sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Dilma "sempre esteve a par" de Pasadena




Dilma Rousseff também foi citada por Nestor Cerveró em seus relatos à Lava Jato.
Um trecho reproduzido pela Veja diz:

"Dilma incentivou Nestor Cerveró para acelerar as tratativas sobre Pasadena e sempre esteve a par de tudo que ocorreu na compra daquela refinaria".

A Lava Jato não investiga pessoas, investiga fatos.Lula é um fato


O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima deu uma entrevista à Veja.

A revista perguntou-lhe se Lula está sendo investigado pela Lava Jato.

Ele respondeu:

"O ex-presidente era o responsável pelo governo. Não estou dizendo com isso que as investigações chegarão a Lula. A Lava Jato não investiga pessoas, investiga fatos. Se a Lava Jato chegar ao ex-presidente, vai chegar com uma acusação sólida, com uma denúncia apresentada pelo Ministério Público baseada em fatos concretos, comprovados".
Traduzindo:

A Lava Jato ainda não fechou a denúncia contra Lula, pois sabe que ela tem de ser definitiva, mas quando ela for fechada, Lula não escapará.

4 milhões de dólares da Odebrecht para Lula





Além da propina de Angola, a campanha de Lula ganhou propina também em Pasadena.


Nestor Cerveró revelou à Lava Jato que, em 2006, houve uma reunião para acertar a contratação da Odebrecht para as obras de recauchutagem da refinaria americana.


Participaram da reunião Márcio Faria e Rogério Araújo (diretores da Odebrecht), e Nestor Cerveró, Renato Duque e Paulo Roberto Costa (diretores da Petrobras).


Eles combinaram que a empreiteira ganharia um contrato no valor de até 4 bilhões de dólares.


Para tanto, disse Nestor Cerveró no depoimento obtido pela Veja, "foi acertado que a Odebrecht faria o adiantamento de 4 milhões de dólares para a campanha de Lula, o que foi feito".

Quando o "politicamente correto" vira mordaça.

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Apesar do forte quadro recessivo, o pior ainda está por vir


Murillo de Aragão
 
O Tempo
A economia continuará trazendo más notícias para o governo em 2016. Como consequência, os climas político e social continuarão a ser desafiadores. O mercado, o Planalto e o mundo político fazem previsões pessimistas em todas as frentes.


Logo no seu início, o próximo ano reunirá um conjunto de eventos negativos para os consumidores:
 1) o pagamento das compras feitas para as festas de Natal, que deverá ser um dos piores para o comércio, ocorrerá poucas semanas depois de iniciado o ano;
2) o pagamento de impostos também se concentrará nos primeiros dias de 2106;
3) grande quantidade de empregados demitidos no segundo semestre deixará de receber as parcelas do seguro-desemprego, sofrendo forte impacto restritivo no seu poder aquisitivo.


Todos esses fatores serão temperados pela inflação alta e pela queda de renda do trabalhador, já que muitos acordos salariais mal conseguiram repor as perdas da inflação. Tal quadro aumenta o risco de inadimplência. O mercado acredita que 2016 terá um primeiro semestre bastante negativo, com previsões de um PIB aproximando-se de -3%.

É por isso que muitos estudiosos dizem que, apesar do forte quadro recessivo de hoje, o pior ainda está por vir.


AJUSTE COMPROMETIDO
Considerando-se a grave situação fiscal, a capacidade de o governo estimular a economia por meio de concessões tributárias para empresas estará profundamente comprometida. A queda do PIB deve reduzir ainda mais a arrecadação, e, sem crescimento da receita tributária, não há como virar a página do ajuste.


Hoje, o governo enfrenta problemas em várias frentes. O desempenho da economia está ruim. O apoio político no Congresso é instável. Escândalos de corrupção não param de ser revelados. A popularidade da presidente permanece baixa, mas ainda não há gente nas ruas pressionando o governo, a exemplo do que aconteceu em 2013. A combinação de tantos eventos negativos pode ser o estímulo para que isso aconteça. Os políticos costumam jogar com a ocupação das ruas como fato determinante para a aprovação do impeachment.


Como em 2013, quando houve a Copa das Confederações e muitos queriam aproveitar a oportunidade para chamar a atenção do governo para suas reivindicações, teremos em 2016 os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. As partidas de futebol, no entanto, se realizarão em outras cidades do país. Tal como em 2014, as atenções do mundo estarão voltadas para o Brasil, oferecendo a oportunidade ideal para os protestos.


A GOTA D’ÁGUA
Dúvida: a população aceitará a criação da CPMF diante desse quadro? Essa pode ser a gota d’água, assim como foi o aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus em 2013. Ciente dessa safra desfavorável para o governo, a oposição não achará tão ruim se decisões sensíveis, como aumento de impostos, disputas judiciais – investigação do TSE sobre a chapa do PT – e tentativas de interromper o mandato da presidente, fiquem para o ano que vem.

Vitória de Pirro


Votação do veto 26 mostrou que a base aliada já era…

Carlos Chagas
É conhecida a história. Depois da batalha em que venceu os adversários, Pirro anunciou que outro embate daqueles exterminaria seu reino. Desde o fim da noite de terça-feira e durante todo o dia de ontem não se registrou uma única comemoração no palácio do Planalto por conta da vitória do governo com a manutenção do veto da presidente Dilma ao aumento dos servidores do Judiciário.

A razão é simples: a derrota esteve muito próxima. Dos 513 deputados, apenas 132 votaram pela permanência do veto. Abstiveram-se onze e se opuseram 251. Quer dizer, faltaram apenas seis deputados para infligir a Madame o sucesso da rebelião em suas bases.


Esfrangalhou-se a tal maioria de que o governo dispôs desde o primeiro mandato do Lula. Apesar de PT, PMDB, PP e penduricalhos alardearem integrar formidável base governista, só conseguiram reunir 132 seguidores fiéis. Os detentores do poder encontram-se a um passo de despencar. Imagine-se a tremedeira que irá assolar o conjunto cada vez menor, caso o deputado Eduardo Cunha aceite fazer tramitar o pedido de impeachment da presidente. Bem como durante a votação da nova CPMF, prevista para março.


Por enquanto não se aceitará a afirmação de que o governo acabou, mas é quase isso. Faltam três anos de conflitos e confrontos, se não vingar o afastamento de Dilma, mas será um período de turbulências. O PMDB tornou-se inconfiável. Até no PT houve quem se insurgisse contra o veto presidencial. Mesmo com o fisiologismo correndo solto na Esplanada dos Ministérios, o governo balança diante da tempestade que se aproxima.


Imaginar sua rápida recuperação e a perspectiva do fim da crise econômica virou exercício de fantasia. Não há certeza de nada, exceção de que o país não aguentará muito mais tempo sem uma reforma profunda. Promovida por quem?


EFEITOS DA PRIVATIZAÇÃO
Não há como evitar a conclusão: a queda das barragens poluídas em Mariana constitui evidência dos males da privatização. Desde Getúlio Vargas que a Vale sustentava boa parte da economia nacional como empresa estatal.


Mesmo sujeita aos exageros do empreguismo e da burocracia, sempre foi penhor de eficiência. Privatizada pelo sociólogo e pelas facilidades do BNDES, viu-se endeusada no altar do neoliberalismo, pois passou a dar lucros cada vez maiores.


O resultado aí está: o maior desastre ecológico de nossa História, com amplas chances de multiplicar-se ainda mais. A solução para o governo será multar a companhia, nem tanto quanto devia, e ponto final.


Fossem os companheiros dignos dos tempos de fundação do PT e a Vale já estaria estatizada por um simples decreto da presidente da República. Bem como seus proprietários a caminho da cadeia.

Joaquim Barbosa critica interesse de políticos por dinheiro


O ex-ministro do Supremo, Joaquim Barbosa
Barbosa também é contra a repatriação de dinheiro sujo

Anderson Bandeira
Estado

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, acha que uma das razões para a crise política e econômica por que passa o País é provocada pela desmoralização das instituições partidárias e pelos interesses financeiros de “boa parte dos políticos”.

“Nós assistimos, nos últimos tempos, de maneira quase que cotidiana, a uma guerra de foice entre grupos políticos que, a meu ver, deixa claro o que realmente é prioridade ao chamado estamento político do país. O que interessa para boa parte desse estamento político é uma única coisa: dinheiro”, disse o magistrado durante a 16ª Convenção Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas, realizada no Recife.

Para o ex-ministro do Supremo, apesar de contarem com a “bagatela de quase R$ 1 bilhão, por ano, do Fundo Partidário”, os partidos não estão satisfeitos com todo esse dinheiro e querem mais. “Eles querem também o dinheiro das empresas para dar continuidade a essa relação de promiscuidade que existe entre certos políticos e certas empresas. Não são todas, é claro”, ressaltou Barbosa, em palestra proferida horas depois de, por unanimidade, o Supremo considerar inconstitucional o dispositivo aprovado recentemente pelo Congresso que permitia a ocultação de doações feitas indiretamente a candidatos, por intermédio dos partidos.

A CULPA É DO ELEITOR
Apesar do descontentamento de parcela da sociedade e da oposição com o rumo das políticas públicas conduzidas pelo Planalto, Barbosa avaliou que não cabe ao STF corrigir eventuais erros da classe política. “O Judiciário não é remédio contra as escolhas políticas ruins feitas por nós, cidadãos, ou pelos nossos representantes. Não faz parte do papel do Poder Judiciário corrigir políticas públicas nas quais não concordamos, ainda que elas sejam ruins”, disse.

Barbosa também condenou a aprovação do projeto de repatriação dos recursos mantidos por brasileiros no exterior, aprovado semana passada pela Câmara, com apoio do governo federal. A iniciativa é parte do pacote fiscal apresentado pelo Planalto. Para o ex-presidente do STF, boa parte dos recursos é de “origem duvidosa e preocupante”, e o que chama a atenção é a amplitude de interesses pela aprovação da matéria. “Não deixa dúvida que essa medida é apoiada pelo governo de maneira irresponsável e sem medir as consequências”, criticou.

Tragédia do Rio Doce – o impacto que a mídia esconde


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A grande mídia precisa revelar as reais dimensões da tragédia


Marcela Rodrigues
 
Site Pátria Latina


É notória a espetacularização dos acontecimentos no Rio Doce desde o rompimento da barragem da Samarco, mineradora que compõe a holding de mineração da Vale.


Infelizmente, o espetáculo de devastação que vimos até agora não é o pior que pode acontecer àquela região e seu povo. Primeiro é preciso entender o básico do processo de uma atividade de mineração. A obtenção do minério compreende as etapas de lavra – que é o processo de retirada do minério da jazida – e beneficiamento, que consiste no tratamento para preparar, concentrar ou purificar minérios, visando extrair o material de interesse econômico, ou seja, o produto final da atividade mineradora.


A lama de rejeito é, resumidamente, uma composição de resto de solo com todo o material químico utilizado para segregar o produto final, portanto, tóxica tanto pela sua composição quanto pela concentração e volume dos compostos químicos presentes.



Em segundo lugar, há de se diferenciar a barragem de rejeitos de uma barragem hidráulica.

As barragens constituídas com rejeitos se comportam basicamente como aterros hidráulicos (aterro de material fluido) e não para reter cursos d’água.


O objetivo final da barragem de rejeitos é sedimentar, compactar ou simplesmente endurecer o fluido dentro de um espaço impermeável para que não haja infiltração e contaminação do solo e dos corpos hídricos (subterrâneos ou superficiais) tornando aquele pedaço de chão inócuo, porém seguramente isolado.

É exatamente o inverso disso que ocorre com o rompimento da barragem. Essa sedimentação passará a ocorrer no leito do rio, afinal, o rejeito é mais denso e pesado do que a água, que não poderá simplesmente dissolvê-lo.


PERCENTUAL DE ARSÊNIO
Para termos ideia do que o contato dos rejeitos com o curso do Rio Doce representa, o máximo do metal arsênio permitido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), através da Resolução Conama 357 de 2005, é de 0,01 mg/L, enquanto a quantidade encontrada na amostra divulgada pelo prefeito de Baixo Guandu – ES, Neto Barros (PCdoB), foi de 2,6394 mg/L. Essa mesma amostra apontou a presença de metais como mercúrio, alumínio, ferro, chumbo, boro, bário, cobre, entre outros.


O contato com esses metais provoca a redução da capacidade de autodepuração das águas e a contaminação da água subterrânea, sujeitando à acumulação de metais tóxicos em cada estágio sucessivo da cadeia alimentar, com ameaça aos consumidores – inclusive humanos – através da ingestão de peixes e água, e comprometendo a agropecuária. 


Para efeito de comparação, o Pará, outro estado produtor de ferro e concessionário da Vale, identificou em análises feitas em comunidades ribeirinhas do Rio Tapajós a presença de 59 mg/g de mercúrio em indivíduos, sendo que o total permitido é de 0,0002 mg/L Hg, mesmo décadas após o encerramento das atividades em Serra Pelada.


PIOR DO QUE SE IMAGINA
As consequências da tragédia que envolve milhares de pessoas daquela região são ainda piores do que tem sido divulgado. É verdade que algumas espécies endêmicas da Mata Atlântica podem vir a desaparecer, mas o drama maior envolve as espécies que sobreviveram e que tiveram sua única forma de acesso aos direitos básicos da vida, como dessedentação e alimentação, comprometidos por contaminação com prazo a perder de vista. 

Por enquanto, aguardamos o plano anunciado pela empresa, enquanto observamos a contaminação seguir para o mar. Infelizmente a pior parte dessa tragédia não se pode enxergar a olho nu.
 
                                                 (artigo enviado pelo jornalista Valter Xéu)

Xô! Rollemberg defende saída de manifestantes do gramado do Congresso Governador vai a Renan Calheiros e pede o fim do acampamento

Distrito Federal

Publicado: 19 de novembro de 2015 às 17:19
Diario do Poder

O governador do DF afirma que sua posição se deve à preocupação com conflitos. (Foto: Jane de Araújo/Ag Senado)
O presidente do Senado, Renan Calheiros, recebeu nesta quinta-feira (19) o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, para tratar da situação dos manifestantes acampados no gramado do Congresso. O governador defendeu a retirada dos acampamentos por questões de segurança. Seria, na opinião, dele uma medida preventiva, para evitar conflitos entre os grupos de diferentes correntes políticas.
  Na sessão do Congresso desta quarta-feira (18), Calheiros disse ser favorável à retirada dos manifestantes, mas alegou que não poderia tomar a decisão de retirá-los sozinho. Caberia também ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.


Depois de ouvir reclamações de parlamentares sobre os tumultos e brigas no gramado, o presidente do Senado disse que pediria à Polícia Militar e à Polícia Federal que investiguem a existência de armas com os manifestantes:


— Há um ato antigo do Congresso determinando que para haver ocupação dessa área é preciso anuência conjunta dos presidentes da Câmara e do Senado. Não posso sozinho autorizar ou mandar as pessoas serem retiradas dali. Tem que ser uma decisão conjunta. Vou conversar com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, mais uma vez, em função dos fatos novos acontecidos — afirmou.


Na tarde de quarta-feira, o gramado foi palco de manifestações que terminaram com briga, tiros e duas pessoas presas. No local, estão acampados manifestantes em prol do impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff, defensores de uma intervenção militar e militantes da CUT e MST.

'Impeachment será decidido este ano', diz Cunha



Alvo de rebelião no plenário, presidente da Câmara voltou a fazer acenos à oposição


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ)(GUSTAVO LIMA/Agência Brasil)
Depois de ser alvo de uma rebelião iniciada por deputados de oposição, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez um aceno aos opositores de Dilma Rousseff e anunciou nesta quinta-feira que "com certeza absoluta" dará uma resposta aos pedidos de impeachment da petista ainda neste ano.


A declaração foi dada uma semana depois que o PSDB rompeu com Eduardo Cunha e passou a tomar frente da pressão pelo afastamento dele do comando da Casa. Alegando, oficialmente, não estarem convencidos sobre as explicações dadas pelo peemedebista acerca das denúncias de envolvimento no escândalo de corrupção da Petrobras, os tucanos romperam com Cunha motivados também pela irritação com a demora sobre o posicionamento acerca do impeachment de Dilma.


Acusado pela Procuradoria-Geral da República de envolvimento no petrolão e alvo de um processo que pode resultar em sua cassação, Cunha vinha negociando com governo e oposição para se manter no cargo - como presidente da Casa, ele tem a prerrogativa de decidir sozinho sobre o andamento dos pedidos de impeachment. 


Ao passo que a oposição rompeu com o peemedebista, as negociações de Cunha com o Planalto esquentaram.


Ao negar as especulações de que a decisão ficaria somente para 2016, ele foi taxativo: "Eu não falei isso para ninguém. Com certeza absoluta será decidido neste ano. Não tem nada que ficar para 2016, tanto que essa semana eu decidi quatro [pedidos], e decido mais provavelmente hoje ou segunda.


Não há nenhuma mudança em relação a isso", disse.


Nesta quinta-feira, o peemedebista foi vaiado em plenário por deputados que condenaram as manobras de seus aliados para barrar os trabalhos no Conselho de Ética, que o investiga. Aos gritos de "vergonha" e "Fora, Cunha", a sessão acabou esvaziada e foi concluída sem a votação de uma medida provisória. O presidente da Câmara, ao comentar o episódio, atacou o PT: "Os meus adversários querem, aos gritos, tentar obter depois da eleição aquilo que não obtiveram. Tem uns do PT que afirmam que tentam o golpe contra eles, mas tentam dar o mesmo golpe", disse.


Sobre o episódio, Cunha afirmou que a "Casa não vai ser conduzida debaixo de grito" e que declarou que há uma "série de irregularidades" em seu processo que podem ser alvo de recursos no próprio âmbito legislativo ou no Supremo Tribunal Federal. "Houve violações regimentais e cerceamento de defesa", disse, repetindo críticas sobre o relator do processo no Conselho de Ética, Fausto Pinato (PRB-SP), e a condução dos trabalhos no Conselho de Ética.


"Para mim, a decisão do plenário é absolutamente irrelevante. Tudo que iria acontecer ou deixaria de acontecer seria facilmente derrubado pelas aberrações que foram feitas desde o início da manhã", continuou. Cunha negou ter ficado constrangido nesta quinta-feira e creditou o episódio a um "processo político" comandado por opositores. "Já estou vivenciando esse processo há um tempo e nada disso vai mudar meu comportamento", afirmou.

  VEJA

Cunha chama de "aberração" sessão do Conselho de Ética



De Brasília
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, alvo de acusações de corrupção

  • O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, alvo de acusações de corrupção
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se disse vítima de golpe por parte de alguns parlamentares petistas e chamou de "aberração" a sessão do Conselho de Ética desta quinta-feira (19). 


"Na prática, tem uns do PT que reclamam que tem golpe contra eles, mas tentam dar o mesmo golpe. Isso que aconteceu", afirmou. "Este processo é político. Politicamente, os meus adversários, aos gritos, entre eles vários do PT, querem tentar aquilo que não obtiveram na eleição", disse, em referência à disputa pela presidência da Câmara, quando Cunha derrotou o petista Arlindo Chinaglia.


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Mesmo diante da revogação da decisão da Mesa Diretora suspendendo a sessão desta manhã, os parlamentares contrários a Cunha fizeram uma sessão informal do Conselho de Ética que acabou se tornando um ato político contra o presidente da Casa. "O presidente do Conselho de Ética é que hoje, ao que me parece, desrespeitou o regimento", disse Cunha. "Me parece que estão querendo atropelar o regimento interno e a Constituição visando buscar outro tipo de coisa".



O presidente da Câmara negou que ele e seus aliados tenham manobrado para impedir a votação no Conselho de Ética. "Não fiz manobra nenhuma nem vou fazer. Não há razão para isso. Não estou preocupado", disse.


Cunha minimizou as críticas feitas a ele durante a sessão plenária, de que estaria manobrando para evitar o andamento de seu processo de cassação, e disse que a suspensão da decisão de anular a reunião do Conselho Ética foi um ato simbólico.


 "Isso foi um gesto para mostrar que efetivamente eu não estava preocupado com a decisão [do Conselho de Ética]. Eu o fiz depois que acabou o tumulto. Debaixo do tumulto eu não faria", disse.


A sessão plenária foi esvaziada após um discurso duro da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Colocada de pé em sua cadeira de rodas, ela falou cara a cara com o presidente. Seus pares ficaram em silêncio. "Chega, senhor presidente. O senhor não consegue mais presidir. Levante desta cadeira, Eduardo Cunha, por favor."

 Cunha negou que tenha receio de perder apoio para continuar na presidência da Casa e disse que não vai se constranger. "Já estou vivendo esse processo faz um tempo e nada disso vai mudar meu comportamento", disse. "Não vejo nem que enfraquece nem que fortalece."


Ele reforçou que apresentará uma defesa consistente e voltou a criticar o cerceamento de defesa no Conselho de Ética. "Para mim está configurado uma série de irregularidades", afirmou, ressaltando que pode recorrer dos procedimentos do Conselho na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo que chamou de "violações regimentais e cerceamento de defesa". "Meus advogados vão falar no tempo devido e fazer os recursos que acharem que devem", disse.
  
Cunha disse ainda que "não perderia tempo" respondendo ao PSOL, que o acusou de usar o cargo para se defender. "O PSOL faz toda hora uma coisa, não dá para levar em consideração", disse.


A sessão do Conselho de Ética para a leitura do relatório do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) ficou marcada para a próxima terça-feira (24). Como está previsto que os aliados de Cunha pedirão vista, a votação do parecer prévio pela admissibilidade do processo contra o peemedebista ocorrerá só no dia 1º de dezembro.



As transformações de Eduardo Cunha



Manifestação de trabalhadores do Sintel-RJ (Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação do Rio de Janeiro) em 1992 contra Eduardo Cunha, então presidente da Telerj indicado pelo ex-presidente Fernando Collor Divulgação/Sintel-RJ

Justiça suíça aponta mais de 120 transações suspeitas sobre Copas-18 e 2022



AFP
Em Doha



Os escândalos da Fifa sob o comando de Joseph Blatter



Caso ISL - A International Sport and Leisure (ISL) era a empresa suíça que administrava os direitos de distribuição e comercialização da Copa do Mundo. Faliu em 2001 com déficit de mais de 100 milhões de dólares.

Investigação das autoridades suíças em 2010 apontou que dezenas de milhões de dólares foram pagos em propinas para os executivos da FIFA em troca de contratos exclusivos de direitos televisivos para a Copa do Mundo. Joseph Blatter, porém, não foi implicado.


O relatório FIFA caracterizou sua conduta como "desajeitada", mas não viu "má conduta criminosa ou ética". O caso, por fim, foi arquivado por causa de lacunas da legislação suíça em vigor no momento. Fabrice Coffrini/AFP

A investigação suíça sobre as condições da atribuição dos Mundiais de 2018 à Rússia e 2022 ao Catar revelou "mais de 120" transações financeiras suspeitas, anunciou o gabinete do procurador-geral suíço à AFP nesta quinta-feira.


Essas transações, apontadas pelos investigadores do escritório suíço de comunicação em matéria de lavagem de dinheiro, "foram coletadas nos processos judiciais em torno da atribuição dos Mundiais de 2018 e de 2022, em dezembro de 2010", disse o porta-voz do gabinete do procurador-geral.

Essa quantidade em agosto era de 103, mas o número ainda pode aumentar visto que as investigações ainda estão em curso.

O escritório do procurador-geral suíço acrescentou que "até o momento, nenhuma autoridade do Catar foi ouvida em relação ao Mundial de 2022, mais de seis meses depois da abertura da investigação".

"Os membros do comitê organizador da Copa do Mundo do Catar são bem-vindos se desejarem falar com o gabinete do procurador-geral porque a opinião deles interessa verdadeiramente", prosseguiu o porta-voz.

"O antigo presidente da Confederação Asiática de Futebol (o empresário do Catar Mohamed Bin Hammam, envolvido pelo dossiê de atribuição do Mundial-2022) é particularmente bem-vindo", acrescentou.

Bin Hammam, de 66 anos, que também esteve à frente da Federação do Catar e foi membro do Comitê Executivo da Fifa, foi expulso da instituição em 2011 por ter tentado comprar votos em sua campanha à presidência.

As investigações da justiça suíça, que podem durar até seis anos, se desenvolveram em paralelo a uma investigação da justiça americana sobre a suposta corrupção no interior da Fifa. Segundo a acusação, cerca de 150 milhões de dólares em subornos e comissões teriam circulado pelas altas esferas do futebol há 25 anos.

Indios lamentam tragédia em MG: 'O rio Doce sabia que ia ser morto'






Sinais sagrados

Na cultura dos krenak, o rio Doce tinha vida própria. 


Um dia antes da chegada dos rejeitos de minério em Resplendor, os indígenas disseram ter percebido sinais de que ele estava perto do fim.


"O rio já sabia que ia ser morto. Quando a sujeira veio, ele foi subindo chorando, fazendo barulho. E minha mãe chorando junto. Até hoje ela ainda não foi ver o rio", descreve Tatiana, que é filha da cacica Laurita Maria Félix Krenak, 80, a mais velha da tribo.


"Parece que os peixes estavam até adivinhando que iam ser mortos. Meu marido foi pescar e em 15 minutos pegou muitas tilápias. Deu para a família toda comer e até hoje eu tenho uma guardada no freezer, só de lembrança, porque agora não tem mais como", conta Potiara, também filha de Laurita.


O rio Doce é tema de antigas canções na língua krenak, que elogiam sua beleza e a fartura de alimentos proporcionada por suas águas. "Agora não dá nem mais vontade de cantar essas músicas. Para nós elas já morreram", diz Tatiana.


Criados desde pequenos no leito do rio, os adultos da aldeia lamentam que as próximas gerações provavelmente não terão a mesma oportunidade. "Nossos filhos não vão aprender a nadar aqui como a gente aprendeu", afirma Potiara.


Enquanto tentava trocar as caixas d'água da casa da mãe, Mauro não conteve as lágrimas ao falar sobre a transformação recente do rio. "É muito difícil olhar para ele desse jeito. Nós perdemos nossa liberdade".


Com a chegada da onda de lama de rejeitos da mineradora Samarco ao município de Resplendor, em Minas Gerais, na semana passada, as 126 famílias que vivem na aldeia, às margens do manancial, testemunharam a "morte" de um elemento fundamental da cultura das tribos.

"Muitos aí fora acham que o rio é só água e peixe, mas para nós era a fonte de sobrevivência e uma questão de cultura. Desde o início dos nossos antepassados, o rio Doce mantém nosso povo. É questão de religião, é sagrado. Mas agora ele está morto."


O desalento no relato do cacique Leomir Cecílio de Souza, 30, da tribo atorã, permeia os depoimentos de todos os integrantes do povo indígena ouvidos pela reportagem. "O rio era tudo para a gente. O que a Vale e a Samarco fizeram destruiu o povo krenak", declara Potiara Félix, 32.


Como forma de protesto contra a poluição da bacia hidrográfica, causada pelo rompimento de barragens em Mariana (MG), dezenas de indígenas da aldeia bloquearam, na última sexta-feira (13), a Estrada de Ferro Vitória a Minas, que escoa a produção da mineradora Vale, uma das controladoras da Samarco.


"Antes do protesto, nós tentamos um diálogo pacífico com os representantes da Vale, mas não fomos correspondidos. A gente não tinha outra saída. Ninguém estava nos ouvindo", conta Leomir. "Nós ficamos revoltados vendo o nosso rio morrer. Por isso fomos à luta", diz Tatiana Krenak, 34, que levou o filho de dois anos, Teuat, para a linha do trem.


Três dias depois, em reunião com representantes da multinacional, a comunidade indígena aceitou desbloquear a ferrovia. Segundo os krenak, a empresa prometeu pagar nove salários mínimos (R$ 7.092) mensais a cada família por um período prorrogável de pelo menos quatro meses, além de fornecer água para consumo humano e animal, construir uma cerca ao longo da margem do rio e 120 cisternas na área.


"Mas não tem dinheiro que pague a riqueza que a gente tinha. O rio acabou e não vai mais voltar. É triste demais. Tudo o que nós queríamos, a gente conseguia lá. Tiraram essa alegria da gente", ressalta Mauro Krenak, 36, caçador e pescador da tribo.


As atividades que sempre esteve acostumado a fazer agora serão substituídas por idas a supermercados de Resplendor. "Não é a mesma coisa", comenta. Irmã de Mauro, Tatiana reclama que os peixes vendidos no comércio, pescados no mar, não têm o mesmo gosto dos animais do rio Doce.


A Vale foi procurada pelo UOL para se pronunciar sobre a negociação, mas não respondeu até o momento. A Funai (Fundação Nacional do Índio) confirmou os termos do acordo.


Nesta quarta (18), a reportagem presenciou a chegada dos primeiros galões e caixas d'água à área indígena, situada em local de difícil acesso a 9 km da BR-259.


"Até agora a gente estava tendo que brigar com os animais para pegar água de dois córregos das redondezas", conta Mauro.


A Funai informou que o apoio emergencial da Vale "não exime a empresa da responsabilização pelos danos ambientais e sociais causados, que terão ainda sua extensão apurada".

"Parece que os peixes estavam até adivinhando que iam ser mortos. Meu marido foi pescar e em 15 minutos pegou muitas tilápias. Deu para a família toda comer e até hoje eu tenho uma guardada no freezer, só de lembrança, porque agora não tem mais como", conta Potiara, também filha de Laurita.O rio Doce é tema de antigas canções na língua krenak, que elogiam sua beleza e a fatura de alimentos proporcionada por suas águas. "Agora não dá nem mais vontade de cantar essas músicas. Para nós elas já morreram", diz Tatiana.


Criados desde pequenos no leito do rio, os adultos da aldeia lamentam que as próximas gerações provavelmente não terão a mesma oportunidade. "Nossos filhos não vão aprender a nadar aqui como a gente aprendeu", afirma Potiara.


Enquanto tentava trocar as caixas d'água da casa da mãe, Mauro não conteve as lágrimas ao falar sobre a transformação recente do rio. "É muito difícil olhar para ele desse jeito. Nós perdemos nossa liberdade".



Índios fecham ferrovia da Vale em MG em protesto contra 'morte de rio sagrado'

Luis Kawaguti e Ricardo Senra

Enviados especiais da BBC Brasil a Conselheiro Pena (MG) 



Com o corpo pintado para a guerra, tinta preta no rosto e olhos vermelhos de noites mal dormidas, Geovani Krenak, líder da tribo indígena Krenak, mira a imensidão de água turva e marrom.


"Com a gente não tem isso de nós, o rio, as árvores, os bichos. Somos um só, a gente e a natureza, um só", diz. Ele respira fundo, e continua: "Morre rio, morremos todos".


Parte dos 800 km de extensão do rio Doce, contaminado pela lama espessa que escoa há 10 dias de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco, em MG, atravessa a reserva da tribo. Tida como sagrada há gerações, toda a água utilizada por 350 índios para consumo, banho e limpeza vinha dali. Não mais.


Sem água há mais de uma semana, sujos e com sede, eles decidiram interromper em protesto a Estrada de Ferro Vitória-Minas, por onde a Vale, controladora da Samarco e da ferrovia, transporta seus minérios para exportação.



"Só saímos quando tiverem a dignidade de conversar com a gente. Destruíram nossa vida, 
arrasaram nossa cultura, e nos ignoram. Não aceitamos", anuncia o índio Aiá Krenak à BBC Brasil.


Procurada, a Vale informa que "continua, com apoio da Funai, as tentativas de negociação com o Povo Indígena Krenak para liberação da ferrovia".


"Cabe ressaltar que a Vale, como acionista da Samarco juntamente com a BHP Billiton, tem atuado ativamente nas ações para atendimento às famílias afetadas pelo acidente do dia 5 de novembro e reitera seu compromisso em se relacionar com o Povo Krenak de modo transparente e participativo, mantendo uma relação construtiva, respeitando suas características próprias e a legislação vigente", disse a empresa por meio de nota.


A empresa afirma que a interdição está impedindo o transporte de água para as comunidades da região do Rio Doce.

"Atualmente, cerca de 360 mil litros de água, sendo 60 mil litros de água mineral e 300 mil litros de água potável, provenientes de Vitória (ES), estão nos trens aguardando a liberação da ferrovia para distribuição", diz a Vale no comunicado.

"A empresa repudia quaisquer manifestações violentas que coloquem em risco seus empregados, passageiros, suas operações e que firam o Estado Democrático de Direito e ratifica que obstruir ferrovia é crime."

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Costa Rica combina gestão pública e privada para a conservação

Por Fabíola Ortiz
Macaco-cara-branca na reserva privada Club Punta Leona, onde ocorreu o XI Congresso Latinoamericano de Redes de Reservas Privadas. Foto: Fabíola Ortiz.
Macaco-prego-de-cara-branca é visto na reserva privada Club Punta Leona, onde 
ocorreu o XI Congresso Latinoamericano de Redes de Reservas Privadas. 

Este primata é um dos mais esbeltos e ágeis das florestas da Costa Rica e está espalhado 
tanto por áreas úmidas e secas na costa do Pacífico e do Caribe. A espécie está ameaçada
em razão do desmatamento e a caça. Foto: Fabíola Ortiz
.
Punta Leona e San José, Costa Rica – Em menos de três décadas, um pequeno país espremido entre o Panamá e a Nicarágua conseguiu viver uma drástica mudança de mentalidade e política ambiental. Em 1987, a Costa Rica chegou a ter apenas 21% do seu território com cobertura florestal protegida. Hoje, após um intenso esforço de recuperação florestal, esse número subiu para 53% do território do país. 


Encravada na América Central e com uma população de 4,9 milhões de habitantes, tem quase o tamanho do Rio Grande do Norte.  Outra característica sui generis é ter abdicado de ter um exército em 1948, durante o governo de José Figueres Ferrer. As bases militares passaram a ser usadas por escolas. 


A Costa Rica moderna se destaca por suas leis de conservação e mecanismos de pagamento por serviços ambientais, em vigor desde a década de 90. Ela exalta seu modelo de desenvolvimento verde e aspira alcançar uma meta ambiciosa: tornar-se o primeiro país neutro em emissões de carbono até 2021, ano em que celebra seu bicentenário.


Grande parte da conservação é oriunda das 66 áreas silvestres protegidas públicas -- entre Parques Nacionais, Refúgios de Vida Silvestre e Reservas Biológicas. O último inventário florestal, realizado em 2012 pelo Sistema Nacional de Áreas de Conservação (SINAC), mostrou que 31% da preservação do país é de “bosques maduros”, quase 15% é de cobertura secundária, cerca de 5% de floresta decídua (temperada) e quase 1% está coberto tanto por palmeiras quanto por mangues.


Um ‘family country’
Enquanto os parques nacionais representam 25% da porção territorial do país que está protegida, as reservas privadas já alcançam 10%. Esta é uma tendência que tem crescido no país, afirmou Rafael Gallo, presidente da Rede Costarricense de Reservas Naturales, a primeira criada na América Latina em 1997.

Na última semana, ((o))eco foi convidado para o XI Congresso Latinoamericano de Redes de Reservas Privadas, de 9 a 13 de novembro, na reserva Club Punta Leona, a 90 km da capital San José, no Pacífico Central da Costa Rica.

A conferência reuniu empresários, amantes da conservações, ONGs e representantes do setor público para discutir estratégias e planos a fim de incrementar a participação de áreas privadas no esforço da conservação.

“Gostaríamos de ser levados mais em conta pelo governo. As áreas públicas e as privadas não se falam muito, mesmo que muitas das reservas privadas estejam coladas aos parques nacionais”, disse Gallo. Para ele, proprietários de reservas naturais devem ter maior protagonismo ambiental.

A Red Costarricense de Reservas Naturales conta com 220 propriedades associadas. Juntas, elas somam 82 mil hectares, das quais 60% se dedicam exclusivamente à conservação. Muitas reservas têm modelos econômicos que podem ser desde instituições de ensino e pesquisa, como refúgios ecológicos, plantações orgânicas de café ou frutas tropicais. A grande maioria, contudo, está dedicada ao ecoturismo, como hotéis, canopy ou arvorismo -- muito em voga entre os turistas americanos e europeus.

“A rede cresceu bastante quando se deu o boom do ecoturismo nas áreas preservadas. Começamos a pensar a longo prazo. A chave é educar e convencer a população de que é bom preservar as florestas. Há muitos modelos de conservação que aqui só puderam funcionar depois da década de 80, pois pararam as guerras ou conflitos na região [em países vizinhos como Guatemala, Honduras, Nicarágua e El Salvador]. Somos um país pequeno, uma espécie de ‘family country’ (país familiar)”, explicou Gallo.

Rafael Gallo, presidente da Red Costarricense de Reservas Naturales. Por iniciativa própria, doou 200 hectares de sua reserva natural em um programa piloto para capturar carbono.  Foto: Fabíola Ortiz.
Rafael Gallo, presidente da Red Costarricense de Reservas Naturales. 
Por iniciativa própria, doou 200 hectares de sua reserva natural em um programa
piloto para capturar carbono. 
Foto: Fabíola Ortiz.

Venda de carbono
Gallo estima que em todo o país deve haver cerca de 800 propriedades privadas. Para tornar-se membro da rede costa-riquenha, é preciso comprovar 2 hectares de áreas preservadas. Seu sonho é incluir a rede costa-riquenha e, depois, toda a Aliança Latinoamericana de Reservas Privadas – formalizada legalmente no último dia 6 de novembro – no mercado de venda de carbono.

Nos últimos 30 anos, o governo da Costa Rica compensa os proprietários de áreas verdes e plantações florestais através do programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). 


Este programa é realizado pelo Fundo Nacional de Financiamento Florestal (FONAFIFO), de acordo com a Lei Forestal No. 7575, que reconhece e recompensa financeiramente o papel de áreas privadas para a mitigação de emissão de gases de efeito estufa, proteção da água, biodiversidade e uso sustentável. A principal fonte financeira do programa é o imposto cobrado pelo consumo de combustíveis, que arrecada 32  milhões de dólares por ano, dos quais 3,5% (cerca de 1,1 milhão de dólares) são destinados ao PSA.  


“Queremos ser mais autônomos. Queremos incluir a nossa rede no mercado de carbono", diz Gallo. Por iniciativa própria, ele doou 200 hectares de sua reserva natural -- capaz de capturar algo cerca de 3.600 toneladas de carbono. A sua doação é parte de um programa piloto da aliança das reservas privadas da América Latina – que conta com 4.345 integrantes de 15 países contabilizando 5,6 milhões de hectares de áreas verdes. “Sabemos que o que vamos doar para comercializar no mercado de carbono ainda é pouco, mas já é um começo. Temos muitos sonhos e uma paixão por conservar a natureza. Queremos que a venda de carbono seja um mecanismo de conservação privada a nível mundial”.


Política de desenvolvimento
Ainda há um hiato entre a conservação privada e a pública. Na opinião do vice-presidente de políticas de conservação da Conservation International, Carlos Rodríguez, os proprietários de áreas privadas devem ser atores políticos para a conservação em seus países.


Rodríguez já foi diretor do serviço de parques nacionais da Costa Rica e também esteve a frente do Ministério do Ambiente, Energia e Minas entre 2002 e 2006. Ele estabelece uma estreita relação entre o aumento da cobertura florestal do país, entre 1986 e 2012, e a redução da pobreza com a elevação da renda da população.


A renda média do costa-riquenho subiu de 3.500 dólares para 9.200 dólares neste período, concomitante ao aumento da cobertura florestal protegida, que passou de 21% a 53% do território. A conservação privada pode ir mais longe, diz Rodríguez. “As áreas privadas no país ajudaram no aumento da cobertura vegetal. A conservação deve ser um elemento central na política de desenvolvimento de um país”.


Virada verde
Não foi de um dia para o outro que os costarriquenhos mudaram de mentalidade. O país teve que atingir o auge da sua devastação ambiental para dar-se conta que este não seria o caminho mais promissor. Nos momentos mais obscuros da história do desmatamento no país, as taxas alcançavam 600  km² por ano. Pode parecer pouco, mas para a escala da Costa Rica, que tem um território 51.100 km², isto representa 1,1% do país devastado por ano.
Foto: Fabíola Ortiz.
Entrada do Centro de Pesquisa Biológica Hacienda Barú, localizado na província de 
Puntarenas, na costa do Pacífico. A reserva tem 180 hectares preservadas e foi criada
por dois americanos apaixonados por conservação. 

O biólogo Jack Erwin e Stephen Stroud.
O centro oferece instalações para abrigar cientistas dedicados a pesquisar sobre o 
Corredor Biológico do Paso de la Danta, que vai da bacia hidrográfica do Rio Savegre 
até o Rio Térraba-Sierpe. Foto: Fabíola Ortiz.


“As taxas de desmatamento eram muito altas. Sem os parques nacionais, não teria sobrado nada”, disse a ((o))eco Carlos Sandí, responsável pela reserva florestal acadêmica da universidade internacional de agronomia Earth, com sede na província de Limón, vertente atlântica do país.


O avanço sobre as áreas verdes foi resultado de uma política de liberação de crédito para proprietários rurais sob condição de que “limpassem” suas florestas. “Era um conceito muito primitivo numa época em que a pecuária estava em alta. Esta política suja teve seu auge nos anos 70”.

A mudança se deu a partir do momento em que se começou a valorizar as florestas e ver a importância das áreas verdes para proteger a água e promover o turismo no país, afirmou Mario Boza, professor de parques nacionais do Instituto Internacional em Conservação e Manejo da Vida Silvestre da Universidade Nacional (UNA). “A floresta antes não tinha nenhum valor”.

Por muito tempo, pensou-se que o esforço para conservar deveria partir apenas dos entes estatais. Mas os gastos para desapropriar e pagar indenizações acabou criando mais inimigos do que aliados da conservação.

E foi assim que, em 1995, proprietários propuseram que o governo reconhecesse as reservas naturais privadas e voluntárias. Os donos de terras submeteriam parte de seus terrenos para a conservação. E o governo passou a incentivar esta medida com o programa de PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), tanto para atividades que reflorestassem quanto para as que protegessem mananciais de água.


É aí que as áreas privadas protagonizam um papel relevante, destaca Sandí, “no que chamamos de conectividade ou corredores biológicos que ligam as Áreas de Conservação (as ACs, um aglomerado de áreas protegidas de gestão pública e distribuído por ecossistemas)”.


As áreas privadas veem para preencher o vazio entre as onze ACs existentes no país para que não fiquem fragmentadas. “Os animais têm que circular, locomover-se, muitas espécies de vegetação são de polinização cruzada”.


Ecoturismo
A conservação também foi usada como uma carta na manga para gerar divisas com o turismo ecológico. A Costa Rica aproveitou-se da proximidade com os Estados Unidos e da chegada de investimentos estrangeiros para a construção de hotéis e agências turísticas com uma perspectiva sustentável.


Além de ter sido vice-ministro de Ambiente e Energia (1990-1993), o renomado ambientalista Mario Boza foi um dos fundadores dos parques nacionais da Costa Rica. Ele defende ser preciso estimular a criação de mais áreas privadas. Elas podem crescer dez vezes e atingir 800 mil hectares -- 15% do território da Costa Rica.


“Elas contribuem do ponto de vista ecológico, pois um parque nacional pode estar rodeado de áreas privadas ou de outros usos da terra compatíveis com a conservação e, assim, ampliar seu habitat natural. Quanto maior a área, melhor para a conservação, pois as espécies grandes não podem viver em áreas pequenas”, explicou Boza.  Entre os animais que precisam de áreas maiores para sobreviver estão a onça-pintada, o gato-maracajá (ou caucel em espanhol), o Macaco-prego-de-cara-branca ou Macaco-capuchinho (mono cariblanco em espanhol) e o tamanduá-bandeira (oso real).


Críticas à gestão dos parques
Por haver testemunhado e participado do processo de transformação radical que viveu o país rumo a uma economia mais verde, Boza é um dos críticos da atual gestão de áreas públicas. Afirma que o país perdeu “entusiasmo” pela conservação ao reclamar das condições precárias que vivem os parques nacionais. “Já fomos líderes em conservação, mas agora não tanto”, lamentou ao enfatizar que os parques nacionais passam por uma crise por estarem “totalmente descuidados”.
Mario Boza, ambientalista e um dos criadores do sistema de parques nacionais da Costa Rica. Foto: Fabíola Ortiz.
Mario Boza, ambientalista e um dos criadores do sistema de parques nacionais da Costa Rica.
Hoje leciona no Instituto Internacional em Conservação e Manejo da Vida Silvestre da
Universidade Nacional (UNA) e é um dos grandes críticos à atual gestão pública de áreas
protegidas. Foto: Fabíola Ortiz.


Segundo seu relato, os visitantes testemunham instalações mal conservadas, falta de trilhas demarcadas, falta de informações e interpretação explicando o quê o visitante irá encontrar no atrativo. Além da diminuição do número de guarda-parques – em média, existe um guarda-parque para cada 4 ou 5 mil hectares.


A Costa Rica tem duas caras, critica. “Há problemas de incêndios, caça ilegal, roubo de madeira e retirada de ouro. A política é a de reduzir o tamanho do Estado. Estão despedindo os guarda-parques e as áreas ficam abandonadas. Existe um turismo que quer ser sustentável com essas instalações que dão vergonha”.


Boza também reclama da perda de biodiversidade. “Eu comecei o programa de parques nacionais há 45 anos, posso comparar melhor que ninguém como era a biodiversidade que havia antes e como é agora”.


Segundo Boza, o problema nas áreas públicas é administrativo. Ele questiona também o funcionamento do  SINAC (Sistema Nacional de Áreas de Conservação), criado no final dos anos 90, quando se uniram o serviço de parques nacionais, de fauna silvestre e a direção florestal.


“Se funcionasse, seria importantíssimo, mas não funciona pela burocracia. Há 160 empregados em um escritório central fazendo não se sabe o quê. Enquanto isso, nas áreas protegidas, não há guarda-parques”.


O que falta, diz, é interesse dos governos e não dinheiro. Sozinhos, os parques nacionais geram seus próprios recursos, entre 9 e 11 milhões de dólares por ano, com potencial para 20 milhões.


Em 2012, Boza se aliou a um grupo de ambientalistas e apresentou um projeto de lei na Assembleia Legislativa para recriar o serviço de parques nacionais sob o argumento de que a administração será mais eficiente.


Fonte de inspiração
O carioca Beto Mesquita, da Conservação Internacional, que trabalha com reservas particulares de patrimônio natural (RPPNs) desde 1995, sentiu in loco as mudanças na Costa Rica, quando cursou o mestrado do CATIE (Centro Agronómico Tropical de Investigación y Enseñanza), sediado no país.


Apesar das críticas que todo modelo de desenvolvimento gera, a Costa Rica tem interessantes exemplos de gestão para a conservação, disse Mesquita. “Nos dois anos que morei aqui (1998-99), me pareceu muito claro a noção que a população tem sobre a conservação”. 

Para Mesquita, o país é referência na agenda ambiental e na estratégia de pagamento por serviços ambientais. “Não é perfeito, tem pontos frágeis, mas funciona e é inovador. Começou a funcionar na década de 90 quando ninguém fazia, eles têm experiência acumulada”.

O que este pequeno país de menos de 5 milhões de habitantes empreendeu não necessariamente pode ser implementado num país da escala do Brasil. Mas, para Mesquita, funcionaria bem a nível estadual e municipal.

Mesquita não hesita ao destacar que temos muito a aprender com a legislação inovadora pró-conservação. “Alguns dos modelos podem ser aplicáveis no Brasil, como as leis de fomento à proteção ambiental, os incentivos financiados por impostos e a forma de gestão dos recursos”. Ele destaca o Fundo Nacional de Financiamento Florestal e o  imposto cobrado pelo consumo de combustíveis para destinar recursos ao programa de pagamento por serviços ambientais.

Um decreto imoral, naturalmente

Por *Guilherme José Purvin de Figueiredo
Vilarejo de Bento Rodrigues, em Mariana, foi destruído pela barragem. Antonio Cruz/Agência Brasil.
Vilarejo de Bento Rodrigues, em Mariana, foi destruído pela barragem. 
Antonio Cruz/Agência Brasil.


A Lei n. 8.036, de 11 de maio de 1990, que dispõe sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, estabelece em seu art. 20, inc. XIV que a conta vinculada do trabalhador no FGTS poderá ser movimentada em caso de necessidade pessoal, cuja urgência e gravidade decorra de desastre natural, conforme disposto em regulamento, desde que o trabalhador seja residente em áreas comprovadamente atingidas de Município ou do Distrito Federal em situação de emergência ou em estado de calamidade pública, formalmente reconhecidos pelo Governo Federal. O dispositivo foi introduzido em nosso ordenamento legal pela Lei n. 10.878, de 8 de junho de 2004.


O Dicionário Houaiss apresenta quinze acepções do adjetivo “natural”. Merecem destaque as quatro primeiras, que são as que dizem respeito mais de perto à questão ecológica: (1) Que pertence ou se refere à natureza (ex: riquezas naturais, paisagem natural); (2) Regido pelas leis da natureza; provocado pela natureza (fenômenos naturais, catástrofes naturais); (3) Em que não ocorre trabalho nem intervenção humana (fronteiras naturais, açude natural); e (4) Que decorre normalmente da ordem regular das coisas.


Richard A. Posner, em sua obra “Catastrophe: Risk and Response”, subdivide as catástrofes em naturais e aquelas geradas pelo homem (man-made catastrophes) – e estas, em três subgrupos: acidentes científicos, outras catástrofes não intencionais geradas pelo homem e catástrofes intencionais. São catástrofes naturais as pandemias, as quedas de asteróides (aliás, a origem etimológica da palavra desastre é a mesma de astro), as erupções vulcânicas, os terremotos etc.


O inciso XIV do art. 20 da Lei 8.036/90 foi regulamentado pelo Decreto n. 5.223, de 22 de junho de 2004 que, em seu art. 2º considera desastre natural:


 I - vendavais ou tempestades;
 II - vendavais muito intensos ou ciclones extratropicais;
III - vendavais extremamente intensos, furacões, tufões ou ciclones tropicais;
IV - tornados e trombas d’água;
V - precipitações de granizos;
VI - enchentes ou inundações graduais;
VII - enxurradas ou inundações bruscas;
VIII - alagamentos;
e IX - inundações litorâneas provocadas pela brusca invasão do mar.


Todas as hipóteses previstas no referido Decreto de 2004 são, inequivocamente, desastres naturais, isto é, são desastres provocados pela natureza, não ocorreram por trabalho ou intervenção humana.


Espantosamente, no dia 13 de novembro de 2015 foi publicado o Decreto n. 8.572, de 13 de novembro de 2015, que altera o mencionado Decreto n. 5.113/2004, introduzindo um parágrafo único ao seu art. 2º com o seguinte teor:


“Para fins do disposto no inciso XVI do caput do art. 20 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, considera-se também como natural o desastre decorrente do rompimento ou colapso de barragens que ocasione movimento de massa, com danos a unidades residenciais.


Como assim? O rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração está sendo chamado de “desastre natural”, à semelhança de um vendaval, uma queda de asteroide ou um terremoto? Exatamente isso: o primeiro gesto da Sra. Presidenta da República, em face da catástrofe no distrito de Bento Rodrigues causada exclusivamente pela empresa Samarco, foi de declará-lo oficialmente um “desastre natural”.

Só que não, como diria a garotada.


Barragens não são formações provocadas pela ação de placas tectônicas ao longo de eras geológicas e seu rompimento, neste caso, não se deu por algum terremoto.


A responsabilidade da empresa é objetiva. Trata-se de entendimento pacificado pelo STF:


“ROMPIMENTO DE BARRAGEM. INUNDAÇÃO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANOS MORAIS E MATERIAIS COMPROVADOS. INDENIZAÇÃO DEVIDA. Comprovado o ilícito, o dano e o nexo causal entre um e outro, decorrentes de rompimento de barragem e inundação e destruição de casas e pertences, aliados à responsabilidade objetiva da Mineradora, impõe-se a procedência do pedido indenizatório por danos morais e materiais.” (STF - ARE: 671674 MG , Relator: Min. JOAQUIM BARBOSA, J. em 31/05/2012, Publ.  em 05/06/2012).

Co-responsabilidade do Poder Público


Mas a operadora não é a única responsável. Sua licença estava vencida há dois anos. E, ao que consta, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, confortavelmente amparada pela Deliberação Normativa 193/2014, do Conselho de Política Ambiental, preferiu sentar-se sobre o processo de revalidação da Licença de Operação, feito em 2013, já que seu art. 1º estabelece que, enquanto a Unidade Regional Colegiada do Copam não decidir, o prazo fica automaticamente prorrogado.


Uma comodidade administrativa que contribuiu decisivamente para a morte de diversos moradores e, possivelmente, de toda a fauna do Rio Doce.


O decreto da Sra. Presidenta Dilma, porém, não irá melhorar a situação jurídica da Samarco, do Estado de Minas Gerais ou da União (DNPM, IBAMA).


Em seu artigo “Apenas uma fotografia”, a professora de Direito Ambiental Márcia Brandão Carneiro Leão (Mackenzie – Campinas/SP) pondera:


“O Governo Federal emitiu uma fria e distante nota na qual lamenta o acidente e trata de liberar o FGTS da população afetada para que ela trate de ‘se socorrer’ com suas próprias reservas para o futuro. Generosidade? Não, apenas transferiram à população o ônus de pagar, com seus próprios recursos, os prejuízos causados pela Samarco. O que acontecerá a essas pessoas quando se aposentarem e não tiverem mais o Fundo de Garantia é algo que sequer foi pensado”.


A estas pertinentes observações caberia acrescentar: a não ser que seja totalmente subvertido o significado da palavra “natural”, o decreto é ilegal, pois colide diretamente com a lei que pretendeu regulamentar.


A liberação do FGTS poderia, sim, ocorrer, desde que o Congresso Nacional aprovasse a inserção de um novo inciso ao art. 20 da Lei n. 8.036/90. Eu sugeriria a seguinte redação:


“Art. 20. A conta vinculada do trabalhador no FGTS poderá ser movimentada nas seguintes situações:

XIX –quando o trabalhador perder o seu patrimônio, sua dignidade, seus familiares, sua comunidade e sua história em razão da irresponsabilidade organizada do poder econômico e dos governos na área ambiental”.


*Guilherme José Purvin de Figueiredo é Doutor e Mestre em Direito Ambiental pela Faculdade de Direito da USP; Professor convidado de Direito Ambiental da Escola Paulista de Magistratura, da Escola Superior de Advocacia Pública da PGE-SP e do Curso de Pós-Graduação da Faculdade de Direito da PUC-RJ; Diretor da APRODAB - Associação dos Professores de Direito Ambiental do Brasil e do IBAP - Instituto Brasileiro de Advocacia Pública e Procurador do Estado de São Paulo.