terça-feira, 10 de novembro de 2015

Monumentos à empáfia e ao faturamento


Carlos Chagas

Além de monumentos à própria empáfia e vaidade, os institutos  criados  por ex-presidentes da República constituem-se em arapucas destinadas ao seu enriquecimento. Prestam-se a amealhar dinheiro para o personagem empenhado  em permanecer na mídia como se  estivesse no poder.

Tome-se o nebuloso  Instituto Fernando Henrique Cardoso, funcionando em São Paulo  em luxuosas acomodações comerciais,  apresentadas como colaboração à história e à memória nacional.  Acobertado pelo sigilo bancário, ignora-se o total verdadeiro dos  gastos e  despesas dessa entidade,  assim como seus lucros. Uma ponta do tapete levantou-se recentemente pela denúncia de que,  entre 2011 e 2012, apenas uma empreiteira doou 975 mil reais à  entidade que leva o nome do  sociólogo. 


E as outras?  Teria sido em pagamento por palestras relativas ao seu passado governo? Ou por consultorias a respeito  dos rumos  da social-democracia? Quem sabe por opiniões sobre como gerir a economia nacional?


Sempre existirá a hipótese de remuneração por intermediação junto a obras contratadas por governos estrangeiros amigos, mas essa é característica muito maior do Instituto Lula, acasalado com a empresa responsável por agenciar palestras do primeiro companheiro.

Porque a empresa  que leva o nome do antecessor e  mentor da Dilma dá a impressão de funcionar na caverna do Ali Babá.  


De 2010 a 2014, conforme levantamento feito  nas proximidades  da Operação Lava Jato, entraram em seus cofres  27 milhões  de reais.  Pagamento por palestras internacionais sugerindo as excelências  de  se investir no  Brasil? Ou retribuição a  favores concedidos  por  governantes africanos e latino-americanos que contrataram obras a cargo de  empreiteiras brasileiras,  com financiamento do BNDES,  certamente por influência do ex-presidente?


Em português claro, essas operações de tráfico  de influência e de enriquecimento ilícito denominam-se corrupção e suborno, que em boa hora a Polícia Federal e  o Ministério Público investigam. Por isso encontram-se na cadeia alguns barões das empreiteiras e acólitos do serviço  público, com  ramificações no Congresso e nos partidos políticos.


Não se tem  notícia de que, de Getúlio Vargas aos generais-presidentes e até a Itamar Franco,  existiram institutos destinados  gerar rendas para  ex-presidentes.


Não devem ser levados em conta  pequenos   museus que guardam a correspondência e as imagens dos antigos titulares, aliás, sempre inaugurados depois da morte de cada um deles. Não germinou  a experiência tentada por José Sarney,   ao   adquirir o Convento  das Mercês, em São Luís,  como  seu futuro   mausoléu.  Deu prejuízo, teve de ser vendido.  


Foi com  Fernando Henrique e  Lula que surgiram essas  empresas  comerciais lideradas por eles, não apenas para inflar-lhes o ego, mas para ampliar suas  contas bancárias. Tomara que Madame não esteja  pensando nisso...

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