sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Após viagem ao Pantanal pra conhecer de perto projeto de conservação, Richarlison adota onça-pintada

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Após viagem ao Pantanal pra conhecer de perto projeto de conservação, Richarlison adota onça-pintada

Após viagem ao Pantanal pra conhecer de perto projeto de conservação, Richarlison adota onça-pintada

Apesar de ser considerado um dos maiores jogadores brasileiros de futebol da atualidade e ter sido comprado pelo time inglês Tottenham pelo valor de 60 milhões de libras (cerca de R$ 380 milhões), Richarlison não esquece de seu começo de vida humilde em Nova Venécia, no Espírito Santo, onde nasceu. Sempre que pode volta à cidade e no seu tempo livre aproveita para descansar fazendo atividades simples, como passear de barco no rio com os primos mais novos.

Aos 25 anos, Richarlison tem se destacado não apenas pelo seu enorme talento em campo, mas por usar sua voz para chamar a atenção dos brasileiros sobre assuntos importantes. Com 5,8 milhões de seguidores no Instagram, 4 milhões no Facebook e mais de 500 mil tanto no Twitter como no Tiktok, ele tem plena consciência de que, como uma figura pública, também possui um papel social.

No passado, o jogador já usou suas redes sociais para falar sobre racismo, política, eleições, desigualdade social e durante toda a pandemia da covid defendeu a ciência, a vacinação e o uso de máscaras.

Quando incêndios devastadores queimaram 30% do Pantanal em 2020, Richarlison também se pronunciou. Cobrou medidas mais eficientes de combate ao fogo. O atleta tinha visitado a região um ano antes.

Agora em 2022, novamente Richarlison esteve por lá. Durante uma rápida viagem, foi conhecer de perto o trabalho do Onçafari, que ao aliar ecoturismo e pesquisa científica, trabalha pela preservação da onça-pintada, o maior felino das Américas (não por acaso, a Nike é patrocinadora da Seleção Brasileira de Futebol e a nova camisa da equipe é inspirada na onça).

“Além de aprender sobre a inspiração da nossa nova camisa da seleção, a experiência foi tão massa que resolvi adotar simbolicamente uma onça que vai se chamar Acerola. O Acerola continuará vivendo lá com outras onças e animais, de forma livre, mas também monitorado pela ONG como parte de um estudo para entender melhor o comportamento da espécie e ajudar a preservá-la. Espero voltar em breve ao Pantanal e dar um salve pro Acerola”, escreveu o atacante em suas redes sociais.

Richarlison decidiu batizar a onça que avistou de Acerola por causa do personagem interpretado pelo ator Douglas Silva, no seriado “Cidade dos Homens”, que tem como tema a vida de dois adolescentes numa comunidade carente do Rio de Janeiro. Em casa, o jogador tem dois cães, que se chamam Acerola e Laranjinha.

Após viagem ao Pantanal pra conhecer de perto projeto de conservação, Richarlison adota onça-pintada

O jogador ficou encantado porque conseguiu ver não apenas uma,
mas duas onças-pintadas na natureza

O Conexão Planeta fez uma breve entrevista com Richarlison sobre sua viagem ao Pantanal, que você confere a seguir:

Essa foi tua primeira visita ao Pantanal? Quais tuas impressões de lá? E por que você decidiu visitar?
Na verdade, eu já tinha visitado antes, em 2019. Tinha ido passar uns dias por lá, fiquei numa aldeia e até joguei bola com os índios. Daquela vez fui com meus amigos e achei um lugar fantástico. Agora tive a oportunidade de voltar e, apesar de ter sido rápido, foi uma experiência muito legal.

O que mais te impressionou no Pantanal?
Difícil escolher só uma coisa, mas acho que como funciona a natureza, os animais, enfim. É muito impressionante como as coisas precisam estar em sintonia pra que todas as espécies estejam bem e para que elas sobrevivam. Por isso a necessidade de preservarmos.

No passado, você já tinha usado tuas redes sociais para chamar a atenção sobre o bioma, na época dos incêndios. Você acha importante atletas e celebridades usarem sua voz para falar sobre problemas ambientais e sociais?
Acho que nós temos audiência, temos uma representatividade e é importante usar isso para falar de coisas que façam realmente a diferença para as pessoas. Eu tenho usado as minhas redes sociais e minhas aparições na mídia pra alertar as pessoas de alguns problemas e acho que é importante, sim. Mas a pessoa precisa se sentir confortável com isso e não se incomodar com os ‘haters’, porque isso tem aos montes.

Você conseguiu afinal avistar um onça-pintada?
Consegui, sim! Ficamos rodando quase duas horas até que conseguimos encontrar com uma. Um pouco depois ainda encontramos uma outra, que estava deitada numa árvore toda esticada, se escondendo do sol. Foi muito legal, é um animal muito imponente e ainda mais bonito quando a gente vê de perto.

Estudo associa glifosato, agrotóxico mais usado no mundo, a convulsões em animais

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Estudo associa glifosato, agrotóxico mais usado no mundo, a convulsões em animais

Estudo associa glifosato, agrotóxico mais usado no mundo, a convulsões em animais

O glifosato é o principal ingrediente ativo de diversos pesticidas e herbicidas, entre eles, o Roundup, fabricado pela multinacional Monsanto/Bayer, que nos últimos anos respondeu nos tribunais americanos a uma série de processos de pacientes com câncer, que afirmam terem desenvolvido a doença devido ao uso do agrotóxico.

Registrado em 130 países, o glifosato tem sua utilização aprovada para mais de 100 cultivos diferentes. Todavia, em um relatório publicado em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que ele pode provocar câncer em animais tratados em laboratório e é um potencial causador de alterações na estrutura do DNA e cromossomos das células humanas.

Atualmente, vestígios desse agrotóxico podem ser encontrados em praticamente todos os alimentos e bebidas que ingerimos. Desde cereais consumidos por crianças no café da manhã até cervejas e vinhos.

Mas apesar disso, em 2019, ano em que a Alemanha aprovou a proibição do seu uso, no Brasil a Anvisa decidiu deixar de considerá-lo “extremamente tóxico”.

E há poucos dias, um novo estudo conduzido por pesquisadores de duas universidades dos Estados Unidos, a Florida Atlantic University e a Nova Southeastern University, associou a presença do herbicida Roundup com convulsão em animais.

Os resultados publicados num artigo científico na Scientific Reports revelaram que o glifosato e o Roundup aumentaram o comportamento de convulsão em lombrigas que vivem no solo, evidência de que eles afetam os receptores GABA-A, pontos de comunicação essenciais para a locomoção e regulação do sono e do humor em humanos.

“A concentração listada para obter melhores resultados no rótulo do Roundup Super Concentrate é de 0,98% de glifosato, cerca de 5 colheres do produto em 1 litro de água. Mas nosso estudo mostra que apenas 0,002% de glifosato, uma diferença de cerca de 300 vezes menos herbicida do que a concentração mais baixa recomendada para uso do consumidor teve efeitos preocupantes no sistema nervoso”, afirma Akshay Naraine, pesquisador da Florida Atlantic University e principal autora do artigo.

Para os cientistas, essa nova evidência sobre os efeitos maléficos da exposição contínua e do acúmulo do glifosato no corpo de animais reforça ainda mais a certeza de que o agrotóxico pode ser o causador de doenças neurodegenerativas, como o Parkinson.

“É preocupante o quão pouco entendemos sobre o impacto do glifosato no sistema nervoso. Mais evidências estão aumentando de quão prevalente é a exposição a ele, então com este trabalho esperamos que outros pesquisadores expandam essas descobertas e solidifiquem onde nossas preocupações deveriam estar”, diz Naraine.

“Dado o quão difundido é o uso desses produtos, devemos descobrir o máximo que pudermos sobre os potenciais impactos negativos que podem existir. Houve estudos feitos no passado que mostraram os perigos potenciais e nosso estudo vai um passo adiante com alguns resultados bastante dramáticos”, completa Ken Dawson-Scully, vice-presidente sênior e reitor associado da Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento Econômico da Nova Southeastern University.

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Foto: domínio público/pixabay

Um dos cientistas mais influentes do mundo, brasileiro Tulio de Oliveira assina carta de pesquisadores que pedem mudança urgente no nome da varíola “dos macacos”

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Um dos cientistas mais influentes do mundo, brasileiro Tulio de Oliveira assina carta de pesquisadores que pedem mudança urgente no nome da varíola “dos macacos”

Um dos cientistas mais influentes do mundo, brasileiro Tulio de Oliveira assina carta de pesquisadores que pedem mudança urgente no nome da varíola "dos macacos"

No começo de agosto diversos macacos e saguis foram encontrados com sinais de intoxicação e de agressão em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Vários morreram e os demais foram levados para o zoológico municipal para tratamento, conforme a jornalista Mônica Nunes contou nesta outra reportagem. A suspeita é que os animais foram atacados pela ignorância de pessoas que acreditavam que eles pudessem ser transmissores da chamada varíola “dos macacos”.

São milhares de casos no mundo inteiro da doença, que ressurgiu nos últimos meses. Esse tipo de varíola recebeu esse nome porque o vírus causador foi identificado (MPXV), nos anos 50, em macacos de laboratório. No entanto, sua transmissão acontece apenas entre humanos, quando uma pessoa entra em contato com lesões na pele, secreções ou objetos usados por alguém infectado.

Nas últimas semanas vários especialistas da área de saúde dos mais diferentes países pediram que a Organização Mundial de Saúde (OMS) renomeie a doença. A entidade internacional afirmou que está analisando a solicitação, mas até o momento nada foi anunciado.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Primatologia divulgou uma nota de alerta em maio, em que esclarece mais sobre a transmissão da Monkeypox, nome em inglês. “É importante ressaltar que os macacos (primatas não-humanos) não são os “vilões”, e sim vítimas como nós (humanos), e não devem sofrer nenhuma retaliação, tais como agressões, mortes, afugentamento, ou quaisquer tipos de maus-tratos por parte da população”, diz um trecho do texto.

Numa carta aberta à OMS, dezenas de cientistas das mais renomadas instituições e centros de pesquisa globais pedem a mudança urgente da nomenclatura da doença não apenas para proteger os macacos, mas para evitar ainda mais discriminação e estigma contra a África. Entre os que assinam o documento está o brasileiro Tulio Oliveira, um dos maiores especialistas do mundo em surtos virais.

Oliveira esteve envolvido não apenas em uma, mas duas das descobertas mais importantes sobre o SARS-CoV-2, vírus causador da covid-19. Ele também faz parte da equipe que identificou a variante beta. Em 2021, ele apareceu na lista da Nature daqueles que fizeram a diferença na ciência em 2021 e também, entre as 100 pessoas mais influentes do mundo eleitas pela revista TIME.

Na carta enviada à OMS, os pesquisadores também explicam, novamente, que a infecção é causada normalmente por “eventos de transbordamento” para humanos de animais como roedores, esquilos e primatas.

Após mencionar a questão da transmissão, os cientistas demonstram a grande preocupação como a mídia e a população em geral tem tratado a varíola dos “macacos”.

“A percepção predominante na mídia internacional e na literatura científica é que o MPXV é endêmico em pessoas em alguns países africanos. No entanto, está bem estabelecido que quase todos os surtos de MPXV na África antes do surto de 2022 foram resultado de transmissão de animais para humanos e raramente houve relatos de transmissões sustentadas de humano para humano”, diz a carta. “No contexto do atual surto global, a referência contínua e a nomenclatura deste vírus como sendo africano não é apenas imprecisa, mas também discriminatória e estigmatizante. A manifestação mais óbvia disso é o uso de fotos de pacientes africanos para retratar as lesões da varíola na grande mídia do norte global. Recentemente, a Associação de Imprensa Estrangeira da África emitiu um comunicado pedindo à mídia global que parasse de usar imagens de africanos para destacar o surto na Europa”.

Os especialistas destacam ainda que embora a origem do novo surto global de MPXV ainda seja desconhecida, há evidências crescentes de que o cenário mais provável é que houve uma transmissão humana entre continentes, ou seja, entre pessoas infectadas que viajaram internacionalmente.

“No entanto, há uma narrativa crescente na mídia e entre muitos cientistas que estão tentando vincular o atual surto global à África ou à África Ocidental ou à Nigéria. Além disso, o uso de rótulos geográficos para cepas de MPXV, especificamente, referências ao surto de 2022 como pertencentes ao clado, cepa ou genótipo “África Ocidental” ou “África Ocidental”. Acreditamos, portanto, que uma nomenclatura neutra, não discriminatória e não estigmatizante será mais apropriada para a comunidade global de saúde”, ressaltam os cientistas.

Fotos de abertura: Rogan Ward for Nature (Tulio de Oliveira) e NIAID/Creative Commons/Flickr (vírus)

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Tecnologia de impressão 3D dá vida a lagartixa raríssima (Gecko?), em risco de extinção, para que mais pessoas a conheçam e lutem por sua proteção

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Tecnologia de impressão 3D dá vida a lagartixa raríssima, em risco de extinção, para que mais pessoas a conheçam e lutem por sua proteção

Tecnologia de impressão 3D dá vida a lagartixa raríssima, em risco de extinção, para que mais pessoas a conheçam e lutem por sua proteção

Até 2011, acreditava-se que a lagartixa-de-pés-de-folha (Phyllodactylus pulcher) estava extinta na natureza. Por isso mesmo pouquíssimo se sabia sobre essa criatura minúscula, com pouco mais de 60 centímetros de comprimento, que tinha hábitos noturnas, possivelmente se alimentava de insetos e só era encontrada na ilha de Barbados, no Caribe, e em nenhum outro lugar do mundo.

Todavia, há cerca de uma década, foi encontrada uma pequena população dessa espécie de lagartixa, com apenas 250 indivíduos, na região de Culpepper, na borda de penhascos rochosos perto do mar. Desde então especialistas em conservação têm tentado conhecer mais sobre seus hábitos e comportamento para poder protegê-la da extinção.

Barbados é uma das ilhas mais povoadas do Caribe e esses répteis enfrentam não apenas a perda de habitat, mas também, o aumento do nível dos oceanos provocado pelo aquecimento global e a introdução de espécies invasoras.

Mas como envolver o grande público na preservação de espécies tão ameaçadas se as pessoas nunca viram esses animais? Como engajar a sociedade na luta por elas somente através de campanhas em que são divulgadas fotos? Ou então em visitas a museus onde espécimes foram coletados e empalhados?

E aí que entra a tecnologia da impressão 3D. Quando o Museu Nacional de Barbados demonstrou interesse em sediar uma exposição permanente sobre esse réptil, pesquisadores da mais antiga organização de conservação da vida selvagem do mundo, a Fauna & Flora International (FFI) entrou em ação.

“De repente nos vimos numa situação difícil. De jeito nenhum iríamos coletar indivíduos de uma população global composta por menos de 250 lagartos adultos. Felizmente, a tecnologia veio em nosso socorro”, revelou Isabel Vique, diretora do Programa Caribe da FFI.

O que se fez, através de imagens digitalizadas da Phyllodactylus pulcher foi imprimir réplicas dela em três dimensões. O resultado é impressionante!

“Tendo visto tanto as réplicas quanto os reais, posso garantir que elas são incrivelmente realistas”, diz a Laure Joanny, pesquisadora da FFI.

Tecnologia de impressão 3D dá vida a lagartixa raríssima, em risco de extinção, para que mais pessoas a conheçam e lutem por sua proteção

A réplica foi feita utilizando vários softwares diferentes
(Foto: Luis Carrera)

Para os especialistas, na área da conservação, vale aquele velho ditado popular “O que os olhos não veem, o coração não sente”.

Tecnologia de impressão 3D dá vida a lagartixa raríssima, em risco de extinção, para que mais pessoas a conheçam e lutem por sua proteção

Os diversos répteis que serão expostos no Museu Nacional de Barbados
(Foto: Luis Carrera)

Desde a redescoberta da lagartixa-de-pé-folha foi desenvolvido um programa de proteção para a espécie. Junto ao governo de Barbados, e em parceria com diversas organizações ambientais, como a FFI e a Re:wild (apoiada pelo ator e ativista Leonardo DiCaprio), foi criado um santuário para a espécie, livre de animais invasores e predadores da pequena lagartixa. Também houve o lançamento de uma campanha de educação ambiental para tornar mais conhecido esse réptil pela população em geral.

Tecnologia de impressão 3D dá vida a lagartixa raríssima, em risco de extinção, para que mais pessoas a conheçam e lutem por sua proteção

A lagartixa-de-pés-de-folha real, na vida selvagem
(Foto: Jenny Daltry/Fauna & Flora International)

*Com informações e entrevistas publicadas no site da Fauna & Flora International

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Foto de abertura: Luis Carrera

Pesticidas provocam lesão no cérebro das abelhas e fazem com que elas não consigam voar em linha reta

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Pesticidas provocam lesão no cérebro das abelhas e fazem com que elas não consigam voar em linha reta



Pesticidas provocam lesão no cérebro das abelhas e fazem com que elas não consigam voar em linha reta
Pesticidas provocam lesão no cérebro das abelhas e fazem com que elas não consigam voar em linha reta

Já eram muitos os danos conhecidos causados pelos pesticidas em abelhas, como por exemplo, afetar a capacidade de polinização e reprodução. Agora, um novo estudo acrescenta mais um ainda: a exposição a essas substâncias provoca lesões no cérebro desses insetos e faz com que eles percam a habilidade de voar em linha reta.

A descoberta, feita por um grupo de pesquisadores de universidades do Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, foi relatada em um artigo científico, divulgado na quarta-feira (17/08), na publicação Frontiers in Insect Science.

“As abelhas usam informações de movimento visual de campo amplo para calcular a distância que voaram da colmeia e essa informação é comunicada às demais operárias através da dança de seu corpo. Inseticidas para tratamento de sementes, incluindo neonicotinóides e novos como o sulfoxaflor, apresentam efeitos prejudiciais em abelhas selvagens e manejadas, mesmo quando presentes em quantidades subletais”, alertam os autores do artigo.

Segundo os cientistas, que fizeram testes em laboratórios com diversos grupos de abelhas, os efeitos do contato com os pesticidas incluem déficits na navegação de voo e capacidade de retorno e diminuição da sobrevivência das abelhas operárias.

O mesmo já tinha sido detectado anteriormente com gafanhotos, mas agora também foi comprovado que o mesmo ocorre com abelhas, polinizadoras importantíssimas para a produção de alimentos: cerca de 80% das plantas se reproduzem por meio da polinização.

Através de análises com técnicas moleculares, notou-se ainda que as abelhas expostas aos pesticidas apresentam um grande número de células mortas em partes dos lobos ópticos do cérebro.

“Os inseticidas neonicotinóides e sulfoximina ativam os neurônios no cérebro do inseto e nem sempre são reciclados com rapidez suficiente para evitar a toxicidade”, explica Rachel Parkinson, cientista da Universidade de Oxford e principal autora do estudo. “Para entender completamente o risco desses inseticidas para as abelhas, precisamos explorar se os efeitos que observamos também ocorrem nas abelhas que voam livremente. A maior preocupação é que – se as abelhas não conseguirem superar qualquer deficiência durante o voo – pode haver profundos efeitos negativos em sua capacidade de forragear, navegar e polinizar flores silvestres”.

Em 2018, a Europa proibiu uso do neonicotinóide, o agrotóxico mais usado no mundo todo. O grande diferencial dessa sustância para outros tipos é ela ser sistêmica, ou seja, se espalhar por toda a planta: folhas, flores, ramos, raízes e até, néctar e pólen. Em geral, ela é colocada na semente e a partir daí, toda a planta fica com vestígios dela.

*Com informações adicionais do blog Frontiers Science News

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Discussão no Senado so
bre a proibição de novos agrotóxicos e a proteção de abelhas no Brasil está nas suas mãos! Participe!

Foto: domínio público/pixabay