%,
Jair Bolsonaro 4,6%

CENÁRIO 2: Lula 24,9%, Marina Silva 23,1%, Geraldo Alckmin 21,5%,
Jair Bolsonaro 5,1%

CENÁRIO 3: Lula 25,0%, Marina Silva 23,3%, José Serra 21,2%,
Jair Bolsonaro 5,5%

2º turno: Intenção de voto estimulada para presidente, caso a eleição fosse hoje

CENÁRIO 1: Aécio Neves 49,6%, Lula 28,5%

CENÁRIO 2: Geraldo Alckmin 39,9%, Lula 32,3%

CENÁRIO 3: José Serra 40,3%, Lula 31,8%

Dilma e Aécio: 44,8% acreditam que se Aécio Neves tivesse vencido a eleição, o governo dele estaria melhor do que o da presidente Dilma Rousseff. Para 36,5%, estaria igual. 10,9% consideram que estaria pior.

LAVA JATO E CORRUPÇÃO

Responsabilidade: 78,3% têm acompanhado ou ouviram falar das investigações que envolvem a Petrobras. Sendo que dentro desse grupo, 69,2% consideram que a presidente Dilma é culpada pela corrupção que está sendo investigada e 65,0% acham que o ex-presidente Lula é culpado.

Ainda em relação aos que acompanham ou já ouviram falar, 40,4% consideram que o maior culpado na operação Lava Jato é o governo, seguido de partidos políticos (34,4%), diretores ou funcionários da empresa (14,2%), construtoras (3,5%).

Denúncias e punição: Entre os que acompanham ou ouviram falar das denúncias da Lava Jato, 67,1% não acreditam que os envolvidos em corrupção serão punidos. 86,8% consideram que as denúncias são prejudiciais para a economia do país. 52,5% acreditam que o governo federal não será capaz de combater a corrupção na Petrobras.

Prisões e investigação: Para 90,2% que acompanham ou já ouviram falar, não está ocorrendo exagero em relação às prisões. 37,3% disseram saber o que é delação premiada e, entre grupo, 52,8% são a favor da delação premiada nas investigações da Lava Jato.

Corrupção: 53,4% avaliam que a corrupção é um dos principais problemas do país. Para 37,1%, a corrupção é o principal problema. 7,8% consideram que a corrupção é um problema, porém não está entre os principais.

POLÍTICA, ECONOMIA E CRISE

Impeachment: 62,8% são a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e 32,1% são contra. Para os que são favoráveis ao impeachment, 26,8% citaram as irregularidades nas prestações de contas do Governo (pedaladas fiscais); 25,0%, a corrupção na Petrobras; 14,2%, irregularidades nas contas da campanha para Presidente em 2014 e 44,6% consideram os três motivos como justificativa para o impeachment.

Desemprego: 50,0% temem ficar desempregados pelo desaquecimento da economia brasileira. 69,9% conhecem alguém que ficou desempregado nos últimos seis meses. 51,0% não aceitariam redução salarial para manter o emprego.

Crise: Para 61,7%, em três anos ou mais será possível resolver a crise em que o país se encontra. 84,6% consideram que a presidente Dilma Rousseff não está sabendo lidar com a crise econômica. Para 61,5%, os cortes fiscais não ajudam a economia. 60,4% consideram que a crise mais grave atualmente é a econômica e 36,2% consideram que é a crise política.

Reeleição: 67,5% são a favor do fim da reeleição para cargos eletivos públicos.

Doação para campanhas: 78,1% são contra doações de empresas para campanhas políticas.

CUSTO DE VIDA

Para 75,9%, em 2015, o custo de vida vai aumentar ou aumentar muito. 18,7% consideram que vai ficar igual. 86,9% disseram que reduziram muito ou moderadamente as suas despesas por causa da atual situação econômica.

CONTAS ATRASADAS

53,9% têm alguma dívida vencida ou a vencer. Entre esses que possuem dívidas vencidas ou a vencer, para 47,5% o valor é até R$ 1.000,00. E para 23,3%, o valor vai de R$ 1.001,00 a R$ 2.000,00.

28,2% possuem alguma conta ou prestação em atraso. Entre eles, as mais comuns são: cartão de crédito (42,1%), crediário em loja (24,2%), luz (23,7%), água (15,4%), telefone (11,0%), veículo (8,7%), aluguel (7,3%), casa própria (3,0%), plano de saúde (1,8%), mensalidade escolar (1,2%).

PREVIDÊNCIA

Como se preparou para a aposentadoria em relação à renda: aposentadoria oficial – INSS (60,0%), aposentadoria privada, (5,1%), renda proveniente de empresa ou negócio próprio (3,3%). 26,2% não se preparam ou não se prepararam. 49,5% acreditam que o INSS pagará os benefícios de sua aposentadoria.

MAIORIDADE PENAL E VIOLÊNCIA

A favor ou contra: 70,1% são a favor da redução de 18 para 16 anos para qualquer tipo de crime. 18,0% são a favor somente para crimes mais graves, como homicídio ou latrocínio (roubo seguido de morte). 10,2% não são a favor em hipótese nenhuma.

Redução da violência: 40,2% acreditam que a redução da maioridade penal contribuirá parcialmente para reduzir a violência no país. 37,4% consideram que reduzirá muito. E 20,6% acham que não reduzirá. Para 92,6%, o fato de o menor saber que não pode ser preso facilita o cometimento de crimes.

Medidas mais adequadas para reduzir violência:
- investimento em educação de crianças e adolescentes: 68,3%
- policiamento nas cidades: 36,8%
- redução da maioridade penal de 18 para 16 anos: 34,9%
- mais investigação dos crimes e prisão dos culpados: 26,4%
- construção de presídios: 10,6%.

AVALIAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES

Confiança nas instituições

Igreja: 43,0% confiam sempre e 11,7% não confiam nunca
Forças Armadas: 19,2% confiam sempre e 17,2% não confiam nunca
Imprensa: 13,2% confiam sempre e 21,2% não confiam nunca
Justiça: 10,5% confiam sempre e 24,8% não confiam nunca
Polícia: 8,9% confiam sempre e 23,5% não confiam nunca
Governo: 2,0% confiam sempre e 56,2% não confiam nunca
Congresso Nacional: 1,6% confia sempre e 51,6% não confiam nunca
Partidos políticos: 1,0% confia sempre e 73,4% não confiam nunca

Instituição que mais confia:

1º - Igreja (53,5%)
2º - Forças Armadas (15,5%)
3º - Justiça (10,1%)

4º - Polícia (5,0%)
5º - Imprensa (4,8%)
6º - Governo (1,1%)
7º - Congresso Nacional (0,8%)
8º - Partidos políticos (0,1%)

 
CONCLUSÃO

 
A 128ª Pesquisa CNT/MDA mostra resultados muito negativos para a presidente Dilma Rousseff em todas as variáveis pesquisadas. A avaliação da atuação do seu Governo e o índice de aprovação pessoal atingem os piores níveis da série histórica das pesquisas de opinião da CNT, desde julho de 1998 (8,0% para Fernando Henrique Cardoso em setembro de 1999).

Na avaliação da CNT, a conclusão final da pesquisa mostra uma elevação do pessimismo do brasileiro em consequência da alta do custo de vida, do aumento da inflação, do crescimento do desemprego e da forte percepção sobre a corrupção e a incapacidade do governo em resolvê-la.
 
 

A vez de Lula: um tiranete no banco dos réus.


Em editorial, o Estadão comenta a investigação da Procuradoria da República do DF sobre Lula, notório traficante de influência a serviço das empreiteiras do petrolão. Enfim, a justiça pega no calcanhar do tiranete, que passou décadas na impunidade. Mais cedo ou mais tarde, ironiza o jornal, "virá à luz toda a verdade sobre a prodigiosa transformação de Lula e sua família em beneficiários privilegiados dos programas de ascensão social dos governos do PT":

A Procuradoria da República do Distrito Federal (DF) está investigando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo crime de “tráfico de influência em transação comercial internacional”. Lula teria intercedido pessoalmente em benefício da construtora Odebrecht, a partir de 2011, junto aos governos de Portugal e de Cuba, países nos quais esteve em viagens patrocinadas pela empresa, de acordo com documentos oficiais obtidos no Itamaraty pelo jornal O Globo. A investigação dos procuradores do DF é a primeira ação oficial a levantar uma ponta do véu que encobre a notória ligação de Lula com empreiteiros poderosos, principalmente contratantes de obras públicas, envolvidos até o pescoço no escândalo da Petrobrás.
A revelação do jornal carioca não chega a ser surpreendente porque entre os amigos do peito de Lula nos altos escalões empresariais está exatamente Marcelo Odebrecht, presidente da maior construtora do País, preso em Curitiba pela Operação Lava Jato. Lula não esconde que depois de deixar a Presidência da República tem proferido palestras pagas no exterior a convite de grandes empresas brasileiras com interesses no mercado internacional. Nega peremptoriamente, porém, que faça lobby em benefício dessas corporações. Admite, no máximo, que aproveita essas oportunidades para divulgar e defender os “interesses comerciais do Brasil” no exterior.
Afirmam os áulicos do ex-presidente que, se eventualmente se dispusesse, em nome dos interesses nacionais, a fazer lobby para grandes construtoras brasileiras, Lula estaria apenas seguindo o exemplo de ex-chefes de governo americanos. Ocorre que há uma grande diferença entre o que fazem os lobistas nos EUA e no Brasil. Lá o lobby é legalmente reconhecido e regulamentado como atividade para promover interesses corporativos legítimos. Aqui é uma atividade informal, quase sempre sub-reptícia, que não raro se confunde com a advocacia administrativa. O lobby, no Brasil, frequentemente é entendido como uma chave usada para abrir portas que a burocracia fecha para disso ter algum proveito. Isso não significa que todo lobista seja desonesto. Existem, como em tudo, as exceções. 
Essa diferença de entendimento do que seja o lobby é o que explica o fato de Bill Clinton praticar lobby abertamente para as corporações que o contratam, enquanto Lula nega categoricamente fazer a mesma coisa. Além disso, nos EUA um ex-presidente se afasta da militância político-partidária e fica legalmente impedido de voltar a se candidatar a qualquer cargo eletivo. Aqui, Lula só pensa em 2018.
Lula aprendeu, enquanto trabalhava no Palácio do Planalto, a cultivar a amizade de muitos prósperos empresários. Era então voz corrente em palácio que apenas duas pessoas tinham acesso irrestrito a seu gabinete: a primeira-dama, Marisa Letícia, e o pecuarista José Carlos Bumlai, a quem é atribuída, entre outras, a proeza de ter viabilizado a promoção da então desconhecida construtora UTC, de Ricardo Pessoa, à condição de uma das grandes empreiteiras de obras públicas do País. Pessoa é o ex-presidente da UTC, delator premiado da Lava Jato, que acaba de entregar o deputado Eduardo Cunha como beneficiário de US$ 10 milhões de propina paga pela BR Distribuidora.
Consta ainda da lista de melhores amigos de Lula outro frequentador da carceragem da PF em Curitiba: Leo Pinheiro, da construtora OAS, que generosamente concluiu as obras tanto do magnífico tríplex do ex-presidente num edifício no Guarujá como do sítio familiar em Atibaia. E ainda Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, que acaba de ser indiciado pela PF em um dos inquéritos da Lava Jato.
Diante das clamorosas evidências de que por detrás de relações estreitas com poderosos empreiteiros há muito mais do que Lula se permite admitir – afinal, desde que deixou a Presidência ele vive para baixo e para cima no Brasil e no mundo a bordo de jatos executivos, hospedando-se em hotéis de luxo, sempre às expensas dos financiadores de seu Instituto –, as revelações contidas em documentos diplomáticos que o Itamaraty foi obrigado a divulgar por força da Lei de Acesso à Informação constituem-se certamente num primeiro passo para que, mais cedo ou mais tarde, venha à luz toda a verdade sobre a prodigiosa transformação de Lula e sua família em beneficiários privilegiados dos programas de ascensão social dos governos do PT.
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Marquem na agenda!

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Escândalo do petrolão cruza vários processos em Portugal



Texto do jornal Observador, de Portugal: "Lava Jato em 5 gráficos. Operação Marquês, Monte Branco, BPN. O escândalo brasileiro cruza vários processos nacionais



Maria Catarina Nunes e o Milton Cappelletti preparam-lhe cinco gráficos para perceber a teia de ligações que a PGR vai ajudar o Brasil a investigar - mesmo depois de Passos Coelho ter garantido ontem que o ex-Presidente brasileiro nada lhe pediu na audiência que tiveram há uns anos ("nunca me veio meter nenhuma cunha").


O Negócios, por sua vez, fez um trabalho complementar, explicando o que têm em Portugal as construtoras da Lava Jato, que também vale uns minutos de leitura.

Hoje, através do Público, ficamos a saber que a Justiça portuguesa quer levar mais longe essa investigação, procurando dados sobre o envolvimento de ex-governantes, acionistas e gestores da PT no negócio da venda da Vivo e compra da Oi. O negócio de 2010 foi polémico, envolveu 7,5 mil milhões de euros e acabou mal, como sabemos agora." 


Abaixo, um trecho da longa matéria publicada hoje:

Os negócios entre o Brasil e Portugal cresceram visivelmente nos últimos anos. Um dos responsáveis por esse crescimento foi inegavelmente Lula da Silva, o ex-presidente brasileiro, que valorizou as ligações a Portugal. Quando se descobrem casos suspeitos do outro lado do Atlântico é normal que alguns deles cheguem a Portugal. Mas o Lava Jato, o escândalo de corrupção que agora agita o Brasil (depois do Mensalão e do Petrolão) não se cruza apenas com um processo, mas sim com vários. Uma teia de relações entre empresas e pessoas que o Observador tentou simplificar em 5 gráficos.


No cruzamento de linhas do Brasil para Portugal (com passagens por África e Suíça), o Lava Jato entra pelo processo Operação Marquês dentro, pelo qual estão detidos José Sócrates (prisão preventiva), Armando Vara, ex-administrador da CGD, Joaquim Barroca, ex-administrador do Grupo Lena, e o empresário Carlos Santos Silva (todos em prisão domiciliária).  Toca também no caso Monte Branco, via Akoya, a empresa suíça gestora de fortunas representada em Portugal por Francisco Canas. É no âmbito deste processo que, entre muitos outros, é arguido Ricardo Salgado, que teve de pagar uma caução de três milhões de euros para aguardar julgamento em liberdade. E nem o BPN escapa, uma vez que o banco de Oliveira e Costa (que aguarda julgamento em prisão domiciliária) seria usado para a circulação de dinheiro.


Até Passos Coelho acabou por ser citado, alegadamente por ter recebido de Lula da Silva um pedido para interceder a favor da Odebrecht aquando da privatização da EGF. A construtora brasileira acabou por nem concorrer e Passos negou que Lula lhe tivesse metido qualquer “cunha” a favor de empresas brasileiras.


E ao mesmo tempo que se multiplicam as notícias e as ligações entre Lula da Silva, o processo Lava Jato, a empresa Odebrecht e os processos em investigação em Portugal, a Procuradoria-Geral da República portuguesa já confirmou ter recebido um pedido de ajuda das autoridades brasileiras e garantiu o seu apoio à investigação que acaba de incluir o próprio Lula da Silva. “Confirma-se a receção de pedido de cooperação judiciária internacional, através de carta rogatória”, diz a Procuradoria-Geral da República (PGR). Mas o caso parece ir muito além da simples suspeita de tráfico de influências do ex-presidente brasileiro como representante da construtora Odebrecht, quando deixou o cargo no Palácio do Planalto.

Comecemos pelo Brasil e pelas últimas notícias sobre o caso. São desexta-feira, primeiro, quando se soube que Lula da Silva ia mesmo ser investigado. E depois de domingo, quando se conheceram algunstelegramas diplomáticos que envolviam o ex-presidente do Brasil em várias ligações que iam além do lobby a favor da construtora brasileira Odebrecht. O ex-presidente é investigado por suspeitas de tráfico de influência em transação comercial internacional.

A Odebrecht, uma das maiores construtoras do Brasil, está no centro de uma das maiores redes de corrupção no Brasil, a Operação Lava Jato. O seu presidente, Marcelo Odebrecht, está detido desde 19 de junho, juntamente com mais 7 executivos da empresa. São suspeitos de fraude, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, crime contra a ordem económica e organização criminosa. Na mesma investigação, diga-se de passagem, foram também detidos o presidente da Andrade Gutierrez e oito outras pessoas da empresa que esteve ligada aos negócios entre a PT SGPS e a brasileira Oi.
Voltando a Lula. 


Dois telegramas analisados pela Polícia Federal brasileira vieram sustentar a suspeita do Ministério Público do Brasil e o pedido de ajuda a Portugal. E porquê? A rede de ligações de Lula da Silva, e de empresários detidos no âmbito do processo Lava Jato, a empresários e altos quadros do Estado portugueses, que por sua vez estão envolvidos nos processos investigados em Portugal, começam a surgir, umas atrás das outras.

Lula da Silva terá utilizado as suas viagens pelo mundo para ajudar a construtora brasileira Odebrecht, da qual se tornou representante após deixar de ser presidente brasileiro, em várias frentes. Mas Lula terá ido além do simples lobby. Terá usado os seus conhecimentos para interceder a favor da empresa. 


Em Cuba e em países africanos, entre 2011 e 2014, terá colaborado para a angariação de novos contratos para a empresa. Essa é uma das razões para o ex-presidente ser suspeito de tráfico de influências em transação internacional dentro do processo Lava Jato.


Mas não só. Lula da Silva terá intercedido a favor da construtora para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, financiasse obras da empresa, mas fora do país. O aeroporto de Cuba é um exemplo. 



Em troca, a Odebrecht terá pago contrapartidas a Lula da Silva.


Quando se deslocou a Portugal, as viagens do ex-presidente terão sido pagas pela Odebrecht. Seis das deslocações, pelo menos, terão sido suportadas pela empresa brasileira. Numa dessas viagens, em 2013, Lula da Silva apresentou o livro de José Sócrates, “A Confiança no Mundo”. O presidente da Odebrecht Portugal, Fábio Januário, garantiu ao Expresso, que aquela viagem financiada pela construtora foi apenas para trazer Lula às comemorações dos 25 anos da empresa.
A apresentação do livro teria sido apenas um extra, justificado com a relação pessoal entre Lula e Sócrates.



Mas terá havido mais. Num telegrama diplomático, datado de 25 de outubro de 2013, o Ministério Público brasileiro encontrou suspeitas. No documento, o embaixador brasileiro em Lisboa comenta com o ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil a visita de Lula da Silva a Portugal, nos dias anteriores: entre 21 e 23 de outubro. O documento deixa claro que o convite da viagem partiu da Odebrecht Portugal e revela reuniões em Lisboa com empresários brasileiros ligados à construtora. Investiga-se agora com que propósitos.



O atual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, também vê o seu nome associado às notícias sobre o processo Lava Jato, por alegadas conversas com Lula da Silva.
De acordo com um relatório da Polícia Federal brasileira, o ex-presidente brasileiro terá contactado Passos Coelho para demonstrar o interesse da construtora Odebrecht no processo de privatização da portuguesa Empresa Geral de Fomento (EGF) e para lhe pedir que intercedesse a favor dos brasileiros.

O negócio de privatização da EGF foi anunciado no início de 2014 e fechado em novembro do mesmo ano. Recorde-se que a Suma, consórcio liderado pela Mota-Engil, foi a vencedora e comprou a EGF por 149,9 milhões de euros. Nenhuma empresa brasileira chegou a concorrer.

Mas um segundo telegrama diplomático investigado pelas autoridades brasileiras, trocado em maio de 2014, entre o embaixador brasileiro em Lisboa e o ministro brasileiro dos Negócios Estrangeiros, analisa a privatização da EGF. E nele, o embaixador Mário Vivalva destaca que as empresas brasileiras Odebrecht e Solvi, em parceria com o grupo português Visabeira, tinham interesse no negócio. A atenção teria gerado “simpatia dos formadores de opinião em Portugal”. 



É depois desta informação que “a ação direta de Lula em favor da Odebrecht” terá sido referida, avança o Globo.

Por causa destas notícias, e das alegadas conversas com Lula da Silva, Passos Coelho teve de fazer um desmentido claro esta segunda-feira: “A empresa brasileira que é referida não apresentou candidatura”. A garantia de negação foi mais longe e o primeiro-ministro decidiu mesmo utilizar vocabulário corrente “para que todos percebam de forma direitinha: o ex-presidente do Brasil nunca me veio meter nenhuma cunha”. (Continua).


Postado por Orlando Tambosi às 10:02

Dilma reforça equipe para se defender no TSE e vasculhar contas de Aécio

Leia Mais:http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,cunha-pede-acareacao-para-dilma--mercadante-e-edinho-silva,1728674
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Por Painel
21/07/15 02:00

Terceiro turno Preocupada com a ofensiva do PSDB pela anulação das eleições nacionais do ano passado, Dilma Rousseff instituiu uma tropa de choque de advogados para defender a chapa presidencial formada por ela e pelo vice Michel Temer. O grupo assume o trabalho com a missão de evitar, junto à Justiça Eleitoral, a reversão do resultado das urnas e, ainda, de fazer um pente fino em busca de irregularidades nas contas do rival Aécio Neves (PSDB-MG), ainda não analisadas pelo TSE.


Ponta de lança A banca será liderada por Flávio Caetano, coordenador jurídico da campanha de 2014. Ele deixou o Ministério da Justiça nesta segunda-feira para atuar exclusivamente no caso.



Em revista Dilma ficou irritada ao saber, pela Folha, que o doleiro Alberto Youssef disse ao Tribunal Superior Eleitoral ter sido procurado por emissários de sua campanha. Havia, porém, um advogado da presidente acompanhando o depoimento.



Aviso prévio Ministros tentam agendar reuniões no TCU para apresentar a defesa do governo em relação às pedaladas fiscais. O cenário ainda é desfavorável ao Planalto.


Fala comigo O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pediu audiência com Geraldo Alckmin. Os dois se reúnem nesta terça na sede do governo paulista.


Foco Investigadores da Lava Jato analisaram boa parte das centenas de requerimentos aprovados pela CPI da Petrobras e chegaram à conclusão de que a comissão parece mais focada em desmantelar o caso do que em aprofundar a apuração.


Fica a dica Policiais qualificaram a condenação dos ex-executivos da Camargo Corrêa de “histórica” e “pedagógica”. A decisão deixou em pânico advogados de empreiteiros que ainda aguardam a sentença de Sergio Moro.


Banco… Caso o Senado rejeite a possível recondução do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o nome mais forte hoje para o cargo é o de Mario Bonsaglia.


… de reserva A votação ocorrerá em 5 de agosto. A tendência atual é a de que Janot fique em primeiro e Bonsaglia, em segundo. Dilma indicará o primeiro da lista tríplice, não importa quem seja.


Derramado Com a abertura de investigação contra Lula, aliados que participaram da Constituinte de 1988 lamentaram ter deixado de incluir ex-presidentes da República no rol de autoridades com foro privilegiado.


Meta fica Integrantes da equipe econômica apostavam, nesta segunda, na manutenção da meta de superavit em 1,1% do PIB. Dilma, entretanto, ainda não bateu o martelo. O número será definido nesta terça. São grandes as chances de o Congresso reduzir o primário caso o governo não o faça.


Tríplice coroa A Petrobras trabalha com três opções para a abertura de capital da BR Distribuidora: oferta pública tradicional; oferta de ações de serviços específicos da rede de postos ou abertura de capital de um novo tipo de serviço, a ser sugerido por parceiros externos.


Escudo Apesar do ataque especulativo contra o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, auxiliares próximos da presidente avisam que ela não demonstra nenhuma intenção de tirar seu braço direito do cargo.


Recado Em reunião da coordenação de governo, Dilma disse que a missão de Mercadante e do vice Michel Temer no Congresso ficará ainda mais difícil após o rompimento com Eduardo Cunha. A mensagem foi interpretada como sinal de que o ministro fica onde está.
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Um brinde De Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), sobre as comemorações do Dia do Amigo em Brasília: “Cunha e Dilma também têm o que celebrar! Mas, no caso deles, é o dia do amigo da onça…”.
Oi? Onze dos 63 deputados do PT apoiaram a criação da Frente em Defesa do Parlamentarismo —inclusive o ex-líder Vicentinho (SP).

Antes a propina era colocada na meia, agora é colocada em sacolas.A corrupção pelo jeito está aumentandso em vez de diminuir!

Ex-ministro levava sacolas de dinheiro, afirma delator




O ex-ministro Pedro Paulo Leoni Ramos, alvo da Operação Lava Jato, transportou propina do esquema de corrupção da Petrobras em mochilas e sacolas cheias de dinheiro vivo, segundo o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, que virou delator.

Pessoa disse em sua delação premiada que os pagamentos eram feitos pessoalmente por ele na sede de sua empresa, em São Paulo.

Secretário de assuntos estratégicos do governo Fernando Collor (1990-1992), Leoni é apontado por delatores como o elo entre o ex-presidente (hoje senador pelo PTB-AL) e o esquema.

O relato dos pagamentos foi feito pelo próprio Pessoa em trecho de seu acordo de delação com o Ministério Público, ao qual a Folha teve acesso.

Apontado como chefe do clube de empreiteiras que desviou verba da estatal, Pessoa detalhou o esquema da propina, passando por uma empresa que comercializa camarotes para corridas de Stock Car, a Rock Star Entertainment.

A operação funcionava da seguinte forma: a UTC fechava contratos fictícios com a Rock Star e com a SM Terraplanagem, e simulava contratos de advocacia com o escritório de Roberto Trombeta.
Segundo Pessoa, a dinâmica foi criada para maquiar os repasses ao grupo de Collor.

O empresário disse que pagou R$ 20 milhões em propina para fechar contratos na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, e que parte disso seria destinado ao senador.

Pessoa afirmou ainda que aceitou pagar os recursos porque teve conhecimento de que o então diretor de operações e logística José Zonis seria afilhado político do senador.

ENCONTRO
Outro delator do esquema, Rafael Angulo, braço direito do doleiro Alberto Youssef, também afirmou em seu acordo de colaboração premiada que entregou recursos pessoalmente a Collor e a Leoni.
Angulo disse que foi orientado por Youssef a levar R$ 60 mil pessoalmente ao senador, em seu apartamento em São Paulo, como mostrou o "Jornal Nacional", da TV Globo.

No encontro de cerca de 20 minutos, Collor trancou a sala, levou-o para outra antessala e questionou sobre a visita. Ele explicou que desejava entregar um "documento" e questionou se Collor sabia quantas páginas tinha.

Angulo reproduziu o seguinte diálogo: "o senhor que está vindo, o senhor que deve saber", teria dito Collor de maneira séria. "Eu trouxe 60, o senhor sabe", respondeu. "Sei", concluiu o senador.
Ele disse ter entregado envelopes ao ex-presidente, que não contou. Ao ser conduzido para a saída, Angulo disparou: "O senhor é diferente, pessoalmente, do que parece na televisão". A declaração teria arrancado um sorriso forçado do ex-presidente, encerrando o encontro.

OUTRO LADO
O senador Fernando Collor (PTB-AL) tem dito que a Procuradoria-Geral da República age de forma "parcial", baseada em "exclusivamente em depoimentos de notórios contraventores da lei". A assessoria dele não atendeu aos pedidos de entrevista feitos nesta sexta (17).

Em nota, o seu ex-ministro Pedro Paulo Leoni Ramos nega e repudia que tenha "recebido ou intermediado valores ou contratos". Ele rechaçou as acusações feitas por Ricardo Pessoa, disse que "já prestou todos os esclarecimentos às autoridades competentes" e que está disposto a continuar colaborando com as investigações.

O ex-ministro ainda afirma que "as declarações que supostamente citam o seu nome são artificiais, revelam uma profunda e completa desconexão com a verdade e, portanto, estrategicamente mentirosas".

Roberto Trombeta estava em viagem, segundo um de seus funcionários, e não respondeu às tentativas de contato da reportagem.

A Folha não localizou representantes das empresas Rock Star Entertainment e SM Terraplenagem. Os telefones registrados na Receita Federal não pertenciam mais às empresas e elas atualmente constam como inativas.

Após envolvimento na Lava Jato, Eletrobras será alvo de ação nos EUA



Investidores da Eletrobras planejam ir à Justiça nos Estados Unidos por perdas sofridas após o envolvimento da estatal em investigações da Operação Lava Jato.

A ação será movida "em breve", segundo Phillip Kim, representante da The Rosen Law Firm, escritório americano de advocacia que defende os direitos de investidores.

A Eletrobras tem papéis na Bolsa de Nova York, onde é obrigada a prestar informações detalhadas de suas contas. Em abril, a estatal anunciou que não publicaria seu balanço nos EUA devido ao envolvimento na Lava Jato.

Depois da notícia, os recibos de ações (BDRs) caíram 8,24% até o final do mês, para US$ 2,45 por ação.

O escritório diz que pretende reaver essas perdas para os investidores interessados em tomar parte do processo.

O atraso na divulgação dos números se deve à necessidade de uma auditoria interna após o depoimento à Justiça do ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton Avancini.

Ele afirmou ter ouvido que as empresas do consórcio de construção da usina Angra 3 pagaram propina ao almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente da Eletronuclear, subsidiária da estatal; o almirante nega ter recebido pagamentos indevidos.

A Eletrobras percorre agora o mesmo caminho da Petrobras, pivô do esquema investigado pela Lava Jato. 

A Petrobras demorou cinco meses para publicar seu balanço nos EUA, até que uma auditoria interna chegasse ao valor de perdas sofridas com a corrupção (R$ 6,3 bilhões). 

Desde o final do ano passado, a Petrobras foi alvo de cinco ações coletivas de indenização nos Estados Unidos (mais tarde unificadas), além de ações individuais de fundos de investimento.

Juiz da Lava Jato condena a 15 anos de prisão ex-executivo da Camargo Corrêa.;D


Pedro Ladeira - 20.mai.15/Folhapress
O empresário Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa, condenado na Operação Lava Jato
O empresário Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa, condenado na Operação Lava Jato


Titular das ações penais da Operação Lava Jato, o juiz Sergio Moro condenou ex-executivos da construtora Camargo Corrêa por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e atuação em organização criminosa referentes a superfaturamento e pagamento de propina para obtenção de contratos de obras de refinarias da Petrobras.


A condenação refere-se às obras da Repar (Refinaria de Getúlio Vargas), no Paraná, e da Rnest (Refinaria Abreu e Lima), em Pernambuco. É a primeira condenação de executivos (ou ex-funcionários) de empreiteiras investigadas por corrupção na Petrobras.


Eles poderão recorrer da decisão de Moro ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região. Se a sentença for mantida, eles poderão recorrer depois ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Tanto o presidente da empresa, Dalton Avancini, quanto outros dois executivos da companhia –Eduardo Leite e João Auler, todos condenados–, estavam afastados desde sua prisão em novembro de 2014 e foram demitidos recentemente.

Avancini e Leite fizeram acordo de delação premiada com a Justiça, em troca de penas mais brandas. Ambos estão em prisão domiciliar. Os dois disseram que a Camargo participava de um grupo de empreiteiras que pagava propina para conseguir contratos na Petrobras.

João Auler, que presidia o conselho da construtora, não aceitou colaborar com a Justiça, mas também foi demitido.

De acordo com a sentença, a Camargo Corrêa pagou R$ 50 milhões de propina à Diretoria de Abastecimento da Petrobras apenas nesses dois contratos. O valor equivale a 1% do valor das obras, segundo a sentença.

Este é o montante definido pelo juiz Sergio Moro como ressarcimento a ser feito à estatal pelos condenados, além de outras multas criminais e civis.

Também foram condenados o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e o policial federal Jayme de Oliveira Filho, que fazia entrega de dinheiro a mando de Youssef.

O ex-diretor da Petrobras e o doleiro também têm acordo de delação premiada. Eles terão suas penas somadas às demais que já sofreram na Lava Jato.

OUTRO LADO
Em nota, a empreiteira Carmargo Corrêa afirmou que "desde que tomou conhecimento das investigações" colaborou com a Justiça e tem trabalhado internamente para melhorar seu controle interno e sanar irregularidades.

"A construtora reitera que, desde que tomou conhecimento das investigações, além de ter se colocado à disposição das autoridades, tem empreendido esforços para identificar e sanar irregularidades, reforçando sua governança corporativa e sistemas de controle", disse a companhia em seu comunicado.

Avancini e Eduardo Leite só foram liberados da prisão preventiva após fecharem acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, em março.

João Auler, que optou por não colaborar com as investigações, saiu da prisão no mês seguinte, após conseguir um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal).

Advogado de Avancini, Pierpaollo Bottini, disse não ter "dúvidas de esse [a delação] foi o melhor caminho".

"Nunca é uma decisão fácil fazer acordo de delação, mas certamente meu cliente agora tem a certeza que não volta para a prisão", disse.

Ele disse que ainda avaliaria os detalhes da decisão, mas que, no momento, não vê motivo para recorrer a tribunais superiores. Já Celso Vilardi, que defende Auler, ex-presidente do Conselho da Camargo, adiantou que só espera ser notificado da sentença para impetrar um recurso contra a condenação de seu cliente. Para ele, a decisão de Moro "fere os princípios mais básicos do direito penal".
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CONFIRA AS CONDENAÇÕES
DALTON AVANCINI
ex-presidente da Camargo Corrêa e delator na Lava Jato
  • Sentença Condenado a 15 anos e 10 meses de prisão, mais multa de R$ 1,2 milhão
  • Como ficou após a delação premiada Permaneceu na cadeia quatro meses e dez dias, período que durou sua prisão preventiva. Vai cumprir um ano da pena em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, até 14 de março de 2016. Após essa data, vai cumprir pelo menos dois anos no regime semiaberto diferenciado (obrigação de dormir em casa) mais cinco horas semanais de serviços comunitários. Depois, seu regime progride para o aberto, encerrando a obrigação de dormir em casa. Vai pagar R$ 2,5 milhões como indenização cível, além do R$ 1,2 milhão como multa criminal
EDUARDO HERMELINO LEITE
ex-vice-presidente da Camargo Corrêa e delator na Lava Jato
  • Sentença Condenado a 15 anos e 10 meses de prisão, mais multa de R$ 900 mil
  • Como ficou após a delação premiada Permaneceu na cadeia quatro meses e dez dias, período que durou sua prisão preventiva. Vai cumprir um ano da pena em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, até 14 de março de 2016. Depois dessa data, vai cumprir pelo menos dois anos no regime semiaberto diferenciado (obrigação de dormir em casa) mais cinco horas semanais de serviços comunitários. Depois, seu regime progride para o aberto, encerrando a obrigação de dormir em casa. Vai pagar R$ 5,5 milhões como indenização cível, além do R$ 900 mil como multa criminal
PENAS DE DALTON AVANCINI E EDUARDO LEITE - Crédito: Editoria de Arte/Folhapress
JOÃO AULER
ex-presidente do conselho de administração da Camargo Corrêa
  • Sentença Condenado a 9 anos e 6 meses de prisão, mais multa de R$ 288 mil
  • Como será a execução da pena Começará a cumprir a pena em regime fechado, podendo evoluir para o regime semiaberto após o cumprimento de 1/6 da pena
PENA DE JOÃO RICARDO AULER - Crédito: Editoria de Arte/Folhapress
PAULO ROBERTO COSTA
ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e delator
  • Sentença 6 anos de prisão e multa de R$ 373 mil
  • Como ficou após a delação premiada: A condenação nesta ação penal será unificada com as demais. Em abril, ele já havia sido condenado em outro processo a 7 anos e 6 meses de prisão. Costa também não deverá voltar à prisão, ele já cumpre prisão domiciliar com uso de tornozeleira desde outubro do ano passado. A partir de outubro deste ano, ele poderá deixar sua casa durante o dia, com obrigação de retornar à noite e ali permanecer nos finais de semana
ALBERTO YOUSSEF
doleiro e delator
  • Sentença 8 anos e 4 meses de prisão, mais multa de R$ 593 mil
  • Como ficou após a delação premiada A condenação nesta ação penal será unificada com as demais. Em abril, ele já havia sido condenado em outro processo a 9 anos e 2 meses de prisão. Mas, graças ao acordo, o doleiro passará somente três anos na prisão. Em março de 2017, ele vai progredir diretamente para o regime aberto
JAYME ALVES DE OLIVEIRA FILHO
policial federal que fazia entrega de dinheiro a mando de Youssef
  • Sentença 11 anos e 10 meses de prisão e multa de R$ 285 mil

Dilma tem até amanhã para responder TCU sobre contas do governo


A presidenta Dilma Rousseff tem até amanhã (22) para apresentar uma resposta ao Tribunal de Contas da União (TCU) na tentativa de evitar que as contas públicas de 2014 sejam reprovadas pelo órgão.



No mês passado, o tribunal tomou uma decisão inédita ao adiar a análise das contas por 30 dias, para que o governo federal esclareça indícios de descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).



Em acórdão aprovado no mês de abril, o TCU constatou irregularidades no atraso do repasse de verbas do Tesouro Nacional a bancos públicos para o pagamento de despesas com programas sociais do governo, como Bolsa Família, seguro-desemprego e abono salarial.



O governo pretende responder aos questionamentos argumentando que as transferências de recursos são regulares e que a metodologia não é nova, pois vem sendo usada desde 2001, quando foi criada a LRF.



No entendimento dos ministros do tribunal, a atitude do governo foi considerada uma operação de crédito porque, na prática, os bancos públicos emprestavam valores à União. O procedimento é proibido pela LRF. Já o governo discorda dessa avaliação alegando que as práticas ocorreram durante períodos curtos, que acabam sendo compensados no momento em que os bancos recebem os recursos e ficam com saldos positivos.



O tribunal quer saber a real situação da contabilidade do governo. “Restou confirmado nos autos que: despesas concernentes ao Bolsa Família, ao seguro-desemprego e ao abono foram pagas pela Caixa; subsídios do Programa Minha Casa, Minha Vida vêm sendo financiados pelo FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço]; e subvenções econômicas, sob a modalidade de equalização de taxas de juros, vêm sendo bancadas pelo BNDES ou pelo Banco do Brasil”, escreveu o ministro do TCU José Múcio Monteiro, ao apreciar as operações.


Nessa segunda-feira (20), Dilma se reuniu com ministros, que vêm sendo escalados para fazer a defesa do governo, e presidentes de bancos públicos. Participaram do encontro os ministros da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, do Planejamento, Nelson Barbosa, da Controladoria-Geral da União, Valdir Simão, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante, além dos presidentes do Banco do Brasil, Alexandre Abreu, da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, e do Banco Central, Alexandre Tombini.




Em repetidas declarações, o advogado-geral da União e o ministro do Planejamento têm dito que a prática é normal e correta, mas que se for entendida como operação de crédito, deve haver um aperfeiçoamento das regras e não uma punição, pois o procedimento também ocorreu em outros anos.



Nas últimas semanas, ele e Nelson Barbosa têm comparecido em audiências na Câmara e no Senado e feito reuniões com parlamentares com o objetivo de convencê-los de que as práticas são regulares. “São operações que foram objeto de aprovação pelo próprio TCU em exercícios anteriores, são operações que tem por objetivo adaptar a política fiscal para uma melhor evolução da economia”, disse Nelson Barbosa.


O assunto também já foi discutido em encontro entre Dilma, ministros, presidentes e lideranças de partidos na reunião do chamado conselho político. Na opinião Adams, não há necessidade de pedir mais tempo ao tribunal, pois os elementos de defesa estão sistematizados. “O governo está absolutamente confiante nesse sentido. Temos plena confiança de que o TCU terá ponderação e equilíbrio para tomar uma decisão desse nível”, afirmou o AGU na semana passada.


O TCU é responsável pela análise técnica das contas do Executivo e sua decisão servirá de subsídio ao Congresso Nacional, responsável pelo julgamento das contas da presidenta Dilma Rousseff.



Após o adiamento da análise do TCU, o relator do parecer, ministro Augusto Nardes, entregou ao presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), o documento com a avaliação de que as contas não estavam, “no momento, em condições de serem apreciadas”. Depois que receber as respostas, Nardes vai formular seu voto e convocar uma reunião plenária para que os demais ministros também apreciem as contas.


Fonte: Agência Brasil  Jornal de Brasília

Isso é um absurdo, afirma Dilma sobre investigação do MPF contra Lula

A presidente Dilma Rousseff aproveitou a reunião de hoje da coordenação política de governo para sair em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula é alvo de investigação da Procuradoria da República no Distrito Federal, que apura se ele praticou tráfico de influência em favor da empreiteira Odebrecht.

"Isso é um absurdo. Não tem a menor procedência", disse Dilma, conforme relato de dois participantes da reunião. "Se fosse assim, Barack Obama, Angela Merkel e o rei Juan Carlos, que defendem os interesses dos empresários dos seus países, também seriam processados."


A suspeita do Ministério Público é que Lula tenha obtido vantagens econômicas da Odebrecht, ajudando a empreiteira a conseguir obras financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em países da África e da América Latina. Ele nega.


A defesa enfática de Lula marca um gesto de reaproximação de Dilma, que viu sua relação pessoal com o padrinho político estremecer em meio aos desdobramentos da Operação Lava Jato, da deterioração dos indicadores econômicos e da quebra abrupta de sua popularidade.


Dia do amigo
Dilma publicou em sua página no Facebook uma foto com Lula pelo Dia do Amigo, comemorado nesta segunda.


Na imagem, ela aparece abraçada ao padrinho político. A legenda traz até um coraçãozinho, símbolo usado nas redes sociais como demonstração de carinho. "No #DiadoAmigo a homenagem é ao querido companheiro Lula", diz o texto.


Pouco tempo depois, Lula compartilhou a mesma imagem em sua timeline. "À companheira, e antes de tudo amiga Dilma Rousseff, um forte abraço neste #DiadoAmigo. O Brasil e os brasileiros têm certeza de sua dedicação por este país!", afirma a legenda.


Nos últimos meses, o ex-presidente tem feito reiteradas críticas a Dilma, especialmente por causa das medidas do ajuste fiscal patrocinadas pelo governo. Em um dos momentos mais duros, disse a um grupo de religiosos que Dilma e ele estavam "no volume morto" e que o PT estava abaixo desse nível.


O presidente nacional do PT, Rui Falcão, também mandou o seu "abraço" para Dilma pelo Twitter. Mas também circulou durante todo o dia pelas redes sociais uma foto da petista ao lado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com a frase "Feliz Dia do Amigo".

 Na sexta-feira, 17, Cunha anunciou que faria oposição ao governo, após a revelação de que ele teria recebido uma propina de US$ 5 milhões de um dos delatores da Operação Lava Jato.


Fonte: Estadão Conteúdo  Jornal de Brasília