terça-feira, 10 de outubro de 2017

Corredor ecológico não salva espécies do aquecimento global

Corredor ecológico não salva espécies do aquecimento global

Por Observatório do Clima
Foto: Gaspar Alves/Wikimedia Commons.
Foto: Gaspar Alves/Wikimedia Commons.

As mudanças climáticas representam um grande obstáculo a espécies que estão ameaçadas pela perda de habitat, mesmo quando submetidas a consagradas medidas de conservação, como corredores ecológicos, reforço da vegetação nativa e gerenciamento de áreas protegidas. As indicações são de um estudo publicado nesta segunda-feira (9) na revista científica  Nature Climate Change.


De acordo com o biólogo Michael Kuttner, da Universidade de Viena, na Áustria, e um dos autores do estudo, todo o esforço de conservação pode ter efeito nulo diante das alterações causadas pelo aquecimento global. “As mudanças do clima transformam a atmosfera em um ritmo que as espécies não acompanham.”


Para chegar a essa conclusão, Kuttner e um grupo de cientistas austríacos criaram um modelo que mediu os esforços de conservação no comportamento de 51 espécies de plantas, borboletas e gafanhoto comuns na Europa Central. Eles avaliaram a perda de alcance regional e o risco de extinção nas condições climáticas atuais e em dois cenários de mudanças climáticas.

Eles também aplicaram três níveis de esforços de conservação: baixo, médio e alto. Resultado: esforços de conservação no nível mais elevado não foram suficientes para compensar a perda média induzida pela mudança climática em nenhuma das espécies. Quanto mais alto o cenário de aquecimento da Terra, pior para a biodiversidade analisada.

“esforços de conservação no nível mais elevado não foram suficientes para compensar a perda média induzida pela mudança climática em nenhuma das espécies. Quanto mais alto o cenário de aquecimento da Terra, pior para a biodiversidade analisada”.
 
A situação foi mais crítica em espécies de vida curta, como borboletas e gafanhotos. “Animais que vivem pouco costumam ter um alto grau de especialização ecológica, o que torna a situação ainda mais complicada”, afirma Kuttner. “Uma frequência crescente de anos desfavoráveis, portanto, aumenta o risco de extinção local, especialmente em animais.”

O pesquisador reforçou que as medidas de conservação são essenciais para atenuar os efeitos negativos do aquecimento climático, mas alertou que elas não fazem milagre. “A eficiência é limitada. E modificar os habitats pode gerar consequências negativas imprevisíveis. O mais importante não é avançar com corredores, mas conter as emissões de gases de efeito estufa”. A biodiversidade é sensível e algumas espécies têm uma capacidade adaptativa pequena, segundo o diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, Fabio Scarano. “Podemos perder parte das espécies sem que as conheçamos profundamente”, diz Scarano, que também é professor do departamento de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi coautor do último relatório do IPCC, o painel do clima da ONU.

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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

As pouco conhecidas frutas brasileiras com superpoderes


As pouco conhecidas frutas brasileiras com superpoderes

Frutas brasileiras com poder anti-inflamatório e antioxidante
Frutas pouco conhecidas, como a grumixama, têm alto poder anti-inflamatório e antioxidante.
[Imagem: B.navez/Wikimedia Commons]
 
Superfrutas
Os nomes de algumas frutas nativas da Mata Atlântica ainda soam estranhos para a maioria dos brasileiros: bacupari-mirim, araçá-piranga, cereja-do-rio-grande, grumixama e ubajaí.
Se depender de suas propriedades bioativas, contudo, é um questão de tempo para que elas possam estar não só disputando espaço nas gôndolas dos supermercados, como ganhando posição no ranking dos superalimentos.


"Não havia muito conhecimento científico sobre as propriedades dessas frutas nativas. Agora, com os resultados do nosso estudo, a ideia é fazer com que elas sejam produzidas por agricultura familiar, ganhem escala e cheguem aos supermercados. Quem sabe elas não se tornam um novo açaí?", comentou o professor Severino Matias Alencar, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) em Piracicaba (SP), que realizou o estudo em colaboração com pesquisadores da Universidade de La Frontera, no Chile.


A equipe avaliou os compostos fenólicos - estruturas químicas que podem ter efeitos preventivos ou curativos - e os mecanismos anti-inflamatórios e antioxidantes do extrato de folhas, sementes e polpa de quatro frutas do gênero Eugenia e uma do gênero Garcinia: araçá-piranga (E. leitonii), cereja-do-rio-grande (E. involucrata), grumixama (E. brasiliensis), ubajaí (E. myrcianthes) e bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis), todas típicas da Mata Atlântica.


Essas espécies já são raras em ambiente natural, tendo sido necessário usar plantas fornecidas por sítios localizados no interior de São Paulo que comercializam as plantas com o objetivo de preservação. Um dos produtores possui a maior coleção de frutas nativas do Brasil, somando mais de 1,3 mil espécies plantadas.
Frutas brasileiras com poder anti-inflamatório e antioxidante
Esta é a cereja-do-rio-grande.
[Imagem: Erika Silva/Wikimedia Commons]


Antioxidantes
As quatro espécies do gênero Eugenia apresentaram um vasto potencial econômico e farmacológico, sendo exemplos de alimentos funcionais, que, além das vitaminas e valores nutricionais, têm propriedades bioativas como o combate aos radicais livres - átomos instáveis e altamente reativos no organismo que se ligam a outros átomos, provocando danos como envelhecimento celular ou doenças.


As plantas brasileiras mostraram um potencial tão significativo quanto frutas já mundialmente famosas, como o mirtilo.


"A araçá-piranga, espécie ameaçada de extinção, teve a melhor atividade anti-inflamatória em comparação com a de outras frutas do gênero Eugenia", disse o professor Pedro Rosalen, membro da equipe. "O mecanismo de ação também é muito interessante, pois ocorre de forma espontânea e logo no começo da inflamação, impedindo uma via específica do processo inflamatório. Ela age também no endotélio dos vasos sanguíneos, evitando que os leucócitos transmigrem para o tecido agredido, reduzindo a exacerbação do processo inflamatório."


Rosalen destaca que os antioxidantes não têm como função única combater o envelhecimento ou a morte celular, atuando na prevenção de doenças mediadas por processo inflamatório crônico.
"A ação oxidante dos radicais livres também significa o surgimento de doenças inflamatórias dependentes, como diabetes, câncer, artrite, obesidade, doença de Alzheimer," disse.


 "Não percebemos muitas dessas lesões provocadas pelos radicais livres. São as inflamações silenciosas. Por isso, é importante a ação de sustâncias antioxidantes, que podem neutralizar os radicais livres."


O pesquisador ressalta que há cerca de 400 espécies pertencentes ao gênero Eugenia distribuídas pelo Brasil, incluindo várias espécies endêmicas. "Temos uma imensidão de frutas nativas com compostos bioativos que trariam benefícios para a saúde da população. É preciso estudá-las", disse.

Para um "eu" melhor, é preciso ter um "nós" de apoio


Para um "eu" melhor, é preciso ter um "nós" de apoio

Para um
Pessoas com relacionamentos de suporte têm maior vontade de crescer pessoalmente e se sentem mais confiantes.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]
 
Suporte
Se você é um daqueles indivíduos com alta motivação e que perseguem ativamente objetivos de crescimento pessoal, deixe um tempinho para agradecer à sua família e aos amigos que o apoiam.
Isto porque as pessoas que veem seus relacionamentos como um suporte para si mesmas se esforçam com mais confiança para seu crescimento. Em outras palavras, ao menos uma parte de sua motivação e garra vem do apoio que você sente vindo dessas pessoas.

Pesquisadores da Universidade de Michigan (EUA) chegaram a essa conclusão analisando pessoas dos EUA e do Japão, para levar em conta eventuais diferenças culturais.
Eles queriam determinar se o crescimento pessoal é resultado mais dos traços de um indivíduo ou mais das relações positivas que eles possuem com os outros.

Esforço para melhorar
No primeiro experimento, cerca de 200 participantes foram distribuídos aleatoriamente em uma de três condições de relacionamento: de suporte, não-suporte e neutro. No primeiro grupo, os voluntários tinham que pensar em uma pessoa em sua vida com quem eles se sentiam confortáveis; no segundo, em uma pessoa que não faria a menor diferença se ela sumisse de suas vidas; e o terceiro grupo era orientado a pensar em um conhecido com quem eles não tinham sentimentos fortes.


A seguir, todos leram um cenário hipotético no qual tinham que escolher entre um emprego com salário inicial maior para fazer um trabalho que eles conheciam (Empresa A) ou um emprego com salário inicial menor, mas que exigia aprendizado que permitiria seu desenvolvimento na carreira a longo prazo (Companhia B).

Entre os participantes do grupo de suporte, 65% selecionaram a Companhia B, enquanto apenas 40% daqueles sem suporte escolheram a mesma empresa. O grupo neutro se dividiu igualmente entre as duas empresas.

A conclusão da equipe é que os participantes que pensavam em uma pessoa que lhes dava suporte estavam mais dispostos a escolher um emprego que promovesse o crescimento pessoal, mesmo com salários mais baixos, em parte porque tinham mais autoconfiança.


Apoio para o crescimento pessoal
Outros dois experimentos analisaram a percepção das pessoas sobre o apoio recebido dos familiares e amigos para determinar tendências de crescimento pessoal.

As perguntas incluíram: "Quanto sua família (e seus amigos) realmente se preocupam com você?" e "Quanto você pode se abrir para eles sobre suas preocupações?" O questionário também avaliou a vontade individual de desenvolver potencial e crescer como pessoa, bem como de autoconfiança.

As pessoas que relataram ter relacionamentos com suporte tinham maior vontade de crescer pessoalmente e se sentiam mais confiantes. Os resultados foram semelhantes nos grupos do Japão e dos EUA.

"Quanto maior o suporte da pessoa, maior sua tendência de crescimento pessoal, mesmo em uma cultura que coloca mais ênfase no coletivo e não no indivíduo," disse David Lee, referindo-se às diferenças culturais entre os EUA, mais individualista, e o Japão, mais coletivista.

Conexões sociais positivas
Segundo Lee, os resultados apoiam a perspectiva "Eu através de nós", o que significa que as tendências sociais de se conectar com os outros, e as tendências pessoais de se esforçar e crescer como indivíduo, não são mutuamente exclusivas e podem aumentar e reforçar uma à outra.
"Em outras palavras, os relacionamentos não são necessariamente conflitantes, mas ajudam a sustentar o crescimento pessoal," disse o professor Oscar Ybarra.

Isso mostra um equilíbrio entre a importância de se distinguir dos outros, cumprindo objetivos pessoais, e também ser um bom integrante de um grupo, cumprindo obrigações sociais e cultivando relacionamentos de apoio.

"Construir conexões sociais positivas com os outros deve colocar as pessoas em uma boa posição para receber apoio social, o que é fundamental para o crescimento pessoal. Assim como é importante também permitir que as pessoas busquem um equilíbrio entre dois valores fundamentais: se esforçar e se conectar," concluiu David Lee.

Fogo e outros perigos: como proteger a biodiversidade paulista


 

Fogo e outros perigos: como proteger a biodiversidade paulista



09 Outubro 2017   |   0 Comments
 
O fogo corre pela mata seca, assusta os animais e ameaça parte da Mata Atlântica da Fazenda Catadupa, Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) na Serra da Bocaina, no estado de São Paulo. Ao todo, quatro dias de chamas consumiram o local na última semana, sendo contidas apenas no último dia 24, graças aos esforços de voluntários da região, o trabalho de 30 bombeiros e de três helicópteros da Polícia Militar.

O cenário é triste, mas já demonstra sinais de esperança com a união de forças na região. Se antes as RPPNs paulistas estavam isoladas, hoje, graças ao trabalho conjunto do WWF-Brasil e da Federação das Reservas Ecológicas Particulares do Estado de São Paulo (Frepesp), elas contam com uma verdadeira rede de apoio em proteção à Mata Atlântica.

Workshop para proteção das RPNNs
Um exemplo disso foi o workshop SIM-RPPN, no dia 15/09, que contou com a participação de mais de 14 donos de reservas, da Frepesp, do WWF-Brasil, da Polícia Militar Ambiental, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), da Fundação Florestal, da Coordenadoria de Educação Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente (CEA/SMA) e do Instituto Ecofuturo.

O evento faz parte do projeto SIM-RPPN e teve o objetivo de criar o Plano de Apoio e Proteção das RPPNs presentes, estreitando relações entre elas e a Polícia Militar Ambiental. O SIM-RPPN é um projeto nacional conduzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que apoia a criação e o monitoramento das reservas.

Para auxiliar na elaboração dos planos de apoio à proteção da biodiversidade, o Instituto Ecofuturo apresentou durante o workshop uma série de vetores de pressão pela visão e experiência do Parque das Neblinas, local onde foi realizado o evento. O Ecofuturo também é parceiro do WWF-Brasil, por meio do projeto com a Suzano Papel e Celulose.

Também como forma de apoio, o CEA/SMA apresentou o aplicativo Denúncia Ambiente, onde os proprietários podem registrar as ocorrências e entrar em contato direto com a PM Ambiental. E a Cetesb falou sobre como funciona o licenciamento ambiental e as formas de denúncia: PM Ambiental (190) e app Denúncia Ambiente. O 0800 não funciona mais.

Ao final, foi entregue um mapa de cada RPPN presente com a delimitação da área de cada um e seus respectivos vetores de pressão para que, juntamente com a PM Ambiental, fosse feito o Plano de Apoio e Proteção.

Líderes indígenas alertam sobre mudanças do clima

Líderes indígenas alertam sobre mudanças do clima



04 Outubro 2017   |   0 Comments
por Clarissa Presotti

Quase 4% das terras do Brasil são reservados aos povos indígenas. Somente na Amazônia os territórios dos índios representam uma reserva de cerca de 13 bilhões de toneladas de carbono (46,8 bilhões de toneladas de CO2) – 30% do que existe estocado na floresta.

Se essas terras não continuarem protegidas, pode agravar ainda mais as mudanças climáticas no planeta. Portanto, os indígenas são chave no jogo do aquecimento global e fundamentais para o sucesso da política de clima no Brasil.

Mas eles são altamente prejudicados pelas interferências que os vizinhos fazendeiros fazem ao clima. Segundo dados do Instituto Socioambiental (ISA), desde o início da década de 80 até hoje, cerca de 6 milhões de hectares foram desmatados no entorno do Parque Indígena do Xingu.

Em 2010, incêndios florestais atingiram 10% do território da reserva. Para os indígenas, cada vez mais o calor afeta as plantações, mata e afasta os animais, mexe com o dia a dia da floresta.

E as alterações do clima não se confirmam apenas pela ciência. Um grupo de indígenas foi à Câmara dos Deputados contar como as mudanças climáticas estão interferindo em seus modos de vida. Eles participaram de um seminário nesta terça-feira (3) na Comissão de Meio Ambiente sobre as “Percepções e experiências dos Povos Indígenas no Contexto das Mudanças Climáticas”.

O evento reuniu líderes dos povos Yanomami, Krenak, Baniwa, Bororo, Wajãpi, Kaxinawa, Apinajé, Taurepang, entre outros.

Para Davi Kopenawa Yanomami, um dos mais respeitados líderes indígenas brasileiros, a mudança do clima já é considerada uma epidemia pelo seu povo. “Percebemos que muitos índios estão morrendo, mas pela responsabilidade do homem branco que vai queimar nossa floresta”.

Kopenawa, que foi premiado pela ONU, destacou que mesmo com a trovoada não tem chovido nas suas terras. E antes a água era anunciada pelo trovão, mas vários desses indicadores que estão deixando de funcionar. “Mas os não-índios também estão sofrendo pelas alterações do clima”.

Na avaliação do líder indígena Ailton Krenak, doutor honoris causa da Universidade Federal de Juiz de Fora, os conhecimentos tradicionais dos índios são fundamentais para a preservação das florestas. “O nosso povo, por antiguidade, desenvolveu formas de percepção do ecossistema, dos ambientes onde vivemos. Essa memória confere com os relatórios do IPCC e está muito presente no pensamento, mas pouco no nosso coração”.

Segundo Krenak, as pessoas estão tomando esses relatórios como se fossem só estatísticas e não um indicador de que estamos perdendo qualidade de vida, e perdendo também a nossa profunda relação com a terra".

A coordenadora do Departamento de Gestão Territorial e Ambiental do Conselho Indígena de Roraima, Sineia do Vale, contou que há um estudo que demonstra que eles já têm percebido alterações por causa das mudanças climáticas.

“Isso tem afetado o modo de vida da comunidade. Perdemos a variedade de peixes porque a temperatura da água aqueceu mais que o normal”, alertou Sineia, que é do povo indígena Wapichana.

Sineia representa a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) dentro do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas. Ela avalia que as mudanças do clima não têm afetado só localmente, mas todo o planeta.

“Precisamos levar a importância de manter as florestas e as terras indígenas para as instâncias de governo, tanto nacionalmente como internacionalmente. E cobrar dos países o cumprimento do Acordo de Paris. A luta não é só dos índios, mas de todos os povos”, ressaltou Sineia.

O presidente da comissão e autor do requerimento para o debate, deputado Nilto Tatto (PT-SP), destacou que a relação especial dos índios com a natureza tem muito a contribuir com a meta assumida pelo Brasil de zerar o desmatamento até 2030.

"Temos que reconhecer que os povos indígenas são o principal parceiro da conservação das florestas no Brasil. Só 3% das terras indígenas têm desmatamento, menos até do que em unidades de conservação. E o desmatamento é um dos principais fatores de emissão dos gases do efeito estufa", lembrou Tatto.

Mais de quinze indígenas foram ouvidos no seminário, que servirá de subsídio para a delegação brasileira que vai participar da COP 23, a nova conferência internacional do clima, prevista para novembro, na Alemanha.

Estudo

Durante o seminário também foi citado um estudo realizado pelos indígenas do Alto Rio Negro, mais especificamente do Rio Tiquié, que identificou com precisão os ciclos de vida de peixes, animais, plantas e cultivos, entre outras atividades de manejo praticadas nas comunidades.

Os pesquisadores indígenas vêm coletando informações que podem indicar mudanças climáticas e como elas impactam os ecossistemas locais (saiba mais).

Ameaças

As lideranças também apontaram que estão sofrendo diversos ataques no Legislativo contra os direitos constitucionais dos povos indígenas, principalmente para que sejam alterados os processos de demarcação e exploração de suas terras.

Para Estevão Bororo, que faz parte do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC), esse é um momento de reflexão e de luta pelos direitos. “Os nossos direitos estão garantidos na Constituição Federal e na Convenção 169, que assegura a consulta aos indígenas sobre suas terras. A nossa luta não começou em 88 e sim há mais de 500 anos”.
© Cleia Viana/Câmara dos Deputados Enlarge

Adultos podem afetar autoestima de crianças desde cedo

Adultos podem afetar autoestima de crianças desde cedo

Adultos podem afetar autoestima de crianças desde cedo
"Nossos resultados mostram o impacto que o outro pode ter sobre o senso de autoestima das crianças em uma idade muito jovem."

[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]
 
Self  infantil
Crianças pequenas têm um sentido de si próprias - self - que não é muito diferente do que o apresentado pelas crianças mais velhas e mesmo pelos adultos.

Isso indica que nossa capacidade de pensar sobre nossa autoestima como indivíduos se desenvolve bem no início da vida - e também sugere que a falta dessa capacidade pode incutir o desânimo e o desencorajamento frente à vida mais cedo do que os psicólogos pensavam.

"Os autoconceitos das crianças pequenas não são qualitativamente diferentes dos de crianças e adultos mais velhos," ressalta o professor Andrei Cimpian, da Universidade de Nova York (EUA). "As crianças pequenas podem pensar sobre si mesmas como possuindo traços e habilidades abstratas, e também podem argumentar sobre sua autoestima, o que tem implicações para essa autoestima.

"No entanto, esse nível de maturidade de ponderar sobre o eu também significa que as crianças pequenas podem se abater diante do fracasso, não sendo os otimistas intrépidos que as teorias anteriores descrevem. À luz deste novo trabalho, precisamos pensar cuidadosamente a respeito e investigar maneiras de apoiar a motivação das crianças pequenas e seu envolvimento com atividades importantes, mas muitas vezes difíceis, como a escola," detalhou Cimpian.


Autoestima
Os cientistas sempre defenderam que as crianças pequenas pensam em si mesmas em termos concretos e comportamentais e, ao contrário dos adultos ou das crianças mais velhas, seriam cognitivamente incapazes de ponderar sobre suas próprias características ou seu valor como indivíduos.

A equipe de Cimpian testou essa teoria em uma série de experimentos com crianças de quatro a sete anos de idade. Os pesquisadores apresentaram-lhes vários cenários hipotéticos - comumente empregados nas pesquisas de psicologia para essa faixa etária - que variaram em vários aspectos. Neles, as crianças precisavam imaginar situações encorajadoras - "Você vai conseguir" - e desencorajadoras - por exemplo, que não conseguiriam completar uma tarefa, como resolver um quebra-cabeça, mesmo que tentassem com afinco.

Os resultados mostraram que mesmo crianças de quatro anos de idade podem raciocinar de forma flexível sobre suas habilidades e seu senso global de autoestima com base no contexto, e isto afeta seu comportamento e seu rendimento nas tarefas.

Por exemplo, as crianças apresentaram uma pior avaliação de suas próprias habilidades, mas não da sua autoestima global, quando lhes foi dito que não conseguiram completar uma tarefa que era fácil. Por outro lado, elas diminuíram sua avaliação de sua autoestima global, mas não de suas habilidades, quando lhes foi dito que falharam em uma tarefa solicitada pelo adulto (versus autoiniciada) - em outras palavras, o envolvimento do adulto e o não-atendimento à sua expectativa afetou negativamente a autoestima, independentemente de se tratar de uma tarefa fácil ou difícil.

"Esta evidência revela uma continuidade surpreendente entre os autoconceitos das crianças pequenas e das crianças e adultos mais velhos. No entanto, mais importante, nossos resultados mostram o impacto que o outro pode ter sobre o senso de autoestima das crianças em uma idade muito jovem.

"Assim, é importante que pais e educadores entendam que nossas crianças podem ficar mais desanimadas do que nos dávamos conta anteriormente, e buscar maneiras de promover um ambiente de aprendizagem produtivo," recomendou o professor Cimpian.

Líderes em tecnologia pedem proibição de robôs assassinos

Líderes em tecnologia pedem proibição de robôs assassinos

Tecnologia de matar
Mais de cem especialistas em robótica estão cobrando da ONU uma iniciativa para prevenir o desenvolvimento de "robôs assassinos".

Em uma carta à organização, líderes de setores que usam inteligência artificial alertam para o risco de "uma terceira revolução (na tecnologia) de guerra" e pedem a proibição do uso de inteligência artificial (IA) no desenvolvimento e uso de armas.

"Uma vez desenvolvidos, elas permitirão um conflito armado numa escala maior do que nunca, e em intervalos de tempo mais rápidos que os humanos podem compreender", diz a carta assinada por 116 especialistas. "Estas podem ser armas de terror, armas que déspotas e terroristas usam contra populações inocentes, e armas que podem ser hackeadas (e reprogramadas) para fazer coisas indesejáveis."

Há um tom de urgência na mensagem dos líderes de tecnologia, que alertam que "não há muito tempo para agir". "Uma vez a caixa de Pandora seja aberta, será difícil fechá-la", acrescenta.
Por isso, eles pedem que essa tecnologia "moralmente errada" seja acrescentada à lista de armas banidas pela Convenção das Nações Unidas sobre Certas Armas Convencionais (CCW).
Armamento autônomo
Na carta, os especialistas também lamentaram o adiamento para novembro de uma reunião de um grupo da ONU focado em armamento autônomo, que deveria discutir o assunto nesta segunda-feira.
Uma possível proibição no desenvolvimento de tecnologia de robôs matadores já tinha sido discutida por comitês da ONU. Em 2015, mais de mil especialistas de tecnologia, cientistas e pesquisadores escreveram uma carta alertando sobre os perigos das armas autônomas.

Entre os signatários da carta de 2015 estavam, além de Elon Musk, da Tesla e da SpaceX, o cientista Stephen Hawking e o cofundador da Apple Steve Wozniak.
O que é um 'robô assassino'?
Um robô assassino é uma arma totalmente autônoma que pode selecionar alvos sem a intervenção humana. Nenhuma arma assim foi apresentada pela indústria e não se sabe da existência de nenhuma, mas os avanços na tecnologia o tornam cada vez mais próximo da realidade.

Defensores dessa tecnologia dizem que as leis de guerra atuais são suficientes para resolver quaisquer problemas que possam surgir se eles forem usados.

Os que se opõem ao seu uso acreditam que se trata de uma ameaça à humanidade e que quaisquer "funções de morte" autônomas devem ser banidas.

A Carta Aberta às Nações Unidas sobre Determinadas Armas Convencionais está disponível em inglês, contendo também a lista completa dos signatários.

Efeito da dieta depende da flora bacteriana de cada pessoa


Efeito da dieta depende da flora bacteriana de cada pessoa

Dieta e flora bacteriana
Como todos já sabem, a mesma dieta que funciona para algumas pessoas, levando efetivamente à perda de peso, simplesmente não funciona para outras pessoas.
Mas por quê?

Uma das razões - talvez a principal delas - é que o efeito da dieta depende da combinação particular de bactérias nos intestinos de cada pessoa, afirmam Mads Hjorth e Arne Astrup, da Universidade de Copenhague (Dinamarca).

"Estes resultados são revolucionários ao demonstrar que certas espécies bacterianas desempenham um papel decisivo na regulação do peso e na perda de peso. Agora podemos explicar por que uma dieta rica em fibras nem sempre leva à perda de peso. A flora bacteriana intestinal humana é uma parte importante da resposta e de agora em diante irá desempenhar um papel crucial no tratamento do sobrepeso," disse Hjorth.

Nova dieta nórdica
Em seu estudo, a dupla usou a cada vez mais popular "nova dieta nórdica", rica em fibras, que parece funcionar bem para algumas pessoas, mas não apresentar qualquer resultado para outras.
Um grupo de 62 participantes com excesso de peso foi dividido aleatoriamente para seguir a nova dieta nórdica ou uma especificação geral de alimentação, que a equipe chamou de "dieta dinamarquesa média".

Os dois planos alimentares variam muito no volume de fibras alimentares e de cereais integrais consumidos - a dieta é mais rica em fibras e coloca maior ênfase nos alimentos integrais, como vegetais e frutas, do que a alimentação média.

Os resultados de exames intestinais permitiram também dividir os participantes em dois grupos diferentes quanto às bactérias enterotípicas ou intestinais. Isto foi feito com base na abundância de bactérias Prevotella em comparação com espécies de Bacteroides. Cerca de metade do grupo apresentou alto volume de Prevotella, enquanto a outra metade apresentou baixa proporção desses microrganismos.

Perda de peso e placebo da dieta
Na média, os 31 voluntários que adotaram a nova dieta nórdica por 26 semanas perderam 3,5 quilogramas, enquanto os 23 voluntários que seguiram a dieta dinamarquesa média e chegaram até o fim do experimento perderam 1,7 quilograma.

Mas os resultados são diferentes quando se cruza a dieta com as bactérias intestinais.

A nova dieta nórdica funcionou bem para os participantes no grupo Prevotella de alto volume. Eles perderam 3,15 kg de gordura corporal em média.

Suas cinturas também diminuíram significativamente, e sua perda de peso foi mantida após seguir a dieta por um ano após o final do estudo.

Por outro lado, o tipo de dieta seguida não teve qualquer influência sobre a quantidade de peso que os participantes no grupo de baixa proporção de Prevotella perderam, indicando que sua perda de peso pode ter tido algo a ver com um efeito induzido pela participação no estudo, e não exatamente pelo tipo de alimentação, dizem os pesquisadores.

Use seu coração como senha - ninguém tem um igual

Use seu coração como senha - ninguém tem um igual

Use seu coração como senha - ninguém tem um igual
O novo sistema de identificação usa um radar Doppler em miniatura e continua monitorando seu coração o tempo todo. [Imagem: Bob Wilder/Universidade de Buffalo]
 
Biometria do coração
Nem senha, nem digital, nem olhos - o futuro da biometria pode estar bem lá no fundo do seu peito.
Uma equipe da Universidade Buffalo, nos EUA, construiu um protótipo de sistema de identificação que detecta o coração do usuário para lhe dar acesso ao seu computador, celular ou qualquer aparelho eletrônico.

O sistema usa um radar de baixíssima potência - equivalente a uma conexão Wi-Fi - para detectar a geometria do coração, seu formato e tamanho, e como ele se movimenta, para criar uma assinatura pessoal.

"Nunca foram encontradas duas pessoas com corações idênticos," garante o pesquisador Wenyao Xu, acrescentando que o coração das pessoas também não costuma mudar, a menos que elas sofram alguma doença cardíaca grave.
Use seu coração como senha - ninguém tem um igual
O aparelho de biometria cardíaca é composto pelos dois sensores à esquerda. À direita está um atuador que simula o coração para realização de testes. [Imagem: Chen Song et al. (2017)]
 
Radar pessoal
Sistemas biométricos baseados no coração têm sido demonstrados há alguns anos, mas vinham dependendo de eletrodos medindo sinais de eletrocardiogramas.

O novo sistema, baseado em um radar Doppler, é não-invasivo e sem contato, e permanece monitorando o usuário continuamente, o que significa que a pessoa pode sair tranquilamente da frente do computador tendo certeza de que nenhuma outra pessoa conseguirá usá-lo.
O protótipo leva 8 segundos para identificar um coração pela primeira vez, e depois passa a reconhecê-lo de forma praticamente instantânea.

A equipe garante que o equipamento é seguro e agora vai trabalhar em sua miniaturização.
"O leitor [emite] cerca de 5 miliwatts, menos de 1% da radiação dos nossos smartphones. Estamos vivendo em um ambiente inundado de Wi-Fi todos os dias, e o novo sistema é tão seguro quanto os dispositivos Wi-Fi," disse Xu.
Bibliografia:

Cardiac Scan: A Non-contact and Continuous Heart-based User Authentication System
Chen Song, Feng Lin, Yan Zhuang, Wenyao Xu, Changzhi Li, Kui Ren
MobiCom 2017 Proceedings
https://sctracy.github.io/chensong.github.io/pdf/mobicom17.pdf

Curativo com microprocessador cuida do horário dos remédios

Curativo com microprocessador cuida do horário dos remédios

Curativo com microprocessador cuida do horário dos remédios
Cada fibra pode ser carregada com um medicamento diferente .[Imagem: Pooria Mostafalu et al. - 10.1002/adfm.201702399]
 
Curativo inteligente
Um curativo dotado de um microprocessador e controlado remotamente é a nova esperança para melhorar os tratamentos de ferimentos, evitando infecções e reduzindo o tempo de cicatrização.
A inovação é resultado da junção de duas tecnologias que vêm mostrando rápido desenvolvimento: as roupas eletrônicas - e suas fibras capazes de conduzir eletricidade - e o desenvolvimento de terapias que usam a eletricidade para otimizar o processo de cura.

A bandagem consiste de fibras eletricamente condutoras recobertas por um gel no qual são incorporados antibióticos, fatores de crescimento para regeneração dos tecidos, analgésicos e outras medicações que forem necessárias para cada caso em particular.

Cada fibra pode ser carregada individualmente com um fármaco específico necessário ao tratamento.


Curativo com processador
Um microcontrolador, um chip do tamanho de um selo postal, que pode ser acionado por um aplicativo no celular, controla a liberação de uma pequena corrente elétrica pela fibra que deve liberar seu medicamento a cada momento. A eletricidade aquece a fibra e seu hidrogel, que então libera sua carga de medicamento.

Isto permite não apenas dosar os medicamentos, como também liberar cada um segundo seu cronograma de aplicação.
Curativo com microprocessador cuida do horário dos remédios
Estrutura das fibras que compõem o curativo microprocessado - os medicamentos ficam no hidrogel. [Imagem: Pooria Mostafalu et al. - 10.1002/adfm.201702399]
 
"Esta é a primeira bandagem que é capaz de liberar os medicamentos com doses controladas. Você pode liberar múltiplas drogas com diferentes perfis de aplicação. Esta é uma grande vantagem em relação a outros sistemas," disse o professor Ali Tamayol, da Universidade de Nebraska, nos EUA.
A equipe pretende fazer os primeiros testes de seu curativo inteligente em pacientes com feridas crônicas derivadas do diabetes, que tipicamente têm um longo processo de cicatrização. Antes disso, porém, será necessário seguir os protocolos de saúde, com testes em animais, antes dos ensaios clínicos em humanos.

Até lá, os pesquisadores esperam que o curativo já incorpore em suas fibras sensores capazes de medir glicose, pH e outros indicadores de saúde da pele. No futuro, a expectativa é que os dados desses sensores permitam que o curativo seja ainda mais inteligente, liberando os tratamentos de forma autônoma, dispensando o aplicativo no celular.

Bibliografia:

A Textile Dressing for Temporal and Dosage Controlled Drug Delivery
Pooria Mostafalu, Gita Kiaee, Giorgio Giatsidis, Akbar Khalilpour, Mahboobeh Nabavinia, Mehmet R. Dokmeci, Sameer Sonkusale, Dennis P. Orgill, Ali Tamayol, Ali Khademhosseini
Advanced Functional Materials
DOI: 10.1002/adfm.201702399

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Consumo excessivo de carne está devastando o planeta, diz relatório



Consumo excessivo de carne está devastando o planeta, diz relatório

O contínuo e crescente consumo de carne vêm causando impacto devastador no meio ambiente, alerta novo relatório da ONG WWF. Os danos são resultado da plantação para alimentar os animais, aponta o documento. A vasta escala de crescimento na colheita de produtos como soja para alimentar frangos, porcos e outros animais causa uma forte pressão em cima dos recursos naturais, levando a perda em grande escala de terra e espécies, de acordo com o estudo.

A agricultura intensa e industrial também resulta em comida menos nutritiva, revela o documento, destacando que seis frangos criados hoje para consumo humano têm o mesmo percentual de ômega 3 encontrado em apenas um na década de 1970.

O estudo "Apetite por destruição", divulgado nesta quinta-feira, em uma conferência em Londres, alerta para a grande quantidade de terra necessária para o cultivo usado para alimentar animais e cita algumas das áreas mais vulneráveis, como Amazônia, a bacia do Congo e os Himalaias.

A produção de soja atual está em tão alta escala que a média europeia de consumo é de cerca de 61kg por dia, consumidos indiretamente graças a ingestão da carne de animais como de frango, salmão e produtos como queijo, leite e ovos. Se a demanda por carne aumentar como o esperado, o documento diz, a produção de soja cresceria, até 2050, algo perto de 80%.

"O mundo está consumindo mais proteína animal do que precisa e isso está causando um efeito devastador na vida selvagem", disse Duncan Williamson, gerente de políticas alimentares da WWF.

"Um assombroso índice de 60% de perda da diversidade global é graças a comida que comemos. Sabemos que muitas pessoas estão conscientes que uma dieta baseada em carne tem um impacto em água e terra, assim como causando aumento da emissão de gases de efeito estufa, mas poucos sabem que a maior questão vem da plantação baseada na alimentação desses animais", acrescentou ele.

Puxadinhos para todo o DF?




28/9/2017
Cristiano de Sousa e Romina Caparelli
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A ocupação desordenada e não autorizada de áreas públicas na região dos CLS e CLN é uma das questões que mais ameaçam a área tombada de Brasília. Esse problema urbano que remonta à década de 1970 até ganhou um nome: puxadinhos. Os beneficiados pressionam as instituições, a população os rejeitam pelos incômodos gerados e as diversas leis existentes não solucionaram o problema até hoje.

Por um lado, o empresariado quer ocupar as amplas áreas públicas disponíveis ao lado de seus estabelecimentos comerciais. Afinal, qual seria o problema de se colocar  algumas mesas e cadeiras, uns toldos e lonas, ou mesmo vasos e plantas para delimitar e ampliar sua área de atendimento? Qual o problema de ocupar aquela “área vazia lá atrás” para fazer um depósito (e que depois vai virar vitrine ou ser incorporado pela loja)? Qual o problema do tamanho original da loja ser duplicado ou triplicado em uma área pública “que ninguém está usando”? Porque tanto rigor?

20150614225124399356o.jpgPor outro lado, grande parte da população não apoia a ocupação dessas áreas públicas  por parte de lojas, bares e restaurantes. Além dos problemas estéticos, a expansão das ocupações nos comércios locais amplia em muitas vezes o impacto originalmente previsto para essas áreas. A demanda por vagas de estacionamento, a circulação de usuários, o consumo de água e energia, entre outros, leva os comércios locais a terem um caráter regional – o que foi projetado para acontecer somente na avenida W3 – e  isso diminui a qualidade de vida da população e prejudica o funcionamento da cidade.

Quanto à fiscalização dos puxadinhos, ela sempre foi, via de regra, omissa. Quando atua,  a fiscalização não consegue ser efetiva por diversas razões, incluindo interferências políticas e medidas judiciais (a tal indústria das liminares).

Esse cenário nos leva a uma reflexão. Nas outras grandes cidades e capitais, quando um edifício – ou mesmo uma região – já não comporta o tamanho que um estabelecimento comercial exige, seja de que natureza for, o que acontece? Ele busca uma nova área condizente com sua atividade ou permanece, insiste e impacta o seu entorno até alguém dizer basta? O poder público tolera a situação, inclusive investindo na criação de leis para perpetuar a desordem urbana criada?
brasilia-sofre-com-descaracterizacao-de-seu-projeto-urbanistico-original-1366299015559_956x500Não importa quantas leis foram criadas para tentar organizar o caos urbano gerado pelos puxadinhos, inevitavelmente aos beneficiados interessa somente os direitos, ignorando-se os deveres. Afinal, para que buscar um novo endereço e pagar o aluguel de uma área maior se é possível ampliar a sua área útil pagando taxas irrisórias?

Infelizmente constata-se que, apesar das sucessivas leis propostas para os puxadinhos, não houve uma que solucionasse o problema ou sequer desestimulasse o surgimento de novas ocupações. Assim, a cada tentativa de se satisfazer o interesse do empresariado brasiliense, a população fica cada vez mais anestesiada à presença dos puxadinhos e prevalece a tolerância em detrimento de “ações drásticas” como a desocupação das áreas públicas com a preservação das características originais dos comércios locais.
20150122074725483729ePois bem, a pá de cal parece estar chegando na forma de um Projeto de Lei Complementar (PLC) que pretende regularizar a ocupação de áreas públicas, os puxadinhos, fora da área tombada, em todo o Distrito Federal, unicamente mediante a cobrança de taxas. Trata-se de uma norma perigosa que pode estimular a invasão de áreas públicas em todas as cidades do DF, diminuindo consideravelmente a já precária qualidade de vida de grande parcela da população. Afinal, o que está errado precisa ser coibido ou regularizado?

Ouça no link a seguir a arquiteta e urbanista Romina Capparelli tratando desse assunto no quadro “Assim é Brasília”, que vai ao ar na CBN Brasília sempre às quartas-feiras, às 9h50:

Em época de crise,
vale tudo por dinheiro mesmo?


Romina Faur Capparelli é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília e em Direito pelo Centro Universitário de Brasília. Consultora legislativa do Senado Federal, integra o movimento Urbanistas por Brasília e é membro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/DF) e do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Históricos no DF (ICOMOS/DF).

CARTA ABERTA Ao Governador do Distrito Federal



Carta Aberta





CARTA ABERTA

Ao Governador do Distrito Federal











As Entidades da Sociedade Civil do Distrito Federal, ao final elencadas, vêm manifestar EXTREMA PREOCUPAÇÃO E A NECESSIDADE DE DIÁLOGO a respeito de ações e propostas que exigem reflexão e redirecionamento por parte do Governo do Distrito Federal, a saber:







1.    DEFICIÊNCIA NAS POLÍTICAS PÚBLICAS – A inexistência e/ou deficiência de Políticas Públicas em diversas áreas tem causado prejuízos ao erário público e danos profundos ao meio ambiente e à sociedade. Merecem destaque as áreas de planejamento territorial e urbano; educação; saúde; segurança pública – o aumento da criminalidade é crescente com a redução do efetivo e de seu aparelhamento; resíduos sólidos - a falta de coleta seletiva e de coleta eficiente em áreas públicas contribui para a contaminação dos recursos hídricos; e infraestrutura - o planejamento e investimentos de médio e longo prazos nos sistemas de abastecimento de água potável, de drenagem pluvial, de coleta e tratamento de esgotos sanitários e no sistema de energia evitariam a crise na gestão hídrica, saturação das Estações de Tratamento de Esgotos, possibilitariam a compra de outros carros para o metrô e reduziriam problemas de inundações com a chegada das chuvas;



2.   INEFICIÊNCIANA GESTÃO HÍDRICA- Ausência de ações governamentais efetivas para a proteção e recuperação de nascentes, cursos d’água e captação das águas das chuvas. No primeiro dia de chuva (27 de setembro) os pluviômetros instalados em diversos pontos do DF registraram a média de 9 mm, isto é, 9 litros por metro quadrado. De acordo com cálculos aritméticos, apenas nesse dia, o DF recebeu 53 bilhões e 280 milhões de litros de água.Houve alguma preocupação e ações por parte dos organismos públicos para mobilizar a população no sentido de iniciar a captação de águas da chuva durante o próximo período pluvial?



3.  FALTA DE VISÃO INTEGRADA DO DISTRITO FEDERAL, onde os espaços rurais e urbanos e unidades de conservação têm sido vistos de forma estanque. Isso impede a inserção oficial no planejamento e gestão TERRITORIAL e AMBIENTAL das áreas peri-urbanas, que são essenciais como corredores ecológicos, zonas de tamponamento de áreas protegidas e de oferta de serviços ambientais. Ao mesmo tempo, inviabiliza o cumprimento dos zoneamentos ambientais, planos de manejo das unidades de conservação federais e distritais e a implementação das zonas obrigatórias da Reserva da Biosfera do Cerrado definidas pela UNESCO dentro do Programa O Homem e a Biosfera (Man and Biosphere) e seu Plano de Ação ( Plano de Lima);



4.      PERDA DE ÁREAS RURAIS – significativas áreas rurais, importantes para o abastecimento do DF estão sendo invadidas pelos loteamentos promovidos pela TERRACAP e pelo sistema de grilagem em todo o território. Essa situação é fruto da ausência de um processo permanente de planejamento e de controle da ocupação e uso do território do Distrito Federal, e pela ineficiência em regularizar espaços rurais;




5.    INEFICIÊNCIA NA MOBILIDADE URBANA – Projetos e obras têm favorecido o transporte individual motorizado, em detrimento do transporte coletivo, de ciclovias e calçadas. Na contramão da sustentabilidade urbana, acontecem obras como o Trevo de Triagem Norte (TTN), adiando indefinidamente investimentos em novas linhas de metrô e outras modalidades condizentes com a eficiência que a cidade requer;



6.   FALTA DE ROTINA DE RESTAURAÇÃO, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL, como a Vila Planalto, monumentos, edifícios públicos, viadutos, tesourinhas e espaços de uso público em geral, deixando, muitas vezes, a comunidade em risco: calçadas quebradas e sinalização de faixas de pedestres, vias e ciclovias completamente desgastadas e apagadas;



7.   FALTA DE PLANO DIRETOR DE ARBORIZAÇÃO URBANA E PLANO DISTRITAL DE ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS A ausência do primeiro, associado a um manual de podas mais rígido e atualizado tem gerado podas drásticas e mutilações de árvores, tornando as cidades inóspitas, sem arborização, verdadeiras “ilhas de calor”. No caso do Conjunto Urbanístico de Brasília, a falta do Plano de Arborização fragiliza a Escala Bucólica, característica fundamental da cidade-parque. Com relação às mudanças climáticas, são necessárias ações efetivas para “esverdear as áreas urbanas” o mais rápido possível;



8.      PROJETOS DE ADENSAMENTOS POPULACIONAIS - Continuam a ser apresentados sem o devido dimensionamento da demanda e dos imóveis vazios, desconsiderando a grave situação hídrica em que se encontra o DF. Esses projetos certamente agravarão a situação de outros sistemas de infraestrutura urbana. Caso emblemático é o projeto do Setor Taquari 1- trecho 2, previsto na Bacia do Lago Paranoá, dentro da unidade de conservação APA do Paranoá e inserido na Área de Tutela do Conjunto Urbanístico de Brasília tombado;



9.    PROJETOS DE GRANDE IMPACTO NO MEIO AMBIENTE, ÁREA URBANA E SÍTIO TOMBADO – Diversos projetos vêm sendo tratados pontualmente, inclusive à revelia da elaboração da Lei de Uso e Ocupação do Solo - LUOS e do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília – PPCUB. São Parcerias Público-Privadas (PPP) para projetos como a Via Transbrasília (antiga Via Interbairros); Autódromo; Parque da Cidade e Centro de Convenções; proposta da Cidade Aeroportuária; obras em execução do Trevo de Triagem Norte; ocupações na Orla do Lago Paranoá; regulamentação de puxadinhos nos comércios locais sul e norte; Plano de Uso e Ocupação do Setor de Recreação Pública Norte – SRPN; PLC de Concessão de uso de áreas públicas, PLC da Compensação Urbanística e Lei da Permeabilidade, entre outros;



FALTA DE INFORMAÇÕES, INDEFINIÇÕES E PENDÊNCIAS sobre importantes questões, como a desapropriação e destinação para o prédio do Touring; a Quadra 500 do Setor Sudoeste, cujo projeto contraria o documento Brasília Revisitada de Lucio Costa e destruirá 14 hectares remanescentes de Cerrado; a desapropriação e retirada do tapume do lote 35 (RUV), no Comércio Local da Quadra 207 Sul, cuja solução permanece adiada mesmo após decreto do governador que declara o lote de Utilidade Pública e autoriza a desapropriação da área, entre outras;



11.  LEI DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO (LUOS) Ao contrário da informação inicial de que a LUOS apenas consolidaria a legislação vigente, a proposta apresentada traz alterações de uso do solo e outras intervenções nas áreas urbanas. Não foi divulgado o acréscimo populacional decorrente da LUOS para uso habitacional, atividades comerciais, de prestação de serviços e industriais, bem como os estudos técnicos que comprovam a viabilidade das alterações propostas, especialmente nas regiões inseridas na Área de Tutela do Conjunto Urbanístico de Brasília, que corresponde à Bacia do Lago Paranoá. NÃO FOI DIVULGADOQUADRO COMPARATIVO entre as atuais normas de uso e ocupação do solo e as propostas pela LUOS. De acordo com as legislações federal e distrital de obrigatoriedade da transparência das ações de governos, o cidadão tem o direito de saber o que determina a legislação atual e o que vai mudar na sua rua e em seu bairro;



12.    PLANO DE PRESERVAÇÃO DO CONJUNTO URBANÍSTICO DE BRASÍLIA (PPCUB) Ao contrário da informação inicial de que seria elaborado um NOVO PPCUB, fundamentado na premissa da preservação, a proposta em elaboração está se apresentando como mais uma das muitas revisões já realizadas no PPCUB do governo anterior, rejeitado veementemente pela sociedade. A metodologia e o texto-base permanecem os mesmos, com poucas alterações. Paralelamente, é preciso que o GDF adote providências junto ao IPHAN para resolver o conflito jurídico que a Portaria



166/2016 do IPHAN está provocando, por colidir com normas de uso e gabarito vigentes para a área tombada, com a Portaria 314/1992 do IPHAN, que regulamenta o tombamento de Brasília, e com o Decreto Distrital 10.829/1987, que dispõe sobre sua preservação. 



A Decisão 41/2017 do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO recomenda que se inicie um debate aberto com a sociedade sobre a Portaria 166 e que seja eventualmente revisada para fortalecê-la como um instrumento de preservação. Sem isso, o PPCUB poderá se tornar mais um dos instrumentos a conflitar com a Portaria 166, agravando ainda mais o quadro de vulnerabilidade em que se encontra a proteção do Conjunto Urbanístico de Brasília.Nesse contexto, e considerando também as muitas ações pontuais com impacto na área tombada (ver item 9), faz-se necessário que o GDF esclareça o que a sociedade pode esperar do PPCUB;



13. GESTÃO DO CONJUNTO URBANÍSTICO DE BRASÍLIA – É urgente a reestruturação administrativa do Governo do Distrito Federal para o FORTALECIMENTO INSTITUCIONAL DA PROTEÇÃO DE SEU PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO, mediante a criação de órgão distrital específico para esse fim, incluindo a gestão do Conjunto Urbanístico de Brasília. Essa providência solucionará a fragmentada gestão de nosso patrimônio, que foi registrada no Relatório da Missão da UNESCO de 2012:





Para resumir, a estrutura administrativa atual não é eficiente para a conservação do Plano Piloto. Apesar da SEDHAB (atual SEGETH) ser a Agência Governamental do Distrito Federal que tem intervenção direta em tudo relativo à conservação do Plano Piloto que dependa de emissões, outras repartições podem tomar decisões que afetem a área inscrita de maneira positiva ou negativa. Nesse sentido, as Decisões 36/2012 e 37/2013 do Comitê do Patrimônio Mundial recomendaram prioridade na criação e colocação em prática de uma estrutura central de gestão. Entende-se que deverá ser um órgão independente, com quadro técnico qualificado e permanente, em diálogo constante com os demais órgãos e segmentos envolvidos;






14. DESCUMPRIMENTO DA ORIENTAÇÃO DO MPDFT para dar PRECEDÊNCIA à aprovação do Zoneamento Ecológico e Econômico do Distrito Federal (ZEE/DF) relativamente à aprovação da revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT-DF), bem como à aprovação da LUOS e PPCUB. As diretrizes do ZEE/DF certamente trarão propostas de modificações no macrozoneamento do PDOT-DF. Isso porque o instrumento considera todos os zoneamentos ambientais das unidades de conservação, suas zonas de amortecimento e possíveis corredores ecológicos que podem interligar essas áreas protegidas. E, cabe destaque, à Reserva da Biosfera do Cerrado, que é um programa da UNESCO. Logo, espera-se que o ZEE/DF indique a capacidade de suporte dos sistemas hídricos, a partir da definição de limites de densidade populacional nas bacias hidrográficas e estabeleça as vulnerabilidades físico-bióticas. Por conseguinte, acredita-se que haverá alterações e restrições ao uso e ocupação do solo, lembrando que as condicionantes acima não foram tratadas no atual PDOT-DF.









Brasília, 02 de outubro de 2017









Conselho Comunitário da Asa Sul –



CCAS Conselho Comunitário da Asa Norte –



CCAN Prefeitura Comunitária da Península Norte



Associação dos Moradores do Lago Sul –



Prefeitura Comunitária



Conselho Comunitário do Lago Sul



Fórum das ONG Ambientalistas do DF e Entorno



Frente Comunitária do Sítio Histórico de Brasília e Distrito Federal Prefeitura do Centro de Brasília



Associação Parque Ecológico das Sucupiras – Setor Sudoeste



Associação Park Way Residencial



Movimento Cidadão do Park Way



Associação dos Moradores e Amigos da Região do Parque Ecológico do Córrego Seco – AMAC – Park Way



Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal – IHG/DF



Associação dos Produtores do Núcleo Rural de Taguatinga –



APRONTAG Movimento Urbanistas por Brasília



Movimento Nós que Amamos Brasília



Movimento Transparência HACKER

Movimento O Verde é Nosso