quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

"Babá" Costa do Petrolão revela que denunciou 40 ladrões do PT, PMDB e PP.



O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa surpreendeu os integrantes da CPI criada pelo Congresso para investigar a estatal ao quebrar o silêncio e confirmar que entregou dezenas de políticos em seus depoimentos à Justiça, mantidos sob sigilo pelo Supremo Tribunal Federal.Sem entrar em detalhes para não comprometer o acordo de delação premiada, Costa fez um "esclarecimento inicial" nesta terça (2), na sessão em que foi convocado para acareação com outro ex-diretor da estatal, Nestor Cerveró. 
 
 
Preso durante a Operação Lava Jato, que desvendou o maior esquema de corrupção envolvendo a petroleira, Costa só foi solto depois de fazer o acordo e admitiu que entregou "algumas dezenas" de políticos ao ser questionado pelos integrantes da CPI. 
 
Após a sessão, confidenciou a dois deputados o número de políticos que citou. Um dos que ouviu o dado foi Julio Delgado (PSB-MG). "Eu perguntei: como é isso, quantos são?'. Ele me disse que são de 35 a 40 do PP, PMDB e PT." 
 
 
O delator disse que chegou a ficar "enojado" com o que ocorria na estatal e que a corrupção está espalhada pelo país. "O que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro: nas rodovias, ferrovias, nos portos, aeroportos, nas hidrelétricas. Isso acontece no Brasil inteiro. É só pesquisar." Ele não falou sobre a acusação, que fez à Justiça, de que Cerveró recebia propina. O ex-diretor da área internacional negou: "É uma ilação". 
 
 
Costa fez um breve histórico de sua entrada por concurso na estatal, em 1977, mas admitiu ter chegado ao alto escalão graças a indicações políticas --foi diretor de Abastecimento de 2004 a 2012.Ele, que cumpre prisão domiciliar, diz estar "profundamente arrependido". "Desde o governo Sarney, governo Collor, governo Itamar, governo Fernando Henrique --todos--, governo Lula, governo Dilma, todos os diretores da Petrobras e diretores de outras empresas, se não tivessem apoio político, não chegavam a diretor! Isso é fato. Pode ser comprovado." 
 
E continuou: "Infelizmente, aceitei. Se pudesse, não faria isso. Esse cargo me deixou onde estou hoje", disse. Ele chegou a dizer que sonhava em ser presidente da Petrobras e que passou a sentir ojeriza do esquema do qual participava. Foi, segundo diz, quando enviou à Casa Civil, em 2009, e-mail com questionamento feitos pelo TCU (Tribunal de Contas da União). 
 
O e-mail foi revelado pela revista "Veja". Na época, Dilma Rousseff chefiava a Casa Civil. À CPI Costa negou que o envio ocorreu por interesses escusos ou porque queria interferência do Executivo. "Nessa época, eu já estava enojado. Aquele processo estava me enojando. [O objetivo] foi alertar de que estávamos com problemas", disse.  "Queria que ele explicasse o que é o enojamento' e por que não tomou nenhuma ação para desenojar' o processo", afirmou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). 
 
Costa não deu novos detalhes sobre sua delação. Repetiu, porém, que confirma tudo o que foi dito, segundo ele, em mais de 80 depoimentos. Disse que virou delator para "deixar a alma mais pura" e atendendo ao apelo da família. "Perguntaram: Por que só você, cadê os outros? Você vai pagar sozinho?'" 
 
A disposição dele em falar animou a oposição. O deputado Izalci (PSDB-DF), questionou se o ex-presidente Lula e a presidente Dilma foram informados sobre os desvios. Costa disse que, por ele, nunca. Aproveitou para desmentir que Lula o chamasse de Paulinho: "É folclore". Cerveró repetiu o roteiro de sua primeira fala à CPI, em setembro. Voltou a dizer que não sabia nada sobre a existência de um cartel de empresas, de superfaturamento em obras e propina.(Folha de São Paulo)
 
 

"Essa é a casa da democracia", protesta Aécio contra a tentativa de deixar o povo fora das galerias na votação do PLN 36.




O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), defendeu nesta terça-feira (2) os brasileiros que foram ao Congresso protestar contra o PLN 36, projeto que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e livra a presidente Dilma Rousseff de cumprir a meta fiscal de 2014.

Após uma tumultuada sessão, que acabou com o manifestantes retirados à força por ordem do presidente Renan Calheiros, Aécio afirmou que a base da presidente Dilma cometeu um grave equívoco ao impedir o acesso do público às galerias da Câmara.


“Esta é a casa do povo. E o PT tem que aprender a conviver novamente com o povo nas galerias. A população brasileira acordou. A verdade é que existe um Brasil diferente, que hoje o PT e seus aliados ainda não perceberam”, afirmou Aécio Neves.

Para Aécio, o erro começou com a tentativa da base governista de votar o projeto longe dos olhos da população. “As pessoas estão participando do que está acontecendo no Brasil. Elas querem saber e algumas querem vir aqui no Congresso Nacional. Vamos fechar as galerias para atender a uma base que quer votar escondido uma proposta desta gravidade com estas consequências para o país? Não, esta é a casa da democracia”, ressaltou.

Logo no início da sessão, o presidente nacional do PSDB protestou contra a medida, sugerindo que as senhas distribuídas e não usadas por partidos da base do governo fossem disponibilizadas para o público que ficou do lado de fora.

“Eu presidi essa Casa durante dois anos. Quando havia isso, os partidos que pegavam as senhas e não as distribuíam, nós liberávamos a galeria para aqueles que quisessem participar das sessões. Infelizmente, o ato truculento da Mesa do Congresso Nacional acabou prejudicando o próprio governo”, lamentou.

Chantagem
Aécio também criticou o decreto da presidente Dilma que vincula a liberação de R$ 444 milhões em emendas parlamentares à aprovação do PLN 36. “É como se a presidente tivesse colocado um cifrão na testa de cada parlamentar dizendo “vocês valem R$ 700 mil reais cada um”. Isso não engrandece o parlamento”, disse.

O povo e a Oposição unidos impediram que fraude fiscal de Dilma fosse aprovada pelo PT, PMDB e base alugada. Luta continua.

O governo fracassou nesta terça-feira na sua quarta tentativa de votar a proposta que permite o descumprimento da meta fiscal de 2014. Um clima de guerra se instalou na sessão do Congresso, com brigas e xingamentos entre manifestantes, parlamentares e seguranças nas galerias da Casa, o que levou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) a suspender os trabalhos.

Após dias de rebeldia entre os aliados, os principais partidos da base entraram em acordo para ajudar o Palácio do Planalto a aprovar a medida. Porém, a oposição, com ajuda de um grupo que acompanhava a sessão nas galerias da Câmara e gritava palavras de ordem contra parlamentares da base, conseguiu impedir a análise do projeto.

Após mais de uma hora de confusão, Renan interrompeu os trabalhos e remarcou a sessão para as 10h de hoje. O cancelamento foi uma vitória da oposição. Como faltam ser apreciados os vetos presidenciais, há o risco de a votação da mudança da meta fiscal só ocorrer no dia 9.

Visivelmente ainda irritado, o presidente do Congresso criticou a atuação dos manifestantes e chegou a sugerir que seriam manifestantes "assalariados". Muitos manifestantes aditiram serem ligados ao PSDB. - Suspendemos a sessão. Esse é um caso único na história do Congresso nacional: 26 pessoas, presumivelmente assalariadas, obstruíram os trabalhos do Congresso. Isso demonstra a absoltua responsbailidade que a oposiçao tem com o fato.


São 26 pessoas assalariadas que paralisam o Congresso nacional. Que democracia é essa que eles pedem e cobram diariamente? São 26 pessoas instrumentalizadas, provocando o Congresso, tumultuando.

Não dá para trabalhar e conduzir uma sessão desta forma - desabafou Renan.— Vinte e seis pessoas instrumentalizadas, provocando o Congresso, tumultuando. Não dá para trabalhar e conduzir a sessão dessa forma — disse Renan.

O plenário da Câmara, onde ocorrem as sessões do Congresso, virou um verdadeiro ringue. Enquanto nas galerias havia enfrentamento entre seguranças, manifestantes e parlamentares da oposição, alguns deputados e senadores trocavam xingamentos no plenário, a poucos metros de Renan, que parecia atônito com o tumulto.

A confusão começou quando ele mandou esvaziar as galerias, por volta das 19h45m. Nesse momento, os manifestantes gritavam palavras de ordem contra Renan e o PT. — Ditador (para Renan)! O PT roubou! Vai para Cuba! — gritavam os manifestantes nas galerias.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e a senadora Vanezza Grazziotim (PCdoB-AM), que estavam discursando, entenderam que foram xingadas de vagabundas. Jandira exigiu providências. — Não ouvi, mas a deputada disse que estavam nos chamando de vagabundas.


E a deputada Manoela D´Ávila (PCdoB-RS) contou que havia uma manifestante nos chamado de safadas — disse Vanessa.— Chamar de vagabunda é inadmissível! Minha proposta é que se esvaziem as galerias. Que se respeitem os parlamentares! — disse Jandira.

Os seguranças foram às galerias para retirar os manifestantes, a maioria ligada ao PSDB, e usaram até uma arma que dá choque. Os líderes dos partidos de oposição, então, subiram para proteger os manifestantes, e começou a briga.


Os mais exaltados eram os deputados Ronaldo Caiado (DEM-GO), líder da Minoria no Congresso, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Fernando Francischini (SD-PR) e Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) — este, o mais irritado, que chegou a empurrar e dar cotoveladas num segurança: — Me solte que eu sou deputado! — gritava.


Uma idosa de 79 anos, Ruth Gomes de Sá, afirmou ter sido agredida pelos seguranças. — Eles me deram uma gravata! — disse a aposentada, que disse ser ligada ao PSDB.


Num dos momentos mais tensos , os deputados Felipe Maia (DEM-RN) e Assis Melo (PCdoB-RS) trocaram acusações e empurrões.


Assis teve que ser contido por colegas do partido e Maia, pelos correligionários democratas, inclusive seu pai, o senador Agripino Maia (DEM-RN). Outro embate ocorreu entre Domingos Sávio (PSDB-MG) e Amauri Teixeira (PT-BA). — Disse ao Amauri que ele era gordo, mas não era dois! — contou Sávio, que está usando muletas por ter operado um dos joelhos.


Os manifestantes, parte deles convocada pelo deputado Izalci (PSDB-DF), registraram boletim de ocorrência por terem sido agredidos. O governo terá dificuldade para conseguir quorum hoje. — Foi uma vitória nossa (da oposição) — admitiu o líder do PSDB, Antônio Imbassahy (BA).

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) reagiu. - O senador Renan aceitou que partidos da base, em especial o PT, deixassem as galerias vazias, ao não distribuírem as suas senhas. Esse sim, um acinte, um desrespeito ao Congresso Nacional. Ao impedir o povo brasileiro de participar desta sessão, radicalizou-se o clima. E é uma ilusão porque o povo está participando nas redes sociais, em casa, nas universidades e vai participar cada vez mais.


Faltou a meu ver, aqui hoje, respeito à democracia - disse Aécio. (O Globo)

Petrolão Solidários ao juiz Sergio Moro, ministros do STJ protestam contra roubalheira



Ministros do STJ, como Félix Fischer, desabafam contra corrupção no País

Publicado: 26 de novembro de 2014 às 9:26 - Atualizado às 12:53

Ministro Felix Fischer: brado de indignação


Durante julgamento de recurso que manteve a prisão de João Procópio de Almeida Prado (ligado ao megadoleiro Alberto Youssef), na Operação Lava Jato, ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) elogiaram a atuação do titular da Vara Criminal Federal de Curitiba, juiz Sérgio Moro, e desabafaram contra o espantoso caso de corrupção do Petrolão, iniciado no governo Lula e desbaratado há oito meses.


O ministro Félix Fischer, por exemplo, que até há poucos meses presidiu o STJ, disse que a corrupção no Brasil está entre as maiores do planeta. E afirmou, taxativamente: “Acho que nenhum outro país viveu tamanha roubalheira”.
min Newton Trisotto
Ministro Newton Trisotto


O ministro Newton Trisotto, relator do processo em exame na sessão de ontem, disse que a corrupção brasileira é “uma das maiores vergonhas da humanidade”.

Ele ressaltou a extensão da Operação Lava-Jato, ao revelar cifras bilionárias.


“Pelo valor das evoluções, algo gravíssimo aconteceu”, afirmou Trisotto.


O relator Newton Trisotto pediu ainda “coragem” para o juiz Sérgio Moro, citando o jurista Ruy Barbosa ao dizer que um juiz não pode ser covarde: “Não há salvação para o juiz covarde. O juiz precisa ter coragem para condenar ou absolver os políticos e os economicamente poderosos”.

Está tudo dominado!!Delator do Petrolão diz que há corrupção em todas as áreas do governo


Petrolão
Costa garante que corrupção domina o governo

Publicado: 3 de dezembro de 2014 às 0:24 - Atualizado às 0:27

paulo roberto costa by jefferson rudy
Paulo Roberto Costa surpreendeu na CPMI, falando quase tudo


Convocado para acareação com o ex-colega Nestor Cerveró, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa prestou inesperado serviço às investigações, oferecendo o mote para que Congresso, Polícia Federal e Ministério Público Federal passem o País a limpo.



Ele revelou que o esquema de corrupção no governo Dilma não se restringe ao Petrolão: está nas áreas de portos, aeroportos, hidrelétricas, ferrovias e rodovias.


Paulo Roberto confirmou que em 2009 enviou e-mail a Dilma, então chefe da Casa Civil, alertando sobre fraudes na Petrobras. Foi inútil.


Quando Costa contou que recebeu aval de Sérgio Gabrielli para enviar e-mail a Dilma, Afonso Florence (PT-BA) sacou o celular e saiu da sala.


A tropa do PMDB na Câmara boicotou a acareação dos ex-diretores na CPMI da Petrobras. A oposição acha que temiam ser desmascarados.


Responsável pelo Ministério dos Transportes e do DNIT, incluídos por Paulo Roberto na lista de suspeições, o PR logo será a bola da vez. Leia na coluna Claudio Humberto.

Parlamentares têm vergonha de falar na rua que são deputados, diz Cunha



O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) oficializou nesta terça-feira (2) sua candidatura à Presidência da Câmara mandando uma série de recados ao Planalto e defendendo que vai trabalhar para que deputados percam a "vergonha" de dizerem nas ruas que são congressistas.


Num ato na Câmara, ao lado de deputados principalmente do PMDB, Cunha sustentou que não representa uma candidatura de oposição e que lutará pela independência do Legislativo.


"Não tem candidatura que defenda oposição. Não terá candidatura submissa ao governo. Nada mais do que isso. Ninguém vai inventar a roda e fazer bravata. Queremos independência que não nos permita que sejamos submissos a qualquer vontade", afirmou.


Cunha enfrenta resistência do Planalto pois age como líder da oposição dentro do governo. Embora comande a segunda maior bancada da Casa e principal aliado do PMDB, é conhecido por armar rebeliões, medir forças e nunca dinamitar pontes com a oposição.



Pedro Ladeira/Folhapress
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) durante lançamento de sua candidatura à presidência da Câmara
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) durante lançamento de sua candidatura à presidência da Câmara  

Ele tem tentando se aproximar do Planalto e mostrar que não tem interesse em prejudicar o governo no comando da Casa. O vice-presidente, Michel Temer (PMDB), não esteve presente, mas o líder justificou que não o convidou porque era um ato interno.

Assumindo o papel de mestre de cerimônia, o atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), reforçou o discurso afirmando que o governo precisa entender que "aliado não implica em atender sempre suas vontades".

Cunha se comprometeu com uma gestão para melhorar a administração da Casa para resgatar o orgulho parlamentar.

"Buscando melhores condições de trabalho para os nossos parlamentares para que possam exercer com dignidade e perder a vergonha de dizer que é deputado fora daqui. Do jeito que as coisas estão indo, os nossos parlamentares se envergonham de na rua poder falar que são deputados em alguns lugares. Trabalhar de tal maneira que todos saem desse processo ao fim orgulhosos", afirmou.

Cunha formalizou sua campanha para tentar ganhar apoios. Até agora, ele fechou aliança com Solidariedade e PSC. Esperar conquistar PTB e PR nos próximos dias. A estratégia é isolar o PT.

Para ganhar votos, Cunha acertou dez compromissos que enchem os olhos dos congressistas, como a construção imediata de um novo prédio para abrigar novos gabinetes, cobertura das atividades dos parlamentares nos Estados pela TV Câmara e a equiparação do salário dos deputados ao dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Atualmente, os deputados ganham R$ 26,7 mil e os ministros R$ 29,4 mil. Até o fim do ano o Congresso deve aprovar um reajuste, elevando os vencimentos do STF para R$ 35,9 mil e as próprias remunerações para cerca de R$ 33 mil.


Essas propostas são reeditas nas últimas disputas pelo comando da Casa, mas não saíram do papel.

Em uma cartilha repassada aos colegas, Cunha diz que é conhecido por ser "um homem de palavra e que mesmo aqueles que não simpatizam com ele reconhecem sua capacidade e respeito a compromissos firmados".

O slogan de Cunha é "Câmara independente, democracia forte". O material o apresenta ainda como "A voz da Câmara". A eleição da Câmara deve ocorrer no dia 1 de fevereiro.

FHC diz que 'agora sabe' de onde veio o dinheiro que financiou PT na eleição

Folha


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta terça-feira (2) que "agora a gente sabe de onde vem" o dinheiro que financiou a "máquina" petista na última eleição presidencial. A afirmação foi feita após palestra de convidados do instituto que carrega o nome de FHC, no início desta noite, na capital paulista.


O tucano ouviu os dois palestrantes convidados e, ao final, falou rapidamente sobre as dificuldades que avalia que o governo Dilma Rousseff (PT) vai enfrentar no novo mandato, entre elas o escândalo de corrupção na Petrobras.


O tom da crítica do ex-presidente vai ao encontro a polêmica avaliação feita pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) que disputou o Planalto contra Dilma. Em entrevista ao jornalista Roberto Dávila, da Globo News, Aécio disse não ter perdido para um partido político, mas para uma "organização criminosa", em referência à suposta ligação de petistas e pessoas ligadas à base do governo com os desvios na maior estatal do país.


Numa rápida avaliação sobre o resultado da última disputa, FHC disse que o resultado obtido por Aécio, quase 49% dos votos válidos, foi "excepcional" e completou: "Foi excepcional chegar tão longo, especialmente disputando contra uma máquina que tem tanto dinheiro, e que agora a gente sabe de onde vem". O ex-presidente referia-se à suposta propina que teria abastecido as campanhas do PT, PMDB e PP, paga por empresas que contratam com a Petrobras.


Para o ex-presidente, a situação da presidente reeleita é "muito dura". "Seria dura para qualquer um e ainda mais para uma pessoa que sabidamente não tem a paciência de escutar", avaliou.


O ex-presidente disse não torcer por uma crise, mas afirmou que existem muitos "fios desencapados" no caminho da próxima gestão, entre eles o cenário de desgaste da economia internacional, que se agravou nas últimas semanas, a necessidade de um ajuste fiscal para reequilibrar as contas brasileiras e a instabilidade política no Congresso, motivada também pelo desencadeamento da operação Lava Jato, que investiga a Petrobras.


Para FHC, será preciso que Dilma, ou alguém muito próximo a ela, mostre uma grande capacidade de liderança política. "Tomara que o Levy (Joaquim Levy, economista anunciado como novo ministro da Fazenda) suba e se mostre um grande líder, ou que Dilma se transforme em uma dama de ferro. (...) Isso [o cenário que se desenha] não se resolve tecnicamente. Se resolve politicamente", concluiu.


FHC falou a cerca de 100 convidados após palestra do economista José Roberto Mendonça de Barros e do jornalista Fernando Rodrigues.

Não há o que celebrar, diz diretor de ONG sobre lugar do Brasil em ranking


Do UOL, em Brasília

  • Valter Campanato - 7.set.2013/ABr
    Manifestantes levantam faixa dizendo "corrupção não" durante protesto em 2013 Manifestantes levantam faixa dizendo "corrupção não" durante protesto em 2013
Alejandro Salas é o diretor para as Américas da ONG Transparência Internacional, com base na Alemanha, e que lança, anualmente, um ranking com base na percepção da corrupção do setor público de quase 200 países.
No levantamento divulgado nesta quarta-feira (3), 175 países e territórios foram avaliados. O Brasil subiu três posições em relação ao ranking do ano anterior e ocupa hoje o 69º lugar. Apesar da aparente melhora, Salas disse em entrevista ao UOL que o fato de o país ainda estar na parte de baixo da tabela é uma "vergonha".


"Estar na parte de baixo do Índice de Percepção da Corrupção é uma vergonha. O Brasil deveria liderar pelo exemplo e ser uma referência para outros países na América Latina e fora dela", diz. 



Confira a entrevista completa:

UOL - De acordo com o Índice de Percepção da Corrupção de 2014, o Brasil melhorou sua posição no ranking. Isso significa que o Brasil é um país menos corrupto do que era no ano passado? Como explicar essa subida? Temos razões para celebrar?

Alejandro Salas - Você está certo. A nota brasileira subiu um pouco, mas é um crescimento de um ponto e isso é insignificante. Não há razão para celebrar. Pelo contrário, eu gostaria de dizer que o que nós observamos hoje no Brasil é uma imobilidade e para o Brasil isso não é uma boa notícia.

Um ano sem uma real ou substancial melhora significa um ano perdido em termos de melhora das condições de vida de milhões de brasileiros e em termos de fortalecimento da governança democrática no país. O Brasil está entre as maiores economias do mundo.


Recentemente, o Brasil tem demandando seu lugar como um poder econômico e geopolítico e estar na parte de baixo do Índice de Percepção da Corrupção é uma vergonha.


O Brasil deveria liderar pelo exemplo e ser uma referência para outros países na América Latina e fora dela. Eu insisto: mais um ano sem real ou substancial melhora é uma perda de tempo é ruim para o Brasil.


UOL - Os BRICs [grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] respondem por algumas das economias mais importantes do mundo,  mas como explicar que eles sejam tão mal avaliados no quesito corrupção?

Alejandro Salas -É difícil colocar todos esses países no mesmo 'cesto' quando se trata de boa governança e corrupção. Isso é possível quando se trata de indicadores econômicos, força de trabalho, populações, etc. Esse é o motivo pelo qual eles são chamados de BRICs. Mas quando se trata de corrupção, as coisas variam muito.


No Brasil, Índia e na África do Sul você tem democracias funcionando, com problemas e limitações, mas pelo menos as eleições livres acontecem, há liberdade de expressão e associação e outros princípios de vida democrática. Na China e na Rússia a história é diferente. Então, as origens e os tipos de corrupção podem ser bem diferentes.

Provavelmente o que eles [os países dos BRICs] compartilham é a disponibilidade de grandes volumes de recursos, muitas vezes nas mãos de poucas pessoas, e, no que se refere às corporações, há também uma urgência em competir com corporações de outros países.

Também há grandes populações vivendo na pobreza, da mesma forma que as instituições responsáveis por controlar, regular e estabelecer a lei a ordem ainda estão se desenvolvendo e são relativamente fracas. Esse 'coquetel' de fatores que eu listei está presente de uma forma ou de outra nos BRICs, abrindo as portas para abusos daqueles que querem e aprenderam como usar o sistema a seu favor.
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Veja os dez países mais corruptos do mundo, segundo ranking de ONG

171º - O Sudão do Sul é um dos países mais novos do mundo, mas já sofre com a elevada percepção sobre corrupção no setor público. O país, que conquistou a independência em julho de 2011, melhorou sua posição no ranking sobre corrupção divulgado neste ano pela ONG Transparência Internacional nesta quarta-feira (3). Em relação ao ranking de 2013, quando o país ocupava a 173ª posição, o Sudão do Sul avançou duas posições, mas ainda está entre os mais corruptos do mundo Leia mais Lynsey Addario/The New York Times
 
 
UOL - O Brasil está bem atrás de alguns de seus companheiros de América do Sul, como Chile e Uruguai. Quais as principais diferenças entre as percepções sobre corrupção nesses dois países e no Brasil?
Alejandro Salas - Esses dois países [Chile e Uruguai] estão bem na frente dos demais países da América Latina. Isso tem a ver com o fato de que eles têm fortes instituições por lá.

Eu sou do México e lá, assim como no Brasil, na Argentina, na Bolívia e muitos outros lugares, a instituição da 'polícia' é severamente infiltrada pelo crime organizado, tem poucos recursos e é normalmente vista como parte do problema e não da solução.

No Chile, isso é muito diferente. Os policiais são respeitados e as pessoas confiam neles. Isso faz uma enorme diferença na medida em que cidadãos estarão menos propensos a subornar um policial no Chile em comparação com o que aconteceria no Brasil ou no México.

Outras instituições consideradas 'chaves' e que ajudam a reduzir a percepção sobre a corrupção, quando elas são profissionais e respeitadas, são o Poder Judiciário e órgãos reguladores e controladores.

Uma coisa que o Brasil tem como um desafio adicional na comparação com o Chile e Uruguai é o tamanho do seu território e o sistema federativo.
Isto é, obviamente, mais difícil e precisa de mais trabalho quando você tem diferentes leis regulando diferentes níveis do território. Você pode ter progresso no nível federal ou em algumas províncias, mas problemas em outras províncias ou em algumas cidades podem prejudicar a percepção sobre a corrupção.

UOL - Como você certamente sabe, o Brasil está enfrentando um dos maiores esquemas de corrupção da sua história e que envolve a Petrobras, sua maior companhia estatal. Como você acha que isso pode influenciar o ranking do ano que vem?

Alejandro Salas - O escândalo da Petrobras é um triste lembrete da corrupção crescente e sistêmica. Nós estamos esperando que as investigações continuem e que não haja interferência no Poder Judiciário então, e que desta forma os corrupto, os 'grandes caras' no topo da pirâmide e não apenas os bodes expiatórios, como normalmente acontecem, não escapem se eles forem considerados culpados.

Voltando à questão, eu não posso afirmar com certeza [se o escândalo poderá influenciar o ranking de 2015] porque as percepções sobre corrupção são influenciadas por inúmeros eventos, mas não duvide que um escândalo tão grande terá efeitos na percepção sobre o país.

Entretanto, isso não é necessariamente negativo. Isso vai depender de como as autoridades vão lidar com isso. O que nós vemos como uma história triste hoje, como um caso negativo de abuso, se for administrado da forma apropriada, com liderança e determinação pelos líderes do país, poderá terminar sendo o começo de um novo Brasil.

Isso poderia ser o que nós chamamos em inglês de "game changer" (algo como 'virada de mesa'). Em outras palavras, um evento que ajuda a mostrar que existe um "antes" e um "depois". Que o Brasil é uma democracia séria que quer atuar de forma significativa no mundo global.

UOL – O caso da Petrobras está sendo tratado como a primeira vez na história brasileira em que executivos das maiores empresas do país estão indo para a cadeia. Na medida em que a corrupção no setor público existe, em larga medida, porque há corruptores no setor privado, é possível acreditar que esse episódio terá algum caráter pedagógico?

Alejandro Salas - Eu acredito que a comunidade empresarial pode aprender porque eles irão aprender, principalmente se eles virem que existe um custo para eles. Se os chefes de grandes e influentes companhias forem considerados culpados e forem para a prisão, isso vai mandar uma mensagem para todo mundo que faz negócios no Brasil.

Se a reputação da companhia é afetada e isso trouxer custos para a companhia, eles irão aprender. Mas, ao contrário, se ninguém for punido pelos escândalos na Petrobras, então todo mundo vai aprender que no Brasil, o Estado de Direito é uma piada que dinheiro é tudo o que importa no país.

Como eu disse antes, a atitude que líderes no país tomarão será a chave para o futuro do país. Eles têm uma responsabilidade agora que o escândalo da Petrobras está diante deles.

UOL - O julgamento do mensalão teve alguma influência na percepção sobre a corrupção no Brasil? Alguns dos entrevistados mencionou alguma mudança vinda desse caso específico?

Alejandro Salas -Eu, pessoalmente, tive altas expectativas quando o caso apareceu na mídia. Eu tive, por algum tempo, a ilusão e elogiei o Brasil por realizar mudanças estruturais como a Lei da Ficha Limpa, a Lei de Acesso à Informação, a criminalização de companhias corruptas etc, enquanto permitia que a Justiça funcionasse e punisse os poderosos e corruptos.

Entretanto, isso não durou muito. Poucas pessoas passaram muito pouco tempo na cadeia e esse processo perdeu o seu impulso. Eu não acho que eu sou o único que pensou dessa forma.

Com certeza, algumas pessoas podem ainda ver isso como algo positivo para a história do Brasil, enquanto para outras, a ilusão do mensalão já desapareceu. Provavelmente, isso também ajuda a explicar porque o Brasil continua na mesma posição no índice.

UOL - Quais são os principais obstáculos que o Brasil precisa superar para melhorar sua posição nos rankings dos próximos anos?

Alejandro Salas - Existem, obviamente, muitas coisas que precisam acontecer non nível das leis, das regras administrativas, educação, incentivos, punição, etc. Mas se você olhar a questão como um todo, os grandes itens que o Brasil precisa enfrentar são:

Acabar com a tolerância com a impunidade em casos de corrupção, especialmente grandes casos de corrupção relacionados a processos rumorosos, abuso político e outros. Petrobras é a oportunidade e eles precisam agarrá-la.


A credibilidade na política e nos políticos precisa, urgentemente, mudar. A reforma política é necessária. As pessoas precisam confiar nos partidos e nos políticos novamente.

Na maior parte das pesquisas, tanto os partidos quanto o Parlamento aparecem com os menores índices de confiança no que se refere a corrupção. Isso não pode continuar. Cidadãos precisam conhecer quem financia os políticos e com quanto.

Eles precisam ser capazes de saber para quem eles estão votando e, obviamente, os políticos precisam ser responsáveis por seus eleitores. Isso não é ciência de foguetes. É democracia básica.

Outra área muito importante tem a ver com investimento público e grandes negócios de infraestrutura. Você se lembra dos escândalos sobre a Copa do Mundo?

Agora, eles não são tão populares, mas havia muita raiva relacionada ao gasto de tanto dinheiro em estádios enquanto a infraestrutura básica estava faltando, era insuficiente ou caindo aos pedaços. O setor público precisa ser extremamente transparente e limpo nas decisões relacionadas a investimentos que eles tomam.

Por último, é preciso prestar atenção aos Estados, especialmente aos mais pobres onde há mais necessidades e àqueles onde há mais recursos na medida em que eles se tornam mais atrativos a esquemas de corrupção.
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Veja o que o governo poderia fazer com dinheiro recuperado da corrupção desde 2010

Como dinheiro recuperado pela AGU (Advocacia-Geral da União) entre 2010 e 2014, seria possível construir 15,7 mil casas populares com valor médio de R$ 76 mil. Desde 2010, a AGU conseguiu recuperar R$ 1,2 bilhão referentes a crimes de corrupção e improbidade administrativa Leia mais Divulgação

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Após morte de 200 periquitos no AM, telas são retiradas de palmeiras

 02/12/2014 19h03


Bombeiros retiraram telas de palmeiras imperiais após exigência do Ipaam.
Periquitos foram achados mortos na última quinta; outros foram resgatados.


Jamile Alves Do G1 AM
Telas foram retiradas pelo Corpo de Bombeiros por exigência do Ipaam (Foto: Jamile Alves/G1 AM)Telas foram retiradas pelo Corpo de Bombeiros por exigência do Ipaam 
 
 
 
As telas que cobriam as copas de palmeiras imperiais do Condomínio Residencial Ephigênio Sales, na Zona Centro-Sul de Manaus, foram retiradas pelo Corpo de Bombeiros, na tarde desta terça-feira (2). A medida foi adotada por exigência do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), após aves ficarem presas.


Na quinta-feira (27), 200 periquitos verdes de asa branca foram encontradas mortos nas proximidades do local. A polícia investiga o caso e há suspeita de envenenamento.


As telas foram instaladas em 2012 com a justificativa de que os animais estavam prejudicando a copa das palmeiras imperiais do condomínio, ao dormirem no local. A estrutura deveria ficar um mês nas árvores, mas continuou sendo usada após mais de dois anos.



Na noite deste sábado (29), bombeiros realizaram uma operação de resgate das aves, que estavam presas sob as redes, abrindo as telas, mas não retiraram os itens.


Segundo a gerente de fauna do Ipaam, Sônia Canto, as telas modificam o abrigo natural das aves. "O órgão foi acionado e nós devemos dar uma resposta. As telas estão modificando o abrigo das aves. Não o habitat natural, pois as árvores são exóticas e foram instaladas aqui pelo condomínio, mas antes do residencial existir os animais já faziam desse espaço seu abrigo e isso precisa ser respeitado", contou.


Em entrevista ao G1 neste domingo (2), o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Mario Cohn-Haft, informou que a escolha dos pássaros pela área onde fica o residencial se deve às condições seguras para dormir oferecidas pelas palmeiras.



No entanto, com as telas instaladas nas árvores, a área passou a oferecer risco para os periquitos. "As telas obrigam as aves a procurarem outros lugares menos protegidos, inclusive as árvores de copa baixa no meio-fio, onde estão mais vulneráveis a vários tipos de ataque, até por pessoas mal intencionadas", disse.
Telas haviam sido instaladas em 2012 para proteger copa das árvores (Foto: Jamile Alves/G1 AM)Telas haviam sido instaladas em 2012 para proteger copa das árvores 
 
 
A bióloga e ativista Fabíola Pereira, de 27 anos, acompanhou a retirada das telas. Ela, que fez parte de um protesto realizado neste sábado (29) contra a morte de 200 periquitos verdes de asa branca na área, disse se sentir vencedora de uma luta.


"Esteticamente falando, as árvores são caras e ficam com a folhagem baixa por conta dos periquitos. O condomínio colocou as telas com o pressuposto de que estariam protegendo as árvores dos pássaros, mas as palmeiras estão com a folhagem toda escurecida, pois as redes prejudicavam a fotossíntese plena da planta", contou.



Telas
Os animais mortos foram encontrados nas proximidades do Condomínio Residencial Ephigênio Salles, onde, em janeiro de 2012, telas de proteções foram instaladas nas copas de palmeiras para evitar a morte das plantas.
Telas foram retiradas na tarde desta terça-feira (2) (Foto: Jamile Alves/G1 AM)Telas foram retiradas na tarde desta terça-feira (2) 
 
 
Na época, o chefe da fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Wellington Alzier, havia informado que a tela de proteção impedia que aves, que todos os dias pousam no local, destruíssem as copas das palmeiras.


A ação causou polêmica entre representantes de Organizações não governamentais (ONGs) de proteção dos animais. Na ocasião, a Semmas informou ainda que, após um mês, seria realizada a retirada das telas para verificar se as aves retornariam ao local ou se já estariam utilizando outras áreas como dormitório. Após dois anos, as telas permanecem nas palmeiras.
Pássaros mortos estavam na via e no meio-fio da avenida (Foto: Diego Toledano/G1 AM) 
 
Pássaros mortos estavam na via e no meio-fio da
avenida 
 
 
Entenda o caso
Cerca de 200 periquitos foram encontrados mortos, na manhã de quinta-feira (27), na Avenida Efigênio Sales, situada na Zona Centro-Sul de Manaus. A suspeita é de que as aves tenham sido envenenadas. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) apura o caso.


Por volta das 10h30 desta quinta, os animais estavam caídos na pista, no sentido bairro/centro, e no meio-fio da avenida. Uma testemunha, que não quis ser identificada, relatou, ao G1, ter visto na noite da quarta-feira (26) um homem mexendo na árvore e no chão próximo ao local onde os animais estavam. Ela afirmou acreditar que se tratasse de veneno.


O IPAAM informou, por meio da assessoria de comunicação, que uma equipe do departamento de fauna será enviada ao local para apurar a situação e apontar um diagnóstico sobre o que resultou na morte dos pássaros. O resultado das investigações será divulgado após análise dos órgãos das aves mortas.

Costa se diz 'arrependido' e fala em 'dezenas' de políticos envolvidos


  02/12/2014 21h36

Em prisão domiciliar, ex-diretor da Petrobras foi levado para sessão de CPI.
Objetivo da comissão era acareação com outro ex-diretor, Nestor Cerveró.


Priscilla Mendes Do G1, em Brasília
 O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos presos da Operação Lava Jato, se disse nesta terça-feira (2) "arrependido", mas afirmou que não responderia a perguntas durante a sessão de acareação promovida pela CPI mista da Petrobras entre ele e o ex-diretor da área Internacional da empresa Nestor Cerveró.


Aos questionamentos dos parlamentares, ele se limitou a afirmar, repetidamente, que tudo o que tinha a dizer estava detalhado nos depoimentos que deu por meio de delação premiada à Justiça Federal, sem revelar o conteúdo.

Mesmo assim, na última pergunta dirigida a ele, após mais de três horas de sessão, Paulo Roberto Costa afirmou que há "dezenas" de políticos envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras.


Em resposta ao deputado Enio Bacci (PDT-RS), que indagou quantos políticos estariam envolvidos, o ex-diretor afirmou: "O senhor não pode me deixar numa situação aqui meio constrangedora, mas, algumas dezenas."


O objetivo da acareação entre Costa e Cerveró era esclarecer pontos divergentes entre os depoimentos dos dois ex-diretores da Petrobras dados anteriormente à CPI. Ambos são suspeitos de envolvimento em esquema de desvio de dinheiro da estatal investigado pela Polícia Federal.

Costa fez acordo de delação premiada com a PF e o Ministério Público para coloborar com as investigações em troca de benefícios, como a prisão domiciliar. Cerveró disse desconhecer a existência do suposto esquema.



A sessão
A CPI deu início por volta das 14h45 à sessão destinada à acareação entre os dois ex-diretores. Em sua primeira fala, Paulo Roberto Costa, avisou que iria se valer do direito de ficar calado e que não responderia aos questionamentos dos parlamentares devido ao processo de delação premiada firmado com a Justiça.
Preso em regime domiciliar no Rio de Janeiro, ele teve de ser escoltado pela Polícia Federal da capital fluminense a Brasília.

“Estou vindo aqui pela segunda vez. Na primeira eu não respondi a nenhuma pergunta, permaneci calado devido ao processo de delação e desta segunda vez eu também não vou responder a nenhuma pergunta devido a esse processo que estou passando. Todas as dúvidas com relação a esse processo foram esclarecidas ao Ministério Público, à Polícia Federal e ao juiz de Curitiba.


Isso por conta de todo o processo de delação, que foi bastante exaustivo e longo. Eu não tenho nada a acrescentar. Tudo o que eu precisava falar consta desses depoimentos de delação que estão nas mãos dessas pessoas”, afirmou Costa no início da sessão.

A intenção dos parlamentares era confrontar as duas versões divergentes apresentadas pelo ex-diretores. Durante depoimento prestado em acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa teria apontado Nestor Cerveró como um dos funcionários da Petrobras beneficiados pelo suposto esquema de pagamento de propina instalado na empresa. Cerveró, porém, disse durante depoimento à CPI mista, em setembro, que desconhecia a existência do esquema.


Desde o governo Sarney, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma, todos os governos, os diretores da Petrobras e de outras empresas, se não tivesse apoio político, não chegava a diretor. Infelizmente eu me arrependo amargamente, estou fazendo minha família sofrer, infelizmente aceitei uma indicação política. Estou extremamente arrependido por isso. aceitei esse cargo e esse cargo me deixou onde eu estou hoje. Se eu pudesse eu não teria feito isso."
Paulo Roberto Costa, foi ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras
Paulo Roberto Costa
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que reafirmava tudo o que disse durante a delação premiada, mas não respondeu aos questionamentos dos integrantes da CPI sobre o conteúdo dos depoimentos à Justiça.


Ex-servidor de carreira da Petrobras, Costa disse que se arrependeu de ter aceitado uma indicação política para ser diretor da estatal. Ele afirmou que aceitou em razão do sonho de chegar "quem sabe a presidente". Segundo o ex-diretor, "desde o governo [José] Sarney" todos os diretores chegaram aos cargos por indicação política.


“Desde o governo Sarney, governo Collor, governo Itamar, governo Fernando Henrique – todos –, governo Lula, governo Dilma, todos os diretores da Petrobras e diretores de outras empresas, se não tivessem apoio político, não chegavam a diretor. Isso é fato. Pode ser comprovado", declarou.


"Infelizmente, eu me arrependo amargamente, porque estou sofrendo isso na carne, estou fazendo minha família sofrer, infelizmente, aceitei uma indicação política para assumir a Diretoria de Abastecimento. Infelizmente. Estou extremamente arrependido de ter feito isso. Se tivesse oportunidade de não o fazer, não faria novamente isso", afirmou.


O ex-diretor afirmou que “o que acontecia na Petrobras, acontece no país inteiro”. Acrescentou que resolveu fazer a delação premiada depois de passar seis meses preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.


“Até que resolvi fazer a delação de tudo o que acontecia na Petrobras, e não só na Petrobras. Isso está no noticiário: o que acontecia na Petrobras, acontece no Brasil inteiro - nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, nos aeroportos, nas hidrelétricas. Isso acontece no Brasil inteiro. É só pesquisar. É só pesquisar porque acontece”, afirmou.


Ele disse ainda que pediu demissão da Petrobras, em 2012, porque “não aguentava mais a pressão” para resolver problemas que não eram da área dele. Costa afirmou que decidiu fazer a delação premiada aconselhado pela família. As duas filhas e os dois genros do ex-diretor são acusados de destruir provas a fim de dificultar o trabalho de investigação da polícia.


“Quem me colocou com clareza a orientação da delação foi minha esposa, filha, genros e netos. Eles disseram: ‘Paulo, por que só você? E os outros? Você vai pagar sozinho?’ Então fiz a delação para dar sossego para minha alma e por respeito e amor à minha família”, completou.


O que acontecia na Petrobras acontece no país inteiro, nas rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hidrelétricas no Brasil inteiro. É só pesquisar porque acontece."
Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras
Costa esclareceu um e-mail que mandou em 2009, quando ainda era diretor da estatal, a Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil.


O documento foi revelado por reportagem na revista "Veja" em novembro. Ele afirmou que enviou a mensagem por orientação da Casa Civil. “Não houve atropelo de hierarquia como a imprensa disse”, declarou.


"Em relação à hierarquia, me foi solicitado que fosse passado diretamente. Era de conhecimento do presidente da companhia e, contrariando o que saiu pela imprensa, de que aquilo iria me favorecer em continuar com aquele processo, não é verdade, porque aquele processo estava me enojando. Eu não estava satisfeito com aquele processo."


Indagado sobre o que significava estar "enojado", ele respondeu: "Quando você está num processo desse, é um processo que você entra e não tem como sair. E eu saí desse processo, em 2012 eu entreguei minha carta de demissão".


O ex-diretor disse que tentou “quebrar” o cartel de grandes empresas que atuavam na Petrobras colocando companhias menores, mas não teve sucesso. Ele chegou a tratar do assunto internamente, mas não conversou com Dilma ou Lula diretamente.

Segundo Costa, havia “dificuldade” em firmar licitações devido aos altos preços combinados entre as concorrentes. Somente na refinaria Abreu e Lima, afirmou, uma mesma licitação teve que ser refeita quatro vezes porque os preços estavam “exageradamente altos”.


Nestor Cerveró
O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró foi indagado sobre se teria recebido propina para firmar contratos com empreiteiras na Petrobras. Ele negou e afirmou  desconhecer o que foi dito por Paulo Roberto Costa na delação premiada.


"Eu, a exemplo dos senhores, não conheço os termos de delação premiada. Eu não vou responder a perguntas que eu desconheço. Eu ratifico o que eu disse aqui. Não recebi [propina]", disse Cerveró.


Questionado mais uma vez sobre a existência do esquema de corrupção na Petrobras, Nestor Cerveró afirmou que "desconhecia" o pagamento de propina na estatal. "Por desconhecer, para mim, não havia", explicou.


Eu, a exemplo dos senhores, não conheço os termos de delação premiada. Eu não vou responder a perguntas que eu desconheço. Eu ratifico o que eu disse aqui. Não recebi [propina]."
Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras
O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) reproduziu durante a sessão trecho de gravação de um depoimento que Costa prestou ao juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná. Na gravação, o ex-diretor diz que Cerveró e o ex-diretor Renato Duque, que também está preso, foram beneficiados com pagamento de propina.

“O senhor está sendo acusado formalmente, no âmbito da Operação Lava Jato, de receber propina. Quem é o político que o indicou? O que o senhor tem a dizer agora que o senhor está sendo confrontado?”, questionou Lorenzoni. “Eu não sei qual é o político e eu nego essa acusação”, respondeu Cerveró.


Depois, em resposta ao deputado Marcos Rogério (PDT-TO), Nestor Cerveró classificou como “ilação” a acusação de Paulo Roberto Costa.


“Eu volto a repetir que nego isso [recebimento de propina]. Eu posso debitar isso na conta de uma ilação do Paulo. Eu desconheço esse tipo de pagamento”, respondeu.


Eu volto a repetir que nego isso [recebimento de propina]. Eu posso debitar isso na conta de uma ilação do Paulo. Eu desconheço esse tipo de pagamento."
Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras
O deputado perguntou então se Costa faz “conspiração” contra o ex-colega. “Eu não falei em conspiração, eu falei em ilação”, destacou Cerveró.


Cerveró ainda reiterou que não sabe qual político do PMDB o teria indicado para a diretoria Internacional da Petrobras. Ele afirmou que conhece Fernando Soares, conhecido por Fernando Baiano, apontado como operador do partido no esquema.


“Eu o conheço como representante de empresas do exterior, mas desconheço o relacionamento dele com o partido”, afirmou.


Encerramento da sessão
A sessão foi encerrada pelo presidente em exercício da CPI, senador Gim Argello (PTB-DF), por volta das 18h porque teve início a sessão deliberativa no plenário do Senado, o que, de acordo com o regimento, interrompe o funcionamento de comissões.

A oposição reclamou do encerramento do que chamaram de “sessão histórica”. “Já fizemos sessões longuíssimas em CPIs e nunca tivemos encerramento devido à ordem do dia. É um crime interromper essa sessão”, protestou Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

O deputado Izalci (PSDB-DF) disse que o fim dos depoimentos foi uma manobra dos governistas. “Mostra o desespero da base do governo para não dar continuidade a essa importante sessão”, afirmou.

Quase toda a acareação foi conduzida pela oposição, já que, além do relator temporário, Afonso Florence (PT-BA), apenas dois parlamentares governistas, o deputado Sibá Machado (PT-AC) e a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), dirigiram perguntas aos depoentes – nenhum peemedebista usou a palavra.

O líder do PT, senador Humberto Costa (PT-PE), assistiu a parte da sessão, mas não se manifestou. Segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", Paulo Roberto Costa disse em depoimento que a campanha do senador em 2010 foi favorecida com o dinheiro irregular, o que ele nega.
Arte Operação Lava Jato 14/11/2014 (Foto: Editoria de Arte / G1)
 

Ranking de corrupção coloca Brasil em 69º lugar entre 175 países

03/12/2014 06h48


Estudo da Transparência Internacional analisa percepção de corrupção.
Dinamarca é o país menos corrupto entre os avaliados.

Do G1, em São Paulo

Relatório da organização Transparência Internacional sobre a percepção de corrupção ao redor do mundo divulgado nesta quarta-feira (3) aponta que o Brasil é o 69º colocado no ranking entre os 175 países e territórios analisados.



A Dinamarca lidera como país em que a população tem menor percepção de que seus servidores públicos e políticos são corruptos.



O país mais transparente registrou um índice de 92 – a escala vai de 0 (extremamente corrupto) a 100 (muito transparente). O índice brasileiro foi de 43 - um ponto a mais que em 2013, quando o país ficou em 72º lugar, quando 177 países foram analisados -, ou seja, o Brasil melhorou sua posição, mas piorou sua nota.


O Brasil divide a 69ª colocação com mais seis países: Bulgária, Grécia, Itália, Romênia, Senegal e Suazilândia.

Transparência Internacional é referência mundial na análise da corrupção. O relatório é elaborado anualmente desde 1995, a partir de diferentes estudos e pesquisas sobre os níveis de percepção da corrupção no setor público de diferentes países.

Nenhum país dos 175 citados recebeu pontuação máxima, segundo a ONG, que tem sede em Berlim.


Outros países
No topo da lista dos países mais “honestos”, está em segundo lugar a Nova Zelândia, seguida de Finlândia (3º), Suécia (4º), Noruega (5º), Suíça (6º), Cingapura (7º), Holanda (8º), Luxemburgo (9º) e Canadá (10º).


Os Estados Unidos ficaram em 17º lugar, empatados com Barbados, Hong Kong e Irlanda.


Os países mais corruptos entre os analisados, segundo o estudo, são Coreia do Norte e Somália – os três alcançaram índice 8.


A tabela de honestidade na América do Sul tem Chile e Uruguai como países mais transparentes empatados no 21º, com índice de 73. O país mais corrupto é a Venezuela, com índice 19.

Contas de Agnelo são salvas pelos distritais

Com negociação da dívida ativa, GDF deve obter R$ 500 milhões este ano

millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br


Após várias reuniões, telefonemas, périplos por gabinetes e muita articulação política, o governador Agnelo Queiroz conseguiu vencer o assédio do governador eleito Rodrigo Rollemberg e aprovar, na Câmara Legislativa, o projeto que cria o Fundo Especial da Dívida Ativa (Fedat). A expectativa é de que, até o dia 31, entrem no caixa do governo cerca de R$ 500 milhões e o petista consiga pagar fornecedores e a folha de pagamento de servidores.


Rollemberg   tentou, pessoalmente, impedir a aprovação, com ligações telefônicas e até encontros com alguns deputados distritais. Mas foi em vão.


A base aliada do governador Agnelo e até a oposição votaram a favor do projeto. Com 15 favoráveis, dois contra e uma abstenção, o governo conseguiu, com folga, aprovar a proposta.


Três emendas da distrital Celina Leão (PDT), aliada de Rollemberg, foram rejeitadas e uma briga se instalou no plenário. De um lado, a deputada argumentava a favor das emendas, com assessoria da equipe de transição, que acompanhou a votação de perto. De outro, a líder de Governo, Arlete Sampaio (PT), tentava salvar uma emenda de sua autoria, que vai agilizar o processo para o GDF: o BRB será o gestor do fundo. Com isso, o dinheiro entra ainda mais rápido na conta.


Celina disse que as emendas não inviabilizariam o projeto, mas dariam mais transparência às ações do governo. Ela tentou, de várias formas, emplacar as alterações, mas foi vencida pelo acordo bem costurado pelo governador Agnelo.
Com Celina,  votou contra o projeto Paulo Roriz (PP). Joe Valle (PDT), que é da base de Rollemberg, nem sequer ao Plenário foi. Liliane Roriz (PRTB) se absteve, mas  votou a favor das emendas de Celina, assim como Benedito Domingos (PP), que votou a favor do projeto.

Surpresa
A surpresa  foi o distrital Alírio Neto (PEN), que já tinha declarado que estaria no plenário para tentar “inviabilizar a votação”. Mas recuou. Mesmo depois de ter conversado com  Rollemberg, Alírio resolveu ser favorável ao que chamou de “ato vergonhoso para a cidade”.

Logo após dizer “sim” ao projeto que salva as contas de Agnelo, ele pediu a palavra para dizer que votou a favor dos servidores públicos. “Vários servidores disseram que a não aprovação da proposta poderia atrapalhar o pagamento da folha. Fiquei do lado dos servidores”, disse, acrescentando que não tem acordo com o governador eleito.

Esperados pelo governo para engrossar o quórum, Cláudio Abrantes (PT) e Agaciel Maia (PTC) faltaram à sessão.

Para  transição, proposta “vai causar danos”
De um canto do plenário, o coordenador da transição, Hélio Doyle, assistiu à sessão. Para ele, a aprovação do projeto “premia o governador, que passou quatro anos gastando mal o dinheiro público”.

Visivelmente decepcionado com a aprovação da proposta, mesmo depois de todas as investidas do governador eleito, Doyle disse que o projeto aprovado “vai causar danos ao Distrito Federal”.

Para ele, o governo “está desesperado em busca de recursos, mesmo que seja de uma forma ilegal e irresponsável”.

“Estranheza”
Por meio da assessoria, o governador Agnelo Queiroz disse que fica impressionado com “a falta de informação”.

“Se dar reajuste salarial para diversas categorias, como saúde, segurança e educação, por exemplo, realizar centenas de obras, construir UPAs, clínicas da família, creches, o Expresso DF etc, é gastar mal, então não sei o que é investir bem o dinheiro público”, afirmou Agnelo.

Em crise notória com a equipe de transição, o governador disse que o novo governo não se mostra nem um pouco preocupado com a população do DF.
"Me causa estranheza a falta de sensibilidade política e a falta de compromisso”, disse.


Coordenador de Rollemberg critica medida
“Esse projeto é escancaradamente ilegal. É tão absurdo que é difícil acreditar que foi aprovado. Esperamos que os responsáveis sejam punidos.”

“A Câmara Legislativa legitimou uma ação ilegal e irresponsável do governo que está saindo. Este é um projeto que visa corrigir erros de quatro anos.”

“Para nós, não cria um clima ruim com a Câmara Legislativa, mas é difícil entender.”

“O que pude acompanhar foi um festival de besteiras de vários deputados que ocuparam o microfone para defender um assunto que não sabiam do que se tratava com argumentos ridículos.”


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília


Rollemberg tenta impedir votação de projeto que pode salvar as contas do GDF


millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br


Mais um capítulo da queda de braço entre o governador eleito Rodrigo Rollemberg e o governador Agnelo Queiroz deve ocorrer hoje, na Câmara Legislativa. Enquanto Agnelo conta com 16 distritais para aprovar o PL 2.049/2014, que autoriza a instituição do Fundo Especial da Dívida Ativa (Fedat), Rollemberg tenta, pessoalmente, esvaziar o Plenário para que a votação não ocorra na tarde de hoje.
O governo tem pressa para aprovar o projeto e, embora não confirme oficialmente, nos bastidores comenta-se que se o texto não for votado hoje, o governo não terá mais tempo de fechar as contas até o fim do mandato de Agnelo.





“A base do governo tem 18 deputados. Não é possível que não tenhamos 13 em plenário para votar”, dispara o coordenador de Assuntos Legislativos do GDF, José Willemann. Além dos 12 que foram ao plenário na quarta  passada, o GDF conta com Olair Francisco (PTdoB) e Benedito Domingos (PP), que saíram  antes da votação, e  Agaciel Maia (PTN) e Cláudio Abrantes (PT), que devem voltar hoje de viagem.


Willemann minimiza a dificuldade de aprovar o projeto, que tramita há duas semanas na Casa. “Tem deputado doente, deputado que estava fora da cidade e uma série de elementos que impediram a votação”, considera. Na opinião dele, hoje vai dar tudo certo. “Os deputados da base de governo atual têm o  compromisso de votar”, argumenta, esperançoso.


Interesses pessoais
Causou estranheza o fato de   deputados que apoiaram Rollemberg no segundo turno irem ao plenário, na semana passada, para dar quórum à votação. Comenta-se que estes teriam interesse pessoal na aprovação da proposta, já que contam com a promessa de terem faturas de empresas familiares pagas com os R$ 2 ou R$ 3 bilhões que devem entrar no caixa. 


Eleito conversa com distritais mais próximos
 
O coordenador da equipe de transição, Hélio Doyle, confirma que Rollemberg, pessoalmente, tem procurado os distritais mais próximos para pedir que eles esvaziem o quórum ou votem contra a proposta. Segundo ele, não há negociação ou promessas. “Só conversa”, confirma.
 
Doyle chamou o projeto de “tentativa desesperada de conseguir dinheiro” e disse que o governador eleito tem argumentado que a proposta “trará prejuízos ao DF”, além de ser uma “medida ilegal”.
 
Celina Leão (PDT), principal voz do novo governo na Casa, tenta convencer os pares de que a proposta não deve ser votada hoje. “Tem muitos líderes que não fecham acordo no projeto. Será que o governo vai passar por cima do colégio de líderes?”, questiona.
 
Na semana passada, Rollemberg telefonou a alguns distritais e tudo indica que seu pedido foi atendido, já que, na hora da votação, apenas 12 distritais estavam em plenário - é preciso quórum de pelo menos 13 deputados para votar e voto favorável de pelo menos 13 para aprovar. 
 
Os petistas teriam sido poupados pelas ligações do  novo governo, já que a aprovação do texto, para o partido, seria “questão de honra”
 
Saiba mais
 
O PSOL-DF protocolou ontem requerimento solicitando a retirada de  tramitação do PL nº 2.049/14,  que cria o Fundo Especial da Dívida Ativa (Fedat). 
 
O partido propôs ainda a criação de uma auditoria da dívida pública do DF e outra para apurar gastos com a construção do Estádio Nacional.
 
No texto, o PSOL manifesta preocupação com as finanças  do DF, "que se encontram numa situação quase falimentar, devendo chegar ao fim do ano com um déficit público superior a R$ 2 bilhões, podendo chegar a R$ 3,1 bilhões".
 
 
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

Confusão impede votação de projeto do ajuste fiscal


Um grande tumulto na noite desta terça-feira entre seguranças do Senado e um grupo de cerca de 30 pessoas que se manifestavam nas galerias contra a votação do projeto que flexibiliza o ajuste fiscal levou à suspensão da sessão que analisaria a proposta. 
Os policiais do Senado utilizaram armas de choque contra as pessoas que estavam no local e estas foram protegidas por deputados da oposição. Sem mais o que fazer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou que a sessão será reaberta amanhã, às 10 horas.

A confusão começou porque durante discurso da senadora Vanessa Graziotin (PC do B-AM) em defesa do projeto do governo, alguns manifestantes gritaram: "Vai pra Cuba". A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) entendeu que as galerias estavam chamando a colega de "vagabunda".


Disse que isso era inadmissível. E pediu a Renan que retirasse os manifestantes das galerias. Imediatamente Renan deu a ordem para que os seguranças agissem. Entre os manifestantes estavam alguns partidários do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) e pessoas que articulam encontros por redes sociais, a exemplo do grupo chamado "Brasil livre".


Os seguranças foram truculentos. O professor de História Alexandre Ângelo Seltz, de 27 anos, foi atingido por uma arma de choque. "Ele disparou o taser e eu apaguei. Não vi mais nada. É a truculência da ditadura socialista que eles querem implantar no Brasil", afirmou. Um outro professor que estava com um lenço tapando a boca gritava: "ditadura, ditadura".


O policial o empurrou. Imediatamente, o manifestante gritou: "Maria do Rosário, estão me batendo". Maria do Rosário (PT-RS) foi ministra dos Direitos Humanos.


O segurança fez ameaças: "Você vai se dar mal. Cala a boca". E, de fato, o professor foi o primeiro a ser pego pelos policiais. Mas, neste momento, um grupo de parlamentares da oposição subiu às galerias e começou a proteger os manifestantes, que gritavam: "Ô Izalci, não deixem tirar a gente daqui".


Um pouco ao fundo, a administradora Ruth Gomes de Sá, de 79 anos, foi agarrada por outro agente do Senado, que lhe deu uma gravata e uns tapas na cara. A mulher gritou, se livrou e enfiou as unhas no policial. Depois, outro segurança lhe deu uma rasteira. Abaixo, um agente ameaçava todos com uma arma de choque.


Nesse momento, os deputados Fernando Francischini (SD-PR), Mendonça Filho (DEM-PE), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Marchezan Júnior (PSDB-RS), Antonio Imbassahy (PSDB-BA), Abelardo Lupion (DEM-PR) e Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) começaram a se agarrar aos manifestantes para impedir que eles fossem retirados pela segurança. Muitas vezes os parlamentares eram espremidos entre a grade que separa as arquibancadas das galerias, o segurança e as poltronas. Faria de Sá perdeu a paciência num determinado momento e gritou: "Não me empurra. Eu sou deputado".


Ao comentar o tumulto, Renan não citou o deputado Izalci. Mas disse que os manifestantes agiam sob encomenda "É um caso único no Congresso Nacional. Vinte e seis pessoas assalariadas tumultuando e paralisando o Congresso Nacional".

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que havia pedido para que as galerias fossem abertas para público, disse que o projeto do governo causará um dano ao Brasil. E que o PT queria impedir a presença de público nas galerias. "O grave equívoco foi não permitir, depois de ficar claro que a base e o PT não queriam que as pessoas acompanhassem a sessão, que as pessoas que aqui estavam pudessem participar. Ao impedir a abertura das portas das galerias acirrou-se o clima", disse.


"A meu ver o mais grave é o decreto que vincula a liberação de emendas à aprovação desta proposta, como se a presidente tivesse colocado um cifrão na testa de cada parlamentar", afirmou Aécio. Para o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), a oposição tentou um golpe. "O que aconteceu hoje foi um golpe à democracia. Temos uma maioria constituída e a oposição foi para a galeria obstruir a sessão. Vi diversos parlamentares da galeria comandado um processo para inviabilizar a votação".

Fonte: Estadão Conteúdo  Jornal de Brasilia