Árvore em campo de soja faz parte de mostra sobre devastação no planeta
Um barco à deriva em meio ao vazamento de
petróleo provocado pelo acidente da plataforma petrolífera Deepwater
Horizon, no Golfo do México, em abril de 2010. Foto: Causa e
Efeito/Daniel Beltrá
Uma
exposição fotográfica no Estado americano do Novo México mostra algumas
faces da devastação causada pela ocupação humana e por fenômenos
naturais no planeta.
A mostra, chamada de "Causa e Efeito", está
em cartaz na galeria Verve até o dia 5 de setembro e conta com o
trabalho de cinco fotógrafos de várias partes do mundo.
Em comum entre eles está a convicção de que o compartilhamento destas imagens pode ajudar a construir um mundo melhor.
"O
estado frágil de nossos ecossistemas é um fio condutor de meu trabalho.
É na beleza e na complexidade da natureza que tiro encontro minha
inspiração", disse Daniel Beltrá, fotógrafo espanhol que vive em
Seattle, nos Estados Unidos, e participa da exposição.
"Minhas fotografias mostram a vasta transformação que nosso mundo está sofrendo devido às pressões criadas pelo homem."
Uma castanheira caída em meio a um campo de soja
criado a partir da derrubada de árvores na Floresta Amazônica, no
Brasil. Esta árvore está protegida pela lei brasileira. Beltrá, o autor
da imagem, fotografa as mudanças na floresta desde 2001. As fotos
documentam a queimada de milhares de árvores em áreas de mata virgem.
Foto: Causa e Efeito/Daniel Beltrá
Esta imagem, feita por James Balog na Islândia,
em 2009, mostra o "diamante de gelo" que chegou até a costa de uma lagoa
de água salgada em Jökulsárlón. Foto: Causa e Efeito/James Balog
Esta foto registra os blocos de gelo que se
elevam a 60 metros da superfície da água, flutuando no Atlântico Norte. A
foto foi feita na Groenlândia, em 2007, por James Balog. Foto: Causa e
Efeito/James Balog
Barris de petróleo, uma foto de 2008. A imagem
feita por Chris Jordan mostra 28 mil barris de petróleo de cerca de 159
litros cada, a quantidade de petróleo que os Estados Unidos consomem a
cada dois minutos. Foto: Causa e Efeito/Chris Jordan
A imagem mostra a Classe 112, da escola Warren
Easton High School, em Nova Orleans, Louisiana e foi feita em abril de
2006. Nova Orleans foi um dos lugares mais afetados pelo furacão Katrina
em 2005. Foto: Causa e Efeito/Wyatt Gallery
Outra foto de Wyatt Gallery que mostra a
devastação do furacão Katrina nos Estados Unidos. Foto: Causa e
Efeito/Wyatt Gallery
Esta foto da série do mexicano Alejandro Durán,
chamada "Washed up", que se concentra no problema da contaminação dos
oceanos com plástico. Na imagem acima, garrafas de plástico que
atravessaram o mar até chegar a Sian Ka'an, a maior reserva protegida
pelo governo do México na costa caribenha. Foto: Causa e
Efeito/Alejandro Durán
Alejandro Durán chamou esta imagem de "Gota". O
artista utilizou o lixo plástico de 50 países em seis continentes que
chegou até a costa da reserva Sian Ka'an, no México, para criar
esculturas.
Não está claro onde estava a mãe do rinoceronte,
mas ele pode ser órfão, já que a caça é um problema comum no parque
Autoridades indianas resgataram um bebê rinoceronte de apenas três
dias, que estava perdido na região do Parque Nacional de Kaziranga, no
estado de Assam (nordeste do país).
O
parque tem 430 quilômetros quadrados e tem a maior concentração mundial
do chamado rinoceronte-indiano, que tem apenas um chifre.
Kaziranga tem a maior concentração mundial do chamado rinoceronte-indiano, que tem apenas um chifre
As imagens mostraram funcionários do parque examinando o rinoceronte recém-nascido e, depois, o transportando pelo local.
Não está claro onde estava a mãe do rinoceronte, mas ele pode ser órfão, já que a caça ilegal é um problema comum no parque.
A imprensa local estima que, apenas neste ano, 12 rinocerontes foram mortos por caçadores na região
A imprensa local estima que, apenas neste ano, 12 rinocerontes foram mortos por caçadores na região.
O Parque Nacional de Kaziranga foi declarado Patrimônio Mundial da Unesco em 1984.
Ao saber que o projeto havia sido
suspenso pela Secretaria de Segurança Pública, o parlamentar resumiu a
situação em uma palavra: frustração
Francisco Dutra Especial para o Jornal de Brasília
Mal
começou o mês de preparação para a batalha de votações na Câmara
Legislativa e o GDF cometeu um tropeço, justamente, com o seu líder no
Legislativo.
O projeto Esporte à Meia Noite é uma das bandeiras do
deputado Julio César (PRB).
Ao saber que o projeto havia sido suspenso
pela Secretaria de Segurança Pública, o parlamentar resumiu a situação
em uma palavra: frustração.
Pelas contas do deputado, o projeto atendia, aproximadamente, 800
jovens afastando-os da criminalidade. “O papel da Secretaria de
Segurança Pública é criar ferramentas e programas que venham a diminuir
os indicadores da violência e não é uma atitude como essa”, criticou.
Promessa: será retomado
Júlio César procurou o Buritio para esclarecimentos. Segundo ele, o
governo afiançou que o projeto seria retomado nos próximos meses pela
Secretaria de Educação. Mas, a princípio, o distrital discorda com a
mudança.
“Foram dois equívocos. Primeiro suspendeu-se o programa sem fazer
reuniões, audiências. E depois querem enviar o projeto para a Educação,
quando ele tem mais a ver com o Secretaria de Esportes”, afirmou. A
pasta dos Esportes está sob a gestão do PRB.
O segundo semestre será difícil para o GDF. Além de retomar projetos
paralisados no primeiro semestre, o Buriti enviará uma série de novas
propostas para aumentar a receita e pagar os servidores públicos em dia.
Considerando a fragilidade da base, cada passo do Executivo deve ser
dado com cuidado.
“Não podemos dizer que essas coisas não têm nada a ver. Alguns
secretários acabam prejudicando o trabalho do governo que quer tirar o
DF da crise”, declarou. Ironicamente, nesta semana, o Buriti ampliou as
reuniões do Conselho de Governo para reforçar as alianças entre partidos
e parlamentares.
Governista, o deputado Joe Valle (PDT) comentou que parte do
secretariado não está familiarizada com o trato político e o Executivo
precisa agir com atenção redobrada quando quiser alterar projetos que
são bandeiras de parlamentares.
“Cometer rupturas é muito ruim. Nessa hora, é melhor chamar o
deputado antes, conversar, perguntar se ele tem sugestões. É preciso
fazer com que a base se sinta pertencente, participe do governo”,
explicou.
O deputado Wasny de Roure (PT) acrescentou que o projeto vem atendo
jovens desde o governo Arruda. Na sua avaliação, o governo errou na
suspensão, principalmente, porque a diminuição dos índices de violência
têm sido um dos poucos carros-chefes do Buriti.
Secretário diz que mal-estar será superado
Do ponto de vista político, o secretário de Relações Institucionais,
Marcos Dantas, avalia que o mal estar com o líder governista será
superado. Dantas garantiu que a intenção do governo jamais foi de
extinguir o projeto, mas sim de aperfeiçoa-lo.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública explicou que estão sendo
avaliados o número de alunos atendidos e os contingentes de
profissionais das áreas parceiras do projeto. Segundo a pasta, o
programa será retomado em agosto em seis regiões: Sobradinho II,
Ceilândia, Brazlândia, Planaltina, Estrutural e Itapoã.
Controle maior
A secretaria também declarou que o realinhamento do programa é
estratégico, para melhorar a qualidade. Segundo o órgão, procura-se
ganhar efetividade, com maior controle sobre os resultados atingidos.
Catarina Araújo, que já foi ofendida por causa de uma foto publicada sem seu conhecimento
MATEUS LUIZ DE SOUZA
DE SÃO PAULO
Luiza (nome fictício), 15, diz que já sofreu bullying pessoalmente, mas
considera pior o que passou pela internet. Os colegas achavam que ela e
sua amiga eram lésbicas e faziam comentários pela escola. No dia do
aniversário, a amiga publicou uma foto das duas juntas.
Foi quando começaram as agressões virtuais. Comentários como "nem mesmo
as suas mães amam vocês" fizeram com que as duas sentissem vergonha de
ir para a escola no outro dia.
Segundo pesquisa Datafolha feita em junho, 28% dos jovens de 16 a 24
anos dizem que já foram ofendidos por alguém na internet --esse número é
maior entre o público de 12 e 15 anos (38%). O levantamento, feito em
175 municípios, ouviu 1.036 jovens nessa faixa etária.
A pesquisa também questionou o outro lado, o dos autores das ofensas: no
grupo dos mais velhos, 25% admitiram ter falado mal de algum conhecido
em redes sociais, enquanto 23% dos adolescentes fizeram o mesmo.
William Junior, 18, é um desses jovens que já praticaram bullying pela
internet. Um dia, junto com outros amigos, resolveu criar um perfil
falso para Ricardo (nome fictício), que não tinha Facebook.
A ideia era
fazer uma brincadeira e colocar que o menino estava em um relacionamento
sério com uma garota. No entanto, mudou de plano e acabou usando o
perfil fictício para "ofender pesado" outro colega, o Marco (nome
fictício).
Depois, veio o arrependimento. "Na hora da brincadeira eu estava feliz,
mas depois me senti culpado. Olho para trás e vejo o quão imaturo fui."
Para Luciene Regina Tognetta, doutora em psicologia escolar, há uma
diferença que torna as ofensas virtuais até mais danosas do que as
reais. "O bullying é caracterizado pela repetição. Mas na internet ele
se espalha imediatamente, nem é preciso acontecer mais de uma vez."
Um exemplo dessa velocidade são fotos constrangedoras postadas sem
autorização dos jovens. Essa situação já aconteceu com 9% dos
entrevistados de 16 a 24 anos e 10% de 12 a 15 anos.
Catarina Araújo, 23, é fã de cosplay (pessoa que se veste com as roupas
de um personagem de um desenho ou jogo). Ela conta que certa vez foi
ofendida em um grupo por causa de uma foto sua postada sem seu
conhecimento. "Os comentários são sempre falando mal, como 'magra sem
peitos' ou 'vagabunda'".
O aumento do desemprego e a queda na renda do trabalhador reduziram em
quase 10% a arrecadação líquida do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço) nos primeiros cinco meses do ano.
A diferença entre os recursos arrecadados e os saques feitos foi de R$ 7,664 bilhões.
A queda coloca em risco as metas de investimento do fundo, que previa
aplicar neste ano o valor recorde de R$ 77 bilhões em habitação,
saneamento e infraestrutura.
O Conselho Curador do FGTS projeta ao fim do ano uma entrada líquida de R$ 14 bilhões, queda de 24% em relação ao ano de 2014.
Mas a estimativa já é considerada otimista pelo governo, pelo risco de
que a queda no emprego e na renda se acentuem neste segundo semestre. A
projeção oficial considera uma queda de 41% na média mensal da
arrecadação líquida a partir de junho em relação aos cinco primeiros
meses do ano.
Além da redução da arrecadação, o aumento do desemprego elevou os saques
ao FGTS, em 14% até maio. A arrecadação bruta do fundo avançou menos,
9,4%.
O desempenho do FGTS vem perdendo força no momento em que o Congresso
quer aumentar a remuneração das contas e o governo tem recorrido ao
fundo para financiar habitação, compensando a falta de dinheiro da
caderneta de poupança.
PROPOSTA
O governo descarta a possibilidade de os saques superarem as entradas neste ano.
Está preocupado, porém, com a proposta apresentada pelo presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que praticamente dobra a correção dos
saldos dos trabalhadores no FGTS.
Técnicos do governo não descartam a possibilidade de o Planalto apoiar
uma sugestão da CBIC (câmara da indústria da construção), de usar parte
do superavit anual do FGTS para aumentar a remuneração das contas, que
teria uma parte fixa (os atuais 3% mais TR) e outra variável.
Se todo o ganho líquido do fundo em 2014 (R$ 10,8 bilhões) fosse
distribuído, cada trabalhador teria um aumento adicional de cerca de 3%
(a proposta é usar apenas parte de eventuais ganhos).
Representantes do governo avaliam que a proposta é positiva, pois não
obriga o fundo a aumentar os juros de financiamentos para pagar uma
correção maior.
Além disso, se o FGTS não tiver lucro, não haverá ganho a
ser distribuído ao trabalhador.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal rejeitou todos os recursos
apresentados pelos 19 réus do suposto escândalo de corrupção conhecido
como mensalão do DEM e marcou datas para o julgamento. Cinco audiências
de instrução e julgamento estão marcadas para os dias 21, 25 e 28 de
setembro, 2 e 5 de outubro. A sentença foi assinada no dia 15 de junho e
divulgada pelo TJDF nesta segunda (6).
Entre os denunciados no processo
estão os ex-governadores José Roberto Arruda e Paulo Octávio, o delator
do suposto esquema, Durval Barbosa, e o ex-procurador de Justiça do DF
José Domingos Lamoglia. Com a decisão, o processo volta a tramitar.
Arruda foi gravado em vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa
A defesa de Paulo Octávio disse
que está estudando as formas adequadas para tentar reverter tecnicamente
as decisões do juiz. A reportagem da TV Globo não conseguiu contato com
os advogados de Arruda, Barbosa e Lamoglia. Os envolvidos sempre
negaram participação em irregularidades.
O escândalo veio à tona em 2009, a partir da operação Caixa de
Pandora, da Polícia Federal (veja abaixo). O Ministério Público do DF
denunciou os envolvidos pelo crime de formação de quadrilha. Em seguida,
os advogados apresentaram uma série de recursos para adiar e desmontar o
processo.
O juiz substituto da 7ª Vara Criminal de Brasília, Fernando Messere,
afirma na decisão que as defesas apresentaram “nove linhas de
argumentação” para invalidar as provas. Os recursos diziam que a ação
era inconstitucional; tentavam invalidar a delação premiada de Durval
Barbosa; alegavam que o delator era “agente provocador”, instigando e
viabilizando os crimes que denunciou; e denunciavam o “cerceamento da
defesa” pela ausência de material em “condições técnicas para um parecer
técnico”.
Segundo Messere, esses pontos só poderão ser avaliados durante o
julgamento. “Assim, não há elementos para que se considere nulo, neste
momento, todo o conjunto de indícios e provas apresentados pelo
Ministério Público (vídeos, ações controladas, captações ambientais,
buscas e apreensões, delação premiada e declarações prestadas perante a
autoridade policial), havendo necessidade de se adentrar na fase
instrutória para esclarecer os elementos trazidos pela defesa”, diz a
sentença.
O juiz cita entendimento do Supremo Tribunal Federal que admite como
prova gravações feitas por um dos interlocutores, mesmo sem o
conhecimento de demais envolvidos. A delação premiada também é legítima
desde que não seja a única prova na denúncia, diz Messere,.
As defesas dos denunciados também pediam exame pericial sobre todos
os vídeos feitos por Barbosa. Na decisão, o juiz afirma que já existem
21 laudos que garantem a integridade das gravações e descartam a
hipótese de adulteração.
O ex-secretário do Distrito Federal Durval Barbosa,delator do mensalão do DEM
(Foto: Marcello Casal Jr./agência Brasil)
Mensalão do DEM
O esquema do mensalão do DEM de Brasília foi descoberto depois que a
Polícia Federal deflagrou, em novembro de 2009, a operação Caixa de
Pandora, para investigar o envolvimento de deputados distritais,
integrantes do governo do Distrito Federal, além do então governador
José Roberto Arruda e de seu vice, Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM).
Octávio e Arruda sempre negaram envolvimento com o suposto esquema de
propina.
Arruda chegou a ser preso, deixou o DEM para não ser expulso e foi
cassado pela Justiça Eleitoral. Paulo Octavio renunciou ao cargo para
defender-se das acusações. Durante meses, o DF esteve ameaçado de
intervenção federal, devido ao suposto envolvimento de deputados
distritais, integrantes do Ministério Público e do Executivo com o
esquema denunciado por Durval Barbosa.
Em junho de 2014, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel,
denunciou ao STJ 37 pessoas suspeitas de envolvimento no mensalão do DEM
– Arruda foi apontado pelo MPF como chefe da suposta organização
criminosa.
Também fazem parte do rol de denunciados Paulo Octavio, o
ex-secretário de Relações Institucionais e delator do esquema, Durval
Barbosa, ex-secretários de Estado, deputados distritais e o conselheiro
licenciado do Tribunal de Contas do DF Domingos Lamoglia.
Com 180 páginas, a denúncia relata com como operavam os integrantes
da suposta organização criminosa. Segundo Gurgel, os operadores do
esquema teriam “inovado” ao introduzir na administração pública o
“reconhecimento de dívida”.
De acordo com a PGR, um decreto publicado por Arruda teria permitido a
realização de pagamentos pelo governo do DF mesmo sem que fosse
comprovada a prestação de serviços. O método teria assegurado
contratações com dispensa de licitação, principalmente de empresas do
setor de informática.
“Era um negócio fantástico. Por exemplo, você conhece uma pessoa que é
dona de uma empresa, aí afirma no despacho que essa empresa vem
prestando serviços de limpeza para o governo. Não é necessário que ela
tenha prestado esse serviço, desde que várias pessoas afirmem que ela
vem prestando. Com isso, foi possível pagar valores extremamente
generosos, obtendo futuramente a contrapartida”, relatou Gurgel.
A denúncia da PGR também detalha a partilha do dinheiro desviado dos
cofres públicos. Conforme o procurador-geral, Arruda recebia 40% da
propina, Paulo Octávio, 30%, e os secretários de estado, 10%. A fatia,
porém, variava de acordo com cada contrato, descreveu Gurgel.
Junto com a denúncia, o procurador-geral enviou para o STJ 70 caixas
com documentos que demonstrariam como a quadrilha liderada por Arruda
atuava.
Mariana Tokarnia - Repórter da Agência BrasilEdição: Maria Claudia
Os servidores rejeitaram por unanimidade a proposta do governo de reajuste salarial de 21,3%
nos próximos quatro anos. Ao todo, participaram de duas reuniões, que
ocorreram na tarde de hoje (7), 54 entidades, sendo 23 integrantes do
Fórum Nacional dos Servidores Públicos Federais, que representa a maior
parte dos cerca de 1,5 milhão de servidores. Uma nova reunião está
agendada para o dia 21 de julho.
"Vamos estudar, pois houve uma
rejeição muito forte. A distância entre as propostas é muito grande.
Então, vamos avaliar as possibilidades, que não se resumem ao reajuste,
mas envolvem benefícios e a questão institucional. Tudo será analisado
para compor uma proposta mais ampla, sem mexer, necessariamente, no
índice, mas avançar em outras dimensões", disse o o secretário de
Relações de Trabalho do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão,
Sérgio Mendonça.
Os trabalhadores pedem um reajuste de 27,3% para
o ano que vem e querem que as negociações sejam feitas anualmente.
"Ainda não temos uma posição. Hoje, diria que o governo insiste em uma
proposta plurianual, de quatro anos, porque para nós dá muita
previsibilidade macroeconômica em relação ao gasto público de uma
despesa muito importante", diz o secretário.
O reajuste proposto
pelas entidades é para repor as perdas salariais desde 2010, período em
que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) foi de 37,46%. Os salários foram reajustados, desde então,
em 15,76%, o que acumulou uma defasagem de 18,75%, segundo dados do
Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central. Os trabalhadores
querem repor, além dessa perda, as de 2015 e de 2016, uma vez que o
salário negociado valerá até o final do ano.
A
proposta do governo, de 5,5% em 2016, está distante desse percentual.
Ela vale ainda por quatro anos, definindo previamente reajustes de 5% em
janeiro de 2017, 4,75% em 2018 e 4,5% em 2019. O governo pretende
avançar em outras pautas dos trabalhadores, como auxílio-creche,
auxílio-alimentação e auxílio-médico.
"A proposta [do governo]
não cobre nem a inflação passada, quanto mais a futura", diz o
presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Jones Borges
Leal. "Não sabemos se essa inflação chega a 15% a mais. Esse ano a
previsão já está acima de 9%, sabe-se lá o que vai acontecer. Se
assinarmos um acordo, não poderemos fazer novas reivindicações [nos
próximos quatro anos]".
Hoje, houve duas reuniões, a primeira com
31 entidades e a segunda com o Fórum. O segundo encontro terminou por
volta das 20h. "Focamos no ponto de que o governo precisa ceder na
questão do índice, e que seja reajustado em um prazo menor do que os
quatro anos”, afirmou o secretário geral da Confederação dos
Trabalhadores no Serviço Público Federal, Sérgio Ronaldo da Silva.
Segundo
ele, o governo sinalizou que há possibilidade de flexibilização e de
aprofundamento das outras pautas dos trabalhadores, como as relativas os
benefícios. O Fórum irá se reunir no dia 14 para discutir os próximos
passos.
As entidades também apresentaram ao governo propostas
para economizar e atender os trabalhadores. Na primeira reunião, o
presidente da Associação Nacional dos Especialistas em Políticas
Públicas e Gestão Governamental (Anesp), João Aurélio Mendes Braga de
Sousa, defendeu que os cargos comissionados sejam ocupados por
servidores de carreira.
"Essa proposta é a única que tem impacto
orçamentário favorável à diminuição das despesas", diz. Segundo ele, são
22 mil cargos comissionados. Funcionários de carreira recebem apenas
60% do valor desses cargos, segundo Sousa, o que gera uma economia.
O
governo federal tem até o dia 21 de agosto para enviar ao Congresso
Nacional os projetos de lei que resultarem dos acordos. Hoje, o
secretário falou na possibilidade de negociar com o Executivo e com o
Congresso Nacional uma ampliação do prazo em uma situação "limite".
"A
hipótese de mexer nesse prazo é uma possibilidade remotíssima que se
justificaria em condições muito especiais na negociação. Nesse momento,
todo o nosso esforço é para concluir as negociações até julho", diz o
secretário.
Avaliação
das implicações éticas, legais e de bem-estar dos animais nestes
eventos levam a secretaria e o Ibram a não reconhecer violência como
modalidade esportiva.
(Brasília, 6/7/2015) – A
Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e o Instituto Brasília Ambiental
(Ibram) são contrários ao Projeto de Lei 225/2015, que reconhece a
vaquejada como modalidade esportiva no Distrito Federal. O projeto foi
enviado à sanção do governador Rodrigo Rollemberg. Os órgãos
apresentaram, em audiência na Câmara Legislativa, parecer técnico em que
analisam as implicações éticas e legais de eventos que abusam dos
animais com prática de maus-tratos.
Não
é possível reconhecer a atividade como modalidade esportiva ou
regulamentá-la com a justificativa, apresentada pelo autor do projeto,
de proteção da saúde e integridade física dos animais em todas as etapas
do evento, afirma o parecer. Afinal, os maus-tratos envolvidos são
inerentes às práticas e claramente ferem princípios éticos, aspectos
fisiológicos e preceitos legais, sustenta o documento.
Uso
de objetos pontiagudos, choques, golpes e marretadas são algumas das
práticas utilizadas nos bastidores destes eventos para forçar os animais
a fazerem acrobacias. “As provas realizadas na vaquejada e eventos
similares ferem o princípio constitucional de proteção ao meio ambiente,
por provocar danos aos animais, abusar, molestar e causar prejuízos
físicos e mentais”, afirmou Mara Moscoso, coordenadora de Direitos
Animais da Sema.
No
DF, a Lei nº 1.492, de 30 de junho de 1997, prevê em seu artigo 1º a
proibição da realização de eventos de qualquer natureza que impliquem
atos de violência e crueldade com os animais e está de acordo com a
Constituição Federal, que no artigo 225 incube ao poder público proteger
a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem
em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou
submetam os animais à crueldade.
Depois de ser Hostilizado em
aeroporto, Lula tem fachada de seu Instituto “lavada” em manifesto
organizado pelo Movimento Brasil Livre, liderado por Kin Kataguiri.
Diversos manifestantes fizeram presença no ato, que aconteceu no dia 14 de junho na frente da sede do Instituto Lula.
Segundo um dos manifestantes:
Eles usaram produtos de limpeza para “eliminar a sujeira acumulada pelo PT”
A denuncia é grave foi divulgada pelo jornalista Lauro Jardim, da Coluna Radar Online.
“Tem gente que mata ou morre por Lula”
Lauro
afirmou, que desde que o “fantasma” do impeachment começou a rondar
novamente, e com ar de fúria, o governo petista, Lula, passou a receber
integrantes de movimentos sociais em seu instituto, caso que aconteceu
desde a semana passada. Para o o colunista, Lula vê como solução, o
radicalismo, através daqueles que “matam e morrem” por ele.
Vale
lembrar que recentemente Lula ameaçou a todos os que são contrários ao
governo Dilma de colocar o “exército de Stedile” nas ruas, o próprio
Stedile, também já soltou suas ameaças para aqueles que tentarem
intervir contra o governo petista. “Vocês não se atrevam”, atacou ele em
fato recente.
Sem medo de ser feliz, a emissora da
família Marinho resolveu abraçar como nunca o discurso de ódio contra
conservadores.
No programa do Fantástico deste domingo, 5/7, usaram o
tradicional quadro embusteiro onde eles colocam atores contracenando
para conseguir alguma reação da plateia.
O truque é essencialmente o seguinte:
Um comportamento conservador é escolhido
Atores representam a execução deste comportamento conservador, em uma visão exagerada e ridícula
Trauseuntes repelem esta atuação conservadora
O público é levado a acreditar que todos os conservadores agem exatamente da forma vista em (2)
Ao mesmo tempo, o público é induzido a crer que os trauseuntes “cagando regra” em (3) repelem (2)
Nota-se que, para o truque funcionar,
todas as posições conservadoras são apresentadas em uma instância da
falácia do espantalho.
Sou liberal, e, como tal, defensor do
direito de gays defenderem a união civil e até mesmo a adoção de crianças.
Pela mesma ética liberal, defendo que os conservadores (e até alguns
liberais) possam ter o direito de fazer críticas tanto à união civil de
gays como à adoção de crianças.
Há razões para que algumas pessoas
heterossexuais critiquem este comportamento homossexual. Por exemplo,
crianças são normalmente adotadas por casais heterossexuais, em geral,
para preencher um vazio. Na maioria das vezes, isto ocorre porque a
mulher não conseguiu ter um filho pelos meios naturais.
O homem, por sua
vez, quer apenas passar seus genes para a frente, portanto não teria
nenhum interesse instintivo por adoção. Isto não é nada mais que a
psicologia evolutiva. A adoção de uma criança, por um homem casado, no
máximo é uma concessão à sua mulher, pois nenhum gene seu estará sendo
transmitido. Decerto tal orquestração psicológica é feita para aumentar o
potencial de um casal proteger sua própria prole.
O fato é que achar estranho ver dois gays
(homens) adotando uma criança não implica em alguém ser preconceituoso.
Ao contrário, é uma reação normal esperada de qualquer pessoa que tenha
estudado a psicologia evolutiva e as orquestrações não apenas daquilo
que os heterossexuais gostam ou se acostumam a gostar, como também
daquilo que tendem a não gostar ou ao menos achar estranho.
É claro que
alguém possa conhecer psicologia evolutiva e dizer para si próprio: “Sei
que acho estranho ver dois homens adotando uma criança, mas, em
público, sempre agirei como se isso fosse normal”. Em geral é apenas
fingimento.
A Rede Globo não entende assim. Para ela,
qualquer pessoa que manifeste uma sensação normalíssima, mas não
aderente ao politicamente correto, merece ser objeto de demonização. Uma
prova disso é que a maioria dos heterossexuais efetivamente acha
estranho ver uma criança ser adotada por dois gays. Porém, praticamente
nenhuma dessas pessoas faz escândalo e baixaria, “cagando regra” para
cima dos gays que tenham adotado uma criança. Se isto não é comum, por
que a emissora fingiu sê-lo?
Eles agiram assim pois sabem que podem
praticar instâncias monstruosas de engenharia social e discriminação
inaceitável contra a maioria dos heterossexuais, sempre em nome do
politicamente correto, que os habilita a tal violência ética. Justiça
seria feita se sofressem boicote, pois, neste domingo, todos os
heterossexuais que discordam da adoção de crianças por gays, mas jamais
praticaram coação psicológica contra quem os adotou, foram vítimas de um
preconceito inacreditável e inaceitável.
Transformar a discordância
conservadora diante da adoção de crianças em gritaria e baixaria é uma
desonestidade intelectual tão grande quanto aquela que alguns
conservadores praticam ao dizer que o homossexualismo deriva em
pedofilia. Entretanto, a Rede Globo está sendo aqui questionada por ter
endossado primeiro truque, não o segundo.
Que “ética” é essa que depende de
discurso de ódio contra pessoas conservadoras que apenas exercem seu
direito de ter uma opinião em relação à adoção de crianças?
Comentário
Já começou o bestialógico, hora de mudar de canal!
Os embustes começam já no título (e como o resto é a farofa de sempre, é
o suficiente para esta análise). Só mesmo um zumbi para achar que
existe algum tipo de verossimilhança na ideia de que os brasileiros
inocentam os outros partidos de corrupção. Ao contrário, o brasileiro
sempre reclamou da corrupção no inchado estado brasileiro. Exatamente
por isso, reclamamos mais agora porque a corrupção alcançou níveis
incontroláveis.
O maremoto de embustes propagado pelos
blogs financiados com verba estatal não está sendo mais capaz de
esconder que o povo brasileiro tem vontade de vomitar no PT não tanto
pela corrupção, mas principalmente pela crise econômica e pelo
estelionato eleitoral.
A verdade é que a popularidade petista pode
abaixar ainda mais se lembrarmos ao povo que a questão da corrupção no
PT deveria deixá-los realmente zangados. Enfim, PHA nem sequer percebeu
que falta o povo brasileiro entender o quão abominável é a corrupção
praticada pelo PT. Ou seja, se ele reclama das “reclamações por
corrupção”, é bom saber que ele não viu nada ainda.
No método fascista de PHA, uma população
comportando-se como bovinos deveria se submeter à cleptocracias. Mas é
exatamente este ponto que devemos deixar claro para o povo brasileiro. A
“novidade” com o governo petista não é a corrupção, que sempre existiu,
mas a corrupção como um projeto de poder de um partido, levada a um
nível suficiente para quebrar nosso país. Assim como já ocorreu na
Argentina e na Venezuela.
Já ouvi a seguinte explicação didática:
No passado, os partidos que chegavam ao
poder costumavam dizer para os seus integrantes: “você está por sua
conta, e espero que suas maracutaias sejam ‘bem feitas'; e caso você for
descoberto, não cobriremos suas costas”. A corrupção era, então,
praticada por indivíduos, de forma desorganizada. Com o PT no poder,
conhecemos um outro nível de corrupção, no qual o partido controla todo o
esquema de corrupção, que não apenas envolve seu partido, como também
aliados, a classe empresarial e, para horror de quem ama a Pátria,
outros países (que se dão bem às nossas custas), incluindo ditaduras
como Venezuela e Cuba. Obviamente, que se fala de subtração financeira e
aparelhamento estatal em escala fora de qualquer parâmetro anterior.
Isso é o que podemos chamar de acertar na
mosca. Não há desculpa para o nível de corrupção praticado pelo PT. O
discurso dizendo que “os outros também fizeram” é mentira deslavada,
pois, ainda que a corrupção seja um problema histórico no Brasil, a
corrupção como um projeto de poder, coordenado por um partido violador
da soberania nacional (que nos deixa de joelhos para republiquetas
sanguinárias, ainda por cima) é algo novo na história nacional.
O PT não inventou a corrupção, mas
inovou, no Brasil, ao trazer para cá o mesmo nível de saqueamento
estatal já visto em nações como Cuba, Rússia e Venezuela. É por isso que
esse partido não pode jamais ser perdoado. E é disso que a população
deve estar ciente.
Os itens anunciados incluem a pretensão de atingir até 2030 de 28% a
33% de sua matriz energética por fontes alternativas renováveis de
energia, a restauração e o reflorestamento de 12 milhões de hectares de
florestas até 2030, a continuação de políticas destinadas a eliminar o
desmatamento ilegal e a promessa de um compromisso brasileiro ambicioso
de redução de emissões para a COP de Paris.
De acordo com o coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia
do WWF-Brasil, André Nahur, um dos pontos importantes do acordo, apesar
de insuficiente, foi a meta de 28% a 33% de sua matriz energética por
fontes alternativas renováveis de energia até 2030. “O anúncio não cria
um cenário muito diferente do atual. Para o Brasil é pouco, pois
basicamente mantem o que temos hoje de 28,6%.
Por outro lado, o anúncio
de aumentar para 20% a geração de energia elétrica por fontes renováveis
que não hidroelétricas é importante e cria uma possibilidade de
expansão de geração solar, eólica e biomassa, explorando o imenso
potencial brasileiro. Apesar deste pequeno avanço, consideramos que o
Brasil ainda poderia chegar a 33% da sua matriz elétrica com outras
fontes renováveis criando um grande potencial econômico social e
ambiental para o país”, diz ele.
Um segundo ponto importante é a cooperação no uso sustentável da
terra, que se refere tanto ao desmatamento quanto à pecuária – ponto em
que, segundo Nahur não representa grandes avanços. “O desmatamento
líquido zero fazia parte do Plano Nacional de Mudanças Climáticas e era
esperado para ser alcançado até 2015.
Acabar com desmatamento ilegal é
uma obrigação e precisamos fazer isso o mais cedo possível com
instrumentos efetivos de regularização fundiária e alternativas
econômicas florestais. Outra questão importante é o aumento da demanda
de carne bovina para o mercado norte-americano. Isso pode causar uma
mudança na dinâmica de produtos agropecuários relevantes, acabar
empurrando fronteiras agrícolas e gerando impacto adicional para os
biomas brasileiros, principalmente Amazônia e Cerrado”, diz ele.
Pelo lado dos Estados Unidos, Lou Leonard, diretor de Mudanças
Climáticas do WWF-EUA, argumenta que o apoio concreto dos Estados Unidos
para promover uma maior cooperação internacional sobre as alterações
climáticas é um marco chave para um bom posicionamento em Paris.
“É hora
dos EUA mostrar que está disposto a trabalhar em conjunto com as
principais economias como o Brasil, para derrubar as emissões em regiões
como a Amazônia. O acordo desta semana é uma oportunidade para ambos os
líderes ajudarem a impulsionar conversas sobre as mudanças climáticas e
prepararem o terreno para um acordo global mais forte em dezembro”, diz
Lou.
FUTURO PROMISSOR
A 21ª COP, que acontece em Paris, no final do ano, é vista por grande
parte dos especialistas como a última oportunidade das nações se
comprometerem com metas ousadas de redução de emissões de gases de
efeito estufa, para que o nível de CO2 na atmosfera se mantenha no
máximo em 450 ppm e o aumento da temperatura da superfície terrestre não
ultrapasse os 2º C a partir do período pré-industrial, o que causaria
desastres irreversíveis ao planeta.
Os Estados Unidos anunciaram suas metas de 26% a 28% de redução de
emissões para a próxima década em relação aos níveis de 2005. A China
também anunciou sua contribuição nacional esta semana prevendo o pico de
suas emissões nacionais até 2030. Já o Brasil deve anunciar seus
compromissos até outubro, que é o prazo final para entrar no relatório
da COP de Paris.
“Esse é o momento dos países anunciarem um compromisso conjunto de
reduzir as emissões de gases de efeito estufa e de trabalharem em
parceria e dar um exemplo ao mundo de que o desenvolvimento com baixo
uso de carbono é possível, viável e interessante para todos. Quem fizer
isso primeiro terá mais possibilidades de assumir a liderança nessa
área”, completa Nahur.
Informe do WWF Brasil, publicado no Portal EcoDebate, 03/07/2015 [
O conteúdo do EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído,
desde que seja dado crédito ao autor, ao EcoDebate e, se for o caso, à
fonte primária da informação ]
Jefferson Puff - @_jeffersonpuffDa BBC Brasil no Rio de Janeiro
Polícia visa aproximação com a comunidade ao traçar estratégia para uso das redes sociais
Alvo
de frequentes críticas por abusos e violência, a Polícia Militar do
Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) decidiu investir nas redes sociais em
busca de uma forma de se aproximar da população, de melhorar sua imagem e
criar novos canais para denúncias.
O esforço inclui páginas no Facebook, contas no Instagram e números de Whatsapp para os batalhões.
Há ainda um manual com dicas e normas sobre o conteúdo postado tanto nas fanpages institucionais quanto nos perfis pessoais dos policiais, segundo apuração exclusiva da BBC Brasil (leia abaixo).
"Até
agora, as redes sociais eram vistas mais como uma ameaça do que como
uma oportunidade. Essa era a visão do governo e do comando da segurança
pública", diz o coronel Frederico Caldas, coordenador de Comunicação
Social da corporação.
"Mas
é um caminho inevitável, e no nosso planejamento atual daremos ênfase
às redes e ao Whatsapp, um extraordinário canal de diálogo direto com a
população".
A busca por diálogo nas redes ocorre em meio a casos
como o do entregador Rafael Camilo Neris, morto durante operação
policial no Morro da Coroa, no Rio, na semana passada, aos 23 anos.
Iniciado
há menos de três meses com a criação da página oficial da PMERJ no
Facebook, o movimento rumo às mídias sociais começou a se espalhar pelos
39 batalhões de todo o Estado, 38 UPPs da capital e demais unidades
(que juntas somam mais de cem).
Ele já surte efeito, com prisões e
operações especiais realizadas a partir de denúncias feitas pelas redes
ou pelo Whatsapp, além da alteração da rotina policial em alguns
locais.
Para a cúpula da PM fluminense, o desafio é expandir as
novas tecnologias para todas as unidades (das mais de 100, cerca de 40
já mantêm perfis na rede) e padronizar o que é veiculado nesses canais.
A
expectativa é de que além da modernização das rotinas, haja um impacto
na proximidade com a sociedade. Mas, para especialistas, apesar de ser
visto como uma boa iniciativa, isso depende muito mais de uma mudança
concreta no modus operandi das tropas nas ruas do que de esforços de comunicação.
Whatsapp na Serra
Em
Teresópolis, no topo da serra fluminense, o carro-chefe das novidades
tecnológicas tem sido o Whatsapp. O número do 30º Batalhão no aplicativo
circula no vidro traseiro de 115 ônibus, e é veiculado por 15 segundos
antes dos trailers nos cinemas da cidade, além de ser divulgado pelas
redes sociais da polícia e pela imprensa local.
"É uma capacidade
de reação imediata", diz o industrial Hélio Neves, morador da cidade e
presidente do Conselho Comunitário de Segurança.
Ele conta ter
presenciado um assalto e alertado os policiais pelo aplicativo de
mensagens. "Em menos de meia hora tive um retorno do comandante, e o
suspeito tinha sido preso. Sei de lojistas que alertaram o batalhão ao
verem algo em suas câmeras, e acredito que essa rapidez na comunicação
esteja tendo um impacto sobre o número de assaltos", avalia.
Neves diz que os retornos do comando da polícia no aplicativo sobre as denúncias também "aumentam a sensação de segurança".
Policiais do Rio de Janeiro recebem denúncias possíveis crimes por meio de redes sociais
Para o tenente-coronel Cleber
Maia, comandante do 30º BPM, de Teresópolis, as mudanças trouxeram
melhorias. Aos 47 anos e há 27 na polícia, ele é um dos defensores da
expansão das redes e aplicativos para todo o Estado.
"Com alertas
pelo Whatsapp, de moradores que viram movimentações estranhas, já
prendemos quatro pessoas armadas, que portavam grandes quantidades de
drogas e um carro roubado, e detivemos sete pessoas com R$ 17.200
ligados à contravenção. Em menos de três meses nosso Whatsapp já recebeu
200 denúncias", conta.
Novas rotinas
Para
a fisioterapeuta Bel Costa, de 40 anos, a tecnologia tem ajudado a
melhorar a segurança no bairro de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de
Janeiro.
Na metade de abril ela criou o grupo "Relatos de assaltos
e violência em Laranjeiras, Flamengo e proximidades" no Facebook, que
hoje já conta com 14 mil membros e deu origem a outras páginas
semelhantes.
"Temos policiais no grupo que se identificam, e
outros preferem participar sem dizer que são da PM. O que é postado ali
ajuda no trabalho da polícia. Havia um russo que assaltava há alguns
meses aqui no bairro, de bicicleta e com um revólver. Uma série de posts
sobre onde ele atuava, que moto-táxi pegava, onde tinha sido visto,
levou à sua prisão", relembra, acrescentando que também faz denúncias no
Whatsapp do batalhão local.
Integrante dos grupos que se
proliferaram na região de seu batalhão, o 2º, de Botafogo, o
tenente-coronel Marcio Oliveira Rocha, de 48 anos, indica que as redes
sociais já alteraram de forma concreta as rotinas do trabalho policial.
"Ali
eu posso interagir com 15 mil pessoas de forma instantânea. Se surge
uma denúncia nesses grupos, no nosso perfil no Facebook ou no nosso
Whatsapp, posso despachar uma viatura de forma urgente ou usar a
informação posteriormente, enviando uma equipe à paisana para checar,
por exemplo", diz.
"Outra coisa é que os dados coletados pelas
redes nos servem para pensar e repensar nossas estratégias. Onde
reforçar o policiamento, horários, maior ocorrência de crimes, dentre
outras coisas", complementa.
"Mundo cão"
Se
no noticiário as manchetes com mortes de civis, abusos de autoridade ou
excessos de violência desafiam a estratégia da Comunicação Social da
polícia, nas redes sociais páginas repletas de fotos de cadáveres, gente
ensanguentada e a glorificação da violência também preocupam.
No
Facebook, por exemplo, há uma série de perfis que levam os nomes de
unidades especiais (como o Bope, Batalhão de Choque, ou até a "PMERJ
News") e de batalhões de bairros que incitam a violência. Alguns, como o
"Sangue de Polícia", têm mais de 17 mil seguidores.
Suspeita-se que alguns sejam de autoria de cidadãos comuns, e outros sejam mantidos por policiais.
"Já
conseguimos tirar do ar, após um trâmite com o Facebook, uma página que
se intitulava como da PMERJ, e outra do Bope, com conteúdo deste tipo.
Juntas, elas tinham quase 300 mil seguidores. Se ficar provado que um
policial da ativa mantém páginas assim, poderá sim sofrer sanções de
acordo com o manual de conduta que estamos lançando", diz Caldas, chefe
da comunicação da PMERJ.
Segundo ele, "perfis falsos com grande
repercussão serão encaminhados ao Facebook para que se providencie a
retirada do ar", diz.
'Modus operandi'
Para
João Trajano Sento-Sé, doutor em Ciência Política e Sociologia e
pesquisador do Laboratório de Análise de Violência da Universidade
Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o uso das novas tecnologias para o
contato entre a polícia e a população é "louvável, e bem-vindo".
Mas
para que a imagem da instituição melhore junto à sociedade, algo que já
consta das prioridades da PMERJ desde a década de 1990, segundo o
especialista, é preciso fazer mais do que um esforço de Comunicação
Social.
"É necessário investir e ter como prioridades as duas
frentes que geram a péssima imagem da polícia no Rio de Janeiro: uso
abusivo da violência e alto índice de corrupção. Não podemos ter boas
iniciativas de melhoria de imagem totalmente distanciados do modus operandi
da polícia nas ruas na maior parte do tempo. As duas coisas precisam
andar juntas", avalia, relembrando casos recentes em que policiais são
suspeitos de mortes de civis durante operações ou patrulhas no Rio.
CONHEÇA AS REGRAS DO MANUAL DA PMERJ PARA AS REDES SOCIAIS
Humanização e Preconceito
Para
o público externo, os posts devem passar uma visão mais humana do
trabalho da polícia, aproximando a instituição da sociedade. Para os
policiais, devem transmitir reconhecimento e valorização de suas
atividades.
Diálogo
Seja
pelos comentários, mensagens inbox ou Whatsapp de cada batalhão, a
população precisa ter todas as suas demandas e denúncias respondidas nas
redes sociais. Caso não seja de competência da unidade, a mensagem pode
ser encaminhada a outros canais. Não responder é tão ruim quanto deixar
a página desatualizada.
Linguagem simples
Os
posts devem evitar jargões policiais, termos técnicos e linguagem
formal ou rebuscada. Os textos devem ser simples, diretos e criativos,
usando até de informalidade e bom humor para ganhar a atenção dos
internautas.
"Mundo cão"
Fotos de pessoas mortas, feridas e ensanguentadas estão proibidas, assim como mensagens que possam incitar a violência.
Fotos e vídeos
Sempre que possível, os posts dos batalhões, UPPs e demais unidades devem seguir a linha da fanpage da PMERJ, priorizando conteúdos com vídeos e fotos, o que chama mais a atenção do usuário no Facebook.
Instagram
No
perfil da PMERJ ou de outras unidades no Instagram devem se priorizar
fotos mais artísticas, criativas e diferenciadas, de acordo com o perfil
do usuário deste aplicativo, enquanto no Facebook usam-se fotos de
atividades, de rotina ou de eventos especiais.
Perfis pessoais
A
partir de agora os policiais militares estarão sujeitos ao Código de
Conduta do Servidor Público para suas postagens em perfis pessoais,
levando em conta posicionamentos em temas polêmicos, decoro, civilidade e
ética, lembrando que ainda está representando a instituição através de
seus comentários.
Imprensa
Os
batalhões, UPPs e demais unidades deverão sempre canalizar todas as
demandas de imprensa à Coordenadoria de Comunicação Social da PMERJ, que
centraliza este atendimento.
Ética e limites
Somente
devem ser publicados conteúdos de interesse público, relacionados aos
temas da Justiça, Segurança Pública, Ética, Democracia e Direitos
Humanos, e que guardem relação com a atividade desenvolvida pela PMERJ.
Confidencialidade
É
importante saber quais informações da instituição não podem ser
divulgadas. Documentos confidenciais, assuntos internos, questões
estratégicas e críticas à estrutura ou processos da PMERJ devem ser
discutidos internamente, e não nas redes sociais.
Frequência
As
unidades devem publicar ao menos um post por dia. Se não houver
possibilidade, exige-se ao menos um compartilhamento de um post do
perfil central da PMERJ, que publica uma média de sete posts por dia.
Páginas que não são atualizadas não precisam estar no ar.
Linha editorial
As
unidades devem seguir a linha editorial da página central da PMERJ, com
posts motivacionais, comemorativos e neutros, usando as principais
hashtags: #PartiuPatrulhamento, #servireproteger, #NossaGenteNossaFarda,
#FamiliaAzul, #OrgulhoPMERJ e #SegurancaRJ
Crises
Críticas
à PMERJ e momentos em que a instituição esteja no centro de uma crise,
com investigações ou cobranças na imprensa questionando ações
específicas, seja por suspeitas de excessos ou de corrupção, ou mortes
de civis e de policiais, devem ser levadas em conta, interrompendo posts
comemorativos e dando uma resposta à sociedade também através das redes
sociais.
Ocorrências
As
redes sociais devem servir também como prestação de contas do trabalho
da polícia. Ocorrências devem ser publicadas diariamente nas páginas dos
batalhões, UPPs e demais unidades. Mesmo que sejam de pequeno porte,
elas interessam à comunidade.
Punições
O
manual de redes sociais da PMERJ tem valor de norma interna de conduta,
e o desrespeito às regras estipuladas pode levar a punições
disciplinares. Páginas que incitem a violência serão retiradas do ar e o
comando da instituição pode pedir que posts de unidades que estejam
desalinhados sejam deletados.