segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Implementação do Código Florestal caminha a passos lentos, mostra relatório



Brasília, 20 de fevereiro de 2017 - Somente um de 14 pontos fundamentais para a implementação do Código Florestal andou de forma satisfatória em cinco anos de existência. Essa é a conclusão de um estudo feito pelo Observatório do Código Florestal, do qual o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) faz parte.


O único ponto que caminhou bem desde 2012 foi a inscrição de propriedade rurais no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar). Até 31 de dezembro de 2016, mais de 3,92 milhões de imóveis rurais, totalizando quase 400 milhões de hectares, foram inseridos na base de dados, segundo o Serviço Florestal Brasileiro, que faz a gestão do sistema.


Porém, o próprio sistema ainda precisa avançar em outros pontos, com a análise dos cadastros com base nos programas estaduais de regularização ambiental – que, por sua vez, existem em apenas em 15 estados, dos quais dois foram suspensos.


A análise ainda indica o atraso na definição de regras para cotas de reserva ambiental, um mecanismo financeiro previsto no Código Florestal, e para atividades produtivas em áreas de preservação permanente; na interação com outras políticas públicas, como zoneamento ecológico-econômico e programa de conversão de multas; e em mecanismos de transparência, ainda que a divulgação de dados vetoriais do Sicar em novembro sejam um avanço nesta área.


“Desde que foi aprovado, em 2012, o novo Código Florestal tem como fundamento conciliar conservação ambiental com produção agropecuária e desenvolvimento socioeconômico”, explica o pesquisador de política ambiental do IPAM, Tiago Reis, um dos coordenadores do trabalho. “Para que cumpra esse papel, a sociedade e os entes governamentais precisam se unir em torno desse objetivo.”


É preciso acelerar a regulamentação de instrumentos importantes, como os ligados a incentivos econômicos, diz Reis. “Sem avanço, perdem todos aqueles que agiram corretamente, dentro da lei.”


O estudo “Código Florestal – Avaliação 2012-2016” está disponível para download gratuitamente.

Mais informações para a imprensa:
Cristina Amorim, cristina.amorim@ipam.org.br ou (61) 99127-6994.

Visitação em unidades de conservação federais cresceu em 2016


A Reserva Extrativista Marinha Arraial do Cabo (RJ) é a novidade da lista de unidades de conservação mais visitadas. Em 2015, ela assumiu o 5º lugar. Foto: Acervo ICMBio
A Reserva Extrativista Marinha Arraial do Cabo (RJ) é a novidade da lista de unidades de 
conservação mais visitadas. Em 2015, ela assumiu o 5º lugar. Foto: Acervo ICMBio


Na quarta-feira (15/02), o ICMBio divulgou o balanço da visitação nas unidades de conservação federais em 2016. Os números indicam uma leve alta em relação a 2015, passando de 8,07 milhões para 8,29 milhões.


A unidade mais visitada continua sendo o Parque Nacional da Tijuca (RJ) que recebeu 2.720.517 de pessoas. Em seguida, vem o Parque Nacional do Iguaçu (PR) com 1.560.792 visitantes, o Parque Nacional de Jericoacoara (CE) com 780 mil, e o Parque Nacional de Fernando de Noronha (PE) com 389 mil.


Nesta lista das unidades mais frequentadas, a novidades é a Reserva Extrativista Marinha Arraial do Cabo (RJ) que, graças a um esforço de monitoramento do número de visitantes, passou a figurar na quinta posição, com 382.647 visitantes. Fechando o topo da lista estão o Parque Nacional de Brasília (DF), a Área de Proteção Ambiental da Costa dos Corais (AL/PE), a Floresta Nacional dos Carajás (PA), o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (RJ) e Parques Nacional da Chapada dos Guimarães (MT).
Infográfico: Celise Duarte/Ascom ICMBio
Infográfico: Celise Duarte/Ascom ICMBio

Segundo a Coordenação de Visitação do ICMBio, os resultados permitem melhor entendimento da importância das unidades de conservação como indutores do desenvolvimento econômico a partir do estímulo ao ecoturismo. Os dados ajudam a construir políticas mais sólidas de implementação das unidades de conservação, assim como identificar oportunidades de parcerias com a iniciativa privada e compatibilizar o desenvolvimento das atividades de visitação com os esforços de conservação da biodiversidade.

*Com informações da Comunicação ICMBio

China inaugura maior ciclovia aérea do mundo




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017


Com 7.6 km a ciclovia possui 11 saídas e acessos à estações de metrô e ônibus.


A ciclovia suspensa mais longa do mundo foi inaugurada em janeiro na província de Xiamen, na China. Todo o conceito do projeto foi desenvolvido há cerca de oito anos por estudantes do ensino médio no concurso anual de Ciência e Tecnologia da Juventude da cidade de Xiamen.


A ciclovia aérea, que está em fase de testes, oferece uma opção de viagem alternativa na cidade para reduzir o tráfego e a poluição do ar.


O trajeto elevado é de quase oito quilômetros e corre abaixo do sistema elevado de BRT (Bus Rapid Transit) já existente na cidade. Ela possui 11 saídas para estações de metrô e ônibus. As bicicletas podem ser alugadas e devolvidas em diversos locais em toda a cidade.


A pista tem capacidade para atender até 2.000 bicicletas por hora e tem um limite de velocidade máximo de 24 quilômetros por hora. Os portões de acesso à ciclovia fecham automaticamente quando ela atinge sua capacidade total. A parte mais alta do percurso fica a quase 5 metros do chão.


As pesquisas adiantadas da nova estrutura na cidade são positivas. “É bom andar de bicicleta debaixo do céu azul ao sol”, disse um morador local Wu Xueying ao site de notícias chinês Xinhua. Ele também comentou que o guarda-corpos o ajudou a se sentir seguro.


Outro residente disse que sua jornada de trabalho levou a mesma quantidade de tempo, seja ele dirigindo um carro ou andando de bicicleta pelo caminho aéreo, informou ainda ao Xinhua.


Um empreendimento similar é o Cykelslangen, ou Cycle Snake, uma pista de bicicleta elevada em Copenhague (veja aqui).


Fonte: Ciclo Vivo

Greenpeace divulga as primeiras imagens dos Corais da Amazônia


Por Sabrina Rodrigues
Foto: ©Greenpeace
Imagens mostram o que está em risco caso empresas explorem petróleo na região. 


Foto: ©Greenpeace



Após quase uma semana de viagem, o Greenpeace divulgou no final de semana as primeiras imagens do recife de coral da bacia sedimentar da Foz do rio Amazonas, que se estende entre a costa do Amapá, passando pela costa do Maranhão até a Guiana Francesa. São 9.500 km² de extensão de um ecossistema descoberto apenas no ano passado.



Submerso pela água barrenta, nos recifes na costa amazônica predominam esponjas e algas calcárias, que se adaptam melhor à falta de luz. A descoberta foi publicada na edição de 18 de abril de 2016, da revista científica Science, por uma equipe de pesquisadores brasileiros e americanos.



A expedição agora realizada pela ONG Greenpeace tem como objetivo divulgar a importância do recife descoberto, que já sofre pressão de petrolíferas. Pelo menos três empresas já solicitaram licença para perfurar poços na bacia da foz do Amazonas.



“Ainda pouco conhecemos esse ecossistema e um vazamento poderia ser desastroso. Um dos blocos de petróleo está a apenas oito quilômetros do recife. Devemos defender toda a região da bacia da foz do rio Amazonas da ganância corporativa que coloca o lucro à frente do meio ambiente. Os processos de licenciamento ambiental já estão a caminho", afirma Thiago Almeida, da campanha de Energia do Greenpeace Brasil.


Registros
A 220 metros de profundidade, a mais de 100 quilômetros da costa brasileira, foram vistos recifes com esponjas, corais e rodolitos (algas calcárias), expondo para as lentes suas cores e formas. Também foram avistados peixes como o atum e a cioba e peixes herbívoros, comprovando a
presença de algas, apesar da pouca luz do sol que chega até lá.



“Ali existe um ecossistema bem diverso. Em boa parte do recife, o chão é cheio de vida. Estou me sentindo como alguém que volta de outro planeta”, conta Ronaldo Francini Filho, professor de Biologia Marinha da Universidade Federal da Paraíba, que participou da expedição junto com as equipes do Greenpeace Brasil e Estados Unidos.

Foto: ©Greenpeace
Foto: ©Greenpeace
Foto: ©Greenpeace
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Foto: ©Greenpeace
Foto: ©Greenpeace
Foto: ©Greenpeace

Expedição pelos corais termina com o avistamento de três novas espécies


Por Sabrina Rodrigues
©Greenpeace
©Greenpeace
A expedição de divulgação do recife de coral da Foz do rio Amazonas chegou ao fim após 20 dias de navegação pelos 9,5 km² de extensão do ecossistema, que se estende da foz do rio Amazonas a Guiana Francesa. A descoberta do santuário foi publicada em abril de 2016, pela revista científica Science.


No começo de janeiro, uma equipe de pesquisadores exploraram o recife a pedido do Greenpeace. Nesta quinta-feira (16), as últimas fotos do local foram postadas e os cientistas comemoraram o avistamento de três possíveis novas espécies de peixes - dois de peixe-borboleta e um de budião-sabão - e também de um paredão de cerca de 70 metros de altura e 10 quilômetros, que não estava indicado nos mapas do fundo do mar da área.


Após percorrerem todo o percurso, os pesquisadores desconfiam que a área seja duas ou três vezes maior do que o publicado originalmente, quando o recife foi descoberto.


O petróleo é inimigo
O greenpeace já havia iniciado uma campanha contra a exploração de petróleo na região e o pedido agora se intensificou. Pelo menos três empresas já solicitaram ao governo licença para perfurar poços na bacia da foz do Amazonas.


“Essa expedição mostrou que sabemos muito pouco sobre nossos oceanos e a necessidade de protegê-los. Nós temos que evitar que o petróleo ameace esse único, novo e intocado bioma”, afirma Thiago Almeida, da campanha de Energia do Greenpeace.


©Greenpeace
©Greenpeace
©Greenpeace ©Greenpeace

Fundação Boticário seleciona projetos de conservação no Sul e Sudeste


Por ((o))eco
Fundação financiará iniciativas realizadas no Pampa, Campos Sulinos e Floresta de Araucárias. Foto: Eduardo Amorim/Flickr.
Fundação financiará iniciativas realizadas no Pampa, Campos Sulinos e Floresta de Araucárias. 
Foto: Eduardo Amorim/Flickr.


Estão abertas as inscrições para o Edital de Apoio a Projetos de Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Podem concorrer iniciativas de conservação que atuam nos biomas Pampa, Campos Sulinos e nas Florestas com Araucárias. O edital segue aberto até o dia 31 de agosto.
Esse é o segundo edital lançado pela Fundação Grupo Boticário este ano. Desde 1991, a Fundação realiza duas chamadas anuais. a partir desta edição, a segunda chamada de cada ano será regionalizada, enquanto as chamadas dos primeiros semestres continuarão selecionando iniciativas em todo o Brasil.


"O objetivo é concentrar esforços em áreas prioritárias para a conservação e que necessitam de ações urgentes, permitindo que as iniciativas selecionadas se complementem mais facilmente, em virtude da proximidade de atuação”, explica a diretora executiva da instituição, Malu Nunes. Instituições de todo o país podem inscrever projetos.


O processo de inscrição está disponível na seção ‘Editais’ do site da fundação. Mais informações, encaminhe um e-mail para o endereço abaixo. edital@fundacaogrupoboticario.org.br.

Fundação O Boticário abre inscrições para projetos de conservação


Por Sabrina Rodrigues
Uma das linhas temáticas do atual edital são as Unidades de Conservação de Proteção Integral e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). RPPN Chácara Edith, em Brusque, Santa Catarina. Foto: Sandro Salomon.
Uma das linhas temáticas do atual edital são as Unidades de Conservação de Proteção Integral e 
Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). RPPN Chácara Edith, em Brusque, 
Santa Catarina. Foto: Sandro Salomon.


A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza já apoiou 1.493 projetos de 493 instituições em todo o Brasil nos últimos 26 anos. Mais uma vez, a instituição abre inscrições para a primeira chamada anual do Edital de Apoio a Projetos em 2017, selecionando iniciativas conservacionistas em todas as regiões do país.
As inscrições estão abertas e podem ser realizadas até o dia 31 de março na seção ‘Editais” do site da Fundação. Para concorrer ao apoio é necessário que a iniciativa seja realizada por instituições privadas sem fins lucrativos, como fundações ligadas a universidades e organizações não governamentais.


O edital é dividido em três linhas temáticas:
  • Unidades de Conservação de Proteção Integral e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN): criação, ampliação e execução de ações prioritárias indicadas em seus planos de manejo.
  • Espécies Ameaçadas: ações que visem proteger as espécies brasileiras ameaçadas de extinção. Esses projetos devem ter como objetivo colocar em prática ações previstas nos Planos de Ação Nacional (PANs), buscando melhorar os seus status de conservação. Também são previstas ações emergenciais para aquelas que ainda não possuam PANs ou que enquadrem uma espécie em listas oficiais de ameaças.
  • Ecossistemas Marinhos e costeiros: iniciativas que visem minimizar as ameaças à biodiversidade dos ecossistemas costeiros e marinhos, que estão longe da meta de proteção da Convenção da Diversidade Biológica.
  •  
Para mais informações ou caso de dúvidas, os interessados podem entrar em contato com a equipe de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário, pelo e-mail edital@fundacaogrupoboticario.org.br.

Bonito: Incêndio expõe fragilidade e destrói um terço do Banhado do Rio Formoso

Por Fabio Pellegrini
Foto: Cabo Marques/ PMA
Cercado por lavouras de soja e pastagens, Banhado do Rio Formoso atingido por chamas é
refúgio de animais em extinção. Foto: Divulgação.


Campo Grande (MS) – Um incêndio de grandes proporções atingiu o Banhado do Rio Formoso, em Bonito, Mato Grosso do Sul, na quinta-feira (9) e durou até domingo (12), queimando aproximadamente 39% dos seus 2.275 hectares, segundo o Núcleo de Geoprocessamento de Bonito. Moradores ficaram receosos do fogo atingir atrativos turísticos, sedes de fazendas e chácaras e se mobilizaram no combate.



O fogo teria sido causado por raios e atingiu a vegetação nativa se alastrando por pelo menos 20 propriedades rurais. O combate foi feito por membros da Polícia Militar Ambiental, Guarda Municipal, funcionários e proprietários das propriedades atingidas, guias de turismo e voluntários, tendo apoio de um helicóptero particular, um caminhão-pipa da prefeitura de Bonito e bombeiros da cidade vizinha de Jardim.



O secretário de Meio Ambiente de Bonito, Alexandre Ferro, publicou nota no sábado (11) dizendo que “a natureza nos mandou dois ou mais raios, que caíram no banhado do Rio Formoso, e o fogo se alastrou”. Segundo ele, devido ao terreno brejoso, característica do local, “o acesso é muito difícil e isso não permitiu um controle rápido e efetivo”.


O comandante da PMA de Bonito, sub-tenente Rebechi, disse que na segunda-feira a situação ficou controlada, devido a chuva e aos esforços: “Há 99% de chances do fogo ter causas naturais pois o lugar onde começou é inacessível, é brejo. Os fazendeiros gradearam ao redor das plantações e pastagens para protegê-las. O fogo pegou somente no banhado”.


Os prejuízos ainda não foram calculados. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra dois rapazes tentando capturar um tamanduá-mirim que fugia do fogo e se lançava no rio Formoso.


“A cidade não tem Corpo de Bombeiros, exceto no aeroporto. Ainda mais com a infelicidade de ter acontecido em um período do ano em que as brigadas de incêndios florestais estão desmobilizadas”.
Para o fotógrafo Daniel De Granville, que atua como guia para documentaristas de natureza na região e depende diretamente do bom estado de conservação do banhado e dos rios, o problema trouxe à tona a falta de estrutura para lidar com problemas assim: “A cidade não tem Corpo de Bombeiros, exceto no aeroporto. Ainda mais com a infelicidade de ter acontecido em um período do ano em que as brigadas de incêndios florestais estão desmobilizadas”.


A brigada do Parque Nacional da Serra da Bodoquena é formada pelo ICMBio e Ibama somente nos meses da estação de seca, entre maio e setembro. O banhado é caracterizado pelo capim-navalha, que chega a alcançar dois metros de altura e o solo encharcado, que acumula matéria orgânica, atuando como fonte primária de alimento e abrigo para diversas espécies, inclusive algumas em extinção.



“O acúmulo dessa matéria orgânica funciona como estoque de água, como uma esponja que armazena água para o ano inteiro. Essa água flui limpa e é a razão da perenização dos rios”, explica o botânico Arnildo Pott.


O Banhado do Rio Formoso é uma das três áreas que o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Condema) pretendia transformar em unidade de conservação na categoria Refúgio de Vida Silvestre,  mas que tiveram o processo interrompido judicialmente pelo Sindicato Rural de Bonito.
O superintendente da Fundação Neotrópica do Brasil, Nicholas Kaminski, entidade favorável à criação da unidade de conservação, lembra que o banhado não é área de preservação permanente (APP), portanto não está protegido legalmente.


“A presença de um maior número de UCs no entorno do Parque Nacional da Serra da Bodoquena pode dar um maior respaldo para manutenção de equipes de combate a incêndios como o Prevfogo de maneira permanente, e não apenas durante seis meses do ano”, diz ele.


“Embora natural, o fogo acaba por impactar o banhado, visto que o entorno está severamente modificado por práticas agrícolas. Dessa forma, com o incêndio, o ambiente não possui a mesma resiliência para se recuperar. A fauna não tem ambientes que dão suporte a ela enquanto a vegetação se recupera e há um comprometimento, mesmo que temporário, das funções que o banhado realizava, pois não há mata o entorno. É um ambiente bem peculiar que foi danificado”, diz Kaminski.
Técnicos do Núcleo de Geoprocessamento de Bonito traçaram polígono a partir da imagem do satélite e calcularam que o fogo devastou aproximadamente 880 hectares.Imagem: NUGEO Bonito.
Técnicos do Núcleo de Geoprocessamento de Bonito traçaram polígono a partir da imagem do
satélite e calcularam que o fogo devastou aproximadamente 880 hectares.

Imagem: NUGEO Bonito.

Justiça condena empresa por fraude em sistema de controle do Ibama


Por Sabrina Rodrigues
A fraude no sistema eletrônico DOF do Ibama possibilitava a comercialização de madeiras extraídas de forma ilegal. Foto: Ibama.
A fraude no sistema eletrônico DOF do Ibama possibilitava a comercialização de madeiras extraídas
 de forma ilegal. Foto: Ibama.



O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) condenou a empresa D.M.E. Indústria e Comércio de Carvão LTDA-EPP, mais os envolvidos Domingos Santos Lima, Esaú Gomes Ferreira, Francisco Bezerra da Silva e Maria do Carmo Rodrigues dos Santos, a pagar uma indenização de R$ 9,2 milhões e multa no valor de R$ 1 milhão por fraude no sistema de controle do Ibama que emite o chamado Documento de Origem Florestal (DOF), que prova que o produto florestal transportado tem permissão do órgão ambiental. Esse produto pode ser carvão vegetal, madeira ou lenha.



As punições são resultados da “Operação Ouro Verde II”, que identificou a fraude. O esquema funcionava da seguinte forma: os fraudadores colocavam dados falsos no sistema eletrônico DOF, com isso várias empresas passavam a ter créditos fictícios, possibilitando assim a comercialização de madeiras extraídas de forma ilegal. No total, foram comercializados créditos virtuais correspondentes a 9.991,385 m³, lançados de forma fraudulenta no sistema do Ibama. Além disso, DOFs eram impressos para acobertar o produto durante o seu transporte.



O valor da indenização a ser paga por danos materiais foi calculado com base na quantidade de madeira ilegalmente comercializada (9,991,385 m³) pelo valor de mercado do metro cúbico (R$ 929,33), na época.


Esse esquema já está sendo considerado uma das maiores fraudes ambientais ocorridas no Estado do Pará, pelo número de pessoas envolvidas, pela quantidade de madeira e dinheiro movimentados. A fraude ocasionou perda de solo e de nutrientes, deslocamento de mão-de-obra, incremento de dióxido de carbono na atmosfera e diminuição da disponibilidade hídrica.


*Com informações da assessoria de imprensa do Ministério Público Federal no Pará




quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Turistas que tiraram filhote de tubarão da água para foto são multados pelo ICMBio




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017


Episódio ocorreu na Unidade de Conservação de Fernando de Noronha (PE) e foi considerado crime ambiental

Dois turistas que fizeram uma filmagem com um filhote tubarão em Fernando de Noronha (PE) e o retiraram da água para gravar as imagens foram multados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em R$ 10 mil cada um. O animal chegou a se debater e mordeu o dedo da mulher que o segurava.




A turista sofreu ferimentos leves na mão, foi atendida no hospital São Lucas e, nesta terça-feira (7), prestou esclarecimentos ao Núcleo de Gestão Integrada (NGI) do ICMBio na ilha. Após investigações dos servidores e depoimento dos envolvidos, o NGI não teve dúvida: o casal cometeu crime ambiental.





Em nota, o Instituto faz questão de destacar que “o arquipélago de Fernando de Noronha proporciona a moradores e visitantes oportunidade única de vivenciar ambiente natural protegido onde as espécies vivem, interagem e completam seus ciclos naturais. Por isso, todos devem observar e contemplar a vida natural, interferindo o mínimo possível”.





A espécie que foi capturada pelo casal era o tubarão-limão e está ameaçada de extinção. O animal pode atingir cerca de 3 metros de comprimento. O nome é devido à coloração amarelada do dorso. É encontrado principalmente nas porções tropicais e sub-tropicais da costa da América do Norte e da América do Sul, no Oceano Atlântico. A sua distribuição vai desde o nordeste dos Estados Unidos até o Brasil, passando pelo Caribe e Golfo do México. Normalmente vive em regiões costeiras em águas de profundidade moderada junto ao fundo de areia.
Fonte: EcoDebate

Verão e chuvas reacendem discussão sobre qualidade da água no litoral



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017


Especialista alerta para cuidados permanentes com a qualidade da água e não apenas durante a temporada





De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que acompanha constantemente a balneabilidade do litoral, na cidade do Rio de Janeiro, a maioria das praias estão impróprias para banho. Na região da Ilha do Governador e Sepetiba, todas as praias estão com qualidade abaixo do aceitável para banho. Apenas as regiões da Zona Oeste e Zona Sul apresentam praias próprias para banhistas.



De acordo com Ariel Scheffer, biólogo e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, a preocupação com a qualidade da água deve ser constante e não apenas durante a temporada. “Embora o aporte de esgoto diminua fora da temporada de verão, para os moradores fixos do litoral o problema de comprometimento da balneabilidade persiste fora dessa época e deveria receber atenção constante ao longo do ano”, reforça.





Um estudo da SOS Mata Atlântica, de 2015, sobre a qualidade das águas de 183 rios de 11 estados revelou que 36,3% dos pontos de coleta analisados apresentam qualidade ruim ou péssima, 59,2% estão em situação regular e, em 13 pontos foram encontradas águas com qualidade boa, representando apenas 4,5% do total. “Levando-se em conta que a qualidade das águas costeiras brasileiras é bastante influenciada pelas condições de saneamento básico existente nas cidades litorâneas, sendo que a média nacional de esgoto coletado é de apenas 24%, pode-se dizer que a situação é grave”, aponta Scheffer.




Praias e rios limpos são sinônimo de alegria no verão, mas também são sinais de saúde para todas as espécies. Para os humanos, as consequências de se banhar em um ambiente contaminado podem envolver infecções (garganta, ouvido e olhos), diarreia, doenças de pele, gastroenterite e, em casos mais graves, hepatite A, cólera e febre tifoide. Para a fauna marinha os riscos também existem.
“Temos que considerar que a qualidade de água não é dada somente pelos parâmetros da balneabilidade, mas envolvem tipos de contaminantes mais persistentes, como produtos ou substâncias químicas, que podem ser mais perigosos que a contaminação fecal trazida pelos esgotos. Ainda temos a poluição por resíduos sólidos, sedimentos e até poluição biológica por espécies invasoras, que podem prejudicar nossa saúde, a biodiversidade e a economia da região”, defende Scheffer.




O especialista alerta ainda para outros fatores que são determinantes na manutenção da qualidade das águas durante períodos mais longos. “É preciso estar atento ao papel dos ecossistemas costeiros, incluindo as florestas, matas ciliares, manguezais, restingas, dunas, praias e costões e, também, os benefícios tangíveis e intangíveis de sua preservação. Além da necessidade de cobrar dos governos estaduais e locais os investimentos para saneamento”, afirma.




Scheffer dá um exemplo de intervenção para a manutenção dos serviços relacionados à água, como a criação de unidades de conservação – que são áreas naturais legalmente protegidas –, públicas e privadas. Alguns exemplos na região litorânea do Paraná são o Parques Estadual do Pico Marumbi e a Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba.






 “Se mantivermos os ecossistemas naturais bem conservados, eventuais cargas difusas de contaminação não resultam na perda expressiva da qualidade da água no litoral. Esta manutenção ecossistêmica da qualidade ambiental ajuda a promover o ‘marketing’ positivo da região, potencializa a economia local e mantém a boa qualidade de vida para os moradores e turistas”, conclui.




* Ariel Scheffer é membro da Rede de Especialistas de Conservação da Natureza, uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
Fonte: EcoDebate

Estudo internacional indica que não há nível de desmatamento seguro para o clima na Amazônia

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017


Destruição da floresta interfere no transporte da umidade entre o oceano e o continente, alterando chuvas



Por Júlio Bernardes, do Jornal da USP
A interação entre a biosfera e a atmosfera na Amazônia é muito complexa para permitir uma estimativa segura de um nível de desmatamento que não interfira no clima da América do Sul. A conclusão é de um estudo internacional com a participação do Instituto de Física (IF) da USP. Os pesquisadores comprovaram, por meio de fórmulas matemáticas, que a destruição da floresta nativa tem efeito negativo no transporte da umidade entre o oceano e o continente, alterando a quantidade de chuvas na região destruída e em áreas distantes dos desmatamentos. Os resultados do estudo são descritos em artigo da revista Nature Scientific Reports.



A América do Sul apresenta o clima de monções, no qual a alternância entre a estação seca e a chuvosa é influenciada pelos ventos que trazem umidade do Oceano Atlântico. “Nos meses de inverno, entre junho e agosto, os ventos vão em direção à Colômbia, Venezuela e norte do Peru, até o Oceano Pacífico, e as chuvas ocorrem nessas regiões”, explica o professor Henrique Barbosa, do IF, um dos autores do artigo. “Entre dezembro e abril, em especial no verão, a Cordilheira dos Andes faz os ventos desviarem na direção do Sul do Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Sul e Sudeste do Brasil, aumentando as chuvas nessas regiões e na Amazônia brasileira.”



Barbosa aponta que diversos pesquisadores já alertaram para o risco de “savanização” da região, em referência à formação vegetal africana de clima seco. “Isso pode acontecer por meio de um processo denominado die back, ou ‘morte espontânea da floresta”, afirma. “O desmatamento altera o regime de temperatura e precipitação. Isso faz com que a vegetação de maior porte não sobreviva, dando lugar a espécies menores, como as do cerrado brasileiro, mesmo nas regiões que não foram desmatadas. O mesmo processo pode ocorrer devido às mudanças climáticas”.


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A pesquisa utilizou o método das redes complexas, uma ferramenta para análise de dados usada por físicos para o estudo de sistemas dinâmicos. “A rede é representada por um conjunto de pontos ligados por linhas. Combinados, eles formam uma rede que pode ser estudada através de métodos matemáticos”, diz o professor do IF. “Na pesquisa sobre o clima da Amazônia, os pontos são a latitude e a longitude de cada área; as linhas, a quantidade de umidade transportada pelos ventos. Assim, é possível identificar pontos muito importantes na rede, como regiões que fazem a intermediação no transporte de umidade, como o Arco do Desmatamento, no Acre e em Rondônia.”



Efeito negativo
O trabalho enfatizou que o desmatamento gera um efeito negativo no mecanismo de retroalimentação das chuvas. “Normalmente, o vapor de água é trazido dos oceanos pelos ventos. Então no continente ele se condensa e chega à superfície na forma líquida, com as chuvas”, relata o professor do IF. “Essa água é absorvida pelas grandes árvores da Amazônia, e parte volta à atmosfera por meio da evapotranspiração. Isso ajuda a manter o ar úmido, e esta umidade é carregada por milhares de quilômetros pelos ventos, levando as chuvas para toda a região.”



O desmatamento, segundo a pesquisa, diminui a evapotranspiração, faz com que o ar fique mais seco e diminua a quantidade de chuvas. “Isto também reduz a velocidade dos ventos e o transporte de umidade sobre a floresta, fazendo com que venha menos vapor de água do oceano, diminuindo ainda mais as chuvas”, ressalta Barbosa. Os pesquisadores criaram uma equação para representar o mecanismo de retroalimentação, entre a precipitação e o transporte de umidade, e variaram as dimensões do desmatamento para estudar os seus efeitos. “Quando incluímos esta retroalimentação, a resposta do sistema (redução das chuvas em função do desmatamento) passou a ser fortemente não linear, caótica, imprevisível.”



Este resultado demonstrou que não é possível estabelecer um nível de desmatamento seguro, ou seja, que não vá mudar o comportamento do sistema. “Pesquisadores apontam que haveria dois estados de equilíbrio para a Amazônia, um com a floresta nas dimensões atuais e outro com menos chuvas e evapotranspiração, e vegetação similar à do cerrado”, diz o físico. “A transição do sistema para o outro estado de equilíbrio seria catastrófica. Com a redução do porte da vegetação, que armazena o carbono, a quantidade de gás carbônico liberado na atmosfera seria enorme, e consequentemente contribuiria fortemente com as mudanças climáticas em todo o planeta.”



A pesquisa faz parte de um projeto temático da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com a Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG), fundação de pesquisa da Alemanha. A coordenação do projeto é dos pesquisadores Elbert Macau, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e Jürgen Kurths, do Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK), na Alemanha. O artigo A deforestation-induced tipping point for the South American monsoon system, publicado pela revista Nature Scientific Reports, é assinado por físicos do IF, do PIK e da École Normale Supérieure (França).



Fonte: EcoDebate

Terras indígenas têm 80% da biodiversidade

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017


Mais de 370 milhões de pessoas se reconhecem como indígenas em 70 países, e seus territórios ancestrais concentram mais de 80% da diversidade biológica do planeta. Só na América Latina, há mais de 400 povos, embora a maior concentração ocorra na Ásia Pacífico, com 70% de sua população se definindo como indígena.





Os povos indígenas têm ricas culturas ancestrais que consideram seus sistemas sociais, econômicos, ambientais e espirituais interdependentes.




Graças aos seus conhecimentos tradicionais e à sua compreensão da gestão dos ecossistemas, os indígenas realizam uma contribuição valiosa para o patrimônio da humanidade. “Mas também estão entre os grupos mais vulneráveis, marginalizados e desfavorecidos”, alerta o Fundo Internacional par ao Desenvolvimento Agrícola (Fida). “E têm variados conhecimentos profundos do mundo natural”, destaca essa organização com sede em Roma.





“Infelizmente, com frequência os povos indígenas pagam o preço de serem diferentes e sofrem discriminação”, apontou o Fida, que inicia hoje uma Reunião Global sobre o Fórum de Povos Indígenas, que terminará no dia 13, na capital italiana. Essa agência da Organização das Nações Unidas (ONU) reunirá representantes de instituições indígenas, bem como seus sócios para manter um diálogo direto entre todos e melhorar a participação dos povos autóctones nos programas nacionais que financia.






Há séculos as comunidades indígenas são “despojadas de suas terras, seus territórios e recursos, e perderam o controle sobre seus estilos de vida. Representam 5% da população mundial, mas também 15% dos pobres”, relata o Fida. Uma das formas mais efetivas para tirá-los da pobreza é apoiar seus esforços para desenhar e decidir seus destinos, bem como garantir que participem da criação e da gestão das iniciativas de desenvolvimento.






A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 13 de setembro de 2007, estabelece um marco universal de padrões mínimos para sua sobrevivência, seu bem-estar e o gozo de seus direitos. O documento trata de direitos individuais e coletivos; questões de identidade e de cultura; educação; saúde; emprego e idiomas. Além disso, proíbe a discriminação e promove sua total e efetiva participação em todos os assuntos que lhes dizem respeito.




Também garante o direito de permanecerem diferentes e perseguirem suas próprias prioridades em termos econômicos, sociais e desenvolvimentos culturais. O Dia Internacional dos Povos Indígenas é comemorado todo 9 de agosto para destacar seus direitos. O Fida trabalha, há mais de 30 anos, com povos indígenas, e, desde 2003, 22% do seu orçamento anual é destinado a projetos referentes a eles, principalmente na América Latina e Ásia.




Desde 2007, é administrado o mecanismo de assistência aos povos indígenas (Ipaf). Mediante pequenos empréstimos de até US$ 50 mil, são financiados pequenos projetos apresentados por eles, a fim de fortalecer sua cultura, sua identidade, seu conhecimento, seus recursos naturais bem como seus direitos humanos e o de propriedade intelectual.



Para facilitar a concretização dos compromissos, o Fida criou o Fórum dos Povos Indígenas, que promove o diálogo e as consultas entre organizações indígenas, funcionários do fundo e os Estados membro. Ao fortalecer as organizações de base e a governança local, também ajuda as comunidades indígenas a participar do desenho de estratégias para seu desenvolvimento e a perseguir seus próprios objetivos e visões.


A terra não só é fundamental para a sobrevivência dos povos indígenas, como é para a maioria das populações rurais, mas principalmente é central para sua identidade. “Possuem uma profunda relação espiritual com seus territórios ancestrais. Além disso, quando têm um acesso seguro à terra também têm uma base firme a partir da qual melhorar seu sustento”, destaca o Fida.



As comunidades indígenas e seus sistemas de conhecimento podem desempenhar um papel vital na conservação e gestão sustentável dos recursos naturais. O Fida – também chamado de banco dos pobres, por oferecer empréstimos e créditos a juros baixos para comunidades rurais pobres – reconhece o potencial não aproveitado das mulheres indígenas como administradoras dos recursos naturais e da biodiversidade, como guardiãs da diversidade cultural e como agentes de paz e intermediárias na mitigação de conflitos.



Entretanto, as indígenas costumam estar entre os integrantes mais desfavorecidos de suas comunidades por causa de seu limitado acesso à educação, aos seus ativos e aos créditos, bem como pela sua exclusão dos processos de decisão.



O Fida é um órgão especializado da ONU, criado como instituição financeira internacional em 1977, um dos resultados mais importantes da Conferência Mundial sobre Alimentação de 1974, organizada para responder à crise alimentar do começo da década de 1970 e que afetou particularmente os países africanos do Sahel. Nessa conferência, os participantes acordaram sobre a “necessidade de ser criado imediatamente um fundo internacional para financiar projetos de desenvolvimento agrícola, principalmente destinados à produção de alimentos nos países em desenvolvimento”.



Um dos elementos mais importantes derivados da Conferência foi a compreensão de que a insegurança alimentar e a fome não eram causadas tanto pelas más colheitas, mas por problemas estruturais relacionados com a pobreza, e o fato de que a maioria das populações pobres dos países em desenvolvimento se concentram em zonas rurais.
Desde sua criação o Fida investiu US$ 18,4 bilhões que beneficiaram cerca de 464 milhões de pessoas em áreas rurais.



Fatos fundamentais



* Há mais de 370 milhões de pessoas que se autodefinem como indígenas em pelo menos 70 países
* A Ásia concentra o maior número de indígenas.
* Existem cerca de cinco mil grupos indígenas que ocupam aproximadamente 20% das terras do planeta.
* Os povos indígenas representam menos de 6% da população mundial, mas falam mais de quatro mil lingas, das quais sete mil existem atualmente.
* Uma das principais causas da pobreza e marginalização das comunidades indígenas é a perda de controle sobre suas terras, seus territórios e recursos naturais.
* Os indígenas têm um conceito de pobreza e de desenvolvimento em função de seus valores, suas necessidades e prioridades. Não consideram a pobreza apenas como falta de renda.
* Um número crescente de indígenas vive nas cidades devido à degradação de suas terras, da expropriação, dos despejos forçados e da falta de oportunidades de emprego.
Fonte: Fida

Criador da arquitetura Earthship vem ao Brasil para palestra e projeto de vila sustentável





O modelo de arquitetura desenvolvido por Reynolds tem como intuito gerar o menor impacto ambiental possível.




O arquiteto norte-americano Mike Reynolds, criador do conceito Earthship de arquitetura sustentável com a reutilização de materiais, está com data para vir ao Brasil. Entre os dias 23 e 24 de março, ele dará palestras em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e ainda desenvolverá a 1a Vila Sustentável Earthship na cidade.



Para antecipar um pouco o que irá abordar durante encontro e tirar dúvidas dos participantes, Reynolds, participará, na próxima quarta-feira (15), às 19h, de um bate-papo com internautas, através de uma Live pelo Facebook (veja aqui). A ação contará com tradução simultânea.



O modelo de arquitetura desenvolvido por Reynolds tem como intuito gerar o menor impacto ambiental que uma construção pode ter. Por isso, seus projetos são elaborados considerando as questões climáticas locais, usando materiais alternativos e, na maior parte das vezes, reaproveitados, além de outras soluções que usam a natureza a favor da obra e da utilização dos espaços.


Um dos destaques do arquiteto foi a construção da primeira escola sustentável do América Latina, localizada no Uruguai. O prédio foi construído por voluntários entre janeiro e março de 2016, usando muitos materiais alternativos e soluções bioclimáticas. (Clique aqui para ver os detalhes deste trabalho).



Durante o encontro em Ribeirão Preto, o arquiteto abordará a história da “Earthship” e os seis princípios que a regem: a coleta e o armazenamento de água da chuva, tratamento de esgoto, uso de energias renováveis e de massa térmica para aquecer e resfriar o ambiente, de materiais reciclados e produção de comida. O arquiteto ainda compartilhará experiências vivenciadas em diferentes lugares do mundo em seus 45 anos de profissão e o desenvolvimento de técnicas ambientais.


Segundo a arquiteta Fátima Souza, uma das organizadoras do evento e integrante da equipe que construiu a escola no Uruguai, o seminário será uma excelente oportunidade para profissionais e estudantes de Arquitetura e áreas afins aprenderem sobre as obras “Earthship”.




“As estruturas criadas pelo arquiteto Mike Reynolds aproveitam materiais que seriam descartados, como latas de alumínio, garrafas plásticas, pneus usados, além de itens naturais como madeira e terra. Os espaços produzidos mantêm a temperatura ambiente e o funcionamento é independente de energia e água de redes externas. Outro destaque, é a produção de alimentos por meio das células botânicas que limpam toda a água utilizada na casa e depois é devolvida à natureza, sem poluentes”, explica.
Vila Sustentável Earthship



Além do ciclo de palestras Mike Reynolds desenvolverá o projeto de construção da 1ª Vila Sustentável Earthship em Ribeirão Preto (SP), que tem como objetivo dar moradia e dignidade a 54 moradores vindos da luta antimanicomial e de outros grupos em vulnerabilidade social.


Fátima conta que a ação tem como propósito abrir novas portas para a economia e a sustentabilidade da cidade.  “Principalmente quando se trata da correta destinação do lixo que está em vias de comprometer o Aquífero Guarani, manancial de água doce que abastece o nosso município”, finaliza.


Clique aqui para mais informações e inscrições.
http://www.palestramikereynolds.com.br/


Fonte: Ciclo Vivo

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Unesco mantém título de Reserva da Biosfera ao Pantanal


Por Fabio Pellegrini
A Serra do Amolar, barreira natural do pulso de inundações da planície pantaneira, é uma das áreas menos antropizadas da Reserva da Biosfera do Pantanal. Foto: Fabio Pellegrini.
A Serra do Amolar, barreira natural do pulso de inundações da planície pantaneira, é uma 
das áreas menos antropizadas da Reserva da Biosfera do Pantanal. Foto: Fabio Pellegrini.


Campo Grande (MS) – O Comitê Internacional de Aconselhamento das Reservas da Biosfera (IACBR) da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) anunciou recentemente, em Paris, a manutenção do título de Reserva da Biosfera ao Pantanal, considerado a maior área úmida continental do planeta.


O reconhecimento é um importante instrumento de gestão que abre possibilidades de se promover ações para melhoria de qualidade de vida da população e para sustentabilidade da região. A Reserva da Biosfera do Pantanal (RB Pantanal) é a terceira maior do mundo, com área de 264.176 km². Abrange os estados do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e uma pequena parcela de Goiás, mais precisamente o Parque Nacional das Emas, sendo dividida em três zonas: Núcleo, Amortecimento e Transição.


“Com o selo da Unesco e da Reserva servindo como identificação de origem de produtos e atividades turísticas e culturais, as práticas sustentáveis existentes nesses espaços são incentivadas, de forma a fortalecer a relação do homem com a natureza, a preservar os recursos naturais e a identidade de seus habitantes”, explica Flávia Neri, vice-presidente do Conselho Executivo da RB Pantanal.


“A Unesco indica diretrizes para gestão do território de forma a prover a conservação da biodiversidade, a sustentabilidade das atividades da pecuária que se pratica na região desde o século XVIII, a pesca artesanal, o turismo sustentável e o ecoturismo. São iniciativas econômicas que a RB Pantanal privilegiará como alavancas do desenvolvimento sustentável da região pantaneira”, explica ela.


O Conselho é formado por órgão governamentais, instituições de pesquisa, ONGs, e proprietários de reservas privadas (RPPNs) e foi criado no ano passado após o Ministério do Meio Ambiente (MMA) comunicar aos estados de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso que o comitê da Unesco havia feito sérias recomendações ao governo brasileiro sobre o nível de implementação da RB Pantanal, o que colocava em risco a permanência do título concedido em 2000.


Muitos títulos, pouca ação
Desde então, pouco se fez com o título, afora citações em textos, mapas e discursos, informação atestada no relatório “1ª Revisão Periódica Reserva da Biosfera do Pantanal 2000-2015”. O próprio Ministério do Meio Ambiente reconhece a falta de ações: “Ao longo de 15 anos, a RBP cumpriu de forma insatisfatória seus objetivos de criação e as três funções da RB”, afirma, no relatório. 


Após a criação da RB Pantanal, somente em 2008 o Ministério do Meio Ambiente formou um conselho deliberativo que não passou de um ofício de sua criação. Finalmente, em junho de 2016, após avaliação do Comitê da Unesco que serviu como uma reprimenda, algumas instituições do terceiro setor se mobilizaram para não perder o reconhecimento internacional e deram o recado, repassando o “dever de casa” em plena crise institucional do governo federal.


A partir de então, e às pressas, finalmente foi estabelecido um plano de ações de curto, médio e longo prazos que visa pôr em prática os objetivos da chancela: “Na verdade já havia boas práticas de sustentabilidade na região, sejam da iniciativa privada, do setor governamental ou de ONGs, porém sem integração, isoladas, que agora, por meio da criação dos comitês estaduais, serão devidamente agregadas para fortalecer esse importante selo”, sublinha Flávia.
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Rol seleto
O Pantanal também possui o título de Sítio do Patrimônio Mundial Natural “Áreas de Conservação do Pantanal”, concedido pela Unesco no ano de 2000, além de três Sítios Ramsars: o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Rio Negro e a RPPN Sesc Pantanal.


O título de Reserva da Biosfera coloca o Pantanal em um rol de 669 áreas em 120 países que têm por finalidade a Pesquisa Cooperativa, a Conservação do Patrimônio Natural e Cultural e a Promoção do Desenvolvimento Sustentável. No Brasil, são 7 Reservas da Biosfera: Mata Atlântica, Cinturão Verde de São Paulo, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Amazônia Central e Serra do Espinhaço.