quinta-feira, 7 de abril de 2016

Sema aponta ações contra risco ambiental frente à grilagem

 

Notícias

Cerrado já perdeu mais de 60% da sua área original. Secretário de Meio Ambiente comemora combate integrado à grilagem de terras


(Brasília, 30/3/2016) – O cerrado no Distrito Federal já perdeu mais de 60% da área original. Apesar disso, os incêndios criminosos (em áreas de loteamentos) e acidentais por queima de lixos em locais irregulares vêm aumentando. Intensifica-se, ainda, o assoreamento e a contaminação de lagos e rios e a impermeabilização do solo.


O quadro foi apresentado nessa terça-feira (29) pelo secretário de Meio Ambiente, André Lima, no 1º Seminário de Combate à Grilagem de Terras Públicas no DF. Segundo ele, essa situação só piora com as ações da grilagem.


O secretário afirmou que a ocupação de áreas de risco ambiental e o aquecimento climático também são prejudiciais para o desenvolvimento sustentável. A Secretaria do Meio Ambiente (Sema-DF) trabalha para desenvolver soluções para esses desafios.
Ao informar que a Sema coordena o desenvolvimento do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) no governo, salientou que esse programa garante que medidas e diretrizes de proteção e uso sustentável dos recursos naturais, específicas para cada unidade territorial, sejam estabelecidas com clareza para a gestão do território. 


O Sistema de Informações Ambientais - em fase de desenvolvimento - será base para a revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e fortalecerá o processo de licenciamento ambiental, informou. A lei prevê que os indicadores ambientais estabelecidos pelo sistema orientarão as políticas setoriais, em especial as de uso e ocupação de solo, as ambientais, as econômicas, as sanitárias, as habitacionais e as educacionais.


André apontou também a ação da secretaria com os órgãos do governo de Brasília para o cumprimento das metas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), obrigatório para todos os imóveis rurais. Com ele, é possível preparar uma base de dados para o controle, monitoramento e combate ao desmatamento, além do planejamento ambiental e econômico dos imóveis rurais no DF.


A implantação e consolidação das estruturas dos parques e unidades de conservação, com o programa Brasília nos Parques, pretende levar ações de órgãos do Executivo e promover a participação das comunidades nessas áreas, apontou o secretário. Lima mencionou ainda a articulação da Sema no Comitê de Governança Territorial do DF, criado em 2015 e que garante a ocupação ordenada e o desenvolvimento planejado do território.


Integração
A grilagem deve ser combatida de forma integrada, defendeu o secretário. “Esse problema é da sociedade como um todo, do governo como um todo”, assinalou. A ocupação irregular do solo de Brasília causa danos nas áreas ambientais, sociais, econômicas, políticas, culturais, éticas e estéticas, alertou.

A diretora-presidente da Agência de Fiscalização (Agefis), Bruna Pinheiro, anunciou a decisão do Comitê de Governança do Território de adotar cinco medidas para coibir a invasão de terras na capital.  “As cinco medidas demonstram a coordenação dentro do governo com vários órgãos responsáveis por ações integradas para estancar a grilagem de terras em Brasília”, avaliou o secretário do Meio Ambiente.

“As medidas são inovadoras e ousadas e demonstram a coragem e a vontade do governo de enfrentar a grilagem de terras porque isso é uma prioridade para melhorar a qualidade de vida da população”, afirmou o secretário. "As medidas", complementou, "transcendem as ações de mera demolição e colocam as denúncias de grilagem ao alcance do cidadão".


Conheça as ações que reforçarão o combate à ocupação irregular do solo:

Garantir acesso à informação:

Mapas digitais foram desenvolvidos pela equipe da Agefis e estão disponíveis no site da autarquia desde ontem. Neles, estão sinalizadas nas imagens das áreas prioritárias as poligonais de regularização do (PDOT) e aquelas alvo de grileiros — geralmente terrenos públicos próximos a terras em processo ou passíveis de regularização.

Definir critérios:
A Agefis elaborou um documento técnico com padrões de atuação dos fiscais. A Matriz Multicriterial de Impacto Territorial define os critérios para ações em áreas específicas. São considerados aspectos urbanísticos (áreas rural ou urbana), ambientais (proximidade a mananciais ou a parques urbanos), fundiários (terrenos particular ou privado) e sociais (locais de vulnerabilidade).

Facilitar as denúncias:
Um aplicativo permitirá ao público denunciar em tempo real irregularidades na ocupação do solo. Por meio de formulário, o cidadão poderá passar informações como o tipo da área (comercial ou residencial), a quantidade de construções em fase inicial e a existência de ruas abertas para acesso. Também será possível enviar fotos e salvar denúncias para envio posterior, pois o aplicativo só funciona com internet. A previsão é que ele seja liberado para uso da população em celulares e tablets a partir de junho.

Monitorar por imagens de satélite:
Em parceria com a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), a Agefis terá acesso a imagens de satélite atualizadas a cada 15 dias. O produto permite que o monitoramento de áreas sob risco de grilagem e a identificação de qualquer mudança, como a construção de edificações e desmatamento, seja intensificado. "Isso representa menos operações em larga escala e, consequentemente, menos impacto político e social", reforça a diretora-presidente da Agefis.


Aumentar integração entre equipes:
Para garantir a investigação das denúncias e a eficácia da divulgação dos mapas e das informações dos satélites, há uma maior integração entre as equipes da Agefis, do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e da Polícia Militar. Segundo Bruna Pinheiro, a comunicação entre os órgãos está mais eficaz, e a agenda de operações está constante e integrada.


Com informações da Agência Brasília


Leia também: 

Foto: Marcos Ramalho (Sema-DF)
 

CIPDA quer veto a lei de criação de pássaros

Quarta, 06 Abril 2016

 

Notícias
Projeto de lei propõe legalizar atividade, mas parecer do Ibram vê benefício a traficantes de animais silvestres e ameaça à fauna passeriforme nativa. E distorce a finalidade de conservação ao transformar a atividade em comércio


(Brasília, 6/4/2016) – O Comitê Interinstitucional da Política Distrital para Animais (CIPDA) decidiu recomendar ao governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, o veto total ao Projeto de Lei 153/2015, que prevê legalizar a criação amadora e comercial de passeriformes da fauna nativa. A decisão foi encaminhada à Casa Civil pelo secretário de Meio Ambiente e presidente do CIPDA, André Lima.

O CIPDA decidiu em março passado aprovar o parecer técnico do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), contrário ao projeto de lei. A Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema-DF) também havia manifestado posição contrária ao tema durante audiência pública no plenário da Câmara Legislativa, em 2015.

Membros do CIPDA realizaram três reuniões com as assessorias do autor do projeto, Wellington Luiz, e com o presidente da Comissão de Meio Ambiente, Cristiano Araújo. Alertaram sobre as inconsistências e incoerências do texto.

O CIPDA é composto por 14 membros de órgãos de governo (distrital e federal), da sociedade civil e entidades de pesquisa. 

O Ibram destacou em seu parecer que o projeto de lei propicia a criação de espécies híbridas, causando um grande risco ao meio ambiente. Além disso, permite ações que camuflem a caça predatória na natureza e distorce a finalidade de conservação de passeriformes ao transformar a atividade em comércio.

O texto legislativo permite ainda, segundo o Ibram, a atividade comercial sem nenhum controle fazendário, sem arrecadação de imposto, causando competição ilegal, além de permitir sonegação de impostos. E mais: exclui punição pela declaração falsa de nascimento, principal forma de “esquentamento” de aves oriundas do tráfico de animais silvestres. E, finalmente, impossibilita a atuação da Fiscalização Ambiental do Ibram no combate ao tráfico de animais silvestres.

“Além de prestar um verdadeiro desserviço ao meio ambiente, é uma afronta às instituições públicas e aos servidores públicos que lutam há muitos anos para garantir o meio ambiente equilibrado para as futuras gerações”, afirma o parecer. O instituto destaca que “é de extrema importância a regulamentação da atividade de criação de passeriformes no Distrito Federal para garantir aos reais criadores amadores de fauna o direito de exercerem suas atividades de lazer de forma distinta da atuação daqueles interessados somente a obtenção de lucro, sem o devido pagamento de tributos, ou ainda de reais traficantes de animais silvestres camuflados de criadores amadores”.

O PL 153/2015 não favorece os reais criadores amadores, conclui o parecer. É “apenas um projeto para atender as vontades econômicas de uma parcela dos cadastrados no Gestão de Criadores de Passeriformes Silvestres (Sispass) e coloca em risco o meio ambiente ao impedir a fiscalização ambiental de atuar no combate do tráfico de animais silvestres no Distrito Federal”.

Mais informações:


Telefone: (61) 3214 - 5611
Curió, como é conhecido popularmente. Para os biólogos, a espécie é conhecida como Sporophila Angolensis. Foto: Google

Desmatamento do Cerrado para expansão do agronegócio afeta chuvas



 

Você deve saber

Do
Estadão

Segundo estudo americano, áreas plantadas reciclam menos água que vegetação natural do bioma: avanço rápido da agricultura sobre o cerrado pode reduzir precipitação também na Amazônia

O rápido avanço da expansão agrícola sobre o cerrado na última década pode estar alterando o ciclo de águas e reduzindo as chuvas não só no bioma, mas na Amazônia, de acordo com um novo estudo realizado por cientistas americanos.

A pesquisa, liderada por especialistas da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, mostra que a expansão da fronteira agrícola, que anteriormente se concentrava na Amazônia, passou a predominar no cerrado na última década, quando as plantações rapidamente substituíram a vegetação nativa.

Os autores da pesquisa, publicada na revista Global Change Biology, usaram dados de satélites dos últimos dez anos para estudar as mudanças no uso do solo em uma região de cerrado que se estende por 45 milhões de hectares, no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia - onde predominam plantações de soja, milho e algodão. 


Com base nesses dados, os pesquisadores usaram modelos matemáticos para estimar a quantidade de água que é reciclada do solo e das plantas para a atmosfera, em um processo conhecido como evapotranspiração. Eles concluíram que as grandes plantações reciclam menos água que as áreas cobertas por vegetação nativa, segundo a autora principal do estudo, Stephanie Spera, da Universidade Brown, nos Estados Unidos.


"A medida que a agricultura se expande, a mudança de uso do solo pode afetar o regime de chuvas que mantém tanto a vegetação natural como a própria produção agrícola, não apenas no cerrado, mas também na Amazônia", disse Stephanie ao Estado.


Segundo ela, os ventos que prevalecem nessas regiões de cerrado levam as massas de ar para o oeste, na direção da Floresta Amazônica. Essa umidade proveniente do cerrado contribui então para as chuvas na Amazônia. "Metade das chuvas da Amazônia é água reciclada por evapotranspiração. Por isso, uma redução da umidade dessas massas de ar pode causar uma queda das chuvas por lá também", afirmou Stephanie.


Desequilíbrio:
De acordo com a pesquisadora, o avanço contínuo da fronteira agrícola no cerrado, promovido por políticas do governo brasileiro, desequilibra o ciclo de águas, especialmente durante a estação seca. A consequência é a redução das precipitações ou o retardamento das estações chuvosas nos dois biomas.


"Na estação das chuvas, as plantações reciclam a mesma quantidade de água que a vegetação nativa. No entanto, durante a estação seca, as áreas agrícolas reciclam 60% menos água do que as plantas originais do cerrado", afirmou.


Na área estudada nos quatro estados, a quantidade de terra dedicada a plantações praticamente dobrou, segundo Stephanie, passando de 1, 3 milhões de hectares em 2003 para 2, 5 milhões de hectares em 2013. "Cerca de três quartos dessa expansão ocorreram sobre a vegetação do cerrado", disse.


Cultivo duplo:
Embora a expansão agrícola no cerrado possa ameaçar as chuvas na região, segundo o estudo, o problema pode ser amenizado, de acordo com os cientistas, com o uso da técnica de cultivo duplo - quando duas culturas diferentes são plantadas na mesma área na mesma estação.


"Em termos de evapotranspiração, a água que é reciclada pelo solo e pelas plantas, voltando à atmosfera, as áreas com cultivo duplo se comportam de uma maneira mais parecida com a da vegetação nativa", disse um dos autores do estudo, Gillian Galford, da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos. "O cultivo duplo amplia o período em que a evapotranspiração das plantações é equivalente a da vegetação nativa", afirmou o pesquisador.


Segundo ele, o uso de cultivo duplo na região estudada do cerrado aumentou de 2% das áreas agrícolas em 2003 para mais de 26% em 2013. "Sem esse crescimento do cultivo duplo, a redução da reciclagem de água nas plantações teria sido 25% pior naquela década, afirmou Galford. "Políticas que estimulem o cultivo duplo podem ser uma saída para mitigar o efeito nocivo da expansão agrícola sobre o ciclo de água do cerrado, disse.

Foto: Estadão


Leia

Regulamentação da Lei da Biodiversidade

Quinta, 07 Abril 2016

 
Você deve saber

Participe da consulta pública do decreto que regulamentará artigos da Lei 13.123/2015. Contribuições podem ser enviadas até 2 de maio.

O projeto de decreto que regulamentará vários artigos da Lei 13.123/2015, conhecida como Lei da Biodiversidade, entra em consulta pública a partir desta quinta-feira (07/04). O acesso já está disponível no site do Palácio do Planalto. Qualquer pessoa pode participar e encaminhar sugestões até o dia 2 de maio também por meio do portal Participa ou via correio eletrônico: patrimoniogenetico@presidencia.gov.br.

De acordo com a área técnica do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a consulta pública vai recolher sugestões para a construção do texto final do decreto regulamentador da Lei da Biodiversidade. Esta lei dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado e a repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade.

DEBATES
Segundo a ministra-chefe substituta da Casa Civil da Presidência da República, Eva Maria Cella Dal Chivion, “a relevância da matéria recomenda sua ampla divulgação, a fim de que todos possam contribuir para o seu aperfeiçoamento”. 

A Lei nº 13.123/2015 foi sancionada em maio do ano passado e o processo de regulamentação começou no mês seguinte, em junho. Foi quando o MMA iniciou a realização de uma série de seis oficinas regionais e um encontro nacional para informar à população sobre os termos da nova Lei e recolher propostas destinadas a harmonizar os artigos que ainda precisam ser normatizados.

Quando terminar o prazo aberto à consulta pública, as contribuições serão sistematizadas e ajudarão a aperfeiçoar a proposta de decreto exposta no site do Palácio do Planalto. Depois, a versão final será assinada pela Presidente da República e publicada no Diário Oficial da União (DOU).
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Mais de 120 países pretendem assinar acordo de Paris

Você deve saber

Da Agência Brasil / Agência Lusa

Mais de 120 países já manifestaram a disposição de assinar o acordo da Organização das Nações Unidas de Combate às Alterações Climáticas, afirmou a ministra da Ecologia francesa, Segolene Royal, nessa quarta-feira (6). Para ela, a força do apoio significa que o acordo alcançado em Paris, em dezembro último, pode ser ratificado em Nova York em 22 de abril.

Quase 200 governos chegaram a um acordo em dezembro, que estabelece a meta de limitar o aquecimento global "bem abaixo" dos 2 graus Celsius (2ºC) em relação aos níveis pré-industriais. 

"Tinha estabelecido o objetivo de 100 assinaturas, mas já estamos acima das 120", afirmou Royal, durante entrevista em Paris.

O acordo porém só entra em vigor quando for ratificado por um mínimo de 55 países responsáveis por pelo menos 55% das emissões globais de gases de efeito estufa.

A Casa Branca garantiu, na semana passada, que os Estados Unidos, como a China, estarão entre os países que vão assinar o acordo em Nova York.

A União Europeia também já concordou, em março, em assinar, tal como a Índia, acrescentou Royal. 
Foto: Conexão Planeta


Biodiversidade brasileira.

MMA

O Brasil ocupa quase metade da América do Sul e é o país com a maior diversidade de espécies no mundo, espalhadas nos seis biomas terrestres e nos três grandes ecossistemas marinhos. São mais de 103.870 espécies animais e 43.020 espécies vegetais conhecidas no país. 

Suas diferentes zonas climáticas favorecem a formação de zonas biogeográficas (biomas), a exemplo da floresta amazônica, maior floresta tropical úmida do mundo; o Pantanal, maior planície inundável; o Cerrado, com suas savanas e bosques; a Caatinga, composta por florestas semiáridas; os campos dos Pampas; e a floresta tropical pluvial da Mata Atlântica. Além disso, o Brasil possui uma costa marinha de 3,5 milhões km², que inclui ecossistemas como recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos. Tudo isso pode ser pesquisado no Portal da Biodiversidade.

Esta abundante variedade de vida abriga mais de 20% do total de espécies do planeta, encontradas em terra e na água. Em termos globais, o Brasil incorporou as recomendações da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU) e apresenta um relatório anula sobre a situação da biodiversidade brasileira, no Panorama da Biodiversidade Global (Global Biodiversity Outlook – GBO). O documento contém, ainda, uma análise das ações globais com o objetivo de assegurar que a biodiversidade seja conservada e usada de forma sustentável, e que os benefícios advindos do uso dos recursos genéticos sejam equitativamente distribuídos.

A situação da biodiversidade brasileira é acompanhada de perto também pela Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), que tem papel relevante na discussão e implantação das políticas sobre a biodiversidade, bem como identificar e propor áreas e ações prioritárias para pesquisa, conservação e uso sustentável dos componentes da biodiversidade. Uma das grandes preocupações do governo é com as espécies brasileiras ameaçadas de extinção, sobreexplotadas - exploração excessiva, não-sustentável, em com consequências negativas que, cedo ou tarde, serão prejudiciais do ponto de vista físico/quantitativo, qualitativo, econômico, social ou ambiental - ou ameaçadas de sobreexplotação, requerendo políticas específicas de recuperação tanto de fauna terrestre e aquática como de flora. Ocorre que o processo de extinção está relacionado ao desaparecimento de espécies ou grupos de espécies em um determinado ambiente ou ecossistema.

Para estimular ações, pesquisas e desenvolvimento de projetos de conservação da biodiversidade, o Ministério do Meio Ambiente lançou o Prêmio Nacional da Biodiversidade. A proposta pretende conhecer o mérito de iniciativas, atividades e projetos de organizações não governamentais, empresas, sociedade civil, academia, órgãos públicos, imprensa e cidadãos, que se destacam na busca por melhoria ou manutenção do estado de conservação das espécies da biodiversidade brasileira, contribuindo para a implantação das Metas de Aichi para a Biodiversidade.

Ame!

Ame o mundo, proteja os animais.

Ame o mundo protegendo os animais.

Primeiro maracanãs, depois ararinhas-azuis



Foto: Luiz Carlos Ribenboim
Maracanã: semelhança biológica
Soltura das aves em Curaçá (BA) faz parte do plano de ação para reintroduzir na natureza a espécie que hoje só existe em cativeiro.

LUCIENE DE ASSIS

Em breve, o som estridente e alegre das ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) voando na companhia de outro parente, as maracanãs-verdadeiras (Primolius maracana), ecoará pelos ares do sertão baiano, pois as aves voltarão a povoar a região de Curaçá, norte da Bahia. Em dezembro de 2017 (data prevista), durante o período reprodutivo, um bando de 20 maracanãs, entre machos e fêmeas, será solto na fazenda Concórdia, às margens do riacho Melancia, uma área toda cercada de 2.380 hectares, pertencente à Al Wabra Wildlife Preservation.


A Al Wabra é uma organização sem fins lucrativos, sediada no Catar, dona de um criadouro particular de animais silvestres e que abriga o maior número de ararinhas-azuis criadas em cativeiro no mundo. E a soltura das maracanãs representará o início de um projeto-piloto destinado a preparar terreno para o retorno definitivo das ararinhas-azuis, extintas na natureza há mais de 15 anos.


As maracanãs-verdadeiras foram escolhidas pelo Grupo de Trabalho de Recuperação da Ararinha-azul para essa fase de testes por serem as aves mais parecidas, biologicamente, com essas ararinhas, inclusive nos quesitos comportamento e alimentação.


AMBIENTAÇÃO
Na sequência, em 2019, em comemoração aos 200 anos de descoberta da espécie pela ciência, haverá a soltura de um bando misto de ararinhas-azuis e maracanãs, na proporção de dez aves de cada grupo, machos e fêmeas. As aves serão monitoradas por, pelo menos, um ano por pesquisadores da Al Wabra Wildlife Preservation, e acompanhadas por veterinários.



Antes da soltura, as aves passam por uma fase de ambientação, que pode durar de um a três meses, para se adaptar em à alimentação e ao clima da região. Nesse período, as ararinhas serão acompanhadas por especialistas em comportamento, que treinarão os animais para, também, se prevenirem contra o ataque de predadores.


O projeto contará, ainda, com a coordenação de especialistas do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave/ICMBio), que atuam no programa de cativeiro do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-azul, o PAN Ararinha-azul, aprovado em 2012. A iniciativa terá o apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da comunidade local.


SANTUÁRIO
Os animais devem receber transmissores e anilhas de identificação para facilitar o monitoramento. Para viabilizar o trabalho dos pesquisadores, será construído, na fazenda Concórdia, o Centro de Reintrodução. A área foi escolhida por apresentar as melhores condições de soltura, de acordo com estudos realizados na região por pesquisadores na região de Curaçá. De acordo com informações do Cemave, existem hoje apenas 112 ararinhas, distribuídas em criadouros do Oriente Médio (Catar), Alemanha e Brasil.


O MMA e o ICMBio estão preparando o projeto de criação de uma unidade de conservação de uso sustentável, que deverá abranger, ao todo, 44.582,17 mil hectares. A área engloba, além da fazenda Concórdia, porções dos territórios municipais de Juazeiro e Curaçá, na região do Baixo-Médio Vale do Rio São Francisco, na Bahia.


Esse será o novo lar das ararinhas-azuis, um lugar totalmente inserido no bioma Caatinga, sendo que mais de 80% da área da UC proposta é formada pela vegetação savana estépica, pouco representada em unidades de conservação. Pesquisa realizada em 2014 registrou 204 espécies de aves na região, sendo 28 endêmicas da própria Caatinga, riqueza possibilitada pela grande heterogeneidade de habitats do local.


“Em parceria com a sociedade e os governos estadual e municipal, pretendemos estabelecer uma área na região, que abrangerá 7% do território do município”, explica o diretor de Espécies do MMA, Ugo Vercillo. Segundo ele, os estudos mostram que as melhores áreas para soltura da ave estão nas fazendas Concórdia, Gangorra, Caraibeiras e Prazeres. “Mas a soltura será na fazenda Concórdia, embora saibamos que as aves podem se deslocar para as outras localidades”, lembra o diretor de Espécies do MMA.


COMUNIDADE LOCAL
A unidade de conservação das ararinhas-azuis deve ser concebida e estabelecida como forma de se garantir o restabelecimento e aumento populacional da espécie, contando, também, com o apoio da comunidade local. O apoio da sociedade permitirá resguardar, mais eficazmente, o habitat das aves, a partir do direcionamento, para a região, de políticas públicas específicas, definidas pelo MMA, ICMBio, o governo da Bahia e prefeitura municipal de Curaçá.


Deflagradas essas ações, será possível proteger não apenas a Caatinga, mas, também, os fragmentos florestais de mata de galeria (ciliar) e a parcela de savana estépica importante para o ciclo de vida da ararinha naquele local. Fará parte da estratégia, a adoção de práticas agrícolas compatíveis com a preservação da espécie na área de uso das aves; a promoção da melhoria da qualidade de vida da comunidade local e seu engajamento na proteção das ararinhas-azuis e de outras espécies da região, como jacucaca (Penelope jacucaca), maracanã (Primolius maracana), tatu-bola (Tolypeutes tricinctus), onça-parda (Puma concolor) e gato-do-mato (Leopardus tigrinus).


NOVO COLORIDO
Os estudos socioeconômicos e fundiários para a criação dessa UC federal, um polígono situado na bacia hidrográfica do rio Curaçá, afluente do São Francisco, foram realizados, ainda em 2013, na área histórica de ocorrência original da ararinha-azul. Importa destacar que o estado da Bahia também está conduzindo um processo para criação de UCs estaduais na região próxima aos limites da UC federal indicada e que também ajudarão a proteger a Caatinga.


As áreas contemplam as serras existentes no entorno imediato da UC federal, onde estão alguns dos fragmentos de Caatinga em melhor estado de conservação do município de Curaçá, em particular as serras da Natividade, Canabrava, Borracha e Grutão. A Serra da Borracha, inclusive, é tida como um local histórico de ocorrência da ararinha-azul e da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari).


De acordo com a regulamentação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), constante na Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, e no Decreto nº 4.330, de 22 de agosto de 2002, as UC são criadas por ato do poder público federal, estadual ou municipal, após a realização de estudos técnicos e consulta pública que permitam identificar a localização, a dimensão e os limites mais adequados para a unidade.


Ugo Vercillo esclarece que a realização da consulta pública antes da criação da UC permite que a sociedade participe ativamente do processo, oferecendo subsídios para o aprimoramento da proposta. Compete ao órgão que está propondo a criação da nova UC elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar a consulta pública e os demais procedimentos para a criação da unidade.


READAPTAÇÃO
Sobre a reintrodução, a estratégia é soltar aves jovens, que usarão sua curiosidade nata para obter uma variedade considerável de alimentos, esquivando-se de predadores. O problema é que quanto mais tempo as aves passarem em cativeiro, menor o potencial de desenvolvimento cerebral, sendo menos flexíveis às mudanças, o que as torna mais vulneráveis ao ataque de predadores.


O plano é soltar, naquele espaço, aves de mais ou menos seis meses de vida, que podem retornar ao viveiro de ambientação quando quiserem, recebendo alimentação suplementar durante o período de transição entre o cativeiro e a vida livre na natureza (método conhecido como soft release).


Em 2014, nasceram 20 filhotes de ararinhas-azuis nos três criatórios particulares que abrigam exemplares da espécie, localizados no Brasil, Alemanha e Catar. “Percebemos que, aos poucos, essa ave pode voltar ao seu habitat”, diz, confiante, a analista ambiental do ICMBio/Cemave, Camile Lugarini. Ela esclarece que a região de Curaçá foi escolhida pelos especialistas “por sabermos que nesse município foi observado, há anos, o último macho da espécie e por ser uma área confirmada de distribuição histórica das ararinhas-azuis”.


A reintrodução das aves ocorrerá no período de chuvas, quando a disponibilidade de alimento será maior, entre os meses de dezembro e fevereiro. Estações de alimentação serão colocadas em árvores altas, facilitando o monitoramento da espécie e a suplementação alimentar. As aves serão soltas no período da manhã e, se necessário, ficarão presas no espaço de ambientação durante a noite, se retornarem ao recinto.


PLANEJAMENTO
Na verdade, Curaçá já está se preparando para receber as ararinhas-azuis. Em janeiro deste ano, dias 16 e 17, ocorreu uma reunião na cidade para tratar da reintrodução da ave na região. Representantes do poder público (MMA e ICMBio) e de associações populares, instituições estaduais e organizações não governamentais, e da prefeitura municipal de Curaçá debateram sobre um conjunto de ações com essa finalidade.

As ações contemplarão cinco eixos: proteção da Caatinga; adoção de práticas agroecológicas e agroflorestais para a preservação da espécie na área de uso das aves; melhoria da qualidade de vida da comunidade local; fiscalização e monitoramento; e educação, cultura, comunicação e engajamento da comunidade na proteção da espécie.


Para reforçar a estratégia conservacionista do governo federal, a coordenação do Programa Bolsa Verde, instituído pelo MMA, pretende incluir no programa as famílias da região que vivam em situação de extrema pobreza nas áreas tidas como berçário de animais ameaçados de extinção.  

CONSERVAÇÃO
O Programa Bolsa Verde visa beneficiar famílias que atuem na conservação do ambiente e na proteção de espécies ameaçadas de extinção, trazendo benefícios sociais à comunidade de Curaçá, inclusive com apoio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

A diretora de Extrativismo do MMA, Juliana Simões, explica que o Bolsa Verde visa apoiar as ações de conservação ambiental, além de produzir benefício social à comunidade.

O Programa de Apoio à Conservação Ambiental Bolsa Verde foi lançado em setembro de 2011 pelo governo federal. O propósito é repassar, a cada trimestre, R$ 300 a famílias em situação de extrema pobreza e que vivem em áreas consideradas prioritárias para conservação ambiental.

O benefício é concedido por um período de dois anos, com possibilidade de renovação. O objetivo é aliar o aumento de renda dessas populações à conservação dos ecossistemas e ao uso sustentável dos recursos naturais.

MATÉRIA RELACIONADA:
Bolsa Verde ajuda a proteger ararinhas-azuis

Mais um maravilhoso resgate da ONG Animal Aid.

https://www.youtube.com/watch?v=lVmm04OH8RI&nohtml5=False


 

Vídeo: Homem arrisca sua vida para salvar porquinho de afogamento

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Depois de cair em um poço, um porquinho exausto e aterrorizado foi incapaz de sair da emboscada, já que estava lutando para não se afogar. Sabendo deste ocorrido, uma equipe de resgate foi correndo ao local onde o pobre animal estava passando por um momento difícil – chegando lá, um homem arriscou sua vida para salvar o pobre animal.

Confira:  https://youtu.be/OGh_1cBX5Zw





quarta-feira, 6 de abril de 2016

Video lindo: Vangelis, la petite fille de la mer.

https://www.youtube.com/watch?v=UdPOCQGYwrk


 

Beleza versus crueldade.


Prefeitura de Cuiabá planta 1,5 mil árvores por semana. Meta é 10 mil até fim de abril


Aniversário da cidade foi "pretexto" para a ação


Imagem: Tchélo Figueiredo/Prefeitura de Cuiabá
A Prefeitura iniciou, ao fim de março, o plantio de 10 mil árvores por toda a cidade, em ação que se estenderá até o final do mês de abril. O primeiro local a receber cerca de 500 mudas foi o Morro do Condor, no bairro Coophamil, totalmente revitalizado.

O secretário de Serviços Urbanos, José Roberto Stopa, explicou que a iniciativa visa recuperar o título de “Cidade Verde” para o município e a quantidade deverá ultrapassar o número de espécies retiradas para as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

“Serão plantadas em torno de 1,5 mil mudas por semana, durante as comemorações do aniversário de Cuiabá. O objetivo é de que todas as vias sejam arborizadas, pois além do embelezamento, as árvores garantem uma temperatura mais amena e agradável”, disse Stopa.

Segundo ele, a Avenida Archimedes Pereira Lima ( Estrada do Moinho) será uma das vias totalmente arborizadas durante a ação e deve receber mudas de espécies nativas e ornamentais. “Ainda estamos fechando a lista completa dos locais que receberão árvores, mas as grandes avenidas estarão incluídas”, comentou o secretário.

Iniciativas para promover a arborização da cidade são realizadas desde o começo da gestão, com doação de mudas no Horto Florestal e ações voluntárias com Organizações Não Governamentais (ONGs). Em fevereiro, teve início o programa Plante uma Árvore, que incentiva os moradores a plantarem mudas nas calçadas e quintais das casas.

“Somente no primeiro mês do programa, foram plantadas mais de 150 mudas. Com esse programa, temos a garantia de que a planta não morrerá, uma vez que o plantio é feito por técnicos da secretaria, que orientam os moradores a respeito dos cuidados que a espécie escolhida requer”, explicou Stopa.

Qualquer pessoa interessada pode fazer o pedido através do Facebook da Secretaria de Serviços Urbanos, informando endereço, tipo de muda e se no local há rede elétrica próxima. Ou retirar as mudas desejadas diretamente no Horto Florestal.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá

Veja também:

-Nova Iorque conclui meta de plantar um milhão de árvores dois anos antes do prazo